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Dia Nacional da Poesia

14 de Março

"Que é a poesia? uma ilha cercada de palavras por todos os lados"

O Dia Nacional da Poesia, não por acaso, coincide com a comemoração do nascimento do grande escritor baiano Castro Alves. Poeta do Romantismo, foi autor de belíssimas obras, como o “Navio Negreiro” e “Espumas Flutuantes”. Sua arte era movida pelo amor e pela luta por liberdade e justiça.

O que é poesia

Poesia é uma arte literária e, como arte, recria a realidade. O poeta Ferreira Gullar diz que o artista cria um outro mundo “mais bonito ou mais intenso ou mais significativo ou mais ordenado – por cima da realidade imediata”.

Para outros, a arte literária nem sempre recria. É o caso de Aristóteles, filósofo grego que afirmava que “a arte literária é mimese (imitação); é a arte que imita pela palavra”.

Declamando ou escrevendo, fazer poesia é expressar-se de forma a combinar palavras, mexer com o seu significado, utilizar a estrutura da mensagem. Isto é a função poética.

A poesia sempre se encontra dentro de um contexto cultural e histórico. Os vários estilos poéticos, as fases de cada autor, os acontecimentos da época e tantas outras interferências muitas vezes se misturam à obra e lhe dão novos significados.

Características do estilo poético

Antigamente, as poesias eram cantadas, acompanhadas pela lira, um instrumento musical muito comum na Grécia antiga. Por isto, diz-se que a poesia pertence ao gênero lírico.

Geralmente a expressão “poesia” se aplica à estrutura de texto em versos. Os versos são as “linhas” do poema. Um conjunto de versos forma uma estrofe.

Algumas características básicas da poesia são o ritmo, a divisão em estrofes, a rima. Um poema também possui métrica, que é a contagem das sílabas poéticas dos versos. Nem todos estes quesitos estão sempre presentes. Os poetas modernistas, por exemplo, adotaram o verso livre, despreocupado com a rima e a métrica

Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

Dia Nacional da Poesia

A palavra "poesia" tem origem grega e significa "criação". É definida como a arte de escrever em versos, com o poder de modificar a realidade, segundo a percepção do artista.

Antigamente, os poemas eram cantados, acompanhados pela lira, um instrumento musical muito comum na Grécia antiga. Por isso, diz-se que a poesia pertence ao gênero lírico. Hoje, os poemas podem ser divididos em quatro gêneros: épico, didático, dramático e lírico.

As linhas de um poema são os versos. O conjunto desses versos chama-se "estrofe". Os versos podem rimar entre si e obedecer à determinada métrica, que é a contagem das sílabas poéticas de um verso. Os versos mais tradicionais são as redondilhas; a redondilha menor tem cinco sílabas, e a maior com sete; os versos decassílabos, dez; os alexandrinos, doze.

A rima é um recurso que confere musicalidade aos versos, baseando-se na semelhança sonora das palavras do final ou, às vezes, do interior dos versos. Rima, ritmo e métrica são características especiais de um poema e que podem variar, dependendo do movimento literário da época.

No Brasil, os primeiros poemas surgiram junto com o seu descobrimento, pois os jesuítas usavam versos para catequizar os índios.

Depois, surgiram outras formas de poesia, como o barroco (1601-1768), o arcadismo (1768-1836), o romantismo (1836-1870), o parnasianismo (1880-1893), o simbolismo (1893-1902), o pré- modernismo (1902-1922), o Modernismo (1922-1962), até a forma de hoje.

Dia Nacional da Poesia

O Dia Nacional da Poesia é comemorado em homenagem ao nascimento de Castro Alves, em 14 de março de 1847. Poeta do romantismo, ele foi um dos maiores nomes da poesia brasileira. Suas obras que mais se destacaram foram: Os escravos (no qual há o seu famoso poema Navio Negreiro) e Espumas flutuantes, cujas características principais são a valorização do amor e a luta por liberdade e justiça. Há outros nomes importantes da poesia brasileira: Alberto de Oliveira, Gonçalves Dias, Raimundo Correia, Olavo Bilac, Casimiro de Abreu, Cecília Meireles, Jorge de Lima, Ferreira Gullar, Manuel Bandeira, Mário de Andrade, Mário Quintana, Carlos Drummond de Andrade e muitos outros.

