Dia de Oxalá

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15 de Janeiro

O dia 15 de janeiro é amplamente celebrado no Brasil como o Dia de Oxalá, o orixá mais respeitado na umbanda e candomblé, símbolo de paz, sabedoria, criação e harmonia. Considerado o pai de todos os orixás, sua energia traz equilíbrio e serenidade para o início do ano.

A data é uma referência para o culto à divindade, que também é reverenciado semanalmente, especialmente na sexta-feira, dia consagrado a ele. É comum vestir branco, realizar rituais de limpeza, acender velas brancas e saudar com “Èpa Bàbá!”

As Duas Faces é Oxalá é cultuado em duas formas principais: Oxaguiã (o moço, guerreiro) e Oxalufã (o velho, sábio).

O significado de Oxalá representa a luz, a pureza, a fé e a criação da humanidade.

15 de janeiro é uma data especial de oração por equilíbrio e justiça, marcando o início do ano com proteção.

Dia de OxaláDia de Oxalá

Orixá associado à criação do mundo e da espécie humana. Apresenta-se de duas maneiras: moço – chamado Oxaguiam, e velho – chamado Oxalufam.

O símbolo do primeiro é uma idá (espada), o do segundo é uma espécie de cajado em metal, chamado ôpá xôrô.

A cor de Oxaguiam é o branco levemente mesclado com azul, do de Oxalufam é somente branco. O dia consagrado para ambos é a sexta-feira.

Sua saudação é ÈPA BÀBÁ ! Oxalá é considerado e cultuado como o maior e mais respeitado de todos os Orixás do Panteão Africano.

Simboliza a paz é o pai maior nas nossas nações na Religião Africana. É calmo, sereno, pacificador, é o criador, portanto respeitado por todos os Orixás e todas as nações. A Oxalá pertence os olhos que vêem tudo.

ARQUÉTIPO DOS FILHOS DE OXALÁ

As pessoas de Oxalá são calmas, responsáveis, reservadas e de muita confiança. Seus ideais são levados até o fim, mesmo, mesmo que todas as pessoas sejam contrárias a suas opiniões e projetos. Gostam de dominar e liderar as pessoas. São muito dedicados, caprichosos, mantendo tudo sempre bonito, limpo, com beleza e carinho. Respeitam a todos mas exigem ser respeitados.

OXALÁ – LENDA

Olodumaré entregou a Oxalá o saco da criação para que ele criasse o mundo. Porém essa missão não lhe dava o direito de deixar de cumprir algumas obrigações para outros Orixás e Exu, aos quais ele deveria fazer alguns sacrifícios e oferendas.

Oxalá pôs a caminho apoiado em um grande cajado, o Paxorô. No momento em que deveria ultrapassar a porta do além, encontrou-se com Exu que, descontente porque Oxalá se negara a fazer suas oferendas, resolveu vingar-se provocando em Oxalá uma sede intensa. Oxalá não teve outro recurso senão o de furar a casca de um tronco de um dendezeiro para saciar a sua sede.

Era o vinho de palma o qual Oxalá bebeu intensamente, ficou bêbado, não sabia onde estava e caiu adormecido. Apareceu então Olófin Odùduà que vendo o grande Orixá adormecido roubou-lhe o saco da criação e em seguida foi a procura de Olodumaré, para mostrar o que teria achado e contar em que estado Oxalá se encontrava.

Olodumaré disse então que “se ele esta neste estado vá você a Odùduà, vá você criar o mundo”. Odùduà foi então em busca da criação e encontrou um universo de água, e aí deixou cair do saco o que estava dentro, era terra. Formou-se então um montinho que ultrapassou a superfície das águas.

Então ele colocou a galinha cujos pés tinham cinco garras. Ela começou a arranhar e a espalhar a terra sobre a superfície da água, onde ciscava cobria a água, e a terra foi alargando cada vez mais, o que em Ioruba se diz IlE`nfê expressão que deu origem ao nome da cidade Ilê Ifê.

Odùduà ali se estabeleceu, seguido pelos outros Orixás e tornou-se assim rei da terra.

Quando Oxalá acordou, não encontrou mais o saco da criação. Despeitado, procurou Olodumaré, que por sua vez proibiu, como castigo a Oxalá e toda sua família, de beber vinho de palma e de usar azeite de dendê.

Mas como consolo lhe deu a tarefa de modelar no barro o corpo dos seres humanos nos quais ele, Olodumaré insuflaria a vida.

OXALÁ

Dia de OxaláOxalá

Ao contrário de Exu, Oxalá ou Orixalá é o mais calmo. Pai de todos os orixás simboliza a paz, a pureza, a tranqüilidade. Seu dia é a sexta-feira. Sua cor é o branco. Come frango, pombo, carneiro, inhame, arroz com mel, milho branco. Suas frutas são uva, laranja mimo do céu. Maça branca. Bebe água mineral. Seu elemento é o céu.

Um dia Oxalufam, que vivia com seu filho Oxaguiam, velho e curvado por sua idade avançada, resolveu viajar a Oyó em visita a Xangô, seu outro filho. Foi consultar um babalaô para saber acerca da viagem. O adivinho recomendou-lhe não seguir viagem. Ela seria desastrosa e acabaria mal.

Mesmo assim, Oxalufam, por teimosia, resolveu não renunciar à sua decisão. O adivinho aconselhou-o então a levar consigo três panos brancos, limo-da-costa e sabão-da-costa, assim como a aceitar e fazer tudo que lhe pedissem no caminho e não reclamar de nada, acontecesse o que acontecesse. Seria uma forma de não perder a vida.

Em sua caminhada, Oxalufam encontrou Exú três vezes. Três vezes Exú solicitou ajuda ao velho rei para carregar seu fardo, que acabava derrubando em cima de Oxalufam. Três vezes Oxalufam ajudou Exú, carregando seus fardos imundos. E por três vezes Exú fez Oxalufam sujar-se de azeite de dendê, de carvão, de caroço de dendê.

Três vezes Oxalufam ajudou Exú. Três vezes suportou calado as armadilhas de Exú. Três vezes foi Oxalufam ao rio mais próximo lavar-se e trocar suas vestes. Finalmente chegou a Oyó. Na entrada da cidade viu um cavalo perdido, que ele reconheceu como o cavalo que havia presenteado a Xangô.

Tentou amansar o animal para amarrá-lo e devolvê-lo ao filho. Mas neste momento chegaram alguns súditos do rei à procura do animal perdido. Viram Oxalufam com o cavalo e pensaram tratar-se do ladrão do animal.

Maltrataram e prenderam Oxalufam. Ele, sempre calado, deixou-se levar prisioneiro.

Mas, por estar um inocente no cárcere, em terras do Senhor da Justiça, Oyó viveu por longos sete anos a mais profunda seca. As mulheres tornaram-se estéreis e muitas doenças assolaram o reino. Xangô desesperado, procurou um babalaô que consultou Ifá, descobrindo que um velho sofria injustamente como prisioneiro, pagando por um crime que não cometera.

Xangô correu para a prisão. Para seu espanto, o velho prisioneiro era Oxalufam. Xangô ordenou que trouxessem água do rio para lavar o rei. O rei de Oyó mandou seus súditos vestirem-se de branco. E que todos permanecessem em silêncio. Pois era preciso, respeitosamente, pedir perdão a Oxalufam. Xangô vestiu-se também de branco e nas suas costas carregou o velho rei. E o levou para as festas em sua homenagem e todo o povo saudava Oxalá e todo o povo saudava Xangô. Depois Oxalufam voltou para casa e Oxaguiam ofereceu um grande banquete em celebração pelo retorno do pai.

AIÊ – “O RECANTO DOS ORIXÁS”

Esse estudo combinado de desenhos e textos surge como um dos resultados das várias pesquisas de campo realizadas pela equipe do LEO (Laboratório de Estudos da Oralidade) junto às manifestações da religiosidade afro-brasileira, na cidade de João Pessoa – PB, com especialmente atenção para a umbanda. Desde 1996 estamos fazendo registros sistemáticos das várias festas que compõem o calendário religioso dessas manifestações religiosas, fazendo uso de fotografias, gravações em vídeo e em cassete, com o intuito de observarmos as particularidades relacionadas ao canto, música, poesia e danças, seguindo a trilha deixada pelos estudos dos cocos, realizados neste Laboratório.

As nossas pesquisas se centralizam principalmente no Templo Religioso de Umbanda Nossa Senhora do Carmo, situado no bairro da Torre, em João Pessoa; casa da Ialorixá Maria dos Prazeres. A ordem de louvação aos orixás normalmente é fixa nas festas realizadas neste templo: inicia-se com um ponto de defumação, depois canta-se para Exu e Pombagira; depois Ogum (orixá que abre os caminhos); Odé (outro nome para Oxóssi, deus da caça); Omulu (orixá que tanto traz, quanto cura as doenças); Nanã (a velha iabá); os “Beijinhos” (entidades infantis); Oxum (orixá da beleza, do amor, do ouro e dos rios); Xangô (senhor da pedreira e da justiça); Iansã (que domina os ventos e os eguns); Iemanjá (a mãe sempre farta, rainha do mar) e por fim Orixalá (o senhor da criação, “rei do mundo inteiro”).

Os pontos cantados de umbanda pertencem a um conjunto de formas poéticas populares com função e sentido religioso: são poemas simples, sem marca de autoria, ligados intimamente ao canto e a dança e que guardam um universo simbólico onde se misturam tanto elementos herdados dos negros africanos quanto da tradição católico-popular brasileira

É através desses cantos sagrados que se invocam os deuses, os pedidos são feitos e se operam as mudanças na natureza dos espaços sagrados. Podemos atestar a força mágica da voz e das palavras que assumem o status de ponte de ligação entre os fiéis e o Aiê, terra encantada onde moram os orixás. Cantar o ponto é abrir caminho um caminho para a chegada do orixá. No entanto, os pontos são apenas uma parte de um todo simbólico específico de cada entidade, que compreende ainda os trajes que normalmente obedecem a um padrão cromático correspondente a cada orixá, os paramentos, os pontos riscados, as comidas e as lendas, que podem aparecer diluídas nas estruturas internas dos pontos cantados, pois alguns deles têm um caráter narrativo, dando assim continuidade ao ato de contar e recontar as vidas e façanhas dos orixás a cada vez que são trazidos à tona pela memória dos tiradores.

