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Biblioteca de Alexandria

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Biblioteca de Alexandria – O que foi

Biblioteca de Alexandria foi uma lendária instituição de pesquisa fundada por Ptolomeu I do Egito.

Na era moderna, a Biblioteca de Alexandria é provavelmente mais lembrada por seu destino: de acordo com vários historiadores, a biblioteca foi saqueada e queimada, embora provavelmente em uma série de eventos, ao invés de todos de uma vez. A natureza precisa da Grande Biblioteca é um tópico de alguma discussão entre os estudiosos, uma vez que existe pouca informação sobre a biblioteca real, e a mitologia e as lendas obscureceram completamente o quadro real.

Essa instituição foi certamente estabelecida no terceiro século AEC (Antes da Era Comum), com o objetivo de coletar materiais escritos de várias culturas vizinhas. Na verdade, duas bibliotecas separadas mantinham as coleções da Biblioteca de Alexandria, que incluía pergaminhos da Grécia e de Roma, além do Egito.

Biblioteca de Alexandria também tinha salas de reuniões, dormitórios e outros espaços para o uso de acadêmicos, escribas e copistas.

Supostamente, as enormes coleções da Biblioteca de Alexandria foram reunidas em parte por meio de comércio judicioso e em parte pela força. Segundo a lenda, todos os visitantes que entravam em Alexandria eram obrigados a entregar qualquer material escrito que tivessem para copiar na biblioteca, o que teria expandido consideravelmente o acervo.

Ninguém sabe ao certo o tamanho do acervo da biblioteca, já que não existe bibliografia ou catálogo, mas acredita-se que seja a maior do mundo antigo.

A destruição da Biblioteca de Alexandria foi atribuída a várias pessoas. Supostamente, Júlio César incendiou acidentalmente a biblioteca em 48 AEC (Antes da Era Comum), mas Aureliano e Teófilo por volta do século III dC também foram creditados com a destruição da biblioteca, assim como a Conquista Muçulmana, que ocorreu no século VI. A explicação mais provável é que todos são responsáveis, e a biblioteca foi destruída por pedaços antes de finalmente desaparecer completamente.

Os arqueólogos descobriram um local que postularam como a localização da Biblioteca de Alexandria original em 2004. O local esclareceu mais sobre a natureza da instalação, indicando que salas de aula e outras instalações sugeriam um alto nível de compartilhamento de informações e educação em andamento na Biblioteca.

Nenhum documento foi rastreado positivamente até a Biblioteca de Alexandria, embora existam muitas referências contemporâneas a obras na Biblioteca que mais tarde apareceram em tradução ou cópia. No entanto, dado que algumas dessas referências são posteriores à destruição da biblioteca, pode ser difícil determinar quais autores foram realmente alojados nas coleções da Biblioteca de Alexandria.

Biblioteca Real de Alexandria

A Antiga Biblioteca de Alexandria

Biblioteca Real de Alexandria, parte de um museu e biblioteca inspirado no Liceu de Atenas, era a maior biblioteca do mundo antigo. Fundada originalmente em 283 a.C. como um templo das Musas, o Musaeum (de onde obtemos “Museu”) incluía áreas de leitura, jardins, um zoológico e santuários religiosos. Acadêmicos residentes em um total de 100 realizaram pesquisas, bem como documentos traduzidos e copiados, particularmente obras de filosofia, poesia e drama gregos clássicos. Estima-se que a biblioteca tenha armazenado cerca de 400.000 a 700.000 rolos de pergaminho da Assíria, Grécia, Pérsia, Egito, Índia e muitas outras nações.

cidade de Alexandria foi fundada por Alexandre o Grande em 332 a.C. e cresceu para se tornar a maior cidade do mundo antigo dentro de um século de sua fundação.

Alexandria era um centro da cultura helenística e lar da maior comunidade judaica do mundo (a Septuaginta grega, uma tradução da Bíblia hebraica, foi produzida lá).

