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Batalha de Waterloo

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Batalha de Waterloo
Batalha de Waterloo

Em 18 de junho de 1815 Napoleão Bonaparte perdeu a batalha de Waterloo contra a Inglaterra e a Prússia. Assim, as potências européias encerraram o império de Napoleão I, obrigando-o a abdicar pela segunda vez e o deportando para Santa Helena.

As potências européias já negociavam em Viena quando Napoleão I deixou o seu exílio na ilha de Elba, em 26 de fevereiro de 1815, para retornar à pátria, no sul da França. Em 20 de março, ele foi recebido com triunfo em Paris. Pouco tempo depois, a Inglaterra, Prússia, Áustria e Rússia decidiram recomeçar a guerra contra Napoleão. O imperador francês aproveitou o entusiasmo na França para organizar um novo exército e, em seguida, marchou com 125 mil homens e 25 mil cavalos para a Bélgica, a fim de impedir a coalizão dos exércitos inglês e prussiano.

Em 26 de junho de 1815, as tropas francesas alcançaram Charleroi.

Atrás da cidade, numa encruzilhada, o exército de Napoleão dividiu-se em duas colunas: uma marchou em direção a Bruxelas contra as tropas de Wellington, e outra, sob o comando do próprio Napoleão, em direção a Fleuru, contra o exército prussiano de Blücher. No cerco das linhas inimigas, Blücher aquartelou-se no moinho de vento de Brye, sem saber que, igualmente a partir de um moinho, Napoleão podia observar, com telescópio, o movimento das tropas inimigas. Às 15 horas do mesmo dia, os franceses começaram a atacar.

Prússia perde batalha de Ligny

O exército da Prússia dispunha de mais de 84 mil homens e 216 canhões, enquanto os franceses tinham 67.800 homens e 164 canhões. Mas os prussianos cometeram um erro grave. Eles confiaram na chegada do exército de Wellington, na parte da tarde, a fim de apoiá-los no combate contra os franceses. Por isso, se entrincheiraram no lugarejo de Ligny para aguardar a chegada dos ingleses. Os franceses atacaram o lugar com seus canhões. A esperança que os prussianos depositaram em Wellington foi em vão. Os franceses ganharam a batalha. Na mesma noite, Blücher ordenou a retirada para o norte. Os prussianos foram vencidos, deixando 20 mil mortos para trás, mas ainda não haviam sido derrotados definitivamente.

Chuvas retardam batalha de Waterloo

Wellington e sua tropa alcançaram o planalto de Mont Saint Jean, situado na estrada de Bruxelas para Charleroi, em 17 de junho de 1815. Até então, ele ainda não tinha se confrontado com as tropas francesas, porque Napoleão não fez novos ataques, depois da vitória de Ligny. Wellington se aquartelou na cavalariça de Waterloo. As fortes chuvas, que haviam começado cair à tarde, transformaram rapidamente o solo num charco, dificultando o movimento e o posicionamento dos canhões. Os soldados procuraram refúgio da chuva torrencial.

Ao cair da tarde, os soldados franceses também alcançaram a fazenda Belle Alliance, na estrada de Bruxelas para Charleroi.

Napoleão se aquartelou na fazenda La Caillou e passou a observar como os ingleses se entrincheiravam no planalto.

No café da manhã seguinte (18 de junho de 1815), o imperador francês expôs o seu plano de batalha. Ele queria primeiro conquistar a posição ocupada pelos ingleses. Os canhões deveriam atacar o inimigo com fogo cerrado. Napoleão estava seguro da vitória e que derrotaria as tropas de Wellington antes da chegada dos prussianos.

Primeiras armas de destruição em massa

O ataque estava previsto para as nove da manhã, mas sofreu um atraso de duas horas e meia por causa do aguaceiro. Primeiro, os franceses tentaram conquistar o morgadio Hougoumont, mas os ingleses estavam bem posicionados e usaram uma arma nova poderosa contra as fileiras compactas das tropas atacantes. A arma eram as granadas, espécie de balas de chumbo dentro de um invólucro de aço, que podiam ser disparadas a longas distâncias. Os franceses tentaram várias vezes, em vão, tomar Hougoumont, até desistirem às 17 horas. Diante dos muros de Hougoumont ficaram mais de 3 mil mortos.

Enquanto isso, Napoleão dava a ordem de avançar sobre La Haie Sainte para poder atacar os ingleses entrincheirados no planalto. Neste momento, ele já sabia que os prussianos se aproximavam. E a partir daí, a saída para Waterloo era uma questão de tempo. A nova arma de destruição em massa causou baixas terríveis no ataque a La Haie Sainte, mas os franceses conseguiram conquistar a fazenda. O front de Wellington cambaleou. Seus generais exigiram que ele enviasse suas reservas, mas ele não as tinha mais.

O único consolo que Wellington poderia oferecer era a sua famosa frase:

“Eu gostaria que fosse madrugada ou que os prussianos chegassem.”

Chegada das tropas prussianas

O comando avançado prussiano chegou, finalmente, ao campo de batalha depois das 19 horas. Para Napoleão, era evidente que tinha de tomar uma decisão e ordenou a sua combativa Guarda Imperial a atacar. A nova arma de destruição em massa atingiu os franceses em cheio. Para piorar a situação das tropas napoleônicas, as prussianas chegaram pouco depois das 20 horas.

O exército francês ainda tentou fugir, mas a batalha de Waterloo estava decidida. Às 21 horas e 30 minutos, o prussiano Blücher abraçou o inglês Wellington na frente da fazenda Belle Alliance. E assim foi encerrado o capítulo de Napoleão na história européia.

Fonte: www.dw-world.de

Batalha de Waterloo

Queda definitiva de Napoleão aconteceu com a Batalha de Waterloo

Entre 1799 e 1815, a política européia está centrada na figura carismática de Napoleão Bonaparte, que de general vitorioso se torna imperador da França, com o mesmo poder absoluto da realeza que a Revolução Francesa derrubara.

Napoleão Bonaparte, jovem general corso, começa a se destacar como militar em 1795, quando sufoca uma revolução monarquista em Paris. Depois de ter se destacado na guerra contra a Itália e na Campanha do Egito, Napoleão é escolhido para chefiar o golpe que depõe o Diretório, em 18 brumário.

Em 10 de novembro de 1799 (dia 18 brumário, segundo o calendário republicano) Napoleão Bonaparte, com o auxílio de militares e membros do governo, derruba o Diretório, dissolve a Assembléia e implanta o Consulado, uma ditadura disfarçada. O golpe de 18 brumário retoma princípios do Antigo Regime e encerra dez anos de lutas revolucionárias que influenciariam profundamente os movimentos de independência na América Latina e a organização dos países da Europa. Em 1804 Napoleão cria o Império, espécie de monarquia vitalícia que se sustenta pelo êxito das guerras e reformas internas.

O Consulado é o período de 1799 a 1804, no qual Napoleão promulga uma nova Constituição, reestrutura o aparelho burocrático e cria o ensino controlado pelo Estado. Em 1801 declara o Estado leigo, com a subordinação do clero às autoridades seculares. Em 1804 promulga o Código Napoleônico, que garante a liberdade individual, a igualdade perante a lei, o direito à propriedade privada, o divórcio e incorpora o primeiro código comercial. Em 1805 a França volta a adotar o calendário gregoriano. Napoleão realiza um governo ditatorial, com censura à imprensa e repressão policial, com o apoio do Exército.

Após um plebiscito, Napoleão coroa-se imperador, em 1804, com o nome de Napoleão I. Intervém em toda a Europa, derrotando as tropas austríacas, prussianas e russas, e passa a controlar a Áustria, Holanda, Suíça, Itália e Bélgica. Avança na Espanha mas enfrenta resistência de guerrilheiros locais. Temendo a expansão napoleônica, a família real portuguesa foge em 1808 para o Brasil, sua colônia na América. Em 1812 o Império Napoleônico incorpora 50 milhões dos 175 milhões de habitantes do continente europeu e introduz as reformas burguesas nos demais países da Europa, quebrando as estruturas feudais remanescentes.

Impõe o sistema métrico decimal, implanta o direito moderno e difunde amplamente as idéias de liberdade e igualdade da Revolução Francesa.

Em 1806, Napoleão decreta o Bloqueio Continental contra a Inglaterra, após a derrota dos exércitos franceses em Trafalgar, na Espanha. A França proíbe que qualquer país europeu abra seus portos ao comércio com a Inglaterra. O objetivo é enfraquecer os ingleses e reservar o mercado continental europeu às manufaturas francesas. O bloqueio recebe a adesão da Espanha e da Rússia em 1807. Portugal, aliado da Inglaterra, recusa-se a aderir e é invadido pelas tropas francesas.

Em 1812, a pretexto de punir o abandono do Bloqueio Continental pela Rússia, Napoleão declara guerra a Moscou, mas a campanha, em pleno inverno, é um desastre. Diante da iminência da invasão o governador russo ordena que as pessoas abandonem Moscou e incendeia a cidade. O Exército napoleônico encontra apenas destroços. Dos 600 mil homens, sobram cerca de 37 mil para fazer a retirada.

A derrota de Napoleão na Rússia incentiva a formação de uma coalizão reunindo russos, ingleses, espanhóis, prussianos, suecos e austríacos contra a França. Em 1813, os exércitos aliados conseguem derrubar o sistema napoleônico e libertar a Alemanha, a Holanda e o norte da Itália. Em 1814 tomam Paris e formam um governo provisório, dirigido por Talleyrand, que depõe Napoleão. Ele abdica do posto do imperador e exila-se na ilha de Elba, que obtém como principado. Os Bourbon retornam ao poder e entronizam Luís XVIII, irmão de Luís XVI (guilhotinado durante a Revolução Francesa).

Napoleão, do fundo de seu retiro, não deixava de se informar do que sucedia no continente. Conhecendo as deficiências do governo, sabe que o exército quer vê-lo novamente no comando. Foi em tais circunstâncias que Napoleão fugiu da Ilha de Elba e desembarcou na costa Meridional da França, a 1º de março de 1815. Foi recebido em toda a parte com alegria delirante pelos camponeses e pelos ex-soldados.

A partir de 20 de março de 1815, Napoleão reinará por mais cem dias. A retomada do poder, entretanto, não fez ressurgir o antigo despotismo imperial. O regime se reorganizará através de um “Ato Adicional” à Constituição, tornando-se um império liberal.

Os soberanos coligados, então reunidos no Congresso de Viena, surpreendidos com o acontecimento, renovam a aliança, declaram Napoleão fora da lei e decidem levantar novo exército destinado a destruir de vez Napoleão Bonaparte. Entendendo ser melhor tomar a ofensiva, a fim de frustrar os planos de seus inimigos, Napoleão marcha sobre a Bélgica e vence os prussianos, comandados por Blucher, em Ligny. Dias depois, em 18 de junho, em Waterloo, foi fragorosamente derrotado pelo Duque de Wellington e pelo general Blucher, à frente de um exército coligado. No dia 21 de junho, Napoleão abdicou pela segunda vez, sendo deportado em exílio definitivo para a ilha de Santa Helena, onde morre em 5 de maio de 1821. A dinastia dos Bourbons voltou a reinar na França. Era o fim do império.

Fonte: www.conhecimentosgerais.com.br

Batalha de Waterloo

Waterloo: a última batalha de Napoleão

Foi um tudo-ou-nada para o imperador da França. Dramática, ela terminou de uma vez por todas com a ambição de Bonaparte de restaurar seu império.

Os últimos dias de março de 1815 foram azedos para os diplomatas reunidos em Viena. Ali, representantes de Rússia, Prússia, Áustria, Suécia, Inglaterra e várias nações e reinos menores tentavam, havia meses, redesenhar o mapa político da Europa, reinstaurando as monarquias e os territórios que existiam antes do furacão napoleônico.

Porém a ilusão de que o general corso estava liquidado acabou quando souberam que ele não só havia retornado do exílio em Elba (uma ilhota no Mediterrâneo), como no dia 20 de março fora recebido em glória em Paris.

Os aliados mal puderam acreditar. Napoleão, dez meses antes, em 11 de abril de 1814, fora derrotado por uma coalizão de mais de 500 mil soldados de várias nações européias, que se sublevaram contra o domínio francês após a desastrosa campanha napoleônica na Rússia, em 1812.

Vitoriosos, os aliados colocaram Luís XVIII no trono da França e enviaram Bonaparte ao exílio. Agora, quando estavam prestes a dividir o bolo, teriam de brigar novamente com seu pior pesadelo. E em etapas longas, até a definição, na batalha conhecida como Waterloo.

A escalada de Napoleão começou rápida. Em 15 de julho, com 124 mil homens, invadiu a Bélgica. “Seu único trunfo era bater separadamente os exércitos inimigos antes que se reunissem”, diz o professor Alexander Mikaberidze, especialista em história napoleônica da Universidade de Mississipi, nos EUA. “As tropas que estavam na área eram formadas por prussianos e outras compostas por ingleses, belgas, holandeses e alemães, instalados na Bélgica. Napoleão tentaria batê-los para forçar algum armistício com as outras nações, que estavam com seus exércitos mais distantes da França.” O desafio não era fácil.

O exército anglo-batavo-alemão contava com 93 mil homens, liderados pelo duque de Wellington. O prussiano tinha 117 mil homens, comandados por uma velha raposa, o general Blücher. Mesmo em inferioridade numérica, Napoleão teria de atacar. Dentro de um mês, um exército austríaco de 210 mil homens, outro russo, de 150 mil, e um terceiro grupo austro-italiano, de 75 mil, invadiriam a França pelo norte e pelo sul.

VITÓRIA APERTADA

Quando invadiu a Bélgica, as tropas anglo-batavo-alemãs ainda não haviam se juntado ao exército prussiano. Napoleão decidiu bater primeiramente os prussianos, que estavam a sua direita, em Ligny. E mandou o marechal Ney, com 24 mil homens, para Quatre-Bras a fim de barrar qualquer tentativa de os ingleses ajudarem os aliados. No dia 16 de junho de 1815, Bonaparte encarou o velho Blücher.

Sabendo que eram os franceses que tinham de correr atrás do osso, o prussiano entrincheirou seus homens em fazendas próximas a Ligny e esperou. A batalha durou todo o dia. No fim da tarde, a Guarda Imperial francesa arrebentou o centro prussiano, decidindo a batalha. Blücher evitou uma desgraça maior, liderando o contra-ataque com a cavalaria. Os prussianos puderam recuar em ordem, na escuridão.

Ao término do embate, os prussianos amargavam 22 mil baixas, contra 11 mil dos franceses.

Blücher evitou a derrota. Napoleão, porém, conseguiu o que queria: afastar os prussianos para bater os ingleses em seguida”, afirma o professor Mikaberidze.

Para não deixar que os prussianos pudessem se juntar aos ingleses na batalha seguinte, Napoleão destacou uma tropa de 30 mil homens, entregou-a ao general Grouchy e ordenou que perseguisse os prussianos.

No dia seguinte, 17 de junho, Wellington se aproveitou da chuva forte que caiu sobre a região para levar o exército a uma posição mais segura, o monte Saint Jean. Os franceses chegaram lá ao fim do dia. O temporal continuava. Mas Napoleão não dispunha de tempo. Mesmo sob tempestade, ele foi pessoalmente verificar as condições do campo durante a noite. “Naquele momento, Bonaparte tinha a chance com que tanto sonhara. Os prussianos estavam em retirada, sendo acossados por Grouchy. A ele só restava ter um bom desempenho contra os ingleses no dia seguinte e demonstrar à Europa que a França ainda estava viva”, comenta o professor Wayne Hanley, especialista em história moderna da Universidade de West Chester, na Pensilvânia, EUA.

Pela manhã, o tempo melhorara. Wellington contava com 23 mil ingleses e 44 mil soldados aliados, vindos da Bélgica, da Holanda e de pequenos estados alemães, num total de 67 mil homens, apoiados por 160 canhões. Os franceses contavam com 74 mil homens e 250 canhões. Wellington posicionou suas tropas ao longo da elevação de Saint Jean. Sua ala direita se concentrava em torno da fazenda de Hougomount.

No centro, logo abaixo da colina, outra fazenda, La Haye Sainte, estava ocupada por unidades do exército dos Países Baixos. À esquerda, tropas aliadas se posicionavam em torno de uma terceira fazenda, a Papelotte. “Wellington assumiu uma postura extremamente defensiva. Em parte porque seu exército não era dos melhores e porque, para ele, quanto mais tempo demorasse a batalha, maiores eram as chances de o reforço prussiano chegar”, relata Hanley.

CANHÕES NA FAZENDA

Napoleão queria começar o ataque cedo. Mas a chuva do dia anterior havia transformado o campo de batalha num lamaçal. Ele teve de esperar até as 11 horas da manhã, quando o solo ficou mais seco, para iniciar o ataque contra Wellington. A idéia era chamar a atenção para esse setor e fazer o inglês desperdiçar tropas ali e então atacar no centro. O ataque a Hougomount, com fogo de canhões, durou meia hora. O lugar era protegido por duas companhias inglesas, que não somavam mais de 3,5 mil homens.

Elas receberam o peso de mais de 10 mil franceses, mas não cederam. Aos poucos, o que era para ser um blefe tragou durante todo o dia preciosos recursos franceses. Pior, Wellington não caíra na armadilha e mantinha as melhores tropas no centro, perto de La Haye Sainte. Napoleão então decidiu que era a hora de atacar o centro da linha inglesa. Por volta de 12h30, o marechal Ney, seu braço-direito, posicionou 74 canhões contra a estratégica fazenda de La Haye Sante. “Napoleão era militar da artilharia, e essa experiência ganhou uma grande importância no exército. Virou a arma mais temível”, explica o professor Mikaberidze.

Napoleão agora faria o que sempre comandava com eficiência: explodir o centro adversário. Pressentindo o perigo, Wellington ordenou às as tropas posicionadas no alto do monte Saint Jean que se jogassem ao chão para diminuir os danos, mas nem todos tiveram a chance. As tropas belgo-holandesas do general Bilandt, que permaneceram na encosta desprotegida do monte, foram simplesmente massacradas. Mal os canhões se calaram, foi a vez de os tambores da infantaria francesa iniciarem seu rufar. Às 13 horas, marchando em colunas, os 17 mil homens do corpo comandado pelo general D·Erlon atacaram.

O objetivo: conquistar a fazenda de La Haye Sainte, o ponto vital do centro inglês. Ao mesmo tempo, outro contingente se aproximava, pressionando a ala esquerda dos britânicos. Napoleão agora declarava as suas verdadeiras intenções e partia para o ataque frontal. Acossadas pela infantaria francesa, as tropas inglesas perderam Papellote e deixaram vulnerável a ala esquerda. Ao mesmo tempo, as tropas alemãs da Legião do Rei, as responsáveis pela guarda de La Haye Sainte, no centro, ameaçavam sucumbir.

Foi o momento de Wellington pensar rápido. Na ala esquerda, o comandante inglês ordenou que o príncipe alemão Bernhardt de Saxe-Weimar retomasse Papelotte, o que foi feito com sucesso. Para conter o ataque da infantaria napoleônica no centro, ele acionou a 5ª Brigada, veterana da guerra na Espanha.

Fuziladas a curta distância, as tropas de Napoleão retrocederam, não sem antes deixar morto no campo, com uma bala na cabeça, o chefe da brigada inimiga, o general Picton. Ao ver os franceses recuando, Wellington viu a chance de liquidar a batalha. Acionou sua cavalaria para um contra-ataque no centro.

As brigadas Household, Union e Vivian provocaram desordem entre os franceses. Mas por pouco tempo. Perto da linha de canhões inimiga, a cavalaria inglesa foi surpreendida por um contragolpe mortal. A cavalaria pesada francesa, com seus Courassiers (couraceiros), apoiados pelos Lanciers (cavalaria leve), atacou os ingleses. O general Ponsonby, chefe da brigada Union, morreu junto com sua unidade, aniquilada. Napoleão dava o troco e continha os ingleses.

Eram 15 horas e a batalha permanecia num impasse. Na ala direita de Wellington, a luta prosseguia sem um resultado decisivo em Hougomount. No centro e na esquerda, os ingleses e os aliados batavos e alemães haviam a muito custo mantido La Haye Sainte e Papilotte. Foi nessa hora, entretanto, que Bonaparte recebeu uma notícia que o alarmou. Cerca de 40 mil homens se aproximavam do lado direito do exército francês, nas imediações de Papilotte.

De início, chegou a pensar que fosse o general Grouchy – que havia sido encarregado de afastar os prussianos – chegando. Logo suas esperanças se desfizeram. Grouchy falhara. Aquele corpo de exército era simplesmente a vanguarda do exército prussiano, que chegava para socorrer o aliado inglês. Napoleão teve que improvisar. Sua ala direita, comandada pelo general Lobau, se realinhou de modo defensivo para segurar a chegada dos prussianos e dar ao imperador algumas horas para agir.

FIM TRÁGICO

Enquanto isso, ele ordenou ao marechal Ney que, de uma vez por todas, tomas-se La Haye Sainte e rompesse o centro inglês, assegurando a vitória. Ney, com dois batalhões de infantaria, atacou a fazenda. Nesse momento, cometeu um erro fatal de julgamento. “Em meio à fumaça dos canhões e à loucura da batalha, Ney supôs que o exército inglês estava recuando. Ele então ordenou que sua cavalaria partisse para cima do inimigo. Napoleão achou o movimento precipitado, mas, uma vez que Ney era quem estava encabeçando o ataque, enviou mais cavaleiros para sustentar a carga”, comenta o professor Hanley.

A tremenda carga dos Courassiers terminou de forma trágica. A infantaria inglesa não estava recuando, como Ney imaginava. Eles se agruparam em quadrados e passaram a fuzilar os cavaleiros franceses, que não conseguiam romper as formações defensivas. Nas duas horas seguintes, Ney lideraria ao menos 12 cargas de cavalaria contra o centro inglês, com mais de 5 mil cavaleiros. Às 17 horas, La Haye Sainte finalmente caiu em mãos francesas, mas os ingleses ainda mantinham seu centro coeso no alto do monte Saint Jean.

Às 17h30, a cavalaria francesa lançou o assalto final e foi novamente batida. Os ingleses não estavam em melhor estado e suas linhas estavam a ponto de romper.

Ney, dessa vez corretamente, identificou a oportunidade de vencer e implorou a Napoleão por mais tropas. “De onde você espera que eu tire mais tropas? Quer que eu invente algumas agora?”, respondeu Napoleão, irritado.

“Nesse momento, Bonaparte viu a vitória escapar. Mais um esforço e Wellington teria sido derrotado. A essa altura, os prussianos estavam esmigalhando a direita de seu exército e ele teve que priorizar esse setor para ganhar mais fôlego. Na verdade, talvez ele esperasse ver surgir, a qualquer momento, as tropas de Grouchy. Com 30 mil homens a mais, ele poderia ter vencido a batalha”, pondera o professor Mikaberidze. A luta com os prussianos ia de mal a pior. Dez batalhões da Jovem Guarda, após um combate feroz contra o dobro de inimigos, haviam perdido 80% de seus homens e começavam a recuar.

Napoleão decidiu então utilizar sua última e preciosa reserva: a Velha Guarda, a elite de seus veteranos. Ele enviou dois batalhões contra os prussianos – e mais uma vez eles fizeram valer sua fama. “Quando a Velha Guarda entrava em campo, os inimigos tremiam. Até então, ela nunca havia sido derrotada em batalha”, relembra o professor Hanley. “Os dois batalhões varreram, sozinhos, 14 batalhões prussianos, estabilizaram a ala direita e deram ao imperador a chance de lutar novamente contra Wellington no centro”, comenta.

Napoleão então jogou a última cartada. Às 19 horas, enviou contra o centro inglês os últimos quatro batalhões da Velha Guarda. “Wellington, nesse meio tempo, embora quase tenha dado o toque de retirada, foi beneficiado pela intensa pressão dos prussianos, que diminuíram seu front e lhes livraram algumas unidades”, aponta Hanley. Em desespero, o general inglês reuniu tudo o que tinha e esperou o ataque final entrincheirado no alto do Saint Jean. Enquanto subia o monte, a Velha Guarda foi assaltada pelas unidades inglesas, alemãs e holandesas. Uma a uma, foram repelidas, enquanto os veteranos de Napoleão continuavam seu avanço.

“A 5ª Brigada inglesa, do general Hallket, tentou pará-los, mas logo seus homens fugiram assustados diante do avanço francês. Apesar de sofrer baixas horríveis e lutar na proporção de 1 para 3, simplesmente ninguém conseguia parar a Velha Guarda”, afirma Hanley. Wellington, por ironia, foi salvo não por suas próprias tropas, mas por um general belga que durante anos lutou ao lado de Napoleão – quando a Bélgica era um domínio francês. O general Chassé, à testa de seis batalhões holandeses e belgas, se lançou numa carga feroz de baioneta contra os franceses. O ataque foi demais, até mesmo para a Velha Guarda. Sem apoio e em menor número, pela primeira vez os veteranos de Napoleão recuaram.

Logo, os gritos de “la Garde recule!” (a Guarda recua) ecoaram pelo campo. O centro inglês havia resistido a despeito de todos os esforços. Pelo lado direito, os 40 mil prussianos finalmente esmagavam os 20 mil franceses que lhes haviam obstruído durante horas. Em um último ato de coragem, três batalhões da Velha Guarda permaneceram lutando para dar ao imperador a chance de fugir. Lutariam até o fim. Cercados por prussianos, receberam ordem de rendição.

O general Cambonne, o líder, teria então afirmado: “A Guarda morre, mas não se rende”.

Em outro ponto, o marechal Ney, apelidado por Napoleão como “o bravo dos bravos”, ao ver tudo perdido, reuniu um grupo de soldados fiéis e liderou uma última carga de cavalaria, gritando: “Assim morre um marechal da França!” Capturado, foi fuzilado depois pelo governo monarquista francês por alta traição.

Napoleão, agarrado por auxiliares, foi retirado à força do campo de batalha. Seria posteriormente posto sob custódia inglesa e enviado à distante ilha de Santa Helena, no Atlântico Sul, onde morreria em 1821. A batalha custara a ingleses, belgas, holandeses e alemães 15 mil baixas. Os prussianos deixaram no campo 7 mil homens. Os franceses amargaram 25 mil mortos e feridos, além de 8 mil prisioneiros.

Foi só às 21 horas que Wellington finalmente se encontrou com Blücher para o aperto de mãos. A ameaça napoleônica fora vencida de vez. Blücher queria chamar a batalha de Belle Aliance – nome da fazenda que fora o quartel – general de Napoleão durante a batalha. Wellington, porém, teve outra idéia. É que ele tinha suas manias. Uma delas era batizar combates com o nome do lugar onde ele dormira na noite anterior. Uma vila a alguns quilômetros dali, conhecida por Waterloo, deu então o nome à histórica batalha.

Grouchy, o traidor de Napoleão?

Quase dois séculos depois, ainda permanece a dúvida sobre o marechal Grouchy Ter ou não passado Napoleão para trás. “Grouchy é visto como o culpado pela derrota de Bonaparte por não ter evitado que os prussianos se unissem aos ingleses e por não ter acorrido à Waterloo, com seus 30 mil homens, quando ouviu a canhonaria da batalha”, aponta o professor William Flayhart, professor de história moderna da Delaware State University, nos EUA. “Os bonapartistas mais exaltados viram aí sinal de traição.

Na época, especulava-se que Grouchy fora subornado. Ele virou bode expiatório.” Emmanuel Grouchy passaria o resto da vida tentando provar a inocência. Seu passado ao lado da causa napoleônica era o maior argumento.

Ele se juntara ao exército em 1781. As habilidades como comandante foram notadas nas batalhas de Eylau (1807), Friedland (1807) e Borondino, contra os russos – uma atuação muito elogiada. “Talvez tenha faltado a Grouchy presença de espírito. Mesmo quando seu subordinado, o general Gerárd, lhe implorou para que dirigisse as tropas a Waterloo, Grouchy preferiu seguir as ordens à risca, ou seja, dar caça aos prussianos”, completa o professor Flayhart. Grouchy combateu os prussianos em Wavre, em 18 de junho, dia em que Napoleão foi derrotado em Waterloo.

Blücher deixara sua retaguarda como isca – e o marechal francês interpretou que esse fosse o grosso do exército inimigo. Grouchy venceu o embate para no dia seguinte receber a notícia da chegada de mais soldados inimigos. Ele ainda recuou para Paris com seus homens.

Escorraçado por seus pares e pela opinião pública, só foi reaver seu bastão de marechal em 1830. “As cargas desordenadas de Ney e o medíocre dispositivo de batalha de Napoleão pesaram muito mais na derrota do que a ausência de Grouchy, que ficou com a maior culpa”, diz Alfred Fierro, ex-diretor da Biblioteca Histórica de Paris.

Os maiores erros

IMPRUDÊNCIA

Napoleão deveria ter preservado seu exército, como escreveu seu general Kellerman: Não poderíamos vencer os britânicos naquele dia. Com calma, evitaríamos o pior·.” Steven Englund, historiador americano.

ATAQUE INFRUTÍFERO A HOUGOMOUNT

“Napoleão foi pretensioso em seu ataque à ala direita de Wellington. Só desperdiçou recursos que seriam vitais em outras áreas. No fim, Bonaparte provou que seus homens estavam fatigados. As manobras foram inócuas diante de inimigos.” Wayne Hanley, da Universidade de West Chester, nos EUA.

AUXILIARES FRACOS

“Seu melhor general, Davout, estava em Paris, para a segurança da capital. Outra opção infeliz foi Soult, inadequado para a função logística. Pior foi ter dado ao inexperiente Grouchy o comando da ala esquerda, o que se provou fatal.” Alexander Mikaberidze, da Universidade de Mississipi (EUA).

ATAQUES DESESPERADOS

“Ney era provavelmente o mais corajoso e leal de todos os oficiais a serviço de Bonaparte. Foi o último francês a sair da Rússia, em 1812, e Napoleão o chamava de ·o bravo dos bravos·. Mas seu ataque em Waterloo, com a cavalaria, foi puro desespero, um verdadeiro suicídio. Napoleão deveria ter abortado essa ação impensada de seu general.” Alfred Fierro, ex-diretor da Biblioteca Histórica de Paris.

A morte de Napoleão

Depois de dois meses de viagem, em 17 de outubro de 1815, o ex-imperador da França chegou à longínqua ilha de Santa Helena, uma possessão inglesa encravada no Atlântico Sul, distante 1,9 mil km da África e 2,9 mil km do Brasil. A seu lado, apenas alguns poucos servos e amigos. Mas o pior ainda estava por vir. Em 14 de abril de 1816, chegou o novo governador da ilha, sir Hudson Lowe. Esse não tinha nenhuma qualidade excepcional, exceto seu fanático amor ao dever. Durante os anos de seu mandato, ele submeteu Bonaparte a toda sorte de mesquinharias.

Em 1819, Napoleão caiu doente, mas ainda escreveria, em 1820:

“Eu ainda estou suficientemente forte. O desejo de viver me sufoca”.

Na prática, porém, não foi bem assim. Ele morreria às 17h51, em 5 de maio de 1821, depois de sofrer fortes dores no estômago por meses. Ironicamente, mesmo após sua morte ele ainda levantaria controvérsias. Para muitos, o ex-imperador dos franceses fora lentamente envenenado com arsênico pelos ingleses.

Pesquisas recentes descartam a hipótese, conforme registra Steven Englund em seu livro Napoleão – Uma Biografia Política. Porém a última glória os ingleses não puderam lhe roubar. Em 1840, seu corpo foi retirado da ilha e levado de volta à França.

Durante dias, Paris parou para saudar a volta de seu imperador, em um desfile fúnebre grandioso.

Como Napoleão perdeu a guerra?

A derrota que sepultou sua carreira de conquistador de territórios ocorreu na Batalha de Waterloo, travada em 18 de junho de 1815 nas imediações da cidade de Waterloo, na Bélgica. O episódio, que você confere em detalhes no infográfico que ilustra estas páginas, foi o ponto final em mais de dez anos de conflitos constantes de Napoleão com as principais potências do Ocidente na época, como Grã-Bretanha e Prússia (parte da atual Alemanha).

As intenções expansionistas do general proclamado imperador da França já haviam sofrido um forte revés em 1812, quando o Exército francês foi obrigado a retirar-se da Rússia depois de perder mais de 500 mil homens. O desastre deu ânimo para que os povos europeus dominados por Napoleão atacassem a França e forçassem a abdicação do imperador, que em 1814 foi preso e enviado para o exílio na ilha de Elba, na costa da Itália.

Em março de 1815, porém, Napoleão fugiu de Elba e retornou à França, onde foi aclamado pela população e recuperou o poder, conseguindo reunir cerca de 124 mil homens para formar um novo exército. Alarmadas, as potências que o haviam derrotado uniram-se novamente e começaram a concentrar tropas perto das fronteiras francesas.

Decidido a enfrentar seus inimigos, Napoleão marchou para a Bélgica, onde chegou a vencer tropas prussianas dois dias antes de sofrer a derrota final em Waterloo, que encerrou seu novo reinado, conhecido como “Os 100 Dias”. Ele não foi capturado ao final da batalha, mas em Paris o Parlamento forçou sua abdicação, ocorrida em 22 de junho de 1815. Enviaram-no para a distante ilha de Santa Helena, a quase 2 mil quilômetros do litoral sudoeste da África.

Ali, Napoleão morreu em 5 de maio de 1821, aos 51 anos de idade, de causas controversas – há quem diga que o motivo da morte foi um câncer no estômago, mas existem suspeitas de que o mais famoso general francês tenha sido envenenado.

A batalha de Waterloo

DATA – 18 de junho de 1815
LOCAL –
Waterloo (Bélgica)

OS LADOS DA BATALHA

113 MIL ALIADOS (PRUSSIANOS, AUSTRÍACOS, BRITÂNICOS E HOLANDESES)
72 MIL FRANCESES

TOTAL DE MORTOS

23 MIL ALIADOS
25 MIL FRANCESES

Posição incômoda

Por duas vezes, general francês hesitou em atacar e acabou derrotado em confronto decisivo.

1. 6 h: Desde o amanhecer, as tropas francesas estavam prontas para atacar. Mas Napoleão decidiu esperar que o terreno úmido pela chuva secasse, facilitando os movimentos de sua cavalaria. A demora deu tempo para que mais soldados aliados chegassem ao local
2. 10 h:
A batalha começa com um ataque francês em pequena escala para desviar a atenção dos aliados. Mas o duque de Wellington, comandante das forças aliadas, não cai na armadilha e envia apenas um pequeno destacamento, que consegue enfrentar os franceses
3. 11 h:
Com 80 canhões puxados por cavalos, a artilharia de Napoleão abre fogo e provoca o combate. Mas a maioria dos canhões franceses eram mais pesados que os dos aliados. Para piorar, o terreno encharcado complica o posicionamento das armas francesas para o tiro
4. 15 h:
Novo ataque de canhões franceses causa pesadas baixas entre as tropas aliadas. Para poupar as tropas, o duque de Wellington ordena o recuo temporário de seus soldados, que se protegem atrás de elevações do terreno onde não podiam ser atingidos pelo fogo francês
5. 16 h:
Os aliados iniciam o contra-ataque com sua infantaria (tropa a pé) em quadrados com três fileiras de soldados que abriram fogo contra o inimigo. Os soldados disparavam em rajadas intercaladas – enquanto um atirava, outro recarregava
6. 16h30:
Para deter o contra-ataque, 5 mil cavaleiros franceses avançam contra os aliados. Mas, sem o apoio da infantaria, os cavalos de Napoleão recusam-se a investir contra os quadrados da tropa aliada. O ataque fracassa e os franceses recuam
7. 18 h:
Aproveitando a recuada francesa, Wellington posiciona os canhões aliados cerca de 90 metros à frente dos quadrados da infantaria. Os canhões e artilheiros abrem fogo, disparando granadas que, ao explodir, provocam baixas espalhando estilhaços de aço entre os franceses
8. 18h30:
Os franceses têm a chance de virar o jogo ao capturar uma casa de fazenda no meio da linha aliada, causando estragos pesados. Mas, temendo um ataque inimigo contra a linha francesa, Napoleão não envia tropas para reforçar a investida, e a casa é recuperada pelos aliados
9. 20 h: Com a defesa reorganizada e reforçada por novas tropas prussianas vindas de outra batalha, os aliados repelem dois ataques franceses:
primeiro, um avanço diagonal ao setor direito com seis canhões; depois o avanço frontal de 2 mil soldados de Napoleão
10. 21 h:
Aproveitando a desarticulação francesa, as forças de Wellington iniciam um amplo avanço frontal e intensificam ataques no setor direito das tropas napoleônicas, o que leva os franceses à debandada.

Fim da batalha: em pânico, os franceses fogem em retirada desorganizada.

Fonte: mundoestranho.abril.com.br

Batalha de Waterloo

1815: Napoleão perde a batalha de Waterloo

Em 18 de junho de 1815, Napoleão Bonaparte perdeu a batalha de Waterloo contra a Inglaterra e a Prússia. As potências europeias encerraram o império de Napoleão 1º e o deportaram para Santa Helena.

Napoleão 1º deixou o seu exílio na ilha de Elba, em 26 de fevereiro de 1815, para retornar à França. Em 20 de março, ele foi recebido com triunfo em Paris.

Pouco tempo depois, a Inglaterra, Prússia, Áustria e Rússia decidiram recomeçar a guerra contra Napoleão. O imperador francês aproveitou o entusiasmo na França para organizar um novo exército e, em seguida, marchou com 125 mil homens e 25 mil cavalos para a Bélgica, a fim de impedir a coalizão dos exércitos inglês e prussiano.

Em 26 de junho de 1815, as tropas francesas alcançaram Charleroi.

Atrás da cidade, numa encruzilhada, o exército de Napoleão dividiu-se em duas colunas: uma marchou em direção a Bruxelas contra as tropas de Wellington, e outra, sob o comando do próprio Napoleão, em direção a Fleuru, contra o exército prussiano de Blücher.

No cerco das linhas inimigas, Blücher aquartelou-se no moinho de vento de Brye, sem saber que, igualmente a partir de um moinho, Napoleão podia observar, com telescópio, o movimento das tropas inimigas. Às 15 horas do mesmo dia, os franceses começaram a atacar.

Prússia perde batalha de Ligny

O exército da Prússia dispunha de mais de 84 mil homens e 216 canhões, enquanto os franceses tinham 67.800 homens e 164 canhões. Mas os prussianos cometeram um erro grave. Eles confiaram na chegada do exército de Wellington, na parte da tarde, a fim de apoiá-los no combate contra os franceses. Por isso, se entrincheiraram no lugarejo de Ligny para aguardar a chegada dos ingleses.

Os franceses atacaram o lugar com seus canhões. A esperança que os prussianos depositaram em Wellington foi em vão. Os franceses ganharam a batalha. Na mesma noite, Blücher ordenou a retirada para o norte. Os prussianos foram vencidos, deixando 20 mil mortos para trás, mas ainda não haviam sido derrotados definitivamente.

Wellington e sua tropa alcançaram o planalto de Mont Saint Jean, situado na estrada de Bruxelas para Charleroi, em 17 de junho de 1815. Até então, ele ainda não tinha se confrontado com as tropas francesas, porque Napoleão não havia feito novos ataques, depois da vitória de Ligny. Wellington se aquartelou na cavalariça de Waterloo. As fortes chuvas que haviam começado cair à tarde transformaram rapidamente o solo num charco, dificultando o movimento e o posicionamento dos canhões.

Ao cair da tarde, os soldados franceses também alcançaram a fazenda Belle Alliance, na estrada de Bruxelas para Charleroi. Napoleão se aquartelou na fazenda La Caillou e passou a observar como os ingleses se entrincheiravam no planalto. No café da manhã seguinte (18 de junho de 1815), o imperador francês expôs o seu plano de batalha.

Ele queria primeiro conquistar a posição ocupada pelos ingleses. Os canhões deveriam atacar o inimigo com fogo cerrado. Napoleão estava seguro da vitória e que derrotaria as tropas de Wellington antes da chegada dos prussianos.

O ataque estava previsto para as nove da manhã, mas sofreu um atraso de duas horas e meia por causa do aguaceiro. Primeiro, os franceses tentaram conquistar o morgadio Hougoumont, mas os ingleses estavam bem posicionados e usaram uma arma nova poderosa contra as fileiras compactas das tropas atacantes.

A arma eram as granadas, espécie de balas de chumbo dentro de um invólucro de aço, que podiam ser disparadas a longas distâncias. Os franceses tentaram várias vezes, em vão, tomar Hougoumont, até desistirem às 17 horas. Diante dos muros de Hougoumont ficaram mais de 3 mil mortos.

Enquanto isso, Napoleão dava a ordem de avançar sobre La Haie Sainte para poder atacar os ingleses entrincheirados no planalto. Neste momento, ele já sabia que os prussianos se aproximavam. O comando avançado prussiano chegou, finalmente, ao campo de batalha depois das 19 horas.

Para Napoleão, era evidente que tinha de tomar uma decisão e ordenou a sua combativa Guarda Imperial a atacar. A nova arma de destruição em massa atingiu os franceses em cheio. Para piorar a situação das tropas napoleônicas, mais tropas prussianas chegaram pouco depois das 20 horas.

O exército francês ainda tentou fugir, mas a batalha de Waterloo estava decidida. Às 21h30, o prussiano Blücher abraçou o inglês Wellington diante da fazenda Belle Alliance, selando a vitória.

Fonte: www.dw.de

Batalha de Waterloo

O resgate de Napoleão

Animados pela Revolução Pernambucana de 1817, um grupo de emigrados franceses nos Estados Unidos elaborou um plano para resgatar o imperador em Santa Helena e trazê-lo para a América usando o Brasil como base de operações.

Batalha de Waterloo
A Batalha de Waterloo marcou a derrota final de Napoleão Cuirassiers atacando os Highlanders durante a
Batalha de Waterloo em 18 de junho de 1815, Felix Philippoteaux, óleo sobre tela, 1874

A fama e o fascínio por Napoleão estiveram bem presentes no Brasil nos primeiros 20 anos do século XIX. Em 1801 o futuro imperador francês poderia ter sido o patrono do primeiro movimento pernambucano para fundar uma república no país, a frustrada conspiração dos Suassunas. A influência de sua figura e das idéias liberais da Revolução Francesa e da independência dos Estados Unidos da América esteve muito presente entre os revolucionários pernambucanos do século XIX, desde a conspiração de 1801 até o triunfo da Revolução de 6 de março de 1817 no Recife, que proclamou a República no Nordeste. Tais ligações se tornariam ainda mais estreitas quando militares bonapartistas exilados nos Estados Unidos, animados com o sucesso da Revolução Pernambucana, elaboraram um plano para resgatar Napoleão de seu cativeiro em Santa Helena, levá-lo a Pernambuco e depois a Nova Orleans.

Batalha de Waterloo
Napoleão em Santa Helena: o imperador francês terminou seus dias lentamente envenenado pelos ingleses

O elo entre os franceses e o Brasil era Antonio Gonçalves da Cruz, o Cabugá, homem enviado pelos revolucionários nordestinos como seu representante junto ao governo dos Estados Unidos no intuito de obter o reconhecimento formal da independência de Pernambuco. Os bonapartistas estiveram em contato permanente com Cabugá, que era um entusiasta do plano dos exilados franceses.

A queda do império napoleônico, em 1815, significou para a quase totalidade dos oficiais dos exércitos franceses uma verdadeira catástrofe. Com o imperador nas mãos dos ingleses, os generais e coronéis que haviam combatido em Iena, Marengo, Leipzig, na Rússia e em Waterloo encontravam-se em situação muito difícil, pois ou prestavam juramento de fidelidade a Luís XVIII, ou se contentavam em receber meio soldo apenas. Por isso, numerosos oficiais preferiram o exílio nos Estados Unidos, onde havia oportunidades para “soldados de fortuna”. Assim, poucos meses depois da queda do império, já estavam nos EUA cerca de mil oficiais franceses de várias patentes, cujo único pensamento era libertar o imperador que definhava no clima severo da ilha de Santa Helena, em pleno oceano Atlântico, na altura de Pernambuco.

O chefe da conspiração francesa nos EUA era o irmão do imperador, José Bonaparte, que fora rei da Espanha. Por meio do contato com Cabugá viram no Brasil uma possibilidade de colocar em prática seus planos, e numerosos militares franceses começaram a se deslocar para Pernambuco a fim de preparar a cabeça-de-ponte da operação. Durante os três meses de vida da República de Pernambuco, Cabugá adquiriu armamentos e munições e os enviou ao Brasil.

Mesmo após a derrota da revolução, ele continuou ajudando os franceses exilados que planejavam o rapto de Napoleão e conseguiu articular a vinda para o Brasil de dois navios corsários, o Parangon e o Penguin.

Outro fator que contribuiu para os planos dos franceses foi a decisão do Departamento de Estado americano de designar um representante permanente em Recife, o cônsul Joseph Ray, que desempenharia papel significativo no decorrer da Revolução de 1817, abrigando em sua casa cidadãos franceses que chegavam para incorporar-se à expedição que iria seqüestrar Napoleão.

A oportunidade era esplêndida para os emigrados franceses nos EUA, que se aproveitaram dos bons ofícios de Cabugá em Washington e da estratégica posição de Ray em Recife. Correspondência citada por Donatello Grieco em seu excelente livro Napoleão e o Brasil informa que os oficiais franceses convergiram para o porto de Baltimore e um grupo avançado de 32 homens chefiado pelo coronel Latapie viajou para Pernambuco. Foram adquiridas duas escunas que estavam em Baltimore e Anápolis. O ponto de reunião de toda a expedição era a ilha de Fernando de Noronha, onde Portugal mantinha uma prisão especial. Lá deveriam reunir-se 80 oficiais franceses, cerca de 700 americanos e outro navio com 800 marinheiros. Essas forças deveriam atacar Santa Helena visando a capital Jamestown, mas isso seria apenas uma manobra para atrair os defensores ingleses, deixando livres a Sandy Bay e a Prosperous Bay, onde desembarcaria a maioria das tropas da expedição. Um grupo se dirigiria à residência de Napoleão e o levaria para a Prosperous Bay. Seguiriam para Recife e viajariam depois para Nova Orleans.

A bordo do navio Parangon chegaram ao Rio Grande do Norte em agosto de 1817 alguns dos principais personagens da expedição francesa. O mais importante deles era o conde de Pontécoulant, pitoresco personagem de vida aventureira, apesar de sua alta linhagem gaulesa. Ao desembarcar teve a má notícia de que a Revolução de 1817 fora afogada, mas o fato não era tão grave assim porque Joseph Ray, o cônsul americano em Recife, continuaria a dar-lhes plena cobertura.

Em Natal não encontrou maiores dificuldades, pois conseguiu fazer boas relações de amizade com o secretário do governador. Decidiu passar-se por médico e botânico e partiu para a Paraíba, onde o Parangon havia desembarcado o general Raulet, o coronel Latapie e outros personagens franceses de patente mais baixa.

Na Paraíba, o conde não teria a mesma boa recepção, pois o governador local mandou prender todos os franceses encontrados, enviando-os depois para Pernambuco. Em Recife tiveram melhor sorte, pois o governador Luiz do Rego não encontrou em seus papéis nada de suspeito e os liberou. Foram hospedar-se na casa do cônsul Ray, que se tornaria o centro de todas as medidas para o êxito da expedição francesa a Santa Helena. Nesse momento aportou em Recife outra escuna americana carregada de armamentos, o que alarmou o governador pernambucano, que não sabia como controlar o cônsul Joseph Ray.

Sucedeu então o imprevisto: o coronel Latapie solicitou audiência ao governador Luiz do Rego e resolveu relatar-lhe tudo sobre a expedição que estava sendo preparada. Contou-lhe o papel do ex-rei da Espanha, José Bonaparte, irmão de Napoleão, que deveria chegar a Pernambuco nos próximos dias e todas as implicações de uma delicada questão internacional. O governador afinal deu-se conta da importância dos fatos e decidiu encaminhar os franceses às autoridades portuguesas da capital.

No Rio de Janeiro ocorreu outra surpresa: um cidadão americano declarou ao presidente da Alçada que o cônsul Ray estava em contato direto com Cabugá e os líderes da expedição francesa. O cônsul acusava o governador de Pernambuco de prejudicar os interesses comerciais dos EUA. Afirmava Ray abertamente que seria muito fácil obter a independência do Brasil, porque o governo português do Rio de Janeiro ficaria reduzido à impotência pela intervenção armada dos Estados Unidos e a neutralidade da Inglaterra. O interrogatório de tripulantes do navio americano confirmou essas declarações alarmantes do diplomata.

Segundo o relato de Ferreira da Costa em seu A intervenção napoleônica no Brasil, o conde de Pontécoulant, assustado, preferiu regressar ao Rio Grande do Norte para obter proteção de seu amigo, o secretário do governador, mas nova complicação ocorreu com o aparecimento de outro navio americano, o Penguin.

Procedente de Nova York, a embarcação trazia mais armamentos enviados por Cabugá, e seus tripulantes transmitiram notícias alarmantes, assegurando até que Napoleão já se evadira de Santa Helena. Em Recife, no início de 1818, o governador Luiz do Rego, convencido da cumplicidade do cônsul americano, pediu ao Rio de Janeiro autorização para efetuar uma busca na casa dele e lá encontrou três pernambucanos implicados na Revolução de 1817, além de alguns franceses, prova cabal de sua conivência.

A imunidade consular salvou Ray, mas seu secretário dinamarquês foi preso e relatou todos os pormenores da associação dos franceses com os revolucionários de 1817, do que resultou a prisão do general Raulet. Nesse ínterim, chegavam ao Ceará mais franceses ilustres a bordo da fragata Les Trois Frères. Os bonapartistas contavam que na França se falava com entusiasmo do sucesso da Revolução Pernambucana e vários franceses decidiram embarcar para o Brasil a fim de juntar-se à expedição destinada a Santa Helena.

As autoridades portuguesas começaram a preocupar-se seriamente com a chegada de dezenas de franceses de alta estirpe que não podiam trancafiar impunemente sem protesto do governo francês, com o qual Portugal mantinha agora excelentes relações. Por outro lado, o governo português não podia deixar de reagir ao imbróglio que aumentava com os protestos do governo inglês, seu aliado, interessado em manter Napoleão em segurança na sua ilha. Os juristas estavam confusos e afinal a corte portuguesa ordenou à polícia carioca “transportar para a Europa todos os emigrados franceses que se encontravam no Brasil”.

Em Santa Helena o comandante inglês sir Hudson Lowe estava ao corrente de tudo o que acontecia no Brasil pelo ministro inglês no Rio de Janeiro e tomou diversas medidas para reforçar a defesa da ilha. Instalou telégrafos e novas baterias em Sandy Bay, em Prosperous Bay e na capital Jamestown, os três pontos mais vulneráveis.

Os planos dos bonapartistas nunca se concretizaram, mas os franceses dificilmente teriam tido sorte em sua iniciativa de raptar o imperador da ilha solitária. Não seria nada fácil, pois os ingleses sabiam dos planos dos franceses e tomaram precauções eficazes para resistir. Se ele tivesse aportado em Recife a caminho de Nova Orleans, durante a Revolução de 1817, certamente seus próceres tentariam retê-lo por algum tempo para homenageá-lo, mas isso dificilmente se realizaria.

É claro que se d. João VI tivesse conhecimento de que Napoleão estava em Recife, mandaria apresá-lo imediatamente para vingar-se de sua ignominiosa fuga de Lisboa em 1808, escapando às tropas do general Junot. Que magnifico refém seria Napoleão para d. João VI! Na época o monarca estava negociando com Luis XVIII a devolução da Guiana francesa, ocupada em 1809 por tropas da Amazônia. Por isso é natural que, se os exilados Franceses tivessem obtido sucesso no seqüestro de Napoleão, eles o teriam levado diretamente para os EUA, sem escala em Recife, que serviria apenas de cabeça-de-ponte inicial para a planejada operação de resgate.

Vasco Mariz

Fonte: www2.uol.com.br

Batalha de Waterloo

A batalha de Waterloo (1815).

Comandante: o duque de Wellington (50.000 homens de infantaria e 12.500 homens de cavalaria).

Opositor: Napoleão (49.000 homens na infantaria e 15.570 homens da cavalaria).

Local: Bélgica.

A obsessão de Napoleão pelo poder ameaçava toda a Europa.

Libertado do exílio, Napoleão reuniu perto de 300.000 homens e atacou a Bélgica, dirigindo-se para Bruxelas. Napoleão era um mestre da estratégia “divide e vencerás” e tinha planeado atacar um ponto vital de comunicação entre os exércitos inglês e prussiano.

A missão do duque de Wellington era detê-lo.

Na parte mais dura da batalha, ordenou à sua infantaria e cavalaria secretas que carregassem a partir de uma colina e destruíssem a ofensiva de Napoleão.

Wellington conseguiu destruir o exército napoleónico e acabar com 20 anos de carreira do maior génio militar da história.

A Batalha de Waterloo

A batalha de Waterloo reuniu cerca de 300.000 homens de Napoleão, que atacaram a Bélgica em direção a Bruxelas.

Em 18 de Junho de 1815 o futuro da Europa foi decidido entre os franceses (Napoleão) e ingleses, prussianos, alemães, holandeses e belgas (duque de Wellington).

Napoleão perde a guerra contra a Inglaterra e Prússia, selando assim o fim do império de Napolônico, de 1799 a 1815.

O ex-imperador, após abdicar de seu posto, foi deportado para Santa Helena.

Fonte: www.canalhistoria.com/www.igeduca.com.br

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