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Dia Internacional das Famílias

 

15 de Maio

O QUE É FAMÍLIA?

A família é um núcleo de convivência, unido por laços afetivos, que costuma compartilhar o mesmo teto. É a definição que conhecemos. Entretanto, esta convivência pode ser feliz ou insuportável, pois seus laços afetivos podem experimentar o encanto do amor e a tristeza do ódio.

E a morada sobre o mesmo teto? Dependendo dessas fases contrastantes, ela pode ser um centro de referência, onde se busca e se vivencia o amor, ou... um mero alojamento.

Dia Internacional das Famílias

A família não é algo que nos é dado de uma vez por todas, mas nos é dada como uma semente que necessita de cuidados constantes para crescer e desenvolver-se.

Quando casamos, sabemos que, entre outras coisas, temos essa semente que pode germinar e um dia dar fruto: ser uma família de verdade. Devemos, portanto, estar conscientes de que é preciso trabalhá-la e cultivá-la sempre, constantemente, e com muito amor.

TEMPOS DESCONCERTANTES

A família parece estar à deriva, sem referência, impotente e desprotegida diante dos embates do consumismo, bombardeada pelos meios de comunicação e incapaz de dar uma resposta a esses ataques.

Ela fica na defensiva. A impressão que se tem é a de que ela se conserva como um reduto afetivo, baseado principalmente na segurança do amor dos pais pelos filhos, e que se ressente, cada vez mais, da indeterminação dos papéis masculino e feminino.

É possível ouvir hoje arautos que falam da família em tom triunfal, enquanto que, em outros contextos, se escutam depoimentos de verdadeiras catástrofes. Para alguns, a família é um conceito conservador, só defendido pelos retrógrados.

FAMÍLIA: AMOR REPARTIDO

A família foi e ficará sempre o fundamento da sociedade. Ela transcende a qualquer partido político, sociedade, associação ou a qualquer outro gênero de agrupamento humano: ela é constituída por relações de amor! Na origem de tudo, há um amor conjugal que chama a vida a participar desse amor.

A família vem de uma opção. De fato, ela existirá a partir do momento em que um homem e uma mulher decidirem viver juntos, criar um mundo novo, um mundo diferente: uma família.

Nesse mundo novo e distinto, nascerão os filhos, que se incorporarão ao projeto de vida idealizado por seus pais.

É na família que os filhos desenvolverão sua personalidade. Nela crescerão, encontrarão o sentido de sua existência e amadurecerão na segurança, até que um dia também eles partirão para realizar seu próprio projeto.

O NOSSO MUNDO MUDOU

Não podemos viver de modo aventureiro. De nada serve estarmos repletos de boas intenções, se não planejarmos bem as coisas. Nosso mundo tem mudado muito e rapidamente. Há hoje muitas coisas que não estão fixadas de antemão.

Em nossa sociedade, os papéis tradicionais da mulher e do homem, antes assumidos como destino inexorável, não são mais simplesmente aceitos.

Hoje, o casal deve sentar-se para dialogar sobre o que realmente desejam, o que buscam, para enfim elaborar, com bastante criatividade, um projeto novo e distinto que possibilite a realização de um amor pleno.

É neste projeto, em constante realização, que os filhos devem poder ter a alegria de nascer e crescer até a plena maturidade.

UMA REALIDADE DINÂMICA

Ao definirmos a família como uma instituição, como a célula mãe da sociedade, quando a analisamos ou defendemos os seus direitos, queremos nos referir a uma realidade bem definida, que está aí presente, no dia-a-dia, que desempenha um papel concreto na vida das pessoas e da sociedade.

Entretanto, quando adentramos no interior desta ou daquela família, deixando de lado as teorias e descendo ao palco da própria vida, observamos que a família é uma realidade dinâmica, em evolução permanente, nunca a mesma.

Percebemos que cada família é um mundo à parte, com propostas e jeitos próprios e que não se repetem.

Fonte: www.pimenet.org.br

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15 de Maio

FAMÍLIA E HISTÓRIA – QUESTÕES METODOLÓGICAS

Dia Internacional das Famílias

A história tradicional sempre apontou a existência de civilizações antigas, circunscritas a períodos históricos e a espaços geográficos determinados. A partir do século XVI, com a expansão das navegações e a descoberta da América, no interior da qual se encontrava a então Terra de Santa Cruz, instala-se um circuito mercantil mundial.

Os espaços geográficos estão a partir de então conectados, porém a história não passa a caminhar linearmente, em todos os continentes. Ao contrário, o tempo histórico acompanha à distância o tempo cronológico, por vezes dá saltos, mais frequentemente imobiliza-se, quando não chega a recuar. Os elementos culturais combinados com a lentidão com que as tecnologias se generalizam produzem esse descompasso que é a matéria prima da história.

A vida material, fundada em processos econômicos através dos quais as classes sociais locais se interrelacionam, evolui de forma lenta, com uma cronologia irregular. Portanto, desde que existe esse circuito mercantil mundial e que o capital se acumula, existe um ritmo de tempo absolutamente desigual e combinado, a história tendo que ser apreendida localmente, porém em correlação com a totalidade histórica e geográfica. Cada tema estudado localmente tem que estar relacionado com a sua trajetória histórica e com a totalidade dos espaços geográficos no qual se insere e com os quais se relaciona.

1. O tema da família na história

A família como tema de pesquisa genuinamente histórico é recente. É bem verdade que na segunda metade do século XIX vários estudiosos haviam tratado da história da família, entre os quais Johan Jacob Bachofen, que publicou, em 1861, O direito materno, e o historiador americano Charles Morgan, cujo livro, A sociedade antiga, foi editado em 1877.

Friedrich Engels serviu-se amplamente deste segundo livro e das anotações de Karl Marx sobre ele para escrever A origem da família, da propriedade privada e do Estado (1884). No entanto, nesses textos, do ponto de vista histórico, a grande questão era a de saber que tipo de família, nos tempos primitivos e remotos daquilo que chamavam de “barbárie” – por oposição à “civilização” que acreditavam ser a sociedade contemporânea do século XIX – teria precedido a família patriarcal do mundo ocidental cristão, marcado pela dominação do pater familias e pela propriedade.

Com a mentalidade anticlerical que acompanhava o pensamento progressista e positivista do período, queriam demonstrar, e demonstraram, que a família patriarcal burguesa era uma instituição historicamente determinada e nada mais. É interessante lembrar que quando Gilberto Freyre escreveu o seu memorável Casa-grande & senzala, em 1933, no qual definiu a família patriarcal rural como célula mater da formação da sociedade brasileira – “agrária, escravocrata e híbrida” -, dispunha apenas desse tipo de literatura sobre a história da família.

Mas os estudos históricos sobre a família renasceram de outra fonte, sob a influência da evolução da chamada École des Annales, nome que lhe advém da ação polemizadora exercida por Marc Bloch e Lucien Febvre, através da revista Annales d’Histoire Économique et Sociale, fundada em 1929, na Universidade de Estrasburgo, na França.

Naquele momento tratava-se de combater a história essencialmente política e diplomática, calcada exclusivamente nos acontecimentos e voltada para reis, presidentes e guerras. Mas tratava-se também de caminhar em um sentido multidisciplinar, nutrindo-se e nutrindo outras disciplinas, como a antropologia, a sociologia, a geografia e a psicologia. Estes dois grandes historiadores lançaram também as bases do que, num primeiro momento, chamou-se de psico-história e, mais tarde, de historia das mentalidades.

Na década de 50, agora sob a liderança de Fernand Braudel e profundamente confrontada com o estruturalismo da antropologia de Claude Lévi-Straus, essa corrente histórica caminha para um relativo abandono dos tempos históricos tão caros a seus fundadores, em proveito da chamada "longa duração”, um conceito criado por Braudel, que privilegiava as permanências, mais que as mudanças. Para ele havia uma diferenciação de tempos: um tempo de longa duração (ou “tempo geográfico”), referente aos grandes espaços que foram marcados por civilizações; um tempo conjuntural (ou “tempo social”), correspondente à história econômica e social; e um tempo curto (ou “tempo individual”), o dos acontecimentos, com a dimensão da vida do homem e na linha da história tradicional. Naturalmente era o primeiro nível, o da longa duração, o mais importante, e Braudel fala, em sua magistral obra sobre o Mediterrâneo, em “história quase imóvel”. Porém ainda se movia.

Com a terceira geração dos Annales, na década de 70, esta tendência à abolição do tempo histórico se acentua, a história, de “quase imóvel”, passa a ser “imóvel”, ocupando-se mais daquilo que se repete. Ao mesmo tempo o homem, sujeito da história para Febvre e Bloch, perde o seu lugar central, promovendo-se uma história “fria”, de onde desaparece a subjetividade do sujeito. Já não há a preocupação com a História, mas com histórias (“em migalhas”, como diz F. Dosse). Surge também o que é chamado de “história serial”, ou seja, o estudo de séries de documentos do mesmo tipo num tempo de longa duração para mapear, através do quantitativo, mudanças de atitudes. Com o advento do computador o historiador almeja agora a objetividade científica.

Mas é nesse período que a popularidade dos Annales se espalha por diversos países e junto ao público, e ao mesmo tempo, até entre seus críticos, alarga-se muito o leque dos objetos passíveis de uma abordagem histórica. Entre estes novos objetos, a família, a sexualidade, o casamento, a mulher e a criança. Irão debruçar-se sobre estes temas Jean-Louis Flandrin, André Burguière, François Lebrun, bem como Edward Shorter, Lawrence Stone e Jonh T. Noonan, entre muitos outros. A história quantitativa alcançou, no tratamento do tema da família, grande desenvolvimento com os trabalhos do Grupo de Cambridge, cujo principal expoente era Peter Laslett, que trabalhou proveitosamente com os antropólogos Jack Goody e Alan MacFarlane.

No entanto, dentre todas estas contribuições, gostaria de deter-me sobre um desses historiadores, Philippe Ariès, que publicou em 1960 L’enfant et la vie familiale sous l’Ancien Régime. Não sendo historiador ligado à Academia, trabalhando profissionalmente em um instituto voltado para a agricultura tropical, com formação em demografia histórica, Ariès contrapõe-se, em certa medida, à tendência dominante na terceira geração dos Annales, ao situar claramente um ponto de inflexão na história, a passagem da mentalidade sob o Antigo Regime, isto é, antes da ascensão da burguesia ao poder, para a mentalidade burguesa e moderna. Sendo um “historiador diletante”, mas da geração biológica de Braudel, o sucesso de seu livro “despertou a atenção pública para a história das mentalidades”, ao mesmo tempo em que rejeitava a perspectiva quantitativista.

Livro sobre Rabelais. Mas o seu conceito de “instrumental mental” já estava elaborado em artigo de 1938, quando ele propunha: “inventariar, primeiro em pormenor, depois reconstituir em relação à época estudada o material mental de que dispunham os homens dessa época; por um poderoso esforço de erudição, mas também de imaginação; reconstituir o universo, todo o universo físico, intelectual, moral no meio do qual se moveu cada uma das gerações que o precederam ...” E Febvre continuava situando, em certa medida, como procedeu em relação ao universo de Rabelais.

Quando, ao tempo da terceira geração da École des Annales, o conceito de mentalidade começou a ser vulgarizado e, ao mesmo tempo criticado, partiu de Le Goff a definição que, embora bem próxima de descrevê-lo, suscitou maiores questionamentos. Situava ele a mentalidade ao nível do quotidiano e do automático, da irracionalidade e dos arcaísmos, da afetividade e do inconsciente, daquilo que um determinado homem tem em comum com outros de sua época, aquilo que unia o rei francês São Luís e o camponês de seus domínios.

Contra esse conceito falou-se de “mentalidade interclassista” com a perspectiva de que esses atos mais irrefletidos e automáticos sempre seriam diferenciados conforme a classe social. De minha parte penso que há um nível de mentalidade, daquilo que irrefletidamente une pessoas de classes diferentes num contexto histórico e nacional, sobretudo se comparadas a outro período histórico e a outro espaço geográfico, e outros níveis onde as reações são claramente diferenciadas socialmente, como “ideologia” (ao nível da política) e “visão de mundo”.

Este último conceito de Goldmann, que situa em um contexto histórico e nacional diferentes visões de mundo associadas a classes e grupos sociais, é perfeitamente operacional e, ao mesmo tempo, compatível com o conceito de “mentalidade”. Ora, o modo de pensar e de agir que Freyre descreve no âmbito do “mundo da casa-grande e senzala”, imperceptivelmente estendido ao Brasil como um todo, está bem próximo, do conceito de mentalidade.

Não se trata apenas dos comportamentos evidentemente diferenciados do macho-branco-proprietário e dos escravos, sobretudo das escravas. Trata-se de uma arquitetura mental em que a dominação e a submissão aparecem como “doce” intimidade, a valorização de algumas qualidades dos dominados pelos dominantes aparece e é sentida como confraternização, tudo isso contribuindo significativamente para que não apareça nem de longe uma equivalência entre seres humanos diversos que, neste caso, poderiam contrapor-se, mas se forje uma estrutura de comportamentos hierarquicamente tipificados.

3. Uma metodologia para trabalhar a história da família no Brasil

Minha abordagem histórica partiu de outro ponto de vista. Pretendendo incorporar os clássicos da interpretação da formação da sociedade brasileira, entre os quais incluo Freyre e a produção da École des Annales, particularmente na linha de estudos de mentalidades situadas historicamente, foi-me de extrema ajuda para a compreensão da família brasileira os livros já citados de Ariès e Badinter (e em menor medida, os de Flandrin). Isso porque neles captei justamente as características distintas da mentalidade sobre família, sexualidade, casamento e filhos existente no Antigo Regime e as daquela que passou a existir sob forte influxo da ascensão da burguesia, a da família nuclear.

Por isso, partindo de Freyre, quis aprofundá-lo, ir mais além dele, mergulhar para trás nos séculos, passando a estudar a mentalidade sobre família e casamento no Antigo Regime português, profundamente marcado pelo catolicismo da Contra-Reforma, pela presença abrangente dos jesuítas e pelo clima asfixiante decorrente da existência da Inquisição.

Desses estudos conclui que aquelas características anteriormente apontadas por alguns historiadores da família brasileira como signo de proximidade com a família moderna eram, na verdade, reminiscências da mentalidade sobre família vigente no Antigo Regime português. Em primeiro lugar, a Igreja Católica e a legislação permitiam que os casais se separassem, primeiro de leito, depois de casa, em vários casos, inclusive por maus tratos do marido à mulher.

Essa separação chamava-se então “divórcio”, mas em nenhum caso dava direito a um novo casamento e portanto nada tinha a ver com o divórcio moderno, o estabelecido pelo Código Napoleônico e que se tornou modelo das legislações modernas.

Em segundo lugar, era comum e aceita a existência de filhos ilegítimos e bastardos, tanto nas famílias aristocráticas, quanto nas populares, como era comum a mancebia, o casal passando a coabitar sem o casamento religioso, cuja aceitação foi lenta e dificultosa, a partir de sua consagração no Concílio de Trento, no século XVI. “A bastardia, tal como a prostituição e a mancebia, eram instituições plenamente integradas ao Antigo Regime”. Por fim a figura da mulher como “cabeça de casal” estava juridicamente prevista nas Ordenações Filipinas em caso de morte ou desaparecimento do marido.

Portanto, ao invés de negar Gilberto Freyre era preciso, a meu ver, ir além dele, acrescentar-lhe elementos que reenviavam para tempos até mais remotos permanência de reminiscências que, bem ao contrário de caracterizar a mentalidade da família nuclear burguesa moderna, pertenciam ao universo das Ordenações Filipinas e da maneira pré-burguesa de encarar a família.

Por outro lado, seria possível imaginar que a grande transformação de mentalidade em relação à família que se havia operado na Europa mais desenvolvida e nos Estados Unidos, sob o influxo dos parâmetros do pensamento burguês, na passagem do século XVIII para o XIX, tivesse também acontecido no Brasil? Para isso – fazendo da história da família uma parte integrante da história da sociedade brasileira – teria sido necessário imaginar ter havido aqui uma revolução burguesa.

Mais do que isso, seria preciso imaginar ter se constituído no Brasil uma poderosa classe burguesa nas cidades, que tivesse imposto seu poder na condução dos negócios do Estado à classe dos senhores rurais proprietários de escravos no Império e proprietários de terras na Primeira República. E que essa suposta poderosa classe burguesa, além disso, tivesse conquistado os espíritos de toda a nação para as formas mentais que tivesse construído ao longo de séculos de maturação, como aconteceu na Europa. Mas a história no Brasil, como de resto a história de todos os países hoje eufemisticamente chamados de “em desenvolvimento”, ou seja, que cresceram perifericamente ao capitalismo, não conheceu a emergência dessa classe.

É assim que à história é preciso juntar a “geografia”, ou seja, a história do “desenvolvimento desigual e combinado do capitalismo”, expressão cunhada por Trotsky, no entanto em contexto radicalmente diferente. Se não houve uma poderosa classe burguesa que tivesse gestado, junto com os novos parâmetros de pensamento, uma nova forma de encarar a família, no entanto essa nova mentalidade chegou ao Brasil.

Desembarcou pelos navios, tal como chegaram o liberalismo, o positivismo, o higienismo, o cientismo e todos os ismos que caracterizaram, durante o século XIX, aquela “civilização” burguesa e moderna que se gestou sob a égide do pensamento burguês. E ao desembarcar, não encontrou uma tábula rasa. Ao contrário, aqui havia uma sutil combinação daquela mentalidade católica trazida pela colonização portuguesa, porém amolecida pelos costumes frouxos vigentes abaixo do Equador, com a gestada pela existência da família patriarcal rural e escravista. Esse “desembarque” deu lugar ao confronto e à acomodação entre o “moderno” que chegava da Europa e a mentalidade típica do país.

A história do século XIX no Brasil é riquíssima em exemplos de como se deu esse entrelaçamento, de como a classe dominante rural assumiu aspectos dessa nova mentalidade mais como signo de modernidade e marca de prestígio, como um “adorno” mais formal do que real, nunca levando às últimas consequências a radicalidade burguesa.

A propriedade das pessoas, depois das terras, era sagrada, como o eram também os princípios da Santa Madre Igreja, com seu casamento religioso e indissolúvel (acompanhado naturalmente do regime de comunhão de bens) e o corolário da prostituição e da bastardia.

No que concerne à família, os navios despejaram no Brasil – sob a forma de material impresso em livros e revistas, bem como de brasileiros que retornavam com a cabeça fervilhante de idéias – um conjunto de novos princípios, novas modas, novos procedimentos de estar em sociedade e em família, novos ideais públicos e privados. Os médicos e higienistas foram os principais veiculadores dessa nova mentalidade, rivalizando e até sobrepujando os padres, que tinham até então sido os condutores da moral familiar. Até que ponto essa pregação modernizante rendeu frutos, eis o conjunto de problemas, ao nível de mentalidades, que tornam rica a história do Brasil no século XIX.

Por minha parte resolvi analisar o pensamento de um segmento majoritário das cabeças pensantes do país, os advogados, que estudando direito povoaram a maioria dos cargos públicos de importância do Estado e forneceram a quase totalidade dos homens de letras do Brasil. Segmento reconhecidamente conservador, os advogados seriam um espelho interessante para ver como a pregação modernizante sobre a família era absorvida.

Estudando as teses de direito sobre família e casamento – em princípio teses de direito civil – verifiquei que o discurso sobre esses temas escorregava sempre para o direito natural. Nessa área, família e casamento eram analisados sob o prisma do direito natural à propriedade – pois que este era essencialmente o que havia sido retido pelos juristas, que deixaram de lado os direitos à liberdade e à igualdade como naturais – concentrando-se nos temas da herança, do regime de comunhão de bens para o casamento e da “naturalidade” do poder paterno sobre a esposa e os filhos.

Mas um fantasma da modernidade perseguia nossos juristas: era o Código Napoleônico que, em todos os países ocidentais serviu de modelo jurídico para a passagem do Antigo Regime para o modo de dominação burguesa, definindo sobretudo os parâmetros da propriedade privada. Ora, entre outras coisas, o Código Napoleônico eliminava o casamento religioso (bem como o controle do registro de nascimento e de morte pela Igreja católica), instituindo o casamento civil. Entendido como um contrato, esse casamento, como qualquer contrato, era dissolúvel.

Durante toda a segunda metade do século XIX e o início do século XX os meios jurídicos e o Estado debateram-se ante o dilema de aceitar a modernidade do código modelo, com a laicização da vida civil e a separação entre Igreja e Estado, mas ao mesmo tempo conservar a indissolubilidade do casamento, tão cara aos católicos e tão necessária à conservação do patrimônio familiar e à submissão da mulher ao pátrio poder.

Ante tal dilema, inventaram um casamento civil híbrido, meio contrato, porém indissolúvel por causa do caráter religioso que ligava a família, como sociedade “natural”, para sempre. Assim o Código Civil de 1916 inventou o “desquite”, que nada mais era do que o antigo divórcio das Ordenações Filipinas, separação de leito e de casa sem direito a novo casamento.

A mudança de nome serviu para não confundir com o divórcio do Código Napoleônico, contrato dissolúvel. Como se sabe foram necessárias seis décadas para que finalmente o divórcio fosse instituído em 1977. Eis como, no âmbito específico da legislação jurídica relativa à família e ao casamento, a modernidade foi expurgada daquilo que contrariava as nossas “tradições”, ou seja, a mentalidade da família patriarcal rural escravista.

Pensar portanto a família patriarcal como uma mentalidade, incorporando nossos historiadores clássicos, permite integrar a história da família à historia da sociedade brasileira, interligando o espaço privado e o público, tal como se combinaram no Brasil tradicional.

Ou seja, inserindo o estudo da parte - a família - na totalidade do social. Confrontando a evolução da parte com o todo, a sociedade brasileira, cujas determinações históricas nem de longe se esgotam no espaço geográfico do país. Além disso permite perceber como toda a atual modernização material parcial do país não consegue eliminar as idiossincrasias nacionais, as nossas “mais belas tradições”, que apenas mudam de roupagem para renascer vigorosas.

Ou seja, permite perceber que a modernidade da mentalidade não viaja no mesmo tempo cronológico que os bens materiais, que a mentalidade tem raízes profundas na cultura nacional, que por sua vez tem na memória a estrutura de classes que formou a nação, ou seja, os homens proprietários, os escravos e os homens livres pobres e dependentes dos proprietários. Em sua obra clássica Raízes do Brasil, Sérgio Buarque de Holanda mostra como a família fornecia “a idéia mais normal do poder, da respeitabilidade, da obediência e da coesão entre os homens”, invadia com seus valores a esfera pública, norteando a política que era feita de lealdades entre o senhor rural, depois transformado em coronel, e seus capangas e apaniguados.

Claro está que a família da qual se fala aqui nada tem a ver como seu modelo nuclear burguês (pai, mãe e filhos), mas ao contrário, refere-se à noção de família patriarcal rural, onde se incluem os agregados e os escravos. Longe da racionalidade burguesa em que os partidos pretendem guiar-se por princípios assentados em interesses materiais de classe, a política era feita de lutas entre clãs de coronéis, com sua corte de agregados, movidos por sentimentos vindos do coração, e não da razão, daí a “cordialidade”, sentimentos de ódio ao “outro” e de afeto e favorecimento aos “nossos”. Como bem disse Vitor Nunes Leal, aos amigos a justiça, aos inimigos a lei.

É todo um conjunto de elementos mentais legados pela família patriarcal cuja origem é a unidade rural escravista, que perpassam não apenas a nossa história mas inúmeras características de nossa mentalidade atual.

Angela Mendes de Almeida

Fonte: www.usp.br

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15 de Maio

A definição de família convivente do IBGE: Cuidados metodológicos necessários.

Na literatura antropológica e sociológica a definição de família não se restringe ao grupo domiciliar, pois os laços de família extrapolam o domicílio, a cidade e até o país. Nessa perspectiva de estudo, uma família engloba pessoas com diferentes graus de parentesco, definidos a partir da descendência/ascendência sanguínea, ou através do casamento e da adoção.

Entretanto, para operacionalizar o conceito de família, os institutos de pesquisa restringem o escopo da família ao grupo domiciliar. Assim, nos censos demográficos e outras pesquisas domiciliares (tipo PNAD), o alcance máximo de uma família vai até os limites físicos da moradia. Uma mesma família (definida pelos laços de parentesco e de ajuda mútua) que ocupe dois domicílios é contabilizada como duas famílias.

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Desta forma, família e domicílio estão, intrinsecamente, relacionados nos censos demográficos. Contudo, a despeito dessa regra geral, existem diferenças metodológicas importantes adotadas pelos diversos países. Por exemplo, nos Estados Unidos (EUA) e na Argentina, uma pessoa que more sozinha num domicílio ou mais de duas pessoas sem laços de parentescos que morem juntas são classificadas como “não-família”. Já no Brasil, ambos os casos se encaixam na definição de família do IBGE. O que o IBGE define como família no Brasil é o que os EUA e a Argentina definem como família + “não-família”.

Porém, o objetivo desse texto é abordar um outro problema metodológico que, se não compreendido, pode ser fonte de grande confusão. Trata-se da questão das “famílias conviventes” que é um procedimento adotado pelo IBGE e que difere das normas adotadas por outros países do mundo.

A tabela 1 mostra os dados de população, domicílios permanentes ocupados e famílias nos Estados Unidos, Argentina e Brasil. Observa-se que a soma de famílias e “não-famílias” coincide com o número de domicílios nos dois primeiros países, mas difere no caso brasileiro, isto é, no Brasil o número de famílias (o que inclui as “não-famílias”) é maior do que o número de domicílios ocupados.

Tabela 1: População, domicílios ocupados e famílias, EUA, Brasil e Argentina - 2000

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Fonte: US census bureau, 2004; IBGE, 2002, INDEC, 2004

A diferença de 3,4 milhões de famílias excedendo o número de domicílios no Brasil se deve ao procedimento metodológico adotado pelo IBGE que, ao contrário de outros países, fraciona as famílias dentro de um mesmo domicílio. O conceito de FAMÍLIA CENSITÁRIA do IBGE define um responsável pela família, mesmo que este não seja o responsável pelo domicílio. Toda vez que isto acontece, tem-se os domicílios com famílias conviventes. Na verdade, as famílias conviventes do IBGE são famílias estendidas, compostas por duas ou mais famílias nucleares, parentes ou não-parentes.

Exemplificando

Um casal com dez filhos é uma família única (12 pessoas), mas um casal com apenas um filho se torna duas famílias se este filho se casa e o cônjuge for morar no mesmo domicílio. Nesse segundo caso teríamos uma família principal (composta pelo casal de pais) e uma família secundária composta pelo casal formado pelo filho/a e genro/nora. Teríamos, então, duas famílias nucleares compostas de duas pessoas cada uma.

Da mesma forma, se algum filho/a de um casal de família principal tem um filho/a que vá morar debaixo do mesmo teto (neto/a do casal responsável pelo domicílio), então, o IBGE classifica como duas famílias nucleares. Se uma terceira família nuclear (um irmão ou primo com o respectivo cônjuge ou filho) for morar sob o mesmo teto, então, teríamos uma terceira família convivente (mesmo sendo parente próximo), e assim por diante.

O resultado da metodologia adotada pelo IBGE provoca um inchaço artificial do número de famílias existentes no Brasil, vis-à-vis a outros países do mundo. A tabela 2, Mostra que para 2,89 milhões de famílias principais, segundo o censo demográfico de 2000, existiam no Brasil 3,4 milhões de famílias conviventes, sendo 2,89 milhões de famílias secundárias, 298 mil famílias terciárias e 250 mil quartas ou mais famílias conviventes.

Tabela 2: Famílias conviventes - Brasil - 2000

Família Principal
Famílias Conviventes
Família Secundária
Família Terciária
4ª ou mais Famílias
Total
2.888.707
2.888.707
298.354
250.243
3.437.304

 

Fonte: Censo demográfico de 2000 do IBGE

Se o IBGE adotasse a mesma metodologia dos institutos de pesquisa dos Estados Unidos e da Argentina essas famílias conviventes desapareceriam e teríamos apenas 2,89 milhões de famílias, isto é, o número de famílias coincidiria com o número de domicílios e o Brasil não apresentaria um “excesso” de famílias.

procedimento metodológico adotado pelo IBGE, evidentemente, não está errado, ao contrário, ele tem a vantagem de propiciar um desmembramento das famílias que possuem várias gerações de parentes, tanto em termos horizontais como verticais. Contudo, é preciso ter cuidado no momento da análise dos dados e, especialmente, quanto se quer comparar dados internacionais. O inchaço do número de famílias pode levar à um sobre dimensionamento dos problemas sociais e dificultar o desenho adequado das políticas públicas para a redução da pobreza.

A tabela 3 mostra a distribuição dos domicílios com famílias conviventes segundo os grupos de renda, para as famílias principais, secundárias e terciárias (omitiu-se as quartas, quintas e mais famílias). Nota-se que a distribuição dos rendimentos se altera bastante conforme se considera a renda total do domicílio ou a renda dos responsável pelas famílias.

Tabela 3: Distribuição dos domicílios com famílias conviventes segundo grupos de renda para o total do domicílio e para os responsáveis pelas famílias –- Brasil – 2000.

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Fonte: microdados do censo 2000 do IBGE 2

Quanto ao grupo sem rendimento, observa-se que apenas 1,62% dos domicílios encontram-se nessa situação 3. Em contraposição, estão na categoria de rendimento zero 11,74% dos responsáveis pela família principal, 31,6% dos responsáveis pela família secundária e 39% dos responsáveis pela família terciária. Da mesma forma, no grupo de rendimento inferior à um salário mínimo, enquanto 5,79% dos domicílios encontravam-se nessa situação, esse percentual sobe para 29,35% entre os responsáveis pela família principal, 22,66% para aqueles das famílias secundária e 24,4% daqueles das famílias terciárias. Ou seja, o percentual de pessoas com renda abaixo de um salário mínimo cresce quando se subdivide a família domiciliar. Enquanto apenas 7,4% dos domicílios estão classificados nas faixas de rendimento com menos de um salário mínimo, este percentual sobe para 41% entre os responsáveis pela família principal, para 54% daqueles da família secundária e para 63% daqueles da família terciária.

Desta forma, o percentual de pobres cresce na medida em que aumenta a subdivisão da unidade familiar domiciliar. Mas, até que ponto essa subdivisão é “natural” ou artificial? Segundo análise de Alves e Cavenaghi (2005)4 a maioria das famílias secundárias e terciárias são compostas por uma mulher - geralmente filha do responsável pelo domicílio – com um ou mais filhos. Trata-se, pois, do fenômeno de filhas solteiras ou separadas que moram com os pais. Outro grande percentual de famílias secundárias e terciárias são compostas de casais, com ou sem filhos, que moram com os país.

Portanto, a metodologia de famílias conviventes do IBGE é útil para se conhecer com mais detalhe a subdivisão familiar existente dentro de um domicílio, porém, se não for bem compreendida, pode levar a um aumento artificial do número de famílias classificadas como pobres no Brasil. Vejamos três exemplos de políticas públicas que podem estar super dimensionando a “questão social” no Brasil:

1) Calculo do déficit habitacional

A Política Nacional de Habitação, definida pelo Ministério das Cidades, em novembro de 2004, considera toda coabitação como déficit habitacional. Isto significa que as 3,4 milhões de famílias conviventes, conforme metodologia do IBGE, se transformam automaticamente em 3,4 milhões de unidades do déficit habitacional. Contudo, esse procedimento ignora que a maioria das famílias conviventes são na realidade famílias estendidas que compartilham um mesmo espaço domiciliar e não, necessariamente, podem ser consideradas famílias nucleares que estão demandando uma nova moradia.

2) A “feminização da pobreza”

A “feminização da pobreza” é um termo utilizado para dizer que entre os pobres as mulheres são maioria. Contudo, qual é o critério para se medir essa pobreza? Se for a renda do responsável pela família, então, já sabemos pela tabela 3 que as famílias secundárias e terciárias, que geralmente são chefiadas por mulheres, possuem maior proporção de pobres. Mas uma adolescente que teve um filho fora do casamento e foi morar com os pais, mesmo tendo renda zero, não quer dizer necessariamente que seja pobre, pois neste caso devemos olhar para a renda domiciliar e não a renda do chefe da família convivente.

3) O programa Bolsa Família

O alvo do programa Bolsa Família, do governo Lula, é atingir 11,5 milhões de famílias pobres. Mas este número pode estar exagerado ao se incluir nesse número as 3,4 milhões de famílias conviventes, pois nem todas vivem em domicílios pobres.

Estes são apenas alguns exemplos de políticas que podem estar exagerando a verdadeira dimensão do problema da pobreza no Brasil, ao adotar de forma não crítica a metodologia de famílias conviventes do IBGE. Estudos mais aprofundados são necessários para uma definição mais precisa das políticas públicas brasileiras, no que tange à questão das famílias pobres.

Fonte: www.ie.ufrj.br

Dia Internacional das Famílias

15 de Maio

A família representa um grupo social primário que influencia e é influenciado por outras pessoas e instituições.

É um grupo de pessoas, ou um número de grupos domésticos ligados por descendência (demonstrada ou estipulada) a partir de um ancestral comum, matrimónio ou adopção.

Nesse sentido o termo confunde-se com clã. Dentro de uma família existe sempre algum grau de parentesco.

Membros de uma família costumam compartilhar do mesmo sobrenome, herdado dos ascendentes directos.

Dia Internacional das Famílias

A família é unida por múltiplos laços capazes de manter os membros moralmente, materialmente e reciprocamente durante uma vida e durante as gerações.

Podemos então, definir família como um conjunto invisível de exigências funcionais que organiza a interacção dos membros da mesma, considerando-a, igualmente, como um sistema, que opera através de padrões transaccionais.

Assim, no interior da família, os indivíduos podem constituir subsistemas, podendo estes ser formados pela geração, sexo, interesse e/ ou função, havendo diferentes níveis de poder, e onde os comportamentos de um membro afectam e influenciam os outros membros.

A família como unidade social, enfrenta uma série de tarefas de desenvolvimento, diferindo a nível dos parâmetros culturais, mas possuindo as mesmas raízes universais.

Não existe um conceito único nem um consenso universal sobre o que é uma família.

As famílias são demasiado diferentes e dinâmicas para caberem em classificações redutoras ou serem definidas rigidamente.

Contudo, em todas as culturas a família constituiu o quadro natural no qual os seres humanos -- e em especial as crianças -- podem receber o alimento e apoio emocional, financeiro e material que são indispensáveis para o seu desenvolvimento.

A celebração tradicional do 15 de Maio como Dia Internacional das Famílias centra-se neste factor fundamental de coesão social e de coexistência.

Uma estrutura familiar forte conduz ao bem-estar dos seus membros e da sociedade em geral.

É no seio da família que as crianças podem aprender valores positivos que as guiarão durante o resto da vida e é também no seio da família que as pessoas podem aprender lições essenciais sobre a igualdade, a tolerância e a partilha de responsabilidades.

Embora as famílias sejam os motores do desenvolvimento, são também suas beneficiárias.

Quando o desenvolvimento é lento ou inexistente, a capacidade de as famílias satisfazerem as necessidades dos seus membros é afectada.

E, quando o desenvolvimento é prejudicado pelos conflitos e prevalece a instabilidade, as famílias também são prejudicadas, o que priva as sociedades de um elemento essencial de construção da paz e da prosperidade.

As famílias podem ser verdadeiros bastiões de valores e progresso humano.

Envidemos, pois, todos os esforços para criar as condições de que as famílias precisam para realizar plenamente as suas potencialidades.

Fonte: www.caestamosnos.org

Dia Internacional das Famílias

15 de Maio

A importância da família no processo de educar

A sociedade moderna vive uma crise de valores éticos e morais sem precedentes. Essa é uma constatação que nada tem de original, pois todos a estão percebendo e vivenciando de alguma maneira. O fato de ser uma professora a fazer essa constatação também não é nenhuma surpresa, pois é na escola que essa crise acaba, muitas vezes, ficando em maior evidência.

Dia Internacional das Famílias
Paulo Freire

Nunca na escola se discutiu tanto quanto hoje assuntos como falta de limites, desrespeito na sala de aula e desmotivação dos alunos. Nunca se observou tantos professores cansados, estressados e, muitas vezes, doentes física e mentalmente. Nunca os sentimentos de impotência e frustração estiveram tão marcantemente presentes na vida escolar.

Por essa razão, dentro das escolas as discussões que procuram compreender esse quadro tão complexo e, muitas vezes, caótico, no qual a educação se encontra mergulhada, são cada vez mais frequentes. Professores debatem formas de tentar superar todas essas dificuldades e conflitos, pois percebem que se nada for feito em breve não se conseguirá mais ensinar e educar. Entretanto, observa-se que, até o momento, essas discussões vêm sendo realizadas apenas dentro do âmbito da escola, basicamente envolvendo direções, coordenações e grupos de professores. Em outras palavras, a escola vem, gradativamente, assumindo a maior parte da responsabilidade pelas situações de conflito que nela são observadas.

Assim, procura-se em novas metodologias de trabalho, por exemplo, as soluções para esses problemas. Computadores e programas de última geração, projetos multi e interdisciplinares de todos os tipos e para todos os gostos, avaliações participativas, enfim uma infinidade de propostas e atividades visando a, principalmente, atrair os alunos para os bancos escolares. Não é mais suficiente a idéia de uma escola na qual o individuo ingressa para aprender e conhecer. Agora a escola deve também entreter.

No entanto, apesar das diferentes metodologias hoje utilizadas, os problemas continuam, ou melhor, se agravam cada vez mais, pois além do conhecimento em si estar sendo comprometido irremediavelmente, os aspectos comportamentais não têm melhorado. Ao contrário. Em sala de aula, a indisciplina e a falta de respeito só têm aumentado, obrigando os professores a, muitas vezes, assumir atitudes autoritárias e disciplinadoras. Para ensinar o mínimo, está sendo necessário, antes de tudo, disciplinar, impor limites e, principalmente, dizer não.

A questão que se impõem é: até quando a escola sozinha conseguirá levar adiante essa tarefa? Ou melhor, até quando a escola vai continuar assumindo isoladamente a responsabilidade de educar?

São questões que merecem, por parte de todos os envolvidos, uma reflexão, não só mais profunda, mas também mais crítica. É, portanto, necessário refletir sobre os papéis que devem desempenhar nesse processo a escola e, consequentemente, os professores, mas também não se pode continuar ignorando a importância fundamental da família na formação e educação de crianças e adolescentes.

Voltando a analisar a sociedade moderna, observa-se que uma das mudanças mais significativas é a forma como a família atualmente se encontra estruturada. Aquela família tradicional, constituída de pai, mãe e filhos tornou-se uma raridade. Atualmente, existem famílias dentro de famílias. Com as separações e os novos casamentos, aquele núcleo familiar mais tradicional tem dado lugar a diferentes famílias vivendo sob o mesmo teto. Esses novos contextos familiares geram, muitas vezes, uma sensação de insegurança e até mesmo de abandono, pois a idéia de um pai e de uma mãe cuidadores dá lugar a diferentes pais e mães “gerenciadores” de filhos que nem sempre são seus.

Além disso, essa mesma sociedade tem exigido, por diferentes motivos, que pais e mães assumam posições cada vez mais competitivas no mercado de trabalho. Então, enquanto que, antigamente, as funções exercidas dentro da família eram bem definidas, hoje pai e mãe, além de assumirem diferentes papéis, conforme as circunstâncias saem todos os dias para suas atividades profissionais. Assim, observa-se que, em muitos casos, crianças e adolescentes acabam ficando aos cuidados de parentes (avós, tios), estranhos (empregados) ou das chamadas babás eletrônicas, como a TV e a Internet, vendo seus pais somente à noite.

Toda essa situação acaba gerando uma série de sentimentos conflitantes, não só entre pais e filhos, mas também entre os próprios pais. E um dos sentimentos mais comuns entre estes é o de culpa. É ela que, na maioria das vezes, impede um pai ou uma mãe de dizer não às exigências de seus filhos. É ela que faz um pai dar a seu filho tudo o que ele deseja, pensando que assim poderá compensar a sua ausência. É a culpa que faz uma mãe não avaliar corretamente as atitudes de seu filho, pois isso poderá significar que ela não esteve suficientemente presente para corrigi-las.

Enfim, é a culpa de não estar presente de forma efetiva e construtiva na vida de seus filhos que faz, muitas vezes, um pai ou uma mãe ignorarem o que se passa com eles. Assim, muitos pais e mães acabam tornando-se reféns de seus próprios filhos. Com receio de contrariá-los, reforçam atitudes inadequadas e, com isso, prejudicam o seu desenvolvimento, não só intelectual, mas também, mental e emocional.

Esses conflitos acabam agravando-se quando a escola tenta intervir. Ocorre que muitos pais, por todos os problemas já citados, delegam responsabilidades à escola, mas não aceitam com tranquilidade quando essa mesma escola exerce o papel que deveria ser deles. Em outras palavras,

[...] os pais que não têm condições emocionais de suportar a sua parcela de responsabilidade, ou culpa, pelo mau rendimento escolar, ou algum transtorno de conduta do filho, farão de tudo, para encontrar argumentos e pinçar fatos, a fim de imputar aos professores que reprovaram o aluno, ou à escola como um todo, a total responsabilidade pelo fracasso do filho (ZIMERMAN apud BOSSOLS, 2003: 14).

Assim, observa-se que, em muitos casos a escola (e seus professores) acaba sendo sistematicamente desautorizada quando, na tentativa de educar, procura estabelecer limites e responsabilidades. O resultado desses sucessivos embates é que essas crianças e adolescentes acabam tornando-se testemunhas de um absurdo e infrutífero cabo-de-guerra, entre a sua escola e a sua família. E a situação pode assumir uma maior complexidade porque, conforme também explica Zimerman, “o próprio aluno, que não suporte reconhecer a responsabilidade por suas falhas, fará um sutil jogo de intrigas que predisponha os pais contra os professores e a escola” (apud BOSSOLS, 2003: 14).

Entretanto, é importante compreender que, apesar de todas as situações aqui expostas, o objetivo não é o de condenar ou julgar. Está-se apenas demonstrando que, ao longo dos anos, gradativamente a família, por força das circunstâncias já descritas, tem transferido para a escola a tarefa de formar e educar. Entretanto, essa situação não mais se sustenta. É preciso trazer, o mais rápido possível, a família para dentro da escola. É preciso que ela passe a colaborar de forma mais efetiva com o processo de educar. É preciso, portanto, compartilhar responsabilidades e não transferi-las.

É dentro desse espírito de compartilhar que não se pode deixar de citar a iniciativa do MEC, que instituiu a data de 24 de abril como o Dia Nacional da Família na Escola. Nesse dia, todas as escolas são estimuladas a convidar os familiares dos alunos para participar de suas atividades educativas, pois segundo declaração do ex-Ministro da Educação Paulo Renato Souza "quando os pais se envolvem na educação dos filhos, eles aprendem mais".

A família deve, portanto, se esforçar em estar presente em todos os momentos da vida de seus filhos. Presença que implica envolvimento, comprometimento e colaboração. Deve estar atenta a dificuldades não só cognitivas, mas também comportamentais. Deve estar pronta para intervir da melhor maneira possível, visando sempre o bem de seus filhos, mesmo que isso signifique dizer sucessivos “nãos” às suas exigências. Em outros termos, a família deve ser o espaço indispensável para garantir a sobrevivência e a proteção integral dos filhos e demais membros, independentemente do arranjo familiar ou da forma como se vêm estruturando (KALOUSTIAN, 1988).

Educar, portanto, não é uma tarefa fácil, exige muito esforço, paciência e tranquilidade. Exige saber ouvir, mas também fazer calar quando é preciso educar. O medo de magoar ou decepcionar deve ser substituído pela certeza de que o amor também se demonstra sendo firme no estabelecimento de limites e responsabilidades. Deve-se fazer ver às crianças e jovens que direitos vêm acompanhados de deveres e para ser respeitado, deve-se também respeitar.

No entanto, para não tornar essa discussão por demais simplista, é importante, entender, que quando se trata de educar não existem fórmulas ou receitas prontas, assim como não se encontra, em lugar algum, soluções milagrosas para toda essa problemática. Como já foi dito, educar não é uma tarefa fácil; ao contrário, é uma tarefa extremamente complexa. E talvez o que esteja tornando toda essa situação ainda mais difícil seja o fato de a sociedade moderna estar vivendo um momento de mudanças extremamente significativas.

Segundo Paulo Freire: “A mudança é uma constatação natural da cultura e da história. O que ocorre é que há etapas, nas culturas, em que as mudanças se dão de maneira acelerada. É o que se verifica hoje. As revoluções tecnológicas encurtam o tempo entre uma e outra mudança” (2000: 30). Em outras palavras, está-se vivendo, em um pequeno intervalo de tempo, um período de grandes transformações, muitas delas difíceis de serem aceitas ou compreendidas. E dentro dessa conjuntura está a família e a escola. Ambas tentando encontrar caminhos em meio a esse emaranhado de escolhas, que esses novos contextos, sociais, econômicos e culturais, nos impõem.

Para finalizar esse texto é importante fazer algumas considerações que, se não trazem soluções definitivas, podem apontar caminhos para futuras reflexões. Assim, é preciso compreender, por exemplo, que no momento em que escola e família conseguirem estabelecer um acordo na forma como irão educar suas crianças e adolescentes, muitos dos conflitos hoje observados em sala de aula serão paulatinamente superados. No entanto, para que isso possa ocorrer é necessário que a família realmente participe da vida escolar de seus filhos. Pais e mães devem comparecer à escola não apenas para entrega de avaliações ou quando a situação já estiver fora de controle. O comparecimento e o envolvimento devem ser permanentes e, acima de tudo, construtivos, para que a criança e o jovem possam se sentir amparados, acolhidos e amados. E, do mesmo modo, deve-se lutar para que pais e escola estejam em completa sintonia em suas atitudes, já que seus objetivos são os mesmos. Devem, portanto, compartilhar de um mesmo ideal, pois só assim realmente estarão formando e educando, superando conflitos e dificuldades que tanto vêm angustiando os professores, como também pais e os próprios alunos.

Fonte: www.espacoacademico.com.br

Dia Internacional das Famílias

15 de Maio

A família é um grupo social composto por pessoas, sendo formada por seus ancestrais bem como pelos laços de afetividade entre ambos.

É o primeiro contato social de uma criança, onde aprende a conviver com outras pessoas, a respeitar regras, a se comportar bem, a respeitar seu próximo e a desenvolver sentimentos como: afeto, carinho, amor, proteção dentre outros.

Dia Internacional das Famílias
Nascimento de Jesus – o melhor exemplo de família.

Porém, em virtude de várias famílias não conseguirem manter seus laços, suas raízes e seus princípios, mas por ser muito importante para a formação moral das pessoas, foi merecedora de ganhar um dia especial, que foi definido pela Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), onde esta aclamou o dia 15 de maio como o dia internacional da família, em 1993.

A intenção da criação desta data foi a de mostrar para a sociedade civil os maiores problemas que afligem a vida familiar, o seu dia a dia, ajudando as mesmas a enfrentá-los e resolvê-los de forma mais harmoniosa possível.

Além disso, é importante que valores humanos, bem como de religiosidade, sejam implantados dentro das mesmas, a fim de garantir a ordem, o respeito e a amizade dentro dos ambientes familiares.

Com a modernidade, a independência da mulher e a conquista da liberdade da mesma, as famílias mudaram seus padrões, não são mais constituídas por um pai - chefe da casa - e por uma mãe, do lar. Os modelos familiares de hoje trazem um casal que compartilha as responsabilidades, sendo que o homem também executa tarefas domésticas e a mulher ajuda na parte financeira da casa.

No Brasil, a comemoração ao dia da família passou a ser feita em oito de dezembro de 1963, conforme disposto pelo governo federal do então presidente da república João Goulart, a fim de que seus integrantes pudessem se reunir, garantindo maior união entre os mesmos.

Fonte: www.mundoeducacao.com.br

Dia Internacional das Famílias

15 de Maio

Famílias em transformação: Desafios e oportunidades

O tamanho médio das famílias tem vindo a diminuir em todo o mundo, os jovens casam-se cada vez mais tarde, aumentou a idade média das mulheres ao nascimento do primeiro filho, a taxa de mortalidade infantil diminuiu e os casais têm cada vez menos filhos.

Dia Internacional das Famílias

A grande família tradicional tem sido substituída pela família nuclear, apesar dos avós viverem mais anos e várias gerações de uma família conviverem lado a lado.

Por outro lado, são cada vez mais comuns diferentes formas de união, tais como a união de fato ou os casamentos de trabalhadores migrantes que vivem em cidades ou países diferentes daqueles onde residem os seus cônjuges.

Aumentou o número de divórcios, um fenômeno que foi acompanhado do casamento em segundas núpcias, e são cada vez mais as crianças que vivem em famílias em que há um padrasto ou madrasta.

Surgiu também um considerável número de famílias monoparentais, bem como de agregados familiares constituídos por apenas um elemento e são cada vez mais as pessoas de idade que vivem sozinhas.

Muitas destas transformações põem em causa a estrutura da sociedade tal como a conhecemos.

Exigem que trabalhemos em conjunto para adaptar e definir as políticas de modo que tenham em consideração as necessidades das famílias, e garantam que serviços básicos como a educação e a saúde sejam prestados a todos os cidadãos, especialmente às crianças, independentemente da sua situação familiar.

Algumas das mudanças registadas na estrutura familiar geraram, igualmente, novas oportunidades, nomeadamente novas e mais amplas opções para as moças e as mulheres.

Impulsionaram também os governos a desenvolver novas políticas, em colaboração com a sociedade civil.

E, ao mesmo tempo que os países trabalham para integrar uma perspectiva familiar, no processo nacional de formulação de políticas, o sistema da ONU esforça-se por refletir esta perspectiva no processo intergovernamental mundial.

Fonte: www.nossosaopaulo.com.br

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