Facebook do Portal São Francisco Google+
+ circle
Home  Dia Nacional do Voluntariado  Voltar

Dia Nacional do Voluntariado

 

28 de Agosto

Em 2000, a ONU – Organização das Nações Unidas, ao analisar os maiores problemas mundiais, estabeleceu 8 Objetivos do Milênio – ODM, que no Brasil são chamados de 8 Jeitos de Mudar o Mundo.

Juntos nós podemos mudar a nossa rua, a nossa comunidade, a nossa cidade, o nosso país.

A REDE BRASIL VOLUNTÁRIO, que congrega centros de voluntariado de todo o Brasil, consciente da importância desse projeto, criou este site para estimular debates e propiciar o conhecimento e o engajamento de todos os interessados em participar de ações, campanhas e projetos de voluntariado que colaborem com os ODM.

Seja Voluntário: Legislação

A Lei nº 9.608/98 caracteriza como trabalho voluntário a atividade não remunerada prestada por pessoa física a entidade pública de qualquer natureza, ou a instituição privada de fins não lucrativos que tenha objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou de assistência social, inclusive de mutualidade.

Esta lei estabelece que o trabalho voluntário esteja previsto em contrato escrito - o Termo de Adesão que destaca a não existência de vínculo trabalhista no serviço voluntário.

LEI Nº 7.352, de 28 de agosto de 1985.

Institui o Dia Nacional do Voluntariado.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º - Fica instituído o "Dia Nacional do Voluntariado", a ser comemorado, anualmente, a 28 de agosto.

Art. 2º - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 3º - Revogam-se as disposições em contrário.

Brasília, em 28 de agosto de 1985; 164º da Independência e 97º da República.

JOSÉ SARNEY
Waldir Pires

Seja Voluntário: O que é ser Voluntário

Dia Nacional do Voluntariado
O Voluntariado e os Objetivos da Milênio da ONU
8 jeitos de mudar o mundo

Ser voluntário é doar seu tempo, trabalho e talento para causas de interesse social e comunitário e com isso melhorar a qualidade de vida da comunidade.

Existem diversas formas e oportunidades de participação, presencialmente ou à distância:

Realizando ações individuais

Por exemplo: profissionais liberais (médicos, advogados etc.) que atendem a uma organização social ou pessoas carentes, ou outras iniciativas como estimular matrículas de crianças em escolas, alfabetizar adultos, doar sangue, dar aulas de artesanato, incentivar a coleta seletiva de lixo.

Participando de campanhas

Por exemplo: as campanhas de doação de sangue, de coleta de livros, de brinquedos, de alimentos, de reciclagem de lixo, do trote cidadão, pela paz, pelo voto consciente, entre outras.

Juntando-se a grupos comunitários - Apoiar a escola pública local, a associação de moradores ou atuando em alguma necessidade específica da comunidade como urbanização, saneamento e saúde, etc.

Trabalhando em Organizações Sociais - que atuam em diferentes causas e oferecem inúmeras oportunidades nas áreas da saúde, assistência social, educação, cidadania, cultura, meio ambiente.

Participando de Projetos Públicos - Trabalhando junto às diversas secretarias municipais e estaduais que visam à melhoria da cidade e das condições de vida da comunidade.

Sendo Voluntário em Escolas - Procurar alguma escola pública ou particular. Participar da Associação de Pais e Mestres da escola de seus filhos ou de outros projetos ligados ao voluntariado, por exemplo, Escola da Família que funciona nos finais de semana em todo o Município de Juazeiro do Norte - Ceará.

Voluntariado Empresarial: Responsabilidade Social

É a nova postura das empresas na gestão dos negócios, comprometida com a ética e desenvolvimento sustentável e que traz impactos positivos para todos os seus públicos. A responsabilidade social empresarial é um diferencial competitivo, traz a fidelização de funcionários e clientes e a melhoria da qualidade de vida das comunidades.

Segundo o Instituto Ethos de Responsabilidade Social, “a empresa socialmente responsável é aquela que possui a capacidade de ouvir os interesses das diferentes partes (acionistas, funcionários, prestadores de serviços, fornecedores, consumidores, comunidade, governo e meio-ambiente) e consegue incorporá-los no planejamento de suas atividades, buscando atender às demandas de todos e não apenas dos acionistas ou proprietários”.

Fonte: www.juazeiro.ce.gov.br

Dia Nacional do Voluntariado

28 de Agosto

Lei Nº 7.352, 28/08/1985

A satisfação de fazer algum tipo de trabalho voluntário é realmente gratificante. Hoje, uma verdadeira "onda" de pessoas estão descobrindo o caminho "do fazer o bem sem olhar a quem".

O valioso trabalho do voluntariado já está infiltrado em vários setores. Isto mostra como é importante ser solidário com o próximo; pois pessoas não só no Brasil, como também no mundo inteiro estão sendo ajudadas pôr voluntários que tiram parte de seu tempo para trabalhar sem ganhar nada em troca.

A Organização das Nações Unidas (ONU), elegeu o dia 5 de dezembro como o DIA INTERNACIONAL DO VOLUNTÁRIO.

No Brasil, o Presidente José Sarney assinou a LEI Nº 7.352, de 28 de Agosto de 1985, que institui o Dia Nacional do Voluntariado; o qual é comemorado no mesmo dia e mês de sua publicação.

A idéia de que só os padres, irmãs de caridade e médicos faziam trabalho voluntário já acabou.

Pessoas estão ajudando uma as outras com competência em todas as partes do globo. Hoje em dia, famílias inteiras estão envolvidas em trabalhos voluntários.

Pais que foram voluntários no passado já desenvolveram o "espírito solidário" nos filhos, dando continuidade ao movimento e tornando-o cada vez mais forte e atuante.

Caso você tenha a oportunidade de fazer algum trabalho voluntário para alguém ou alguma entidade que precise de sua ajuda, não deixe de aproveitar essa chance. Depois de um dia de trabalho voluntário, quando você for dormir, até o sono é mais gostoso. Aproveite!

Fonte: Sociedade de Assistência aos Cegos

Dia Nacional do Voluntariado

28 de Agosto

No dia 28 de agosto o país comemorou o Dia Nacional do Voluntariado, movimento que hoje é considerado estratégia empresarial.

Moderno e produtivo. É esta a cara do voluntariado no Brasil hoje. Pesquisa recente realizada pela organização da sociedade civil Riovoluntário com empresas de todo o país mostra que ao contrário do que muita gente pensa, atualmente o voluntariado não é somente uma realidade de entidades filantrópicas, mas faz parte da rotina empresarial.

A pesquisa, realizada com 89 empresas (de todos os portes e setores que atuam em território nacional), mostrou que 45% das companhias mantêm programas estruturados de voluntariado com planejamento e orçamento anual e 73% delas estimulam o voluntariado em programas sociais da própria empresa. Outro dado surpreendente é que 49% do total levam em consideração dentro de seus planejamentos estratégicos, a questão do voluntariado, apoiando iniciativas dentro e fora de suas organizações.

O interesse em adotar programas de voluntariado vai muito além da preocupação social, sendo considerada por especialistas uma questão de mercado. “As empresas estão atentas ao crescimento das demandas criadas pelo aumento da concorrência. Hoje, temos um consumidor mais consciente que leva, sim, em conta, na hora de comprar seus produtos, se o fornecedor é socialmente responsável. As empresas que ainda não acordaram para essa realidade podem estar perdendo expressivas oportunidades de negócios”, explica a diretora-executiva do Riovoluntário, Heloisa Coelho.

Esta visão é corroborada pela diretora de Relações Institucionais do Centro de Voluntariado de São Paulo (CVSP), Anísia Cravo Villas Bôas Sukadolnik. “As empresas hoje sabem que precisam mudar suas práticas de gestão para torná-las mais sustentáveis. Contam com ferramentas e instrumentos na implantação da responsabilidade social empresarial e o trabalho voluntário é uma dessas ferramentas”, destaca.

O retorno para as empresas que já adotaram esta estratégia em seus negócios são imensos. Vão desde uma maior produtividade dos funcionários até um fortalecimento positivo da marca da instituição. “Quando o funcionário acredita que a empresa é realmente preocupada com o desenvolvimento social da comunidade onde está inserida, ele valoriza mais a empresa”, conta Anísia Sukadolnik.

Esta visão pode ser confirmada com a experiência do Programa Itaú Voluntário, que atinge quase 40 mil funcionários e tem 3.244 colaboradores inscritos.

Pesquisa interna realizada em março do ano passado com os 90 voluntários ativos apontou uma melhoria no relacionamento interpessoal, no ambiente de trabalho e ao lidar com diferenças pessoais; fortalecimento de princípios éticos e mais facilidade para o trabalho em equipe.

“O principal benefício para o Itáu é o desenvolvimento do capital social, além de ser um dos meios de instalar as questões sociais na consciência e nas ações dos integrantes da organização”, explica a superintendente da Fundação Itaú Social, Ana Beatriz Patrício.

Entretanto, a nova realidade não traz ganhos apenas para as empresas. Segundo a pesquisa, 38% dos entrevistados revelaram considerar as demandas da própria comunidade quando elaboram seus programas de voluntariado empresarial. “Este dado é fundamental para que possamos entender a importância desse trabalho na construção de ganhos sociais concretos.

O papel do voluntariado empresarial na construção de mudanças estruturais signficativas torna-se indispensável”, destaca Heloisa Coelho.

Histórico

Instituído pela Lei Nº. 7.352, de 28 de agosto de 1985, o Dia Nacional do Voluntariado, tornou-se uma data especial ao reconhecer e destacar o trabalho de pessoas, que motivadas por valores de participação e solidariedade, doam seu tempo, trabalho e talento, de maneira espontânea e não remunerada para causas de interesse social e comunitário.

No Brasil o movimento é antigo, teve início em 1543, quando foi fundada a primeira Santa Casa de Misericórdia, na Vila de Santos. Nessa época, a noção de voluntariado estava bastante ligada à religião; as atividades eram conduzidas por padres e freiras. A partir dos anos 1980, o voluntariado ganhou popularidade.

Em 1983, po exemplo, a doutora Zilda Arns Neumann e o então arcebispo de Londrina, Dom Geraldo Majella Agnelo fundaram a Pastoral da Criança, com o objetivo de combater a mortalidade infantil.

