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Revolução Iraniana

Revolução Iraniana – 1979

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Revolução do Irã começou com um movimento democrático popular e terminou com o estabelecimento de primeiro estado islâmico do mundo.

A revolução virou sociedade iraniana de cabeça para baixo e se tornou um dos momentos decisivos do século 20.

História

Em 1921 Reza Khan, comandante de um forças iranianas cossacos, derrubou a dinastia Qajar decadente, e, como Reza Shah Pahlavi, estabeleceu a dinastia Pahlavi em 1925.

Durante seu reinado, sistemas de transporte e comunicação foram melhoradas, e um programa de ocidentalização foi iniciado .

Em 1941, a Grã-Bretanha e a União Soviética ocupou áreas do país para proteger os campos de petróleo de apreensão alemã.

Devido a esta presença Allied, Reza Shah Pahlavi, que tem relações amigáveis com as potências do Eixo, abdicou.

Seu filho, Muhammad Reza Shah Pahlavi, sucedeu ao trono e adotou uma política pró-aliada.

Em 1945, o governo iraniano pediu a retirada das tropas de ocupação, preocupação pelo fato de as forças soviéticas estavam encorajando movimentos separatistas nas províncias do norte. Todas as tropas foram retiradas por 1.946.

Na década de 1950, uma grave crise política desenvolvida pelo controle da indústria do petróleo.

Em 1951, Muhammad Mossadegh, um nacionalista militante, tornou-se primeiro-ministro. Quando o parlamento aprovou uma lei nacionalizar a propriedade das companhias petrolíferas estrangeiras, com amplo apoio popular, Mossadegh pressionado o xá para poderes extraordinários.

A discórdia entre as forças anti-Mossadegh pró e atingiu um clímax durante 1953, quando o xá negou provimento ao primeiro-ministro. Mossadegh recusou a ceder, e o xá fugiu para Roma.

Após três dias de tumultos, os monarquistas ganhou de volta o controle de Teerã, o xá retornou, e Mossadegh foi condenado à prisão.

O xá, em seguida, abriu negociações com um consórcio petrolífero de oito empresa que garantiu o Irã uma margem de lucro maior do que em qualquer outro lugar no Oriente Médio.

Ao longo da década de 1960, o xá começou a exercer aumentar o controle sobre o governo depois de dissolver o parlamento em 1961. Os programas de modernização agrícola e econômico foram perseguidos, mas Organização Plano do xá assumiu o comando do desenvolvimento econômico, deixando muito poucos benefícios para alcançar o cidadão comum.

Apesar da crescente prosperidade, a oposição ao xá foi generalizada, se espalharam principalmente por conservadores muçulmanos xiitas, que queriam a nação regida pela lei islâmica. Eles foram dirigidos, da França, pelo aiatolá Ruhollah Khomeini (Ruhollah Khomeini ibn Mustafa Musavi Hindi), um clérigo muçulmano que tinha sido exilado em 1963.

Como o regime do Xá, apoiada por os EUA, tornou-se cada vez mais repressiva, tumultos em 1978 desenvolveu-se em um estado de guerra civil virtual.

No início de 1979 a oposição popular forçou o xá a deixar o país. Centenas de partidários do xá foram julgados e executados, outros fugiram do país, ea ocidentalização do Irã foi revertida. Khomeini, que havia retornado ao Irã em triunfo em fevereiro de 1979, presidiu o estabelecimento de uma república islâmica.

Em 4 de novembro de 1979, depois que o xá tinha sido permitida a entrada nos Estados Unidos para os cuidados médicos, os iranianos militantes invadiram a embaixada dos EUA em Teerã, levando 66 reféns americanos.

Os militantes exigiram que o xá ser entregue para ser julgado e que milhares de milhões de dólares que ele tinha alegadamente levou ao estrangeiro ser devolvido.

Treze dos reféns foram libertados em breve, mas outros 53 foram realizadas até que um acordo foi negociado que libertou os reféns em 20 de Janeiro de 1981.

Incapaz de convencer o Irã a liberá-los, o presidente Carter ordenou uma missão de resgate militar, que fracassou, resultando na morte de oito recrutas americanos quando suas aeronaves colidiram no deserto iraniano.

Em setembro de 1980 o Iraque se aproveitou de disputas políticas internas do Irã para capturar território no Shatt al Arab e na província de Khuzestan, rica em petróleo.

A guerra em grande escala que resultou severamente reduzida a produção de petróleo do Irã e interrompeu sua economia. O governo também foi assolado por agitação entre as minorias étnicas. A guerra terminou com um cessar-fogo em 1988 e custou as duas nações estima-se que 1 milhão de mortos e de 1,7 milhões de feridos.

Em 1989, Khomeini morreu e Hojatoleslam Sayyid Ali Khamenei tornou-se líder supremo do Irã. Relações do Irã com o Ocidente melhoraram, em parte devido ao papel presidente Ali Akbar Hashemi Rafsanjani de em obter a libertação de reféns ocidentais detidos no Líbano.

Em 1993 Rafsanjani foi reeleito presidente.

Revolução Iraniana

História

Revolução Iraniana de 1978-79, também chamada Revolução Islâmica, persa Enqelab-e Eslami, revolta popular no Irã em 1978-79, que resultou na derrubada da monarquia em 1 de Abril de 1979 e levou ao estabelecimento de uma república islâmica.

1979

Quando especialistas da CIA escreveram um relatório em setembro de 1978 sobre a saúde política do regime monarquista pró-ocidental no Irã, eles concluiram que apesar do seu governo autocrático, o Xá presidiu uma dinastia estável que duraria pelo menos mais uma década.

Meros quatro meses depois, ele foi forçado a fugir de uma revolução popular que derrotou um dos regimes mais viciados no planeta. Sua polícia secreta, a forte SAVAK com 65 mil policiais, tinha penetrado em todas as camadas da sociedade, esprestando e “refinando” as medidas perversas da Gestapo. Até o ditador chileno Pinochet mandou seus torturadores para treinar em Teerã.

