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Dia do Educador Ambiental

15 de Outubro

A relação entre o educador ambiental e o designer

Introdução

Os indivíduos estão cada vez mais afastados da natureza, cada vez mais presos e envolvidos nos centros urbanos, que não param de crescer, se multiplicar e ocupar áreas rurais. Esta distância entre o ser humano e a natureza não é somente física e espacial, também representa a ausência de um laço, uma relação, o desconhecimento do meio natural sem a interferência do homem.

Neste novo cenário, ambientes naturais são completamente estranhos às pessoas, que não se sentem como parte daquele meio; os valores de relação com a natureza perderam o sentido para a sociedade moderna, a distância se tornou tão grande que as pessoas não mais percebem como suas ações interferem no meio ambiente e como ele afeta suas vidas. Como resultado, surgem problemas como a poluição; o desmatamento desenfreado; a caça esportiva, ilegal ou irracional; e problemas maiores, como a ocorrência de furações com a intensidade e em lugares nunca antes vistos

Em nome das futuras gerações e do bem-estar do planeta é preciso que a sociedade adote um modo de vida sustentável, ou seja, que vise simultaneamente o crescimento econômico, o desenvolvimento social e a preservação da natureza. Todavia, a sustentabilidade é atingida somente mediante a consciência da população, a educação ambiental.

A educação ambiental é uma forma abrangente da educação. Sua proposta é, através de processos pedagógicos participativos, criar nos cidadãos uma visão sistêmica, fazê-los perceberem-se como parte de um sistema maior para que exista uma consciência crítica sobre os problemas ambientais.

A preocupação do designer é o desenvolvimento do projeto independentemente da metodologia. Tanto os produtos quanto os projetos gráficos são dotados de conceito e preocupações funcionais, semióticas e ergonômicas. Porém, poucos profissionais são capazes de entender esses objetos como mediadores das relações sociais; poucos são os trabalhos que se preocupam em também promover experiências e evocar sentimentos; ou seja, muitos projetos puramente funcionais e estéticos e poucos focam na relação entre os usuários e o entorno projetado.

O fato do projeto gráfico ou do produto evocar sentimentos ou promover experiências no usuário pode servir como ferramenta na educação ambiental ao compor o processo pedagógico; nesta definição, as pessoas assumem um papel central e as decisões visuais envolvidas não provêem de pressupostos estéticos universais: encontram-se entre a realidade dos indivíduos e a realidade a qual se objetiva alcançar após o contato entre as pessoas e as mensagens. Em outras palavras, trata-se da realidade construída através de experiências proporcionadas pelo projeto gráfico ou produto e seus respectivos sentimentos evocados.

Educação Ambiental

A educação ambiental é de responsabilidade da escola, dos meios de comunicação e também de toda a sociedade, e surgiu como resposta a necessidades que não estavam sendo plenamente atendidas pela educação formal tradicional. Em outras palavras, a educação deveria incluir conhecimentos, valores, capacidades e responsabilidades, aspectos que fomentassem relações éticas entre seres humanos, e entre as pessoas e a vida no planeta.

A educação ambiental se tornou necessária por não estar integrada à teoria formal da educação. Segundo a doutora em educação ambiental, Susana Padua, “Se educação fosse plenamente abrangente, prescindiria de adjetivos como educação ambiental, educação sanitária, educação sexual, e tantas outras. Todas as áreas estariam contempladas, o que facilitaria a formação de cidadãos atuantes e engajados em melhorias que afetam a coletividade.” (PADUA, S. 2007)

Para ser efetivo, um programa de educação ambiental deve promover o desenvolvimento de conhecimento, de atitudes e de habilidades para preservar e melhorar a qualidade ambiental. O processo se inicia nas escolas e expande pela vizinhança até chegar à cidade, a região, o país, o continente e o planeta. A aprendizagem será mais efetiva caso a atividade esteja adaptada às situações da vida da cidade ou do meio em que o aluno e o professor vivem.

Apesar do objetivo ser o mesmo, a preservação do meio ambiente, a educação ambiental entre os países é diferente. Enquanto nos países desenvolvidos a preocupação é a proteção da natureza; nos países em desenvolvimento há um enfoque no desenvolvimento comunitário, visando à inclusão social. Todavia, são os países menos desenvolvidos que, normalmente, abrigam uma maior diversidade de fauna e flora e, infelizmente, não possuem recursos para resguardá-la e acabam sofrendo perdas de áreas naturais entre inúmeros danos ambientais.

Para construir uma sociedade sustentável, Esteva e Reyes (1998:36) estabelecem os seguintes aspectos:

1. Criação e fortalecimento de uma consciência ética capaz de promover o respeito à vida e articular uma visão de mundo onde prevaleçam valores que permitam uma relação harmônica e de longo prazo entre a humanidade e a natureza;

2. Elevação do nível de compreensão entre os cidadãos no que diz respeito à gravidade dos problemas socioambientais para que estes não sejam menosprezados ou percebidos com fatalidade;

3. Adoção de elementos conceituais e práticos capazes de ampliar o nível de participação política e social das sociedades regionais e dos indivíduos para a formulação de propostas de desenvolvimento sustentável;

4. Difusão de conhecimentos e alternativas específicas que permitam os seres humanos, na qualidade de indivíduos e membros de um coletivo, a assumir condutas e adotar tecnologias coerentes para o desenvolvimento sustentável;

5. Contribuição para o estreitamento de vínculos de solidariedade e respeito entre os grupos sociais, na busca de uma justiça econômica para reforçar os esforços que visem o rompimento da relação entre a pobreza e a depredação ambiental. Com tais bases conceituais, a educação ambiental facilita a criação de uma cultura ambiental, intimamente ligada à ética ambiental, por incluir todos os seres e apostar na transformação social baseada em novos modelos de desenvolvimento.

Histórico

Enquanto muitos autores apontam como marco da Educação Ambiental as grandes crises ambientais da década de 70, é possível afirmar, sob uma ótica elementar, que a temática emergiu na segunda metade do século XIX. Em 1864, o norte-americano Georges Perkins Marsh lançou o livro “O Homem e a Natureza” e, apenas cinco anos depois, Ernst Haeckel cunhava o termo “ecologia” como a definição dos estudos realizados sobre as relações entre as espécies e seu ambiente.

No plano internacional, é importante apontar um fato ocorrido no início da segunda metade do século XX que foi um momento relevante para a história educação ambiental.

Em 1952 houve um acidente de poluição do ar ocorrido em Londres por conseqüência da industrialização, causa a morte de aproximadamente 1.600 pessoas.

Diante da necessidade de compreender o ocorrido, organizou- se a “Conferência de Educação da Universidade de Keele” em 1965 – onde, pela primeira vez, utilizou-se o termo “educação ambiental”, apesar de, naquela época, estar associado diretamente à ecologia. Trava-se apenas de conservação ambiental conduzida por biólogos.

As concepções iniciais de educação ambiental emergiram com as primeiras crises ambientais da década de 70, conseqüência das práticas industriais insustentáveis, que indicaram a necessidade de se repensar à educação e a relação do homem com a natureza. A primeira definição de educação ambiental surgiu na referida década, em um workshop da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) em Carson City, no Estado Americano de Nevada.

Novas iniciativas de foco ambiental rapidamente emergiram e, em 1872, é criado na Conferência Intergovernamental do Ambiente Humano, em Estocolmo, Suécia, o Programa de Ambiente das Nações Unidas (UNEP).

Também foi o ano em que estabeleceu-se o primeiro Parque Nacional do mundo; “Yellowstone”, localizado nos Estados Unidos da América, mostrou-se um exemplo de iniciativa e, em 1896, o Brasil inaugurava seu primeiro parque estadual: o “Parque da Cidade”, no Estado de São Paulo.

Em 75 ocorre em Belgrado mais um workshop sobre Educação Ambiental, onde é elaborada a Carta de Belgrado sobre educação ambiental e é lançado o Programa Internacional de Educação Ambiental (IEEP) da UNEP/ UNESCO. A Carta de Belgrado atenta para a juventude, dizendo que ela precisa de uma nova educação, um novo tipo de relacionamento entre estudantes e professores; escolas e comunidades; sistemas educacionais e sociedades.

No ano de 77, em Tbilisi, ex-União Soviética, a Primeira Conferência Intergovernamental de Educação Ambiental, onde foram definidos os objetivos da educação ambiental:

1. O desenvolvimento de consciência e sensibilidade entre indivíduos e grupos sobre problemas globais e locais;

2. O aumento de conhecimentos que permitem uma maior compreensão sobre o meio ambiente e os problemas a ele associados;

3. Mudanças de atitude e valores para encorajar sentimentos de preocupação com o meio ambiente e motivar ações que o melhorem e protejam;

4. O desenvolvimento de capacidades que possam ajudar indivíduos e grupos a identificar e resolver problemas ambientais;

5. A promoção da participação, que significa o envolvimento ativo em todos os níveis da proteção ambiental(Czapski, 1998; Dias, 1993; Pedrini, 1998).

Os princípios definidos em Tbilisi são a base de discussão sobre educação ambiental no mundo e no Brasil. Nenhuma das reuniões que se seguiram contestaram o proposto, optaram por analisá-lo e encontrar meios para colocá-lo em prática. O desafio é sair da generalidade e das visões amplas e adequar os princípios aos diferentes contextos.

Em 1968, a UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, realizou um estudo interdisciplinar com foco na relação entre o meio ambiente e a escola. Assim, a UNESCO entendeu que a educação ambiental não deve ser limitada, simplesmente, a uma disciplina específica no currículo escolar. Fora essa interpretação que gerou, em 1999, a Política Nacional de Educação Ambiental, instituída pela Lei n.º 9.795/99, que no art. 10, §1º, dispõe: “A educação ambiental não deve ser implantada como disciplina específica no currículo de ensino”.

Design e Educação Ambiental

A educação ambiental, uma abordagem interdisciplinar, comporta profissionais de distintas áreas, não sendo o design uma exceção.

Segundo o designer argentino Jorge Frascara (2000), o design pode ser uma ferramenta efetiva para lidar com problemas sociais e amenizá-los significativamente, desde que a comunicação esteja pautada na realidade à qual se objetiva que os indivíduos tenham contato. Frascara afirma que, para isso, é necessário um cuidadoso estudo do público quando se tenta gerar mudanças em suas atitudes e comportamentos.

Para melhor perceber o público, o autor afirma que devemos buscar a interdisciplinaridade para entender as deficiências. Na Sociologia, contextualizar a atividade do designer no meio social. Na psicologia, entender os estudos da percepção. Na Antropologia, compreender as noções de cultura e diversidade cultural. Nas Ciências da Educação, entender os aspectos relativos à aprendizagem.

No Marketing, especificamente no Marketing Social, compreender as condutas coletivas do público. Finalmente, na área das Ciências Sociais, Jorge Frascara diz que encontraremos uma experiência multidisciplinar para enfrentar as diversas áreas e os diferentes potenciais de indivíduos distintos.

Ao melhor compreender seu público, o designer conseguirá imergir-se na realidade de seu usuário e causar uma comunicação efetiva. Assim, será capaz de estabelecer experiências e evocar sentimentos através da produção gráfica ou produto.

Como apontado anteriormente, ainda são poucos os profissionais que desenvolvem projetos com enfoque no usuário e nos sentimentos evocados. Para melhor ilustrar este ponto, apresento campanhas com intuito de educar ambientalmente seguidas de breves comentários.

Dia do Educador Ambiental

Dia do Educador Ambiental

É possível observar nas imagens apresentadas aCIMA conceitos muito bem definidos, assim como preocupações ergonômicas. Todavia, é importante apontar que ambas as campanhas representam realidades muito distantes do público, o que não estabelece uma identificação entre o usuário e a mensagem.

A campanha a direita apresenta um enfoque diferenciado do que, atualmente, é possível observar no mercado.

Os designers em questão focaram-se no sentimento do animal ao estar encarcerado, mas, ainda sim, não construíram junto com o usuário uma comunicação efetiva. Isto ocorre, pois, apesar de abordá-lo momentaneamente, a experiência cumprida não estabelecerá um vínculo de longo prazo por não se tratar de uma realidade próxima ao usuário.

O objeto representado pela figura localiza na parte inferir da página é a síntese do pensamento apresentado. Ele estabelece, junto com o usuário, a mensagem do desperdício de papel. Provavelmente, o público refletirá sobre a questão e evitará retirar papel em excesso.

Considerações Finais

Não basta a educação ambiental estar dentro do modelo formal de educação, pois ele mesmo precisa sofrer alterações para acompanhar a evolução da sociedade. Cabe ao designer, como agente transformador, estabelecer novas relações entre a demanda dos usuários e o método como será transmitido o conteúdo. Assim, tornará um exercício contínuo a imersão no usuário, a criação de uma identificação e o estabelecimento de um vínculo contínuo.

Bibliografia

LEITE, Ailton Santos. O Design, as novas mídias e a Educação na construção de uma cidadania ambiental.
FRASCARA, Jorge. Diseño Gráfico para la gente: Comucaciones de masa y cambio social. Ed. Infinito, Buenos Aires, 2000.
PADUA, Suzana. Educação Ambiental em Destaque. O ECO, 24.04.2006.
____________. Potencial transformador do jovem. O ECO, 14.01.2006.
____________. Pensamentos sobre Educação Ambiental II. O ECO, 30.07.2007.
____________. Perspectivas sobre Educação Ambiental I. O ECO, 17.01.2007.
Marc Dourojeanni. Educação Pública Ambiental. O ECO, 12.08.2006.
ARAÚJO, T. C. d´Ávila. Principais marcos históricos mundiais da educação ambiental. www.ambientebrasil.com.br, acessado em 23/05/2008.

Fonte: www.dad.puc-rio.br

Dia do Educador Ambiental

15 de Outubro

Segundo o famoso geógrafo Aziz Ab´Saber, educação ambiental " é um processo que envolve um vigoroso esforço de recuperação de realidades e que garante um compromisso com o futuro. Uma ação entre missionária e utópica, destinada a reformular comportamentos humanos e recriar valores perdidos ou jamais alcançados. Trata-se de um novo ideário comportamental, tanto no âmbito individual como coletivo".

O Educador Ambiental atua diretamente com crianças, empresas e comunidade, no sentido de conscientizá-las da necessidade de uma mudança correta de atitudes.É impossível falar em Educação Ambiental voltando-nos exclusivamente para a escala planetária ou para a escala nacional. Pelo contrário. Ela envolve todas as escalas. Começa em casa. Atinge a rua e a praça. Engloba o bairro. Ultrapassa as periferias. Repensa o destino dos bolsões de pobreza. Atinge as peculiaridades e diversidades regionais para, só depois, integrar, em mosaico, os espaços nacionais.

Trata-se de um processo educativo que envolve ciência e ética e uma renovada filosofia de vida. Trata-se de mudar enfoque, ajudando a preservação da biodiversidade; reintroduzindo a vegetação onde for possível; seqüestrando o gás carbônico liberado para a atmosfera nos últimos 100 anos da Revolução Industrial; multiplicando os bancos de germoplasmas necessários à produção de alimentos; reintroduzindo biomassas de interesse ambiental, social e econômico.

Exige método, noção de escala, boa percepção das relações entre tempo, espaço e conjunturas, conhecimentos sobre diferentes realidades regionais. E, sobretudo, códigos de linguagem adaptados às faixas etárias do alunado. É um processo que necessariamente revitaliza a pesquisa de campo, por parte dos professores e dos alunos. Implica em um exercício permanente de interdisciplinariedade. É um passo importante para a cidadania.

Fonte: Vale Verde

Dia do Educador Ambiental

15 de Outubro

A EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO INSTRUMENTO DE MUDANÇA NA CONCEPÇÃO DE GESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS DOMICILIARES E NA PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE

1 - Crise ambiental e busca de sustentabilidade

Nos últimos tempos, a sociedade capitalista tem poluído a natureza pelo consumo exagerado de produtos industrializados e tóxicos que, ao serem descartados, acumulam-se no ambiente, causando danos ao planeta e à própria existência humana.

A produção de resíduos em larga escala - entenda-se não só no sentido de resíduos sólidos, mas também no sentido social: miséria, fome e exclusão - caracteriza a sociedade de consumo que vem do século passado e avança neste início do terceiro milênio.

O lucro, como corolário da ação empresarial, continua a ser o objetivo teleológico do modo de produção capitalista, caracterizado pela economia de mercado, hoje ancorada no neoliberalismo. Em decorrência, está ele diretamente ligado ao consumo sem limites que traz o desperdício e a grande produção de resíduos. A manutenção da produção de maneira a atender o crescente consumo requer, ao mesmo tempo, o uso cada vez maior de recursos naturais e energéticos.

Considerando a articulação entre Ecologia e Economia, no padrão civilizatório do capitalismo industrial globalizado, verifica-se que a atual forma produtiva da economia de mercado baseia-se numa tecnosfera que produz uma grande pegada ecológica (resíduos, poluição) e envenenamento da biosfera (Layrargues, s/d). Existe atualmente uma enorme diferença de ritmos e intensidade entre o metabolismo industrial e o biológico, este último baseado nos ciclos de auto-eco-organização dos sistemas naturais, que realizam sem cessar as transformações entre energia e matéria em todo o planeta.

Pode-se afirmar que a apropriação privada dos recursos naturais, guiada pela lógica capitalista do lucro, com seus ritmos produtivos artificiais lineares e em aceleração crescente, é o fator responsável pela crise ambiental e pela grande quantidade de lixo gerado na produção e no consumo.

Assim, a crescente ameaça de colapso ambiental e de esgotamento de recursos, e a necessidade de encontrar soluções, explicam um movimento também crescente na revisão de paradigmas, no sentido de pensar as condições de operacionalização social, política e tecnológica do desenvolvimento sustentável.

Nas discussões sobre os rumos do processo de destruição da natureza, desde a Conferência de Estocolmo (1972), Sachs propôs o conceito de ecodesenvolvimento, depois ampliado para desenvolvimento sustentável. Ele enfatizou a necessidade de se planejar formas de harmonização entre atividades socioeconômicas e o trabalho de gestão do meio ambiente, buscando “aquele desenvolvimento que atenda às necessidades do presente, sem comprometer as possibilidades das gerações futuras atenderem às próprias”. Esta concepção incorpora as diferenças entre países e culturas, além de implicar na integração entre meio ambiente e estrutura socioeconômica - num processo que melhora as condições de vida das comunidades humanas e, ao mesmo tempo, respeita os limites da capacidade de carga dos ecossistemas. (Sachs: 1993).

Não se pode, pois, separar a sociedade da natureza, pois a natureza não é um espaço passivo à disposição do homem, como tem sido entendido nestes últimos séculos, mas um movimento dinâmico, cíclico, em que a inter-relação e a interdependência garantem sua reprodução e manutenção.

Sachs nos diz que não se trata de crescer menos ou negar o desenvolvimento, mas reconhecer que o limite é uma categoria necessária para planejar as ações futuras.

Então, a idéia de sustentabilidade implica na articulação entre passado, presente e futuro, natureza e cultura, tecnologia e relações humanas, no sentido de possibilitar a realização dos ciclos necessários à existência de uma humanidade social e ambientalmente equilibrada. (Dansa & Mourão;1998)

Nesse sentido, as estratégias de sustentabilidade, tanto urbana quanto rural, devem levar em conta a complexidade das dimensões de envolvidas nos processos ambientais considerados, tal como colocado por Sachs(1993:37);(2000), ao destacar os aspectos sociais, ecológicos, espaciais, culturais e políticos do planejamento.

Dentre estas dimensões, interessa-nos aqui discutir as questões ligadas ao papel do Estado, da sociedade civil e da Educação no processo de gestão ambiental e, particularmente, dos resíduos sólidos urbanos.

2 - Políticas públicas - o papel regulador do Estado

O neoliberalismo busca adaptar os princípios do liberalismo econômico às condições do capitalismo moderno, ou seja, adaptado à realidade de um mundo em que a não-intervenção do Estado na economia é um ideal. A meta seria a intervenção mínima do Estado deixando o mercado ditar os rumos.

A visão neoliberal,

“ainda que na aparência se valha do desmantelamento do Estado, busca, na verdade, a conquista do mesmo, como forma de viabilizar a construção de um outro Estado: onde o mercado substitua as formas de mediação entre os diferentes atores sociais; onde a concorrência substitua a cooperação; onde o eu substitua o nós” (Bursztyn,M. 1998: 155)

história da cultura ocidental, culmina na crise ambiental e social da atualidade, em função da pressão socioambiental.

A racionalidade econômica capitalista gera uma tensão antagônica entre o interesse comum e o privado, pois opera a partir de uma construção ideológica do particular enquanto isolado do coletivo. No entanto, a crise ambiental coloca à visão neoliberal o desafio de responder à necessidade de regulação coletiva, a partir da intervenção do poder público em favor dos interesses comuns de preservação da vida no planeta.

Em toda parte, salvo nos países socialistas - até os anos 80 - foram sendo criadas estruturas governamentais voltadas para a regulamentação e para a fiscalização das atividades causadoras de danos ambientais.

Atualmente, a necessidade de regulamentação ambiental tornou-se mais intensa e é considerada indispensável diante do fato de que:

“o meio ambiente envolve uma categoria de riscos e de danos onde os problemas se apresentam com acuidade bem particular (cadeias de causalidade extensas e múltiplas, responsabilidades divididas, caráter de massas e coletivo dos riscos, à saúde das pessoas).Trata-se de um terreno em que as acomodações com a doutrina individualista da responsabilidade parecem difíceis de evitar. Da mesma forma que para o tráfego de veículos,a minimização de riscos pessoais implica a aceitação de certas regras e restrições públicas.” (Lepage,1989: 327 apud Bursztyn 1994: 85)

Por esta razão, o Estado não pode ser o Estado mínimo, como defendido pelo liberalismo, mas o Estado necessário para exercer essa função reguladora em defesa do meio ambiente. Essa função se refere, basicamente, à criação de instrumentos legais que definam as bases de políticas públicas adequadas à gestão ambiental.

No que diz respeito à legislação sobre resíduos sólidos domiciliares, existem mais de 50 instrumentos legais tratando de múltiplos aspectos do gerenciamento dos resíduos, incluindo preocupações com o controle da poluição, a preservação dos recursos naturais e a ocupação do solo urbano. São tratados internacionais, leis, resoluções, decretos e portarias. No Brasil, compete à União o disciplinamento geral da matéria, e aos municípios e ao Distrito Federal o estabelecimento de regras específicas.

