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Dia de São Francisco de Assis

04 de Outubro

São Francisco de Assis nascido Francesco Bernardone, (Assis, 26 de setembro de 1181 — 3 de Outubro de 1226) foi um frade católico, fundador da "Ordem dos Frades Menores", mais conhecidos como Franciscanos. Foi canonizado em 1228 pela Igreja Católica, por seu apreço à natureza, é mundialmente conhecido como o santo patrono dos animais e do meio ambiente: as igrejas católicas costumam realizar cerimônias em honra aos animais próximas à data que o comemoram, dia 4 de outubro

Dia de São Francisco de Assis

Biografia

Seu nome de batismo era inicialmente Giovanni Bernardone (João Bernardone), dado pela mãe provavelmente em homenagem a João Batista. Seu pai, Pedro Bernardone, o altera para Francesco Bernardone. Por razões ainda controversas, acredita-se que o nome seria uma homenagem à França, país com quem o pai mantinha relações comerciais. Outra possibilidde é que talvez sua mãe fosse de origem francesa. Em Assis o menino ficou conhecido como Francisco, ou seja o "pequeno francês".

Primeiro chamado Divino

Dia de São Francisco de Assis
"Sonho do palácio", atribuído a Giotto.

Certa vez, antes de sua final conversão, teve a visão de um esplêndido palácio, em que encontrou toda sorte de armas e uma noiva belíssima.

No sonho, foi chamado pelo nome de Francisco e seduzido pela promessa de possuir todas aquelas coisas. Tentou, por isso, ir à Apúlia para entrar no exército e, tendo preparado com muita largueza tudo que era preciso, apressou-se para receber o grau da honra militar.

Seu espírito carnal sugeria-lhe uma interpretação carnal da visão que tivera, quando nos tesouros da sabedoria de Deus ocultava-se algo muito mais preclaro. Foi assim que, uma noite, estando a dormir, alguém lhe falou pela segunda vez em sonhos, interessado em saber para onde estava indo. Contou-lhe seus planos e disse que ia combater na Apúlia, mas foi solicitamente interrogado por ele:

- “Quem lhe pode ser mais útil: o senhor ou o servo?”
- “O senhor”, respondeu Francisco.
E ele: “Então, por que preferes o servo ao senhor?”
- “Que queres que eu faça, Senhor (cfr. At 9,6)?” perguntou Francisco.
E o Senhor:
- “Volta para a terra em que nasceste (cfr. Gn 32,9), porque é espiritualmente que vou fazer cumprir a visão que tivestes”.

Segundo chamado Divino

Cruz de São Damião.Refeito da grave doença e em período de transição que mudará sua vida, encontrava-se caminhando fora da cidade, quando viu um leproso vindo na sua direção, ficou apavorado, pois tinha horror desta doença, quis fugir, mas manteve-se firme, dirigiu-se ao doente, beijou-lhe as mãos e o rosto, em demonstração de afeto e encheu-lhe a bolsa de moedas, com generosidade.

Ao retirar-se sentiu-se vitorioso e voltou-se para ver uma vez mais o estranho, não logrou perceber figura alguma na estrada, o homem desaparecera misteriosamente.

Após este fato sente o chamado de Deus, mas não muito, ainda viria o Segundo chamado Divino. São Francisco costumava orar numa velha e abandonada capela, São Damião, frente a um crucifixo repetia fervorosamente: "Concedei-me Senhor, que Vos conheça, para poder agir sempre segundo a vossa luz e de acordo à vossa Santíssima vontade".

Segundo chamado Divino

Dia de São Francisco de Assis
Cruz de São Damião.

Refeito da grave doença e em período de transição que mudará sua vida, encontrava-se caminhando fora da cidade, quando viu um leproso vindo na sua direção, ficou apavorado, pois tinha horror desta doença, quis fugir, mas manteve-se firme, dirigiu-se ao doente, beijou-lhe as mãos e o rosto, em demonstração de afeto e encheu-lhe a bolsa de moedas, com generosidade.

Ao retirar-se sentiu-se vitorioso e voltou-se para ver uma vez mais o estranho, não logrou perceber figura alguma na estrada, o homem desaparecera misteriosamente.

Após este fato sente o chamado de Deus, mas não muito, ainda viria o Segundo chamado Divino. São Francisco costumava orar numa velha e abandonada capela, São Damião, frente a um crucifixo repetia fervorosamente: "Concedei-me Senhor, que Vos conheça, para poder agir sempre segundo a vossa luz e de acordo à vossa Santíssima vontade".

Terceiro chamado Divino


Dia de São Francisco de Assis
"Milagre da Cruz", atribuído a Giotto.

São Francisco ora ante a imagem do Cristo Crucificado e recebe a missão de restaurar a Igreja.

Orando nas ruínas da Igreja de São Damião, um dia, pareceu-lhe ouvir claramente:

“Francisco, não vês que a minha casa está em ruínas? Restaura-a para mim!”.
Pensando tratar-se do velho templo onde se achava, agiu de pronto, contando para a reforma com o dinheiro de seu pai, que tinha em suas mãos.

Ano de 1206

Dia de São Francisco de Assis
Renuncia aos Bens Mundanos, por Giotto di Bondone

Comparece ante o Bispo Dom Guido III acusado pelo pai de furto, devolve ao genitor o que lhe pertence, até as roupas e se declara servo de Deus. Pede ao Bispo sua bênção e abandona a cidade em busca dos caminhos do Senhor. É o começo da sua vida religiosa. O Bispo vê nesse gesto o chamado do Altíssimo e se torna seu protetor pelo resto da vida.

São Francisco renuncia à todos os bens que o prendiam neste mundo, veste-se como eremita e começa a restaurar a Capela de São Damião e a cuidar dos leprosos.

Dia de São Francisco de Assis

São Damião e Assis

Sofre e luta da forma mais intensa; ele, que teve de tudo, abraça a pobreza, deve primeiramente vencer-se a si mesmo, para logo pedir esmolas. Ora e trabalha incessantemente.

São Francisco dizia: "O trabalho, embora humilde e simples, confere honra e respeito e sempre será um mérito ante Nosso Senhor".

Seis anos mais tarde, a capela restaurada será o lar das Damas Pobres de Santa Clara.

Dia de São Francisco de Assis

Ano de 1208

A "Porciúncula".Restaura a igreja de Sta. Maria de Anjos (porciúncula). (A pequena igreja ainda é preservada até os dias de hoje no interior da grande Basílica de São Francisco em Assis, erigida posteriormente por frei Elias.)

Restaura também a igreja de São Pedro.

Persuadido de que sua missão principal era a de restaurar e construir igrejas zelava ardentemente pelos lugares em que se celebravam os Santos Mistérios.

Um dia, na missa de São Matias, escuta o Evangelho sobre a Missão Apostólica. Se sente tocado e passa então a caminhar pelos povoados pregando a palavra de Deus de maneira simples e passa a viver de esmolas.

Ano de 1209

Fundou em 16 de Abril de 1209, com doze discípulos, a família dos doze irmãos menores, que viria a ser conhecida como a Ordem dos Frades Menores.

Os primeiros irmãos que recebe são:

Frei Bernardo de Quintavalle, que será mais tarde seu sucessor, homem de grande fortuna que abandona tudo para seguir São Francisco.

Frei Pedro Cattani, cônego e conselheiro legal de Assis, homem de esmerada cultura, instrução e dotado de grande inteligência.

E o irmão Leão, que será sempre e em todas as horas fiel companheiro

Dia de São Francisco de Assis

Ano de 1210


Dia de São Francisco de Assis
"Sonho do Papa Inocêncio III", por Giotto.

Com 11 irmãos vai a Roma, levando uma breve Regra (que se perdeu). O Papa Inocêncio III admirado, ouve sua exposição do programa de vida, mas com regras tão severas fica indeciso e decide esperar para aprová-las oficilmente. Assim, aprova as regras apenas verbalmente.

Conta-se que dias mais tarde, em sonhos, o Papa teve uma iluminação sobre a missão destinada por Deus à Francisco (e diz-se que este Papa foi enterrado com vestes Franciscanas).

Francisco instala-se com seus irmãos em Rivotorto, perto de Assis, num rancho abandonado, próximo de um leprosário. Esta mísera residência foi a primeira casa dos irmãos Franciscanos. Tiveram lá uma vida difícil, assinalada por duras provas.

Apesar do espírito de renúncia e sacrifício que deveria existir na vida de seus filhos espirituais, São Francisco pregava que um servo de Deus não podia manifestar tristeza, desânimo ou impaciência. Na alegria da vida, o Santo via a fortaleza da alma cristã, força que devia levar aos desamparados e todos àqueles que sofriam provações.

Irradia a luz Franciscana para toda a Itália. São enviados missionários à todo o Continente Europeu. Em muitos lugares são maltratados e sofrem todos os tipos de dificuldades, muitas vezes não sabem falar o idioma local.

São Francisco orava e trabalhava sem cessar, assistia as viúvas, às crianças famintas e a todos os excluídos, fosse no campo, nas cidades ou nos mosteiros. Orava intensamente pela conversão dos pecadores, proclamava a paz, pregando a salvação e a penitência para remissão dos pecados, resolvia conflitos, desavenças, estabelecendo sempre a harmonia em nome do Senhor.

Compreendia a dor e o sofrimento, pelo amor a Deus. Considerava-se um pecador, o mais miserável dos homens, vivia em penitência e jejum, renunciava às todas as comodidades. Era severíssimo consigo mesmo, mas aos seus filhos espirituais não permitia que fizessem demasiada penitência nem jejum, pedia sempre que imperasse a virtude da moderação, para assim poder melhor servirem a Deus

Ano de 1212

Dia de São Francisco de Assis
Santa Clara e as Clarissas.

Os Clunicenses de Assis cederam-lhes um pouco de terreno, a porciúncula, e os Franciscanos construíram ali as suas choças.

Os Beneditinos oferecem-lhe a pequena igreja de Santa Maria dos Anjos, a Porciúncula, pois eram muitos os homens que atraídos pela vida de pureza do Santo, queriam ser acolhidos na Ordem.

Esta seria o berço da ordem Franciscana, os frades renovam solenemente seus votos: o Santo os chama de "Frades Menores" porque sempre serão pobres e humildes. Desejava que fossem puros e livres das coisas deste mundo e tivessem o coração e a mente dominados pelo desejo de Deus.

Dia de São Francisco de Assis
São Francisco de Assis vestindo os trajes típicos da ordem que criou

Trabalhavam com suas próprias mãos para alcançar os meios de subsistência e só em último caso pediam ajuda a outros. Jamais deveriam possuir bens de qualquer natureza, assim não teriam correntes que os prendessem à terra.

Adotaram como trajes o vestuário dos humildes: uma túnica grossa de lã, amarrada por uma corda na cintura, e sandálias. Suas humildes túnicas amarradas por um simples cordão levam até hoje três nós que significam seus votos: Pobreza, Obediência e Castidade. A sua missão consistia em praticar e pregar simplicidade e amor a Deus e a caridade cristã.

Em 1212 recolhe junto de si Clara d'Offreducci, que viria a ser conhecida como Santa Clara. Com algumas companheiras que perseguiam o mesmo ideal de simplicidade fundam neste mesmo ano a Ordem das Pobres Damas, conhecida também como Ordem Segunda Franciscana ou Ordem das Clarissas, destinada às mulheres que desejassem deixar o mundo, numa dedicação exclusiva à Deus, para uma vida de oração e de pobreza

Ano de 1213

O Conde Orlando de Chiusi oferece a São Francisco um monte chamado Alverne, para servir de eremitério, retiro e oração. É aqui que São Francisco receberá no fim da vida os sagrados estigmas.

Ano de 1215

Faz amizade com São Domingos de Gusmão, fundador da Ordem dos Pregadores. Por ocasião do Concílio de Latrão em 1215 encontram-se em Roma, Francisco e Domingos.

Ao sair de uma igreja Domingos viu Francisco, reconhecendo de imediato o homem predestinado por Deus para a restauração da Igreja Universal. Sentiram uma profunda atração e uma santa amizade uniu aquelas duas almas, que tanto bem deveriam fazer para a humanidade.

Os dois receberam do Papa Inocêncio III, em Roma, no ano de 1215 a incumbência de um trabalho gigantesco para a glória de Deus e salvação das almas.

Ano de 1216

Dia de São Francisco de Assis
São Francisco ora junto ao Papa Honorius III, por Giotto.

Obtém do Papa Honório III, sucessor de Inocêncio III e a pedido do próprio São Francisco uma Indulgência para a Igreja de Santa Maria dos Anjos.

Ato bastante audacioso do Santo pois a Indulgência só era dada aos peregrinos da Terra Santa e aos Cristãos que iam às Cruzadas.

Do Ano de 1217 a 1219

Dia de São Francisco de Assis
São Francisco de Assis diante do Sultão, obra de Giotto.

Francisco leva o Evangelho aos povos sarracenos. Efetuam-se grandes missões ao exterior.

São Francisco visita o Santuário de San Tiago de Compostella, na Espanha.

Vai de navio a Marrocos, no Egito atravessa as linhas inimigas e vai ao acampamento do Sultão do Egito Melek el Kamel, guerreiro temido pela sua crueldade, que comandava as forças Muçulmanas nas Cruzadas contra os Cristãos. O Sultão fica surpreso com o audaz visitante, mantém longas conversas com ele e pede para que fique ali. São Francisco responde: "De bom grado fico se te convertes ao Cristianismo e pedes o mesmo ao teu povo".

Em Damieta, São Francisco se encontra com os Cristãos que faziam parte das Cruzadas e que tinham sido derrotados pelos Muçulmanos. Cuida dos feridos, prega a palavra de Deus, levando a todos conforto espiritual. Conta-se que nessa batalha morreram 6.000 cristãos.

Dia de São Francisco de Assis

Em Marrocos, 5 de seus missionários são mortos e decapitados, foram os primeiros mártires da família Franciscana, posteriormente, em 1481, são canonizados pelo Papa Sisto IV. Até hoje os Frades Menores encontra-se presentes em todo o Oriente, trabalhando pela Paz e a conversão.

Os Frades Menores ganharam a custódia do Santo Sepulcro em Jerusalém, obra que causa admiração aos cristãos do mundo inteiro, esta conquista se deve a suas Santas Missões, orações e obras de caridade.

Em sua volta do Oriente, por onde passa São Francisco estabelece a paz, converte os incrédulos e opera inúmeros milagres através da oração. Em todas as cidades lhe prestam homenagem, mas ele se mantém sempre humilde e em penitência, com uma vida cheia de amor, fé e obras. Em Bolonha instala seu primeiro hospital.

Conhece Santo Antônio de Pádua, que havia sido cônego de Santo Agostinho e se tornado um Frade Menor. Mais tarde, São Francisco lhe pede numa carta que ensine Teologia aos frades mas que não se apague o espírito da oração e devoção como mandava a Regra.

Na sua humildade, buscava unir-se sempre mais a Deus, desejando a confraternização de todos os seres, sem distinção de raça, credo ou cor. Ele repetia:

"Todos os seres são iguais, pela sua origem, seus direitos naturais e divinos e seu objetivo final."
Pobres e ricos, poderosos e humildes, rudes e letrados entravam em grande quantidade para a Ordem.

Ano de 1221

Funda a Ordem Terceira, constituída por membros leigos, procurando criar um instrumento de concórdia e de bem estar social.

Nesse mesmo ano é aprovada a terceira Regra, chamada de Regra Bulada (aprovada) que impera até hoje. O texto original conserva-se como relíquia no Sacro Colégio de Assis, outra cópia, com a aprovação Papal se encontra no Vaticano.

Ano de 1224

O Frei Elias fica sabendo em sonhos que São Francisco só terá mais dois anos de vida. Neste mesmo ano o Santo de Assis nomeia o próprio Frei Elias vigário, para suceder o Frei Pedro Cattani, falecido há pouco.

São Francisco inspirado por Deus junto com o Irmão Leão, seu fiel companheiro e confessor e outros Frades retira-se ao Monte Alverne já bastante doente, preparando-se para a quaresma de oração e jejum e a festa de São Miguel Arcanjo, vive em louvor a Deus passando noites e dias inteiros em oração, só um pedaço de pão e água que o irmão Leão lhe levava.

Conta-se que quando ia para o Eremitério, na longa caminhada de Assis ao monte Alverne, um pobre homem que levava Francisco em seu jumento, lastimava-se dolorosamente: "Estou morrendo de sede, se não beber água vou morrer!". O Santo compadecido e vendo o lugar tão árido, composto só de pedras e cascalho, desceu do jumento e ficou em fervorosa oração, logo disse ao homem: "Corre para trás daquela pedra, ali encontrarás água viva, que neste momento Cristo com sua força, misericórdia e poder fez nascer".

Dia de São Francisco de Assis
São Francisco de Assis em Extase, obra de Giotto.

No monte Alverne falou aos irmãos: "Sinto aproximar-me da morte e desejo permanecer solitário, recolher-me com Deus para lamentar meus pecados".

O Frei Leão contava que muitas vezes viu São Francisco em êxtase adorando a Deus em visões celestiais. Em uma oportunidade viu que São Francisco falava diante de uma resplandecente chama, outra vez disse que viu o Santo extrair algo de seu peito para oferecer a Deus.

O Frei Leão perguntou depois a São Francisco o que significava aquilo, e ele respondeu:

"Meu irmão, naquela chama que viste estava Deus, o qual daquela maneira me falava, como antigamente o fez com Moisés, e entre outras coisas me pediu para lhe oferecer três coisas, e eu lhe respondi: Senhor meu, Tu sabes bem que só tenho o hábito, o cordão e uma pobre veste e ainda estas três coisas são Tuas, que posso, pois Te oferecer Senhor?"

"Então Deus me disse: Procura no teu peito e oferece-me o que encontrares. Levei a mão ao coração e encontrei uma bola de ouro e a ofereci a Deus e assim fiz por três vezes, segundo Deus me ordenara! Imediatamente pude compreender que aquelas três oferendas significavam: a Santa Obediência, a Altíssima pobreza e a Esplêndida Castidade".

Noutra ocasião o próprio São Francisco, ainda deslumbrado, contou a Frei Leão que viu-se cercado de inúmeros anjos, um deles tocava em delicado violino uma maravilhosa música e que se o anjo continuasse com os acordes da celeste melodia, ele certamente teria deixado a vida terrena, para participar das harmonias eternas. Na solidão em que desejou ficar o Santo também teve momentos de difíceis provações.

Dia de São Francisco de Assis
São Francisco de Assis recebe os estigmas, obra de Giotto.

Dia de São Francisco de Assis
Tau

Nos estados contemplativos, eram-lhe revelados por Deus, não somente coisas do presente, mais também do futuro, assim como, por exemplo, as dúvidas, os secretos desejos e pensamentos dos irmãos.

Frei Leão numa hora amarga quando sofria tentações, recebeu uma preciosa bênção para qualquer doença do espírito. Uma bênção assinada com um simples Tau, que representa o símbolo da cruz, o amor a Cristo, também é o signo dos que são amados por Deus, São Francisco tinha grande veneração por este símbolo e nas suas cartas assinava com ele. Tau é a transformação, o equilíbrio, o trabalho, a conversão interior que o homem deve sofrer para unir-se as coisas superiores.

Dia de São Francisco de Assis
Os estigmas de São Francisco de Assis, por Cimabue

.São Francisco amava tanto o Cristo crucificado que pediu ardentemente duas graças: que antes de morrer pudesse ele mesmo sentir na alma e no corpo o amor e o sofrimento da paixão.

O Santo de Assis alcançou essas duas graças. Ele pode ver no céu, um Serafim todo resplandecente de luz que se lhe aproximou e então recebeu os estigmas de Cristo, transpassando-lhe os pés e as mãos. Isto se deu em 14 de Setembro de 1224.

Dia de São Francisco de Assis

Ano de 1225

São Francisco retorna a Sta. Maria dos Anjos, muito doente e quase cego, muitos foram os milagres realizados com seus estigmas. A corte papal envia-lhe médico para tratamento mas nada resolve. Sabendo-se próximo da morte, desde a planície lança uma bênção sobre Assis, compõe o "Cântico ao Sol" e dita seu testamento.

Francisco morre, rodeado de seus Filhos Espirituais. Fez ler o Evangelho e na Última Ceia abençoa seus filhos espirituais presentes e futuros. Foi sepultado na Igreja de São Jorge na cidade de Assis.

Ano de 1228

A dois anos da sua morte é canonizado pelo próprio Papa Gregório IX no dia 16 de Julho de 1228, que vai a Assis.

Conta-se que inicialmente o Papa Gregório IX duvidou da veracidade da chaga do lado de São Francisco. Conforme depois relatou, apareceu-lhe uma noite São Francisco e erguendo um pouco o braço direito, descobriu a ferida do lado e o Papa viu o sangue com água que saía da ferida, assim toda dúvida foi apagada.

Dia de São Francisco de Assis
Papa Gregório IX

Ano de 1230

Com a construção da nova Basílica na cidade de Assis, que recebe seu nome como formas de homenagear o Santo nascido nesta cidade, suas relíquias foram transladadas para o altar deste templo sagrado.

São Francisco sempre foi um grande devoto da Santíssima Virgem Maria, prestou-lhe sempre homenagem. Foram os Franciscanos os promulgadores da devoção da Imaculada Conceição. O dogma foi promulgado em 1854. A virgem Maria representava para São Francisco as portas do céu, ela lhes oferecia o diurno auxílio na senda espiritual.


Dia de São Francisco de Assis
Túmulo de São Francisco, em Assis, o altar guarda suas relíquias.

Sua contribuição

Dia de São Francisco de Assis
"Sermão aos pássaros", pintura de Giotto

Após renunciar ao mundo em 1206, Francisco fez penitência durante dois anos e lançou-se a pregar em linguagem simples e ardorosa.

Francisco amava e respeitava todas as pessoas, ao mesmo tempo, que protegia animais e plantas aos quais chamava, carinhosamente, de irmãos. Para ele, também a chuva, o vento e o fogo deveriam ser reverenciados e respeitados como irmãos.

São Francisco é respeitado por várias religiões pela sua mensagem de paz. Ficou famosa uma oração atribuída a ele que começa com os dizeres "Senhor, fazei-me instrumento de Vossa paz...". Embora não haja certeza de sua autoria, ela reflete mais que qualquer outra os ensinamentos e a vida desse grande homem, reconhecido como santo no mundo todo e adotado como patrono da ecologia e da paz.

O Santo de Assis aceitou os percalços e as vicissitudes da vida terrena, numa demonstração de coragem e de fé inabalável, sempre aceitou tudo se colocando dentro da virtude da humildade, e de todas as graças dadas pelo Espírito Santo, nenhuma é mais preciosa do que a da renúncia. O maior dom de Deus é o da vitória sobre o amor próprio. É feliz todo aquele que suporta todos os sofrimentos por amor a Deus.

Em toda sua vida religiosa espalhou o amor universal, a caridade, a paz e a humildade, levando felicidade a muitas almas, quantas vezes no fim da sua vida, doente estigmatizado e quase cego visitava cidades e aldeias pregando as verdades evangélicas, atendia os pobres, os leprosos e necessitados, com seu coração cheio de santas consolações pedindo a paz, jamais dando por terminada sua missão terrena e desejando ainda servir a Deus.

Nunca consumia mais que o mínimo necessário para viver e incentivava a todas as pessoas a fazerem o mesmo. Tem-se dito, que, imitando a cavalaria, Francisco também teve a sua dama, Madonna Povertà, a Senhora Pobreza, que ele serviu e cantou com grande entusiasmo.

Corrigia com doces palavras, mas sabia ser enérgico quando necessário. Falava aos seus filhos espirituais para que se afastassem do orgulho, vaidade, egoísmo e avareza, que fossem sempre o exemplo da santa pobreza (como ela a chamava), humildade, caridade e trabalho. Sempre foi simples em tudo, severo consigo mesmo, mas benigno com os outros. Nos ensinamentos do Evangelho encontrava o apoio para aliviar a dor de aquelas almas que em desespero acudiam a ele, e através da sua fervorosa oração operou grandes milagres.

Dia de São Francisco de Assis "São Francisco dá seu manto a um homem pobre", pintura de Giotto.

Ele dizia: "Tudo o que faço é Nosso Senhor que me guia". Sua alma pura e cristalina aparecia aureolada de luz e ao igual que o Apóstolo Paulo repetia: "Já não vivo eu, é Cristo que vive em mim". Suas orações e meditações, constantes e prolongadas por dias e noites eram elevadas ao Ser Divino, que ele tanto amava, eram de adoração, de louvor e de ação de graças, ardentes diálogos para poder servir melhor ao Senhor, outras para pedir pelos pobres, os doentes e desamparados, ou para implorar sem cessar a Deus por seus filhos espirituais, temendo a infidelidade de uns e a deserção de outros. Conta-se que estando ante uma visão divina, dizia humildemente:

"Senhor Deus, que será depois da minha morte, da tua pobre família, que por tua benignidade foi entregue a mim pecador? Quem a confortará? Quem a corrigirá? ou Quem rogará por ela?

