Facebook do Portal São Francisco Google+
+ circle
Home  Dia da Marinha Brasileira  Voltar

Dia da Marinha Brasileira

 

O Patrono da Marinha

O Almirante Joaquim Marques Lisboa e Marques de Tamandaré – O Nelson Brasileiro, é por tradição cultuado patrono da Marinha do Brasil, em razão, segundo o espírito do Aviso 3322 de 4 dez 1925 que instituiu o seu aniversário como o Dia do Marinheiro e Dia de Tamandaré, "representar na História Naval Brasileira a figura de maior destaque dentre os ilustres oficiais de Marinha que honraram e elevaram a sua classe".

E mais que, "neste dia deveria a Marinha render-lhe as homenagens reclamadas por seus inomináveis serviços à liberdade e união dos brasileiros, demonstrando que o seu nome e exemplos, continuam bem vivos no coração de quantos sabem honrar a impoluta e gloriosa farda da Marinha Brasileira".

Dia da Marinha Brasileira

Por seus quase 67 anos de heróicos, legendários e excepcionais serviços prestados à Marinha, é por ela hoje considerado o seu marinheiro símbolo e padrão.

O futuro Almirante Tamandaré ingressou na Marinha do Brasil em 4 mar 1823, aos 16 anos, tendo sido designado para servir a bordo da fragata "Niterói", como praticamente de piloto, ao comando de Taylor que, integrando esquadra brasileira de Lord Cockrane, combateu os portugueses na guerra da Independência, na Bahia, em 1823.

Terminada esta guerra, na qual se destacou, freqüentou por quase um ano a Academia Imperial dos Guardas - Marinha, até ser requisitado pelo Almirante Cockrane para embarcar na nau "D. Pedro I" destinada a combater a Confederação do Equador, no Nordeste.

Nestas ações se impôs a admiração e estima dos seus chefes que atestaram que ao tempo de sua participação na guerra da Independência "já possuía condições de conduzir uma embarcação a qualquer parte do mundo".

Com isto conseguiu sua promoção a 2º Tenente em 2 ago 1825, marco de sua brilhante carreira que o conduziria a condição de marinheiro de guerra símbolo e padrão do Brasil. Conforme escreveu Gustavo Barroso: "foi Tamandaré marinheiro do primeiro e segundo Império, que vira o Brasil Reino, guerreara na Independência, no Prata, tomara parte ao lado da lei em quase todas as convulsões da Regência, criara e legara a vitória no Uruguai e no Paraguai à Marinha, do segundo Império, assistira a Proclamação da República, a Revolta da Esquadra, pisara o convés de tábuas dos veleiros e na coberta chapeada de ferro dos encouraçados, vira a nau e o brigue, o vapor de rodas e o monitor e a couraça e o torpedeiro destinada a vencê-la".

Tamandaré é grande parte da História do Brasil e de sua Marinha.

Após haver combatido na guerra da Independência na Bahia, em 1823 e na Confederação do Equador, em 1824, Tamandaré lutou na guerra Cisplatina 1825-28, inclusive no comando de dois navios, aos 20 anos, quando capturou em ação os barcos adversários "Ana" e "Ocho de Fabrero", além de haver lutado bravamente em Corales e Lara Quilmes.

Teve atuação febril no combate as Setembrizada (set 1831) e Abrilada (abr 1832) e Praiera (1840) em Pernambuco e Sabinada (1835), na Bahia e Balaiada (1841), no Maranhão (1841). Ali comandou as forças navais, quando, em apoio a Caxias, desempenhou ação decisiva no campo logístico e operacional.

Por estar enfermo não combateu na guerra contra Oribe e Rosas (1851-52). Manteve ação brilhante direta na guerra contra Aguirre, em 1864 e destacada na guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai (1865-70), até 22 dez 1866.

Seu maior feito militar foi haver comandado a conquista da cidade oriental de Paissandú, 1 e 2 jan 1865.

Vitória que assegurou as forças militares do Brasil, posição estratégica de real valia na vigilância de fronteira, além de com ela abrir os portos à posse de Montevidéu, conseguida com o acampamento do nosso Exército em Frai Bentos e de nossa Marinha no porto de Montevidéu.

Em 11 junho de 1865 travou-se a vitoriosa batalha do Riachuelo, a maior batalha naval da América do Sul vencida pela 2ª e 3ª divisões da Esquadra Brasileira sob o seu comando , e então comandada pelo Almirante Barroso.

Tamandaré após relevantes serviços no comando da Esquadra Brasileira em operações, passou o comando da mesma, em Curuzú, encerrando, assim, mais de 30 anos de assinalados serviços à Segurança do Brasil, passando a prestar, até 20 jan 1890, data de sua reforma, depois de quase 67 anos de notáveis serviços à administração naval.

Tamandaré nasceu em 13 dez 1807, na Vila de São José do Norte, no Rio Grande do Sul. Sua infância e meninice transcorreu debruçado no sangradouro da Lagoa dos Patos, onde desenvolveu grande habilitação em natação e aprendeu navegação. Inúmeras vezes atravessou o canal que mais tarde mapeou, como capitão, em vai e vem, entre as vilas de São José do Norte e Rio Grande.

Seu padrinho de batismo foi o legendário fronteiro Marechal Manoel Marques de Souza, precursor da Independência e que guiara como tenente, as tropas de terra e mar que reconquistaram, em ação conjunta, ao comando do tenente general Henrique Böhn e a partir de São José do Norte, a Vila do Rio Grande, em 1º abr 1776, e há 13 anos em poder dos espanhóis.

O velho, experimentado, audaz, corajoso lobo do mar brasileiro, Almirante Tamandaré, âncora da lei, baluarte defensor da Nacionalidade, findou sua existência aos 88 anos, em 20 mar 1897, no Rio de Janeiro. Dispensou honras fúnebres. Seis marinheiros de sua gloriosa e querida Marinha o transportaram da sua casa ao carro fúnebre.

Tamandaré sublimou as Virtudes Militares de Bravura, Coragem, Honra Militar, Desprendimento, Devoção e Solidariedade. Da última falam seus heróicos e repetidos feitos de repercussão internacional, de salvar navios e pessoas, em perigo no mar, sobre o que escreveu Gustavo Barroso, a propósito de um salvamento na Amazônia: "A esse homem que nascerá predestinado às lides guerreiras, o destino reservara miraculosas salvações de navios e pessoas. Fizera-as já no Rio da Prata, nas águas plúmbeas da Patagônia, acabava de fazê-las no Mar Dulce da Amazônia, fá-las-ia ainda nos mares da Europa e do Brasil".

O Patrono do Serviço de Saúde

Dia da Marinha Brasileira

O Alte grad. Dr. Joaquim Cândido Soares Meirelles foi consagrado, por Dec. 63.684 de 25 nov 1968, patrono do Serviço de Saúde da Marinha, por sua ação assinalada e superior, não só como médico de nomeada, como por suas corajosas e pioneiras posições em defesa de melhores condições para seus doentes. Tudo, no exercício, por 19 anos (1845-64) das funções de Chefe do Serviço de Saúde de nossa Marinha.

Dentre suas ações na chefia da Saúde registra-se: Instituição da visita médica quinzenal aos navios e quartéis, para descobrir e isolar doentes com possibilidade de contágio; exigência de vacinação antivariólica no pessoal dos navios, quartéis e hospitais; recomendação de profilaxia de doenças venéreas e sifilíticas; manifestação contrária a castigos corporais e má alimentação do pessoal dos navios; crítica aos critérios de seleção de pessoal; recomendação para substituir-se o uso de aguardente por café e construção de hospital condigno na atual Cinelândia, em 1861, e indicação para criar-se uma Escola de Ginástica e Natação para desenvolver o físico dos recrutas admitidos como grumetes.

Todas estas posições, segundo Luiz Castro e Souza, eram feitas com "altivez, dignidade, respeito e sobretudo, com autoridade de uma chefia autêntica".

Soares Meirelles formou-se cirurgião de 1817-22, no Curso Academia Médico-Cirúrgica que funcionava no Hospital Militar do Morro do Castelo. Em 1817 obteve os títulos de doutor em medicina e cirurgia pela Faculdade de Medicina de Paris. Antes de ingressar na Marinha, Soares Meirelles foi médico do Exército de 1819-28, tendo servido nos atuais regimentos Sampaio e Dragões da Independência, no Rio e no Regimento de Cavalaria e Hospital Militar, em Ouro Preto.

Nesta condição junto com mais 11 oficiais do Exército, por Dec. de 29 jan 1825, visitou a França em viagem de aperfeiçoamento técnico. Então freqüentou hospitais militares e retomou o contato com a medicina e cirurgia francesas.

Soares Meirelles foi o fundador e idealizador da Academia Nacional de Medicina e foi membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Nasceu a margem do rio das Velhas, em Sabará - MG, em 5 nov 1797, e faleceu no Rio, em 13 jul 1868, aos 71 anos.