Enquanto a destruição da biblioteca permanece um mistério e representa uma das grandes perdas do estoque de conhecimento da humanidade, o conceito de uma biblioteca como um recurso de aprendizagem e bolsa de estudos inspirou a preservação do conhecimento em bibliotecas e museus desde então.

A ideia de que o aprendizado deve servir a toda a humanidade, não apenas a uma elite privilegiada, pode ser rastreada até essa antiga instituição.

Essa iniciativa foi uma conseqüência dos valores helenísticos que muito se deveu às conquistas e políticas de Alexandre, o Grande. Dentro do mundo mediterrâneo e estendendo-se até o vale do Indo, o pensamento helenístico fomentou uma maior consciência das origens e atributos humanos comuns.

O estabelecimento da biblioteca pode ser visto como um resultado direto da própria política de Alexandre de espalhar a cultura grega, mas também adotando o que ele considerava valioso de outras culturas.

O compartilhamento do conhecimento, incluindo o discurso filosófico e ético, fortaleceu esse reconhecimento da identidade humana coletiva e dos valores compartilhados.

Alexandre até cruzou as barreiras raciais ao encorajar o casamento entre si e o empréstimo e mistura de formas culturais.

Uma nova biblioteca, a Bibliotheca Alexandrina foi inaugurada em 2003, junto ao local da antiga biblioteca.

A história da grande Biblioteca

Chamada de A grande Biblioteca para distinguí-la da pequena biblioteca de Serapis, foi inaugurada por Ptolomeu Sóter II (309-247 a. C.), o Filadelfo, segundo rei (282-247 a. C.) dessa dinastia, com o propósito de firmar a manutenção da civilização grega no interior da conservadora civilização egípcia.

Provavelmente idealizada a partir da chegada de Demétrio Falero (350-283 a. C.), levado a Alexandria (295 a. C.) para este fim e atendendo a um projeto elaborado por Ptolomeu Sóter I (367-283 a. C.) cuja obra ficou completa com a construção de sua conexão com o Museu, a obra máxima de seu sucessor, Ptolomeu Filadelfo.

Como Estrabão (63 a. C. -24) não fez menção da biblioteca em sua descrição dos edifícios do porto, possivelmente se encontrava em outra parte da cidade, além do mais, sua conexão com o Museu, parece localizá-la no Brucheião, a noroeste da cidade.

A formação do acervo foi constituída de várias formas, segundo muitos relatos tradicionais para aquisição dos livros, geralmente na forma de rolos. Por exemplo, os barcos que entravam no porto eram forçados a entregar algum manuscrito que transportavam.

A rivalidade entre Alexandría e Pérgamo chegou em tal nível que a exportação de papiro foi proibida com o fim de perjudicar a cidade italiana.

Esta rivalidade levou ao desenvolvimento de envelhecimento artificial de papiros para falsificação de cópias como originais, para aumento do acervo.

Demétrio Falero (350-283 a. C.) mencionou o número de 200.000 rolos de papiro, para uma meta de 500.000.

Calímaco (294-224 a. C.) criador do primeiro catálogo sistematizado da biblioteca, os Pinakes, contabilizou em 490.000 rollos e, mais tarde, Aulo Gélio (120-175) Amiano Marcelio ( 330 – 395) em 700.000 rollos.

Paolo Orósio ( 370-417), por outro lado, mencionou 400.000.

João Tzetzes (1110-1181), comentarista bizantino, concluiu que o acervo estaria dividido, com 42.800 manuscritos em Serapis e 490.000 no Museu.

Autores modernos falam em milhões de originais.

Depois da catalogação das obras por Calímaco e Apolônio de Rodes, o primeiro bibliotecário de fato (234 a.C.) foi Zenódoto (325-234 a. C.), seguido (234-194 a. C.) por Eratóstenes (276-194 a. C.), (194-180 a. C.) Aristófanes de Bizâncio (257-180 a. C.) e (180-131 a.C.) Aristarco de Samotrácia (217-131a. C.), todos nomes de famosos estudiosos daquele período da civilização.

