Dia do Correio Aéreo Nacional

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12 de Junho

Dia do Correio Aéreo Nacional é comemorado anualmente em 12 de junho. A data celebra o primeiro voo oficial realizado em 12 de junho de 1931, que marcou o início da integração do território brasileiro pela Força Aérea Brasileira.

Dia do Correio Aéreo Nacional significa o reconhecimento do serviço de transporte aéreo que conecta regiões remotas do Brasil, criado pelos Tenentes Nelson Freire Lavenère-Wanderley e Casimiro Montenegro Filho.

Dia do Correio Aéreo NacionalDia do Correio Aéreo Nacional

História

O poder aéreo nasceu em 1913, após o homem adquirir o domínio das máquinas voadoras, um pouco antes do início da Primeira Guerra Mundial.

No Brasil, mediante acordo governamental, tivemos a presença de militares franceses ligados ao que, naquele tempo, não era ainda uma arma aérea, mas uma capacidade bélica de emprego dos “engenhos voadores”.

Assim, no Campo dos Afonsos, Rio de Janeiro, se fez presente uma missão militar, com o objetivo de treinar pilotos militares da Marinha e do Exército, visando ao emprego de aeronaves em objetivos militares.

Essa missão deu origem à Escola Brasileira de Aviação, que iniciou suas atividades em 2 de fevereiro de 1914, interrompendo-as em 18 de junho do mesmo ano.

Evidentemente, o desenvolvimento da Aviação como arma aérea teve o seu início na Primeira Guerra Mundial, quando aeronaves foram empregadas em missões de Observação no campo de batalha.

A partir dessas missões de Observação, passou-se a utilizar o avião também para a regulagem de tiros de artilharia e para missões de interceptação de aviões inimigos, incrementando-se a utilização da potencialidade da arma aérea.

Surgia, assim, no cenário mundial, a Aviação de Caça que, inicialmente, conduzia atiradores de elite nas naceles traseiras das aeronaves, atirando nos aviões incursores que tentavam realizar Observação.

Daí, evoluiu-se para o lançamento de bombas, a princípio com a mão, e posteriormente com o emprego de engenhos mecânicos, seguindo-se a instalação de uma maior capacidade de tiro a bordo da aeronave e operada pelo próprio piloto.

Esses fatores serviram de estímulo e desafio para as mentes militares que, naquela ocasião, tiveram disposição e oportunidade de participar ativamente no desenvolvimento dessa nova arma.

Na época, o Brasil recebeu uma série de aeronaves para treinamento de suas Aviações – Militar (Exército) e Naval (Marinha)- e enfrentou o novo desafio, adestrando e preparando suas equipagens, além de, seguindo uma tradição histórica iniciada no século 17, partir, pelo ar, para o desbravamento do interior do País, lançando-se na abertura de novas rotas aéreas, com o apoio do Departamento de Comunicações do então Ministério de Viação e Obras Públicas, que fazia o controle do movimento dessas e de outras aeronaves.

Foi grande a participação das comunidades municipais, que, para auxiliar a nossa Aviação, escreviam o nome da cidade sobre o telhado das estações ferroviárias, como forma de orientar os aviões que seguiam para o interior do País. Nessa época, as facilidades e auxílios para a navegação aérea praticamente inexistiam.

12 de junho de 1931, dois Tenentes da Aviação Militar – Nélson Freire Lavenére-Wanderley e Casimiro Montenegro Filho – pilotando um Curtiss Fledgling, saíram do Rio de Janeiro e chegaram a São Paulo, conduzindo uma mala postal (com 2 cartas). Nascia assim o Correio Aéreo Militar (CAM).

Esse CAM, atualmente denominado Correio Aéreo Nacional (CAN), permanece com a missão de assegurar a presença do Governo Federal nos mais diversos rincões do Brasil, o que levou o nosso Congresso, tocado por um forte espírito cívico, a exigir da Força Aérea Brasileira a continuidade da operação do Correio Aéreo Nacional, incluindo-o na Constituição de 1988.

Os fatos históricos abordados até o momento permitiram que se criasse no País, no final da década de 30, uma atmosfera de questionamento sobre a arma aérea, e de que forma deveria ela ser administrada pela Nação.

