Dia da Saudade
Dia da Saudade

Dia da Saudade

30 de Janeiro

A saudade é a memória de algo ou alguém ausente - lembrança nostálgica e suave -, que vem junto com a vontade de ver novamente a pessoa ou o lugar que nos falta. É comum se manifestar entre parentes, amigos, casais enamorados, casados ou não.

Quando viajamos, e depois retornamos, a sensação de nostalgia em relação aos novos lugares que conhecemos - principalmente aqueles de que mais gostamos - se faz muito presente, como no início de um amor.

Ou, ao contrário, acontece de viajarmos e sentirmos saudade de nossa terra, nossa casa, travesseiro e cobertor ou simplesmente do pôr-de-sol visto de nossa própria janela.

É... te extraño em espanhol, I miss you em inglês, j'ai regret em francês, ich vermisse dish em alemão...

Uma apologia da saudade

O educador Gilberto Freyre, em excelente artigo sobre saudade, faz, digamos assim, uma espécie de elogio a esse sentimento tão cantado em prosa e verso pela literatura universal. Ele mesmo cita Camões para explicar o porquê de ser um simpatizante da saudade.

De acordo com ele, a saudade do passado, aliada à fé no futuro, podem se completar de maneira brilhante, para erguer ou reerguer os valores de um povo ou nação.

E afirma: "A saudade do Brasil fez com que José Bonifácio renunciasse às vantagens que lhe eram oferecidas pela Europa e viesse ser, em sua terra (...) o campeão da independência nacional e o primeiro organizador do futuro do Brasil. (...) A saudade do Brasil fez com que Gonçalves Dias escrevesse no exílio os, há mais de um século, popularíssimos versos "Minha terra tem palmeiras".

Os homens criativos, portanto, têm encontrado na saudade do passado - individual ou coletivo -, os estímulos necessários para as inovações de que precisam para o futuro.

Luís de Camões, poeta português, escreveu o livro "Os Lusíadas", fortemente marcado por um sentimento de saudade dos tempos gloriosos de Portugal (das conquistas marítimas portuguesas).

Quem tem medo da saudade?

Dizem que todo encontro traz em si a possibilidade da separação. E que daí viria certo sentimento de tristeza ou melancolia experimentada pelos enamorados, quando estão juntos.

Quem já não se deparou ou se viu nessa cena? O casalzinho sentado de mãos dadas, cabisbaixos, tristes de amor: tristes de uma possível saudade. Seria, assim, uma forma de saudade antecipada. Que, talvez, jamais venha, mas está ali, entre os dois, como algo que pode ser, pode acontecer, pode vir.

A saudade, enfim, faz parte do nosso dia-a-dia, sem nem nos darmos conta. Terminais rodoviários, aeroportos, estações de trem e mesmo e-mails enviados pela rede internet no mundo inteiro são ambientes onde a saudade, em alguns casos, também se manifesta.

E a pergunta se repete: quem tem medo da saudade? A saudade é sempre saudade de coisas boas que vivemos ou vimos, ninguém sente saudade de tragédia, não é, mesmo?

E como no encontro, a possibilidade da separação é presente, da mesma forma, na saudade, a possibilidade do encontro nos rodeia.

Nada de temores, então. Se tiver que sentir alguma coisa sobre o que se viu e viveu, que seja saudade.

Fonte: Planeta Educação

Dia da Saudade

30 de Janeiro

A palavra Saudade traz em si, diversos significados que podem ser interpretados de acordo com o contexto onde é aplicado. Sua origem encontra-se no Latim, Solitate, e se pesquisada, descobriremos que a conotação contemporânea distanciou-se da original. Saudade não mais se refere ao sentimento de solidão preservado em variações de línguas românicas como o espanhol: soledad e soledat.

Sobre a saudade, podemos encontrar definições como "Sentimento mais ou menos melancólico de ausência, ligado pela memória à situações de privação da presença de alguém ou de algo, de afastamento de um lugar ou de uma coisa, ou à ausência de certas experiências e determinados prazeres já vividos e considerados pela pessoa em causa como um bem desejável"; ou "Lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoa ou coisa distante ou extinta. Pesar pela ausência de alguém que nos é querido". Como sinônimos, encontramos Lembrança e Nostalgia.

Em 30 de janeiro celebra-se o "Dia da Saudade". Na gramática Saudade é substantivo abstrato, tão abstrato que só existe na língua portuguesa. Os outros idiomas têm dificuldade em traduzi-la ou atribuir-lhe um significado preciso: Te extraño (castelhano), J'ai regret (francês) e Ich vermisse dish (alemão). No idioma inglês encontramos várias tentativas: homesickness (equivalente a saudade de casa ou do país), longing e to miss (sentir falta de uma pessoa), e nostalgia (nostalgia do passado, da infância). Mas todas essas expressões estrangeiras não definem o que sentimos. São apenas tentativas de determinar esse sentimento que nós mesmos não sabemos exatamente o que é. Não é só um obstáculo ou uma incompatibilidade da linguagem, mas é principalmente uma característica cultural daqueles que falam a língua portuguesa.

Saudade não tem cor, mas pode ter cheiro. Não podemos ver nem tocar, mas sabemos o quanto é grande. Pode ser o sentimento que alimenta um relacionamento amoroso ou apenas o que sobra dele. Pode ser uma ausência suave ou um tipo de solidão. Pode ser uma recordação daquele momento e daquela pessoa, que um dia, mesmo sabendo ser impossível, ousamos querer reviver e rever. É a dor de quem encontrou e nunca mais encontrará, de quem sentiu e nunca mais voltará a sentir. A saudade se combina com outros sentimentos e procria-se. A soma da saudade com a solidão é igual a Dor. O resultado da saudade com a Esperança é a Motivação.

Saudade é uma só, em diferentes palavras. É comum encontrá-la grafada nas lápides em alusão a dor da ausência provocada pela morte. Mas na Literatura e na Música é um tema crônico. É quem arquiteta a estrofe e conduz o tom. Não importa o gênero literário ou o estilo musical, não importa o autor, a época ou a situação.

Casimiro de Abreu versificou sua saudade da infância: "Oh! que saudades que eu tenho / Da aurora da minha vida / Da minha infância querida / Que os anos não trazem mais!". Álvares de Azevedo antecipou a saudade mortal: "Se eu morresse amanhã, viria ao menos / Fechar meus olhos minha triste irmã / Minha mãe de saudades morreria / Se eu morresse amanhã!". A poetisa portuguesa, Florbela Espanca, também registrou sua saudade: "E a esta hora tudo em mim revive / Saudades de saudades que não tenho... / Sonhos que são os sonhos dos que eu tive...".

O Rock brasileiro transformou a saudade numa de suas bandeiras. Renato Russo cantou: "nessa saudade que eu sinto / De tudo que eu ainda não vi". Ainda nas canções de Renato: "dos nossos planos é que tenho mais saudade". Entre o Rock e a MPB, Cazuza, declarou: "Saudade do que nunca vai voltar / E dos amigos que se foram / Eu hoje estou com saudade". Tom Jobim e Vinícius de Moraes compuseram: "Chega de saudade / A realidade é que sem ela não há paz...".

Saudade é um registro fiel do passado. É a prova incontestável de tudo que vivemos e ficou impresso na alma. Ao confessarmos uma saudade, na verdade, estamos nos vangloriando de que, ao menos uma vez na vida, conhecemos pessoas e vivemos situações que foram boas, e serão eternas em nossa alma. Nutri-la, é alimentar o espírito e a própria existência.

Se há tantas e, ao mesmo tempo, tão imprecisas definições de saudade, resta-nos apenas cultivá-la e alimentá-la com pensamentos, músicas, perfumes, fotografias, lugares, fins de tarde e madrugadas. Saibamos viver plenamente o presente, pois ele será a saudosa lembrança de amanhã.

Saudade - Crônica de Miguel Falabella

Trancar o dedo numa porta dói.

Bater com o queixo no chão dói.

Torcer o tornozelo dói.

Um tapa, um soco, um pontapé, doem.

Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim.

Mas o que mais dói é a saudade.

Saudade de um irmão que mora longe.

Saudade de uma cachoeira da infância.

Saudade de um filho que estuda fora.

Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais.

Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu.

Saudade de uma cidade.

Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.

Doem essas saudades todas.

Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.

Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.

Saudade da presença, e até da ausência consentida.

Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá.

Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade, mas sabiam-se onde.

Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã.

Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é basicamente não saber.

Não saber mais se ela continua fungando num ambiente mais frio.

Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia.

Não saber se ela ainda usa aquela saia.

Não saber se ele foi na consulta com o dermatologista como prometeu.

Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre ocupada; se ele tem assistido às aulas de inglês, se aprendeu a entrar na Internet e encontrar a página do Diário Oficial; se ela aprendeu a estacionar entre dois carros; se ele continua preferindo Malzbier; se ela continua preferindo Margarita; se ela continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados; se ela continua dançando daquele jeitinho enlouquecedor; se ela continua cantando tão bem; se ela continua detestando o Mc Donald's. Se ele continua amando; se ela continua a chorar até nas comédias.

Saudade é não saber mesmo!

Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos;

Não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento;

Não saber como frear as lágrimas diante de uma música;

Não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer.

É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso...

É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela.

Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer;

Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você, provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler...

Fonte: www.spectrumgothic.com.br

Dia da Saudade

30 de Janeiro

No dia 30 de janeiro se comemora o Dia da Saudade. A palavra vem do latim solitate, que na tradução literal quer dizer solidão. Mas em nossa língua ela adquiriu um significado bem mais romântico, como nos mostra o Dicionário Aurélio:

Saudade: Substantivo feminino

Lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las; nostalgia.

Este sentimento sempre foi tema de músicas, poemas, filmes e não há quem já não o tenha sentido.

Temos saudades de pessoas, de momentos, de situações, de lugares. Sentimos falta de tudo o que nos faz bem. E, como dizem que relembrar é viver, a saudade nos transporta para um tempo em que fomos mais felizes, trazendo, muitas vezes, lembranças doloridas.

E para desejar a todos um Dia da Saudade cheio de boas lembranças, nos apropriamos de um poema do grande Mário Quintana:

Saudade

na solidão na penumbra do amanhecer.
Via você na noite, nas estrelas, nos planetas,
nos mares, no brilho do sol e no anoitecer.

Via você no ontem , no hoje, no amanhã...
Mas não via você no momento.

Que saudade...

Mário Quintana

Fonte: www2.portoalegre.rs.gov.br