Os desenhos combinados com os pontos cantados de cada orixá, recontam as narrativas e trazem à tona o universo mítico-simbólico desse culto. Dessa forma, o nosso trabalho foi apenas o de juntar os pedaços desse quebra-cabeça que envolvia as várias imagens gravadas em vídeo e em cassete, as fotografias e principalmente, a fala de cada um dos filhos-de-santo que conhecemos, que contavam através dos seus cantos e corpos as lendas de cada entidade, dançando nas festas e abrindo caminhos para a chegada dos deuses.

EXU

É o responsável pela comunicação entre homens e deuses. Domina as porteiras e encruzilhadas. Quando há festa de orixá, Exu sempre recebe a primeira oferenda. É um orixá brincalhão, ousado, bom e ruim ao mesmo tempo. Suas cores são vermelho e preto. Fuma charuto, cachimbo e cigarro. Bebe cachaça, água e mel.

Come farofa de dendê, bode e frango. Seu elemento é o fogo.

Dia de OxaláExu

OGUM

É o orixá do ferro e da guerra. Abre e domina os caminhos com sua espada. Suas cores são verde e vermelho. Toma cerveja branca. Come farofa de dendê com feijão verde, bode, frango e feijoada. Suas frutas são manga espada e cana-de-açúcar. Seu dia é terça-feira. Seu elemento é o ferro.

Dia de OxaláOgum

ODÉ

Domina as matas. Deus da caça, do verde. Suas cores são verde e branco. Come porco, bode e frango. Suas frutas são melão e sapoti. Seu dia é a quinta-feira. Seu elemento é a mata.

Dia de OxaláOdê

OMULU

Senhor das doenças. Tanto cura quanto causa, principalmente as doenças de pele. Ele foi abandonado por ter o corpo coberto por chagas; por isso usa uma veste de palha da costa. Suas cores são branco, preto e vermelho. Come bode, frango e pipoca. Sua fruta é a romã. Seu dia é a segunda-feira. O elemento de Obaluaê, como também, é chamado, é a doença.

Dia de OxaláOmulu

NANÃ

Deusa das águas barrentas, da lama. É uma senhora velha que domina o lodo dos rios e dos mares. É calma, lenta e constante. Sua comida é cabra, franga e farinha de milho. Sua cor é o roxo. Sua fruta é uva escura. É carinhosamente chamada de “vovó”. Seu dia é o sábado. Seu elemento é o barro, a lama.

Dia de OxaláNanã

IBEJI

Orixás crianças. Poderosos. São brincalhões, mas trabalham tanto quanto os outros orixás. Suas cores são todas. Comem bolo, cocadas, manjares, caruru, balas e doces. Adoram água com açúcar, mel e guaraná. Seu dia é o domingo. Suas frutas são melancia, banana, maçã, pêra e melão. Seus elementos são os brinquedos e tudo ligado às crianças.

Dia de OxaláIbeji

OXUM

Dona do ouro, deusa do amor, rainha das cachoeiras. Materna, bela e vaidosa, delicada e jovem. Adora receber presentes: flores, jóias, espelhos, e perfumes; e banhar-se nas águas dos rios. Coem doce, franga, cabra, bolo, mel, omolucum. Suas frutas são mamão, banana, maçã, melancia, melão, laranja mimo do céu. Sua cor é o amarelo. Seu dia é quinta-feira. Seu elemento é a água doce.

Dia de OxaláOxum

XANGÔ

É o orixá da justiça. Deus dos trovões, das pedreiras. Suas cores são vermelho e branco. Come frango, carneiro, amalá, jerimum. Suas frutas são maçã ejambo. Seu dia é a quarta-feira. Seu elemento é a pedra.

Dia de OxaláXangô

IANSÃ

Rainha dos ventos, raios e tempestades. É um orixá sensual, muito feminina, guerreira e valente. Usa um chicote para espantar os eguns. Sua cor é o rosa coral. Come cabra, franga, acarajé e cenoura com mel. Suas frutas são jambo, maçã vermelha e manga rosa. Seu dia é quarta-feira. Seu elemento é o vento.

Dia de OxaláIansã

IEMANJÁ

Orixá maternal. Acolhedora e compreensiva, calma e ativa. Rainha das águas. O mar é a sua morada. É a mãe da maioria dos orixás. Iemanjá não tolera mentira e traição, por isso seus filhos demoram a confiar em alguém. Sua comida é franga de leite, ovelha, milho branco, manjar, arroz com mel. Suas frutas são maçã branca, uva, pêra, melão. Seu dia é o sábado. Sua cor é o azul claro. Seu elemento é o mar.

Dia de OxaláIemanjá

Fonte: Colégio São Francisco/guardioesdaluz.com.br/www.ufpb.br/ocandomble.wordpress.com

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