Mandarino (2000) analisou a legislação em vigor no DF a partir de dois parâmetros: a eficácia dos instrumentos legais e sua adequação à base conceitual dos resíduos sólidos, e a efetividade desses instrumentos, face às práticas comuns no Distrito Federal, de destinação final do lixo domiciliar. Constatou que o arcabouço legal necessita de urgente sistematização, com vistas à superação de suas falhas, como confusões conceituais, omissões e ambigüidades, fatores que comprometem seu cumprimento, uma vez que carecem da explicitação de parâmetros e critérios para a matéria, embora seja pródigo em comandos genéricos.

Em nível nacional, o Brasil está adotando providências visando à criação de um aparelhamento jurídico que possibilite a regulação dos resíduos. A proposta de lei que dispõe sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos1 sugere que esta política seja desenvolvida em consonância com as Políticas Nacionais de Meio Ambiente, de Recursos Hídricos, de Saneamento e de Saúde, de acordo com os objetivos, princípios, fundamentos, diretrizes, instrumentos, planos e programas adotados na lei. Esta política prevê regulamentações e sanções pelo seu descumprimento.

Segundo Bursztyn, a responsabilização é uma das condições necessárias para criar bases para o estabelecimento de mecanismos regulatórios que disciplinem e compatibilizem interesses difusos de um sistema de decisões complexo.

Neste sentido, é preciso que, num sistema democrático, o poder público se articule às forças organizadas da sociedade civil e promova espaços de debate e negociação de interesses, visando a consolidação de princípios norteadores para políticas públicas voltadas às questões socio-ambientais.

3 - A relação poder público/sociedade civil

A pressão política do modelo neoliberal pela supressão das mediações do Estado nas relações de mercado, produz a redução progressiva do trabalho assalariado, o crescimento da terceirização e da economia informal, o que gera, no nível micropolítico, a perda do enraizamento da cidadania nas formas organizativas tradicionais da sociedade civil .

Essa disjunção entre economia e cidadania, responsável pelos antagonismos e tensões entre o poder público e a sociedade civil, vem sendo re-visitada na literatura acadêmica com foco na capacidade de auto-eco-organização das comunidades e do poder público no âmbito local:

"A modernidade implica numa visão política de que participar na construção de seu espaço de vida, mais do que receber presentes das 'autoridades', constitui uma condição essencial da cidadania. Implica numa visão institucional menos centrada nas 'pirâmides' de autoridade, e mais aberta para a colaboração, as redes, os espaços de elaboração de consensos e os processos horizontais de interação" (Dowbor, 1999:126)

"O poder local, com seus instrumentos básicos, que são a participação comunitária e o planejamento descentralizado, constitui um mecanismo de ordenamento político e econômico de grande eficiência" (Dowbor, op cit::83)

"O poder local, como sistema de organização de consensos da sociedade civil num espaço limitado, implica alterações no sistema de organização da informação, reforço da capacidade administrativa e um amplo trabalho de formação tanto da comunidade como na própria máquina administrativa" (Dowbor, op cit : 72)

Neste sentido, é preciso compreender a construção democrática de políticas públicas como um processo que envolve necessariamente a existência de espaços e redes de articulação entre o poder público e a sociedade civil.

Esse processo vem dar visibilidade a um novo modo de reconstrução da polis, a partir de uma busca da autonomia organizativa das comunidades locais, com base nas necessidades compartilhadas de sobrevivência, de saúde psicofísica e socioambiental, as quais podem e devem ser o ponto de partida para uma re-conexão entre ecologia, ética e política.

É aí que se insere o papel da Educação, atuando sobre as raízes dos processos de disjunção e insustentabilidade das situações de crise socioambiental.

4 - A compreensão dominante de Educação Ambiental

A Educação Ambiental-EA tem sido muito discutida em nível mundial e local, resultando em documentos relevantes para a visibilidade da questão.

A Conferência de Tbilisi (1977) definiu a EA como:

“um processo permanente no qual os indivíduos e a comunidade tomam consciência de seu meio ambiente e adquirem o conhecimento, os valores, as habilidades, as experiências e a determinação que os tornam aptos a agir - individual e coletivamente- a resolver os problemas ambientais.”

Por ocasião da Rio/92 foram produzidos três documentos importantes para a validação da EA no âmbito internacional: Agenda 21 (elaborada pelos chefes de estado), o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global (elaborado pelo Fórum Global, realizado paralelamente por ONGs de todo o mundo) e a Carta Brasileira de Educação Ambiental (elaborada pela coordenação do MEC).

No Brasil, a Lei 9.795 de 27/04/99, dispõe sobre a Educação Ambiental e institui a Política Nacional de Educação Ambiental, que é definida como:

“processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade.”

Os princípios básicos são: enfoque humanista e participativo; concepção do meio ambiente em sua totalidade; pluralidade de idéias e concepções pedagógicas, na perspectiva de inter, multi e transdisciplinaridade; vinculação entre a ética, a educação, o trabalho e as práticas sociais; garantia de continuidade e permanência do processo educativo; abordagem articulada das questões ambientais locais, regionais,nacionais e globais; reconhecimento e respeito à pluralidade e a diversidade individual e cultural.

Embora a EA seja definida nestes documentos como um processo dinâmico integrativo, transformador, participativo, abrangente, globalizador, permanente e contextualizador, há um aspecto que é praticamente escamoteado nestas definições.

Trata-se de conceber a Educação como um instrumento no processo de gestão ambiental, postulando-se a necessidade de criação de espaços democráticos de exercício do poder de gestão. Uma tal concepção implicaria em se prever formas de compartilhamento com as populações locais envolvidas nas questões ambientais das informações necessárias à compreensão da complexidade dessas questões, bem como a criação de espaços de decisão quanto às políticas públicas a serem adotadas.

Neste sentido, a Agenda 21 Brasileira, recém concluída (julho/02), contém algumas indicações interessantes a respeito, da dimensão política da sustentabilidade que, embora não diretamente articuladas às questões da Educação, valem ser destacadas:

"O planejamento governamental deve ser um processo de negociação permanente entre o Estado e as instituições da sociedade"

"Negociar é assumir as diferenças e reconhecer nos conflitos de interesse a essência da experiência e dos compromissos democráticos. As lutas, os conflitos e as dissidências são formas pelas quais a liberdade se converte em liberdades públicas concretas. Desse modo, o compromisso democrático impõe a todas as etapas do processo de planejamento o fortalecimento de estruturas participativas e a negação de procedimentos autoritários, que inibem a criatividade e o espírito crítico"

(Introdução - "Democracia participativa e as lições aprendidas", p. 1)

Existem aí também algumas referências indiretas ao processo educativo necessário à implementação das propostas transformadoras, incluídas no "Objetivo 20 - Cultura cívica e novas identidades na sociedade da comunicação - A formação de capital social" ( 86-87):

"A longa crise do Estado em países onde o setor público foi o grande propulsor do desenvolvimento, gerou um vazio político que só poderá ser preenchido com o fortalecimento e a capacitação da sociedade civil para dividir responsabilidades e conduzir ações sociais de interesse público."

Dessa forma, ainda nos deparamos com um discurso fragmentado e uma visão compartimentada sobre os potenciais transformadores de um processo educativo que possa ser utilizado como instrumento viabilizador da sustentabilidade política da gestão ambiental.

5 - A Educação no processo de gestão ambiental

Atualmente, falar em resíduos sólidos domiciliares, nos reporta à Coleta Seletiva e à política dos 3 Rs: reduzir o consumo, reaproveitar e reciclar os resíduos. Mas a ênfase dos programas de coleta seletiva está no reaproveitar e no reciclar e não no reduzir o consumo, que é o principal problema. Há uma insustentabilidade da estrutura sócio-ambiental das cidades, tanto das relações entre as pessoas, como das relações das pessoas com a natureza e com os seus resíduos.

Para que estas relações sejam viáveis, é necessário que haja uma Educação integrada no processo de Gestão Ambiental que:

“proporcione as condições necessárias para a produção e aquisição de conhecimentos e habilidades, e, que desenvolva atitudes, visando à participação individual e coletiva na gestão do uso de recursos ambientais e na concepção e aplicação das decisões que afetam a qualidade dos meios físico-natural e sóciocultural.” (Quintas, J. 2000: 18)

A Educação entendida como um dos instrumentos básicos e indispensáveis à sustentabilidade dos processos de gestão ambiental traz o foco para a importância de se considerar as questões de cidadania a partir do universo cognitivo, comunicativo e socio-político dos sujeitos que dão suporte às ações implementadas, suas relações inter-subjetivas e inter-grupais, suas diferenciações socio-econômicas, culturais e ideológicas.

O enfoque na Educação traz, assim, a necessidade de compreensão das raízes das questões tratadas a partir de um olhar complexo e multirreferencial, capaz de integrar os pontos de vista antropológico, sociológico e psicológico, como suporte para a razão econômica e política.

Para que a EA possa contribuir nesse processo, é preciso que o educador ambiental atue como um intérprete:

...“a busca dos sentidos da ação humana que estão na origem dos processos socioambientais parece sintetizar bem o cerne do fazer interpretativo em educação ambiental. Ao evidenciar os sentidos culturais e políticos em ação nos processos de interação sociedade-natureza, o educador seria um intérprete das percepções –que também são, por sua vez, interpretações –sociais e históricas – mobilizadoras dos diversos interesses e intervenções humanas no meio ambiente. Bem ao contrário de uma visão objetivadora, na qual interpretar o meio ambiente seria captá-lo em sua realidade factual, descrever suas leis, mecanismos e funcionamento, trata-se aqui de evidenciar os horizontes de sentido histórico-culturais que configuram as relações com o meio ambiente para uma determinada comunidade humana e num tempo específico.” (Carvalho,I. 2001:32)

Compreender os sentidos culturais e políticos implica em perceber suas formas de construção e enraizamento na vida cotidiana. Podemos utilizar, aqui, a noção de habitus, criada por Bourdieu (1972) para referir-se aos fenômenos de imprinting dos padrões culturais na vivência cotidiana dos indivíduossujeitos. Bourdieu fala de um sistema de disposições duráveis que se torna matriz de representações e ações, de acordo com a posição dos sujeitos na estrutura social.

No que se refere à racionalidade do lucro capitalista, esta dimensão aponta para as repercussões das ideologias do individualismo e do consumismo na formação da ética pessoal e grupal, incompatíveis com a lógica do cuidar.

O ethos que confere sentido a essa racionalidade pode ser detectado a partir dos valores e ideologias que dão suporte intersubjetivo à cultura capitalista e reproduzem as estratégias socioeconômicas, tais como a competição, a negação da cooperação, o individualismo, a acumulação de riqueza em detrimento da distribuição igualitária. Do ponto de vista da produção, esta ética está presente nas tensões entre capital e trabalho, entre o público e o privado, aparece sob a forma da obsolescência planejada dos produtos-mercadorias, e, no caso do capitalismo globalizado, tensiona as relações entre as necessidades coletivas, enquanto bem comum, e os interesses privados das empresas multinacionais. No processo de consumo, manifesta-se na face da descartabilidade, do desperdício, da geração de necessidades artificiais e dos resíduos não reciclados que contaminam o meio ambiente e degradam a qualidade de vida.

Buscando entender microfisicamente os efeitos destes fenômenos nas dimensões pessoal e coletiva dos comportamentos e estilos de vida, Guattari afirma que:

"o lucro capitalista é, fundamentalmente, produção de poder subjetivo. Isso não implica uma visão idealista da realidade social: a subjetividade não se situa no campo individual, seu campo é o de todos os processos de produção social e material" (Guattari, 1986: 24) "Assim como o capital é um modo de semiotização que permite ter um equivalente geral para as produções econômicas e sociais, a cultura capitalística é o equivalente geral para as produções de poder. As classes dominantes sempre buscam essa dupla maisvalia: a mais-valia econômica, através do dinheiro, e a mais-valia de poder, através da cultura-valor. Considero essas duas funções inteiramente complementares. Elas constituem, juntamente com o poder sobre a energia - a capacidade de conversão das energias umas nas outras - os três pilares do capitalismo mundial integrado.” (Guattari, op cit:24)

O fato da perda cultural de conexão humana com os processos biológicos cíclicos dos ecossistemas repercute na dimensão pessoal e intersubjetiva sob a forma de um desenraizamento físico, emocional e mental que faz dos indivíduos peças atreladas à máquina de produzir necessidades artificiais, representada pela mídia mercadológica. A perda das raízes ecológicas se traduz na insatisfação consumista, na identificação ideológica da felicidade com o ter, e contamina os padrões de sentimentos e percepções intersubjetivas, nas relações com a família, com o território, com a comunidade e com a história.

Nesse contexto, o entendimento da questão da gestão dos resíduos, da coleta seletiva, pelo viés da cidadania, passa necessariamente pela busca de participação política para a superação das carências cotidianas. Para isso, é preciso também que os processos educativos venham a superar a dicotomia entre indivíduo e coletividade, atuando na rede de significados que é a própria cultura, e reforçando sua função de suporte e linguagem para uma percepção dos interesses comuns compartilhados, que são a essência da cidadania e do poder local.

O processo participativo pode propiciar às pessoas e às comunidades uma reflexão contextualizada sobre a realidade e proporcionar formação e capacitação para organizações coletivas democráticas. Nos processos grupais, a participação, quando existe de fato, é necessariamente educativa. Propicia níveis cada vez mais elevados de consciência e organicidade.

Na medida em que se produz essa participação consciente e orgânica dos grupos comunitários, darse- ão ações concretas de transformação social e, dessa maneira, conseguir-se-á influir, direta ou indiretamente, na transformação da realidade.

A participação só pode ser aprendida e aperfeiçoada se for praticada. Faundez (1993) e Dowbor (1999) colocam como condições necessárias para o aprendizado da participação o sentimento de pertencimento ao grupo, o diálogo e a determinação das necessidades coletivas. Estas condições podem dar sustentação à construção do conhecimento necessário ao desenvolvimento da cidadania e ao poder e capacidade para a tomada de decisões.

6 - Um olhar sobre a gestão dos resíduos sólidos urbanos do ponto de vista da sustentabilidade: pontos críticos das atuais experiências brasileiras

Em termos de uma Ecologia Urbana, entendida aqui no sentido da dinâmica que sustenta a vitalidade do ecossistema socioambiental urbano, podemos afirmar que as cidades brasileiras contemporâneas são ecossistemas em constante ameaça de colapso, devido ao crescimento desordenado e à enorme pegada ecológica que suscitam para sua reprodução (alimentos, insumos externos como água, lixo, energia, extração de matérias-primas, impermeabilização do solo, emissão de gases, etc.), sem que haja reposição ou correção eficaz desses efeitos.

O sistema socioeconômico não gera espontaneamente as suas condições de reprodução e as políticas públicas têm sido ineficazes nesse sentido. A ecologia urbana vem se degenerando pela perda da característica fundamental de auto-eco-organização que é a marca da sustentabilidade dos sistemas vivos no planeta.

De um modo geral, o aumento do lixo urbano nos últimos 40 anos se deve à produção indiscriminada de embalagens não recicláveis (multiplicadas principalmente através do sistema de franquias), aos hábitos alimentares artificializados (fast-food e congelados), ao lixo doméstico, industrial, comercial, e dos serviços de saúde.

Olhando as experiências brasileiras existentes na gestão dos resíduos sólidos urbanos, identificamos alguns pontos críticos que desejamos ressaltar. Estamos considerando principalmente as experiências de Porto Alegre, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Brasília e São Paulo. Embora existam, evidentemente, diferenças qualitativas marcantes entre essas experiências, queremos ressaltar pontos comuns, quanto a seus efeitos sobre a ecologia urbana.

Em primeiro lugar, as políticas públicas para o setor não adotam como ponto de partida um conhecimento objetivo da complexidade do sistema socioeconômico que gera os resíduos e, portanto, já partem de um desconhecimento sobre os pontos críticos apontados acima. Dessa forma, estas propostas tendem a permanecer atreladas à lógica de mercado, sendo automaticamente orientadas pela ética que acompanha essas relações, e, assim, deixando de promover qualquer mudança significativa de valores e práticas que possam reverter a insustentabilidade do padrão vigente.

Por exemplo, não se modificam os padrões de concentração de renda e a dependência do mercado para os setores da população com inserção indireta (catadores). O valor gerado a partir da transformação do lixo em mercadoria ("resíduo") é desigualmente distribuído entre os atores do processo de comercialização (os catadores ficam, em média, com 20% do valor), e só existem investimentos do poder público em relação aos resíduos cuja reciclagem é de interesse das empresas, que compram os resíduos recicláveis para diminuir seus custos de produção. Isto significa que as políticas públicas não privilegiam as necessidades sociais ao definir suas diretrizes, colocando-se, a priori, a serviço dos interesses particulares do capital. No caso, por exemplo, do alumínio, o que realmente é privilegiado como produto do sistema de gestão de resíduos é a eco-eficiência das empresas que fazem uso do mesmo como matéria-prima (Cf. Layrargues, s/d e Nunesmaia, 2001)

Não existe também, na ideologia da reciclabilidade, uma atitude crítica quanto aos valores e a hierarquia de necessidades que foi definida no Fórum Global 92: 1º reduzir (consumo e obsolescência planejada); 2º reutilizar; 3º reciclar (interesse das empresas - redução de custos de produção). Além de privilegiar a racionalidade de mercado, os projetos implantados pelo poder público restringem-se aos aspectos técnicos do sistema de gestão, descuidando-se da dimensão educativa/comunicativa que é o instrumento básico para priorizar o reduzir e o reutilizar na hierarquia dos valores da gestão.

Dessa forma, tanto as unidades familiares, que geram lixo pelo consumo, quanto as empresas, que geram lixo no processo de produção e colocação no mercado, não são atingidas por propostas concretas de mudança dos hábitos de consumo e produção. Além disso, os modelos de organização implementados na inserção dos catadores no sistema de gestão estão pautados pelo viés da terceirização, fazendo com que os mesmos se encontrem sempre sob o controle da indústria da reciclagem e com pouca margem de negociação quanto aos preços de mercado.

Não existe, portanto, nas políticas públicas para o setor, a intenção explícita de gerar novas formas organizativas capazes de dar autonomia, consciência crítica e poder de modificar sua qualidade de vida, aos indivíduos e grupos ligados aos serviços de catação, separação e comercialização do lixo urbano (faça-se a ressalva dos projetos desenvolvidos em Belo Horizonte, cf. Nunesmaia, 2001)

Ainda um outro ponto crítico a ser destacado é que as práticas de inserção desses segmentos sociais no sistema de gestão geram conflitos de interesses (quanto ao acesso ao lixo de melhor qualidade e ao controle dos preços) tanto entre catadores e os outros atores do sistema, tais como escolas, poder público, empresas, quanto entre os próprios grupos de catadores, que passam a concorrer entre si a partir de uma variedade de formas organizativas.

Podemos dizer, assim, que os pontos críticos das experiências brasileiras em gestão de resíduos urbanos resumem-se numa incapacidade das políticas públicas de tocar na essência da crise ambiental, que é a questão da insustentabilidade dos padrões de relação socioambiental vigentes.

7 - A gestão integrada de resíduos sólidos urbanos

É comum encontrarmos a palavra "integrada" como qualificativo das propostas de sistemas de gestão de resíduos sólidos. No entanto, se levarmos às últimas conseqüências o sentido dessa qualificação, observaremos que ela deveria trazer para os sistemas de gestão propostos, a natureza participativa essencial para que uma verdadeira integração ocorra entre os atores e setores inseridos nos mesmos.

No sentido da complexidade que caracteriza as questões ambientais, uma verdadeira integração implica em circularidade e retro-alimentação do sistema, com mecanismos de correção dos desvios e atenção às novas emergências surgidas no processo de desenvolvimento.

Essa integração exige a criação de redes relacionais de sustentação da comunicação entre os atores, que, no caso dos resíduos sólidos urbanos, são os produtores, catadores, o poder público, os serviços privados, os intermediários e as empresas que utilizam os resíduos como matéria prima.. Por outro lado, a gestão integrada deve implicar na necessidade de compreender a complexidade da questão socioambiental, ou seja, da ecologia urbana que é alvo do sistema de gestão proposto, o que inclui conhecer a natureza das fontes geradoras de resíduos, seus impactos na população e ambiente urbanos, estudando-se a realidade local em seus aspectos socioeconômicos, políticos, e pessoais/coletivos, além de articulá-los com os impactos da dimensão global, para que se obtenha uma visão real da complexidade da questão.

É também conseqüência da adoção do ponto de vista integral a necessidade de considerar o sistema completo de gestão, que inclui, de acordo com os tipos de resíduos existentes:

a) prevenção - mudança de hábitos de produção e consumo; responsabilização das empresas quanto ao destino das embalagens e do lixo gerado na extração dos recursos

b) redução - reutilização e reciclagem

c) valorização orgânica/energética dos resíduos

d) eliminação - aterros e incineração.

A incorporação da dimensão participativa nas políticas públicas para o setor de resíduos sólidos urbanos deve ser entendida não como simples busca da concordância da população a modelos prédefinidos, mas como busca conseqüente de uma verdadeira responsabilização de todos os atores envolvidos no processo de gestão. A dimensão participativa deve ser considerada como pré-requisito para a viabilidade das soluções encontradas e para a sustentabilidade dos procedimentos operativos e técnicos escolhidos, tendo em vista que tais aspectos dependem basicamente da capacidade organizativa, mobilizadora e comunicativa dos grupos sociais e instituições envolvidos nos mesmos.

A organização da gestão participativa a partir da iniciativa do poder público conta com algumas experiências em curso, como as de Curitiba (participação de associações de bairro, compra/troca de lixo por produtos verdes, participação das escolas) e de Belo Horizonte (organização dos carroceiros como autônomos para a coleta nas ruas, acompanhamento dos centros de triagem por equipes de educadores, campanhas públicas de informação nas ruas e nos meios de comunicação). Faz-se necessário, porém, uma avaliação dessas experiências a partir de critérios que apontem os modos de preencher as lacunas existentes, na perspectiva de uma real organização participativa de todos os atores sociais envolvidos, considerando-se a integração do sistema de gestão, o que significa uma eficiente articulação entre o poder público e a sociedade civil.

No processo de mobilização dos atores para participar consciente e eficazmente na gestão, é necessário que sejam levados em conta o universo cognitivo e os valores socio-culturais dos atores, bem como suas relações micro-políticas.

É necessário também que sejam previstos no sistema integrado de gestão mecanismos de retroação e recorrência entre os atores do sistema, de modo que os processos em cadeia funcionem realmente como anéis retroativos, do ponto de vista da sustentabilidade do mesmo.

Tudo isso implica em intensa comunicação, circulação de informações, troca de experiências, esferas de diálogo e negociação, que coloquem em contato permanente os atores envolvidos, incluindose aí também o poder público.

Ora, essa articulação precisa basear-se em metas que só serão alcançadas pela mudança nos estilos de vida, com novos padrões de consumo e novas tecnologias ambientalmente adequadas- o que só ocorrerá num esforço organizado, integrando as políticas publicas no que diz respeito à legislação, educação e gestão ambiental.

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Fonte: www.anppas.org.br

Dia do Educador Ambiental

15 de Outubro

EDUCADOR AMBIENTAL: Ser ou não ser, eis a questão!

INTRODUÇÃO

“Ser ou não ser: eis a questão”. Embora a frase shakespereana seja centenária, ela permanece presente nos dias atuais, uma vez que de um modo ou de outro, consegue nos indagar, assim como acontecera com o príncipe Hamlet, quanto à condição que deveríamos seguir, a escolha a tomar. A mudança de hábitos, a substituição de paradigmas, sobretudo, aqueles relacionados à educação e educação ambiental (por que não dizer educação socioambiental?), são exemplos práticos que vivenciamos e questionamos no nosso cotidiano.

Desde a Revolução Industrial, o meio ambiente tem sido profundamente modificado pelas atividades humanas. Vários fatores negativos podem ser observados, apesar da melhoria das condições de vida da população, em decorrência dessa evolução tecnológica. Dentre esses fatores, destacam-se a explosão demográfica e a concentração crescente da ocupação urbana que, consequentemente, acarretam um aumento do consumo e de utilização de insumos e matériasprimas.

Em locais em que moravam alguns grupos consumidores de escassa qualidade de água, produzindo poucos detritos, hoje vivem milhares, o que exige a manutenção de imensos mananciais e gera toneladas de resíduos por dia. Isso se reflete na degradação ambiental e, portanto, na manutenção do planeta e na própria sobrevivência do homem.

Diante desse cenário, Vilhena e Politi (2000, p. 5) afirmam que “[...] a maioria dos problemas ambientais que hoje ocorrem no mundo poderia ter sido evitada se a educação ambiental e a conseqüente conscientização ecológica fizessem parte das preocupações das sociedades desenvolvidas, desde a revolução industrial”.

Os projetos de educação ambiental e de planejamento urbano deveriam sempre ser precedidos de estudos de percepção e comportamento socioambiental da população envolvida. Porém, há ainda uma lacuna nesse sentido, especialmente, porque os métodos para a quantificação da percepção são pouco discutidos e, mesmo em pesquisas bibliográficas, são pouco encontrados.

Há um esforço, por parte dos especialistas da área, em propor alternativas, sobretudo, em sugerir o debate das questões voltado ao que é /ou tem sido o papel do educador ambiental na atualidade.

Essas razões levaram à escolha do assunto “Educador Ambiental: Ser ou não ser, eis a questão!” para este artigo, no desejo de que ele seja uma contribuição para o início da discussão do tema por profissionais que lidam diretamente no contexto formal e/ou não-formal da Educação Ambiental.

DESENVOLVIMENTO

Didaticamente é preciso entender o que é Educação. De acordo com o Novo Dicionário Aurélio (FERREIRA, 1999, p. 719): “Educação, [Do lat. educatione.]

Substantivo feminino. Ato ou efeito de educar (-se). Processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral da criança e do ser humano em geral, visando à sua melhor integração individual e social”.

A educação, segundo Freire (1987), é libertação. Nessa concepção, o conhecimento parte da realidade concreta do homem e este reconhece o seu caráter histórico e transformador. A concepção de educação de Paulo Freire percebe o homem como um ser autônomo.

Diferentemente da visão capitalista de mercado, na qual as pessoas são meros objetos de manipulação dos detentores do poder e, por isso, são vistas como ‘coisas’ que não pensam, não dialogam e não buscam sua humanização, o caráter humanista educacional freireano, centraliza seus esforços na desmitificação do mundo e da realidade, em que os homens não são coisas, objetos, mas pessoas que podem transformar o mundo.

Enfim, a educação tem sido chamada para solucionar problemas de todos os níveis, sejam eles sociais, ambientais, político-pedagógicos, filosóficos, como sendo a grande redentora da sociedade, e, por isso, é também tema das mais acaloradas discussões na atualidade. Se a educação não está bem, a sociedade também não está. Arriscar compreender a educação demanda um mínimo de entendimento sobre seus padrões concebidos, bem como as idealizações que se tem a partir destes.

E essa tal Educação Ambiental?

A Educação Ambiental, como é entendida hoje, surgiu da necessidade de despertar as pessoas para os problemas causados pelos modelos de desenvolvimento econômico, os quais afetam direta ou indiretamente a qualidade de vida das populações. A aceleração da degradação do ambiente, pelo uso exagerado e inadequado dos recursos naturais, mostrou que nem todos se preocupam com a qualidade de vida e com as próximas gerações.

Entretanto, encontram-se ao longo de toda a história do homem algumas reflexões que demonstram a preocupação em preservar a natureza, não só por respeito, mas também como um alerta para a nossa dependência dos recursos que ela oferece.

Essas observações tornaram-se mais sistemáticas a partir do salto tecnológico das últimas décadas e do crescimento da população humana. A exploração desordenada e inconsequente de nossos recursos naturais vem interferindo drasticamente nos ciclos biológicos, acabando por influenciar a vida e o comportamento das pessoas.

Mauro Guimarães, em sua obra ‘A Formação de Educadores Ambientais’ (2004), enfaticamente explicita que entende a educação como um potencial motor das dinâmicas do sistema social, notadamente como um instrumento de luta que põe em conflito as forças sociais que desejam reproduzir a sociedade e as forças sociais que desejam transformar a sociedade. E alerta ainda, que a educação ambiental não pode mais continuar sendo considerada como algo à parte da dinâmica social, sob o risco de ocorrerem ações educativas pouco críticas da realidade, mesmo que bem-intencionadas, resultando em posturas politicamente conservadoras.

O Congresso de Belgrado, promovido pela União das Nações Unidas para a Educação (UNESCO) em 1975, definiu a Educação Ambiental como sendo um processo que visa:

[...] formar uma população mundial consciente e preocupada com o ambiente e com os problemas que lhe dizem respeito, uma população que tenha os conhecimentos, as competências, o estado de espírito, as motivações e o sentido de participação e engajamento que lhe permita trabalhar individualmente e coletivamente para resolver os problemas atuais e impedir que se repitam (SEARA FILHO, G. 1987).

No Capítulo 36 da Agenda 21, a Educação Ambiental é definida como o processo que busca:

[...] desenvolver uma população que seja consciente e preocupada com o meio ambiente e com os problemas que lhes são associados. Uma população que tenha conhecimentos, habilidades, atitudes, motivações e compromissos para trabalhar, individual e coletivamente, na busca de soluções para os problemas existentes e para a prevenção dos novos (BRASIL, 1996).

Existem ainda diversas formas de se definir a Educação Ambiental.

Dentre essas, destacam-se as definições levantadas por Donella Meadows (1994), por solicitação da Unesco e publicados em 1989:

É a preparação de pessoas para sua vida enquanto membros da biosfera;

É o aprendizado para compreender, apreciar, saber lidar e manter os sistemas ambientais na sua totalidade;

É a aprendizagem de como gerenciar e melhorar as relações entre a sociedade humana e o ambiente, de modo integrado e sustentável;

Significa aprender a empregar novas tecnologias, aumentar a produtividade, evitar desastres ambientais, minorar os danos existentes, conhecer e utilizar novas oportunidades e tomar decisões acertadas (PORTO, 1996, p. 25).

A Lei Federal nº 9.795 define a Educação Ambiental como: “o processo por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade” (art.1º, Lei Federal nº 9.795, de 27/4/99)

Para a Unesco:

Educação ambiental é um processo permanente, no qual os indivíduos a comunidade tomam consciência do seu meio ambiente e adquirem conhecimentos, valores, habilidades, experiências e determinação que os tornam aptos a agir – individual e coletivamente – e resolver problemas ambientais presentes e futuros. (UNESCO, 1987).

Nesse sentido, a abordagem holística, preconizada pela Agenda 21 e pelo Programa Nacional de Educação Ambiental, mostra-se fundamental, como forma de evitar que os indivíduos e a sociedade tenham uma percepção e uma relação fragmentada com o meio ambiente. O seu enfoque deve buscar uma perspectiva mais sistêmica de ação, que relacione a natureza, o homem e o universo, diferentemente da perspectiva naturalista e/ou cartesiana, em que o homem percebe uma natureza representada somente pelos elementos naturais, a fauna, a flora, a água, o ar, os solos (NORONHA, 2005).

Salienta-se que o método cartesiano foi muito útil para propor soluções para problemas encontrados numa sociedade diferente da atual, na qual a preocupação estava muito mais voltada para a redução de fenômenos complexos a componentes básicos. No entanto, no mundo contemporâneo, o que se percebe é uma necessidade muito grande de inter-relação e interdependência nos diversos setores e áreas da vida.

Finalmente, a Educação Ambiental deve ser, acima de tudo, um ato político voltado para a transformação social. Formular uma educação ambiental que seja crítica e inovadora, em dois níveis: formal e não-formal, é o grande desafio do Educador Ambiental.

Qual Educador Ambiental?

Para Sorrentino (1998), os grandes desafios para os educadores ambientais são, de um lado, o resgate e o desenvolvimento de valores e comportamentos (confiança, respeito mútuo, responsabilidade, compromisso, solidariedade e iniciativa) e de outro, o estímulo a uma visão global e crítica das questões ambientais e a promoção de um enfoque interdisciplinar que resgate e construa saberes.

É necessário que o educador ambiental tenha uma atenção constante para inserir em suas ações, uma percepção crítica do processo educativo, fazendo parte de um organismo vivo e em expansão, e, ao mesmo tempo, estar conectado com o mundo do trabalho, com as organizações políticas e culturais mais avançadas que o seu grupo social desenvolve para dirigir a sociedade.

Guimarães (2004) acredita que o Educador Ambiental, como uma liderança que pretende contribuir para a superação dos problemas ambientais, não se contenta em promover ações pontuais, de caráter meramente informativo, como podem ser tratados os colóquios, as palestras, as capacitações, as exposições, as campanhas.

Esse processo educativo “[...] tem que ser potencializador, gerador de movimento, impulsionando o processo de transformação social. Um trabalho processual não é um sequenciamento de intervenções pontuais, principalmente quando estas se dão com a função exclusiva de informar” (GUIMARÃES, 2004, p. 139).

A metáfora da correnteza de um rio, mencionada por Guimarães (2004, p. 139), fala que “[...] se não houver, de nossa parte, um esforço para mudarmos de rumo, seremos empurrados e seguiremos na direção da correnteza” nos ajuda a reforçar o pensamento de que deve haver um esforço do educador ambiental no sentido de superar a inércia e não seguir um ‘caminho único’ da sociedade moderna, moldado pelos paradigmas dominantes. Ao educador ambiental cabe inserir-se na contra-correnteza dentro do movimento do rio, para criar como resultante uma nova dinâmica que poderá alterar o curso desse rio.

O educador ambiental que supera essa proposição busca, na compreensão da realidade socioambiental, na percepção do que movimenta a comunidade/sociedade, encontrar os caminhos de intervir. Intervenção para transformação da sociedade que, em sua intencionalidade, provoque movimentos de problematização, questionamentos e práticas de transformações de valores, hábitos e atitudes, individuais e coletivos, de forma que sejam inseridos no cotidiano daqueles (indivíduos em comunidade) que estão sofrendo a intervenção do processo educativo (GUIMARÃES, 2004, p. 139).

Cabe ao Educador Ambiental uma visão crítica que seja voltada para a transformação da sociedade, de seus modelos mentais, hábitos e valores, além das atitudes. Tais transformações podem se dar de forma expressiva, através da sinergia, em um movimento coletivo de intervenção, pois, sinergia significa, literalmente, trabalho conjunto. É o efeito multiplicador das partes de um sistema que alavanca o seu resultado global.

Segundo Lins (2003) é na natureza, onde a sinergia é freqüente e espontânea, que se encontram os melhores exemplos de efeitos sinérgicos, seja no ar que se respira, na água que se bebe, ou no sal que está presente nos mares.

Ao Educador Ambiental, como para qualquer outro Educador, faz-se necessário também, o exercício contínuo dos aprenderes, propostos pela Unesco:

[...] aprender a conhecer, isto é adquirir os instrumentos da compreensão; aprender a fazer, para poder agir sobre o meio envolvente; aprender a viver juntos, a fim de participar e cooperar com os outros em todas as atividades humanas; finalmente aprender a ser, via essencial que integra as três precedentes. (DELORS, 1998, p. 89-90).

O que mais se demanda de um Educador Ambiental é a capacidade de “aprender a aprender fazer”, de se comunicar com as comunidades envolvidas, de ter iniciativa, de inovar, trabalhar em equipe, desenvolvendo espírito cooperativo, de humildade, criatividade, determinação, ter intuição, saber resolver conflitos e ser flexível, ter entusiasmo com o que faz, e, acima de tudo, coragem para assumir uma certa dose de risco.

Para Morin (2001), o primeiro pilar “conhecer a conhecer” corresponde ao conhecimento do conhecimento”, que constitui um dos “sete saberes” necessários educação do futuro: conhecer o que é pertinente, aprender o global, o complexo, o contexto, relacionar o todo com as partes.

Segundo Morin (2001), o novo paradigma é a Terra, vista como uma única comunidade. É necessário educar para remover os obstáculos à compreensão humana, combatendo o egocentrismo, o etnocentrismo e o sociocentrismo, o antropocentrismo, que procuram colocar em posição subalterna questões relevantes para a vida das pessoas, da sociedade e do ambiente.

Mas será que todos aqueles que se propõem fazer educação ambiental comungam de um ideário ambiental comum?

A observação das diversas práticas ambientais atuais leva-nos a perceber um universo muito heterogêneo, no qual há uma grande variação das intencionalidades acerca do que seja a mudança ambiental desejada.

CONCLUSÃO

Estas reflexões nos levam a pensar quão grande é a transformação necessária educação e aos educadores ambientais de hoje ou nossos ‘mestres ecológicos do amanhã’. A sociedade precisa trabalhar urgentemente pela melhoria da educação de forma mais efetiva, formando cidadãos que possam, além de organizar o conhecimento, analisar o mundo a sua volta de forma crítica e, assim, ajudar a re-construir um planeta mais justo, mais sustentável e mais solidário.

O ‘ser ecológico’ em detrimento do ‘ter econômico’, a valorização da paz e do espírito que faz com que a maioria da humanidade consiga perceber a importância de outros valores, permitindose fazer uma relação do seu equilíbrio e bem-estar ao equilíbrio do todo e se transformar, então, em um cidadão comprometido com o mundo que o rodeia.

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Fonte: www3.mg.senac.br

Dia do Educador Ambiental

15 de Outubro

EDUCAÇÃO AMBIENTAL DE CADA DIA

INTRODUÇÃO

Tudo começou muito, muito tempo atrás e levou muitos milhares de anos para acontecer de fato. Foi acontecendo aos pouquinhos e, há cerca de três bilhões e meio de anos, de alguma maneira, um grupo de moléculas produziu uma interação químico-física que possibilitou sua “auto catálise”, reproduzindo a si mesma, a partir das substâncias e energia disponíveis no AMBIENTE em que se encontrava. A partir deste momento a palavrinha sublinhada da sentença anterior tomou corpo e passou a ser importante, pois aquele fenômeno só se repete quando o ambiente é próprio.

Existe até um livro muito famoso, dizem até que foi o primeiro impresso de toda a história, que diz ter sido um “sopro” e, então, o fenômeno se realizou: “a vida”.

Desde então, aquele fenômeno – que não se sabe se ocorreu em um só local, se só naquela época, ou se em muitos locais e se ainda continua acontecendo em alguma parte deste universo que se descobre cada vez mais antigo e maior – que produziu aquele grupo de moléculas, que vêm se tornando mais complexo, criando membranas, corpúsculos e mais substâncias, agrupando-se, diferenciando-se, formando tecidos, órgãos, sistemas e organismos, até uma sofisticação incompreensível, tal que permite a elaboração deste texto por um ser criado a partir da evolução do que se formou naquele derradeiro momento inicial.

É incompreensível, também, entender o período de tempo que transcorreu de lá para cá, como tempo em si; falando assim, de 3 ou 4 bilhões de anos, até que não parece tanto, mas se quisermos pregar 3 bilhões de pregos e pensarmos em tudo o que isso significa, desde sua obtenção, começamos a perceber o tamanho deste número; como é incompreensível, também, entender o número e forma de organismos que se formaram desde então. Se buscarmos as revistas, jornais e livros que falam das espécies surgidas e desaparecidas, veremos que a quantidade de espécies e formas é grande o suficiente para lotarmos a Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro com sua descrição, onde hoje existem mais de 4 milhões de volumes, outro numerinho.

O tempo é tão longo desde o “sopro” que, se para cada ano transcorrido, deslocássemos o Brasil em um centímetro em direção ao leste, daríamos quase uma volta completa no globo terrestre. E, o número de organismos que já viveram neste pequeno planeta é tão imenso que, se os colocássemos sobre a terra ao mesmo tempo, possívelmente teríamos uma camada de mais de cem metros de altura, incluíndo os mares e oceanos.

Houve mudanças ambientais naturais de alto impacto em cinco ocasiões, desde então. Todas elas levaram muito tempo para se concretizar e, mesmo assim, produziram catástrofes. Na última ocasião, até cerca de 30 mil anos, a Terra estava muito fria e a era glacial impunha condições especiais. Antes de iniciada a mudança, os animais tendiam a ter pequena relação entre superfície e volume do corpo para manterem energia e surgiram os mamíferos gigantes. Ao final da era glacial, há cerca de 20 mil anos, eles sucumbiram. Eram tigres, preguiças, mamutes, tatus e outros animais gigantescos, sem adaptação para o clima mais quente atual.

Os elefantes e outros animais africanos e asiáticos, de grande porte, sobreviveram porque sua pele se distendeu e perderam os pêlos, aumentando a relação da superfície do corpo em relação ao volume e reduzindo o efeito de isolamento térmico, ao contrário dos mamutes que tinham o couro plano e peludo, impedindo a dissipação de calor; por isso a pele dos elefantes e rinocerontes é enrugada.

Nossa espécie surgiu há míseros duzentos mil anos, isso é insignificante considerando-se a existência da vida na Terra, mas significou muito em termos de modificação do AMBIENTE. Até cerca de Dois Mil Anos atrás, foi quase tudo muito bem. O AMBIENTE mantinha-se próximo ao natural. Mas, repentinamente, Esta Espécie se desenvolveu e começou a se comparar a quem produziu o “sopro”, descobrindo e desenvolvendo sistemas para dominar o ambiente e modificá-lo, utilizando seus recursos intensivamente e multiplicando-se geometricamente.

Mal comparando, quem já viu um grande formigueiro de saúvas, daqueles decenários, e viu o quanto o sauveiro esgota as fontes de alimento ao seu redor, pode ter uma idéia do que estamos fazendo com o planeta. Mas as saúvas não têm o poder de raciocínio, enquanto há uns duzentos anos, algumas pessoas começaram a se preocupar com o esgotamento dos recursos para a civilização.

Um dos documentos mais antigos que se conhece é o conceito de sustentabilidade florestal emitido em 1713 por CARLOWITZ apud GROBER2 que preocupado com o esgotamento das florestas e aumento dos preços da madeira na região de Freiberg onde fica Silberstad, cidade onde morou a partir de 1690, publicou “Sylvicultura Oeconomica”, do qual se pode extrair alguns de seus pensamentos: “o povo tem direito à alimentação e manutenção, a exploração exagerada dos recursos destroi a prosperidade, a economia deve servir à comunidade; a natureza deve ser obrigatóriamente utilizada com base nas suas características naturais para o bem estar da população, manejada e conservada com cuidado e com a responsabilidade de deixar um bom legado para as futuras gerações; a plantação e manutenção das florestas deve ser feita de maneira que garanta sua continuidade e se tornem sustentáveis para aproveitamento futuro.”

CRONOLOGIA

Deixando de lado as reflexões dos filósofos gregos sobre ética, educação e ambiente, relaciona-se os passos da humanidade e dos brasileiros, neste sentido, nos últimos três séculos, conforme diversos documentos sobre o assunto:

1713 - Hanns Carl Edler von Carlowitz publica “Sylvicultura Oeconomica” com o primeiro texto conhecido sobre sustentabilidade.

1850 – D. Pedro II, Imperador do Brasil, proíbe a exploração de florestas nas novas terras descobertas.

1863 - Thomas Huxley publica "O Lugar do Homem na Natureza".

1864 - George P. Marsh publica “O homem e a natureza”.

1932 - Realizado o 1º Congresso Internacional para a Proteção da Natureza, em Paris.

1948 – Criada a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUPN).

1949 - Aldo Leopoldo publica uma série de Artigos sobre ética no uso dos recursos da terra. Realizada a 1ª Conferência das Nações Unidas sobre Utilização de Recursos.

1961 – Um grupo de cientistas preocupados com a devastação da natureza cria a 1ª ONG ambiental na Suíça, o Fundo Mundial para a Vida Selvagem (WWF – Worl Wildlife Fund).

1962 - Rachel Carson publica o livro “Primavera Silenciosa” como um alerta sobre os danos das ações humanas sobre o ambiente.

1968 - Fundada a primeira organização governamental responsável pela educação ambiental de maneira formal conhecida, o Conselho para Educação Ambiental do Reino Unido. É criado o Clube de Roma (Reunião de 30 especialistas de várias áreas para discutir a crise presente e futura).

1970 - A revista britânica “The Ecologist” publica o “Manifesto para Sobrevivência”, alertando para a finitude dos recursos naturais.

1971 - Jean Dorst, Vice-Presidente da Comissão de Preservação, da União Internacional para a Conservação da Natureza, publica o livro traduzido para o português como “Por uma Ecologia Política - Antes que a Natureza Morra”, fazendo uma análise do contexto Homem versus Ambiente que pode ser usado até hoje como roteiro para análise das questões ambientais. Realizada a primeira ação do Greenpeace em protesto contra testes nucleares na ilha Amchitka no Alasca.

1972 - Ocorre a Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano, em Estocolmo, reunindo 113 países. Como conseqüência, além da declaração gerada na conferência, a ONU criou o Programa das Nações Unidas para o MeioAmbiente - PNUMA, sediado em Nairobi. O clube de Roma produz o relatório “Os Limites do Crescimento Econômico” fazendo a primeira recomendação de ações para conservação ambiental a nível global. A Universidade Federal do Rio Grande do Sul cria o primeiro curso de pós-graduação em Ecologia do país.

1975 - Em resposta às recomendações da Conferência de Estocolmo, A UNESCO promove o Encontro Internacional em Educação Ambiental em Belgrado, onde foi criado o Programa Internacional de Educação Ambiental – PIEA, quando foram formulados seus princípios e diretrizes, indicando que os caracteres de continuidade da Educação Ambiental e da sua multidisciplinaridade, devem ser integrados às diferenças regionais e voltados para os interesses nacionais. O encontro gerou a “Carta de Belgrado” que aborda o aspecto ético da civilização em relação ao ambiente.

1976 - Criados os cursos de pós-graduação em Ecologia nas Universidades do Amazonas, Brasília, Campinas, São Carlos e o Instituto Nacional de Pesquisas Aéreas - INPA em São José dos Campos.

1977 - Realiza-se a 1ª Conferência Intergovernamental da Educação Ambiental, em Tbilisi (ex- URSS), organizada pela UNESCO com apoio do PNUMA, como parte da primeira fase do Programa Internacional de Educação Ambiental, iniciado em 1975. Na conferência foram definidos os objetivos, diretrizes e estratégias para a Educação Ambiental. No Brasil, a disciplina “Ciências Ambientais” passou a fazer parte do currículo dos cursos de Engenharia.

1978 - As matérias de Saneamento Básico e Saneamento Ambiental começam a fazer parte do currículo de alguns cursos de Engenharia Sanitária.

1979 - UNESCO e PNUMA realizam o Seminário de Educação Ambiental para a América Latina na Costa Rica.

1984 - ocorre o 1º Encontro Paulista de Educação Ambiental.

1985 - O parecer 819/85 do MEC reforça a necessidade da inclusão de conteúdos ecológicos ao longo do processo de formação do ensino de 1º e 2º graus, para possibilitar a “formação da consciência ecológica do futuro cidadão”.

1987 - Ocorre o Congresso Internacional sobre Educação e Formação Relativas ao Meio-ambiente, em Moscou, promovido pela UNESCO, resultando no documento “Estratégia Internacional de ação em matéria de educação e formação ambiental para o decênio de 90”, que ressalta a importância da formação de recursos humanos nas áreas formais e não formais da Educação Ambiental e na inclusão da dimensão ambiental nos currículos de todos os níveis. No Brasil, o Conselho Federal de Educação decide como necessária a inclusão da Educação Ambiental dentre os conteúdos das propostas curriculares das escolas de 1º e 2º graus e sugeria a criação de Centros de Educação Ambiental. Lançado o relatório Brundtland “Nosso Futuro Comum”.

1988 - É incluído na Constituição da República Federativa do Brasil, o Capítulo VI, dedicado ao Meio Ambiente que, no Art. 225, Inciso VI, determina que o Poder Público deve promover a Educação Ambiental em todos os níveis de ensino.

No Rio Grande do Sul, é realizado o Primeiro Congresso Brasileiro de Educação Ambiental. Em São Paulo é realizado o Primeiro Fórum de Educação Ambiental promovido pela CECAE/USP, mais tarde assumido pela Rede Brasileira de Educação Ambiental.

1989 - Realizada a 3º Conferência Internacional sobre Educação Ambiental para as Escolas de 2º Grau com o tema Tecnologia e Meio Ambiente, em Illinois, USA.

1990 – Aprovada, na Conferência Mundial sobre Educação para Todos, realizada em Jontien, Tailândia, de 5 a 9 de março, a Declaração Mundial sobre Educação para Todos: Satisfação das Necessidades Básicas de Aprendizagem, que reitera:

“confere aos membros de uma sociedade a possibilidade e, ao mesmo tempo, a responsabilidade de respeitar e desenvolver a sua herança cultural, lingüística e espiritual, de promover a educação de outros, de defender a causa da justiça social, de proteger o meio ambiente....”

1991 - MEC determina, através da Portaria 678/91, que a educação escolar deve contemplar a Educação Ambiental permeando todo o currículo dos diferentes níveis e modalidades de ensino, enfatizando a necessidade de investir na capacitação de professores. Adicionalmente, institui em caráter permanente, através da Portaria 2421/91, um Grupo de Trabalho de EA com o objetivo de definir com as Secretarias Estaduais de Educação, as metas e estratégias para a implantação da EA no país e elaborar proposta de atuação do MEC na área da educação formal e não-formal para a Conferência da ONU sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento.

MEC e SEMA promovem, ainda, o Encontro Nacional de Políticas e Metodologias para a Educação Ambiental, com apoio da UNESCO e Embaixada do Canadá em Brasília, com a finalidade de discutir diretrizes para definição da Política da Educação Ambiental.

1992 - Realizada a Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento, a ECO-92, no Rio de Janeiro, que resultou na elaboração da Agenda 21, entre outros documentos. Depois, o MEC promoveu, em Jacarepaguá, um workshop com o objetivo de socializar os resultados das experiências nacionais e internacionais de Educação Ambiental para discutir metodologias e currículos, resultando na Carta Brasileira para a Educação Ambiental.

1993 - O MEC institui através da Portaria 773/93, em caráter permanente, um Grupo de Trabalho para EA com o objetivo de coordenar, apoiar, acompanhar, avaliar e orientar as ações, metas e estratégias para a implementação da EA nos sistemas de ensino em todos os níveis e modalidades, concretizando as recomendações aprovadas na ECO-92.

1994 - Elaborada pelo MEC/MMA/MINC/MCT a proposta do Programa Nacional de Educação Ambiental - PRONEA, com o objetivo de “capacitar o sistema de educação formal e não-formal, supletivo e profissionalizante, em seus diversos níveis e modalidades.”

1995 - Criada a Câmara Técnica temporária de Educação Ambiental no Conselho Nacional de Meio Ambiente - CONAMA, para fortalecimento da Educação Ambiental.

1996 - Editada a Lei nº 9.276/96, que estabelece o Plano Plurianual do Governo 1996/1999, definindo como principais objetivos da área de Meio Ambiente a “promoção da Educação Ambiental, através da divulgação e uso de conhecimentos sobre tecnologias de gestão sustentável dos recursos naturais”, procurando garantir a implementação do PRONEA. A Coordenação de Educação Ambiental promove 3 cursos de Capacitação de Multiplicadores em Educação Ambiental - apoio do Acordo BRASIL/UNESCO, a fim de preparar técnicos das Secretarias Estaduais de Educação, Delegacias Regionais de Educação do MEC e algumas Universidades Federais, para atuarem no processo de inserção da Educação Ambiental no currículo escolar.

1997 - Ocorre a Conferência Internacional sobre Meio Ambiente e Sociedade: Educação e Consciência Pública para a Sustentabilidade, em Thessaloniki, onde houve o reconhecimento que, passados cinco anos da Conferência Rio-92, o desenvolvimento da EA foi insuficiente. Entretanto esse encontro foi beneficiado pelos numerosos encontros internacionais realizados em 1997 na Índia, Tailândia, México , Cuba, Brasil, Grécia entre outras.

O Brasil apresentou o documento “Declaração de Brasília para a Educação Ambiental”, consolidado após a I Conferência Nacional de Educação Ambiental – CNEA. Reconhece que a visão de educação e consciência pública foi enriquecida e reforçada pelas conferências internacionais e que os planos de ação dessas conferencias devem ser implementados pelos governos nacionais, sociedade civil (incluindo ONGs, empresas e a comunidade educacional), a ONU e outras organizações internacionais. São elaborados os Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs com o tema “Convívio Social, Ética e Meio Ambiente”, onde a dimensão ambiental é inserida como um tema transversal nos currículos do Ensino Fundamental. A Coordenação de Educação Ambiental do MEC promove 7 Cursos de Capacitação de Multiplicadores e 5 Teleconferências.

1998 - A Coordenação de Educação Ambiental do MEC promove 8 Cursos de Capacitação de Multiplicadores, 5 teleconferências, 2 Seminários Nacionais e produz 10 vídeos para serem exibidos pela TV Escola. Ao final deste ano, a Coordenação de Educação Ambiental é inserida na Secretaria de Ensino Fundamental - SEF no MEC, após reforma administrativa. É realizado o Encontro das Lideranças em Kioto sobre o Aquecimento Global.

1999 - Promulgada a Lei nº 9.795, em 27 de abril, que institui a Política Nacional de Educação Ambiental, com previsão de regulamentação após as discussões na Câmara Técnica Temporária de Educação Ambiental no CONAMA. É editada a Portaria 1648/99 do MEC que cria o Grupo de Trabalho com representantes de todas as suas Secretarias para discutir a regulamentação da Lei nº 9795/99. O MEC propõe o Programa “PCNs em Ação”, atendendo às solicitações dos Estados. O Meio Ambiente é definido como um dos temas transversais a serem trabalhados no ano 2000.

ÉTICA AMBIENTAL

O conceito de sustentabilidade de CARLOWITZ levou quase três séculos para ser disseminado a todas as áreas produtivas, mas começa a se formar uma nova ética baseada na preocupação com o legado que deixaremos para nossos filhos.

A preocupação quanto aos aspectos éticos relacionados ao ambiente e à formação do pensar do ser humano, vem tomando corpo desde a Antigüidade e fica bem caracterizada entre as recomendações da Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental aos Países Membros promovida pela ONU em Tbilisi, CEI, de 14 a 26 de outubro de 1977 onde se encontra a seguinte:

“...ainda que seja óbvio que os aspectos biológicos e físicos constituem a base natural do meio humano, as dimensões socioculturais e econômicas, e os valores éticos definem, por sua parte, as orientações e os instrumentos com os quais o homem poderá compreender e utilizar melhor os recursos da natureza com o objetivo de satisfazer as suas necessidades.”

É fundamental que se busque a ética para a conservação da natureza, com o reforço que a educação formal e não formal possam dar, como fator crucial à sobrevivência da nossa própria espécie.

Alguns dos principais documentos produzidos pela sociedade e que norteiam a maioria das ações neste sentido são:

A Declaração da Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente Humano – Estocolmo - 1972;

A Carta de Belgrado – 1975*;

As recomendações da Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental – Tbilisi – 1977*;

O Capítulo VI da Constituição Federal – 1988*;

O Capítulo 36 da Agenda 21 – 1992*;

O Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global – 1992*;

A declaração da 1ª Conferência Nacional de Educação Ambiental - Brasília - 1997 (Declaração de Brasília para a Educação Ambiental)*;

O documento: Implantação da Educação Ambiental no Brasil – 1998; Publicação da COEA que fala sobre a história e os principais momentos da educação ambiental no Brasil até 1998*;

Textos da Série Educação Ambiental do Programa Salto para o Futuro - Livro publicado em 2000*.

EDUCAÇÃO AMBIENTAL (EA)

Conhecer o passado é relevante para se situar no assunto, mas é de suma importância procurar entender o pensamento expresso nos diversos documentos gerados pelos atores envolvidos nos mais diferentes estágios do pensamento humano com relação educação para conservação e uso sustentável dos recursos naturais; um dos principais é a Apresentação dos temas transversais: Ensino de quinta a oitava séries, dos Parâmetros Curriculares Nacionais, onde se encontra o seguinte:

“A educação para a cidadania requer que questões sociais sejam apresentadas para a aprendizagem e a reflexão dos alunos, buscando um tratamento didático que contemple sua complexidade e sua dinâmica, dando-lhes a mesma importância das áreas convencionais.

Com isso o currículo ganha em flexibilidade e abertura, uma vez que os temas podem ser priorizados e contextualizados de acordo com as diferentes realidades locais e regionais e que novos temas sempre podem ser incluídos. O conjunto de temas aqui proposto — Ética, Meio Ambiente, Pluralidade Cultural, Saúde, Orientação Sexual, Trabalho e Consumo — recebeu o título geral de Temas Transversais, indicando a metodologia proposta para sua inclusão no currículo e seu tratamento didático.

Esse trabalho requer uma reflexão ética como eixo norteador, por envolver posicionamentos e concepções a respeito de suas causas e efeitos, de sua dimensão histórica e política.

A ética é um dos temas mais trabalhados do pensamento filosófico contemporâneo, mas é também um tema que escapa aos debates acadêmicos, que invade o cotidiano de cada um, que faz parte do vocabulário conhecido por quase todos.

A reflexão ética traz à luz a discussão sobre a liberdade de escolha. A ética interroga sobre a legitimidade de práticas e valores consagrados pela tradição e pelo costume. Abrange tanto a crítica das relações entre os grupos, dos grupos nas instituições e ante elas, quanto à dimensão das ações pessoais.

Trata-se portanto de discutir o sentido ético da convivência humana nas suas relações com várias dimensões da vida social: o ambiente, a cultura, o trabalho, o consumo, a sexualidade, a saúde.”

Os questionamentos que resultam da compreensão da situação atual com relação ao estado em que se encontra a biosfera são, principalmente, com relação ao legado que iremos deixar aos nossos descendentes. Que mundo queremos para eles? A geração atual tem o direito de poluir a biosfera e promover o esgotamento dos recursos naturais para seu bem estar, em detrimento das próximas gerações? Conforme VEIGA NETO (1994), as respostas são conhecidas por todos nós; e pode-se acrescentar: se não fossem conhecidas, não teríamos uma história sobre EA para contar, pois não estaríamos preocupados com os resultados das nossas ações.

Se, no período inicial da colonização americana, tivéssemos a consciência ética de hoje, não haveria tantas espécies em risco de extinção no continente.

Ainda, há poucas décadas passadas, caçávamos animais silvestres e destruíamos florestas sem nenhum remorso ou preocupação; competíamos nas caçadas para ver quem matava mais e depois saboreávamos uma farta perdizada com espaguete ao molho escabeche, com o maior prazer e, até hoje, sentimos a boca salivar pelo que já não existe mais. De outro lado, temos consciência de que isso não é ético nos tempos atuais e que temos de procurar outros prazeres de viver, sempre com vistas a evitar a sobrecarga que, infelizmente, impusemos ao ambiente que vamos deixar como legado.

O homem é apenas uma dos milhões de espécies existentes e os milhões que existem hoje são somente uma ínfima fração das que já existiram. Quanto tempo vamos sobreviver como espécie? Algumas sobrevivem ainda hoje, com mais de uma centena de milhões de anos, verdadeiros fósseis vivos; poderemos chegar lá também? – Talvez sim, se procurarmos manter a biosfera em condições de nos sustentar.

A história que o homem produziu, primeiro como coletor, depois como transformador e depois de destruição, voltando a querer a saúde, beleza e paz do natural, assim como a paz com a própria consciência, seguiu alguns passos até a EA, que podem ser resumidos como segue:

1° - Foi constatado e se tomou ciência de que tudo se esgota e se deteriora com o tempo e que o homem é um fator de aceleração destes processos;

2° - Tem-se desenvolvido tecnologias de recuperação, reutilização, reciclagem e economia para retardar o esgotamento dos recursos naturais;

3° - Determinou-se a necessidade de mudar a cultura de consumismo e desprezo dos aspectos negativos da civilização sobre o ambiente através da educação, a que se chamou de Educação Ambiental;

4° - Está sendo formada uma nova ética com relação ao ambiente em que vivemos, mais compatível com a sustentabilidade;

5° - Educação Ambiental é, portanto, responsabilidade de cada pessoa, à medida que desenvolve novos conceitos e os divulga, criando-se novos paradigmas que envolvem o modo de vida da população de forma a preservar a biosfera.

A mudança cultural que se deseja produzir com a EA passa por diversas fases seqüênciais, como em qualquer outro processo de mudanças de comportamento que, de acordo com HERSEY & BLANCHARD (1986), são as seguintes: a primeira fase, mais rápida e fácil, é a mudança de conhecimento, que é a mais fácilmente executada e controlada pelo educador; depois ocorre uma mudança de atitude interna em cada indivíduo através do conhecimento adquirido, que já não depende de quem deseja operar a mudança e leva algum tempo enquanto o indivíduo recebe cada vez mais informações, a seguir operam-se mudanças de comportamento individual devido ao convencimento de que é necessário e possível; e, finalmente, ocorrem as mudanças de desempenho coletivo quando uma boa parcela da população muda de comportamento. Mas a alimentação com novas informações durante todo o processo é que desempenha o papel de manter acesa a chama; quanto mais constante, mais rápida e mais forte é a mudança.

Portanto, eventos periódicos são importantes, mas não são eficazes; a tecla batida dia após dia é que opera o processo de mudança cultural.

Pode-se dizer, em síntese, que cabe a cada um de nós encontrar os caminhos para melhorar a forma de uso dos recursos disponíveis para a civilização e evitar o seu esgotamento, divulgando isso a todos, continuamente, através de um processo que desenvolvemos e chamamos de Educação Ambiental, com o objetivo de transformar a cultura, para garantir o bem estar da nossa e das futuras gerações – esta é a ética atual. A teoria de como isso deve ser realizado foi desenvolvida e está em muitas obras de, talvez, milhares de autores. Mas a prática tem sido uma dúvida constante.

Escolas criam semanas de meio ambiente, ONGs desenvolvem trabalhos com comunidades e organizam eventos, governos desenvolvem projetos de recuperação ambiental e tratamento de rejeitos, universidades criam cursos de pósgraduação, etc. Mas que conteúdo está sendo passado e que consciência está sendo formada?

As características de multidisciplinaridade, transversalidade e interdisciplinaridade da EA têm sido apregoadas aos quatro cantos, palavras complexas que tornam a EA um bicho de sete cabeças, mas não o é. EA é simples e não necessita de projetos mirabolantes, apenas de um pouco de criatividade para demonstrar, através de cada área do conhecimento, como o mundo realmente é e que respostas dá às ações do homem. Isso deve ser realizado diáriamente até que se torne um hábito como o de comer pão, ou mesmo involuntário como o de respirar.

Todo assunto pode ter aspectos de EA implícitos que podem ser usados pelo educador e assim ter-se-á a “Educação Ambiental Nossa de Cada Dia”, não somente naquele dia ou naquela semana dedicada ao meio ambiente, aliás, basta de meio, é necessário tratar do ambiente por inteiro: alguém fala meio ambiental? – Não! E é simples de entender, porque são duas palavras que expressam um só sentido, mas habituou-se a chamar de meio ambiente àquele bonito das florestas e praias selvagens, às savanas africanas e seus animais, enquanto nosso lar é a outra metade que não é visto como parte do meio ambiente, como se o homem não fosse só mais um animal sobre a terra só porque constrói edifícios e fábricas. Entretanto, quando se fala a palavra ambiente sozinha, nos vemos como parte dele. É tempo de entender que o nosso lar é parte do AMBIENTE que nos cerca e deve ser tratado conforme os princípios de CARLOWITZ para deixarmos um legado não em tão más condições como o estamos tornando.

É tempo de parar, também, com a história de que cuidar do ambiente é reciclar o lixo e tratar o esgoto, são problemas a serem resolvidos sim, mas é um ínfimo grão do que se deve plantar sobre os cuidados com a biosfera para alimentar toda a população durante centenas de milhares (ou milhões) de anos. Se alguém acredita que tratar os resíduos da civilização resolverá todos os problemas ambientais, está completamente enganado. Os problemas ambientais têm a ver com os ciclos da matéria e energia neste planeta; e, além dos ciclos naturais, o homem criou outros tantos, mas enquanto a natureza tratou ela mesma de criar ciclos que se renovam, o homem criou linhas de produção que tem um ponto crítico final, quase impedindo a renovação.

Se tratar dos rejeitos e realizar eventos não é suficiente, o que é que se deve ensinar com o intúito de que a civilização tome consciência dos cuidados que se deve ter com o ambiente? – Veja respostas nos próximos capítulos.

EA E OS CICLOS DA MATÉRIA

Pode-se começar a tratar da EA pelos ciclos da matéria, levando em consideração aquelas três palavrinhas difíceis: multidisciplinaridade, transversalidade e interdisciplinaridade.

CICLOS NATURAIS DA MATÉRIA

Um dos ciclos que se deve abordar e de mais fácil compreensão é o da água. Todos o conhecem, ou o entendem rapidamente quando exposto em diagramas.

A água líquida evapora com o calor do sol, forma núvens que vão se condensando até que o ar fica excessivamente úmido e formam-se gotas que se unem pela atração natural da matéria, ficando cada vez mais pesadas, até que caem na forma de chuva, neve ou granizo, escorrendo e penetrando pelo solo, formando nascentes, rios, lagos e escoando até os mares, enquanto vai evaporando novamente e formando novas núvens que irão precipitar outra vez. Neste interim, a água dissolve o gás carbônico do ar e se combina com ele formando ácido carbônico que cai com a chuva e penetra nas rochas auxiliando na dissolução das mesmas e na sua conseqüente desagregação e formação dos solos.

A água escorrendo sobre a terra e com o efeito solvente dela própria e do ácido carbônico, carreia substâncias químicas consigo, que alimentam os vegetais nos solos e rios e outros corpos d’água, chegando ao oceano que desde sua formação há 4 bilhões de anos vem sendo alimentado com os sais das rochas e por isso suas águas são salgadas.

Bem, vamos decidir sobre o PROFESSOR de que DISCIPLINA deve ensinar o ciclo da água de acordo com as características que se descreveu: TODOS. No ciclo da água estão implícitas todas as áreas do conhecimento. Veja bem, este é o ciclo mais simples e precisamos de especialistas em todas as áreas do conhecimento para explicá-lo em todas suas nuances.

É possível ver o professor de física ensinando os estados e forças de atração da matéria através do ciclo da água e sobre hidrelétricas, o de química falando sobre soluções, análise e combinação, o de biologia sobre nutrição, limnociclo e talassociclo, o de matemática sobre volumes e funções, o de história sobre navegação, o de geografia sobre formação do relevo, etc... e, por fim o de português solicitando uma redação sobre ciclos da natureza e falando sobre o uso de radicais greco-latinos na formação das palavras usadas nas ciências.

E os outros ciclos: do Carbono, Nitrogênio, Fósforo, etc, que ocorrem em cada tipo de comunidade terrestre e aquática. Todos são, também, afetos às várias áreas do conhecimento. Os ciclos da matéria tem um só problema para serem ensinados: eles precisam ser do conhecimento dos professores. A implantação de um programa efetivo de EA implica num primeiro passo imprescindível: a capacitação profissional dos educadores.

Suponha-se que os educadores estejam capacitados para ministrar EA, conhecendo os ciclos da matéria em cada área do conhecimento. Resta saber para quê ensinar isso; o que é que isso tem a ver com Educação Ambiental? – Pode-se afirmar que isto é a verdadeira EA. Ensinando como a natureza funciona em todos os seus aspectos é dada condição às pessoas de saber como tratá-la, pois só é possível cuidar daquilo que se conhece; a ignorância nos levou ao risco de esgotamento dos recursos e à extinção de espécies pela nossa mão.

OS CICLOS DE VIDA DE PRODUTOS DA CIVILIZAÇÃO

O primeiro contato com a análise do ciclo de vida de um produto qualquer da civilização é uma experiência marcante. Se bem conduzido e enraizado na cultura de um povo, para muitas pessoas, passa a ser um hábito o “quer saber de onde saiu e para onde vai”. Já começa a ser parte da cultura da União Européia (UE), tanto que as normas da série ISO 14000 são contempladas com uma subsérie sob o título de Análise do Ciclo de Vida, incluída principalmente por força de países da UE.

Dois exemplos resumidos podem ser citados para orientação de como o assunto pode ser abordado em sala de aula: parafusos e papel para escrever. De onde vêm? Para onde vão? Por quais processos passam? Quê insumos são necessários para produzí-los (químicos e energia)? Que problemas ambientais são decorrentes da obtenção do produto in natura, transporte para indústria, purificação, transformação e moldagem industrial, embalagem, armazenamento, distribuição, comércio, uso pelo consumidor, disposição final e reciclagem? O que se faz para evitar ou reduzir os impactos causados? Quê benefícios trazem para a civilização? Quê substitutivos há? Há vantagens nos substitutivos? – Todas são perguntas a serem feitas e que levam o aluno a formar um espírito de investigação e questionamento de questões relevantes para o ambiente. Ainda existem poucas análises do ciclo de vida de produtos, mas as existentes são suficientes para iniciar um trabalho de grande repercussão positiva para o ambiente no futuro.

PARAFUSOS

Parafusos são feitos de aço (mistura de ferro e carbono e alguns outros metais pesados em alguns casos).

O ferro é um recurso não renovável e dos metais mais comuns da crosta terrestre encontrado em minas exploráveis. O processo de produção inicia com a pesquisa das minas e posterior lavra do minério de ferro. As minas necessitam ser recuperadas, utilizando-se terra e outros materiais e nutrientes para formar um solo artificial sobre a rocha nua resultante da mineração, depois pode ser realizada uma mistura de sementes de espécies diversas que ocorrem na região da mina e o solo é inoculado com elas, ou se produz mudas em viveiros para posterior plantio na área minerada que já recebeu uma camada de solo como cobertura. A exploração do minério é realizada com explosões de dinamite colocada em perfurações realizadas com brocas apropriadas, como numa pedreira. Montanhas inteiras são removidas e levadas para a indústria.

O carbono é usado em forma de coque e sua produção é realizada em fornos especiais a partir de carvão vegetal ou mineral, com resíduos como cinzas e alcatrão e gases que necessitam de filtragem. O carvão vegetal para produção de aço, no Brasil, vem da madeira de eucalipto produzido em vastas plantações comerciais. O carvão mineral é importado, pois as minas brasileiras não tem carvão com a qualidade e pureza necessária para siderurgia.

O processo de produção do aço é realizado em siderurgicas que usam muita água, energia e produtos corrosivos, com rejeitos de toda espécie (gases, efluentes líquidos e resíduos sólidos, inclusive metais pesados e ácidos fortes – quase todos tóxicos e reativos) que necessitam de todo tipo de filtro e, em alguns casos, de áreas especialmente preparadas para disposição final.

Da siderurgia, o aço vai para moldagem e tornearia onde são fabricados os parafusos, com produção de resídos reaproveitáveis e outros não, que necessitam de tratamento adequado e locais proprios para disposição final. São embalados em caixas pláticas, de papel, madeira ou metal ou em containers metálicos à granel para uso industrial. As indústrias entregam as embalagens em grandes lotes que são distribuídos a longas distâncias por via rodoviária em todo o país.

Parafusos são utilizados em praticamente todos os produtos compostos por peças, como veículos, móveis, eletrodomésticos e na construção civil. A grande maioria vira sucata após o uso, com bom percentual de reaproveitamento e de reciclagem, mas enquanto dispostos em ferros-velhos estão enferrujando e contaminando o solo. Uma pequena percentagem vira entulho ou vai para o lixo e outra parte muito pequena, mas significativa ao longo do tempo, é perdida disseminadamente em todo o ciclo de vida, contaminando todo o ambiente com metais pesados através do processo de enferrujamento e dissolução na água das chuvas, por simples descuido das pessoas.

Parafusos, praticamente, não tem substitutivos e vêm facilitando as atividades produtivas do homem desde a invenção da rosca sem fim por Leonardo da Vinci. Onde o homem está, há parafusos por toda a parte e é quase impossível imaginar a civilização moderna sem eles.

Saber disso auxilia no cuidado com o ambiente? – Certamente, da próxima vez que for usar, ou jogar fora um parafuso, aquele que tomou conhecimento irá saber o que é certo ou errado, mas a escolha do quê fazer depende de cada um.

PAPEL BRANCO DE ESCREVER E IMPRIMIR

O papel branco de escrever e imprimir, no Brasil, é produzido a partir de madeira de eucalipto na quase totalidade. O cultivo de eucalipto pode ser considerado uma lavoura, uma monocultura como outra qualquer, com adubação, irrigação, uso de agrotóxicos para combater ervas, pragas e doenças, etc; com todas as conseqüências ambientais que a percolação de adubos e agrotóxicos possam ter para o subsolo e para as águas superficiais. Nas plantações de eucalipto devem ser tomados os cuidados necessários para conservação do solo e da sua fertilidade, assim como com as vias de acesso, para não serem erodidas pelas chuvas.

A colheita do eucalipto envolve operações onde são usadas máquinas para corte das árvores, traçamento da madeira, baldeio e carregamento para posterior transporte para a fábrica em caminhões. As fábricas descascam e transformam a madeira em cavacos, usando as cascas para geração de energia em caldeiras e os cavacos são cozidos em autoclaves gigantescas. A transformação da madeira nas indústrias produtoras de celulose e posterior fabricação do papel envolve o uso de muita água, energia e produtos químicos como ácido sulfúrico, calcário, soda cáustica, caulim, oxigênio, hipoclorito de sódio e outros em menor quantidade, que nas fábricas modernas são quase todos reciclados ou incorporados ao papel.

Os principais rejeitos são o gás sulfídrico que escapa em quase todo o processo de produção da celulose e o efluente líquido com alto teor orgânico e substâncias químicas usadas no processo de fabricação, que necessita de tratamento para depois ser incorporado ao corpo d’água receptor.

A distribuição é realizada, das fábricas para o consumidor, por via rodoviária em todo o território brasileiro.

O papel tem sido substituido, parcialmente, pelos meios eletrônicos de armazenagem e transmissão de dados. Na verdade os meios eletrônicos incrementaram estas duas atividades consideravelmente além do que se poderia fazer através do papel. Não é possível imaginar como fazer tudo o que é feito através da rede mundial de computadores (internet) por meios físicos de armazenagem e transmissão de dados. Os limites para a substituição são o hábito das pessoas em ler documentos impressos e os custos envolvidos no acesso à tecnologia por todas as camadas da população.

A reciclagem do papel no nosso país não atingiu os níveis desejáveis, está longe disso. Uma tonelada de celulose tem um preço histórico em torno de quinhentos dólares americanos (US$ 500.00). No papel reciclado este custo é repassado parcialmente às operações desde a coleta até a porta da fábrica, sendo que o valor do papel reciclado é menor que do original.

Numa tonelada de papel, dependendo do caso, estão de três a sete toneladas de madeira com casca. Isto significa que para cada 5 toneladas de papel é necessário cerca de um hectare de floresta de eucalipto, ou 500g/m², ou ainda, 5 gramas por decímetro quadrado. Uma folha de papel pesa algo em torno de 5 gramas, pense nisso quando for desperdiçar a próxima folha de papel, você estará destinando um decímetro quadrado de terras, durante um ano, para plantações de eucalipto, não é o fabricante que faz isso, é VOCÊ.

EA E OS CICLOS NATURAIS

Cadeias tróficas e ciclo de vida de animais e plantas podem ser abordados através da projeção de imagens de gráficos e fotografias ilustrativos com certa facilidade. Conhecer os ciclos naturais é essencial para identificar os pontos críticos e onde o homem cria problemas. O acúmulo de toxinas nas cadeias tróficas é um exemplo que pode ser considerado e pode ser abordado tanto na física, quanto na matemática ou na biologia.

Outro exemplo, mais complexo, é o de fixação do carbono pelos seres vivos e conseqüente redução de sua presença na atmosfera, gerando ciclos de longa duração que podem durar milhares e até milhões de anos. Existe a suspeita de que antes da última glaciação o teor de CO2 na atmosfera foi diminuindo tanto até que a radiação solar não ficava presa na atmosfera, reduzindo exageradamente o efeito estufa, então as populações de seres vivos foram reduzindo, morrendo devido ao frio e carência de alimentos e entrando em decomposição, liberando novamente o CO2 para o ar que voltou a se aquecer até que acabou a glaciação.

Atualmente o homem está liberando CO2 em excesso para a atmosfera, provocando um superaquecimento de conseqüências imprevisíveis para a vida na terra.

EA E AS TRANSFORMAÇÕES DA PAISAGEM

O homem pré-histórico abria espaços nas florestas para plantações, na antiguidade e idade média já arava a terra, construia estradas, diques e cidades.

Na idade moderna ampliou estas atividades e na idade contemporânea passou a produzir todo tipo de alteração, aterrando áreas marítimas, dreenando grandes áreas alagadas, mudando o curso de rios, construíndo grandes barragens, a tal ponto de provocar desertificação de terras férteis e até a redução do mar de Araal na Ásia a uma pequena percentagem da sua superfície original, chegando a haver navios encalhados distantes mais de um quilômetro da água.

Às vezes, também, há transformações benéficas, fixando barras, regulando o regime dos rios, criando ambientes cultiváveis em desertos, mudando paisagens inóspitas em belas áreas de lazer.

O importante é aprender a ocupar os espaços e modificá-los de forma planejada para que se tornem funcionais em todos os aspectos.

A metodologia de análise e planejamento da paisagem pode ser adequada para fazer parte dos currículos das matérias tradicionais de ensino regular.

EA E OS ESPAÇOS NATURAIS

Espaços naturais são necessários, não só para conservação do patrimônio genético natural, como também para pesquisa, educação e laser. As funções dos espaços naturais tem de ser planejadas de acordo com suas aptidões e são regulados pela Lei N° 6.938/81 e pelo Código Florestal Brasileiro. Espaços naturais são adequados, principalmente, para ensino prático de biologia e geografia.

EA E OS ESPAÇOS RURAIS ANTRÓPICOS

Os espaços rurais antrópicos são representados pelas terras cultivadas e infraestrutura rural. Seu planejamento é regulado pela Lei 4.771/65 e pelo programa de Zoneamento Econômico Ambiental coordenado pelo IBAMA e Secretarias Estaduais de Meio Ambiente. Está previsto, também, a elaboração de planos diretores municipais que deverão criar diretrizes para ocupação do solo e transformação da paisagem rural.

Espaços rurais servem de inspiração para o ensino de qualquer disciplina como fonte inesgotável de exemplos.

EA E OS ESPAÇOS URBANOS, INDUSTRIAIS E DE REDES

O uso e ocupação de espaços urbanos, industriais e as redes (viárias, de distribuição e de coleta), seguem a orientação dos planos diretores urbanos municipais e as diretrizes técnico-científicas da engenharia, da arquitetura e do urbanismo. As redes localizadas fora das áreas urbanas estão suijeitas, ainda, à toda a legislação ambiental, sejam viárias, de distribuição de energia e dutos de qualquer espécie. Nestes espaços pode-se encontrar exemplos de aplicação para todas as áreas do conhecimento.

EA E ENERGIA

O estudo das fontes de energia, sua transformação para uso antrópico, armazenagem, distribuição e uso são importantes para a economia de energia e seu uso racional.

FONTES DE ENERGIA

Renováveis: madeira; óleos, graxas e resinas vegetais e animais.

Não Renováveis: fósseis (turfa, hulha, carvão vegetal e petróleo); energia química e nuclear.

Contínuas: geotérmica, gravitacional (aproveitável pelas marés), solar e cinética da terra e as energias derivadas das anteriores: eólica e hidráulica.

ACUMULAÇÃO, GERAÇÃO E TRANSMISSÃO DE ENERGIA

A acumulação de energia é difícil de realizar e manter; é feita por meio de baterias, materiais combustíveis estocados e nos lagos das hidrelétricas. A distribuição sempre demanda dissipação e perdas no percurso. A demonstração de como se realiza tanto a acumulação, quanto a geração e transmissão sempre é cercada de grande interesse e curiosidade.

CONSUMO DE ENERGIA

A composição do consumo de energia por setores e percapita por regiões, de acordo com as característica de cada uma, dá margem para bons exemplos de funções matemáticas e físicas, além de inspirar temas de geografia.

EA, POLÍTICA E LEGISLAÇÃO

Não há como falar sobre EA sem abordar a política e legislação ambiental brasileira. A Constituição de Federal de 1988 dedica seu capítulo IV à área ambiental.

As formas de transmitir os aspectos legais e políticos relacionados ao ambiente em sala de aula são muitos e também afetos à todas as áreas do conhecimento pela sua abrangência. Uma das formas é incluir este conteúdo conjugado ao aspecto científico nas aulas, ou quando se trata de assuntos ligados à Cidadania.

Outra forma é através de excursões pedagógicas, principalmente se for possível o acompanhamento de um representante de órgão ambiental governamental (municipal, estadual ou federal) e que possa servir de consultor durante as atividades.

POLÍTICA E LEGISLAÇÃO FEDERAL

Deve-se destacar, nesta seção, a Lei N° 9.795/99 (ver anexo V), que dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEM) e representou um avanço em direção às mudanças culturais que se fazem necessárias quanto ao relacionamento do brasileiro com o ambiente, embora o artigo 18 que disponibilizava os recursos necessários tenha sido vetado pelo Presidente da República, retardando consideravelmente sua aplicação.

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) é o órgão maior que coordena a política e todos os programas da área ambiental no Brasil. Estão subordinados ao MMA o Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA) como órgão consultivo e deliberativo criado pela Lei 6938/81 e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), órgão executivo criado pela Lei 7.735/89 que o instituiu em substituição ao grupo de órgãos executivos federais da área ambiental naquela época.

Há duas leis ambientais básicas no Brasil, alteradas e regulamentadas por diversos atos do poder público, às quais se somam mais algumas centenas de outras leis, decretos, resoluções e instruções e que regem a política e as atividades ambientais no país:

Lei N° 6.938, de 31 e agosto de 1981, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente e cria o Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA) e o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA);

Lei N° 4771, de 15 de setembro de 1965, que Instituiu o novo Código Florestal, depois alterado por uma medida provisória e diversas leis.

O direito brasileiro é positivo, ou seja, a lei é criada para que se cumpra alguma coisa, antes de se ter tornado parte da cultura do povo; este paternalismo vem do tipo de colonização realizada pelos portugueses, no sentido de enriquecer a corôa portuguesa às custas das colônias, com pequenas concessões aos seus representates que recebiam títulos e benefícios suficientes para viverem como nobres. Este tipo de raciocínio injusto perdura até os dias de hoje na “justiça brasileira”, impondo o que os todos poderosos burocratas do governo entendem ser adequado ao povo comum, seja um operário ou um cientista, num modelo não muito longe do Imperial.

O direito ambiental brasileiro não é diferente. Até bem pouco tempo a legislação ambiental brasileira era tida por governantes e técnicos burocratas como uma das mais avançadas do mundo, a maioria ainda acredita nisso. Nosso Código Florestal Federal é tão inadequado à civilização brasileira que, até hoje, pouco proporcionou de benefícios sensíveis para os brasileiros. Nenhum dos índices ou parâmetros existentes na Lei 4.771/65 têm bases científicas; não foram desenvolvidos a partir de nenhum modelo experimental ou dedutivo, nem mesmo por empirismo responsável.

Deixar 30 metros de vegetação natural como preservação permanente ao longo de um curso de água pode ser pouco, como também pode ser excessivo, depende das condições topográficas, edáficas, climáticas, do tipo de cobertura natural existente, do regime do curso d’água, do uso dos solos na circunvizinhança, etc... e até da “largura do rio” em que a lei se baseia; a necessidade real irá variar de local para local; o indicador “largura do curso d’água” é só um e de pequena influência sobre a determinação da largura adequada para a faixa de proteção com vegetação natural a ser preservada ao longo dos cursos d’água; a lei, ainda, não permite e não prevê a pesquisa para determinar como se deve calcular, simplesmente impõe um valor que ninguém tem a mínima idéia de onde saiu, desincentivando todo e qualquer esforço de pesquisa científica e de desenvolvimento. É necessário criar a consciência e espírito crítico nos brasileiros quanto à nossa legislação “perfeita”, de forma que venha a ser modificada no futuro; a medida provisória que alterou a lei 4.771/65 demonstra a total ignorância do que se expôs neste parágrafo por parte dos “legisladores”, pois em vez de melhorar a lei, impôs novos índices sem critério técnico ou científico num padrão nacional, como se nosso território fosse homogêneo de norte a sul.

Mas as leis estão aí e é necessário informar para educar. Bem ou mal, acredita-se que alguma proteção e auxílio elas possibilitam, mas não se pode basear cuidados com o ambiente exclusivamente no Código Florestal federal brasileiro, sob pena de não se proteger o ambiente de maneira adequada.

Além das leis citadas, também são importantes, entre outras:

Decreto N° 24.643/34 - Código de Águas;

Lei N° 5.197/67 - Lei de proteção à fauna;

Lei N° 7.802/89 - Lei dos Agrotóxicos;

Lei N° 9.605/98 - Lei dos Crimes Ambientais;

Lei N° 9.985/00 – Institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza.

POLÍTICA E LEGISLAÇÃO ESTADUALE MUNICIPAL

Nos Estados e Municípios, a estrutura é semelhante à federal, com algumas variações, mas segundo as mesmas diretrizes.

No Estado do Rio Grande do Sul a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMA) faz o papel da coordenação geral, o Conselho Estadual do Meio Ambiente (CONSEMA) é o órgão consultivo e deliberativo e a Fundação Zoobotânica (FZB), o Departamento de Florestas e Áreas Protegidas (Defap) e a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), são os órgãos executivos da política Ambiental Estadual.

O Rio Grande do Sul é um dos Estados que já conta com um Código Estadual do Meio Ambiente, a Lei 11.520, de 3 de agosto de 2000, bastante avançado com relação à lei federal, que pode servir como referência, sem impor condições ou índices empíricos, dando oportunidade à pesquisa científica para sua aplicação; mas até que a legislação federal evolua para níveis mais sérios e comprometidos com as realidades socio-econômicas e ambientais de cada região, valem os limites federais.

São importantes órgãos consultivo-deliberativos nos Estados, a nível de bacia hidrográfica, os Comitês de Gerenciamento de Bacias, responsáveis pela elaboração de diretrizes para a gestão das águas superficiais, como órgãos auxiliares dos Sistemas Ambientais Estaduais.

Os Municípios começaram, há pouco tempo, a desenvolver seus sistemas ambientais. Devem ser criadas as Secretarias Municipais Ambientais e os Conselhos, assim como os órgãos executivos. Os planos diretores municipais urbano e rural deverão dar as diretrizes para os cuidados ambientais, mas é possível que cada município crie seu código ambiental, além dos planos diretores.

O governo federal vem, paulatinamente, transferindo a responsabilidade de execução da política ambiental para os Estados quando é da sua competência, o mesmo fazem os Estados com Relação aos Municípios. Quando todos os sistemas ambientais estiverem criados nos níveis Federal, Estadual e Municipal, cada um deverá exercer suas competências legais dentro de sua área de atuação territorial. Acredita-se que isso deverá se concretizar nos próximos três a dez anos, dependendo da ênfase, apoio e exigências governamentais.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Abordou-se a Educação Ambiental da maneira que parece ser mais adequada para a formação de espírito crítico por parte das pessoas de uma maneira geral, procurando-se abranger os seus aspectos mais significativos.

Encontrou-se todo tipo de abordagem na literatura e em projetos de EA, inclusive alguns que possuem uma linha filosófica semelhante à que se usou neste texto.

O que se pode concluir com certeza é que é necessário adaptar o ensino de ciências e de outras disciplinas à realidade que nos cerca, utilizando exemplos das coisas que nos cercam, assim como utilizar o ambiente em que vivemos como fonte de inspiração e de exemplos práticos para aplicar no ensino regular.

Não é viável, nem possível, nem ético, responsabilizar somente o educador profissional pela Educação Ambiental. Todos tem algum conhecimento com o qual podem contribuir, até o aluno tem algo a ensinar ao professor. A sala de aula não é o único local de ensino, no nosso lar e no ambiente social que vivemos, pode-se praticar EA diariamente, basta ter vontade de melhorar o mundo que nos cerca em nosso próprio benefício.

Para encerrar: é do exemplo que se forma o caráter do ser humano, não basta mostrar, há que se fazer primeiro.

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VEIGA-NETO, Alfredo. Ciência, ética e educação ambiental em um cenário pós-moderno. Educação e Realidade, v. 19, n. 2, p. 141-169, Porto Alegre, 1994.

Fonte: www.bvsde.paho.org

Dia do Educador Ambiental

15 de Outubro

Qual educação ambiental?

Elementos para um debate sobre educação ambiental e extensão rural

Resumo

Este artigo parte da idéia da educação ambiental como mediação educativa que forma parte do contexto de transição ambiental no mundo rural. Questiona a idéia de uma única educação ambiental, chamando a atenção para diferentes matrizes teórico-pedagógicas que informam duas orientações em educação ambiental, quais sejam: a educação ambiental popular e a educação ambiental comportamental. Argumenta em favor de uma educação ambiental popular como alternativa mais afinada com as propostas da extensão rural agroecológica.

Introdução

A educação ambiental (EA) vem sendo incorporada como uma prática inovadora em diferentes âmbitos. Neste sentido, destacase tanto sua internalização como objeto de políticas públicas de educação e de meio ambiente em âmbito nacional, quanto sua incorporação num âmbito mais capilarizado, como mediação educativa, por um amplo conjunto de práticas de desenvolvimento social.

Esse é o caso, por exemplo, do diversificado rol de atividades e projetos de desenvolvimento impulsionados pelas atividades de extensão em resposta às novas demandas geradas pela transição ambiental do meio rural. Este processo de mudanças no mundo rural, que tende a gerar novas práticas sociais e culturais em que se verifica a assimilação de um ideário de valores ambientais, pode ser observado, por exemplo, no crescente interesse pela produção agroecológica, na busca por medicinas alternativas e fitoterápicas, no ecoturismo e no turismo rural. Práticas estas que estão muitas vezes associadas a ações de EA, tanto na sua difusão como na valorização da paisagem socioambiental no campo.

Uma vez identificada a entrada da EA como parte dos processos de transição ambiental e suas inúmeras interfaces com diferentes campos de ação da extensão rural, cabe abrir um debate sobre as modalidades desta prática educativa, suas orientações pedagógicas e suas conseqüências como mediação apropriada para o projeto de mudança social e ambiental no qual esta vem sendo acionada. Em primeiro lugar, caberia perguntar: existe uma educação ambiental ou várias? Será que todos os que estão fazendo educação ambiental comungam de princípios pedagógicos e de um ideário ambiental comuns? A observação destas práticas facilmente mostrará um universo extremamente heterogêneo no qual, para além de um primeiro consenso em torno da valorização da natureza como um bem, há uma grande variação das intencionalidades socioeducativas, metodologias pedagógicas e compreensões acerca do que seja a mudança ambiental desejada.

Será que todos os que estão fazendo educação ambiental comungam de princípios pedagógicos e de um ideário ambiental comuns?

Neste sentido, a EA é um conceito que, como outros da "família ambiental", sofre de grande imprecisão e generalização. O problema dos conceitos vagos é que acabam sustentando certos equívocos e, neste caso, o principal deles é supor uma convergência tanto da visão de mundo quanto das opções pedagógicas que informam o variado conjunto de práticas que se denominam de educação ambiental. Assim, neste artigo pretendemos discutir algumas das principais diferenças nas concepções de educação ambiental, e suas conseqüências no plano políticopedagógico. Para isto, vamos problematizar alguns aspectos da relação entre a EA - tomada como parte dos processos de ambientalização da sociedade - e o campo educativo onde esta vai disputar legitimidade como um tipo novo de prática pedagógica.

O ambiental como qualificador da educação

Uma primeira questão diz respeito ao significado do ambiental como qualificador da educação. Outras correntes pedagógicas antes das EAs também se preocuparam em contextualizar os sujeitos no seu entorno histórico, social e natural. Trabalhos de campo, estudos do meio, temas geradores, aulas ao ar livre, não são atividades inéditas na educação. Estes recursos educativos, tomados cada um por si, não são estranhos às metodologias consagradas na educação como aquelas inspiradas em Paulo Freire e Piaget, entre outras. Assim, qual seria o diferencial da educação ambiental? O que ela nos traz de novo que justifique identificá-la como uma nova prática educativa?

Poderíamos dizer, numa primeira consideração, que o novo de uma EA realmente transformadora, ou seja, daquela EA que vá além da reedição pura e simples daquelas práticas já utilizadas tradicionalmente na educação, tem a ver com o modo como esta EA revisita esse conjunto de atividades pedagógicas, reatualizando-as dentro de um novo horizonte epistemológico em que o ambiental é pensado como sistema complexo de relações e interações da base natural e social e, sobretudo, definido pelos modos de sua apropriação pelos diversos grupos, populações e interesses sociais, políticos e culturais que aí se estabelecem.

O foco de uma educação dentro do novo paradigma ambiental, portanto, tenderia a compreender, para além de um ecossistema natural, um espaço de relações socioambientais historicamente configurado e dinamicamente movido pelas tensões e conflitos sociais.

De todo modo, a construção de um nexo entre educação e meio ambiente, capaz de gerar um campo conceitual teórico-metodológico que abrigue diferentes propostas de EAs, só pode ser entendida à luz do contexto histórico que o torna possível. Afinal, não podemos compreender as práticas educativas como realidades autônomas, pois elas só fazem sentido a partir dos modos como se associam aos cenários sociais e históricos mais amplos constituindo-se em projetos pedagógicos políticos datados e intencionados.

Desta forma, a emergência de um conjunto de práticas educativas nomeadas como EA e a identidade de um profissional a ela associada, o educador ambiental3, só podem ser entendidos como desdobramentos que fazem parte da constituição de um campo ambiental no Brasil, a partir do qual a questão ambiental tem se constituído como catalisadora de um possível novo pacto societário sustentável. Assim, o qualificador ambiental surge como uma nova ênfase para a educação, ganhando legitimidade dentro deste processo histórico como sinalizador da exigência de respostas educativas a este desafio contemporâneo de repensar as relações entre sociedade e natureza.

Contudo, considerando a assimetria das relações de força que estão definindo as transformações sociais e econômicas em curso, é importante destacar que a dinâmica deste campo é a da disputa pelas interpretações sobre conceitos-chave como "ambiental" ou "sustentabilidade". A verdade é que ainda estamos longe de chegar a um acordo sobre as chances de uma nova aliança sustentável ou um contrato natural, como o chamou Serres (1991), baseada na justiça e na eqüidade entre a sociedade e a natureza. Talvez estejamos no momento de, justamente, disputar este projeto discutindo sobre que bases a reconversão em direção a uma ordem sustentável deveria se dar. A EA, como parte deste contexto vai, portanto, transitar na esfera das relações conflitivas das diferentes orientações políticas e pedagógicas, sendo afetada pelos diferentes projetos político-pedagógicos em disputa.

As diferentes EAs

As práticas de EA, na medida em que nascem da expansão do debate ambiental na sociedade e de sua incorporação pelo campo educativo, estão atravessadas pelas vicissitudes que afetam cada um destes campos. Disto resultam pelo menos dois vetores de tensão que vão incidir sobre a EA: I) a complexidade e as disputas do campo ambiental, com seus múltiplos atores, interesses e concepções e II) os vícios e as virtudes das tradições educativas com as quais estas práticas se agenciam.

Estes vetores vão gerar uma grande clivagem no conjunto das práticas de EA,demarcando pelo menos duas diferentes orientações que poderiam ser chamadas: EA comportamental e EA popular. Cabe lembrar que essa classificação resulta de um esforço de análise que se propõe intencionalmente a distinguir e matizar as práticas de EA de acordo com suas filiações pedagógicas. Isto não significa que no plano da observação empírica não se possa constatar que estas duas vertentes apareçam muitas vezes sobrepostas e/ou combinadas nas práticas dos educadores ambientais. Também é verdade que estas duas tendências não esgotam todo o campo das EAs, que é ainda muito mais diversificado. Contudo, expressam uma importante distinção entre duas das principais matrizes socioeducativas que informam esta prática e que serão objeto dos próximos tópicos deste artigo.

A EA comportamental

Com o debate ambientalista generaliza-se um certo consenso no plano da opinião pública, a respeito da urgência de conscientizar os diferentes estratos da população sobre os problemas ambientais que ameaçam a vida no planeta. Conseqüentemente, é valorizado o papel da educação como agente difusor dos conhecimentos sobre o meio ambiente e indutor da mudança dos hábitos e comportamentos considerados predatórios, em hábitos e comportamentos tidos como compatíveis com a preservação dos recursos naturais.

Uma outra idéia bastante recorrente nesta perspectiva é a de que, embora todos os grupo sociais devam ser educados para a conservação ambiental, as crianças são um grupo prioritário. As crianças representam aqui as gerações futuras em formação. Considerando que as crianças estão em fase de desenvolvimento cognitivo, supõe-se que nelas a consciência ambiental pode ser internalizada e traduzida em comportamentos de forma mais bem sucedida do que nos adultos que, já formados, possuem um repertório de hábitos e comportamentos cristalizados e de difícil reorientação.

Desta forma, surge uma EA que vai tomar para si, como meta principal, o desafio das mudanças de comportamento em relação ao meio ambiente. Informada por uma matriz conceitual apoiada na psicopedagogia comportamental, esta EA partilha de uma visão particular do que seja o processo educativo, a produção de conhecimentos e a formação dos sujeitos.

A psicologia comportamental é, sobretudo, uma psicologia da consciência. Isto significa, por exemplo, considerar o comportamento uma totalidade capaz de expressar a vontade dos indivíduos. Acredita, também, que é possível aceder a vontade dos indivíduos e produzir transformações nas motivações das ações destes através de um processo racional, que se passa no plano do esclarecimento, do acesso a informações coerentes e da tomada de consciência. Isto quer dizer, em última instância, que esta matriz teórica supõe indivíduos cuja totalidade da ação encontra suas causas na esfera da razão, e é nesta esfera também que se pretende situar as relações de aprendizagem e a formação dos valores.

A EA popular

Esta EA está associada com a tradição da educação popular que compreende o processo educativo como um ato político no sentido amplo, isto é, como prática social de formação de cidadania. A EA popular compartilha com essa visão a idéia de que a vocação da educação é a formação de sujeitos políticos, capazes de agir criticamente na sociedade. O destinatário desta educação são os sujeitos históricos, inseridos numa conjuntura sociopolítica determinada , cuja ação, sempre intrinsecamente política, resulta de um universo de valores construído social e historicamente. Nesta perspectiva, não se apaga a dimensão individual e subjetiva, mas esta é vista desde sua intercessão com a cultura e a história, ou seja, o indivíduo é sempre um ser social.

Assim, o foco de uma EA popular não são exclusivamente os comportamentos. Embora em certa educação popular também exista uma herança racionalista que se expressa principalmente no conceito de conscientização. É preciso admitir aqui que a perspectiva racionalista, que pensa os processos de transformação pela via régia da consciência, chega à educação ambiental não só pela EA comportamental mas também por certa EA popular. Ocorre que nem toda EA popular se atém estritamente noção de conscientização, mesmo porque uma crítica deste conceito tem sido feita pela própria educação popular nos últimos anos. Assim, esta EA pode utilizar-se também de conceitos mais complexos, como por exemplo o de Ação Política, no sentido em que é definido pela filosofia política de Arendt, para entender o agir dos sujeitos e grupos sociais frente às questões ambientais.

Mais do que resolver os conflitos ou preservar a natureza através de intervenções pontuais, esta EA entende que a transformação das relações dos grupos humanos com o meio ambiente está inserida dentro do contexto da transformação da sociedade. O entendimento do que sejam os problemas ambientais passa por uma visão do meio ambiente como um campo de sentidos socialmente construído e, como tal, atravessado pela diversidade cultural e ideológica, bem como pelos conflitos de interesse que caracterizam a esfera pública. Ao enfatizar a dimensão ambiental das relações sociais, a EA popular propõe a transformação das relações com o meio ambiente dentro de um projeto de construção de um novo ethos social, baseado em valores libertários, democráticos e solidários.

A opção por um grupo etário, por exemplo as crianças, não é uma característica predominante nesta abordagem. Aqui se compreende a formação como um processo permanente e sempre possível. Há várias experiências de EA popular, por exemplo, que elegem, isto sim, certos atores sociais como sujeitos prioritários da ação educativa ambiental, como por exemplo os grupos e organizações populares. Ou ainda, destacam a importância de trabalhar com os grupos cuja interação com o meio ambiente é mais direta, por exemplo, agricultores ou certas categorias de trabalhadores urbanos como os recicladores e outros5. De qualquer forma, não há uma especial valorização da infância como faixa etária privilegiada para a formação ambiental.

Cabe lembrar que a educação popular tem sido em grande parte uma educação de adultos. No contexto de uma educação que se dirige a sujeitos capazes de decisão, a criança é importante enquanto engajada no processo de formação de cidadania, mas não é necessariamente prioritária sobre os outros grupos passíveis de uma educação ambiental.

Entre a intenção e o gesto: limites e possibilidades das EAs

O principal problema de uma EA comportamental é sua visão restrita dos processos sociais e subjetivos que constituem os sujeitos. Em primeiro lugar, poderíamos destacar o equívoco de supor sujeitos da vontade, isto é, reduzir os indivíduos sua dimensão racional. Em outras palavras, reduzir o sujeito ao ego, desconhecendo que a complexidade das determinações da ação humana em muito ultrapassam essa instância psíquica. Do mesmo modo, o processo de formação e produção de conhecimentos está longe de responder exclusivamente aos ditames da consciência e da vontade. Entre a intenção e o gesto há um universo de sentidos contraditórios que a relação causal razão-comportamento está longe de comportar. É largamente conhecido o tema das descontinuidades entre o dito da razão e as atitudes.

A pesquisa do Instituto ECOAR (Trajber e Manzochi, 1996) sobre os materiais impressos em EA no Brasil demonstra, de maneira exemplar, como as escolhas entre enfatizar os comportamento ou a ação política se refletem na produção escrita deste campo. A instigante análise do discurso da EA , realizada pela lingüista Eni Orlandi neste estudo, alertou para a presença de elementos doutrinários e normativos nos textos e para o risco de um fechamento do discurso numa EA pautada em pressupostos comportamentais.

Orlandi destacou ainda o silêncio desta EA sobre a produção social dos problemas ecológicos e, decorrente disto, sua tendência a culpabilizar os indivíduos como se todos fossem igualmente responsáveis pelos efeitos da degradação ambiental.

Comportamento é um conceito muito pobre para dar conta da complexidade do agir humano. Não se trata de induzir novos comportamentos, pois isso pode ser alcançado de forma pontual sem implicar uma transformação significativa, no sentido da construção de um novo ethos, de um novo pacto civilizatório desejado por um ideário ecológico emancipatório.

Uma pessoa pode aprender a valorizar um ambiente saudável e não poluído, ter comportamentos tais como não sujar as ruas e participar dos mutirões de limpeza do seu bairro. Essa mesma pessoa, no entanto, pode considerar adequada a política de produção e transferência de lixo tóxico para outra região e não se importar com a contaminação de um lugar distante do seu ambiente de vida. Numa perspectiva individualista, isto preserva seu meio ambiente imediato, a despeito do prejuízo que possa ter, por exemplo, para outras populações afetadas por estes resíduos tóxicos. Neste sentido, é possível um comportamento preocupado com o meio ambiente local sem qualquer compromisso com um pacto solidário global.

do, ter comportamentos tais como não sujar as ruas e participar dos mutirões de limpeza do seu bairro. Essa mesma pessoa, no entanto, pode considerar adequada a política de produção e transferência de lixo tóxico para outra região e não se importar com a contaminação de um lugar distante do seu ambiente de vida. Numa perspectiva individualista, isto preserva seu meio ambiente imediato, a despeito do prejuízo que possa ter, por exemplo, para outras populações afetadas por estes resíduos tóxicos. Neste sentido, é possível um comportamento preocupado com o meio ambiente local sem qualquer compromisso com um pacto solidário global.

A EA popular, por sua vez, age dentro de um universo onde a educação é uma prática de formação de sujeitos e produção de valores, comprometida com um ideário emancipatório e, ao enfatizar a dimensão ambiental, amplia a esfera pública, incluindo nesta o debate sobre o acesso e as decisões relativas aos recursos ambientais. Nesta perspectiva, o educador ambiental é, sobretudo, um mediador da compreensão das relações que os grupos com os quais ele trabalha estabelecem com o meio ambiente. Atua assim, como um intérprete dessas relações, um facilitador das ações grupais ou individuais que geram novas experiências e aprendizagem.

No caso da extensão rural, a EA popular parece ser uma das mediações educativas afinadas ao espírito de uma extensão rural agroecológica tomada como "um processo de intervenção de caráter educativo e transformador, baseado em metodologias de intervençãoação participante que permitem o desenvolvimento de uma prática social mediante a qual os sujeitos do processo buscam a construção e sistematização de conhecimentos que os levem a incidir conscientemente sobre a realidade" (Caporal e Costabeber, 2000:33). A afinidade da EA popular com o marco da nova extensão rural remete à vocação de uma EA que pretende promover mudanças nos níveis mais profundos das relações socioambientais.

É claro que aqui trata-se de uma escolha pedagógica e não de uma verdade auto-evidente. Do mesmo modo que não se trata neste artigo de pretender dar a palavra final a uma discussão que vem se dando entre os educadores ambientais, mas expressar uma posição e expô-la ao debate.

Referências bibliográficas

ARENDT, H. A condição humana. Rio de Janeiro: Forense, 1989.
CAPORAL, F. R., COSTABEBER, J. A. Agroecologia e desenvolvimento rural sustentável: perspectivas para uma nova extensão rural.jan./mar. Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável, Porto Alegre, v.1, n.1, p 16- 37, jan/mar, 2000.
CARVALHO, I.C.M. Educação, meio ambiente e ação política. In: ACSELRAD, H. (Org). Meio ambiente e democracia. Rio de Janeiro, IBASE, 1992.
COSTABEBER, J. A.; MOYANO, E. Transição agroecológica e ação social coletiva. out./dez. Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável, Porto Alegre, v.1, n.4, p 50-60, out/dez. 2000.
CRESPO, S. e LEITÃO, P. O que o brasileiro pensa da ecologia. Rio de Janeiro: MAST e CEPEM/CNPQ, Agência Estado e ISER, 1992.
CRESPO, S. (coord). O que o Brasileiro pensa do meio ambiente, do desenvolvimento e da sustentabilidade. Rio de Janeiro: MAST/ CNPQ e ISER, 1998.
RUIZ, J. R. Diagnóstico mexicano sobre educación popular ambiental. In: SEMINARIO REGIONAL DE CAPACITACIÓN DE LAS COMUNIDADES PARA EL MANEJO SUSTENTABLE DE LOS RECURSOS NATURALES.
Rede de Educación Popular Ambiental - REPEC, México: 1995 (mimeo).
SERRES, M. O contrato natural. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1991.
TRAJBER, R.; MANZOCHI, L. Avaliando a educação ambiental no Brasil. São Paulo: Editora Gaia, Coleção Gaia-Ecoar,1996.

Fonte: www.agroecologia.inf.br

Dia do Educador Ambiental

15 de Outubro

O dia do educador ambiental é comemorado no mesmo dia em que se homenageiam os professores. Não é por menos. No fundo, o educador ambiental também é um professor, mas que não transmite simplesmente valores verdes aos seus alunos. É alguém que prioriza a ação efetiva desse alunado no meio ambiente e que prega com ele atitudes coerentes para a harmoniosa relação ser humano-natureza.

Essa pode – e deve – ser tarefa do professor também. Mas a partir do momento em que se considera a educação ambiental uma disciplina transversal na sala de aula, destaca-se o educador ambiental do professor. As atividades se confundem em sala de aula e revela-se que a melhor prática é feita em sua extensão. O pátio da escola, a própria casa, o bosque do parque: extensões das quatro paredes em que se transmite o conhecimento.

Propiciar uma atividade na prática pode ser garantia de um aprendizado efetivo. A conscientização proposta por um educador ambiental segue por esse caminho. Obviamente, às vezes isso não passa de teoria. Até porque registrar que isso é tarefa de um educador ambiental ou pregar que determinadas atitudes são exclusivas desse profissional generalizam e delimitam o campo.

Talvez a própria criação do termo educador ambiental já sugira um estreitamento de significado. O surgimento da nomenclatura, assim, tanto é positivo quanto negativo. O educador ambiental é destacado e ganha um dia para ser homenageado oficialmente. O seu campo de atuação por vezes pode ficar específico demais, como sempre ocorre na categorização de funções.

Enfim, o fato é que no dia 15 de outubro ambos os profissionais – professores e educadores ambientais – merecem oficialmente ser homenageados. De qualquer modo, um educador ambiental não deixa de ser um professor. Vale pensar se a recíproca é verdadeira...

Fonte: www.bandpenorio.com.br

Dia do Educador Ambiental

15 de Outubro

O educador ambiental ensina por suas atitudes

Para resolver os problemas ambientais, é necessário mais do que separar o lixo para reciclagem ou fechar a torneira enquanto se escova os dentes. Refletir sobre o nosso comportamento e as relações que temos com a natureza e com as pessoas também é parte fundamental desse processo na opinião de Rita Mendonça. Bióloga e socióloga, ela é co-fundadora do Instituto Romã, entidade sediada em São Paulo que representa no Brasil a Sharing Nature Foundation - organização não-governamental americana dedicada à educação ao ar livre. Rita abrasileirou a metodologia de ensino da Sharing, baseada em dinâmicas e jogos seqüenciais.

O objetivo é levar os participantes a concentrar a atenção, a aguçar a percepção e a ter um contato mais profundo com a natureza, já que a experiência é essencial para a mudança de comportamento em relação ao mundo. Educadores estão sendo formados pelo Instituto Romã para trabalhar com essa perspectiva em um programa que une teoria e muita prática, em viagens a campo. "O professor já sabe muita coisa sobre o tema, mas precisa experimentar o que ensina", diz Rita. Nesta entrevista concedida a NOVA ESCOLA, ela explica esse novo conceito de educação ambiental.

Como nasceu a educação ambiental?

Durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente realizada em Estocolmo, na Suécia, em 1972, a sociedade tomou conhecimento dos problemas ambientais e os governos definiram que a saída para mudar o mundo seria a educação. Foi necessário criar o termo educação ambiental porque nos afastamos da natureza. Os processos educativos ficaram racionais e a escola descuidou dos sentimentos, das sensações e das relações em sala de aula, esquecendo o ar, a água, o corpo, o bairro, a cidade, o planeta. Ora, se a educação ambiental pretende resolver os problemas ambientais pela formação das pessoas, é preciso usar ferramentas transformadoras. Uma delas é o aprendizado seqüencial.

O que é o aprendizado seqüencial em educação ambiental?

É uma pedagogia que desenvolve a percepção de alunos e professores. A proposta consiste em uma seqüência de atividades, em quatro fases, que deve ser aplicada em espaços naturais - na praça, no parque, na praia, na montanha, no mangue e até mesmo no jardim da escola.

Como se dá, na prática, esse aprendizado?

A primeira fase, Despertar Entusiasmo, é formada por jogos que servem para criar interação e harmonia no grupo. Uma das dinâmicas é realizada em uma área com diferentes espécies de árvore. O professor escolhe uma que tenha uma aparência atraente - um salgueiro ou um pinheiro, por exemplo - e imita a forma dela com seu corpo. Observando o professor, as crianças tentam reconhecer qual é a árvore escolhida. A segunda, Concentrar a Atenção, é o foco da metodologia: visa promover a concentração da turma e acalmar a mente. Os exercícios despertam o interesse em ouvir os sons da natureza e perceber diferentes temperaturas e cheiros. A terceira, Experiência Direta, desenvolve a percepção das diferenças entre os elementos da natureza. Em uma das brincadeiras, os alunos, de olhos vendados, sentem uma árvore pela textura, pela forma e pelo cheiro. Depois, de olhos abertos, eles têm que reconhecer, na mata, qual é aquela árvore. Essa interação aguça a intuição e a percepção. Na última fase, Compartilhar, os estudantes dividem suas impressões sobre o que fizeram durante essas aulas contando histórias, fazendo desenhos, poesias coletivas e individuais e haicais.

Como é o trabalho do educador no aprendizado seqüencial?

Ao explorar a natureza com as crianças, ele aplica cinco regras da educação ao ar livre. A primeira é ensinar menos e compartilhar mais. Isso torna qualquer visita mais agradável, porque a criança se cansa de ficar apenas ouvindo. A segunda é ser receptivo, perceber o que os alunos estão pedindo e humanizar as relações. A terceira é se concentrar, porque não dá para fazer nada se a turma não estiver atenta. A quarta regra é experimentar primeiro e falar depois. Nem tudo precisa ser explicado. É importante dar ao professor e às crianças tempo para encantar-se com detalhes que ainda ninguém viu e compartilhar o que todos estão sentindo. Por fim, criar um ambiente leve, alegre e receptivo, onde todos se sintam bem. O trabalho visa fazer alunos e professores perceberem o que estão sentindo, pois o sentimento influencia a maneira de compreender e pensar. É mais fácil discordar de uma idéia se você está irritado. Quando está feliz, tende a ser mais receptivo.

Professores de todas as disciplinas podem ser educadores ambientais?

Sim. O professor de Ciências tem muita informação sobre a natureza e acaba fazendo um trabalho mais explicativo. Mas o fundamental para qualquer professor é educar principalmente pelo que ele é, por suas atitudes, e não apenas pelo conhecimento que tem da matéria. As crianças aprendem muito pela imitação. O bom professor diz aquilo em que de fato acredita. Ele refletiu sobre o conteúdo que leciona e fala do assunto com convicção, fazendo uma confissão por meio da Física, da Matemática, da Língua Portuguesa.

O professor está preparado para ser um educador ambiental?

Especialmente preparado, porque é um educador. Mas, se ele quer se engajar na questão ambiental, deve começar pensando na sua vida, no seu comportamento e na sua relação com o próprio corpo e com a natureza. O contato mais direto que temos com ela é pela alimentação. Então, ele deve analisar a relação entre o que come, o ambiente e o modo como monta seu cardápio, por exemplo. Uma maneira de fazer isso é pensar sobre o ciclo que aquele alimento percorreu, desde sua origem até chegar à mesa. É importante também refletir sobre o que consome e como se relaciona com o mundo à sua volta. O professor pode ainda perceber como se sente na frente de uma vitrine. Tem vontade de comprar? Fica frustrado se não pode? Analisa por que necessita daquilo? Esse exercício dá uma grande bagagem, equivalente à que ele acumularia em vários cursos. É só aprender a usá-la.

Qual o benefício de a escola proporcionar uma vivência na natureza?

Em contato com a natureza percebemos que temos uma existência em comum. Quanto mais unificamos as relações entre nós e o ambiente, mais harmônica é nossa vida. Na nossa proposta pedagógica, o professor não ensina o que é natureza e não a descreve, mas relaciona-se com ela e compartilha com os alunos o que para ele faz sentido nessa experiência. O encantamento dos estudantes pelo tema vem dessa troca com o professor, que motiva a turma a querer aprender. O relacionamento entre eles se torna mais intenso e sincero, as mentes se acalmam e a concentração de todos melhora.

A questão ambiental tem caráter filosófico?

O problema ambiental é resultado de uma crise de percepção. Se queremos resolver essa crise, temos de melhorar nosso entendimento sobre o mundo. Assim, criamos um território fértil para encontrar soluções, e a escola pode ajudar nisso. Durante as aulas, promovemos momentos de diálogo - o que é muito diferente do debate -, em que os estudantes conversam, analisando o que pensam sobre aquele assunto e procurando entender o que está acontecendo em nosso planeta.

Esse é um exercício de observação de nossa forma de pensar e das dificuldades de aceitar opiniões diferentes.

Qual é a origem dos problemas ambientais?

Os biólogos chilenos Humberto Maturana e Francisco Valera e a historiadora austríaca Riane Eisler sustentam a idéia de que os problemas ambientais surgiram há 7 mil anos, com o fim das culturas "matrísticas" - o termo vem da palavra matriz e se refere à mulher - e o surgimento das culturas patriarcais. Na cultura matrística, a relação com a natureza e com as pessoas da comunidade e de outros povos era estabelecida por limites e de forma harmônica. Os povos se viam como parte do ambiente e a complexidade estava nas relações e não nas questões materiais. A cultura patriarcal surgiu na Mesopotâmia, quando o homem começou a desejar dominar o meio e outros povos. Hoje, temos o mesmo conflito: aceitar os limites impostos pela natureza sabendo que somos 6 bilhões e que vivemos em um planeta só ou atender ao desejo de ter uma vida confortável e consumir cada vez mais?

Por que a tecnologia e a ciência não conseguiram resolver esses problemas?

Albert Einstein dizia que nós não conseguimos solucionar um problema permanecendo no mesmo nível de consciência em que ele foi criado. Veja o exemplo do lixo: começamos a criar substâncias artificiais que a natureza não reconhece. Daí, desenvolvemos tecnologias de reciclagem que imitam com muita limitação o ciclo da natureza, mas não resolvem a questão. A confiança na tecnologia faz as pessoas consumirem sem compromisso. Hoje, o volume de produção de lixo é desproporcional ao que é possível reciclar. Então, a reciclagem nunca solucionará a questão, porque a indústria vai criar novas substâncias e as pessoas vão consumir cada vez mais achando que tudo pode ser reciclado.

Fonte: www.adital.com.br

Dia do Educador Ambiental

15 de Outubro

Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global

RIO DE JANEIRO - ECO 92

Quando cerca de 600 educadores de todo o mundo se reuniram na Jornada de Educação Ambiental para debater e elaborar o primeiro Tratado de Educação Ambiental de que se tem notícia, o desafio parecia impossível de ser vencido. Movimentos sociais e ONGs procuraram ao longo de cinco dias de intensos debates sob as tendas do Fórum Global, resgatar o papel da educação e do educador comprometido com as questões ambientais. O resultado deste intenso trabalho foi transformado em 4 páginas, redigidas em quatro idiomas, adotadas no dia 7 de junho de 1992, pelo Fórum Internacional de Organizações não Governamentais como um dos principais documentos referentes a este assunto existentes na atualidade.

Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global

Apresentamos a seguir as linhas gerais do Tratado de Educação Ambiental e publicamos, na íntegra, os princípios fundamentais que devem direcionar os trabalhos nesta área.

O Tratado é dirigido a movimentos sociais - ecologistas, ONGs, profissionais de educação, cientistas e instituições científicas, grupos religiosos, governos locais e nacionais, empresários e profissionais de educação interessados em implantar programas voltados para questão ambientar.

Seus recursos podem provir de governos, políticas de Educação Ambiental, políticas econômicas que estimulem as empresas a fazer treinamento de pessoal, incentivem agências financeiras a alocarem recursos para a educação ambientar, assim como da formação de um sistema bancário, cooperativo e descentralizado, das ONGs e movimentos sociais.

Seu principal plano de ação consiste em transformar as declarações nele contidas em documentos a serem utilizados pela rede formal de ensino em programas educativos dos movimentos sociais e suas organizações.

E, para que suas propostas tenham continuidade e possam ser constantemente avaliadas, ele estabelece a criação e desenvolvimento de redes de educadores ambientais.

Princípios da Educação para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global

l. A educação é um direito de todos; somos todos aprendizes e educadores.

2. A educação ambiental deve ter como base o pensamento crítico e inovador, em qualquer tempo ou lugar, em seus modos formal, não formal e informal, promovendo a transformação e a construção da sociedade.

3. A educação ambiental é individual e coletiva. Tem o propósito de formar cidadãos com consciência local e planetária, que respeitem a autodeterminação dos povos e a soberania das nações.

4. A educação ambiental não é neutra, mas ideológica. É um ato político, baseado em valores para a transformação social.

5. A educação ambiental deve envolver uma perspectiva holística, enfocando a relação entre o ser humano, a natureza e o universo de forma interdisciplinar.

6. A educação ambiental deve estimular a solidariedade, a igualdade e o respeito aos direitos humanos, valendo-se de estratégias democráticas e da interação entre as culturas.

7. A educação ambiental deve tratar as questões globais críticas, suas causas e interrelações em uma perspectiva sistêmica, em seu contexto social e histórico. Aspectos primordiais relacionados ao desenvolvimento e ao meio ambiente tais como população, saúde, paz, direitos humanos, democracia, fome, degradação da flora e fauna devem ser abordados dessa maneira.

8. A educação ambiental deve facilitar a cooperação mútua e equitativa nos processos de decisão em todos os níveis e etapas.

9. A educação ambiental deve recuperar, reconhecer, respeitar, refletir e utilizar a história indígena e culturais locais, assim como promover a diversidade cultural, lingüística e ecológica. isto implica em uma revisão da história dos povos nativos para modificar Os enfoques etnocêntricos, além de estimular a educação bilíngue.

10. A educação ambiental deve estimular e potencializar o poder das diversas populações, promover oportunidades para as mudanças democráticas de base que estimulem os setores populares da sociedade. Isto implica que as comunidades devem retomar a condução de seus próprios destinos.

11. A educação ambiental valoriza as diferentes formas do conhecimento. Este é diversificado, acumulado e produzido socialmente.

12. A educação ambiental deve ser planejada para capacitar as pessoas a trabalharem conflitos de maneira justa e humana.

13. A educação ambiental deve promover a cooperação e o diálogo entre indivíduos e instituições, com a finalidade de criar novos modos de vida, baseados em atender às necessidades básicas de todos, sem distinções étnicas, físicas, de gênero, idade, religião, classe ou mentais.

14. A educação ambiental requer a democratização dos meios de comunicação de massa e seu comprometimento com os interesses de todos os setores da sociedade. A comunicação é um direito inalienável e os meios de comunicação de massa devem ser transformados em um canal privilegiado de educação não somente disseminando informações em bases igualitárias , mas também promovendo intercâmbio de experiências, métodos e valores.

15. A educação ambiental deve integrar conhecimentos, aptidões, valores, atitudes e ações. Deve converter cada oportunidade em experiências educativas de sociedades sustentáveis.

16. A educação ambiental deve ajudar a desenvolver uma consciência ética sobre todas as formas de vida com as quais compartilhamos este planeta, respeitar seus cicios vitais e impôr limites à exploração dessas formas de vida pelos seres humanos.

Ea nº 1: Educador Ambiental entrevista Aziz Ab'Saber

O Educador Ambiental procurou o geógrafo, Aziz Ab'Saber, atual presidente da SBPC - Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, para trocar idéias sobre EA, falar dos maiores desafios desta área transdisciplinar do conhecimento e como o Brasil deveria se preparar para introduzir seus conceitos no dia a dia dos currículos escolares.

Educador Ambiental: Como o Sr. define Educação Ambiental?

Aziz Ab'Saber: É um processo que envolve um vigoroso esforço de recuperação de realidades e que garante um compromisso com o futuro. Uma ação entre missionária e utópica, destinada a reformular comportamentos humanos e recriar valores perdidos ou jamais alcançados. Trata-se de um novo ideário comportamental, tanto no âmbito individual como coletivo.

EA: Como integrá-la em nosso dia a dia? É fácil?

AAS: É impossível falar em EA voltando-nos exclusivamente para a escala planetária ou para a escala nacional. Pelo contrário. Ela envolve todas as escalas. Começa em casa. Atinge a rua e a praça. Engloba o bairro. Ultrapassa as periferias. Repensa o destino dos bolsões de pobreza. Atinge as peculiaridades e diversidades regionais para, só depois, integrar, em mosaico, os espaços nacionais.

Trata-se de um processo educativo que envolve ciência e ética e uma renovada filosofia de vida. Trata-se de mudar enfoque, ajudando a preservação da biodiversidade IN SITU; reintroduzindo a vegetação onde for possível; seqüestrando o gás carbônico liberado para a atmosfera nos últimos 100 anos da Revolução Industrial; multiplicando os bancos de germoplasmas necessários à produção de alimentos; reintroduzindo biomassas de interesse ambiental, social e econômico.

EA: Mas como se faz isso do ponto de vista prático?

AAS: EA exige método, noção de escala, boa percepção das relações entre tempo, espaço e conjunturas, conhecimentos sobre diferentes realidades regionais. E, sobretudo, códigos de linguagem adaptados às faixas etárias do alunado. É um processo que necessariamente revitaliza a pesquisa de campo, por parte dos professores e dos alunos. Implica em um exercício permanente de interdisciplinariedade - a prévia da transdisciplinariedade. Elimina teorizações elitistas e aperfeiçoa novas linhas teóricas, em bases mais sólidas e de entendimento mais amplo. É um passo fundamental para a reconquista da cidadania.

Na prática, teremos que manter por um bom tempo a educação formal como está hoje tentando introduzir a EA de forma a conquistar um espaço tal que permita que elas se misturem e a EA perpasse todas as áreas do conhecimento.

EA: O que já existe em outros países pode ser aproveitado e adaptado em EA?

AAS: Não há como impingir noções genéricas para habitantes da beira de um lago ou das margens de um rio na Amazônia e estendê-las para os moradores dos sertões do Rio Grande do Sul. Ou ainda pretender usar conhecimentos e posturas relacionados aos litorais do Brasil atlântico para os habitantes de favelas dos grandes centros. A EA deve gerar conhecimento local e ser trabalhada dentro dessa perspectiva sem perder de vista sua integração com o mundo.

EA: Como a universidade poderia ajudar a ampliar ou acelerar este processo?

AAS: Não acho que a universidade seja o lugar dos deuses, o ponto de referência único. A sociedade está mais dinâmica hoje e pode perfeitamente colaborar para que o processo seja ampliado tanto na universidade, quanto através de grupos esclarecidos. No entanto, é preciso notar que deve haver um esforço na direção de integrar o conjunto das idéias novas sobre EA ao estoque de conhecimentos disciplinares tradicionais da educação formal.

Fonte: www.agua.bio.br

Dia do Educador Ambiental

15 de Outubro

A Importância da Educação Ambiental: Sustentabilidade

Vivemos nos dias atuais uma época de acontecimentos estranhos e fatos inusitados que se manifestam em relação ao clima e ao aparecimento de grandes problemas nas áreas produtivas de alimento do planeta.

Tais problemas se devem a maléfica influência do modo de vida que a humanidade escolheu para seguir, que promove uma grande pilhagem dos recursos naturais que nosso mundo tem a oferecer e, por isso mesmo, esse mesmo planeta que nos acolheu, tende a tentar “se livrar” de nossa presença como se fossemos um corpo estranho.

Deixamos o planeta fraco e doente e, através de práticas danosas, provocamos a ira da mão natureza e encontramos a encruzilhada de nossas existências.

Ou mudamos a forma como exploramos os recursos naturais, e passamos a viver a sustentabilidade ou pereceremos de forma brutal e emersos em nossos próprios resíduos.

Essa mudança de rumos; deverá ser traçada através da implementação de programas capazes de promover a importância da educação ambiental e a importância da adoção de práticas que visem a sustentabilidade e a diminuição de qualquer impacto que nossas atividades venham a ter no ecossistema que nos circunda e mantém. Através de um debate amplo e profundo de nossas necessidades e um correto entendimento de que a forma como atuamos hoje, só nos levará para a destruição e o aniquilamento.

Compreender que aplicando uma política que promova a importância da educação ambiental voltada principalmente para a sustentabilidade já nas escolas primárias, criaremos nas novas gerações a devida mentalidade conservacionista e será muito mais fácil implementar políticas que visem à utilização sustentável dos recursos planetários no futuro.

No entanto, é necessário que além da educação ambiental ou sustentabilidade ambiental, às práticas contrárias sejam combatidas e punidas rigorosamente já nos dias de hoje.

Unir o empresariado e convencer as grandes corporações e os produtores rurais de que essas práticas não representarão diminuição de lucro para os seus empreendimentos e sim, em muitos casos, a criação de um importante diferencial que poderá alavancar seus negócios e abrir novas oportunidades de obter uma lucratividade ainda maior do que a atual.

Essa prática de convencimento, também se enquadra numa política de educação ambiental voltada para a sustentabilidade. Contudo, o público alvo será muito mais impermeável e reticente quanto à adoção dessas práticas.

Tratando-se de gestores e de grandes empresários, apenas a visão de que poderão lucrar ou reduzir custos atuais será capaz de permitir um convencimento eficiente nesse grupo de indivíduos.

Da mesma forma, a aplicação de dispositivos punitivos e uma legislação que trate de forma dura e eficiente os abusos; servirá como amparo para inibir os mais insistentes e menos afetos aos novos objetivos.

Muito mais que a simples causa do meio ambiente, a educação ambiental voltada para a sustentabilidade analisa um amplo espectro de fatores que leva em consideração também os indivíduos afetados pelas atividades e ameaças a comunidades sujeitas às conseqüências danosas das práticas predatórias.

Assim deve-se também ter em mente que a educação ambiental voltada para a sustentabilidade tem que prever a redução da vulnerabilidade dessas pessoas.

Fonte: www.atitudessustentaveis.com.br

Dia do Educador Ambiental

15 de Outubro

Nossos recursos naturais

Objetivo: reconhecer os diversos ambientes da água e a importância desse recurso em nossas vidas; aprimorar as competências de leitura e escrita dos alunos

Duração: 2 a 3 aulas

Material necessário: caderno, lápis, canetas, cartolina, cola, tesoura, lousa, livros, revistas, fotos, retroprojetor e internet.

Cada dia que passa incentivar atitudes que promovam a conservação da natureza se torna mais urgente. O uso indiscriminado dos recursos indispensáveis à vida humana e as suas conseqüências já podem ser sentidas no cotidiano. Notícias sobre o aumento dos níveis da poluição do ar, o aquecimento global, a falta de água, a extinção de diversas espécies animais e vegetais, entre outros fatores, têm sido constantemente veiculadas na mídia mundial nos últimos tempos. Cabe a nós, educadores, criar situações pedagógicas para a sensibilização e a construção do conhecimento, para que as futuras gerações possam assumir uma postura de responsabilidade frente à natureza e a busca de alternativas que diminuam o consumo e a pressão excessiva sobre os recursos naturais. Pensando nisso planejamos a criação do guia de atividades do Educador Ambiental, que visa não só promover informações atualizadas sobre os temas eleitos – água, reciclagem do lixo e gás natural – mas, principalmente, o estímulo a mudanças de atitude que permitam a melhoria da qualidade de vida para a nossa e para as futuras gerações.

Os caminhos da água

Para introduzir o tema, reúna a sala em um círculo e faça uma leitura compartilhada com os alunos de um livro de literatura infantil que aborde a temática da água.

Após a leitura, peça aos alunos que comentem, oralmente, o que entenderam sobre o texto. Para orientá-los, releia trechos da estória e pergunte o que compreenderam das idéias da autora a respeito do assunto tratado. Anote na lousa palavras-chaves que sintetizem as idéias dos alunos. Solicite aos alunos que transcrevam nos cadernos de classe as palavras-chaves que marcam a leitura realizada. Explique sucintamente o uso de palavras-chaves, orientando-os que elas se referem ao assunto central de um texto ou discussão. Em seguida, convide-os para que, em dupla, produzam um texto-resumo do livro, com base nas palavras-chaves levantadas. Solicite aos alunos que leiam suas produções na turma, afixando-as numa parede da sala de aula.

Converse rapidamente com os alunos sobre as diferentes formas que a água aparece na estória, como a nuvem, a chuva, entre outras. Divida a sala em grupos e apresente as seguintes questões para serem discutidas oralmente por eles: Onde podemos encontrar água no ambiente? Quais são as formas da água nos diferentes ambientes mencionados no texto? Você conhece outras formas da água além da líquida? Quais?

Divida a lousa em duas partes e anote em cada uma delas as respostas dos alunos para as questões propostas: ambiente e estados da água. Escreva em forma de lista e peça aos alunos que anotem em seus cadernos.

Logo em seguida peça aos alunos que pesquisem, em diversas fontes, uma série de imagens sobre os diferentes ambientes da água na natureza, tais como geleiras, lagos, rios, mares, calotas polares, entre outras. Peça aos alunos que observem as imagens, e converse com eles sobre como a água se compõe: quantidade de água salgada e a quantidade de água doce disponível para consumo. Para apoio recomendamos a leitura em voz alta do trecho extraído do texto Água é vida, da revista Ciência Hoje das Crianças, do Instituto Ciência Hoje (www.ich. unito.com.br)

Levante com os alunos as palavras que eles não conhecem ou entenderam e escreva-as na lousa, explicando o seu significado. Destaque as informações numéricas (menos as porcentagens) do texto e peça aos alunos que, em grupo, represente-as com desenhos e colagens, em uma cartolina. O cartaz deverá ter um título e legendas, além de pequenos textos ilustrativos. Cada grupo deverá apresentar sua produção para o resto da turma. Afixe os cartazes em um local apropriado da sala.

Retome com os alunos os dados levantados no texto sobre a quantidade de água disponível para consumo e converse com eles sobre a importância desse recurso para a manutenção da vida no planeta.

Proponha as seguintes perguntas para a discussão nos grupos: Qual a importância da água em nossas vidas? Para que utilizamos a água em nosso dia-adia?

Peça que anotem em uma folha suas conclusões. Proponha aos grupos que elaborem por escrito um texto dissertativo sobre a importância da água para as pessoas. Explique aos alunos que um texto dissertativo deve apresentar com clareza a opinião defendida por seu autor e os argumentos que a apóiam. Essa produção deverá ser lida por um membro do grupo para o resto da turma.

...Mas a procura de água não se limita ao Universo: aqui na Terra sabe-se, por exemplo, que cerca de 70% da superfície do nosso planeta é coberta pelas águas. Desse total, 97,5% é água salgada e somente 2,5%, água doce. Vamos fazer uma comparação: imaginem que você está numa festa com mil copos de refrigerante, sendo que desses copos só podem ser servidos 25 – este seria o equivalente à água doce do planeta. Para complicar ainda mais a situação, 70% dessa água doce esta sob a forma de gelo e os 30% restantes no estado líquido. Ou seja: dos 25 copos de refrigerantes, sobram apenas 7 copos e meio para serem servidos – o restante está congelado! Agora, atenção quanto à água potável, indicada para o consumo humano: ela corresponde a somente 0,003% de toda a água da Terra! Comparando novamente: é como se, daqueles 7 copos e meio de refrigerante que temos, só pudéssemos pegar um copo e dar somente um gole! Portanto, temos de tomar conta da água desde já, sem esbanjar e economizando para podermos continuar neste planeta, contribuindo para um futuro melhor...

Planeta Terra, Nossa Casa

Objetivo: incentivar a leitura e interpretação por meio de texto literário; introdução do conceito de reciclagem e classificação de recicláveis e não-recicláveis

Material necessário: cópia de texto, folhas, cartolinas, canetinhas, revistas, livros, jornais, embalagens, transparências e retroprojetor.

Organize a turma em grupos. Convide-os para a leitura compartilhada de um livro que aborde a temática ambiental. O conteúdo do livro poderá ser reproduzido e distribuído entre os grupos.

Proponha a cada grupo que escolha um trecho do livro para ser representado por um desenho. Disponibilize cartolinas e lápis de cor para as produções e peça aos grupos que escrevam o trecho escolhido ao lado do desenho. Solicite que exponham sua produção para a classe. Os cartazes serão afixados na lousa ou parede da sala de aula.

Retome com os alunos o seguinte trecho do livro: Mas para que a Terra continue a nos dar tudo aquilo de que precisamos para viver, temos que cuidar dela como cuidamos de nossa própria casa. E melhor ainda. Pois da nossa casa nós podemos nos mudar. Da Terra não.

Peça aos grupos que comentem o que entenderam sobre esse trecho. Deixe que eles se expressem livremente. Em seguida destaque a seguinte questão: O que podemos fazer em nosso dia-a-dia para cuidar do planeta? E em nossa casa?

Sistematize as respostas na lousa. Solicite aos alunos que escrevam uma frase que incentive as pessoas a cuidarem melhor do planeta.

Logo em seguida, ofereça aos alunos alguns textos pequenos de revistas, jornais infantis e charges que tratem de temas ambientais, incluindo o problema do lixo. Após a leitura exploratória desses textos, escreva na lousa o seguinte texto: Todos os dias consumimos materiais de todos os tipos: plástico, papel, vidro, tecido, alimentos, entre outros. Muitos desses materiais são jogados fora junto com os restos de alimentos. Cada brasileiro produz, em média, um quilo de lixo por dia.

Em seguida, questione com a turma: Para vocês o que é lixo? Que tipo de materiais jogamos no lixo em nossa casa? Quem recolhe o lixo produzido? E para onde você imagina que ele seja levado?

Complete a lista com os tipos que não foram citados. Nesse momento introduza o conceito de reciclagem, pedindo que pesquisem em dicionários, livros ou revistas o significado da palavra reciclar. Cada grupo deverá anotar em um papel os significados encontrados e estes deverão ser afixados na lousa, para que sejam lidos para os outros grupos. Aproveite este momento para adequar as definições e aprofundar o conceito por meio de uma aula expositiva, abordando a sua importância para o meio ambiente.

Levante com os alunos o que eles conhecem sobre os tipos de materiais que podem ou não ser reciclados. Divida a lousa em 2 partes: recicláveis e não-recicláveis. Anote as sugestões dos alunos.

Em seguida, apresente aos grupos uma tabela com os dados oficiais sobre materiais recicláveis e não-recicláveis, dentro da mesma tipologia, como modelo abaixo, propondo que comparem com a tabela produzida por eles.

Comente com os alunos que existe um símbolo oficial que indica quando uma embalagem pode ser reciclada. Faça um breve levantamento com a classe, questionado-os se já viram esse símbolo em algum objeto ou local. Anote na lousa as respostas em forma de lista. Neste momento, projete na lousa o símbolo da reciclagem, como mostra o modelo a seguir:

Proponha aos grupos que, em casa, pesquisem 3 embalagens anotando o nome do produto e se possui ou não o símbolo da reciclagem. Os alunos deverão anotar em seu caderno. Em sala de aula peça aos alunos que compartilhem as informações coletadas entre eles.

Logo em seguida, proponha aos grupos que respondam à seguinte pergunta : O que vocês descobriram sobre a reciclagem de embalagens e que antes não sabiam?

Água, Saúde e Bem-Estar

Objetivo: incentivar a competência da leitura de textos e imagens e a reflexão sobre as vantagens de tratamento de esgoto para a saúde do ambiente e das comunidades humanas

Material necessário: cópia de textos, dicionários, imagens sobre a água, esquema de tratamento do esgoto, cartolina, lápis, lápis de cor, lousa, retroprojetor.

Apresente à turma imagens previamente selecionadas, nas quais se observe água poluída por esgoto, como o exemplo acima.

Peça aos alunos que observem as imagens atentamente. Divida a classe em grupos e apresente algumas questões relacionadas às imagens: Você conhece lugares parecidos com as imagens? Onde? O que você imagina que tenha acontecido com essa água?

Os grupos deverão anotar suas respostas em seus cadernos e apresentá-las para a classe. Permita que eles se expressem livremente. Comente as respostas da turma e solicite aos grupos que elaborem uma frase que incentive a população a cuidar melhor de nossas águas.

Nesse momento, leia para a classe um trecho do livro "Saneamento Básico: fonte de saúde e bem-estar", de Vilma Maria Cavinatto, Editora Moderna, 1992. Distribua cópias do texto para os grupos. Antes de iniciar a leitura, lembre os alunos para que anotem em seus cadernos as palavras ou termos que desconhecem.

Assim que amanhece vamos ao banheiro e usamos água para lavar o rosto, escovar os dentes e dar descarga no sanitário. A água também é usada durante o banho para retirar a espuma formada pelo sabonete ou pelo xampu. Na cozinha, ela é fundamental para o preparo da comida e para lavar a louça. Ao fazermos todas essas atividades cotidianas, sujamos a água que estava limpa. Essa sujeira é constituída de uma mistura de detritos contendo restos de alimentos, detergentes, urina, fezes e outras excretas. É nesse processo que a água se transforma em esgoto.(...) Ao sair das residências, os esgotos são coletados por tubulações subterrâneas que passam pelas ruas. O conjunto de tubulações de um bairro ou cidade, construído especialmente para o transporte de esgotos, é chamado de rede coletora, que possibilita encaminhar os resíduos até o rio mais próximo que, então, recebe uma alta concentração de poluentes(...)

Percorra os grupos e discuta os termos que geraram dúvidas. Oriente os alunos para que pesquisem os termos desconhecidos em dicionários e enciclopédias, previamente disponibilizadas.

Com base no texto, proponha aos alunos que discutam as seguintes questões: O que podemos chamar de esgoto? Quais materiais você acha que ele contém? Existe uma coletora de esgoto no local onde você vive? Se não, como o esgoto sai de sua casa? De quais doenças você já ouviu falar que são transmitidas pela água sem tratamento?

Os grupos deverão anotar suas respostas no caderno e compartilhá-las com a classe. Nesse momento, introduza o conceito de esgoto, os diferentes tipos - doméstico, industrial e hospitalar, doenças oriundas e os sistemas de tratamento, adequando as informações à faixa etária de sua turma e ao nível de desenvolvimento dos alunos. Apóie-se em textos de livros, tais como "Saneamento Básico: fonte de saúde e bem-estar", de Vilma Maria Cavinatto, e em sites como o da Sabesp ou outras companhias de saneamento básico de sua região. Apresente à turma uma ilustração, simplificada, de um modelo ideal de captação, tratamento e distribuição de água para o abastecimento de uma cidade, incluindo a purificação dos esgotos e converse com eles a respeito. Veja o modelo a seguir:

Em seguida, distribua recortes pré-selecionados de jornais, revistas e artigos da internet sobre poluição das águas e solicite aos grupos que elaborem painéis com desenhos, fotos e textos que ilustrem suas conclusões sobre as conseqüências do despejo do lixo e do esgoto, sem tratamento, em mananciais e rios que abastecem as cidades. Cada grupo apresentará seu trabalho que será afixado no mural da classe ou externo.

Após a apresentação, divida a sala em dois grupos para que realizem uma pesquisa de campo para verificar a relação entre qualidade da água e saúde. Para isso, organize com eles um roteiro de perguntas para um estudo mais aprofundado do assunto. Cada grupo poderá abordar um aspecto em sua pesquisa:

Um grupo poderá investigar de onde vem a água que abastece a cidade e se a região de captação está protegida de assentamento humano, fábricas, granjas, matadouro etc. Para isso o grupo poderá, junto com o professor, organizar uma visita à estação de tratamento local e entrevistar seus funcionários, ou convidar um funcionário desse serviço em seu município para uma palestra na escola.

O outro grupo poderá pesquisar sobre as doenças relacionadas à falta de acesso água potável e ao esgoto tratado, à disposição inadequada do lixo e à presença de transmissores de doenças, como ratos e mosquitos. Para isso poderá, com a ajuda do professor, entrevistar usuários e funcionários de postos de saúde e antigos moradores do bairro. Nesse caso, a visita de um agente de saúde escola também seria interessante. Os assuntos a serem pesquisados podem ser: doenças mais comuns e sua relação com problemas ambientais; índice e causas de mortalidade infantil; condições de atendimento nos serviços de saúde; utilização de métodos alternativos no tratamento de doenças; condições de saúde do bairro no passado e no presente; hábitos das crianças (andar descalço, lavar as mãos antes das refeições).

Todo o trabalho deve ser anotado em relatórios de pesquisa que o professor deve organizar e fotografado, quando possível. Em sala de aula, os grupos poderão preparar um seminário com os dados coletados e apresentá-lo à classe.

De onde vem a energia do gás natural

Objetivo: introduzir o conceito de fontes de energia. Propiciar reflexões sobre a presença e a importância da energia em nosso cotidiano, destacar o uso do gás natural como fonte de energia doméstica

Material necessário: imagens em transparências, retroprojetor, cartolina, lápis, lápis de cor, lousa, giz, cola, revistas, jornais.

Organize a sala em grupos e distribua imagens sobre pessoas realizando diferentes atividades em casa: pessoas assistindo TV , pessoa cozinhando, automóvel indo para a escola, pessoa andando de bicicleta, entre outros. Peça aos grupos que observem as imagens e questione-os: Para quais atividades usamos energia em nosso dia-a-dia? De onde vem essa energia utilizada? Seria possível viver sem energia?

Reserve um tempo para discussão nos grupos. Em seguida solicite que os alunos confeccionem cartazes para projetar um desenho sobre como imaginam o circuito de cada tipo de energia. O professor pode fazer um esquema simples na lousa sobre a energia para as atividades do corpo humano. Depois solicitar que as crianças especulem sobre a energia hidrelétrica, o gás natural, a gasolina, a força física corporal, entre outros. Os alunos devem ser incentivados a trocar idéias para produzir um desenho de circuito que deve ser feito de forma espontânea, considerando os conhecimentos deles sobre o assunto. Deve ser dito a eles que, mesmo que não saibam, que apresentem suas hipóteses. Podem usar desenho e colagem de figuras a partir de recortes de imagens de revistas e jornais para ilustrar os circuitos.

Cada grupo deverá expor seu cartaz e apresentar suas dúvidas sobre o circuito que imaginou a partir dos seus conhecimentos.

A partir dessa primeira aproximação, apresente por meio de transparências o circuito de cada tipo de energia, preparado previamente. Comente com a classe que cada tipo de energia que é produzida traz benefícios para o nosso dia-a-dia mas, também, afeta o meio ambiente. Peça aos grupos que pesquisem em livros didáticos, enciclopédias, revistas e sites um benefício e um problema ambiental gerado pela produção de cada tipo de energia.

Cada grupo irá expor suas descobertas ao resto da turma. Nesse momento apresente o conceito de gás natural e para que ele é utilizado, dando destaque ao uso doméstico.

Distribua o texto a seguir e solicite a leitura nos grupos. Os alunos deverão anotar as palavras desconhecidas para tirar as dúvidas. Cada grupo deverá comentar o seu entendimento sobre o texto, destacando as principais idéias.

O que é o gás?

O gás natural é um combustível que pode ser usado para cozinhar nossa comida, aquecer as nossas casas e processar as nossas mercadorias manufaturadas. O nosso gás é chamado “gás natural” porque é encontrado naturalmente, nas profundezas do mar e embaixo do solo em muitas partes do mundo. Ele é uma mistura de gases diferentes, mas o principal se chama metano. Assim como o ar, o metano não tem cor, gosto ou cheiro, mas queima com muita facilidade. Pode ser perigoso e por isso um cheiro é adicionado ao gás pata que possamos identificá-lo.

Como o gás é formado?

Muito antes de os dinossauros habitarem a Terra, há cerca de 300 milhões anos, a forma da Terra e dos mares era muito diferente do que é hoje. Naquela época, o Brasil ficava numa parte diferente da Terra. Era quente e cheio de vapor, e a terra era coberta de florestas, árvores altas e pântanos. Quando as plantas e as árvores morreram, elas foram cobertas por camadas de lama e lodo. O calor aumentou. A lama e o lodo viraram rochas, e a pressão das rochas transformou as plantas em carvão e gás durante milhões de anos...

Curiosidade: O gás natural é um combustível muito mais limpo do que o petróleo e o carvão. Depois de queimar, o gás emite apenas vapor de água, dióxido de carbono e pequenas quantidades de outros gases. O gás natural, chamado de “combustível verde”, é muito menos nocivo ao meio ambiente do que o petróleo, o carvão e a lenha.

Discutir com os alunos o texto comparando situações em que se utiliza o gás natural em diferentes finalidades. Organizar na lousa uma lista das finalidades apresentadas no texto com auxílio dos alunos. Distribua cada tipo de uso para uma nova pesquisa sobre os usos do gás natural no Brasil. Cada grupo deve produzir um texto com imagens a respeito do que descobriu sobre “De onde vem a energia do gás natural”.

GLOSSÁRIO

Água Potável: Água sem micróbios e outras substâncias que podem fazer mal à saúde humana. Água boa para beber e preparar alimentos.

Assentamento Humano: Qualquer forma de ocupação humana organizada do terreno, quer urbana ou rural, onde o homem vive em sociedade.

Calotas Polares: É uma região de latitude elevada do planeta, centrada na região polar, que está coberta de gelo.

Circuito: Linha que limita qualquer área fechada ou perímetro; caminho fechado ao longo de ligações e componentes. Ex.: Circuito Elétrico – Ligações que formam um caminho contínuo para a passagem de correntes de energia.

Esgoto: Sistema subterrâneo de canalizações destinado a receber as águas pluviais e os detritos humanos de um aglomerado populacional e levá-los para lugar afastado para o seu posterior tratamento.

Estados da água: Situação ou forma em que a água se encontra de acordo com a sua estrutura molecular: sólido, líquido ou gasoso.

Fluxograma: Representação gráfica, por meio de símbolos geométricos, da solução algorítmica de um problema. Mostra as relações entre partes de um sistema e sua hierarquia.

Gás natural: É uma mistura de gases encontrada freqüentemente em combustíveis fósseis, isolado ou acompanhado ao petróleo; porção do petróleo que existe na fase gasosa ou em solução no óleo, nas condições de reservatório, e que permanece no estado gasoso nas condições atmosféricas de pressão e temperatura.

Geleiras: Grande acúmulo natural de gelo; amontoamento de gelo passível de deslocamento.

Matérias não-recicláveis: São aqueles que não podem ser reutilizados após transformação química ou física.

Materiais recicláveis: São aqueles que após sofrerem uma transformação física ou química podem ser reutilizados, sob a forma original ou como matéria-prima de outros materiais para finalidades diversas.

Meio ambiente: O meio onde vivemos e do qual fazemos parte.

Reciclagem: Tratamento de resíduos, ou de material usado, de forma a possibilitar sua reutilização; fazer alguma coisa nova a partir de algo já usado anteriormente.

Rede Coletora: Conjunto de tubulações de um bairro ou cidade, construído especialmente para o transporte de esgotos.

Sabesp: Empresa que atua em serviços de água e esgotos, responsável pelo saneamento básico no Estado de São Paulo. Sigla: Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo.

Saneamento Básico: Conjunto de medidas, visando preservar ou modificar as condições do meio ambiente com a finalidade de prevenir doenças e promover a saúde. Se restringe ao abastecimento de água e disposição de esgotos, mas há quem inclua o lixo nesta categoria.

BIBLIOGRAFIA

GOLDENBERG, José. A Conservação de Energia. Ciência Hoje, 13 (73), 1991.
Ministério da Educação. Secretaria de Ensino Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais. (1.ª a 4.ª Serie) Temas transversais. Brasília, 1997.
SCARLATO, Francisco C. & PONTIN, Joel. A Energia para o Século XXI. (Série Geografia Hoje). São Paulo: Atica, 1998.
CAVINATTO, Vilma Maria. Saneamento Básico: fontes de saúde e bem-estar. São Paulo: Editora Moderna, 1992.
Secretaria de Estado da Educação de São Paulo. Água Hoje e Sempre: consumo sustentável. São Paulo: SE/CENP, 2004.
CARVALHO, A. F. e SAMPAIO, F. A. A. Caminhos da Ciência. Uma abordagem socioconstrutivista. São Paulo: IBEP, 2001.

Fonte: www.comgas.com.br

Dia do Educador Ambiental

15 de Outubro

A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA O BRASIL E O MUNDO

Durante o período da chamada Revolução Industrial não havia preocupação com a questão ambiental. Os recursos naturais eram abundantes, e a poluição não era foco da atenção da sociedade industrial e intelectual da época. A partir da escassez dos recursos naturais, somado ao crescimento desordenado da população mundial e intensidade dos impactos ambientais, surge o conflito da sustentabilidade dos sistemas econômico e natural, e faz do meio ambiente um tema literalmente estratégico e urgente. O homem começa a entender a impossibilidade de transformar as regras da natureza e a importância da reformulação de suas práticas ambientais.

Os limites

A humanidade está usando 20% a mais de recursos naturais do que o planeta é capaz de repor. Com isso, está avançando sobre os estoques naturais da Terra, comprometendo as gerações atual e futuras segundo o Relatório Planeta Vivo 2002, elaborado pelo WWF e lançado este ano em Genebra.

De acordo com o relatório, o planeta tem 11,4 bilhões de hectares de terra e espaço marinho produtivos - ou 1,9 hectares de área produtiva per capita. Mas a humanidade está usando o equivalente a 13,7 bilhões de hectares para produzir os grãos, peixes e crustáceos, carne e derivados, água e energia que consome. Cada um dos seis bilhões de habitantes da Terra, portanto, usa uma área de 2,3 hectares. Essa área é a Pegada Ecológica de cada um.

O fator de maior peso na composição da Pegada Ecológica hoje é a energia, sobretudo nos países mais desenvolvidos. A Pegada Ecológica de 2,3 hectares é uma média. Mas há grandes diferenças entre as nações mais e menos desenvolvidas, como mostra o Relatório Planeta Vivo, que calculou a Pegada de 146 países com população acima de um milhão de habitantes. Os dados mais recentes (de 1999) mostram que enquanto a Pegada média do consumidor da África e da Ásia não chega 1,4 hectares por pessoa, a do consumidor da Europa Ocidental é de cerca de 5,0 hectares e a dos norte-americanos de 9,6 hectares. A Pegada brasileira é de 2,3 hectares - dentro da média mundial, mas cerca de 20% acima da capacidade biológica produtiva do planeta.

Quando falamos em emissões de poluentes, as diferenças dos índices emitidos pelos países desenvolvidos e em desenvolvimento também são significativas: um cidadão médio norte-americano, por exemplo, responde pela emissão anual de 20 toneladas anuais de dióxido de carbono; um britânico, por 9,2 toneladas; um chinês, por 2,5; um brasileiro, por 1,8; já um ganês ou um nicaragüense, só por 0,2; e um tanzaniano, por 0,1 tonelada anual. A China e o Leste da Ásia aumentaram em 100% o consumo de combustíveis fósseis em apenas cinco anos (1990/95). (Wolfgang Sachs, do Wuppertal Institute).

Nos países industrializados cresce cada vez mais o consumo de recursos naturais provindos dos países em desenvolvimento - a ponto de aqueles países já responderem por mais de 80% do consumo total no mundo. Segundo Sachs, 30% dos recursos naturais consumidos na Alemanha vêm de outros países; no Japão, 50%; nos países Baixos, 70%. O desafio: O grande desafio da humanidade é promover o desenvolvimento sustentável de forma rápida e eficiente.

Este é o paradoxo: sabemos que o tempo está se esgotando, mas não agimos para mudar completamente as coisas antes que seja demasiado tarde. Diz-se que uma rã posta na água fervente saltará rapidamente para fora, mas se a água for aquecida gradualmente, ela não se dará conta do aumento da temperatura e tranqüilamente se deixará ferver até morrer. Situação semelhante pode estar ocorrendo conosco em relação à gradual destruição do ambiente natural. Hoje, grande parte da sociedade se posiciona como mero espectador dos fatos, esquecendo-se de que somos todos responsáveis pelo futuro que estamos modelando.

Devemos exercer a cidadania planetária, e rapidamente. A luz no fim do túnel: A conscientização ambiental de massa, só será possível com percepção.

Fonte: www.pautasocial.com.br

Dia do Educador Ambiental

15 de Outubro

A Educação Ambiental é um processo educativo que envolve ciência, ética, compromisso, atitudes, valores, em vários níveis, sejam no âmbito individual ou coletivo.

O Educador Ambiental atua na esfera da educação formal e informal com crianças e adultos em escolas, parques, empresas, ong’s, comunidades.

Com competência, o educador aborda temas diversos relacionadas às questões ambientais, passando informações, conceitos e técnicas necessárias que levem à reflexão e compreensão da realidade no sentido de conscientizá-las a uma mudança correta de atitudes.

Nesse sentido, o educador ambiental contribui no relacionamento entre sociedade e natureza, criando um ambiente harmonioso e sustentável diante da emergência ambiental.

“O verdadeiro educador é o que acompanha as mutações da vida, dos tempos, dos comportamentos”.

Artur da Távola

Fonte: www.floraefauna.com

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