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Guerra do Líbano

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Guerra do Líbano
Guerra do Líbano

Guerra civil que opõe os cristãos maronitas, de um lado, e a coalizão de drusos e muçulmanos, de outro, entre 1975 e 1991.

O conflito tem reflexos na situação do Líbano até hoje. Em 1948, o Líbano recebe 170 mil refugiados palestinos, depois da derrota dos Exércitos árabes que tentaram impedir a criação do Estado de Israel.

A Constituição de 1926 estabelecia, por um acordo tácito, que o presidente seria sempre um cristão maronita e o primeiro-ministro, um muçulmano sunita. À medida que cresce a população muçulmana no país, o pacto estabelecido impede que esse grupo ocupe os cargos mais importantes do governo.

Uma guerra civil eclode em 1958, com insurreições muçulmanas contra o presidente maronita Camille Chamoun (pró-norte-americano), sob inspiração dos regimes nacionalistas pró-soviéticos da Síria e do Egito. Tropas norte-americanas desembarcam no país, provocando imediato protesto soviético. A crise é contornada, depois de negociações, com a substituição de Chamoun e a retirada norte-americana.

Após a saída das tropas dos Estados Unidos (EUA), é encontrada uma solução política, a pedido da ONU (Organização das Nações Unidas).

Organiza-se um governo composto de líderes dos vários grupos religiosos do país.

O frágil equilíbrio de poder, no entanto, rompe-se na década de 70.

Uma nova derrota árabe na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e o massacre dos palestinos na Jordânia durante o Setembro Negro, em 1970, elevam para mais de 300 mil o número de refugiados palestinos no Líbano.

A Organização para a Libertação da Palestina (OLP) estabelece seu quartel-general em Beirute e começa a atacar Israel a partir da fronteira libanesa, agindo com independência no interior do país. A OLP é apoiada pelos setores reformistas e pan-arabistas (interessados em reunir todos os países de língua árabe), sendo hostilizada pelos conservadores, que a consideram uma ameaça à soberania do país e responsável pelas represálias israelenses.

Início da guerra

Os cristãos maronitas acusam o governo de ineficácia e integram-se às milícias do Partido Falangista, de extrema-direita, que defende a expulsão imediata dos palestinos e a manutenção do poder nas mãos dos cristãos. Milhares de jovens drusos, sunitas e xiitas alistam-se nas forças de suas respectivas organizações políticas.

Em abril de 1975, as tensões explodem numa guerra civil em larga escala, que opõe a coalizão de esquerda druso-muçulmana, que tem o apoio da OLP, e a aliança maronita de direita. O Exército libanês, comandado por oficiais cristãos, fragmenta-se em facções rivais e o governo praticamente deixa de funcionar.

A guerra civil atinge o país com uma violência sem precedentes. Em 1976, diante da iminente vitória do bloco esquerdista, a Síria rompe sua aliança com os muçulmanos e invade o país, apoiando inicialmente as milícias maronitas. No decorrer do conflito, os sírios mudam de aliados várias vezes, passando a dominar cada vez mais o território e as instituições libanesas. A presença de tropas sírias provoca protestos dos árabes e há deslocamento de tropas de França, EUA e União Soviética (URSS) para a região.

O prosseguimento da luta leva à desagregação da sociedade libanesa. Milícias armadas fracionam o país em enclaves étnico-religiosos rivais. Em 1976, realiza-se o Encontro de Riad, que obriga a Síria a reconciliar-se com a OLP e renunciar à intervenção no Líbano. Uma comissão formada por Egito, Arábia Saudita, Síria e Kuweit é encarregada de supervisionar a paz na região. Em 1977, no entanto, o assassinato do líder druso Kamal Jumblatt desencadeia nova onda de violência e os combates são retomados. A situação se agrava com a ação de Israel que, na operação Paz na Galiléia, realiza incursões militares no território libanês, com o objetivo de expulsar a OLP.

Em junho de 1982, com o apoio das milícias cristãs, Israel invade o Líbano e chega a Beirute. Após dois meses de intensos bombardeios israelenses, é negociada a retirada da OLP da capital libanesa. No ano seguinte, ela deixa o país. Em 16 de setembro, com permissão israelense, milícias cristãs libanesas invadem os campos de refugiados palestinos de Sabra e Chatila, na parte oeste de Beirute, e massacram a população civil. A ação é uma represália pelo assassinato, dois dias antes, do presidente eleito Bachir Gemayel. O governo libanês pró-israelense é fortemente combatido, com a ajuda da Síria, e Israel retira suas tropas para uma estreita faixa ao longo da fronteira sul do Líbano.

Os EUA enviam suas tropas ao Líbano após os massacres de Sabra e Chatila e se retiram em fevereiro de 1984, após pressão internacional. A saída das tropas norte-americanas e das de Israel, em seguida, enfraquece os cristãos. Os drusos dominam a região do Chuf, área montanhosa ao sul e leste de Beirute, expulsando as comunidades maronitas que ali viviam há séculos. Os falangistas sofrem uma significativa derrota em 1984 e 1985, quando, sob patrocínio sírio, as três principais facções militares libanesas – a milícia drusa (xiita), a milícia Amal (também xiita, pró-Síria) e a Falange (cristã) – assinam, em Damasco, um acordo para o cessar-fogo. O pacto é boicotado pelo Hezbollah (grupo xiita radical apoiado pelo Irã), pela Murabitun (milícia muçulmana sunita) e por setores da comunidade cristã. A violência prossegue, com o seqüestro de vários estrangeiros, o assassinato do primeiro ministro Rashid Karame, em junho de 1987, e sangrentos combates nos subúrbios de Beirute, opondo o Amal e o Hezbollah. Gemayel encerra seu mandato em setembro de 1988, sem conseguir pacificar o país.

Israel cria uma milícia libanesa aliada, o Exército do Sul do Líbano (ESL), e ocorrem 20 invasões aéreas israelenses durante o ano de 1988. Em 1989, uma nova reunião tripartite propõe uma “carta de reconciliação nacional”, que é apoiada por EUA, URSS, França, Reino Unido e principais governos árabes. Em 22 de outubro de 1989, a Assembléia Nacional Libanesa, reunida em at Ta’if, na Arábia Saudita, aprova essa carta. Ela determina a participação, em condições de igualdade, de cristãos e muçulmanos no governo e o desarmamento das milícias. O general cristão Michel Aoun rejeita o acordo de at Ta’if e autoproclama-se presidente da República. Os combates terminam em outubro de 1990, quando bombardeios sírios destroem o quartel-general de Aoun e o forçam ao exílio na França. Uma frágil paz, estabelecida sob a proteção síria, é formalizada por um tratado em maio de 1991.

A Síria consolida seu domínio sobre o Líbano, mantendo 35 mil soldados no país. Todas as milícias são desarmadas, menos aquelas que atuam na região do sul libanês. Ali, a tensão continua, com ataques de guerrilheiros do Hezbollah, apoiados pelo Irã, contra o ESL e o norte de Israel. Os israelenses respondem com ataques aéreos às posições da guerrilha e, em 1996, iniciam maciços ataques aéreos e de artilharia que atingem, pela primeira vez desde 1982, os subúrbios de Beirute. Em abril de 1998, o gabinete israelense anuncia a intenção de cumprir a resolução 425 da ONU, que exige sua retirada da faixa de segurança de 15 quilômetros no sul do Líbano.

A Guerra do Líbano

Conflito, Início

O termo Guerra do Líbano pode se referir a qualquer um dos seguintes guerras, lutou no Líbano:

Guerra Civil Libanesa (1975-1990)
Guerra dos Cem Dias ” de 1978 (parte da Guerra Civil Libanesa)
1982 Guerra do Líbano (parte da Guerra Civil Libanesa, também conhecido como a Primeira Guerra do Líbano)
Guerra Mountain (Líbano) 1983-1984 (parte da Guerra Civil Libanesa)
Guerra dos Camps 1984-1989 (parte da Guerra Civil Libanesa)
Conflito Sul do Líbano (1985-2000)
2006 Guerra do Líbano (também conhecido como a guerra Segunda Guerra do Líbano ou Israel-Hezbollah)
2011-presente conflito no Líbano

Fonte: www.geocities.yahoo.com.br

Guerra do Líbano

Tem por base a constituição do Estado de Israel nos territórios da antiga Palestina britânica e os movimentos de reação arábe, após um processo que inclui a migração organizada de judeus para a Palestina, a aquisição de terras,a instalação de empresas, colônias agrícolas e escolas e a organização militar dos imigrantes.