Prometeu-lhe o Senhor que seus filhos espirituais não desapareceriam da face da terra, até o fim dos tempos, grandes graças do céu receberiam os religiosos da Ordem que permanecessem na prática do bem e na pureza da Regra. Os frades Franciscanos já existem há mais de 800 anos.

Dia de São Francisco de Assis Basilica de São Francisco, em Assis.

Três ordens se articulam a partir da orientação de São Francisco:

À Ordem primeira, dos Frades Menores, incumbia o apostolado de seguir os passos do nosso Senhor Jesus Cristo e de exemplo de obediência para a Igreja.

À Ordem Segunda, das Pobres Damas, cabia o sacrifício, a oração e zelar pelo amor a Deus no Claustro.

À Ordem Terceira, dos Irmãos da Penitência, conhecida atualmente como Ordem Franciscana Secular, destinaria a missão de reavivar nas consciências a honestidade dos costumes e os sentimentos Cristãos de paz e caridade. Esta ordem é composta por homens e mulheres leigos que buscam em seu cotidiano levar a todos estes sentimentos, almejando a perfeição de vida Cristã sem abandonar a própria família ou renunciar às suas propriedades.

Carta aos Governantes dos Povos"

El Greco, São Francisco em oração, 1580 – 85, quadro em óleo, 115.5 x 103 cm.São Francisco escreveu:

A todos os podestás, cônsules, juizes e regentes no mundo inteiro, e a todos quantos receberem esta carta, Frei Francisco, mísero e pequenino servo no Senhor, deseja saúde e paz.

Considerai e vede que "se aproxima o dia da morte"(Gn 47,29). Peço-vos, pois, com todo o respeito de que sou capaz que, no meio dos cuidados e solicitudes que tendes neste século, não esqueçais o Senhor nem vos afasteis dos seus mandamentos. Pois todos aqueles que o deixam cair no esquecimento e "se afastam dos seus mandamentos" são amaldiçoados (Sl 118,21) e serão por Ele "entregues ao esquecimento" (Ez 33,13). E quando chegar o dia da morte, "tudo o que entendiam possuir ser-lhe-á tirado" (Lc 8,18). E quanto mais sábios e poderosos houverem sido neste mundo, tanto maiores "tormentos padecerão no inferno" (Sb 6,7).

Por isso aconselho-vos encarecidamente, meus senhores, que deixeis de lado todos os cuidados e solicitudes e recebais com amor o santíssimo sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, por ocasião de sua santa memória. Diante do povo que vos foi confiado, prestai ao Senhor este testemunho público de veneração: todas as tardes mandai proclamar por um pregoeiro, ou anunciai por algum sinal, que todo povo deverá render graças e louvores ao Senhor Deus Todo-Poderoso. E se não o fizerdes, sabei que havei de dar conta perante vosso Senhor Jesus Cristo no dia do juízo.

Os que levarem consigo este escrito e o observarem saibam que serão abençoados por Deus nosso Senhor.

Dia de São Francisco de Assis El Greco, São Francisco em oração, 1580 – 85, quadro em óleo, 115.5 x 103 cm.

Textos de São Francisco Oração de São Francisco de Assis

A Oração da Paz é atribuída a São Francisco de Assis e comumente denominada de Oração de São Francisco, esta oração anônima foi escrita no início do século XX tendo aparecido inicialmente num boletim paroquial na Normandia, França.

Menos de dois anos depois, foi impressa em Roma em uma folha, em que num verso estava a oração e no outro verso da folha foi impresso uma estampa de São Francisco.

Por isto e pelo fato de que o texto reflete muito bem o franciscanismo esta oração começou a ser divulgada como se fosse de autoria do santo.

A Oração da Paz, em português

Uma das mais conhecidas traduções para a língua portuguesa desta oração é:

Senhor: Fazei de mim um instrumento de vossa Paz!
Onde houver Ódio, que eu leve o Amor,
Onde houver Ofensa, que eu leve o Perdão.
Onde houver Discórdia, que eu leve a União.
Onde houver Dúvida, que eu leve a Fé.
Onde houver Erro, que eu leve a Verdade.
Onde houver Desespero, que eu leve a Esperança.
Onde houver Tristeza, que eu leve a Alegria.
Onde houver Trevas, que eu leve a Luz!
Ó Mestre,
fazei que eu procure mais.
Consolar, que ser consolado.
Compreender, que ser compreendido.
Amar, que ser amado.
Pois é dando, que se recebe.
Perdoando, que se é perdoado e
é morrendo, que se vive para a vida eterna!
Amém

Fonte: pt.wikipedia.org

Dia de São Francisco de Assis

04 de Outubro

Nascimento e vida familiar de um cavaleiro

Francisco nasceu em Assis, cidade de Úmbria, no ano 1182.

Seu pai, Pedro Bernardone, era comerciante. O nome de sua mãe era Pia e alguns autores afirmam que pertencia a uma nobre família da Provença. Tanto o pai como a mãe de Francisco eram pessoas ricas. Pedro Bernardone comerciava especialmente na França. Como muitos falavam nisso quando nasceu seu filho, as pessoas lhe apelidara "Francesco" (em francês), por mais que no batismo recebeu o nome de João. Em sua juventude, Francisco era muito dado as românticas tradições cavalerescas que propagavam os trovadores. Dispunha de dinheiro em abundância e o gastava prodigamente, com ostentação.

Nem os negócios de seu pai, nem os estudos lhe interessavam muito, mas sim o divertir-se em coisas vãs que comumente se chama "gozar da vida". Sem dúvida, não era de costumes licenciosos e costumava ser muito generoso com os pobres que lhe pediam por amor de Deus.

Acha de um tesouro

Quando Francisco tinha uns vinte anos, iniciou a discórdia entre as cidades de Perugia e Assis e na guerra, o jovem caiu prisioneiro. A prisão durou um ano, e Francisco a suportou alegremente. Sem dúvida, quando refez a liberdade, caiu gravemente enfermo. A enfermidade, na que o jovem provou uma vez mais seu paciência, fortaleceu e madurou seu espírito. Quando se sentiu com forças suficientes, determinou ir a combater no exército de Galterio e Briena no sul de Itália. Com esse fim, se comprou uma custosa armadura e um lindo manto. Mas um dia em que passeava ataviado com seu novo traje, se topou com um cavaleiro mal vestido que havia caído na pobreza; movido à compaixão ante aquele infortúnio, Francisco mudou seus ricas roupas pelos de cavaleiro pobre. Essa noite viu em sonhos um esplendido palácio com salas cheias de armas, sobre as qual é se tinha gravado o sinal da cruz e lhe pareceu ouvir uma voz que lhe dizia que essas armas lhe pertenciam e a seus soldados.

Francisco partiu a Apulia com a alma ligeira e a seguridade de triunfar, mas nunca chegou ao frente de batalha. Em Espoleto, cidade de caminho de Assis a Roma, caiu novamente enfermo e, durante a enfermidade, ouviu uma voz celestial que lhe exortavam a "servir ao amo e no ao servo". O jovem obedeceu. Ao principio voltou a sua antiga vida, ainda que a tomando menos a ligeira. As pessoas, ao vê-lo silencioso, lhe diziam que estava enamorado. "Sim", replicava Francisco, "vou casar-me com uma jovem mais bela e mais formosa que todas as que conheceis". Pouco a pouco, com a muita oração, foi concebido o desejo de vender todos seus bem é e comprar a pérola preciosa de que fala o Evangelho. Ainda ignorava o que tinha que fazer para elo, uma serie de claras inspirações sobrenaturais lhe fez compreender que a batalha espiritual começa pela mortificação e a vitória sobre os instintos. Passando em certa ocasião a cavalo pela vila de Assis, encontrou a um leproso. As chagas de mendigo aterrorizaram a Francisco; mas, em vez de fugir, se acercou ao leproso, que lhe estendia a mão para receber uma esmola. Francisco compreendeu que havia chegado o momento de dar o passo ao amor radical de Deus. A pesar de seu repulsa natural ao leproso, venceu seu vontade, se lhe acercou e lhe deu um beijo. Aquilo mudou sua vida. Foi um gesto movido pelo espírito Santo, pedindo a Francisco uma qualidade de entrega, um "sim" que distingue aos santos dos medíocres. "Francisco, repara minha Igreja, pois e a vês que está em ruínas" ·

A partir de então, começou a visitar e servir aos enfermos nos hospitais. Algumas vezes presenteava aos pobres seus vestidos, outras, o dinheiro que levava. Em certa ocasião, enquanto orava na Igreja de São Damião nas aforas de Assis, lhe pareceu que o crucifixo (hoje chamado crucifixo de São Damião) lhe repetia três vezes: "Francisco, repara minha casa, pois olhas que está em ruínas". O santo, vendo que a Igreja se achava em muito mal estado, crendo que o Senhor queria que a reparasse; assim, pois, partiu imediatamente, tomou uma boa quantidade de vestidos da tenda de seu pai e os vendeu junto com seu cavalo. Em seguida levou o dinheiro ao pobre sacerdote que se encarregava da Igreja de São Damião, e lhe pediu permissão de estar e viver com ele. O bom sacerdote consentiu em que Francisco ficasse com ele, mas se negou a aceitar o dinheiro.

O jovem o depositou na janela. Pedro Bernardone, ao inteirar-se do que havia feito seu filho, se dirige indignado a São Damião.

Mas Francisco havia tido cuidado de ocultar-se.

Renuncia a herança de seu pai

Ao cabo de alguns dias passados em oração e jejum, Francisco voltou a entrar na povoado, mas estava tão desfigurado e mal vestido, que as pessoas riam dele como se fosse um louco. Pedro Bernardone, muito desconcertado pela conduta de seu filho, lhe conduziu a sua casa, lhe golpeou furiosamente (Francisco tinha então vinte e cinco anos), lhe pôs correntes nos pés e lhe encerrou em uma casa. A mãe de Francisco se encarregou de pô-lo em liberdade quando seu marido se achava ausente e o jovem retornou a São Damião. Seu pai foi de novo a busca-lo ali, lhe golpeou na cabeça e lhe mandou voltar imediatamente a sua casa ou a renunciar a sua herança e pagar o preço das roupas que lhe havia tomado. Francisco no teve dificuldade alguma em renunciar a herança, mas disse a seu pai que o dinheiro das roupas pertencia a Deus e aos pobres. Seu pai lhe obrigou a comparecer ante o Bispo Guido de Assis, quem exortou ao jovem a devolver o dinheiro e a ter confiança em Deus: "Deus não deseja que sua Igreja aproveite de bens que são injustamente adquiridos".

Francisco obedeceu à ordem do Bispo e acrescentou: "As roupas que levo pertencem também a meu pai, tenho que devolve-los". Em seguida se desnudou e entregou suas roupas a seu pai, dizendo-lhe alegremente: "até agora tu tem sido meu pai na terra, mas em adiante poderei dizer: Pai nosso, que estás nos céus."' Pedro Bernardone abandonou o palácio episcopal "tremendo de indignação e profundamente aborrecido". O Bispo regalou a Francisco um velho vestido de lavrador, que pertencia a um de seus servos. Francisco recebeu a primeira esmola de sua vida com grande agradecimento, traçou a sinal da cruz sobre a roupa e se o foi.

Chamado a renuncia e a negação

Em seguida, partiu em busca de um lugar conveniente para ficar. Ia cantando alegremente as glórias divinas pelo caminho, quando topou com uns bandoleiros que lhe perguntaram quem era. O respondeu: "Sou o arauto de um grande Rei". Os bandoleiros lhe golpearam e lhe atiraram em um fosso coberto de neve. Francisco prosseguiu seu caminho cantando as divinas glórias. Em um monastério obteve esmola e trabalho como se fosse um mendigo. Quando chegou a Gubbio, uma pessoa que lhe conhecia lhe levou a sua casa e lhe deu uma túnica, um cinturão e umas sandálias de peregrino. Para reparar a Igreja, foi a pedir esmola em Assis, donde todos lhe haviam conhecido rico e, naturalmente, houve de suportar as brincadeiras e o desprezo de mais de um mal intencionado. O mesmo se encarregou de transportar as pedras que faziam falta para reparar a Igreja e ajudou no trabalho. Uma vez terminadas as reparações na Igreja de São Damião, Francisco empreendeu um trabalho semelhante na antiga Igreja de São Pedro.

Depois, se trasladou a uma capela chamada Porciúncula, que pertencia à abadia beneditina de Monte Subasio. Provavelmente o nome da capela aludia ao feito de que estava construída em uma reduzida parcela de terra. A Porciúncula se achava a uns quatros kilômetros de Assis e, naquela época, estava abandonada e quase em ruínas. A tranqüilidade do lugar agradou a Francisco tanto como o titulo de Nossa Senhora dos Anjos, em cuja honra havia sido erigida à capela. Francisco a reparou e fixou nela sua residência. Ali lhe mostrou finalmente o céu o que esperava por ele, no dia da festa de São Matias de ano 1209. Naquela época, o evangelho da Missa da festa dizia: "Ide a pregar, dizendo: o Reino de Deus tinha chegado. Dai gratuitamente o que haveis recebido gratuitamente. Não possuas ouro, nem duas túnicas, nem sandálias. Aqui que vos envio como Cordeiros em meio dos lobos". Estas palavras penetraram até o mais profundo no coração de Francisco e este, aplicando-as literalmente, tirou seus sandálias, e seu cinturão e ficou somente com a pobre túnica cingida com um cordão. Tal foi o hábito que deu a seus irmãos um ano mais tarde: a túnica de lã dos pastores e camponeses da região. Vestido dessa forma começou a exortar a penitência com tal energia, que suas palavras enchiam os corações de seus ouvintes. Quando se topava com alguém no caminho, lhe saudava com estas palavras: "A paz de Senhor seja contigo".

Dons Extraordinários

Deus lhe havia concedido e a o dom de profecia e o dom de milagres. Quando pedia esmola para reparar a Igreja de São Damião, costumava dizer: "ajudai-me a terminar esta Igreja. um dia haverá ali um convento de religiosas em cujo bom nome se glorificarão o Senhor e a universal Igreja".

A profecia se verificou cinco anos mais tarde em Santa Clara e seus religiosas. Um habitante de Espoleto sofria de um câncer que lhe havia desfigurado horrivelmente o rosto. Em certa ocasião, ao cruzar com São Francisco, o homem tentou jogar-se a seus pés, mas o santo teve piedade e lhe beijou no rosto. O enfermo ficou instantaneamente curado. São Boas Ventura comentava a este propósito: "Não se há, que admirar mais o beijo ou o milagre ".

Nova ordem religiosa e visita ao Papa

Francisco teve numerosos seguidores e alguns queriam fazer se discípulos seus. O primeiro discípulo foi Bernardo de Quintavale, um rico comerciante de Assis. Ao principio Bernardo via com curiosidade a evolução de Francisco e com freqüência lhe visitava a sua casa, donde lhe tinha sempre preparado um leito. Bernardo se fingia dormido para observar como o servo de Deus se levantava silenciosamente e passava largo tempo em oração, repetindo estas palavras: "Meu Deus e meu tudo". Ao fim, compreendeu que Francisco era "verdadeiramente um homem de Deus e em seguida lhe suplicou que lhe admitisse como discípulo. Desde então, juntos assistiam a Missa e estudavam a Sagrada Escritura para conhecer a vontade de Deus. Como as indicações da Bíblia concordavam com seus propósitos, Bernardo vendeu quanto tinha e repartiu o produto entre os pobres. Pedro de Cataneo, cônego da catedral de Assis, pediu também a Francisco que lhe admitisse como discípulo e o santo lhes "concedeu o hábito" aos dois juntos, o 16 de abril de 1209.

O terceiro companheiro de São Francisco foi o irmão Gil, famoso por seu grande sensatez e sabedoria espiritual. Em 1210, quando o grupo contava e a com doze membros, Francisco relatou uma regra breve e informal que consistia principalmente nos conselhos evangélicos para alcançar a perfeição.

Com ela se foram a Roma apresenta-la para aprovação de Sumo Pontífice. Viajaram a pé, cantando e rezando, cheios de felicidade, e vivendo das esmolas que as gentes lhes davam. Em Roma não queriam aprovar esta comunidade porque lhes parecia demasiado rígida quanto a pobreza, mas ao fim um cardeal disse: "Não lhes podemos proibir que vivam como mandou Cristo no evangelho". Receberam a aprovação, e voltaram a Assis a viver em pobreza, em oração, em santa alegria e grande fraternidade, junto a Igreja da Porciúncula.

Inocêncio III se mostrou adverso ao principio. Por outra parte, muitos cardeais opinavam que as ordens religiosas e a existentes necessitavam de reforma, não de multiplicação e que a nova maneira de conceber a pobreza era impraticável. O cardeal João Colonna achegou em favor de Francisco que sua regra expressava os mesmos conselhos com que o Evangelho exortavam a perfeição. Mais tarde, o Papa relatou a seu sobrinho, quem a sua vez o comunicou a São boa ventura, que havia visto em sonhos uma palmeira que crescia rapidamente e depois, havia visto a Francisco sustentando com seu corpo a basílica que estava a ponto de cair. Cinco anos depois, o mesmo Pontífice teria um sonho semelhante a propósito de Santo Domingo. Inocêncio III mandou, pois, chamar a Francisco e aprovou verbalmente sua regra; em seguida lhe impôs o corte dos cabelos, assim como aos seus companheiros e lhes deu por missão pregar a penitência.

A Porciúncula

São Francisco e seus companheiros se mudaram provisoriamente a uma cabana, fora de Assis, de donde saiam a pregar por toda a região. Pouco depois, tiveram dificuldades com um camponês que reclamava a cabana para usa-la como estábulo de seu asno. Francisco respondeu: " Deus não nos tinha chamado a preparar estábulos para os asnos", e em seguida abandonou o lugar e partiu para ver o abade de Monte Subasio. Em 1212, o abade deu a Francisco a capela da Porciúncula, na condição de que a conservasse sempre como a Igreja principal da nova ordem. O santo se negou a aceitar a propriedade da capela e apenas a admitiu emprestada. Em prova de que a Porciúncula continuava como propriedade dos beneditinos, Francisco lhes enviava cada ano, a maneira de recompensa pelo préstimo, uma cesta de pescados colhidos no riacho vizinho. Por seu parte, os beneditinos correspondiam enviando-lhe um tonel de azeite. Tal costume ainda existe entre os franciscanos de Santa Maria dos Anjos e os beneditinos de São Pedro de Assis.

Ao redor da Porciúncula, os frades construíram várias cabanas primitivas, porque São Francisco não permitia que a ordem em geral e os conventos em particular, possuíssem bens temporais. Havia feito da pobreza o fundamento de sua ordem e seu amor a pobreza se manifestava em sua maneira de vestir-se, nos utensílios que usava em cada um de seus atos. Costumava chamar a seu corpo "o irmão asno", porque o considerava como feito para transportar carga, para receber golpes e para comer pouco e mal.

Quando via ocioso a algum frade, lhe chamava "irmão mosca" porque em vez de cooperar com os demais atrapalhava o trabalho dos outros.

Pouco antes de morrer, considerando que o homem está obrigado a tratar com caridade a seu corpo, Francisco pediu perdão ao seu corpo por ter o tratado talvez com demasiado rigor. O santo se havia oposto sempre as austeridades indiscretas e exageradas. Em certa ocasião, vendo que um frade havia perdido o sono por causa de excessivo jejum, Francisco lhe levou alimento e comeu com ele para que se sentisse menos mortificado.

Deus lhe outorga sabedoria.

A principio de sua conversão, vendo se atacado de violentas tentações de impureza, saia a deitar-se desnudo sobre a neve. Certa vez em que a tentação foi todavia mais violenta que de costume, o santo se disciplinou furiosamente; como isso não bastasse para acabar com ela, acabou por rolar sobre as sarças e os abrolhos. Sua humildade não consistia simplesmente em um desprezo sentimental de si mesmo, mas sim na convicção de que "ante os olhos de Deus o homem vale pelo que é e não mais". Considerando se indigno do sacerdócio, Francisco apenas chegou a receber o diaconato.

Detestava de todo coração as singularidades. Assim quando lhe contaram que um dos frades era tão amante do silêncio que apenas se confessava por sinais, respondeu com desgosto: "Isso não procede do Espírito de Deus mas sim do demônio; é uma tentação e não um ato de virtude ". Deus iluminava a inteligência de seu servo com uma luz de sabedoria que não se encontra nos livros. Quando certo frade lhe pediu permissão de estudar, Francisco lhe contestou que, se repetisse devoção o "glória Patri", chegaria a ser sábio aos olhos de Deus e ele mesmo era o melhor exemplo da sabedoria adquirida dessa forma.

A Natureza

Seus contemporâneos falam com freqüência do carinho de Francisco pelos animais e do poder que tinha sobre eles.

Aventura de amor com Deus

Os primeiros anos da ordem em Santa Maria dos anjos foram um período de treinamento na pobreza e a caridade fraternas. Os frades trabalhavam em seus ofícios e nos campos vizinhos para ganhar o pão de cada dia. Quando não havia trabalhou suficiente, saiam a pedir esmola de porta em porta; mas o fundador lhes havia proibido que aceitassem dinheiro. Estavam sempre prontos a servir a todo o mundo, particularmente aos leprosos. São Francisco insistia em que chamassem aos leprosos "meus irmãos cristãos" e aos enfermos não deixavam de prestar esta profunda delicadeza.

Santa Clara

Clara havia partido de Assis para seguir a Francisco, na primavera de 1212, depois de ouvi-lo pregar. O santo conseguiu estabelecer a Clara e suas companheiras em São Damião, e a comunidade de religiosas chegou a ser, para os franciscanos, o que as monjas de Prouile haviam de ser para os dominicanos.

Evangeliza aos maometanos

No outono desse ano, Francisco, não contente com tudo o que havia sofrido e trabalhado pelas almas na Itália, resolveu ir evangelizar aos maometanos.

Assim pois, se embarcou em Ancona com um companheiro rumo a Síria; mas uma tempestade fez naufragar a nave na costa de Dalmacia. Como os frades não tinham dinheiro para prosseguir a viajem se viram obrigados a esconder se furtivamente em um navio para voltar a Ancona. Depois de pregar um ano no centro de Itália, São Francisco decidiu partir novamente a pregar aos maometanos em Marrocos. Mas Deus tinha disposto que não chegasse nunca a seu destino: o santo caiu enfermo na Espanha e, depois, teve que retornar a Itália.

A humildade e Obediência

São Francisco deu a sua ordem o nome de "frades Menores" por humildade, pois queria que seus irmãos fossem os servos de todos e buscassem sempre os lugares mais humildes. Com freqüência exortava a seus companheiros ao trabalho manual e, se bem lhes permitia pedir esmola, lhes tinha proibido que aceitassem dinheiro. Pedir esmola não constituía para ele uma vergonha, era uma maneira de imitar a pobreza de Cristo. O santo não permitia que seus irmãos pregassem em uma diocese sem permissão expressa do Bispo. Entre outras coisas, dispôs que "se algum dos frades se apartava da fé católica em obras ou palavras e não se corrigia, deveria ser expulsado da irmandade". Todas as cidades queriam ter o privilégio de albergar aos novos frades, e as comunidades se multiplicaram na Umbria, Toscana, Lombardia e Ancona.

Cresce a ordem

Se conta que em 1216, Francisco solicitou do Papa Honório III a indulgência da Porciúncula o "perdão de Assis ". No ano seguinte, conheceu em Roma a Santo Domingo, quem havia pregado a fé e a penitência no sul da França na época em que Francisco era "um gentil homem de Assis ". São Francisco tinha também a intenção de ir pregar na França. Mas, como o cardeal Ugolino (quem foi mais tarde Papa com o nome de Gregório IX) lhe dissuadiu disso, enviou em seu lugar aos irmãos Pacifico e Agnelo. Este último havia de introduzir mais tarde a ordem dos frades menores na Inglaterra.

O sábio e bondoso cardeal Ugolino exerceu uma grande influência no desenvolvimento da ordem. Os companheiros de São Francisco eram tão numerosos, que se imponha forçosamente certa forma de organização sistemática e de disciplina comum. Assim pois, se procedeu a dividir a ordem em províncias, a frente de cada uma das quais se pôs um ministro, encarregado do bem espiritual dos irmãos;se algum deles chegasse a perder se pelo mal exemplo de ministro, este teria que responder por ele ante Jesus Cristo".

Os frades haviam cruzado os Alpes e tinham missões na Espanha, Alemanha e Hungria. O primeiro capitulo geral se reuniu na Porciúncula, em Pentecostes do ano de 1217. Em 1219, teve lugar o capitulo "das esteiras", assim chamado pelas cabanas que construíram precipitadamente com esteiras para albergar aos que chegavam. Se conta que se reuniram então cinco mil frades. Francisco lhes insistia em que amassem muitíssimo a Jesus Cristo e a Santa Igreja Católica, e que vivessem com o maior desprendimento possível, e não se cansava de recomendar-lhes que cumprissem o mais exatamente possível tudo o que manda o Santo Evangelho. Recorria campos e povos convidando as pessoas a amar mais a Jesus Cristo, e repetia sempre: 'O Amor não é amado".

As pessoas lhe escutavam com especial carinho e se admiravam muito que seus palavras influíam nos corações para entusiasma-los por Cristo e sua Verdade. Propuseram que pedisse ao Papa permissão para que os frades pudessem pregar em as todas partes sem autorização do Bispo, Francisco respondeu: "quando os Bispos verem que vives santamente e que não tens intenções de atentar contra sua autoridade, serão os primeiros em pedir que trabalheis pelo bem das almas que lhes tem sido confiadas. Considerai como o maior dos privilégios o de não gozar de privilégio algum..." ao terminar o capitulo, São Francisco enviou alguns frades a primeira missão entre os infiéis de Túnis e Marrocos e se reservou para si a missão entre os sarracenos do Egito e Síria. Em 1215, durante o Concílio de Letram, o Papa Inocêncio III havia pregado uma nova cruzada, mas tal cruzada se havia reduzido simplesmente a reforça o Reino Latino do Oriente. Francisco queria empunhar a espada de Deus. São Francisco, foi a terra Santa a visitar em devota peregrinação os Santos Lugares donde Jesus nasceu, viveu e morreu: Belém, Nazaré, Jerusalém, etc. Em lembrança desta piedosa visita sua, os franciscanos estão encarregados desde séculos de custodiar os Santos Lugares da Terra Santa.

Missionário ante o Sultão

Em junho de 1219, embarcou em Ancona com doze frades. O navio os conduziu a desembocadura do Nilo. Os cruzados haviam posto sítio a cidade, e Francisco sofreu muito ao ver o egoísmo e os costumes dissolutos dos soldados da cruz. Consumido pelo zelo da salvação dos sarracenos, decidiu passar ao campo do inimigo, por mais que os cruzados lhe dissessem que a cabeça dos cristãos estavam postas a prêmio. Havendo conseguido a autorização, Francisco e o irmão Iluminado se aproximaram ao campo inimigo, gritando: " Sultão, sultão!" quando os conduziram a presença de Malek-al-Kamil, Francisco declarou ousadamente. "Não são os homens quem me tem enviado, mas sim Deus todo poderoso. Venho a mostrar, a ti e a teu povo, o caminho da salvação; venho a anunciar as verdades do Evangelho."

O sultão ficou impressionado e rogou a Francisco que permanecesse com ele. O santo replicou: "Se vós e teu povo estais dispostos a ouvir a palavra de Deus, com gosto estarei com vocês. E se todavia vacilais entre Cristo e Maomé, manda acender uma fogueira. Eu entrarei nela com vossos sacerdotes e assim vereis qual é a verdadeira fé. O sultão contestou que provavelmente ninguém dos sacerdotes queria entrar na fogueira e que não podia submete-los a essa prova para não sublevar o povo. Contam que o Sultão chegou a dizer: ¨se todos os cristãos fosse como ele, então valeria a pena ser cristão¨.

Mas o sultão, Malek-al-Kamil, mandou que Francisco voltasse ao campo dos cristãos. Desalentado ao ver o reduzido êxito de sua pregação entre os sarracenos e entre os cristãos, o santo passou a visitar os Santos Lugares. Ali recebeu uma carta na qual seus irmãos lhe pediam urgentemente que retornasse a Itália.

As crises de acomodamento leva a clarificar a regra

Durante a ausência de Francisco, seus dois vigários, Mateo de Narnem e gregório de Nápoles, haviam introduzido certas inovações que pretendia uniformizar os frades menores com as outras ordens religiosas e a enquadrar o espírito franciscano no rígido esquema da observância monástica e das regras ascéticas.

As religiosas de São Damião tinham uma constituição própria, relatada pelo cardeal Ugolino sobre a base da regra de São Bento. Ao chegar a Bolonha, Francisco teve a desagradável surpresa de encontrar a seus irmãos hospedados em um esplêndido convento. O santo se negou a por os pés nele e viveu com os frades pregadores. Em seguida mandou chamar ao guardião do convento franciscano, lhe repreendeu severamente e lhe ordenou que os frades abandonassem a casa. Tais acontecimentos tinham aos olhos do santo as proporções de uma verdadeira traição: se tratava de uma crise da qual teria que sair a ordem sublimada ou destruída. São Francisco se trasladou a Roma onde conseguiu que Honório III nomeasse o cardeal Ugolino protetor e conselheiro dos franciscanos, pois ele havia depositado uma fé cega no fundador e possuía uma grande experiência nos assuntos da Igreja. Ao mesmo tempo, Francisco se entregou ardentemente a tarefa de revisar a regra, para o que convocou a um novo capitulo geral que se reuniu na Porciúncula em 1221.

O santo apresentou aos de longe a regra revisada. O que se referia a pobreza, a humildade e a liberdade evangélica, característica da ordem, ficava intacto. Ele constituía uma espécie de direito de fundador aos dissidentes e legalistas que, escondidos tramavam uma verdadeira revolução do espírito franciscano. O chefe da oposição era o irmão Elias de Cortona. O fundador havia renunciado a direção da ordem, de sorte que seu vigário, frei Elias, era praticamente o ministro geral. Sem dúvida, não se atreveu a opor-se ao fundador, a quem respeitava sinceramente.

Na realidade, a ordem era demasiado grande, como o disse o próprio São Francisco: "Se tivesse menos frades menores, o mundo os veria menos e desejaria que fossem mais". Ao fim de dois anos, durante os quais houve de lutar contra a corrente cada vez mais forte que pretendia modificar a ordem em uma direção que ele não havia previsto e que lhe parecia comprometer o espírito franciscano, o santo empreendeu uma nova revisão da regra.

Depois a comunicou ao irmão Elias para que este a passasse aos ministros, mas o documento se extraviou e o santo houve de ditar novamente a revisão ao irmão Leão, em meio ao clamor dos frades que afirmavam que a proibição de possuir bens em comum era impraticável.

A regra, tal como foi aprovada por Honório III em 1223, representava substancialmente o espírito e o modo de vida pelo qual havia lutado São Francisco desde o momento em que se despojou de suas ricas vestes ante o Bispo de Assis.

A Terceira Ordem

Uns dois anos antes São Francisco e o cardeal Ugolino haviam relatado uma regra para a confraria de leigos que se haviam associado aos frades menores e que correspondia ao que atualmente chamamos terceira ordem, fincada no espírito da "Carta a todos os cristãos ", que Francisco havia escrito nos primeiros anos de sua conversão.

A confraria, formada por leigos entregados a penitência, que levavam uma vida muito diferente da que se acostumava então, chegou a ser uma grande força religiosa na idade Media.

No direito canônico atual, os terciários das diversas ordens gozam, todavia de um estatuto especificamente diferente da dos membros das confrarias e congregações marianas. A representação de Nascimento de Jesus

São Francisco passou o Natal de 1223 em Grecehio, no vale de Rieti. Em tal ocasião, havia dito a seu amigo, João da Velita- "Quisera fazer uma espécie de representação vivente do nascimento de Jesus em Belém, para presenciar, por dizer assim, com os olhos do corpo a humildade da Encarnação e vê-lo recostado no casebre entre o boi e o burrinho". Em efeito, o santo construiu então na ermita uma espécie de cova e os camponeses dos arredores assistiram a Missa da meia noite, na qual Francisco atuou como diácono e pregou sobre o mistério do Natal. Lhe atribui ter começado naquela ocasião a tradição de "Belém" o "nascimento ".

Nos disse Tomas Celano em sua biografia do santo: "A Encarnação era um componente chave na espiritualidade de Francisco. Queria celebrar a Encarnação de forma especial. Queria fazer algo que ajudasse a gente a recordar ao Cristo menino e como nasceu em Belém". São Francisco permaneceu vários meses no retiro de Grecehio, consagrado a oração, mas ocultou zelosamente aos olhos dos homens as graças especialíssimas que Deus lhe comunicou na contemplação.

O irmão Leon, que era seu secretário e confessor, afirmou que lhe havia visto várias vezes durante a oração elevar-se tão alto sobre o solo, que apenas podia alcançar-lhe os pés e, em certas ocasiões, nem sequer isso.

Os Estigmas

Perto da festa da Assunção de 1224, o santo se retirou ao Monte Alvernia e construiu ali uma pequena cela. Levou consigo ao irmão Leon, mas proibiu que fossem visitar-lhe até depois da festa de São Miguel. Ali foi onde teve lugar, próximo de dia da Santa Cruz de 1224, o milagre dos estigmas, de que falamos no 17 de setembro. Francisco tratou de ocultar aos olhos dos homens os sinais da paixão de Senhor que tinha impressas no corpo; Por ele, a partir de então levava sempre as mãos dentro das mangas do hábito e usava meias e sapatos. Sem dúvida, desejando o conselho de seus irmãos, comunicou o sucedido ao irmão Iluminado e alguns outros, mas escondeu que lhe haviam sido reveladas certas coisas que jamais descobriria homem algum sobre a terra.

Em certa ocasião em que se achava enfermo, alguém propôs que se lhe lesse um livro para distrair. O santo respondeu: "Nada me ajudai tanto como a contemplação da vida e paixão do Senhor. Ainda que tivesse que viver até o fim de mundo, com somente esse livro me bastaria. Francisco havia se enamorado da santa pobreza enquanto contemplava a Cristo crucificado e meditava na nova crucificação que sofria na pessoa dos pobres. O santo não desapreciava a ciência, mas não a desejava para seus discípulos. Os estudos apenas tinham razão de ser para Deus como um fim e apenas podiam aproveitar aos frades menores, se não lhes impe dizem de consagrar a oração um tempo.

Francisco se aborrecia dos estudos que alimentavam mais a vaidade que a piedade, porque impediam a caridade e secavam o coração. Sobre todo, temia que a senhora ciência se convertesse em rival da dama Pobreza. Vendo com quanta ansiedade que acudiam as escolas e buscavam os livros seus irmãos, Francisco exclamou em certa ocasião: "Impulsionados pelo mal espírito, meus pobres irmãos acabaram por abandonar o caminho da sensatez e da pobreza". Antes de sair de Monte Alvernia, o santo compôs o "Hino de adoração ao Altíssimo ". Pouco depois da festa de São Miguel desceu finalmente ao vale, marcado pelos estigmas da paixão e curou aos enfermos que saíram atrás dele.

A irmã morte

As quentes areias do deserto do Egito afetaram a vista de Francisco até o ponto de estar quase completamente cego. Os dois últimos anos da vida de Francisco foram de grandes sofrimentos. Fortes dores devido ao deterioração de muitos de seus órgãos (estômago, fígado e o baço), conseqüências da malária contraída no Egito. Nas mais terríveis dores, Francisco oferecia a Deus tudo como penitência, pois se considerava grande pecador e para a salvação das almas. Era durante sua enfermidade e dor onde sentia a maior necessidade de cantar. Sua saúde ia piorando, os estigmas lhe faziam sofrer e lhe debilitavam e quase havia perdido a visão. No verão de 1225 esteve tão enfermo, que o cardeal Ugolino e o irmão Elias lhe obrigaram a por-se em mãos do médico do Papa em Rieti. O santo obedeceu com sensatez. No caminho a Rieti foi a visitar a Santa Clara no convento de São Damião.

Ali, em meio dos mais agudos sofrimentos físicos, escreveu o "Cântico do irmão sol" e o adaptou a uma toada popular para que seus irmãos pudessem canta-lo. Depois se trasladou a Monte Rainerio, onde se submeteu ao tratamento brutal que o médico lhe havia prescrito, mas a melhora que ele lhe produziu foi apenas momentânea. Seus irmãos lhe levaram então a Siena a consultar a outros médicos, mas o santo estava moribundo.

No testamento que ditou para seus frades, lhes recomendava a caridade fraterna, os exortava a amar e observar a santa pobreza e a amar e honrar a Igreja. Pouco antes de sua morte, ditou um novo testamento para recomendar a seus irmãos que observassem fielmente a regra e trabalhassem manualmente, não pelo desejo de lucro, mas sim para evitar a ociosidade e dar bom exemplo. "Se não nos pagam nosso trabalho, acudamos a mesa do Senhor, pedindo esmola de porta em porta".

Quando Francisco voltou a Assis, o Bispo lhe hospedou em sua própria casa. Francisco rogou aos médicos que lhe dissessem a verdade, e estes confessaram que apenas lhe restava umas semanas de vida. " Bem vinda, irmã Morte!", exclamou o santo em seguido, pediu que lhe transportassem a Porciúncula. Pelo caminho, quando a comitiva se achava no cume de uma colina, da qual se via o panorama de Assis, pediu aos que portavam a cama que se detivessem um momento e então voltou seus olhos cegos em direção a cidade e implorou as benções de Deus para ela e seus habitantes.

Depois mandou aos irmãos que se apressassem a leva-lo a Porciúncula. Quando sentiu que a morte se aproximava, Francisco enviou um mensageiro a Roma para chamar a nobre dama Giacoma di Setesoli, que havia sido sua protetora, para rogar lhe que trouxesse consigo alguns círios e um pano para a amortalha, assim comeu uma porção de um pastel que ele gostava muito. Felizmente, a dama chegou a Porciúncula antes que o mensageiro partisse.

Francisco exclamou: " Bendito seja Deus que nos tinha enviado a nossa irmã Giacoma! a regra que proíbe a entrada das mulheres não afeta a nossa irmã Giacoma. Diga-lhe que entre". O santo enviou uma última mensagem a Santa Clara e a suas religiosas e pediu a seus irmãos que entoassem os versos do "cântico de Sol" enquanto esperava a morte. Em seguida rogou que lhe trouxessem um pão e o repartiu entre os presentes em sinal de paz e de amor fraternal dizendo: "Eu tenho feito quanto pude de minha parte, que Cristo os ensine a fazer o que está da vossa".

Seus irmãos lhe estenderam por terra e lhe cobriam com um velho hábito. Francisco exortou a seus irmãos ao amor de Deus, da pobreza e do Evangelho, "por encima de todas as regras", e bendisse a todos seus discípulos, tanto aos presentes como aos ausentes. Morreu no dia três de outubro de 1226, depois de escutar a leitura da Paixão do Senhor segundo São João. Francisco havia pedido que lhe sepultassem no cemitério dos criminosos de Cole d'lnferno. Em vez de fazer assim, seus irmãos levaram no dia seguinte o cadáver em solene procissão a Igreja de São Jorge, em Assis. Ali esteve depositado até dois anos depois da canonização. Em 1230, foi secretamente trasladado a grande basílica construída pelo irmão Elias. O cadáver desapareceu da vista dos homens durante seis séculos, até que em 1818, após cinqüenta e dois dias de busca, foi descoberto sob o altar mor, a vários metros de profundidade. O santo não tinha mais que quarenta e quatro ou quarenta e cinco anos ao morrer.

Fonte: ventania.org

Dia de São Francisco de Assis

04 de Outubro

No dia 4 de outubro celebramos São Francisco de Assis, que nasceu na cidade de Assis, na Itália, em 1186. Filho de um rico comerciante de tecidos, Francisco tiroutodos os proveitos de sua condição social vivendo entre os amigos boêmios.

Tentou, como o pai, seguir a carreira de comerciante, mas a tentativa foi em vão.

Sonhou então, com as honras militares. Aos vinte anos alistou-se no exército de Gualtieri de Brienne que combatia pelo papa, mas em Spoleto teve um sonho revelador: Foi convidado a trabalhar para "o Patrão e não para o servo".

Suas revelações não parariam por aí. Em Assis, o santo dedicou-se ao serviço de doentes e pobres. Um dia do outono de 1205, enquanto rezava na igrejinha de São Damião, ouviu a imagem de Cristo lhe dizer: "Francisco, restaura minha casa decadente".

O chamado, ainda pouco claro para São Francisco, foi tomado no sentido literal e o santo vendeu as mercadorias da loja do pai para restaurar a igrejinha. Como resultado, o pai de São Francisco, indignado com o ocorrido, deserdou-o.

Dia de São Francisco de Assis

Com a renúncia definitiva aos bens materiais paternos, São Francisco deu início à sua vida religiosa, "unindo-se à Irmã Pobreza".

A Ordem dos Frades Menores teve início com a autorização do papa Inocêncio III e Francisco e onze companheiros tornaram-se pregadores itinerantes, levando Cristo ao povo com simplicidade e humildade.

O trabalho foi tão bem realizado que, por toda Itália, os irmãos chamavam o povo à fé e à penitência. A sede da Ordem, localizada na capela de Porciúncula de Santa Maria dos Anjos, próxima a Assis, estava superlotada de candidatos ao sacerdócio. Para suprir a necessidade do espaço, foi aberto outro convento em Bolonha.

Um fato interessante entre os pregadores itinerantes foi que poucos, dentre eles, tomaram as ordens sacras. São Francisco de Assis, por exemplo, nunca foi sacerdote.

Em 1212, São Francisco fundou com sua fiel amiga Santa Clara, a Ordem das Damas Pobres ou Clarissas. Já em 1217, o movimento franciscano começou a se desenvolver como uma ordem religiosa. E como já havia ocorrido anteriormente, o número de membros era tão grande que foi necessária a criação de províncias que se encaminharam por toda a Itália e para fora dela, chegando inclusive à Inglaterra.
Sua devoção a Deus não se resumiria em sacrifícios, mas também em dores e chagas. Enquanto pregava no Monte Alverne, nos Apeninos, em 1224, apareceram-lhe no corpo as cinco chagas de Cristo, no fenômeno denominado "estigmatização".

Os estigmas não só lhe apareceram no corpo, como foram sua grande fonte de fraqueza física e, dois anos após o fenômeno, São Francisco de Assis foi chamado ao Reino dos Céus.

Autor do Cântico do Irmão Sol, considerado um poeta e amante da natureza, São Francisco foi canonizado dois anos após sua morte.

Em 1939, o papa Pio XII tributou um reconhecimento oficial ao "mais italiano dos santos e mais santo dos italianos", proclamando-o padroeiro da Itália.

Fonte: www.capuchinhosrs.org.br

Dia de São Francisco de Assis

04 de Outubro

Como São Francisco de Assis celebra a sua própria morte

Por Frei José Ariovaldo da Silva, OFM

1. Em Francisco, uma original experiência de Deus

Vocês conhecem São Francisco de Assis. Morreu à tardinha do dia 3 de outubro de 1226. Conhecido como o santo dos passarinhos. Amigo dos animais. Da natureza toda. Padroeiro da ecologia. O santo da paz. O santo fraterno. Da fraternidade universal, humana e cósmica. Reconciliado com tudo e com todos, até mesmo com a morte, à qual ele chama de Irmã. O santo que descobriu e viveu profundamente o Amor. Tudo isso e ainda muito mais, a partir de uma profunda experiência de Deus, atestada pelos seus escritos e os de seus biógrafos (1). Não o Deus fabricado por especulações filosóficas ou teológicas, mas o Deus do Evangelho. O Deus de Jesus Cristo. Foi beijando certa vez um leproso que Francisco sentiu profundamente de que jeito Deus é. Beijando um leproso, ele se lembrou de Jesus pobre, desprezado, sofrido, marginalizado, crucificado, abandonado, só por amor de nós e para nos salvar. Foi beijando um leproso e lembrando do Jesus “que se fez leproso” (2) por nosso amor, que Francisco fez esta grande descoberta: Deus é pobre. Sim, Deus é pobre! E a Pobreza - com “P” maiúsculo, esse modo característico de Deus ser! - passa a ser para ele a grande paixão de sua vida, a sua amada, a dama de sua vida e de suas canções, até a hora derradeira, a morte corporal.

2. Francisco: uma vida em celebração

A partir desta experiência de Deus como Pobre e que por isso é Criador e Salvador, Francisco se tornou um cristão que vivia para celebrar este Deus. Lendo os escritos franciscanos mais antigos, notamos como a vida deste santo é toda pautada pela oração, pelo louvor, pela celebração, por um imenso amor à Eucaristia e por uma intensa vida de fraternidade. E o fazia criativamente, com a singeleza e a simplicidade pura de um pobre cheio de Deus. Adorava celebrar. E de corpo inteiro. Pondo emoção, afeto, coração, paixão, em suas celebrações. Por exemplo, para celebrar o nascimento de Jesus - a divina Pobreza encarnada no Menino pobre de Belém - Francisco inventou o presépio. Foi ele quem inventou o presépio de Natal! E assim, desta maneira, ele encena e torna palpável aos olhos, à mente e ao coração, o Deus que se revelou Pobre para nos libertar de nossas misérias.

3. E celebrando sua própria morte

Vou destacar e comentar brevemente para vocês, aqui, um exemplo típico de celebração litúrgica feita por Francisco. Uma celebração memorial, na sua estrutura, até bem parecida com muitas que são feitas hoje em nossas comunidades. Comporta, basicamente, três partes. Há primeiro uma encenação; depois vem uma leitura do Evangelho; e, por fim, um momento de louvor que se prolonga até...

Vejam como Tomás de Celano, o primeiro biógrafo de São Francisco, nos apresenta esta celebração. Vejam como São Francisco de Assis celebra a sua própria morte:

“Estando os frades a chorar amargamente e a se lamentar sem consolação, o pai santo mandou trazer um pão. Abençoou-o, partiu-o e deu um pedacinho para cada um comer. Também mandou trazer um livro dos Evangelhos e pediu que lessem o Evangelho de São João a partir do trecho que começa: ‘Antes do dia da festa da Páscoa’, etc. Lembrava-se daquela sagrada ceia que foi a última celebrada pelo Senhor com seus discípulos. Fez tudo isso para celebrar sua lembrança demonstrando todo o amor que tinha para com seus frades.

Passou a louvar os poucos dias que ainda restavam até sua morte, ensinando seus filhos muito amados a louvar Cristo em sua companhia. Ele mesmo, quanto lhe permitiam suas forças, entoou o Salmo: ‘Lanço um grande brado ao Senhor, em alta voz imploro o Senhor’, etc. Convidava também todas as criaturas ao louvor de Deus e, usando uma composição que tinha feito em outros tempos, exortava-as ao amor de Deus. Chegava a convidar para o louvor até a própria morte, que todos temem e abominam e, correndo alegre ao seu encontro, convidava-a com hospitalidade: ‘Bem-vinda seja minha irmã, a morte!’ Ao médico disse: ‘Irmão médico, diga com coragem que minha morte está próxima, para mim ela é a porta da vida!’ E aos frades:

‘Quando perceberdes que cheguei ao fim, do jeito que me vistes despido antes de ontem, assim me colocai no chão, e lá me deixai ficar mesmo depois de morto, pelo tempo que alguém levaria para caminhar uma milha, devagar’.

E assim chegou a hora. Tendo completado em si mesmo todos os mistérios de Cristo, voou feliz para Deus” (3).

4. A morte de São Francisco como celebração memorial (4)

Lá está Francisco, deitado, muito debilitado. À beira da morte. Os frades começam a chorar. E choram amargamente. Desconsolados, lamentam esta triste situação: A perda de um pai; a desgraça da morte.

Vendo os frades neste estado, Francisco, que queria tanto bem a eles, toma a iniciativa de fazer uma celebração. E assim, desta maneira tão humana e divina, ele consola os frades e os encoraja. Como? Transportando-os, no envolvimento desta celebração, para a Última Ceia de Jesus e, em Jesus, para o sentido positivo da própria morte. E ali está: “Uma comunidade eclesial que celebra liturgicamente, com Francisco, a morte deste” (5).

a) O gesto de partir o pão

Francisco manda trazer um pão. Abençoou o pão. Partiu-o e deu um pedacinho para cada um comer.

Através deste gesto, Francisco encena a Última Ceia que Jesus fez com seus discípulos antes de morrer. Assim recorda o imenso ato de amor e de doação total e perene de Jesus à humanidade, perpetuado na Eucaristia que ele reverenciava o máximo, pois o Corpo do Senhor não é senão o Pobre e Humilde que ele descobriu ao beijar o leproso (6).

