É difícil estabelecer critérios gerais que diferenciem
quem bebe muito de quem é alcoólatra. Não é possível
estabelecer um valor numérico, como a quantidade de álcool ingerido,
pois cada pessoa tem um metabolismo diferente. O que é muito para uns
é pouco para outros e vice-versa.
Atualmente, os critérios usados para definir alcoolismo se baseiam
no prejuízo social e pessoal sofridos por quem abusa das bebidas alcoólicas,
ou no surgimento de sinais de abstinência e dependência pela interrupção
da bebida. A abstinência é a falta que o organismo sente do álcool
depois de um tempo prolongado de uso de doses não pequenas. Quando
um indivíduo apresenta sinais de abstinência, ele está
dependente de álcool, ou seja, quando o álcool é eliminado,
o corpo se ressente e essa pessoa passa mal, precisando de novas doses para
se "normalizar". Os principais sinais de abstinência são
tremores, náuseas, vômitos, tonteiras, mal-estar, fraqueza. Um
dos indicativos de que uma pessoa está dependente é o fato de
ter que aumentar a dose da bebida para alcançar os mesmos efeitos de
antes.
Não temos meios, hoje, de saber com certeza quem será um alcoólatra,
antes que a pessoa comece a beber. Já existem, no entanto, resultados
concretos que mostram a influência genética. Eles foram conseguidos
observando-se filhos de alcoólatras adotados por casais não
alcoólatras.
O vício no álcool começa lentamente. Na fase de dependência
psicológica, o indivíduo não se considera viciado. Ele
acredita que pode parar quando quiser. E como nessa fase o indivíduo
não deseja largar a bebida, prossegue até que começa
a se prejudicar.
Antes de chegar a esse ponto, muitas advertências são dadas pelas
pessoas próximas e todas são sempre desprezadas. Algumas vezes
ocorrem até internações, mas o paciente não se
convence de que é alcoólatra. Geralmente culpa a mulher, o governo,
o patrão ou a circunstância pelos seus excessos. Enquanto sua
condição de dependente do álcool for negada, o paciente
continuará bebendo e se prejudicando.
Os homens brancos jovens são os mais afetados pelo alcoolismo. O início da dependência ocorre em torno dos 20 anos ou no final da adolescência, sendo diagnosticada somente em torno dos 30 anos de idade. Após a quinta ou sexta décadas de vida, o impulso de beber começa a diminuir.
No mundo inteiro, os melhores resultados têm sido apresentados pela Associação dos Alcoólatras Anônimos (AAA). Sua eficiência é maior do que qualquer forma isolada de psicoterapia ou controle farmacológico. É importante lembrar que um distúrbio psiquiátrico de base pode estar levando o paciente à bebida, como a depressão, a fobia social e outros transtornos. Por isso a investigação das causas deve ser feita pelo psiquiatra.
Fonte: Planeta Educação, CEDI