Facebook do Portal São Francisco Google+
+ circle
Home  Dia de Iemanjá  Voltar

Dia de Iemanjá

 

2 de Fevereiro

Dia 2 de fevereiro - dia de festa no mar , segundo a música do compositor baiano Dorival Caymi. É o dia em que todos vão deixar os seus presentes nos balaios organizados pelos pescadores do bairro do Rio Vermelho junto com muitas mães de santo de terreiros de Salvador, ao lado da Casa do Peso, dentro da qual há um peji de Yemanjá e uma pequena fonte.

Na frente da casa, uma escultura de sereia representando a Mãe d´Água baiana, Yemanjá. Desde cedo formam-se filas para entregar presentes, flores, dinheiro e cartinhas com pedidos, para serem levados à tarde nos balaios que serão jogados em alto mar.

É única grande festa religiosa baiana que não tem origem no catolicismo e sim no candomblé. (Dia 2 de fevereiro é dia de N.Sra. das Candeias, na liturgia católica, e esta Nossa Senhora é mais freqüentemente paralelizada com Oxum, a vaidosa deusa das águas doces).

Iemanjá , rainha do mar, é também conhecida por dona Janaína, Inaê, Princesa de Aiocá e Maria, no paralelismo com a religião católica. Aiocá é o reino das terras misteriosas da felicidade e da liberdade, imagem das terras natais da África, saudades dos dias livres na floresta (AMADO,1956;137)

Dois de fevereiro é - oficiosamente - feriado na Bahia. É considerada a mais importante das festas dedicadas a Yemanjá, embora Silva Campos narre que antigamente a mais pomposa festa a ela dedicada era a efetuada no terceiro domingo de dezembro, em Itapagipe, em frente ao arrasado forte de São Bartolomeu (SILVA CAMPOS, 1930;415). Odorico TAVARES (1961;56) narra que, nos outros tempos, os senhores deixaram seus escravos uma folga de quinze dias para festejarem a sua rainha em frente ao antigo forte de São Bartolomeu em Itapagipe.

QUERINO (1955;126/7) confirma ser na 3a dominga de dezembro a festa comemorada em frente ao antigo forte de S.Bartolomeu, hoje demolido, à qual compareciam para mais de 2.000 africanos . Tio Ataré era o pai de santo residente na rua do Bispo, em Itapagipe, que comandava os festejos. Reuniam os presentes em uma grande talha ou pote de barro que depois era atirada ao mar. A festa durava quinze dias, durante os quais não faltavam batuques e comidas típicas baianas, com azeite de dendê. Hoje a festa do Rio Vermelho dura só o dia 2, prolongando-se pelo fim de semana seguinte, quando próximo.

SILVA CAMPOS conta também uma lenda de que no Rio Vermelho havia uma rendosa armação de pesca de xaréu sendo bastante abundante tal peixe alí. Certa feita, veio junto com eles na rede, uma sereia. O proprietário do aparelho, querendo viver em paz com a gente debaixo d´água fê-la soltar imediatamente.

Anos depois, sendo outro o dono da armação, novamente caiu uma sereia na rede e eles resolveram pegá-la e levá-la, carregada por dois pescadores, para assistir missa na igreja do povoado (não se sabe se na de Santana ou na extinta capela de São Gonçalo). Ela ficou o tempo todo chorosa e envergonhada; terminada a cerimônia soltaram-na à beira-mar. Desde esse dia nunca mais se pegou um xaréu que fosse nas águas do porto de Santana do Rio Vermelho, apesar dos pescadores anualmente levarem oferendas à Mãe d´Água (SILVA CAMPOS, 1930;417).

O pintor Licídio Lopes, morador antigo do Rio Vermelho, conta em suas memórias que era entre a praia do Canzuá e a da Paciência, por cima das pedras que havia uma gruta muito grande que os antigos diziam que era a casa da Sereia ou Mãe d´Água, porém ela não morava mais ali e a gruta estava abandonada Esta gruta foi destruída por uma pedreira, na década de 20 do século XX, mas permaneceu a pedra da Sereia; na gruta e nesta pedra é que se botavam presentes para a Mãe d´Água ou sereia. Agora que não existe mais a gruta, botam presentes em todas as praias, e se dá preferência à maré enchendo ou cheia.

Conta ainda que o grande presente para Iemanjá , no dia 2 de fevereiro, é uma idéia que não veio das seitas de candomblé, mas de um pescador, querendo reviver a festa do Rio Vermelho, já que a de Santana estava ficando menos concorrida. Decidiram dar um presente à Mãe d´Àgua no dia 2 de fevereiro. Pescadores e peixeiros se reuniram para organizar a festa que começava com uma missa na igreja de Santana de manhã e à tarde botavam o presente para a Rainha do Mar; houve problema com um padre que não gostou que se misturasse missa com presente para uma sereia e eles resolveram não celebrar mais missa e apenas botar o presente à tarde para Iemanjá .

Mas como ocorressem algumas dificuldades e imprevistos, alguém lembrou que essa obrigação era feita na África, onde Iemanjá é mãe de todos os orixás. Como no Rio Vermelho não existisse na ocasião algum terreiro, foram procurar em outros bairros uma casa que se encarregasse das obrigações para dar o presente. A mãe de santo Júlia Bugan, que tinha casa de Candomblé na Língua de Vaca, perto do Gantois, foi quem orientou, dando uma nota para comprarem tudo o que era preciso.

Fez os trabalhos e preceitos, colocou na talha que pedira e dentro do balaio, enfeitou com muitas fitas e flores e mandou-o para a casinha de pescadores no dia 2 de manhã. A partir de então continuaram fazendo sempre este preceito para tudo correr bem

Em 1988, 89 e 90 o preceito foi realizado por Waldelice Maria dos Santos, do Engenho Velho da Federação (SANTOS,1990;28 e 34)

A partir de 1967 o Departamento de Turismo passou a ajudar. Em 1969 foi feito o pedestal junto à casa dos pescadores e colocada a estátua de uma sereia feita por Manuel Bonfim. (LOPES,1984;58/9 e 61).

No largo de Santana e cercanias armam-se muitas barracas, onde o devoto, depois de depositar sua oferenda, pode ficar tomando uma bebida, degustando as típicas e tradicionais comidas baianas, beliscando aperitivos e revendo os conhecidos e amigos, que sempre aparecem neste dia por lá.

Às 4 da tarde é que saem os barcos que levam os balaios cheios de oferendas a serem lançados em alto mar. Quando as embarcações voltam para a terra os acompanhantes não olham para trás, que faz mal. Diz a lenda, que os presentes que Yemanjá aceita ficam com ela no fundo do mar, e os que ela não aceita são devolvidos à praia pela maré, à noite e no dia seguinte, para delícia dos meninos, que vão catar nas praias os presentes não recebidos por ela.

AMADO (1956;136) conta que se Iemanjá aceitar a oferta dos filhos marinheiros é que o ano será bom para as pescarias, o mar será bonançoso e os ventos ajudarão aos saveiros; se ela o recusar,... ah! as tempestades se soltarão, os ventos romperão as velas dos barcos, o mar será inimigo dos homens e os cadáveres dos afogados boiarão em busca da terra de Aiocá.

Odorico TAVARES conta uma lenda iorubana que diz que quando Orungan, filho de Iemanjá , apaixonado pela mãe, tentou violentá-la, ela o repudiou e saiu correndo pelos campos, com o incestuoso ao seu alcance. Num dado momento ela caiu e seu corpo começou a crescer; dos seus seios saíram dois rios e seu ventre despedaçou-se dando origem a quinze orixás que regem os vegetais, o trovão, o ferro, a guerra, o mar, os lagos, rios africanos, a agricultura, os caçadores, os montes, as riquezas, a varíola, o sol e a lua (TAVARES,1961;53/4). CACCIATORE (1977;267) os nomeia, não na mesma ordem: Dadá, Xangô, Ogun, Olokun, Oloxá, Oyá, Oxum, Obá, Okô, Okê, Xampanã, Oxossi, Ajê Xalugá, Orun (sol) e Oxupá (lua).

No Brasil Yemanjá é orixá do mar e considerada mãe de todos os orixás de origem iorubá (os de origem daomeana - Omolu, Oxumaré e às vezes Exu - são tidos como filhos de Nanã).

VERGER (1987;50) narra a lenda africana de Yemanjá que era filha de Olokum, a deusa do mar. Casou-se, em Ifé, com Olofim-Odudua., com quem teve dez filhos que se tornaram orixás. De tanto amamentar os filhos, seus seios se tornaram imensos. Cansada da estadia em Ifé, fugiu para o oeste, chegando a Abeokutá. Ao norte desta cidade vivia Okere, rei de Xaki, que desejou desposá-la. Ela concordou, com a condição de que ele nunca ridicularizasse o tamanho de seus seios. Ele assentiu e sempre a tratava com consideração e respeito, mas um dia, voltando bêbado para casa, gritou para ela: você com seus seios compridos e balouçantes! você com seus seios grandes e trêmulos! . Yemanjá, ofendida, fugiu em disparada. Antes de seu primeiro casamento Yemanjá recebera de Olokum, sua mãe, uma garrafa contendo uma poção mágica pois, nunca se sabe o que pode acontecer amanhã ; em caso de necessidade Yemanjá deveria quebrar a garrafa, jogando-a no chão.

Em sua fuga, Yemanjá tropeçou e caiu, a garrafa quebrou-se, e dela nasceu um rio cujas águas levaram Yemanjá em direção ao mar, residência de sua mãe. Okere, contrariado, quis impedir a fuga de sua mulher e foi-lhe ao encalço. Para barrar-lhe o caminho transformou-se em uma colina, ainda hoje chamada Okere. Não conseguindo passar, Yemanjá chamou Xangô, o mais poderoso dos seus filhos. Ele pediu uma oferenda e, recebida, disse-lhe que no dia seguinte ela encontraria por onde passar. Nesse dia Xangô desfez os nós que prendiam as amarras das chuvas e as nuvens começaram a se reunir; Xangô então lançou seu raio sobre a colina Okere, ela abriu-se em duas, e as águas do rio de Yemanjá atravessaram a colina e a levaram até o mar, onde ela resolveu ficar e não voltar mais à terra.

Yemanjá é festejada em muitos locais na Bahia. Vive e é festejada na Ribeira, em Plataforma; na península de Humaitá, onde fica a igrejinha de Montserrate; na Gameleira, na ilha de Itaparica; no Rio Vermelho, frente à igreja de Santana, e em muitos outros lugares conhecidos pelos seus filhos e filhas de santo, que vão aí oferecer seus presentes e fazer suas obrigações.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

AMADO, Jorge. Bahia de Todos os Santos (Guia das ruas e dos mistérios da cidade do Salvador) 4a ed. São Paulo: Martins, 1956. 310 p.
CACCIATORE, Olga Gudolle. Dicionário de Cultos Afro-Brasileiros. Rio de Janeiro: Forense, 1977. 279 p.
LOPES, Licídio. O Rio Vermelho e suas tradições; memórias. Salvador: Fundação ?cultural do Estado da Bahia, 1984. 109 p.
MAIA, Carlos Vasconcelos. ABC do candomblé. Bahia: Carlito Editor, s/d (1978) 93 p. (Coleção do autor;III)
QUERINO, Manuel. A Bahia de outrora. Salvador: Progresso, 1955. 348 p.
SILVA CAMPOS, João da. Tradições Bahianas in Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia no 56, 1930, pp 353-557.
TAVARES, Odorico. Bahia imagens da terra e do povo. 3a ed. Rio de Janeiro: civilização Brasileira, 1961. 298 p.
VERGER, Pierre Fatumbi. Lendas Africanas dos Orixás. 2a ed. São Paulo:Corrupio, 1987. 96p.
VERGER, Pierre Fatumbi. Orixás - Deuses iorubás na África e no novo mundo. Salvador: Corrupio / São Paulo: Círculo do Livro, 1981. 295 p.
VIANNA, Hildegardes. Calendário de festas populares da cidade do Salvador. Salvador: Secretaria Municipal de Educação e Cultura, 1983. 43 p.

Fonte: www.faced.ufba.br

Dia de Iemanja

2 de Fevereiro

A devoção à Nossa Senhora dos Navegantes teve início na Idade Média. Ao utilizar o Mar Mediterrâneo para chegar à Palestina, os cruzados invocavam a proteção de Maria, a Estrela do Mar.

A tradição teria chegado ao Brasil já na época do Descobrimento, através dos navegadores portugueses e espanhóis. O culto à Nossa Senhora disseminou-se entre os nativos, originando o surgimento de santuários nas regiões pesqueiras.

Dia de Iemanjá

Em Porto Alegre, a santa foi eleita padroeira da cidade. Desde 1871 é realizada no Lado Guaíba uma procissão fluvial em sua homenagem. Esta tradição foi interrompida entre 1989 e 2000, em decorrência do naufrágio do barco Bateau Mouche, no Rio de Janeiro, quando o país inteiro se alertou para o perigo de passeios fluviais em embarcações sem equipamentos de segurança suficientes.