O gesto se relaciona com a despedida de Jesus a seus discípulos. Os frades, semelhantemente aos discípulos de Jesus, aqui assistem à representação que Francisco faz de “sua” Última Ceia. Deste modo, Francisco celebra também a sua doação total ao Senhor, servindo aos irmãos, na vida e na morte que se aproxima. “Em obediência total a Cristo, seu Mestre e Senhor, põe em ação sua diaconia revivendo a lembrança daquela santíssima noite com uma celebração litúrgica ‘sui-generis’, à qual associa todos os frades ali presentes” (7). Assim ele “leva os frades a suportar a dor de sua morte, para vivenciar a alegria de quem sente e possui a presença do Senhor” (8).

b) Leitura do Evangelho de João

Francisco mandou trazer também o livro dos Evangelhos. Pediu para alguém ler o Evangelho de João, capítulo 13,1-15. É o texto do lava-pés: Jesus, durante a Última Ceia, levantou-se, cingiu-se com uma toalha, e lavou os pés dos discípulos, como exemplo de humildade e serviço a ser seguido por todos.

Portanto, Francisco completa a representação de “sua Última Ceia” integrando nela esta leitura de João. É bom lembrar que, na época, quando alguém estava para morrer, após lhe serem ministrados os santos sacramentos, se lia um texto evangélico da Paixão do Senhor. Geralmente de Marcos. Aqui, no caso de Francisco, ele é original e criativo:
Ele mesmo escolhe o texto; e um texto condizente com o momento que eles estavam vivendo ali. Um texto que traz vivamente presente, neste “clima” de Última Cela, o exemplo de humildade, de minoridade e de serviço do Senhor Jesus, que ele abraçou com toda a paixão.

c) Tudo Isso para se lembrar da Última Cela e por amor aos frades

Assim, como narra Tomás de Celano, Francisco “lembrava-se daquela sagrada ceia que foi a última celebrada pelo Senhor com seus discípulos. Fez tudo Isso para celebrar o amor que tinha para com os seus frades”.

Em outras palavras. Francisco se transporta e transporta os frades para a centralidade do seu ideal, que supera o horror da morte. Esta centralidade é o Senhor, pobre, humilde, menor, servo de todos que, na Eucaristia, assume a forma humilde de pão e de vinho, e na Palavra revela a presença do seu amor-serviço. O amor de Francisco, iluminado pela lembrança da Última Ceia do Senhor nesta celebração, conduz os frades a uma visão positiva da morte. Em vez de chorar, eles devem agora cantar. Devem passar (Páscoa!) do luto para a festa da vida que chega pelas portas da morte.

d) O momento de louvor

Diz Tomás de Celano que Francisco passou então “a louvar os poucos dias que ainda restavam até sua morte”. E não só isso. Ele o fez, “ensinando seus filhos muito amados a louvar Cristo em sua companhia”.

É o momento de louvor, na celebração. Como em tantas celebrações de nossas comunidades... Tem sempre o momento de louvor, que é o momento alto. Francisco louva, porque sente estar próximo o dia de sua passagem para a vida. Graças a Jesus Cristo. Por isso, os frades, que antes estavam tristes, chorando, desconsolados se lamentando, agora podem com seu pai cantar, louvar o imenso amor de Jesus Cristo que nos salvou.

Francisco louva, entoando o Salmo 141. Convida todas as criaturas ao louvor de Deus. Para tanto, usa inclusive o Poema que ele mesmo havia composto, o célebre “Cântico do Irmão Sol”, através do qual também exorta todas as criaturas ao amor de Deus. Chega a convidar para o louvor até a própria morte que se aproximava, à qual dá as boas-vindas, como sua irmã. Louva a Deus pela irmã morte. Louva, porque esta, “que todos temem e abominam’, para Francisco é sentida como “a porta da vida”.

Louva, pois ele, a esta altura, estava plenamente identificado com a Fonte da Vida: Deus (9). Assim, em Francisco ainda vivo, no embalo desta celebração, a morte já era percebida como tragada pela Vida. Os frades não precisam mais chorar nem se lamentar: mas sim celebrar o mistério do Amor que ali se fazia presente.

5. Concluindo

Vou concluir com as palavras do meu confrade espanhol. J. Tresserras Basela: Vimos como, pela narração de Tomás de Celano, se destaca “o caráter de celebração-memorial que a morte de Francisco tem”. Vemos aí “o caminho ascendente do Pobrezinho de Assis que se prepara para participar da Ressurreição. E não querendo permanecer só, neste momento, ele envolve nesta celebração os frades e toda a criação para que com ele gozem da plenitude deste momento” (10)

Para nós, para as nossas comunidades e para as equipes de liturgia, fica este exemplo de São Francisco: Uma celebração será boa, isto é, viva, criativa, envolvente, convincente, e produzirá frutos de evangelização, se ela vier carregada de uma mística, se ela vier carregada de uma experiência de Deus, do Deus Pobre que está do lado do pobre.

(1). Cf. São Francisco de Assis, Escritos e biografias de São Francisco de Assis. Crônicas e outros testemunhos do primeiro século franciscano, Vozes/CEFEPAL, Petrópolis 1981. Cf. também L. Boff, São Francisco de Assis: Ternura e Vigor, Vozes, Petrópolis 1982.
(2). Cf. São Boaventura, “Legenda Maior” I, 6, em: São Francisco de Assis, Escritos e biografias..., op. cit, p. 468: I Fioretti, 25, em: Ibidem, p. 1130.
(3). Cf. São Francisco de Assis, Escritos e biografias..., op. clt., p. 441.
(4). Cf , J. TRESSERRAS Basela. La muerte de San Francisco como celebración memorial Análisis de la “Vita secunda” 217 de Tomás de Celano, comparación con otras biografias. Editrice Antonianum, Roma, 1990.
(5). Ibidem, p. 135.
(6). Cf. D. FLOOD. Frei Francisco e o Movimento Franciscano, Vozes/CEFEPAL. Petrópolis 1986. p. 158-178.
(7). J. TRESSERRAS Basela, op. cit.. p. 143. ‘Francisco era apenas diácono, não quis usurpar o poder sacerdotal de consagrar, mas quis imitar Jesus até o fim. Foi então que realizou a celebração da aliança nova e eterna’ {L. Boff. op. cit., p. 176).
(8). J. TRESSERRAS Basela. op. ciL, p. 149.
(9) L.BOFF, op, cit, p.172-180; Idem, “Uma irmã de São Francisco: a morte”, Grande Sinal 36 (1982) p. 451-464
(10). J. TRESSERRAS Basela, op. Cit., p.212.

Morte e Vida de São Francisco de Assis

Por Frei Nilo Agostini, OFM

Todo debilidato, com voz fraca, sumida, entoa Francisco o Salmo 142: Você mea ad Dominum clamavi (“Com minha voz clamei ao Senhor...”). O Salmo vai sendo entoado pouco a pouco, e ao chegar ao versículo Educ de custodia animam meam (“Arranca do cárcere minha alma, pra que vá cantar teu nome, pois me esperam os justos e tu me darás o galardão”). Faz-se grande e profundo silêncio. Acabara de morrer, cantando, Francisco de Assis.

Quem é este que transfigura o trauma da morte em expressão de liberdade tão suprema? Desaparece o sinistro da morte. E Francisco vai ao seu encontro como quem vai abraçar e saudar uma irmã muito querida.

Ano de 1226. Francisco se acha muito debilitado. Seu estômago não aceita mais alimento algum. Chega a vomitar sangue. Admiram-se todos como um corpo tão enfraquecido, já tão morto, ainda não tenha desfalecido. Transportado de Sena para Assis, Francisco ainda encontra forças para exortar os que acorrem a ele. E aos irmãos diz: “Meus irmãos, comecemos a servir ao Senhor, porque até agora bem pouco fizemos”. Ao chegar a Assis, um médico se apresenta e constata que nada mais resta a fazer. Ao que Francisco exclama: “Bem-vinda sejas, irmã minha, a morte!” E convida aos irmãos Ângelo e Leão para cantarem o Cântico do Irmão Sol, ao qual Francisco Acrescenta a última estrofe em louvor a Deus pela morte corporal.

Cria-se uma atmosfera tão jovial e alegre que o Ministro Geral da Ordem, Frei Elias, interpela Francisco para que pare com toda aquela atmosfera, vista como “cantoria”, para que enfim ele morra “convenientemente”, pois poderia escandalizar os moradores de Assis. “Com tudo o que sofro, me sinto tão perto de Deus que não posso senão cantar!” – respondeu-lhe Francisco.

Aproximando-se a hora derradeira, Francisco deseja ser levado para a capelinha de Nossa Senhora dos Anjos, na Porciúncula, onde tudo havia começado. Lá, num gesto de despojamento, de identificação com o Cristo crucificado e de integração com o Pai, pede que o deixem, nu, sobre a terra e diz aos frades: “Fiz o que tinha que fazer. Que Cristo vos ensine o que cabe a vós”. Despede-se de todos os irmãos; abençoa-os; lembra-lhes que “o Santo Evangelho é mais importante que todas as demais instituições”. Ainda deseja que Irmã Jacoba lhe traga alguns daqueles deliciosos biscoitos. Anima o seu médico, dizendo-lhe: Irmão médico, dize com coragem que a minha morte está próxima. Para mim, ela é a porta para a vida!” E, então, canta o Salmo 142. Francisco parte cantando, cortês, hospitaleiro e reconciliado com a morte.

O canto de Francisco está baseado em uma percepção realista da morte: “Nenhum homem pode escapar da morte”. Mas como pode ser irmã aquela que engole a vida, que decepa aquela pulsão arraigada em cada um de nós, fundada em um “desejo” que busca triunfar sobre a morte e viver eternamente? Francisco acolhe fraternalmente a morte. Nele realiza-se, de forma maravilhosa, o encontro entre a vida e a morte, em um processo de integração da morte.

Francisco acolhe a vida assim como ela é, ou seja, em sua exigência de eternidade e em sua mortalidade. Tanto a vida como a morte são um processo que perdura ao longo de toda a vida. A morte faz parte da vida. Como e despertar e o adormecer, assim é a morte para o ser humano. Ela não rouba a vida; dá a esse tipo de vida a possibilidade de outro tipo de vida, eterna e imortal, em Deus.

A morte não é então negação total da vida, não é nossa inimiga, mas é passagem para o modo de vida em Deus, novo e definitivo, imortal e pleno. Francisco capta esta realidade e abriga a morte dentro da vida. Acolhe toda limitação e mostra-se tolerante com a pequenez humana, a sua e a dos outros.

A grandeza espiritual e religiosa de Francisco no saudar e cantar a morte significa que já está para além da própria morte; ela, digna hóspede não lhe é problema; ao contrário, ela é a condição de viver eternamente, de triunfar de modo absoluto, de vencer todo embotamento do pecado que a transforma em tragédia. Francisco soube mergulhar na fonte de toda a vida. “Enquanto Deus é Deus, enquanto Ele é o vivente e a Fonte de toda a vida, eu não morrerei, ainda que corporalmente morra!” (L. Boff).

Morte, drama sagrado,
não uma tragédia.
Morte, bem-vinda,
não uma inimiga.
Morte, uma irmã,
não uma ladra.
Morte, abertura para a plena liberdade,
presença do Reino de Deus, utopia do justos.
“Deus enxugará as lágrimas dos seus olhos, e a morte não existirá mais,
nem haverá mais luto, nem pranto, nem fadiga, porque tudo isso já passou” (Ap 21,4).

“Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã,a morte corporal, da qual nenhum vivente pode escapar” (São Francisco, Cântico do Irmão Sol).

Fonte: www.franciscanos.org.br

Dia de São Francisco de Assis

04 de Outubro

Francisco de Assis fez história

São Francisco de Assis desejava ser como Cristo, que viveu pobre toda sua vida. No começo seus colegas começaram a caçoar e a reprovar suas atitudes. Mas, com o tempo, entenderam a grande missão e seguiram Francisco até o fim de suas vidas. A todos que manifestam desejo de segui-lo, Francisco dizia: - Vá, vende tudo que tens e dá aos pobres. Não possuas nada consigo e siga somente ao Pai eterno e a Jesus Cristo.

Historicamente, o primeiro discípulo conhecido foi Frei Bernardo Quintavalle, que além de discípulo tinha uma grande devoção pelo Santo. A sua adesão - e de mais três rapazes - aconteceu na Igreja de São Nicolau. Como Francisco ainda não tinha escrito uma Diretriz ou Norma de Vida para quem quisesse seguir os seus passos, colocou-se nas mãos de Deus a fim de que Ele inspirasse sua conduta.

Diante do Sacrário na Igreja, abriu ao acaso por três vezes a Santa Bíblia e leu as seguintes frases: "Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens e dá aos pobres, e terás um tesouro nos Céus." (Mt 19,21) Na segunda vez: "Quem quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me." (Mt 16,24). E, finalmente, na terceira vez: "Não queirais levar para a viagem coisa alguma". (Lc 9,3) Bernardo era nobre e possuía muitos bens. Separou sua parte na herança, vendeu e distribuiu para os pobres de Assis e foi encontrar-se com Francisco.

Com seis meses de apostolado, o número de Frades cresceu para nove homens. Por essa razão, Francisco decidiu deixar a cabana da Porciúncula e transferiu-se para RivoTorto, instalando-se numa casa que conseguiu, a qual chamavam de "tugurium", porque era pequena e velha, embora o local fosse esplêndido. Ficava cerca de 20 minutos a pé da Igreja de Santa Maria dos Anjos.

Quando o grupo chegou a 12 irmãos, São Francisco decidiu ir até Roma e pedir ao Papa autorização para viverem a forma mais pura do Evangelho, conforme o desejo e a escolha que fizeram. O Papa achou que seria muito duro para eles esse modo de vida, porém deu permissão e também autorizou que eles pudessem pregar.

Durante esse período de visita, o Papa teve um sinal profético e reconheceu em Francisco, o homem que em seu sonho segurava a Igreja como uma coluna. Muitos outros Irmãos foram se juntando ao grupo, desejando viver conforme Francisco. São Francisco assistiu ao crescimento da Ordem, que se espalhou por diversas partes do mundo.

Os frades fizeram suas habitações em choupanas ao redor da Igrejinha da Porciúncula (significa pequena porção de terra). Os valores franciscanos os levavam a dividir as atividades entre oração, ajuda aos pobres, cuidados aos leprosos e pregações nas cidades.

A irmã Clara de Assis

Entre os milhares seguidores de Francisco, surgiu uma linda dama chamada Clara. Ela seguiu Francisco e seus ideais por toda sua vida. Italiana de Assis, na Úmbria, Clara nasceu em 1194. Filha dos condes Ortolana e Favarone de Offreduccio, viveu sua infância e juventude no seio de uma família de muitos bens e, apesar de pertencer à nobreza, sempre foi atenta à realidade dos menos providos, dos excluídos dos programas do sistema feudal. À escondidas, Clara repartia com os pobres até mesmo o que lhe servia de sustento.

Embora seja uma das santas mais bem documentadas da hagiografia medieval, é muito difícil determinar o momento preciso em que, na sua juventude, Clara se sentiu chamada a uma vocação diferente. O que se pode afirmar, com base nas fontes, é que o movimento franciscano, com seu ideal de vida pobre, teve um impacto sensível sobre ela. Em seu autêntico esforço de vida cristã, em seu idealismo, ela se sentiu tocada pela conversão de Francisco de Assis.

A partir de 1210, Clara entrou em contato com Francisco e, a partir dali, perfez com ele uma longa jornada de encontros onde se aprofundou a partilha dos ideais. Clara e Francisco mantiveram uma relação de verdadeiros irmãos, numa reciprocidade profunda que converge no amor de Deus. Sua decisão vocacional foi amadurecida e concluída com a fuga do palácio da praça de São Rufino, na noite do domingo de Ramos, de 1212, aos seus dezoito anos.

Na capelinha de Santa Maria dos Anjos, Clara iniciou novo estilo de vida evangélica. Ali nasceu a Ordem que levou o seu nome, quando Francisco cortou os seus longos cabelos louros, como sinal de sua consagração definitiva ao projeto que Deus traçou para ela.

Fonte: www.centrinho.usp.br

Dia de São Francisco de Assis

04 de Outubro

Dia de São Francisco de Assis

O nascimento

Filho de Pietro Bernardone e Dona Pica Bernardone, Francisco nasceu entre 1181 e 1182 , na cidade de Assis, província da Umbria no centro da Itália.

Seu pai era um rico e próspero comerciante de tecidos, que viajava frequentemente em negócios principalmente para França, de onde trazia a maior parte de suas mercadorias. Foi de lá também que ele trouxe sua linda e bondosa esposa, Dona Pica. A mãe de Francisco, foi de fato a mulher da sua vida e foi ela que emocionado muitas vezes invocou. Francisco sempre nutriu uma atenção e um carinho especial pela relação materna em geral.


A sua grande ligação espiritual a Maria, mãe de Jesus, é mais um sinal do seu particular respeito e Amor pelas mães de todo o mundo.
Era frequente usar a relação materna em geral, como exemplo de Amor nos seus diálogos e pregações.

Em relação ao pai, apesar do amor e respeito que nutria por ele, a relação não foi um exemplo e assim conheceu alguns episódios desagradáveis.

Francisco teve um irmão, de que a história pouco fala.

Chegado o momento do parto, Dona Pica, assistida por várias pessoas que ajudavam, teve muitas dificuldades e o nascimento da criança parecia se complicar.

Eis que batem à porta, e a criada ao atender depara-se com um mendigo que lhe transmite que a senhora da casa deverá dar à luz no estábulo da casa, junto aos animais.

Dona Pica, ao saber do sucedido, pediu ajuda às criadas para a levarem até ao estábulo. Lá chegada, a criança nasceu e foi lhe dado o nome de João (Giovanni). O pai, quando regressou, em homenagem à França, mudou-lhe o nome para Francisco.

A Juventude

Dia de São Francisco de Assis

Francisco era o líder da juventude de sua cidade. Alegre, amante da música e das festas, com muito dinheiro para gastar, tornou-se rapidamente um ídolo entre seus companheiros. Adorava banquetes, noitadas de diversão e cantar serenatas para as belas damas de sua cidade.

A Itália, como toda a Europa daquela época, vivia uma fase bastante conflituosa de sua história, marcada pela passagem do sistema feudal (baseado na estabilidade, na servidão e nas relações desiguais entre vassalos e suseranos) para o sistema burguês, com o surgimento das "comunas" livres (pequenas cidades).


Eram frequentes, nesta época, guerras e batalhas entre os senhores feudais e as emergentes comunas. Como todo jovem ambicioso de sua época, Francisco desejava conquistar, além da fortuna, também a fama e o título de nobreza. Para tal, fazia-se necessário tornar-se herói em uma dessas freqüentes batalhas. No ano de 1201, incentivado por seu pai, que também ansiava pela fama e nobreza, Francisco partiu para mais uma guerra que os senhores feudais, baseados na vizinha cidade de Perúsia, haviam declarado contra a Comuna de Assis.
Durante os combates, em uma tarde de inverno, Francisco caiu prisioneiro, sendo levado para a prisão de Perúsia, onde permaneceu longos e gelados meses. Para um jovem cheio de vida como ele, a inércia da prisão deve ter sido especialmente dolorosa. Somente seu espírito alegre, seu temperamento descontraído e seu gosto pela música o salvaram do desespero. Encontrava ainda forças para reconfortar e reanimar a seus companheiros de infortúnio.

Costumava dizer, em tom de brincadeira para seus companheiros: "Como quereis que eu fique triste, sabendo que grandes coisas me esperam? O mundo inteiro ainda falará de mim!"

Ao término de um ano foi solto da prisão, retornando para Assis, onde se entregou novamente aos saudosos divertimentos da juventude e às atividades na casa comercial de seu pai.

Enfermidade e o início da conversão

O clima insalubre da prisão, agravado pelos prolongados meses de inverno, haviam-lhe enfraquecido o organismo, provocando agora uma grave enfermidade. Depois de longos meses de sofrimento, sem poder sair da cama, finalmente conseguiu melhorar. Ao levantar-se, porém, não era mais o mesmo Francisco. Sentiu-se diferente, sem poder compreender o porquê. A verdade é que a humilhação e o sofrimento da prisão, somado ao enfraquecimento causado pela doença, provocaram profundas mudanças no jovem Francisco. Foi o caminho que Deus escolheu para entrar mais profundamente em sua vida. Já não sentia mais prazer nas cantigas e banquetes em companhia dos amigos. Começou a perceber a leviandade dos prazeres puramente terrenos, embora ainda não buscasse a Deus. Na verdade, Francisco não nasceu santo, mas lutou muito para se tornar santo!

Francisco havia perdido o gosto pelos prazeres mundanos, mas conservava ainda a ambição da fama. Por esse motivo, sonhava com a glória das armas e a nobreza, que se conquistavam nos campos de batalha.

Por isso, aderiu prontamente ao exército que o Conde Gentile de Assis estava organizando para ajudar o Papa Inocêncio III na defesa dos interesses da Igreja. Contou para isso com a aprovação entusiasmada do pai, que vislumbrava aí a oportunidade tão longamente esperada de enobrecer sua família. Deus, porém, lhe reservava algumas surpresas ...

Antes de partir, num impulso de generosidade, Francisco cedeu a um amigo mais pobre os ricos trajes e a armadura caríssima que havia preparado para si. Isso lhe valeu um sonho estranho: viu um castelo repleto de armas destinadas a ele e a seus companheiros. Francisco não conseguiu entender o significado do sonho. Pensou que estava, talvez, destinado a ser um famoso guerreiro! O fato é que o sonho não lhe saía do pensamento.

Ao chegar ao povoado de Espoleto, Deus tornou a lhe falar em sonhos, desta vez com maior clareza, de modo que ele reconheceu a voz divina que lhe perguntava: "A quem queres servir: ao Servo ou ao Senhor?" Francisco respondeu prontamente: "Ao Senhor, é claro!" A voz tornou a lhe falar: "Por que insistes então em servir ao servo? Se queres servir ao Senhor, retorna a Assis. Lá te será dito o que deves fazer!" Francisco entendeu, então, que estava buscando apenas a glória humana e passageira. Estava fazendo a vontade de pessoas ambiciosas e mesquinhas e não a vontade do Senhor do Universo.

Desafiando os sorrisos de desdém dos vizinhos e a cólera de Pedro Bernardone, contrariado em seus projetos, Francisco retornou a Assis, dando prova da energia de seu caráter e do valor do seu ânimo, virtudes que se mostrariam valiosas mais tarde nos percalços de seu novo caminho.

Começou a longa busca e a longa espera: "O que Deus quer de mim? O que Ele quer que eu faça?" Era esse o constante questionamento de Francisco.

Para tentar desvendar os desígnios de Deus, passou a se dedicar à oração e à meditação. Percorria campos e florestas em busca de lugares mais tranquilos, em busca de respostas para suas dúvidas e inquietações. Para ele, tudo passou a ter outro sentido. Passou a enxergar as coisas com outros olhos e outro coração.

Viagem a Roma

Dia de São Francisco de Assis

Em busca de respostas, decidiu viajar para Roma, isso no ano de 1205. Visitou a tumba do Apóstolo São Pedro e, indignado pelo que viu, exclamou: "É uma vergonha que os homens sejam tão miseráveis com o Príncipe dos Apóstolos!" E jogou um grande punhado de moedas de ouro, contrastando com as escassas esmolas de outros fiéis menos generosos. A seguir, trocou seus ricos trajes com os de um mendigo e fez sua primeira experiência de viver na pobreza. Voltou a Assis, à casa paterna, entregando-se ainda mais à oração e ao silêncio.

A família e os amigos estavam preocupados com o jovem Francisco: o que lhe estaria acontecendo? Será que ainda estava em pleno juízo? Seu pai, então, não se conformava! Não era isso que ele tinha sonhado para seu filho! Indignado, forçava-o a trabalhar cada vez mais em seu estabelecimento comercial.

O beijo no leproso e o novo chamado de Deus

Em 1206, passeando a cavalo pelas campinas de Assis, viu um leproso, que sempre lhe parecera um ser horripilante, repugnante à vista e ao olfato, cuja presença sempre lhe havia causado invencível nojo.

Mas, então, como que movido por uma força superior, apeou do cavalo, e, colocando naquelas mãos sangrentas seu dinheiro, aplicou ao leproso um beijo de amizade.

Falando depois a respeito desse momento, ele diz: "O que antes me era amargo, mudou-se então em doçura da alma e do corpo. A partir desse momento, pude afastar-me do mundo e entregar-me a Deus".

Pouco depois, entrou para rezar e meditar na pequena capela de São Damião, semi destruída pelo abandono. Estava ajoelhado em oração aos pés de um crucifixo bizantino, que a piedade popular ali venerava, quando uma voz, saída do crucifixo, lhe falou: "Francisco, vai e reconstrói a minha Igreja que está em ruínas". Não percebendo o alcance desse chamado e vendo que aquela Igrejinha estava precisando de urgente reforma, Francisco regressou a Assis, tomou da loja paterna um grande fardo de fina fazenda e vendeu-a. Retornando, colocou o dinheiro nas mãos do sacerdote de São Damião, oferecendo-se para ajudá-lo na reconstrução da capela com suas próprias mãos.

Conhecendo o caráter de Pedro Bernardone, é fácil imaginar sua cólera ao ver desfalcada sua casa comercial e perdido o seu dinheiro. Não bastava já o desfalque que dava ao entregar gratuitamente mercadorias e alimentação para os "vagabundos" necessitados? Agora mais essa! E Francisco teve que se esconder da fúria paterna.

Certo dia saiu resolutamente a mendigar o sustento de porta em porta na cidade de Assis. Para Bernardone isso já era demais! Como podia ele envergonhar de tal forma sua família? Se seu filho havia perdido o juízo, era necessário encarcerá-lo! Assim, Francisco experimentou mais uma vez o cativeiro, desta feita num escuro cubículo debaixo da escada da própria casa paterna. Depois de alguns dias, movida pela compaixão, sua mãe abriu-lhe às escondidas a porta e o deixou partir livremente para seguir o seu destino.

O despojamento das vestes e dos bens materiais

Dia de São Francisco de Assis

Ao final de 1206, Pedro Bernardone, convencido de que nem as razões nem a força podiam torcer o ânimo de Francisco, decidiu recorrer ao Bispo, instaurando-se um julgamento como nunca aconteceu na história de outro santo. O palco do julgamento foi a própria Praça Comunal de Assis, junto à igreja de Santa Maria e à casa do bispo, bem à vista de todos.

Bernardone exigiu que seu filho lhe devolvesse tudo quanto recebera dele. Francisco sem vacilar um momento se despojou de tudo até ficar nu, jogou os trajes e o dinheiro aos pés de seu pai, e exclamou: "Até agora chamei de pai a Pedro Bernardone. Doravante não terei outro pai, senão o Pai Celeste".

O Bispo, então, o acolheu, envolvendo-o com seu manto.

Daquele momento em diante, cantando "Sou o arauto do Grande Rei, Jesus Cristo", afastou-se de sua família e de seus amigos e entregou-se ao serviço dos leprosos, tratando de suas feridas, e à reconstrução das Capelas e Oratórios que cercavam a cidade. Cada dia percorria as ruas mendigando seu pão e convidando as pessoas para que contribuíssem com pedras e trabalho na restauração das "Casas de Deus" que estavam em ruínas.
De alguns recebia apoio e incentivo. De muitos, o desprezo e a zombaria. No entender da maioria, o filho de Pedro Bernardone havia perdido completamente o juízo.

Estava já terminando a restauração da última Igrejinha da redondeza, a capelinha de Santa Maria dos Anjos e perguntava-se o que faria depois. O que mais lhe pediria Deus? Não havia entendido ainda que a Igreja que devia restaurar não era a de pedra, mas a própria Igreja de Cristo, enfraquecida na época pelas divisões, heresias e pelo apego de seus líderes às riquezas e ao poder.

Devia ser aquele o ano de 1209. Certo dia, Francisco escutou, durante a missa, a leitura do Evangelho: tratava-se da passagem em que Cristo instruía seus Apóstolos sobre o modo de ir pelo mundo, "sem túnicas, sem bastão, sem sandálias, sem provisões, sem dinheiro no bolso ..." (Lc 9,3). Tais palavras encontraram eco em seu coração e foram para ele como intensa luz. E exclamou, cheio de alegria: "É isso precisamente o que eu quero! É isso que desejo de todo o coração!" E sem demora começou a viver, como o faria em toda a sua vida, a pura letra do Evangelho. Repetia sempre para si e, mais tarde, também para seus companheiros: "Nossa regra de vida é viver o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo"!

A partir daquele dia, Francisco iniciou sua vida de pregador itinerante, percorrendo as localidades vizinhas e pregando, em palavras simples, o Evangelho de Cristo.

Muitos começaram, enfim, a compreender o sentido dessa vida e manifestaram o desejo de seguí-la.

No ano de 1210, Francisco e seus seguidores viajaram até Roma para buscar a aprovação do Papa para o seu modo de vida. Mas como aquele bando de mendigos, maltrapilhos e desconhecidos seria recebido pelo severo Inocêncio III? Francisco rezava e confiava. Afinal, não era o próprio Cristo que o estava conduzindo?

Por coincidência ou providência divina, encontrava-se em Roma, nessa ocasião, o Bispo de Assis, grande admirador de Francisco. Graças a ele o Papa os recebeu.

Inocêncio III ficou maravilhado com o propósito de vida daquele grupo e, especialmente, com a figura de Francisco, a clareza de sua opção e a firmeza que demonstrava. Reconheceu nele o homem que há pouco vira em sonho, segurando as colunas da Igreja de Latrão (a igreja-mãe de todas as Igrejas do mundo!), que ameaçava ruir. O Papa reconheceu que era o próprio Deus quem inspirava Francisco a viver radicalmente o Evangelho, trazendo vida nova a toda a Igreja, naquele tempo tão distanciada dos ensinamentos de Cristo! Por isso deu a seu modo de viver o Evangelho a aprovação oficial da Igreja. Autorizou Francisco e seus seguidores a pregar o Evangelho nas igrejas e fora delas e os despediu com sua bênção. Este fato histórico ocorreu a 16 de Abril de 1210, marcando o nascimento oficial da Ordem Franciscana.

Ao voltar de Roma, Francisco e seus companheiros resolveram ficar por uns tempos em Rivotorto. No lugar de Rivotorto, existia um pequeno casebre, cuja função era apoiar e dar abrigo aos viajantes que pontualmente passavam por ali.

Dia de São Francisco de Assis

04 de Outubro

Sermão das aves

Dia de São Francisco de Assis

Certo dia, Francisco saiu para uma missão. Entre Cannara e Bevagna, num local silvestre, onde havia um pequeno descampado e ao redor muitas árvores de todas as espécies.

Em cima das árvores, voando em revoadas e espalhadas pelo chão no descampado, muitas aves, que cantavam e se confraternizavam com grande alarido.

O Santo falou a seus discípulos: "Esperem um momento, vou pregar às nossas irmãzinhas aves!"

Entrou no campo indo de encontro às aves que estavam no chão. E mal começou a pregar, as que estavam nas árvores desceram. Nenhuma se mexia, embora andando ele passasse perto e mesmo chegasse a roçar nelas com a extremidade de sua veste! E dizia às aves:

"Minhas irmãzinhas aves, vocês devem muito a DEUS, o CRIADOR, e por isso, em todo lugar que estiverem devem louva-LO, porque ELE lhes permitiu que voassem para onde quisessem, livremente, da mesma forma que devem agradecer o alimento que ELE lhes dá, sem que para isso tenham que trabalhar; agradeçam ainda a bela voz que o SENHOR lhes proporciona, que lhes permitem realizar lindas entonações! Vejam, minhas queridas irmãzinhas, vocês não semeiam e não ceifam. É DEUS quem lhes apascenta, quem lhes dá os rios e as fontes, para saciar a sede; quem lhes dá os montes e os vales, para o seu refúgio e lazer, assim como lhes dá as árvores altas, para fazerem os ninhos. Embora não saibam fiar e nem coser, DEUS lhes concede admiráveis vestimentas para todas vocês e seus filhos, porque ELE lhes ama muito e quer o bem estar de vocês. Por isso, minhas irmãzinhas, não sejam ingratas, procurem sempre se esforçarem em louvar a DEUS."
Acabando de dizer-lhes estas palavras, todas as aves num gesto quase uniforme, começaram a abrir os bicos e esticar os pescoços, à medida que abriam as asas e inclinavam reverentemente a cabeça até a terra, cantando, demonstrando assim que Francisco lhes havia proporcionado uma grande satisfação!

Finalmente, São Francisco lhes fez o Sinal da Cruz e deu-lhes licença de se retirarem. Então, todas aquelas aves se levantaram no ar com um maravilhoso canto, e logo se dividiram em revoadas e desapareceram atrás das colinas e das matas.

Conta-se que, dias depois, o Santo foi em companhia de Frei Massau a um lugarejo chamado Alviano, entre Orte e Orvieto. Pararam na praça do Mercado e como sempre, cantaram uma melodia com versos que convidavam a conversão do coração, com a finalidade de reunir o povo. Depois começou a pregar. Entardecia. As andorinhas que ainda hoje fazem ninho nos altos muros e nas torres das construções, voavam de um lado para outro em ciclo contínuo, cantando forte e de modo quase uníssono. Os habitantes do lugarejo que se comprimiam ao redor para ouvir a palavra dele, não estavam conseguindo entender quase nada, porque o barulho das andorinhas era muito intenso. Então, Francisco com a maior tranqüilidade, olhou para elas e com muita doçura disse:

"Irmãs andorinhas, parece-me que agora é minha vez de falar. Já cantaram e falaram bastante! Escutem, pois, a palavra de DEUS e fiquem silenciosas enquanto eu falo!"

Elas pararam e fizeram um grande silêncio, por todo o tempo que ele falou.

A morte de Francisco

Dia de São Francisco de Assis

Quando percebeu que estava próximo de morrer, mandou que o levassem para a sua pequena cela na Porciúncula. No Sábado dia 3 de Outubro, o Santo vivia os seus últimos momentos. Ao entardecer começou a cantar o Salmo 141 de David, rodeado pelos frades que choravam e não queriam deixa-lo sozinho. Com o passar do tempo, o som de sua voz foi perdendo a intensidade até que emudeceu inteiramente. Seus lábios fecharam para sempre e foi cantando, que entrou na eternidade. DEUS infinita bondade, ainda permitiu uma última saudação ao seu humilde cantor. Por cima de sua cabana e ao redor, apenas a voz do Santo calou, o espaço foi ocupado por um sonoro e imprevisto coro de vozes de todas as aves, que em profusão e admirável alarido vieram cantando dar-lhe o último adeus.

Dois anos após sua morte foi beatificado e em 1228, declarado Santo no dia 16 de Julho pelo Papa Gregório IX. Seu Mausoléu encontra-se na Basílica com o seu nome, em Assis.
São Francisco foi escolhido oficialmente padroeiro da Itália.

Uma ordem de irmãos

A Ordem Franciscana foi criada como uma Ordem de Irmãos, que assumiam a missão de viver e pregar o Evangelho. Não era uma Ordem Clerical (Ordem composta por sacerdotes), como outras que já existiam. O próprio Francisco não quis ser sacerdote e os primeiros frades também não tinham esse objetivo. Desde o início, porém, houve o ingresso de alguns sacerdotes já formados, que desejavam ser franciscanos. Algum tempo depois, sobretudo quando Santo Antonio, professor de Teologia, ingressou na Ordem, passou a ensinar Teologia aos frades e alguns deles passaram a se ordenar sacerdotes. Mais tarde, devido principalmente às necessidades da Igreja, a maioria dos frades passou a se ordenar. Mas até hoje, dentro da ordem Franciscana, convivem como irmãos, em igualdade de condições, frades sacerdotes e não sacerdotes (estes chamados outrora de irmãos leigos, por não serem sacerdotes), cada um exercendo a sua função. Esse é, sem dúvidas, um dos aspectos mais belos da Ordem criada por São Francisco.

As Clarissas

Dia de São Francisco de Assis

Francisco, além de fundar a 1ª Ordem Franciscana (masculina), foi também o fundador da 2ª Ordem Franciscana, conhecida também por Ordem de Santa Clara, abrindo assim a vivência do ideal franciscano para o ramo feminino. A primeira religiosa franciscana foi a jovem Clara Offreduccio, mais tarde chamada de Santa Clara de Assis, jovem de família nobre e admiradora de Francisco desde que o conhecera como "Rei da Juventude" pelas ruas e festas de Assis. Passou a admirá-lo mais ainda, quando se tornou um inflamado pregador da alegria e da paz, da pobreza e do amor de Deus, não só através de palavras mas com o exemplo de sua própria vida.

Era isso precisamente o que almejava a jovem Clara. Não estava satisfeita com os esplendores do palácio de sua família, nem com o sonho do futuro enlace principesco ao qual seus pais a estavam encaminhando. Sonhava com uma vida mais cheia de sentido, que lhe trouxesse uma verdadeira felicidade e realização. O estilo de vida dos frades a atraía cada vez mais.


Depois de muitas conversas com Francisco, aos 18 de março de 1212, (Domingo de Ramos), saiu de casa sorrateiramente em plena noite, acompanhada apenas de sua prima Pacífica e de outra fiel amiga, e foi procurar Francisco na Igrejinha de Santa Maria dos Anjos, onde ele e seus companheiros já a aguardavam.
Frente ao altar, Francisco cortou-lhe os longos e dourados cabelos, cobrindo-lhe a cabeça com um véu, sinal de que a donzela Clara fizera a sua consagração como Esposa de Cristo. Nem a ira dos seus parentes, nem as lágrimas de seus pais conseguiram fazê-la retroceder em seu propósito. Poucos dias depois, sua irmã, Inês, veio lhe fazer companhia, imbuída do mesmo ideal. Alguns anos após, sua mãe, Ortulana, juntamente com sua terceira filha Beatriz, seguiu Clara, indo morar com ela no conventinho de São Damião, que foi a primeira moradia das seguidoras de São Francisco.

Com o correr dos anos, rainhas e princesas, juntamente com humildes camponesas, ingressaram naquele convento para viver, à luz do Evangelho, a fascinante aventura das Damas Pobres, seguidoras de São Francisco, muitas das quais se tornaram grandes exemplos de santidade para toda a Igreja.

O TAU na vocação Franciscana

Dia de São Francisco de Assis

O TAU tem a forma da letra grega TAU (T) que é uma cruz.

As duas maiores influências diretas em São Francisco de Assis, em relação ao TAU, foram os antonianos e o Quarto Concílio Luterano.

São Francisco de Assis tomou o TAU e seu significado dos antonianos. Eles eram uma comunidade religiosa masculina, fundada em 1095, cuja única função era cuidar dos leprosos.

Em seus hábitos era pintada uma grande cruz. São Francisco de Assis tinha relações muito familiares com eles, porque trabalhavam no leprosário de Assis, no Hospital de São Brás, em Roma, onde Francisco esteve hospedado.

No princípio de sua conversão, São Francisco de Assis encontrou os antonianos e seu símbolo do TAU. Mas a influência mais forte que fez do TAU um símbolo tão querido para Francisco e pela qual ele se tornou sua assinatura, foi a do Concílio de Latrão.

Os historiadores geralmente admitem que São Francisco de Assis estava presente nesse Concílio, no qual o Papa Inocêncio III fez o discurso de abertura, incorporando em sua homilia a passagem de Ezequiel (9,4) que diz que os eleitos, os escolhidos serão marcados com o sinal do TAU: "Percorre a cidade, o centro de Jerusalém, e marca com uma cruz na fronte os que gemem e suspiram devido a grandes abominações que na cidade se cometem" e acrescenta: "O TAU é a última letra do alfabeto hebraico e a sua forma representa a cruz, exatamente tal e qual foi a cruz antes de ser nela fixada a placa com inscrição de Pilatos.

O TAU é o sinal que o homem porta na fronte quando - como diz o apóstolo - crucifica o corpo com os seus pecados quando diz: 'Não quero gloriar-me a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo foi crucificado para mim, e eu para o mundo' (...) Sejam portanto mestres desta cruz!

Fonte: www.angelfire.com

Dia de São Francisco de Assis

04 de Outubro

São Francisco nasceu em 1181/1182 em Assis na Itália, foi batizado com o nome de Giovanni di Pietri, mas seu nome foi mudado pouco tempo depois para Francisco, pois seu pai Petri di Bernardone era comerciante e viajava muito a França, mudou o nome do filho em homenagem ao local que fazia bons negócios.

Em 1198 acontece um conflito em Assis, entre a nobreza e os comerciantes. Os nobres se refugiam em Perusa uma pequena cidade próxima de Assis, onde São Francisco ficou preso por um ano até o ano de 1204. Em Perusa também estava a família de Clara.

Ao voltar para Assis, São Francisco doente começa sua conversão gradual, se dedica a dar esmolas e oferece até suas roupas aos pobres, tem visões e começa a desprezar o dinheiro e as coisas mundanas. Até que ele se encontra com um leproso, lhe dá esmola e um beijo, e este acontecimento marcou tanto a vida dele que, dos muitos fatos ocorridos em sua vida, este foi o primeiro que entrou em seu Testamento, "pois o que antes era amargo se converteu em doçura da alma e do corpo".

Outros encontros afirmaram ainda mais a vocação de São Francisco, nas ruínas da da igraja São Damião recebeu do crucificado o mandato de restaurar a Igreja. Obediente ao mandato, São Francisco pôs-se logo a trabalhar. Reconstruiu três pequenas igrejas abandonadas: a de São Damião, a de Santa Maria dos Anjos e a de São Pedro.

Seu pai, envergonhado do novo gênero de vida adotado por Francisco, queixou-se ao bispo de Assis da prodigalidade do filho e, diante do prelado, pediu a Francisco que lhe devolvesse o dinheiro gasto com os pobres. A resposta foi a renúncia à vultosa herança: despindo, ali, suas vestes, Francisco exclamou: "... doravante não direi mais pai Bernardone, mas Pai nosso que estás no céu..."

A partir desse momento passa a viver na pobreza, e inicia a ordem franciscana, cresce o número de companheiros, 1209 já são 12. Cria uma regra muito breve e singela, que o papa Inocêncio III aprova em 1210, e cujas diretrizes principais eram pobreza e humildade, surge assim a Fraternidade dos Irmãos Menores, a Primeira Ordem.

No Domingo de Ramos de 1212, uma nobre senhora, chamada Clara de Favarone, foi procurar Francisco para abraçar a vida de pobreza. Alguns dias depois, Inês, sua irmã, segue-lhe o caminho. Surge a Fraternidade das Pobres Damas, a Segunda Ordem. Aqueles que eram casados ou tinham suas ocupações no mundo e não podiam ser frades ou irmãs religiosas, mas queriam seguir os ideais de Francisco, não ficaram na mão: por volta de 1220, Francisco deu início à Ordem Terceira Secular para homens e mulheres, casados ou não, que continuavam em suas atividades na sociedade, vivendo o Evangelho.

A Ordem Francisca cresceu com o passar dos anos. Em 1219 houve uma grande expansão para a Alemanha, Hungria, Espanha, Marrocos e França. Neste mesmo ano São Francisco vai em missão para o Oriente. Durante sua ausência, vigários modificam algumas regras da Ordem e no mesmo ano de 1219 São Francisco se demite da direção da Ordem.

Com o crescimento da Ordem, quase 5.000 frades em 1221, uma nova regra foi escrita por São Francisco em 29 de novembro de 1223 que foi aprovada pelo papa Honório. É a que vigora até hoje.

Em 1224 no dia 17 de setembro São Francisco recebeu as chagas de Jesus crucificado em seu próprio corpo, este fato ocorreu no Monte Alverne, um dos eremitérios dos frades.

Os últimos escritos de São Francisco são entre 1225 e 1226, dentre eles o Cântico das Criaturas e o Testamento. Nestes mesmos dois anos, Francisco vai a vários lugares da Itália para tratar de suas vistas. Passa por diversas cirurgias. Morre aos 03 de outubro de 1226, num sábado.

Morreu nu aquele que começou a vida de conversão nu na praça de Assis diante do bispo, do pai e amigos. Morreu ouvindo o Evangelho de João, onde se narra a Páscoa do Senhor, aquele que recebeu os primeiros companheiros após ouvir o Evangelho do envio dos apóstolos. Foi sepultado no dia 04 de outubro de 1226, Domingo, na Igreja de São Jorge, na cidade de Assis.

São Francisco de Assis foi canonizado em 1228 por Gregório IX e seu dia é comemorado em 04 de outubro.

Em 25 de maio de 1230 os ossos de São Francisco foram levados da Igreja de São Jorge para a nova Basílica construída para ele, a Basílica de São Francisco, hoje aos cuidados dos Frades Menores Conventuais.

Oração pela Paz
Atribuída a São Francisco

Senhor, fazei de mim um instrumento da vossa paz.
Onde há ódio, que eu leve o amor.
Onde há ofensa, que eu leve o perdão.
Onde há discórdia, que eu leve a união.
Onde há dúvida, que eu leve a fé.
Onde há erro, que eu leve a verdade.
Onde há desespero, que eu leve a esperança.
Onde há tristeza, que eu leve a alegria.
Onde há trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre,
Fazei que eu procure mais
consolar que ser consolado;
compreender que ser compreendido;
amar que ser amado.
Pois é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
é morrendo que se vive para a vida eterna.


Cântico do Irmão Sol
São Francisco de Assis

Altíssimo, onipotente, bom Senhor,
Teus são o louvor, a glória, a honra
E toda a benção.
Só a ti, Altíssimo, são devidos;
E homem algum é digno
De te mencionar.
Louvado sejas, meu Senhor,
Com todas as tuas criaturas,
Especialmente o Senhor Irmão Sol,
Que clareia o dia
E com sua luz nos alumia.

E ele é belo e radiante
Com grande esplendor:
De ti, Altíssimo é a imagem.

Louvado sejas, meu Senhor,
Pela irmã Lua e as Estrelas,
Que no céu formaste claras
E preciosas e belas.

Louvado sejas, meu Senhor,
Pelo irmão Vento,
Pelo ar, ou nublado
Ou sereno, e todo o tempo
Pela qual às tuas criaturas dás sustento.

Louvado sejas, meu Senhor,
Pela irmã Água,
Que é mui útil e humilde
E preciosa e casta.

Louvado sejas, meu Senhor,
Pelo irmão Fogo
Pelo qual iluminas a noite
E ele é belo e jucundo
E vigoroso e forte.

Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã a mãe Terra
Que nos sustenta e governa,
E produz frutos diversos
E coloridas flores e ervas.

Louvado sejas, meu Senhor,
Pelos que perdoam por teu amor,
E suportam enfermidades e tribulações.

Bem aventurados os que sustentam a paz,
Que por ti, Altíssimo, serão coroados.

Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã a Morte corporal,
Da qual homem algum pode escapar.

Ai dos que morrerem em pecado mortal!
Felizes os que ela achar
Conformes á tua santíssima vontade,
Porque a morte segunda não lhes fará mal!

Louvai e bendizei a meu Senhor,
E dai-lhe graças,
E servi-o com grande humildade.

Fonte: www.saofranciscodeassis.hpgvip.ig.com.br

Dia de São Francisco de Assis

04 de Outubro

O dia 4 de outubro é dedicado a São Francisco de Assis. Nascido em 1182, em uma rica família mercante do norte da Itália, onde inicialmente continuou o negócio de seu pai.

Depois de um período de prisão por envolvimento em uma disputa de fronteiras em 1202, abandonou tudo em favor da vida religiosa.

Adotou a extrema a pobreza, mas pemaneceu trabalhando e pregando, especialmente para os pobres e doentes. Seu exemplo lhe trouxe muitos seguidores e em 1209, Inocêncio III aprovou a Ordem Franciscana. Foi ordenado diácono, mas sua humildade evitou que aceitasse o sacerdócio completo.

Rejeitou as posses materiais, vestindo apenas roupas simples e orientando seus seguidores a fazer o mesmo.

Seu ensinamento refletia um profundo amor ao mundo natural e respeito pelas mais humildes das criaturas. Por estas atitudes passou a ser considerado o protetor dos animais e patrono da Ecologia.

Empreendeu viagens missionárias ao sul da Europa e visitas ao sultão Al Kamil, no Egito, em um esforço para assegurar a paz durante a Quinta Cruzada.

Atribui-se a ele uma série de milagres e visões. Faleceu em 1226 e foi canonizado em 1228.

A vida deste homem é um exemplo forte que a maior riqueza a ser conquistada é a realização plena de um ideal.

Muitos homens, imaginam-se pequenos deuses, capazes de tudo criar ou destruir, com a ajuda do racionalismo.

É esse ilusório sentimento de onipotência que alimenta grande parte da agressividade que perplexamente constatamos hoje.

Fonte: www.animalworld.com.br

Dia de São Francisco de Assis

04 de Outubro

Tambem conhecido como São Francisco da Chagas

Viveu de 1181 a 1226. Um dos mais amados e populares santos do mundo. Chamado de "O Pobre Homem" "Il poverello" . Nascido em Assisi, na Itália e filho de Pedro Bernadone, um rico comerciante de sedas , Francisco passou sua juventude a procura de prazeres e era uma figura popular entre os jovens de Assis.

Em 1202 ele foi convocado e foi para a guerra e foi tomado prisioneiro Em 1205 ele teve visões e fez uma peregrinação a Roma no ano seguinte. Quando voltou a Assis ele foi denunciado pelo pai como um lunático e o pai o deserdou. Francisco foi para igreja de São Damiano que estava quase em ruínas e a reparou com a ajuda de amigos e seguidores.

Em Pontiuncula, uma pequena Capela ele dedicou-se ao cuidar dos pobres. Em 16 de abril de 1209 ele fundou a Ordem dos Franciscanos.

Em 1210 ele recebeu a aprovação do papa Inocencio III, numa dramática audiência papal. Santa Clara também de Assis passou a segui-lo em 1212 e fundou a ordem das Clarissas. Francisco tentou ir para a Síria e Marrocos de 1212 a 1214 mas não conseguiu .

Ele obteve a Pontiuncula Indulgencia do papa Inocencio III e começou a regulamentar a sua Ordem e as exigência para ser membro dela.

Uma das exigência era a pobreza total e a obediência total. Em 1212 Santa Clara e ele e fundaram a ordem das Clarissas Pobres. São Francisco e 5000 franciscanos foram ao encontro papal de 1212 e Francisco foi para o Egito e passou a pregar para os muçulmanos.

Ele encontrou-se como o Sultão Malik al-Kamil em Damietta,Egito .O Sultão reconhecendo Francisco como um homem santo não permitiu que ninguém o prendesse, mas ele não fez nenhuma conversão no Egito. Francisco retornou a Itália porque membros da ordem estavam mudando suas regras original para abranda-las. Ele procurou a ajuda do Papa para proteger as suas regras e este enviou Francisco por toda a Europa e Oriente Médio. Em 1223 Francisco se aposentou como superior da ordem .Ele construiu um pequena Creche no natal naquele ano e foi o fundador do costume de se fazer presépios para adornar as igrejas no natal.

Em 14 de setembro de 1224 enquanto orava na ermida de Monte Alvernia ele recebeu os estigmas (estigmatas). Ele morreu dois anos mais tarde em 3 de outubro de Assis e foi canonizado em 1228. Nunca se ordenou porque não se considerava digno do sacerdócio. São Francisco de Assis teve um grande impacto na vida religiosa da igreja.Sua vida foi caracterizada por uma adoração a Jesus de uma maneira alegre, jovial e reverenciava a natureza e a sua preocupação com os doente e pobres era enorme.

A Ordem dos Franciscanos é uma das maiores e mais fortes da igreja junto a dos jesuítas, dominicanos e beneditinos. Ele é mostrado na arte litúrgica com o seu habito, as estigmatas e algumas vezes com um crucifixo com azas. Ele também as vezes é, mostrado dando sermões a animais e pássaros.

Sua festa é celebrada em 4 de outubro.

A primeira regra de São Francisco é a pobreza.Se você ver um relógio no pulso de um franciscano pode saber: não é dele, é da ordem .Eles não podem possuir nada, como os jjesuítas.

São Francisco deu tudo que tinha e amava todas as criações de Deus e tinha um grande amor a natureza e é o padroeiro da Ecologia. Seu amor valeu a ele a conhecida oração "Cântico das Criaturas" e Irmão Sol".

Seu amor a paz e sua estima por Jesus fez ele fazer uma nova versão do "Pai Nosso"

Ele é considerado o inventor do presépio. Fazendo o primeiro em 1223.

No dia 17 de setembro é comemorado o dia da impressão das chagas de São Francisco de Assis que tambem é conhecido como São Francisco das Chagas.

Teria sido o primeiro santo a receber os estigmas.(stigmatas)

Ainda sobre São Francisco de Assis

Como Francisco converteu três ladrões homicidas
Uma vez São Francisco conheceu um rapaz de nome Ângelo e o colocou como guardião do convento de Monte Casale .

Eis que um dia três ladrões famosos foram ao dormitório dos irmãos e pediram ao guardião, irmão Ângelo, algo para comer. O irmão respondeu bravo: "Não tens vergonha ladroes e assassinos ? Não contente de roubar tendes a coragem e a insolência de vir pedir comida aos servidores de Deus? Não merecem sossego na terra. Fora daqui! E não voltem mais..

São Francisco chegou logo depois com um alforje de pão e um recipiente com vinho e o Ângelo contou a ele como havia despachado os ladroes.

São Francisco o repreendeu fortemente e deu vários exemplos onde Cristo comia com os justos e os pecadores .

Assim que terminou disse " pegue este alforje e este vinho e vá dar a eles ".

San Francisco se pôs a rezar a Deus para abrandar os corações dos ladrões .

Os ladrões enquanto comiam o comida enviada por São Francisco pensavam:" Que vergonha, que miseráveis somos nós, que duras penas nos esperam no inferno ,nós que só damos morte e desgosto ao nosso próximo!"

De comum acordo resolveram os três ir conversar com São Francisco.

São Francisco os recebeu com bondade, e amável e alegre, os animou com muitos exemplos que poderiam conseguir, ainda, a misericórdia de Deus e concluiu: " Jesus veio a terra para resgatar a todos inclusive os pecadores."

Movidos por estas palavras os três ladrões renunciaram a vida que viviam e entraram para a Ordem e começaram a fazer grandes penitencias. Dois deles morreram logo, pouco tempo após sua conversão e devem terem ido para o Paraíso. O terceiro ainda viveu por muito tempo e recordando sem cessar de seus pecados levou um vida de penitencia por 15 anos e acabou sendo um dos melhores irmãos franciscanos.

Como São Francisco amansou um lobo feroz

Quando São Francisco morava na cidade Gubbio, apareceu na comarca um grande lobo, terrível e feroz não só devorava os animais mas também atacava os homens ao ponto de que estavam todos aterrorizados, porque varias vezes o lobo chegava bem próximo da cidade. São Francisco movido pela compaixão desta gene quis sair e enfrentar lobo, mas os moradores da cidade não quiseram deixar e tentaram dissuadi-lo.

Mas São Francisco caminhou resolutamente para onde estava o lobo e na vista de muitas pessoas aconteceu o seguinte: O lobo avançou em direção de São Francisco com a boca aberta e Francisco fez o sinal da cruz o chamou e disse ao lobo: "Vem aqui irmão lobo, eu te mando da parte do Nosso Criador Jesus Cristo que não cause dado a ninguém e a nada .Coisa admirável. Apenas isto e o terrível lobo fechou a boca e se aproximou mansamente e deitou aos pés de São Francisco.

São Francisco então disse : "Irmão lobo, tu estas fazendo muitos danos e medo neste povoado maltratando e matando criaturas de Deus sem a permissão Dele. Você não está contente em matar outros animais e bestas e ainda tem o atrevimento de dar morte e causar danos ao homem , imagem de seu Deus .Por tudo isto está merecendo a forca de ladrão e homicida malvado. Quero irmão lobo fazer as pazes com você e o povo dessa cidade, assim pare de perseguir os homens e seus animais .Com estas palavras o lobo baixou a cabeça e São Francisco disse "vou fazer que o povo desta cidade te dê o necessita de modo que não passe fome, mas não faça nenhum mal nem ao homem nem a outro animal.Me prometes? O lobo inclinando a cabeça diz entender claramente o que dizia São Francisco e este estão disse; " venha comigo ".

O lobo levantou a pata dianteira e colocou-a na mão de São Francisco e Daquela data em seguida o lobo ia de porta em porta e todos o tratavam como a um cachorro de estimação e davam a ele comida e abrigo. E o lobo não causou nenhum mal a esta gente.

Viveu mansamente e morreu de velho nesta cidade como lembrança do milagre de São Francisco.

Fonte: www.cademeusanto.com.br

Dia de São Francisco de Assis

04 de Outubro

Francisco de Assis nasceu na cidade de Assis, Úmbria, Itália, em 1182. Pertencia à burguesia, e dessa condição tirava todos os proveitos.

Como seu pai, tentou o comércio, mas logo abandonou a idéia por não ter muito jeito para isso. Sonhou, então, com as glórias militares, procurando desta maneira alcançar o status que sua condição exigia.

Contudo, em 1206 para espanto de todos, Francisco de Assis abandonou tudo, andando errante e maltrapilho, numa verdadeira afronta e protesto contra sua sociedade burguesa.

Entregou-se totalmente a um estilo de vida fundado na pobreza, na simiplicidade de vida, no amor total a todas as criaturas.

Com alguns amigos deu início ao que seria a Ordem dos Frades Menores ou Franciscanos.

Com Santa Clara, sua dileta amiga, fundou a Ordem das Damas Pobres ou Clarissas.

Em 1221, sob a inspiração de seu estilo de vida nasceu a Ordem Terceira para os leigos consagrados.

O pobrezinho de Assis, como era chamado, foi uma criatura de paz e de bem, terno e amoroso. Amava os animais, as plantas e toda a natureza.

Poeta, cantava o Sol, a Lua e as Estrelas. Sua alegria, sua simplicidade, sua ternura lhe granjearam estima e simpatia tais que fizeram dele um dos santos mais populares dos nossos dias.

ORAÇÃO - Glorioso São Francisco, Santo da simplicidade, do amor e da alegria. No céu contemplais as perfeições infinitas de Deus. Lançai sobre nós o vosso olhar cheio de bondade.

Socorrei-nos em nossas necessidades espirituais e corporais. Rogai ao nosso Pai e Criador que nos conceda as graças que pedimos por vossa intercessão, vós que sempre fostes tão amigo dele.

E inflamai o nosso coração de amor sempre maior a Deus e aos nossos irmãos, principalmente os mais necessitados.

São Francisco de Assis, rogai por nós. Amém.

ORAÇÃO DA PAZ

Senhor! Fazei de mim um instrumento da vossa paz.

Onde houver ódio, que eu leve o amor.

Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.

Onde houver discórdia, que eu leve a união.

Onde houver dúvidas, que eu leve a fé.

Onde houver erro, que eu leve a verdade.

Onde houver desespero, que eu leve a esperança.

Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.

Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre, fazei que eu procure mais:

consolar, que ser consolado;

compreender, que ser compreendido;

amar, que ser amado.

Pois é dando que se recebe.

É perdoando que se é perdoado.

E é morrendo que se vive para a vida eterna.

Fonte: www.comamor.com.br

Dia de São Francisco de Assis

04 de Outubro

Filho de comerciantes, Francisco Bernardone nasceu em Assis, na Úmbria, em 1182. Nasceu em berço de ouro, pois a família tinha posses suficientes para que levasse uma vida sem preocupações. Não seguiu a profissão do pai, embora este o desejasse.

Alegre, jovial, simpático, era mais chegado às festas, ostentando um ar de príncipe que encantava. Mas, mesmo dado às frivolidades dos eventos sociais, manteve em toda a juventude profunda solidariedade com os pobres.

Proclamava jamais negar uma esmola, chegando a dar o próprio manto a um pedinte por não ter dinheiro no momento. Jamais se desviou da educação cristã que recebeu da mãe, mantendo-se casto.

Francisco logo percebeu não ser aquela a vida que almejava.

Chegou a lutar numa guerra, mas o coração o chamava à religião. Um dia, despojou-se de todos os bens, até das roupas que usava no momento, entregando-as ao pai revoltado.

Passou a dedicar-se aos doentes e aos pobres. Tinha vinte e cinco anos e seu gesto marcou o cristianismo. Foi considerado pelo Papa Pio XI o maior imitador de Cristo em sua época.

A partir daí viveu na mais completa miséria, arregimentando cada vez mais seguidores.

Fundou a Primeira Ordem, os conhecidos frades franciscanos, em 1209, fixando residência com seus jovens companheiros numa casa pobre e abandonada. Pregava a humildade total e absoluta e o amor aos pássaros e à natureza.

Escreveu poemas lindíssimos homenageando-a, ao mesmo tempo em que acolhia, sem piscar, todos os doentes e aflitos que o procuravam.

Certa vez, ele rezava no Monte Alverne com tanta fé, que em seu corpo manifestaram-se as chagas de Cristo.

Achando-se indigno, escondeu sempre as marcas sagradas que só foram descobertas após a sua morte. Hoje, seu exemplo muito frutificou. Fundador de diversas Ordens, seus seguidores ainda são respeitados e imitados.

Franciscanos, capuchinhos, conventuais, terceiros e outros são sempre recebidos com carinho e afeto pelo povo de qualquer parte do mundo.

Morreu 04 de outubro de 1226, com quarenta e quatro anos. Dois anos depois, o Papa Gregório IX o canonizou. São Francisco de Assis viveu na pobreza, mas sua obra é de uma riqueza jamais igualada para toda a Igreja Católica e para a Humanidade.

O Pobrezinho de Assis, por sua vida tão exemplar na imitação de Cristo, foi declarado o santo padroeiro oficial da Itália.

Num a terra tão profundamente católica como este país, não poderia ter sido outro o escolhido senão São Francisco de Assis que é sem dúvida um dos santos mais amados por devotos do mundo inteiro.

Assim, nada foi mais adequado ter ele sido escolhido como o padroeiro do meio ambiente e da ecologia. Por isto, no dia de sua festa é comemorado: o "Dia Universal da Anistia", o "Dia Mundial da Natureza" e o "Dia Mundial dos Animais". Mas poderia ser inclusive: o da Caridade e de tantos outros atributos.

A data de sua morte foi ao mesmo tempo a do nascimento de uma nova consciência mundial de paz, a ser partilhada com a solidariedade total entre os homens de boa vontade, numa convivência respeitosa com a natureza.

Fonte: www.portalangels.com

Dia de São Francisco de Assis

04 de Outubro

Este Santo homem, pequeno e frágil, não vivia para si mesmo, mais para aquele que morreu por todos nós. Enchia a terra com o Evangelho de Cristo e em um dia percorria 4 ou 5 povoados anunciando o Reino de Deus, a Salvação, a Penitência e a Oração. Não sabia favorecer a vida dos pecadores e os repreendia pacientemente. Seus maiores milagres sempre foram através da Oração.

São Francisco era como um rio caudaloso de graça celeste que alimentava os corações com sua palavra e exemplo, propunha uma nova forma de vida, o caminho da salvação, o amor a Deus.

Estava sempre preocupado com a construção espiritual de seus filhos, o caminho das virtudes, a pobreza, obediência, a castidade e sobretudo com a renúncia.

São Francisco tinha o rosto alegre, de olhar simples, afeto sincero e com o abraço fraterno colhia os desamparados.

Amava tanto a Deus que lutava constantemente pela salvação das almas, seu amor ao próximo era tão intenso que quando não podia mais andar e quase cego, percorria as terras montado em um jumento para levar a benção do Senhor. Em seu amor a Deus sempre repetia: "Senhor! Minha alma tem sede de Vós e meu corpo mais ainda".

Veio ao mundo com assinalado e luminoso destino, filho de pais abastados, nasceu em Assis velha cidade da Itália, situada na região da Úmbria em 26 de Setembro de 1182 e foi criado no luxo e na vaidade.

Seu pai Pedro Bernardone, rico comerciante de tecidos, sonhava fazê-lo homem de negócios e de fortuna, mas Francisco, de gênio alegre e cavaleiresco pensava mais nas glorias do mundo do que nos negócios.

Em 1202, com 20 anos, foi a guerra entre sua cidade natal e Perusa, ao partir, jurou voltar consagrado cavaleiro. Caiu prisioneiro, ficando um ano na prisão. Comportou-se com serenidade, levantou a moral dos seus companheiros, transmitindo confiança e alegria. É resgatado pelo pai, por estar muito doente.

Permanece um tempo em Assis para sua recuperação. Após uma mensagem em sonhos quis alistar-se novamente, mais ainda debilitado e doente, desiste e aceita os desígnios de Deus.

Primeiro chamado Divino

Refeito da grave doença e em período de transição que mudará sua vida, encontrava-se caminhando fora da cidade, quando viu um leproso vindo na sua direção, ficou apavorado pois tinha horror desta doença, quis fugir, mas manteve-se firme, dirigiu-se ao doente, beijou-lhe as mãos e o rosto, em demonstração de afeto e encheu-lhe a bolsa de moedas, com generosidade.

Ao retirar-se sentiu-se vitorioso- e voltou-se para ver uma vez mais o estranho, não logrou perceber figura alguma na estrada, o homem desaparecera misteriosamente. Após este fato sente o chamado de Deus.

Segundo chamado Divino

São Francisco costumava orar numa velha e abandonada capela, São Damião, frente a um crucifixo repetia fervorosamente: "Concedei-me Senhor, que Vos conheça, para poder agir sempre segundo a vossa luz e de acordo à vossa Santíssima vontade".

Conclusão

A vida de São Francisco de Assis é repleta de inúmeras virtudes, o calor de seu iluminado espírito, desejando sempre imprimi-lo aos seus queridos filhos, o ardor na busca devotada à Paixão de Jesus Cristo, são gestos que impressionam e são admirados por toda a humanidade.

São Francisco de Assis tudo transformava, através do amor universal, humildade e compaixão. O homem santo não teme perder sua pureza, no meio dos impuros. Do mesmo modo que Cristo mostrou a via vivendo entre os sofredores e entre os humildes, São Francisco se mistura aos doentes, aos desesperados e aos pobres. E é pelo esforço constante em direção à partilha do que lhe é dado com aqueles que não têm nada, que se fortificam suas aspirações e seus méritos, ao mesmo tempo que suas faculdades espirituais.

Amava intensamente a Deus e ao próximo, vivia à luz de uma fé profunda, que compartilhava com os pobres e abandonados. Sua vida era de orações e sacrifícios, para fundir-se com Aquele que tanto amava. Doava-se com franca generosidade, como se estivesse doando-se ao próprio Jesus.

São Francisco era um místico em toda a essência da palavra, pois tinha a total percepção das personalidades divinas, o contato com o plano espiritual era constante e lançava-se sem medo em direção do Pai que lhe dava a vida, em direção ao Filho que lhe dava o processo intelectual através do Verbo e através do Amor, e ia em direção do Espírito Santo que o iluminava constantemente.

São Francisco é um exemplo para a humanidade, seja durante a reflexão, na meditação, na angustia, na dor ou no sofrimento. Nele se encontra o perdão, tal como Jesus o ensinou e a generosidade para atuar na vida.

Que São Francisco continue a ser um exemplo de paz e de serenidade para todos àqueles que procuram a luz e que faça reverberar em seus corações os resplendores da Graça Divina.

Primeiro chamado Divino

Refeito da grave doença e em período de transição que mudará sua vida, encontrava-se caminhando fora da cidade, quando viu um leproso vindo na sua direção, ficou apavorado pois tinha horror desta doença, quis fugir, mas manteve-se firme, dirigiu-se ao doente, beijou-lhe as mãos e o rosto, em demonstração de afeto e encheu-lhe a bolsa de moedas, com generosidade.

Ao retirar-se sentiu-se vitorioso- e voltou-se para ver uma vez mais o estranho, não logrou perceber figura alguma na estrada, o homem desaparecera misteriosamente. Após este fato sente o chamado de Deus.

Segundo chamado Divino

São Francisco costumava orar numa velha e abandonada capela, São Damião, frente a um crucifixo repetia fervorosamente: "Concedei-me Senhor, que Vos conheça, para poder agir sempre segundo a vossa luz e de acordo à vossa Santíssima vontade".

São Francisco ora ante a imagem do Cristo Crucificado e recebe a missão de restaurar a Igreja. Ora nas ruínas da Igreja de São Damião

Um dia, pareceu-lhe ouvir claramente: "Francisco, não vês que a minha casa está em ruínas? Restaurá-la para mim!

Pensando tratar-se do velho templo onde se achava, agiu de pronto, contando para a reforma com o dinheiro de seu pai, que tinha em suas mãos.

Ano de 1206.

Comparece ante o Bispo Dom Guido III acusado pelo pai de furto, devolve ao genitor o que lhe pertence, até as roupas e se declara servo de Deus.

Pede ao Bispo sua benção e abandona a cidade em busca dos caminhos do Senhor, o Bispo vê nesse gesto o chamado do Altíssimo e se torna seu protetor pelo resto da vida.

São Francisco renuncia à todos os bens que o prendiam neste mundo, veste-se como eremita e começa a restauração da Capela de São Damião e cuida dos leprosos. Seis anos mais tarde, esta capela será o lar das Damas Pobres de Santa Clara.

Ante o Bispo de Assis e seu pai, devolve o dinheiro a este e se despoja até das roupas, pede a benção do Bispo, dom Guido III

É o começo da sua vida religiosa, sofre e luta da forma mais intensa; ele, que teve de tudo, abraça a pobreza, deve primeiramente vencer-se a si mesmo, para logo pedir esmolas. Ele ora e trabalha incessantemente.

São Francisco dizia: "O trabalho, embora humilde e simples, confere honra e respeito e sempre será um mérito ante Nosso Senhor".

Ano de 1208.

Restaura a igreja de Sta. Maria de Angelis. Esta pequena igreja se conserva dentro da grande Basílica de São Francisco em Assis.

Restaura a Igreja de Sta. Maria de Angelis e São Pietro, persuadido de que sua missão principal era a de restaurar e construir igrejas, zelava ardentemente pelos lugares em que se celebravam os Santos Mistérios.

A torre da igreja de São Pietro, capela que o Santo restaurou, essa torre é moderna, mais esse é o lugar.

Um dia, na missa de São Matias, escuta o Evangelho sobre a missão Apostólica, como Nosso Senhor enviou seus discípulos para pregar o Reino de Deus e a Penitência, fica tão impressionado que decide então seguir a vida de Nosso Senhor, seria pobre como Ele e pregaria o Evangelho, muda suas vestes de eremita e passa a ser um pregador ambulante e descalço, começa o estilo de vida Franciscano.

Desde então foi Apóstolo, não descansou jamais, nenhum instante sequer, pregou a paz e o amor no coração, vivendo sem ódio, egoísmo, inveja ou outros sentimentos mesquinhos, seus discursos sempre foram claros, simples, mas incisivos, que a todos afetavam profundamente.

Ano de 1209

Recebe os primeiros irmãos: Bernardo de Quintavalle que será mais tarde seu sucessor, homem de grande fortuna que abandona tudo para seguir São Francisco. Pedro Cattani, cônego e conselheiro legal de Assis, homem de esmerada cultura, instrução e dotado de grande inteligência. E o irmão Leão que será sempre e em todas as horas o fiel companheiro.

Ano de 1210.

Com 11 irmãos vai a Roma, levando uma breve Regra (esta se perdeu). O Papa Inocêncio III admirado, ouve a exposição do programa de vida e com regras tão severas, fica indeciso e decide esperar, assim e tudo aprova as regras só verbalmente. Conta-se que dias mais tarde o Papa em sonhos teve a revelação da missão destinada por Deus à Francisco (se diz que este Papa foi enterrado com vestes Franciscanas).

Instala-se com seus irmãos em Rivo-Torto, perto de Assis, num rancho abandonado e próximo de um leprosário, esta mísera residência foi a primeira casa por uns tempos dos irmãos Franciscanos, foi uma vida difícil, sombria e assinalada por duras provas, mais São Francisco só desejava enxugar as lágrimas dos desprezados do mundo, os pobres e os leprosos.

Apesar do espírito de renúncia e sacrifício que deveria existir na vida de seus filhos espirituais São Francisco pregava que um servo de Deus não podia manifestar tristeza, desanimo ou impaciência. Na alegria da vida, o Santo via a fortaleza da alma cristã, a força que devia levar aos desamparados e todos àqueles que sofriam provações. Suas humildes túnicas amarradas por um simples cordão levam até hoje três nós, são seus votos de: Pobreza, Obediência e Castidade.

Irradiam a luz Franciscana para toda a Itália, envia missionários, ao igual que o Cristo, aos pares para pregar o Evangelho, envia também à todo o Continente Europeu. Na Alemanha são maltratados e encarcerados, pois não sabiam falar o idioma e a tudo respondiam "já": exemplo: "vocês são hereges? E eles respondiam "já".

São Francisco orava e trabalhava sem cessar, assistia às viuvas, às crianças famintas, a todos os deserdados, fosse no campo, nas cidades ou nos mosteiros, derramava suas orações para converter os pecadores, proclamava a paz, pregando a salvação e a penitência para remissão dos pecados, resolvia conflitos, desavenças, estabelecendo sempre a harmonia em nome do Senhor.

Compreendia a dor e o sofrimento, pelo amor a Deus, considerava-se um pecador, o mais miserável dos homens, vivia em penitência e jejum, purificando seu corpo e todo seu ser, renunciava às mais mínimas comodidades.

Era severíssimo com ele, como São Paulo, ao qual admirava, mais aos seus filhos espirituais não permitia que fizessem demasiada penitência nem jejum, pedia sempre que imperasse a virtude da moderação, para assim poder melhor servir a Deus.

Ano de 1212.

Ao padres Beneditinos oferecem-lhe a pequena igreja de Santa Maria dos Anjos, em Porciúncula, pois eram muitos os homens que atraídos pela vida de pureza do Santo, queriam ser acolhidos na Ordem.

Esta seria o berço da ordem Franciscana, os frades renovam solenemente seus votos, o Santo os chama de "Frades Menores" porque sempre serão pobres e humildes. Como nosso Senhor Jesus Cristo desejava que fossem seus apóstolos, fossem puros e livres das coisas deste mundo, ter o coração e a mente dominados pelo desejo de Deus, para trilhar o caminho da bem-aventurada simplicidade.

Trabalhava com suas próprias mãos para alcançar os meios de subsistência, só em último caso pediam ajuda a outros, jamais deveriam possuir bens de qualquer natureza, assim não teriam correntes que os prendessem à terra, não temiam a desaprovação, a caridade os levava até tirar o pão da boca ou a despojar-se de suas míseras vestes para ir em socorro de quem estivesse com fome ou fosse mais pobre do que eles.

No mesmo ano de 1212 funda a segunda Ordem das Pobres Damas, destinada às mulheres que desejassem deixar o mundo, numa dedicação exclusiva à Deus e a nosso Senhor, para uma vida de oração e de santa pobreza. A figura central á Santa Clara de Assis jovem nobre que abandonou tudo para seguir a São Francisco, hoje conhecidas como as Irmãs Clarissas.

Dia de São Francisco de Assis

Ano de 1213

O Conde Orlando de Chiusi oferece a São Francisco um monte chamado Alverne, para servir de eremitério, retiro e oração. É aqui que São Francisco recebe os sagrados estigmas

Ano de 1216

Obtém do Papa Honorio III, sucessor de Inocêncio III e a pedido do próprio São Francisco a Indulgência para a Igreja de Santa Maria dos Anjos. Ato bastante audacioso do Santo pois a Indulgência só era dada aos peregrinos da Terra Santa e aos Cristãos que iam às Cruzadas. Indulgência é a remissão dos pecados na terra e no céu, por todas as culpas cometidas desde o nascimento.

Desde o Ano de 1217 a 1219

Levou São Francisco o Evangelho a todos os povos sarracenos e hereges. Efetuam-se grandes missões ao exterior. São Francisco visita o Santuário de San Tiago de Compostella na Espanha. Vá de navio a Marrocos, no Egito atravessa as linhas inimigas e vai ao acampamento do Sultão do Egito Melek el Kamel, temido guerreiro pela sua crueldade e que comandava as forças Muçulmanas nas Cruzadas contra os Cristãos. O Sultão fica surpreso com o audaz visitante, mantém longas conversas com São Francisco e pede para que fique com ele. São Francisco responde: "De bom grado fico se te convertes ao Cristianismo e pedes o mesmo ao teu povo".

No Egito, ante o Sultão Melek-el Kamel, temível guerreiro muçulmano (no tempo das cruzadas), ante o qual São Francisco efetua um milagre.

Em Damieta, São Francisco se encontra com os Cristãos que faziam parte das Cruzadas e que tinham sido derrotados pelos Muçulmanos, ele cuida dos feridos, prega a palavra de Deus, levando a todos conforto espiritual, diz a historia que nessa batalha morreram 6.000 cristãos.

Em Marrocos, 5 de seus missionários são mortos e decapitados, foram os primeiros mártires da família Franciscana e em 1481 são canonizados pelo Papa Sixto IV. Até hoje, os Frades Menores encontram-se em todo o Oriente, trabalhando pela conversão ao Cristianismo.

Desde os primeiros tempos estes Frades Menores tem a custódia do Santo Sepulcro em Jerusalém, obra que causa admiração aos cristãos do mundo inteiro, esta conquista se deve a suas Santas Missões, pelas orações, pelas obras de caridade, porem nunca pela força.

A sua volta do Oriente, por onde passa São Francisco estabelece a paz, converte os incrédulos, opera inúmeros milagres através da oração, cura doentes, inclusive um menino cego de um olho, que mais tarde foi frade. Em todas as cidades lhe prestam homenagem, mas ele se mantém sempre humilde e em penitência, com uma vida cheia de amor, fé e obras. Em Bolonha instala seu primeiro hospital.

Conhece Santo Antônio de Pádua, que era cônego de Santo Agostinho, o qual passa para os irmãos Menores, era um profundo estudioso das Sagradas Escrituras e grande orador. São Francisco por carta pede ao seu querido irmão que ensine Teologia aos frades para que não se extinga o espírito da oração e devoção como mandava a Regra.

Faz amizade também com Domingos de Gusmão, fundador dos Dominicanos. Conta-se que este, arrebatado em êxtase recebeu um rosário das mãos da Santíssima Virgem, nossa Senhora do Rosário, Ordem dos Pregadores, hoje Dominicanos.

Por ocasião do Concílio de Latrão em 1215 encontram-se em Roma, Francisco e Domingos. Dizem que ao sair de uma igreja Domingos viu São Francisco de Assis, reconhecendo de imediato o homem predestinado por Deus para a restauração da Igreja Universal. Sentiram-se atraídos um pelo outro e uma santa amizade uniu aquelas duas almas, que tanto bem deveriam fazer para a humanidade.

Os dois receberam do Papa Inocêncio III, em Roma, no ano de 1215 a incumbência de um trabalho gigantesco para a gloria de Deus e salvação das almas.

São Francisco sempre foi um grande devoto da Santíssima Virgem Maria, prestou-lhe sempre homenagem. Foram os Franciscanos os promulgadores da devoção da Imaculada Conceição. O dogma foi promulgado em 1854. A virgem Maria representava para São Francisco as portas do céu, ela lhes oferecia o diurno auxílio na senda espiritual.

Apesar de sua vida de árduos trabalhos, São Francisco agradecia sempre a Deus, porque se julgava um homem feliz, pelas graças que recebia. O Pensamento de São Francisco nunca se afastava da luz divina, era uma oração ininterrupta, sempre aperfeiçoando suas virtudes, jamais teve ostentação, as palavras do Evangelho e a vida do nosso Senhor Jesus Cristo estavam sempre presentes. Na sua humildade unia-se cada vez mais a Deus, desejando a confraternização de todos os seres, sem distinção de raça, credo ou cor.

Ele repetia: "Todos os seres são iguais, pela sua origem, seus direitos naturais e divinos e seu objetivo final.

Homens pobres, ricos e poderosos, rudes ou letrados pediam para seguir-lhe naquela vida.

Ano de 1221

Funda a Ordem Terceira, ainda como instrumento de concórdia e de bem estar social. À Ordem primeira dos Frades Menores incumbia o apostolado de seguir os passos do nosso Senhor Jesus Cristo e de exemplo de obediência para a Igreja; á Ordem Segunda das Pobres Damas o sacrifício, a oração e o amor a Deus no Claustro e à Ordem Terceira a nobre missão de reavivar nas consciências a honestidade dos costumes e os sentimentos Cristãos de paz e caridade, destinada a homens e mulheres que sem deserção da própria família e sem renunciar as suas propriedades, pudessem levar a todos os sentimentos Cristãos e a estes os chamou de Irmãos da Penitência, conhecida hoje como Ordem Terceira Franciscana e seus membros tentam alcançar a perfeição Cristã.

Nesse mesmo ano é aprovada a terceira Regra, chamada de Regra Bulada (aprovada) que impera até hoje, o texto original conserva-se como relíquia no Sacro Colégio de Assis, outra cópia, com a aprovação Papal se encontra no Vaticano.

Ano de 1224

O Frei Elias fica sabendo em sonhos que São Francisco só terá mais dos anos de vida. Neste mesmo ano o Santo de Assis nomeia o próprio Frei Elias vigário, para suceder o Frei Pedro Cattani, falecido há pouco.

São Francisco inspirado por Deus junto com o Irmão Leão, seu fiel companheiro e confessor e outros freis retira-se ao Monte Alverne já bastante doente, preparando-se para a quaresma de oração e jejum e a festa de São Miguel Arcanjo, vive em louvor a Deus passando noites e dias inteiros em oração, só um pedaço de pão e água que o irmão Leão lhe levava.

O Santo de Assis aceitou os percalços e as vicissitudes da vida terrena, numa demonstração de coragem e de fé inabalável, sempre aceitou tudo colocando-se dentro da virtude da humildade, e de todas as graças dadas pelo Espírito Santo, nenhuma é mais preciosa do que a da renúncia. O maior dom de Deus é o da vitória sobre o amor próprio. É feliz todo aquele que suporta todos os sofrimentos por amor a Deus.

Em toda sua vida religiosa espalhou o amor universal, a caridade, a paz e a humildade, levando felicidade a muitas almas, quantas vezes no fim da sua vida, doente estigmatizado e quase cego visitava cidades e aldeias pregando as verdades evangélicas, atendia os pobres, os leprosos e necessitados, com seu coração cheio de santas consolações pedindo a paz, jamais dando por terminada sua missão terrena e desejando ainda servir a Deus.

Corrigia com doces palavras, mas sabia ser enérgico quando necessário. Falava aos seus filhos espirituais para que se afastassem do orgulho, vaidade, egoísmo e avareza, que fossem sempre o exemplo da santa pobreza (como ela a chamava), humildade, caridade e trabalho.

Sempre foi simples em tudo, severo consigo mesmo, mas benigno com os outros. Nos ensinamentos do Evangelho encontrava o apoio para aliviar a dor de aquelas almas que em desespero acudiam a ele, e através da sua fervorosa oração operou grandes milagres.

Ele dizia: "Tudo o que faço é Nosso Senhor que me guia". Sua alma pura e cristalina aparecia aureolada de luz e ao igual que o Apóstolo Paulo repetia: "Já não vivo eu, é Cristo que vive em mim".

Suas orações e meditações, constantes e prolongadas por dias e noites eram elevadas ao Ser Divino, que ele tanto amava, eram de adoração, de louvor e de ação de graças, ardentes diálogos para poder servir melhor ao Senhor, outras para pedir pelos pobres, os doentes e desamparados, ou para implorar sem cessar a Deus por seus filhos espirituais, temendo a infidelidade de uns e a deserção de outros. Conta-se que estando ante uma visão divina, dizia humildemente: "Senhor Deus, que será depois da minha morte, da tua pobre família, que por tua benignidade foi entregue a mim pecador? Quem a confortará? Quem a corrigirá? ou Quem rogará por ela?

Prometeu-lhe o Senhor que seus filhos espirituais não desapareceriam da face da terra, até o fim dos tempos, grandes graças do céu receberiam os religiosos da Ordem que permanecessem na prática do bem e na pureza da Regra. Os frades Franciscanos existem há mais de 700 anos!!

O milagre da vertente, São Francisco orando a caminho do monte Alverne (onde São Francisco recebeu os estigmas).

Conta-se que quando ia para o Eremitério, na longa caminhada de Assis ao monte Alverne, o pobre homem, dono do jumento que levava São Francisco lastimava-se dolorosamente: "Estou morrendo de sede, se não beber água vou morrer!". O Santo compadecido e vendo o lugar tão árido, composto só de pedras e cascalho, desceu do jumento e ficou em fervorosa oração, logo disse ao homem: "Corre para trás daquela pedra, ali encontrarás água viva, que neste momento Cristo com sua força, misericórdia e poder fez nascer". Este fato é muito comentado porque nessa região nunca existiu água.
No monte Alverne falou aos irmãos: "Sinto aproximar-me da morte e desejo permanecer
solitário, recolher-me com Deus para lamentar meus pecados".

O frei Leão contava que muitas vezes viu São Francisco em êxtase adorando a Deus em visões celestiais. Em uma oportunidade viu que São Francisco falava diante de uma resplandecente chama, outra vez disse que viu o Santo extrair algo de seu peito para oferecer a Deus, o frei Leão perguntou depois a São Francisco o que significava aquilo e ele respondeu: "Meu irmão, naquela chama que viste estava Deus, o qual daquela maneira me falava, como antigamente o fez com Moisés, e entre outras coisas me pediu para lhe oferecer três coisas, e eu Lhe respondi: Senhor meu, Tu sabes bem que só tenho o hábito, o cordão e uma pobre veste e ainda estas três coisas são Tuas, que posso pois Te oferecer Senhor?"

"Então Deus me disse: Procura no teu peito e oferece-me o que encontrares. Levei a mão ao coração e encontrei uma bola de ouro e a ofereci a Deus e assim fiz por três vezes, segundo Deus me ordenara! Imediatamente pude compreender que aquelas três oferendas significavam: a Santa Obediência, a Altíssima pobreza e a Esplêndida Castidade".

Noutra ocasião o próprio São Francisco ainda deslumbrado, contou a frei Leão que viu-se cercado de inúmeros anjos, um deles tocava em delicado violino uma maravilhosa música e que se o anjo continuasse com os acordes da celeste melodia, ele certamente teria deixado a vida terrena, para participar das harmonias eternas.
Na solidão em que desejou ficar o Santo também teve momentos de difíceis provações.

Nos estados contemplativos, eram-lhe revelados por Deus, não somente coisas do presente, mais também do futuro, assim como por exemplo as dúvidas, os secretos desejos e pensamentos dos irmãos. Frei Leão numa hora amarga quando sofria tentações, recebeu uma preciosa benção para qualquer doença do espírito. Uma benção assinada com um simples Thau, que representa o símbolo da cruz, o amor a Cristo, também é o signo dos que são amados por Deus, São Francisco tinha grande veneração por este símbolo e nas suas cartas assinava com ele. Thau é a transformação, o equilíbrio, o trabalho, a conversão
interior que o homem deve sofrer para unir-se as coisas superiores

Benção a Frei Leão:

"O Senhor te abençoe e te proteja. Mostre a Sua face e se
compadeça de ti. Volte para ti o Seu rosto e te dê a paz.
Frei Leão, que o Senhor te abençoe".
Thau

São Francisco amava tanto o Cristo crucificado que pediu ardentemente duas graças, que antes de morrer pudesse ele (São Francisco) sentir na alma e no corpo o amor e o sofrimento da paixão e o Santo de Assis alcançou essas duas graças.

Ele pode ver no céu, um Serafim todo resplandecente de luz que se lhe aproximou e recebe os estigmas da Paixão, traspassando-lhe os pés, as mãos e o lado direito, imprimiu-lhe no corpo os sagrados estigmas do Cristo, isto foi em Setembro de 1224.

São Francisco em êxtase, recebe os estigmas, a sua frente o Serafim Alado com o rosto de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Ano de 1225

São Francisco retorna a Sta. Maria dos Anjos, muito doente e quase cego, muitos foram os milagres realizados com seus estigmas, temos o exemplo quando em Rieti, em 1225 uma grave peste devastava os rebanhos, as ovelhas caíam vitimadas por estranho mal, alguém que conhecera São Francisco pediu-lhe a benção e a sua valiosa oração para que Deus fizesse cessar a peste.

O Santo, abençoando, mesmo de longe a região atingida, e mesmo estigmatizado, orou humildemente, e deu-se o milagre, da noite para o dia desapareceu o terrível mal.

A corte papal envia-lhe médico para tratamento, nada resolve, sabendo-se próximo da morte, desde a planície lança uma benção sobre Assis, compõe o Cântico ao Sol e dita seu testamento.

Morte de São Francisco, rodeado de seus Filhos Espirituais e coro de Anjos.

Fez ler o Evangelho e na Última Ceia abençoa seus filhos espirituais presentes e futuros.

Sta. Clara na porta do convento de São Damião, despede-se dos restos mortais de São Francisco.

No dia 3 de Outubro de 1226, morre São Francisco de Assis, cantando o Salmo 141 e foi sepultado na Igreja de São Jorge na cidade de Assis.

Ano de 1228.

A dois anos da sua morte é canonizado pelo próprio Papa Gregório IX, que vai a Assis. Conta-se que o Papa Gregório IX duvidando da chaga do lado de São Francisco, conforme depois contou, apareceu-lhe uma noite São Francisco e erguendo um pouco o braço direito, descobriu a ferida do lado e o Papa viu o sangue com água que saía da referida ferida, toda dúvida foi apagada.

Ano de 1230

Suas relíquias foram trasladadas para a nova Basílica em construção.

Vista do Altar Mor, onde está o túmulo de São Francisco, em Assis

Milagres de São Francisco

Suplicando a graça do nosso Senhor Jesus Cristo, estes milagres foram lidos diante do Papa Gregório IX e anunciados ao povo. Heis aqui alguns deles:

Disse que depois de duríssimas horas em que o Santo viu-se em tentação, achava-se ele em sua pobre cela, numa noite de rigoroso inverno, ao abrigo do vento e da neve, quando ouviu vozes pérfidas e sedutoras, alguém de fina malícia o chamava das trevas da noite. O Santo recebia surpreso, um convite fascinante: "Francisco deixa essas penitências, não maltrates teu corpo ainda jovem, fostes feito para os prazeres, não para renúncia e pobreza".

Aturdido, Francisco sentia-se arrastado, olhou seu corpo jovem e são, mas um raio de luz veio do céu fazendo-o afastar-se do mal, lembrou-se de Jesus Cristo e sem vacilar saiu ao relento enfrentando o frio da noite, exausto e seminu, atirou-se sobre um espinheiro, ferindo-se entre os galhos, espirrando sangue para todos os lados.

Paralítico

No dia em que São Francisco foi sepultado, trouxeram uma menina que fazia mais de um ano que estava com o pescoço monstruosamente dobrado e pregado ao ombro, de forma que só podia olhar de soslaio e para cima, mas ela colocou por algum tempo a cabeça embaixo do caixão em que jazia São Francisco e pelos merecimentos de Deus, endireitou imediatamente o pescoço e ficou com cabeça reposta no devido lugar, a menina muito assustada com a mudança começou a gritar e a correr. Tinha uma cavidade no ombro, no lugar em que a cabeça estivera dobrada devido à prolongada enfermidade.

Cegos

Uma mulher chamada Sibila, que sofria de cegueira havia muitos anos, foi conduzida ao sepulcro do homem de Deus, como uma triste cega. Mas recuperou a primitiva visão e voltou alegre para casa.

Um cidadão de Assis perdera a visão havia 5 anos e tinha sido conhecido de São Francisco durante toda a sua vida. Sempre rezava ao Santo lembrando-lhe a sua familiaridade. Tocando seu sepulcro, ficou livre da doença.

Muitos são os casos de cegos que sararam graças a São Francisco

Enfermos libertados da morte

Um menino de Arezzo, chamado Valter, tinha febres constantes e era atormentado por dois tumores. Desenganado pelos médicos, os quais fizeram uma promessa a São Francisco, e assim recobrou a saúde.

Uma mulher que estava de cama à muitos anos, sem poder mexer-se ou se virar, consagrou-se a Deus e a São Francisco, mereceu ficar inteiramente livre da doença

Na cidade de Fano, havia um hidrópico com os membros horrivelmente inchados. Pelos
méritos de São Francisco ficou curado.

Na cidade de Narni, existia uma mulher que tinha uma das mãos ressequida à oito anos e nada podia fazer com ela. Um dia, São Francisco apareceu-lhe numa visão, estendeu-lhe a mão e fez com que tivesse a mesma utilidade que a outra.
Em São Severino, vivia um jovem chamado Acto, que estava atacado de lepra e segundo os
médicos era tido como um leproso.

Todos seus membros tinham se entumecido e inchado e a inflamação das veias dava ao conjunto um aspecto repugnante. Não podia andar, passava miseravelmente o tempo todo no leito, causando dor e tristeza a seus pais.

O pai teve a idéia de consagrá-lo a São Francisco e disse ao filho: "Não te queres consagrar a São Francisco, que em toda parte brilha por seus milagres, para que ele te liberte da doença?" e o filho respondeu: "Quero, pai". Levantou-se juntou as mãos e começou a suplicar à misericórdia de São Francisco, como penitência deveria levar todo os anos, durante sua vida, uma vela da sua altura para o Santo. Pouco tempo depois estava curado da lepra.

Na cidade de Fano, um jovem chamado Bonuomo, que era tido por todos os médicos como paralítico e leproso, foi oferecido por seus parentes a São Francisco. Limpo da lepra e livre da paralisia, obteve cura total.

Surdos e mudos

No povoado de Pieve, havia um menino paupérrimo, que era completamente surdo e mudo de nascença. Tinha a língua tão pequena que mal a puderam ver muitos que tentaram. Uma tarde foi a casa de um conterrâneo chamado Marcos e lhe pediu por sinais pousada. O homem recebeu-o com alegria, porque sabia que aquele menino era um serviçal competente, rapaz de boa índole.

Uma noite o homem disse à esposa: "Acho que seria o maior milagre de São Francisco se lhe desse a audição e a fala ao menino". E acrescentou: "Prometo ao Senhor Deus , que se São Francisco se dignar fazer isso por amor dele terei especial afeto com este menino e lhe pagarei todas as despesas por toda sua vida". Foi admirável, pois um outro dia o menino falou: "Vejo São Francisco de pé aí em cima. Veio para me dar a fala" e respondeu Marcos: "Louvaras a Deus e salvaras muitas pessoas". Sua língua cresceu e ficou apta para falar.

Falamos pouca coisa dos milagres de São Francisco, omitindo a maior parte. Deixamos aos que querem seguir seus passos, que busquem a graça de uma nova benção.

Regra Bulada da Ordem dos Frades Menores

Esta Regra foi aprovada em 1221 pelo Papa Honório III. Outra Regra não Bulada foi aprovada verbalmente pelo Papa Inocêncio III.O original desta Regra com a aprovação e assinatura papal conserva-se atualmente no Sacro Colégio de Assis como preciosa relíquia e outra cópia está no Vaticano.

1.- A Regra e a vida dos Frades Menores:

Observar o santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, vivendo em Obediência, Pobreza e Castidade. Frei Francisco promete obediência e reverência a Sua Eminência o Papa Honório e a seus sucessores, canonicamente eleitos e a igreja de Roma. E os demais irmãos estarão obrigados a obedecer a Frei Francisco e a seus sucessores.

2 Dos que querem abraçar esta vida e de como devem ser aceitos.

Devem visitar o Ministro, para serem encaminhados sobre a fé e os santos sacramentos., depois devem renunciar a tudo o que possuem e distribuir entre os pobres.

Uma vez aprovados se lhes dará 2 túnicas, uma com capuz e a outra sem, um cordão, calças e caparão. Será um ano de provas.

Não é lícito sair da Ordem, somente com autorização do Papa. Devem prometer obediência. Só em caso de necessidade usar calçados.

Sempre devem ser pobres, nunca julgar a quem se veste com roupas delicadas ou toma alimentos ou bebidas finas, mas antes julgue cada um a si mesmo.

3 Do ofício divino, do jejum e da oração.

Rezar o ofício divino, quem sabe ler pode usar breviário, os que não sabem devem recitar 24 Pais Nossos pelas Matinas, 5 pelas Laudes, 7 pelas: Primas, Terça, Sexta e Noa, 12 pelas Vésperas, 7 pelo Completório e rezem pelos defuntos o Salmo 129 e para o perdão dos pecados por Nosso Senhor Jesus Cristo o Salmo 50 (Misere Mei). Estas orações não devem ser negligenciadas e devem ser realizadas em todas as "Horas".

Obs.: "Hora" é designação para cada uma das sete partes em que se dividem as chamadas Horas Canônicas da Igreja: Matutinas - Laudes - Prima - Terça - Sexta - Noa - Vésperas e Completas.

Sobre o jejum, deve ser praticado desde a festa de Todos os Santos até a Natividade de Nosso Senhor, na Quaresma desde a Epifania, em que Nosso Senhor iniciou seu jejum até a Páscoa, todas as sextas feiras, em outras épocas não são obrigados. Não é sensato quem voluntariamente enfraquece seu corpo, primeiro devem trabalhar no desenvolvimento das virtudes.

4 Que os Irmãos não recebam dinheiro

Só os Ministros recebem doações para ajudar os pobres e os doentes.

5 Do modo de trabalhar

Não aceitar cargos de direção , nem funções que possam causar escândalos. Trabalhem com fidelidade e devoção, de maneira que afugentem o ócio, inimigo da alma e não percam o espírito de oração e piedade.

Em pagamento pelo trabalho recebam o que for necessário ao corpo, para si e seus irmãos, exceto dinheiro de qualquer espécie; façam isto com humildade, como convém à servos de Deus e seguidores da mais santa pobreza.

6 De nada se façam proprietários os irmãos, da mendicância e dos irmãos doentes.

Peçam esmolas com confiança no Senhor, não se devem envergonhar porque o Senhor se fez pobre por nós neste mundo. E, se algum deles cair doente, os outros irmãos o devem servir, como gostariam de ser servidos.