“O povo brasileiro é extremamente solidário quando solicitado. Por isso o trabalho dos centros de voluntariado é tão importante. É preciso construir canais para dar vazão a esta solidariedade, organizando o processo de oferta e de demanda de trabalho voluntário”, pontua Heloisa Coelho.

Pesquisa realizada pela Organização das Nações Unidas em 2003, mostra que no Brasil existem 42 milhões de voluntários, o que representa 23% da população. Somente o CVSP, que há 10 anos incentiva e promove o voluntariado em São Paulo, já orientou mais de 93 mil pessoas e 611 empresas a desenvolverem ações e projetos voluntários.

Fonte: www.responsabilidadesocial.com

Dia Nacional do Voluntariado

28 de Agosto

CONSTRUINDO UM PROJETO DE VOLUNTARIADO

CONVOCAÇÃO

A primeira etapa é a “convocação”. Para a realização de um projeto, é necessário obtermos apoio tanto dentro da escola (coordenadores, professores, alunos e funcionários) como fora dela (vizinhança, ONGs, comércio e imprensa locais, associação do bairro, etc.).

Convocar é convidar, chamar, informar, conquistar o interesse e o apoio, integrar e comprometer escola e comunidade em um só objetivo.

Podemos convocar de diferentes formas:

Convidando pais, educadores, alunos e vizinhança para fazerem parte da elaboração do projeto

Distribuindo cartazes e folhetos pelo bairro e pela escola para que o projeto ganhe visibilidade

Realizando seminários e palestras para esclarecer e divulgar o projeto

Pedindo que a mídia local faça a divulgação

Indo de sala em sala, enviando e-mails ou até mesmo divulgando boca-a-boca para que todos possam tomar conhecimento e participar das ações que serão desenvolvidas.

DIAGNÓSTICO

Diagnosticar é identificar quais são as reais necessidades daquela pessoa, grupo ou organização social que receberá a ação voluntária.

É nesta etapa também que (re)conhecemos o perfil dos participantes, identificando qual será o tempo, trabalho e talento que os voluntários poderão dispor ao projeto, para que possamos considerá-lo posteriormente no plano de ação.

A partir desta primeira análise será possível identificar quais serão as ações, os recursos necessários, o tempo previsto, as ferramentas e os meios para a implantação do projeto.

Existem muitas maneiras de diagnosticar:

Entrevistando pessoas da comunidade, das instituições locais que possam ajudar a traçar o perfil das necessidades locais;

Fazendo e distribuindo questionários, com perguntas abertas ou fechadas para mapear as condições atuais;

Conversando com moradores antigos, com a imprensa, políticos e lideranças locais, para pesquisar o histórico da comunidade.

ELABORACAO DO PROJETO

Uma vez definido que iniciaremos um projeto de voluntariado em nossa escola, quem irá participar e quais são as necessidades da escola e comunidade, podemos planejar nossa ação. Existem muitas formas possíveis de se realizar um projeto e o grupo deve discutir e decidir como irá fazê-lo.

Para tanto, é fundamental refletirmos sobre algumas questões norteadoras.

Justificativa: por que fazer? O que move o grupo a tomar esta iniciativa?

Objetivo: O que fazer? Quais são os objetivos e metas a serem alcançados?

Grupo de trabalho: quem está disposto a fazer parte?

Público alvo: a quem se destina este projeto de voluntariado?

Plano de ação: como fazer? Quais são as ações e fases necessárias?

Cronograma: quando? Qual o tempo necessário e que será previamente reservado para cada fase?

Recursos: Quanto é necessário para a realização do projeto – em recursos materiais, humanos e financeiros? Quais serão os parceiros envolvidos?

Antes de passarmos para a etapa seguinte, esperamos que o grupo possa decidir em que área irá atuar: meio ambiente, educação, cultura, saúde, assistência social, lazer, defesa de direitos, cidadania. Também pode ter considerado diferentes públicos como crianças, jovens, idosos e comunidade

Bernardo Toro ressalta aprendizagens de convivência social, que devem ser contempladas quando desenvolvemos projetos de voluntariado educativo:

Aprender a conviver com a diferença;

Aprender a comunicar;

Aprender a interagir;

Aprender a decidir em grupo;

Aprender a zelar pela saúde;

Aprender a cuidar do ambiente;

Aprender a valorizar o saber social.

Ação

Existem muitas ações que podem ser desenvolvidas por projetos de voluntariado educativo, considerando os diferentes públicos e áreas de atuação.

O trabalho com projetos, além dos benefícios que traz a comunidade, promove a cultura do voluntariado, envolvendo alunos e educadores em discussões político-sociais, de cidadania, saúde, habitação, artes, lazer, etc.

A partir da análise, diagnóstico e planejamento das ações, os alunos envolvidos tornam-se parte de um projeto que beneficiará toda uma comunidade, em pequenas ou grandes ações, com responsabilidade, criticidade, autonomia, favorecendo diretamente o desenvolvimento das inteligências interpessoais e intrapessoais, essenciais na formação de cidadãos conscientes.

Dia Nacional do Voluntariado

Considerações Finais

O projeto de voluntariado educativo se insere no contexto das Diretrizes Curriculares Nacionais, na medida em que promove a interdisciplinaridade, possibilitando relacionar conteúdos a atividades, projetos de estudo, pesquisa e ação, poderá ser uma prática pedagógica e didática adequada aos objetivos do ensino médio e também aplicável no ensino fundamental.

A interdisciplinaridade supõe um eixo integrado que pode ser o objetivo do conhecimento, um projeto de investigação, um plano de intervenção. O projeto de voluntariado educativo difere-se de outros projetos curriculares porque tem a intenção de envolver uma prática social que deve partir da necessidade sentida pelas escolas, professores e alunos para intervir e promover a transformação da realidade local.

Fonte: www.objetivosdomilenio.org.br

Dia Nacional do Voluntariado

Voluntariado Educativo - Uma Tecnologia Social

O que é?

Voluntariado

O voluntariado, entendido aqui como a ação transformadora realizada por um indivíduo ou grupo, é a doação de tempo, trabalho e talento por uma causa social.

Realizado pela sociedade e para a sociedade, o trabalho voluntário pode atuar nas mais variadas áreas: defesa do ambiente, saúde, educação, esporte e lazer, cultura e arte, defesa de direitos. Por ter uma característica de transição aberta, dinâmica e permanente, melhora a relação entre o público e o privado e, assim, serve de articulação entre a sociedade civil e as entidades públicas.

Os beneficiários diretos pelo trabalho de algum voluntário certamente ganham, mas o maior ganho é daquele que faz a ação. O voluntário vê seu trabalho melhorar a vida da comunidade e aprende a conviver com o outro, enfrentando dificuldades reais, resolvendo problemas reais.

Ao desenvolver atividades por meio de competências adequadas às tarefas que se pretende fazer, o voluntário transforma indignação em ação, criando espaços efetivos de trabalho e transformação social, e é reconhecido pelo seu papel na construção de uma sociedade mais justa e igualitária, colaborando para a realização do bem comum.

O voluntário aprende sempre: aprende a enxergar o outro, a ver sua real necessidade e o que pode fazer para melhorar; aprende a lidar com as diferenças, a ser solidário e a lutar pela transformação social.

Dia Nacional do Voluntariado

Voluntariado educativo

“Ajudar a alcançar os objetivos de aprendizagem traçados segundo as normas legais e estabelecidos no projeto pedagógico da escola deve ser o norte principal do voluntariado dentro da instituição escolar.” Guiomar Namo de Mello

Cidadania, solidariedade, dignidade e respeito às diferenças são valores fundamentais para a formação pessoal e social de um indivíduo inserido em uma determinada cultura, em um determinado momento histórico. Tais valores fazem parte do currículo da escola de educação básica brasileira e precisam ser resgatados também pela sociedade, pela família. Esses mesmos valores são vivenciados no dia-a-dia do voluntário, não importa a atividade em que ele esteja engajado. Sendo assim, por que não pensar no voluntariado como uma experiência formativa?

Diante desse potencial, Milanesi e De Nicolò , educadores italianos, propõem que o trabalho voluntário realizado por jovens seja praticado não como uma repetição do voluntariado adulto, mas sim em caráter educativo, o voluntariado educativo.

Em idade escolar, os jovens precisam de motivação para aprender a relacionar-se, aprender a aprender, aprender a desenvolver autonomia, autocrítica e autoconhecimento, aprender a valorizar o voluntariado como uma maneira de participar socialmente, de transformar uma realidade social com a qual ele não concorda.

Em outras palavras, o voluntariado educativo é uma experiência formativa, de características próprias, com conteúdos e metodologias voltados para a formação pessoal e social do jovem.

O voluntariado educativo está de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, na medida em que promove a compreensão da cidadania como participação social, assim como exercício de direitos e deveres políticos, civis e sociais, adotando, no dia-a-dia, atitudes de solidariedade e cooperação, respeito ao outro e a si próprio.

Sendo assim, podemos compreender o voluntariado educativo como:

Uma estratégia de aula que permite integrar saberes escolares, competências e habilidades às práticas sociais;

Uma metodologia educativa que une teoria e prática;

Um estímulo à participação responsável do jovem, a partir de uma formação politizada e crítica.

As experiências socioeducativas podem ser planejadas de modo integrado aos conteúdos curriculares e serem destinadas não só a atender necessidades de uma comunidade mas também a desenvolver novas aprendizagens nos educandos, quando estes são os protagonistas da ação.

O voluntariado educativo é uma proposta educativa que pode ser bastante eficaz para dar significado aos conteúdos curriculares e à vivência de valores por meio de atividades sociais planejadas, sem deslocar a escola de sua principal função – a de promover a aprendizagem, de preparar o aluno para a vida e para o trabalho.

O voluntariado educativo propicia o exercício da convivência democrática e, se articulado à proposta pedagógica da escola, complementa o trabalho do professor em sala de aula, trazendo elementos enriquecedores para o tratamento de temas transversais e para o uso da metodologia de projetos, como se verá no capítulo 5.

Há registros de experiências afins com o voluntariado educativo no Brasil e no mundo desde meados do século XX. Na América Latina, é crescente, sobretudo desde a redemocratização, na década de 1980, o interesse das escolas em desenvolver projetos solidários articulados ao currículo.

O voluntariado educativo é, assim, uma ação solidária planejada de modo integrado ao currículo escolar, com o objetivo de melhorar a qualidade da aprendizagem ao mesmo tempo que melhora a qualidade de vida da comunidade onde a escola está inserida.