O Patrono dos Quadros de Oficiais Auxiliares

Dia da Marinha Brasileira

O V. Alte João do Prado Maia, historiador e professor foi consagrado, em vida, por Port. 1037 de 13 nov 1986, o patrono dos Quadros dos Oficiais Auxiliares, por haver sido o 1º marinheiro a atingir o posto de Almirante, após brilhante, fecunda e modelar carreira, galgada com inteligência, tenacidade, devoção, disciplina, força de vontade e muito estudo e, mais, por sua exemplar e marcante atuação como oficial do nóvel Quadro de Oficiais Auxiliares, de 2º ten a cap (1938-46), quando, inclusive, secretariou os ministros da Marinha – Almirantes Henrique Guilherme, Jorge Dodsworth e Sílvio Noronha. Prado Maia, órfão aos 8 anos, ingressou na Marinha aos 14, em 21 set 1911.

Cursou com distinção as escolas de Aprendizes de Marinheiros, de Grumetes e de Torpedos e Minas Submarinas. Como cabo participou da 1ª Guerra integrando a Divisão Naval de Operações de Guerra (DNOG). Foi escrevente de 1919-37, inclusive no Gabinete do Ministro.

De 1946-56, como oficial superior do Magistério lecionou Português e História na Escola Naval. Em 11 jun 1956, com 45 anos de serviços, foi para a reserva como V. Alte, após o que realizou notável e fecunda obra de divulgação da História e Tradições da nossa Marinha, em artigos, conferências e livros onde se destaca: As tradições dos homens do Mar que tem iniciado nas fainas de marinheiro, sucessivas gerações de alunos dos Colégio e Escola Naval.

Foi membro ativo e assíduo dos Institutos Histórico e Geográfico Brasileiro e de Geografia e História Militar do Brasil onde com ele convivemos e podemos confirmar tratar-se de: Marinheiro, cidadão, chefe de família e amigo, exemplar e inesquecível. Prado Maia que devotava a Marinha um amor filial, viveu com ela e para ela cerca de 78 anos. Nasceu em 24 mar 1897, em Belém - Pará e faleceu no Rio em 25 jun 1985, aos 88 anos.

O Patrono da Artilharia Naval

O CMG Henrique Antônio Baptista é cultuado como o patrono da Artilharia de nossa Marinha (OD 1/85 de 15 mar 1989 da Esquadra). Em seu aniversário comemora-se o Dia da Artilharia Naval, ou dos que "conservam, testam, alinham, apontam, carregam e disparam projetis – foguetes, bombas - granadas, projetis de canhões, mísseis diversos e torpedos em navios, aeronaves e submarinos". De 1851-78, de 2º ten a CF desenvolveu brilhante e exemplar carreira.

Dia da Marinha Brasileira

Revelou-se extremamente competente, inteligente, devotado, ativo, idealista, criativo e bravo. Prestou assinalados serviços a atualização acelerada e desenvolvimento de nossa Artilharia Naval, como consumado e exponencial especialista no assunto. Em 1756 participou da revisão do Regulamento de Artilharia. Em 1857 instruiu os guardas-marinha em Artilharia, em viagem de instrução.

Em 1857 inventou o sistema adotado de carreta naval – à Baptista. Mais tarde inventaria espoleta de percurssão e dispositivo de culatra de canhão Withworth.

Em 1860 como 1º ten foi nomeado Diretor de Artilharia do Arsenal de Guerra (Rio de Janeiro), função que exerceu com raro brilho e grandes resultados para a Marinha por cerca de 18 anos, com breves intervalos e até 1878, quando foi reformado por deficiência aguda de visão e no posto de CMG. De 1861-62 cursou Artilharia Naval na Europa, especializando-se nos modernos canhões raiados, cuja introdução entre nós, defendeu e orientou como CT.

Em sua intensa, febril e profícua ação como Diretor de Artilharia, instalou fábricas de material bélico na Ponta da Armação e defronte a Passo da Pátria, no Paraguai, onde tomaria parte, em 3 mar 1867 do bombardeiro de Curupaiti, quando "com sangue frio e coragem transportou-se debaixo do fogo, para bordo das diversas embarcações, onde podia colher dados para melhoramentos no processo de carregar e apontar a Artilharia moderna e auxiliar os respectivos comandantes com os conselhos de sua experiência".

Profissional de raros méritos e virtudes foi-lhe confiado o comando de 7 navios: O último, o encouraçado "Brasil" que conduziu desde Toulon até o TO da guerra do Paraguai; o patacho "Desterro" (1851-52); como 2º ten; o patacho "Tereza" (1853), o vapor "Paraense", a escuna "Xingu", a canhoneira "Paraense" e o vapor "Japorá" como 1º ten.

Desempenhou funções de hidrógrafo ao mapear o litoral de Angra dos Reis e Palmas e ao reconhecer do Alto Paraguai, entre Vila Maria e Dourados, ocasião que comandou a Força Naval do Mato Grosso.

Reformado continuou a prestar o concurso em Ciência Naval ao Arsenal. O CMG Baptista sublimou as Virtudes Militares de Coragem, Abnegação, Devotamento, Desprendimento e Presteza. Nasceu em 15 mai 1824 em Montevidéu e faleceu em Niterói em 1 set 1899 aos 75 anos .

A travessia do Atlântico com o "Brasil", sob o seu comando é página épica.

O Patrono das Bandas de Música e Marcial da Marinha

Antônio Francisco Braga, músico, maestro, compositor sinfônico e professor da Escola Nacional de Música, foi consagrado, por Dec. 62.863 de 10 mar 1968, o patrono das Bandas de Música e Marcial da Marinha de Guerra, por haver delas sido professor, ensaiador e por vezes regente, de 17 abr 1905 – 27abr 1931, ou por mais de 22 anos. Ele atingiu as culminâncias de Arte Musical e foi uma das glórias ou uma espécie de Patriarca da Música Brasileira.

Ingressou aos 8 anos, por proteção do Alto Tamandaré, no Asilo de Meninos (atual Instituto João Alfredo) de onde saiu aos 21 anos, em 14 abr 1888. Ali, integrando a banda escolar, aprendeu a tocar vários instrumentos e, a compor em 1887.

Freqüentou o Conservatório Imperial de Música, no Rio. De 1890-1900 estudou na Europa, em Paris, e Dresden, tendo tirado 1º lugar em concurso no Conservatório de Música em Paris, cidade onde realizou concertos com música brasileira.

É autor da ópera Jupira. São famosas suas composições Virgens Mortas e Hino a Bandeira sobre versos de Olavo Bilac. Compôs o famoso Pranto a Bandeira em que extravasou sua dor pela catástrofe de 21 jan 1906 do encouraçado "Aquidabã", na baia de Jacuacanga, em Angra dos Reis.

Composição que executou na então Banda de Música do Corpo de Marinheiros Nacionais em 1912, quando do falecimento do Barão do Rio Branco e mais tarde, a bordo do paquete "Ubá", que transportou desde Dakar, os corpos de 121 vítimas da gripe espanhola, integrantes da Divisão Naval de Operações de Guerra (D.N.O.G.) enviado pelo Brasil para auxiliar o esforço de guerra aliada.

Francisco Braga nasceu e faleceu no Rio, em 15 abr e em 17 mar 1945. É glória do Instituto João Alfredo.

Fonte: www.ahimtb.org.br

Dia da Marinha Brasileira

11 de Junho

Marinha do Brasil

A extensão da costa - mais de sete mil quilômetros - e os 55.000km² de águas internas do Brasil caracterizam uma realidade geográfica que impõe a necessidade de uma poderosa força naval.

Marinha do Brasil é a instituição e força armada naval composta pelos oficiais e praças, estabelecimentos, embarcações e correspondente material bélico destinados à defesa do estado brasileiro.

Dia da Marinha Brasileira
Primeiro submarino construído no Brasil

História

Os navios deixados por D. João VI ao retornar a Lisboa, após o período de permanência da corte no Brasil, formaram o núcleo em torno do qual começou a desenvolver-se a Marinha do Brasil independente.

Entre 1822 e 1823 foi criada a "esquadra da independência", cujo objetivo era reforçar a capacidade de defesa do império. Seu primeiro comandante foi o oficial inglês Lord Thomas John Cochrane, contratado por José Bonifácio no posto de primeiro almirante.

O papel da Marinha logo se tornou decisivo para a consolidação da independência. Cochrane combateu vitoriosamente na Bahia, no Nordeste e na Província Cisplatina.

Em 1824, sob o comando do general Francisco de Lima e Silva, a brigada reprimiu a Confederação do Equador, em Recife. Outros nomes importantes nas campanhas de consolidação foram João Francisco Oliveira Botas, John Taylor, John Grenfell, Rodrigo José Ferreira Lobo, Rodrigo Pinto Guedes, Teodoro Alexandre de Beaurepaire e James Norton.

No bloqueio do porto da Bahia, escunas e canhoneiras brasileiras, comandadas por João Botas, impediram o abastecimento dos navios portugueses. Na mesma época, John Taylor, à frente da fragata Niterói, perseguiu a esquadra lusa até a foz do Tejo.

Depois de 1824, a Marinha lutou junto ao poder central contra movimentos revolucionários, como a campanha cisplatina (1825-1828), em que se revelaram os talentos de Tamandaré, Barroso e Inhaúma.

De 1848 a 1849, foi a vez da repressão à revolução praieira, em Pernambuco. Na guerra contra Oribe e Rosas (1851-1852), a esquadra brasileira sobressaiu no célebre episódio da passagem de Tonelero, em 17 de dezembro de 1851 e, ainda no Sul, participou de combates na campanha oriental de 1864-65.

