Dia do Caboclo

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24 de Junho

Dia do Caboclo é comemorado no Brasil em 24 de junho. No entanto, em um contexto de forte valorização cultural e religiosa (especialmente na Bahia e em religiões de matriz africana), o dia 2 de julho também é amplamente celebrado como o dia dos Caboclos e Boiadeiros, coincidindo com a Independência da Bahia.

A data 24 de Junho valoriza a miscigenação, a cultura rústica e a ligação com a natureza do caboclo brasileiro.

A data reverencia o mestiço de branco e índio, valorizando sua cultura, conhecimento da natureza e ancestralidade.

A data homenageia a figura do caboclo, o mestiço que preserva saberes tradicionais, vive em harmonia com a natureza e é um elo entre o mundo indígena e o brasileiro

Dia do CabocloDia do Caboclo

Chamamos de “caboclo” ao indivíduo que nasce da miscigenação entre índios e brancos, portanto é um grupo étnico que tem origens muito antigas, ou seja, desde a época em que o Brasil foi colonizado por estrangeiros (brancos) que se união às índias brasileiras, ou vice-versa.

Por suas origens, o caboclo tem características próprias que acabou se tornando parte da cultura brasileira: com jeito simples e de aspecto rústico, o caboclo é sempre ligado à natureza, trabalha para sua própria subsistência em plantações e criações de animais, conhece a sabedoria de seus antepassados e preserva-a sempre.

A figura do caboclo faz parte da cultura brasileira, tanto que dia 24 de Junho é o Dia do Caboclo.

Caboclo

Já no início do desbravamento das terras brasileiras, da mistura das raças surgia um camponês típico – maioria rural – muito fraterno e solidário, apegado à natureza, sem preconceitos e só comparável a ele mesmo: o caboclo.

caboclo vive, ou vivia, num mundo estranho, povoado de seres misteriosos bons e ruins, mais ruins que bons, dos quais é preciso se defender. Para complicar a situação também a natureza oferece perigos, mas ele não esmorece, dá o seu jeito.

caboclo tem sua própria e exclusiva cosmologia – uma forma de interpretar e explicar a realidade: o jandiá vira sapa, o caranguejo morre e ressuscita, a mosca nasce do lixo …

Tudo é sentido em sua pele, interiorizado, formando um único conjunto. Sua relação com a natureza é um pulsar cheio de vida que esta lhe proporciona, uma palavra significa mil intenções e sensações. Mas para se perceber este universo tem que ser caboclo ou conviver com ele, aspirar o ar que ele respira, andar com seus passos, imitar o toque de sua viola, voltarmos à nossa inocência e mergulhar neste mundo, pronto para saboreá-lo por todos os poros possíveis.

Na literatura brasileira, Monteiro Lobato fez história criando o personagem Jeca Tatu, a própria personificação do caboclo: preguiçoso na primeira versão, doentio e subnutrido a partir das demais versões – ao ponto de tornar-se o personagem literário mais famoso em todo o país.

Caboclo, ou Mameluco

caboclo, ou mameluco, vem da miscigenação da raça branca com a indígena, com predominância dessa última. O resultado dessa mescla, é uma raça forte e bonita.

A miscigenação é o resultado da mistura de povos diferentes e os brasileiros herdaram essa mestiçagem desde a época da colonização.

Podemos dizer que uma quarta parte da população brasileira são descendentes de índios e branco.

O índio amazônico, por seu temperamento dócil, foi facilmente dominado pelo branco colonizador.

Como os colonizadores europeus geralmente vinham para o Brasil sozinhos, sem as esposas, as aborígines acabavam alvo de assédios sexuais e serviam de matrizes para a criação da raça cabocla.

Esse assédio era tão comum, que o fundador da cidade de Santarém (PA), um padre chamado João Felipe Betendorf, confinava as índias solteiras em uma espécie de curral, por um período de tempo, sob pretexto religioso, mas o real motivo era protegê-las do colonizador branco.

Ao longo do século XVIII, o homem branco europeu também percorreu a região sul e encontrou muitas tribos indígenas em seu caminho.

