A Lei n° 7.876, homologada em 13 de novembro de 1989 quando nosso País estava no 168° ano de independência e 101° de república, instituiu o Dia Nacional da Conservação do Solo, a ser comemorado em todo território nacional no dia 15 de abril. Portanto, um dia para reflexão e também de advertência para recordar como os solos são formados e entender suas fragilidades desse recurso natural que está alicerçando a sobrevivência da nação. E também como são degradados para que possamos ter consciente desses processos e buscas outras práticas que reduzam esses efeitos.
Esse dia foi escolhido em homenagem a um baluarte do conservacionismo internacional, ao nascimento de Hugh Hammond Bennett (15/04/1881 – 07/07/1960) que é considerado o pai da conservação de solos e o primeiro responsável pelo Serviço de Conservação de Solos dos Estados Unidos. A escolha pode ser até questionada ou discutida e provavelmente, pode até ser mudada essa data conforme substituir esse por um outro homenageado nacional, porém não ser deixada de existir um dia para a conservação do solo.
O solo representa o registro do tempo em função dos fatores: geológico (litologia); geomorfológico (relevo); meteorológico (clima); biológico (organismos vivos) que permitem a rocha transformar em terra (solo) através do intemperismo. As diversidades desses fatores como tipos de rocha, tipos de relevo, classes de clima, e a ampla atividade dos organismos vivos ao longo do tempo, proporcionam uma diversidade de solos. Esse processo de formação de solo que é complexo e também lento que precisa de muito tempo para formar, numa ordem de grandeza de 5 cm de solo a cada 100 anos. Por isso o solo pode ser considerado um recurso natural não renovável a curto e médio tempo. O que torna importante saber manejar e conservar para a manutenção e melhoria da capacidade produtivo dos nossos solos.
Os processos de degradação do solo são erosão, desertificação, salinização, compactação, contaminação e esgotamento. Todos esses tipos de degradação modificam as características físicas, químicas e biológicas do solo A erosão representa uns dos principais processos de degradação do solo que consiste em três etapas: destruição da estrutura do solo, transporte e acumulação numa outra áreas ou manancial hídrico causando o assoreamento, enterro dos recursos hídricos. Os agentes de erosão determinam o tipo de erosão: chuva a erosão hídrica ou pluvial, vento a erosão eólica, gelo a erosão glacial e mar a erosão marinha. A erosão hídrica é a nossa maior preocupação por isso pensar em conservação do solo também consiste em conservar a água e o solo.
As práticas recomendadas para minimizar a erosão hídrica são: evitar a primeira etapa que é a destruição da estrutura do solo através de manter o solo coberto por plantas de cobertura, cobertura morta, uso racional da pastagem, redução do desmatamento, evitar a queimada, reflorestamento e ou recuperação de mata ciliar; evitar escoamento superficial como cultivos em faixa, cordão vegetado, plantio em nível, curva de nível, terraço, canais divergentes e escoadoures, distribuição e adequação de estrada e carreadores; e outras práticas como o plantio direto, quebra-vento, sistemas agroflorestas e uso do solo conforme sua aptidão agrícola deva ser considerada no planejamento das atividades agrícola, portanto adotar o planejamento e as práticas conservacionistas. Somente para ilustrar o efeito que pode provocar a erosão hídrica uma perda de solo está na ordem de 700 kg/ha/ano em pastagem, 4 kg/ha/ano em floresta e chegar a 38.000 kg/ha/ano em cultivo anuais.
A ênfase para a erosão hídrica é devido à erosividade das chuvas no estado de Rondônia é considerada alta como para toda a região Amazônica. A erosividade é capacidade das chuvas em causar a erosão que é denominada por E30 que é obtido pela intensidade máxima da chuva durante trinta minutos contínuos. O importante não é considerar o valor anual, mas também os valores mensais para identificar o período mais crítico. Esse período corresponde de novembro a abril, período das chuvas onde o índex atinge maiores índices nos meses de janeiro e fevereiro (E30 na faixa de 3.600 a 4.500 MJ.mm/ha.h.mês enquanto que nos meses de maio a setembro apresentam menores valores, E30 inferior a 900 MJ.mm/ha.h.mês, E a erosividade anual é estimada na faixa de 16.000 a 18.000 MJ.mm/ha.h.ano que é considerada como uma classe de alta erosividade.
A Embrapa Rondônia tem contribuído com serviço (laboratório de solos e plantas com padrão de qualidade), pesquisa (recuperação do lago, sistemas agroflorestais, café sombreado entre outras) e difusão (dias de campos, cursos, campanha, publicações). E continuará participando com os demais técnicos das instituições públicas e privadas e produtores e para o fortalecimento da agricultura, pecuária e florestal através da conservação do solo e água. E inovações como laboratório reformado (em fase de conclusão), novos projetos (sistema de plantio direto, transição à agroecologia em fase de proposta e outros como recuperação de mata ciliar e consorciação de pastagem com leguminosa de projetos aprovados e em andamento) e fortalecimento da equipe de solo com novas contratações de pesquisadores permitem fortalecimento da conservação do solo e água em Rondônia.
O nosso formulário de resultado de análise de solo e planta contém um slogan que é importante refletir sobre o dia de hoje. "Terra base da vida, sustento do homem. Analise-a". E tomando a liberdade para fazer uma paródia desse. "Solo a base da vida, sustento do homem. Conserve-o!"
Ângelo Mansur Mendes
Fonte: www.agrosoft.org.br
Conservação, segundo o Novo Dicionário da Língua Portuguesa, quer dizer'ïesguardar de dano, decadência, deteriorizaçào, prejuí- zo; manter, preservar, continuar a ter; reter: os solos ricos conservam o húmus."