A inclusão nesta lista do gramático Calímaco (294-224 a. C.) e do gramático e poeta épico Apolônio de Rodes (295-215 a. C.) é pouco convincente e parece cronologicamente impossível, a não ser como colaboradores iniciais na fundação da instituição e organização do acervo inicial.

O trabalho dos bibliotecários consistiu na classificação, catalogação e edição das obras da literatura grega e exerceram uma profunda e permanente influência não só pela forma dos livros, de suas subdivisões e sua disposição, como também pela transmissão de textos em todas as fases da história da literatura.

Depois de Aristarco a importância da biblioteca decaiu. Júlio César (100-44 a. C.) viu-se impelido (47 a. C.) a queimar sua frota para impedir que caísse em mãos dos Egípcios.

O fogo se extendeu aos documentos e o arsenal naval e acredita-se destruiu cerca de 400.000 rolos de papiros. É mais provável, segundo o relato de Orósio, que isto não ocorreu na próprio biblioteca, e sim, depois que os rolos tivessem sido transportados de lá para porto para serem embarcardos para Roma.

Sêneca (4 a. C.-65) e Aulo Gélio (120-175) também escreveram sobre essa ocorrência, porém só da queima dos manuscritos, este último apresentando-a como completa.

Menos cuidadosamente os historiadores Plutarco (46-119)  e Dio Cássio escreveram sobre a queima da biblioteca, porém o assunto não foi tratado pelos historiadores Cícero (106-43 a. C.) nem por Estrabão (63 a. C.-24).

O prejuízo foi parcialmente reparado (41 a. C.) por Marco Antônio (83-30 a. C.) e Cleópatra VII (69-30 a. C.), com o aporte de 200.000 volumes provenientes da biblioteca de Pérgamo. Sob o imperador romano Aureliano (215-275), uma grande parte do Brucheion foi destruída (272) e é possível que a biblioteca tenha desaparecido nessa época.

A mais generalizada versão da destruição da biblioteca é a que aconteceu quando Alexandria foi capturada pelos muçulmanos (642), que sob o argumento de que os escritos gregos não eram necesários e não necessitavam ser preservados, porque estavam em desacordo com os ensinamentos de Alá e, portanto, eram perniciosos e deveriam ser destruídos.

A versão de que teriam sido usados como lenha, hoje está descartada, pois o gesto não seria coerente com os costumes muçulmanos e, além disso, segundo alguns historiadores essa versão ganhou corpo cerca de um século depois da captura da cidade, aumentando as possibilidades de que a monumental biblioteca tenha sido destruída muito antes da invasão muçulmana. Segundo a lenda, no entanto, a biblioteca foi destruída pelo fogo em três ocasiões, sendo a primeira (272) por ordem do imperador romano Aureliano (215-275), depois (391), quando o imperador Teodósio I (347-395) arrasou-a, juntamente com outros edifícios pagãos, e finalmente (640) pelos muçulmanos, sob a chefia do califa Omar I (581-644).

Saliente-se ainda que existe uma suposição de que a pequena biblioteca de Serapis, com pouco mais de 40 mil volumes, foi destruída quando o Templo de Serapis foi demolido (391) por ordem do cristão radical Teófilo (335-412), nomeado (385) patriarca de Alexandria, durante sua violenta campanha de destruição de todos os templos e santuários não-cristãos daquela cidade, com o apoio do imperador FlávioTeodósio (347-395), após a proclamação (380) do Cristianismo como Religião do Estado.

Essa loucura destruidora já teria sido responsável, então, pela demolição dos templos de Mitríade e de Dionísio, porém não há uma informação definitiva dos acontecimentos em relação à biblioteca.

Saliente-se ainda que Hipatia (370-415), a última grande matemática da Escola de Alexandria, a bela filha de Téon de Alexandria (335-395), foi assassinada por uma multidão de monges cristãos, incitada por Cirilo (376-444), sobrinho e e sucessor de Teófilo como patriarca de Alexandria, que depois seria canonizado pela Igreja Católica.

Após o seu assassinato, numerosos pesquisadores e filósofos trocaram Alexandria pela Índia e pela Pérsia, e a cidade deixou de ser o grande centro de ensino das ciências do Mundo Antigo.

A Biblioteca de Alexandria, o coração da humanidade

Durante uns sete séculos, entre os anos de 280 a.C. a 416, a biblioteca de Alexandria reuniu o maior acervo de cultura e ciência que existiu na antiguidade.

Ela não contentou-se em ser apenas um enorme depósito de rolos de papiro e de livros, mas por igual tornou-se uma fonte de instigação a que os homens de ciência e de letras desbravassem o mundo do conhecimento e das emoções, deixando assim um notável legado para o desenvolvimento geral da humanidade.

Fundando uma biblioteca

Fascinada por leituras, a jovem princesa Cleópatra visitava quase que diariamente a grande biblioteca da cidade de Alexandria. Mesmo quando César ocupou a maior parte da cidade, no ano de 48 a.C., ela, sua amante e protegida, o fazia acompanhá-la na busca de novas narrativas.

O conquistador romano, também um homem de letras, um historiador, ficara impressionado com a desenvoltura cultural dela. Acoplada ao Museu, mandando construir pelo seu ilustre antepassado e fundador da dinastia, o rei do Egito Ptolomeu I Sóter (o Salvador), que reinou de 305 a 283 a.C., a biblioteca tornara-se, até aquela época, o maior referencial cientifico e cultural do Mundo Antigo (*). Tudo indica que o erguimento daquele magnífico edifício no bairro do Bruquéion, nas proximidades do palácio real, deveu-se a insistência de Demétrio de Falério, um talentoso filósofo exilado que encheu os ouvidos de Ptolomeu para que ele tornasse Alexandria uma rival cultural de Atenas.

Mudar o Egito

Biblioteca de AlexandriaRepresentação do Farol de Alexandria

Quem realmente levou a tarefa adiante foi o sucessor dele, Ptolomeu Filadelfo (o amado da irmã) que, além de ter erguido o famoso farol na ilha de Faro e aberto um canal que ligava o rio Nilo ao Delta,, logo percebeu as implicações políticas de fazer do Museu e da Biblioteca um poderoso enclave da cultura grega naquela parte do mundo. A nova dinastia de origem grega, chamada dos Lágidas (*), que passara a governar o país dos faraós, ao tempo em que se afirmava no poder, desejou também transformá-lo. Desencravando o trono real da cidade de Mênfis, situada nas margens do rio Nilo, no interior, transferindo-o para Alexandria, nas beiras do mar Mediterrâneo, a nova capital tinha a função de arrancar o milenaríssimo reino do sarcófago em que o enterraram por séculos, abrindo-lhe a cripta para que novos ares adentrassem.

Biblioteca de AlexandriaSarcófago real em Mênfis

Fazer com que o povo, ou pelo menos sua elite, se livrasse de ser tiranizados por sacerdotes e mágicos de ocasião que infestavam o pais. Gente que só pensava em viver num outro mundo, o do Além, e como seriam sepultados. Era o momento deles darem um basta ao Vale dos Mortos e celebrar os hinos à vida, exaltada pela cultura helenística.

Mesmo os horrores de uma tragédia de Ésquilo ou Sófocles tinham mais emoção e paixão do que o soturno Livro dos Mortos.

Era a hora das múmias e dos embalsamadores cederem o seu lugar aos sátiros e aos cientistas, de pararem de adorar o Boi Apis e se convertessem ao culto dos deuses antropomórficos. Filadelfo, porém, que era um entusiasta da ciência, num ato sincrético, fundindo costumes gregos com egípcios, resolveu reintroduzir o antigo cerimonial existente entre as dinastias do país do faraó esposar a própria irmã, tornando a princesa Arsinoe II a sua mulher. Dizem que um outro Ptolomeu, dito Evergetes (o Benfeitor), morto em 221 a.C., ficou tão obsecado em aumentar o acervo da biblioteca que teria ordenado a apreensão de qualquer livro trazido por um estrangeiro, o qual era imediatamente levado aos escribas que então tiravam uma cópia, devolvendo depois o original ao dono, premiado com 15 talentos.

Por essa altura, entre os séculos II e I a.C., Alexandria, que fora fundada por Alexandre o Grande em 332 a.C., assumira, com todos os méritos, ser a capital do mundo helenistico. Centro cosmopolita, por suas ruas, praças e mercados, circulavam gregos, judeus, assírios, sírios, persas, árabes, babilônios, romanos, cartagineses, gauleses, iberos, e de tantas outras nações. A efervescência dai resultante, é que fez com que ela se tornasse um espécie de Paris ou de Nova Iorque daquela época, cuja ênfase maior foi porém a ciência e a filosofia.

(*) Os Lágidas ou Ptolomeus, governaram o Egito a partir da partilha feita entre os Diadochoi, os diádocos, os generais de Alexandre o Grande, quando da morte deste em 323 a.C. Coube ao primeiro Ptolomeu, autodesignado Sóter (o Salvador), tornar-se rei do Egito no ano de 305 a.C., iniciando uma dinastia que teve 14 Ptolomeus e 7 Cleópatras. A última rainha do Egito foi Cleópatra VII, que suicidou-se em 30 a.C., ocasião em que o país caiu sobre a dominação romana de Otávio Augusto.

O bibliotecário-chefe

Para qualquer intelectual grego ser convidado para o cargo de bibliotecário-chefe em Alexandria era atingir o Olimpo. Cercado por milhares de manuscritos, quase tudo o que a sabedoria antiga produzira sobre matemáticas, astronomia, mecânica e medicina, ele sentia-se como se fosse um Zeus todo-poderoso controlando as letras, os números e as artes.

Conviver com rolos e mais rolos, bem organizados e classificados por assuntos, dos escritos de Platão, de Aristóteles, de Zenão, de Euclides, de Homero, de Demóstenes, de Isócrates, de Xenofonte, de Píndaro, de Tucidides, de Safo, e de tantos outros, era um deleite permanente (*).

Ao que se somava a Septuagint, os 70 manuscritos que continham a tradução do Pentateuco, o Velho Testamento hebraico para o grego, feito por 72 sábios judeus convidados por Ptolomeu Filadelfo para realizar o feito em Alexandria. As atribuições do bibliotecário-chefe transcendiam as funções habituais, pois eles eram também humanistas e filólogos encarregados de reorganizar as obras dos autores antigos (foi Zenôdo quem estruturou a Ilíada e a Odisséia em 24 cantos cada um, depurando-lhes os versos espúrios).

Além disso, ele também era encarregado da tutoria dos príncipes reais, a quem devia orientar nas leituras e no gosto.

(*) Os rolos de papiro mediam 25 cm de altura por 11 metros de cumprimento, alcançando alguns até 30 metros. Eram escritos sem separação das palavras, com exceção de uma pausa (paragraphos), não havia vírgulas nem pontuação. As folhas, denominadas de cólemas, eram coladas umas as outras antes da sua utilização, e a página que abria o rolo chamava-se protocollon (dai a nossa palavra protocolo).

Principais bibliotecários

Bibliotecário-chefe/Período

Demétrio de Faléreo/284 a.C.
Zenôdoto de Éfeso/284-260 a.C.
Calímaco de Cirene/260-240 a.C.
Apolônio de Rodes/240-235 a.C.
Erastóstenes de Cirene/235-195 a.C.
Apolônio Eidógrafo/180-160 a.C.
Aristarco de Samotrácia/160-145 a.C.

O acervo e os cientistas

Em seus primeiros três séculos, da fundação da biblioteca à chegada de César, disseram que as estantes, partindo dos 200 rolos iniciais do tempo de Filadelfo, chegaram a acomodar mais de 700 mil textos em volumes diversos, mas que, infelizmente, parte deles perdeu-se num incêndio acidental quando César por lá esteve (acredita-se que o que foi queimado era uma carga de papiros que estavam no porto esperando serem embarcados para Roma). Seja como for, parece ter sido a intenção de Marco Antônio, o outro líder romano que tornou-se amante e depois marido de Cleópatra, ressarcir as perdas sofridas com o incêndio de 48 a.C., doando para a biblioteca de Alexandria, no ano de 41 a.C., outros 200 mil pergaminhos e livros retirados por ele da biblioteca de Pérgamo, rival da de Alexandria.

Desastres esses que de modo algum impediram que ela continuasse sendo visitada por homens ilustres como Arquimedes, ou tivessem embaraçados os cientistas da cidade.

As contribuições universais do complexo cultural instalado em Alexandria, uma verdadeira fábrica de sabedoria, foram impressionantes: enquanto Aristarco esboçou a primeira teoria heliocêntrica (a que inspirou Copérnico), coube a Cláudio Ptolomeu, um geocentrista, fundar a moderna astronomia científica.

Ao tempo em que Erastóstenes, um outro bibliotecário- chefe, mediu com precisão a Terra, o grande Euclides, ainda no tempo de Ptolomeu Sóter, lançava o Stoicheia ( Elementos), seu imortal estudo de geometria.

Até Hypatia, morta em 415, uma das primeiras cientistas que se tem registro, atuou por lá, até que fanáticos cristãos impediram-na de continuar com suas pesquisas.

O cerco intolerante sobre a biblioteca

Quem terminou por fazer carga cerrada contra a existência do Templo de Serapium e da soberba biblioteca anexa a ele, ainda que empobrecida no século 4, foi o bispo Téofilo, Patriarca de Alexandria, um cristão fundamentalista dos tempos de Teodósio o Grande, que viu naquele prédio um depósito das maldades do paganismo e do ateísmo, mobilizando a multidão cristão para a sua demolição, ocorrida provavelmente no ano de 391. Portanto, hoje encontra-se em total descrédito a narrativa que responsabilizara os muçulmanos, especialmente o califa Omar de Damasco, de ter mandado o general Amrou incendiar a grande biblioteca no ano de 642, depois que as tropas árabes ocuparam a cidade.

Ao desaparecimento definitivo dela deve-se ainda associar ao fechamento das academias de filosofia, entre elas a de Platão, ocorrida em 526 (que funcionara durante novecentos anos), determinada pelo imperador Justiniano, encerrando-se assim (devido a maneira lamentável e intolerante de agir do cristianismo daqueles primeiros tempos), as grande contribuições que o mundo antigo deu para a humanidade.

Biblioteca de Alexandria
Erasistratus, médico da escola de Alexandria
cura o jovem Antíoco (tela de L.David, 1774)

A boa nova que nos chegou do Oriente Médio, região tão rara em produzir noticias felizes, é o da inauguração da Nova Biblioteca de Alexandria, acontecido em outubro de 2002, um colossal empreendimento que visa recuperar a imagem da cidade como um centro de sabedoria, posição que perdeu há bem mais de 1500 anos.

Que os espíritos dos grandes do passado inspirem os que virão no futuro nesta grandiosa tarefa.

Biblioteca de Alexandria – Arquivo/Livros

O imenso arquivo de livros considerados ‘perigosos’, como as obras de Bérose que relatavam seus encontros com extraterrestres ou ‘Sobre o feixe de luz’, provavelmente a primeira obra sobre discos voadores, os livros secretos que davam poder ilimitado, os segredos da alquimia….tudo desapareceu

A cidade foi fundada, como seu nome o diz, por Alexandre, o Grande, entre 331 e 330 a.C.

Uma fantástica coleção de saber foi definitivamente aniquilada pelos árabes em 646 da era cristã. Antes disso muitos ataques foram destruindo aos poucos esse monumento.

Alexandria foi a primeira cidade do mundo totalmente construída em pedra. A biblioteca compreendia dez grandes salas e quartos separados para os consultantes. Discute-se, ainda, a data de sua fundação, por Demétrios de Phalére. Desde o começo, ele agrupou setecentos mil livros e continuou aumentando sempre esse número. Os livros eram comprados às expensas do rei.

Demétrios foi o primeiro ateniense a descolorir os cabelos, alourando-os com água oxigenada. Depois foi banido de seu governo e partiu para Tebas.

Lá escreveu um grande número de obras, uma com o título estranho: ‘Sobre o feixe de luz no céu’, que é provavelmente, a primeira obra sobre discos voadores.

Demétrios tornou-se célebre no Egito como mecenas das ciências e das artes, em nome do rei Ptolomeu I. Ptolomeu II continuou a interessar-se pela biblioteca e pelas ciências, sobretudo a zoologia.

Nomeou como bibliotecário a Zenodotus de Éfeso, nascido em 327 a.C., e do qual ignoram as circunstâncias e data da morte. Depois disso, uma sucessão de bibliotecários, através dos séculos, aumentou a biblioteca, acumulando pergaminhos, papiros, gravuras e mesmo livros impressos, se formos crer em certas tradições. A biblioteca continha portanto documentos inestimáveis.

Sabe-se que um bibliotecário se opôs, violentamente, à primeira pilhagem da biblioteca por Júlio César, no ano 47 a.C., mas a história não tem o seu nome. O que é certo é já na época de Júlio César, a biblioteca de Alexandria tinha a reputação corrente de guardar livros secretos que davam poder praticamente ilimitado.

Quando Júlio César chegou a Alexandria a biblioteca já tinha pelo menos setecentos mil manuscritos. Os documentos que sobreviveram dão-nos uma ideia precisa. Havia lá livros em grego.

Evidentemente, tesouros: toda essa parte que nos falta da literatura grega clássica. Mas entre esses manuscritos não deveria aparentemente haver nada de perigoso. Ao contrário, o conjunto de obras de Bérose é que poderia inquietar.

Sacerdote babilônico refugiado na Grécia, Bérose nos deixou de um encontro o relato com os extraterrestres: os misteriosos Apkallus, seres semelhantes a peixes, vivendo em escafandros e que teriam trazido aos homens os primeiros conhecimentos científicos. Bérose viveu no tempo de Alexandre, o Grande, até a época de Ptolomeu I. Foi sacerdote de Bel-Marduk na babilônia.

Era historiador, astrólogo e astrônomo. Inventou o relógio de sol semicircular. Fez uma teoria dos conflitos entre os raios dos Sol e da Lua que antecipa os trabalhos mais modernos sobre interferência da luz.

A História do Mundo de Bérose, que descrevia seus primeiros contatos com os extraterrestres, foi perdida. Restam alguns fragmentos, mas a totalidade desta obra estava em Alexandria.

Nela estavam todos os ensinamentos dos extraterrestres.

A ofensiva seguinte, a mais séria contra a livraria, foi feita pela Imperatriz Zenóbia. Ainda desta vez a destruição não foi total, mas livros importantes desapareceram.

Conhecemos a razão da ofensiva que lançou depois dela o Imperador Diocleciano ( 284–305 d.C. ). Diocleciano quis destruir todas as obras que davam os segredos de fabricação do ouro e da prata. Isto é, todas as obras de alquimia. Pois ele pensava que se os egípcios pudessem fabricar à vontade o ouro e a prata, obteriam assim meios para levantar um exército e combater o império. Diocleciano mesmo filho de escravo, foi proclamado imperador em 17 de setembro de 284. Era ao que tudo indica, perseguidor nato e o último decreto que assinou antes de sua abdicação em maio de 305, ordenava a destruição do cristianismo.

Diocleciano foi de encontro a uma poderosa revolta do Egito e começou em julho de 295 o cerco à Alexandria. Tomou a cidade e nessa ocasião houve um massacre. Entretanto, segundo a lenda, o cavalo de Diocleciano deu um passo em falso ao entrar na cidade conquistada e Diocleciano interpretou tal acontecimento como mensagem dos deuses que lhe mandavam poupar a cidade.

A tomada de Alexandria foi seguida de pilhagens sucessivas que visavam acabar com os manuscritos de alquimia. E todos manuscritos encontrados foram destruídos.

Eles continham as chaves essenciais da alquimia que nos faltam para a compreensão dessa ciência, principalmente agora que sabemos que as transmutações metálicas são possíveis.

Seja como for, documentos indispensáveis davam a chave da alquimia e estão perdidos para sempre: mas a biblioteca continuou.

Apesar de todas as destruições sistemáticas que sofreu, ela continuou sua obra até que os árabes a destruissem completamente. E se os árabes o fizeram, sabiam o que faziam. Já haviam destruido no prórpio Islã – assim como na Pérsia – grande número de livros secretos de magia, de alquimia e de astrologia. A palavra de ordem dos conquistadores era “não há necessidade de outros livros, senão o Livro”, isto é, o Alcorão.

Assim, a destruição de 646 d.C. visava não propriamente os livros malditos, mas todos os livros.

O historiador muçulmano Abd al-Latif (1160-1231) escreveu: “A biblioteca de Alexandria foi aniquilada pelas chamas por Amr ibn-el-As, agindo sob as ordens de Omar, o vencedor”.

Esse Omar se opunha aliás a que se escrevessem livros muçulmanos, seguindo sempre o princípio: “o livro de Deus é-nos suficiente”. Era um muçulmano recém-convertido, fanático, odiava os livros e destruiu-os muitas vezes porque não falavam do profeta. É natural que terminasse a obra começada por Julio César, continuada por Diocleciano e outros.

O ínicio da Biblioteca de Alexandria

No século III a.C., a escrita estava presente em todas as tarefas concebíveis na sociedade de Alexandria (extremamente burocrática, e assim, bem organizada e ordenada) dominada pelos gregos: venda de cerveja, manutenção de casas de banhos, autorização de um serviço de pintura, comércio de lentilhas torradas.

Em um intervalo de 33 dias, por exemplo, o ministro das finanças Apolônio recebeu 434 rolos de papiros escritos para serem examinados.

Não nos causaria surpresa, então, o fato de ter sido exatamente nessa cidade onde o comércio de papiro fortaleceu, pela primeira vez, a palavra escrita que o maior santuário à escrita do mundo antigo foi erguido: a Biblioteca de Alexandria.

Ela viria a se tornar tão famosa que, 150 anos depois de de sua destruição, Ateneu de Náucratis ainda escreveria, antecipando ao conhecimento geral de seus eleitores:

?E quanto ao número de livros, a formação de bibliotecas e a coleção na Galeria das Musas, porque eu devo me pronunciar, já que tudo isso está vivo na memória de todos os homens? A Biblioteca de Alexandria começou a ser a ser formada no governo do sucessor de Alexandre, o grego macedônio Ptolomeu I Sóter (que reinou de 323 a 285 a.C), talvez como um anexo do museu municipal (FISCHER, 2006, p. 53).

Fonte: www.newworldencyclopedia.org/www.dec.ufcg.edu.br/www.wisegeek.com/www.educaterra.terra.com.br/www.fenomeno.matrix.com.br

 

 

 

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