Debates calorosos ocorreram, tanto no Clube Militar como através dos jornais da época, movidos por aviadores militares das duas Aviações Militares – Marinha e Exército – que buscavam defender posições: se as armas aéreas deveriam continuar no âmbito das duas Forças, ou se elas deveriam agrupar meios aéreos de ambas e constituir uma arma única e independente, vindo a ser a única a administrar a atividade aérea no Brasil.

A segunda corrente prevaleceu, tornando-se vitoriosa no dia 20 de janeiro de 1941, quando foi criado o Ministério da Aeronáutica, tendo como primeiro titular da pasta um civil – Dr. Joaquim Pedro Salgado Filho. Esta foi a solução adotada pelo Governo de então para manter as duas Forças em harmonia.

Os anos seguintes permitiram um engrandecimento do setor aeronáutico brasileiro, tendo sido criada uma respeitável infra-estrutura por todo o País, aumentando a capacidade tecnológica e organizando toda a aviação civil e militar.

O Ministério da Aeronáutica manteve-se atuante até 10 de junho de 1999, quando foi criado o Ministério da Defesa. A partir de então, passou a ser denominado Comando da Aeronáutica, tendo como primeiro Comandante o Ten.-Brig.-do-Ar Walter Werner Bräuer.

O Patrono do Correio Aéreo Nacional

O Tenente Brigadeiro-do-Ar Nelson Freire Lavenére-Wanderley, além de assinalado historiador da Força Aérea Brasileira, estudioso de estratégia e piloto militar, foi consagrado, por Lei 7490 de 12 jun 1986, patrono do Correio Aéreo Nacional (CAN) por haver sido o pioneiro desta instituição de assinalados serviços prestados à Integração do Brasil e ao adestramento realista, em navegação, de várias gerações de pilotos militares.

Isto ao ser o primeiro piloto a realizar um voo do CAN, em 12 jun 1931, no K-263 – Curtiss Fledg Ling, do Rio a São Paulo, junto com seu antigo instrutor, Ten Casemiro Montenegro, o hoje patrono da Indústria Aeronáutica Brasileira , por haver fundado o ITA e o CTA .

Lanenére -Wandrley acumulou, de 1950-63, mais de 2000 horas de voo como piloto de bimotores e quadrimotores do CAN, quando tornou-se conhecedor de suas linhas e da problemática das regiões por elas cobertas.

Ingressou na Cavalaria da Escola Militar do Realengo em 1927. Em 1929 transferiu-se para a Escola de Aviação da mesma Escola, sendo declarado Aspirante em 21 jan. 1930. Em 20 nov. 1930 recebeu seu diploma de Piloto – Observador – Metralhador.

Como comandante da Esquadrilha de Treinamento com aviões Curtiss Fledg Ling foi que realizou seu histórico vôo pioneiro no CAN.

Foi o primeiro brasileiro a tirar curso de piloto militar nos EUA, experiência que serviu de base para o resto de sua brilhante carreira de aeronauta.

De retorno foi instrutor – chefe de Aviação no Realengo.

Cursou a ECEME no Andaraí e na Praia Vermelha em 1939-40. Criado o Ministério da Aeronáutica integrou o gabinete de Salgado Filho. Depois foi Chefe de Ensino da Escola de Aeronáutica, quando participou da escolha de Pirassununga para sediar a AFA.

Integrou Comissão Militar Brasileira que partiu para o TO do Mediterrâneo para estudá-lo sob a chefia de seu ex-cmt no Realengo e amigo, Gen Div Mascarenhas de Morais. Lá permaneceu como Oficial – de – Ligação e Observador Militar sendo classificado no QG da Força Aérea do Mediterrâneo como Brasilian Liason Officer. Cursou a Escola de Controladores de Caça da RAF, no Cairo.

Acompanhou o Ministro Salgado Filho no Panamá, em visita ao 1º Grupo de Caça Brasileiro, em final de treinamento e com o qual, nos EUA, ficou apto para missões de combate nos Thunderbolt p-47.

Acompanhou no TO do Mediterrâneo a epopéia do 1º Grupo de Caça – O Senta a Pua, sobre o que escreveu em uma de suas muitas obras sobre o assunto: “A atuação do 1º Grupo de Caça na Itália é a página mais gloriosa da História da FAB.”

Lavenére – Wanderley voou em missões de combate com o 1º Grupo de Caça para compreender seus problemas, embora não tivesse a isto obrigado como oficial de Estado – Maior.

Após, desempenhou importantes e elevadas funções, inclusive a de Ministro da Aeronáutica e Chefe do EMFA. Foi o fundador do CEBRES – Centro de Estudos Estratégicos. Comandou a ECEMAR.

Lavenére-Wanderley nasceu no Rio de Janeiro em 27 out 1907. Faleceu em São Paulo em 30 ago 1985, perdendo a Força Aérea um dos seus mais ilustres integrantes. Confirmou toda a vida o que dele disse seu técnico de instrução francês da MMF, em 1930: “Aluno de belas qualidades. Calmo e refletido, de caráter muito simpático. Muito bom piloto.”

O INCAER ao sintetizá-lo assim se expressou:

Na carreira militar – O profissional brilhante, preparado e dedicado, exemplo de comandante e líder.
Na família – Esposo, pai e amigo dotado das virtudes dos homens de bem, exemplo de chefe e companheiro.
Como homem – Homem como os que todos os países civilizados necessitam nos momentos de paz e nos apuros de guerra, exemplo de estadista.”

O Patrono da Força Aérea Brasileira – FAB

O Marechal – do -Ar Eduardo Gomes, que passou a História como Brigadeiro, foi consagrado, pela Lei 7243 de 6 nov 1984, patrono da Força Aérea Brasileira, em função da sua influência marcante na Aviação Militar e Força Aérea Brasileira, no sentido da operacionalidade crescente das mesmas; comando da 2ª Zona Aérea, no Recife, durante a 2ª Guerra Mundial; reequipamento e modernização da FAB; ajuda a solução dos problemas de seus homens; idealização, atuação e direção exemplar do Correio Aéreo Nacional e liderança inconteste, em seu tempo, sobre a Aeronáutica e FAB, pela autoridade moral que detinha, e o respeito que infundia, em função de sua coragem, idealismo, vida exemplar, dedicação extremada a Aeronáutica e a sua gente, coerência, dignidade, firmeza de convicções, vontade férrea e acentuado patriotismo e religiosidade; qualidades que contagiaram seus contemporâneos e que hoje inspiram os integrantes da FAB para a qual ele é o soldado do ar brasileiro, símbolo e padrão.

Eduardo Gomes cursou Artilharia na Escola Militar do Realengo 1915-18, em período quase coincidente com a 1ª Guerra Mundial que assinalou o surgimento e difusão de Aviação Militar.

Seu contato inicial com a Aviação Militar foi no curso de Observador Aéreo, função importante para orientar os tiros de Artilharia sobre seus alvos.

Em 5 jul 1924, participou da Revolta do Forte de Copacabana, evento que passou para a História como, Episódio dos 18 do Forte, que foi motivado pela prisão injusta e em local incompatível com o seu posto, do Presidente do Clube Militar. Marechal Hermes da Fonseca, ex – Ministro do Exército e, ex – Presidente da República além de líder da profissionalização do Exército.

Em 5 jul 1924, participou em São Paulo de nova revolução. Então comandou um batalhão da Polícia Militar de São Paulo; liderou a Artilharia revolucionária e pilotou um avião, na tentativa de lançar boletins sobre as tropas legais e bombardear o palácio do governo.

Participou em Minas Gerais da Revolução de 30. Oficial de Gabinete do Ministro da Guerra, defendeu a criação do Correio Aéreo Militar que trouxe benéficos reflexos no adestramento da Aviação Militar e na Integração Nacional. Combateu a Revolução de 32 comandando seus aviadores no Sul de Minas e Vale do Paraíba.

Em 27 nov. 1935, como tenente coronel, no comando do 1º Regimento de Aviação no Campo dos Afonso, liderou a reação contra o levante comunista ali ocorrido, o que lhe valeu merecida fama.

Passado este quadro agitado concentrou-se na supervisão do Correio Aéreo Militar.