6 De nada se façam proprietários os irmãos, da mendicância e dos irmãos doentes.

Peçam esmolas com confiança no Senhor, não se devem envergonhar porque o Senhor se fez pobre por nós neste mundo. E, se algum deles cair doente, os outros irmãos o devem servir, como gostariam de ser servidos.

7 Da penitência que se deve impor aos irmãos que pecam.

Os Ministros provinciais, ou sacerdotes imponham a penitência, com caridade e misericórdia, sem encolerizar-se, sem ira.

8 Da eleição do Ministro Geral

Todos os irmãos devem ter sempre um dos irmãos desta Ordem como Ministro e servo desta fraternidade. São então, rigorosamente obrigados a obedecer-lhe.

Todo ano possam os ministros se reunirem com seus irmãos, na festa de São Miguel Arcanjo, no lugar que lhes aprouver, para tratar com eles dos assuntos que se referem a Deus.

9 Dos pregadores

Devem pregar ao povo, com a autorização do Ministro Geral desta fraternidade, e por ele admitido ao oficio da pregação, seus sermões devem ser ponderados e piedosos, sempre se fale dos vícios e das virtudes, o castigo e a glória, com brevidade.

10 Da admoestação e correção dos irmãos

Os irmãos que são Ministros e servos dos demais irmãos visitem e admoestem a seus irmãos e corrijam-nos com humildade e caridade, não lhes ordenando coisa alguma que seja contra sua alma e a nossa Regra.

Os irmãos, porém, que são súditos, lembrem-se de que por amor a Deus, renunciaram à própria vontade. Que os irmãos se preservem de toda soberba, inveja, avareza, vanglória, murmuração e depreciação.

11 Que os irmãos não entrem em mosteiros de freiras

Ordeno severamente a todos os meus irmãos que não tenham familiaridades ou relações suspeitas com mulheres, nem entrem em mosteiros de freiras exceto aquele a quem foi dada licença especial da Santa Sé Apostólica, nem criem laços com homens ou mulheres, para que daí não resultem escândalos entre irmãos.

12 Do castigo aos desonestos

Se algum irmão, por instigação do demônio cometer pecado de impureza, seja privado do hábito da Ordem , que ele já perdeu por sua torpe iniquidade, e, por isso, o deponha definitivamente e seja demitido da Ordem e faça penitência de seus pecados.

13 Da confissão dos irmãos e da recepção do corpo e do sangue do Nosso Senhor Jesus Cristo

Os meus abençoados irmãos, clérigos e leigos, confessem seus pecados aos sacerdotes da nossa Ordem. Se não for possível, confessem-se a outros sacerdotes, prudentes e católicos. Se porém não puderem encontrar um sacerdote, confessem-se a um dos irmãos.

Recebam o corpo e o sangue do Nosso Senhor Jesus Cristo com grande humildade e respeito.

14 Dos irmãos doentes

Se um dos irmãos cair doente, os outros irmãos não devem abandona-lo, estejam onde estiverem, sem designar um, ou se necessário, mais irmãos para o servirem como gostariam de serem servidos.

Em caso de absoluta necessidade, poderão encarregar uma pessoa de confiança para cuidar-lhe.

15 Oração, louvor e ação de graças

Onipotente, altíssimo, santíssimo Deus, pai santo e justo,
Senhor e rei dos céus e da terra.
Por vossa santa vontade e pelo vosso único filho,
criastes no Espírito Santo, todos os seres espirituais e corporais,
fizeste-nos à vossa imagem e semelhança (Gn. 1,26 - 2,15)
e nos colocastes no paraíso e nós caímos por nossa culpa.
Rendemo-vos graças, se por vosso Filho nos criastes,
pelo mesmo verdadeiro e santo amor com que nos amastes (Jo 17,26)
e fizestes nascer, como verdadeiro Deus e verdadeiro homem,
da gloriosa, beatíssima, santa e sempre Virgem Maria,
e quisestes que nós, cativos fôssemos remidos por sua cruenta morte na cruz.
E damo-vos graças porque o vosso mesmo filho há de voltar na gloria
de sua majestade, para lançar ao fogo eterno os malditos que não quiserem
fazer penitência e não vos reconheçam, e dizer a todos:
Vinde, benditos do meu Pai, tomai posse do reino preparado
para vós desde a criação do mundo (Mt. 25,34).

Orações de louvor a serem recitadas em todas as horas canônicas

Segundo atesta um manuscrito de Assis, São Francisco mandava rezar estes louvores a Deus antes
de cada hora canônica, dando aos irmãos o melhor exemplo neste sentido.
Esta forma de rezar, servindo-se de orações compiladas de textos das Sagradas Escrituras e da
liturgia, é bem típico de São Francisco. Pela sucessão de idéias e pelo estilo é certamente da autoria
do Santo de Assis.
Damos aqui algumas das orações atribuídas a São Francisco:

Oração

Onipotente, santíssimo, altíssimo e soberano Deus,
que sois todo o bem, o sumo bem, a plenitude do bem,
nós vos tributamos todo o louvor, toda a glória,
toda a ação de graças, toda a exaltação, e todo o bem.
Assim seja, Assim seja.
Amém.

Oração à Santa Virgem Maria

Santa Virgem Maria, não há mulher nascida no mundo semelhante a vós,
filha e serva do Altíssimo rei e pai celestial.
Mãe de nosso Senhor Jesus Cristo,
esposa do Espírito Santo rogai por nós
com São Miguel Arcanjo e todas as virtudes do céu,e todos os Santos junto à vosso Santíssimo
e dileto Filho, nosso Senhor e Mestre.
Amém.

Oração diante do crucifixo

Segundo o testemunho de alguns antigos manuscritos, São Francisco rezou esta oração no momento
em que estava diante do crucifixo de São Damião e recebia o seguinte encargo: "Francisco, vai
reconstruir minha casa".
Ó glorioso Deus, altíssimo, iluminai as trevas do meu coração,
Concedei-me uma fé verdadeira, uma esperança firme e um amor perfeito.
Dai-me Senhor, o reto sentir, e conhecer, a fim de que possa cumprir
o sagrado encargo que verdade acabais de dar-me.
Amém.

Saudação à Virgem Maria

Esta saudação tão singela deixa entrever a grande veneração de São Francisco pela Virgem Maria,
sua Mãe e Senhora, cuja capelinha: "da Porciúncula" (Nossa Senhora dos Anjos) fora o berço da
Ordem e se conservou, através dos séculos, foco de piedade Franciscana.
Salve ó Senhora Santa, Rainha Santíssima,
Mãe de Deus, ó Maria, que sois Virgem feita igreja,
eleita pelo Santíssimo Pai celestial,
que vós consagrou por seu Santíssimo e
dileto Filho e o Espírito Santo Paráclito.
Em vós residiu e reside toda plenitude da graça e todo o bem.
Salve, ó palácio do Senhor!
Salve, ó tabernáculo do Senhor!
Salve, ó morada do Senhor!
Salve, ó manto do Senhor!
Salve, ó serva do Senhor!
Salve, ó mãe do Senhor!
E salve vós todas, ó santas virtudes derramadas,
pela graça e iluminação do Espírito Santo,
nos corações dos fiéis, transformando-os de infiéis
em fiéis servos de Deus!
Amém.

Cântico das Criaturas

Quase moribundo, compôs São Francisco o Cântico das Criaturas. Até o fim da vida queria ver o
mundo inteiro num estado de exaltação e louvor à Deus. No Outono de 1225, enfraquecido pelos
estigmas e enfermidades, ele se retirou para São Damião, onde compôs esta bela oração.

Louvado seja Deus na natureza,
Mãe gloriosa e bela da Beleza,
E com todas as suas criaturas;
Pelo irmão Sol, o mais bondoso
E glorioso irmão pelas alturas,
O verdadeiro, o belo, que ilumina
Criando a pura glória - a luz do dia!
Louvado seja pelas irmãs Estrelas,
Pela irmã Lua que derrama o luar,
Belas, claras irmãs silenciosas
E luminosas, suspensas no ar.
Louvado seja pela irmã Nuvem que há de
Dar-nos a fina chuva que consola;
Pelo Céu azul e pela Tempestade;
Pelo irmão Vento, que rebrama e rola.
Louvado seja pela preciosa,
Bondosa água, irmã útil e bela,
Que brota humilde. é casta e se oferece
A todo o que apetece o gosto dela.
Louvado seja pela maravilha
Que rebrilha no Lume, o irmão ardente,
Tão forte, que amanhece a noite escura,
E tão amável, que alumia a gente.
Louvado seja pelos seus amores,
Pela irmão madre Terra e seus primores,
Que nos ampara e oferta seus produtos,
árvores, frutos, ervas, pão e flores.
Louvado seja pelos que passaram
Os tormentos do mundo dolorosos,
E, contentes, sorrindo, perdoaram;
Pela alegria dos que trabalham,
Pela morte serena dos bondosos.
Louvado seja Deus na mãe querida,
A natureza que fez bela e forte:
Louvado seja pela irmã Vida
Louvado seja pela irmã Morte.
Amém.

Cântico do irmão Sol

Quase cego, sozinho numa cabana de palha, em estado febril e atormentado pelos ratos, São Francisco deixou para a humanidade este canto de amor ao Pai de toda a Criação.

A penúltima estrofe, que exalta o perdão e a paz, foi composta em Julho de 1226 no palácio episcopal de Assis, para pôr fim a uma desavença entre o Bispo e o Prefeito da cidade. Estes poucos versos bastaram para impedir a guerra civil. A última estrofe, que acolhe a morte, foi composta no começo de Outubro de 1226.

Altíssimo, onipotente e bom Deus,
Teus são o louvor, a glória, a honra e toda benção.
Só a Ti, Altíssimo, são devidos, e homem
algum é digno de te mencionar.
Louvado sejas, meu Senhor,
com todas as Tuas criaturas.
Especialmente o irmão Sol,
que clareia o dia
e com sua luz nos ilumina.
Ele é belo e radiante,
com grande esplendor
de Ti, Altíssimo é a imagem.
Louvado sejas meu senhor,
pela irmã Lua e as Estrelas,
que no céu formastes claras,
preciosas e belas.
Louvado sejas meu senhor,
pelo irmão Vento, pelo ar ou neblina,
ou sereno e de todo tempo
pelo qual as Tuas criaturas dais sustento.
Louvado sejas meu senhor,
pela irmã Água,
que é muito útil e humilde
e preciosa e casta.
Louvado sejas meu senhor,
pelo irmão Fogo,
pelo qual iluminas a noite,
e ele é belo e jucundo
e rigoroso e forte.
Louvado sejas meu senhor,
pela nossa irmã a mãe Terra,
que nos sustenta e nos governa,
e produz frutos diversos,
e coloridas flores e ervas.
Louvado sejas meu senhor,
pelos que perdoam por teu amor
e suportam enfermidades e tribulações.
Bem aventurados os que sustentam a paz,
que por Ti, Altíssimo serão coroados.
Louvado sejas meu senhor,
pela nossa irmã a morte corporal,
da qual homem algum pode escapar.
Ai dos que morrerem em pecado mortal!
Felizes os que ela achar
conforme à Tua Santíssima vontade,
porque a segunda morte não lhes fará mal.
Louvai e bendizei a meu Senhor,
e daí lhes graças
e servi-o com grande humildade.
Amém.

Conclusão

A vida de São Francisco de Assis é repleta de inúmeras virtudes, o calor de seu iluminado espírito, desejando sempre imprimi-lo aos seus queridos filhos, o ardor na busca devotada à Paixão de Jesus Cristo, são gestos que impressionam e são admirados por toda a humanidade. São Francisco de Assis tudo transformava, através do amor universal, humildade e compaixão.

O homem santo não teme perder sua pureza, no meio dos impuros.

Do mesmo modo que Cristo mostrou a via vivendo entre os sofredores e entre os humildes, São Francisco se mistura aos doentes, aos desesperados e aos pobres. E é pelo esforço constante em direção à partilha do que lhe é dado com aqueles que não têm nada, que se fortificam suas aspirações e seus méritos, ao mesmo tempo que suas faculdades espirituais.

Amava intensamente a Deus e ao próximo, vivia à luz de uma fé profunda, que compartilhava com os pobres e abandonados. Sua vida era de orações e sacrifícios, para fundir-se com Aquele que tanto amava. Doava-se com franca generosidade, como se estivesse doando-se ao próprio Jesus.

São Francisco era um místico em toda a essência da palavra, pois tinha a total percepção das personalidades divinas, o contato com o plano espiritual era constante e lançava-se sem medo em direção do Pai que lhe dava a vida, em direção ao Filho que lhe dava o processo intelectual através do Verbo e através do Amor, e ia em direção do Espírito Santo que o iluminava constantemente.

São Francisco é um exemplo para a humanidade, seja durante a reflexão, na meditação, na angustia, na dor ou no sofrimento. Nele se encontra o perdão, tal como Jesus o ensinou e a generosidade para atuar na vida.

Que São Francisco continue a ser um exemplo de paz e de serenidade para todos àqueles que procuram a luz e que faça reverberar em seus corações os resplendores da Graça Divina.

Fonte: scribd.com

Dia de São Francisco de Assis

04 de Outubro

São Francisco de Assis era filho de uma abastada família de comerciantes. Aos 20 anos abandonou luxo e riqueza para servir doentes e pobres. Um dia, quando meditava, ouviu uma voz que lhe dizia: "Vá escorar minha igreja, que está desabando".

Com a renúncia definitiva dos bens paternos, aos 25 anos Francisco deu início à vida religiosa: Primeiro como eremita, depois como pregador e finalmente, já debilitado pelas duras penitências, Francisco buscou a configuração a Cristo, fisicamente até, com o recebimento dos estigmas (chagas da crucificação).

Dia de São Francisco de Assis

São Francisco de Assis foi consagrado o patrono maior da Itália pelo papa Pio 12 e é tido como o protetor dos pássaros.

Cântico das Criaturas

Louvado seja Deus na natureza,

Mãe gloriosa e bela da Beleza,

E com todas as suas criaturas;

Pelo irmão Sol, o mais bondoso

E glorioso irmão pelas alturas,

O verdadeiro, o belo, que ilumina

Criando a pura glória - a luz do dia!

Louvado seja pelas irmãs Estrelas,

Pela irmã Lua que derrama o luar,

Belas, claras irmãs silenciosas

E luminosas, suspensas no ar.

Louvado seja pela irmã Nuvem que há-de

Dar-nos a fina chuva que consola;

Pelo Céu azul e pela Tempestade;

Pelo irmão Vento, que rebrama e rola.

Louvado seja pela preciosa,

Bondosa água, irmã útil e bela,

Que brota humilde. É casta e se oferece

A todo o que apetece o gosto dela.

Louvado seja pela maravilha

Que rebrilha no Lume, o irmão ardente,

Tão forte, que amanhece a noite escura,

E tão amável, que alumia a gente.

Louvado seja pelos seus amores,

Pela irmão madre Terra e seus primores,

Que nos ampara e oferta seus produtos,

Árvores, frutos, ervas, pão e flores.

Louvado seja pelos que passaram

Os tormentos do mundo dolorosos,

E, contentes, sorrindo, perdoaram;

Pela alegria dos que trabalham,

Pela morte serena dos bondosos.

Louvado seja Deus na mãe querida,

A natureza que fez bela e forte:

Louvado seja pela irmã Vida

Louvado seja pela irmã Morte.

Amém

Fonte: www.culturabrasil.org

Dia de São Francisco de Assis

04 de Outubro

CONVERSÃO

São Francisco nasceu em Assis, na Itália, no ano de 1182. Seu pai era um rico comerciante de tecidos, o que permitiu a Francisco uma infância e juventude de fartura e a possibilidade de continuar o comércio, como era desejo de seu pai. [Teve à sua disposição uma vida bem sucedida e de prestígio junto aos homens, mas preferiu a gloria de Deus]

Quando jovem, Francisco sempre procurou a realização de grandes ideais, destacando-se junto aos amigos com muito entusiasmo. O dinheiro do pai ajudava em seus projetos - vestia as melhores roupas, dispunha de vinho e comida para promover festas entre amigos. Mas ainda assim buscava uma causa, um motivo forte que pudesse defender. [Idealistas como todos jovens;, insatisfação pessoal]

Devido às desigualdades sociais ocorreu uma revolta do povo contra os nobres da cidade de Assis. Francisco, assim como muitos jovens da sua época tomaram partido na causa social do povo. Em socorro dos nobres, Perugia, uma cidade vizinha mandou um exercito bem preparado para defender os nobres. Na luta sangrenta, Francisco foi preso (assim como os companheiros jovens de Assis) e dessa forma, permaneceu no cárcere por um ano. Seu pai pagou pela sua libertação. [procura por Ideais sociais]

De volta a Assis, doente, enfraquecido e sem projeto de vida, pouco tempo depois, Francisco se empenhou em outro ideal - a igreja buscava voluntários para as suas lutas em defesa dos territórios. Francisco, inspirado nas histórias de heróis e valentes cavaleiros, se inscreveu e se preparou com a melhor armadura de cavaleiro. [procura por Ideais de justiça]

Após a partida, na primeira noite em que o exército se reuniu junto à cidade de Espoleto, Francisco, novamente com febre e doente ouviu a Deus que lhe perguntou - "Francisco, a quem deves servir, ao Senhor ou ao servo? Ao Senhor respondeu Francisco! Então, por que trocas o Senhor pelo Servo? Francisco, compreendeu que deveria servir a Deus, abandonou o seu ideal de cavaleiro e retornou a Assis humilhado, recebendo as zombarias. [Despertar de sua vocação]

Francisco foi aos poucos se transformando. Passava muitas horas sozinho, buscava lugares isolados no campo e quando encontrava um mendigo, doava o que dispunha no momento. Aos poucos foi se habituando à oração. Na sua conversão, sofria as dúvidas e fraquezas humanas. Num momento difícil da sua vida, Francisco encontrou-se no caminho com um leproso, e diante do horror das feridas e do odor, pensou em fugir. Movido por um grande amor, venceu o obstáculo, voltou-se para o leproso, e o abraçou e beijou, reconhecendo nele um irmão. [Aprofundamento da sua vocação pela oração, e exercício da espiritualidade fraterna e do amor]

Numa ocasião também importante, achava-se em oração na Igreja de São Damião - uma capelinha quase destruída - e olhando o crucifixo e examinando as paredes caídas ao redor, compreendeu o pedido de Deus. "Francisco, reconstrói a minha Igreja!" [resposta para uma missão]

Para empreender o projeto de reconstruir a Igreja, Francisco retirou recursos do pai. Este, já enfurecido pelas atitudes de Francisco e prevendo o risco de perder o patrimônio nas mãos do filho maluco, abriu um processo perante o Bispo para deserdá-lo. Diante das acusações do pai, na frente do Bispo, e de todos, Francisco tirou as próprias vestes, e nu, as devolveu ao pai dizendo - "Daqui em diante tenho somente um pai, o pai nosso do céu! " [desapego às coisas do mundo, total dedicação a Deus]

Francisco passou a reconstruir as igrejinhas caídas, com o seu próprio trabalho, assentando pedras, comendo do que lhe davam na mendicância da rua, e adotou como vestes trapos de eremita. [Conversão no modo de vida]

OS IRMÃOS / DEFINIÇÃO DOS CARISMAS

Depois que reconstruiu a Igreja de São Damião, restaurou também uma capela próxima aos muros de Assis e uma outra, a Igreja de Santa Maria dos Anjos, conhecida como porciúncula (que significa pequena porção de terra). Nesta, São Francisco decidiu permanecer, armando ao lado uma choupana para dormir. [Um simples "lugar" no mundo, sem constituir posses]

Com o tempo São Francisco compreendeu que deveria reconstruir a Igreja dos fieis e não somente as Igrejas de pedra. Durante uma missa na leitura do Evangelho ouve e compreende que os discípulos de Jesus não devem possuir ouro, nem prata, nem duas túnicas, nem sandálias... que devem pregar a Paz e a conversão. No dia seguinte os habitantes de Assis viram-no chegar, não mais com roupas de eremita mas com uma túnica simples, uma corda amarrada à cintura e os pés descalços. A todos que encontrava na caminho dizia. A paz esteja com vocês! [Vida de apostolicidade, peregrino]

São Francisco passou a falar da vida de Evangelho nos lugares públicos de Assis. Falava e agia com tamanha fé, que o povo que antes o zombara, agora o ouve com respeito e admiração. E assim, o bom Deus, quis que São Francisco tivesse irmãos de conversão. Aos poucos suas palavras foram tocando os corações - o primeiro foi Bernardo um nobre e rico amigo seu; depois Pedro Cattani. Estes, agindo conforme diz o evangelho, doaram tudo o que tinham aos pobres.. [Vida em Fraternidade, partilha, pobreza, desapego dos bens materiais]

Quando o grupo chegou a 12 irmãos, São Francisco decidiu ir até Roma e pedir ao Papa autorização para viverem a forma mais pura do Evangelho, conforme o desejo e a escolha que fizeram. O Papa achou que seria muito duro para eles esse modo de vida, porém deu permissão e também autorizou que eles pudessem pregar. Durante esse período de visita, o Papa teve um sinal profético e reconheceu em Francisco, o homem que em seu sonho segurava a Igreja como uma coluna. [Uma regra de vida segundo o próprio Evangelho, Formação da ordem I, Adesão a Igreja]

Muitos outros Irmãos foram se juntando ao grupo, desejando viver conforme Francisco. Os frades fizeram suas habitações em choupanas ao redor da Igrejinha da Porciúncula. Dividiam as atividades entre oração, ajuda aos pobres, cuidados aos leprosos, e pregações nas cidades, também se dedicavam às atividades missionários, indo 2 a 2 a lugares distantes e pagãos; eram alegres, pacíficos, amigo dos pobres .[Atividades e valores Franciscanos].

Uma grande preciosidade para São Francisco e a Ordem dos Frades Menores veio de uma jovem, de família nobre de Assis, chamada Clara. Ela procurou Francisco pedindo para viver o mesmo modo de vida, segundo o Evangelho. São Francisco ponderou sobre as duras condições que ela estaria se submetendo, mas a recebeu com grande alegria. Clara, depois de se alojar temporariamente num convento Beneditino, foi morar no conventinho ao lado da Igreja de São Damião, (que Francisco havia reconstruído). Ela ajustou o modo de vida dos Frades, para mulheres e recebeu, por sua vez, muitas companheiras de conversão. [Ordem II, igualdade de diretos homens e mulheres].

Muitos Cristãos ouvindo São Francisco, decidiram seguir o seu exemplo e ensinamento, alguns pediam conselhos, e São Francisco os orientava conforme o estado de vida de cada um. Para uma mulher e seu marido, que o procuraram, São Francisco recomendou servir ao Senhor permanecendo em casa. [Pensamento de Francisco que justifica a posterior criação da OFS]

DE ASSIS PARA O MUNDO / FRANCISCANOS HOJE

São Francisco assistiu ao crescimento da Ordem, que se espalhou por diversas partes do mundo. Embora a velhice não tenha chegado, seu corpo frágil se debilitou, agravado por um problema nas vistas que o deixou quase cego. [Embora doente, São Francisco sempre esteve pronto para o trabalho, principalmente a Evangelização].

Em certos períodos São Francisco se isolava para orações e jejum. Numa dessas ocasião, num monte chamado Alverne, de rochas gigantescas e escarpadas, o bom Deus quis que ele, que tanto buscou se assemelhar a Jesus, tivesse igualmente as feridas da crucifixão. Com muita dor mas intensa alegria, por ter as marcas de Jesus no próprio corpo, São Francisco recebeu as feridas que se mantiveram vivas até o fim de sua vida, 2 anos depois. [Coroamento de Deus, principalmente uma resposta pela sua fé]

Quando desceu o monte, ele que sempre quis caminhar a pé, se permitiu montar num burrinho, tal era a sua debilidade. Quando ele se aproximava das cidades, uma multidão já o aguardava - o povo, principalmente os pobres e doentes, desejava ir ao encontro de São Francisco. [Misericórdia, vontade de estar junto ao povo]

Pouco antes de morrer, de passagem por São Damião para despedir-se de Clara e suas irmãs, seu estado se agravou e ele teve que passar a noite ali, numa choupana, sob condições de intenso frio. Pela manhã São Francisco cantava um cântico que compôs em louvor a Deus, e que chamava de Irmão o sol, as estrelas, a lua, a terra, o vento e todas as criaturas. [Universalidade de São Francisco, visão do total, respeito a todas as criaturas]

Numa choupana junto à Porciúncula, no anoitecer do dia 3 de outubro de 1226, São Francisco pede aos irmãos que o dispam e o coloquem nu no chão, sobre a terra. Recitando o Salmo 142, que os irmão acompanhavam lentamente, São Francisco morreu cantando.

Fonte: www.ciofs.org

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