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Dia Mundial da Religião

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21 de Janeiro

A religião é um sistema cultural de comportamentos e práticas, visões de mundo, ética e organização social que conecta a humanidade a uma categoria existencial.  Muitas religiões têm narrativas , símbolos e histórias sagradas que tentam para explicar o significado da vida ou explicar a origem da vida ou o universo.

De acordo com algumas estimativas, não são cerca de 4200 religiões vivas do mundo e incontáveis extinta.

A palavra religião é por vezes utilizado como um sinônimo de fé , crença ou às vezes um conjunto de deveres.

Dia Mundial da Religião

A religião acompanha a história do homem desde a época mais remota. Independente da designação que receba, ela se baseia sempre em rituais praticados sozinho ou em grupo e na crença em uma força maior, para a qual são dedicados sentimentos de amor, confiança ou respeito.

Todos os grupos sociais no mundo inteiro têm suas religiões. O que elas costumam ter em comum é a fé em um ser superior, a intermediação de um sacerdote com essa força além da humana e um senso de comunidade, de conjunto.

A maioria das religiões são teístas, mas o budismo, por exemplo, é não-teísta. De qualquer forma, teístas ou não, todas são calcadas em valores éticos e em uma visão do mundo.

Os diversos nomes

Religiões existem muitas e, de acordo com o seu próprio jeito de reverenciar uma divindade e de se posicionar no mundo, receberão nomes diferentes e seguidores próprios.

Vejamos algumas: Afro-tradicionais

Religião tradicional do continente africano. Tem como principal característica a ausência de um livro sagrado, baseando-se em mitos e rituais que são transmitidos oralmente. Suas crenças e costumes têm mais a ver com a experiência diária do que com princípios morais de salvação espiritual.

Apesar de se acreditar em um Deus supremo, é dada uma atenção maior a espíritos secundários, principalmente espíritos ancestrais, líderes ligados a algum clã ou tribo. Com a colonização européia, iniciada no século XVII, o contato com o islamismo e o cristianimo alterou algumas concepções das religiões africanas tradicionais, ocorrendo o sincretismo religioso, ou seja, a mistura de uma religião com outra.

Budismo

Religião fundada por Siddharta Gautama – o Buda – na Ásia Central, por volta de 563-483 a.C. Difundiu-se por todo o leste asiático, ensinando como o ser humano pode escapar do ciclo nascimento e morte (reencarnação), através da conquista do mais alto conhecimento, ao alcançar o nirvana.

Confucionismo

Doutrina ética e política, fundada por Confúcio (551-479 a.C), que por mais de dois mil anos constituiu o sistema filosófico dominante da China. Seu pensamento consiste em definir as relações humanas individuais em função das instituições sociais, principalmente família e Estado. Na verdade, o confucionismo e o taoísmo tiveram predominância na educação e na vida intelectual da China, enquanto o budismo exerceu importante influência na vida social.

Cristianismo

Conjunto das religiões cristãs (catolicismo, protestantismo e religiões ortodoxas orientais), que se baseia nos ensinamentos de Jesus Cristo. Seu maior ensinamento, que Ele afirmava resumir todas as leis e os profetas, era o seguinte: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Hinduísmo

Religião professada pela maioria dos povos da Índia. Cultua um grande número de deuses e deusas e seus seguidores acreditam na reencarnação e na união com o Deus supremo – Brama – pela libertação espiritual. Os hinduístas têm rituais diários obrigatórios e também os não-obrigatórios, mas de enorme valor para eles, como a peregrinação a lugares sagrados: rio Ganges, por exemplo.

Judaísmo

Religião do povo hebreu e a partir do qual surgiu o cristianismo. Os judeus não acreditam que o Cristo era o Messias (filho de Deus) e ainda esperam pela sua vinda. Existe também um outro tipo de judaísmo – judaísmo alexandrino – que é fortemente influenciado pelo pensamento grego. Moisés, que libertou o povo hebreu da escravidão no Egito, é considerado seu profeta maior.

Taoísmo

Filosofia religiosa desenvolvida principalmente pelo filósofo Lao-tse (séc. VI a.C). A noção fundamental dessa doutrina é o Tao – o Caminho – princípio sintetizador e harmônico do Yin (feminino) e Yang (masculino). O acesso ao Caminho se dá pela meditação e pela prática de exercícios físicos e respiratórios.

Maometismo

Religião fundada por Maomé (570-652 d.C); do islã, muçulmana. Afirma a existência de um único Deus – Alá – e acredita que o Cristo foi um grande profeta. Maomé, no entanto, não é cultuado em si mesmo nem considerado um intermediador entre Deus e os homens. Para os muçulmanos, sua vida é o ponto máximo da era profética, sendo as leis do islamismo o cumprimento das revelações anteriores feitas pelos profetas das religiões reveladas, como o cristianismo e o judaísmo.

Situação no mundo

O cristianismo continua sendo a religião com mais adeptos no mundo: cerca de um terço da humanidade. O restante está dividido entre religiões não-cristãs, como o islamismo, o budismo e o hinduísmo.

Os conflitos existentes entre seguidores de diversas crenças no mundo são muitos e vários deles têm origem muito antiga. As desavenças entre palestinos e judeus no Oriente Médio, por exemplo, é fruto de uma longa história – política e religiosa – que inclui os dois povos.

A mais recente foi a criação do Estado de Israel para os judeus, em 1948, não aceita pelos palestinos que viviam nas terras demarcadas com aquele intuito.

Outro conflito bem conhecido é o que ocorre, há séculos, entre católicos e protestantes na Irlanda do Norte. O curioso nesse embate é que, ao contrário do que sempre aconteceu na história da humanidade, os católicos, no caso, são o povo oprimido.

O século XX terminou sem que esses conflitos tivessem um fim. Espera-se que, neste século, a humanidade finalmente encontre o caminho do respeito e da conciliação, independente da religião que cada povo pratica.

A Data

Dia 21 de janeiro é data de curiosa celebração. Celebra-se em todo o mundo o Dia Mundial da Religião. Data ainda pouco conhecida e divulgada na mídia, merece, no entanto uma atenta reflexão.

Porque sem dúvida traz à tona e à baila um tema que – contrariamente às expectativas dos tempos modernos e seculares – vai adquirindo cada vez mais importância, à medida que a humanidade avança novo milênio afora.

Certamente na velha Idade Média não precisaria haver um Dia Mundial da Religião. O mundo medieval era essencialmente religioso. A concepção de mundo, de ser humano, de arte, de saber era teocêntrica, ou seja, tinha a Deus por centro.

E Deus é o centro irradiador e convergente em torno ao qual gira e se forma a religião. É da experiência de Deus, do contato com o Ser Transcendente que nenhuma categoria humana explica que nasce a religião, feita de símbolos, ritos e doutrina.

A modernidade retirou Deus do centro da visão de mundo e da organização do saber, colocando aí o ser humano. O mundo moderno, à diferença do medieval, passou a ser antropocêntrico e não mais teocêntrico.

O homem é a medida de todas as coisas e o saber, o pensar, o sentir desejam ser autônomos e não mais tutelados por uma religião.

A religião passou então a ser um setor da vida e da organização social e científica, não sendo mais o centro a partir do qual se explica a vida. Alguns mesmo – como Marx, Freud e Nietzche, chamados com razão de “mestres da suspeita” – profetizaram seu fim.

No entanto, essas profecias parece que não se cumprem. Ao invés de desaparecer e acabar, a religião re-aparece sob novas formas e configurações, mostrando que na verdade nunca se retirou e sempre esteve presente na vida humana.

O fato de haver um Dia Mundial da Religião parece demonstrar essa presença não carente de importância da transcendência e do divino no meio de uma realidade que parecia prescindir dela.

O que celebramos, pois quando celebramos um Dia Mundial da Religião. Primeiro que tudo é preciso entender o que está no fundo desta celebração. É preciso entender o que é religião.

Religião é a crença na existência de uma força ou forças sobrenaturais, considerada (s) como criadora (s) do Universo, e que como tal deve(m) ser adorada(s) e obedecida(s). É a manifestação de tal crença por meio de doutrina e ritual próprios, que envolvem, em geral, preceitos éticos.

A palavra religião vem de re-ligar, quer dizer, daquilo que liga, que faz a conexão, a relação do ser humano com aquilo ou Aquele que não é humano, que é transcendente, que é sobrenatural. Portanto, é a ligação misteriosa do ser humano com algo ou alguém maior do que ele, que ele não controla nem domina e que, no entanto, se mostra, se manifesta, se revela.

Há muitas pessoas que não têm ou pretendem não ter nenhuma religião. Não acreditam que haja nada além daquilo que nós, humanos, podemos ver e ouvir com nossos olhos e ouvidos e tocar com nossas mãos. Há muito mais gente, no entanto, que faz a experiência da fé e a expressa em determinada religião.

Acredita que tudo não termina ali onde os sentidos humanos podem ver, ouvir e tocar. Acredita que há algo, alguém, uma força, uma pessoa, que está acima dos limites humanos, em sua origem e fim como Criador.

Algo ou alguém que anda a seu lado como proximidade salvadora e redentora. Algo ou alguém que habita em seu interior como força propulsora e santificadora. Quem crê e vive isso, sob qualquer denominação que seja, é uma pessoa religiosa.

Durante muitos séculos, a experiência religiosa no mundo ocidental era quase que exclusivamente configurada pela tradição judaico-cristã. Ser religioso era sinônimo de ser cristão e em muitos casos, católico. Hoje, com o processo intenso de migrações e o advento da globalização, o mundo é plurireligioso.

Em todas as latitudes convivem lado a lado pessoas de diferentes tradições religiosas, vivendo o grande desafio de acolher as diferenças uns dos outros e dialogar com essas diferenças, tornando-as potencialidade de vida e harmonia.

No Dia Mundial da Religião celebra-se, é verdade, o equívoco das profecias daqueles que pretendiam estar o mundo presenciando o fim da religião.

Mas, mais ainda, comemora-se a grande chance que a religião, qualquer que ela seja, dá ao ser humano de empenhar sua vida por valores mais altos do que os imediatismos que a sociedade consumista propõe.

Celebra-se e comemora-se a potencialidade do humano de desejar e acolher o divino e, a partir da relação e do diálogo com os outros e com o Outro, procurar construir um mundo onde o amor vença o ódio e a vida seja mais forte que a morte.

Maria Clara Lucchetti Bingemer

Fonte: es.wikipedia.org/IBGE/www.users.rdc.puc-rio.br

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