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Dia Mundial do Rock

 

13 de Julho

Quando surgiu o rock n'roll? O que é exatamente o rock? Quem é o pai do rock?

Dia Mundial do Rock

Todas estas perguntas são difíceis de responder, dada a quantidade de influências que cercam a história do rock. Mistura de música da elite com a música do povo, música de preto misturada com música de branco, uma salada de estilos definiu como rock n'roll aquela música agitada que embalou tantos jovens na década de 50 e até hoje possui seguidores fiéis - desde os admiradores do rock antigo, como os fãs de suas mais diversas variações e ramificações: o progressivo, o heavy metal, o punk rock, o hard rock, e por aí vai.

A imagem de rebeldia associada ao rock não é gratuita. Quando o estilo despontou, no início da década de 50, o mundo se deparava com a alegria do final da Segunda Guerra Mundial e da Guerra da Coréia. As pessoas queriam comemorar, principalmente nos Estados Unidos, que despontava como grande potência mundial.

Por outro lado, havia a pressão da Guerra Fria e a idéia de que, com o anúncio da explosão de bombas atômicas pela então União Soviética, era possível o "fim do mundo" a qualquer momento. Assim, aproveitar cada momento como se fosse o último era a ordem do dia. Daí para a idéia de rebeldia era um passo: para curtir a vida a qualquer preço, havia o prazer da transgressão, o fascínio pelas motos e pela alta velocidade, as festas intermináveis.

Bill Haley and his Comets, Chuck Berry, Jerry Lee Lewis, Carl Pergkins, Fats Domino, Little Richard, The Beatles, Elvis Presley, entre outros, foram os primeiros nomes a arrastar multidões que ansiavam por um estilo de música jovem, moderna e dançante.

No Brasil, a cantora Nora Ney - da fase áurea do rádio e conhecida como "rainha da fossa" - foi quem curiosamente cantou o primeiro rock em português. Mas o fenômeno do rock mesmo só começou com os irmão Tony e Celly Campelo. Depois, era a vez da Jovem Guarda, de Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléia, inspirados nos Beatles, os meninos de Liverpool.

Na década de 70, destacou-se Raul Seixas; nos dez anos seguintes, foi a vez do boom do rock nacional com Kid Abelha e os Abóboras Selvagens, Engenheiros do Hawaii, Blitz, Barão Vermelho, Legião Urbana, Ultraje a Rigor, Capital Inicial, Titãs e Paralamas do Sucesso. Na música solo, destaque para Cazuza, Marina Lima, Lulu Santos, Rita Lee, Lobão, entre outros.

Um pouco de História

A origem do rock n'roll se encontra no blues, a quem deve a estrutura rítmica e melódica. O blues, criado pelos negros trazidos da África para trabalhar nas plantações de algodão nos Estados Unidos, no início do século XX, nasceu dos cantos dos escravos, geralmente cheios de tristeza e saudade de sua terra natal. Não é à toa que recebeu o nome de blues, que em inglês significa melancolia e tristeza.

Na época, o estilo musical mais popular era o jazz, "música branca" baseada na improvisação e com ênfase nos instrumentos de percussão e sopro. O blues apareceu como alternativa: era a expressão da música negra.

Outro ingrediente entrou na mistura que daria no rock. Tratava-se da música gospel, característica das igrejas evangélicas, com um toque de blues e mensagens para o povo oprimido. O ritmo country também contribuiu para a consolidação do rock - principalmente no que se refere à definição do nome para o estilo musical, graças ao radialista Alan Freed.

Gíria dos negros norte-americanos que faz alusão ato sexual e está presente em muitas letras de blues, a expressão rock and roll foi usada por Alan para difundir o novo gênero musical que começara a se disseminar.

Em 1951, Allan lançou o programa de rádio "Moon Dog Show", mais tarde rebatizado de "Moon Dog Rock and Roll Party", ao mesmo tempo que promovia festas com o mesmo nome. Tudo para difundir o novo gênero.

Rei das Multidões

Sam Phillips, dono da gravadora Sun Records, de Memphis, no estado de Tenessee (EUA), sentindo a força do novo ritmo musical que surgia no mercado radiofônico, disse a célebre frase em 1954: "Se eu achasse um branco de alma negra, eu ganharia um milhão de dólares". Ele não ganhou, mas achou Elvis Presley - um dos ídolos do rock mundial que até hoje angaria fãs.

No mesmo ano, precisamente em 5 de julho, Elvis Aaron Presley, um caminhoneiro, entrava nos estúdios da gravadora de Sam para gravar "That's all right" do cantor de blues Arthur "Big Boy" Cradup.

Dois dias depois, a música tocava pela primeira vez numa rádio e, no dia 19, Elvis lançava seu primeiro compacto.

Nascido em 8 de janeiro de 1935, em Tupelo, Mississipi, Elvis se mudou com a família para Memphis, onde iria se iniciar na carreira de cantor.

Após o sucesso da música "That's all right", ele foi contratado pela RCA, um dos gigantes da indústria fonográfica, em 1955. No repertório, blues e country davam o tom. E no palco, movimentos pélvicos seriam sua marca registrada, levando as fãs ao delírio e caindo como uma luva para o apelido "Elvis - the pelvis".

Em 1956, ele estreou no cinema, como o galã do faroeste "Ama-me com ternura". Além de atuar, canta um dos seus maiores sucessos: "Love me Tender", inspirado numa melodia de 1861 e lançado pouco antes do filme.

Em agosto de 1977, Elvis vem a falecer em decorrência de uma arritmia cardíaca, em sua mansão, conhecida como Graceland, localizada em Memphis. Desde então, 16 de agosto é considerado o Dia Nacional de Elvis, sempre muito comemorado nos Estados Unidos.

Curiosidades do rock

O que os rockstars faziam antes da fama? Chuck Berry foi cabelereiro; Deborah Harry (Blondie) foi garçonete de um clube da Playboy; Duff McKagan (Guns N'Roses) chegou a roubar carros; Elvis Presley foi motorista de caminhão; Phil Collins foi ator de teatro infantil; Sting foi leiteiro e professor; Van Morrison foi limpador de janelas; Joe Cocker foi encanador; Jimi Hendrix foi paraquedista no exército.

O álbum "Ummagumma" do Pink Floyd foi editado com várias capas diferentes ao redor do mundo; entretanto, para se perceber tais diferenças é necessário ser um observador atento, pois elas ocorrem na foto da capa, com os músicos aparecendo em posição diferente, e num pequeno quadro que está na parede.

Inicialmente "Festa de Arromba", o mais importante programa musical dos anos 60, terminou por chamar-se "Jovem Guarda", por sugestão do publicitário Carlito Maia, da MM&P. O novo nome foi extraído de uma frase do revolucionário soviético Lenin: "O futuro pertence à Jovem Guarda porque a velha está ultrapassada". Apresentado por Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa, a idéia original era ter ao lado de RC a "rainha do rock" Celly Campello, que não aceitou retornar à vida artística. O programa entrou no ar em 1965, aos domingos à tarde, substituindo a transmissão ao vivo dos jogos do Campeonato Paulista de Futebol.

Sobre a lápide de Jim Morrison está escrito "Kawa Ton Aaimona Eaytoy". A inscrição em grego significa "queime seu demônio interior".

O Made in Brazil é, sem dúvida, a banda que mais variou de formação até hoje, pois ao longo de seus mais de trinta anos de carreira, já passou por mais de 150 formações diferentes!

O álbum que possui o título mais comprido - pelo menos na história do Rock - é o de estréia do Tyranossaurus Rex, banda de Marc Bolan que duraria até 1970, ano em que Bolan montaria o T.Rex, que ao contrário do que muitos pensam, não se trata de uma continuação do grupo anterior. O nome do disco é "My people were fair and had sky in their hair, but now they're content to wear stars on their brows".

Cláudio César Dias Baptista, irmão mais velho de Arnaldo e Sérgio Baptista do Mutantes, construiu no final da década de 60 uma guitarra revestida de ouro, ao qual deu o nome "Guitarra Régulus Modelo Raphael", em homenagem a Raphael Vilardi, guitarrista que participou do primeiro compacto do Mutantes, quando então se chamavam "O'Seis". Como se não bastasse as inovações técnicas que implementou, Cláudio decidiu gravar nela uma "maldição", onde estava escrito que se alguém desrespeitasse o instrumento, levando-o consigo sem a permissão do legítimo proprietário, esta pessoa seria perseguida pelas forças do Mal, até que a guitarra voltasse ao seu dono. Mais tarde, a guitarra acabou sendo roubada, e foi parar na mão de um indivíduo que, quando se deparou com a "maldição", mais que depressa se apressou em reencaminhá-la de volta ao seu criador.

Patrick Moraz, tecladista do Yes, tocou na gravação original de "Avohai" de Zé Ramalho, que conta ainda com a participação de Sérgio Dias Baptista na guitarra.

Quando de sua primeira passagem pelo Brasil em 1975, Rick Wakeman teve uma audiência com o então Presidente Médici, que solicitou ao tecladista que incluísse no set list daquela noite músicas de seus três principais discos, pois os filhos do Presidente só poderiam ir a um show da turnê brasileira.

Após uma apresentação do Led Zeppelin em 18 de agosto de 1969 na cidade de Toronto, no Canadá, a banda decidiu fazer um set acústico do lado de fora do clube! Entretanto, como ainda não eram muito conhecidos, praticamente ninguém reparou naqueles cabeludos que tocavam na calçada...

No álbum "O Último Solo" de Renato Russo há algumas músicas em inglês, gravadas originalmente para entrar no álbum "The Stonewall Celebration Concert", mas que ficaram de fora pois a fábrica que produziu os discos, naquela época, simplesmente não tinha como fabricar CDs com mais de 70 minutos de duração.

Fonte: www.ibge.gov.br

Dia Mundial do Rock

13 de Julho

O dia 13 de julho de 1985 foi palco de um festival memorável: o Live-Aid (algo como "Ajuda ao vivo"), em prol das inúmeras pessoas que passam fome na África.

O evento foi iniciativa do músico irlandês Bob Geldof, integrante da banda Boomtown Rats, que ficou chocado ao ver o documentário Fome na Etiópia, em que os famintos não tinham forças nem para espantar, do próprio corpo, as moscas que os rodeavam.

O festival contou com a participação de artistas renomados como Mick Jagger, Tina Turner, Madonna, David Bowie, Sting, Phil Collings, Eric Clapton, Elton John, Paul McCartney, Jimmy Page, Robert Plant, além das bandas U2, Ozzy Osbourne e The Who, entre outros.

Os shows aconteceram simultaneamente em Londres, na Inglaterra, e na Filadélfia, nos Estados Unidos. Cerca de 170 mil pessoas participaram da maratona musical – 70 mil na Inglaterra e 100 mil nos Estados Unidos, enquanto 1,5 bilhão de pessoas assistiram tudo pela TV.

Com a venda de ingressos a 35 dólares e a venda dos direitos de transmissão a 160 países, o espetáculo conseguiu arrecadar cerca de 70 milhões de dólares, certamente uma cifra considerável. Depois dele, outros festivais com essa mesma consciência social ocorreram na década de 80 como o U.S.A. For Africa, Live Aid, Farm Aid, Hear 'n' Aid, Artists Against Apartheid e o Amnesty International, reunindo sempre grandes nomes do mundo pop e rock. A data foi para lembrar que o rock também sabe ser solidário.

FonteGrito Alternativo ; Rock Online

Dia Mundial do Rock

13 de Julho

ESPECIAL: DIA MUNDIAL DO ROCK – ANOS 50

Celebrado como o Dia Mundial do Rock, o 13 de julho é só mais um motivo pra lembrarmos dos grandes gênios que construiram parte da cultura de todo o planeta nesses quase 60 anos desde que o rhythm & blues e o country – com grande influência da música gospel – se chocaram e forjaram o gênero musical mais influente do mundo.

Seja inspirado por Elvis Presley, The Beatles, The Clash, doutrinado por Bob Dylan e Neil Young, experimentado por Radiohead e tantos outros, ou mesmo maltrado, como foi durantes décadas por pastiches do britpop, oportunistas do hair-metal ou o vazio da proliferação vintage de garagem da década atual, o rock and roll foi influenciado pelas mudanças políticas, sociais e culturais do planeta e, na mesma proporção, influênciou gerações.

Dia Mundial do Rock

ANOS 50

Nome mais conhecido da década e, ao lado de The Beatles e Michael Jackson, da história da música na cultura pop, Elvis Presley foi o responsável por apresentar o rock ao mundo, mas Chuck Berry, Bill Halley, Jerry Lee Lewis, Fats Domino e Little Richards eram os responsáveis pela ponte e pela fusão entre o r&b e o gênero mais famoso do mundo, resultando no que comemoramos hoje, treze de julho.

A década foi marcada pela dificuldade sofrida por artistas brancos e negros. Se Elvis sofreu preconceito por se inserir no mundo da música negra com influências r&b e gospel, as dificuldades de artistas negros como Little Richard, Chuck Berry e Fats Domino eram insuportáveis. Os Estados Unidos ainda cultivava a segregação racial, e negros eram linchados ao tentarem mostrar as suas músicas em outros lugares.

Os conflitos e a imagem rebelde que o rock construia atraiu muitos canastrões que se aproveitavam da base criada pelos artistas negros, ávidos por mudanças na efervercência social pela qual o país passava. Um exemplo disso é o que aconteceu com Pat Boone. Para não chocar o público da classe média americana – alvo das grandes gravadoras -, ele gravou Tutti Frutti, mudando a letra de Little Richard (negro e homossexual assumido), com o objetivo de poupar a família norte-americana. E é claro, foi um sucesso. Êxito que, de acordo com as gravadoras, seria passageiro.

Hoje sabemos o quanto isso soa absurdo, mas Elvis, Little Richards e cia, tiveram que transbordar energia e inspiração para abrir espaço para quem viria na década posterior.

A década de 50 também marcou o jazz de Thelonious Monk, Duke Ellington, Miles Davis, Dave Brubeck e Billie Holiday que assombravam o mundo com um clima de tensão soturna e experimentações inesquecíveis.

ESPECIAL: DIA MUNDIAL DO ROCK – ANOS 60

Os anos 60 trouxeram a esperança de um mundo livre com a revolução sexual – e também com as drogas. A popularização do rock e a formação dos primeiros ídolos catapultaram os riffs de guitarras para as ruas. Cada vez mais, os artistas se confundiam com o seu público, e assim, estreitavam a relação entre eles. Os jovens se identificavam nas canções, e os compositores buscavam na vida de cada um os temas para as suas músicas.

Os Beatles, além de serem a banda mais influente da década e da história, servem como um exemplo cristalino do que foram os anos 60. Uma década esperançosa e otimista em seu começo, assim como a banda de Liverpool com suas composições ensoladaras e contagiantes e seus ternos, barbas e cabelos estrategicamente cortados, mas que depois, com o estouro das drogas, violência e a guerra no Vietnã, trocou os sorrisos pela visão cínica e confusa do mundo – muito bem representadas em Revolver, Sgt. Peppers e White Album -, enquanto as roupas mudavam e os cabelos cresciam.

O folk de Bob Dylan, no começo da década, e Van Morrison e Tim Buckley, depois, pode ser apontado como um dos principais movimentos dessa época. Constantemente alçado como porta-voz de uma geração, Dylan sempre descartou a responsabilidade de liderar qualquer mudança ou movimento. Mas a música de Bob Dylan tinha força pra isso. Ele mudou não só a cabeça de muitos jovens, como a forma de se escrever. Os personagens milimetricamente trabalhados e cheios de vida, e as imagens construídas pelas letras de suas músicas eram algo novo. The Freewheelin’ Bob Dylan, Highway 61 Revisited e Blonde on Blonde eram maduros e emocionavam. Com o folk, o rock and roll, além da energia e da transpiração dos anos 50, ganhava densidade e se escancarava de forma confessional.

Mas engana-se quem pensa que o caminho que Bob Dylan e outros trovadores criaram apagaria a urgência do rock and roll. A invasão britânica liderada pelo apelo popular dos Beatles e pela força sedutora dos Rolling Stones mostrou ao mundo que o rock podia fazer chorar e ao mesmo tempo, rir, pular e gritar. Enquanto Lennon e Macca experimentavam, e Jagger e Richards sexualizavam a música, jovens e verdadeiros juggernauts como o The Who, na Inglaterra, e MC5 e Stooges nos Estados Unidos (na primeira e principal semente do punk rock) incendiavam países com golpes impiedosos contra os seus instrumentos e letras contestadoras e inconsequentes.

Essa “briga” entre Inglaterra e Estados Unidos marcou os anos 60 e, principalmente, duas bandas: The Beatles e Beach Boys. Os jovens de Liverpool começaram a mudar o mundo e a música quando deixaram o otimismo de lado e assumiram uma postura de experimentação em Rubber Soul e Revolver. Abordagens verossímeis do mundo e mudanças radicais em harmonias e melodias, confundiram e maravilharam o planeta. Esses sentimentos se exacerbaram do outro lado do oceano, mas de forma perigosa e desafiadora no lider dos Beach Boys, Brian Wilson. Ele não tirava da cabeça que seu objetivo de vida era fazer algo melhor do que os Beatles tinham feito. Com isso em mente, se trancou no estúdio por meses com um só pensamento: fazer o pop perfeito. O resultado – além de uma crise nervosa em Wilson – por mais improvável que parecesse, foi Pet Sounds, um álbum tão bom e até mais belo do que o que Macca, Lennon e cia haviam feito até o momento. O problema é que os ingleses responderam, imediatamente, com Sgt. Peppers e White Album. Resultado: Brian Wilson enlouqueceu de vez, desistiu do álbum que estava preparando (Smile, lançado só na década de 2000), e sumiu por muito tempo.

A fase de experimentação do rock nunca foi tão prolífica como nesta década, e o surgimento de um movimento psicodélico, repleto de improvisações e muito felling, trouxe grupos como Cream (de Eric Clapton) e o Pink Floyd (na época liderado pelo psicótico Syd Barret). Mas o principal expoente das experimentações da psicodelia e dos excessos do rock foi o maior gênio da guitarra, Jimi Hendrix. A forma quase sobrenatural de se relacionar com o instrumento criou uma imagem mística em volta de Hendrix. Sua música era urgente, forte e cheia de uma sexualidade que caracteriza o rock and roll até hoje como o estilo “que seus pais não aprovariam”.

Com o mundo já exposto, e o rock and roll cada vez mais autoral, as composições ficararam mais complexas e as metáforas dariam lugar às histórias regadas de drogas, fracassos e pensamentos sobre a socidade. Jim Morrison e seu The Doors, poético e pretensioso, e Lou Reed e John Cale, com o Velvet Underground, eram os expoentes dessa ode à verdade. Enquanto o The Doors flertava com o blues e o jazz, o Velvet Underground era sujo a maior parte do tempo – apesar de Cale ser um músico melódico e técnico. Mas o rock and roll não se comunicava apenas com petardos, diretos e crus, prova disso são Frank Zappa e The Kinks. O primeiro, um virtuoso multiinstrumentista que experimentava a todo momento sem pretensões de mudar o mundo. O segundo, uma banda liderada por Ray Davies, se comunicava musicalmente de forma elegante e sutil. As letras do The Kinks eram simples e bem humoradas, mas eram ácidas, irônicas e não perdoavam ninguém.

O rock da década de 60 também poderia ser simplesmente belo e bem feito, sem se encaixar em movimentos, inovações ou revoluções. A prova disso eram a The Band, formada por membros da banda de apoio de Bob Dylan e o The Zombies, que passou décadas em branco, sem ser reconhecido.

A The Band conseguiu controlar todas as referências da década, se esquivar da psicodelia, escapar do virtuosimo – os seus membros eram todos músicos técnicamente perfeitos – e fazer uma música concisa e bem delineada, sendo uma das saídas a toda abstração que o ácido e as experimentações trouxeram para a música. O mesmo efeito de precisão e honestidade dá o tom de Odessey e Oracle, do The Zombies. Uma obra prima com influências claras do jazz e com uma sinceridade e uma doçura sem fins, evocando o prazer de fazer música por paixão, com o que cada um sente e deseja, influenciados pelo otimismo, pelas experimentações, pela liberdade e pela realidade, conhecida mais tarde de forma abrupta, que são a sintese do que os anos 60 representaram para o rock and roll e o que o rock and roll representou para os anos 60.

Fonte: www.rocknbeats.com.br

Dia Mundial do Rock

13 de Julho

Mas porque 13 de julho? Foi no dia 13 de julho de 1985 que um cara chamado Bob Geldof, vocalista da banda Boomtown Rats, organizou aquele que foi sem dúvida o maior show de rock da Terra, o Live Aid - uma perfeita combinação de artistas lendários da história da pop music e do rock mundial.

Dia Mundial do Rock
Tina Turner & Mck Jagger

Além de contar com nomes de peso da música internacional, o Live Aid tinha um teor mais elevado, que era a tentativa nobre de conseguir fundos para que a miséria e a fome na África pudessem ser pelo menos minimizadas. Dois shows foram realizados, sendo um no lendário Wembley Stadium de Londres (Inglaterra) e outro no não menos lendário JFK Stadium na Filadélfia (EUA).

Os shows traziam um elenco de megastars, como Paul McCartney, The Who, Elton John, Boomtown Rats, Adam Ant, Ultravox, Elvis Costello, Black Sabbath, Run DMC, Sting, Brian Adams, U2, Dire Straits, David Bowie, The Pretenders, The Who, Santana, Madona, Eric Clapton, Led Zeppelin, Duran Duran, Bob Dylan, Lionel Ritchie, Rolling Stones, Queen, The Cars, The Four Tops, Beach Boys, entre outros, alcançando uma audiência pela TV de cerca de 2 bilhões de telespectadores em todo o planeta, em cerca de 140 países. Ao contrário do festival Woodstock (tanto o 1 como o 2), o Live Aid conseguiu tocar não somente os bolsos e as mentes das pessoas, mas também os corações.

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Pete Towshend (The Who)

No show da Filadélfia, Joan Baez abriu o evento executando "Amazing Grace", com cerca de 101 mil pessoas cantando em coro o trecho "eu estava perdido e agora me encontrei, eu estava cego e agora consigo ver". Este show marcou também a única reunião dos três sobreviventes da banda Led Zeppelin, Robert Plant, Jimmy Page e John Paul Jones, com a presença ilustre de Phil Collins na bateria.

No final deste show, Mick Jagger e Tina Turner juntos, cantando "State of Shock" e "It's Only Rock and Roll", com Daryl Hall, John Oates e os ex-integrantes dos Temptations, David Ruffin e Eddie Kendrichs fazendo os backing vocals. Foi realmente um momento único na história do ROCK!

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Paul McCartney & Elton John

O Live Aid conseguiu em 16 horas de show acumular cerca de 100 milhões de dólares, totalmente destinados ao povo faminto e miserável da África. Isso é a cara do ROCK AND ROLL!

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Robert Plant & Jimmi Page (Led Zeppelin)

Fonte: www.portaldorock.com.br

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13 de Julho

HISTÓRIA DO ROCK

Este gênero musical de grande sucesso surgiu nos Estados Unidos nos anos 50 (década de 1950).. Inovador e diferente de tudo que já tinha ocorrido na música, o rock unia um ritmo rápido com pitadas de música negra do sul dos EUA e o country. Uma das características mais importantes do rock era o acompanhamento de guitarra elétrica, bateria e baixo.

Com letras simples e um ritmo dançante, caiu rapidamente no gosto popular. Apareceu pela primeira vez num programa de rádio no estado de Ohio (EUA), no ano de 1951. A rock na década de 1950 : primeiros passos É a fase inicial deste estilo, ganhando a simpatia dos jovens que se identificavam com o estilo rebelde dos cantores e bandas.

Surge nos EUA e espalha-se pelo mundo em pouco tempo. No ano de 1954, Bill Haley lança o grande sucesso Shake, Rattle and Roll. No ano seguinte, surge no cenário musical o rei do rock Elvis Presley. Unindo diversos ritmos como a country music e o rhythm & blues. O roqueiro de maior sucesso até então, Elvis Presley lançaria o disco, em 1956, Heartbreaker Hotel, atingindo vendas extraordinárias. Nesta década, outros roqueiros fizeram sucesso como, por exemplo, Chuck Berry e Little Richard.

O rock nos anos 60: rebeldia e transgressão Esta fase marca a entrada no mundo do rock da banda de maior sucesso de todos os tempo : The Beatles. Os quatro jovens de Liverpool estouram nas paradas da Europa e Estados Unidos, em 1962, com a música Love me do. Os Beatles ganham o mundo e o sucesso aumentava a cada ano desta década. A década de 1960 ficou conhecida como Anos Rebeldes, graças aos grandes movimentos pacifistas e manifestações contra a Guerra do Vietnã. O rock ganha um caráter político de contestação nas letras de Bob Dylan.

Outro grupo inglês começa a fazer grande sucesso : The Rolling Stones. No final da década, em 1969, o Festival de Woodstock torna-se o símbolo deste período. Sob o lema "paz e amor", meio milhão de jovens comparecem no concerto que contou com a presença de Jimi Hendrix e Janis Joplin. Bandas de rock que fizeram sucesso nesta época : The Mamas & The Papas, Animals, The Who, Jefferson Airplane, Pink Floyd, The Beatles, Rolling Stones, The Doors. O rock nos anos 70 : disco music, pop rock e punk rock Nesta época o rock ganha uma cara mais popular com a massificação da música e o surgimento do videoclipe. Surge também uma batida mais forte e pesada no cenário do rock.

É a vez do heavy metal de bandas como Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple. Por outro lado, surge uma batida dançante que toma conta das pistas de dança do mundo todo. A dance music desponta com os sucessos de Frank Zappa, Creedence Clearwater, Capitain Beefheart, Neil Young, Elton John, Brian Ferry e David Bowie. Bandas de rock com shows grandiosos aparecem nesta época : Pink Floyd Genesis, Queen e Yes. Anos 80 : um pouco de tudo no rock A década de 1980 foi marcada pela convivência de vários estilos de rock.

O new wave faz sucesso no ritmo dançante das seguintes bandas: Talking Heads, The Clash, The Smith, The Police. Surge em Nova York uma emissora de TV dedicada à música e que impulsiona ainda mais o rock. Esta emissora é a MTV, dedicada a mostrar videoclipes de bandas e cantores. Começa a fazer sucesso a banda de rock irlandesa chamada U2 com letras de protesto e com forte caráter político. Seguindo um estilo pop e dançante, aparecem Michael Jackson e Madonna.

Anos 90 : década de fusões e experimentações Esta década foi marcada por fusões de ritmos diferentes e do sucesso, em nível mundial, do rap e do reggae. Bandas como Red Hot Chili Peppers e Faith no More fundem o heavy metal e o funk, ganhando o gosto dos roqueiros e fazendo grande sucesso.

Surge o movimento grunge em Seattle, na California. O grupo Nirvana, liderado por Kurt Cobain, é o maior representante deste novo estilo. R.E.M., Soundgarden, Pearl Jam e Alice In Chains também fazem sucesso no cenário grunge deste período. O rock britânico ganha novas bandas como, por exemplo, Oasis, Green Day e Supergrass. O Rock no Brasil O primeiro sucesso no cenário do rock brasileiro apareceu na voz de uma cantora.

Celly Campello estourou nas rádios com os sucessos Banho de Lua e Estúpido Cupido, no começo da década de 1960. Em meados desta década, surge a Jovem Guarda com cantores como, por exemplo, Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa. Com letras românticas e ritmo acelerado, começa fazer sucesso entre os jovens. Na década de 1970, surge Raul Seixas e o grupo Secos e Molhados.

Na década seguinte, com temas mais urbanos e falando da vida cotidiana, surgem bandas como: Ultraje a Rigor, Legião Urbana, Titãs, Barão Vermelho, Kid Abelha, Engenheiros do Hawaii, Blitz e Os Paralamas do Sucesso. Na década de 1990, fazem sucesso no cenário do rock nacional : Raimundos, Charlie Brown Jr., Jota Quest, Pato Fu, Skank entre outros. Você sabia? - Comemora-se em 13 de julho o Dia Mundial do Rock.

O fim dos Beatles foi emblemático do fim de mais uma era no rock. Haviam sido talvez a banda que mais ajudara na transição entre o rock básico de letras simples dos primeiros tempos ao rock mais complexo e sério musicalmente e liricamente. Não mais apenas diversão e produto de consumo o rock era definitivamente encarado como expressão artística e social. O publico de rock se dividia em duas frentes, a dos adolescentes mais interessados nos hits singles de bandas teoricamente "descartáveis" e a dos já amadurecidos rockers dos primeiros tempos, em busca de experimentação, letras elaboradas, álbuns completos. O rock progressivo começava a se apresentar ao grande público e Greg Lake, após abandonar a banda King Crimson, formava a clássica banda Emerson, Lake & Palmer (acompanhado de Keith Emerson e Carl Palmer), cativando um público cada vez mais sério.

O álbum Deja Vu de Crosby, Stills, Nash & Young, é o mais vendido do ano nos estados unidos. Com a aquisição do baterista Phill Collins a banda Genesis iniciava sua careira de sucesso.

Embora o rock progressivo continuasse em expansão, bandas de musicalidade mais simples e muito baseadas no apelo fácil da rebeldia voltavam a surgir para suprir a nova geração, principalmente nos Estados Unidos, como Slade, Sweet, Gary Glitter, T Rex, ou conseguiam um sucesso tardio, como David Bowie, Bay City Rollers e Elton John. A imagem (maquiagem, cabelos, roupas exageradas e coloridas) de músicos como Marc Bolan, do T Rex, iniciavam a definição do estilo Glam Rock (que aproveitavam a imagem exdrúxula e em muitos casos andrógina como fator de marketing).

Na Inglaterra, em 1970, sem requintes musicais, o Black Sabbath gravava seu primeiro disco (conta a lenda que em apenas dois dias), auto entitulado, expandindo as fronteiras do "peso" no hard rock e criando o que possivelmente poderia ser o primeiro disco definitivamente heavy metal conhecido do grande público. O limite dos escândalos envolvendo sexo, drogas e "satanismo" também é empurrado para diante. Munido de maquiagem e teatralidade inéditos até então Alice Cooper seria a resposta americana ao inédito peso e atitude do Black Sabbath. Surge para o público em 1971 com o hit Eighteen e o álbum Love It To Death.

A cristalização do uso da imagem, do teatro e da "atitude" como fator de marketing tão ou mais importante do que a própria música seria a banda americana Kiss (que lançou seu álbum de estréia, auto-entitulado, em 1974) cujos músicos tocavam maquiados, assumiam personalidades de demônio, animal, homem espacial e deus, voavam, cuspiam fogo, vomitavam sangue e vendiam discos, maquiagem e bonecos como nenhuma banda de simples músicos poderia vender.

Em 1975, paralelamente ao rock elaborado das bandas progressivas ou de hard rock (o Queen lançava seu excelente primeiro disco auto-entitulado) e ao rock comercial glam, surgia nos pequenos bares e casas de show dos Estados Unidos um movimento musical underground marcado por descompromisso e cheio da autenticidade e da real rebeldia que faltava a estes primeiros. Em pequenos locais (como o emblemático CBGB em New York) bandas como Blondie e Ramones.

O estilo era marcado pelo "do-it-yourself", a possibilidade de qualquer um (mesmo que não sabendo tocar) montar uma banda. Foi responsabilidade de Malcon McLaren, até então dono de uma loja de roupas de couro (de certa forma uma sex shop) em Londres, o aproveitamento do novo estilo como algo comercial. Não tendo sido bem sucedido em empresariar a banda americana New York Dolls (que já estavam em franca decadência), McLaren voltou a Londres com a finalidade de montar ele próprio uma banda usando o padrão que havia conhecido nos Estados Unidos.

Entre clientes de sua loja recrutou quem tivesse os parcos conhecimentos musicais necessários para formar a banda Sex Pistols. Acrescentaram à música simples e alucinada dos punks americanos letras anarquistas e mais agressivas. Seu primeiro hit foi Anarchy In The Uk, em 1975. O punk criado nos estados unidos e popularizado na Inglaterra (onde logo viria a se tornar um movimento social do proletariado e não mais apenas um estilo musical) foi uma resposta necessária ao rock que estava se levando a sério demais, aos álbuns duplos conceituais, aos solos de dez minutos e às bandas que perdiam de vista o caráter de diversão do rock.

O punk embora considerado por muitos anti-música foi na pior das hipóteses um mal necessário para mostrar e conter alguns exageros do progressivismo. Em 1977 o primeiro disco dos Sex Pistols, Nevermind The Bollocks entraria direto no primeiro lugar da parada britânica. Aos Sex Pistols se seguiriam dezenas de bandas inglesas e americanas como Clash, Damned, Siouxie and The Banshees, além de serem resgatadas e tiradas do anonimato bandas como Ramones e Blondie. O estilo também influiria embora indiretamente na sonoridade de novas bandas que surgiam, como Motörhead e AC/DC.

O punk também absorveria elementos de outros estilos (como o reggae, por exemplo, de temática e musicalidade semelhantes em sua simplicidade). Bandas como The Police, Simple Minds e Pretenders (e um pouco mais tarde U2) adotariam um estilo que viria a ser conhecido como new wave, mais facilmente aceitável que o punk (cuja fórmula inicial já não surtia tanto efeito comercialmente). Mas o punk e a new wave não eram a única alternativa à onda "disco" que assolava a música.

Começava a se formar na Inglaterra com bandas como Judas Priest, Samsom e principalmente Iron Maiden o que viria a ser conhecido como New Wave Of British Heavy Metal, a resposta do som pesado e elaborado à sonoridade simples do punk. O hard rock também dava sinais de renovação com o primeiro álbum auto-entitulado da banda Van Halen em 1978.

Apesar do fim dos Sex Pistols em 1978 (com a fórmula tão esgotada quanto os próprios músicos após uma imensa tour pelos Estados Unidos) e da morte do anti-heroi, símbolo do punk, Sid Vicious (de overdose, após conseguir liberdade condicional da prisão onde estava por ter supostamente assassinado a namorada) em 1979, o rock nunca mais seria o mesmo após a onda punk.

Fonte: galeriadorock.webcindario.com

Dia Mundial do Rock

13 de Julho

Os verdadeiros pais do rock

Caso o rock não seja realmente o filho pródigo do Diabo, ele tem inúmeros pais e diferentes datas de nascimento. A única certeza é sobre o seu local de concepção, gestação e parto: o sul dos Estados Unidos da América.

Uma das versões para o nascimento do rock diz que ele surgiu oficialmente com “(We’re Gonna) Rock Around the Clock”, gravada por Bill Halley & His Comets, em 1954, e escrita por compositores veteranos do Tin Pan Alley, distrito de Nova Iorque que reunia os escritórios dos compositores e editores de música e entretenimento. A canção, que somente se tornaria um sucesso no ano seguinte, ao se transformar na canção-tema do filme “Sementes da Violência” (Blackboard Jungle, dirigido por Richard Brooks, 1955), era um autêntico rock'n'roll feito para brancos.

Mas três anos antes da gravação de “(We’re Gonna) Rock Around the Clock”, o Dominoes, o mais famoso grupo negro dos Estados Unidos na época, lançou “Sixty Minute Man”. Segundo o escritor e historiador Nick Tosches, este foi o primeiro disco realmente de rock'n'roll a entrar nas paradas de sucesso. Na verdade, desde os anos 40 a música popular negra norte-americana já se aproximava do rock'n'roll. Outro disco de autêntico rock lançado por um grupo negro em 1951, portanto três anos antes do rock branco de Bill Halley, foi “Rocket 88”, pela banda de Ike Turner. Mas tanto para o Dominoes quanto para Ike Turner, e tantos outros negros que já faziam rock’n’roll nos Estados Unidos, a cor da pele era um obstáculo para serem reconhecidos e conquistarem o mercado dominado por uma cultura branca e preconceituosa.

No entanto, tudo começaria a mudar em 5 de julho de 1954. Para muitos, esta é a verdadeira data do nascimento do rock. Nesse dia, Elvis Presley fez a sua primeira gravação profissional. Nos estúdios da Sun Records, em Memphis (EUA), o produtor Sam Phillips ouviu na voz do jovem cantor branco de 19 anos algo finalmente diferente. Duas semanas depois sairia o primeiro disco do futuro rei do rock com as canções “That’s All Right” e “Blue Moon of Kentucky”. Elvis conseguia aproximar as culturas negras e brancas, com sua voz, seu rebolado, seu estilo e suas influências do blues, do country e do Gospel.

Assim, o rock nasceu verdadeiramente em algum momento entre 1951 e 1954. Mas até chegar lá, houve um longo processo de gestação que começou na virada do século 19 para o 20, com os primeiros acordes do jazz de Nova Orleans e do blues do Delta do Mississipi. Nick Tosches mostra que o termo rock’n’roll começou a ser empregado na década de 20 em alguns blues com uma conotação claramente sexual, como na gravação do Southern Quartet para “My Man Rocks Me (With One Steady Roll)” – algo como “Meu Homem me Balança (Com um Ritmo Forte). Nas décadas seguintes o uso do termo como metáfora sexual ou como um ritmo sensual se espalhou e tornou-se popular entre os negros norte-americanos e comum nas canções de blues, jazz e jump-blues. Paralelamente, a música country começou também a caminhar em direção ao rock’n’roll. No começo dos anos 50, todos esses gêneros por diferentes caminhos já haviam se entrelaçado e constituído um novo e poderoso estilo na música popular.

O nome rock’n’roll, apesar de já conhecido entre os negros, somente se tornaria popular a partir do programa noturno de rádio “Moondog Rock and Roll Party”, do radialista Alan Freed, transmitido a partir de 1952, primeiro de Cleveland e depois de Nova Iorque.

Quando Freed transmitiu seu primeiro programa, os Estados Unidos, e depois os países sob a influência deste, eram terreno fértil para o novo ritmo. Além de dançante e sensual, o rock era rebelde o suficiente para agradar a uma nova classe de consumidores que emergia com a expansão econômica americana: os adolescentes. Os ganhos tecnológicos e econômicos logo após o fim da Segunda Guerra Mundial provocaram uma euforia consumista, que contagiou os adolescentes e os colocou na condição de consumidores de entretenimento, moda e artes.

Um pouco mais à frente, eles seriam também produtores nessas áreas. A adolescência constituiu-se então como um fenômeno cultural, identificada com a contestação dos valores dominantes, com o questionamento das autoridades dos pais e das instituições (família, escola, religião etc) e com a busca da liberdade em todos os campos, no amor, no sexo, na linguagem, no trabalho. O rock era perfeito como trilha sonora para a adolescência. Ele era profano, sensual, rebelde e provocativo o bastante para expressar todas as aspirações da juventude.

Anos 50, quando o rei salvou o rock

Os anos 50 marcaram o que hoje parece ser a fase mais ingênua do rock. Mas para a época não era tão ingênuo assim. Os primeiros sucessos do rock’n’roll, que começaram a tocar nas rádios e aparecer entre os discos mais vendidos, encontraram uma sociedade moralista e racista, além de preconceituosa em relação à cultura popular. Uma canção com fortes influências da música negra, carregada de sensualidade, com letras rebeldes e eletrificada era mais do que suficiente para ser considerada música do demônio, por religiosos, moralmente devassa, por pais, professores e boa parte da imprensa, e subversiva, pelas autoridades em geral. Quem gostou pra valer do rock’n’roll foram os adolescentes com poder de compra e uma indústria fonográfica ávida por novidades e lucros.

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O jovem Elvis Presley virou o Rei do Rock ainda nos anos 50

A primeira fase após o “nascimento” do rock, nos anos 50, foi dominada pelo rock’n’roll e pelo chamado rockabilly, uma espécie de rock da roça. A fusão do jump blues (uma mistura do blues com jazz), do country (música caipira) e do boogie-woogie (estilo percussivo e rítmico dos pianistas negros entre os anos 20 e 40) deu formato ao rock’n’roll e ao rockabilly, este último com uma influência maior da música country com seus banjos e bandolins. Os primeiros astros da primeira fase do rock foram Chuck Berry, Bill Halley & His Comets, Little Richard, Jerry Lee Lewis, Carl Perkins, Eddie Cochran, Buddy Holly e, claro, Elvis Presley. Junto com eles, artistas negros de blues e jazz que se aproximaram do rock’n’roll ganharam destaque, como B.B. King, Ray Charles, Muddy Waters, Fats Domino e Bo Diddley.

Musicalmente o rock vive sua primeira ascensão e queda na própria década de 50. O embranquecimento do rock entre o lançamento dos primeiros discos verdadeiramente de rock’n’roll, pelos Dominoes e por Ike Turner, em 1951, até o sucesso de Bill Halley, em 1955, traz uma perda de alguns elementos essenciais ao gênero, como a sensualidade. Isso mudaria no começo de 1956 com o sucesso de Elvis Presley. Elvis já vinha ganhando destaque desde 54 quando lançou seu primeiro compacto, com “That’s All Right” que foi parar no primeiro lugar da parada country. Mas foi a partir do lançamento de “Heartbreak Hotel”, um rockabilly mais pesado e cheio de sensualidade, no começo de 1956 que Elvis chegou ao topo das paradas pop e country. O rock acabava de se reinventar, mais sensual, barulhento, insano e mágico. Em pouco tempo, Elvis passaria da condição de príncipe a Rei do Rock, com uma série fenomenal de sucessos, shows ensandecidos, programas de televisão e filmes campeões de bilheteria.

Enquanto Elvis reinava, duas tendências comportamentais dominaram a juventude roqueira: os teddy boys e os rockers ou greasers. Ambas eram formadas por jovens proletários amantes do rock’n’roll, que se encontravam em torno das vitrolas automáticas em lanchonetes e pubs. No caso dos teddy boys a moda era se apropriar do vestuário da classe alta, com paletós engomados e compridos. Já os rockers ou greasers usavam jaquetas de couro, calças jeans e botas, passavam brilhantina e adoravam motocicletas. A associação que os jovens faziam entre rock e liberdade era cada vez mais forte e se tornaria total na década que estava por vir.

Anos 60, a reinvenção do rock pelos súditos da rainha

No início dos anos 60, o rock vivia sua segunda decadência. Elvis, ao voltar do serviço militar, já não era mais tão perigoso como antes. Sinal disso foi sua aparição no programa televisivo de Frank Sinatra, o mesmo Sinatra que havia afirmado em 1958 que o rock era a mais brutal, feia, degenerada e viciada forma de expressão que ele já tinha tido o desprazer de ouvir. Mesmo a trajetória de rebeldes desgarrados como Jerry Lee Lewis, Little Richard e Chuck Berry, que faziam em suas vidas muito do que de mais insano cantavam, não era suficiente para manter o rock’n’roll e o rockabilly pulsando.

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Abbey Road, dos Beatles, foi lançado em 1969

Até então o rock tinha seus principais nomes vindo dos Estados Unidos. Nos anos 60 houve uma significativa mudança. A juventude do Reino Unido, principalmente da Inglaterra, começou a ser fortemente influenciada pelas raízes do rock que ouviam. O blues do Delta do Mississipi e de Chicago passou a ser referência para os adolescentes britânicos que queriam fazer rock. Além disso, a forma e o conteúdo do rock’n’roll estavam esgotados e a juventude ansiava por uma forma mais criativa e inovadora para se expressar musicalmente. Foi nesse contexto que o rock renasceu. E os responsáveis por isso foram principalmente os ingleses dos Beatles e dos Rolling Stones.

Em 1963, com o lançamento do primeiro disco dos Beatles, com canções como “I Want to Hold Your Hand” e “She Loves You” que terminaram aquele ano como as primeiras das paradas no Reino Unido, o rock estava novamente em ascensão. Mas enquanto os Beatles, em sua primeira fase, faziam uma sonoridade inventiva, mas com letras mais ingênuas e um visual bem comportado, os Rolling Stones, mesmo sem uma produção criativa muito original no começo, ganhavam destaque em função de sua postura e atitudes rebeldes contra o estabilishment.

Do outro lado do Atlântico, no berço do rock, uma nova reinvenção do gênero acontecia quase que simultaneamente. Um rock mais engajado, crítico e com forte influência do folk (música popular tradicional e folclórica) e do country começou a ganhar forma e iria ter em Bob Dylan sua maior expressão. Dylan foi um divisor de águas na história do rock e com sua capacidade artística e intelectual levou o gênero a um novo patamar. Com ele, o rock deixou a adolescência e ingressou na sua fase adulta. Mas, apesar de Bob Dylan, os Estados Unidos assistiriam a partir de 1964 à invasão britânica, com os sucessos que Beatles e Rolling Stones fariam por lá, com os primeiros lugares nas paradas de sucesso, shows com fãs ensandecidas e aparições polêmicas nos programas de televisão.

Na década de 60, o rock se reinventou diversas vezes, na beatlemania, no rock rhythm’n’blues britânico dos Rolling Stones, The Yardbirds e Cream, no rock engajado de Bob Dylan e no psicodélico de Grateful Dead e Jimi Hendrix. Para cada uma dessas fases, a juventude roqueira adotou um comportamento e uma moda própria. Logo no começo da década, junto com a onda rhythm’n’blues que atinge o rock britânico, surgiram em Londres os mods, mais um movimento constituído basicamente por jovens da classe operária. Influenciados pelo estilo dos jovens negros norte-americanos das grandes cidades, usavam ternos, dirigiam motonetas e se opunham aos rockers (o estilo de vida mod foi retratado no filme “Quadrophenia”, de 1979, dirigido por Franc Roddam).

A segunda metade dos anos 60 é caracterizada pelo avanço da contracultura e advento dos hippies. O movimento hippie, que foi influenciado e influenciou o rock psicodélico (estilo em que predominam os sons altos da guitarra e do cantor e com temas e letras ligadas ao uso de drogas), caracterizou-se por um estilo de vida comunal que rejeitava os valores dominantes e pregava o amor livre, o uso de drogas e a liberdade total. O movimento teve forte conotação política e simpatia da Nova Esquerda, principalmente nos Estados Unidos. A segunda fase da carreira dos Beatles a partir de 1967 os aproxima da onda psicodélica e também do movimento hippie. É bom destacar que os hippies surgiram numa época em que as condições econômicas e os mecanismos de amparo social do Estado possibilitavam a existência de adolescentes e jovens adultos voluntariamente desempregados.

Há no decorrer dos anos 60 um engajamento do rock em questões sociais, políticas e comportamentais importantes, como exemplifica a canção “Street Fight Man”, dos Rolling Stones, inspirada nos movimentos políticos da juventude da França aos Estados Unidos. Como não poderia deixar de ser o gênero estava na cabeça e na voz dos jovens que protestaram contra a Guerra do Vietnã, na luta pelos direitos civis e em outras campanhas libertárias naqueles efervescentes anos.

No final dos anos 60, o rock havia ganhado não só as ruas como também os estádios, os parques e as fazendas. A era dos festivais e shows ao ar livre teve seu ápice nos três dias de concertos e celebração hippie de Woodstok em agosto de 69. Mas em dezembro daquele ano, o concerto dos Rolling Stones em Altamont (Califórnia) marcou o fim da era hippie da “paz e amor”. Uma das facções da juventude roqueira dos anos 60, os motoqueiros dos “Hell’s Angels”, que faziam a segurança privada do concerto em Altamont, não pensaram muito para matar um jovem negro de 18 anos que sacou um revólver e apontou para o palco durante a apresentação dos Stones. Os anos 60 tinham definitivamente acabado.

No campo musical, durante a década, ampliou-se de tal forma a diversidade de influências no rock e deste em outros gêneros que o resultado é a formação de um megagênero chamado de música pop. A canção pop iria se consolidar ao longo das décadas seguintes como uma versão adocicada, mais suave do rock, na sonoridade, nas letras e na atitude dos seus artistas e fãs. Mas, enquanto funcionava como a principal fonte da canção pop, o rock caminhava para sua extinção. No final dos anos 60, emerge um rock sofisticado, com tendências “eruditas”. Além disso, os principais grupos de rock tornaram-se megalomaníacos e o gênero distanciou-se de seu espírito inicial. A década seguinte veria a morte e a ressurreição do rock de forma radical.

Anos 70, extravagância, morte e ressurreição do rock

Os anos 70 começaram na verdade ainda no final dos anos 60 com o fim dos Beatles e o rock começando a seguir diferentes caminhos. Mas, de todas as trilhas percorridas pelo rock ao longo dos anos 70, apenas uma o salvaria.

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Capa do álbum Aladdin Sane (1973), de David Bowie

A década começou com o predomínio de dois estilos que transformaram os músicos em semi-deuses, os grupos em super bandas e os shows em grandiosos espetáculos. De um lado, o rock progressivo de Yes, Pink Floyd e Emerson, Lake & Palmer, do outro, o heavy metal de Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple. Tanto um quanto outro introduziram longas canções, com longos solos de cada instrumento, letras herméticas e harmonias e melodias mais sofisticadas com influências da música erudita. Apesar das obras primas que geraram, da virtuose musical que apresentaram e dos discos e shows inesquecíveis que realizaram, o rock progressivo e o heavy metal fizeram quase tudo ao contrário do que o rock original propôs. Numa era de crise econômica mundial, causada em boa parte pelo aumento vertiginoso do preço do petróleo, o rock tornou-se algo grandioso demais. Para muitos dos adolescentes, cujas famílias sofreram com o desemprego e o empobrecimento que atingiram principalmente as periferias dos grandes centros urbanos, tornou-se inacessível ir a um dos shows ou comprar os discos duplos que viraram moda.

O rock progressivo havia surgido na segunda metade da década de 60 intimamente ligado à contracultura, principalmente no Reino Unido. Sem utilizar o ritmo, a batida padrão do rock, o progressivo investe em melodias e harmonias grandiosas, com uma certa atmosfera eletrônica, misteriosa e futurista e com letras fantásticas, obscuras e às vezes amedrontadoras. Um tipo de rock para se ouvir sentado, já que ele não era nada dançante. Ao longo dos anos 70, além de uma musicalidade quase sinfônica, os efeitos visuais de luz e projeções tomaram conta dos shows das principais bandas de rock progressivo.

Além do progressivo, outro estilo que emerge do final dos anos 60 é o heavy metal. Com um andamento mais acelerado que o rock convencional, com predomínio dos sons das guitarras, o heavy metal foi ironicamente uma reação aos excessos do rock progressivo. Baseado na formação tradicional voz, guitarra, baixo e bateria, o estilo propunha um retorno ao básico do rock. Fortemente influenciados pelo blues tradicional norte-americano, os principais grupos de heavy metal, como o Led Zeppelin e o Black Sabbath, traziam músicos extremamente virtuosos. Nas letras das canções há o predomínio de uma influência mística, dos rituais celtas às simbologias bíblicas ou egípcias, e também um forte apelo ao narcisismo e ao sexismo. Com a ascensão comercial do heavy metal e do progressivo, os principais nomes desses estilos compraram aviões, fizeram mega concertos lotando estádios, levaram ao extremo a tríade sexo, drogas e rock’n’roll e consideraram-se monstros sagrados do rock.

Enquanto isso acontecia na primeira metade dos anos 70, o rock percorria também outros caminhos. Os Rolling Stones mantinham sua bem sucedida mistura de rock e rhythm’n’blues, lançavam álbuns históricos recheados de canções que se tornaram clássicos e ocupavam o espaço com sua postura contra os valores dominantes. Por outros caminhos, fazia sucesso também uma legião de bandas britânicas, como The Who e The Kinks, o pop-rock de Elton John, o rock country dos Eagles e o rock autêntico e engajado de Bruce Springsteen.

Além do progressivo e do heavy metal, outra vertente marcante do rock setentista foi o chamado glam rock ou glitter rock, algo como “rock glamouroso”. Nascido como um contraponto aos hippies e ao rock progressivo, o glam rock tinha um forte apelo visual e andrógino e usava recursos teatrais em suas apresentações. David Bowie foi uma das maiores expressões do estilo, ao lado de grupos como T-Rex e Roxy Music.

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Iggy Pop na capa do disco Raw Power (1973), dos Stooges

Após os grupos britânicos dominarem os cenários do rock desde os anos 60, a virada para os anos 70 marcou também o surgimento, a partir de Nova Iorque e de Detroit (EUA), de uma cena que seria o embrião de um movimento que mudaria definitivamente a cara do rock no final daquela década. Em Nova Iorque, o movimento girava em torno de Andy Warhol, o multiartista pai da Pop Art, com o Velvet Underground, de Lou Reed. Em Detroit, os expoentes são Iggy Pop e os Stooges e o MC5. Esses grupos desenvolveram um rock alternativo, de vanguarda, que trazia influências diversas como o blues de Chicago, o rock psicodélico e o glam rock, com letras que tinham como temas as drogas, sadomasoquismo, prostitutas, bissexualidade e questões políticas ligadas ao pensamento de esquerda, entre outros. Enquanto o rock progressivo e o heavy metal caminhavam para shows grandiosos, com temáticas futuristas e místicas e uma sofisticação nunca antes vista no rock, a cena alternativa norte-americana se voltava ao submundo dos marginais e das classes menos favorecidas. Dali viria a semente do punk, movimento que causou uma ruptura na história do rock.

Enquanto o rock caminhava para um esgotamento e uma ruptura estética e comportamental, os anos 70 viram crescer comercial e esteticamente a música pop, derivada das diferentes variações da música negra norte-americana. Um dos resultados disso foi a explosão da música de discoteca, a disco music, e do funk, canções com suingue e feitas primordialmente para dançar. Àquela altura temas que associavam-se ao rock, como drogas, sexo e bissexualidade, já faziam parte de outros gêneros da canção pop. Nessa mesma época começaram a surgir os primeiros experimentos do pop-rock com música eletrônica. Os alemães do Kraftwerk lançaram em 1975 o álbum “Autobahn”, que se tornaria um marco com seu estilo hi-tech, totalmente futurista baseado em sintetizadores e bateria eletrônica.

Mas, antes do Kraftwerk aportar nos Estados Unidos e mostrar sua revolução eletrônica, uma outra mais visceral estava em curso. Os primeiros sinais já haviam sido dados pelo MC5, por Iggy Pop e os Stooges e pelo New York Dolls no começo da década. Os adolescentes que não se identificavam mais com o rock consagrado dos grandes grupos queriam uma alternativa musical que os expressasse. O rock deveria ser essa alternativa, mas um rock que voltasse às suas origens, musicalmente simples, com letras rebeldes e que fosse uma arte acessível em todos os sentidos. E isso aconteceu.

A cena alternativa e independente de Nova Iorque girava desde 1973 em torno do clube de música CBGB (Country, Blue Grass, and Blues). Lá foi o local onde os Ramones fizeram sua primeira apresentação em 1974. Naquele mesmo ano, Patti Smith e Televisions, outros expoentes do que seria o movimento punk norte-americano, tocaram por lá também. Mas os Ramones eram a essência do punk. Garotos nova-iorquinos que não sabiam tocar bem os seus instrumentos, a ponto de não conseguirem tocar música dos outros, resolveram compor suas próprias e tocar um rock bem precário, acelerado e agressivo. Estava estabelecido o “faça você mesmo” (do it yourself), um dos pilares da filosofia punk. Três acordes e uma atitude de sinceridade que preconizava a volta às origens do rock'n'roll tornaram o punk um momento de ruptura na trajetória do rock.

O punk norte-americano, mesmo tendo os Ramones como um dos expoentes, caracterizou-se por ser um movimento de classe média influenciado pelas escolas de arte e por artistas boêmios. Os grupos que se destacariam na cena punk nova-iorquina nos anos 70 provam isso, como The Patti Smith Group, Blondie e Talking Heads.

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Os Ramones no disco homônimo lançado em 1976

Mas se os Ramones deram o primeiro passo para a ruptura punk, foi na Inglaterra que ela decisivamente aconteceu. O “faça você mesmo” punk encontrou uma Inglaterra em forte crise econômica nos anos 70, com elevados índices de desemprego que atingiam em cheio a juventude da classe operária. Para completar a perspectiva niilista desses jovens havia a permanente ameaça de um holocausto nuclear por conta da Guerra Fria travada entre os Estados Unidos e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Surgiu daí o segundo pilar da filosofia punk, o “sem futuro” (no future). E é realmente a partir da Inglaterra que o movimento punk torna-se internacionalmente conhecido e alcança as periferias de alguns dos principais centros urbanos do planeta.

Ironicamente a mais conhecida banda do movimento punk começa como um produto de marketing. Os Sex Pistols são uma criação do empresário Malcolm McLaren e de sua esposa, a estilista Vivienne Westwood. Percebendo a importância da atitude no universo do rock, mais até do que a qualidade da música, McLaren junta dois costumeiros freqüentadores de sua loja de roupas em Londres (a Sex), um dos seus funcionários e um vocalista que nunca havia cantado para formar os Sex Pistols. Eles não duraram muito (cerca de três anos e um disco), mas foi o suficiente para contagiar o resto dos jovens que queriam mudar a cara do rock. Além dos fundamentos da música punk – barulhenta, rápida e agressiva –, os Sex Pistols popularizaram um estilo de vestir e de se comportar. Os cortes de cabelo rentes, tingidos em cores brilhantes e com moicanos eram acompanhados de roupas velhas, rasgadas, cobertas com tachinhas. A partir dos Sex Pistols, vieram The Clash, Generation X, Dead Kennedies.

Vocais declamatórios e ritmo básico, que tornavam o punk uma música quase minimalista, levaram o crítico e estudioso de música popular Greil Marcus a afirmar que o punk-rock “era a melhor combinação sonora para expressar a ira e a frustração, para focalizar o caos, para representar dramaticamente o cotidiano como dia do juízo final e para golpear todas as emoções entre um olhar perdido e um sorriso grande e sarcástico”.

Com o punk, os anos 70 tinham chegado ao fim para o rock. O movimento que havia surgido para transformar o rock não só o havia salvado como também tinha determinado o que seria dele nas décadas seguintes. Apesar de pregar o no future o punk havia inaugurado os anos 80.

Anos 80, o pós-punk e a fragmentação pop do rock

Para o rock, os anos 80 começaram em 1977. Em agosto daquele ano morreu o rei do rock Elvis Presley. Foi o ano também em que o The Police gravou seu primeiro compacto, os Sex Pistols lançaram “Never Mind The Bollocks, Here's The Sex Pistols”, seu único álbum na carreira, e bandas como Talking Heads, Blondie, Elvis Costello & the Attractions, Siouxsie and The Banshees e B-52’s já estavam tocando e gravando. Enquanto a febre da discoteca tomava conta das paradas, o rock dos anos 80 estava sendo engendrado em clubes alternativos como o CBGB, de Nova Iorque (EUA), e em gravadoras independentes como a Factory Records, de Manchester (Inglaterra). Apesar de que a estética dos anos 80 estava sendo forjada desde 1977, na virada da década dois fatos anunciaram definitivamente que os anos 70 acabaram: o fim do Led Zeppelin, após a morte do seu baterista, e o assassinato de John Lennon em Nova Iorque.

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Capa do álbum The B-52's (1979)

O ambiente social da década de 80 caracterizou-se por políticas conservadoras e um ultraliberalismo econômico, decorrentes em grande parte dos governos do ex-ator Ronald Reagan, na presidência dos Estados Unidos, e de Margaret Thatcher, como primeira-ministra do Reino Unido, que se mantiveram no poder durante praticamente toda a década. Além disso, um avanço moralista em reação ao consumo de drogas e às liberalidades sexuais tomou conta do planeta. Outra característica histórica dos anos 80 foi a intensificação da Guerra Fria entre os Estados Unidos e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), que levaria ao colapso do modelo socialista soviético ao final da década. Mas, enquanto emergiam essas visões conservadoras, a busca por mais liberdades e justiça social também crescia, com o fortalecimento de movimentos sociais e a mobilização da juventude. Diferentemente da década de 60, a juventude dos anos 80 não apostava mais no modelo comunal, como dos hippies, nem numa rígida filiação ideológico-partidária. Ela era mais individualista e pragmática.

Essas características refletiriam no rock. Após o abalo artístico e comportamental provocado pelo punk, o rock se reinventou nos anos 80 de forma mais fragmentada. A década do pós-punk assistiu ao surgimento de uma diversidade de estilos nunca antes vista no gênero. Estilos que misturavam desde o rock’n’roll dos anos 50 até a música eletrônica e a disco music do final dos anos 70. Essa diversidade de influências levou ao surgimento de um rock mais próximo do pop, mais dançante, mas também mais melancólico e nostálgico.

O primeiro movimento pós-punk a fazer sucesso nos anos 80 foi a new wave. Herdeira de diversos aspectos do punk nova-iorquino, ela era uma música mais melódica e com letras inteligíveis, que trazia influências da discoteca e do reggae e incluía recursos como sintetizador e bateria eletrônica. Com um visual que lembrava o dos mods dos anos 60, só que mais colorido, a new wave é uma das características marcantes da década. Ela é um dos exemplos mais bem sucedidos da aproximação do rock com a música pop. Dançante e sem propor rupturas radicais, ela teve seus expoentes em bandas como The Police, Talking Heads, Blondie, Elvis Costello and The Attractions e B52’s, que alcançaram os topos das paradas de sucesso principalmente na primeira metade da década.

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Paralell Lines, álbum do grupo Blondie, lançado em 1978

Diferente do bom humor muitas vezes intelectualizado da new wave e em oposição ao som alegre e descompromissado da música de discoteca, surge nos anos 80 o rock gótico ou dark. Canções cheias de angústia, introspectivas e com tons sombrios refletiam uma visão niilista do mundo que os grupos como Siouxsie and The Banshees, Sisters of Mercy, Bauhaus e The Cure traziam. O rock gótico não somente foi um grande sucesso nos anos 80 como sobreviveu como um subgênero do rock nas décadas seguintes.

Exemplo da diversidade que o rock dos anos 80 apresentou foi o heavy metal, que se subdividiu desde o estilo mais ameno e comercial de Bon Jovi até o thrash metal de Mettalica, sem esquecer dos seguidores do estilo mais clássico como AC/DC, Van Halen e Aerosmith. Outra vertente do rock oitentista foi o new romantics ou new pop. Derivado da new wave, ele fez canções baseadas em sintetizadores, dançantes e letras românticas. Os rocks new romantics de Duran Duran, Culture Club e Soft Cell se inseriram completamente no universo da canção pop, que àquela altura já havia se tornado um megagênero da canção popular.

Conseguir misturar melancolia e músicas dançantes foi uma das características importantes dos anos 80. Bandas que surgiram na cidade de Manchester (Inglaterra) como Joy Division e New Order, em torno da gravadora independente Factory Records, e outras como Depeche Mode e Pet Shop Boys faziam o uso de sintetizadores e baterias eletrônicas para transformar letras melancólicas em sucessos nas pistas de dança. De Manchester surgiu também os Smiths, uma banda fundamental para o pop a partir dos anos 80, liderada por Steven Morrissey, que revelou-se um dos mais importantes letristas da história do rock.

Mas além de dançante, o rock também foi engajado nos anos 80. Os irlandeses do U2 começaram a fazer sucesso atrás de sucesso com seus rocks que cantavam sobre questões sociais e políticas da Irlanda do Norte, que serviram de paradigma para várias outras situações de opressão no mundo. Nos Estados Unidos, Bruce Spingsteen, com seu rock que falava do cotidiano das classes baixas e dos trabalhadores norte-americanos, e o R.E.M, com um rock universitário intelectualizado, com ácida crítica social e comportamental, emergiram com uma música pós-punk sem o uso de sintetizadores e sem aderir a adocicada canção pop.

Durante a década de 80, mesmo com a sua aproximação do estilo pop, o rock manteve-se como a trilha sonora e um ponto de referência para manifestações políticas dos jovens. A fome na África (Live Aid,em 1985), a libertação de presos políticos (A Conspiracy of Hope Concerts, em 1986) e os direitos humanos (Humans Rights Now, em 1988) são alguns dos movimentos em que artistas e grupos de rock se engajaram e ajudaram na divulgação e no debate dessas questões.

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O álbum The Joshua Tree, do U2, foi lançado em 1987

Com dezenas de subgêneros e em boa parte absorvido pelo universo da canção pop, o rock caminhou para o final dos anos 80 como o gênero da canção popular mais bem sucedido no mundo inteiro. Além de ter se tornado tão diversificado a ponto de agradar diferentes gostos, do dançante ao introspectivo, do descompromissado ao engajado, do ultra-romântico ao irônico, o rock ganhou amplitude nos primeiros anos da Music Television (MTV) e mostrou que continuava a ser uma forma de expressão dos anseios da juventude. Só que agora, ele dividia o espaço e o sucesso no universo da canção popular com a ascendente música eletrônica, o rap e as canções pop sob o reinado de Michael Jackson e Madonna.

O marco final da década de 80 ocorreu em 9 de novembro de 1989. Após 28 anos de existência, caiu o Muro de Berlim, construído para separar a então Alemanha Oriental da Ocidental, simbolizando o colapso do modelo socialista implantado no Leste Europeu e na União Soviética e o final da Guerra Fria. Era a “vitória” do modelo político, econômico e social do Ocidente capitaneado pelos Estados Unidos. Enquanto o mundo assistia ao apagar das luzes dos anos 80, o rock da década de 90 já estava sendo preparado. De um lado na cidade de Manchester (Inglaterra), que já havia revelado para o mundo os Smiths, Joy Division e New Order, começou, em torno do Hacienda Club, uma cena musical regada a drogas sintéticas, que tinha como destaques os Happy Mondays e os Stone Roses. Do outro lado do Atlântico, um grupo de garagem de Seattle (EUA) lançou por uma gravadora independente um álbum que mudaria completamente a trajetória do rock.

Anos 90, apenas meia década de rock

O rock já tinha sido salvo por Elvis, renascido com os Beatles e ressuscitado com o punk, quando os anos 90 chegaram. No entanto, o fragmentado rock que vem dos anos 80 estava colocado em segundo plano no universo da canção pop e enveredava por caminhos da música eletrônica e do hip hop. Era um rock moribundo. Faltava algo mais visceral. Foi então que a ética punk do “faça você mesmo” voltou a inspirar adolescentes logo no começo daquela década. Uma volta ao estado bruto do rock fez surgir o mais importante movimento roqueiro dos anos 90. Letras pessimistas, guitarras preponderantes e canções iradas caracterizaram um tipo de canção feito por bandas de garagem da cidade de Seattle (EUA).

O movimento foi chamado de grunge (sujo, em inglês) pela mídia e serviu como uma estratégia de marketing para divulgar as bandas do cenário alternativo que se ligavam à gravadora Sub Pop. Entre elas, estavam o Mudhoney, o Soundgarden e o Nirvana. O grunge de Seattle reinou na primeira metade dos anos 90, principalmente graças ao Nirvana, liderado por Kurt Cobain. Quando lançou em 1991 a niilística “Smells Like Teen Spirit”, uma fusão de punk e heavy metal, o alternativo Nirvana conquistou o mundo por meio da MTV. O rock independente estava em alta e ainda naquele ano aconteceu a primeira edição do Lollapalooza, festival itinerante que se tornaria o mais bem sucedido evento de rock da década. O sucesso do festival indicou que o caminho estava aberto também para outros grupos da cena alternativa fora do grunge conquistarem o mainstream, como foi o caso dos Smashing Pumpkins e do Red Hot Chili Peppers.

Como todo o movimento no rock que adquire uma força cultural que vai além da música, o grunge estabeleceu um vestuário e uma atitude. Camisas de flanela e bermudões faziam parte do visual de adolescentes rebeldes e desiludidos com o mundo ao redor. O Nirvana dava o tom do rock com discos cada vez mais melancólicos, ácidos, crus e profundamente depressivos. Em abril de 1994, alguns meses após declarar que o Nirvana era uma das maiores bandas de rock’n’roll da história, Kurt Cobain cometeu suicídio. O líder de uma das mais importantes bandas de rock de todos os tempos tinha dificuldades em aceitar a fama e a riqueza que o seu Nirvana, um grupo anti-estabilishment, havia atingido.

O grunge começou a morrer junto com o suicídio de Kurt Cobain. Enquanto isso, uma nova invasão britânica estava acontecendo e em várias frentes. Por um lado, o rock alternativo e melancólico do Radiohead, por outro o britpop baseado em guitarras do Oasis e por fim o renascer dos Rolling Stones com seus megashows em turnês mundiais.

O britpop era a única resposta que o rock tinha nas paradas de sucesso para competir com a dance music e o rap que dominavam o cenário da canção popular na segunda metade dos anos 90. Além disso, o crescimento vertiginoso da Internet, que possibilitou a troca de músicas pelos internautas e criou meios de comunicação direta entre artistas e fãs, iniciou uma crise sem precedentes na indústria fonográfica, que refletiria nos mecanismos de descoberta e lançamento de álbuns e grupos.

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Capa do álbum All That You Can't Leave Behind, do U2

Com exceção das aparições dos consagrados Rolling Stones, U2, Bob Dylan, Bruce Springsteen, Metallica e alguns poucos nomes, o rock caminhava para terminar os anos 90 quase que no ostracismo. Derivada da música tecno dos anos 80, a dance music, com todas as suas variações, como house, jungle, trip-hop, drum’n’bass, dominava o cenário da música jovem. Os pop stars da vez não eram mais os artistas das bandas de rock e sim os DJs dos clubes noturnos que divulgavam a dance music nos principais centros urbanos.

Salvo o grunge, os anos 90 foram terríveis para o rock. Como sempre não faltaram jornalistas, críticos e músicos que anunciaram a morte do gênero. A virada da década, do século e do milênio parecia que realmente marcaria o fim das possibilidades do rock se renovar. Mas isso não aconteceu. Inspirada nos sons precursores do punk-rock misturado a uma certa nostalgia do rock dos anos 80, uma safra de novas bandas mostraria que o gênero poderia mais uma vez estar mais vivo do que nunca.

Anos 00, o rock volta ao básico e tenta ser independente

Segundo Roy Shuker, a música independente, assim como a música alternativa, está associada a um conjunto de valores musicais, destacando-se a autenticidade, algo completamente oposto ao que está em vigor. Ele cita que a música independente é considerada uma música crua e imediata, enquanto a música “industrializada” é vista como uma música “produzida”. Depois de todos os caminhos traçados pelo rock, ao longo de pelo menos cinco décadas de existência, a trilha que ele começou a percorrer no novo milênio foi o de um rock simples, cru, básico e “independente”.

O indie rock (ou rock independente) tem sido o responsável pela renovação do gênero desde 2001. Ele surge e floresce em um contexto bem propício. Do ponto de vista artístico, nada de muito interessante vinha sendo feito no rock nos últimos anos do século 20. Em relação ao mercado, enquanto a indústria fonográfica tem enfrentado uma de suas piores crises, a Internet apareceu como o grande meio para bandas e fãs terem um contato direto. E os clubes noturnos, em alta desde os anos 90, têm servido de ponto de encontro e lançamento de novas bandas.

Nesse cenário, começou a surgir um rock de sonoridade mais crua, que lembra o pré-punk de Iggy Pop e os Stooges e do Velvet Underground do final dos anos 60, mas com algumas influências do pós-punk dos anos 80. A primeira banda a despontar nesse novo cenário foi o quinteto The Strokes. Baseados em Nova Iorque, eles lançaram em 2001 o álbum “Is This It”, que traz sucessos como “The Modern Age” e “Last Nite”. O estilo banda de garagem com apresentações em clubes noturnos e espaços menores para shows, normalmente sem muitos recursos cênicos, apoiado por uma divulgação dos trabalhos pela Internet em sites especializados, como o MySpace, caracteriza essa nova geração de grupos de rock. Na trilha dos Strokes, vieram Franz Ferdinand, Interpol, Kaiser Chiefs, The Killers e Arctic Monkeys, entre outros. Esse rock ligado à cena indie dividiu espaços no começo do novo milênio com o dos super grupos ainda na ativa como U2 e Rolling Stones.

No começo do novo milênio, o rock tenta confirmar a sua vocação rebelde, e ao mesmo tempo de um bom negócio, em um cenário de mudanças na forma do relacionamento entre fãs e artistas, de profunda crise na indústria fonográfica e principalmente em meio a uma impressionante experimentação estilística.

Rock brasileiro, de antropofágico a tipo exportação

O rock no Brasil reproduziu na maior parte da sua história os movimentos e as tendências do rock britânico e do norte-americano. Isso não é de se estranhar em se tratando de um gênero artístico que se tornou universal. Amparado no gosto e nas aspirações da juventude e numa poderosa indústria cultural – ou vice-versa –, o rock virou um fenômeno que partiu do sul dos Estados Unidos para alcançar e se estabelecer nos países ricos, medianos e pobres, ocidentais e orientais. Seu passado subversivo e sua fórmula artística simples e acessível colaboraram para isso. Mas em alguns raros e curtos momentos, como no movimento tropicalista e no manguebeat, o rock brasileiro conseguiu mostrar originalidade e oferecer, mesmo sem ser aproveitada, alguma contribuição para o mundo.

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Show de Os Mutantes nos anos 70

A história do rock no Brasil começa na década de 50, um pouco depois da eclosão do gênero nos Estados Unidos. Os lançamentos dos filmes “Sementes da Violência” (Blackboard Jungle, dirigido por Richard Brooks, 1955) e “No Balanço das Horas” (Rock Around the Clock, dirigido por Fred F. Sears, 1956) nos cinemas brasileiros tornou popular o novo gênero da canção entre a juventude. As gravadoras viram nesse interesse dos jovens uma oportunidade para lançar o rock brasileiro. Mas fizeram isso a partir de versões em português dos sucessos norte-americanos, cantadas por artistas estranhos ao gênero, como Nora Ney e Agostinho dos Santos. Assim como nos Estados Unidos, o rádio foi fundamental para a popularização do rock no Brasil. No final dos anos 50, programas de rádio comandados por DJs, como Clube do Rock, com Carlos Imperial na Rádio Tupi, faziam sucesso e ajudavam na formação dos primeiros roqueiros no país.

A fase de versões de sucessos norte-americanos prosseguiu no começo dos anos 60, mas pelo menos com ídolos que se identificavam com a juventude, como os irmãos Celly e Tony Campello. O interesse da televisão pelo sucesso do rock ajudou a impulsionar ainda mais sua popularidade, que atingiu seu primeiro auge em 1965 com o lançamento do Jovem Guarda, programa dominical da TV Record. O programa projetou nacionalmente Roberto Carlos, Wanderléa, Erasmo Carlos, Renato e seus Blue Caps, Ronnie Cord e The Fevers, entre outros. A rebeldia e o imaginário urbano eram os elementos essenciais do rock no Brasil. Na Jovem Guarda, esses elementos também estavam presentes, mas carregados de ingenuidade, e os temas das canções giravam em torno da figura do “playboy”.

No final da década de 60, a guinada que o rock anglo-americano deu com o psicodelismo alcança as terras brasileiras e influencia o movimento tropicalista, que propunha uma ruptura com a tradição da música popular brasileira e tinha pretensões de internacionalizá-la. Uma das novidades da estética tropicalista era justamente a de incluir os instrumentos eletrificados e as sonoridades do rock e misturá-las com os ritmos tipicamente brasileiros. Pretendiam os tropicalistas realizarem na canção a proposta do Manifesto Antropofágico, feita pelo movimento modernista cerca de quatro décadas antes. Isto é, incorporar o que de mais moderno está acontecendo na arte no exterior e a partir daí produzir uma arte brasileira, original, moderna e internacional. No tropicalismo, quem melhor realizou isso em relação ao rock foram Os Mutantes, que misturaram ao rock psicodélico da época elementos do samba, da umbanda e da música caipira, entre outros. Pela qualidade e inventividade de suas canções, Os Mutantes tornaram-se um grupo de rock nacional com espaço na imprensa especializada internacional e uma referência de um rock brasileiro e alternativo.

No caminho aberto pelos Mutantes, vieram Os Novos Baianos e Alceu Valença com uma mistura de rock e ritmos brasileiros, como o samba e o forró. Outras incursões originais do rock nacional na primeira metade da década de 70 foram os Secos&Molhados, que misturavam o glam rock a elementos folclóricos brasileiros, e o grupo Joelho de Porco, com seu rock experimental e pré-punk. Os demais grupos e artistas no cenário roqueiro nacional reproduziram os estilos e temas do que se estava fazendo lá fora. Entre o final dos anos 60 e o dos 70, o psicodélico, o progressivo, o hard rock e o rhythm’n’blues britânico davam o tom do rock brasileiro, com destaque para grupos como Made in Brazil, O Terço, Patrulha do Espaço, Casa das Máquinas e o Tutti Frutti, entre outros. Nessa época, Rita Lee, ex-vocalista de Os Mutantes, e Raul Seixas eram os grandes nomes do rock nacional. Raul Seixas conseguia fazer uma aproximação do rock’n’roll clássico com alguns elementos brasileiros. Mas o rock da segunda metade dos anos 70 no Brasil era pouco criativo e não foi páreo para a invasão da música disco (discotéque), que dançante, sensual e bem humorada varreu o rock da mídia e das paradas de sucesso.

A reação viria na década de 80. Totalmente inspirado pelos movimentos do rock internacional do final dos anos 70 e começo dos 80, como o punk-rock, o pós-punk britânico, a new wave e o rock gótico, entre outros, surge na década de 80 um rock mais próximo do pop, construído por novos nomes vindos principalmente de São Paulo, Rio, Brasília, Salvador e Porto Alegre, e embalado pelo processo de redemocratização que o Brasil vivia, após quase duas décadas de ditadura militar.

O país passa também a receber nos anos 80 mais shows dos grandes nomes do rock internacional. O ponto alto dessa nova realidade foi a realização em 1985 do Rock in Rio, que reuniu artistas de peso vindos do exterior com a nova safra do rock brasileiro oitentista. Sucesso estético e comercial, o pop-rock brasileiro dos anos 80 deixou uma herança invejável de canções, shows e artistas, como Legião Urbana, Os Paralamas do Sucesso, Titãs, Ira!, Lobão, Cazuza e Barão Vermelho, entre tantos outros. Mas, da mesma forma que a disco music atropelou um rock esgotado no final dos anos 70, o pop-rock brasileiro já sem muita inventividade ao final dos anos 80 foi suplantado pela onda do pop sertanejo e da axé music que varreu o país na virada para os anos 90.

A recuperação do rock nacional na década de 90 vem do sucesso internacional do grupo de thrash metal Sepultura, da mistura de punk-rock com ritmos nacionais de os Raimundos e da originalidade do movimento manguebeat, que surge em Pernambuco e surpreende o cenário do pop-rock nacional. A fusão do maracatu com rock, música eletrônica e hip-hop criou uma sonoridade totalmente original que, acompanhada de letras que retratam de forma crítica a realidade social e comportamental, tornou o manguebeat ao lado do tropicalismo os únicos momentos de um rock brasileiro inventivo e com potencial para se internacionalizar. Mas a morte prematura de Chico Science, um dos expoentes do movimento, tirou bastante do fôlego do manguebeat para essa trajetória.

A partir da segunda metade dos anos 90, o rock brasileiro assistiu ao ressuscitar de bandas e sucessos do pop-rock brasileiro dos anos 80. Impulsionadas pela série Acústico, promovida pela MTV Brasil, uma série de grupos como Titãs, Capital Inicial, Paralamas do Sucesso, Ultraje a Rigor e Ira!, entre outros, fazem regravações de seus antigos hits e voltam a ocupar os meios de comunicação e as paradas de sucesso. O que provava que nada de muito novo estava acontecendo no mainstream do rock nacional naquele momento.

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Show do grupo Cansei de Ser Sexy em 2007

O novo milênio para o rock brasileiro começou com o sucesso mais lá fora do que no país do Cansei de Ser Sexy, grupo ligado à cena indie rock. E é dessa cena indie, assim como nos Estados Unidos e no Reino Unido, que surgem as principais novidades do rock nacional nos anos 2000, numa confirmação de que, salvo o tropicalismo e o manguebeat, as mortes e ressurreições do rock brasileiro praticamente acompanharam os altos e baixos e as tendências internacionais do gênero.

50 álbuns essenciais para conhecer muito sobre rock

A partir da seleção publicada na "The 500 Greatest Albums of All Time" da edição norte-americana da revista Rolling Stone, destacamos alguns álbuns fundamentais na história do rock e que devem fazer parte de uma discoteca básica sobre o gênero. Eles são apresentados em ordem cronológica de lançamento:

Elvis Presley – ELVIS PRESLEY – RCA, 1956
Here’s Little Richard – LITTLE RICHARD – Specialty, 1957
Please Please Me – THE BEATLES – Capitol, 1963
Highway 61 Revisited – BOB DYLAN – Columbia, 1965
The Who Sings My Generation – THE WHO – MCA, 1965
Pet Sounds – THE BEACH BOYS – Capitol, 1966
Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band – THE BEATLES – Capitol, 1967
The Velvet Underground – THE VELVET UNDERGROUND & NICO – MGM/ Verve, 1967
Are You Experienced? – THE JIMI HENDRIX EXPERIENCE – MCA, 1967
The Doors – THE DOORS – Elektra, 1967
Os Mutantes – OS MUTANTES – Polydor, 1968
Beggars Banquet – THE ROLLING STONES, Abkco, 1968
Led Zeppelin II – LED ZEPPELIN – Atlantic, 1969
Let It Bleed – THE ROLLING STONES – Abkco, 1969
Everybody Knows This Is Nowhere – NEIL YOUNG & CRAZY HORSES – Warner Bros, 1969
Led Zeppelin IV – LED ZEPPELIN – Atlantic, 1971
Paranoid – BLACK SABBATH – Warner Bros, 1971
Exile on main Street – THE ROLLING STONES – Virgin, 1972
Transformer – LOU REED – RCA, 1972
The Dark Side of the Moon – PINK FLOYD – EMI, 1973
Raw Power – IGGY POP & THE STOOGES – Columbia, 1973
For Your Pleasure – ROXY MUSIC – Virgin, 1973
Born to Run – BRUCE SPRINGSTEEN – Columbia, 1975
A Night at the Opera – QUEEN – Hollywood, 1975
Ramones – RAMONES – Warner Archives/Rhino, 1976
Changesone – DAVID BOWIE – RCA, 1976
Never Mind the Bollocks, Here’s the Sex Pistols – SEX PISTOLS – Warner Bros, 1977
Parallel Lines – BLONDIE – Capitol, 1978
The Wall – PINK FLOYD – Harvest/Capitol, 1979
Closer – JOY DIVISION – Warner Bros, 1980
London Calling – THE CLASH – Epic, 1980
Back in Black – AC/DC – Atlantic, 1980
Heaven Up Here – ECHO & THE BUNNYMEN – Sire, 1981
Ghost in the Machine – THE POLICE – Interscope, 1981
Oh, no! It’s Devo – DEVO – Warner Bros, 1982
Imperial Bedroom – ELVIS COSTELLO & THE ATTRACTIONS – Columbia, 1982
The Great Twenty-Eight – CHUCK BERRY – Chess, 1982
Stop Making Sense – TALKING HEADS – Warner Bros, 1984
The Queen Is Dead – THE SMITHS – Sire, 1986
The Joshua Tree – U2 – Island, 1987
Substance – NEW ORDER –Qwest, 1987
Desintegration – THE CURE – Elektra, 1989
The Stone Roses – THE STONE ROSES – Silvertone, 1989
Metallica – METALLICA – Elektra, 1991
Nevermind – NIRVANA – Geffen, 1991
Ten – PEARL JAM – Epic, 1991
Automatic for the People – R.E.M. – Warner Bros, 1992
Ok Computer – RADIOHEAD – Capitol, 1997
Is This It – THE STROKES – RCA, 2001
Whatever People Say I Am, That's What I'm Not – ARCTIC MONKEYS – Domino, 2006

Fonte: uol.com.br

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