Na guerra do Paraguai, a Marinha empenhou-se em várias ações decisivas, como a tomada de Paysandú, em janeiro de 1865, e a batalha do Riachuelo, em 11 de junho de 1865. Para lembrar essa batalha, comemora-se em 11 de junho o Dia da Marinha. Importantes foram também a travessia do rio Paraná (16-17 de abril de 1866), a passagem de Curupaiti (15 de agosto de 1867) e a de Humaitá (19 de fevereiro de 1868).

Além dos grandes líderes Tamandaré, Barroso e Inhaúma, celebrizaram-se no conflito Antônio Carlos de Mariz e Barros, João Guilherme Greenhalgh e Marcílio Dias. Nos últimos anos do império, a Marinha brasileira passou por notável aprimoramento técnico e material.

Em 1884 incorporou o encouraçado Riachuelo e em 1885 o Aquidabã, vasos de guerra do mais alto padrão existente na época. A armada brasileira era respeitada, então, como uma das maiores do mundo.

No início do período republicano, a Marinha do Brasil passou a construir e incrementar seus próprios estaleiros e, entre 1906 e 1910, sob os governos de Rodrigues Alves a Nilo Peçanha, foram comprados na Europa encouraçados, cruzadores e torpedeiros.

Em 1914 foram adquiridos três submarinos e um tênder. Tinha início a primeira guerra mundial, e a divisão naval em operações de guerra, da Marinha do Brasil, fez o patrulhamento e defesa anti-submarina do Atlântico sul, na área situada entre Dakar, as ilhas de Cabo Verde e o estreito de Gibraltar.

Seu comandante era o almirante Pedro Max Fernando de Frontin. Em Dakar, a peste dizimou 464 dos dois mil homens da divisão.

A partir da década de 1930, a construção naval no Brasil se intensificou. Na segunda guerra mundial, coube à Marinha, inicialmente, manter a neutralidade brasileira mediante o patrulhamento as águas territoriais (1939-1942).

Após o torpedeamento, em agosto de 1942, de cinco navios mercantes nacionais, e com a declaração de guerra ao Eixo, no dia 22 do mesmo mês, a Marinha do Brasil integrou-se ao esforço de guerra. Participou efetivamente da batalha do Atlântico, quando escoltou a força expedicionária brasileira até a Europa, em cooperação com a quarta esquadra americana. Perdeu três navios e 477 homens no conflito, enquanto a marinha mercante perdia 31 navios e 569 homens.

Fonte: www.cepa.if.usp.br

Dia da Marinha Brasileira

11 de Junho - Militar da Marinha

O que é ser um militar da Marinha?

O militar é o profissional que serve à alguma das três forças armadas (Exército, Marinha ou Aeronáutica) ou que serve as Forças de Segurança dos Estados da Federação (bombeiros e policiais militares).

Na estrutura do governo brasileiro, as Forças Armadas estão integradas ao Ministério da Defesa.

A Marinha é a componente naval das Forças Armadas de um país, responsável, principalmente, no contexto externo, pela defesa das áreas litorâneas e das plataformas continentais brasileiras, e no contexto interno pela orientação dos navegantes, pelo policiamento das costas brasileiras e pela fiscalização do tráfego marinho e dos portos.

Quais as características necessárias para ser um militar da Marinha?

Para ser um militar da marinha é necessário que o profissional seja corajoso e tenha interesse em servir seu país. Outras características interessantes são:

Responsabilidade
Seriedade
Força de vontade
Coragem
Raciocínio rápido
Força física
Resistência
Instinto de sobrevivência
Capacidade de receber ordens
Capacidade de respeitar hierarquias

Qual a preparação necessária para ser um militar da Marinha?

No Brasil, ao completar 18 anos, o cidadão do sexo masculino deve se alistar em alguma das três Forças Armadas, e, se convocado, pode cumprir o serviço obrigatório e continuar seguindo carreira.

Também é possível ingressar na Marinha através de concurso público, com o objetivo de preencher vagas abertas. No caso do concurso para graduados em ensino superior é necessário que o candidato seja aprovado na seleção, no Curso de Formação e no Estágio de aplicação de Oficiais.

No caso de concurso para níveis fundamental ou médio, o candidato aprovado em concurso público tem a oportunidade de cursar a Escola Naval.

O curso de ensino médio (para quem tem fundamental completo) oferece três anos do currículo escolar intenso, em regime de internato e treinamento físico. O curso de ensino superior (para quem tem ensino médio completo) forma Corpos da Armada, Fuzileiros Navais e Intendentes.

Hierarquia da Marinha Brasileira

Oficiais Generais

Almirante

Almirante-de-Esquadra

Vice-Almirante

Contra-Almirante
Oficiais Superiores

Capitão de Mar e Guerra

Capitão-de-Fragata

Capitão-de-Corveta
Oficiais Intermediários

Capitão-Tenente
Oficiais Subalternos

1° Tenente

2° Tenente

Guarda-Marinha
Graduados

Suboficial

1° Sargento

2° Sargento

3° Sargento

Cabo

Marinheiro

Principais funções da Marinha Brasileira

Orientar e controlar a Marinha Mercante (conjunto de navios que transportam mercadorias e realizam comércio) e suas atividades correlatas, na defesa dos interesses nacionais

Prover a segurança da navegação aquaviária

Contribuir para a formulação e condução de políticas nacionais que digam respeito ao mar

Implementar e fiscalizar o cumprimento de leis e regulamentos, no mar e nas águas interiores, em coordenação com outros órgãos do poder executivo, Federal ou Estadual

História da Marinha Brasileira

A Marinha, no Brasil, tem sua história iniciada em 1736, com a criação da Secretaria de Estado de Negócios da Marinha, por D. João V de Portugal. Na época da Independência do Brasil, em 1822, o governo da nação recém-emancipada viu a necessidade da existência de uma força bélica naval, capaz de defender a vasta extensão da costa e riqueza da rede hidrográfica do território, assegurando o comércio e as comunicações entre as suas diversas regiões.

Desse modo, em 10 de novembro de 1822, foi solenemente içado, no penol da carangueja da nau "Martim de Freitas" - rebatizada como "Pedro I" e alçada a capitânea da Esquadra brasileira em formação -, pela primeira vez, a bandeira do Brasil, sob salva de 101 tiros.

A Esquadra teria, doravante, papel decisivo na Guerra de Independência do Brasil. Para guarnecê-la, o governo recorreu aos serviços de estrangeiros, como o Almirante Thomas Cochrane, um oficial da Marinha Real Britânica. Até ao Período Regencial Brasileiro, estima-se que metade dos praças e dois terços dos oficiais da Marinha eram estrangeiros.

Garantida a Independência e a unidade nacional, assim como a sua integração, a Marinha teve papel de destaque ainda em acontecimentos tão diversos como a Guerra da Cisplatina, os diversos movimentos separatistas que se iniciaram no Período Regencial, a Guerra contra Oribe e Rosas, a Guerra da Tríplice Aliança e outros.

Fonte: www.brasilprofissoes.com.br

Dia da Marinha Brasileira

11 de Junho

Como você viu no dia do Fuzileiro Naval (7 de março), a Marinha Brasileira esteve envolvida em grandes episódios da nossa história, como as batalhas pela Independência da República e a Segunda Guerra Mundial. Também aprendeu um pouco sobre a história da Marinha, quando ficou sabendo que as primeiras tropas do mar vieram para o Brasil em 1808, junto com a família real portuguesa.

Contudo, já se pode falar do nascimento da Marinha do Brasil séculos antes, por conta da batalha que expulsou os franceses do Rio de Janeiro, em 1567. Na luta para defender o território brasileiro, muitos embates se deram no mar, inclusive com utilização de meios navais indígenas. Foi também um marco, pois pela primeira vez os índios se associaram aos portugueses nos combates aos invasores franceses.

Outras batalhas foram travadas para expulsar os franceses que estabeleciam colônias na costa brasileira no século XVII e o papel das esquadras marítimas foi fundamental, principalmente entre os anos de 1610 e 1615. Neste ano foi nomeado o primeiro comandante naval brasileiro: Jerônimo de Albuquerque, que comandou uma parcela da esquadra portuguesa que expulsou os franceses do Maranhão.

Demorou um pouco mais para o Brasil constituir sua própria esquadra, independentemente de Portugal. Em 1823, a Marinha desempenhou importante papel para a consolidação da independência, pois foi a responsável pela formação da primeira esquadra brasileira. Com ajuda da marinha inglesa, a frota brasileira conseguiu recuperar o Norte, o Nordeste e a Província Cisplatina ao território do país.

Outras participações importantes foram: Combate Naval de Abrolhos, expulsando os holandeses, em 1631; ação naval na Baía de Todos os Santos, expulsando os holandeses de Salvador em 1635; Batalha Naval do Riachuelo, em 1865, na Guerra Cisplatina; na Primeira Guerra Mundial, em 1918, apoiando os Aliados; na Segunda Guerra Mundial, de 1941 a 1945, também apoiando os Aliados na luta contra o nazi-fascismo.

Alguns dados numéricos a respeito da Marinha brasileira e áreas de interesse. Confira!

A fronteira marítima do Brasil possui mais de 8.500 km (cerca de quatro mil milhas).

O ponto mais próximo que liga o Brasil à África fica na costa nordeste, deixando uma distância de 2.750 km entre nosso país e aquele continente.