Falamos de voluntariado educativo quando, em um projeto ou ação planejada, se dá a intersecção entre a intenção pedagógica e a intenção solidária.

Dia Nacional do Voluntariado

A promoção da escola como centro de cidadania na comunidade traz benefícios tanto sociais como educativos. As experiências pessoais e sociais vividas na idade escolar são fundamentais para a definição – ou a indefinição – de um projeto de vida, de opções políticas e ideológicas, de rumos profissionais e acadêmicos.

Pessoas que desenvolvem ações voluntárias tendem a manter, ao longo da vida, níveis de compromisso social e participação política superiores às que não tiveram essas experiências.

Aprendizagem-serviço

Uma forma de pensar a participação da juventude em projetos socioeducativos, que tem sido praticada em vários países e tem muita sinergia com o voluntariado educativo, é a aprendizagem- serviço (aprendizaje-servicio em espanhol, service learning em inglês). Em muitos momentos, voluntariado educativo e aprendizagem-serviço se aproximam. Mas, apesar de tanta semelhança, não são sinônimos.

Essencialmente, a prática do voluntariado educativo não é obrigatória, e o próprio nome quer reforçar a idéia de que é voluntário. Na aprendizagem-serviço, o serviço tende a ser obrigatório – pode ser uma atividade curricular ou um serviço social prestado para minimizar uma situação de necessidade.

Diferenças à parte, o que se quer ressaltar é justamente a sinergia entre eles, para melhor compreender a força de um projeto socioeducativo no processo de ensino e de aprendizagem.

Para Andrew Furco, diretor do Service Learning Research and Development Center, da Universidade da Califórnia em Berkeley, o service learning é uma metodologia de ensino pela qual os estudantes compreendem melhor o conteúdo acadêmico, aplicando competências e conhecimentos específicos para o benefício da sociedade.

Já a educadora norte-americana Alice Halsted afirma que, pelo service learning, os jovens desenvolvem tarefas importantes e de responsabilidade em suas comunidades e escolas. A juventude assume tarefas significativas e desafiadoras numa variedade de lugares, como creches, museus, atividades extra-escolares, projetos ecológicos, bibliotecas e asilos. As atividades nesses lugares podem incluir leitura para crianças, supervisão de crianças, ajuda em tarefas escolares, visitas guiadas a museus, limpeza e embelezamento da vizinhança ou gravação de histórias orais com idosos, entre outras.

O Congresso dos Estados Unidos publicou em 1990 o National and Community Service Act, em que o service learning é definido como um método pelo qual os alunos aprendem e se desenvolvem ao participar ativamente de uma ação organizada que:

É dirigida e atende as necessidades de uma comunidade;

Se articula com uma escola primária ou secundária, com uma instituição de ensino superior, com um programa de serviço comunitário ou com a comunidade;

Contribui para o desenvolvimento da responsabilidade cívica;

Valoriza o currículo acadêmico dos estudantes e se integra a ele ou aos componentes educativos dos serviços comunitários em que os participantes estão envolvidos;

Proporciona tempo para que os estudantes ou participantes reflitam sobre as experiências voluntárias.

Dia Nacional do Voluntariado

Voluntariado educativo como tecnologia social e ferramenta pedagógica

Enquanto a tecnologia melhora técnicas, processos, métodos, meios e instrumentos visando a produção e o mercado, a tecnologia social tem como meta o desenvolvimento humano.

O conceito ainda está em construção, mas já é possível perceber algumas características definidas: é uma tecnologia simples, barata, integrada, fácil de ser reproduzida e continuada. As técnicas e procedimentos estão sempre associados a formas de organização coletiva que trazem resultados positivos para a qualidade de vida.

Por definição, tecnologias sociais não podem exigir muito investimento financeiro e devem possibilitar novas aplicações de acordo com a realidade local.

Pelas características citadas neste tópico e anteriormente, o voluntariado educativo pode ser compreendido como tecnologia social, pela educação participativa, e como ferramenta pedagógica, na medida em que está fundamentado nas premissas abaixo:

1 - Melhorar a educação requer a participação de toda a comunidade. Empresas, organizações comunitárias, instituições religiosas, centros recreativos, instituições de educação superior – todos podem ajudar, cada um à sua maneira, a partir de um projeto estruturado pela escola e compartilhado por todos.

2 - Melhorar a educação também significa envolver os pais na escola. O voluntariado educativo faz com que professores e familiares assumam responsabilidades educativas complementares, ajudando os alunos a estabelecer pontes entre as competências acadêmicas e as exigências da vida cotidiana.

3 - Os alunos podem melhorar o rendimento escolar enquanto aprendem a participar socialmente, melhorando a qualidade de vida da comunidade onde a escola está inserida, se são oferecidos a eles objetivos desafiadores e se lhes são dadas oportunidades para alcançá-los.

4 - Ao resolver problemas reais, os estudantes se vêem desafiados a exercer cidadania com responsabilidade. A esse propósito, Paulo Freire (1997 já dizia que cidadania é algo que se aprende e, portanto, se ensina. Não é possível adquirir por herança, ou esperar que apareça de repente, aos 18 anos.

5 - Melhorar a qualidade da educação oferecida pela escola requer reflexão sobre a prática e formação docente permanente. Projetos exitosos de voluntariado educativo invariavelmente encontram formas inovadoras para avançar no objetivo duplo de formação de professores e desenvolvimento de um currículo inovador, de forma simples, integrada e continuada.

6 - O voluntariado educativo é essencial para ajudar os jovens a se relacionarem melhor, a se respeitarem mais, a respeitarem as diferenças e a viverem a diversidade.

Dia Nacional do Voluntariado

Por quê?

“As crianças não estão, num dado momento, sendo preparadas para a vida e, em outro, vivendo.” John Dewey

A proposta pedagógica do voluntariado educativo parte da premissa de que a solidariedade está ligada à educação. As atividades solidárias desenvolvidas pelos alunos podem ser uma nova forma de aprender, se planejadas adequadamente. Portanto elas podem contribuir para uma ressignificação da prática pedagógica.

Nesse caso, trata-se de sustentar simultaneamente a intenção pedagógica e a intenção solidária, oferecendo uma resposta participativa a uma necessidade social.

Um bom projeto de voluntariado educativo permite aos jovens aprender conteúdos acadêmicos e, ao mesmo tempo, realizar tarefas importantes de responsabilidade em sua comunidade ou na própria escola.

Na atualidade, vive-se um momento privilegiado, em que há escolas, organizações da sociedade civil e vontades políticas que convergem seus interesses na promoção da solidariedade como uma pedagogia eficaz para melhorar a educação e a qualidade de vida nas comunidades.

Dia Nacional do Voluntariado

De acordo com a LDB

Art. 1º - A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais.

§ 2º - A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social.

Art. 5º - O acesso ao ensino fundamental é direito público subjetivo, podendo qualquer cidadão, grupo de cidadãos, associação comunitária, organização sindical, entidade de classe ou outra legalmente constituída, e, ainda, o Ministério Público, acionar o Poder Público para exigi-lo.

A Constituição brasileira de 1988 reconheceu o direito de todos à educação e o dever do Estado e da família nesse assunto. Já a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) de 1996 pôs o ensino fundamental na categoria de direito público subjetivo, isto é, um direito do indivíduo e um bem comum de interesse da coletividade. Por conseqüência, não apenas o Estado mas também a família tem direitos e deveres para com a educação escolar das crianças e dos adolescentes, e a sociedade também é convocada para promover e incentivar a educação, tendo como metas o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

A LDB determina que a escola deverá se vincular às práticas sociais. Com isso, espera-se que a educação escolar prepare o estudante para a vida e se inspire em princípios de liberdade e em ideais de solidariedade. Tais princípios e valores são universais e devem orientar toda a ação educativa da escola. Valores como o multiculturalismo, a solidariedade, a construção da paz e o respeito à diversidade – cultural, étnica, social, religiosa e qualquer outra – são essenciais para toda proposta educacional que se pretenda democrática.

Dentro da escola, o voluntariado pode acontecer de duas maneiras: da escola para a comunidade e da comunidade para a escola. Quando os alunos são voluntários, eles participam de projetos socioeducativos, com a orientação do professor orientador. Por meio de projetos de intervenção social, o professor pode articular os conteúdos curriculares aos problemas reais, propiciando a vivência de cidadania e solidariedade.

Mas, quando os voluntários vêm da comunidade, a idéia central é a de que eles possam contribuir para melhorar a qualidade da educação – e não substituir um funcionário ou fazer um papel que seria do Estado. É uma participação que deve ser discutida com a comunidade escolar e deve estar de acordo com o projeto político-pedagógico da escola. Nesse sentido, são inúmeras as possibilidades de implementação de projetos.

Há, ainda, ações da escola para a escola, que derivam das duas anteriores e se caracterizam por ter a comunidade escolar como protagonista e destinatária da ação. Falaremos sobre essas possibilidades no capítulo 4.

Em sintonia com os PCN

De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (1998), a contribuição da escola em uma sociedade democrática é a de desenvolver um projeto de educação comprometido com a formação de alunos capazes de intervir na realidade para transformá-la.

Um projeto pedagógico com esse objetivo poderá ter três grandes diretrizes:

Posicionar-se em relação às questões sociais e interpretar a tarefa educativa como uma intervenção na realidade no momento presente

Não tratar valores apenas como conceitos ideais, e sim criar possibilidades de vivência e experiência

Incluir essa perspectiva no ensino dos conteúdos escolares.

O desenvolvimento de projetos de voluntariado educativo auxilia a escola a realizar sua principal função: a formação integral do aluno. Nesse sentido, ele favorece a compreensão da realidade e a participação social do aluno, possibilitando o desenvolvimento da capacidade de posicionar-se diante das questões que interferem na vida coletiva, superando a indiferença e intervindo na comunidade de forma responsável.

Educação para o século XXI

O envolvimento de alunos em projetos de voluntariado educativo é especialmente enriquecedor para o desenvolvimento de competências e habilidades essenciais para sua formação integral, como perseverança, comprometimento, integridade, solidariedade, iniciativa, autonomia, confiança e capacidade de resolução de problemas.

Os alunos que participam de uma proposta pedagógica voltada para a metodologia de projetos de voluntariado educativo desenvolvem-se de acordo com os “quatro pilares da educação para o século 21” sugeridos por Jacques Delors (1999): aprender a ser, aprender a fazer, aprender a relacionar-se e aprender a conhecer.

