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Consequências da Industrialização

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A Revolução Industrial teve conseqüências de curto à longo prazo, sendo que uma das mais visíveis e uma das primeiras foi a explosão demográfica devido ao êxodo rural que culminou com o crescimento desordenado das cidades e a exploração dos seres humanos, pois a procura de emprego passou a ser maior que a oferta.

[…] a “explosão demografica”, parece habilitar-se, na imprensa popular, para a metáfora da mudança ruidosa. Em vista da cacofonia das cidades, sem falar da violência incidental das ruas, o conceito de “explosão” ou “revolução” seria, pelo menos, igualmente adequado. (MOORE, 1968, p 94)

O desemprego concentrou-se nas maiores cidades, o que proporcionava ao empresário capitalista burguês um grande contingente de mão-de-obra que poderia ser explorado por um preço irrisório. A conseqüência disso foi o avançao do capitalismo, no qual existe uma intensificação generalizada da exploração humana por parte dos emergentes detentores dos novos meios de produção – fato que, por sua vez, gerará inúmeras reações violentas em todo continente europeu por parte dos trabalhadores explorados e desempregados miseráveis. Outra conseqüência foi o isolamento do ser humano, como um fator psicológico a ser estudado.

[…] a Inglaterra pedia lucros e recebia lucros. Tudo se transformava em lucro. As cidades tinham sua sujeira lucrativa, suas favelas lucrativas, sua fumaça lucrativa, sua desordem lucrativa, sua ignorância lucrativa, seu desespero lucrativo… Pois a nova cidade não era um lar onde o homem pudesse achar beleza, felicidade, lazer, conhecimento, religião e as influências que civilizam a visão e o hábito, mas um lugar deserto e desolado, sem cor, ar ou riso, onde o homem, a mulher e a criança trabalhavam, comiam e dormiam… as novas fábricas e os novos altos-fornos eram como as pirâmedes, mostrando mais a escravização do homem do que seu poder, lançando sua longa sombra sobre a sociedade que tinha tanto orgulho de tais coisas. (HAMMOND apud DEANE, 1969, p 271)

Percebemos que as cidades metropolitanas se transformaram em locais nos quais as pessoas apenas dormiam, o que demonstra que o relacionamento com a família se tornou ínfimo, pela falta de tempo.

Estudando a evolução dos sistemas sociais, Moore (1968) mostra que todas as mudanças interferiram não somente na sociedade como um todo, mas também trouxeram conseqüências para cada indivíduo, sendo, uma delas, a solidão, objeto de estudo deste trabalho, sobre a qual ele afirma que:

“A principal quebra das grandes organizações de parentesco é a ampla mobilidade exigida pela industrialização. Estas mobilidades geográficas, implicando uma separação simultânea de parentes, é também social, supondo assim a separação de parentes em status e estilo de vida”. (MOORE, 1968, p 110- 111)

Das idéias desse autor pode-se depreender que a mobilidade geográfica, ou seja, a saída das pessoas dos campos rurais para as grandes metrópoles contribuiu para a separação da família e os indivíduos começaram a ficar mais solitários dentro de sua própria família, ou seja, dentro da instituição que traz a base para sua socialização.

No ambiente rural as famílias e os vizinhos não moravam tão perto, mas os encontros eram constantes, seja nas reuniões familiares ou nos encontros religiosos.

Essas situações eram criadas com freqüência. Nas cidades o espaço físico para esses encontros ficou reduzido, como no caso dos cortiços. As pessoas viviam em casas muito próximas umas às outras, mas não tinham tempo para conhecer melhor o seu vizinho, pois tinham uma carga de pelo menos 14 horas de trabalho fabril, segundo Hobsbawn (1983). Esse fato mostra a grande contradição em que viviam, porque tantas pessoas juntas poderiam ter uma vida social mais intensa, mas, ao contrário disso, esses indivíduos viviam mais isolados.

Consequências da Industrialização

As famílias também se separaram nesse espaço geográfico. Tios e primos em diversos graus, em busca de status social, necessitavam morar em localidades que convinham ao seu crescimento. Os parentes já não tinham mais tempo para se relacionar, pois a nova sociedade girava em torno da produtividade e do lucro, que dependia da mão de obra de homens, mulheres e até mesmo crianças.

Com o surgimento da indústria, o ser humano foi remodelado. Sua carga horária aumentou e ele passou a ter menos tempo para a interação familiar, com isso desenvolvem-se formas de convívio condizentes com o novo modo de vida nas quais a presença física foi se tornando cada vez menos importante em um relacionamento social.

A especificação e a automatização criada e introduzida pela indústria avançam seus tentáculos para muito além do território de trabalho. A praticidade das máquinas que garantiam o sustento enquanto embalavam pessoas em seu conforto, produziam, ao mesmo tempo, um crescente desconforto quando a pauta era a interação física com o outro.

O individualismo e a importância da satisfação do ‘eu’, servem muito bem ao propósito capitalista. As necessidades desse meio possuem uma carga pesada, pois atendem muito mais a interesses e intenções mercadológicas e publicitárias do que humanistas.

“A sociedade pós-industrial, ao estabelecer as bases para a cultura de massas, propiciou ao capitalismo disseminar quase universalmente sua ideologia individualista e pragmática: cada um por si.”

A máquina tinha, inicialmente, a função de facilitar o trabalho. Ela parecia ser a solução de tantos problemas, na medida em que era capaz de produzir o dobro na metade do tempo e, com isso, permitiria viver em condições mais humanas. Acreditava-se que enquanto a máquina produzia as pessoas poderiam conviver mais.

Foi um sonho ingênuo, uma vez que o homem está muito mais apto a conhecer o funcionamento de uma máquina e a sua previsibilidade do que alguém de sua própria espécie ou a si mesmo.

“Uma das formas de disseminar o estado profundo da solidão foi o equipamento televisivo. A mídia sempre foi o braço vitalício do domínio sobre o aparelho social e a televisão foi mero catalisador de um padrão previamente consumado.”

Seguindo as afirmações de Branco, pode-se concluir que no processo de materialização o outro passou a SER estranho. A televisão conseguia reunir toda a família ao seu redor, mas apesar de as pessoas estarem juntas em um mesmo ambiente, suas atenções se dividiam com o aparelho.

As pessoas que viviam em pequenas cidades rurais tinham uma interação pessoal com mais afinidades entre os moradores, pois a maioria se conhecia pelo nome e quase todos sabiam onde moravam e o que faziam. Moore (1968) descreve que nas cidades industriais existe um congestionamento anônimo.

Ele explica que:

[…] existem multidões sem verdadeira interação social, abundando as interações segmentarias ou mesmo transitórias. As chamadas relações secundárias são nominalmente características das relações de emprego e, na realidade, de muitas outras entre o professor e o pai, funcionário público e cidadão, senhorio e locatário e, num grau extremo comprador e vendedor (MOORE 1968, p.115 e 116).

O automóvel, avião, assim como os telefones reduziam distâncias, nos colocando mais próximos aos indivíduos, assim como as diferenças sociais nos colocavam mais longe do nosso semelhante.

Com a individualização veio esse aspecto da indiferença pelo outro.

Há a idéia do homem contemporâneo fechado em sua casa e rodeado de equipamentos eletrônicos (pc, secretária eletrônica, fax, impressora, cd rom, tv, vídeo, som, celular) que procuram aliviar esse mal estar, anestesiá-lo desse estranhamento, encapsulando-o em uma vida onde o contato com o mundo externo é cada vez mais feito através de caminhos eletrônicos.

A ideologia capitalista também apresenta aspectos antagônicos porque embora tenha criado o indivíduo (ao invés do semelhante) em sua insatisfação, apresenta um apelo maciço da indústria para nos fazer entrar na massa, para agir como os outros e participar do que é coletivo. Forjando em nós a idéia de que o que é da maioria é necessariamente o melhor, de que estamos integrados em uma sociedade. Isso nos põe em contato direto com essas duas forças (individual/coletivo) que nos fragmenta ainda mais. Ao sair de casa queremos nos certificar de que estamos engajados no melhor de nosso social, as marcas de produtos que nos revestem não facilitam o encontro com o semelhante, apenas os desencontros entre os indivíduos.

Somos por assim dizer um produto deste meio, capazes de amar a humanidade ao mesmo tempo em que não suportamos o próximo, o estranho.

O homem é um ser que não coincide consigo mesmo e traz dentro de si uma negatividade. A busca inquieta da totalidade e satisfação deverá se regular sobre as coisas, sobre o mundo, levando a vontade na procura da posse, do domínio e da Glória. O homem se aliena naquilo que lhe oferece uma imagem de sua unidade desejada: a coisa. (RICOUER, 1996 apud LEVY p. 17)

Ao estabelecer as bases para a cultura de massas, a sociedade pós-industrial, forneceu ferramentas ao capitalismo para espalhar pelo globo terrestre a ideologia individualista do “cada um por si.” A competição que antes era entre povos, nações, e sociedades passou a ser entre indivíduos.

Estamos todos caminhando para um isolamento, sem nos darmos conta desse fato que a cada dia traz péssimas conseqüências para a pessoa como ser humano.

Franchi Foglia

Fonte: www.agapo.com.br

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