Apesar desses obstáculos colossais, os trabalhadores depuseram o Xá e colocaram em início um processo revolucionário que iria aterrorizar tanto os regimes reacionários do Oriente Médio como também as forças imperialistas no Ocidente. E, não menos importante, esse levante popular alarmou a burocracia stalinista na União Soviética, que estava engajada em um lucrativo acordo com o Irã.

Porém, os trabalhadores não seriam os beneficiários de sua revolução quando o poder passou do Xá para as mãos dos islâmicos de direita liderados por Ayatollah Khomeini.

Com três anos, todas as leis seculares foram declaradas sem sentido e vazias. Códigos de vestimenta feminina foram fortalecidos através de uma severa interpretação dos costumes islamicos. 60 mil professores foram demitidos e milhares de trabalhadores opositores foram mortos ou presos. O Partido Comunista Iraniano, o Tudeh, que abraçou entusiasticamente Khomeini em seu retorno do exílio em 1979, foi banido em 1983.

Ânimo Revolucionário

Um regime totalitário mantem-se através do terror e da opressão e obtem sucesso enquanto as massas permanecem medrosas e inertes. Mas o horror da vida diária finalmente traz a revolta. Uma vez que a classe trabalhadora perde seu medo do regime e põe-se à ação, a polícia secreta e todo o seu terrível aparato se mostra, geralmente, impotente.

Manifestações ilegais das massas envolveram o Irã entre outubro de 1977 e fevereiro de 1978. Demandando direitos democráticos e a partilha da riqueza do país, os estudantes, e posteriormente a classe trabalhadora, desafiaram os tiros na rua. Seguindo o alvejamento de centenas na cidade sagrada de Qom em Janeiro de 1978, uma greve geral de dois milhões em Teerã propagada para Isfaha, Shiraz e a cidade santuário de Mashad.

Faixas pediam por: “Vingança contra o brutal Xá e seus amigos imperialistas americanos”, enquanto outros demandavam: “Uma república socialista baseada no Islã”.

Reforçando, os soldados começaram a fraternizar com a multidão, gritando: “Nós estamos com o povo”.

Mesmo a classe capitalista liderada pela Frente Nacional de Mehdi Bazargan, que tinha previamente limitado suas ambições em conseguir de Xá a divisão de poder, foi forçada, no desenvolvimento de uma atmosfera vermelha, a adotar um programa “semi-socialista”.

A revolução iraniana desdobrou-se em um nível superior ao da revolução russa de 1905 com a qual possui vários paralelos. Nesta, as massas inicialmente confiaram seus destinos nos democratas que prometiam fazer o Czar ouvir suas queixas. Agora, no Irã, os apelos podiam ser ouvidos em qualquer lugar e pediam que o Xá deveria ser derrubado.

O funcionalismo público e os bancários tiveram um papel fundamental na exposição das ramificações das riquezas. Escriturários dos bancos abriram os livros para revelar que nos últimos três meses de 1978, um bilhão de libras tinham sido retirados do país por 178 nomeados membros da elite, imitando seu Xá que tinha transferido uma quantia similar para os EUA. As massas furiosas responderam queimando mais de 400 bancos.

Classe, Partido e Liderança

Quando Mohamed Reza Pahlevi, o auto-plocamado descendente verdadeiro do trono “Pavão” de 2.500 anos, desonrosamente abandonou o país em 16 de Janeiro de 1979 pela última vez, sua abdicação foi vista como uma vitória pelos manifestantes. Agora a questão estava na abolição do Estado absolutista e que forma iria tomar o novo Irã.

A classe trabalhadora encabeçou a luta contra o Xá através de manifestações, de uma greve geral de quatro meses e finalmente de uma insurreição nos dias 10 e 11 de Fevereiro. A ordem antiga foi varrida para sempre. Nessa luta ela ficou consciente de seu poder, mas não consciente de como organizar o poder que agora estava em suas mãos.

A revolução testa todas as classes e para a classe trabalhadora a questão chave é se ela possuiu uma direção decidida para fazer da insurreição popular uma construção socialista.

No Irã, a despeito do heroísmo dos trabalhadores, estudantes e juventude, havia uma ausência de uma direção marxista e nenhum partido de massas capaz de tirar as conclusões necessárias do caminho da revolução. Era tarefa de um partido marxista explicar a necessidade para a classe trabalhadora, em aliança com as minorias nacionais e os camponeses pobres, tomar conscientemente o poder estatal em suas mãos e se responsabilizar pelas tarefas de uma revolução socialista.

As maiores forças de esquerda no Irã na época eram o Partido Comunista Tudeh, a guerrilha marxista Fedayeen Khalq e a guerrilha islâmica Mojaheddin. Apesar de desfrutarem de uma grande militância e uma forte estrutura e armamentos, eles sofriam de uma confusão programática. Eles não possuiam uma política independente para a classe trabalhadora, ao invés, procuraram se unir a Khomeini atendendo aos interesses dos cléricos e sufocando um movimento dos trabalhadores independente.

A derrubada da autocracia revelou um vácuo político. Agora, num momento crítico no destino das massas, quando o poder real esteve em suas mãos, o Tudeh demonstrou o objetivo de estabelecer uma “República Muçulmana Democrática”. Isso significa, na realidade, que o Tudeh renunciou o papel de liderança da revolução e, ao invés, seguiu a agenda política dos Mullahs – sacerdotes paroquiais.

A ascensão da direita política islâmica

As relações entre o ocidentalizado xá e a Mesquita Islâmica há muito tempo já eram tensas. Quando o xá desapropriou as terras da Igreja, os cléricos muçulmanos reagiram furiosamente e oraram contra o regime ateu. O líder espiritual dos xiitas iranianos, Ayatollah Khomeini, foi exilado na Turquia e posteriormente Paris, após participar de uma revolta contra expropriação de terras em 1963 quando centenas foram alvejados.

Marx, uma vez, descreveu a religião como “o indício de oprimidos”. Por causa da proibição de todas as organizações oposicionistas a Xá, os oponentes do regime tendiam a se reunir em volta das mesquitas onde eram proferidos sermões radicais. Aos poucos isso foi interpretado como uma luta contra o totalitarismo.

As messagens de Khomeini no exílio eram distribuidas através de fitas cassetes que entravam clandestiamente no Irã em pequenas quantidades. Uma vez lá, elas eram reproduzidas e propagadas.

Khomeini e outros mullahs construiram uma imagem de liberdade e democracia, reivindicando um retorno ao fundamentalismo islâmico puro, livre de todas as influências ocidentais e não-islâmicas que, eles argumentavam, tinham corrompido a cultura e deixado a sociedade perdida.

No economicamente semi-desenvolvido Irã, com grande quantidade de iletrados e mais da metade das pessoas vivendo no campo, as palavras dos Mullahs tornaram-se poderosas fontes de atração para os camponeses, partes da classe média, e mesmo trabalhadores. Enquanto a Frente Nacional buscou compromissos com a dinastia, Khomeini chamou para sua deposição. As massas interpretaram esse chamado para uma República Islâmica como uma república do “povo”, e não dos ricos, onde suas demandas seriam atendidas.

Diante do retorno triunfante do exílio de Khomeini em 1o. de Fevereiro, o Tudeh imediatamente proferiu seu apoio total para a formação do Conselho Revolucionário Islâmico e pediu que ele se junta-se numa Frente Unida Popular.

Revolução e Contra-Revolução

O “duplo poder” prevaleceu em Teerã em Fevereiro de 1979. Os governantes fugiram, enquanto os trabalhadores, que sustentaram as fábricas e refinarias, organizaram comites democráticos de trabalhadores e pegaram as armas das fragmentadas forças armadas.

Khomeini no entanto foi o beneficiário dessa onda revolucionária.

Seu movimento, um estranho híbrido que combinou contraditórios e opostos interesses de classe, obteve o apoio das forças seculares e não-clericais pois falava a retórica do populismo radical: uma república islâmica que estaria em favor dos oprimidos contra as tiranias locais e o imperialismo americano.

Os cléricos militantes estavam em posição para “sequestrar” a revolução pos eles eram a única força na sociedade como intenções políticas definidas, organização e uma estratégia prática.

Em 1o. de Abril Khomeini obteve uma vitória arrebatadora em um referendo nacional no qual as pessoas tinham uma simples escolha – República Islâmica: “sim” ou “não”.

No entanto, ele foi forçado a dar passos cuidadosos. Num lado, conflitos estouraram entre a Guarda Revolucionária Islâmica e trabalhadores que queriam manter as armas adquiridas resentemente.

Entretanto Khomeini denunciou aqueles que queriam manter a greve geral como “traidores que nós devemos socá-los na boca”.

Balançando entre as classes, ele simultaneamente fez grande concessões aos trabalhadores. Médicos e transportes gratuitos foram introduzidos, as contas de água e luz foram canceladas e os bens essenciais foram fortemente subsidiadas.

Com os cofres públicos detonados e o desempregos chegando as 25%, os decretos de nacionalização foram aplicados em Julho. Isso foi acompanhado pelo estabelecimento de cortes especiais com o poder de impor a sentença de dois a dez anos de prisão “por táticas desorderas nas fábricas ou agitações de trabalhadores.

Somente gradualmente Khomeini foi capaz de estabelecer sua base de poder. Quando o Iraque invadiu o Irã em 1980 iniciando uma sangrenta guerra que duraria oito anos, as massas reuniram-se na defesa da revolução. Porém, o ânimo revolucionário já havia esfriado.

O Partido Islâmico Republicano estabelecido pelos cléricos do recente Conselho Revolucionário era ligado a pequena burguesia (pequenos capitalistas) e aos comerciantes que queriam ordem e a defesa da propriedade privada.

Enquanto era pressionado pela strata conservadora, Khomeini preparou um golpe contra o imperialismo ocidental, através da nacionalização de setor petrolífero.

O Regime Híbrido

O Estado Islâmico Iraniano é uma república capitalista de tipo especial – um Estado capitalista clerical. Do início, duas tendências opostas emergiram com o clero. Um grupo ao redor de Khomeini argumentavam que IMAMS devem manter o poder através de um Estado capitalista semi-feudal com mumerosos centros de poderes. O imperialismo americano representava o “Grande Sat㔠em seus olhos e o objetivo era exportar o fundamentalismo islâmico para todo o mundo muçulmano.

Outras figuras de liderança, incluindo uma corrente mais pragmática do clero, queriam estabelecer um Estado capitalista moderno e centralizado. Enquanto mantinham-se resolutos em suas denúncias verbais dos EUA, eles procuraram, especialmente na última década, lançar seus “tentáculos” no ocidente.

Os conflitos entre essas tendências e as crises políticas periódicas que eles acarretaram nunca foram resolvidos e estão, atualmente, revigoradas pelo Ayatollah Khamenei e o presidente reformista Khatami, eleito com uma grande maioria em 1997.

Conclusões

Os eventos no Irã iniciaram o crescimento da militância política do Islã através do mundo muçulmano. Na superfície eles demonstraram o poder das massas em golpear o imperialismo.

Mas os marsxistas devem ser lúcidos. O Islã não é intrinsicamente mais radical ou reacionário que qualquer outra religião e o fundamentalismo islâmico não é um fenômeno homogêneo.

Foram os fracassos passados dos movimentos nacionalista secular árabe e as traições dos partidos comunistas que definitivamente criaram as condições para o surgimento de uma corrente política de direita islâmica. Isso refletiu, no Irã e em outros lugares, o impasse do capitalismo na região e a necessidade para as massas oprimidas em procurar uma saída.

As últimas variantes do islã político ignora mesmo o pouco de radicalismo que Khomeini foi forçado a abraçar nos primeiros meses da revolução iraniana.

O Talibã e os métodos terroristas da Al Quaeda e Osama bin Laden não oferecem solução para os conflitos entre as massas oprimidas pelo capitalismo e pelos oligarcas mas, ao contrário, desintegra a classe trabalhadora rouba dela sua identidade distinta e combativa.

Hoje, 20% dos iranianos têm metade da riqueza do país. A luta de classes regularmente surge. As ridículas leis dos IMAMS geralmente choca-se com os desejos dos jovens em viver em liberdade.

Grandes multidões tomaram as ruas de Teerã para receber o vitorioso time de futebol em 1998. Guardas Revolucionários não conseguiram impedir garotas corajosas de desafiar os códigos restritivos de vestimenta.

Esses são prognósticos dos agitado futuro iraniano. Um novo partido da classe trabalhadora deve ser construido em sólidos fundamentos marxistas, capaz de apreender as razões que levaram a revolução ser tomada dos trabalhadores em 1979.

Com a redução pela metada da exportação de petróleo desde então, a voz da classe trabalhadora tomará a posição dianteira novamente, permitindo que as tarefas incompletas da última revolução sejam vitoriosamente terminadas.

Desenvolvimento Capitalista antes da Revolução

Anteriormente a 1979 o imperialismo via o Irã como uma barreira crucial contra os avanços soviéticos no Oriente Médio e no Sul da Ásia. Suas reservas fabulosas de petróleo eram vitais para o interesse ocidental.

Em 1953 um movimento nacionalista radical liderado pelo primeiro ministro Mosadeq da Frente Nacional tentou nacionalizar as indústrias petrolíferas do país, iniciando manifestações em diversos locais, com características de levantes populares. O Xá foi forçado a se exilar por causa do movimento das massas nas ruas.

A reação do imperialismo foi decisiva. Os britânicos e os americanos pediram a prisão de Mosadeq e mandaram forças clandestinas oara criar confusão e forçar o exército iraniano a lidar com os riscos aos seus rendimentos.

O Xá foi reinstalado e governou o Irã com uma mão-de-ferro por 25 anos. Em seu retorno, todas as organizações políticas de oposição e os sindicatos foram declarados ilegais. As forças de segurança foram reorganizadas com a ajuda da CIA.

Após 1953, o Irã embarcou num período de industrialização frenético, esvaziando o programa econômico da capitalista Frente Nacional e, portanto, distruindo sua popularidade. A idéia era transformar a nobreza em uma classe capitalista moderna, uma classe governante no modelo ocidental.

A reforma agrária foi introduzida enriquecendo os feudais donos de terra. Eles receberam enormes compensações, com as quais eles eram encorajados a investir em novas indústrias.

A exploração cruel

Os principais atingidos foram os caponeses pobres. Mais de 1,2 milhão tiveram suas terras roubadas, levando à fome e a um inexorável exôdo para as cidades onde eles ofereciam trabalho barato para os novos capitalistas.

Antes da revolução, 66% dos trabalhadores da indústria do tapete na cidade de Mashad tinham idade entre seis e dez anos, enquanto que em Hamadam o dia de trabalho era estafantes 18 horas. Em 1977, muitos trabalhadores ganhavam 40 libras ao ano. Apesar de um piso mínimo tinha sido garantido pelo regime, 73% dos trabalhadores ganhavam menos que isso.

As fábricas do Irã se assemelhavam ao “inferno” de Dante e a comparação com a Rússia pré-revolucionária é surpreendente. Em ambas, um súbito processo de industrialização foi iniciado por uma classe capitalista fraca tentando se desvencilhar de uma passado feudal, criando, nas palavraas de Marx, “sua própria cova” através de uma classe trabalhadora militante.

Com a migração dos camponeses para a cidade, a população urbana dobrou e atingir 50% do total. Teerã passou de 3 milhões para 5 milhões entre 1968 e 1977, brotando 40 favelas nas periferias da cidade.

Em 1947 havia apenas 175 grandes empresas empregando 100 mil trabalhadores. 25 anos depois, 2,5 milhões de trabalhadores em manufaturas, um milhão nas indústrias da construção e aproximadamente o mesmo número na indústria do transporte e outras indústrias.

O Irã estava em transição, meio industrializado e meio colonial. Uma vigorosa classe trabalhadora foi forjada em apenas uma geração. Na Rússia a classe trabalhadora atingia apenas 4 milhões num população de 150 milhões. Já armada com o marxismo, eles colocaram-se a frente dos camponeses e em 1917 quebrou o capitalismo em sua ligação mais fraca.

Por comparação, o tamanho da classe trabalhadora no Irã era muito maior – mais de 4 milhões de trabalhadores numa população de 35 milhões.

Nunca invada uma revolução

O imperialismo americano assistiu impotente os últimos dias do XÁ no Irã. Apesar de vozes no Pentágono urgissem que mandassem aviadores e marinheiros para o Golfo, as cabeças mais sábias das classes governantes americanas alertaram “nunca se invade uma revolução popular”.

Além disso, os EUA ainda sofriam dos ferimentos causados no Vietnã. Lá a luta social dos caponeses e trabalhadores para livrarem-se das amarras da opressão fez o superpoder submeter-se a eles.

Uma invasão liderada pelos EUA no Irã teria repercursões em escala global incalculáveis. Especialmente no mundo colonial onde o XÁ era visto, entre todos, o mais podre sobre os olhos das massas. A revolução iraniana fez a América tremer. O presidente americano Jimmy Carter foi humilhado quando os Ayatollahs fomentaram movimentos de rua levando ao tumúltuo na embaixada dos EUA em Teerã que fez 66 reféns.

Em 1983 Ronald Reagan foi forçado a retirar-se do Líbano após as tropas americanas sofrerem perdas através das mãos do Hizbolah, movimento apoiado por Teerã.

O Crescente Hiato

O Irã foi o segundo maior exportados de petróleo em 1978 e o quarto maior produtor. Quando o preço do petróleo quadruplicou entre 1972-1975 como resultado da guerra Arabe-israelense, o PNB iraniano cresceu 34% em apenas um ano. Vários bilhões possibilitaram ao Xá possíveis investimentos.

Mas com 45 famílias possuindo 85% das médias e grandes firmas e os 10% mais ricos consumindo 40% do dinheiro, o hiato entre as classes crescia dia-à-dia.

Mais de um quarto dos iranianos vivendo em extrema pobreza, já expondo a característica arrogância de uma monarquia absoluta, o Xá trovejou em 1976, “Nós não tínhamos pedido auto-sacrifício das pessoas. Antes, nós cobrimos eles em pele de algodão. As coisas agora irão mudar. Todos deveram trabalhar duro e terão de estar preparados para fazer sacrifícios a serviço do progresso da nação”.

Fonte: www.sr-cio.org

Revolução Iraniana

A Revolução Iraniana, também conhecido como a Revolução Islâmica de 1979, refere-se a eventos envolvendo a derrubada da dinastia Pahlavi Mohammad Reza Shah sob Pahlavi, que era apoiado pelos Estados Unidos e a sua eventual substituição por uma república islâmica sob o aiatolá Ruhollah Khomeini, líder da revolução, apoiada por vários esquerdista e islâmico organizações e movimentos estudantis iranianos.

1979

Resulta do processo acelerado de industrialização e ocidentalização imposto pela monarquia do xá (rei) Reza Pahlevi. Apoiada num forte esquema repressivo e em suas relações com os Estados Unidos, a monarquia iraniana monta um vasto sistema de corrupção e privilégios. Contra esse sistema erguem-se forças religiosas, sociais e políticas. Incluem os muçulmanos xiitas, a maior comunidade religiosa do Irã, cujo líder máximo, o aiatolá Ruhollah Khomeini, é expulso do país em 1964. Eles acusam o xá de corromper as tradições islâmicas com as reformas ocidentais e de beneficiar somente a minoria que gravita em torno do poder. Incluem também os liberais, políticos ligados aos meios empresariais e intelectuais que se opõem ao regime ditatorial e à falta de participação nas decisões econômicas e políticas. Outras forças são o Tudeh (partido comunista) e grupos extremistas islâmicos armados, como os mujahedin.

Mohamed Reza Pahlevi (1919-1980)

Xá ou rei persa desde 1941, após a abdicação do pai, o coronel Reza Khan, que derrubara a dinastia Kajar em 1925. É o responsável pela modernização ocidentalizante do Irã, imposta em boa parte sem debate no país e contra tradições religiosas. Escapa ferido de um atentado contra sua vida em 1951. Casado com a princesa Soraya, famosa por sua beleza, divorcia-se de modo rumoroso por ela não lhe ter dado filhos. Casa-se então com Farah Diba. É deposto em 1979, exilando-se na Europa com a fortuna da monarquia.

Queda da monarquia

A repressão de uma passeata que pedia a volta de Khomeini ao país na cidade sagrada de Qom, em janeiro de 1978, desencadeia tumultos em todo o Irã .

Unidades do Exército negam-se a atirar nos manifestantes. Multiplicam-se as ações de grupos armados contra alvos governamentais. Os Estados Unidos pedem que Reza Pahlevi renuncie e transfira o governo a um político moderado, capaz de controlar a situação e introduzir reformas democráticas. Em janeiro de 1979 o xá concorda, transfere o governo para Chapur Baktiar e deixa Teerã.

Ruhollah Khomeini (1902-1989)

Líder espiritual e guia da Revolução Islâmica iraniana, nasce no povoado de Khomein, nordeste do Irã. Filho de migrantes indianos, começa a estudar teologia em Arak aos 16 anos. Leciona na faculdade de Qom, onde recebe o título de aiatolá (espelho de Deus). Casa-se em 1929 e, apesar de a lei islâmica permitir a poligamia, tem uma só esposa. Em 1941, publica A revelação dos segredos, criticando a dinastia do xá Reza Pahlevi, que acusa de desvirtuar o caráter islâmico do país. Preso em 1963, desperta manifestações que deixam vários mortos. Um ano depois é forçado a exilar-se na Turquia e, posteriormente, vai para o Iraque e França, de onde comanda o movimento que derruba a monarquia iraniana. Em 1979, de volta ao seu país, proclama a República islâmica.

República islâmica

Khomeini retorna em 30 de janeiro, rejeita a transferência de poder promovida pelo xá e exige mudanças radicais. O Irã caminha para a guerra civil. Baktiar deixa o governo e foge, sendo substituído pelo governo Mehdi Barzagan. O fundador do Conselho de Direitos Humanos enfrenta a guarda revolucionária xiita (pasdaran), que prende, julga e executa sumariamente membros do antigo governo do xá e militantes de grupos rivais. Barzagan renuncia em novembro, após a invasão da embaixada americana por fundamentalistas xiitas. Em janeiro de 1980, Abolhassan Bani-Sadr é eleito presidente e forma um governo de coalizão para realizar reformas democráticas moderadas. Mas em agosto é obrigado a aceitar a indicação do fundamentalista Ali Radjai para primeiro-ministro. Também enfrenta a crise com os EUA e se vê diante da invasão iraquiana, em setembro. Os choques dos xiitas contra Bani-Sadr o levam a exilar-se em junho de 1981.

Crise com os EUA

A invasão da embaixada americana em Teerã por fundamentalistas xiitas, em protesto contra a ida de Reza Pahlevi a Nova York, ocorre em novembro de 1979.

Os funcionários são tomados como reféns e o governo Bani-Sadr é incapaz de promover uma solução negociada. Em abril de 1980, tropas americanas tentam um resgate, mas a operação fracassa. Isso causa grande desgaste ao presidente Jimmy Carter e reforça a ala do clero xiita no governo iraniano. Em janeiro de 1981, após 444 dias de cativeiro, os reféns são libertados por meio de gestões diplomáticas da Argélia. A queda de Bani-Sadr e a eleição de membros do clero para a presidência e a chefia de governo, em junho de 1981, consolidam a hegemonia do Partido Republicano Islâmico e dão início à República islâmica.

Intelectuais, comunidades religiosas rivais, organizações femininas, partidos democráticos e socialistas são reprimidos. A lei islâmica se sobrepõe à lei secular. Em represália, grupos extremistas de oposição cometem atentados terroristas contra o clero e o governo. Os aiatolás Kamenei e Mussavi assumem a presidência e a chefia do governo, intensificam a repressão e mantêm a campanha contra os suspeitos de espionagem a favor dos Estados Unidos, da União Soviética e do Iraque ou de violações da lei islâmica.

Guerra Irã-Iraque

Começa em setembro de 1980 com a invasão do Irã e a destruição de Khorramshar, onde fica a refinaria de Abadã, por tropas iraquianas. O pretexto é o repúdio, pelo governo iraquiano, ao Acordo de Argel (1975), que define os limites dos dois países no Chatt-el-Arab, canal de acesso do Iraque ao golfo Pérsico. O Iraque quer soberania completa sobre o canal e teme que o Irã sob Khomeini tente bloquear o transporte do petróleo iraquiano ao golfo Pérsico pelo canal. Khomeini havia sido expulso do Iraque em 1978, a pedido do xá Reza Pahlevi, e o presidente iraquiano, Saddam Hussein, dera apoio aos movimentos contra-revolucionários de Baktiar e do general Oveissi. O novo regime iraniano apóia o separatismo dos curdos no norte do Iraque e convoca os xiitas iraquianos a rebelarem-se contra o governo sunita de Saddam. O Irã bloqueia o porto de Basra e ocupa a ilha de Majnun, no pântano de Hoelza, onde estão os principais poços petrolíferos do Iraque. Este bombardeia navios petroleiros no golfo, usa armas químicas proibidas e ataca alvos civis. Há pouco avanço nas frentes de luta, mas o conflito deixa 1 milhão de mortos ao terminar em 1988.

Saddam Hussein (1937- )

General iraquiano sunita, no poder desde um golpe palaciano em 1979. Nasce em uma pequena vila perto de Bagdá. Filia-se ao Baath, partido socialista pan-arábico e participa como militante da tentativa frustrada de assassinar o general Abdul Karim Kassem, então na presidência. Foge para o Egito, onde estuda direito. Volta ao Iraque e continua participando de golpes do Baath, que consegue tomar o poder no Iraque em 1958. Hussein torna-se o número 2 do governo.

Em 1979 assume a presidência e aplica uma política de modernização do Iraque. Aliado dos Estados Unidos durante longo tempo, passa depois a aproveitar-se da disputa dos norte-americanos com a União Soviética para conseguir ajuda desta no reaparelhamento de suas Forças Armadas. Pratica uma política de genocídio contra os curdos e reprime a maioria xiita. Radicalmente contra qualquer acordo com Israel, incentiva grupos extremistas árabes e palestinos a ações terroristas contra os israelenses e pessoas de governos favoráveis ao entendimento com o Estado judeu. Suas pretensões hegemônicas sobre a região, em particular quanto ao Kuweit levam o país à Guerra do Golfo em 1991.

Fonte: br.share.geocities.com

Revolução Iraniana

1979

No Oriente Médio, região que foi o berço do monoteísmo judaico, cristão e muçulmano, a religião, o nacionalismo e a política sempre causaram conflitos. Após os imperialismos mesopotâmico, persa, macedônico e romano, chegaram os árabes e os turcos com sua fé em Alá. Na Idade Moderna, a região ficou submetida ao Império turco otomano, domínio que terminou com a Primeira Guerra Mundial.

Mas a independência dos vários países ainda estava distante: Grã-Bretanha e França assumiram o controle e dividiram a região, alimentando o nacionalismo árabe. Os interesses emancipacionistas avançaram e, em 1945, o nascimento da Liga Árabe sinalizou uma possível união entre as diferentes nações muçulmanas. Paralelamente, com o objetivo de estabelecer um “lar nacional judeu na Palestina”, os judeus organizavam um amplo movimento sionista, que culminou com a criação do Estado de Israel, após a Segunda Guerra. Os conflitos entre judeus, palestinos e países árabes vizinhos se multiplicaram, causados por velhos motivos religiosos e territoriais e por novos, ligados ao petróleo e ao fundamentalismo. O Oriente Médio tornou-se uma das áreas mais tensas do mundo.

O Estado de Israel

Em 1916, França e Grã-Bretanha, confiantes após a vitória na Primeira Guerra, assinaram o acordo Sykes-Picot que, com a fragmentação do Império otomano, transformou o Oriente Médio em “zona de influência permanente” franco-britânica. Paralelamente, crescia o movimento sionista na Europa ocidental, cuja meta era a criação do Estado de Israel na Palestina. Em 1917, o sionismo foi fortalecido com a Declaração Balfour, pela qual a Grã-Bretanha se manifestava favorável à criação de um “lar nacional para o povo judeu” na Palestina, sob mandato britânico. A contínua entrada de colonos judeus na região palestina durante o período do entre-guerras, orientada pela Organização Sionista Mundial, gerou vários choques com a comunidade árabe, pois essa colonização, amparada por fundos internacionais, passou a controlar parte das melhores áreas cultiváveis da região.

A partilha da Palestina

Quase 2.000 anos após a Diáspora (Dispersão) e depois da implacável perseguição nazista durante a Segunda Guerra Mundial, os judeus viram concretizado o sonho de voltar a ter seu próprio país.

Em 1947, diante do agravamento das tensões na região, a ONU decidiu pela partilha da Palestina em duas áreas: a judaica e a palestina. Com a retirada britânica em 1948, nasceu oficialmente o Estado de Israel, gerando novas reações dos árabes, que viviam nessa zona há séculos e negavam-se a aceitar a nova entidade política. Começava, assim, a primeira guerra árabe-israelense.

O problema palestino e as primeiras guerras árabe-israelenses

A oposição da Liga Árabe à decisão da ONU gerou o primeiro confronto militar entre Israel e os países árabes. Um dia após a retirada das forças britânicas e da proclamação do nascimento de Israel, as forças aliadas árabes do Iraque, Egito, Líbano, Síria e Jordânia atacaram o jovem Estado. As lutas duraram até janeiro de 1949, quando as tropas israelenses ocuparam toda a Galiléia e o deserto do Negev, dobrando a área de seu território original. A primeira guerra árabe-israelense (1948-9) foi vencida por Israel que, além de ampliar seu controle na região, fixou-se na Cisjordânia e na faixa de Gaza, provocando o êxodo da população palestina pelos países árabes. Surgia a “Questão Palestina”, luta de um povo pelo reconhecimento de seu território.

Guerra de Suez

Em 1956, questões fronteiriças entre Israel e Egito, a nacionalização do Canal de Suez e a proibição egípcia de que navios israelenses trafegassem pelo canal causaram a Guerra de Suez (segunda guerra árabe-israelense). O líder egípcio Gamal Abdel Nasser, ao desafiar abertamente os interesses franceses, britânicos e israelenses, teve de enfrentar a reação armada dos três países. A intervenção soviética e norte-americana garantiu o fim do conflito. O acordo assinado estabeleceu que Suez continuaria nacionalizado, mas o Egito garantiria o direito de livre utilização a todos.

Al Fatah e OLP

Uma das respostas palestinas à condição de refugiados – obrigados a ficar em campos miseráveis – foi o nascimento do grupo guerrilheiro Al Fatah (reconquista ou conquista), em 1959, para destruir Israel e formar o Estado Palestino, sendo Yasser Arafat um de seus fundadores. Além do Al Fatah, foram formadas outras organizações guerrilheiras e terroristas árabes, que passaram a atacar alvos civis e militares israelenses. Em 1964, os palestinos formaram a OLP (Organização pela Libertação da Palestina), organização unificada fundada pelo Congresso Nacional Palestino realizado na parte oriental de Jerusalém que, na época, era território jordaniano. Em 1969, Yasser Arafat, principal líder da Al Fatah, assumiu também a direção da OLP, conseguindo apoio da maioria dos países árabes para enfrentar Israel.

Setembro Negro

Com o tempo, o fortalecimento da OLP dentro de alguns países árabes provocou reações negativas. Uma das mais dramáticas foi o massacre de palestinos, ocorrido em setembro de 1970, pelas tropas leais do rei Hussein da Jordânia. Houssein sentia-se ameaçado pela possibilidade da organização se transformar em um “Estado dentro do seu Estado” e o terrível episódio ficou conhecido como Setembro Negro. A principal conseqüência do Setembro Negro foi o deslocamento das bases da OLP para o sul do Líbano. Porém, em 1982, uma violenta ação armada comandada por Israel obrigou novamente a organização a sair, buscando novo refúgio na Tunísia.

A terceira e a quarta guerra árabe-israelense

O principal conflito árabe-israelense aconteceu em 1967 e ficou conhecido como Guerra dos Seis Dias. Egito, Síria e Jordânia, sob o comando de Nasser, prepararam uma ação conjunta contra Israel. No entanto, com apoio dos Estados Unidos, os israelenses realizaram um ataque frontal aos inimigos, garantindo importante vitória. Como resultado da guerra, o Estado israelense anexou Jerusalém, ocupou a Cisjordânia, a Península do Sinai, a faixa de Gaza e as colinas de Golan. O êxodo palestino aumentou e a recém-criada OLP firmou-se como expressão política e braço armado do povo.

Guerra do Yom Kippur

Desobedecendo às determinações da ONU, que exigia a devolução dos territórios, Israel manteve suas conquistas. Isso provocou, em 1973, a Guerra do Yom Kippur (quarta guerra árabe-israelense) e a crise do petróleo. Após a morte de Nasser, principal líder nacionalista árabe, em 1970, Anuar Sadat subiu ao poder.

Os esforços de seu governo centraram-se na recuperação dos territórios que o Egito havia perdido para Israel em 1967. Para atingir esse objetivo, Egito e Síria planejaram uma nova ofensiva armada, concretizada em 6 de outubro de 1973, dia em que os judeus comemoravam o Dia do Perdão ou Yom Kippur. No início da Guerra do Yom Kippur, os árabes estavam em vantagem, mas a imediata ajuda norte-americana mudou os rumos da guerra e Israel manteve o domínio sobre as áreas ocupadas.

Choque do petróleo

Os países produtores e exportadores de petróleo aproveitaram o contexto político gerado pela Guerra do Yom Kippur para elevar os preços do barril: foi o chamado “choque do petróleo”. Uma de suas principais conseqüências foi a grave crise econômica mundial, que atingiu principalmente Japão e os países do então Terceiro Mundo e da Europa. A crise do petróleo marcou profundamente a década de 70, demonstrando o perigo da dependência global em relação ao petróleo árabe. Em tempos de Détente, Estados Unidos e União Soviética passaram a buscar a pacificação do Oriente Médio. Esse esforço conjunto das superpotências resultou na aproximação entre Egito e Israel, formalizada em 1979 com a assinatura dos acordos de Camp David.

Início do processo de paz

Os acordos de Camp David (1979), assinados pelo presidente egípcio Anuar Sadat e pelo primeiro-ministro israelense Menahem Begin, marcaram o início de uma nova fase. O Egito transformou-se no primeiro país muçulmano a assinar um tratado de paz com o Estado judeu. Na década de 80, Israel devolveu parte de Golan à Síria e o Sinai ao Egito, mas assentou colonos na Cisjordânia e na faixa de Gaza. Os palestinos enfrentaram os israelenses. Em 1987, nos territórios ocupados por Israel, estourou a Intifada (revolta das pedras), movimento de desobediência civil, no qual crianças e jovens enfrentavam tropas israelenses com pedras e paus.

A resposta israelense foi violenta: a destruição de casas dos familiares dos manifestantes palestinos que atacaram os soldados e uma política de abandono dessas áreas ocupadas por Israel. A Intifada conseguiu mostrar ao mundo a política israelense de segregacionismo racial contra os palestinos.

O reconhecimento da Palestina

A luta palestina para formar seu Estado, os ataques israelenses ao Líbano e a Intifada retardaram o fim dos confrontos. Somente em 1993, triunfou a via político-diplomática, cujos principais protagonistas foram Yasser Arafat e o primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin. Pelos acordos de Oslo, Israel e OLP se reconheceram mutuamente e foi aprovado um plano que previa a retirada de tropas israelenses, a devolução de áreas ocupadas e a transferência do poder à Autoridade Nacional Palestina. Os acordos abriram caminho para o regresso dos refugiados palestinos para o exercício do direito de autodeterminação e para a criação de um Estado independente. Em 1994, os palestinos obtiveram, como primeiro passo, uma autonomia limitada nos territórios de Gaza e Jericó.

Conflitos entre países árabes

Após a independência, o que se observou entre os países árabes foram guerras internas que a Liga Árabe não pôde evitar, como a longa disputa entre Irã e Iraque e a Guerra do Golfo. Iraque e Irã formaram-se com o fim do Império otomano, após a Primeira Guerra Mundial, libertando-se mais tarde do controle britânico. Em 1979, no Irã, a revolução fundamentalista do aiatolá Khomeini derrubou o governo pró-ocidental do xá Reza Pahlevi. A ameaça de expansão do radicalismo muçulmano abalou interesses do Ocidente e de Saddam Hussein, que acabara de assumir o poder no Iraque.

O conflito Irã-Iraque

As disputas fronteiriças entre Irã e Iraque são muito antigas. Em 1975, o Iraque reconheceu que a fronteira com o Irã passava pelo canal de Chat-el-Arab, onde confluem os rios Tigre e Eufrates. Após a revolução fundamentalista no Irã, o governo iraquiano afirmou que o acordo não era mais válido, uma vez que fora assinado pelo deposto xá Reza Pahlevi. Em setembro de 1980, as tropas iraquianas atravessaram o canal, fazendo eclodir uma guerra em grande escala. Antes disso, o aiatolá Khomeini já havia conclamado os xiitas do Iraque para se rebelarem contra o regime ateu, ou seja, anti-religioso, do partido iraquiano Baath. O Iraque encontrou apoio na Arábia Saudita e na Jordânia – países que temiam a “exportação” da revolução iraniana para todo o Golfo Pérsico –, além de receber auxílio dos Estados Unidos, da União Soviética, da Grã-Bretanha e da França. A Síria e a Líbia se posicionaram a favor do aiatolá. Mais tarde, o Egito prestou uma substancial ajuda ao Iraque sob forma de armamentos. A guerra acabou oito anos depois, sem um vencedor. O Iraque, embora endividado, contava com um poderoso arsenal bélico.

Khomeini

O aiatolá Khomeini e a revolução fundamentalista

A vida de Ruhillah Mussavi Khomeini resume-se em uma luta constante para levar os xiitas ao poder no Irã.

Líder da revolução popular que derrotou o xá Reza Pahlevi, Khomeini divulgava uma mensagem contrária à ideologia ocidental, com a qual conseguiu “islamizar” o poder por completo: trata-se de uma das mais expressivas manifestações do fundamentalismo. Entre seus atos políticos está a tomada da embaixada dos Estados Unidos em Teerã, em 1979. Durante 444 dias foram mantidos 53 reféns americanos na embaixada, o que acabou impedindo a reeleição de Jimmy Carter para presidente dos Estados Unidos. O problema com os reféns foi resolvido durante o governo de Ronald Reagan, mas gerou o escândalo Irã-“Contras”. Khomeini sustentou durante oito anos a guerra contra o Iraque. Morreu em 1989 aos 89 anos.

O escândalo Irã-“Contras”

Em 1986, a imprensa mundial denunciava a venda de armas americanas ao Irã, em troca da libertação dos reféns presos pelos xiitas na embaixada dos Estados Unidos em Teerã. O dinheiro obtido dessa venda era desviado para ajudar os “contras”, grupo de direita que lutava para derrubar o governo sandinista de Daniel Ortega, na Nicarágua.

A Guerra do Golfo

O desgaste sofrido pelo Iraque em sua guerra contra o Irã deixou o país em péssimas condições econômicas. O ditador iraquiano, Sadam Hussein, tentou atenuá-las invadindo o estratégico Kuwait em agosto de 1990. Além dos interesses petrolíferos, pesou muito na ocasião a ambição de Hussein de tornar-se líder do mundo árabe. Sentindo-se ameaçados por esta primeira crise mundial após o fim da Guerra Fria, Estados Unidos e seus aliados (Síria, Arábia Saudita e União Soviética, entre outros) organizaram uma operação militar em grande escala. Em 17 de janeiro de 1991, os americanos lançaram uma ofensiva denominada “Tempestade no Deserto”. O Pentágono realizou uma exibição do poderio armamentista dos Estados Unidos televisionada direto do local. O Iraque se retirou rapidamente do Kuwait, não sem antes incendiar centenas de poços de petróleo, o que causou um desastre ecológico sem precedentes. A ONU ampliou as sanções militares e econômicas ao país.

O fundamentalismo islâmico

Na nova ordem mundial, a emergência do fundamentalismo islâmico trouxe de volta o “fantasma muçulmano” que ameaçou o Ocidente europeu a partir do século VIII. Interpretando rigidamente a sharia (a lei do Corão), os fundamentalistas querem a observação total das tradições religiosas no cotidiano político, econômico e social, a fim de formar um Estado islâmico puro. Num contexto de miséria e recessão econômica, os marginalizados constituem a base social de apoio a esses movimentos, que usam de ações clandestinas e violentas. Também no Oriente Médio o fundamentalismo vem alimentando conflitos

Fonte: www.escolavesper.com.br

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