Passou a integrar o Ministério da Aeronáutica criado em 1941 e onde o alcançou a 2ª Guerra Mundial. Como brigadeiro comandou a 2ª Zona Aérea no Nordeste, com sede no Recife e sobre isto escreveu o INCAER: “O tenente de 1922, agora brigadeiro de 1941, assumiu o comando da 2ª Zona Aérea com jurisdição sobre o mar, no Nordeste, no qual travava-se vigorosa campanha contra submarinos agressores.

É a Aviação de Patrulha, incansável, dia e noite sobre o mar. É a construção de novas bases. É o recebimento de novos aviões e a adaptação de equipagens. É a reciclagem dos pilotos e suas adaptações a novas técnicas de voo. É o preparo de pessoal subalterno. É a preocupação com o homem, com o atendimento de suas necessidades pessoais e de suas famílias. É a convivência com nossos aliados que combatem lado a lado conosco, em nossas bases sobre o oceano, no esforço de guerra comum”, no Saliente Nordestino que foi o Trampolim da Vitória Aliada.

Consultado sobre a possibilidade de cessão do comando de nossas bases aéreas respondeu – seco e altaneiro – NUNCA!

Com a 2ª Zona Aérea acumulava a direção do agora CAN – Correio Aéreo Nacional, fusão do Correio Aéreo Naval, resultado da criação do Ministério da Aeronáutica.

Eduardo Gomes foi Ministro da Aeronáutica em 1954-55 e de 1965-67. Da profícua obra a frente da pasta registra-se: Aquisição dos C-82 Fairchild – os Vagões Voadores; criação da Esquadrilha de Reconhecimento e Ataque; aquisição de aviões C-130 Hércules e Búfalos e aprovados estudos sobre a fabricação do Bandeirante e realização de manobras reais com a participação da Escola de Comando e Estado – Maior da Aeronáutica, além da criação do Grupo de Suprimento e Manutenção do Galeão.

Eduardo Gomes fez seu último voo, em 20 set 1960, no Correio Aéreo Nacional, no C-47 2015, quando também deixou o serviço ativo por haver completando idade limite de permanência. Na Reserva jamais olvidou a Aeronáutica e seus problemas.

Em 1975, ao prefaciar a 2ª Edição da História da Força Aérea, do Tenente-Brigadeiro Lavenére-Wanderley que o substituiu no patronato do CAN, escreveu a certa altura, num testemunho por seu apreço a História e Tradições da FAB que hoje o INCAER se incumbe de pesquisar, interpretar e divulgar: “… o livro do “brigadeiro Lavenére Wanderley recomenda-se à jovem oficialidade da FAB, para que, melhor a conhecendo no passado, mais possa amá-la e respeitá-la, orgulhando-se de servi-la.”

Fomos testemunhas na Estação de Passageiros do Aeroporto Militar de Brasília do profundo respeito que a figura do Brigadeiro Eduardo Gomes infundia.

A estação estava lotada de personalidades civis, militares e eclesiásticas. Alguém anunciou a presença do Brigadeiro no recinto. Fez-se profundo silêncio e como um passe de mágica todos se voltaram para a sua venerada figura e o reverenciam com um gesto de cabeça com o mais profundo respeito e carinho. Dava a impressão que adentrara no recinto um santo cívico.

Foi uma cena muda, tocante, do mais profundo respeito e reconhecimento cívico – militar e uma grande reserva moral, que deu ao Brasil e a Aeronáutica o melhor de si. Valeu tê-la assistido e agora a testemunhado.

Eduardo Gomes nasceu em Petrópolis, em 20 set 1896 e faleceu no Rio de Janeiro, em 13 jun 1981,aos 84 anos , sem descendentes e como cristão de fé robusta. É seu biógrafo o brigadeiro Deoclécio Lima de Siqueira que foi l Presidente do INCAER, na obra Caminhada com Eduardo Gomes, em que demonstra a fidelidade do patrono da Aeronáutica ao lema” Servir, nunca se servir”.

Fonte: Colégio São Francisco/www.ahimtb.org.br/www.fab.mil.br/www.incaer.aer.mil.br

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