Nesta ano, os organizadores esperam contar com mais de 200 "navegantes". Participam do evento barcos de turismo, pesca, de esportes náuticos e de particulares.

Neste dia há também a homenagem à Iemanjá , orixá das grandes águas, dos mares e oceanos. É a correspondente de Nossa Senhora dos Navegantes nas religiões afro-brasileiras. São feitas homenagens nas praias, com os devotos lançando ao mar pequenas embarcações com oferendas compostas de cocadas brancas, lírios, velas brancas, perfumes, espelhinhos, etc... Sua popularidade é imensa, sendo cultuada como a rainha do mar e também chamada de: Oguntê, Marabô, Kaiala e Sobá... Oloxum, Inaiê, Janaína, Iemanjá (já cantava Marisa Monte).

Os filhos de Iemanjá são doces, carinhosos, sentimentais e preocupados em ajudar os outros, apresentando uma certa tendência a consertar a vida de todos os que o cercam. Gostam de luxo, de jóias caras e de tecidos vistosos. Mesmo quando pobres, pode-se notar uma certa sofisticação em suas casas, como diferencial.

Fonte: www2.portoalegre.rs.gov.br

Dia de Iemanja

2 de Fevereiro

São analisadas, neste artigo, as ritualidades dos festejos de 2 de fevereiro, quando se comemora, em Salvador (Bahia), o dia de Iemanjá cujas raízes estão no candomblé, na fé e confiança na ação protetora de Iemanjá que o trabalho cotidiano nas águas do mar requer. Movidos pelos mesmos sentimentos, os pescadores participam da missa no dia 29 de junho, em homenagem a São Pedro, realizada na vizinha Igreja Católica de Sant Ana, também localizada na praia do Rio Vermelho.

Conto de areia é uma dentre muitas composições do cancioneiro popular brasileiroi que reverencia Iemanjá , personagem de mitos, lendas, músicas e poesias . Para Bernardo (2003), é mãe e esposa. Ela ama os homens do mar e os protege. Mas quando os deseja, ela os mata e torna-os seus esposos no fundo do mar .ii As imagens inspiradoras para muitos poetas, da mulher guerreira, protetora, sensual, branca de olhos azuis ou negros, cabelos longos e pretos; muitas vezes, mestiça, delicada, vaidosa, voluntariosa, caprichosa são re-significadas, nas terras brasileiras, de "rio para mar". Essas múltiplas imagens propiciam, conforme essa autora, que "a comunicação, a união de todos os africanos que viveram a diáspora. Deixou o rio para sua filha, e assim, Oxum pode continuar a representar as águas doces, as águas claras... iii

O imaginário africano não sucumbiu, portanto, sob o peso da escravidão. Adverte Montes (1997), se o cativeiro subjuga o corpo, nem por isso rouba ao escravo sua alma .iv Desse modo, as imagens associadas a Iemanjá põem a descoberto o mosaico das heranças culturais e das experiências históricas constituintes do processo de formação social das institucionalidades brasileiras.

As oferendas e agrados dados a Iemanjá , no dia 2 de fevereiro, reportam ao legado da diáspora africana onde, no contexto de um sistema de referências cosmológicas, pontua Montes (1997), "objeto criado tem função e finalidade com relação ao sagrado".v Nessa festa, todos presenteiam a dona do mar para receber e/ ou retribui as graças já recebidas. Quais seriam essas graças? Enquanto festa do trabalho, tema ainda pouco explorado pelos cientistas sociais no Brasil, os pescadores, esperam pesca abundante, mar calmo e tempo bom.

Apesar do seu caráter religioso, essa festa, como tantas outras que ocorrem no Brasil, permeia a vida, estando integrada no conjunto das atividades sociaisvi. Desse ponto de vista, celebra o trabalho dos pescadores e (co)memora a produção pesqueira passada e futura a fim de garantir a oferta e abundância da pesca, enquanto alimento para o corpo de homens e mulheres.

Este aspecto profano, na realidade talvez um dos mais sagrados, motiva e justifica a própria festa de Dois de Fevereiro em Salvador, pois a pesca artesanal com rede perto da praia constitui a forma predominante de pesca em Rio Vermelho. Essa prática, apesar de pouco prestigiada no universo dos pescadores, é bastante difundida em várias partes do mundo, sendo "extremamente importante como fonte de alimentos" (Lanna, 1995: 138).

São tantos os relatos sobre as aventuras e desventuras no trabalho com pesca que, comenta Sousa (2001), só os pescadores por trilharem os caminhos de Iemanjá sabem contar .vii Por viverem do mar e no mar, eles pedem proteção para manter a própria vida no exercício do seu trabalho que se sustenta em uma rede de sociabilidade e de solidariedade e se entrelaça à natureza e ao imaginário povoado de encantados, deuses e demônios. As festas, propiciando momentos de contemplação e de reverência, estreitam esses vínculos e mostram o trabalho da festa.

A festa de Iemanjá suscita uma pluralidade de temas para reflexão sociológica, abrangendo, por exemplo, um conjunto de práticas de trabalho concreto e abstrato que ganham significado mais amplo mediadas pelo sagrado. As práticas de trabalho concreto dizem respeito à pesca e à manutenção da fertilidade e oferta de peixes, como fonte alimentar e de rendimentos para os pescadores. As práticas de trabalho abstrato relacionamse aos assalariados na festa, ou seja, os que estão empregados nos hotéis e restaurantes destinados, principalmente, aos turistas que chegam à cidade de Salvador, em pleno verão; ou mesmo, os que estão nos trios elétricos, bares e barracas instaladas nas vias públicas próximas aos lugares da festa.

A festa vira do avesso a noção moderna de trabalho, fundada na fragmentação das práticas sociais e no desencantamento do mundo, fundada na oposição trabalho, lazer e festa; ou na separação entre trabalho e não trabalho, uma das marcas do projeto da modernidade construído na Europa Ocidental.viii Os devotos do candomblé, que podem ou não coincidir com os promotores centrais da festa, batem a céu aberto na terra firme a beira-mar e em alto-mar, levando seus praticantes ao transe , ou seus participantes a viver momentos de possessão pelos orixás como parte dos rituais da festa para Iemanjá .

Nesse festejar, revelam-se crenças, visões de mundo e de sociedade onde as relações sociais estão inseridas na natureza e no sobrenatural. Durante todo o dia, os olhares estão completamente voltados para o mar, contemplando a força enorme que vem das suas profundezas. A mesma força necessária para se enfrentar os desafios da vida cotidiana.

Desse ponto de vista, as práticas sociais preservam mitos. Conforme escreve Campbell (1992), na mitologia, as deusas, sereias e bruxas que frequentemente aparecem como guardiãs ou manifestações da água (...) podem representar tanto o seu aspecto ameaçador quanto promotor de vida . Sendo a água, o veículo do poder da deusa. (idem: 62 e 64) Iemanjá , enquanto divindade, simboliza "a procriação e a maternidade, é considerada popularmente, como a mãe de todos os outros orixás ix cuja personalidade se caracteriza pela paciência e rigor. Por isso, a ela são consagradas todas as cabeças.

A inteligência e o equilíbrio do mundo lhe pertencem".x Na morada de Iemanjá , construída ao lado da Igreja Católica de Sant Ana, essas imagens aparecem nas suas paredes. No pátio em frente à porta principal, uma escultura de Manoel do Bonfim mostra a rainha, reinando imponente na figuração de sereia do mar! É importante lembrar que, embora Verger (1981) tenha registrado, detalhadamente, a vida cotidiana em Salvador, nos meados do século XIX, não menciona essa festa no contexto do ciclo de festivo, dessa cidade, que se renova a cada ano, seguindo tradições bem estabelecidas .xi Nada diz sobre os festejos dedicados, exclusivamente, a Iemanjá , um orixá trazido ao Brasil pela diáspora africana. Na sua festa, estão ausentes as imagens católicas, ao contrário da profusão dos símbolos cristãos que aparecem nas oferendas como, por exemplo, crucifixos, cálices eucarísticos etc.

Os devotos usam, portanto, esses símbolos para homenagear seus orixás. Segundo a análise desenvolvida por Sousa (2001), não são os orixás que se encontram com os santos católicos e vice-versa, mas os devotos (...) num mesmo sentimento religioso, num momento capaz de (...) misturar estilos, sons e corpos .xii Dessa perspectiva, importa recompor a totalidade da festa, seja analisando-a a partir da lógica de quem a faz e a organiza, seja de quem participa e acompanha o seu efetivo acontecer. Alguns trazem oferendas e escrevem seus pedidos, ou silenciosamente os anunciam para rainha do mar .

Outros participam de diferentes modos da Festa de Largo que eclode ao redor da praia do Rio Vermelho, em Salvador (Bahia).xiii Os dados reunidos e sistematizados n As imagens católicas, neste artigo, foram coletados no decorrer dos preparativos e da realização dos festejos de fevereiro de 2000, nessa cidade. O seu principal objetivo seria trazer a cena os principais protagonistas sociais dessa festa, ou seja, os pescadores de rede que vivem do mar e no mar, enfrentando toda forma de intempéries da natureza e as oscilações do mar no limiar entre vida e morte. As águas ameaçam a sobrevivência humana na busca por alimentos e os pescadores podem, a qualquer deslize, serem jogados nos braços de Iemanjá . Essas cenas são bastante conhecidas através da literatura de Jorge Amado e das canções de Dorival Caymmi.

Antes de descrever, em linhas gerais, os rituais dos festejos dedicados a Iemanjá , caberia recuperar a noção de festa, enquanto categoria de análise., com a ressalva que as múltiplas definições de festa refletem, para Guarinello (2001), as várias interpretações acerca do viver em sociedade.xiv As festas são, de um modo geral, concebidas como ato coletivo ritualizado que promove uma ruptura, ou suspensão temporária das atividades e relações que perpassam a vida cotidiana, invertendo hierarquias, posições e papéis sociais. Ao permitir que uma certa ordenação do sistema de relações sociais se interrompa, instala a desordem que tende a se expressar no brincar, no riso, humor, na alegria estonteante, no grotesco etc.

Por certo a festa não se distancia radicalmente do cotidiano, na medida em que, como afirma Fortuna (1995), "o mundo do lazer, do turismo, do consumo não é um mundo separado, mas contíguo ao mundo cotidiano do trabalho e da produção. Entra-se e sai-se de um e de outro livre e insensivelmente. Porém, não de modo incólume. Entre uma e outra esfera fluem e refluem interferências múltiplas, de indeléveis efeitos, quer sobre os sujeitos, quer sobre os grupos, quer sobre a sociedade no seu todo".xv As manifestações festivas supõem, em certa medida, uma ruptura do cotidiano de vida e de trabalho, pois as práticas de trabalho são interrompidas; o vestuário e os adornos não são usuais; e são preparadas comidas especiais.

Esses elementos estão presentes nas festas, porém a sua somatória não determina "um tempo e lugar opostos ao cotidiano."xvi Uma festa consiste em um momento de integração, inclusive dos conflitos e divergências, que reafirmam vínculos sociais e identidades. Enquanto tal, para esse autor, "sintetiza a totalidade da vida de cada comunidade, a sua organização econômica e suas estruturas culturais, as suas relações políticas e as propostas de mudanças".xvii A polissemia das festas expressa, conforme Guarinello (2001), "um trabalho social específico, coletivo, da sociedade sobre si mesma".xviii Por isso, são promovidos atos identitários sempre associados, explica esse autor, "ao cotidiano das relações sociais do qual são o produto e parte integrante".xix As relações entre festa e vida cotidiana estão permeadas por paradoxos que se revelam na dimensão de ruptura e de continuidade. Quanto ao vestuário, adornos, comensais e sociabilidades, a festa implica ruptura com o dia-a-dia, mas também afirma e reafirma os vínculos sociais e afetivos construídos no cotidiano.

Desse modo, a festa garante, em certa medida, a continuidade das práticas sociais cotidianas marcadas por disputas e desigualdades entre os participantes e promotores, inclusive dos festejos de Iemanjá . Disputa, por exemplo, que se expressa entre cristãos e não cristãos no local do culto e da festa na busca pela adesão de fiéis, ou até na busca por concessão de subsídios, envolvendo relações de prestígio e de poder na cidade. As negociações com os representantes governamentais locais e nacionais na busca de patrocínio e de subsídios que permitam preparar o local da festa e a feitura das oferendas.

Conflitos, encontros e desencontros perpassam os vários momentos da festa que revelam, por sua vez, a ação dos seus protagonistas na sua interação com a natureza e com o sobrenatural.

I - Rituais da festa.

Onde acontecem os festejos para Iemanjá ?