Fonte: www.paulinas.org.br

Dia Nacional da Poesia

14 de Março

A primeira Poesia

Todo dia é dia de poesia. Em todos os cantos do mundo, há, em todo os momentos, alguém evocando sensações, impressões e emoções por meio de sons e ritmos harmônicos.

A poesia nasceu na Grécia, berço da Civilização Ocidental, como poiesis (poihsiV), com Homero, através da "Ilíada" e da "Odisséia".

Homero

Enquanto a primeira relata a "Guerra de Tróia" ocorrida por volta de 1.250 AC, a outra narra as aventuras de Ulisses, rei de Ítaca, ao retornar dessa guerra, depois de dez anos de peripécias, para os braços de sua rainha Penélope. Naqueles tempos, a apresentação poética se fazia acompanhada por um instrumento musical - a Lira, e estava dividida em "Cantos (wdh)".

Lira Grega

Por isso eram chamadas de "Poesias Líricas", não importando o gênero trágico das mesmas. A tragédia e os gregos sempre estiveram de mãos dadas, como nessas obras primas sempre atuais.

Ignorando as correntes de que Homero tivesse existido ou não, o alemão Heinrich Schliemann encontrou em 1871, depois de dois anos de pesquisas, a cidade de Tróia, baseado nos relatos de Homero. Estaria assim comprovadas a existência de Homero, e a veracidade dos fatos narrados. Na realidade ele encontrou nove cidades construídas sobre os destroços da anterior. A Tróia de Homero era a quarta de cima para baixo.

Infelizmente, não se pode atribuir datas precisas para Homero, a "Ilíada" e a "Odisséia" para comemorar-lhes.

Início do Canto I, da Ilíada, em grego clássico.

Canto I

Canta-me a cólera - ó deusa - funesta de Aquiles Pelida,
causa que foi de os Aquivos sofrerem trabalhos sem conta
e de baixarem para o Hades as almas de heróis numerosos
e esclarecidos, ficando eles próprios aos cães atirados
e como pasto das aves. Cumpriu-se de Zeus o desígnio

Antônio Frederico de Castro Alves

Dia 19 de março

Bem que poderia ser no dia 19 de março. Nesse dia, em 1534 nascia em San Cristóbal de la Laguna, Tenerife, nas Ilhas Canárias, o Padre José de Anchieta, segundo a Igreja Católica, o Apóstolo do Brasil.

Padre José de Anchieta

Em 1548, iniciou seus estudos em Coimbra, célebre centro intelectual de Portugal, onde ingressou na Companhia de Jesus, recém fundada por Santo Inácio de Loyola. Em 25 de Janeiro de 1554, ainda noviço jesuíta, esteve presente na fundação da Vila de Piratininga, berço da futura metrópole de São Paulo, no atual Pátio do Colégio. Em 5 de Maio de 1563, Anchieta chegou à Praia de Iperoig, em Ubatuba, em companhia do Padre Manoel da Nóbrega, para negociar uma trégua com os índios Tupinambás. Regressando Padre Manoel da Nóbrega a São Vicente, Anchieta permaneceu refém. Ele passou muitos dias a escrever milhares de poemas em latim em homenagem à Virgem Maria. Rabiscava na praia porque não tinha papel. Escreveu ao todo 4.172 versos em latim que o prodigioso padre decorou-os um a um. Meses mais tarde, o padre os transcreveria em papel com o título de "De Beata Virgine Dei Matre Maria" (Da Virgem Santa Maria Mãe de Deus). Talvez tenham sido esses, os primeiros poemas documentados, que tenham sido feitos no Brasil.

Dia 21 de março - "Dia Mundial da Poesia"

Criado o Dia Mundial da Poesia

A 30ª sessão da Conferência Geral da UNESCO proclamou o dia 21 de Março como o Dia Mundial da Poesia e determinou a cada escritório regional que as comemorações sejam em escala nacional e internacional.

As atividades comemorativas devem ser organizadas por sociedades de poesia ou de escritores e poetas, jornais, periódicos especializados em cultura, literatura e artes, editoras que tenham coleções de poesia, teatros e casas de shows, especialmente em transmissões de rádio e TV, escolas e instituições preocupadas com a cultura.

As formas determinadas para comemorar esse dia variam de leituras públicas à concessão de prêmios de poesia. Ainda para este ano a UNESCO pretende organizar competição internacional de poesia para alunos de ensino fundamental e médio, contando com a cooperação do projeto de Escolas Associadas da entidade.

Os poemas devem ser escritos de acordo com o estilo de um poeta nacional ou internacional cuja lembrança, data de nascimento ou morte estejam sendo comemorados. Os poetas deste ano podem ser, por exemplo: Jorge Luis Borges (Argentina), Nicolás Guillén (Cuba) ou Amadou Hampâte Bâ (Mali).

Entre os objetivos da iniciativa da UNESCO está o incentivo e reconhecimento da poesia regional, nacional e internacional, e desencadear processos que deve servir para apoiar a diversidade lingüística e cultural, utilizando a expressão poética, e oferecer a línguas ameaçadas de extinção a oportunidade de serem ouvidas na comunidade internacional. Ainda de acordo com a Conferência, o dia deve começar a ser celebrado a partir deste ano, e a possibilidade de ser a data de abertura das Olimpíadas Culturais, que acontecem e Delphi (Grécia), em 2001, ainda está sendo estudada.

Como o dia 21 de Março já é dedicado à eliminação de qualquer forma de preconceito, pode-se considerar uma associação dos temas para a comemoração.

A data escolhida foi o do início da Primavera no Hemisfério Norte, que começa dependendo do ano, no dia 21 ou 22 de março.

Na realidade as comemorações do início da primavera estão arraigas desde o tempo dos Celtas, que viveram na Europa há mais de 10.000 anos atrás.

Ostara, Deusa da Primavera

Por ocasião do "XXIIo Salão do Livro de Paris" e como parte das comemorações do "Dia Mundial da Poesia", no dia 22 de março de 2002, foi lançada a obra "Anthologie de la Poésie Romantique Brésilienne", editada pela UNESCO. O projeto, teve por finalidade apresentar a leitores francófonos uma amostra dos poemas mais representativos do romantismo brasileiro. Constam da antologia poemas de Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Fagundes Varela e Castro Alves, como a "Canção do Exílio" deste último.

Chamson d'Exil

Mon pays a des palmiers,

Où chante le sabiá

Les oiseaux qui gazouillent ici,

Ne gazouillent pas comme là-bas.

Notre ciel a plus d'étoiles,

Nos vallées ont plus de fleurs,

Nos bois ont plus de vie,

Notre vie plus d'amours.

En rêvassant, seul la nuit,

Je trouve plus de plaisir là-bas ;

Mon pays a des palmiers,

Où chante le sabiá

Mon pays a des attraits

Tels que je n'en trouve pas ici ;

En rêvassant - seul, la nuit -

Je trouve plus de plaisir là-bas ;

Mon pays a des palmiers,

Où chante le sabiá.

Que Dieu ne me permette pas de mourir,

Sans que je retourne là-bas ;

Sans que je jouisse des attraits

Que je ne trouve pas ici ;

Sans que je voie encore une fois les palmiers,

Sem qu'inda avista as palmeiras

Où chante le sabiá.

Fonte: www.abrali.com

Dia Nacional da Poesia

14 de Março

Poesia não é só um texto que se divide em estrofes e versos. Poesia é uma forma de se expressar e transmitir sentimentos, emoções e pensamentos. O poema é a forma em que a poesia se expressa com a linguagem escrita. No poema, as palavras se combinam de uma forma especial:

"Muitas delas (as palavras) se combinam de tal forma que evidenciam terem sido selecionadas não só pelo seu significado, mas também pelo seu significante, com o intuito de sugerir formas, cores, odores, sons, criar imagens, etc. Isso é o que observamos quando lemos, vemos ou ouvimos, um poema. Além disso, das palavras emana uma espécie de melodia, um ritmo, decorrente da forma como o poema é composto." (CEREJA, 1995)

Se o poema é uma forma de poesia, podemos nos perguntar: e o que é poesia? O dicionário pode nos ajudar:

Poesia - arte de escrever em verso; composição poética; inspiração; o que despertar o sentimento do belo. (Dicionário Silveira Bueno)

Através dessa definição podemos perceber que o dia da poesia é um dia para nos envolvermos com a natureza, com os sentimentos e sensações do mundo ao nosso redor. E claro, um dia para conhecermos mais a poesia de nosso país que é elogiada no mundo inteiro.

O dia 14 de março foi escolhido em homenagem ao grande poeta Castro Alves, é o dia do nascimento do escritor baiano famoso pelos seus versos românticos como os de "Navio Negreiro".

Já o dia 21 de março foi proclamado pela UNESCO como o Dia Mundial da Poesia. A data escolhida é o início da primavera no hemisfério norte.

Fonte: www.sitedeliteratura.com

Dia Nacional da Poesia

14 de Março

Esta data lembra o nascimento do escritor baiano Castro Alves (1847-1871), poeta romântico movido pelos anseios de liberdade e justiça. Defensor ferrenho do fim da escravidão, escreveu obras clássicas como “Navio Negreiro” e “Espumas Flutuantes”.

A poesia é uma arte literária que combina palavras, brinca com seus significados e recria as estruturas das mensagens. Tudo para expressar emoções, idéias e sensações com originalidade e impacto.

Como toda forma de arte, insere-se sempre em um contexto cultural e histórico. Na Antigüidade, os poemas eram cantados ao som da lira, daí a denominação gênero lírico.

Algumas características da poesia são o ritmo, a rima, os versos (linhas), as estrofes (conjuntos de versos) e a métrica (numeração das sílabas poéticas, identificadas por sua sonoridade).

No entanto, os poetas modernistas introduziram o verso livre, despreocupado com essas obrigatoriedades de forma. Este estilo é seguido por grande parte dos autores contemporâneos.

Fonte: www.ftd.com.br

Dia Nacional da Poesia

14 de Março

Antigamente, as poesias eram cantadas, acompanhadas pela lira, um instrumento musical muito comum na Grécia antiga. Por isto, diz-se que a poesia pertence ao gênero lírico.

Hoje é considerado o Dia Nacional da Poesia pois foi nesta data que nasceu o grande poeta brasileiro Castro Alves. Poeta romântico, Castro Alves morreu de tuberculose na capital baiana Salvador em 06 de julho de 1871, com apenas 24 anos. Ele escreveu poesias importantes como “Navio Negreiro” e, não à toa, ficou conhecido como poeta dos escravos. Por ser um dos grandes expoentes da poesia romântica no Brasil é que Castro Alves é homenageado até hoje.

A poesia é uma arte literária e, como arte, recria a realidade. O poeta Ferreira Gullar diz que o artista cria um outro mundo “mais bonito ou mais intenso ou mais significativo ou mais ordenado – por cima da realidade imediata”.

Para outros, a arte literária nem sempre recria. É o caso de Aristóteles, filósofo-grego que afirmava que “a arte literária é mimese (imitação); é a arte que imita pela palavra”. Geralmente a expressão “poesia” se aplica à estrutura de texto em versos. Os versos são as “linhas” do poema. Um conjunto de versos forma uma estrofe.

"O livro caindo na alma/ é germe que faz a palma, é chuva que faz o mar" -

Fonte: coralx.ufsm.br

Dia Nacional da Poesia

14 de Março

Nasceu no dia 14 de Março de 1847

A poesia ganhou um dia específico, sendo este criado em homenagem ao poeta brasileiro Antônio Frederico de Castro Alves (1847-1871), no dia de seu nascimento, 14 de março.

Aos quatorze dias do mês de março, no ano de 1847, nasceu António Frederico de Castro Alves, na fazenda Cabaceiras, a sete léguas da vila de Curralinho, hoje cidade da Bahia. Era filho do Dr. António José Castro Alves e D. Clélia Brasília de Castro Alves. Passou a infância no sertão natal, e em 54 iniciou os estudos na capital baiana. Aos dezasseis anos foi mandado para o Recife. Ia completar os preparatórios para se habilitar à matrícula na Academia de Direito. A liberdade aos 16 anos é coisa perigosa. O poeta achou a cidade insípida. Como ocupava os seus dias? Disse-o em carta a um amigo da Bahia: "Minha vida passo-a aqui numa rede olhando o telhado, lendo pouco fumando muito. O meu ‘cinismo passa a misantropia. Acho-me bastante afetado do peito, tenho sofrido muito. Esta apatia mata-me. De vez em quando vou à Soledade." Que era a Soledade? Um bairro do Recife, onde o poeta tinha uma namorada. O resultado dessa vadiagem foi a reprovação no exame de geometria. Mas em 64 consegue o adolescente matricular-se no Curso Jurídico. Se era tido por mau estudante, já começava a ser notado como poeta. Em 62 escrevera o poema "A Destruição de Jerusalém", em 63 "Pesadelo", "Meu Segredo", já inspirado pela atriz Eugénia Câmara, "Cansaço", "Noite de Amor", "A Canção do Africano" e outros. Tudo isso era, verdade seja, poesia muito ruim ainda. O menino atirava alto. "A poesia", dizia, "é um sacerdócio — seu Deus, o belo — seu tributário, o Poeta."

O Poeta derramando sempre uma lágrima sobre as dores do mundo. "É que", acrescentava, "para chorar as dores pequenas, Deus criou a afeição, para chorar a humanidade — a poesia." Mas, no dia 9 de Novembro de 1864, ao toque da meia-noite, na soteia em que morava, o poeta, que sem dúvida se balançava na rede, fumando muito, sentiu doer-lhe o peito, e um pressentimento sinistro passou-lhe na alma.

Pela primeira vez ia beber inspiração nas fontes da grande poesia: essa a importância do poema "Mocidade e Morte". Uma dor individual, dessas para as quais "Deus criou a afeição", despertou no poeta os acentos supremos, que ele depois saberá estender às dores da humanidade, aos sofrimentos dos negros escravos (O Navio Negreiro), ao martírio de todo um continente (Vozes d'África). Não era mais o menino que brincava de poesia, era já o poeta-condor, que iniciava os seus voos nos céus da verdadeira poesia. Naquela mesma noite escreve o poema, tema pessoal, logo alargado na antítese mocidade-morte, a mocidade borbulhante de génio, sedenta de justiça, de amor e de glória, dolorosamente frustrada pela morte sete anos depois. A versão primitiva do Poema foi conservada em autógrafo, documento precioso porque revela duas coisas: o poeta não se contentava com a forma em que lhe saíam os versos no primeiro momento da inspiração; na tarefa de os corrigir e completar procedia com segura intuição e fino gosto. Cotejada a primeira versão com a que foi publicada pelo poeta em São Paulo, por volta de 68-69, verifica-se que todas as emendas foram para melhor. Baste um exemplo: o sexto verso da segunda oitava era na primeira versão "Adornada" com os prantos do arrebol, substituído na definitiva por "Que" banharam de prantos as alvoradas, verso que forma com o anterior um dístico de raro sortilégio verbal.

"vem! formosa mulher — camélia pálida,
Que banharam de pranto as alvoradas".

Quase a meio do curso, em 67, o poeta, apaixonado pela portuguesa Eugénia Câmara, parte com ela para a Bahia, onde faz representar um mau drama em prosa — "Gonzaga" ou a "Revolução de Minas". Era sua intenção concluir o bacharelato em São Paulo, aonde chegou no ano seguinte. A sua passagem pelo Rio assinalou-se pelos mesmos triunfos já alcançados em Pernambuco. Em São Paulo, nos fins de 68, feriu-se num pé com um tiro acidental por ocasião de uma caçada, do que resultou longa enfermidade, em que teve o poeta que se submeter a várias intervenções cirúrgicas e finalmente à amputação do pé. O depauperamento das forças conduziu-o à tuberculose pulmonar, a que sucumbiu em 71 no sertão de sua província natal. Antes de regressar a ela, publicara, em 70, o livro "Espumas Flutuantes", cantos por ele definidos como rebentando por vezes, ao estalar fatídico do látego da desgraça", refletindo por vezes "o prisma fantástico da ventura ou do entusiasmo".

No "O Navio Negreiro" evocava o poeta os sofrimentos dos negros na travessia da África para o Brasil. Sabe-se que os infelizes vinham amontoados no porão e só subiam ao convés uma vez ao dia para o exercício higiénico, a dança forçada sob o chicote dos capatazes. Em 70 cumpre distinguir o lírico amoroso, que se exprimia quase sempre sem ênfase e às vezes com exemplar simplicidade, como no formoso quadro do poema "Adormecida", o poeta descritivo, pintando com admirável verdade e poesia a nossa paisagem, tal em "O Crepúsculo Sertanejo", cumpre distingui-lo do épico social desmedindo-se em violentas antíteses, em retumbantes onomatopeias. A este último aspecto há que levar em conta a intenção pragmática dos seus cantos, escritos para serem declamados na praça pública, em teatros ou grandes salas —, verdadeiros discursos de poeta-tribuno. E há que reconhecer nele, mau grado os excessos e o mau-gosto ocasional, a maior força verbal e a inspiração mais generosa de toda a poesia brasileira.

Em fevereiro de 1870 seguiu para Curralinho para melhorar a tuberculose que se agravara, viveu na fazenda Santa Isabel, em Itaberaba. Em setembro, voltou para Salvador. Ainda leria, em outubro, «A cachoeira de Paulo Afonso» para um grupo de amigos, e lançou «Espumas flutuantes». Mas pouco durou. Sua última aparição em púbico foi em 10 de fevereiro de 1871 numa récita beneficente. Morreu às três e meia da tarde, no solar da família no Sodré, Salvador, Bahia, em 6 de Julho de 1871.Seus escritos póstumos incluem apenas um volume de versos: A Cachoeira de Paulo Afonso (1876), Os Escravos (1883) e, mais tarde, Hinos do Equador (1921). É um dos patronos da Academia Brasileira de Letras (cadeira número 7).

Carlos Leite Ribeiro

Fonte: www.caestamosnos.org

Dia Nacional da Poesia

14 de Março

O que é a poesia? Não há definição objetiva dela, mas a poesia é, talvez, a expressão de sentimentos, emocões e sentidos do poeta em relação àquilo que o rodeia ou pelo que toma como tema, revelada numa forma escrita, cuja sonoridade e estrutura, muitas vezes se assemelha a um cântico, a um apelo, etc.

Analisando-a no plano fónico, a poesia não é uma linguagem comum que serve somente para significar. Consegue criar um conjunto de sons agradáveis e melodiosos através da rima, do ritmo e de várias figuras de estilo como a repetição que é frequentemente utilizada.

A poesia consegue tornar visível algo abstrato como os sentimentos, em realidades quase palpáveis.

Uma das formas mais representativas da poesia é o lirismo que não é mais do que a expressão do "eu".

Aí, o poeta fala do que sente; revela-nos o seu estado de espírito, de um modo que é estranho ao homem em geral, que muitas vezes é tomado pelos mesmos sentimentos e sensações, mas que não é capaz de os revelar da mesma forma. Aliás, como o são os sentimentos, a poesia não é regida por um modelo generalizado: cada poeta tem a sua forma, o seu estilo, o seu método de escrever...
O poeta poderá também apresentar como tema aquilo que o rodeia. Interioriza o que lhe é externo e trata-o de uma forma sentida, expondo o resultado, de um modo geral, completamente transformado, à sua maneira: revela um mundo criado por si a partir de um mundo que lhe passa ao lado.

É uma arte; é um dom que só alguns possuem. É conseguir fazer chorar a partir de um motivo para rir. É tão somente viver poesia.

Fonte: www.members.tripod.com

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