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18 de Julho
O Dia do Trovador é comemorado em 18 de julho no Brasil. A data homenageia o nascimento de Gilson de Castro, conhecido como Luiz Otávio, o “Príncipe dos Trovadores” e fundador da União Brasileira de Trovadores. A data celebra a trova, uma composição poética popular de quatro versos (quadra) com sete sílabas poéticas, de temática lírica ou filosófica.
A origem da trova, enquanto arte de poesia cantada, remonta à Idade Média no Sul da França.
A Trova é o menor poema da língua portuguesa, caracterizado pela estrutura de quatro versos em redondilha maior, com rimas e sentido completo.
Dia do Trovador
O dia 18 de julho é o dia consagrado aos trovadores do Brasil. A data foi fixada por leis estaduais e municipais, onde que haja um cultor da Trova, em homenagem ao Trovador LUIZ OTÁVIO, o responsável pelo insuperável movimento literário brasileiro, que é o movimento trovadoresco nacional.
No dia do Trovador, todas as Seções da União Brasileira de Trovadores – UBT e Delegacias espalhadas por centenas de municípios brasileiros comemoram a data com almoços festivos, reuniões, com as chamadas chuvas de trovas, (centenas de trovas impressas) jogadas das janelas dos trovadores, para que os transeuntes se deliciem com as trovas que vão caindo ao sabor do vento. São realizadas palestras, enfim, cada seção ou delegacia comemora da melhor forma que pode a passagem do dia legalmente dedicado ao trovador.
A data foi escolhida em homenagem a LUIZ OTÁVIO, o Dr. Gilson de Castro, um dos mais conceituados Cirurgiões – Dentistas da época, formado pela Faculdade Nacional de Odontologia da Universidade do Brasil, em 1936. Sua clientela não ficava restrita apenas ao município Rio de Janeiro, se espalhava por São Paulo, Santos, Belo Horizonte e outras cidades mais próximas da sede do seu consultório, que, recordo como se fosse hoje, ficava na Rua do México, 119, no 9º Andar.
LUIZ OTÁVIO nasceu no Rio de Janeiro, no dia 18 de julho de 1916. Filho de OCTÁVIO DE CASTRO e Dona ANTONIETA CERQUEIRA DA M. CASTRO.
LUIZ OTÁVIO foi o precursor do movimento trovadoresco brasileiro, tendo publicado em 1956, a primeira Coletânea de Trovas, intitulada “Meus irmãos, os Trovadores”, contendo mais de duas mil Trovas, mais de seiscentos autores brasileiros, notas elucidativas e bibliográficas.
O “Castanheira – de Pêra”, Jornal Português de 11 de agosto de 1958 publicou sobre Meus Irmãos, os Trovadores: “Esta coletânea, a primeira do gênero, veio preencher uma lacuna que se fazia sentir. Apresenta mais de seiscentos autores brasileiros, duas mil trovas, inúmeras notas bibliográficas e elucidativas e minuciosa introdução com um estudo sobre a trova. É um valioso trabalho que se impõe. A Luiz Otávio, em quem há muito reconhecemos idoneidade literária e bom sentido poético, apresentamos os nossos parabéns e os desejos de que o seu trabalho tenha a divulgação que a todos os títulos merece”.
Referindo-se ao mesmo trabalho de LUIZ OTÁVIO, A ILHA, JORNAL DA África- São Miguel dos Açores, de 16 de fevereiro de 1957, registrou: Esta grande coletânea de trovas honra LUIZ OTÁVIO pelo seu trabalho, seriedade, competência e cultura, contribuindo para uma melhor compreensão deste tão “simples e difícil” gênero poético.
O Correio da Manhã do Rio de Janeiro, na edição de 27 de janeiro de 1957, em coluna assinada por Sílvia Patrícia, assinalou: “Meus Irmãos, os Trovadores, o volume novo que LUIZ OTÁVIO – Papai Noel da Poesia- ofereceu-nos no Natal que passou, é quase um romance no qual cada pena desta nossa irmandade de sonho narra, em quatro linhas, uma alegria ou uma tristeza, cardos e flores encontrados pelo caminho.”
O Jornal O Positivo, de Santos Dumont, MG., em coluna assinada por Antônio J. Couri, no dia 1º de outubro de 1957, escreveu sobre Meus Irmãos, os Trovadores: “Raríssimas são as vezes em que o Brasil tem a oportunidade de conhecer coletâneas de poesias, ou , simplesmente quadras. Agora temos uma apresentada por LUIZ OTÁVIO, porém de trovas. De uma organização primorosa , o autor de “Cantigas para Esquecer” soube escolher a matéria que compõe o livro, constituindo assim um verdadeiro monumento de arte da poesia nacional.”
Evidentemente, não seria necessário selecionarmos as opiniões acima para este modesto trabalho a respeito do Dia do Trovador e de LUIZ OTÁVIO, o responsável pelo reconhecido movimento trovadoresco da atualidade, que começo a se firmar a partir da publicação de “Meus Irmãos, os Trovadores”, obra que reuniu trabalho de trovadores de todos os recantos do território nacional, numa época em que os meios de comunicação ainda eram bastante precários, o que, por certo, valorizou ainda mais o livro, pelo trabalho incessante do Autor, inveterado apaixonado pela trova, como escreveu.
“A trova tomou-me inteiro!
tão amada e repetida,
agora traça o roteiro
das horas de minha vida.”
“Trovador, grande que seja,
tem esta mágoa a esconder:
a trova que mais deseja
jamais consegue escrever …
Por estar na solidão,
tu de mim não tenhas dó.
Co trovas no coração,
eu nunca me sinto só.
No ano de 1960, em Congresso de Trovadores realizados em São Paulo, foi eleita a Família Real da Trova, ficando assim constituída: Rainha da Trova: LILINHA FERNANDES (Maria das Dores Fernandes Ribeiro da Silva); Rei da Trova: ADELMAR TAVARES e Príncipe dos Trovadores, LUIZ OTÁVIO (Gilson de Castro). Mesmo já sendo falecidos, continuam com o título, pois outros trovadores só poderão adquirir o título se houver uma Eleição Nacional ou um Congresso realizado com esta finalidade, em que participe um número muito grande de trovadores, com a participação de representantes de todo o país, uma vez que não pode ser reconhecido qualquer título literário supostamente alcançado com a votação de sócios de uma academia, associação, centro literário etc, com exceção de sua Diretoria.
Ainda no ano de 1960, LUIZ OTÁVIO, juntamente com J. G. de Araújo Jorge, criaram os Jogos Florais de Nova Friburgo, com o apoio do Prefeito Municipal da Cidade, Dr. Amâncio de Azevedo e do Trovador Rodolpho Abbud, até hoje o mais respeitado trovador da Cidade, Jogos Florais que se realizam, ininterruptamente, desde 1960 e seus festejos fazem parte do calendário oficial da Cidade e são realizados como parte dos festejos do aniversário de Nova Friburgo.
No dia 21 de agosto de 1966, LUIZ OTÁVIO fundou a União Brasileira de trovadores – UBT – no Rio de Janeiro e a UBT Nacional,com sede também no Rio de Janeiro, tendo a mesma se expandido em pouco tempo, contando hoje com uma infinidade de Seções e Delegacias em quase todo o território nacional, onde se realizam cerca de 80 concursos de Trovas por ano, na maioria com mais de um tema o que, no cômputo geral, chega a mais de 120 certames por ano.
LUIZ OTÁVIO foi o primeiro Presidente da UBT, tendo se tornado pouco tempo depois Presidente Nacional e posteriormente, Presidente Perpétuo, o mais alto título concedido pela agremiação.
Recebeu o título máximo da trova, Magnífico Trovador, nos Décimos Quintos Jogos Florais, por ser vencedor três anos consecutivos com as trovas:
XIII Jogos Florais – Tema Silêncio – 1º lugar:
” Nessas angústias que oprimem,
que trazem o medo e o pranto,
há gritos que nada exprimem,
silêncios que dizem tanto !.. “
XIV Jogos Florais � tema Reticências – 2º lugar:
“Eu …você …as confidências…
o amor que intenso cresceu
e o resto são reticências
que a própria vida escreveu…”
XV Jogos Florais – tema Fibra – 10º lugar:
” Ele cai … não retrocede ! …
continua até sozinho …
que a fibra também se mede
pelas quedas no caminho …”
LUIZ OTÁVIO publicou os livros:
Saudade… muita saudade! / Poesia / 1946
Um Coração em ternura / Poesia / 1947
Trovas / Trovas (três edições) / 1954 – 1960 – 1961
Meus Irmãos. / Os Trovadores Coletânea de Trovas / 1956
Meu Sonho Encantador / Poesias / 1959
Cantigas para Esquecer / Trovas / 1959 e 1961
Cantigas de Muito Longe / Trovas / 1961
Cantigas dos Sonhos Perdidos / Trovas / 1964
Trovas… Ao Chegar do Outono / Trovas / 1965
Registramos outras trovas de LUIZ OTÁVIO, que demonstram porque, após quinze anos de criar os Jogos Florais de Nova, como outros grandes trovadores, ele sagrou-se Magnífico Trovador.
” Se a saudade fosse fonte
de lágrimas de cristal,
há muito havia uma ponte
do Brasil a Portugal.”
“Ao partir para a outra vida,
aquilo que mais receio,
é deixar nessa partida,
tanta coisa pelo meio … “
“Pelo tamanho não deves
medir valor de ninguém.
Sendo quatro versos breves
como a trova nos faz bem. “
“Busquei definir a vida,
não encontrei solução,
pois cada vida vivida
tem uma definição…”
” Não paras quase ao meu lado … !
e em cada tua partida,
eu sinto que sou roubado
num pouco da minha vida …”
“Portugal ” jardim de encanto
que mil saudades semeias
nunca te vi … e, no entanto,
tu corres nas minhas veias …
“Meus sentimentos diversos
prendo em poemas tão pequenos.
Quem na vida deixa versos,
parece que morre menos …”
“ Contradição singular
que angustia o meu viver:
a ventura de te achar
e o medo de te perder … “
” estrela do céu que eu fito,
se ela agora te fitar,
fala do amor infinito
que eu lhe mando neste olhar … “
“Ó mãe querida” perdoa ! ´
o que sonhaste, não sou …
– Tua semente era boa !
a terra é que não prestou !
Além de grande Trovador, campeão de centenas de Concursos de Trovas e Jogos Florais, realizados em várias cidades do país, LUIZ OTÁVIO era um exímio compositor, sendo dele a autoria do Hino dos Trovadores, Hino dos Jogos Florais, das Musas dos Jogos Florais e de várias outras obras musicais.
Hino dos Trovadores:
” Nós, os trovadores,
somos senhores
de sonhos mil !
Somos donos do Universo
através de nosso verso.
E as nossas trovas
são bem a prova
desse poder:
elas têm o dom fecundo
de agradar a todo mundo ! “
Hino dos Jogos Florais
” Salve os Jogos Florais Brasileiros !
a Cidade se enfeita de flores !
Corações batem forte, fagueiros,
a saudar meus irmãos trovadores !
Unidos por laços fraternais,
nós somos irmãos nos ideais;
– não há vencidos, nem vencedores ;
pois todos nós cantamos , somos trovadores; e as nossas trovas sentimentais
são sempre mensageiras de amor e paz !.
A Oração do Trovador é o Poema de são Francisco de Assis, Padroeiro dos Trovadores, cujo aniversário, dia 4 de outubro é muito festejados pelos cultores da Trova.
E para encerrar esta homenagem ao Dia do Trovador, focalizando a figura mais importante do mundo trovadoresco, LUIZ OTÁVIO, registramos dois sonetos, dos inúmeros que escreveu, contido em um dos seus livros de poesias, “Meu Sonho Encantador”.
O IDEAL
Esculpe com primor, em pedra rara,
o teu sonho ideal de puro artista !
Escolhe, com cuidado, de carrara
um mármore que aos séculos resista !
Trabalha com fervor, de forma avara !
Que sejas no teu sonho um grande egoísta !
Sofre e luta com fé, pois ela ampara
a tua alma, o teu corpo em tal conquista !
Mas, quando vires, tonto e deslumbrado,
que teu labor esplêndido e risonho
ficará dentro em breve terminado,
pede a deus que destrua esse teu sonho,
pois nada é tão vazio e tão medonho
como um velho ideal já conquistado ! …
ORGULHO
Venho de longe… venho amargurado
pelas noites sem fim, nesse cansaço
de receber tão só, triste e calado,
a incompreensão do mundo passo a passo…
Eu trago a alma sem fé do revoltado
e o gesto do vencido em cada braço…
E tu me surges – Anjo imaculado –
a oferecer repouso em teu regaço…
Porém tua alma feita de inocência
serenidade e Luz, não avalia
a penumbra invulgar dessa existência…
Deixa-me, pois, seguir o meu caminho,
renunciar, viver nessa agonia,
mas tenho o orgulho de sofre sozinho !…
Assim, mostramos um pouco da poética de LUIZ OTÁVIO, Príncipe dos Trovadores Brasileiros, Magnífico Trovador e Presidente Perpétuo da União Brasileira de Trovadores e responsável pelo sucesso alcançado pela Trova e pelos Trovadores.
Origem das Trovas
A poesia trovadoresca foi um gênero singular que floresceu entre os séculos XI e XIII no sul da França, especialmente na Provença, e no norte da Itália e da Espanha.
Uma das mais brilhantes formas poéticas já criadas, a arte dos trovadores influenciou toda a poesia lírica posterior na Europa.
Trovador é a denominação dada ao poeta lírico medieval que, em geral, não só compunha música para suas poesias românticas como também as recitava, quase sempre se fazendo acompanhar de um instrumento musical.
A palavra trovador origina-se do verbo provençal trobar, que também significa “encontrar”, “inventar”.
Assim, o trovador era alguém que inventava novos poemas, descobrindo versos novos para sua elaborada lírica de amor. Os trovadores escreviam na língua da Provença (langue d’oc ou occitana), ao contrário dos poetas mais cultos, que compunham em latim.
Muitos poemas dos trovadores foram preservados em manuscritos conhecidos como “cancioneiros” e as regras que governavam sua arte foram estabelecidas num trabalho chamado Leys d’mors, de 1340.
O trovador ganhava a vida apresentando-se nos palácios dos nobres e nas cortes reais e sua influência foi sem precedentes na história da poesia medieval. Favoritos nas cortes, tinham grande liberdade de expressão e ocasionalmente até mesmo interferiam na arena política, mas sua grande contribuição foi criar uma aura até então inédita de cortesia e amenidade em torno das damas da nobreza.
Os poemas líricos cantados exigiam técnica própria para serem entendidos pelo auditório. Mais que a originalidade, o poeta escolhia temas conhecidos, como o amor cortesão e a narração pastoral, e um tratamento que fosse familiar aos ouvintes.
O gênero espefífico da poesia amorosa dos trovadores era a canção (cansó) que segundo as Leys d’amors, devia ter de cinco a sete estrofes e era considerada a suprema forma lírica.
Os trovadores cultivaram também outros estilos e formas poéticas: o planh, elegia; pastorela, diálogo entre o cavalheiro e a pastora; sirventés, sátira política ou religiosa; alba, que cantava a separação dos amantes na madrugada; jeu parti ou debate, um diálogo entre dois poetas; e balada ou sansa, uma canção para dançar com um refrão.
O trobar clar (ou plan) é a poesia “clara”, “plana” ou “leve”; o trobar clus, a poesia “fechada, “rica”, “obscura” ou “hermética”. Mais de duas centenas de melodias que acompanhavam as poesias foram conservadas.
Gulherme IX, conde de Poitiers e duque da Aquitânia, foi o primeiro trovador conhecido. Outros trovadores provençais foram Raimbault de Vaqueyras, Bertran de Born e Peire Vidal.
Os trovadores da península ibérica, que compunham em língua galego-portuguesa, são os poetas dos cancioneiros (Cancioneiro da Ajuda, Cancioneiro da Vaticana).
Fonte: Colégio São Francisco/www.movimentodasartes.com.br/www.ubtnacional.com.br/www.trovas.com.br
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