A festa e o culto desenrolam-se, simultaneamente, em vários locais e ocorrem em momentos diferentes. Acontece nas casas de candomblé espalhadas pela cidade de Salvador, Bahia, aonde são preparadas algumas oferendas, incluindo, a dos pescadores da Colônia do Rio Vermelho. Inicia-se, efetivamente, logo após a meia-noite do dia 2 de fevereiro, no Dique do Tororó, quando são realizados os primeiros rituais da festa com a entrega da oferenda a Oxum, orixá das águas doces. Apenas os pescadores dessa Colônia, participam desses momentos iniciais, sendo pouco visíveis para o grande público.

Uma alvorada com fogos de artifício na praia do Rio Vermelho que explode às cinco horas da manhã, demarca o início dos festejos em homenagem a Iemanjá , quando são entregues os primeiros presentes pelos devotos. Essa atividade segue até às 16 horas.

No entorno dessa praia, até o morro da Paciência, os devotos se colocam, em filas duplas e chegam durante todo o dia. Aguardam, desse modo, o momento íntimo de saudar Iemanjá , formular seus pedidos e visitar a sua morada, no único dia em que recebe, de portas abertas, o público. Enquanto isso, são abençoados pelos integrantes dos terreiros de candomblé que, sob o toque de atabaques, recebem na cabeça e rosto respingos de essência de Alfazema, o perfume predileto da "rainha do mar". Depositam as oferendas no coberto improvisado de madeira edificado, nesse dia, para proteger uma das esculturas de Iemanjá .

Cada um(a) a seu modo "dá obrigação", faz deferência e pede proteção, diante dos desafios e dilemas da vida cotidiana transfigurados nas águas imprevisíveis e instáveis do mar. Os pedidos são escritos, em geral, em pequenos pedaços de papel e são colocados junto às oferendas. Identificar esses pedidos é quase impossível, pois são segredos íntimos compartilhados na devoção.

As oferendas são individuais ou coletivas. No entanto, expressam tudo que é de vaidade: perfumes, sabonetes, pulseiras, colares, brincos, batom, pentes, talco, flores coloridas ou brancas como as angélicas, bonecas etc , conta um dos membros da comissão da festa. Elas compreendem,desde alegorias de tamanhos variados que podem aparecer em carroças, ou em carrinhos de mão, até afoxés que surgem em cortejo no meio das filas de fiéis; grupos de capoeira, de teatro, blocos carnavalescos como a banda Didá, formada por mulheres nos moldes do Olodum do qual participam somente homens.

As oferendas e os papéis onde estão inscritos os pedidos são acondicionados em grandes balaios de palha, cestas confeccionadas, especialmente, para essa ocasião. As oferendas são recebidas, principalmente, por mulheres. Aos poucos, os homens, em geral, pescadores carregam esses enormes cestos repletos de prendas para um tablado de madeira construído na praia. Mais tarde, todos balaios são levados para os inúmeros barcos estacionados próximo à beira-mar.

Nada escapa aos olhares atentos dos promotores da festa! A oferenda principal surge na festa, às 16 horas, sendo, imediatamente, conduzida para embarcação especial que forma o cortejo de barcos e canoas que levarão os presentes em alto mar.

No decorrer do dia, o culto a Iemanjá desenrola-se, na praia do Rio Vermelho onde se localiza a sede da Colônia de Pescadores e a morada, em terra firme, de Iemanjá . Nesse local, os rituais da festa são mais visíveis. Ao cair da tarde, ele se transfere para beira-mar e depois para alto-mar. Neste último local, apenas alguns convidados e iniciados acompanham os rituais.

Dezenas de embarcações, vindas de vários pontos da Baia de Todos os Santos, aportam nessa praia do Rio Vermelho. Alguns barcos, escunas e saveiros parecem recém pintados, como se tivessem recebido roupas novas para ir à festa. Mas todos estão enfeitados com muitas fitas, guirlandas e bandeirolas bem coloridas.

O barco escolhido, em 2000, para entregar as oferendas a Iemanjá traz a inscrição - Que Iemanjá nos dê muita paz! Essa frase condensa, talvez, todas as esperanças e expectativas individuais e coletivas em relação a presença protetora do orixá na vida cotidiana. Remete, desse modo, à mitologia dos orixásxx na qual Iemanjá seria a força, representada pela imensidão das águas do mar; ou mesmo pelo discernimento. Como se diz, Iemanjá é a cabeça. Gosta de desafios. Não vive sem desafio .

Os devotos pedem paz e saúde porque dinheiro vem depois , se a cabeça não estiver ruim, explica um eles. Seguindo as regras da reciprocidade, todos esperam corresponder às vontades e gostos de Iemanjá para que as oferendas sejam aceitas. E, por isso, confessa outro: se ela aceita os presentes, é pra gente ter paz e saúde. E a gente espera isso! .

Nas ruas e praças públicas que se localizam, no entorno do entreposto de pesca e da morada de Iemanjá , são montadas muitas barracas, formando o cenário da Festa de Largo, aspecto profano do rito religioso. Nessas barracas, acontecem encontros, conversas, paqueras cruzados aos comensais típicos da cozinha baiana e regados por cerveja bem gelada. As músicas nos aparelhos de som incitam a dança, principalmente, ao som estridente dos trios elétricos . Dançarinos surgem e casais se formam nos bailes ao ar livre que seguem noite adentro, saudando Iemanjá .

O lado profano da festa faz, portanto, moldura a sua dimensão sagrada. Esta desenrola-se no próprio mar, ou nas suas margens, isto é, na areia da praia, nas pedras que a circundam e no pátio da casa de Iemanjá .

Ainda se comemora Iemanjá , nos grandes hotéis e restaurantes da cidade que servem um cardápio especial, no almoço, principalmente, aos turistas que visitam Salvador na época das festas. O ciclo festivo inicia-se, no dia 4 de dezembro, com a festa de Santa

Bárbara, prossegue, em 8 de dezembro, com a de Nossa Senhora da Conceição, ou Conceição da Praia; em 1º de janeiro, com a procissão do Nosso Senhor dos Navegantes; e com a Lavagem do Bonfim que acontece na terceira quinta-feira do mês de janeiro.xxi A festa de Iemanjá fecha esse ciclo que antecede aos dias de Carnaval.

A festa de Iemanjá é, nos dias atuais, tão expressiva quanto a da lavagem do Bonfim cuja devoção ao Senhor do Bonfim é bastante difundida, na Bahia, desde o século XIX.xxii Alguns estudos consideram a festa de Lavagem do Bonfim e a de Iemanjá , na sua dimensão profana, enquanto Festa de Largo, um preâmbulo dos festejos carnavalescos.

Nessas manifestações, os trios elétricos animam, à noite, com sua música, as ruas e barracas instaladas nos arredores dos lugares onde aconteceram, no decorrer do dia, os rituais estritamente religiosos.

A "mistura" de elementos culturais que se fundem nas diferentes práticas sociais configura, para Agier (2000), o contexto no qual se prepara o próprio carnaval, como festa urbana, cristã e pagã. xxiii Por volta das 17 horas, o toque do Ijexá anuncia a presença do afoxé Filhos de Gandhixxiv. Coube-lhes, no ritual da festa de 2000, conduzir essa oferenda que, além de comida e das obrigações preparadas em uma casa de candomblé, inclui um andor formado por uma das imagens associadas a Iemanjá rodeada por estrelas do mar e apoiada em uma enorme concha branca. No trajeto até o seu desembarque, várias pessoas vestidas com roupas brancas aglomeram-se nas calçadas e nas pedras, em silêncio absoluto. Ouve-se apenas o som do afoxé. A partir desse momento, a festa e o culto acontecem, antes na praia, e depois em alto mar, atraindo a atenção de todos em uma atitude totalmente contemplativa.

Antes do cortejo, se direcionar para o alto mar, o barco a remo, responsável por entregar o presente principal a Iemanjá , dá uma grande volta aos fundos da Igreja Católica de Sant' Ana. Com esse movimento, os pescadores reverenciam, conforme Sousa, a santa que lhes assegura também proteção .xxv Todos os barcos esperam. A embarcação com os atabaques e respectivos alabésxxvi, que haviam invocado os orixás em terra, e a outra, que traz ialorixás e filhos de santo, postam-se ao seu lado. Cinco milhas distante dali, são depositadas as oferendas e os pedidos em um enorme rodamoinho "onde Iemanjá os aguarda, todos os anos".xxvii Os festejos de Iemanjá seguem rituais transmitidos por tradição oral, mas a organização dos festejos e a sua abrangência alteraram-se, no decorrer dos tempos.

Protagonistas e principais atores sociais envolvidos na sua produção desconhecem, muitas vezes, as origens e matrizes simbólicas dos rituais das festas. Importa, contudo, afirmar, conforme Brandão (1998), que "os rostos do trabalho mudam na festa. Mudam nela e para ela (...), pois na festa as pessoas cobrem o rosto de máscaras, de fitas e de tintas. Cobrem o rosto dos sinais da festa, para descobrirem, no disfarce fugaz, a face verdadeira de quem são..." xxviii

II Nas fronteiras do sagrado e do profano

Aspectos sagrados expressos no rito religioso se entrelaçam aos profanos, que remetem aos momentos vividos na "festa de largo", como se observa nos festejos de Iemanjá . Essas fronteiras diluídas também se revelam nas festas religiosas dos santos padroeiros que permitem fortalecer os laços de sociabilidade de moradores em várias cidades brasileiras.

Nas sociedades contemporâneas ocidentais, as festas como, por exemplo, as de Iemanjá , no dois de fevereiro em Salvador, permanecem como manifestações residuais.

Assim, trabalho parece se opor ao lúdico, à festa; trabalho e não trabalho, dimensões complementares da vida, estão separadas entre si. Desse modo, as fronteiras entre o sagrado e o profano parecem predefinidas, contemplando práticas sociais específicas.

Nas chamadas sociedades não modernas ou não capitalistas, o lúdico está, ao contrário, integrado no conjunto das atividades sociais. As festas (co)memoram, nessas sociedades, a abundância e fertilidade das colheitas agrícolas, as chuvas ou a bonança na pesca, celebrando ainda a comunhão do "estar juntos", a vida na sua relação com a natureza e com o sobrenatural. Por isso, as festas são regradas pela fartura, extravagância e desperdício, reafirmando os laços com a terra, com a produção e com o trabalho que isso requer, bem como permitem promover a sociabilidade e a solidariedade. Nesse caso, economia e sociedade; as práticas de trabalho, propriamente ditas, e as de não trabalho se articulam, sendo difícil delimitar as fronteiras entre o sagrado e o profano.

As festas religiosas constituem, conforme Lanna (1995), "ritos de fertilidade, celebrações das colheitas, semelhantes, nesse sentido, às festas juninas".xxix (idem: 171) Elas sempre terminam em bailes que, além de arrecadar fundos para o santo, são "um fator de união" dos brincantes e destes com os organizadores das festas.xxx Dessa perspectiva, a própria definição de profano está em questão.

A celebração do trabalho na festa diferencia-se do trabalho que uma festa exige, para acontecer. A produção das festas resulta da organização de diferentes processos de trabalho; supõe cada vez mais a previsão de gastos e a elaboração de um planejamento orçamentário; requer contatos institucionais com os órgãos públicos locais, inclusive, os aparatos policiais e, relaciona-se com a difusão dos rituais pelas agências de turismo e pelos meios eletrônicos de comunicação social. Os coordenadores das festas populares não ignoram todas esses aspectos que compõem o seu cenário. Os turistas tomam parte delas, mas como seus coadjuvantes.

No dois de fevereiro, em Salvador, afloram também esses aspectos.

Uma revista portuguesa sobre turismoxxxi no Brasil publicou, por exemplo, um artigo sobre a festa de Iemanjá , na praia do Rio Vermelho. De imediato, assinala: "o que é mais incrível, passados mais de cinco séculos, no maior país católico do mundo, ninguém consegue escapar - nem veladamente - à influência destas divindades vindas de África, chamadas Orixás", particularmente de Iemanjá , o "orixá mais brasileiro, fruto, tal como o seu povo, da miscigenação, da mistura de raças, gentes e cores."xxxii Por isso, Salvador "exala fé, seja sagrada ou profana - ou as duas ao mesmo tempo, que é o mais certo. Ali respira-se o incenso das igrejas e dos conventos, mas o coração dos seus habitantes bate também ao ritmo dos atabaques dos terreiros de candomblé."xxxiii Depois de descrever em detalhes os festejos de Iemanjá , essa reportagem trata da ampliação dos seus participantes nesses festejos. Assim, "de uma cerimônia dos pescadores, marinheiros, estivadores do cais e carregadores dos portos - homens simples do litoral - para nela participar pessoas de todas classes sociais e de variados credos e raças (...) Por todo o lado, se ouve a saudação a Iemanjá : Odo Yá!" xxxiv As relações entre festas religiosas e expansão das atividades turísticas em Salvador fogem ao escopo deste artigo. No entanto, alguns estudos tomam esse fato como um dos exemplos mais contundentes dos efeitos dos processos sociais da globalização na vida cotidiana dessa cidade.

Para Hobsbawm, a expansão dos negócios turísticos e das viagens nacionais e internacionais, nas últimas décadas, decorre das transformações na produção econômica global que interferem, principalmente, no mercado dos consumidores, apesar da distribuição fortemente desigual que se evidencia nas globalizações. Essas transformações atingem, mais diretamente, as atividades turísticas.xxxv No entanto, considera também que os estilos de vida tradicionais, seja na família, bairro, aldeia etc., pouco se alteraram diante desses processos. Por isso, discorda das interpretações que relacionam o reflorescimento das manifestações populares locais e regionais com mecanismos de resistência à tendência dos processos sociais da globalização. Na dialética global/ local, combinam-se, para esse autor, diferentes elementos culturais, onde "um número de variantes locais daquela que é a cultura globalizada desenvolve-se e integra-se, em vez de se contrapor."xxxvi Uma confluência de olhares constitui a festa de Iemanjá . Assim, essa festa apresenta múltiplos significados conforme os diversos atores sociais nela envolvidos. Por isso, o ritual e a performance dos pescadores parecem, sob olhares externos, atender mais ao interesse turístico do que aos canoeiros na sua labuta diária com o mar. No entanto, a festa segue, sob olhares internos, preceitos e propósitos dos seus protagonistas, que a realizam, antes para si mesmos. Ao fazerem para si mesmos, oferecem uma oportunidade de um ato de fé para os outros, ou seja, para quem vem de longe descrente; para os moradores do bairro e para os devotos da cidade. Assim, a festa pertence também aos outros, confundindo produtores e consumidores nessa manifestação festiva.

Na festa de Iemanjá e em todas festividades populares, as linhas divisórias entre as práticas sociais consideradas profanas e as sagradas ficam, portanto, borradas .

As relações entre sagrado e profano são, contudo, reinventadas, a cada ano, na organização da festa na qual os pescadores da Colônia do Rio Vermelho são os seus principais protagonistas. Desse modo, recriam o velhoxxxvii fundado em tradições orais e históricas, mas o fazem, sob outras condições sociais.

III Além da festa.

Vem comigo a Salvador Para ouvir Iemanjá a cantar Cantar na maré que vai E na maré que vem Do fim mais no fim O fim bem mais além Do que o fim do mar ....

Canto de Iemanjá xxxviii (B. Powell e V. Moraes)

O festar Iemanjá segue preceitos transmitidos por tradição oral, através das gerações. No entanto, várias mudanças se observam, mais recentemente, tanto na presença crescente de pessoas que acompanham o desenrolar do culto religioso, na praia do Rio Vermelho, em Salvador, quanto nos subsídios e patrocinadores.

Os organizadores da festa demonstram um grande orgulho diante do aumento de fiéis e da presença significativa de curiosos nesse local, no decorrer do dia 2 de fevereiro.

Relacionam esse fato com a divulgação da festa através dos meios de comunicação social, da imprensa escrita e falada e do calendário turístico. Comenta um dos promotores da festa: atualmente, quem faz a festa, é a TV. Toda hora tem entrevista. Antes, ninguém se interessava, só mesmo os pescadores da Colônia . E outro conclui: agora a festa não é mais dos pescadores da Colônia! Ela cresceu tanto que já não é nossa! Vem gente de todo lado da cidade, do Brasil e do mundo. E o pessoal vem com muita fé, só vendo... Os coordenadores dos festejos organizados em comissão escolhida entre os pescadores elaboram, todos os anos, um projeto orçamentário encaminhado a Prefeitura Municipal a fim de obter os subsídios financeiros para a compra dos balaios de palha usados para acomodar as oferendas e dos fogos de artifício; para o pagamento do combustível das embarcações e das obras de conservação da morada de Iemanjá , na praia de Rio Vermelho. As demais atividades recebem doações de empresas e apoio financeiro de figuras políticas, muitas delas, de projeção nacional.

Até três meses, após a festa, os integrantes da comissão de festeiros devem apresentar para os órgãos públicos um relatório de custos e a prestação de contas dos gastos efetuados, acompanhado das respectivas notas fiscais.

Os festejos em louvor a Iemanjá atendem, após a sua realização, aos trâmites administrativos e burocráticos. A mesma questão se coloca para outras manifestações populares, configurando um dilema: o confronto entre preservação das raízes tradicionais a partir das quais se forjaram identidades e o reconhecimento social de um saber fazer expresso na legitimidade adquirida deste festejar. Após um longo período de anonimato, interrompido sempre pela repressão policial, as festas populares e religiosas ganham maior expressividade na sociedade brasileira contemporânea.

Esse dilema revela-se nos múltiplos olhares que confluem e recaem sobre as festas populares, quando avaliadas de modo comparativo. Os olhares externos, que analisam de fora essas festas, enfatizam, em geral, as conseqüências das mudanças introduzidas no modo de se festejar, deixando transparecer uma certa nostalgia que se traduziria na perda de autenticidade e da magia das festas. Por esse motivo, reivindicam um retorno ao passado e as suas origens.

O estudo de Vallado (2002) traz essas marcas. Mesmo admitindo, por exemplo, a importância da festa de Iemanjá no sentido de propiciar momentos de júbilo, fé e encontro dos devotos, clientes, amigos e simpatizantes das práticas religiosas afro-brasileiras com a grande mãe, rainha do mar , que dá e tira, que protege e faz perder, que dá a vida e provoca a morte xxxix, assinala a perda gradativa do seu caráter religioso. Essa tendência intensifica-se com a expansão dos patrocinadores, inclusive dos órgãos públicos locais, e da ampliação do escopo da comemoração, que a transformaram, escreve esse autor, "em grande festa com muitos aspectos profanos .xl As ambigüidades apontadas nessa análise revelam os paradoxos que perpassam a dinâmica das festas populares e não dizem respeito apenas aos festejos de Iemanjá . Nesse caso, é difícil ponderar os efeitos das mudanças no seu efetivo acontecer e o alcance subjetivo e individual na expressividade da fé. Declara um oluô (adivinho) a Valladoxli que a manutenção e continuidade desses festejos são muito importantes, tendoem vista a descrença dos homens de longe que estão perdendo sua fé. Para ele, o que importa mesmo é que Iemanjá foi homenageada pelos homens de fé, por seus seguidores e por todos aqueles que, querendo essa fé, vão lá buscar um pouco do seu axé .xlii Um debate bastante polêmico atravessa as análises sobre o futuro das manifestações populares, não somente as religiosas. Poucos estudos buscam desvendar os conflitos e disputas de poder que permeia o seu desenrolar. Os sentimentos religiosos podem fazer com que os mesmos devotos estejam presentes, tanto nas festas católicas, quanto nas dos orixás, como lembra Sousa (2001). No entanto, a mesma atitude não se observa por parte dos responsáveis pela Igreja de Sant 'Ana que parecem ainda resistir às manifestações religiosas dos pescadores do Rio Vermelho. Senão, como entender a disputa em torno do espaço para a realização da festa de Iemanjá , como atestam os tapumes de madeira que fecham o acesso e as portas da igreja, no dia dois de fevereiro? Por que as fronteirasxliii no exercício da fé precisam ficar tão demarcadas?

Considerações finais

Os festejos de Iemanjá perseguem, como tentei enfatizar neste artigo, valores humanísticos, éticos e estéticos que reverenciam a natureza e mostram trabalhadores, no caso os pescadores, enquanto pessoas, não apenas como força-de-trabalho. A festa agrega e reúne "celebrantes unânimes", reforçando o sentimento de pertencer. Dessa perspectiva, promove, como sugere Durkheim, uma exaltação coletiva.

Importa enfatizar mais uma vez que, nessa festa, todos têm as mesmas oportunidades para expressar a sua fé. Porém, os rituais seguem uma hierarquização nas oferendas que indica o lugar social de cada um. Apoiando-me na análise de Montes (1997), ressaltaria que os rituais da festa de Iemanjá exprimem "uma forma de igualdade radical de todos em face ao reino de Deus, instituindo uma ética da reciprocidade que (impõe) a solidariedade entre os iguais, bem como obrigações de retribuição, ainda que assimétricas, entre os desiguais".xliv As singularidades da modernidade brasileira transparecem, portanto, no caráter tradicional da festa de Iemanjá . Como sugere Martins (2000), a oposição entre moderno e tradicional, na análise da modernidade brasileira, é entendida a partir do seu confronto entre rural e urbano. Ou seja, "o mundo da tradição foi e tem sido entre nós muito mais o mundo da fé e da festa do que o mundo das regras..."xlv A modernidade brasileira caracteriza-se, assim, pela mistura , ou nas palavras desse autor, pela "colagem desarticulada (de) tempos históricos"xlvi, que se expressam na mescla de práticas sociais e diferentes elementos culturais.

O desenrolar da festa de Dois de Fevereiro, e para além dela própria, põe a descoberto, portanto, temáticas fulcrais no que dizem respeito ao presente e ao futuro da sociedade brasileira.

Leila Maria da Silva Blass

Fonte: www.pucsp.br

Dia de Iemanja

2 de Fevereiro

Dia dois de fevereiro é dia de festa no mar, como diz a canção de Dorival Caymmi, feita em homenagem a Iemanjá . Mito que atravessou o Atlântico, vindo da África, ele se instalou na cultura brasileira e se transformou em sinônimo de tolerância, esperança e carinho. Festejada no país do sincretismo por gente de todas as religiões, classes sociais e níveis culturais, Iemanjá é a rainha das águas salgadas e espécie de padroeira afetiva do litoral brasileiro.

Dia de Iemanjá

Conta a história que Iemanjá seria filha de Olokum na região do Daomé, atual Benin, considerado deus e, em Ifé, deusa do mar. Em uma lenda de Ifé, ela aparece casada pela primeira vez com Orunmilá, senhor das adivinhações, depois com Olofin, rei de Ifé, com quem teve dez filhos. Cansada de sua permanência no lugar, Iemanjá foge em direção ao oeste, o Entardecer da Terra.

Olofin, então, lançou o exército a sua procura e a orixá, temendo o perigo, quebrou uma garrafa contendo um preparado que Olokum havia lhe dado, com a recomendação de que a atirasse ao chão ao pressentir algum risco. Formou-se, então, um rio que a tragou e a levou para o oceano, morada de seu pai.

Outra lenda conta que a origem de Iemanjá se deu depois que ela, de tanto chorar com o rompimento com seu filho Oxossi, que a abandonou e foi viver na mata com o irmão renegado Oçanhe, se derreteu e transformou-se em rio, que foi desembocar no mar. Em Ifé, Iemanjá é mãe de quase todos os orixás de origem iorubá, com exceção de Logunedé, e é a rainha das águas salgadas: as provocadas pelo choro da mãe que sofre pela vida dos filhos que se afastam de seu abrigo e as do mar, sua morada, onde costuma receber os presentes e oferendas dos devotos, como espelhinhos, alfazema, flores brancas e champanhe, sua bebida preferida.

Fonte: templodeumbanda.com.br

Dia de Iemanja

2 de Fevereiro

Lenda de Iemanjá

Conta a tradição dos povos iorubás (atual Nigéria), que Iemanjá era a filha de Olokum, deus do mar. Em Ifé, tornou-se a esposa de Olofin-Odudua, com o qual teve dez filhos, todos orixás. De tanto amamentar seus filhos, os seios de Iemanjá tornaram-se imensos.

Cansada da sua estadia em Ifé, Iemanjá fugiu na direção do entardecer-da-terra , como os iorubas designam o Oeste, chegando a Abeokutá. Iemanjá continuava muito bonita. Okerê propôs-lhe casamento. Ela aceitou com a condição que ele jamais ridicularizasse a imensidão dos seus seios.

Um dia, Okerê voltou para casa bêbado. Tropeçou em Iemanjá , que lhe chamou de bêbado imprestável. Okerê então gritou: "Você, com esses peitos compridos e balançantes!"

Ofendida, Iemanjá fugiu. Okerê colocou seus guerreiros em perseguição e Iemanjá , vendo-se cercada, lembrou que tinha recebido de Olokum uma garrafa, com a recomendação que só abrisse em caso de necessidade. Iemanjá tropeçou e esta quebrou-se, nascendo um rio de águas tumultuadas, que levaram Iemanjá em direção ao oceano, residência de Olokum.

Okerê, tentou impedir a fuga de sua mulher e se transformou numa colina. Iemanjá , vendo bloqueado seu caminho, chamou Xangô, o mais poderoso dos seus filhos, que lançou um raio sobre a colina Okerê, que abriu-se em duas, dando passagem para Iemanjá , que foi para o mar, ao encontro de Olokum.

Iemanjá usa roupas cobertas de pérola, tem filhos no mundo inteiro e está em todo lugar chega o mar. Seus filhos fazem oferendas para acalmá-la e agradá-la.

Iemanjá , Odô Ijá (rainha das águas), nunca mais voltou para a terra. Ainda existe, na Nigéria, uma colina dividida em duas, de nome Okerê, que dá passagem ao rio Ogun, que corre para o oceano.

Fonte: www.portalriovermelho.com.br

Dia de Iemanja

2 de Fevereiro

O Brasil é orgulhoso do grande império de suas águas. Principalmente o mar, de todas as cores, matizes e luzes é o Grande Senhor da nossa costa, que penetrando por todos os lados desse imenso país, abraça nossa terra, em enseadas, golfos e baías.

Mas apesar de sua beleza, no mar há uma força maior, uma força que impera, que reina a Senhora absoluta de todas as águas, de tudo que vive na água e possa viver. Há sim, uma força que ordena e não pede, que manda e que decide sobre o vida dos pescadores, de todos que se aventurarem a entrar em seu território e de todos aqueles que têm vistas para alcançar o verde de seu mar.

Em cada canto desses mares, nas ondas dos surfistas, nas praias, nas cabanas dos pescadores, nos altos desses montes, Ela será sempre a Grande Senhora. Ninguém pode se atrever a dizer que não é vassalo servil do grande reino de Iemanjá . Porque de fato, Iemanjá é a Rainha das águas. A tranqüilidade na superfície do mar, ou a tempestade rugindo, as ondas quebrando-se sobre as embarcações ou sobre as praias, tudo é conduzido pela sua mão suprema.

Nada se altera, nada se faz ou se transforma, sem que seja sua vontade. Iemanjá de tantos poderes, de tantos nomes e tantos filhos, sempre foi exaltada por negros e brancos e seu culto se verifica de norte a sul no Brasil.

MITOLOGIA

LENDA (Arthur Ramos)

Com o casamento de Obatalá, o Céu, com Odudua, a Terra, que se iniciam as peripécias dos deuses africanos. Dessa união nasceram Aganju, a Terra, e Iemanjá (yeye ma ajá = mãe cujos filhos são peixes), a Água. Como em outras antigas mitologias, a terra e a água se unem. Iemanjá desposa o seu irmão Aganju e tem um filho, Orungã.

Orungã, o Édipo africano, representante de um motivo universal, apaixona-se por sua mãe, que procura fugir de seus ímpetos arrebatados. Mas Orungã não pode renunciar àquela paixão insopitável. Aproveita-se, certo dia, da ausência de Aganju, o pai, e decide-se a violentar Iemanjá . Essa foge e põe-se a correr, perseguida por Orungã. Ia esse quase alcançá-la quando Iemanjá cai no chão, de costas e morre. Imediatamente seu corpo começa a dilatar-se. Dos enormes seios brotaram duas correntes de água que se reúnem mais adiante até formar um grande lago. E do ventre desmesurado, que se rompe, nascem os seguintes deuses: Dadá, deus dos vegetais; Xango, deus do trovão; Ogum, deus do ferro e da guerra; Olokum, deus do mar; Oloxá, deusa dos lagos; Oiá, deusa do rio Niger; Oxum, deusa do rio Oxum; Obá, deusa do rio Obá; Orixá Okô, deusa da agricultura; Oxóssi, deus dos caçadores; Oké, deus dos montes; Ajê Xaluga, deus da riqueza; Xapanã (Shankpannã), deus da varíola; Orum, o Sol; Oxu, a Lua.

Os orixás que sobreviveram no Brasil foram: Obatalá (Oxalá), Iemanjá (por extensão, outras deusas-mães) e Xango (por extensão, os outros orixás fálicos).

Com Iemanjá , vieram mais dois orixás yorubanos, Oxum e Anamburucu (Nanamburucu). Em nosso país houve uma forte confluência mítica: com as Deusas-Mães, sereias do paganismo supérstite europeu, as Nossas Senhoras católicas, as iaras ameríndias.

A Lenda tem um simbolismo muito significativo, contando-nos que da reunião de Obatalá e Odudua (fundaram o Aiê, o "mundo em forma"), surgiu uma poderosa energia, ligada desde o princípio ao elemento líquido. Esse Poder ficou conhecido pelo nome de Iemanjá

Durante os milhões de anos que se seguiram, antigas e novas divindades foram unindo-se à famosa Orixá das águas, como foi o caso de Omolu, que era filho de Nanã, mas foi criado por Iemanjá .

Antes disso, Iemanjá dedicava-se à criação de peixes e ornamentos aquáticos, vivendo em um rio que levava seu nome e banhava as terras da nação de Egbá.

Quando convocada pelos soberanos, Iemanjá foi até o rio Ogun e de lá partiu para o centro de Aiê para receber seu emblema de autoridade: o abebé (leque prateado em forma de peixe com o cabo a partir da cauda), uma insígnia real que lhe conferiu amplo poder de atuar sobre todos os rios, mares, e oceanos e também dos leitos onde as massas de águas se assentam e se acomodam.

Obatalá e Odudua, seus pais, estavam presentes no cerimonial e orgulhosos pela força e vigor da filha, ofereceram para a nova Majestade das Águas, uma jóia de significativo valor: a Lua, um corpo celeste de existência solitária que buscava companhia. Agradecida aos pais, Iemanjá nunca mais retirou de seu dedo mínimo o mágico e resplandecente adorno de quatro faces. A Lua, por sua vez, adorou a companhia real, mas continuou seu caminho, ora crescente, ora minguante..., mas sempre cheia de amor para ofertar.

A bondosa mãe Iemanjá , adorava dar presentes e ofereceu para Oiá o rio Níger com sua embocadura de nove vertentes; para Oxum, dona das minas de ouro, deu o rio Oxum; para Ogum o direito de fazer encantamentos em todas as praias, rios e lagos, apelidando-o de Ogum-Beira-mar, Ogum-Sete-ondas entre outros.

Muitos foram os lagos e rios presenteados pela mãe Iemanjá a seus filhos, mas quanto mais ofertava, mais recebia de volta. Aqui se subtrai o ensinamento de que "é dando que se recebe".

Iemanjá ABRASILEIRADA

Iemanjá , a Rainha do Mar e Mãe de quase todos os Orixás, é uma Deusa abrasileirada, sendo resultado da miscigenação de elementos europeus, ameríndios e africanos.

É um mito de poder aglutinador, reforçado pelos cultos de que é objeto no candomblé, principalmente na Bahia. É também considerada a Rainha das Bruxas e de tudo que vem do mar, assim como é protetora dos pescadores e marinheiros. Governa os poderes de regeneração e pode ser comparada à Deusa Ísis.

Os grandes seios ostentados por Iemanjá , deve-se à sua origem pela linha africana, aliás, ela já chegou ao Brasil como resultado da fusão de Kianda angolense (Deusa do Mar) e Iemanjá (Deusa dos Rios). Os cabelos longos e lisos prendem-se à sua linhagem ameríndia e é em homenagem à Iara dos tupis.

De acordo com cada região que a cultua recebe diversos nomes: Sereia do Mar, Princesa do Mar, Rainha do Mar, Inaê, Mucunã, Janaína. Sua identificação na liturgia católica é: Nossa Senhora de Candeias, Nossa Senhora dos Navegantes, Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora da Piedade e Virgem Maria.

Do mesmo modo que varia seu nome, variam também suas formas de culto. A sua festa na Bahia, por exemplo é realizada no dia 2 de fevereiro, dia de Nossa Senhora das Candeias. Mas já no Rio de Janeiro é dia 31 de dezembro que se realiza suas festividades. As oferendas também diferem, mais a maioria delas consiste em pequenos presentes tais como: pentes, velas, sabonetes, espelhos, flores, etc. Na celebração do Solstício de Verão, seus filhos devotos vão às praias vestidos de branco e entregam ao mar barcos carregados de flores e presentes. Às vezes ela aceita as oferendas, mas algumas vezes manda-as de volta. Ela leva consigo para o fundo do mar todos os nossos problemas, aflições e nos trás sobre as ondas a esperança de um futuro melhor.

COMO É Iemanjá ?

Iemanjá apresenta-se logo com um tipo inconfundível de beleza. No seu reinado, o fascínio de sua beleza é tão grande como o seu poder. Ora é de um encanto infinito, de longos cabelos negros, de faces delicadas, olhos, nariz e boca jamais vistos, toda ela graça e beleza de mulher.

Outras vezes, Iemanjá continua bela, mas pode apresentar-se como a Iara, metade mulher, metade peixe, as sereias dos candomblés do caboclo. Como um orixá marítimo, ela é a mais prestigiosa entidade feminina dos candomblés da Bahia, recebe rituais de oferendas e grandes festas lhe são dedicadas, indo embarcações até o alto-mar para lhe atirar mimos e presentes. Protetoras das viagens e dos marinheiros, obteve o processo sincrético, passando a ser a Afrodite brasileira, padroeira dos amores, dispondo sobre uniões, casamentos e soluções amorosas. Quem vive no mar ou depende de amores é devoto de Iemanjá . Convergem para ela orações e súplicas no estilo e ritmos católicos.

Mas o que importa seus nomes, suas formas e aparência, se nada modifica a força de seu império, senão altera a grandeza do seu reinado?

Queixas são contadas a Iemanjá , esperanças dela provêm, planos e projetos de amor, de negócios, de vingança, podem ser executados caso ela venha a dar seu assentimento.

Grande foi o número de ondas que se quebrou na praia, mas maior ainda, foi o caminho percorrido pelo mito da divindade das águas. Das Sereias do Mediterrâneo, que tentaram seduzir Ulisses, às Mouras portuguesas, à Mãe D'água dos iorubanos, ao nosso primitivo Igpupiara, às Iaras, ao Boto, até Iemanjá . E, neste longo caminhar, a própria personalidade desta Deusa, ligada anteriormente à morte, apresenta-se agora como protetora dos pescadores e garantidora de boa pesca, sempre evoluindo para transformar-se na deusa propiciadora de bom Ano Novo para os brasileiros e para todos que nesta terra de Sol e Mar habitam.

DEUSA LUNAR DA MUDANÇA

A Deusa Iemanjá rege a mudança rítmica de toda a vida por estar ligada diretamente ao elemento água. É Iemanjá que preside todos os rituais do nascimento e à volta as origens, que é a morte. Está ainda ligada ao movimento que caracteriza as mudanças, à expansão e o desenvolvimento.

É ela, como a Deusa Ártemis o arquétipo responsável pela identificação que as mulheres experimentam de si mesmas e que as definem individualmente.

Iemanjá quando dança, corta o ar com uma espada na mão. Esse corte é um ato psíquico que conduz a individualização, pois Iemanjá separa o que deve ser separado, deixando somente o que é necessário para que se apresente a individualidade.

Sua espada, portanto, é um símbolo de poder cortante que permite a discriminação ordenativa, mas que também pode levar ao seu abraço de sereia, à regressão e à morte.

Em sua dança, Iemanjá coloca a mão na cabeça, um ato indicativo de sua individualidade e por isso, é chamada de"Yá Ori", ou "Mãe de Cabeça". Depois ela toca a nuca com a mão esquerda e a testa com a mão direita. A nuca é símbolo do passado dos homens, ao inconsciente de onde todos nós viemos. Já a testa, está ligada ao futuro, ao consciente e a individualidade.

A dança de Iemanjá pode ser percebida como uma representação mítica da origem da humanidade, do seu passado, do seu futuro e sua individualização consciente. É essa união antagônica que nos dá o direito de vivermos o "aqui" e o "agora", pois sem "passado", não temos o "presente" e sem a continuidade do presente, não teremos "futuro". Sugere ainda, que a totalidade está na união dos opostos do consciente com o inconsciente e dos aspectos masculinos com os femininos.

Como Deusa Lunar, Iemanjá tem como principal característica a "mudança". Ela nos ensina, que para toda a mulher, o caráter cíclico da vida é a coisa mais natural, embora seja incompreendido pelo sexo masculino.

A natureza da mulher é impessoal e inerente a ela como um ser feminino e altera-se com os ciclos da lua: fase crescente, cheia, meia-fase até a lua obscura. Essas mudanças não só se refletem nas marés, mas também no ciclo mensal das mulheres, produzindo um ritmo complexo e difícil de entender. A vida física e psíquica de toda a mulher é afetada pela revolução da lua e a compreensão desse fenômeno nos propicia o conhecimento de nossa real natureza instintiva. Em poder desse conhecimento, podemos domesticar com o esforço consciente as inclinações cíclicas que operam-se a nível inconsciente e nos tornarmos não tão dependentes desses aspectos escondidos de nossa natureza semelhante aos da lua.

ARQUÉTIPO DA MATERNIDADE

Iemanjá é por excelência, arquétipo da maternidade. Casada com Oxalá, gerou quase todos os outros orixás. É tão generosa quanto as águas que representa e cobrem uma boa parte do planeta.

Iemanjá é o útero de toda a vida, elevada à posição principal da figura materna no panteão de iorubá (Ymoja). Seu sincretismo com a Nossa Senhora e a Virgem Maria lhe conferem a supremacia hierárquica na função materna que representa. É a Deusa da compaixão, do perdão e do amor incondicional. Ela é "toda ouvidos" para escutar seus filhos e os acalenta no doce balanço de suas ondas. Ela representa as profundezas do inconsciente, o movimento rítmico, tudo que é cíclico e repetitivo. A força e a determinação são suas características básicas, assim como o seu gratuito sentimento de amizade.

Como Deusa da fecundidade, da procriação, da fertilidade e do amor, Iemanjá é normalmente representada como uma mulher gorda, baixa, com proeminentes seios e grande ventre. Pode, também como já falamos, aparecer na forma de uma sereia. Mas, não importando suas características, ela sempre se apresentará vinculada ao simbolismo da maternidade.

Iemanjá surge nas espumas das ondas do mar para nos dizer que é tempo de "entrega". Você está carregando em seus ombros um fardo mais pesado do que possa carregar? Acha que deve realizar tudo sozinha(o) e não precisa de ninguém? Você é daquelas pessoas que "esmurra ponta de prego" e quer conseguir seu intento nem que tenha que usar à força? Pois saiba que a entrega não significa derrota. Pedir ajuda também não é humilhação, a vida tem mais significado quando compartilhamos nossos momentos com mais alguém. Geralmente esta entrega ocorre em nossas vidas forçosamente. Se dá naqueles momentos em que nos encontramos no "fundo do poço", sem mais alternativas de saída, então nos viramos e entregamos "à Deus" a solução. E, é exatamente nesta hora que encontramos respostas, que de maneira geral, eram mais simples do que imaginávamos. A totalidade é alimentada quando você compreende que o único modo de passar por algumas situações é entrega-se e abrir-se para algo maior.

Quando abrimos uma brecha em nosso coração e deixamos que a Deusa atue em nós, alcançamos o que almejamos. Entrega é confiança, mas tente pelo menos uma vez entregar-se, pois lhe asseguro que a confiança virá e será tão cega e profunda quando a sua desconfiança de agora. O seu desconhecimento destes valores, escondem a presença de quem pode lhe ajudar e provocam sentimentos de ausência e distância. Não somos deuses, mas não devemos nos permitir viver à sombra deles.

RITUAL DE ENTREGA (só mulheres)

Você deve fazer este ritual numa praia, em água corrente e até visualizando um destes ambientes. Primeiro mentalmente viaje até seu útero, no momento do encontro se concentre. Respire profundamente e leve novamente sua consciência para o útero. Agora respire pela vulva. Quando se achar pronta, com o mar a sua frente, entre nele. Sinta a água acariciando seus pés, ouça o barulho das ondas no seu eterno vai-e-vem. Chame então a Iemanjá para que venha encontrá-la. Escolha um lugar onde você puder boiar tranqüilamente e com segurança. Sinta as mãos da Iemanjá acercando-se de você.

Abandone-se em seu abraço, ela é mãe muito amorosa e espetacular ouvinte. Renda-se aos seus carinhos e entregue-se sem medo de ser feliz. Você está precisando revigorar sua vida amorosa, procura um emprego ou um novo amor?

Faça seus pedidos e também lhe fale de todas suas angústias e aflições. Deixe que Iemanjá alivie os fardos que carrega. Ela carregará consigo para o fundo do mar todos os seus problemas e lhe trará sobre as ondas a certeza de dias melhores, portanto abandone-se à imensidão do mar e do seu amor.

Quando estiver pronta para voltar, agradeça a Iemanjá por estes doces momentos passados com ela. Então estará livre para voltar à praia, sentindo-se mais leve, viva e purificada.

Fonte: www.rosanevolpatto.trd.br

Dia de Iemanja

2 de Fevereiro

Iemanjá é a rainha do mar. Seu Axé é constituído por pedras marinhas e conchas, guardadas numa sopeira de porcelana azul. Considerada a mãe dos outros Orixás, tem o aspecto de uma matrona , de seios enormes, símbolo da maternidade fecunda e nutritiva.

Na Bahia, ela é sincretizada com Nossa Senhora da Imaculada Conceição, festejada no dia 8 de dezembro. Ela é mais ligada às águas salgadas do mar que às águas doces dos rios, que é domínio de Oxum. Curiosamente, é no dia 2 de fevereiro, data da festa de Nossa Senhora das Candeias, sincretizada com Oxum, que se organiza um solene presente para Iemanjá . O que mostra que o sincretismo não é de uma rigidez absoluta. No Rio de Janeiro, ela é sincretizada como N. S. da Glória entre outras.

Os filhos de Iemanjá usam colares de contas de vidro transparente como o cristal. Sábado é o dia da semana que lhe é
consagrado.

Dia da Semana: Sábado.

Cores: cristal, azul claro.

Símbolo: pedra marinha e concha.

Elemento: água.

Plantas: colônia, aguapé, lágrima de Nossa Senhora, pístia (erva de Santa Luzia), trapoeraba branca.

Metal: prata.

Bebida: champanhe.

Sincretismo: Nossa Senhora da Glória.

Domínio: mar.

O que faz: Protege de confusões e promove a harmonia na família. Ajuda a progredir na vida.

Quem é: a Grande Mãe d'Água e do lar.

Características: maternal, protetora, competente, dedicada, mandona, possessiva, intrigante.

Saudação: Odó Iyá!

FILHOS DE Iemanjá

Iemanjá , a Senhora do Mar. A grande força, com indiscutível domínio no gênio e personalidade de seu filho.

O fato de Iemanjá ser a Criação, sua filha normalmente tem um tipo muito maternal. Aquela que transmite a todos a bondade, confiança, grande conselheira.

É mãe. Sempre tem os braços abertos para acolher junto de si todos aqueles que a procuram. A porta de sua casa sempre está aberta para todos, e gosta de tutelar pessoas. Tipo a grande mãe.

Aquela mulher amorosa que sempre junta os filhos dos outros com os seus. O homem filho de Iemanjá carrega o mesmo temperamento: é o protetor. Cuida de seus tutelados com muito amor.

Geralmente é calmo e tranqüilo, exceto quando sente-se ameaçado na perda de seus filhos, isto porque não divide isto com ninguém. É sempre discreto e de muito bom gosto. Veste-se com muito capricho.

É franco e não admite a mentira. Normalmente fica zangado quando ofendido e o que tem como ajuntó (o segundo santo masculino) o orixá Ogum, torna-se muito agressivo e radical. Diferente é quando o ajuntó é Oxóssi. Aí sim, é pessoa calma, tranqüila, e sempre reage com muita tolerância.

O maior defeito do filho de Iemanjá é o ciúme. É extremamente ciumento com tudo que é seu, principalmente das coisas que
estão sob sua guarda.

Cor: Azul.

Ervas: Pata de Vaca; Folhas de Lágrima de N. Senhora; Erva Quaresma; Trevo e chapéu de couro.

UMA LENDA DE Iemanjá

Iemanjá era filha de Olóòkun deus do mar. Iemanjá foi casada com Orumilá, deus da adivinhação, mais tarde casou com Olofim, Rei de Ifê, com quem teve dez filhos, os quais correspondem a determinados Orixás. Iemanjá foge em direção ao oeste, pois se cansa de Ifé.

Olóòkun lhe dera uma garrafa contendo um preparado para usar se precisasse, a qual ela deveria quebrar somente em caso de extremo perigo. Iemanjá foi viver no entardecer da terra, o oeste. Olofin Odúduà, Rei de Ifé, põe todo o seu exército à procura de sua mulher.

Iemanjá se sente cercada e resolve quebrar a garrafa, conforme lhe foi dito. No mesmo instante criou-se um rio levando Iemanjá para Okun, o oceano, lugar onde vive Olokun. Por isso a Iemanjá é representada na imagem com grandes seios, simbolizando a maternidade e a fecundidade.

Fonte: cethrio.vilabol.uol.com.br

Dia de Iemanja

2 de Fevereiro

Yemojà

Na África, o orixá que reina nos oceanos é Olokun e, segundo consta, é o pai de Yemonjá. Ela, por sua vez, fixou seu reinado nos lagos (de água doce e salgada), enseadas, quebra-mares e na junção entre rios e mares (pororoca).

YEMANJÁ:Ye + omo + eja = mãe dos filhos peixes, ou, Yèyé omo ejá (Mãe cujos filhos são peixes).O cristal representa seu poder genitor e sua interioridade (filhos contidos em si mesma). Representa a gestação e a procriação. Em alguns mitos considera-se mulher de Òrányàn (descendente de Oduá e fundador de Oyó) de quem ela concebeu Sàngó (Ancestre dicino da dinastia dos Àlàfin de Òyó).

A mãe dos orixás, esposa de Òrìnsànlá. No Brasil é a deusa do mar, da água salgada, enquanto na Nigéria, a deusa de um rio, e orixá dos Egbá, onde existe o rio Yemoja. Também a deusa do encontro das águas do rio e do mar.

A mais antiga é Iyá Sagba , que quer dizer, A Mãe que passeia sobre as ondas.

Segundo algumas fontes; Orixá dos rios e correntes, especialmente do Rio Ogun, na África seria folha de Obatalá e Oduduwá, casada com Oranyian, fundador mítico de Oyó, teria sido esposa de Aganjú, e com ele teve um filho Orùngan, que a violou e dela são descendentes outros quinze orixás: Dadá, Sangó, Ògún, Olokun, Olosá, Oyá, Òsun , Obá, Oko, Oke, Saponan; Òrun (sol) e Osupá (lua); Ososo e Aje Saluga (orixá da riqueza). Seus diversos nomes são relativos aos diferentes lugares profundos (ibù) do rio.

Qualidades

7 conhecidas, seus nomes diferem conforme região.

1) Yemoja Ogunte (esposa de Ogum Alagbedé)

2) Yemoja Saba (fiadeira de algodão, foi esposa de Orunmilá)

3) Yemoja Sesu/Susure (voluntariosa e respeitável, mensageira de olokun)

4) Yemoja Tuman/Aynu/Iewa

5) Yemoja Ataramogba/Iyáku (vive na espuma da ressaca da maré)

6) Iya Masemale/Iamasse (mãe de Xangô)

7) Awoyó/Iemowo (a mais velha de todas, esposa de Oxalá)

Arquétipo dos filhos:

Os filhos de Iemanjá são fortes, altivos, rigorosos, algumas vezes impetuosos e arrogantes, facilmente irritáveis, mudam de humor de um instante para o outro; são capazes de perdoar uma ofensa mas não de esquecê-la. São sérios, maternais e preocupados com os outros.

Maternais, amorosas, inteligentes, disponíveis, trabalhadoras, sensitivas, bonitas, corajosas, sutis, elegantes.

Manhosas, choronas, faladeiras, nervosas, revoltadas, dissimuladas.

O tipo psicológico dos filhos de YEMANJÁ é imponente, majestosa e belo, calmo, sensual, fecundo e cheio de dignidade e dotado de irresistível fascínio (o canto da sereia). As filhas de YEMANJÁ são boas donas de casa, educadoras pródigas e generosas, criando até os filhos de outros (Omulu). Não perdoam facilmente, quando ofendidas. São possessivas e muito ciumentas. YEMANJÁ, por presidir a formação da individualidade, que como sabemos está na cabeça, está presente em todos os rituais, especialmente o BORI.

Têm o sentido da hierarquia, fazem-se respeitar e são justas mas formais; põem à prova as amizades que lhes são devotadas, Preocupam-se com os outros, são maternais e sérias. Sem possuírem a vaidade de Oxum, gostam do luxo, das fazendas azuis e vistosas, das jóias caras. Elas têm tendência à vida suntuosa mesmo se as possibilidades do cotidiano não lhes permitem um tal fausto.

Referência Bibliográfica

VERGER, Pierre; Orixás, Deuses Iorubás na Africa e no Novo Mundo; 5.ª ed; Currupio, Salvador, 1997.
VERGER, Pierre; Notas sobre o culto aos orixás e voduns; Edusp, São Paulo, 1999.

Fonte: www.umbandanossa.hpg.ig.com.br

Dia de Iemanja

2 de Fevereiro

YEMANJÁ é considerada mãe de todos os demais ORIXÁS OGUM, XANGÔ, OBÁ, OXOSSI e OXUM que nasceram de caso ilícito que teve com IFÁ. NANÃ como vimos, é mãe de OMULU e OXUMARÉ. YEMANJÁ, por sua vez, filha de OLODKUN, ORIXÁ masculino em BENIN, ou feminino em IFÉ, sempre do mar. No Brasil, é muito venerada, e seu culto tornou-se quase independente do CANDOMBLÉ. É representada como uma sereia de longos cabelos pretos.

Rege a maternidade, e é a mãe dos peixes que representam fecundidade. Seu dia à sábado. Nas grandes "obrigações", são oferecidos cabra branca, pata ou galinha branca.

Gosta muito de flores e é costume oferecer-lhe sete rosas brancas abertas, que são jogadas ao mar para agradecimento.

Sua cor é a branca com azul. Usa um ADÉ com franjas de miçangas que esconde o rosto. Leva na mão o BÉBÊ -- leque ritual de metal prateado de forma circular, com uma sereia recortada no centro.

0 tipo psicológico dos filhos de YEMANJÁ é imponente, majestoso e belo, calmo, sensual, fecundo e cheio de dignidade e dotado de irresistível fascínio (o canto da sereia).

As filhas de YEMANJÁ são boas donas de casa, educadoras pródigas e generosas, criando até os filhos de outros (OMULU).

À deusa das águas recorrem as mulheres que não conseguem engravidar.

Porque é Iemanjá quem controla a fertilidade, simbolizada em seu corpo robusto, forte, em seus seios volumosos e na aparência sensual.

Qualidades, aliás, de todas as suas filhas, que se revelam excelentes como donas de casa, educadoras e mães. Não perdoam facilmente, quando ofendidas.

São possessivas e muito ciumentas. Embora se mostrem tranquilas a maioria do tempo, podem se tornar verdadeiras feras quando perdem a paciência.

Mais do que isso, não perdoam ofensas com facilidade. Intrometem-se tanto na vida dos familiares que chegam a sufocar.

Mas a intenção é sempre das melhores.

YEMANJÁ, por presidir a formação da individualidade, que como sabemos está na cabeça, está presente em todos os rituais, especialmente o BORI.

O mais popular e universal de todos os orixás das àguas: Iemanjá (nagôs), Dandalunga (angolas), Kaiala (congos); também chamada Janaína e Dona Janaína, Princesa de Aiucá e, nos candomblés-de-caboclo, Sereia Mukunã.

REGÊNCIAS

AXÉ

Conchas e pedras marinhas, numa vasilha de porcelana azul. Insígnias: uma espada de folha-de-flandres e uma espécie de leque circular, também de folha-de-flandres, com adornos e, no centro, uma sereia recortada.

NATUREZA

mar, foz de rios, enseadas, baías.

METAL

prata

PEDRA

água-marinha

PERFUMES

Fleur de Rocaille, lírio, Syntoma.

COMO USAR

passar no corpo todo antes do banho de mar, ou tomar banho de sal grosso, lavar-se e passar um a cada sábado.

COR

azul-claro e prata.

COLAR

contas de vidro transparentes, ou fio de miçangas pingo d água lavado em água de águas marinhas.

SACRIFÍCIOS: cabra, galinha, conquém (galinha-d angola) e pato. Gosta de acaçá e de milho branco cozido (ebó) com azeite, cebola e sal.

DIA RITUAL: sábado, juntamente com Oxun.

FESTA

8 de dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição, com quem está sincretizada.

Anuncia sua presença com o grito: him hiymim!

SAUDAÇÃO

odôiá!

YEMANJÁ era uma deusa do rio de igual nome, que banha o território da nação iorubana de Egbá. As guerras fizeram com que o povo dessa nação fosse tangido para as margens do rio Ogun, cujo nome nada tem a ver com o orixá do ferro e das artes manuais. E foi deste rio que a grande iyabá partiu, para ser rainha do mar.

Mitos nagôs explicam como Yemanjá, graças a poderes mágicos, foi morar no oceano, reino de Olokun, seu pai. Aliás, essa mudança de deusa fluvial em deusa marítima tem sua implicação sociológica. O homem, como explorador, principiou, em rudes canoas, a singrar as águas dos rios; só muito mais tarde se aventuraria a enfrentar o desconhecido, na estrada larga do mar.

Ensina Verger que o grito com que se saúda a deusa odô iyá! Significa "mãe do rio". Reverencia, pois, uma divindade fluvial. Ainda segundo Verger, o nome YEMANJÁ vem do iorubá yeyê ama ejá, "mãe cujos filhos são peixes".

Em Cuba o nome permaneceu o mesmo que o do rio africano onde a deusa nasceu. Por que, no Brasil, ganhou um "n" após o primeiro "a", transformando-se em Iemanjá ? Simplesmente por uma certa tendência, em nossa língua, de uma consoante nasal provocar o anasalamento da vogal seguinte.

MÃE DOS ORIXÁS?

Na África, as esculturas com a efígie de Iemanjá mostram uma mulher de seios exuberantes, símbolo de fecundidade. Essa opulência mamária, no entanto, não justifica conhecido mito teogônico em que Iemanjá é apontada como a mãe de todos os orixás.

Narra tal mito que da união de Obatalá e Odudua nasceram Aganju, a terra firme, e Iemanjá , as águas. Os dois irmãos também se unem e geram Orungã, o ar, o espaço entre o céu e a terra.

Orungá apaixonou-se perdidamente por sua mãe, Iemanjá . Um dia em que pai estava ausente, ele a raptou, violou e propôs continuassem às ocultas o amor incestuoso. Iemanjá , desesperada, desprende-se dos braços do filho, mas ele a persegue. Quando o Édipo iorubano está prestes a alcançá-la, Iemanjá cai morta, de costas. Dos seios enormes nascem dois rios, que adiante se unem formando um lado, o lago Iemanjá . Do ventre desmesurado, que se rompe, nascem os orixás: deuses das atividades de subsistência, como Okô, da agricultura e Oxosse, da caça; e Xangô, deus do trovão, Ogun, do ferro e das artes manuais, Dadá, dos vegetais; e Olokun, do mar, Oloxá dos lagos, Okê, das montanhas; e as deusas dos rios nigerianos Oxun e Oiá(Niger); e Xankpanã, da varíola, Ajê-Kalagá, da saúde, Orun, o sol, Oxu, a lua.

O mito, que não inclui Exu e Ifá, duas divindades da mais alta importância, é contestado pela autoridade de Pierre Verger, que afirma jamais tê-lo encontrado na África. A história foi inventada por um missionário, o padre R.P.Noel Baudin (1884) e teve a sua perpetuidade garantida pelo ilustre coronel A B.Ellis, autor de um livro famoso. O mito, repetido por Ellis, foi citado por Nina Rodrigues, com a ressalva, porém, de que jamais o encontrou na Bahia, onde os negros que professavam o culto iorubá ou declararam que o desconheciam ou contestaram sua existência.

Em outra versão, contam que Yemanjá é filha de Olokum, a Senhora dos Oceanos, e que foi casada com um homem poderoso com quem teve dez filhos. Um dia, cansada de sua permanência em Ifé, foge na direção oeste, levando consigo uma garrafa que havia ganho certa vez de Olokun, contendo um misterioso preparado, a qual ela deveria quebrar jogando ao chão quando estivesse em perigo.

Iemanjá instalou-se em Abeokutá (seria uma alusão à migração da nação Egbá). O marido lança seu exército em busca de Iemanjá , com o objetivo de trazê-la de volta a Ifé. Quando se vê cercada, ela não se entrega, mas segue os conselhos de Olokum e quebra a garrafa.Imediatamente forma-se um rio, que a leva para Okun, o mar, morada de Olokum.

Deusa da foz dos rios e quebra-mares, a rainha dos mares, como é conhecida, é ciumenta mas não demonstra, preferindo aguardar a hora da revanche. É poderosa e atraente e quando invocada por quem realmente a conhece, propicia favores e ajudas inestimáveis.

Tem a grande capacidade da mãe que sempre atende a um filho, que geralmente caracteriza-se por ser pessoa voluntariosa.

A GRANDE FESTA DE Iemanjá

Há sete Iemanjá s, filhas de Olokun, o mar, entre elas uma, guerreira, ligada a Ogun, outras a Orumilá, a Oxun, às feiticeiras.

A efígie de Iemanjá é a da segunda versão da sereia européia: uma linda mulher de longos cabelos e seis desnudos, com a metade do corpo como cauda de peixe (As sereias homéricas eram mulheres com corpo de pássaro).

No candomblé, Iemanjá veste saia rodada, bata de rendão, estola e, na cabeça, um gorro de pêlo branco ou uma espécie de mitra. Do gorro ou da mitra pende uma franja de contas, sobre o rosto. Iemanjá dança com movimentos que imitam as ondas do mar.

O grande culto de Iemanjá , no entanto, não é celebrado dentro do candomblé, mas lá fora, ao ar livre. Rainha, sereia, mãe-d água, ela é a deusa de "todas as águas" da Bahia de Todos os Santos, cultuada em Amaralina e Itapoã, no Dique e no Rio Vermelho, nos lados de Abaeté e nas pedras de Monte-Serrate, e do outro lado, na ilha de Itaparica.

No dia 2 de fevereiro, de Nossa Senhora das Candeias (apesar da santa ser identificada como Oxun, a festa é de Iemanjá ), sai para o largo a grande e festiva procissão marítima dos candomblés e do povo da Bahia. Tudo tem início na Casa do Peso, assim chamada por ser aonde os pescadores levam o peixe para ser pesado. A pequena edificação, num promontório do Rio Vermelho, amanhece enfeitada com um arco de folhas de coqueiro e bandeirinhas multicoloridas.

Lá dentro, sob a atenta e respeitosa vigilância de uma mãe-de-santo e de um pai-de-santo, um grande balaio aguarda os presentes para Iemanjá . Os crentes formam longa filha e, um a um, vão colocando no balaio bilhetes para Janaína, pedindo ajuda em casos de amor e dinheiro, na realização de sonhos e ambições; e depositam os presentes do seu amor e da sua devoção flores, perfumes, tecidos, rendas, fitas, dinheiro, espelhos, pentes, sabonetes... presentes que a deusa irá receber em alto mar. Inclusive animais vivos. Pois nada é demais para ser dado a Iemanjá . Ela é a senhora do mar a que amaina a fúria das ondas, contorna os escolhos, impede que as redes de pesca voltem vazias.

Perto da Casa do Peso ressoam os atabaques, ritmando os cânticos sagrados. E há rodas de samba e de capoeira. E uma verdadeira multidão. Chega, enfim, o grande momento. A mãe e as filhas-de-santo saem com o grande balaio repleto de oferendas, rumo ao barco que vai levá-lo à Rainha do Mar. E logo parte a procissão dos saveiros e outras embarcações. Num determinado ponto, em lugar bem fundo, o balaio é depositado sobre as águas. Se o presente não afundar, é sinal de que não foi aceito por Yemanjá. Mas ela sempre aceita, bondosa e compassiva, sendo muito difícil que um presente para Janaína fique boiando sobre as ondas.

Ante a expectativa geral, os barcos regressam, com a alegre notícia de que a deusa recebeu de bom grado as oferendas. Os atabaques ressoam mais festivos. Os cânticos se elevam com mais exaltação e alegria. Iemanjá está em paz com seus filhos e propiciará sejam todos os desejos realizados.

YEMANJÁ NA UMBANDA

A linha de Iemanjá governa as legiões seguintes: Sereias (Oxun), Ondinas (Nanã Buruku), Caboclos do Mar (Indaiá), Caboclos dos Rios (Iara), Marinheiros (Tarimá), Calungas (Calunguinha) e Estrela Guia (Maria Madalena).

Suas cores são o branco e o azul. As oferendas a Iemanjá constam de flores de cor branca rosas, cravos, lírios, palmas-de-santa-rita perfumes, moedas de niquel, sabonete pequeno e outros agrados, que são deixados na praia, junto do mar, ou colocados num barquinho, que é solto nas ondas. A bebida das obrigações é champanhe, frequentemente democratizada como cidra espumante.

No Rio de Janeiro, a festa de Iemanjá é celebrada a 15 de agosto, dia de Nossa Senhora da Glória, com quem está identificada. Mas é na passagem do ano que se realiza a gigantesca e impressionante comemoração popular de Iemanjá , nas praias cariocas e fluminenses, o mesmo acontecendo em Santos e em Porto Alegre. Os "filhos de fé", com suas roupas brancas e colares de muitas cores, improvisam "terreiros" nas praias um círculo de flores fincadas na areia e velas acesas e garrafas de bebidas e as comidas dos santos... Entoam-se cânticos rituais, ao som dos atabaques. "Baixam" os santos, a maioria Caboclos, que atendem as consultas dos crentes. O povo traz presentes para Iemanjá , com braçadas de flores brancas. Soltam-se no mar barquinhos com oferendas. Jogam-se moedas nas ondas, propiciando um bom Ano Novo.

Até há poucos anos atrás, as velas acesas se multiplicavam nas praias urbanas da Zona Sul que, vistas a uma certa distância, davam a impressão de que as estrelas haviam caído na areia. Era como se, à beira-mar, os "terreiros" se sucedessem. Hoje, a noite de Iemanjá transformou-se num show promovido pela TV e outros meios de comunicação, atraindo grandes multidões, que se movimentam e comprimem em tumulto. Em Copacabana, à meia noite, espetáculos pirotécnicos são realizados por grandes hotéis e firmas comerciais. Sucedem-se por toda a parte, perigosamente, os estouros ininterruptos de morteiros de mão, acesos por populares. Então a gente dos "terreiros" foi procurar praias mais distantes e tranqüilas, longe da curiosidade divertida dos turistas e da fúria contínua dos estampidos. Foi em busca de lugares mais propícios para cultuar Iemanjá , a rainha do mar.

RITUAL DE YEMANJÁ

Para ser abençoado pela rainha do mar e atrair muito sucesso, vá até a praia num sábado e entregue nas águas um barquinho de isopor contendo algumas maçãs, uvas, um mamão, sete rosas brancas, um vidro de pergume de alfazema e um espelho. Junto das oferendas, coloque um papel com todos seus pedidos por escrito. Depois, abra uma champanhe e despeje o líquido por todo seu corpo, enquanto repete seus pedidos em voz alta. Por fim, lave-se nas águas do mar, acenda uma

Fonte: www.mulhernatural.hpg.ig.com.br

Dia de Iemanja

2 de Fevereiro

Deusa da nação de Egbé, nação esta Ioruba onde existe o rio Yemojá ( Iemanjá ). No Brasil, rainha das águas e mares. Orixá muito respeitada e cultuada é tida como mãe de quase todos os Orixás. Por isso a ela também pertence a fecundidade.

Em todos os lugares, no dia 2 de fevereiro ou no ano novo fazem-se homenagens a grande mãe Iemanjá . É protetora dos pecadores e jangadeiros.

O ARQUÉTIPO DOS FILHOS DE Iemanjá

As pessoas de Iemanjá são sérias e impetuosas, domina a todos e fazem-se respeitar. Dificilmente perdoam os erros dos semelhantes. Gostam de testar as pessoas.

Seu temperamento é muito difícil, são bravas, nervosas, mas possuem um coração grandioso, são dedicados aos parentes e amigos, preocupam-se com os outros e consigo. Gostam de coisas luxuosas. São honestas, gostam da casa e da família, são ótimas esposas, mães ou pais.

LENDA

Iemanjá era filha de Olokum, deus (em Benim) ou deusa (em Ifé) do mar. Iemanjá foi casada com Orumila, deus da adivinhação mais tarde casou dom Olofin, Rei de Ifé, com que teve dez filhos, que correspondem a Orixás.

Iemanjá foge em direção a oeste, pois se cansara de Ifé. Olokum lhe dera uma garrafa contendo um preparado para usar se precisasse, ela deveria quebrar somente em caso de extremo perigo.

Iemanjá foi viver no entardecer da terra, o oeste Olofin Odùduà, Rei de Ifé, põe todo o seu exército a procura de sua mulher. Iemanjá cercada resolve quebrar a garrafa conforme lhe foi dito. No mesmo instante criou-se um rio levando Iemanjá para Okun, o oceano, lugar onde vive Olokun.

Por isso Iemanjá é representada na imagem com grandes seios, simbolizando a maternidade e a fecundidade.

Fonte: guardioesdaluz.sites.uol.com.br

Dia de Iemanja

 

2 de Fevereiro

A majestade dos mares. Senhora dos oceanos, sereia sagrada, Iemanjá é a Rainha das águas salgadas, considerada como mãe de todos Orixás, regente absoluta dos lares, protetora da família. Chamada também como a Deusa das Pérolas, Iemanjá é aquela que apara a cabeça dos bebês no momento do nascimento.

Essa força da natureza também tem um papel muito importante em nossas vidas, pois é ela que vai reger nossos lares, nossas casas. É Iemanjá que vai dar o sentido de família a um grupo de pessoas que vivem debaixo de um mesmo teto. Ela é a geradora e personalidade ao grupo formado por pai, mãe e filhos, transformando-os num grupo coeso.

Iemanjá é o sentindo de educação que damos aos nossos filhos, os mesmos que recebemos de nossos pais, que aprenderam com nossos avós. Ela, Iemanjá , rege até o castigo, as sanções que aplicamos aos filhos. É o sentido básico, é a base da formação de uma família, aquela que vai gerar o amor do pai pelo filho, da mãe pelo filho, dos filhos pelos pais, transformando tais sentimentos num só, poderoso, imbatível, que se perpetuará.

Iemanjá é a família! Rege as reuniões de família, os aniversários, as festas de casamento, as comemorações que se fazem dentro da família. É o sentido da união, seja ligado, por laços consangüíneos, ou não.

Dentro do culto, numa casa de santo, Iemanjá também atua organizando e dando sentindo ao grupo, à comunidade ali reunida e transformando essa convivência num ato familiar; criando raízes e dependências; proporcionando o sentimento de irmão pra irmão em pessoas que há bem pouco tempo não se conheciam; proporcionando também o sentimento de pai para filho, ou de mãe para filho e vice-versa, nos casos do relacionamento do Babalorixás, ou Ialorixás como os Omo Orixás (filhos de Santo).

Iemanjá também está presente nas decisões, nos momentos de angústia e preocupação pelo ente querido, pois seus sentimentos geram os nossos, A necessidade de saber se aqueles que amamos estão bem, a dor pela preocupação, é uma regência de Iemanjá , que não vai deixar morrer dentro de nós o sentido de amor de amor ao próximo, principalmente em se tratando de um filho, filha, pai, mãe, outro parente, ou amigo muito querido. E estendemos isso, também, às comunidades da Religião.

Iemanjá é a preocupação e o desejo de ver aquilo que amamos a salvo, sem problemas. É a manutenção da harmonia do lar.

Está presente também no nascimento, pois é ela quem vai aparar a cabeça do bebê, exatamente no momento do seu nascimento. Se Exu fecunda e Oxum cuida da gestação, é Iemanjá quem vai receber aquela nova vida no mundo e entregá-la ao seu regente, que inclusive pode ser até ela mesma. Isto tem uma importância muito grande, no sentido e na visão da Cultura Africana, sobre a fecundação e concepção da vida humana. Iemanjá é a senhora dos lares, pois, desde o nascimento, ou a partir do nascimento, ela cuidará da família.

Daí o titulo de Iyá (mãe), melhor, Iyá Ori (mãe da cabeça) e plasmadora de todas as cabeças; aquela que gera o Ori, que dá o sentido da vida e nos permite pensar, raciocinar, viver normalmente como seres pensantes e inteligentes.

Iemanjá está presente nos mares e oceanos. É a Senhora das águas salgadas e será ela que proporcionará boa pesca nos mares, regendo os seres aquáticos e provendo o alimento vindo de seu reino. Iemanjá é a onda do mar, o maremoto, a praia em ressaca, a marola, É ela quem controla as marés, é ela quem protege a vida no mar.

Mitologia

Filha de Olokun, Iemanjá nasceu nas águas. Teve três filhos: Ogum, Oxossi e Exu.

Conta a lenda que Ogum, o guerreiro, filho mais velho, partiu para as suas conquistas; Oxossi, que se encantara pela floresta, fez dela a sua morada e lá permaneceu, caçando; e Exu, o filho problemático, saiu pela mundo.

Sozinha Iemanjá vivia, mas sabia que seus filhos seguiam seus destino e que não podia interferir na vida deles, já que os três eram adultos.

Comentava consigo mesma:

- Ogum nasceu para conquistar. É bravo, corajoso, impetuoso. Jamais poderia viver num lugar só. Ele nasceu para conhecer estradas, conquistar terras, nasceu para ser livre. Exu, que tantos problemas já me deu, nasceu para conhecer o mundo e dos três é o mais inconstante, sempre preparado surpresas; imprevisível, astuto, capaz de fazer o impossível, também nasceu para conhecer o mundo. Oxossi, meu querido caçula, bem que tentei prendê-lo a mim, mas no fundo sabia que teria seu destino. Ele é alegre, ativo, inquieto. Gosta de ver coisas belas, de admirar o que é bonito e é um grande caçador. Nasceu para conhecer o mundo também e não poderia segurá-lo...

Iemanjá estava perdida em seus pensamentos quando viu que, ao longe, alguém se aproximava. Firmou a vista e identificou-o: era Exu, seu filho, que retornara depois de tanto tempo ausente.

Já perto de seu mãe, Exu saudou-a e comentou:

Mãe, andei pelo mundo mas não encontrei beleza igual à sua. Na conheci ninguém que se comparasse a você!

O que está dizendo, filho? Eu não entendo!

O que quero dizer é que você é a única mulher que me encanta e que voltei para lhe possuir, pois é a única coisa que me falta fazer neste mundo!

E sem ouvir a resposta de sua mãe, Exu tomou-lhe à força, tentando violentá-la. Uma grande luta se deu, pois Iemanjá não poderia admitir jamais aquilo que estava acontecendo. Bravamente, resistiu às investidas do filho que, na luta, dilacerou os seis da mãe.

Enlouquecido e arrependido pelo que fez, Exu caiu no mundo , sumindo no horizonte.

Caída ao chão, Iemanjá entre a dor, a vergonha, a tristeza e a pena que teve pela atitude do filho, pediu socorro ao pai Olokun e ao Criador, Olorun. E, dos seus seios dilacerados, a água, salgada como a lágrima, foi saindo, dando origem aos mares.

Exu, pela atitude má, foi banido para sempre da mesa dos Orixás, tendo como incumbência eterna ser o guardião, não podendo juntar-se aos outros, na corte.

Iemanjá que, deste modo, deu origem ao mar, procurou entender a atitude do filho, pois ela é a mãe verdadeira e considerada a mãe não só de Ogum, Exu e Oxossi, mas de todo o panteão dos Orixás.

Fonte: dofonodelogum.sites.uol.com.br

Dia de Iemanja

2 de Fevereiro

6° ORIXÁ - Iemanjá - A RAINHA DO MAR! 

Iemanjá é a 6ª Orixá a ser comentada nesta pequena série de estudos sobre os Orixás que integram a Religião de Umbanda.

Iemanjá é a Senhora dos Mares, dos Oceanos e da fecundidade. É tida como mãe de todos, isso porque, a própria ciência confirma que toda a vida existente na terra, teve sua origem nos oceanos.

O nome Iemanjá deriva da palavra Yorubá "Yèyé omo ejá" que significa "Mãe cujos filhos são peixes". É uma divindade oriunda da nação de Egbé, nação esta Yoruba onde existe o rio Yemojá.

Iemanjá é sincretizada com Nossa Senhora da Conceição da Praia e com Nossa Senhora dos Navegantes. Entretanto, diversamente do que ocorre com os outros Orixás, a imagem de Iemanjá não está fortemente relacionada a imagem das santas católicas. A Imagem de Iemanjá mais difundida, é a de uma mulher morena vestida com uma manto azul da cor do mar e enfeitada com pérolas e uma coroa com estrela do mar.

Iemanjá é sincretizada com Nossa Senhora da Conceição da Praia e com Nossa Senhora dos Navegantes. Entretanto, diversamente do que ocorre com os outros Orixás, a imagem de Iemanjá não está fortemente relacionada a imagem das santas católicas. A Imagem de Iemanjá mais difundida, é a de uma mulher morena vestida com uma manto azul da cor do mar e enfeitada com pérolas e uma coroa com estrela do mar.

A partir de então, essa imagem passou a ser a mais vendida não só Brasil, como no mundo. Em conseqüência, Iemanjá passou a ser a Orixá mais popular do Brasil, atraindo adeptos não só da Umbanda e do Candomblé, mas também de outras religiões.

É comum ver na noite do dia 31 de dezembro, diversas pessoas de outras religiões jogando flores, perfumes e champanhe ao mar, pedindo proteção e bençãos de Iemanjá para o ano vindouro.

Iemanjá também é conhecida por: Mãe d´água, Janaína, Iara, Sereia, Princesa do Mar, Marbô, Inaê, Mucunã, Rainha do Mar, Rainha das Águas, entre tantos outros.

À Iemanjá sempre é pedido proteção, para que leve para as profundezas dos oceanos, toda energia negativa, toda demanda e todo mau espírito. Iemanjá por ser mãe, traz o conforto, a segurança e o amor na vida dos filhos de fé.

As cores de Iemanjá são o azul e o branco.

Suas oferendas levam velas azuis e brancas, champanhe, flores, perfumes, espelhos e pentes. São entregues, preferencialmente no mar.

Seu dia da semana é o Sábado.

Seu dia do ano é o dia 02 de fevereiro (ou 8 de dezembro se sincretizada com N.Sª da Conceição da Praia).

Sua saudação é Odoìyá! Odo (rio) Ìyá (mãe) ou Odofiaba!

Da linha de Iamanjá originam diversos espíritos, dentre caboclos, baianos, falangeiros e Exus.

São entidades ligadas fortemente com o mar e com a praia.

Fonte: www.filhosdavovorita.blogspot.com

Sobre o Portal | Política de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal