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História da Máquina de Escrever

História da Máquina de Escrever

História da Máquina de Escrever
Christopher Latham Sholes, inventor que deu início à indústria de máquinas de escrever. Sholes acreditava que sua invenção fora fundamental na emancipação feminina, pois possibilitou que a mulher ingressasse no mercado de trabalho dos escritórios.(Herkimer County Historical Society)

É difícil precisar quando a máquina de escrever foi "inventada"; e também é difícil precisar quando ela começou a ser fabricada.

A primeira patente para uma máquina de escrever foi concedida na Inglaterra para Henry Mills em 1713.

Não havia detalhes sobre a máquina em si ou sobre exemplares fabricados, portanto ainda paira a dúvida se a patente foi concedida realmente para uma máquina de escrever.

Segundo o historiador Michael Adler, a primeira máquina de escrever documentada foi fabricada por um nobre italiano chamado Pellegrino Turri por volta de 1808.

Ele fabricou um artefato para que uma amiga, cega, pudesse se corresponder com ele. A máquina em si já não existe, mas algumas das cartas sim.

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Mechanical Typographer, inventado por John Jones. (Milwaukee Public Museum)

Outras patentes importantes foram concedidas aos norte-americanos John Burt em 1829 e Charles Tubber em 1843, ao italiano Giusseppi Ravizza em 1855 e ao austríaco Peter Mitterhoffer em 1864.

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Burt Typographer; a primeira máquina de escrever americana (London Science Museum, foto Bob Moran)

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Mitterhoffer, toda feita em madeira (Dresden Technical University, Dresden, Alemanha)

Nessa época surgiram muitos inventores e protótipos, incluindo a máquina brasileira inventada pelo padre Francisco Azevedo em 1861.

Essa máquina foi apresentada na feira Internacional de Recife daquele ano e gerou muito interesse.

Infelizmente, nunca chegou a ser fabricada em série e o protótipo que aparece na ilustração foi destruído.

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Maquina do Padre Azevedo (Escritório de Patentes do Brasil)

A primeira máquina realmente produzida em série e utilizada em diversos escritórios, foi sem dúvida a Skrivekugle, ou Malling Hansen.

Foi inventada e desenvolvida pelo Pastor Johan Rasmus Malling Hansen, da Dinamarca, diretor do Instituto Para Cegos e Surdos de Copenhagen.

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Skrivekugle ou Malling Hansen. Fabricada na Dinamarca em 1870, é a primeira máquina a ser produzida em série. Danmarks Tekniske Museum, foto Jan Slot-Carlsen

Em 1865 foi produzido o primeiro modelo, que se destacava por uma semi-esfera, onde as barras de tipo eram colocadas de forma radial, a tecla em uma ponta e o tipo na outra, todos convergindo para um único ponto onde ocorria a impressão.

A ação de imprimir era direta e livre, sem nenhuma das ligações e conexões que tanto atrapalharam as máquinas rivais.

Após diversos aprimoramentos, chegou-se ao modelo da ilustração acima; é uma máquina maravilhosa, precisa e infinitamente superior a muitas das máquinas que a sucederam.

Já naquela época apresentava uma série de características que só viriam surgir muito depois nas outras máquinas: retorno do carro automático, avanço de linha automático, barra de espaço e índice para parágrafos, campainha para sinalizar fim da linha, reversão da fita e escrita semi-visível, bastando levantar-se o carro.

Os tipos e símbolos eram esculpidos individualmente na extremidade das barras pelos artesãos da época.

Algumas centenas dessas fascinantes máquinas foram produzidas, e conhece-se aproximadamente 30 exemplares que sobreviveram, a maioria em museus. Estima-se que aproximadamente 6 ou 7 estejam em coleções particulares.

Se a Malling Hansen foi a primeira máquina a ser produzida em série, a Sholes & Glidden foi a máquina que deu início à indústria da máquina de escrever.

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A história desta máquina inicia-se em 1868 quando Christopher Latham Sholes desenvolveu a idéia que serviu de fundamento à indústria de máquinas de escrever.

Trabalhando com um grupo de amigos em uma oficina primitiva em Milwaukee, nos EUA, Sholes criou, 5 anos mais tarde, uma máquina que foi apresentada aos famosos fabricantes de armas Remington & Sons, de Ilion, Nova York. Carlos Glidden era um associado de Sholes e detinha participação no empreendimento, e foi assim que teve seu nome associado à máquina Sholes & Glidden.

As primeiras máquinas começaram a ser fabricadas em 1874 pela Remington; tinham sua própria mesa e eram decoradas com motivos florais e detalhes dourados. Pareciam um pouco com as máquinas de costura da época, influência, sem dúvida, do departamento de máquinas de costura da Remington.

O objetivo da decoração era apresentar um produto com uma aparência agradável.

A Sholes & Glidden escrevia somente em maiúsculas, e as barras moviam-se de baixo para cima. Para ver o que estava sendo escrito, era necessário levantar o carro.

Uma curiosidade desta máquina: Sholes foi o responsável pelo teclado QWERTY.

O nome foi dado porque essa é a sequência das primeiras letras da fileira de cima do teclado. O teclado QWERTY continua presente até hoje nos teclados de computadores.

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A razão para a escolha deste teclado é muito prosaica: dentro da máquina, as barras de tipo operavam muito perto umas das outras, podendo colidir e emperrar.

Para evitar ao máximo o problema, Sholes analisou as palavras mais utilizadas na língua inglesa e dispôs as barras dentro da máquina a fim de minimizar a probabilidade de colisão.

A Sholes & Glidden não foi um sucesso imediato; era cara e apresentava problemas; além do mais, era hábito da época que as cartas fossem escritas à mão.

Pouco a pouco, surgiram os primeiros operadores destas máquinas, mulheres principalmente. Foi assim que a máquina de escrever contribuiu enormemente para o ingresso das mulheres no ambiente de trabalho nos escritórios.

Aproximadamente 5.000 Sholes & Glidden foram fabricadas; o modelo inicial com flores e decorações foi substituído por um modelo preto com decoração mais sóbria.

Em 1878 a Remington lançou a Remington 2, com inúmeros aperfeiçoamentos, inclusive dotada de mecanismo que possibilitava datilografar maiúsculas e minúsculas.

A máquina era eficiente e durável e, após um início incerto, as vendas finalmente decolaram, atraindo então o interesse de outros fabricantes; a concorrência apareceu e a indústria de máquinas de escrever instalou-se.

Um aspecto fascinante do desenvolvimento das máquinas de escrever é o relacionado às patentes. Como os concorrentes não podiam infringir as patentes registradas, tinham de inventar características especiais para que fossem patenteadas.

Esse fato explica a enorme variedade de tipos de mecanismos das máquinas de escrever. É fascinante observar essa variedade e analisar essa evolução.

Tanto a Malling Hansen quanto a Sholes & Glidden são máquinas extremamente desejadas pelos colecionadores.

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Cartão postal do início do século XX; a palavra typewriter, à época, significava tanto “máquina de escrever” como “datilógrafa”. O título, portanto, “Ocupado com uma typewriter”, é de duplo sentido e um exemplo do humor da época.

Fonte: wwww.maquinasdeescreverantigas.com.br

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O paraibano Francisco João de Azevedo nasceu em 4 de março de 1814. Pouco se sabe sobre a sua infância. É fato, porém, que cedo perdeu o pai, outro Francisco João de Azevedo. Desconhece-se o nome de sua mãe. Seus primeiros anos não foram nada fáceis, não só pela situação da viuvez de sua mãe, quanto pelo fato do Nordeste atravessar uma terrível seca na década de 1820. Sua história foi narrada pelo seu primeiro biógrafo, José Carlos de Ataliba Nogueira [1901 - 1983], no seu livro "Um inventor brasileiro", de 1934. No ano de 1835 matriculou-se no histórico Seminário de Olinda. Tornou-se padre em 18 de dezembro de 1838, pelo Seminário de Recife, onde passou a residir. Na capital da Província do Pará (hoje João Pessoa), lecionou por vários anos, a partir de 1863, cursos técnicos geometria mecânica e desenho no Arsenal de Guerra de Pernambuco, notabilizando-se com um sistema de gravação em aço. Lá ele também desenvolveria uma invenção revolucionária: a máquina de escrever.

Vários outros inventores desenvolveram protótipos, mas foi o Padre Azevedo quem conseguiu construir o primeiro modelo que funcionava. o modelo de Henry Mill, nunca saiu do projeto, ou seja, nunca foi construído; o francês Xavier Progin, de Marselha, em 1833, apresentou o seu invento, em que usou barras de tipo, sendo uma alavanca para cada letra.A partir de 1850, principalmente nos Estados Unidos e Europa, muitas foram as máquinas de escrever que surgiram, com especial destaque para: Alfred Ely Beach, de Nova York (1856); do Dr. Samuel W.

Francis, também de NY, em 1857 e de John Pratt em 1866.Entretanto, foi em 1868, que surgiu a primeira máquina de escrever prática, e, o melhor, podia ser fabricada em escala industrial, resultado dos trabalhos de três inventores de Milwakee: Carlos Glidden, Christopher Lathan Sholes e Samuel W. Soule. As crônicas de Pernambuco relatam que em 1866 chegaram a Recife diversas famílias norte americanas, expatriadas após a derrota dos escravagistas dos estados do Sul, que procuravam estabelecer em Pernambuco um núcleo colonial. Naquele mesmo ano de 1866 na revista americana Scientific American apareceu um artigo intitulado "Who Will invent a writing machine ? ", provando que naquele ano não existia ainda a máquina de escrever na América do Norte, pois tal fato não poderia ser desconhecido de uma revista especializada

Tendo herdado as aptidões mecânicas de seu pai, concebeu seu projeto nas oficinas da fábrica de armamentos do Exército onde lecionava. A mecânica atraía muito Francisco João de Azevedo. Recolhia-se às oficinas e laboratórios horas a fio, pela madrugada adentro, a planejar e resolver problemas das invenções que idealizava. Naquela época (e isso hoje causa espanto a qualquer um) existia no Brasil um organismo tecnológico excelentemente aparelhado para o fabrico de aparelhos, armamentos, equipamentos, fardamentos, máquinas, bem como tudo quanto necessário ao abastecimento do exército. Havia oficinas dotadas do melhor naqueles tempos, com pessoal qualificado (alfaiates, coronheiros, ferreiros, funileiros, serralheiros, etc.). Era, como se percebe, um templo de trabalho, com a vantagem de ter a tranqüilidade que todo inventor precisa.

Dois inventos já o preocupavam: um veículo para o mar e outro para a terra. O primeiro acionado pela força motriz das ondas e o segundo pelas correntes aéreas, sem qualquer motor. Azevedo teve a idéia de construir uma máquina de escrever quando, em 1854, a primeira linha telegráfica construída do mundo transmitiu a mensagem entre Washington e Baltimore. O aparelho de David Edward Hugues [1831 - 1900] permitia escrever a máquina as mensagens telegráficas transmitidas a distância.

Azevedo teve que construir primeiramente, porém, a máquina taquigráfica, por razões econômicas. Precisava construir um aparelho que prestasse à imediata aplicação, possibilitando-lhe auferir lucros e, nesse sentido, nada melhor do que a taquigráfica, já que tanto o Conselho de Estado como a Câmara Legislativa e o Tribunal de Justiça precisavam de um processo prático para colher discursos, diálogos e debates orais dos seus membros, durante as sessões.

É importante esclarecer que Azevedo fez duas invenções distintas: a primeira, apresentada na Exposição Nacional do Rio de Janeiro, foi a máquina taquigráfica; e a segunda, a máquina de escrever. Para Ataliba Nogueira, o melhor e mais profundo biógrafo do Padre Azevedo, não há dúvida quanto à realização de dois inventos. Escreveu ele na página 71 de sua obra "A máquina de escrever, invento brasileiro": A própria gravura da máquina taquigráfica exibida na Exposição de 1861 mostra a simplicidade de transformação da máquina taquigráfica em máquina de escrever.

A gravura deixa ver nada menos de vinte e quatro teclas, das quais tão somente dezesseis funcionavam. Que o Padre Azevedo inventou e fez funcionar as duas máquinas, uma para escrever e outra para taquigrafar,(...) não cabe discussão. Aproximava-se o ano de 1862, quando devia realizar-se em Londres uma Exposição Internacional, para o qual o Brasil fora oficialmente convidado. A Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional tomou a iniciativa das providências. Nesse sentido, propôs e o governo aceitou que, como medida preliminar, fossem primeiramente organizadas pequenas exposições regionais nas Províncias, para facilitar a seleção dos produtos que deveriam figurar na Exposição Nacional do Rio de Janeiro, a partir da qual realizar-se-ia nova seleção, para a escolha definitiva dos mostruários destinados aos conclaves de Londres. O Padre João de Azevedo decidiu expor sua máquina na Exposição Industrial e Agrícola da Província de Pernambuco.

A imprensa da época proclamou o valor da sua invenção. De fato, a máquina taquigráfica era o centro das atenções da Exposição. O Jornal do Recife, na edição de 16 de novembro de 1861 (data da inauguração da exposição), publicou: "Em frente, do outro lado da sala, está um pequeno e elegante móvel, a máquina taquigráfica do Sr. Padre Azevedo; é um dos objetos que, sem dúvida, o Brasil enviará à Exposição de Londres no futuro ano de 1862, e que chamará sobre si a atenção e o exame das classes industriais da Europa."

O Diário de Pernambuco, na edição de 25 de novembro de 1861, comentou elogiosamente a máquina: "O piano taquigráfico do Sr. Padre Azevedo, que há de figurar na Exposição de Londres e que ali dará uma cópia brilhante do Brasil, tem uma importância no domínio da arte e nas exigências da prática, tal qual a do vapor sobre a força individual."

Concluída a Exposição Regional de Pernambuco, os produtos ali selecionados deveriam ser remetidos ao Rio de Janeiro, a fim de figurarem, como já foi dito, na Exposição Nacional. O Padre Azevedo, porém, era um homem pobre e não podia, sozinho, arcar com as responsabilidades de uma viagem ao Rio de Janeiro, onde a sua presença era essencial, para que ele próprio explicasse o funcionamento da máquina e fornecesse esclarecimentos para um público certamente mais numeroso e exigente. Havia, porém, dificuldades econômicas. A máquina de Azevedo, como ele próprio disse, não estava completa. Necessitava de acabamentos e retoques finais, e isso custava muito dinheiro. A Comissão Pernambucana compreendeu o problema do inventor. Dispôs-se, então, a ajudá-lo, contanto que a máquina chegasse ao Rio de Janeiro em companhia do autor. A Comissão auxiliou Azevedo a concluir o invento e custeou sua viagem. Foi assim que ele, afinal, chegou ao Rio de Janeiro e expôs a máquina na "Primeira Exposição Nacional", de 1861, no Rio de Janeiro.

A Exposição Nacional, inaugurada não por acaso no dia 2 de dezembro (aniversário do Imperador Pedro II), realizou-se no Edifício da Escola Central, hoje Escola Politécnica do Largo de São Francisco. O próprio imperador Pedro II chegou a ver a máquina! Aparentando um piano, o invento era um móvel de jacarandá equipado com teclado de dezesseis tipos e pedal. Cada tecla da máquina de Francisco acionava uma haste comprida com uma letra na ponta.

Eis como Padre Azevedo a descreveu: "Se tocarmos uma só tecla de um piano para produzir um som, é inegável que o podemos fazer, ao mesmo tempo que pronunciamos um A ou um B ou mesmo uma sílaba qualquer; se tocarmos uma, duas, três, quatro teclas & Co., não sucessiva, mas simultaneamente, levaremos o mesmo tempo que gastamos em tocar uma só. Se esse piano constasse somente de dezesseis teclas, teríamos dezesseis sons diferentes; se tomássemos duas a duas, teríamos em combinações binárias pouco mais ou menos cento e vinte acordes; em combinação trinária aumentaríamos esse número, e se continuássemos por combinações quaternárias e seguintes, o número de acordes seria mais suficiente para exceder o número de sílabas em qualquer idioma".

"Uma tira de papel da largura de três dedos, pouco mais ou menos, e de um comprimento indefinido, passando por movimento contínuo entre esta chapa e as hastes das letras, é por elas comprimida e recebe a impressão destas últimas, que conserva inalterável. As letras que compõem uma sílaba saem impressas no papel em uma mesma linha horizontal, ora juntas, ora apartadas umas das outras, e o decifrador não tem outro trabalho mais do que ajuntar as diferentes sílabas para formar as palavras.

Trabalha-se na máquina como se toca num piano, com ambas as mãos, comprimindo levemente com os dedos as diferentes teclas de que ela se compõe, e aqueles que conhecem a ligeireza com que os mestres executam nesse instrumento as mais complicadas peças, compreenderão prontamente que nenhuma impossibilidade há de que com tempo e exercício se adquira nesta máquina uma destreza e agilidade tais, que permitam tomar as palavras, à medida que forem sendo proferidas, pois que para cada sílaba bastará apenas um pequeno toque com os dedos nas teclas convenientes, o que, sem dúvida, se poderá fazer em menos tempo do que o preciso para, na taquigrafia, escrever-se o sinal competente. Para escrever, observaremos o seguinte: A, B, C, D, E, F, G, L, I, O, P, R, r, s, T são as letras a que correspondem as teclas da máquina, tendo o mesmo valor que na escrita vulgar. Todas as mais consoantes que não são as precedentes se formam por combinações binárias G com as teclas CP, etc.."

O pedal servia para o taquígrafo mudar de linha no papel. Note-se que a descrição refere-se à máquina taquigráfica e não à de escrever. A máquina de escrever foi feita, com toda a certeza, a partir de modificações posteriores feitas por Azevedo. O Jornal do Comércio, no dia seguinte à entrega dos prêmios (15 de março de 1862), publicou longo editorial narrando o acontecimento. Embora constituísse o invento de maior sucesso dessa exposição, ao contrário de todas as expectativas, a máquina de Azevedo não foi enviada para a Exposição de Londres. O motivo dado pela Comissão foi "falta de espaço" no pavilhão reservado ao Brasil, o qual mal dava para colocar as amostras dos produtos naturais (minerais, madeiras, frutos, etc.) e os de transformação (café, cacau, borracha, fumo, algodão, mate, etc.), que, no entender da Comissão, tinham prioridade, partindo do pressuposto de que envolviam estes maiores atrativos comerciais do que os inventos.

Qual não deve ter sido a decepção do Padre quando, depois de ter recebido a Medalha de Ouro, lhe comunicaram que o modelo da sua máquina, por ele próprio tão caprichosamente executado, não mais seria levado à Exposição de Londres, pela inacreditável razão de falta de espaço suficiente para acomodá-la! Padre Azevedo, a despeito desse fato, não renunciou à sua capacidade inventiva. Em 14 de outubro de 1866 ganhou medalha de prata pela invenção de um elipsígrafo na Segunda Exposição Provincial.

Dois anos depois tornou-se professor de aritmética e geometria no Colégio das Artes, anexo à Faculdade de Direito do Recife. A história da máquina de escrever do Padre Azevedo, porém, ainda não estava acabada. Ataliba Nogueira, biógrafo do padre Azevedo, disse que o padre foi convidado por um agente de negócios estrangeiro a ir aos Estados Unidos da América do Norte. Segundo depôs o Dr. João Félix da Cunha Menezes isso teria ocorrido em 1872 ou 1873.

O estrangeiro comprometeu-se a custear tudo, desde a viagem até a fundição das peças da máquina, que seria, em seguida, fabricada em série, cabendo a ele, o padre, como inventor, uma parte da cota dos lucros obtidos. Opunha, apenas, uma condição: Azevedo teria, preliminarmente, de mostrar-lhe a máquina, de explicar-lhe o funcionamento, detalhes e engrenagens, e o modo de trabalhar.

Padre Azevedo agradeceu o convite, mas recusou-se a empreender a viagem, em virtude de sua saúde e da idade avançada. Além desses dois fatores, temia o clima rigoroso da América do Norte. Diante da resposta, o forasteiro retirou-se; passados alguns dias, voltou à casa de Azevedo, desta vez para pedir-lhe que confiasse a ele a máquina, pois em troca lhe oferecia garantias e prometia grandes vantagens. O padre pediu tempo para pensar. O restante da história não está bem explicado. Não se sabe como, o estrangeiro apoderou-se da máquina. Todos os historiadores culpam esse anônimo estrangeiro de ter roubado o invento, para ir apresentá-lo em seu país, como se fosse de sua autoria. O roubo desestimulou Azevedo a continuar no desenvolvimento da invenção.

Ataliba Nogueira sustentou intransigente a seguinte versão: "... o que se conclui como certo é ter ido a máquina para o estrangeiro (...) servindo-se algum estrangeiro de qualquer embuste para ilaquear a boa fé do modesto provinciano, cuja qualidade intelectual de vasta cultura não constituía couraça para defesa eficaz contra a astúcia e o enredo de cobiçosos." Note-se que o segundo encontro de Azevedo com o estrangeiro ocorreu em 1872 ou 1873. Em 1867, seis anos após a invenção do Padre Azevedo, o norte-americano Christopher Latham Sholes, com Samuel Soule e Carlos Glidden, pediu patente para uma máquina de escrever. No entanto o modelo de máquina de 1874 apresentado à firma E. Remington & Sons, fabricantes de armas e máquinas de costura, de Ilion, Nova York, incorporaria avanços significativos.

Na máquina de Sholes as suas teclas eram dispostas em ordem alfabética. Tentando criar o método mais "científico", Sholes pediu ajuda ao seu amigo, James Densmore. Em 1872, Densmore surgiu com o teclado QWERTY, assim chamado por causa das seis primeiras letras da fila superior, na mão esquerda. Ele estudou as letras e as suas combinações mais frequentes na língua inglesa para as colocar distantes umas das outras, a fim de que as hastes não subissem juntas, embolando-se durante a dactilografia.

O segundo modelo de Sholes, produzido um ano depois, tinha sido aperfeiçoado a tal ponto que a sua velocidade ultrapassava a da escrita à mão. Sholes continuou a aperfeiçoar as suas máquinas e, em 1873, assinou um contrato com a Remington para produzir máquinas de escrever. Eliphalet Remington e o seu filho, Philo, que eram fabricantes de armas, introduziram o seu modelo comercial em 1874, porém, não deram a ele o nome do seu inventor, mas o deles próprios. O público só aceitou a máquina de escrever depois de um italiano, Camilo Olivetti, ter lançado em 1910 um modelo muito parecido ao que é utilizado hoje. Olivetti lançou o modelo portátil em 1932.

O encontro do Padre Azevedo com o estrangeiro ocorreu em 1872 ou 1873. Será mera coincidência? Daí a suspeita, bastante aceitável, de que o estrangeiro tivesse furtivamente revelado o modelo a Sholes, o único interessado e dedicado ao assunto, e este, o revelado a Remington. Leve-se em consideração também o fato de que a primeira máquina de escrever de Sholes, de 1867, é completamente diferente da lançada em 1874, e nota-se, entre a primeira e a última, um enorme avanço técnico. Como divulgaram os jornais, a máquina taquigráfica seria imediatamente utilizada para registrar os discursos nas sessões do Conselho de Estado, do Superior Tribunal de Justiça, da Câmara dos Deputados e Senado e das Assembléias Legislativas. No Brasil não havia mercado para a máquina de escrever.

O comércio e as repartições públicas brasileiras eram de moldes acanhadíssimos, empregando os mais rudimentares métodos, de acordo com o ínfimo volume dos negócios e papéis. Como não seria incompreendida a vantagem da utilização da máquina de escrever naquela época, se dezesseis anos depois uma revista especializada em assuntos de arte e indústria, editada no Rio de Janeiro, a Imprensa Industrial, recebia com estas palavras o aparecimento, na América do Norte, das máquinas Remington, no dia 10 de maio de 1877, página 528: "Incontestavelmente é uma bela invenção, principalmente para os que escrevem mal, ou sofrem das mãos e ainda acrescentado, para os cegos, que, nos Estados Unidos, já dela se servem sem dificuldade."

Ataliba Nogueira, embora sem levar em conta os detalhes funcionais (como seria desejável) mas louvando-se no exame superficial de fotografias, encontrou grande semelhança entre a máquina de Azevedo e a Remington no 1, "a ponto de verificar" disse ele "diante da simples aproximação da fotografia de uma ou de outra, que esta é a reprodução em aço daquela outra, fabricada em madeira, tamanha é a semelhança dessas duas máquinas, que podemos aceitar de todo a tradição oral relativa ao furto da máquina, apropriação do objeto e não da idéia" e prossegue: "É uma coincidência deveras estranha que os americanos hajam abandonado de uma hora para outra os modelos sobre os quais vinham trabalhando há tanto tempo, justamente na época em que retornavam à América os emigrados de Recife. Têm tantos pontos de semelhança as máquinas de Gliden, Sholes e Soule com a do padre Azevedo, mesmo nos seus defeitos, que não se pode deixar de pensar que esta última tenha sido a origem daquela.".

Na carta que dirigiu ao Jornal de Recife, em 1876, isto é, quatro anos depois da Exposição de Londres, Azevedo deixou claramente entrever as dificuldades que enfrentou: "Esta, como todas as minhas descobertas ficou inútil, porque me falta o dote, muto necessário e muito legítimo de saber recomendar a creditar minha idéia. O acanhamento e a timidez da minha índole, a falta de meios, e o retiro em que vivo não me facilitam o acesso aos gabinetes onde se fabricam reputações e se dá o diploma de suficiência. Daí vem que as minhas pobres invenções definham, morram crestadas pela indiferença e pela minha falta de jeito"

Padre Azevedo morreu na segunda-feira de 26 de julho de 1880, sendo sepultado no dia seguinte, no cemitério da Boa Sentença. Seu nome jazia esquecido quando, em 1906, pelas colunas de um modesto periódico (o jornal do Comércio de Manaus) o paraibano Quintela Júnior publicou um artigo narrando que o inventor da máquina de escrever havia sido aquele provinciano. Foi uma revelação, apesar de conter poucos dados e esses mesmos repletos de erros quanto a fatos, nomes e datas. O artigo era desacompanhado de qualquer documentação. A notícia, porém, foi jubilosamente recebida por todo o Brasil. O artigo foi transcrito por vários jornais de todo o país. Do brado inicial por diante, várias vezes a imprensa passou a ocupar-se do inventor brasileiro e da sua máquina.

Em 20 de agosto de 1912, Sílvio Romero escreveu nova carta, desta vez dirigida ao redator da Gazeta de Notícias: "Na Gazeta de hoje vejo que volta a tratar da invenção do Padre Azevedo, e noto que alguém contesta tal invenção. Venho dar-lhe o meu testemunho. Conheci o Padre Azevedo, durante os anos em que residi em Pernambuco, de 1868 a 1876. Falei com ele inúmeras vezes; vi a cansar a máquina de escrever, admiravelmente feita de madeira, capaz de reproduzir qualquer trecho falado ou escrito. Não sei se fez alguma outra para traçar elipses. Vi a máquina de escrever em casa do padre e vi-a exposta em público. O chamá-la taquigráfica não lhe tira o cunho de máquina de escrever. Vi-a funcionar, dando trechos de jornal para serem transcritos e ditando estrofes de poesias, ou trechos orais quaisquer. Isso afirmo eu, sob palavra de honra. Se o Padre deu o invento a algum estrangeiro para leva-lo aos Estados Unidos, ignoro."

Fonte: inventabrasilnet.t5.com.br

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HISTÓRIA DA MÁQUINA DE ESCREVER

Henry Mill era um compenetrado senhor inglês, que passou parte de sua vida na tentativa de encontrar um novo sistema de escrita mais veloz e muito mais claro que aquele feito a mão. Em 1714, conseguiu obter patente para um engenho mecânico, que permitia imprimir a escrita sobre uma folha de papel, por meio de alavancas. A história da mecânica para descrever pode, por assim dizer, tomar aquela data como ponto de partida, mas se passou quase um século antes que o sonho de Henry Mill tomasse forma concreta. Diga-se, também, que as primeiras máquinas eram um tanto embaraçantes, complicadas e barulhentas, pois não foram fabricadas pensando-se que devessem servir para tornar a escrita mais clara e legível, mas para servir de auxílio aos cegos, os quais sentados diante desta espécie de piano, podiam levantando alavancas dotadas de caracteres tipográficos, formar no papel, um pensamento.

Foi somente cerca de 1810 que se começou a conceber a idéia de que tal máquina poderia ser, também, utilmente usada pelas pessoas que vêem. Na América e na França, a iniciativa teve êxito. William Austin Burth obteve patente para um modelo que se chamou Typograph.

Alguns anos depois, o francês Progrin inventava um tipo de máquina em que, em lugar das alavancas com os caracteres tipográficos, martelinhos batiam, através de uma fita copiativa, sobre um cilindro central.

Um advogado de Novara, Giuseppe Ravizza, fabricou uma máquina de escrever em que o teclado permanecia fixo, enquanto, um carrinho movimentava-se com a folha de papel. A esse aparelho se chamou "címbalo escrivão".

Mas devemos citar também o nosso patrício, Padre Francisco João Azevedo, da Paraíba, que, em 1861, apresentou, na Exposição das Províncias do Norte, no Rio de Janeiro, o seu Mecanógrafo, recebendo do Imperador D. Pedro II uma medalha de ouro. Ao mesmo tempo, na América, o rico armeiro Remington, construiu uma máquina de escrever segundo o modelo idealizado por um tipográfico genial, Sholes.

Desde essa época, a máquina progrediu muito e difundiu-se. Mas os tipos eram ainda miúdos e a escrita invisível, porque os martelinhos batiam na parte inferior do cilindro, ao passo que o invento de Ravizza, modelo 16, apresentava escrita visível. Daí por diante, as mais importantes nações da Europa e da América instalaram fábricas para a produção de máquinas de escrever em vasta escala, com a mesma disposição dos tipos no teclado (teclado universal).

Chegou-se, assim, ao começo do século XX e, até hoje, já foram criados muitíssimos modelos de máquina com aperfeiçoamentos sempre melhores, no intuito de tornar a máquina de escrever sempre mais veloz, prática, manuseável, silenciosa, elegante e ao alcance de todos. Outras máquinas de escrever, de tipos moderníssimos, são as empregadas para contabilidade e para cálculos: máquina estenográfica; a telescrevente; a criptográfica (que traduz mensagens cifradas).

Fonte: Netopedia

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E O "PADRE DA MÁQUINA" FOI ESQUECIDO

O padre paraibano Francisco João de Azevedo morreu há 100 anos sem realizar seu maior sonho: Conseguir a patente de uma máquina de escrever de madeira feita à mão, com auxilio de lixa e canivete.

Doze anos depois, em 1873, três americanos receberam autorização para produzir em escala industrial uma máquina quase igual à do brasileiro João de Azevedo. O modelo americano era uma cópia do brasileiro que continou a ser apenas uma peça de artesanato.

Escritores, jornalistas e historiadores garantem que o modelo da máquina de escrever brasileira foi transferida para os Estados Unidos ou Inglaterra por um estrangeiro, com autorização do padre Azevedo. 
Hoje, o Brasil - que não se interessou pelo invento do padre brasileiro - é o maior produtor mundial de máquinas de escrever, com seis fábricas, das quais cinco são multinacionais, instaladas no País. Seu inventor, porém, continua esquecido pela maioria dos brasileiros.

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COM LIXA E CANIVETE

No início. sua utilização foi muito restrita. Apenas os cegos, os que escreviam mal e os que sofriam das mãos deveriam adquiri-la.Os demais teriam de continuar redigindo documentos com suas longas penas de ganso. Logo, porém, elas foram substituídas pelas máquinas de escrever que se espalharam por quase todos os locais de trabalho.

Atualmente, o Brasil é o maior fabricante mundial de máquinas de escrever, com uma produçao anual de 7oo mil unidades. Ontem comeremorou se o centenário da morte de seu inventor, o padre Francisco João de Azevedo. Italianos, americanos e ingleses reivindicam a autoria do invento, mas o padre José de Azevedo foi o único que, em 1861, concluiu um modelo de máquina funcional e em condições de ser produzido em escala industrial.

Houve outros modêlos de máquinas de escrever que se antecederam ao do inventor paraibano - diz o professor Ataliba Nogueira, um especialista no assunto, mas nenhum pôde ser industrializado "pois para tanto não se prestavam". Com seus óculos de aros de ferro presos por um cordão, padre Francisco trabalhou com canivete e lixa durante meses, recortando letras de jornais, para colocá-las sobre as teclas, e tirando as arestas dos tipos de madeira. Antes da conclusão do projeto, o inventor fez importantes revelaçõeses a Aloisio de Carvalho, médico e antigo presidente da Intendência do Rio de Janeiro:

"Resolvido esse problema, não é uma grande revolução que faço no mundo, a de escrever por máquina? Mas que quer meu amigo , nao terei esse gosto. Nao tenho dinheiro, nem quem me queira emprestar para levar meu invento à Europa, e fundí- lo em aço." Mesmo com toda as dificuldades, essa "revolução"se concretizou. Hoje, só na cidade de São Paulo, há mais de 8o mil secretárias, além de datilógrafas e auxliares de escritório.

As máquinas de escrever, porém quase provocaram a extinção das escolas de caligrafia. Edison D. Franco, professor há 40 anos,é o responsável pela única escola de caligrafia existente no País. "Com o surgimento das máquinas, as escolas foram sendo abandonadas. As pessoas, entao passaram a achar que fazer curso de caligrafia é coisa supérflua. Mas no passado, escrever com clareza era uma necessidade". Franco acha, porém, que "mecanizar o ato de escrever" facilitando a reproduçao gráfica, nao significa a extinçao das escolas de caligafia".

A máquina fotográfica não acabou com a pintura, nem os equipamentos de modelagem industrial eliminaram os escultores O invento da máquina de escrever veio facilitar tarefas humanas, permitindo a execuçãao mais rápida e uniforme ds trabalhos, que se conservarãoo sempre, impessoais". Quando a máquina de escrever foi inventada, muitos a consideraram desnecessária.

Estevão Pinto ironizou o invento, lembrando que ele poderia ser criticado por alguma beata: "Ora essa, então por que foi que Nosso Senhor deu os dedos à gente, senão para escrever com eles mesmos?"

Outros comentavam que "ninguém deixaria de lado uma bela caligrafia manual que custva poucas patacas semanais, por uma máquina que deveria custar muito diheiro a um empregado melhor aquinhoado. As críticas porém, tiveram curta duraçao. O padre Francisco João de Azevedo apresentou sua máquina de escrever na Exposicao Nacional que, em dezembro de 1861, reuniou os melhores trabalhos de todos os Estados.

Ela foi premiada com a medalha de ouro, entregue por D.Pedro II, ao padre paraibano, e deveria ser exibida em Londres na Exposicão Internacional, o que nao ocorreu "por falta de espaço para acomadar os originais no local destinado aos produtos do Brasil". A máquina de escrever do padre Azevedo - afirma o livro de ATALIBA NOGUEIRA - precedeu de 12 anos, o primeiro engenho industrializado, a máquina norte americana.O próprio autor revela que a máquina pode ter sido transferida para o Exterior contra a vontade de seu inventor, ou alguém ter se apropriado de seus segredos, transferindo- os para outro país.

Outro escritor, Miguel Milano, responsável pela biografia do inventor, diz que "o simples confronto entre as duas máquinas ( a brasileira e a americana de Cristóvão Sholes), não deixou a menor dúvida de que se tratava da mesma máquina. Nem o pedal lhe foi suprimido, apesar de perfeitamente disponível". Os artigos de escritores e jornalistas americanos não fazem sequer comentários sobre a vida e obra do padre João de Azevedo.

O Inventor brasileiro não estimulou a discussão. A contrário, esperou até 1872, 11 anos depois da Exposição Nacional, para que a Assembléia Provincial autorizasse um empréstimo, que nao chegou a ser concedido, para "aperfeiçoamento e construção das máquinas de sua invenção" Tarde demais. Os modelos de máquinas americanas foram patenteados e colocados pela primeira vez no mercado em 1873".

Três anos depois, o jornal A PROVÍNCIA DE SÃO PAULO, publicava a seguinte notícia:
"Lemos em uma folha da Capital do reino A Companhia Alliança de Crédito e Auxílio das Artes Portuguezas, estabelecida no Porto, mandou vir da Inglaterra uma machina de escrever tão engenhosa quanto simples e perfeita". E os anúncios publicitários davam ênfase à importância da máquina de escrever, ao contrário do que acontecia no passado: "Contra a preguiça de escrever, a perda da vista e os desvios da espinha, use a máquina de escrever".

HOJE SÓ RESTOU O NOME DE RUA

Francisco João de Azevedo, o inventor da máquina de escrever, é hoje apenas nome de rua, de loja maçonica e de uma escola de datilografia na cidade onde nasceu, Joao Pessôa.No Recife, onde viveu a maior parte de sua vida e se ordenou padre, nao há referências ao inventor nos museus do Estado. Nem mesmo sua sepultura foi localizada, na Paraíba, mas o historiador Desdedith Leitao tem uma explicação para o mistério: "Naquela época, costumavam enterrar as pessoas em valas comuns, de dífil identificação posterior".

Na Paraíba e no Recife são poucos os que se lembram do padre Frnacisco Joao de Azevedo. A maioria das citações sobre o inventor pode ser encontrada em livros, como o de um de seus biógrafos, o escritor Sebastiao de Azevedo Bastos : "A glória não lhe veio em vida, mas muito tempo depois de sua morte. Vivo, tudo conspirava contra ele" .Alguns paraibanos o vêem como uma pessôa de espírito engenhoso, nao obstante injustiçado pelos poderosos do antigo Império".

Sebastião Bastos resume a vida do padre inventor: "Um singular e modesto paraibano, pacífico sacerdote, porém grande professor de matemática, maçon convicto". Além da máquina Francisco João de Azevedo desenvolveu outros inventos: Um veículo para o mar, acionado pela força das ondas, e outro para a terra, movido pelas correntes aéreas". Mas as dificuldades foram as mesmas.

Em carta a jornais de Recife, em seis de outubro de 1875, o padre fazia uma confissão: " O acanhamento, a timidez de minha índole, a falta de meios e o retiro em que vivo nao me facilitam o acesso aos gabinetes, onde se fabricam reputacões e se dá diploma de suficiência. Dai vem que minhas pobres invenções definhem, morram crestadas pela indiferença e minha falta de jeito". Francisco João de Azevedo deixou ainda um repertório de músicas sacras que até recentemente eram executadas em festas religiosas.

Depois que os americanos passaram a produzir as máquinas de escrever em escala industrial, muitos escritores e publicações se preocuparam em defender o padre João de Azevedo. Um deles, o escritor SILVIO ROMERO, enviou uma carta ao jornal GAZETA DE NOTÍCIAS, esclarecendo que "vi a cançar a máchina de escrever admiravelmente feita de madeira, capaz de reproduzir qualquer trecho falado ou escripto".

O jornal "A Paraíba", de 31 de julho de 1880,diz que "o padre Azevedo inventara uma máquina de escrever", enquanto o Diário de Pernambuco explica que "ele inventou uma máquina taquigráfica e outra de escrever, que encheu de pasmo e admiraçao a Europa civilizada". A Revista Ilustrada, do Rio de Janeiro, foi mais objetiva, reivindicando ao padre brasileiro os direitos e a prioridade à invenção.

O artigo publicado em 1876 comenta que "as primeiras máquinas americanas começam a entrar no mercado europeu, chegando até aqui os ecos de seu sucesso, através da apreciação das folhas". O professor Ataliba Nogueira completa: "Tanto mais valor tem esse brado de alarma (da revista Ilustrada) quanto considerarmos que o padre Azevedo estava vivo, entregue às suas ocupações docentes". Era uma crônico irônica, Angelo Agostini, revela sua revolta com o abandono do invento do padre João Azevedo. "O brasileiro não tem o direito de inventar, de descobrir, de empreender uma idéia engenhosa, profícuo, útil, de realizar um melhoramento do qual se aproveita o País ou o mundo".

"Crie a sua imaginação um invento, gaste seus dias em estudá-lo, coordená-lo, realizá-lo e apresentá-lo, porque encontrará três antagonistas desapiedados: a indiferença, a incredulidade e a inveja que o aniquilam, nulificam e estraçam-lhe as suas esperanças mais bem fundadas, fazendo-lhes perder o fruto de longas vigílias e, quem sabe, de enormes dispêndios". Miguel Milano, o biógrafo do inventor fez um comentário após sua morte: "Digno por todos os títulos de ser apontado ao reconhecimento da humanidade em geral e dos brasileiros em particular, nada se fez até hoje, que se perpetue a memória do grande paraibano".

E Ataliba Nogueira, no seu livro "A máquina de escrever, invento brasileiro" confirma as afirmações de Miguel Milano: "Em vão se procurará o nome de Francisco João de Azevedo na história da máquina de escrever escrito por estrangeiros. Se o inventor brasileiro é desconhecido na sua pátria,onde apenas vagamente existe a memória do seu feito na consciência popular, não é sem razão que o ignore completamente o historiador peregrino, mais preocupado com as glórias de sua nação".

Fonte: www.geocities.com

História da Máquina de Escrever

O impacto da máquina de escrever nas redações

História da Máquina de Escrever

 

Em fevereiro de 1912 o Jornal do Brasil adquiriu três máquinas de escrever, o primeiro passo para substituir as canetas bico de pena, processo este concluído muitos anos depois diante das reações de veteranos jornalistas que não abriam mão do hábito de escrever a mão. Alguns daqueles senhores conheciam o equipamento, disponível na Casa Pratt e outras lojas especializadas, há mais de uma década, naquele tempo usado apenas nas repartições públicas, escritórios de advocacia e, a julgar pelos apelos de venda dos anúncios publicados em jornais e revistas, também em alguns lares. Os reclames insistiam na praticidade de se escrever cartas numa máquina das marcas Royal ou Remington.

Mas, o uso de esses “incômodos” aparelhos de ferro nas redações não era cogitado. É desconcertante imaginar que a tecnologia da máquina de escrever tenha demorado tanto a ser assimilada pelas redações, considerando que o seu uso efetivamente foi popularizado no final da década de 20. Afinal, o invento estava disponível no país, desde a última década do século XIX e o teclado “infernal” que assustava os jornalistas com a sua incompreensível combinação de letras já era realidade nas oficinas desde a introdução do linotipo.

Ou seja, durante muitos anos não houve a correlação de tecnologias que seria recomendável para agilizar os processos de pré-impressão. O jornalista escrevia a mão e o linotipista que muitas vezes era obrigado a interpretar garranchos, fazia a digitação mecânica. Redatores mais experientes sentavam-se ao lado do linotipista e ditavam o seu texto de cabeça; as correções feitas, ali mesmo, na hora.

Teclado duplo

Mas o que apavorava aquela geração era efetivamente o teclado, o tal sistema QWERTY (repare a seqüência no teclado de seu computador), inventado por um sujeito com esse nome (funcionário da Remington) e a outra série embaixo, ASDFG, supostamente as letras, então, mais usadas no idioma inglês. O fato é que enfiaram o QWERTY na gente de tal jeito que o teclado do computador (criado um século após o original) não teve como fugir da regra e ainda hoje utiliza o sistema. Para aquela geração abandonar o hábito da caneta de bico de pena significava aprender técnicas de datilografia.

Para piorar as coisas é possível que as três máquinas de escrever adquiridas pelo JB tenham sido ainda do modelo de dois teclados, um para as maiúsculas, outro para as minúsculas, equipamentos muito mais complexo do que a máquina de escrever que prevaleceu até a década de 80.

O uso de máquinas de escrever na redação do JB fazia parte das reformas implementadas pelo jornal desde o aporte de capital do Conde Pereira Carneiro que já era sócio (minoritário) quando da inauguração da nova sede em 1910. Na década seguinte tornava-se proprietário (comprava as hipotecas não resgatadas). Foi também num contexto semelhante, de uma reforma estrutural, que a Folha de São Paulo adquiriu em 1983 os primeiros computadores para substituir as antes rejeitadas e naquele momento imprescindíveis máquinas de escrever. O objetivo era o mesmo, compatibilizar os processos de pré-impressão, tanto que uma vez consolidada a mudança, alguns anos depois, a Folha calculava em 40 minutos o ganho de tempo. E tempo já era moeda calculada pelo departamento industrial e a expedição.

Transição rápida

Mas, para os jornalistas o computador por algum tempo continuou a ser uma máquina de escrever, só que mais evoluída e com o mágico recurso da correção de texto. As redações tornaram-se mais silenciosas e ficaram mais limpas, sem o característico amontoado de papel amassado no chão e nas lixeiras. Desta vez a transição que foi tão ruidosa quanto a provocada pelos teclados de ferro, em idos remotos, se deu em tempo recorde. E as máquinas de escrever deixaram as redações para se perpetuarem nas vitrines dos museus, ou nos álbuns de fotografias, lado a lado com outras tecnologias aposentadas: o disquete, por exemplo que já saiu de cena. Você ainda lembra dele?

Nelson Cadena

Fonte: www.almanaquedacomunicacao.com.br

História da Máquina de Escrever

A INCRÍVEL HISTÓRIA DA MAQUINA DE ESCREVER

Como em todas as grandes invenções, e, sem dúvida a invenção da máquina de escrever foi uma delas, inúmeros países reivindicam tal privilégio. Brasil, Estados Unidos, França, Inglaterra e Itália, para citar os mais evidentes, procuram, como se diz popularmente:

 "Puxar a sardinha para a sua brasa".

Mas afinal, quem inventou a máquina de escrever ? Sem qualquer partidarismo patriótico ou lampejos xenofóbicos, o Pridie Kalendas, também não querendo ser o dono da verdade, foi procurar informações básicas e disponíveis, para de uma forma prática e objetiva,divulgá-las,  visando fortalecer os conhecimento, porventura já adquiridos,  dos nossos prezados visitantes.

Para alcance desses objetivos, depois de uma pesquisa intensa, inclusive na WEB, escolhemos uma obra didática antiga, já na sua sexta edição, em 1958, que serviu de balizamento para o nosso trabalho:

EDULO PENAFIEL

Mecanografia

para o

Primeiro ano do curso comercial-técnico, cursos de estatística, administração e secretariado

6 Edição (refundida e melhorada)

COMPANHIA EDITORA NACIONAL

SÃO PAULO


CAPÍTULO VII- MÁQUINAS DE ESCREVER

Se a máxima já popularizada "Antiguidade é Posto", prevalecer, tudo indica que Henry Mills, em 1714, ao construir um aparelho com características semelhantes ao que posteriormente se convencionou chamar de máquina de escrever, poderá ser o precursor desse invento.

Todavia, os registros parecem refletir que pouco se conhece a respeito desse feito, ou para ser mais preciso, existe um documento escrito, uma cópia da patente concedida ao inventor, pela rainha Ana Stuart [1665 – 1714], que declarou:

"uma máquina artificial ou método de imprimir ou transcrever letras, uma atrás das outras, como na escrita manual, pela qual todas as letras podem ser reproduzidas no papel ou pergaminho, tão nítidas e exatas que não se distinguem das impressas"

1714 AD
The First English Typewriter Patent

 

Entretanto, o modelo de Henry Mill, nunca saiu do projeto, ou seja, nunca foi construído; E, sabe-se de outra tentativa ainda no século dezoito para a construção de uma máquina escrevente, por Frederico de Knaus, em Viena. Também dessa máquina não ficaram modelos, conhecendo-se sua existência apenas por uma descrição datada de 1780, que consta ter surgido em 1753.

Apenas como registro, aliás louvável por parte do inventor italiano, Pelegrino Turri, que em 1808, teria construído uma máquina, para a filha de um amigo que era cega, pudesse aprender a escrever. A bem da verdade, porém, de uma forma mais evidente, esses fatos históricos não se confirmam.

A primeira patente norte-americana consta ser de William Austin Burt, de Detroit (1829), cujo conteúdo foi destruído pelo incêndio do Escritório de Patentes de Washington, em 1836. 

THE GREAT PATENT FIRE OF 1836

O incêndio daquele ano bissexto, ocorrido numa quinta feira, em 15 de dezembro de 1836, praticamente destruiu todas as patentes depositadas; consta que aproximadamente 2.845 patentes foram restauradas, sendo que também em uma estimativa, supõe-se que perto de 1840 delas não tiveram as suas originais características refeitas. Por sorte, a família de Burt, tinha uma cópia que permitiu reconstruir a máquina patenteada, tendo sido exibida na exposição de Chicago de 1893.

Pasmem os Amigos, o aparato foi considerado como apenas um brinquedo, sem qualquer utilidade prática.

Neste ponto da narrativa, gostaria de alertar vocês, para o seguinte; como já dissemos, há algumas reivindicações sobre a paternidade da máquina de escrever, inclusive daqueles que advogam ser o nosso padre Francisco João de Azevedo o seu legitimo inventor (trataremos esse assunto, de forma mais analítica nas linhas subseqüentes).

História da Máquina de Escrever

Na nossa opinião, independentemente das características secundárias que foram aplicadas nas máquinas de escrever posteriormente, uma foi fundamental , a convergência de varetas com os seus respectivos tipos em uma das extremidades, posicionadas no seu momento inercial, em um semi-círculo, convergendo para um ponto central, toda vez que fossem acionadas. Os fatos parecem refletir que o francês Xavier Progin, de Marselha, em 1833, apresentou o seu invento, em que usou barras de tipo, sendo uma alavanca para cada letra.

História da Máquina de Escrever

Em 1843, o norte-americano Charles Thurber, de Worcester, Massachusetts, patenteou uma máquina que utilizava um jogo de barras de tipos situados em redor de uma roda de latão; esta movia-se num eixo central e o tipo, com tinta, atingia o papel, colocado sob a roda. Fator muito importante a ser registrado, é que, pela primeira vez, havia um movimento longitudinal do carro, o qual, praticamente foi utilizado em quase todas as máquinas de escrever que se seguiram. Infelizmente, porém, a lentidão do sistema não possibilitou maior proliferação desse modelo de máquina de escrever.

Em 1845, Thurber efetuou algumas modificações em seu projeto, com objetivo de ajudar na escrita dos cegos, e, diga-se de passagem, que no ano antecedente, Littledale fez também, para logo a seguir, em 1849, Pierre Focault também tentar.

A partir de 1850, principalmente nos Estados Unidos e Europa, muitas foram as máquinas de escrever que surgiram, com especial destaque para: Alfred Ely Beach, de Nova York (1856); do Dr. Samuel W. Francis, também de NY, em 1857 e de John Pratt, do Alabama, residindo na época em Londres (1866).

História da Máquina de Escrever

Entretanto, foi em 1868, que surgiu a primeira máquina de escrever prática, e, o melhor, podia ser fabricada em escala industrial, resultado dos trabalhos de três inventores de Milwakee, Estado de Wisconsin, nos E.U.A.

JUNTAMOS UM ARTIGO ESPECIAL COLETADO DA REVISTA

SELEÇÕES DO READER'S DIGEST DE JULHO DE 1954

O Gênio Incandescente (Thomas Alva Edison)


Condensado de um livro a sair - C.B.WALL
"Mesmo nesses primeiros tempos, Edison já andava às voltas com 45 dos seus inventos. Vinha ele trabalhando com afinco numa máquina que esperava que viesse a transmitir as letras do alfabeto pelos fios telegráficos, quando soube que em Milwaukee, Estado de Wisconsin, Christopher Sholes estava fazendo experiências com uma máquina de madeira chamada "máquina de escrever". Acreditando que isso pudesse ajudar no telégrafo automático, Edison convidou Sholes para levar o seu modelo a Newark e fez muitas sugestões para o aperfeiçoamento da primeira máquina de escrever.

Embora Samuel Morse tenha inventado o telégrafo, é fora de dúvida que Edison o revolucionou tão completamente que o próprio Morse mal o reconheceria. Edison não só o inventou o duplex (duas mensagens, cada uma num sentido, ao mesmo tempo e pelo mesmo fio) e o diplex (duas mensagens na mesma direção) mas também salvou a Western Union inventando um método de transmissão que não estava coberto pelas patentes em vigor,"

Posteriormente, Samuel W. Soule não continuou no projeto; não temos conhecimento qual foi o ajuste feito entre os três inventores. Glidden e Sholes, prosseguiram com tamanha intensidade que em cinco anos chegaram a 30 modelos diferentes.

Mesmo com tal diversidade nos modelos desenvolvidos, ainda não existia uma máquina que despertasse um real interesse prático e, pudesse ser industrializada com total segurança. De repente, como que por encanto, por verdadeiro milagre, tudo parece ter mudado; o projeto, desenvolvido de forma totalmente diferente, com princípios básicos reformulados, se tornou tão eficiente que, provavelmente, por falta de capital de giro, os dois sócios tiveram que vender os seus direitos a um investidor de nome James Densmore, que em 1873, negociou os direitos com a firma E. Remington & Sons, fabricantes de armas e máquinas de costura, de Ilion, Nova York.

Consta que, uma das primeiras providencias dos novos proprietários, foi contratar um "artist-mechanic", chamado William K. Jenne; uma das introduções foi a adaptação de um pedal para o avanço do papel; no ano seguinte, foi posta no mercado e tornou-se conhecida pelo nome do fabricante: Remington.

Nesse ínterim, peço aos Amigos que permitam divagarmos um pouco e, quem sabe, procurar interpretar com mais compreensão qual foi o motivo que gerou dúvidas nesta etapa do processo inventivo e, aonde entra o nosso padre Azevedo.

De uma forma absolutamente conclusiva, sem hesitarem nem um pouco, a fábrica Remington desembolsou a expressiva quantia para a época, de 12.000 dolares; de onde veio essa inesperada fonte inspirativa e visionária ?

Leve-se em consideração também o fato de que a primeira máquina de escrever patenteada de Sholes, de 1867, é completamente diferente da lançada em 1874, e nota-se, entre a primeira e a última, um enorme avanço técnico.

Depoimento dos mais expressivos foi dado pelo saudoso Dr.José Carlos de Ataliba Nogueira [1901 – 1983], no seu livro “Um inventor brasileiro”, de 1934.

"É uma coincidência deveras estranha que os americanos hajam abandonado de uma hora para outra os modelos sobre os quais vinham trabalhando há tanto tempo, justamente na época em que retornavam à América os emigrados de Recife. Têm tantos pontos de semelhança as máquinas de Gliden, Sholes e Soule com a do padre Azevedo, mesmo nos seus defeitos (figura 33 e 34), que não se pode deixar de pensar que esta última tenha sido a origem daquela."

 

AFINAL, QUEM ERA O PADRE FRANCISCO JOÃO DE AZEVEDO ?

(Texto do livro Mecanografia de Edulo Penafiel)
"Filho de um piloto do mesmo nome, o padre Francisco João de Azevedo nasceu na cidade da Paraiba em 1814. Cedo ficou órfão e auxiliado por amigos de seu pai foi mandado estudar no seminário do Recife, onde tomou ordens religiosas em 1838. Dotado de grande inteligência e amor aos estudos destacou-se desde logo como professor de desenho e geometria.

Mais tarde, tendo sido o padre Azevedo designado para dar aulas no Arsenal de Guerra de Pernambuco, sua inclinação natural para a mecânica atraiu-o para as oficinas onde passou a empregar quase todo seu tempo.

Sabe-se por carta de seu próprio punho, que o sábio sacerdote antes de pensar na máquina de escrever dedicava-se a aperfeiçoar dois inventos cujos pormenores infelizmente de todo se perderam.

O primeiro era um veículo terrestre movimentado inteiramente pela força do vento e que se destinava a servir de transporte entre Olinda e Recife; o segundo era um engenho para aproveitar o movimento das ondas do mar, aplicando-o na própria marcha do navio. Na época em que viveu o padre Azevedo o atraso material do Brasil era ainda muito grande para que alguém mais se interessasse por tais invenções, restando a esperança de que algum feliz acaso nos venha proporcionar detalhes das invenções do nosso patrício.

Por serem de grande curiosidade reproduzimos trechos da carta que ele escreveu a um jornal de Recife, em 1875, a propósito de seu veículo:

O acabamento e a timidez da minha índole, a falta de meios, e o retiro em que vivo, não me facilitam o acesso aos gabinetes onde se fabricam as reputações e se dá diploma de suficiência. Daí vem que as minhas pobres invenções definhem, morram crestadas pela indiferença e pela falta de jeito"

"O motor a empregar era o vento e os carros deviam mover-se em todos os sentidos, ainda mesmo em direção oposta ao vento, podendo mover-se em sentido circular sem que em nenhum dos casos diminuísse a velocidade primitiva".

Azevedo termina a carta oferecendo sua invenção ao público, sem interesse algum de sua parte, oferecimento que lastimavelmente ninguém aproveitou.

CONCLUSÃO

Além, evidentemente, do registro histórico e da divulgação dos principais fatos que ocorreram na invenção e desenvolvimento da máquina de escrever, estamos prestando uma homenagem ao nosso inventor, o padre Francisco João de Azevedo que, sem dúvida alguma, contribuiu para que o projeto saísse da prancheta e tomasse vulto de uma forma materializada.

Também, por faltarem elementos mais conclusivos para uma análise imparcial, não questionamos se o padre foi ou não o principal inventor formal da máquina de escrever, o que temos certeza é que a máquina realmente existiu, funcionava, foi exposta ao público, ganhou medalhas, e, o mais importante, em dezembro de 1861, portanto antes que Samuel W. Soule ee seus dois parceiros, em 1868, recebessem a formalização da patente nos Estados Unidos.

Enfim, para o "Pridie Kalendas", o padre Francisco João de Azevedo, mais do que nunca, continua sendo um dos imortais desse nosso imenso e querido Brasil.

Fonte: www.calendario.cnt.br

História da Máquina de Escrever

História da Máquina de Escrever

Padre Francisco João de Azevedo

(1814 - 1880)

Padre paraibano nascido em João Pessoa, então chamada Paraíba, na Provóncia da Oaraíba, que inventou e construiu pioneiramente (1861) um modelo de máquina de escrever que funcionava perfeitamente, um protótipo que era acionado por um sistema de pedais, como as antigas máquinas de costura.

Pouco se sabe sobre a sua infância, além do que cedo perdeu o pai, Francisco João de Azevedo, mas não se conhece o nome de sua mãe.

Seus primeiros anos não foram nada fáceis, não só pela situação da viuvez de sua mãe, quanto pelo fato do Nordeste atravessar terríveis secas naqueles anos.

Aprendeu as primeiras letras em a escola próxima do seminário dos extintos jesuítas, onde aprendeu a ler, contar, escrever, rezar e latim.

Durante uma visita pastoral à Paraíba (1834), D. João da Purificação Marques Perdigão, o bispo diocesano de Olinda conheceu aquele jovem promissor, e sabendo de sua pobreza, convidou-o para o Seminário Diocesano e ele partiu para Pernambuco, onde foi aprovado nos exames preliminares com e se matriculou no histórico Seminário de Olinda (1835).

Ordenou-se padre (1838), pelo Seminário de Recife, onde passou a residir e lecionou cursos técnicos geometria mecânica e desenho no Arsenal de Guerra de Pernambuco, notabilizando-se com um sistema de gravação em aço.

Lá também desenvolveria sua invenção revolucionária: uma máquina de escrever.

Anos depois voltou a capital da província paraibana (1863), onde, por mais vários anos, foi professor de cursos técnicos de geometria.

Depois (1868) tornou-se professor de aritmética e geometria no Colégio das Artes, anexo à Faculdade de Direito do Recife.

Morreu e foi enterrado na atual capital paraibana. Sua notável invenção era um móvel de jacarandá equipado com teclado de dezesseis tipos e pedal, de aparência de um piano.

Cada tecla de sua máquina acionava uma haste comprida com uma letra na ponta. Combinando-se duas ou mais teclas era possível reproduzir todo o alfabeto, além dos outros sinais ortográficos.

O pedal servia para o datilógrafo mudar de linha no papel.

A máquina era um sucesso por onde passava e em uma exposição do Rio de Janeiro (1861), na presença do imperador Pedro II, o padre recebeu uma medalha de ouro dos juízes em reconhecimento a seu projeto revolucionário.

Em seguida, para sua decepção, lhe comunicaram que sua máquina não seria levada à Exposição de Londres (1862), por dificuldades de acomodação (?!).

Ainda assim, na Segunda Exposição Provincial (1866) ganhou medalha de prata pela invenção de um elipsígrafo.

Segundo um seu biógrafo, Ataliba Nogueira, o padre foi enganado e seus desenhos roubados por um estrangeiro, o que o desestimulou a continuar no desenvolvimento da invenção e a idéia foi esquecida. As suspeitas é que tais desenhos tenham ido parar nas mãos do tipógrafo estadunidense Christopher Latham Sholes (1819-1890) que teria aperfeiçoado o projeto e apresentado como seu e ganho os louros históricos como o criador da máquina de datilografia (1867).

A glória como na maioria das inventos, não foi para a máquina pioneira em funcionamento, mas para quem produziu o modelo que serviu de base à produção industrial do equipamento.

O invento do brasileiro porém já era bastante conhecido no Brasil, tanto que os primeiros cursos de datilografia no Brasil exibiam na parede retratos do padre e tornou-se o patrono nacional da máquina de escrever.

Fonte: www.dec.ufcg.edu.br

História da Máquina de Escrever

A Evolução da máquina de escrever

História da Máquina de Escrever

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Fonte: rogerioantoniorosa.spaces.live.com

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