A administração britânica na Palestina, recomposta após o fim da 2a Guerra Mundial, adota uma política de dividir para reinar, apoiando ora os árabes, ora os judeus.

Os dois lados adotam o terrorismo como forma de luta.Em 1947, a Assembléia Geral da ONU e a Agência Judaica aprovam a divisão da Palestina, mas os árabes a rechaçam.

Um exército da Liga Árabe ocupa a Galiléia e ataca Jerusalém.

Em maio de 1948 o Reino Unido renuncia ao mandato sobre a Palestina e retira suas tropas, deixando a região na anarquia.

CRONOLOGIA DO CONFLITO

De 1200 aC até 135dC o território é habitado pelos judeus.
Em 135dC, os judeus são espalhados no mundo pelos romanos, é a Diáspora.
Nos séculos VII e VIII, a região é ocupada pelos árabes em seu processo de expansão (os palestinos).
No início do século XX, os judeus começam a retornar em massa para a região. Iniciam pequenos conflitos entre judeus e árabes.
Em 1947, a ONU faz a partilha para evitar conflitos. O território é dividido entre judeus e palestinos.
Os palestinos e os demais países árabes da região não aceitam a presença de Israel na região.
1948 –
Guerra de independência de Israel – Os judeus, vitoriosos, confirmam a presença na região.
1967 –
Guerra dos seis dias, Israel vence o Egito, Síria e Jordânia e os palestinos. Os judeus tomam dos palestinos a Faixa e a Cisjordânia e dos sírios as Colinas de Golan.
1973 –
Guerra do Yom Kippur. Israel é surpreendido mas, conse- gue se defender a tempo dos sírios e egípcios.
É criada a OLP, para defender os interesses do povo palestino.
1976 – Egito e Israel assinam a Paz.
1993 –
Acordo de paz entre Israel e a OLP. Israel deve devolver aos palestinos a Cisjordânia e a Faixa de Gaza.

Estado de Israel

Em 14 de maio de 1948, o Conselho Nacional Judeu proclama o Estado de Israel, enquanto o ataque árabe é contido pela mediação da ONU e pela superioridade da aviação Israelense.

Grande parte da população árabe abandona a Palestina. Entre 1948 e 1956 o Estado israelense se consolida com a migração maciça de judeus, o pagamento de US$ 3,5 bilhões pela Alemanha Ocidental como reparação de guerra, a implantação da agricultura coletivizada nos chamados kibutz, indústrias de alta tecnologia, serviço militar obrigatório para homens e mulheres e a manutenção de um Exército moderno.

Guerra de 1956

Tem origem nas tensões fronteiriças geradas pelo projeto de utilização das águas do rio Jordão por Israel, em 1952. Agrava-se com ataques de comandos árabes (fedayin) aos colonos judeus e a nacionalização do Canal de Suez pelo Egito, com apoio soviético, em 1956. Em outubro, Israel ataca o Egito com o objetivo de manter o canal aberto e controlar o golfo de Ácaba. Com o apoio tácito do Reino Unido e da França, os israelenses ocupam o Sinai e a Faixa de Gaza em uma semana. Em novembro é criada uma força de paz da ONU para supervisionar o cessar-fogo. A ocupação da Faixa de Gaza e a consolidação do Estado de Israel aguçam a questão dos refugiados palestinos, cuja integração é negada tanto por Israel quanto pelos países árabes.

Guerra dos Seis Dias

Surge da reação egípcia contra a permanência das tropas da ONU, o bloqueio do porto de Eliat,no golfo de Ácaba,e a assinatura de um acordo militar com a Jordânia, em maio de 1967. Os israelenses, usando como pretexto o bloqueio no golfo de Ácaba e a intensificação do terrorismo palestino contra Israel, atacam o Egito, Síria e Jordânia em 5 de junho. Conquistam toda a península do Sinai até o canal de Suez (Egito), a Cisjordânia e as colinas de Golan (Síria).

Guerra do Yom Kippur

Tem como motivo a ocupação permanente dos territórios conquistados em 1967 por Israel e a instalação de colônias judaicas. Em 6 de outubro (dia do Yom Kippur ou do Perdão, feriado religioso judaico) de 1973, os sírios atacam as colinas de Golan pelo norte, enquanto os egípcios atacam pelo sudoeste, a partir do Canal de Suez. Forçam os israelenses a abandonar suas linhas de defesa fortificada (Bar-Lev) e os campos petrolíferos de Balayim e ocupam toda a área do canal. Contra-ataque israelense obriga o recuo egípcio e sírio,bombardeia Damasco e bases de mísseis e artilharia do Egito e ameaça expandir-se. Em 22 de outubro, a intervenção diplomática soviético-americana impõe um cessar-fogo.

Questão palestina

Surge como resultado do projeto de instauração do Estado de Israel e da decisão da ONU de dividir a Palestina em dois Estados. O Estado judeu ocupa uma área de 10 mil km², incluindo a Galiléia oriental, a faixa que vai de Haifa a Telaviv e a região do deserto do Neguev até o golfo de Ácaba. O Estado palestino, associado à Jordânia, ocupa uma área de 11,5 mil km², incluindo a Cisjordânia e a Faixa de Gaza. Jerusalém recebe status internacional. A guerra de 1948 liquida a decisão da ONU, já que o acordo de armistício de 1949 resulta na anexação da Cisjordânia pela Jordânia e na ocupação da Faixa de Gaza pelo Egito.

Nenhum passo posterior é dado para implementar a decisão da ONU. A Constituição de um Estado que represente os 1,3 milhão de palestinos vivendo na região vira letra morta. Ao mesmo tempo, organizações extremistas israelenses, estimuladas pela omissão do Estado de Israel, das grandes potências e da ONU,desencadeiam ações terroristas contra os palestinos, visando expulsá-los e deixar o território livre para colonos judeus. O massacre de todos os 254 habitantes de Deir Yassin, em 1948, é o sinal para o êxodo em massa. Cerca de 300 mil palestinos permanecem em Israel após o êxodo para os países árabes vizinhos, mas sua situação é de cidadãos de segunda classe.

Yasser Arafat (1929), nascido em Jerusalém, é um dos símbolos da luta pela construção de um Estado palestino. Trabalha como engenheiro no Kweit.

Em 1959, participa da fundação da organização extremista Al Fatah, que defende a luta armada como única saída para a questão palestina. A partir de 1969 torna-se presidente da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), criada em 1967.Entre 1987 e 1993 a OLP conduz a Intifada – rebelião dos palestinos contra a ocupação pelos israelenses da Faixa de Gaza e da Cisjordânia. Arafat consegue que o Conselho Nacional Palestino aprove a proclamação de um Estado Palestino independente nessas regiões e a formação de um governo provisório no exílio. Progressivamente, passa a adotar uma política mais moderada, mesmo contra a vontade de muitas facções radicais do movimento palestino. Em 1988 manifesta intenção de reconhecer o Estado de Israel. Em 1989 é eleito presidente do governo provisório. “Não há alternativa para a paz. Resta saber se aceitaremos hoje ou depois que milhares de nossos filhos tiverem sido sacrificados no altar de ambições irrealizáveis”, diz Arafat em 1990. Em 13 de setembro de 1993 assina em Washington,com o primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, e o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, um acordo de paz para o Oriente Médio. O acordo é reafirmado em maio de 1994, no Egito. Arafat, Rabin e o chanceler Shimon Peres, de Israel, recebem o Prêmio Nobel da Paz em outubro do mesmo ano.

Desencadeada em 1973 pelos países árabes produtores de petróleo reunidos na Opep, que decidem embargar o fornecimento de petróleo árabe ao Ocidente em represália à ocupação dos territórios palestinos. A seguir, os membros da Opep decidem também, aproveitando-se da escassez do produto,estabelecer quotas de produção e subir os preços. Essas medidas desestabilizam a economia mundial, provocando uma severa recessão nos EUA e na Europa.

A GUERRA DO LÍBANO

Em 1934 a França impõe aos cristãos (maronitas) e muçulmanos (drusos,sunitas e xiitas) um acordo verbal pelo qual cada grupo teria uma parcela do poder correspondente à sua força numérica.A superioridade maronita no poder é conseqüência de recenseamento manipulado pela França para garantir a maior parcela às forças políticas direitistas, de cultura e fala francesas.

As tensões entre as comunidades se intensificam com o aumento populacional dos muçulmanos, que passam a reivindicar maior participação no poder, e com a presença maciça de guerrilheiros da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), expulsos da Jordânia em 1970, que passam a interferir nas disputas internas libanesas. Em abril de 1975, em conseqüência de um atentado de militantes do Partido Falangista (cristão) a um ônibus em que viajavam palestinos e libaneses muçulmanos, começa a guerra civil. Os principais protagonistas são falangistas, chefiados pelo maronita Pierre Gemayel, e o Partido Socialista Progressista, chefiado pelo druso Kamal Jumblat. Em junho de 1976, a Síria intervém militarmente para garantir o governo do cristão conservador Elias Sarkis.

Um armistício é assinado no final do ano, sob o patrocínio de vários governos árabes. Tropas sírias permanecem no Líbano. O cessar-fogo não é respeitado e a luta irrompe novamente em fevereiro de 1977, entre palestinos e falangistas, que, apoiados por tropas de Israel, ocupam posições no sul do país. Com a disseminação da luta entre os diferentes grupos políticos e religiosos, o Líbano se transforma num mosaico de milícias.

Invasão israelense

Em abril de 1982, Israel invade o Líbano para expulsar a OLP de Beirute. Tropas israelenses e sírias travam combates no vale de Bekaa. O Exército de Israel cerca Beirute e bombardeia a cidade. Em 1o de agosto,a OLP se retira. Seis dias depois,o presidente libanês, Bashir Gemayel, um cristão maronita, é assassinado. Em represália, tropas israelenses ocupam os bairros muçulmanos de Beirute. Com a tácita aprovação israelense, milícias falangistas invadem os campos de refugiados palestinos de Sabra e Chatila,no dia 16 de setembro, e massacram centenas de civis.Beirute se transforma numa zona de batalha, dividida por uma “linha verde” entre os setores cristão e muçulmano.

Atentados terroristas se tornam rotina. Os Estados Unidos e outros países ocidentais enviam soldados a Beirute para tentar impor um cessar-fogo. Os americanos e seus aliados se retiram depois que, em dois ataques separados contra instalações militares, em 23 de outubro de 1983, terroristas muçulmanos matam 241 fuzileiros navais dos Estados Unidos e 58 soldados franceses. No final do ano irrompe a luta interna na OLP, em que uma facção apoiada pela Síria se rebela contra Arafat. Ele é obrigado a deixar o Líbano com 4 mil de seus homens e instala o quartel-general da OLP em Túnis (Tunísia).

Hegemonia síria

A influência da Síria cresce com a eleição, em 1984, do primeiro-ministro Rachid Karami, em meio à luta entre diferentes facções de cristãos, drusos, sunitas, xiitas e palestinos. As tropas de Israel, depois de sofrer pesadas baixas causadas por forças muçulmanas, abandonam a maior parte do Líbano em junho de 1985, mas continuam a ocupar uma faixa de território no sul do país. Começam os combates entre palestinos e xiitas. Karami é assassinado em 1987. Em setembro de 1989, os 62 deputados do Parlamento libanês,por mediação da Liga Árabe e da ONU, celebram na Arábia Saudita o Acordo de Taif, que amplia a participação muçulmana no Parlamento. Em outubro de 1990, Beirute é reunificada e os palestinos, desarmados.Prosseguem os ataques de milicianos xiitas contra posições israelenses no sul do país, sempre sucedidos por bombardeios retaliatórios da aviação de Israel contra aldeias libanesas. A vida política do Líbano permance sob controle da Síria, que mantém tropas no país.

REVOLUÇÃO IRANIANA

Resulta do processo acelerado de industrialização e ocidentalização imposto pela monarquia do xá (rei) Reza Pahlevi. Apoiada num forte esquema repressivo e em suas relações com os Estados Unidos,a monarquia iraniana monta um vasto sistema de corrupção e privilégios. Contra esse sistema erguem-se forças religiosas, sociais e políticas. Incluem os muçulmanos xiitas, a maior comunidade religiosa do Irã, cujo líder máximo,o aiatolá Ruhollah Khomeini,é expulso do país em 1964. Eles acusam o xá de corromper as tradições islâmicas com as reformas ocidentais e de beneficiar somente a minoria que gravita em torno do poder.Incluem também os liberais, políticos ligados aos meios empresariais e intelectuais que se opõem ao regime ditatorial e à falta de participação nas decisões econômicas e políticas. Outras forças são o Tudeh (partido comunista) e grupos extremistas islâmicos armados, como os mujahedin.

Queda da monarquia

A repressão de uma passeata que pedia a volta de Khomeini ao país na cidade sagrada de Qom,em janeiro de 1978, desencadeia tumultos em todo o Irã. Unidades do Exército negam- se a atirar nos manifestantes. Multiplicam-se as ações de grupos armados contra alvos governamentais. Os Estados Unidos pedem que Reza Pahlevi renuncie e transfira o governo a um político moderado, capaz de controlar a situação e introduzir reformas democráticas. Em janeiro de 1979 o xá concorda, transfere o governo para Chapur Baktiar e deixa Teerã.

República islâmica

Khomeini retorna em 30 de janeiro, rejeita a transferência de poder promovida pelo xá e exige mudanças radicais. O Irã caminha para a guerra civil. Baktiar deixa o governo e foge,sendo substituído pelo governo Mehdi Barzagan. O fundador do Conselho de Direitos Humanos enfrenta a guarda revolucionária xiita (pasdaran), que prende, julga e executa sumariamente membros do antigo governo do xá e militantes de grupos rivais.

Barzagan renuncia em novembro, após a invasão da embaixada americana por fundamentalistas xiitas. Em janeiro de 1980,Abolhassan Bani-Sadr é eleito presidente e forma um governo de coalizão para realizar reformas democráticas moderadas. Mas em agosto é obrigado a aceitar a indicação do fundamentalista Ali Radjai para primeiro-ministro. Também enfrenta a crise com os EUA e se vê diante da invasão iraquiana, em setembro. Os choques dos xiitas contra Bani-Sadr o levam a exilar-se em junho de 1981.

Crise com os EUA

A invasão da embaixada americana em Teerã por fundamentalistas xiitas, em protesto contra a ida de Reza Pahlevi a Nova York, ocorre em novembro de 1979. Os funcionários são tomados como reféns e o governo Bani-Sadr é incapaz de promover uma solução negociada. Em abril de 1980,tropas americanas tentam um resgate, mas a operação fracassa. Isso causa grande desgaste ao presidente Jimmy Carter e reforça a ala do clero xiita no governo iraniano. Em janeiro de 1981, após 444 dias de cativeiro, os reféns são libertados por meio de gestões diplomáticas da Argélia. A queda de Bani-Sadr e a eleição de membros do clero para a presidência e a chefia de governo, em junho de 1981, consolidam a hegemonia do Partido Republicano Islâmico e dão início à República islâmica.

Intelectuais,comunidades religiosas rivais, organizações femininas, partidos democráticos e socialistas são reprimidos. A lei islâmica se sobrepõe à lei secular. Em represália, grupos extremistas de oposição cometem atentados terroristas contra o clero e o governo. Os aiatolás Kamenei e Mussavi assumem a presidência e a chefia do governo, intensificam a repressão e mantêm a campanha contra os suspeitos de espionagem a favor dos Estados Unidos, da União Soviética e do Iraque ou de violações da lei islâmica.

Guerra Irã-Iraque

Começa em setembro de 1980 com a invasão do Irã e a destruição de Khorramshar, onde fica a refinaria de Abadã, por tropas iraquianas.O pretexto é o repúdio,pelo governo iraquiano, ao Acordo de Argel (1975), que define os limites dos dois países no Chatt-el-Arab, canal de acesso do Iraque ao golfo Pérsico.

O Iraque quer soberania completa sobre o canal e teme que o Irã sob Khomeini tente bloquear o transporte do petróleo iraquiano ao golfo Pérsico pelo canal. Khomeini havia sido expulso do Iraque em 1978, a pedido do xá Reza Pahlevi, e o presidente iraquiano, Saddam Hussein, dera apoio aos movimentos contra-revolucionários de Baktiar e do general Oveissi. O novo regime iraniano apóia o separatismo dos curdos no norte do Iraque e convoca os xiitas iraquianos a rebelarem-se contra o governo sunita de Saddam. O Irã bloqueia o porto de Basra e ocupa a ilha de Majnun, no pântano de Hoelza, onde estão os principais poços petrolíferos do Iraque. Este bombardeia navios petroleiros no golfo, usa armas químicas proibidas e ataca alvos civis. Há pouco avanço nas frentes de luta, mas o conflito deixa 1 milhão de mortos ao terminar em 1988.

Saddam Hussein (1937), general iraquiano sunita, no poder desde um golpe palaciano em 1979. Nasce em uma pequena vila perto de Bagdá. Filia-se ao Baath, partido socialista pan-arábico e participa como militante da tentativa frustrada de assassinar o general Abdul Karim Kassem, então na presidência. Foge para o Egito, onde estuda direito.Volta ao Iraque e continua participando de golpes do Baath, que consegue tomar o poder no Iraque em 1958. Hussein torna-se o número 2 do governo. Em 1979 assume a presidência e aplica uma política de modernização do Iraque. Aliado dos Estados Unidos durante longo tempo, passa depois a aproveitar-se da disputa dos norte-americanos com a União Soviética para conseguir ajuda desta no reaparelhamento de suas Forças Armadas. Pratica uma política de genocídio contra os curdos e reprime a maioria xiita. Radicalmente contra qualquer acordo com Israel,incentiva grupos extremistas árabes e palestinos a ações terroristas contra os israelenses e pessoas de governos favoráveis ao entendimento com o Estado judeu. Suas pretensões hegemônicas sobre a região, em particular quanto ao Kuweit levam o país à Guerra do Golfo em 1991.

Fonte: www.arabias.com.br

Guerra do Líbano

Caminhando pela história vemos que o povo judeu desde os primórdios da civilização sempre esteve ligado ao território de Canaã, quando da saída do Egito Moisés os conduziu para a Terra prometida por Jeová (Deus das três principais religiões que praticam o monoteísmo: judaísmo, cristianismo e islamismo/mulçumano).

A região do oriente médio após a conquista do povo judaico teve vários domínios de outros povos: babilônicos, persas, macedônios, romanos, turcos, ingleses e franceses, americanos e soviéticos, sendo que após o ano 70 DC o povo judeu foi expulso de Israel pelo mundo, porém sempre teve ligação com a terra, principalmente quando a inquisição expulsou os árabes e judeus da Espanha, e o império turco-otomano de religião mulçumana permitiu sua volta para Judéia hoje Israel.

Averiguamos também que muitos judeus da diáspora passaram a viver em países árabes próximo da Judéia, e tinham grandes comunidades na Síria, Líbano, Egito, Marrocos… E conviveram milenarmente bem nestas regiões até a formação dos Estado de Israel, sendo que após a independência deste em 1948 foram expulsos de vários países árabes sem direito a nada, saíram com uma mão na frente e outra atrás, sendo seus bens confiscados por estes Estados.

Após a primeira guerra mundial houve a queda do império otomano em toda a região do oriente médio, e esta passou para o domínio dos países vencedores, no caso França e Inglaterra, que começou a dar posse aos novos e antigos Estados na região, daí o mapa começou a alterar com a formação da Jordânia e a promessa da terra de Israel em 1918 através do Tratado de Belford, e vários países foram se formando. Hoje temos reivindicação territorial dos palestinos e dos Curdos (antigo Curdistão) sendo que a Turquia e a Síria que tem territórios deste anterior estado não pretendem de forma alguma esta conquista, existe 20 milhões de curdos no oriente querendo seu estado.

Na segunda guerra mundial o poder, e a influência de domínio na região passou para os Estados Unidos e para a União Soviética, o domínio após o desmoronamento do pacto de Varsóvia, com a perda de poder sobre o leste europeu passou a ser unicamente dos Estados Unidos, que invadiram o Iraque e dão apoio a Israel.

Os palestinos que vivem na Jordânia, que tem no momento 60% de sua população oriunda destes, não aceitam o Estado de Israel, e pretendem destruí-lo através das armas, sendo apoiado por países como a Síria, Irã, através de dinheiro e armamento, e vem criando um pólo de luta contra Israel, estes palestinos também têm o apoio de radicais religiosos Xiitas, que não aceitam a presença judaica no oriente, talvez pela sua proximidade com o ocidente. No Líbano formaram até um partido político com representantes no parlamento libanês, é o Hezbollah, seu intento não é viver no Líbano e sim destruir Israel.Os palestinos dizem que a terra é sua e querem conquistá-la através das armas, os radicais religiosos incentivam os homens bombas, prometem que quando morrerem vão para o paraíso, e estes vão matando quem vê pela frente tirando também sua própria vida, e vira e mexe jogam mísseis contra o Estado judaico.

A pátria de Israel nunca foi dos palestinos em nenhum momento histórico, seus laços religiosos com o país é insignificante, tendo no atual território israelense 1/3 de população árabe, e Israel respeita as três religiões e só quer viver em paz. Paz esta nunca alcançada por causa do radicalismo religioso, suas preocupações talvez não seja tanto com os judeus, e sim com o avanço cristão que possa ocorrer através do estado judaico. Isto porquê o judaísmo atual não faz proselitismo, porém o cristianismo e o islamismo sim, e devido isto são religiões que agrupam e conquistam milhões de pessoas no mundo. O estado de Israel representa os ocidentais no oriente, caso dos judeus norte-americanos e europeus, e esta cultura não é aceita pela maioria dos paises árabes.

Vemos que Israel faz todos os esforço pela paz, não conseguindo, e o uso da força é necessário para sua defesa. O Líbano não conseguiu tirar esta maléfica ação do hesbollah, e infelizmente vê seu lindo estado ser atacado. Os soldados israelenses pensaram em atacar o Líbano e falaram que parece que estavam entrando no Afeganistão, é guerrilha e armamento por toda parte. A guerra estava pronta para acontecer pelo hesbollah contra Israel, e está acontecendo de Israel contra o hesbollah.

O Líbano chora seus mortos e sua infra-estrutura destruída, e com certeza não querem e não queriam isto, e tenho certeza que nem Israel quer ou queria isto, espero que se tire uma lição desta guerra e os povos do oriente possam viver em paz, independente de religião ou raça, para o bem da humanidade. E as religiões tenham espírito de fraternidade e ecumenismo, senão continuaremos vivendo em lutas religiosas que poderá até destruir nossa civilização.

Isaac Sayeg

Jornalista e escritor

Fonte: www.paralerepensar.com.br

Guerra do Líbano

Entenda o Conflito…

A partir da destruição do segundo templo em Jerusalém (70 a.C.), pelos romanos, o povo judeu deu início à sua dispersão pelo mundo (A Diáspora), fruto da dominação e de perseguições sofridas em seu território de origem. Desde então, os israelitas mantiveram o objetivo nacional e messiânico do retorno à pátria.

Durante séculos, contudo, esse propósito tinha, exclusivamente, uma dimensão religiosa, pouco ou nada sendo feito de concreto para realizá-lo.

No século XIX, quando explodiram na Europa Oriental os nacionalismos dos povos então sob impérios multinacionais, como os Austro- Húngaros, Russos e, parcialmente, o Turco-Otomanos, também o povo judeu começou a formular, de maneira política, a criação de um moderno Estado Judeu.

Nascia o sionismo: nacionalismo judaico que prega a ação política para recriar Israel em seu território original, a Palestina, então em mãos turcas. Para o avanço das idéias sionistas, cuja origem é atribuída a Theodor Hertzl, escritor judeu-húngaro que redigiu “O Estado Judeu”, também contribuiu um crescente anti-semitismo que ganhou corpo no leste europeu. O preconceito contra os judeus levava-os a aspirar por um país próprio.

Na passagem dos séculos XIX e XX, o movimento sionista ganhou adeptos de várias ramificações – socialistas, religiosos e outros – que visavam levar colonos judeus para a Palestina, atraindo particularmente os jovens.

A Guerra do Líbano

O sofrimento e a destruição causados pela ofensiva de Israel contra o Hezbollah, que atinge sobretudo a população civil, começam a mudar a visão que o mundo tem desse conflito.

A questão, que fica cada vez mais aguda, é: por mais que tenha os motivos certos para retaliar seus agressores, Israel não pode lutar uma guerra suja.

Existem razões justas, baseadas na lei moral e nas regras internacionais, para iniciar uma guerra. Israel as teve todas ao revidar as agressões dos terroristas islâmicos instalados no seu vizinho do norte, o Líbano. O trágico é que, por mais justas e embasadas que sejam as razões para disparar os canhões, quando eles começam a vomitar fogo o inferno se instala e consome igualmente vidas inocentes e de combatentes. Em sua terceira semana, o conflito entre Israel e a milícia do Hezbollah, o “Partido de Deus”, parece estar apenas no começo. Apesar do nome, o Hezbollah nada tem de sagrado. É uma falange sanguinária montada com dinheiro do Irã e armas fornecidas pela Síria. Seu objetivo imediato é matar israelenses, sendo-lhes indiferente se os alvos são civis ou militares. Seu objetivo final é converter ou matar todos os que não pensem como seus líderes. O duplamente trágico no atual estágio da guerra iniciada por Israel deriva do fato de que, mesmo sem ser esse seu objetivo, as ações militares de Israel estão matando civis inocentes e, aos olhos do mundo, os justos começam a se assemelhar aos sicários que eles se propuseram a punir.

O número de mortos cresce, e não existe até agora um claro vencedor. Os civis pagam o preço mais alto. Pelas estimativas da sexta-feira passada, 800.000 libaneses, numa população de 4 milhões, foram forçados a abandonar suas casas e mais de 400 foram mortos. As cidades costeiras de Tiro e Sidon estão abarrotadas com mais de 100.000 refugiados. Israel sofre também, ainda que seu total de mortos seja dez vezes menor que o libanês. Ao menos 2.300 mísseis e foguetes lançados pelo Hezbollah já caíram em cidades e povoados israelenses, obrigando mais de 1 milhão de pessoas a procurar os abrigos antiaéreos. O balanço desproporcional em número de vítimas e nas dimensões da destruição está agora no centro de um complicado dilema ético que vai além do habitual debate entre Israel e seus detratores. Diz respeito ao seguinte: uma guerra continua justa se for lutada de modo sujo?

Do ponto de vista das regras internacionais, todo Estado tem o direito e o dever de preservar a vida de seus cidadãos de ataques externos. A ofensiva israelense no território libanês é justa, ao menos no que diz respeito a sua motivação. Se o Hezbollah atravessou uma fronteira internacional e seqüestrou dois soldados (como fez três semanas atrás) e há anos lança regularmente foguetes sobre as cidades israelenses, é um direito de Israel usar a força para tentar eliminar esse grupo ou, pelo menos, reduzir sua campanha terrorista. A moralidade da ofensiva torna-se nebulosa, contudo, quando Israel usa bombas de fragmentação em áreas populosas, ataca estradas e centrais elétricas que, apesar de terem algum uso militar, são vitais para a população civil. A quase universal compreensão com que o Estado judeu contou nos primeiros dias de confronto, até mesmo em alguns países árabes, está agora virada de cabeça para baixo. A mudança deve-se exclusivamente ao sofrimento imposto à população do Líbano, da qual o Hezbollah representa apenas uma ínfima parcela.

Pelas normas internacionais, a maneira de fazer uma guerra é considerada justa quando preenche três requisitos: a resposta deve ser proporcional à ameaça ou agressão, não se pode usar força excessiva e os ataques têm de ser direcionados aos combatentes inimigos, e não aos civis. A proporcionalidade de um conflito não é julgada apenas pela agressão sofrida. Há dois outros fatores igualmente importantes. O primeiro são as dimensões da ameaça (a chuva de foguetes e mísseis lançados contra o território israelense dá a dimensão do enorme perigo representado pelo Hezbollah). O segundo leva em conta a destruição que a guerra causa, em comparação aos benefícios que pode trazer. Se o Hezbollah for destruído ou contido, argumentam os israelenses, os benefícios serão enormes. Não apenas para Israel, mas também para o Líbano e para os outros países da região, ameaçados pelo extremismo islâmico patrocinado pelo Irã.

A questão da proporcionalidade cobre apenas uma parte da discussão ética. Desde o fim da II Guerra, o mundo tem colocado ênfase na diplomacia e na jurisprudência para a solução de litígios. O conceito moderno é que a guerra deve ser o último recurso, depois de todos os outros terem se esgotado. Uma série de acordos internacionais – a Convenção de Genebra é a mais conhecida – tenta colocar ordem numa questão que já era discutida nos tempos da conquista da Gália por Júlio César: na guerra vale tudo? A resposta ética é não. Mesmo que se entenda que o soldado, no meio da balaceira, não hesite em usar sua arma mais poderosa, certas regras separam a civilização da barbárie. As questões essenciais são a imunidade do não combatente, a proteção aos feridos e a garantia de bom tratamento aos prisioneiros.

Essas regras básicas surgiram no século IV, nas obras de Santo Agostinho, que tratou do conceito da guerra justa de acordo com a moralidade cristã. Quem transformou o assunto em uma questão de direito, lançando as bases do que seria uma “lei da guerra”, foi o jurista holandês Hugo Grotius, no século XVII. Grotius defendeu a necessidade de alguma moderação nos conflitos, recomendando práticas como a preservação das riquezas arquitetônicas e obras de arte encontradas no território inimigo e o cuidado com a vida dos civis. Se não respeitar essas regras, Israel se igualará a seus inimigos, os terroristas.

Na sexta-feira passada, surgiu o primeiro fio de esperança: um plano de cessar-fogo proposto pelos Estados Unidos e por outros países, que deverá ser submetido ao Conselho de Segurança das Nações Unidas nesta semana. O resultado dessa iniciativa depende de várias questões fundamentais, alinhadas a seguir.

O CULPADO PELO COMEÇO DA GUERRA É O HEZBOLLAH

Nem sempre é fácil identificar o responsável por um novo surto de violência no Oriente Médio. Na guerra no Líbano, no entanto, há o consenso de que o Hezbollah bateu primeiro. Em 12 de julho, seus guerrilheiros cruzaram a fronteira, mataram três soldados israelenses e seqüestraram dois. Desde que se retirou do sul do Líbano, há seis anos, o Exército israelense reagia com moderação às provocações do Hezbollah.

A ESTRATÉGIA MILITAR DE ISRAEL É DUVIDOSA

O primeiro-ministro Ehud Olmert persegue dois objetivos principais no Líbano. O primeiro é usar o poderio aéreo para causar o maior estrago possível na estrutura militar, nas vias de transporte e de comunicação do Hezbollah antes de arriscar a vida de soldados israelenses em combates de infantaria. O segundo objetivo é demonstrar de forma enfática o poder de fogo israelense, de forma a persuadir o inimigo de que não vale a pena insistir em futuras agressões.

Ambas as metas esbarram no mesmo problema: a dificuldade de derrotar uma força guerrilheira que conhece bem o campo de batalha e tem o apoio da população.

O HEZBOLLAH, O HAMAS E A AL QAEDA REZAM PELA MESMA CARTILHA

O Hezbollah, o Hamas e a Al Qaeda compartilham a abominável estratégia do homem-bomba. Em princípio, esses movimentos radicais islâmicos querem a destruição do Estado de Israel e a construção de Estados teocráticos. Aí começam as diferenças. A Al Qaeda é um movimento global, sem vínculos territoriais ou nacionais. Seu objetivo é um califado mundial e a destruição de seu pior inimigo, a vertente xiita do Islã. O Hezbollah representa a comunidade xiita do Líbano, tem um braço político, com participação no governo libanês, e outro social. O Hamas ganhou as últimas eleições palestinas. Apesar da atual aliança tática e do inimigo em comum, a tensão entre o Hamas e o Hezbollah é grande e reflete o profundo racha dentro do mundo muçulmano. O Hezbollah é uma criação dos aiatolás do Irã. O Hamas foi financiado pelos xeques sunitas da Arábia Saudita, cujo maior inimigo são exatamente os xiitas iranianos.

RETIRADAS UNILATERAIS FORAM UMA BOA IDÉIA, MAS NÃO DERAM CERTO

Israel deixou a faixa de segurança que ocupava no sul do Líbano em 2000. No ano passado saiu da Faixa de Gaza, depois de 38 anos de ocupação. O governo israelense promoveu todos esses recuos de forma unilateral.

Resultado: o Hezbollah, que passou dezoito anos combatendo a presença de tropas israelenses no território libanês, saiu do episódio com pose de vencedor.

Desde então Israel assistiu impotente à corrida do Hezbollah para construir bunkers, abrigos e armar-se com a ajuda do Irã. Na Faixa de Gaza, sem os israelenses para combater, seis ou sete grupos armados passaram a lutar uns com os outros, levando o caos à região. Hoje se vêem confirmadas as previsões pessimistas dos críticos tanto da direita quanto da esquerda israelense.

ACORDO NO LÍBANO É POSSÍVEL, MESMO SEM SOLUÇÃO PARA A ENCRENCA PALESTINA

Oficialmente, Israel e Líbano estão em estado de guerra desde 1948. Ambos assinaram o armistício de 1949, que estabeleceu as fronteiras entre os dois países.

Com uma grande minoria cristã e forte influência ocidental, o Líbano pode ser considerado o menos hostil e o mais fraco vizinho árabe de Israel. Na verdade, as invasões e os ataques israelenses nunca foram exatamente contra o Estado libanês, mas contra o Estado dentro do Estado criado pelos palestinos, em 1982, e agora contra o Estado dentro do Estado criado pelo Hezbollah. O governo libanês sempre repete que será o último país árabe a assinar a paz com Israel, para não ser acusado de traidor pelos demais. Por sua vez, o Hezbollah condiciona a convivência pacífica com os israelenses à solução do problema palestino.

Objetivamente, Israel e Líbano podem chegar a um compromisso em torno de assuntos concretos sem um tratado formal de paz.

A GUERRA NO LÍBANO REFLETE A DIVISÃO NO MUNDO MUÇULMANO

Qualquer solução para afastar o perigo do Hezbollah provavelmente teria o apoio de três influentes países de maioria sunita: o Egito, a Arábia Saudita e a Jordânia. Os governos desses três países apressaram-se, logo de início, a criticar o ataque do grupo xiita libanês que deu início à guerra. O governo do Irã, de maioria xiita, tem se empenhado em aumentar seu poder regional influenciando grupos da mesma facção islâmica, como o Hezbollah, no Líbano, e os políticos xiitas que atualmente dominam o governo iraquiano.

O EQUILÍBRIO CONFESSIONAL NO LÍBANO ESTÁ AMEAÇADO

O equilíbrio entre dezessete confissões religiosas era a grande façanha daquele país até meses atrás. Agora, há dúvidas se o delicado equilíbrio pode sobreviver à guerra provocada pelo Hezbollah. No Líbano, há cinco subdivisões entre os muçulmanos, e doze entre os cristãos. Um em cada dez habitantes é refugiado palestino. Na guerra civil, que castigou o país de 1975 a 1990 e causou a morte de 150.000 pessoas, as rixas entre os grupos sectários foram alimentadas por interesses externos. A Síria, os palestinos e Israel tomaram partido e acabaram por participar diretamente do conflito. O acordo de paz que pôs fim à guerra foi sacramentado por um líder carismático, o primeiro-ministro Rafik Hariri, assassinado no início de 2005. Muçulmano sunita, Hariri assumiu a chefia do governo em 1992. Sob o seu comando, Beirute voltou a atrair turistas e investimentos estrangeiros.

Sobrou uma encrenca sem solução: todas as milícias foram desarmadas, exceto o Hezbollah.

TROPAS DE PAZ NUNCA DERAM CERTO NO ORIENTE MÉDIO

A proposta de cessar-fogo que os Estados Unidos e outros países devem apresentar, nesta semana, ao Conselho de Segurança das Nações Unidas prevê o envio de tropas internacionais para o sul do Líbano. A missão dessas forças seria ajudar o governo libanês a desarmar o Hezbollah e garantir a chegada de ajuda humanitária. A solução é atraente mas de difícil execução. Se a guerra parar agora, a guerrilha xiita conserva boa parte de sua força militar e de seu prestígio popular e político. Em outras palavras, só entregará as armas se quiser.

SÓ A VITÓRIA INCONTESTE INTERESSA A ISRAEL

Israel embarcou nesta guerra para impor sua autoridade no sul do Líbano.

Seu objetivo é claro: destruir a capacidade ofensiva do Hezbollah de tal maneira que o grupo leve anos para se recuperar e, de preferência, nunca o faça. Que alternativa poderia ser considerada uma vitória para Israel? Talvez um acordo de cessar-fogo para desarmar o Hezbollah aos poucos e restituir ao Estado libanês o controle de todo o seu território. Isso dificilmente poderia ser feito sem a supervisão de uma força internacional e sem a concordância tácita da Síria.

SE O HEZBOLLAH VENCER A GUERRA, O ORIENTE MÉDIO MUDA PARA PIOR

Quanto mais a guerra se estende e o número de baixas israelenses aumenta, mais o Hezbollah ganha crédito como a única força árabe a derrotar os israelenses. Se isso acontecer, será um desastre para o Oriente Médio. Os terroristas do Hamas e da Jihad Islâmica interpretariam o sucesso do Hezbollah como se fosse deles próprios. Isso estimularia novos atentados palestinos e o crescimento do extremismo islâmico na Jordânia, no Egito e na Arábia Saudita, países aliados dos Estados Unidos. O governo de Israel fez uma aposta pesada ao mergulhar tão fundo na guerra contra o Hezbollah. Se fracassar, o mundo todo terá o que lamentar.

Fonte: www.libanoshow.com /www.miniweb.com.br

Guerra do Líbano

Guerra do Líbano 1982-1985

O Estado de Israel sempre tentou ter uma fronteira norte pacífica, mas a posição do Líbano como refúgio de terroristas tornava isto impossível. Em março de 1978, terroristas da OLP (Organização para Libertação da Palestina) invadiram Israel, mataram um turista americano e logo depois seqüestraram um ônibus civil. Quando o exército de Israel interceptou o ônibus, os terroristas abriram fogo. No total, morreram 34 reféns.

Em resposta a este ataque terrorista o exército israelense invadiu o Líbano e atacou bases terroristas no sul do país, empurrando-as para longe da fronteira.

Depois de dois meses as tropas israelenses se retiraram, dando lugar às forças de paz da ONU, que se mostraram incapazes de conter o terrorismo.

A violência aumentava devido a ataques terroristas da OLP e represálias israelenses, chegando a um ponto em que uma intervenção externa foi necessária e os Estados Unidos mediaram um cessar-fogo entre a OLP e Israel. Cessar-fogo que foi desrespeitado inúmeras vezes pelos terroristas da OLP durante 11 meses.

Neste meio tempo, 29 israelenses morreram e mais de 300 ficaram feridos, em 270 ataques terroristas.

Enquanto isso uma força do OLP contendo de quinze mil a dezoito mil homens estava acampada no Líbano, dos quais de cinco a seis mil eram mercenários estrangeiros vindos da Líbia, Síria, Sri Lanka, Chade e Moçambique. O Arsenal da OLP, suficiente para equipar cinco brigadas, era composto de, além de muitas armas leves e uma quantidade menor de armas médias e pesadas, morteiros, foguetes, centenas de tanques, uma extensa rede antiaérea e mísseis terra-ar (providos pela Síria).

Ataques do exército de Israel não conseguiram conter o crescimento do exército da OLP até que a situação na Galiléia (região norte de Israel, próxima ao Golan) tornou-se intolerável: milhares de pessoas foram forçadas a fugir de seus lares ou passar muito tempo em abrigos anti-bomba devido aos ataques terroristas.

A gota d’água foi a tentativa de assassinato do embaixador de Israel na Grã Bretanha, Shlomo Argov, levada a cabo por um grupo de terroristas palestinos. Em represália, as Forças de Defesa de Israel invadiram o Líbano em 4 de junho de 1982. Em resposta, a OLP reagiu com artilharia massiva e ataques com morteiros direcionados à população israelense na Galiléia.

Em 6 de junho Israel lançou a operação “Paz para a Galiléia”, cujo sucesso inicial levou os oficiais israelenses a, ao invés de expulsar a OLP da região, tentaram induzir os líderes do Líbano a assinar um tratado de paz. Em 1983, Amin Gemayel assinou um tratado de paz com Israel.

Um ano depois, no entanto, a Síria forçou Gemayel a abandonar o acordo de paz. A guerra terminou logo após, quando o exército israelense invadiu Beirute, capital libanesa, e cercou Yasser Arafat e sua guerrilha.

A Tirania da OLP no Líbano

Para os residentes árabes no sul do Líbano, controlado pela OLP, a vida era terrível. Depois de ser expulsa da Jordânia pelo rei Hussein em 1970, muitos militantes foram para o Líbano onde cometerem atrocidades com a população e usurparam a autoridade do governo libanês.

Em 14 de outubro de 1976, um embaixador libanês, Edward Ghorra, falou à ONU que a OLP estava arruinando seu país. Em suas palavras “elementos palestinos pertencentes a várias organizações seqüestravam libaneses e estrangeiros, aprisionado, interrogando e as vezes matando-os.”

Dois colunistas do Washington Post, reconhecidamente não favoráveis com Israel declararam que a OLP estava infestada de bandidos e aventureiros. Um correspondente do New York Times visitou a cidade de Damour e escreveu que a OLP havia transformado a aldeia cristã em uma base militar. Quando a aldeia foi libertada pelo exército israelense, os habitantes disseram ao correspondente que sentiam-se muito felizes por terem sido libertados.

A Retirada Relutante da OLP

Quando Israel capturou Beirute havia de seis a nove mil terroristas na cidade e para prevenir mortes de civis, Israel acordou um cessar-fogo para permitir que um diplomata americano negociasse uma retirada pacífica da OLP do Líbano. Como gesto de flexibilidade, Israel permitiu que os membros da OLP se retirassem com suas armas pessoais.

A OLP adotou uma estratégia de violações controladas do cessar fogo com dois objetivos: causar danos ao exército israelense e fazer com que o mesmo retaliasse e acidentalmente infligisse danos à população civil libanesa. Esta tática tinha por objetivo extrair uma vitória política, fazendo que Israel fosse condenado internacionalmente, já que a vitória militar não foi possível.

Esta estratégia deu certo pois a mídia passou a relatar ataques israelenses a áreas em que aparentemente não havia atividade militar, mas a inteligência israelense dizia existirem terroristas escondidos. Em uma noite uma rede de televisão americana reportou que Israel atacara sete embaixadas absolutamente pacíficas. Fotos divulgadas pela inteligência israelense mostravam que as embaixadas estavam infestadas de tanques, morteiros, metralhadoras pesadas e posições antiaéreas. Mais tarde, o exército do Líbano descobriu uma extensa rede subterrânea de apoio aos terroristas.

Pela primeira vez na história de Israel, não houve consenso em relação à guerra, alguns a consideravam certa e outros não, fato que gerou imensos debates em Israel. Menachem Begin demitiu-se devido ao clamor pelo fim dos combates e o governo de coalizão formado em 1984 decidiu retirar Israel da guerra, deixando para trás uma força simbólica de mil homens na fronteira entre o Líbano e Israel para auxiliar o exército libanês a conter o terrorismo.

Apesar da operação militar ter conseguido expulsar a OLP da fronteira, ela não encerrou o problema do terrorismo proveniente do Líbano. Além disso, nos combates, 1216 soldados israelenses morreram entre 5 de junho de 1982 e 31 de maio de 1985.

A violência continua

A violência, no entanto, continua. O grupo terrorista mais ativo é o Hezbolla, que é totalmente apoiado pela Síria. Existem outros como a Frente Popular para a Liberação da Palestina (FPLP), cuja ameaça ainda não foi extinta, entre outros. Em 1995, o exército de Israel, montou uma operação para conter bombardeios do Hezbolla na fronteira norte de Israel. A artilharia israelense errou o alvo e acertou uma base das Nações Unidas, matando em torno de 100 civis que lá trabalhavam. Após este incidente, um mecanismo de prevenção do uso de civis em operações terroristas foi criado, com representantes dos EUA, França, Síria e Líbano.

Em 24 de março de 2000 a força israelense presente no sul do Líbano, retirou-se após 22 anos de ocupação militar. Todos os postos avançados foram evacuados de acordo com a resolução 425 do Conselho de Segurança das Nações Unidas (1978).

A Falange Cristã libanesa foi responsável pelos massacres ocorridos nos campos de refugiados árabes de Sabra e Shatila, em 16 e 17 de setembro de 1982. As tropas israelenses permitiram que a milícia cristã entrasse nos campos para expulsar células terroristas que acreditava-se estarem lá. Estimava-se que haveria em torno de 200 homens armados nos bunkers da OLP construídos durante a ocupação.

Quando soldados israelenses ordenaram que a Falange Cristã deixasse os campos, eles encontraram muitos mortos de diversas nacionalidades árabes, incluindo crianças e mulheres (460 de acordo com a polícia libanesa e 700-800 de acordo com o exército israelense).

A matança foi realizada para vingar o assassinato do presidente libanês Bashir Gemayel e 25 seguidores seus, mortos num ataque a bomba, na mesma semana. Israel declarou-se indiretamente responsável pelas mortes por não ter previsto a possibilidade de violência por parte da Falange. O general Raful Eitan, Chefe de Staff do exército foi demitido e o ministro da defesa Ariel Sharon (futuro primeiro-ministro) demitiu-se.

Ironicamente, enquanto 300.000 israelenses protestaram contra o massacre, o mundo árabe calou-se. Fora do Oriente Médio, Israel foi culpada pelo massacre. A Falange, que cometeu os crimes, foi salva da maior parte das críticas. Esse massacre ocorreu devido à guerra civil que ocorria no Líbano de 1975 a 1982, que resultou em quase 100.000 mortes.

Não houve pronunciamentos quando, em Maio de 1985, integrantes de milícias muçulmanas atacaram os campos de refugiados palestinos de Shatila e Burj-el Barajneh. De acordo com a ONU, 635 morreram e 2500 ficaram feridos. Durante uma guerra de dois anos entre a milícia Xiita apoiada pela Síria, Amal, e a OLP, 2.000 pessoas morreram, dentre as quais muitos civis. Não houve críticas direcionadas a OLP ou aos sírios. Igualmente não houve reação do meio internacional quando forças Sírias atacaram áreas do Líbano sob controle cristão, em outubro de 1990, matando, na maior batalha da guerra civil libanesa, que durou 8 horas, 700 cristãos.

A Retirada Israelense

Israel retirou suas tropas do Sul do Líbano em 24 de maio de 2000, depois de uma ocupação militar de 22 anos. Todos os postos do exército de Israel foram evacuados. A retirada foi feita cumprindo uma definição da ONU.

Hoje em dia os libaneses brigam pela retirada do exército sírio de seu território em grandes manifestações populares, buscando a independência e a democracia. Isso mostra que há meios pacíficos mais legítimos do que a guerra, além de trazer a esperança de que o pensamento democrático esta chegando no oriente médio. Em 2005, o exército sírio se retirou do Líbano..

Fonte: chazit.com

Guerra do Líbano

O território do Líbano viveu uma guerra civil a partir de 1958, causada pela disputa de poder entre grupos religiosos do país: os cristãos maronitas, os sunitas (muçulmanos que acreditam que o chefe de Estado deve ser eleito pelos representantes do Islã, são mais flexíveis que os xiitas), drusos, xiitas e cristãos ortodoxos. O poder, no Líbano, era estratificado. Os cargos de chefia eram ocupados pelos cristãos maronitas, o primeiro ministro era sunita e os cargos inferiores ficavam com os drusos, xiitas e ortodoxos.

No entanto, os sucessivos conflitos na Palestina fizeram com que um grande número de palestinos se refugiassem no Líbano, descontrolando o modelo de poder adotado, já que os muçulmanos passaram a constituir a maioria no Líbano. Em 1958 explodiu uma guerra civil e os Estados Unidos intervieram na região, impedindo que o Estado libanês se desintegrasse.

A pedido da ONU, os Estados Unidos acabaram retirando suas tropas do país e uma nova solução foi apontada: o governo deveria ser composto pelos líderes dos vários grupos religiosos.

Como o número de palestinos refugiados não parava de crescer no Líbano, os guerrilheiros da OLP passaram a agir de forma independente no território libanês. De outro lado, os cristãos maronitas defendiam a expulsão dos palestinos da região.

A nova forma de governo proposta pela ONU não deu certo e, em 1975, começou uma guerra entre as diversas facções religiosas, detonada pelo atentado cristão que matou dezenas de palestinos e libaneses muçulmanos.

A Síria rompeu sua aliança com a OLP e resolveu intervir no conflito ao lado dos cristãos maronitas. A presença do exército sírio no país causou protestos árabes e resultou na intervenção direta dos Estados Unidos, França e União Soviética. Estes países forçaram o Encontro de Riad, em 1976, que obrigava a Síria a se reconciliar com a OLP e retirar suas tropas do Líbano.

No ano seguinte, entretanto, o assassinato do líder druso Kamal Jumblatt desencadeou uma nova onda de violência que culminou com a incursão israelita na região, que pretendia tirar a OLP do Líbano. Durante a ocupação israelense aconteceram os massacres de Sabra e Chatila.

Como o clima no Líbano continuava tenso, os Estados Unidos enviaram suas tropas para o país para defender Israel de seus inimigos. Foi com o apoio norte-americano que o cristão maronita Amin Gemayel chegou ao poder em 1982.

Revoltados com a presença das tropas norte-americanas na região, o quartel-general da Marinha americana foi atacado em outubro de 1983 e causou a morte de 241 fuzileiros. O atentado e a pressão internacional fizeram com que os Estados Unidos retirassem suas tropas do Líbano em fevereiro de 1984. As tropas israelenses também foram retiradas do Líbano, o que enfraqueceu os cristãos.

Os drusos se aproveitaram desta situação, dominaram a região do Chuf, a leste de Beirute, e expulsaram as comunidades maronitas entre 1984 e 1985. De outro lado, o sírio Hafez Assad e seus partidários libaneses detonaram uma onda de atentados a bairros cristãos e tentavam assassinar os auxiliares do presidente Amin Gemayel, que resistiu e permaneceu no poder até 1988.

Desde então, o Líbano está tentando reconstruir sua economia e suas cidades. O país é tutelado pela Síria.

Fonte: www.palestina1.com.br

Guerra do Líbano

Desde 1975 conflitos acontecem no Líbano: cristãos contra palestinos; palestinos contra muçulmanos; muçulmanos contra muçulmanos. Uma guerra interminável.

E uma guerra em que morreram não apenas libaneses.

A leste e ao sul do Líbano, sírios e israelenses jogam seu jogo mortal de “dividir para conquistar”. Reféns, bombardeios, massacres, carros-bomba, campos de concentração de refugiados. Desde 1975, o Líbano tem sido o campo de extermínio de inúmeros senhores da guerra. Entretanto, nem faz tanto tempo, esta região era um símbolo de tolerância e vida digna.

Em Israel, a poucos quilômetros do Líbano, os judeus veneram o Muro das Lamentações, os cristãos cultuam o lugar do sacrifício de Jesus, e os muçulmanos, a rocha de onde o cavalo de Maomé saltou, levando-o para o céu.

Mesmo assim, nestes anos, morreram no Líbano mais de cem mil pessoas. Trinta por cento da população foi evacuada e mais de trezentos mil libaneses escolheram viver no exílio a ter de conviver com a guerra.

Por que tanto ódio?? Por que tanta loucura??

1975. Antes do início da guerra, o Líbano era uma nação aberta e democrática. Beirute era a capital financeira e bancária de todo o Oriente Médio, uma próspera Suíça Oriental.

A situação do Líbano, contudo, é complexa. Dezessete diferentes comunidades convivem num exíguo território de três milhões de habitantes. Os cristãos e os muçulmanos dividem-se em muitos grupos. E há os refugiados palestinos.

Governos cristãos gozavam de muitas regalias, mas já não alcançavam a maioria. Os muçulmanos aspiram a um poder maior e a mais influência na economia libanesa. E se impacientam com a resistência que os cristãos oferecem às mudanças. Assim como há vários grupos e comunidades, o país divide-se em clãs poderosos, cada um com sua milícia armada.

Outras nações decidem intervir: a Síria tenta manter sua supremacia no Oriente Médio; o Irã também intervém através do Hezbollah; e Israel revida, agredindo os países árabes que oferecem proteção aos grupos que lutam pela libertação da Palestina.

Mais de trezentos mil palestinos vivem em campos de concentração de refugiados no Líbano, de onde emergiu um poderoso exército palestino.

A Organização de Libertação para a Palestina, liderada por Yassir Arafat, nasceu nesses campos de refugiados.

Cristãos contra cristãos; muçulmanos contra muçulmanos; palestinos contra palestinos. Os grupos se subdividem. Os inimigos trocam de lado.

O número de libaneses que atualmente vive fora do Líbano já é maior que o número que permaneceu no país. Esses libaneses estão longe, vivendo da esperança de que a paz volte a reinar e possam, afinal, voltar para casa.

Fonte: www.tvcultura.com.br

Guerra do Líbano

Líbano

O Líbano é um país da Ásia Ocidental, ex-colônia francesa, situado na região do “Oriente Médio”, na costa do mar Mediterrâneo, fazendo fronteiras com a Síria e Israel. Sua localização dita em sua história momentos de violência, peculiaridades antropológicas e atribuiu ao país uma identidade única em razão da diversidade étnica e religiosa. Estima-se que o país possua aproximadamente 4 milhões de habitantes e que sua área total seja de 10.400 km².

Teve sua independência declara em 1941, mas reconhecida em 1943; durante os períodos de 1975-1990 o país viveu sob guerra civil que atrapalhou com a economia do país que era impulsionada pelo turismo, a capital Beirute era conhecida com “Paris do Oriente Médio”. Contudo, no fim da guerra impulsionaram-se esforços para retomar a imagem e economia do país. Com o fim da guerra Beirute, a capital do país, desfrutou da estabilidade até que o grupo terrorista Hezbollah e o Estado de Israel travaram uma guerra de junho de 2006 até agosto do mesmo ano.

O Líbano está presente no conflito árabe-israelense desde a proclamação do Estado de Israel em 1948 quando o próprio Líbano, Egito, Síria, Iraque e Jordânia, iniciaram hostilidades contra Israel. Inicialmente, os árabes levaram vantagem frente aos enfrentamentos, porém Israel os derrotou devido àfalta de coordenação das tropas árabes, e também por causa do financiamento aos judeus pelos EUA e da Europa Ocidental.

Desta forma, desde 48 os enfrentamentos entre árabes, principalmente Egito, Jordânia e Síria, e israelenses foi constante e consequentemente o Líbano foi gravemente afetado, isso porque desde 1949 começou uma grande migração de palestinos para o sul do país, número crescente até os dias de hoje (2014) que representa 400 mil habitantes, sendo a rede de noticias BBC há no Líbano 1 refugiado palestino para cada 3 libaneses.

Devido a grande população palestina no sul do Estado libanês, a OLP–Organização para Libertação da Palestina –migrou-se para lá após serem expulsos da Jordânia, acusados de fomentar revoltas. Sendoassim, os enfrentamentos entre judeus, libaneses e palestinos passou a ser mais constante. O primeiro marco histórico desses enfrentamentos foi em 1978, quando o Líbano, em guerra civil, foi invadido por Israel que desejava frear a violência por parte dospalestinos, o que não ocorreu acarretando uma segunda invasão em 1982, desta vez eficaz, que consequentemente promoveu a expulsão da OLP no território libanês.Ainda que vitorioso, Israel não retirou suas tropas do Líbano, apenas movendo-as para uma zonamais próxima da fronteira.

Em 1985 o Hezbollah, movimento de resistência xiita libanês, iniciou uma luta armada contra as tropas de Israel para findar a ocupação do mesmo no território árabe. Ao fim da guerra civil, todas as outras facções presentes no Líbano concordaram em se desarmar, exceto o Hezbollah e o Exército; que estavam em enfrentamento entre si. A luta entre eles ocasionou em 2000, a retirada das tropas israelenses no país, que migraram para o lado da fronteira judia.

Durante os próximos seis anos (2000-2006) o Hezbollah passou a controlar a presença de israelenses no território libanês, a lutar pela liberdade de cidadãos libaneses em prisões israelenses, usando como permuta a captura de soldados israelenses, sem parar com os ataques transfronteiriços.

Em 2006 as hostilidades de acirraram, e a chamada Segunda Guerra do Líbano, ou Sexta Guerra Israelo-Árabe iniciou, quando em 12 de julho, dois jipes israelenses que rondavam a fronteira do país foram atacados pelo Hezbollah. Tal ataque proporcionou a morte de 3 soldados, 2 sequestrados e 2 que ficaram gravemente feridos, e consequentemente o estopim da guerra.

Os ataques do Hezbollah foram respondidos com a maior ação militar israelense em território árabe, contando com fogos de artilharia, ataques aéreos e bombardeio naval sobre mais de 40 locais distintos no sul do Líbano. Houve destruição em massa do território libanês, mais de 1.200 libaneses morreram, 900 mil desabrigados e 157 guerreiros israelenses.

A ONU só envolveu-se no conflito um mês após o inicio da guerra. O Conselho de Segurança então aprovou a resolução 1701, que determinava, além de outros pontos, a cessão das hostilidades, a retirada das tropas israelenses do território libanês, o desarmamento do Hezbollah e o reforço das forças armadas libanesas por uma armada internacional, a UNIFIL, a fim de proteger a fronteira do Líbano com Israel. A resolução foi acatada pelas partes, e o cessar-fogo ocorreu em agosto do mesmo ano. No entanto, o Hezbollah ainda não foi desarmado, e o Líbano não reconhece a existência de Israel.

Fonte: minionu15anoscponu.files.wordpress.com

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