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Dia Nacional da Alfabetização

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Alfabetização é tradicionalmente definida como a capacidade de ler e escrever. No mundo moderno, esta é uma maneira de interpretar a alfabetização. Uma interpretação mais ampla é a alfabetização como conhecimento e competência em uma área específica.

O conceito de alfabetização evoluiu em significado. O significado do termo moderno foi expandido para incluir a capacidade de usar linguagem, números, imagens, computadores e outros meios básicos para entender, comunicar, obter conhecimento útil, resolver problemas matemáticos e usar os sistemas de símbolos dominantes de uma cultura.

Dia Nacional da Alfabetização

Dia 14 de novembro é o Dia Nacional da Alfabetização. Instituído em 1966, o dia escolhido homenageia a data da criação do Ministério da Educação e Cultura, em 1930.

Sabemos que a alfabetização é um processo contínuo e que há vários tipos de alfabetização (e vários analfabetismos…) em diferentes sistemas de comunicação. No entanto, hoje é um dia para lembrarmos com mais atenção desse processo fundamental para o desenvolvimento crítico pleno de cada cidadão, e refletirmos sobre a importância de passar essa habilidade adiante.

14 de Novembro

E AGORA, ESCOLA ?

Ela me olhou e disse: ‘Encontrei um lindo poema de Fernando Pessoa’. Fiquei contente, porque gosto muito de Fernando Pessoa. Aí ela disse o primeiro verso.

Fiquei mais contente ainda, porque era um poema que eu conhecia. Ato contínuo, ela abriu o livro e começou a ler. Epa! Senti-me mal. As palavras estavam certas. Mas ela tropeçava, parava onde não devia, não tinha ritmo nem música. Não, aquilo não era Fernando Pessoa, embora as palavras fossem suas.” Rubem Alves Em um mundo onde cobramos a eficiência, a leitura é um dos melhores meios para que se possa adquirir conhecimento. E, até há pouco tempo, a Escola era considerada “o lugar” da aprendizagem por excelência, mas com a vinda de novos tempos, Cinema, Rádio, TV, Computador, o mundo se transformou ampliando os espaços do conhecimento. E, agora Escola?

Paulo Freire nos diz que o objetivo da Escola é ensinar o aluno a “ler o Mundo”, para poder transformá-lo e não em o professor agir como quem deposita conhecimento em um aluno apenas receptivo, dócil. Assim, a Escola precisa ser um espaço questionador, nada de ser um lugar de “receitas prontas” para se fazer um teste depois. Você concorda?

Alfabetizar não se trata de um mero processo de transmissão de uma técnica particular (a de ler e escrever), mas, sim, na arte de produzir uma mudança na consciência do educando, onde o conhecimento da leitura é apenas um dos elementos. Ler é a arte de colher idéias, não apenas de decodificar, mas compreender, interpretar e ampliar a sua visão de mundo. O educando precisa criar uma consciência critica de si e de sua realidade.

O processo de alfabetização, na criança, pode chegar a dois anos. De nada adianta ser um analfabeto funcional que é aquele que lê, mas não interpreta o que lê.

Nem aquele que é o copista, que apenas copia as formas das letras, sem saber o que significam. Paulo Freire nos diz que “Não basta saber ler que ‘Eva viu a uva’. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.” Temos de pensar é em ações como educação integral, qualificar os professores de alfabetização, pois eles são o princípio de tudo.

Aprendemos “o gosto” pela leitura: ouvindo o artista interpretar o texto. O intérprete dá vida ao texto, nos faz vibrar de emoção, como diz William Shakespeare no segundo ato de Hamlet: “Não é incrível que um ator, por uma simples ficção, um sonho apaixonado, amolde tanto a sua alma à imaginação que todo se lhe transfigura o semblante, por completo o rosto lhe empalideça, lágrimas vertam dos seus olhos, suas palavras tremam, e inteiro o seu organismo se acomode a essa mesma ficção?”.

Tenho a impressão de que, se os jovens não gostam de ler, é porque não tiveram a experiência de ouvir a leitura feita por alguém que tenha sido “possuído” pelo texto. Enfim, precisamos refletir neste Dia Nacional da Alfabetização, pois, a informação só tem valor quando se transforma em conhecimento e o conhecimento só tem valor quando aquilo que aprendemos nos ajuda a resolver situações da vida real…

Tornam-se necessários “concertos de leitura” para seduzir os ouvintes à beleza da leitura. Não custam nada. Uma única coisa é necessária: o artista, o intérprete… Acho que todo mundo se sentiria seduzido pela leitura, ao ouvir textos de Adélia Prado, Rubem Alves, Gabriel García Marquez…

Então podemos finalizar dizendo como Paulo Freire: “A Educação não muda o mundo… A educação muda as pessoas… As pessoas é que mudam o mundo.”

LETÍCIA BRASILIENSE

Fonte: www.w3.ufsm.br/ www.santoafonsorj.org.br

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