Aprender a ser íntegro, solidário, prestativo, confiante e generoso pode ser uma tarefa difícil de conseguir somente com aulas expositivas. É fundamental para a escola criar espaços de convivência com intencionalidade pedagógica, para que valores como esses possam ser vivenciados.

Há também a possibilidade de desenvolver o aprender a fazer, se os alunos participarem ativamente de – preferencialmente – todas as etapas do projeto.

O contato com os outros favorece diretamente o aprender a relacionar-se, na medida em que desenvolve a capacidade de lidar com a diversidade cultural e com a desigualdade social. Os alunos ficam expostos a situações em que será preciso lidar com o descaso, o preconceito, a insegurança e a timidez.

Muitos são os desafios quando os alunos participam de um projeto social integrando a comunidade escolar e a comunidade. Em um mundo marcado pelo advento das tecnologias da informação e da comunicação, a aprendizagem não se restringe a determinados espaços, tempos e saberes.

Nossos jovens precisam aprender a conhecer, a participar crítica e ativamente da sociedade, a buscar informações. A realidade ultrapassa os muros da escola e requer atitude questionadora, vontade política, envolvimento e comprometimento.

O compromisso com a construção da cidadania pede necessariamente uma prática educacional voltada para a compreensão da realidade social e dos direitos e responsabilidades em relação à vida pessoal e coletiva e a afirmação do princípio de participação política.

A formação cidadã é decorrência natural quando se age com respeito, responsabilidade e solidariedade, usando o diálogo como ferramenta para a construção de saberes e a resolução de problemas. A postura da escola, assim, deve ser dialógica e democrática, de modo a entender os alunos não mais como sujeitos passivos, que façam somente o que lhes é cobrado, mas como verdadeiros protagonistas.

Dia Nacional do Voluntariado

Os conteúdos conceituais, os procedimentais e os atitudinais

Existem três tipos de conteúdo: os conteúdos conceituais, os procedimentais e os atitudinais.

Os conceituais representam os fatos e os princípios, são o alicerce fundamental que favorece a assimilação e a organização da informação. Mas a simples transposição didática dos conteúdos conceituais não garante que o aluno se aproprie dela, que construa conhecimento. O aluno pode memorizar os fatos sem saber lidar com eles.

Entram em ação, então, os conteúdos procedimentais, que visam ao saber fazer, e esse é um processo que, na maioria das vezes, não é individual, necessita da intervenção de um educador.

Permeando constantemente esses dois conteúdos, temos aqueles atitudinais denominados, que estão presentes em todo o conhecimento escolar, imbricados no cotidiano, e possibilitam ao aluno se posicionar diante do aprendido. Com a aprendizagem dos conteúdos atitudinais, o aluno passa a ter um posicionamento perante uma situação-problema.

Pode-se compreender, portanto, que o aluno estude e aprenda a construir seu próprio conhecimento acerca dos conteúdos de geografia, português, matemática etc., mas não é possível aprender a ser humano sem a relação e o convívio com outros seres humanos (Arroyo, 2000). É principalmente pelos conteúdos atitudinais que a educação se humaniza e humaniza o homem. A possibilidade de trabalhar integralmente com os conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais é que justifica a inserção do voluntariado educativo no projeto político-pedagógico das escolas.

Resgate teórico

Podemos encontrar referências a práticas condizentes com o voluntariado educativo em John Dewey (1859-1952). Fragmentos de sua teoria, como “a educação para a vida”, tiveram uma forte influência na renovação didática e trouxeram para a escola a discussão sobre a formação pessoal e social do aluno para além da formação anteriormente centrada no acúmulo de conteúdos curriculares.

Dewey (1959) considera a experiência, e não simplesmente o acesso a informação, como elemento fundamental para o processo de aprendizagem. Para ele, a educação é uma reorganização da experiência, que melhora a capacidade de dirigirmos o curso das experiências subseqüentes.

Propiciar a participação em projetos sociais contribui significativamente para a aprendizagem, na medida em que se criam situações em que os alunos podem experienciar a participação social e, dessa forma, aplicar, utilizar e contextualizar os saberes escolares no desenvolvimento de problemas reais. Segundo Dewey, aprendemos o que usamos, o que experienciamos.

Dewey pontuou também a eficiência social como finalidade educativa, significando o cultivo da capacidade de participar plenamente de atividades sociais, assim como acreditamos que o voluntariado com intencionalidade pedagógica contribui para a aprendizagem de valores como cidadania e solidariedade.

A obra de Paulo Freire (1921-1997 também aponta para uma forte preocupação com a contextualização da aprendizagem. Posterior a Dewey, Freire recebe tal influência e coloca sua pedagogia a serviço da emancipação social, na medida em que busca formar cidadãos capazes de praticar a solidariedade e contribuir para a formação de uma consciência coletiva humanizadora, política e crítica.

Nesse sentido, o voluntariado educativo encontra também na pedagogia freireana a força de que precisa para indicar uma proposta pedagógica baseada em um conhecimento construído coletivamente, contextualizado, traduzindo-se em participação efetiva na comunidade.

Para Freire (1997), os alunos devem aprender a não estar no mundo de passagem, constatando apenas.

A participação em projetos de voluntariado com finalidade educativa permite essa compreensão. Para desenvolver uma gestão democrática à moda freireana, a escola precisa ter um projeto político-pedagógico compartilhado, construído coletivamente, com participação da comunidade, compreendida, nesse contexto, como comunidade educativa.

Percebemos, portanto, a força da escola aberta, construída pela co-responsabilidade de sua equipe, de sua comunidade, de sua cidade. Compreendemos que a escola não é só alunos, nem só direção, nem só professores.

Ela é um espaço formal de educação que envolve todos os agentes. Daí a importância de repensarmos estratégias educativas que permitam a articulação entre todos os seus atores para fortalecer a relação escola-comunidade. Daí a importância de pensarmos o voluntariado educativo como uma estratégia de educação.

Dia Nacional do Voluntariado

Uma nova forma de aprender

A escola é um espaço de:

Educação formal

Aprendizagem de conteúdos específicos e saberes curriculares

Formação pessoal e coletiva

Convivência social.

Projetos de voluntariado educativo criam espaços de articulação entre escola e comunidade, propiciando aos alunos a aprendizagem de saberes escolares por atividades solidárias vivenciadas na comunidade, com outros jovens e com as famílias.

Sem desvirtuar as funções essenciais de formação e construção do conhecimento, o voluntariado educativo exerce na escola uma função catalisadora e estimuladora para o jovem estudante, preparando-o para a participação social e política. Por sua vez, o conhecimento escolar passa a ser valorizado pelo aluno e pela comunidade, reforçando o papel primordial da escola.

O envolvimento com voluntariado educativo pressupõe a construção de um projeto socioeducativo, o que propicia o desenvolvimento de competências, como se verá mais adiante.

Essa construção não se dá ao acaso: o aluno precisará lançar mão de seu repertório teórico, e sua participação exigirá tomada de decisões, comprometimento, desembaraço, protagonismo, pró-atividade.

Na tarefa de fazer a contabilidade de uma creche, redigir cartas para analfabetos, desenvolver uma campanha para uso racional de água ou mesmo conhecer uma determinada época por meio do relato de idosos, por exemplo, a prática do voluntariado acaba por fixar melhor, respectivamente, conhecimentos de matemática, português, ciências e história, enquanto fortalece competências e habilidades fundamentais para a formação pessoal e social do educando.

Ensinar, fazer na prática e discutir em grupo – atividades inerentes à prática do voluntariado educativo – são ações que fixam conceitos, ensinam valores e, na maioria dos casos, são muito mais eficazes do que aulas expositivas tradicionais, leituras e demonstrações.

O voluntariado educativo renova a escola, não apenas reforçando seu papel como um espaço de cidadania mas incorporando alguns de seus pressupostos, como a orientação para uma aprendizagem vinculada à vida e para a formação de pessoas críticas, politizadas, autônomas e criativas.

Dia Nacional do Voluntariado

Proposta eficaz

O Saeb (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica) detectou uma situação dramática nas escolas das redes de ensino de todo o país. Segundo dados de 2001, 59% das crianças da 4ª série, ou seja, com quatro anos de escolarização, ainda eram analfabetas.

Dados atuais indicam que, de cada dez crianças que iniciam a educação básica, apenas três chegam a seu final (conclusão do ensino médio). A elevada evasão e o abandono escolar, a distorção idade-série e a baixa qualidade de ensino demonstram que a política educacional brasileira não tem agido de forma eficaz de modo a assegurar a universalização da educação, proposta na Constituição de 1988.

Várias são as causas que poderiam ser apontadas para explicar essa conjuntura: políticas educacionais, crise de valores da humanidade, desprestígio da função da escola e formação insuficiente dos professores, entre outras.

Um dado, porém, aparece de forma relevante nas pesquisas: a desmotivação e o desinteresse dos alunos pela aprendizagem. É preciso lembrar que esses dados surgem costumeiramente em estudos educacionais, independentemente da região, da classe social ou da forma de gestão (pública ou privada) das escolas pesquisadas.

Uma das formas de solucionar esse problema poderia passar por uma alteração metodológica que trouxesse significado à aprendizagem. Uma educação perpassada pela ética e pela estética inspiradas na relação “homem-no-mundo”, que ofereça à criança, ao adolescente, ao jovem situações educacionais que lhes permitam estar no mundo, construindo o seu “ser-no-mundo-com-os-outros”, pela relação com as pessoas e com a sociedade (Freire, 2001).

Nesse sentido, o voluntariado educativo, graças às suas características, pode transformar a escola, na medida em que permite que conteúdos escolares sejam impregnados de vida e significância, conseqüentemente tornando a escola motivadora e interessante.

Quem?

“Mãos de homens e de povos que se estendam menos em gestos de súplica, e se vão fazendo cada vez mais, mãos humanas que transformam o mundo.” Paulo Freire

Quem são os atores do voluntariado educativo na escola? Quem pode participar de projetos de voluntariado educativo? Com quem a escola pode contar? Essas e outras questões serão abordadas neste capítulo. Talvez você até já saiba a resposta...

A educação é tarefa de todos

Quando os problemas são comuns a todos, não faz sentido isolar-se na busca de uma solução; a duplicação de esforços apenas provoca aumento de custo, retardamento e enfraquecimento de resultados. Portanto, é fundamental que haja o estabelecimento de redes e parcerias.

As organizações educacionais, sociais e governamentais, fazendo parte do mesmo contexto social, cultural e econômico, não podem ser diferentes das demais organizações. Para enfrentar os novos desafios e alcançar um crescimento conjunto, é necessário participar de uma rede de apoio mútuo.

A educação para a solidariedade é tarefa de todos, dentro e fora da escola. Assim, todos podem ser atores e participar de um projeto de voluntariado educativo.

Na equipe escolar: alunos, professores, coordenadores, diretores e outros funcionários; na comunidade: familiares, estabelecimentos comerciais, hospitais, órgãos públicos, organizações sociais, outras escolas.

A escola pode estabelecer vínculos com pessoas e grupos que permitam abordar uma determinada problemática a partir de lugares distintos, mediante abordagens distintas. Em se tratando de voluntariado educativo, os estudantes são protagonistas e beneficiários das ações planejadas, independentemente do público atendido. Isso porque, não importa a ação, o aluno é beneficiado em sua formação.

O jovem que decide fazer uma ação voluntária participa da decisão de como fazê-la, participa da execução e da reflexão de tudo o que for feito e, portanto, participa dos resultados.

Tudo isso com a orientação do educador.

O professor, que organiza com seus alunos projetos de voluntariado educativo, cria oportunidades de aprendizagem para além da sala de aula, apoiando-os na busca de soluções para problemas reais.

Quando os educandos têm a oportunidade de vivenciar valores, mostram-se mais preparados socialmente, mais aptos a defender seus pontos de vista e interesses, amadurecem o respeito pela vida digna, tornam-se mais críticos, construtivos, criativos e solidários.

Atuar em rede é reconhecer o fato de que juntos, mediante a combinação de talentos e esforços, é possível fazer mais e melhor. Por isso, além do importante envolvimento de professores, coordenadores, diretores e outros funcionários da escola, vale destacar o potencial positivo da contribuição oferecida pela comunidade.

A idéia central aqui é a de “comunidade educadora”. A educação deixa de ser vista como obrigação apenas da escola e passa a ser assumida por toda a comunidade, afinal “Ninguém educa ninguém, como tampouco ninguém se educa a si mesmo: os homens se educam em comunhão, mediatizados pelo mundo” (Freire, 1993).

Dia Nacional do Voluntariado

Parcerias e redes

Deve-se, aqui, fazer uma distinção entre parcerias e redes. Parceria diz respeito à associação que as organizações estabelecem entre si, com o objetivo de se apoiarem reciprocamente e tirarem alguma vantagem dessa associação, seja no desenvolvimento de algum projeto, seja no cumprimento de suas metas ou na luta por uma causa em comum. As duas partes ganham, mas não há, necessariamente, transformação interna; os parceiros geralmente seguem preservando a sua identidade inicial.

Rede, por sua vez, diz respeito à intercomunicação constante entre organizações e/ou pessoas envolvidas na busca de objetivos comuns. As redes são abertas e dinâmicas e só existem pela ação constante de comunicação, associação e intercâmbio entre todos os seus componentes.

Luck (2000), porém, alerta para o fato de que não basta apenas haver objetivos e propósitos para construir uma rede. É preciso dedicação continuada e atenção especial para garantir seu funcionamento.

Alguns princípios que podem ser adotados para o desenvolvimento da rede com sucesso:

Reconhecimento de que todos fazem parte de um sistema e que, assim, o que acontece em um afeta os demais e o conjunto todo.

Todas as pessoas e organizações envolvidas têm igual valor, independentemente das suas característica.

Identificação de necessidades comuns, de caráter construtivo e estratégico, como norteadoras das ações em rede.

Estabelecimento de um compromisso conjunto para o atendimento dessas necessidades e cultivo de entusiasmo e práticas de intercâmbio e reciprocidade (Luck, 2000).

Algumas estratégias de voluntariado educativo que podem ser desenvolvidas em rede:

Manutenção dos contatos como forma de troca de experiências.

Estabelecimento de intercâmbio entre outras escolas, na busca de referências positivas para a melhoria do trabalho de voluntariado educativo.

Formação de fóruns temáticos, grupos de estudo e reflexão sobre temas sociais e ambientais, tendo por base a análise de experiências diversificadas na área.

Divulgação de conhecimentos produzidos no contexto da rede e fora dela, de modo a incentivar o voluntário educativo.

Promoção de eventos, visitas entre as instituições e intercâmbio das experiências.

Constante troca de informações e divulgação e intercomunicação, por meio de correspondência, boletins informativos, fax, telefone e e-mail.

As escolas podem ser pontos de conexão em uma rede de projetos de voluntariado educativo. Juntas, em uma rede aberta e dinâmica, que facilite o surgimento de uma cultura de colaboração entre educadores e educandos, elas têm mais condições de atingir seus objetivos.

A força da rede está centrada na construção conjunta de relações de cooperação, na troca de experiências de vida e trabalho, na reciprocidade, no compromisso e na responsabilidade.

Dia Nacional do Voluntariado

Onde?

“Minha escola é um centro conectado à comunidade circundante, de modo a reduzir a distância entre texto e contexto, saber e
compromisso social, e introduz no currículo, como tema transversal, a cultura e a prática do voluntariado.” Frei Betto

A escola é espaço formal de aprendizagem e, portanto, espaço de ensino.

Toda e qualquer atividade que envolva a escola deve passar por este crivo: os alunos aprendem algo relevante? Os professores ensinam melhor com isso? (Mello, 2004.)

Projetos de voluntariado educativo desenvolvidos pelas escolas podem ser realizados em qualquer ambiente, mas precisam estar alinhados a seu projeto pedagógico, do contrário são apenas projetos de voluntariado.

Os projetos de voluntariado educativo transbordam as paredes da sala de aula. Do mesmo modo que um hospital pode ser um cenário ideal, é também possível fazer ações solidárias em – e para – um parque, um museu, um rio, uma organização social ou mesmo na própria escola, entre outras tantas possibilidades.

A variedade de opções, contudo, não significa que todas as ações têm a mesma natureza ou os mesmos moldes. De uma forma geral, podemos agrupar os projetos de voluntariado educativo a partir de três grandes grupos.

São eles: escola-comunidade, comunidade-escola e escola-escola.

Escola-comunidade

“Quando a escola se integra à comunidade, a comunidade se integra à escola.” Suely Santos

Esse tipo de trabalho voluntário está pautado na aprendizagem contextualizada de conteúdos curriculares a partir do envolvimento dos alunos em ações ou projetos sociais.

Considerando-se a proposta de construir projetos a partir da identificação de alguma necessidade, é natural que crianças e adolescentes tragam problemas vividos por si, pelos pais ou pelos vizinhos, ou ainda situações incômodas que não afetam diretamente uma pessoa – mas, por exemplo, a natureza que os cerca.

Tais projetos são bastante eficazes para dar significado aos conteúdos curriculares e à vivência de valores. Se articulados à proposta pedagógica da escola, projetos de voluntariado educativo complementam o trabalho em sala de aula, trazendo elementos enriquecedores para o tratamento de temas transversais, enquanto os alunos aprendem a ser mais críticos, construtivos, criativos e solidários.

Incluem-se nessa categoria projetos de coleta seletiva de lixo, de conscientização da população sobre a importância de alimentar-se de modo balanceado, de acompanhamento de creches, asilos e outras instituições, de recuperação de praças, de monitoramento ambiental... enfim, a lista é longa.

Comunidade-escola

A escola precisa ser compreendida pela sociedade como um núcleo de cidadania, e não como uma simples prestadora de serviços. Quanto mais aberta e direta for a relação comunidade- escola, melhor ela acontecerá.

Esses são princípios de uma proposta pautada na gestão democrática, mediante a qual a comunidade encontra maneiras de contribuir para a qualidade da educação oferecida pela escola.

Muitas vezes, os moradores vizinhos à escola e os próprios familiares dos alunos já estudaram nela e gostariam de contribuir, de apoiar, de participar das atividades escolares.

Se a comunidade quiser contribuir, ela pode, e até deve. Mas nem sempre essa contribuição terá um caráter educativo. Para que pais e comunidade participem efetivamente da vida escolar, é preciso que exista um envolvimento com a proposta educativa da escola, que essa participação contribua efetivamente para melhorar o processo de ensino e de aprendizagem. Projetos de voluntariado educativo do tipo comunidade-escola demandam atenção e coordenação, para que as contribuições dos voluntários não substituam ou se confundam com atividades de responsabilidade dos funcionários da escola.

A participação dos voluntários precisa estar planejada de acordo com o projeto políticopedagógico da escola. Nesse planejamento, cabe à escola estabelecer e avaliar suas próprias necessidades pedagógicas e de infra-estrutura; também é importante que cada voluntário se sinta acolhido, útil e saiba como irá atuar – é preciso, portanto, que a escola esteja preparada para recebê-los e orientá-los.

Uma das mais expressivas experiências de incentivo à participação da comunidade em atividades e projetos de voluntariado educativo na escola é o projeto Amigos da Escola, realizado pela Rede Globo e pela Petrobras. Desde 2005, conta com a parceria do Consed, da Undime e do Instituto Faça Parte, que atua como facilitador e articulador institucional, além de assegurar a base conceitual e metodológica.

Segundo Guiomar Namo de Mello, o melhor indicador para verificar se a contribuição dos voluntários permite a eles uma participação efetiva na escola pode partir de algumas reflexões cruciais: os voluntários ampliam seu conhecimento sobre o papel mais importante da escola e sabem como podem acompanhá-la para ver se ela está desempenhando bem esse papel? A ajuda deles abriu-lhes os olhos sobre a importância da escola na vida de seus filhos e os levou a tomar algumas atitudes, como criar espaço para que seus filhos estudem em casa? Eles aprendem enquanto participam da atividade que desenvolvem?

A sintonia entre a equipe escolar e o voluntário também é fundamental para o sucesso da ação. Para promover essa sintonia, a escola precisa criar oportunidades de convivência, tanto em eventos sociais como em projetos socioeducativos, reconhecendo igualmente o apoio e a participação de todos, inclusive compartilhando metas, objetivos e resultados das atividades desenvolvidas. Assim, o voluntário se inteirará, aos poucos, sobre o funcionamento da escola, sua missão, seus valores e sua cultura, além de conhecer seu projeto político-pedagógico.

Escola

São projetos realizados por integrantes da comunidade escolar e voltados para atividades dentro da própria escola (monitoria, reforço escolar e infra-estrutura, entre outros) ou entre escolas.

Não há diferenças radicais entre projetos intra-escolares e interescolares. Em ambos os casos, verifica-se um caráter predominantemente educativo, com especial participação da comunidade escolar. O ganho é ainda maior quando se estabelecem parcerias com vistas à formação de redes, conforme abordado no capítulo 3.

Um projeto “clássico” de voluntariado educativo escola-escola é o de monitoria, pelo qual alunos ajudam seus pares a compreender o conteúdo de aula, sempre com a orientação de professores – um procedimento eficaz não apenas para os receptores da ação, que esclarecem suas dúvidas, mas também para os agentes, que têm a possibilidade de consolidar conhecimentos adquiridos anteriormente.

Outro projeto recorrente é o cultivo de hortas comunitárias, que pode envolver alunos de diversas séries. Ao fazer a ponte com conceitos aprendidos em sala de aula, a atividade prática dá significado ao aprendizado teórico.

Essencialmente, projetos de voluntariado educativo interescolares dependem da cooperação entre duas ou mais escolas. No caso do projeto de monitoria, os alunos de uma escola atuariam como monitores em outra.

Como?

“A cidadania, no trabalho em grupos, se constrói pelo reconhecimento e respeito às diferenças individuais, pelo combate aos preconceitos, às discriminações e aos privilégios, pela participação no processo grupal, pela ampliação da consciência em relação aos direitos e deveres e pela confiança no potencial de transformação de cada um.”
Antonio Carlos Gomes da Costa

De acordo com os relatos das escolas inscritas no Selo Escola Solidária, pudemos perceber que as ações de voluntariado educativo mais bem planejadas apresentam resultados melhores, tanto em relação ao rendimento escolar como na ação social propriamente dita.

Sendo assim, consideramos que a prática do voluntariado educativo terá melhores resultados se organizada a partir de uma metodologia de projeto. Não existe, porém, uma metodologia específica para o desenvolvimento de um projeto de voluntariado educativo. A comunidade escolar deve planejar suas atividades de acordo com seus objetivos, com a área de atuação e com a realidade local.

Os projetos desenvolvidos pela escola são considerados educativos se contribuírem para o processo de ensino e de aprendizagem e são considerados sociais quando realizam uma atividade de caráter social na própria escola ou na comunidade. No entanto, os projetos de voluntariado educativo são aqueles cujas atividades são de intervenção social e foram planejadas com a intenção de propiciar a aprendizagem cognitiva, emocional e social do educando.

A elaboração de um projeto de voluntariado educativo traz benefícios para todos que dela participam, notadamente se forem alunos. Quem participa de um projeto socioeducativo exercita a análise da realidade, estabelece objetivos, aprende a trabalhar em grupo, a resolver problemas reais, a administrar recursos materiais, financeiros e humanos, a conviver e a transformar a realidade.

Diferentes práticas socioeducativas

A qualidade das práticas socioeducativas está associada a diversos fatores: a satisfação de quem recebe a ação, os impactos mensuráveis na qualidade de vida da comunidade, a possibilidade de alcançar objetivos de mudança social a médio e longo prazo – e não apenas de satisfazer necessidades urgentes uma única vez – e a constituição de redes interinstitucionais que garantam a sustentabilidade das propostas. Essas práticas podem ser definidas, grosso modo, em quatro grupos.

Quadro das possibilidades de trabalho social na escola:

Dia Nacional do Voluntariado

Voluntariado educativo

Podemos dizer que o serviço à comunidade é voluntariado educativo quando planejado:

Em conformidade com a proposta político-pedagógica da escola

Com a participação de atores da comunidade educativa, incluindo direção, professores, demais funcionários e alunos

Para contextualizar os saberes escolares a partir da participação dos alunos na busca por soluções para problemas reais

Para responder a uma demanda efetiva da comunidade.

O voluntariado educativo pode ser definido, portanto, como um serviço solidário:

Planejado de forma integrada à proposta pedagógica da escola, para promover a aprendizagem de conteúdos curriculares de modo contextualizado

Destinado a atender necessidades reais da comunidade

Destinado a integrar a escola à comunidade, criando espaços efetivos de aprendizagem, trabalho e transformação social

Que, preferencialmente, conta com a participação de alunos e do professor orientador, entre outros atores da comunidade escolar.

Trabalhos de campo

Incluem-se aqui atividades e pesquisas que envolvem os alunos com a realidade da comunidade como objeto de estudo. A finalidade do trabalho de campo é unicamente o diagnóstico, para ser discutido dentro do contexto de alguma disciplina. Esse tipo de atividade envolve o conhecimento da realidade, mas não se propõe a transformá-la ou a prestar um serviço.

De trabalhos de campo para o voluntariado educativo

Muitas escolas são consideradas conteudistas, por centrarem seus esforços no cumprimento do conteúdo programático das disciplinas. São casos em que, não raro, os professores consideram a metodologia de projetos muito trabalhosa ou até mesmo perda de tempo.

Mas há inúmeras experiências que começaram como projetos escolares de pesquisa e, aos poucos, dispuseram esses conhecimentos a serviço da comunidade e se transformaram em excelentes experiências de voluntariado educativo.

Iniciativas solidárias assistemáticas

Definem-se por sua intencionalidade solidária, mas têm pouca ou nenhuma integração com o aprendizado formal. São atividades ocasionais, que tendem a atender uma necessidade pontual da comunidade.

Em geral, surgem espontaneamente, sem nenhum planejamento educativo.

Mesmo assim, iniciativas solidárias assistemáticas podem gerar benefícios positivos para os alunos, pois:

Estimulam a formação de atitudes participativas e solidárias

Permitem a sensibilização para certas problemáticas sociais e ambientais

Oferecem aos estudantes a possibilidade de aprender procedimentos básicos de gestão.

Apesar de seus resultados positivos, a qualidade desse tipo de iniciativa é considerada baixa, pois uma ação assistemática tem possibilidades menores de gerar soluções duradouras a um problema social e não envolve os alunos num comprometimento pessoal em sua solução. Além disso, esse tipo de ação não se articula com os aprendizados disciplinares.

Reconhecemos, mesmo assim, que esse tipo de atividade pode ser um ponto de partida para o desenvolvimento de um projeto de voluntariado educativo.

De iniciativas assistemáticas para a promoção social

Primeiramente, é necessário reconhecer que, sobretudo em situações emergenciais, ações assistenciais são fundamentais, embora elas não possam ser compreendidas como suficientes. Mas, sempre que possível, é preciso ir além, criando espaços de promoção social, com soluções que propiciem o desenvolvimento sustentável da comunidade atendida.

O quadro abaixo ajuda a diferenciar, em termos gerais, o assistencialismo e a promoção social.

Dia Nacional do Voluntariado

De acordo com as inscrições no Selo Escola Solidária, a maioria das escolas ainda realiza ações pontuais, desvinculadas dos conteúdos curriculares.

No entanto, podemos perceber também um número crescente de escolas desenvolvendo projetos em suas comunidades, trabalhando criativamente, com soluções simples e eficazes, gerando novas formas de participação social.

Ainda nesse contexto, vale ressaltar que é possível e aconselhável considerar a participação do público atendido pelo projeto no planejamento das atividades, definindo-se conjuntamente os objetivos, os recursos disponíveis, as ações propriamente ditas e os resultados esperados.

Serviço comunitário institucional

Esse tipo de experiência se caracteriza por uma decisão da direção da escola em envolver- se em projetos sociais. Sejam voluntárias ou obrigatórias, as atividades propostas são assumidas formalmente, o que não significa que os atores da comunidade escolar se sintam envolvidos.

Sendo assim, ainda que o serviço comunitário resulte no desenvolvimento de atitudes sociais mantidas pela escola, não há intenção formativa, não há integração ao currículo e, portanto, não favorece diretamente o processo de ensino e de aprendizagem.

Do serviço comunitário institucional para o voluntariado educativo

A diferença entre as formas mais clássicas de voluntariado e o voluntariado educativo é fundamentalmente do ponto de vista da intencionalidade pedagógica.

Significa dizer que o trabalho voluntário será realizado a partir de uma proposta pedagógica, como experiência formativa. Sendo assim, podemos considerar que a escola que desenvolve projetos de voluntariado educativo está mantendo sua identidade educativa, ou seja, é válido desenvolver qualquer atividade solidária se esta for um meio pelo qual os alunos aprendem tanto os conteúdos curriculares como a participação comunitária de forma consciente e solidária.

Para tanto, é necessário:

Identificar os conteúdos pedagógicos envolvidos

Selecionar as áreas ou as disciplinas relacionadas ao projeto

Articular as atividades sociais aos conteúdos curriculares:

Indicando os conteúdos específicos que estarão envolvidos e como podem ser trabalhados nas diferentes disciplinas

Dando projeção social a conteúdos e atividades já presentes no planejamento

Incorporando novos conteúdos, atividades e estratégias de aula ao planejamento.

As atividades de voluntariado educativo podem ser articuladas a uma só disciplina ou a mais, em projetos multidisciplinares ou interdisciplinares. Em qualquer que seja o caso, o importante é ter, de forma cada vez mais consistente, a contextualização do conteúdo curricular por meio de ações ou projetos socioeducativos. É desejável ressaltar o prazer em ser voluntário, mostrar como esse trabalho cria situações inéditas de convivência e participação social, transforma para melhor o dia-a-dia da comunidade e é gratificante e dinâmico.

Metodologia de projetos de voluntariado educativo

Como já dissemos no início deste capítulo, consideramos que a prática do voluntariado educativo terá melhores resultados se organizada a partir de uma metodologia de projeto. Não consideramos, porém, que exista uma metodologia específica para o desenvolvimento de um projeto.

A comunidade escolar deve planejar suas atividades de acordo com o seu projeto político-pedagógico, seus objetivos, com a área de atuação e com a realidade local.

Apresentaremos a partir de agora alguns procedimentos que podem ser estudados como um fio condutor à elaboração de projetos de voluntariado educativo pela escola. No entanto, é a realidade local que determinará a necessidade de pular algumas e/ou de reforçar outras etapas aqui apresentadas.

O gráfico abaixo mostra as etapas do projeto de voluntariado educativo, demonstrando que o projeto pode ser sustentável se houver clareza de proposta, motivação e reflexão constantes.

Dia Nacional do Voluntariado

Muitas vezes, um projeto pode começar pela necessidade de organizar atividades que foram iniciadas informalmente e que estão acontecendo de forma desarticulada ou desordenada. Em outras, a idéia pode partir da indignação, da vontade de transformar uma determinada situação.

Mas esse é apenas o movimento inicial. Um projeto de voluntariado educativo é composto por várias etapas, entre as quais destacamos a convocação, o diagnóstico, a elaboração do projeto, a ação, a reflexão, o registro, o reconhecimento e a comemoração.

Um projeto é mais do que a soma de algumas ou de todas as etapas reunidas. É a leitura, a adequação, a motivação, a articulação, a cooperação, a forma, a concepção, o envolvimento e a transformação que o conjunto de esforços pode propiciar.

Dia Nacional do Voluntariado

Motivação

Entre tantos atores e cenários, o interesse em iniciar ou participar de um projeto de voluntariado educativo geralmente parte da identificação com a causa, ou da necessidade de responder a uma demanda da sociedade. Há também casos em que a inquietude inicial brota durante uma atividade escolar ou pela compreensão da própria experiência de vida.

A motivação dependerá do grau de consciência que a comunidade educativa – em particular, os alunos – tenha diante dos problemas comunitários.

O importante é manter o grupo motivado do início ao fim do projeto. Para isso, é fundamental que todas as etapas sejam construídas coletivamente e que cada um conheça o seu papel e saiba como participar.

Convocação

Uma vez identificada a motivação e a necessidade de desenvolver um projeto social ou ambiental, é necessário obter apoio dentro da escola (coordenadores, professores, alunos e funcionários) e fora dela (vizinhança, organizações da sociedade civil, comércio e imprensa locais, associação do bairro etc.).

Convocar é convidar, chamar, informar, conquistar o interesse e o apoio, integrar e comprometer a escola e a comunidade em torno de um só objetivo.

Podemos convocar de diferentes formas:

Convidando pais, educadores, alunos e vizinhança para fazerem parte da elaboração do projeto

Distribuindo cartazes e folhetos pelo bairro e pela escola, para que o projeto ganhe visibilidade

Realizando seminários e palestras para esclarecer e divulgar o projeto

Pedindo que a mídia local faça a divulgação

Indo de sala em sala, enviando e-mails ou até mesmo fazendo divulgação boca a boca, para que todos possam conhecer e participar das ações que serão desenvolvidas.

É verdade que existem projetos que não comportam um grande número de participantes. Ainda assim, é importante estender o convite de envolvimento tanto para os potenciais agentes da ação como para os destinatários, para mobilizar e contar com o apoio de pessoas afins e que poderão contribuir com idéias e recursos. Mas isso só será possível se elas souberem do projeto.

Diagnóstico

Diagnosticar é identificar as reais necessidades da pessoa, do grupo ou da organização social que receberá a ação voluntária. É também nessa etapa que se conhece o perfil dos participantes, identificando-se que tempo, trabalho e talento os voluntários poderão oferecer ao projeto, para que posteriormente possam ser considerados no plano de ação.

O diagnóstico permite detectar problemas e relações estruturais e identificar possíveis vias de ação. A partir dessa primeira análise, será possível identificar quais serão as ações, os recursos necessários, o tempo de execução, as ferramentas e os meios para a implantação do projeto.

Existem muitas maneiras de diagnosticar:

Entrevistando pessoas da comunidade e das instituições que possam ajudar a traçar o perfil das necessidades locais;

Fazendo e distribuindo questionários, com perguntas abertas (que permitem respostas dissertativas) ou fechadas (com alternativas para a escolha de uma ou mais respostas), para mapear as condições atuais;

Conversando com moradores antigos, com a imprensa, com políticos e lideranças locais, para pesquisar o histórico da comunidade;

Pesquisando materiais jornalísticos;

Fazendo na escola dinâmicas e debates e abertos à comunidade.

Recomenda-se que, no diagnóstico, sejam levadas em consideração a opinião e a necessidade do público que será atendido. A perspectiva dos representantes da comunidade enriquece o processo de diagnóstico participativo.

É freqüente encontrar projetos com excelentes diagnósticos mas com escassa intervenção na comunidade, assim como ações solidárias bem-intencionadas, mas pouco eficazes por falta de um diagnóstico adequado.

É necessário, portanto, que o tempo e o esforço dedicados a essa etapa sejam proporcionais ao desenvolvimento total do projeto, e que conduzam à ação.

O diagnóstico pode buscar identificar dados relevantes ao projeto:

Os problemas que afetam um certo grupo de pessoas em um determinado local;

Ainter-relação entre esses problemas;

As causas geradoras da realidade observada;

Os aspectos estruturais que se encontram presentes, como situação geográfica, estrutura econômica e condições sociais;

Os pontos fortes e as limitações da comunidade educativa, para identificar possibilidades de ação;

As ações ou os projetos similares já realizados nessa ou em outra comunidade;

Os aspectos educativos e as ações possíveis para o grupo que desenvolverá as ações;

Os obstáculos e as dificuldades;

Os recursos disponíveis;

As distintas organizações que podem participar do projeto.

Um projeto de voluntariado educativo não deve servir para atender às necessidades que deveriam ser cobertas por instituições públicas. Para que o projeto não tome esse rumo, é fundamental priorizar as necessidades sociais que podem ser atendidas por um projeto pedagógico que, portanto, tenha finalidades educativas.

Elaboração do projeto

A elaboração do projeto é a construção da proposta de trabalho que articula a intencionalidade pedagógica e a intencionalidade solidária.

Ela incorpora ferramentas básicas do planejamento pedagógico e algumas questões referentes execução de projetos sociais:

O que é? Natureza do projeto.

Por que fazer? Justificativa.

Para que fazer? Objetivos do projeto.

Para quem? Destinatários do serviço a prestar.

Como? Definição da metodologia e das atividades que cada um realizará.

Quando? Estimativa de tempos aproximados para cada atividade.

Quem? Responsáveis pelo projeto.

Com quê? Recursos humanos, materiais e financeiros.

Quanto? Determinação de custos.

Com quem? Possíveis parcerias com outros atores comunitários ou órgãos públicos.

Justificativa, objetivo geral e de aprendizagem e recursos necessários

A justificativa expressa o que leva o grupo a fazer a ação. Ela deve responder questão “por que fazer?” ou “o que move o grupo a tomar essa iniciativa?”.

Em se tratando de um projeto de voluntariado educativo, é conveniente ressaltar na justificativa o porquê de a instituição considerar que a ação pode beneficiar a comunidade e como ela muda a formação dos alunos. Também podem ser apresentadas explicitamente a proposta socioeducativa e a articulação da ação social nas diferentes áreas do conteúdo curricular.

O objetivo geral é o propósito do projeto, que sintetiza a transformação que se quer alcançar. Ele funciona como um guia, facilitando a ação e a reflexão.

Já os objetivos de aprendizagem são, idealmente, avaliáveis e vinculados aprendizagem. Na estruturação, consideram-se os conteúdos curriculares vinculados ao projeto ou o tema, sejam valores, atitudes, métodos, habilidades ou procedimentos. Os objetivos sociais também são específicos e avaliáveis, mas traduzem em palavras simples os fatos relacionados ao problema social e ao público-alvo.

Bernardo Toro destaca as aprendizagens de convivência que podem ser trabalhadas em projetos de voluntariado educativo:

Aprender a conviver com a diferença

Aprender a comunicar

Aprender a interagir

Aprender a decidir em grupo

Aprender a zelar pela saúde

Aprender a cuidar do ambiente

Aprender a valorizar o saber social.

Dia Nacional do Voluntariado

A seleção das atividades deverá ser feita com o objetivo de alcançar aprendizados significativos e propiciar a transformação social. Nesse sentido, é importante relacionar cada atividade a um resultado esperado.

É aconselhável distinguir com clareza quais são as atividades e quais serão os conteúdos trabalhados. Sugere-se identificar as áreas de conhecimento e indicar, da forma mais objetiva possível, cada conteúdo em si.

Ao elaborar o projeto, é importante fazer uma previsão de quanto tempo será necessário para cada atividade e quem é o responsável por elas.

O estudo de viabilidade pode incluir vários aspectos, desde os técnicos e econômicos, até os legais e socioculturais. Deverão ser considerados os recursos necessários (espaços físicos, livros, ferramentas, papelaria etc.), assinalando de quais se dispõe, quais podem ser obtidos gratuitamente e quais exigirão gastos.

Realizar um registro ordenado dos gastos, guardar todos os comprovantes de pagamento realizados e elaborar informes sistemáticos sobre o movimento de dinheiro são alguns procedimentos necessários para organizar a planilha de custo.

Os recursos humanos também precisam ser considerados. Quem se dedicará ao projeto e por quanto tempo são dados que ajudam a analisar a viabilidade e as perspectivas de êxito do projeto. Todos os atores precisam ser considerados. Em qualquer circunstância, as parcerias trazem solidez e criam oportunidades de articulação que se constituem na valorização da participação comunitária.

Uma tabela pode simplificar a visualização entre os participantes do projeto, os objetivos propostos, as atividades e os recursos disponíveis.

Dia Nacional do Voluntariado

Antes de colocar a mão na massa, uma última conversa com a comunidade escolar pode assegurar a viabilidade do projeto:

Os objetivos de aprendizagem estão claros?

Está clara a relação entre os objetivos de aprendizagem e o problema social detectado?

As atividades previstas respondem aos objetivos anunciados?

Estão bem definidas as tarefas e responsabilidades de cada participante?

Com que recursos o grupo conta? São suficientes? Qual é a origem dos recursos materiais?

É necessário estabelecer parcerias externas?

Ação

São muitas as possíveis áreas de atuação de projetos, ações ou atividades de voluntariado educativo.

Entre outras, podemos citar:

Educação:

Reforço escolar;
Capacitação profissional;
Informática;
Creches;

Meio ambiente:

Praças e parques;
Animais;
Educação ambiental;
Reciclagem;

Saúde:

Hospitais;
Casas de apoio;
Primeiros socorros;
Prevenção a doenças;

Assistência social:

Abrigos de idosos;
Geração de renda;
Moradores de rua;
Pessoa com deficiência;
Situação de risco social;

Esporte e cultura:

Museus;
Bibliotecas;
Teatro, coral, dança;
Atividades esportivas;

Cidadania:

Defesa de direitos;
Desarmamento;
Voto consciente.

O projeto também pode considerar diferentes públicos:

Crianças;
Jovens;
Idosos;
Comunidade em geral.

Durante o desenvolvimento do projeto, deve-se acompanhar tanto as aprendizagens curriculares como o impacto social. A partir da análise, do diagnóstico e do planejamento das ações, os alunos envolvidos tornam-se parte de um projeto que beneficiará a comunidade, em pequenas ou grandes ações, com responsabilidade, criticidade e autonomia, favorecendo diretamente o desenvolvimento de inteligências interpessoais e intrapessoais, essenciais para a formação de cidadãos conscientes.

Reflexão

Refletir é essencial e deve permear todas as etapas do projeto. Sempre que necessário, o grupo deve trocar impressões e idéias, para ver se o resultado da ação corresponde ao esperado. É fundamental que o projeto seja constantemente avaliado por meio de uma reflexão conjunta sobre os seus resultados.

Trata-se de uma oportunidade de pensar sobre os sucessos e impactos das ações realizadas para poder corrigir erros, valorizar os acertos e, eventualmente, fazer modificações que se considerem necessárias. Pode-se, também, analisar se as etapas previstas foram cumpridas e se os objetivos foram alcançados.

Dia Nacional do Voluntariado

Existem inúmeras formas de refletir em grupo, mas é importante considerar o diálogo como essencial no processo educacional. Dialogar é dar voz e vez a todos os integrantes do grupo, permitindo a troca de impressões e reflexões, o que é indispensável para o sucesso do projeto.

A reflexão é uma importante etapa no processo de internalização dos aprendizados e na apropriação do sentido da participação social.

Recomenda-se que, no planejamento do projeto, sejam previstos momentos para que se desenvolva a reflexão adequada:

Na preparação: a partir de atividades de aprendizagem anteriores e relacionadas à atividade que será desenvolvida

Durante o desenvolvimento: voltada para o processamento da experiência, gerando espaços para compartilhar pensamentos e sentimentos, resolver problemas e sugerir correções

Durante a etapa final e o encerramento: reservando espaços para extrair conclusões.

Na reflexão sugere-se:

Compartilhar inquietações e dúvidas

Reconhecer as características da atividade, seu impacto nas vivências pessoais, seu vínculo com a aprendizagem

Avaliar e auto-avaliar o desempenho individual

Analisar o andamento do projeto, com possibilidade de realizar ajustes

Desenvolver os eixos temáticos sugeridos pela metodologia

Registrar as vivências e opiniões de todos, incluindo os destinatários do projeto.

O processo de reflexão pode ser realizado de acordo com alguns eixos:

A aprendizagem contextualizada dos conteúdos curriculares

Os resultados alcançados, incluindo os obstáculos encontrados e outros elementos que expliquem o resultado

A percepção e as opiniões do público atendido direta e indiretamente

O comprometimento e a participação da comunidade escolar

A relevância pedagógica e social do projeto para a escola.

Registro

A experiência pode ser divulgada, ampliada, analisada, revisada e reeditada se houver o registro das ações realizadas. A partir daí será formada uma base comum de dados, conhecimento e informação, tornando fácil perceber os impactos, os resultados, as dificuldades e as conquistas do projeto.

O registro pode ser feito de diferentes maneiras:

Notações, atas de reuniões, relatórios, pautas;

Arquivo com pesquisas feitas ao longo do projeto;

Fotografias da comunidade atendida em atividade, bem como eventos, campanhas, personagens, reuniões etc., buscando registrar a situação antes e depois das ações;

Vídeos de entrevistas, palestras e apresentações promovidas com o público atendido;

Gravação de reuniões, entrevistas e depoimentos, para que não seja perdida nenhuma informação, o que posteriormente pode até ser transcrito e arquivado.

Registradas, as atividades podem ser lidas, divulgadas e revisitadas, processos que contribuem também para o êxito do projeto, na medida em que facilitam a boa comunicação entre os participantes e a comunidade.

O material registrado permite melhor comunicação e difusão do projeto. O apoio e a participação de outros atores da comunidade está diretamente relacionado clareza da informação oferecida e à possibilidade de avaliar o impacto do projeto baseado em dados reais e mensuráveis.

Continuidade

A duração de um projeto de voluntariado educativo varia bastante. No entanto, mesmo para aqueles que duram anos, é necessário pontuar etapas de início, meio e fim, para que seja possível mensurar e comemorar os resultados parciais e seguir adiante.

Quando um projeto realmente chega ao fim, é conveniente analisar se ele pode ser continuado ou reeditado – e como isso pode acontecer.

A reedição tem duas facetas: para a escola, é uma forma de dar visibilidade ao seu compromisso, propor novos desafios e ampliar o escopo das atividades; para outras escolas e para a sociedade em geral, constitui-se em uma experiência cuja aplicação naquela comunidade poderá ser estudada.

Reconhecimento e comemoração

Reconhecer e comemorar são procedimentos fundamentais em projetos sociais, e que nem sempre são lembrados. Valorizar, estimular e reconhecer ações de voluntariado são gestos que promovem o comprometimento.

O reconhecimento e a celebração são fundamentais para fortalecer a auto-estima dos envolvidos. É o momento de reconhecer o serviço prestado à comunidade e incentivar a participação em novos projetos.

Dia Nacional do Voluntariado

Existem muitas maneiras de reconhecer e apoiar a participação em projetos de voluntariado educativo:

Certificado: a escola pode atestar com certificados que contenham o nome do aluno, do projeto, a carga horária, o tipo de atividade realizada e outras informações. Dependendo do Estado, é possível também registrar no histórico escolar a participação dos alunos

Homenagem: realizar celebrações simples de conclusão de etapas que culminem em homenagem aos participantes pode ser simples e extremamente gratificante, além de ser um procedimento que reconhece e convoca todos para dar continuidade às etapas seguintes, ou a uma nova edição do projeto

Divulgação em jornais locais: além da visibilidade e do envolvimento da comunidade com o desenvolvimento do projeto, a publicação de material sobre o projeto reconhece e estimula os voluntários a continuar suas atividades.

A comemoração é também:

Um tempo de ambientação, em que se reúnem todos os participantes, e quem coordena a experiência convida todos para o encontro e a reflexão

Um tempo de conteúdos, nos quais se pode realizar um gesto simbólico e escutar os relatos dos participantes

Um tempo de compromisso, em que se expressa a necessidade de dar continuidade à experiência.

Para efeitos práticos, algumas instituições organizam esse momento abrindo as portas para a comunidade. Enfim, cada escola saberá a melhor forma de reconhecer e comemorar o trabalho voluntário de seus jovens.

Em resumo, um projeto de voluntariado educativo requer...

Um planejamento que indique os momentos em que as ações acontecerão, e os responsáveis por realizá-las, o que geralmente se faz a partir da instituição que lidera o projeto, mas pode incluir a participação de outros atores.

A delimitação clara do objeto da ação socioeducativa.

A identificação de todas as práticas e momentos significativos, para medir a força da experiência, a aprendizagem com as dificuldades e com os acertos.

O cumprimento da etapa do registro, ou seja, a utilização de técnicas participativas para a produção de material escrito ou audiovisual.

A compreensão de que é possível realizar um projeto de voluntariado educativo, seguindo as etapas que a comunidade educativa se comprometer coletivamente em fazer.

Se é possível obter água cavando o chão, se é possível enfeitar a casa, se é possível crer desta ou daquela forma, se é possível nos defendermos do frio ou do calor, se é possível desviar leitos de rios, fazer barragens, se é possível mudar o mundo que não fizemos, o da natureza, por que não mudar o mundo que fazemos, o da cultura, o da história, o da política? (Paulo Freire, 2000)

Dia Nacional do Voluntariado

Katia Gonçalves Mori

Marcelo Vaz

Referências bibliográficas

ARROYO, Miguel G. Ofícios de mestre. Imagens e auto-imagens. Rio de Janeiro: Vozes, 2000. BRASIL, SECRETARIA DE EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL. Parâmetros curriculares nacionais. Terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: introdução aos parâmetros curriculares nacionais.
Disponível em http://www.mec.gov.br/sef/estrut2/pcn/pdf/introd1.pdf. Acesso em 29/8/2006.
CORPORATION FOR NATIONAL AND COMMUNITY SERVICE. The National and Community Service Act
of 1990 [As amended through December 17, 1999, P.L. 106-170]. Disponível em http://www.nationalservice.gov/pdf/cncs_statute.pdf. Acesso em 29/8/2006.
DEWEY, John. Experiência e educação. São Paulo: Nacional, 1979.
DELORS, Jacques. Educação: um tesouro a descobrir, 2ª ed. São Paulo: Cortez, 1999.
FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade, 25ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 2001.
__________. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1997.
__________. Pedagogia da indignação: cartas pedagógicas e outros escritos. São Paulo: Editora da Unesp, 2000.
__________. Pedagogia dos sonhos possíveis, org. Freire, Ana Maria Araújo. São Paulo: Editora da Unesp, 2001.
__________. Política e educação: ensaios. São Paulo: Cortez, 1993.
LUCK, Heloísa. Planejamento em orientação educacional. Petrópolis: Vozes, 2000.
MELLO, Guiomar N. “Voluntariado e educação escolar”, in Realizando Juntos, coord. VILLELA, Milú. São Paulo: Instituto Faça Parte, 2004.
MINISTERIO DE EDUCACIÓN CIENCIA Y TECNOLOGÍA, PROGRAMA NACIONAL EDUCACIÓN SOLIDARIA. Itinerario y herramientas para desarrollar un proyecto de aprendizaje-servicio. República Argentina, 2005.
REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Disponível emhttp://www.senado.gov.br/sf/legislacao/const. Acesso em 29/8/2006.
__________. Lei Nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional). Disponível em http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/LEIS/L9394.htm. Acesso em 29/6/2006.
SBERGA, Adair Aparecida. Voluntariado jovem: construção da identidade e educação sociopolítica. São Paulo: Editora Salesiana, 2001.
TAPIA, María Nieves. La solidaridad como pedagogía. Buenos Aires: Ciudad Nueva, 2000.

Fonte: www.facaparte.org.br

Sobre o Portal | Política de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal