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Dia Mundial dos Museus

 

18 de Maio

Você consegue imaginar o mundo sem museus? De imediato, assim, pode até conseguir, mas pense bem e veja se não seria estranho. Não teríamos contato com objetos ou mesmo com fósseis de seres da Terra que tiveram seu tempo de uso e vida em outra época que não a nossa.

Dia Mundial dos Museus

Quando entramos em um museu, não estamos, ao contrário do que muitos pensam ou dizem, entrando em um espaço de coisa velha e mofo. Estamos, isto sim, adentrando em uma verdadeira máquina do tempo, a nos proporcionar uma viagem pelos séculos de um mundo e de uma humanidade, que sequer sonhávamos existir, porque sequer existíamos.

Se não fossem os museus, jamais teríamos a oportunidade de ver, por exemplo, o compasso geométrico de Galileu Galilei, conservado, nos dias atuais, no Castello Sforzesco, em Milão.

MUSEUS NATURAIS

Engana-se quem pensa que um museu precisa ser obrigatoriamente um lugar com porta de entrada e objetos ou quadros expostos sob determinada luz e ambiente. Após a criação pela UNESCO, em 1972, da Convenção do Patrimônio Mundial, isto perde um pouco o sentido ou, pelo menos, um sentido que deveria ser revisto.

Com a Convenção, pretende-se incentivar a preservação de bens culturais e naturais, avaliados como marcos estéticos da humanidade. Valorizam-se cidades ou locais que, além de serem referência histórica e de identidade das nações nas quais se situam, podem ser concebidos como um patrimônio mundial.

A preservação desses lugares fica a cargo do seu país de origem, que recebe o apoio da UNESCO nas atividades de proteção, pesquisa e divulgação.

No Brasil, são dezessete os locais considerados como patrimônio de todos os povos: Ouro Preto (Minas Gerais); Olinda (Pernambuco); São Miguel das Missões (Rio Grande do Sul); Salvador (Bahia); Congonhas do Campo (Minas Gerais); Parque Nacional de Iguaçu (Paraná); Brasília (Distrito Federal); Parque Nacional Serra da Capivara (Piauí); Centro Histórico de São Luís (Maranhão), Diamantina (Minas Gerais), Pantanal Matogrossense (Mato Grosso do Sul), Parque Nacional do Jaú (Amazonas), Costa do descobrimento (sul da Bahia e norte do Espírito Santo), Mata Atlântica do Sudeste (da Serra da Juréia, em São Paulo, até a Ilha do Mel, no Paraná), Parque Nacional das Emas e Parque Nacional Chapada dos Veadeiros (Goiás), Centro de Goiás (Goiás) e Reservas de Fernando de Noronha e Atol das Rocas (Pernambuco e Rio Grande do Norte).

ÚNICOS

Os museus são uma contribuição única no mundo. Através dos anos, preservam os objetos que foram utilizados, inventados ou descobertos pelo homem ao longo de sua existência histórica.

No caso das cidades ou locais preservados como patrimônio histórico e cultural, a própria arquitetura utilizada nas construções de moradias adquire, com o peso do tempo, uma dimensão de arte a ser preservada. E também cultuada.

Pensem ainda nos seres que jamais poderíamos cogitar, não fosse o trabalho de exposição, em museus de história natural, dos esqueletos de animais pré-históricos. Sem dúvida uma fascinante viagem no tempo é o que os museus, em geral, costumam nos proporcionar.

Isto porque tudo o que pode ser visto nos museus representa, na verdade, as riquezas naturais e culturais do mundo.

O PROFISSIONAL DE UM MUSEU

As pessoas que trabalham em museu são, acima de tudo, profissionais que buscam alta qualidade. Todo museu, seja especializado em arte, história ou tecnologia, tem como objetivo principal a primazia cultural.

Nessa área, a performance profissional qualificada é fundamental: atenção a detalhes; capacidade de análise, concentração, observação e organização; criatividade, curiosidade, gosto pela pesquisa e pelos estudos; habilidade manual, interesse em adquirir conhecimentos em outros setores, sensibilidade artística, senso crítico e estético são essenciais para se exercer um bom trabalho.

Não esquecendo que o principal compromisso de um museu é servir ao público e que um bom profissional não deverá jamais perder esse compromisso de vista.

Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

Dia Mundial dos Museus

18 de Maio

História dos museus

A palavra “MUSEU” , de origem grega, significa “templo das musas”., e já era usado em Alexandria para designar o local destinado ao estudo das artes e das ciências.

Hoje, o International Concil of Museums a instituição que conserva coleções de objetos de arte ou ciências, para fins de preservação ou apresentação pública.

Dia Mundial dos Museus

Os museus modernos foram criados no século XVII a partir de doações de coleções particulares como a de Grimani a Veneza. Mas, o primeiro museu como conhecemos hoje surgiu a partir da doação da coleção de John Tradescant, feita por Elias Ashmole, à Universidade de Oxford, conhecido como Ashmolean Museum. O segundo museu público foi criado em 1759, por obra do parlamento inglês, na aquisição da coleção de Hans Sloane (1660-1753), que deu origem ao Museu Britânico.

O primeiro museu público só foi criado, na França, pelo Governo Revolucionário, em 1793: o Museu do Louvre, com coleções acessíveis a todos, com finalidade recreativa e cultural.

O Séc. XIX surgem muitos dos mais importantes museus em todo o mundo, a partir de coleções particulares que se tornam públicas: Museu do Prado (Espanha), Museu Mauritshuis (Holanda).

Somente em 1870, nos Estados Unidos, é fundado o Museu Metropolitano de Arte, em Nova York.

No Brasil, o primeiro museu data de 1862, o Museu do Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano (Pernambuco). Os outros museus brasileiros foram todos fundados durante o século XX, sendo o mais importante, pela qualidade do acervo, o MASP - Museu de Arte de São Paulo, fundado em 1947.

Referências

Besset, Maurice. "Obras, espacios, miradas. El museo en la historia del arte contemporáneo", in A&V-Monografías de Arquitectura y Vivienda, Madrid, 1993

BOURDIEU, Pierre e DARBEL, Alain. L’amour de l’art: les musées et leur public. Paris, Minuit, 1966

DELOCHE, Bernard. Museologica. Contradictions et logique du musée. Pref. André Desvallées. Éditions W, Mâcon,1989
Enciclopædia Britannica do Brasil

SHERMAN, Daniel J., ROGOFF, Irith (ed.) et alii. Museum Culture. Histories. Discourses. Spectacles. Routledge, London, 1994

Fonte: www.museus.art.br

Dia Mundial dos Museus

18 de Maio

MUSEU, MEMÓRIA E CIDADANIA

Conceito de Museu e Museologia

Museus: do templo ao fórum.

A trajetória dos museus no Brasil: do século XVII ao XX. Os museus no mundo contemporâneo. A museodiversidade e a imaginação museal.

Museus: lugares de memória, de esquecimento, de poder e resistência. Museu, desenvolvimento e cidadania: a dimensão sociocultural, política e econômica dos museus. A Política Nacional de Museus.

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PLANO MUSEOLÓGICO: IMPLANTAÇÃO, GESTÃO E ORGANIZAÇÃO DOS MUSEUS.

Conceitos de museu e museologia. Conceitos de projeto, programa e plano museológico. O plano como trabalho coletivo: importância, vantagens e limites. Metodologia para elaboração e implantação do plano museológico. Identificação da missão institucional: finalidades, valores, metas e funções. Identificação de públicos e parceiros. Critérios para avaliação do plano museológico. O diálogo entre o plano museológico e a Política Nacional de Museus. Legislação e documentos institucionais: ata de fundação, decreto de criação, estatuto e regimento interno. Códigos de ética do Conselho Internacional de Museus e do Conselho Federal de Museologia.

ELABORAÇÃO DE PROJETOS E FOMENTO PARA A ÁREA MUSEOLÓGICA

Museu: dinâmica conceitual. Definição de museus adotada pela Política Nacional de Museus. Funções dos museus: preservação, investigação e comunicação. Projeto e fomento: conceitos básicos. O passo a passo para a elaboração de projetos. A importância do planejamento e da metodologia. A política de editais: exemplos práticos. Fontes de financiamento e captação de recursos. O papel das Associações de Amigos e de Apoio aos Museus.

AÇÃO EDUCATIVA EM MUSEUS

Teoria e prática da ação educativa em museus. Museus, educação e patrimônio: desafios contemporâneos. Antecedentes históricos da relação entre educação e museu. Ações educativas nos museus e correntes pedagógicas. Programas museus e escolas, museus e professores, museus e comunidades. Os museus e o ensino das artes, dos ofícios e das ciências. Museu, educação e cidadania: o compromisso social.

CONSERVAÇÃO DE ACERVOS

Os museus e suas funções. Conceitos de preservação, conservação e restauração. Breve histórico da preservação de bens culturais. Fatores de degradação: ação humana, condições ambientais, ataques biológicos e reações químicas. Documentação e conservação preventiva: elaboração de diagnóstico e plano de conservação. Procedimentos técnicos e rotinas de acondicionamento, manuseio, embalagem e transporte. Política de conservação de acervos.

GESTÃO E DOCUMENTAÇÃO DE ACERVOS.

Museu, Museologia e Museografia. A importância da documentação museográfica. Documentação e pesquisa nos museus. Processamento técnico, preservação e gestão da informação. A construção de bases de dados. Sistemas informatizados disponíveis no Brasil para tratamento de informações. Inventário e catalogação. A construção de redes de informação. Política de documentação: da aquisição ao descarte.

TREINAMENTO DE EQUIPES ADMINISTRATIVAS E DE APOIO

Museu: dinâmica do conceito. Diferentes tipologias de museus. Definição de museus adotada pela Política Nacional de Museus. Funções básicas dos museus: preservação, investigação e comunicação. Organogramas e funcionamento. O papel das equipes administrativas e de apoio. A imagem do museu e suas equipes. O caráter público dos museus. Serviços, usuários, beneficiários e bom atendimento. Cuidados básicos com os bens culturais. A importância do público e do trabalho comunitário. Qualidade do museu e qualidade dos serviços. Política de qualificação profissional.

EXPOGRAFIA

Conceitos de museu, museologia e museografia. O que é expografia. Exposição e comunicação museal. Tipologias de exposição. Exposições de curta, média e longa duração. A linguagem das exposições nos museus. Elementos e recursos expográficos: espaço, suportes, forma, cor, som, luz, texturas, imagens, textos e outros. Técnicas e materiais apropriados para exposição. O discurso expográfico. Exposição e conservação. As exposições e seus diferentes públicos. Diferentes processos de documentação e divulgação da exposição. Pesquisa e avaliação: usuários e beneficiários, resultados alcançados e impacto social das exposições.

ARQUITETURA EM MUSEUS

Conceitos de arquitetura e de museu. Arquitetura e conservação de acervos. A relação entre as funções dos museus (preservação, investigação e comunicação) e a arquitetura. Edifícios adaptados e edifícios construídos especialmente para museus – exemplos. A relação entre as funções dos museus e a preservação dos edifícios históricos que os abrigam. Parâmetros básicos para conservação e acréscimos em edifícios e sítios de valor cultural. Componentes das edificações: sistemas construtivos, estruturas, instalações, equipamentos, parâmetros de segurança, acessibilidade e conforto ambiental. Organização espacial: fluxos, usos e serviços. Normatização vigente.

IMPLANTAÇÃO DE SISTEMAS DE MUSEUS

Histórico da criação do Sistema Nacional de Museus (1986). Política Nacional de Museus: histórico, elaboração, legislação. Criação do Sistema Brasileiro de Museus: criação, formação do Comitê Gestor, legislação, funções e atuações. Histórico da criação de Sistema Estadual de Museus: exemplo SEM do Rio Grande do Sul: antecedentes, legislação, decreto de criação, formação do SEM/RS, ações e atuações. Orientações jurídicas e encaminhamentos. Exemplos de organização do setor museológico em Portugal e Espanha.

MUSEU E TURISMO

Definição de turismo como fenômeno econômico, espacial e social. Composição do produto turístico. Mercado turístico. Turismo cultural: práticas européias x práticas latino-americanas. Literatura de referência. Cidades, cidadãos, turismo e lazer. Políticas públicas de cultura e turismo. Museus como destino de lazer e de turismo. Pesquisas de perfil de visitantes e de níveis da satisfação. Estudos de casos.

SEGURANÇA EM MUSEUS

Conceitos de segurança: patrimonial, empresarial e mecânica. Ações preventivas: roubo, furtos, incêndio e vandalismo. Diagnósticos e mapeamento das áreas de risco dos museus. Treinamento e sensibilização dos funcionários. Prevenção e combate a incêndio. Monitoramento eletrônico. Controle de acesso de público às áreas restritas. Segurança nas áreas expositivas e nas reservas técnicas. A documentação como segurança: inventário, catalogação e registro fotográfico. Housekeeping. Laboratório: plano de segurança.

MUSEUS E INTERNET

Conceitos de museu e museologia;breve histórico da Internet; criação e gerenciamento de listas de discussão; visão geral sobre blogs, sistemas de redes sociais na Internet (orkut), tecnologias streaming, estações de rádio na Internet (e-Radio); envio de e-mails para muitos destinatários (mass-mailing); conceitos para criação e hospedagem de sites; linguagens comuns e programas de edição HTML (WYSIWYG); sistemas de gerenciamento de conteúdo (CMS); criação de domínios de Internet (DNS); criação e gerenciamento de fóruns (PHP).

Fonte: museus.ibram.gov.br

Dia Mundial dos Museus

18 de Maio

Museu, um patrimônio do turismo?

1. Introdução

De acordo com o ICOM1, o museu é uma instituição permanente, sem fins lucrativos, a serviço da sociedade e de seu desenvolvimento, aberto ao público, voltado à pesquisa dos testemunhos materiais do homem e de seu entorno, que os adquire, conserva, comunica e, notoriamente, expõe, visando a estudos, à educação e ao lazer.

Segundo Ignarra (2003, p. 11), a OMT2 define o turismo como o englobamento as atividades das pessoas que viajam e permanecem em lugares fora de seu ambiente usual durante não mais do que um ano consecutivo, quer por prazer, quer negócios ou outros fins. Pretende-se discutir que a relação necessária que há entre turismo e museu que segue em caminhos similares, onde um depende do outro, pois há atividade turística nos museus e em patrimônios culturais através do turismo cultural. A potencialidade turística que leva milhões de pessoas aos lugares pode passar a ser também um destino bastante procurado pelos turistas nacionais e estrangeiros, isto é, tornar os museus pontos atrativos e culturais, no qual se possa fugir do cotidiano sol, praia e floresta. Para isso, é necessária a parceria entre turismo e museus, onde se pode inserir a visitação a pelo menos um museu ou centro cultural nos roteiros das viagens, independente do destino a ser visitado, para que se possa obter conhecimento e submergir com a cultura local.

Dia Mundial dos Museus

No Brasil, a “exploração” do turismo cultural vem obtendo um crescimento significativo nos últimos anos, pois os números já comprovam que o pensamento de que “museu é lugar de coisas velhas e de mofo” já está sendo abandonando por aqueles que realmente buscam cultura e lazer concomitantemente. Em outras palavras, está crescendo o número de visitações aos acervos dos museus. Porém mesmo com este crescimento, sua demanda ainda é pequena, principalmente no Rio de Janeiro, por falta de incentivo do poder público e privado, os quais poderiam desenvolver projetos para que as instituições museológicas passem a se tornar auto-sustentáveis, incluindo-os às visitações públicas.

2. História

De acordo com a mitologia e a história da Grécia Antiga, da união de Zeus (deus supremo) com Mnemósine (deusa da memória) nasceram nove musas, cuja missão era proteger as artes. As musas possuíam criatividade e grande memória, tinham seus próprios templos, os Templos das Musas ou mouseion e neles eram feitas as reuniões culturais, onde as diversas modalidades das artes, como danças, poesias e narrações, eram ensinadas e preservadas.

O conceito de museu se originou durante a civilização grega, quando foi construído o primeiro mouseion do qual se tem notícia, em Alexandria, por volta de século II antes de Cristo. Era o local de reuniões dos sábios, poetas, artistas e seus discípulos. Continha uma biblioteca que armazenava cerca de 700.000 manuscritos com todo conhecimento humano em diversas áreas, como filosofia, astronomia, medicina, zoologia, história etc. Também havia salas de reuniões, observatórios, laboratórios, jardins zoológicos e uma sala que se armazenavam os objetos de estudos. Enfim, um local para conservação, estudo e guarda de objetos - origem mais distante do conceito de museu.

Alguns autores afirmam que o hábito colecionista é tão antigo quanto o homem, dependendo do contexto em que é inserido e de acordo com os seus diversos significados e motivos. Então, pode-se dizer que há ligação entre museu e coleção3, pois é a prática desse ato que se dá início a criação de um museu, com suas diversas obras e objetivos.

Como exemplo, tivemos os romanos que foram grandes colecionadores e todas as regiões ocupadas por eles, eram pilhadas pelos soldados e seus objetos de valores recolhidos para decorar os palácios dos imperadores, generais e familiares, ao longo dos séculos. Diz Hernández (1994, p. 13) que, na cultura romana a palavra mouseion designa uma edificação particular onde eram realizadas reuniões filosóficas sem, contudo, se referirem às coleções.

3. Museus no Brasil

Acredita-se que o primeiro museu aberto ao público no mundo, surgiu em 1784 no Rio de Janeiro, nomeado Casa Histórica Nacional, conhecida como Casa dos Pássaros, pelo vice-rei Dom Luís de Vasconcelos. Tinha por objetivo expor ao público exemplar de pássaros e animais vivos ou taxidermizados, os quais regularmente eram enviados para a Corte, em Portugal. Estas coleções serviam para enriquecer o governo português, seus museus ou seus palácios. Seu funcionamento foi por pouco mais de 20 anos e ao seu término as coleções foram transferidas para a Academia Militar, inaugurada em 1810. Porém há um conflito de informações, pois para alguns pesquisadores a Família Real Portuguesa, quando chegou ao Brasil, em 1808, trouxe consigo parte da Biblioteca Real e sua coleção de pinturas, como também objetos de propriedade do Rei Dom João VI e, surgi então o primeiro museu público no Brasil no século XIX, criado em 06 de junho 1818, no Rio de Janeiro.

O Museu Real, atual Museu Nacional, tinha por objetivo atender aos interesses de promover o progresso cultural e econômico no país, com a iniciativa cultural do Rei Regente, e reunia coleções de História Natural, transferidas da Escola Militar, da Coleção Wern4 e doações feitas também pelo Rei regente. No ano subseqüente, foi agrupado ao Museu Real o Jardim Botânico. Já como nomenclatura de Museu Imperial, recebeu doações de museus, como da Dinamarca, Gênova, Roma, Ilhas Sandwich, Berlim, entre outros. Ampliando então o seu acervo, também com doações feitas pelo Imperador Dom Pedro II de “presentes culturais”.

Torna-se então a instituição pioneira no estudo das ciências naturais do Brasil Império. Em 1816, com a chegada da Missão Artística francesa, surge a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios a fim de qualificar a mão-de-obra local. Em 1820 houve um desmembramento e é criada a Academia de Belas Artes, com o objetivo somente de ensino artístico. Após um ano, com a volta de Dom João VI a Portugal, sua coleção de pinturas foi incorporada à Academia de Belas Artes, dando início à Pinacoteca daquela instituição. Em 1889, o ano da Proclamação da República, ocorreu um movimento para separar o Museu da Academia, desde então nomeada Escola Nacional de Belas Artes, porém concretizada somente em 1937, com a criação do Museu Nacional de Belas Artes. Ainda com incentivo Real foram criados no século XIX, pelo Imperador Dom Pedro II, o Museu Paulista, em 1855, na cidade de São Paulo e o Museu Emílio Goeldi, em 1866, em Belém do Pará.

A Semana de Arte Moderna, conhecida popularmente por Semana de 22 se deu em São Paulo, objetivando comemorar o Centenário da Independência e a Pinacoteca Estadual da cidade, visando ocupar seu espaço no cenário cultural brasileiro. Liderada por um grupo de intelectuais e artistas de São Paulo, a exposição promoveu pinturas e esculturas, recitais de poesias, apresentações teatrais e musicais. Ficou então conhecido nos meio artístico e intelectual, que buscava arejar a austeridade acadêmica das instituições e, ao mesmo tempo, resgatar valores que nos fizessem olhar para o Brasil como um todo, com as suas diversas formas de expressões e manifestações culturais.

Com a criação do SPHAN em 1937, que passou posteriormente a ser IPHAN5, foram implantados gradualmente pelo Governo Federal, novos museus com temáticas diferentes em diversas cidades do Brasil, devido à importância que o patrimônio histórico e artístico nacional passou a adquirir pelos vários artistas, pensadores e uma parcela da população da época. Logo, então, começa a criação de museus particulares por conta da iniciativa privada, surgindo assim novas e famosas instituições museológicas no país.

4. Turismo e Patrimônio Cultural

Em 13 de janeiro de 1937 pela Lei nº 378, surge o Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) para a preservação do patrimônio cultural brasileiro, no qual foi elaborado um anteprojeto de Lei para a salvaguarda desses bens. Com a criação do artigo 1° do Decreto-Lei nº 25, assinado pelo Presidente Getúlio Vargas, em 30 de novembro de 1937, definiu-se o patrimônio histórico e artístico nacional como um conjunto de bens móveis e imóveis, cuja conservação fosse de interesse público, quer por sua vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil, quer por seu excepcional valor arqueológico ou etnográfico, bibliográfico ou artístico. Desde então vem sendo realizado um trabalho permanente de identificação, documentação, proteção e promoção do patrimônio cultural brasileiro.

Hoje o Ministério da Cultura está perpetuado ao Instituto. Os museus então inseridos no conjunto de patrimônio material, que segundo o IPHAN, com base em legislações específicas é composto por um conjunto de bens culturais classificados segundo sua natureza, nos quatro Livros do Tombo: arqueológico, paisagístico e etnográfico; histórico; de belas artes; e das artes aplicadas.

Com bases nessas palavras, pode-se observar que os bens brasileiros, como acervo arquitetônico e urbanístico; documental e etnográfico estão sendo tombados, restaurados e revitalizados para a permanência destes acervos. Vale ressaltar que vem sendo constituída através da instituição a proteção de paisagens e acidentes geográficos notáveis nos quais são constituídos pelo homem.

A instituição museu como um todo se enquadra perfeitamente na definição de patrimônio histórico e artístico nacional, pois geralmente os prédios que abrigam estas instituições foram testemunhas de fatos memoráveis da história do país ou de uma região, bem como o seu acervo composto geralmente por obras raras nacionais e internacionais. Na atividade turística o patrimônio cultural encontra-se inserido dentro dos atrativos histórico-culturais. Para Beni, (2003, p.308), atrativos histórico-culturais:

São manifestações sustentadas por elementos materiais que se apresentam sob forma de bens imóveis ou móveis. Para os bens imóveis deverão ser considerados apenas aqueles ditos fixos, entendendo-se por bens móveis fixos aqueles pertencentes ou não a coleções ou acervos, que estejam em exposições permanentes no mesmo local.

A relação entre turismo e patrimônio é importante no que diz respeito à valorização e divulgação da cultura de um país ou de uma determinada região. A atividade turística desenvolvida de forma planejada pode inclusive contribuir para a sustentabilidade dos bens culturais.

São cada vez mais comuns às ações de depredação e vandalismo junto aos patrimônios histórico e cultural sendo um agravante no desenvolvimento do turismo cultural. Entende-se que quando turismo e patrimônio conseguirem caminhar de forma harmoniosa é provável, inclusive, que a degradação ao patrimônio histórico-cultural possa ser controlada. Sabe-se que a medida mais concreta para proteger o patrimônio é o tombamento, ou seja, o registro deste bem num “livro de tombos”, em cujas páginas ficam registrados os bens considerados valiosos e sujeitos às leis de preservação, o que implica em “não poderem ser demolidos” além de não poderem ter suas características modificadas. No entanto, não basta apenas tombar o patrimônio, é necessário criar ações que o tornem auto-sustentável, como por exemplo, no caso de bens públicos, a criação de centros culturais, instituições museológicas e até mesmo a cessão do espaço para abrigar outros tipos de repartições.

Acredita-se que a atividade turística planejada possa servir como ferramenta de dinamização e conscientização no que diz respeito à preservação e conservação dos patrimônios histórico-culturais. Segundo Barreto (2000, p. 20), preservar significa proteger, resguardar, evitar que alguma coisa seja atingida por alguma outra que lhe possa ocasionar dano.

Conservar significa manter, guardar para que haja uma permanência no tempo. Baseando-se na afirmação da autora, é possível dizer que o aproveitamento econômico dos bens culturais, incluindo o uso para atividades turísticas, pode ser um importante fator para preservação e conservação desses bens, o que poderia inclusive, torná-los auto-sustentáveis. Considera-se como desenvolvimento sustentável do turismo “aquele que atende às necessidades dos turistas atuais, sem comprometer a possibilidade do usufruto dos recursos pelas gerações futuras” (RUSCHMANN, 1997, p. 10). Este conceito de turismo sustentável está diretamente ligado à preservação e sustentabilidade dos meios naturais e culturais, considerados como atrativos básicos para o turismo de uma região.

Carolina Juliani de Campos, consultora do Ministério do Turismo (Mtur), também acrescenta que o turismo cultural é uma via de valorização do patrimônio: “Além de proporcionar o conhecimento e o respeito ao patrimônio, já que só preservamos aquilo que conhecemos, cria-se a possibilidade de uma sustentabilidade econômica para a preservação dos bens em questão, por meio de taxas pagas pelos turistas visitantes”, afirma6.

5. Turismo nos Museus

O hábito de viajar é antigo, mas atualmente o turismo se tornou uma atividade que move milhões de pessoas em todo o mundo de acordo com seus motivos diversos. Há algumas cidades que têm como grande potencial econômico o turismo, e alguns autores chegam a afirmar que atualmente é a atividade número um, detendo aproximadamente 6% do conjunto dos Produtos Nacionais Brutos (PNB) do mundo, pois caminha em um ritmo mais avançado que os demais setores da economia mundial.

Até o consideram um fenômeno social contemporâneo por atingir quase todos os países e comunidades, além de promover a imagem dessas localidades em nível internacional. Em algumas cidades quando se pensa em turismo logo se associa a museu, como em Nova York, o Metropolitan Museum ou o Museu de Arte Moderna, na Espanha, o Museu do Prado ou o Reina Sofia, em Paris, o Louvre ou o Museu D’Orsay, e em Londres, o Britsh Museum. Em alguns destinos turísticos há visitação a pelo menos um museu, onde se encontra inclusa nos pacotes comercializados pelas agências de viagem e no receptivo local. Porém o Brasil, famoso por suas praias e natureza, ainda há um número reduzido de empresas do trade que incluem em seus pacotes turísticos a visitação aos museus.

Dentre os países latino-americanos, somente o México ocupa atualmente o posto de sétimo país mais visitado do mundo [...]. Enquanto isso, o Brasil, com toda sua potencialidade em todos os segmentos, e que ultrapassa o circuito sol e praia, continua amargando a 30ª posição, apesar de ter havido. um incremento bastante grande de turistas no país nos últimos três anos. (Vasconcellos, 2006, p. 33)

Pelas palavras do autor, se pode observar que a Cidade do México é um bom exemplo para o fenômeno turístico em relação aos países da América Latina. O País preserva sua identidade nacional, como seus sítios arqueológicos monumentais – museus a céu aberto, onde são os maiores atrativos turísticos, além de ser “obrigatório” nos pacotes turísticos visitação ao Museu Nacional de Antropologia, ao Museu do Templo Maior e as Ruínas de Teotihuacán. Porém para chegar a este padrão, segundo alguns autores, foi necessário a formação e capacitação de diversos profissionais onde foram oferecidos treinamentos aos técnicos em conservação e restauração, educadores e museólogos para o desenvolvimento moderno e interativo de exposições, de acordo com sua linguagem e significado.

Alguns autores dizem que, no Brasil o turismo e a cultura seguem em caminhos distintos, pelos museus serem um patrimônio histórico cultural e o turismo uma atividade de iniciativa privada, porém eles estão diretamente interligados, pois como o próprio nome já diz, é uma instituição que preserva a cultura e então juntamente com o turismo, busca a dinamização desta por meio das comunidades receptoras, na qual recebem os turistas. Existem instituições museológicas de vários aspectos no país, tais como histórica, da arte, arqueológica e da ciência com qualidade, no qual suas coleções atraem turistas nacionais e estrangeiros, além do paisagismo encontrado no entorno dessas instituições, como jardins ou parques. Para uma boa apresentação dessas locais ao seu público alvo, é necessária a parceria com o turismo que pode se tornar uma das principais estratégias para atrair os visitantes.

Acredita-se que o museu pode representar um papel importante na construção do projeto turístico, pois ele tem como uma de suas funções preservar e proteger o patrimônio para garantir uma análise do desenvolvimento e qualidade de vida das pessoas, e não deve ser visto apenas pelo público escolar, mas também pela comunidade local, turistas nacionais e estrangeiros. Atualmente as instituições museológicas, mesmo sendo ainda uma prática tímida, vêm perdendo o preconceito e se abrindo ao marketing para que se tornem também um fenômeno de massa, como é esta atividade em outros países, pois devem atender a demanda proveniente do turismo para que haja um caminho onde se ligue estas instituições ao desenvolvimento econômico.

Para uma perfeita integração e um real aproveitamento das instituições museológicas pelo turismo é necessário que haja investimento em infra-estrutura adequada para o recebimento de turistas e visitantes, como por exemplo, monitores bem treinados, acesso adaptado a deficientes físicos, exposições itinerantes, biblioteca atualizada e com funcionamento hábil, banheiros e bebedouros higiênicos, loja de souvenirs, lanchonete ou restaurante, entre outros itens.

Os serviços como restaurantes, cafés e lojas de souvenirs integrados no espaço museal, podem inclusive, contribuir junto à venda de ingressos para manutenção da instituição uma vez que a verba pública destinada aos museus tem valores baixos mediantes aos altos custos de manutenção de um acervo ou de uma reserva técnica, por exemplo. Atualmente, é cada vez mais crescente o número de museus que encontram no turismo uma fonte de sustentação.

Ao falar da atividade turística que move milhões de pessoas e de capitais, torna-se interessante mencionar a diversificação cultural proposta por esta atividade. O turista ao viajar se propõe a estar em contato com outras culturas o que proporciona uma dinamização e a apropriação de alguns hábitos e costumes. Uma cultura está sempre interagindo com outra, o que cria uma harmonia entre os indivíduos, e que pode ao longo do tempo proporcionar uma reconstrução com novos olhares onde cada indivíduo acaba por agregar algumas de suas experiências interculturais a sua vida diária.

A seguir Vasconcellos (2006, p. 32) diz que do ponto de vista antropológico, o turismo é considerado uma atividade transcultural vinculada aos mecanismos sociais de consumo próprio de um mundo globalizado, e que vem experimentando um desenvolvimento extraordinário. Baseando-se no autor se pode concluir que cultura é algo dinâmico e encontra-se sempre em restauração, e o museu pode converter-se em um instrumento para fortalecer e problematizar as identidades e integrações das comunidades, promovendo a tolerância, o respeito e a aceitação da diversidade cultural.

O museu se apresenta como um lugar de convivência que abre suas portas para que toda e qualquer categoria de público possa usufruir de um espaço não só de lazer, mas fundamentalmente de reflexão a respeito da memória histórica e de um simbolismo transcendente. (Vasconcellos, 2006, p. 37).

Pelas palavras do autor, se pode observar a relação do turismo com o lazer, do lazer com os museus e dos museus com o turismo. Alguns autores afirmam que, ao atrair a atenção para o patrimônio natural ou cultural, o turismo promove sua conservação e valorização. No Brasil, no caso do Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, dentre os muitos museus, os mais procurados e que em alguns casos já estão inseridos em roteiros históricos cultural são: Museu Imperial, em Petrópolis e o Museu de Arte Contemporânea – MAC, em Niterói. Acredita-se que o museu com perspectiva de aprendizado e busca de conhecimento possa tornar-se uma ferramenta de apoio não só ao aprendizado, mas também ao desenvolvimento de atividades turísticas. No caso dos museus a segmentação turística aplicada seria o Turismo cultural. Segundo, Beni (2003, p.431):

Turismo cultural refere-se a influência de turistas a núcleos receptores que oferecem como produto essencial o legado histórico do homem em distintas épocas, representado a partir do patrimônio e do acervo cultural, encontrado nas ruínas, nos monumentos, nos museus e nas obras de arte.

O Turismo cultural praticado em instituições museológicas é uma das segmentações da atividade turística que se encontra presente praticamente em todos os destinos turísticos do mundo, por menor ou mais simples que seja um destino, quase sempre haverá um museu.

Segundo Vasconcellos, (2006, p.51), [...] o turismo cultural já é considerado no Brasil a terceira opção de viagem dos turistas internacionais, depois da consagrada e tradicional opção praia e sol e do ecoturismo. Turismo, cultura e patrimônio interagem entre si, onde buscam produtividade na abrangência do conhecimento, pois são responsáveis também pela proposta turística. Como diz Azevedo (1998, p. 149):

O turismo, por natureza e essência, implica a busca de diferenças. Diferenças traçadas pela cultura e pelo patrimônio. Ao representar um dos veículos mais importantes de divulgação cultural, o turismo emerge, ele próprio, como instrumento de reafirmação de cultura(s) e de patrimônios singulares.

A atividade turística tem na cultura e no patrimônio dois contrapés insubstituíveis que permitem usufruir o encontro de singulares, visto como ambos possuem acervo acumulado e cumulativo. Por mais que a relação entre turismo e museu seja ainda rudimentar, se deve ser repensado no que diz respeito a turismo cultural onde o mercado deve obter um maior desenvolvimento e são necessários alguns investimentos pelos museus, comunidades envolvidas e das empresas ligadas direta e indiretamente ao turismo. Vale ressaltar a importância fundamental do potencial turístico dos museus.

Como exemplo, se pode citar duas famosas cidades do Estado do Rio de Janeiro por sua história e seu patrimônio histórico e cultural: Parati, por seu centro histórico e Petrópolis, nomeada cidade imperial.

6. Considerações Finais

Sabe-se que este estudo, que se propôs analisar a relação existente entre museu, patrimônio cultural e turismo, não se encerra aqui. Contudo, para efeito de considerações finais, espera-se salientar alguns dos aspectos relevantes ao logo da pesquisa. Durante este estudo foi possível observar a inter-relação entre turismo e museus, onde pode vir a se tornar um atrativo de grande potencial de for bem planejado, pois se acredita que a atividade turística desenvolvida de forma integrada com patrimônios material e imaterial pode, inclusive, servir de agente propagador e quem dinamiza culturas.

Os museus devem promover meios para salvaguardar e garantir a conservação, realce e apreciação dos monumentos e sítios que constituem uma parte privilegiada do patrimônio da humanidade. Outro aspecto foi quando se discutiu a “nova” concepção das instituições museológicas que deixaram de ser apenas depósitos de coisas velhas para mostrar seus objetos e fazer chegar sua mensagem ao público de uma forma dinâmica, assim como recursos de multimídia e outros recursos tecnológicos. Através deste processo de inovação o museu passou a ser complemento necessário do turismo, superando preconceitos de ambas as partes.

Durante este estudo, também se buscaram alguns exemplos de interação entre atividade turística e patrimônio cultural, onde encontramos em alguns museus, tais como: MASP - SP e Museu Imperial – Petrópolis – RJ, a integração do espaço museal e turismo através de atividades comerciais agregadas, como por exemplo, livrarias, cafés, bistrôs e lojas de souvenirs. Junto à venda de ingressos estas atividades um tanto diversificadas têm contribuído para manutenção do patrimônio cultural. O reconhecimento da importância do papel educativo dos museus acabou gerando inúmeras reflexões que estão ampliando a importância da atuação destas instituições não só junto ao público escolar, muito comum nos museus, mas também para outros segmentos de visitantes nacionais e estrangeiros.

No entanto, é necessário deixar claro que o patrimônio deve ser valorizado por sua importância na história ou na identidade local e não pelo valor que ele possa vir a ser “vendido” como atrativo turístico. Para que patrimônio e turismo possam ter uma convivência saudável, é necessário que haja planejamento, o que inclui controle permanente a fim de amenizar o máximo possível os impactos gerados pela atividade turística. Preservar o Patrimônio é preservar a memória e a identidade de um povo e de uma Nação.

Referências Bibliográficas

AZEVEDO, Cristiane. V. Um Engenho de Memórias: Turismo, memória e patrimônio movendo a Fazenda Engenho Novo. Monografia (Graduação em Turismo) – Faculdade Paraíso – São Gonçalo, Rio de Janeiro, 2008.

BARRETO, Margarita. Turismo e Legado Cultural: as possibilidades do planejamento. 5 ed. Campinas, São Paulo: Papirus, 2000.

BENI, Mário Carlos. Análise Estrutural do Turismo. 9 ed. São Paulo: Editora Senac, 2003.

FUNARI, Pedro Paulo & PINSKY, Jaime (orgs). Turismo e Patrimônio Cultural. São Paulo: Contexto, 2001.

HOLANDA FERREIRA, Aurélio Buarque de. Novo Aurélio do século XXI: o dicionário da língua portuguesa. 3 ed. Rio de janeiro: Nova Fronteira, 1999.

ICOM – CONSELHO INTERNACIONAL DE MUSEUS / COMITÊ BRASILEIRO. Disponível em: < http://www.icom.org.br>. Acesso em: 15 de outubro de 2008.

IPHAN – INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL. Disponível em: <http://www.iphan.gov.br>. Acesso em: 15 de outubro de 2008.

TEXEIRA CORIOLANO, Luzia Neide Menezes (orgs). Turismo com Ética. Fortaleza: UECE, 1998.

VASCONCELLOS, Camilo de Mello. Turismo e Museus. São Paulo: Aleph, 2006. (Coleção ABC do Turismo).

Fonte: www.setur.ufop.br

Dia Mundial dos Museus

18 de Maio

Dúvidas mais freqüentes

O que é um museu?

Museu é o espaço institucionalizado onde se desenvolve a relação específica do homem/sujeito com o bem cultural. Em uma definição de caráter operacional, de 1974, o Conselho Internacional de Museus – Icom conceitua museu como “estabelecimento permanente, sem fins lucrativos, a serviço da sociedade e de seu desenvolvimento, aberto ao público, que coleciona, conserva, pesquisa, comunica e exibe, para o estudo, a educação e o entretenimento, a evidência material do homem e seu meio ambiente”.

O que é bem cultural?

Bem cultural, em seu sentido amplo, compreende todo testemunho do homem e seu meio, apreciado em si mesmo, sem estabelecer limitações derivadas de sua propriedade, uso, antiguidade, ou valor econômico. Os bens culturais podem ser divididos em três grandes categorias:

Bens naturais

Rios, cachoeiras, matas, florestas, grutas, climas, etc. (patrimônio natural);

Bens materiais

Sítios e achados arqueológicos (patrimônio arqueológico); formações rurais e urbanas (patrimônio urbanístico); agenciamentos paisagísticos (patrimônio paisagístico); bens móveis, como objetos de arte, objetos utilitários, documentos arquivísticos e iconográficos; bens imóveis, como edificações rurais e urbanas (patrimônio artístico e arquitetônico); e

Bens imateriais

Tradições e técnicas “do fazer” e “do saber fazer” humanos, como polir, esculpir, construir, cozinhar, tecer, pintar, etc. (patrimônio intelectual); as expressões do sentimento individual ou coletivo, como as manifestações folclóricas e religiosas, a música, a literatura, a dança, o teatro, etc. (patrimônio emocional).

O que é patrimônio cultural?

Entende-se por patrimônio cultural toda a produção humana, de ordem emocional, intelectual, material e imaterial, independente de sua origem, época natureza ou aspecto formal, que propicie o conhecimento e a consciência do homem sobre si mesmo e sobre o mundo que o rodeia. Esse conceito se conjuga com o próprio conceito de cultura, entendida como um sistema interdependente e ordenado de atividades humanas na sua dinâmica, em que não se separam as condições do meio ambiente daquelas do fazer do homem; em que não se deve privilegiar o produto – habitação, templo, artefato, dança, canto, palavra – em detrimento das condições históricas, socioeconômicas, étnicas e ecológicos em que tal produto se encontra inserido.

O que é um acervo museológico?

O acervo museológico se constitui de bens culturais, de caráter material ou imaterial, móvel ou imóvel, que compõem o campo documental de possível interesse de um museu. É o conjunto de objetos/documentos que corresponde ao interesse e objetivo de preservação, pesquisa e comunicação de um museu. A título de exemplo, todo documento que ateste a vida e obra do escritor Guimarães Rosa apresenta interesse para o Museu Casa Guimarães Rosa – MCGR, em Cordisburgo, MG, independente de encontrar-se ou não sob a sua custódia, se constitui em acervo museológico do autor.

O que é uma coleção?

Uma coleção é um conjunto de objetos naturais e artificiais – reunidos por pessoas ou instituições – que perderam seu valor de uso, mantidos fora do circuito econômico, sujeitos à proteção especial, em local reservado para esse fim. Mas o que, de fato, caracteriza e distingue os objetos de coleções de outros conjuntos de objetos é o papel de representarem determinadas realidades ou entidades, constituindo-se em intermediários entre aqueles que olham, os espectadores, e o mundo não visível – passado, eternidade, mortos, etc. – que representam. Essa função das coleções pode ser exemplificada pela Coleção Geraldo Parreiras, do Museu Mineiro, que reúne objetos de arte sacra, na sua maioria originários de Minas Gerais, nos séculos XVIII e XIX. Materializando o passado, essa coleção expõe, aos homens do presente, objetos aos quais se atribui o papel de representar a sociedade mineradora do século XVIII, marcada pela religiosidade católica e a estética barroca.

O que é um inventário?

Um inventário é a metodologia de pesquisa que constitui o primeiro passo na atividade de conhecimento, de salvaguarda e de valorização dos bens culturais de um acervo, consistindo na sua descrição individual, padronizada e completa, para fins de identificação, classificação, análise e conservação.

O que é conservação?

Conservação é o conjunto de medidas destinado a conter as deteriorações de um objeto ou resguardá-lo de danos. De maneira geral, é sinônimo de preservação, mas, dentro do universo dos museus, diferencia-se pelo caráter mais específico, pressupondo-se uma materialidade. Identifica-se com os trabalhos de intervenções técnicas e científicas, periódicas ou permanentes, repetidos e continuados, aplicados diretamente sobre uma obra ou seu entorno, com o objetivo de prolongar sua vida útil e sua integridade.

O que é exposição?

Uma exposição é a exibição pública de objetos organizados e dispostos com o objetivo de comunicar um conceito ou uma interpretação da realidade. Pode ser de caráter permanente ou temporário, fixa ou itinerante.

O que é curadoria?

Curadoria é a designação genérica do processo de concepção, organização e montagem da exposição pública. Inclui todos os passos necessários à exposição de um acervo, quais sejam: conceituação, documentação e seleção do acervo, produção de textos, publicações e planejamento da disposição física dos objetos. Refere-se também ao cargo ou função exercida por aquele que é responsável por zelar pelo acervo de um museu.

O que é reserva técnica?

É o espaço físico utilizado para o armazenamento das peças do acervo de um museu, quando essas peças não estão em exposição. A guarda de um acervo demanda uma reserva técnica, com condições físicas adequadas, condições climáticas estáveis e condições de segurança apropriadas à conservação das obras.

Como criar um museu?

Um museu é uma instituição pública ou privada definida juridicamente. Grande parte dos museus surgiu de coleções, mas atualmente eles surgem da definição de um conceito expresso em um planejamento museológico. A publicação da Superintendência de Museus, Cadernos de Diretrizes Museológicas, poderá auxiliar a criação de um museu. Nela você encontrará informações sobre o planejamento museológico e um modelo de lei de criação de um museu.

Como registrar um Museu Municipal?

O projeto de implantação de um museu municipal deve ser respaldado por lei específica. O texto da lei deve conter artigos referentes aos objetivos, às finalidades, atribuições, estrutura técnico-administrativa e seu local de funcionamento. Para orientar as prefeituras sobre a criação de um museu, segue modelo de lei preparado pela Assessoria Jurídica da Secretaria de Estado da Cultura.

O que é uma Associação de Amigos do Museu?

É uma instituição privada, sem fins lucrativos e de utilidade pública, que auxilia os museus na gestão de projetos em parceria com a sociedade civil. Algumas fontes de financiamento só são possíveis com a parceria de uma Associação de Amigos.

Como criar uma Associação de Amigos do Museu?

Os museus contam com o apoio de representantes da comunidade local, que são constituídos juridicamente na forma de Associação de Amigos. Amparando o poder público na gestão dos espaços, as associações de amigos têm tido papel definidor em projetos bem sucedidos de muitos museus. A Associação de Amigos necessita de um alvará de funcionamento expedido pela prefeitura e o registro em cartório de seu estatuto. Segue um modelo de estatuto de associação de amigos.

O que é a ação educativa de um museu?

A ação educativa de um museu se constitui dos procedimentos que promovem a educação no museu, tendo o acervo museológico como centro de suas atividades. Ela visa promover a participação, reflexão crítica e transformação da realidade social integrada à apropriação de uma cultura museal. Nesse caso, deve ser entendida como uma ação cultural, que consiste no processo de mediação, permitindo ao homem apreender, em um sentido amplo, o bem cultural, com vistas ao desenvolvimento de uma consciência crítica e abrangente da realidade que o cerca. Seus resultados devem assegurar a ampliação das possibilidades de expressão dos indivíduos e grupos nas diferentes esferas da vida social. Concebida dessa maneira, a ação educativa nos museus promove sempre benefício para a sociedade, determinando, em última instância, o papel social dos museus.

O que é musealização?

A musealização é uma das formas de preservar o patrimônio cultural, realizada pelo museu. Constitui a ação, orientada por determinados critérios e valores, de recolher, conservar e difundir objetos como testemunhos do homem e do seu meio. Processo que pressupõe a atribuição de significado aos artefatos, capaz de conferir-lhes um valor documental ou representacional.

O que é museografia?

A museografia é o campo do conhecimento responsável pela execução dos projetos museológicos. Através de diferentes recursos – planejamento da disposição de objetos, vitrines ou outros suportes expositivos, legendas e sistemas de iluminação, segurança, conservação e circulação – a museografia torna possível apresentar o acervo, com o objetivo de transmitir, através da linguagem visual e espacial, a proposta de uma exposição.

O que é museologia?

É a disciplina que tem por objeto o estudo de uma relação específica do homem com a realidade, ou seja, do homem/sujeito que conhece com os objetos/testemunhos da realidade, no espaço/cenário museu, que pode ser institucionalizado ou não. Nas últimas décadas, com a renovação das experiências no campo da museologia, o entendimento corrente de que se trata da ciência dos museus, que se ocupa das finalidades e da organização da instituição museológica, cede lugar a novos conceitos, além do descrito acima, tais como, estudo da implementação de ações de preservação da herança cultural e natural ou estudo dos objetos museológicos.

Fonte: www.cultura.mg.gov.br

Dia Mundial dos Museus

18 de Maio

A mitologia grega conta que Mnemósine era a deusa Memória. Tinha nove filhas, as Musas, que se reuniam no Mouseîon (palavra grega que significa "museu") para estudar artes, filosofia e ciências. O Mouseîon, era também o palco das exposições organizadas pelas musas, para agradar aos deuses. Com o tempo, os museus ganharam vida e se espalharam pelo mundo.

O primeiro espaço a receber o nome de "museu" foi o de Alexandria, no Egito, no século III a.C., no lugar onde se reuniam os cientistas da época.

Durante a Antigüidade, surgiram vários museus que desapareceram na Idade Média, a partir do século V. O Renascimento, que ocorreu entre os séculos XV e XVI, reacendeu o desejo de conhecimento. Assim, surgiram coleções particulares de obras antigas, principalmente de estátuas gregas e romanas. O primeiro edifício projetado para ser museu foi a Galeria degli Ufizzi (Galeria de Escritórios), em Florença, Itália. começou abrigando obras de arte da família Médici, que financiou muitos artistas. No século XVIII, as coleções dos príncipes deram origem a grandes museus, como o Louvre, em Paris, e o Museu Britânico, em Londres, que reúnem obras do mundo inteiro.

O Museu de Arte de São Paulo (MASP), um dos cartões - postais da capital paulista, é um mouseîon brasileiro. É o maior museu de arte da América Latina, com obras de grandes artistas estrangeiros - como Rembrandt, Van Gogh, Velásquez, Renoir, Cézanne, Manet e Picasso - e brasileiros - como Cândido Portinari, Anita Malfatti e Almeida Júnior.

Em São Paulo, há outro museu de importância nacional: o Museu Paulista, mais conhecido como Museu do Ipiranga, inaugurado em 1895. Possui um grande acervo histórico, com mais de 125 mil peças, entre móveis, quadros, documentos e objetos. Há destaque para o Salão Nobre, onde estão objetos ligados ao dia 7 de setembro, como a carta de D. Pedro aos paulistanos e o quadro Independência ou morte, de Pedro Américo.

O Mosteiro da Luz, construído e fundado em 1774, por frei Antônio Galvão, abriga o Museu de Arte Sacra, com peças religiosas do pintor Manuel da Costa Ataíde e do escultor Aleijadinho, entre outros.

O Museu Nacional, fundado em 6 de junho de 1818, no Rio de Janeiro, por D. João VI, é o mais antigo museu brasileiro e o mais importante da América do Sul. Está instalado no Palácio de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista, que foi residência da família real. Antes chamava-se Museu Real, mas a partir de 1922 recebeu o nome atual. Em seu acervo há mais de um milhão de objetos brasileiros, egípcios, gregos, romanos, peruanos, mexicanos e norte-americanos.

No mundo, atualmente, há museus para tudo. Em muitos deles, os visitantes podem interagir com o espaço, tocando nas peças, jogando com elas ou confeccionando seus "objetos de museu", mexendo com argila ou pintando. Com a recente tecnologia da computação, a internet possibilita ao internauta a visita a museus dos mais variados países, on-line, ou seja, sem que precise sair de casa.

Fontewww.paulinas.org.br

Dia Mundial dos Museus

18 de Maio

PORQUE VISITAR MUSEUS?

Infelizmente ainda estão distante de serem um dos locais mais desejados e visitados pelo público brasileiro em geral. Nos referimos aos museus, que permite sim uma grande satisfação para quem tem verdadeiro interesse em fazer e desenvolver uma análise de diferentes períodos de nossa história. Não necessariamente de nosso passado. Os museus possuem também a capacidade de revelar para o visitante que ele mesmo - como tal - faz parte do processo histórico.

É aí que este humilde artigo pretende revelar, de forma sucinta, o que está envolvido numa simples visita a um museu. Talvez respondendo perguntas como: o que podemos aprender indo aos museus? O que podemos fazer antes de irmos a um determinado museu?

Origens

A primeira exposição de objetos organizada ocorreu há muitos séculos por meio do então Papa Pio XI. Tratava-se de um acervo composto de artefatos religiosos. Até hoje, em Roma, existem inúmeros objetos antigos que ilustram verdadeiras relíquias da religiosidade cristã, muitos deles podem ser vistos no Museu do Vaticano. Outro exemplo que merece destaque fica por conta do Museu de Alexandria é um verdadeiro templo cultural, freqüentado por figuras ilustres como o filósofo Aristóteles. Sim, tratava-se do filósofo que educou Alexandre o grande. Dentre os bibliotecários havia podemos destacar Aristófanes de Bizâncio (257 - 180a.C). Este museu oferece um leque muito diversificado no que diz respeito às atividades culturais. Em seu interior aprendia-se muito, pois a biblioteca contava com aproximadamente 500.000 volumes. Toda área foi destruída pelo fogo em 641 d.C.

Temos abaixo uma ilustração do Farol de Alexandria:

Dia Mundial dos Museus

Já com o período do renascimento, na Europa, onde a centralização do universo transfere-se de Deus para o Homem, os acervos ganharam requinte, ganharam suntuosidade, ganharam uma grande variedade e espaço, no sentido literal da palavra. Muitos objetos eram oferecidos por famílias da alta burguesia, que tinham o prazer de ver seus objetos expostos para outros bem abastados apreciar, evidentemente.

Alguns Destaques do Brasil

Inaugurado em 1890 (edifício-monumento), o Museu Paulista de São Paulo, com exposições divididas em três áreas: objetos, iconografia e documentação textual, oferecendo uma agradável oportunidade para se conhecer um pouco mais sobre a História do Brasil. Período situado no século XVII, a exposição está envolvida ao período do processo de independência do Brasil. A disposição dos objetos permite um passeio ao cotidiano da alta burguesia paulista, na ocasião sustentada por meio da cultura cafeeira. Lá, se pode apreciar ambientes inteiros, que foram remontados preservando assim os mais particulares detalhes da época.

O Museu Paulista, também chamado Museu do Ipiranga, oferece ainda a beleza e a exuberância que estão à parte das exposições: o próprio edifício que abriga os objetos foi projetado em estilo europeu, imponente com riquíssimo acabamento externo, com grandes "terraços" e um sublime acabamento interno em mármore e gesso como pode ser presenciado, principalmente no salão nobre - salão este que abriga o maior quadro de todo acervo do museu, O Grito da Independência, obra de Pedro Américo.

A arte fora do "Ipiranga"

O belga Arsenius Puttemans foi o responsável pela construção, em 1909, de um belo jardim localizado à frente do edifício-monumento. Projetado e baseado no paisagismo barroco francês, ele compõe (com harmonia) o conjunto arquitetônico do museu. Nele pode-se ver ainda a beleza das águas que descem em forma de degraus. Mais tarde, este jardim foi ampliado em 1500 metros quadrados. O local está ainda mais "vivo" em beleza isto porque houve um processo recente de restauração com participação da iniciativa privada. Desta forma, as cores estão com maior presença, revelando mais de perto o projeto.

O Rio de Janeiro também "guarda" História

Em agosto de 1922, na cidade do Rio de Janeiro, foi inaugurado, por decreto do então Presidente Epitácio Pessoa, o Museu Histórico Nacional. Este museu foi de suma importância para o país, pois foi a partir de seu funcionamento que se desenvolveu no Brasil o primeiro curso de museologia e também, com advento do museu houve a construção de outros museus no país. Seu acervo oferece muitas alternativas, seja em exposições itinerantes ou permanentes. Exemplos: Colonização e Dependência, Farmácia Teixeira Novaes, Memória do Estado Imperial, No Tempo das Carruagens, As Moedas Contem a História, entre outras. Este museu conta com uma estrutura formidável, principalmente no sentido de conservação e restauração dos acervos, cursos, etc.

Vale a pena conferir uma pequena parte do acervo abaixo:

Dia Mundial dos Museus
Embarque de D. Pedro

Dia Mundial dos Museus
Princesas do Brasil

Dia Mundial dos Museus
Desembarque de Carolina e Leopoldo

Destaques do Mundo

Museu do Vaticano - Roma (fundado em 1784) 
Museu Egípcio - Cairo (fundado em 1835/1900) 
Museu do Louvre - França (fundado em 1793) 
Museu/Biblioteca de Alexandria (fundação em 280 a.C)

Diferentes Tipos de Acervos no Brasil e no Mundo

Nos dias de hoje podemos identificar museus que apresentam diferentes modalidades de acervos. Em São Paulo, por exemplo, há o Museu do Imigrante, Museu da Imagem e do Som, Museu da Arte Sacra, entre tantos outros. Na cidade do Rio de Janeiro, existe o Museu do Teatro, Museu do Primeiro Reinado, Museu dos Esportes, existe ainda o Museu Histórico Nacional, etc. Nos EUA existe o Museu Natural, na verdade, trata-se de uma grande área natural com fragmentos de fósseis de animais pré-históricos como Dinossauros. Uma extensa área preservada que passou a ser visitada pelo público, transformando-se, portanto, num museu.

Afinal, porque visitar museus?

Em pleno século XXI, podemos presenciar cursos especializados que procuram tratar da importância dos museus, tanto em preservação como também em ação. A dimensão da chamada museologia trabalha nesta dimensão. Ir ao museu hoje, não significa ficarmos limitados a observar objetos expostos. Como podemos ver, foi no Rio de Janeiro que se iniciou o primeiro curso de museologia. Esta disciplina revela as diferentes dimensões que envolvem interessantes questões como:

Porque é necessário nos preparamos antes de visitar um museu? O que pode ser recomendado? Como organizar um acervo no museu? Como identificar a estrutura histórica em cada museu? Essas e outras questões são perfeitamente esclarecidas num curso de museologia.

Exposições itinerantes - são exposições cujo acervo é freqüentemente removido para outros museus e eventos culturais. Podemos citar o exemplo no Brasil quando houve a oportunidade de se ver a carta original de Pero Vaz de Caminha (comemorações dos 500 anos do país), este documento pertence aos registros de Portugal, entretanto, foi trazido para o Brasil para compor o acervo comemorativo. Por outro lado, as exposições fixas são àqueles acervos que não deixam seu local preservado.

Considerações Finais

Relativamente ao Brasil - É extremamente preciso haver mais vontade tanto da parte dos governantes, no sentido de executar parcerias efetivas com a iniciativa privada, parcerias que ofereçam acesso sincero às diferentes condições sociais da comunidade brasileira. Infelizmente o acesso à cultura é muito precário - com isto - há grandes chances de desenvolver, com este cenário do país, uma sociedade problemática com respeito a novas mentalidades e satisfação social. Os investimentos ainda estão muito distantes de ser suficiente para promover o acesso verdadeiro a diferentes áreas da cultura como: a leitura, o teatro, a música, os museus, os cinemas, etc. Combater a desigualdade seria um importantíssimo passo para começar as transformações necessárias.

Fonte: www.brasilcultura.com.br

Dia Mundial dos Museus

18 de Maio

A face integrada de uma moeda multidimensional

Não é de hoje que os museus têm sido entendidos, em quase todas as nações civilizadas, como um dos mais importantes elementos de construção e consolidação de identidades coletivas. Essas instituições são suportes da memória social multifacetada que, começando no indivíduo, o ultrapassa e transcende, tanto no espaço quanto no tempo; seus elementos constituem elos da cadeia que liga, entre si, as múltiplas dimensões do presente e torna o passado uma dessas dimensões.

Dia Mundial dos Museus

Pode-se dizer que, hoje em dia, os museus têm importância estratégica, sendo uma das noções que objetiva, no sentido de corporificar, e consolida, no sentido de legitimar, a idéia de identidade.

O surgimento da instituição museu, embora tenha suas origens na Antiguidade clássica, encontra seus contornos definitivos no momento em que os humanistas começam a descolar o passado do presente e, assim instituir a distância histórica. Ao mesmo tempo, estudiosos que se admiravam com a quantidade de elementos que a antiga sabedoria não havia documentado, tornaram os itens e vestígios objetos portadores de um valor no presente. Esta dupla matriz, relação com a memória e com o tempo vivido, funda a noção moderna de "objeto museológico", noção que, a partir de então, estará sempre em movimento, mudando com o tempo, incorporando novos elementos.

Mas a moderna noção de museu, como a entendemos hoje, é uma criação do século XIX. Surgida com a Revolução Francesa e, desde então, não parou de se expandir. A expressão, hoje em dia, designa uma instituição destinada a preservar, estudar e expor objetos protegidos, posto em usufruto de uma comunidade – local, regional ou nacional. Ao longo das últimas décadas, à medida que a noção de comunidade amplia-se até alcançar dimensões planetárias, a noção de museu buscou acompanhar tal movimento. Uma diversidade de bens antes associados à formações nacionais é exposta, por diversos meios de disseminação, e, pelo menos em teoria, posta à disposição da humanidade. Novos tipos de museu ampliam a abrangência dessas instituições, possibilitando a musealização de bens cujo porte os colocariam nas categorias de “monumento” e “patrimônio histórico”. A idéia de “coleção” vaza das paredes dos prédios dos museus, alcançando as cidades. Tais noções começam a se cruzar com perturbadora frequência.

Esse movimento de ampliação foi muito mais abrangente do que uma primeira avaliação pode fazer crer. As últimas décadas viram desenvolver-se a noção de “patrimônio cultural”, que tende a substituir a noção de “patrimônio histórico e artístico” e a englobar a noção de “objeto museológico”. Sabemos que tanto a idéia de “patrimônio histórico e artístico” quanto a de “objeto museológico” nascem imbricadas na noção de “monumento”. Importantes elementos de conformação da identidade nacional, “patrimônio histórico” e “coleções museológicas” também traziam, imbricada, uma classificação em que a produção cultural das nações era dividida em “erudita” e “popular”, classificação que dividia os museus em museus de “alta cultura” e de “cultura popular” , ou de etnografia. Assim, tanto pequenos artefatos quanto grandes estruturas eram descontextualizados e reunidos em exposições por vezes surpreendentes, pelo rigor da construção quanto pela criatividade. Entretanto, tal divisão era, no mais das vezes, completamente artificial. Ela começou a ser fortemente criticada após a Segunda Guerra Mundial, e tende, atualmente, a ser abolida pela noção de “patrimônio cultural”.

Aplicada, de início, aos bens tradicionais, a noção de “patrimônio cultural” logo passou a englobar uma cópia incomensurável e heterogênea de bens móveis e imóveis, contextualizados e descontextualizados: todas as formas de fazer, sejam eruditas ou populares, urbanas ou rurais; todas as categorias de artefatos, industriais, artesanais, formais ou não. Estruturas arquitetônicas, utilitárias e industriais, de caráter não-monumental, assim como aglomerados de edificações e toda a malha urbana, passam a ser considerados pela categoria de “eco-museu”. O especialista que toma tais questões está diante de ampla releitura da própria função dos museus. História e arte deixam de ser pensadas como “duas faces de uma mesma moeda”, e passam a ser vistas, em museus pluridisciplinares, como a “face integrada de uma moeda multidimensional”.

A evolução do conceito, e sua ampliação, acabou trazendo à cena novos elementos. Estes, embora intrinsecamente associados aos conjuntos materiais, a ponto de, por vezes, serem sua origem, não mereciam, até então, atenção integrada: práticas, conhecimentos, tradições, costumes, técnicas. Atualmente, a integração ao objeto de atuação dos museus desses elementos coloca instituições e pesquisadores na trilha de uma noção de patrimônio cultural revolucionária, e que acaba por revolucionar os museus. Por redimensionar a noção de patrimônio, que deixa de ser algo intrinsecamente material, coloca também em questão a noção tradicional de "cultura popular": caminha-se para a noção de "patrimônio imaterial".

Tal noção é, em grande medida, tributária dos avanços observados nas ciências sociais, depois da Segunda Guerra Mundial. Ciências sociais como a sociologia e a antropologia, munidas de modernos métodos de pesquisa e interpretação, descobrem que a distância entre as culturas é muito menor do que se imagina, e menor ainda é a distância entre a dita "cultura literária" e a chamada "cultura popular". Para a consolidação da noção, por outro lado, tiveram importância os movimentos políticos que, ao longo dos anos 50 e 60, e na esteira da descolonização africana e asiática, chamaram atenção para as culturas extra-européias e sua inter-relação com as metrópoles. A crescente consciência e a luta contra o racismo e contra o preconceito, em todas as suas formas também foram importante fator de impulso para que alguns países começassem a repensar o lugar das manifestações culturais das classes populares.

Também preocupava intelectuais envolvidos com a questão da cultura popular a forma como a industrialização rápida e, muitas vezes, desordenada, poderia interferir na realidade cultural de países pobres e, como era corrente dizer nos anos 70, "de formação recente". Nos anos 60 e 70, a atenção de órgãos internacionais levou a que começassem a ser classificadas manifestações ditas "imateriais" geralmente manifestações culturais ameaçadas de desaparecimento.

Os anos 70 também viram a expansão da noção de "bem cultural". Noção que engloba, pelo menos teoricamente, todas as noções anteriores de patrimônio, inclusive aquele de natureza museológica, enfatizando as construções humanas como "objetos dotados de valor potencial para toda a humanidade". Criava-se uma noção de patrimônio e de preservação em nível planetário, capaz de interferir com todo e qualquer objeto situado sobre o ecúmeno. Fala-se em musealizar regiões inteiras, como forma de, através da preservação e da disseminação de informações tratadas, preservar e implementar o desenvolvimento local de forma harmônica e sustentável.

Na atualidade, a questão dos museus assume novas formas - a noção expande-se e é colocada diante de novas tensões. Ao mesmo tempo em que se exige cuidados crescentes com a preservação, exige-se também que o cabedal de objetos preservados seja "auto-sustentável". Museus passam a ser considerados como fatores de revitalização de centros urbanos decadentes, registrando-se já várias experiências dadas como bem-sucedidas; a integração de tais instituições ao fluxo do turismo interno e internacional, realidade inegável na atualidade, coloca uma série de novos problemas. O aperfeiçoamento dos transportes diminui o mundo, e a circulação de grandes massas de pessoas em busca de lazer coloca o patrimônio preservado como alvo potencial de interesse econômico. Essas novas exigências criam tensões antes não previstas. Por outro lado, a chamada "inflação patrimonial" também desperta tensões não pensadas: se tudo pode ser musealizado, então o que significa, conceitualmente, “musealizar”? À essa tendência têm se oposto algumas vozes respeitáveis, afirmando ter a musealização limites, e o afastar-se do objeto musealizado como razão de ser dos museus corresponde à uma espécie de “suicídio assistido”.

São questões que se fazem cada vez mais presentes num mundo em que a preservação se torna questão de identidade nacional e, por conseguinte, assunto de Estado. Expandir os museus, preservar o patrimônio cultural, seja de que caráter fôr, significa preservar a identidade nacional, num tempo em que este conceito é, com freqüência, posto em questão. Ter museus passa a ser assunto de políticas públicas, ao mesmo tempo em que de planejamento econômico. Manter museus é tarefa cara, complexa e nem sempre vista com simpatia pelo Estado. Este, frequentemente, em diversos lugares do mundo, tem, cada vez mais, manifestado antipatia pelas reivindicações das classes envolvidas com a cultura. Se, até o momento, a manutenção de tais instituições no aparelho de Estado nunca foi posta em dúvida, o futuro aponta para instituições cada vez mais autônomas e capazes de determinar seus projetos e estratégias. A autonomia, por outro lado, também deverá corresponder à uma maior capacidade de dimensionar seus problemas e de levantar, pelo menos parcialmente, os recursos necessários à manutenção das atividades e implementação de ações e projetos.

O futuro dos museus, se por um lado apresenta elementos preocupantes, por outro não deixa de apontar caminhos promissores e desafios estimulantes. Como, por sinal, tem sido ao longo dos últimos duzentos anos.

José Bittencourt

Fonte: www.revistamuseu.com.br

Dia Mundial dos Museus

18 de Maio

TIPOS DE MUSEUS

Os museus se apresentam ao público, em diferentes formas e estilos, listarei aqui alguns

MUSEU HISTÓRICO

Museus em que prevalece a relevância histórica do seu acervo.

Exemplos

Museu Histórico de Ribeirão Preto

Museu Histórico Nacional no Rio de Janeiro.

MUSEUS DE ARTE

Onde o seu acervo é constituído exclusivamente de obras de arte, como

Esculturas, pinturas e instalações.

Exemplos

MARP - Museu de Arte de Ribeirão Preto

Pinacoteca de São Paulo.

MUSEUS DE CIÊNCIA

Onde o propósito é ensino da ciência e de suas formas de raciocínio.

Exemplos

Estação Ciência da USP São Paulo

Museus de Zoologia, USP São Paulo

MUSEUS BIOGRÁFICOS

Onde todo o acervo pertenceu ou foi produzido por uma só pessoa.

Exemplos

Museu Lasar Segal em São Paulo

Museu de Portinari em Brodósqui.

MUSEUS COMUNITÁRIOS/ECOMUSEUS

Tem o intuito de preservar a região em que se encontra, o ambiente cultural, social e espacial, mais voltado para a comunidade de onde se encontra, do que para visitantes de fora.

Exemplos

Eco Museu de Itaipu.

MUSEUS DE BAIRRO/ CIDADE

O seu enfoque é sobre história e a cultura dessa localidade, um resgate da memória.

Exemplos

Museu da Cidade em São Paulo.

MUSEUS TEMÁTICOS

Trabalha somente um tema, se utilizando de qualquer suporte de acervo para isso.

Exemplos

Museu do Café de Ribeirão Preto

Museu do Índio em Brasília

MIS - Museu da Imagem e do Som de Ribeirão Preto.

Estes, são alguns tipos de museus que encontramos, e cada um deles, pode ter instituições mantenedoras, em diferentes instancias, como

Prefeituras

Estados

Federal

Sindicatos

Grêmios

Universidades

Fonte: www.movimentodasartes.com.br

Dia Mundial dos Museus

18 de Maio

Pequena História dos Museus

O vocábulo "museu" é de origem grega (Mouseion ) e significa "templo das musas, lugar onde moram as musas, local onde as pessoas se exercitavam na poesia e na música, lugar consagrado às musas, aos estudos, biblioteca, academia". Diógenes Laércio (Séc. III d. C.) registra o termo como "escola para o ensino da filosofia e biblioteca". No Séc. IV a. C., já era usado, em Alexandria, como local destinado à cultura das artes e das ciências. No sentido de "templo das musas", entretanto, a palavra é mais antiga.

Museus

O Conselho Internacional de Museus (ICOM - International Council of Museums) reconhece como Museu a instituição "que conserve e apresente coleções de objetos de caráter cultural ou científico, para fins de estudo, educação e satisfação". Assim, essa denominação abrange "galerias permanentes de exposição, dependentes de bibliotecas ou de centros de documentação; os monumentos históricos, as partes de monumentos ou suas dependências, assim como os tesouros das igrejas, os locais históricos, arqueológicos e naturais, desde que abertos oficialmente à visitação pública; os jardins botânicos e zoológicos, aquários e aviários e outras instituições que apresentem espécimes vivos; os parques naturais" (§ 2º, arts. 3º e 4º do Estatuto).

Há cidades, cujo valor artístico e monumental, lhes valeu o título de "cidade-museu". Há, ainda, obras-primas de pintura e escultura que não se encontram em museus, mas em igrejas.

O hábito de colecionar objetos variados remonta à época pré-histórica, como registram, por exemplo, os "tesouros" de conchas encontrados em sítios arqueológicos.

Na Antiguidade, já se encontravam coleções de objetos de arte ou de materiais raros ou preciosos, conforme referências registradas de Homero (Séc. IX a. C.) a Plutarco (Séc. I/II d. C.).

Na Grécia antiga, era hábito construir-se, ao lado dos templos, pequenos edifícios, necessários à guarda das oferendas (troféus, esculturas e trabalhos de arte).

Na Idade Média, o hábito de reunir obras de arte era demonstração de prestígio para a elite feudal.

Todavia, a criação do museu moderno ocorre entre os Séc. XVII e XVIII, a partir das doações de coleções particulares às cidades: doação dos Grimani a Veneza, dos Crespi a Bolonha, dos Maffei a Verona. Mas, o primeiro museu verdadeiro, surge a partir da doação da coleção de John Tradescant, feita por Elias Ashmole, à Universidade de Oxford, quando é criado o Ashmolean Museum (1683).

O segundo museu público foi criado em 1759, por votação do parlamento inglês, que decidiu comprar a coleção de Hans Sloane (1660-1753), o que deu origem ao British Museum (Museu Britânico). O acesso, entretanto, era reservado a visitantes credenciados.

O avanço do conhecimento, a influência dos enciclopedistas franceses e o aumento da democratização da sociedade provocado pela Revolução Francesa fazem surgir o conceito de coleção como instituição pública, chamada "museu".

Assim o primeiro verdadeiro museu público só foi criado, na França, pelo Governo Revolucionário (Robespierre), em 1793: o Musèe du Louvre (Museu do Louvre), com coleções acessíveis a todos, com finalidade recreativa e cultural.

O Séc. XIX é a época em que surgem muitos dos maiores e mais importantes museus em todo o mundo. São coleções particulares que se tornam públicas: Museu do Prado (Espanha), Museu Mauritshuis (Holanda). Surge o primeiro museu histórico, disposto cronologicamente, na Dinamarca (1830). Luís Filipe, funda na França o Museu de Versalhes (1833).

Começam, também, a ser organizados museus do folclore: Dinamarca (1807), Noruega (1828) e Finlândia (1894).

O desenvolvimento científico, com a teoria evolucionista de Darwin (1809-1882), fez multiplicar os museus de história natural: American Museum of Natural History (Museu Americano de História Natural).

Nos Estados Unidos, em 1870, é fundado o Metropolitan Museum of Art (Museu Metropolitano de Arte), em Nova York.

Começam a ser abertos, a partir do Séc. XX, museus vinculados a instituições e organizações: dos transportes e comunicações, da aviação, dos hospitais, dos teatros etc. Ao lado deles, surgem museus destinados a documentar movimentos políticos ou ideológicos (Museu da Revolução, em Moscou, de 1929; Museu da Paz, em Haia, 1921; Museu do Fascismo, em Roma, 1930).

No Brasil, os museus, em sua grande maioria, foram fundados no Séc. XX, com exceção do Museu do Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano (Pernambuco) que data de 1862 e do Museu de Mineralogia e Geologia da Escola Nacional de Minas e Metalurgia (Minas Gerais), de 1876.

Destaca-se no Brasil, pela variedade e qualidade do seu acervo, o MASP - Museu de Arte de São Paulo, fundado em 1947.

Fonte: www.orbita.starmedia.com

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