A miscigenação de brancos e índios foi inevitável. A tradição agrícola dos indígenas é um legado ao caboclo, que manteve o mesmo apego à terra de seus antepassados.

Com o passar dos anos, o termo caboclo passou de étnico-produtivo à social-produtivo por reconhecer como caboclo todo indivíduo que se dedica à economia agrícola de subsistência, seja ele de origem indígena ou não.

Perante a constituição, todos os seres humanos têm direitos, independente de raça, cor e religião. Infelizmente, esses direitos da cidadania muitas vezes não são respeitados em função de um racismo ainda existente no Brasil.

O que devemos lembrar é que todos nós brasileiros descendemos de “índios e negros” e que nossos antepassados foram os responsáveis pela construção do nosso país, portanto, a miscigenação deve ser exaltada e respeitada, pois nós somos essa mistura de raças e não há sentido mantermos o preconceito em nosso país.

O Estatuto das Raças e o Caboclo – A Realidade na Amazônia

Estatuto da Igualdade Racial demonstra, mais uma vez, o desapreço do governo central para com a Amazônia. É certo que o desconhecimento da região (seria demais acreditar em má-fé) não é privilégio dos governantes, os aclamados intelectuais brasileiros sempre cometeram e cometem equívocos quando fazem alguma abordagem sobre a Amazônia.

Mário de Andrade é marcante (expoente do movimento modernista da década de 20, do século XX, que via a mestiçagem no Brasil a grande virtude da nação brasileira) em Macunaíma (com acento, como escrevem os hermanos de Venezuela, em tradução da pesquisa do etnógrafo alemão Theodor Koch-Grünberg, de 1910, que registrou a lenda da entidade dos índios karib em “Do Orinoco ao Roraima”), quando em Roraima diz-se Macunaima (sem acento, da mesma forma sonora de Sorocaima, Pacaraima, … Roraima ); não foi diferente Darcy Ribeiro em seu “O povo brasileiro – formação e sentido de Brasil” (1995), quando faz menção aos amazônidas; o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, na década de 50, do século passado, em seu “Cor e mobilidade racial em Florianópolis” (1960) e outros estudiosos começaram a construir o entendimento geral com dados específicos que negro é todo aquele que não é branco, abstraindo totalmente a população amazônica.

Recentemente o doblê de cientista social e jornalista Ali Kamel em seu “Não somos racistas: uma reação aos que querem nos transformar numa nação bicolor” (2006) poderia ter enriquecido seus escritos e, certamente, ampliado seus argumentos, se conhecesse a história da Amazônia e seus habitantes mais legítimos – o caboclo. Os caboclos que, como descendentes indígenas, desenvolveram as suas matrizes e os seus valores, a partir do íntimo contato com o ambiente físico e biológico (Samuel Benchimol, Amazônia – formação social e cultural, 1999).

Ora, falar de branco e/ou negro na Amazônia não encontra grande eco, considerando-se a população essencialmente mestiça, apesar do genocídio na fase final da Cabanagem (1835-1840) determinando pelo poder central (Pasquale Di Paolo, Cabanagem: a revolução popular da Amazônia, 1990). Mestiço que na Amazônia é chamado de caboclo.

Antes dos brancos portugueses chegarem à Amazônia, em 1616, espanhóis, franceses, ingleses, holandeses e irlandeses já haviam marcado presença na região. Vieram depois os italianos, os turcos, os sírios e os libaneses, os judeus. Os orientais (amarelos) chegaram a partir de 1928, com a colonização japonesa iniciada pelo Pará. Os negros (africanos) foram trazidos à Amazônia em cifras bem modestas, desde 1702, conforme nos revela Vicente Sales (O negro no Pará – sob o regime da escravidão, 1988), com maior concentração em Belém do Pará, menos na Capitania do Rio Negro (atual Estado do Amazonas) e em Macapá, nenhum no vale do rio Branco (atual Estado de Roraima), mas alguns fugitivos das fazendas e outros vindos do Maranhão e Pernambuco formaram mocambos em Marajó, Macapá, Mocajuba, Gurupi, Tocantins e Trombetas.

Inicialmente indígena, a Amazônia foi se tornando cabocla, em decorrência do contato do nativo com os migrantes colonos, militares, missionários e pesquisadores, sedimentando o processo de miscigenação biológica e cultural. Certamente, a miscigenação na Amazônia não é homogênea, como fato social que é; por um lado, pelos centros mais urbanos concentrarem maior contingente de migrantes, por outro, pelo contato entre os próprios mestiços (mameluco, mulato, cafuzo) originando o mestiço do mestiço, este, dominante na região atualmente.

A leva de migrantes nordestinos durante o ciclo da borracha (1875-1912), para enriquecimento fácil, e, durante a 2ª grande guerra (1941-1945), como soldados da borracha, trouxe o elemento brasileiro para Amazônia, com sua cobiça e o desconhecimento da região (eram chamados de “brabos” pelos caboclos, pela forma predatória em sua relação com o ambiente natural). Legado significativo dos nordestinos na Amazônia é a ocupação do Acre (Tratado de Petrópolis, em 1903). Desta forma, do contato do mestiço nordestino com o mestiço amazônida (muitas vezes com os nativos) nasceu novo mestiço na região, também, caboclo, o caboclo do centrão, longe da beira dos rios (igarapés, furos, paranás, lagos e lagoas). Nem inferior nem superior, mas caboclo, como acentuou André Vidal de Araújo (Introdução à sociologia da Amazônia, 1956).

Enfim, o caboclo não é índio (pré-colombiano); o caboclo não é branco (europeu); o caboclo não é negro (africano); o caboclo não é amarelo (asiático); … o caboclo é um mestiço. O caboclo é o amazônida.

Caboclos buscam afirmação

Para efeito de estatísticas o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística desconsidera a existência dos brasileiros frutos do cruzamento do índio com os brancos portugueses. Decisão tem gerado preotestos.

Integrantes do Movimento Pardo Mestiço Brasileiro e da Associação dos Caboclos e Ribeirinhos da Amazônia estão em busca do reconhecimento pleno da raça cabocla. Para isso, pedirão, por meio de um abaixo-assinado que será entregue às autoridades municipais, estaduais e federais, a oficialização da denominação caboclo nos registros do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os membros dos movimentos afirmam que não há políticas públicas voltadas a esta categoria – que surgiu junto com o descobrimento do Brasil, com a mistura das raças branco e indígena. Os primeiros dois sensos realizados pelo IBGE, nos anos de 1872 e 1890, foram os únicos a apresentar estatística para a raça cabocla. Sendo assim, os grupos organizados a favor da causa consideram esse fator injusto, tendo em vista que o caboclo foi o primeiro mestiço da história do Brasil.

Cerca de 42,6% da população brasileira é formada de pardos. Quando se trata da Região Norte, este número sobe para 69,2%, conforme dados do senso 2006 IBGE/Indicadores 2007. No Amazonas, a categoria é unanimidade, totalizando 74,3% da população. Contudo, não se sabe ao certo o quanto destes percentuais está relacionado ao gênero caboclo (que é a mistura do índio com o branco). As raças contidas nas estatísticas são apenas amarelo, pardo, branco, preto e indígena, sendo que o caboclo é uma raça não oficializada.

No dicionário, a palavra caboclo está relacionada a mestiço. No entanto, o IBGE não entende como tal e sim como pardo

No dicionário, a palavra caboclo está relacionada a mestiço. No entanto, o IBGE não entende como tal e sim como pardo, o qual seria, ao pé da letra, a mistura de diferentes raças.

Por conta desse problema, Integrantes do Movimento Pardo Mestiço Brasileiro e da Associação dos Caboclos e Ribeirinhos da Amazônia lutam para incorporar novamente a denominação às tabelas estatísticas, e pretendem cobrar, a partir daí, políticas públicas voltadas a esta categoria – por parte do poder público – no âmbito das três esferas (Federal, Estadual e Municipal).

Os movimentos que apóiam a raça cabocla afirmam que ela foi a primeira mestiçagem no país, sendo formada a partir do português (branco) com índios, após a descoberta do Brasil.

Mestiçagem no Brasil

Conforme estudo realizado pelo professor Simon Schwartzman, em 1998, titulado “Cor, Raça, Discriminação e Identidade Social no Brasil”, o país experimentou um alto grau de mestiçagem e convivência entre pessoas de características raciais e culturais distintas.

Porém, nunca houve uma legislação específica que tratasse as pessoas de forma diferente, mediante sua raça ou cor. Ainda de acordo com a pesquisa, para o mesmo nível de educação, na mesma profissão e na mesma região geográfica, o negro ou pardo está quase sempre em posição inferior ao branco.

O supervisor de disseminação do IBGE/AM, Adjalma Nogueira, informou que o instituto não trabalha considerando a variedade de cores e raças que existem no país, e frisou que a denominação “caboclo” está inclusa na categoria dos pardos. De acordo com ele, é importante destacar que a opção pelas cinco cores e raças foi feita por meio de diversos fatores, e um dos que mais colaboraram foi o fato da abertura de um grande leque de opções, a partir dessas raças, levando-se em consideração, ainda, que grande parte da população não sabe se auto-identificar.

A coordenadora da Associação dos Caboclos e Ribeirinhos, Helda Castro de Sá, 39, explicou que existe uma política racial, na qual todos os pardos se tornam negros, e o caboclo entra nesta denominação. Ela frisou que o governo Lula criou uma secretaria especial da igualdade racial, mas por meio do órgão apenas políticas voltadas às raças de índios e negros foram executadas até o momento, excluindo, os caboclos da região amazônica do foco.

Dia do Caboclo em pauta

Durante a Conferência Nacional de Segurança Alimentar, realizada em julho deste ano no Ceará, foram aprovadas, de acordo com Helda Castro, propostas voltadas à categoria dos caboclos. Porém, ainda não é o suficiente, destaca ela, tendo em vista que a categoria não está inserida no decreto federal que denomina e reconhece às raças. “Estamos lutando junto às entidades para fazer parte do Fórum Mestiço de Políticas Públicas. Nosso principal objetivo é a busca pela igualdade racial”, frisou.

Foi aprovada recentemente na Assembléia Legislativa do Estado (ALE) a lei estadual 3044, que cria o Dia do Mestiço, a ser comemorado pela primeira vez em 27 de junho do ano que vem. Além disso, foi sancionada uma lei estadual que estipula o Dia do Caboclo, ratificado em decreto para o dia 24 de junho. A data será comemorada anualmente pelos movimentos voltados à causa. “A próxima vitória será a incorporação do caboclo nas estatísticas do IBGE”, assegurou Helda.

Um abaixo-assinado que já conta com cerca de 1.000 assinaturas está sendo elaborado para esse mês.

Um abaixo-assinado que já conta com cerca de 1.000 assinaturas será elaborado durante todo o mês de outubro, solicitando o reconhecimento da raça. O documento será encaminhado a prefeitos do Amazonas, ao governador Eduardo Braga e aos Ministérios Públicos Federal e Estadual, além de IBGE e autoridades federais. “Estamos colhendo assinaturas nas escolas, terminais de ônibus e universidades. O caboclo é o descendente do indígena que foi escravizado. A raça surgiu, historicamente, com a descoberta do Brasil e trata-se da mistura do branco com o índio”, explicou Helda Castro. A coordenadora garante que o caboclo foi o primeiro mestiço a habitar o país.

O presidente do Movimento Pardo Mestiço Brasileiro, Jerson César Leão AIves, 40, destacou como um dos maiores problemas enfrentados pela categoria, que é típica da região Norte do país, o direcionamento das políticas públicas apenas para grupos negros. “Na Amazônia, a maioria dos pardos não descendem do preto, e sim do índio. O movimento mestiço é contrário a essa linha. É importante essa distinção, pois mostra a origem de cada pessoa”, frisou.

Fonte: Colégio São Francisco/www.amazonia.org.br/www.brasilcultura.com.br/Astrovates;Terra Literatura;Museu do Marajó

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