No Glossário de Ciência do Solo (Fontes & Fontes, 1992), o termo tem o significado de: "prote- ção do solo contra perdas físicas por erosão ou contra degradação química, ou seja, ex- cessiva perda de fertilidade por meios natu- rais ou artificiais." Consideram-na ainda como a "combinação de todos os métodos de ma- nejo e uso da terra que protegem o solo con- tra o esgotamento ou deterioração por fato- res naturais ou induzidos pelo homem". Acres- centando nesses conceitos a proteção do solo contra a degradação física: perda de estrutu- ra, diminuição da porosidade e capacidade de armazenamento de água e físico-química: retenção e fornecimento de nutrientes essen- ciais ao desenvolvimento das plantas, poder- se-ia, agora, perguntar: estamos fazendo a conservação do solo no Brasil?
Os solos brasileiros são, em sua maioria, pobres química e mineralogicamente, razão por que, necessitam de sistemas de manejo que apliquem, harmonicamente, os elemen- tos que compõem o manejo do solo, ou seja, a correção da acidez superficial e subsuperficial, a adubação corretíva e de manutenção, a dinâmica de sistemas de pre- paro, culminando com o plantio direto, e a rotação de culturas, incluindo-sc as práticas culturais, a pastagem e a floresta. Os ele- mentos do manejo, harmonicamente aplica- dos ao solo, são os pilares que sustentam a agricultura produtiva e estável.
Como consequência dessa harmonia está a dinâmica da matéria orgânica do solo, que, geralmente, com exceção das Areias Quartzosas, situa-se entre o nível médio e o bom, nos nossos solos Com o objetivo de otimizar os benefícios da matéria orgânica, torna-se necessária a melhoria das condições químicas do solo para o aumento da atividade microbiana.
Eslabe- lece-se aqui um paradoxo: de um lado, é ne- cessário revolver o solo para aplicar correti- vos e fertilizantes o mais profundo possível, para aumentar o volume de exploração das raízes das culturas e contrabalancear a baixa disponibilidade de água de nossos solos e o carãter errático de nosso clima, adicionando a esses o carbono orgânico, elemento funda- mental na formação de estrutura; por outro lado, estamos acelerando o processo de de- composição dessa matéria orgânica, cujo grau de intensidade está na dependência do equi- líbrio estabelecido entre a adição de carbono orgânico ao solo (quantidade e qualidade), proporcionado pela rotação de culturas, e a sua conservação no solo, promovido pela di- nâmica de sistemas de preparo, isto é, pelo uso adequado de diferentes implementos ou sistemas, no tempo certo e com certas carac- terísticas de funcionamento, a fim de atingir determinados objetivos: correção química em curto espaço de tempo, incorporação pro- funda de restos culturais, manutenção com preparo mínimo ou com o plantio direto.
Além disso, vigora hoje no País, a lei nQ 7803, de 18 de julho de 1989, que estabelece a largura das faixas mínimas de florestas ou qual- quer tipo de vegetação natural que deve ser mantida ao longo dos rios ou de quaisquer cur- sos d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal. Estabelece, ainda, a reserva legal cor- respondente a 20% de cada propriedade, que deverá ser averbada ã margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis com- petente, sendo vedada a alteração de sua destinação nos casos de transmissão, a qual- quer título, de desmembramento da arca
Finalmente, se o nosso objetivo é aumen- tar a produtividade de grãos, carne, madeira, fibra e energia, .sem comprometer os recursos naturais e elevando o padrão socioeconómico da população, não podemos nos esquecer de que a propriedade agrícola é paite de uma ba- cia hidrográfica, onde ocorrem todos os falores que afetam a produção e o equilíbrio ambiental. A água que sai da bacia deverá ser volumosa e de boa qualidade. Isso é possívasculha a web. Page 1 Conservação do solo Dimas Vital Siqueira Resck Conservação, segundo o Novo Dicionário da Língua Portuguesa, quer dizer'ïesguardar de dano, decadência, deteriorizaçào, prejuí- zo; manter, preservar, continuar a ter; reter: os solos ricos conservam o húmus."
Com o objetivo de otimizar os benefícios da matéria orgânica, torna-se necessária a melhoria das condições químicas do solo para o aumento da atividade microbiana.
Eslabe- lece-se aqui um paradoxo: de um lado, é ne- cessário revolver o solo para aplicar correti- vos e fertilizantes o mais profundo possível, para aumentar o volume de exploração das raízes das culturas e contrabalancear a baixa disponibilidade de água de nossos solos e o carãter errático de nosso clima, adicionando a esses o carbono orgânico, elemento funda- mental na formação de estrutura; por outro lado, estamos acelerando o processo de de- composição dessa matéria orgânica, cujo grau de intensidade está na dependência do equi- líbrio estabelecido entre a adição de carbono orgânico ao solo (quantidade e qualidade), proporcionado pela rotação de culturas, e a sua conservação no solo, promovido pela di- nâmica de sistemas de preparo, isto é, pelo uso adequado de diferentes implementos ou sistemas, no tempo certo e com certas carac- terísticas de funcionamento, a fim de atingir determinados objetivos: correção química em curto espaço de tempo, incorporação pro- funda de restos culturais, manutenção com preparo mínimo ou com o plantio direto.
Além disso, vigora hoje no País, a lei nQ 7803, de 18 de julho de 1989, que estabelece a largura das faixas mínimas de florestas ou qual- quer tipo de vegetação natural que deve ser mantida ao longo dos rios ou de quaisquer cur- sos d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal.
Estabelece, ainda, a reserva legal cor- respondente a 20% de cada propriedade, que deverá ser averbada ã margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis com- petente, sendo vedada a alteração de sua destinação nos casos de transmissão, a qual- quer título, de desmembramento da arca.
Fonte: ufv.br