Temos 16 portos principais e 4 grandes terminais, por onde circulam mais de 26 mil navios por ano.

Três quartos da carga transportada pelos navios em nosso território é referente ao comércio exterior.

Por outro lado, 95% de todo o comércio exterior do Brasil passa, em algum momento, por linhas de comunicações marítimas.

A área de salvamento marítimo sob responsabilidade do Brasil é de 4.328.300 milhas quadradas - uma área bastante significativa no Atlântico Sul.

Fonte: www.ibge.gov.br

Dia da Marinha Brasileira

11 de Junho

Missão e visão de futuro da Marinha

"Preparar e empregar o Poder Naval, a fim de contribuir para a defesa da Pátria. Estar pronta para atuar na garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem; atuar em ações sob a égide de organismos internacionais e em apoio à política externa do País; e cumprir as atribuições subsidiárias previstas em Lei, com ênfase naquelas relacionadas à Autoridade Marítima, a fim de contribuir para a salvaguarda dos interesses nacionais".

"A Marinha do Brasil será uma Força moderna, equilibrada e balanceada, e deverá dispor de meios navais, aeronavais e de fuzileiros navais compatíveis com a inserção político-estratégica do nosso País no cenário internacional e, em sintonia com os anseios da sociedade brasileira, estará permanentemente pronta para atuar no mar e em águas interiores, de forma singular ou combinada, de modo a atender aos propósitos estatuídos na sua missão".

INTRODUÇÃO

Tradição, Usos, Costumes e Linguagens do Mar

Os homens do mar, há muitos séculos, vêm criando nomes para identificar as diversas partes dos navios e designar a praxe de suas ações as quais, pela repetição, tornaram-se costumes. Naturalmente, muitas particularidades e expressões da tradição naval lembram, às vezes, aspectos da vida doméstica ou de atividades em terra.

O mar cobre três quartas partes da superfície terrestre e tem uma grande influência na vida dos homens. Na realidade, a maior ou menor capacidade de uma nação em utilizá-lo, como fonte de riqueza ou de alimentação e, ainda, mais tradicionalmente, como via de transporte e comunicações, decorre, através dos séculos, percepção, como país, das aspirações nacionais. Hoje em dia, apesar das conquistas espaciais, vemos, na disputa pela supremacia marítima, comercial e militar, o reconhecimento dessa realidade pelas grandes potências.

O Poder Marítimo é a capacidade de uma nação utilizar o mar: é a marinha de guerra e mercante, é a frota pesqueira, são os navios de pesquisa, as escolas de formação de pessoal, as escolas de técnicos em assunto marítimo, a indústria naval e tudo o que se relaciona com o mar, com a consciência da necessidade de utilizá-lo, surgindo daí, a mentalidade marítima.

É óbvio que os navios, mesmo sendo pequenas cidades espalhadas por uma enorme área, fazem contato entre si, nos portos ou na imensidão oceânica. Vivendo experiências semelhantes, os marinheiros sempre se ajudam uns aos outros e trocam conhecimento.

Por eles foram criados, e continuam a sê-lo, costumes, usos e linguagem comuns: tradição do mar. É fácil entender o poder de aglutinação das tradições marítimas, visualizando-se a vastidão da área oceânica onde elas se manifestam.

Os homens do mar, por arrostarem sempre a mesma vida e mutuamente se ajudarem, constituem, tradicionalmente, uma classe de espírito muito forte. E, como somente em períodos historicamente curtos de vêem em disputa pelo domínio, geográfico e cronologicamente limitado, domar, onde partilham alegrias e perigos, a fraternidade é a mais digna característica com que pautam o seu comportamento rotineiro.

Nota-se, no homem do mar, um respeito comum à tradição, a qual dá grandeza e que o vincula a um extraordinário ânimo patriótico e a uma grande veneração dos valores espirituais que o ligam à comunidade nacional onde teve seu berço.

Vive, internacionalmente, a percepção que tem da Pátria, perto ou distante. É, como dizia Joaquim Nabuco, “um sentimento unitário, nacional, impessoal”. A lembrança ou a imagem que dela tem o marinheiro não é maculada pelos regionalismos. Sua Pátria é um todo de tradições, que venera com a mesma força que aprendeu a honrar as que são comuns aos homens do mar. O respeito à tradição é uma característica que gera patriotismo sadio, fundamentado na valorização dos aspectos comuns ao seu grupo nacional em que a tradição se constitui em elemento comunitário, num poderoso aglutinador.

O Poder Marítimo de um país constitui-se da capacidade de administrar e de dar apoio às atividades ligadas ao mar, Para isso, são necessários recursos de todos os tipos, do material ao humano. O Poder Naval, exercido pela marinha militar ou de guerra, é a parcela militar do Poder Marítimo, e dele se origina, para sua própria proteção e segurança, garantindo os meios necessários para utilização do potencial de sua águas.

A essa marinha compete, com suas forças, bases navais, arsenais e estabelecimentos, garantir a capacidade de uso do mar, sejam quais forem as condições e ocasiões.

Aos brasileiros, particularmente àqueles que se dedicam ao mar, mas não somente a eles, é conveniente possuir um conhecimento dos usos e costumes da gente do mar. Na Marinha do Brasil, eles são observados e chegam, às vezes, a figurar em regulamentos e documentos que os tornam obrigatórios. O Cerimonial da Marinha do Brasil ‘e uma publicação à parte, própria, que regulamenta e consagra os tradicionais usos navais, cujo conhecimento é conveniente aos que têm vinculação com o mar.

Assim, a presente publicação se destina aos que servem à Marinha do Brasil, à Marinha Mercante e aos brasileiros vinculados a atividades marítimas. Trata, principalmente, dos usos e conhecimentos consagrados pelo tempo. Quando o jovem começa a carreira do mar vai aprendendo suas particularidades gradualmente, no dia-a-dia de suas atividades.

A linguagem própria é um poderoso instrumento de aglutinação. Quando se serve a bordo, em navio de guerra ou mercante, deve-se procurar segui-la. Com respeito à tradição, aliados a coragem e ao orgulho do que fazem, os homens do mar provocam a integração da comunidade naval e marítima, favorecendo a conquista de eficiência máxima, tão necessária a seus propósitos e aspirações.

Assim, as tradições, as cerimônias e os usos marinheiros, juntamente com os costumes, t6em extraordinário poder de amalgamar e incentivar os que vivem do mar. Tendem, entretanto, a se tornar atos despidos de significado, quando sua explicação é perdida no tempo.

A lembrança constante das razões dos atos e a sua explicação ou, quando for o caso, das versões de sua origem, promovem a compreensão, o incentivo e a incorporação da prática marinheira.

CERIMONIAL DE BORDO

SAUDAR O PAVILHÃO

Como já foi explicado, faz parte do cerimonial saudar com a continência o Pavilhão Nacional, que é arvorado na popa , das 8 horas até o por do sol.

Isto se faz ao entrar a bordo pela primeira vez e ao sair pela última vez, no dia.

SAUDAR O COMANDANTE

É costume os oficiais saudarem o Comandante na câmara, pela manhã, quando em viagem. À noite, a saudação é feita após o Cerimonial do Arriar a Bandeira.

Quando no porto, os oficiais formam para receber o Comandante, cumprindo o Cerimonial de Recepção; e, da mesma maneira, formam quando ele se retira de bordo, no Cerimonial de Despedida. Se algum oficial chegar após o Comandante, deve saudá-lo na câmara, bem como ao Imediato. Se vai retirar-se de bordo antes do Comandante, deve despedir-se dele na câmara, obtendo licença para retirar-se, não sem antes ter sido liberado pelo Imediato.

SAUDAR O IMEDIATO

Ao entrar e ao retirar-se de bordo os oficiais saúdam o Imediato.

É costume, em viagem, os oficiais cumprimentarem o Imediato pela manhã e, também, após o Cerimonial da Bandeira.

SAUDAR O OFICIAL DE SERVIÇO

Todos que vêm a bordo, obrigatoriamente, saúdam e pedem licença para entrar ao Oficial de Serviço. Da mesma forma, para retirar-se, qualquer pessoa deve obter permissão do Oficial de Serviço e dele despedir-se.

Qualquer visitante ao chegar a bordo é conduzido ao Imediato.

SAUDAÇÃO ENTRE MILITARES

A saudação entre militares é a continência. Ao cumprimentar um civil, o militar quando fardado, poderá fazer-lhe uma continência, como cortesia, além de dar-lhe o usual aperto de mão. A continência, saudação militar universal, é uma reminescência do antigo costume, que tinham os combatentes medievais, quando vestidos com suas armaduras, ao serem inspecionados por um superior, de levar a mão à têmpora direita, para suspender a viseira, permitindo sua identificação.

SAUDAÇÃO COM ESPADA

A antiga saudação com espada e o gesto de abatê-la, não é uma tradição naval, mas militar. O pessoal da Marinha, contudo, faz uso da espada em algumas cerimônias a bordo e, em formaturas, em terra.

O gesto de levar a ponta da espada até o chão é uma antiga demonstração de submissão a uma autoridade superior, reconhecendo sua superioridade hierárquica. A ponta da espada no chão, ao fim da saudação, não permite ao oficial usá-la, naquele momento.

O CERIMONIAL DA BANDEIRA

Os navios da Marinha do Brasil, quando em contato com terra (atracados, fundeados ou amarrados), arvoram a Bandeira Nacional no pau da bandeira, na popa.

Ao suspenderem, no instante em que é desencapelada a última espia ou o ferro arranca ou é largado o arganéu da bóia, a Bandeira é arriada na popa e içada, em movimentos contíguos, no mastro de combate, mas de forma que nunca deixe de estar içado o Pavilhão Nacional. Não há cerimonial, nessas ocasiões,

A Bandeira do Cruzeiro, que é arvorada no pau do jeque, acompanha os movimentos da Bandeira Nacional na popa. Ou seja, é içada e arriada junto com esta.

O Pavilhão é içado às oito horas da manhã e arriado exatamente na hora do pôr-do-Sol. O Cerimonial consta de sete vivas com o apito do marinheiro e das continências de todo o pessoal. Quem estiver cobertas abaixo, permanece descoberto e em silêncio, atento. O cerimonial do arriar é maior e consta de formatura geral da tripulação. Após o arriar, é costume o cumprimento geral de "boa-noite" entre todos os presentes, sendo primeiramente dirigido ao Comandante.

BANDEIRA A MEIO-PAU

Nos navios da Marinha não se usa as denominações de "mastros" de bandeira, nem do jeque: a nomenclatura correia é nomeá-los o "pau da bandeira" e o "pau do jeque", mesmo que sejam metálicos. O distinto, na Marinha, segundo a tradição, é que sejam de madeira e envernizados.

Desta forma, o termo bandeira a meio-pau é a expressão que corresponde à Bandeira Nacional içada a meio-mastro. O jeque acompanha a Bandeira Nacional, a meio-pau. E o sinal de luto.

O costume teve origem na antiga marinha a vela. Era usual que os navios, como mostra de pesar pela morte de uma personalidade, desamantilhassem as vergas, de modo a deixá-las desalinhadas e pendentes, em diferentes ângulos, e com todos os cabos de laborar, de mastros e vergas folgados e pendentes. A mostra de pesar consistia neste aspecto de desleixo, por tristeza. O Pavilhão também era arriado a meio-pau.

SAUDAR UM NAVIO DE GUERRA AO LARGO

Quando um navio de guerra passa a menos de 200 jardas de outro, saúda-o ou é por ele saudado, dependendo da antigüidade dos Comandantes (ou da maior autoridade a bordo). O apito e, em alguns navios de maior porte com fuzileiros navais embarcados, a corneta dão os sinais para as continências individuais de todos os que se achem no convés.

SAUDAÇÃO DE NAVIOS MERCANTES E RESPOSTA

O navio mercante que passa ao largo de um navio de guerra cumprimenta-o, amando sua Bandeira Nacional, fazendo o de guerra o mesmo, como resposta.

O mercante içara novamente sua Bandeira, depois que o de guerra o fizer.

SALVA: SAUDAÇÃO COM CANHÕES

O sinal de amizade era antigamente entendido e mormente caracterizado pelo fato de apresentar-se uma pessoa, com a espada abatida, ou um navio ou uma embarcação, momentaneamente impossibilitado de manobrar ou combater. Nos tempos em que não havia meios seguros de comunicação e quando no mar não era possível aos navios saberem notícias de terra, a menos que encontrassem outros que as transmitissem, era importantíssimo para cada um deles saber quais as intenções uns dos outros, quando se encontravam. Imagina-se que um navio, no mar há algum tempo, poderia não saber se sua nação estava ou não em guerra com outra, inclusive com aquela cuja bandeira um navio avistado ostentava! Era, portanto, importante demonstrar atitude amistosa, tomando difícil a manobra ou o combate.

Nos tempos de Henrique VIII, para um canhão repetir um tiro levava uma hora. Assim, um navio estava com os canhões sempre carregados para combate. Mas, se ele os disparava, ficava impossibilitado momentaneamente de combater. A maior parte das fragatas e navios menores era armada com uma bateria de sete canhões, em cada borda. A princípio, uma salva de sete tiros era a salva nacional britânica. As baterias de terra, no entanto, deveriam responder às salvas do navio, na razão de três tiros para cada tiro de bordo. Assim, a máxima salva de bordo, sete tiros, era respondida pela maior salva de terra, vinte e um tiros. Com o progresso da indústria de armas e, principalmente, da produção da pólvora, a maior salva de bordo passou a ser também de vinte e um tiros.

O número de tiros, depois que a salva se transformou num costume, chegou aos nossos dias consagrado no Cerimonial Naval. Vinte e uma salvas é o máximo que se usa. Mas por que vinte e uma? É porque, além do costume acima, esse número é múltiplo de três. A explicação é que os números 3, 5 e 7 sempre tiveram significado místico, muito antes, mesmo, de existirem marinhas organizadas como as dos últimos três séculos.

O intervalo das salvas festivas é de cinco segundos, entre um tiro e outro. Havia um velho costume, na Marinha antiga, que ainda hoje os oficiais "safos" usam para contagem dos cinco segundos regularmentares, que é o de dizer a expressão: "teco, teleco, teco, pepinos, não são bonecos, - fogo um!"; repetindo-se após cada tiro o mesmo conjunto de palavras só alternando o número da ordem de fogo. Quem cronometrar o tempo que normalmente se leva para dizer as palavras mencionadas, verá que ele é de cinco segundos.

OS POSTOS DE CONTINÊNCIA

Mas, somente disparar oscanhões não era mostra de ficar sem aptidão para combater. O navio, além disso, deveria ferrar o pano (colher as velas), perdendo velocidade e ficando momentaneamente impossibilitado de manobrar e combater, com todos os cabos de laborar pelo convés e a guarnição ocupada nas fainas. Assim, essa mostra de respeito mantinha o navio privado de combater. Foi desse antigo costume, que vieram até nossos dias certas formas de cumprimento em embarcações como remos ao alto, folgar as escotas ou parar a máquina.

Nos grandes navios, no entanto, podia ser demonstrada, ao navio avistado, a intenção pacífica, fazendo subir toda a guarnição aos mastros e vergas. Assim estava o navio impossibilitado de utilizar seus homens para o combate, transitoriamente. Desta forma, dispor a guarnição pelas vergas dos navios-escola a vela, veio até nossos dias, com a denominação depostos de continência.

Em todos os navios da Marinha, os postos de continência são atendidos com toda a guarnição distribuída pela borda do navio, no bordo por onde vai passar a autoridade a saudar, numa demonstração de respeito.

VIVAS

Ainda permanece em nossa Marinha o hábito dos vivas. É uma repetição da antiga forma de continência e saudação à autoridade que passar perto do navio, sempre que o fato for antecipado e devidamente anunciado. A guarnição, quando em postos de continência, a um sinal, leva o boné ao peito do lado esquerdo, com a mão direita, e, ao sinal de salvas do apito, sete vezes, estende a mão com o boné para o alto, à direita, e dá os vivas correspondentes.

VIVAS DO APITO

Permanece, no Cerimonial da Bandeira, o costume dos sete vivas, pelo apito do marinheiro. Durante o içar ou arriar da Bandeira, o Mestre ou Contramestre, dependendo da ocasião, faz soar sete vezes o apito, correspondendo aos sete vivas, que é a maior saudação por apito.

O número de sete, como explicado, ainda é a lembrança dos antigos sete tiros das fragatas e navios menores, que constituíam a maior salva. Embora os tiros de salva tenham passado para vinte e um, os vivas de apito permaneceram em sete, como a honra má xima.

CERIMONIAL DE RECEPÇÃO E DESPEDIDA

Os oficiais ao entrarem e saírem de bordo fazem jus a um cerimonial correspondente à sua patente, constando de toques de apito característicos e da continência de quem o recebe ou despede e dos presentes. Além disso, marinheiros em formatura, em número correspondente a cada cerimonial, chamados "boys", ladearão o oficial saudado, na escada de portaló e no convés.

Esses cerimoniais são tradições herdadas dos dias da marinha a vela. Costumava-se, nas reuniões de Comandantes de navios de uma Força Naval em um determinado navio - quando o mar não estava muito bom - içar o visitante por uma guindola, espécie de pequena tábua suspensa pelas extremidades. A manobra era comandada pelo Mestre, ao som do apito e, para realizá-la, vários marinheiros iam para o local de embarque. Hoje é uma cortesia naval acorrer com marinheiros ao portaló (local de embarque ou saída de bordo) e saudar com toque de apito, a autoridade que chegar ou sair.

Os marinheiros que acorriam para as manobras de embarque do Comandante a bordo eram chamados, na Real Marinha britânica, de "boys". Esse costume passou desde o Império, à nossa Marinha. Hoje, há um toque de apito que, em realidade, significa boys aos cabos. Tratava-se, até há pouco tempo, quando se vinha ou saía de bordo por lancha, de chamar os marinheiros para que descessem ao patim inferior da escada de portaló e aí estendessem cabos (preparados com pinhas nas duas extremidades, uma para o boy e outra para a autoridade), para que lhe servissem de apoio quando embarcavam ou desembarcavam.

Ao patim inferior da escada de portaló descem dois "boys" e mais dois quando há espaço. Os demais formam no convés. Quando estiver com prancha passada para terra, somente dois devem ficar em terra; os demais formam no convés. Formar mais de dois "boys" em terra é, como se diz. na gíria marinheira, uma varada (de "vara", termo espanhol que quer dizer encalhe). Tudo isso deve-se ao fato de que o emprego dos "boys" é uma tradição na manobra de embarque e desembarque de oficiais, em navios no mar.

Quando o Comandante é recebido no seu próprio navio, é o Mestre quem executa os apitos do cerimonial.

Quando o cerimonial é executado em terra, como nos estabelecimentos ou cerimônias públicas, os "boys" são distribuídos no número completo previsto no Cerimonial da Marinha, em caráter simbólico.

OS UNIFORMES

Os oficiais, suboficiais e sargentos usam uniformes do mesmo feitio para o serviço ou para os trabalhos a bordo. São do tipo paletó, ou dóimã, e calça, ou somente camisa e calça. Na cabeça usa-se o boné. Os oficiais e suboficiais, para distinção, usam galões nas platinas colocadas nos ombros dos uniformes brancos, galões nos punhos do uniforme azul e distintivos na gola do uniforme cinza de manga curta (caqui para os Fuzileiros Navais). Os sargentos, cabos e marinheiros cursados usam sempre, para distinção de graduação, divisas nos braços. Os marinheiros-recrutas, aprendizes e grumetes não usam divisas.

As platinas são presas sobre os ombros dos uniformes como acessório, sendo reminiscências de antigas tiras de couro usados nos uniformes para fixar os talabardes (boldriés). São de origem francesa.

Os galões dos oficiais são listras douradas. No Corpo da Armada, a mais alta no punho é terminada por uma volta. Conta a tradição que é uma reminiscência da volta que o Almirante Nelson, oficial inglês, levava em um pequeno cabo amarrado à manga de seu dólmã para sustentá-la em um botão, quando, após perder o braço, subiu ao convés pela primeira vez. As marinhas que tiveram origem e contatos com a Marinha britânica conservam o símbolo.

Os cabos e marinheiros usam uniformes, brancos ou azuis, de gola, e na cabeça, bonés sem pala. Os de trabalho são de cor mescla, com chapéus redondos
típicos, de cor branca, chamados caxangá.

O uniforme típico de marinheiro é universal. Suas características são, principalmente, o lenço preto ao pescoço e a gola azul com três listras.

O lenço teve sua origem na artilharia dos tempos antigos da marinha a vela. Os marujos usavam um lenço na testa durante os combates, amarrado atrás da cabeça. Esse procedimento evitava que o suor, misturado à graxa e mesmo à pólvora das peças de tiro, lhes caísse nos olhos. Ao findar o combate, os marinheiros regulares giravam o lenço e o amarravam ao pescoço, com o nó para frente. Hoje, simbolicamente, o lenço é colocado em tomo do pescoço.

Sua cor preta, diferentemente do que muitos dizem, não é originada em sinal de luto pela morte de Nelson, pois era usado pelos marinheiros, com essa cor, bem antes disso, embora, naquele evento, tenham retirado o lenço característico do pescoço e o colocado no braço.

A gola do marinheiro é bastante antiga. Era usada para proteger a roupa das substâncias gordurosas com que os marujos untavam o "rabicho" de suas cabeleiras. O uso do rabicho desapareceu, mas, a gola permaneceu, como parte característica do uniforme. A cor azul é adotada por quase todas as marinhas do mundo.

As três listas da gola são reminiscência do costume antigo de se indicar, por meio de fitas, presas ao pelerine (capa utilizada sobre os ombros), o tempo de serviço do embarcado.

O GORRO DE FITA

Os fuzileiros navais também trazem em seus uniformes simbolismo e tradição.

O gorro de fita, de origem escocesa, é uma das tradições que são incorporadas, permanecem e ganham legitimidade. Foi idéia, em 1890, de um comandante do Batalhão Naval, de ascendência britânica. O gorro foi bem aceito e, hoje, caracteriza de forma ímpar o uniforme dos marinheiros de terra, soldados do mar, que são os fuzileiros navais.

O Apito Marinheiro

Os principais eventos da rotina de bordo são ordenados por toques de apito, utilizando-se, para isso, de um apito especial: o apito do marinheiro. O apito serve, também, para chamadas de quem exerce funções específicas ou para alguns eventos que envolvam pequena parte da tripulação. Ele tem sido, ao longo dos tempos, uma das peças mais características do equipamento de uso pessoal da gente de bordo. Os gregos e os romanos já o usavam para fazer a marcação do ritmo dos movimentos de remo nas galés.

Com o passar dos anos, o apito se tornou uma espécie de distintivo de autoridade e mesmo de honra. Na Inglaterra, o Lord High Admirai usava um apito de ouro ao pescoço, preso por uma corrente; um apito de prata era usado pêlos Oficiais em Comando, como "Apito de Comando". Eram levados tais símbolos em tanta consideração que, em combate, um oficial que usasse um apito preferia jogá-lo ao mar a deixá-lo cair em mãos inimigas.

O apito, hoje, continua preso ao pescoço por um cadarço de tecido e tem utilização para os toques de rotina e comando de manobras.

As fainas de bordo, ainda hoje, em especial as manobras que exigem coordenação e ordens contínuas de um Mestre ou Contramestre, são conduzidas somente com toques de apito. Fazê-lo aos gritos denota pouca qualidade marinheira do dirigente da faina e sua equipe.

O Oficial de Serviço utiliza um apito, que não é o tradicional, e serve para cumprimentar ou responder a cumprimentos dos cerimoniais (honras de passagem) de navios ou lanchas com autoridades que passam ao largo; mas, o cadarço que o prende ao pescoço mantém-se como parte do símbolo tradicional.

Os toques de apitos estão grupados, por tipos, em toques de: Continência e Cerimonial, Fainas, Pessoal Subalterno, Divisões e Manobras

ALAMARES

Nos tempos de cavalaria andante, na Idade Média, os ajudantes lavavam os cavalos e auxiliavam os cavaleiros, com armaduras, a montar, tal era o peso desses apetrechos.

Depois que os cavaleiros montavam, os ajudantes se afastavam das montarias e dos chefes, ficando porém nas mãos com o cabo (corda) no braço, na altura do ombro. Ainda hoje, os ajudantes-de-ordens usam, com garbo, essa peça, primitivamente humilde, presa ao ombro no uniforme.

Mas, o conjunto completo é constituído desse pequeno cabo (cordel), junto com os alamares, que são a reminiscência da antiga corrente, que as autoridades navais usavam para pendurar os apitos, um símbolo de autoridade já comentado. Assim, o conjunto formado pêlos alamares (autoridade) e seu cabo (ajudante) - este utilizado solteiro nos uniformes internos – significam "ajudante de uma autoridade".

Os oficiais chefes de estado-maior e oficiais do gabinete de uma autoridade naval também usam esse símbolo, por serem seus ajudantes mais diretos. O conjunto é usado do lado esquerdo; porém, os oficiais do Gabinete Militar da Presidência da República usam os alamares do lado direito.

CONDECORAÇÕES E MEDALHAS

As condecorações e medalhas são usadas no lado esquerdo do peito.

O costume, que não é apenas naval, vem do tempo das cruzadas, quando os cavaleiros traziam a insígnia de sua Ordem (as Ordens da Cavalaria) perto do coração. Era, também, porque o escudo ficava no braço esquerdo; e assim, protegia não somente o coração, mas a insígnia de honra.

ALGUMAS EXPRESSÕES CORRIQUEIRAS
"SAFO"

Safo é talvez a palavra mais usual na Marinha. Serve para tudo que está correndo bem, ou para tudo que faz as coisas correrem bem: "oficial safo, marinheiro safo. A faina está safa. A entrada é safa, pode demandar: não há bancos".

"ONÇA"

Onça é também uma expressão de grande uso. Significa dificuldade: "onça de dinheiro, onça de sobressalentes".

Estar na onça é estar em apuros. "A onça está solta", quer dizer que tudo vai mal.

Essa expressão vem de uma velha história de uma onça de circo, que era transportada a bordo de um navio mercante e se soltou da jaula, durante um temporal.

"SAFA ONÇA"

Safa onça é a combinação das duas expressões anteriores. Significa salvação. Safa onça é tudo que soluciona uma emergência. "Safei a onça, agarrando-me a uma tábua que flutuava...O meu safa onça foi um pedaço de queijo, que ainda restava no barco; do contrário, morreria de fome".

"PEGAR"

Pegar é o contrário de estar safo. Estar pegando significa que não está dando certo: "Tenente, o rancho está pegando! Não chegou a carne! Este marinheiro ainda está muito inexperiente: com ele tudo pega...Comandante, não pude chegar a tempo, a lancha pegou bem no meio da baía!"

Parece que a expressão vem de "pegar tempo", ou seja, pegar mau tempo. Fulano está pegando tempo, para resolver a primeira questão de sua prova...Aquele marujo não conseguiu safar-se para a parada: pegou tempo, para arranjar um boné novo".

"ROSCA FINA" E "VOGA LARGA'

Na gíria maruja, muitas expressões externam o universal bom humor ou espirituosidade que caracterizam os homens do mar. As expressões "rosca fina", "voga picada" e "voga larga" são alguns exemplos:

"Rosca fina" (ou ainda "voga picada") denomina o superior. Oficial ou Praça, que é exigente na observância das normas e regulamentos, bem como, na execução das fainas e tarefas, por si e pelos subordinados. O antônimo é o "voga larga ".

A origem do primeiro está no "aperto", na "pressão" impressa pelo chefe, comparada pelo marinheiro à do parafuso com rosca fina - que "aperta mais". A segunda vem de "voga", que é a velocidade da remada ditada pelo patrão aos remadores em uma embarcação a remos. Pode ser uma "voga picada" (regime de velocidade maior, portanto mais exaustivo para os remadores) ou "voga larga" (velocidade amena, mais calma, mais tranqüila).

AVISOS AOS NAVEGANTES

Os "Avisos aos Navegantes" são publicações periódicas, editadas sob a forma de folhetos, com o propósito principal de fornecer aos navegantes e usuários em geral, informações destinadas à atualização de cartas e publicações náuticas brasileiras, consoante com o preconizado na Regra 9 do Capítulo V da Convenção Internacional para a Salvaguarda da Vida Humana no Mar (SOLAS/74).

Regularmente, são publicados três "Avisos aos Navegantes":

Área Marítima e Hidrovias em Geral (publicação DH21, com periodicidade quinzenal);
Hidrovia Paraguai-Paraná (publicação DH22, com periodicidade mensal); e
Hidrovia Tietê-Paraná (publicação DH23, com periodicidade trimestral).

As correções às cartas náuticas são consubstanciadas por meio de Avisos Temporários (T), Avisos Preliminares (P) e Avisos Permanentes, apresentados na Seção III. Quando necessário, a alguns Avisos Permanentes, são associadas reproduções de trechos, notas e quadros (conhecidos como "bacalhaus") encartadas nos próprios Avisos aos Navegantes, em seção específica.

As correções às publicações náuticas são apresentadas na Seção IV e, quando necessário, por meio de "Folhas de Correções" encartadas no final dos Avisos aos Navegantes.

Para maiores detalhes, recomenda-se a leitura atenta da Seção I (Informações Gerais) dos Avisos aos Navegantes.

AVISOS-RÁDIO NÁUTICOS E SAR

Os Avisos-Rádio Náuticos são mensagens transmitidas aos navios com o propósito de fornecer "informações urgentes" relevantes à navegação segura, em atendimento ao estabelecido na Regra 4 do Capítulo V da SOLAS (1974).

Os Avisos-Rádio SAR são mensagens de "alerta de emergência SAR" ou de "coordenação de busca e salvamento" transmitidas aos navios que se encontram em uma determinada área, em atendimento ao estabelecido na Regra 7 do Capítulo V da SOLAS (1974).

Os Avisos-Rádio Náuticos e Aviso-Rádio SAR, em conjunto com as Informações Meteorológicas, compreendem o que se denomina de "Informações de Segurança Marítima" (Maritime Safety Information – MSI).

Devido à urgência com que se deseja que cheguem aos navegantes, têm como meio de divulgação principal a radiodifusão e/ou as transmissões via satélite.

No âmbito da NAVAREA V e da Região SAR sob responsabilidade do Brasil, os principais meios de divulgação dos Avisos-Rádio são:

Transmissões via satélite, pelo SafetyNET;
Radiodifusão em HF, pela Estação Rádio da Marinha no Rio de Janeiro (ERMRJ);
Radiodifusão em VHF/HF, pela Rede Nacional de Estações Costeiras (RENEC) da Embratel; e
Divulgação pela INTERNET.

Valem as seguintes ressalvas, em relação à divulgação dos Avisos-Rádio na NAVAREA V e na Região SAR sob responsabilidade do Brasil:

a) O meio principal de divulgação dos Avisos-Rádio SAR (de áreas marítimas) e dos Avisos-Rádio Náuticos NAVAREA e Costeiros são as transmissões via satélite por meio do serviço SafetyNET;

b) O meio principal de divulgação dos Avisos-Rádio SAR (de águas interiores) e dos Avisos-Rádio Náuticos Locais são as transmissões via rádio, efetuadas pela ERMRJ e pelas estações da RENEC;

c) A Internet constitui apenas um meio secundário de divulgação, não dispensando os navegantes dispor de capacidade efetiva de recepção dos Avisos-Rádio transmitidos via satélite (pelo SafetyNET) e/ou por radiodifusão (pela ERMRJ e pela RENEC);

d) Na Seção II dos Avisos aos Navegantes são apresentados apenas alguns dos Avisos-Rádio Náuticos em vigor, não bastando, da mesma forma que a Internet, como fonte de consulta aos navegantes. Ademais, os Avisos-Rádio SAR não constam nesta Seção.

Para maiores detalhes sobre o Serviço de Avisos-Rádio recomenda-se a leitura do Capítulo 5 da Lista de Auxílios-Rádio editada pela DHN.

Recomendações para a operação segura das embarcações

Antes de embarcar

1. O Comandante é responsável por tudo e por todos a bordo. É, em princípio, o responsável legal pelas vidas humanas e cargas que transporta;

2. Leia o Regulamento Internacional para Evitar Albaroamentos no Mar (RIPEAM), as normas da Capitania dos Portos de sua área de navegação e o conteúdo da Norma da Autoridade Marítima (NORMAM) 03, da Diretoria de Portos e Costas (DPC), que estabelece os requisitos mínimos de segurança para as embarcações (Acesse a página da DPC - Contatos das Capitanias, Delegacias e Agências em todo o Brasil);

3.Realize a manutenção preventiva eficaz, sem improvisos. Não coloque em risco a sua segurança e a de sua família, com profissionais não qualificados;

4.Verifique rigorosamente o seu material de salvatagem e se há coletes salva-vidas em número suficiente para todos que irão embarcar;

5.Inspecione o seu material de combate a incêndio e verifique o prazo de validade e o estado de carga dos extintores;

6.Vistorie o casco quanto a sua estanqueidade, verifique o funcionamento das bombas de esgoto, das luzes de navegação, do equipamento rádio (VHF e/ou HF) e a condição de carga das baterias, além do nível de óleo no cárter do motor e do nível do líquido de resfriamento;

7.Verifique também a integridade do sistema de combustível, e se não há vazamentos no compartimento dos motores;

8.Faça o planejamento de sua singradura. Verifique se sua embarcação possui as cartas náuticas da região onde pretende navegar. Conheça as características dos faróis e da sinalização náutica. Calcule, com uma margem de segurança, o consumo de combustível para garantir o sei regresso;

9.Conheça a previsão do tempo e mantenha-se atento às indicações de mudança, para não ser surpreendido pelo mau tempo. Conheça o regime de ventos de sua área de navegação; e

10.Entregue o aviso de saída ao iate clube ou marina e siga à risca o seu planejamento, para possibilitar o seu resgate em caso de emergência. Se não estiver em clube ou marina, deixe alguém em terra ciente para onde você vai e a que horas pretende retornar.

Durante a navegação

1. Esteja sempre atento na condução de sua embarcação, não permita o seu uso por pessoas não habilitadas (o proprietário responderá perante o Tribunal Marítimo e nas esferas civil e penal), respeite a lotação recomendada pelo fabricante e não navegue a menos de 200 metros da praia;

2. Evite consumo de bebidas alcoólicas no exercício da condução da embarcação;

3. Conduza a sua embarcação com prudência e em velocidade compatível para reagir, com segurança, às necessidades da navegação. Não faça manobras radicais, reduza a velocidade ao entrar e sair de marinas ou em águas restritas;

4. Conheça sempre o bordo de menor profundidade, alguns naufrágios foram evitados com um encalhe deliberado para salvar a embarcação; e

5. Ao fundear, o faça com baixa velocidade e utilize um comprimento de amarra adequado, considerando a amplitude da maré e as embarcações próximas. Ao suspender, não movimente os propulsores até todas as pessoas saírem da água e completarem o embarque.

Ao regressar

1.Avise ao seu clube ou marina a sua chegada, para desativar o seu Aviso de Sáida;

2.Respeite a velocidade máxima na área de fundeio ou atracação; e

3.Evite esgotar porões até o final para não poluir o mar com resíduos de óleo, retire o lixo de bordo e o coloque em local apropriado, em terra. Mantenha sempre a sua embarcação limpa.

Os dez mandamentos da segurança no mar

1.Faça um amanutenção correta e periódica da sua embarcação;

2.Tenha a bordo todo o material de salvatagem prescrito pela Capitania dos Portos;

3.Respeite a lotação da embarcação e tenha a bordo coletes salva-vidas para todos os tripulantes e passageiros;

4.Mantenha os extintores de incêndio em bom estado e dentro da validade;

5.Ao sair, informe seu plano de navegação ao seu Iate Clube, Marina ou Condomínio Naval;

6.Conduza sua embarcação com prudência e em velocidade compatível, para evitar acidentes;

7.Se beber, passe o timão a alguém habilitado;

8.Mantenha distância das praias e dos banhistas;

9.Respeite a vida, seja solidário, preste socorro; e

10.Não polua o mar.

Outras informações importantes

1. O Comandante tem competência, inclusive mediante auxílio de força policial, para retirar de bordo aqueles que se excedam no consumo de bebidas alcoólicas ou drogas, e que possam trazer riscos para a sua embarcação e/ou passageiros;

2. A instalação de redes próximas e paralelas à balaustrada deve ser proibida, para evitar que seus usuários caiam n’água. Esse fato já provocou diversas mortes por afogamento;

3. Não se devem fazer manobras arrojadas. Elas, quase sempre, acabam em tragédia. Fazer ultrapassagens a título de “brincadeira” ou apostar “corridas” com outros barcos configura riscos que podem ser fatais;

4. Manter o equipamento rádio no canal adequado, e seu uso só deverá ocorrer quando for realmente necessário;

5. A velocidade da embarcação deverá ser reduzida ao cruzar com outras embarcações menores e ao passar próximo às margens, onde existam outras atracadas ou abarrancadas;

6. Denuncie irregularidades em embarcações.

Operações realizadas pela Marinha do Brasil

Conforme decreto nº 967 de 29 de julho de 1993, Art. 1°, a Marinha do Brasil (MB) é a instituição nacional permanente e regular, organizada com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, destinada à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.

Nesse sentido, cabe a MB manter seu pessoal e material constantemente preparados para o emprego efetivo no cumprimento de suas tarefas constitucionais.

Para tal, os navios realizam diversas operações para treinamento e alinhamento de sistemas. A preparação e a realização de exercícios é fundamental para a manutenção do estado de prontidão do material e do pessoal. São testados e exercitados procedimentos táticos em Defesa de Porto, Operações Anti-submarino (contrapor ações de submarino) , Ações de Superfície (navios contra navios), Ações de Submarino (submarino realizando tarefas explorando sua principal característica, a ocultação), Defesa Aérea e Antiaérea, Operações Anfíbias, entre outros.

As Operações Anfíbias realizadas com Navios e Fuzileiros Navais, é uma das operações mais complexas e exigem extrema especialização da tropa.

Além disso são realizadas operações com exercícios avançados tais como jogos de guerra, Operações de caráter humanitário, a retirada de não combatentes e manobras de crise. Este último refere-se ao deslocamento das forças navais para serem empregadas em áreas de interesse e lá permanecerem por longos períodos. (Conheça algumas Operações Navais realizadas pela Marinha do Brasil).

São contempladas ainda operações de caráter real a saber: Socorro e Salvamento; Patrulha Naval; Operações de Paz da ONU; Ações humanitárias, dentre outras.

Atualmente a Marinha participa do contingente no Haiti, o MINUSTAH, com um Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais, além de realizar o apoio logístico da Missão de Paz com o transporte de pessoal e material por meio de navios. (Saiba mais sobre a Missão de Paz no Haiti).

Outra característica que as operações navais possuem é capacidade de contribuir com as atividades diplomáticas. Operar com outras Marinhas permitem o aperfeiçoamento da interoperabilidade (capacidade de ajustar procedimentos para operação combinada) e estreitamento dos laços de amizade. A MB realiza operações internacionais com países das Américas, África e Europa.

Diferentemente das operações supracitadas, existem as Operações Combinadas que são aquelas que envolvem as três Forças Armadas atuando sob um comando único, nas quais se exercitam e testam procedimentos de nível estratégico, operacional e tático. Essas são normalmente coordenadas pelo Ministério da Defesa. (Conheça as Operações Combinadas).

Em âmbito regional, os Comandos de Distritos Navais (DN), 9 comandos distibuídos por todo o território Nacional exercitam a Defesa de Porto, minagem defensiva e Ações de Superfície. Os Comandos do 4o DN (localizado em Belém-PA), 9º DN (localizado em Amazônia-AM) e 6º DN (localizado em Ladário-MS) ainda realizam exercícios voltados para as peculiaridades da região Amazônica e o Pantanal, conhecidas como ‘Operações Ribeirinhas’ nas quais são exercitadas a capacidade de efetuar o controle das vias navegáveis e suas margens de forma a garantir o uso adequado dessas vias, tão importantes para essas regiões.

Além dos exercícios, os DN também realizam atividades de caráter real como o Socorro e Salvamento e as Patrulhas Navais, salvaguardando a vida humana no mar e fiscalizando as atividades de embarcações em todo o nosso litoral guardando a nossa Amazônia Azul de atividades ilegais.

A MB ainda realiza pesquisas e levantamentos oceanográficos contribuindo para a navegação segura e para o desenvolvimento científico. (Visite o sítio da Diretoria de Hidrografia da Marinha).

Fonte: www.mar.mil.br

Dia da Marinha Brasileira

11 de Junho

À MARINHA BRASILEIRA

Saudando a Marinha brasileira,

Saudamos a Pátria querida

Pois é ela que em segurança,

Representa a bússola de nossas vidas!

Guiando-nos na paz e na guerra,

Com sua âncora de segurança,

Sublimes revoluções, trazendo luzes de esperança!

Salve a Marinha brasileira,

De homens vibrantes e leais.

Salve a Marinha heroína,

Segurança, Ordem, Paz!

BATALHA NAVAL DO RIACHUELO

Dia da Marinha Brasileira

Deflagrada a guerra, chamada de Tríplice Aliança, a Marinha, operando no centro inóspito do continente, subiu os rios, enfrentando as baterias instaladas nas margens e navios que rebocavam chatas com canhões de grosso calibre.

Assim foi travada a Batalha Naval do Riachuelo. Depois, o avanço pelos rios Paraná e Paraguai, apoiando a marcha do Exército, foi conduzido com os encouraçados fluviais, que eram atacados por centenas de canhões assestados nas barrancas e fortalezas; e pelas bogarantes, canoas repletas de guerreiros guaranis, que abordavam os navios brasileiros e travavam lutas de arma branca nos conveses, até serem expulsos.

Os problemas de manutenção do material - moderno, para a época -, e a resistência física das guarnições, encerradas em compartimentos de ferro, por meses seguidos, em clima tropical, constituíam dificuldades adicionais para a força naval. As baixas por moléstias superavam as devidas à ação inimiga.

Além de Riachuelo, a vitória final das armas brasileiras deve muito ao forçamento de perigosas passagens, como Curupaiti e Humaitá.

Dia da Marinha Brasileira
Passagem de Curupaiti

Dia da Marinha Brasileira
Passagem de Humaitá

Finda a Guerra do Paraguai, houve um interregno de paz, lamentavelmente interrompido por agitações políticas.

A Marinha entrou novamente em combate em 1918, quando a campanha submarina alemã, na 1a. Grande Guerra, atingiu nossos mercantes, em razão do que assumimos o compromisso de enviar uma força naval para patrulhar a costa africana, entre Dakar e Gibraltar.

Dia da Marinha Brasileira
Cruzador Bahia

A Divisão Naval em Operações de Guerra - DNOG - composta por dois cruzadores, quatro contratorpedeiros, um tender e um rebocador, partiu em julho de 1918. Os maiores inimigos que enfrentou, além de um submarino nas proximidades de Freetown, foram as dificuldades marinheiras para abastecer os navios com carvão, em alto-mar, e a gripe espanhola, que grassou em Dakar e transformou a operação em tragédia, com tripulações inteiras atacadas simultaneamente, enquanto as patrulhas prosseguiam. A moléstia fez 176 vítimas mortais.

A 2ª Guerra Mundial encontrou a Marinha em situação material bastante precária, devido ao abandono a que fora relegada pelos governos. Assim, quando o submarino alemão U 307, na noite de 21 para 22 de agosto de 1942, nas costas de Sergipe, afundou cinco mercantes, com a perda de 607 passageiros, tínhamos muito pouco com que enfrentar o inimigo que ameaçava nossas linhas de navegação. Mas, com enorme esforço e com o auxílio norte-americano, em pouco tempo dispúnhamos de uma frota anti-submarinos bem equipada e aguerrida.

Nossa principal tarefa foi a de garantir a proteção dos comboios que trafegavam entre Trinidad, no Caribe, e Florianópolis, em nosso litoral sul. Foram eles 574, formados por 3.164 mercantes, dos quais, apenas três foram afundados. E não porque não houvesse submarinos. Dezesseis deles foram destruídos no Atlântico Sul, muitos por aviões, depois de avariados por ataques de unidades de superfície. Documentos alemães confirmam que realizamos 66 ataques contra seus submarinos.

Coube, ainda, à Marinha, a escolta do transporte da FEB até Gibraltar e o patrulhamento oceânico contra os furadores de bloqueio, navios que traziam mercadorias do Oriente para a Alemanha.

Dia da Marinha Brasileira
Encouraçado provê segurança ao porto de Salvador

A Marinha envolveu-se nesse conflito por mais tempo do que o próprio país, uma vez que sua participação se iniciou em outubro de 1941, com o posicionamento da Corveta Camaquã, em patrulha, no litoral do Nordeste e só terminou alguns meses após o fim da guerra, depois de assegurado que o Atlântico Sul estava efetivamente livre de submarinos desinformados quanto ao término do conflito.

Dia da Marinha Brasileira
Guerra anti-submarino no litoral brasileiro

Em quatro anos de intenso trabalho, a Marinha perdeu 500 dos sete mil homens que manteve no mar. Nos 50 anos que se seguiram à Guerra Mundial, a evolução não cessou, apesar das dificuldades orçamentárias e, por vezes, incompreensões.

Hoje, bem equipada, no que tange à qualidade, a Marinha desempenha o papel reservado do Poder Naval em tempo de paz, funcionando como elemento dissuasor ao estabelecer um custo elevado a eventuais opções militares de adversários em potencial, respaldando a ação política do governo no campo das relações internacionais e mantendo-se atualizada, pronta a se expandir quando necessário.

Fonte: www.velhosamigos.com.br

Sobre o Portal | Política de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal