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Independência dos Estados Unidos

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Independência dos Estados Unidos – História

O atual Estado Unidos no século XVIII era uma colônia da Inglaterra, na verdade ele era chamado de Nova Inglaterra e estava dividido em Treze Colônias sendo que as nove colônias do norte eram colônias de povoamento. Foram protestantes e alguns judeus de origem holandesa, que por liberdade religiosa foram viver nestas terras que possuía o clima temperado igual ao da Europa, fator que facilitou a adaptação. Viviam em pequenas propriedades que visava a subsistência, seus proprietários não estavam preocupados com a Europa ou a de fazer escravos, tinham pequenas manufaturas de tecidos e o trabalho era livre.

Já as 4 colônias do sul eram do sistema de exploração, a economia estava baseada no sistema de plantation que é o latifúndio, mão-de-obra escrava, monocultura (de algodão), voltada para o mercado externo.

Mas tanto nas colônias do norte quanto nas do sul, a Inglaterra sempre deu muita liberdade aos colonos, os ingleses mantinham em cada colônia um governador e soldados, mas interferia pouco na vida dos colonos.

Mas conforme as Treze Colônias foram prosperando a Inglaterra passou a ser um problema para eles.

O problema vai aumentar com a Guerra dos Sete Anos (1756-1763), onde a Inglaterra e a França entraram em guerra pela disputa do Canadá e dos Estados Unidos, os franceses se aliaram aos índios e os ingleses precisaram armar e treinar os colonos para poder enfrentar os inimigos. E por fim a Inglaterra saiu vitoriosa.

Mas o rei George III da Inglaterra e o Parlamento resolveram pagar os gastos da guerra impondo medidas mercantilistas as Treze Colônias, e foram as principais: A lei do Selo, em que tudo o que fosse impresso nas colônias deveria ser colocado um selo (imposto), foram proibidos de trabalhar o ferro visto que a Inglaterra já havia feito a revolução industrial, mas foi em 1767 que a lei do chá levou os colonos disfarçados de índios em dezembro de 1773 a invadir no porto de Boston um navio inglês carregado de chá e depois de render os vigias, os colonos jogaram no mar toda a carga no mar, tal episódio ficou conhecido como a “Festa do chá de Boston” (Boston tea party).

Inglaterra fechou o porto de Boston e só o reabriria se o prejuízo fosse pago pelos colonos e também editou a lei do Aboletamento onde os colonos deveriam dar moradia, alimentos e pagar os salários dos soldados ingleses na América e devolver as armas dadas a eles durante a Guerra dos Sete Anos, estas leis ficaram conhecidas como Leis Intoleráveis.

Alguns fazendeiros e pessoas de prestígio como George Washington (1732-1799), Thomas Jefferson (1743-1826), Benjamin Franklin (1706-1790) e outros se reuniam em Lojas da Maçonaria (local onde os maçons se reúnem) e discutiram que não aceitariam tais imposições da Metrópole e em 1774 ocorreu o Primeiro Congresso da Filadélfia onde mostraram que não iam acatar as leis inglesas e ainda fizeram mais exigências.

A resposta da Inglaterra foi a de aumentar a pressão sobre os norte-americanos o que levou em 1776 ao Segundo Congresso da Filadélfia onde sob o comando de Thomas Jefferson foi escrita a Declaração de Independência dos Estados Unidos.

Iniciou-se a guerra, os colonos estavam sob o comando de George Washington e este recebeu ajuda da França, secular inimiga da Inglaterra e depois a Espanha enviou tropas e depois a Holanda, pois todos queriam enfraquecer a Inglaterra. Por fim a Inglaterra foi derrotada e em 1783 ela reconheceu a independência das Treze Colônias que passavam a se chamar Estados Unidos da América.

A importância desta Revolução Americana, é que pela primeira vez as idéias iluministas como as de John Locke, Rousseau, Montesquieu e Voltaire, foram colocadas em prática, a própria Constituição dos EUA menciona trechos do pensamento destes ilustradores (iluministas), nascia a primeira República moderna da História e serviu de estímulo a outros países americanos a lutarem por sua independência, como foi o caso de Tiradentes e a inconfidência mineira no Brasil.

E no século XIX os EUA expandiram seu território ora comprando como no caso da Louisiana da França, o Alasca da Rússia ou tomando por guerra do México que perdeu o Texas e depois foi obrigado a vender o Novo México e a Califórnia.

Era o chamado Destino Manifesto em que era da vontade de Deus e do povo norte-americano que os EUA fossem uma grande nação. Mas entre 1861e 1865 os estados do norte chamados de Yankees que eram industrializados e de trabalho livre vão ter que entrar em guerra com os estados do sul chamados de Confederados que eram escravocratas e agrícolas.

Pois estes em razão do fim da escravidão decretada por Abraham Lincoln (1809-1865), quiseram se separar do norte industrializado, foi a Guerra Civil Americana ou Guerra da Secessão (1861-1865) em que morreram mais de 600 mil norte-americanos (a maior perda da História dos EUA). O norte venceu e a escravidão acabou em todo país, embora o racismo nos estados do sul como a Virginia, Carolina do Norte, Carolina do Sul, Geórgia e o Texas, continua até os nossos dias. Na década de 60 (século XX) o líder pacifista negro Dr. Martin Luther King (1929-1968) por lutar pelos direitos dos negros foi assassinado, assim como o próprio presidente Abrahan Lincoln em 1865 que foi assassinado dentro de um teatro por um grupo de racistas do sul.

Mas mesmo com seus problemas raciais os Estados Unidos fez uma Constituição que dura até hoje e é um exemplo de democracia moderna para o mundo, embora com uma mentalidade imperialista sobre o resto do mundo.

Independência dos Estados Unidos – Congresso

Segundo Congresso Continental representa o povo da nova nação chamada Estados Unidos da América. Esta declaração informa a todas as pessoas do mundo que as 13 colônias unidas estão livres do domínio britânico e de quaisquer conexões políticas com a Grã-Bretanha.

A declaração também serve para apelar às pessoas do mundo para compreender as razões pelas quais esta separação é justificável.

Os estados independentes reivindicam o poder de declarar guerra, fazer a paz, fazer alianças com nações estrangeiras, conduzir o comércio e fazer qualquer outra coisa que os estados independentes tenham o direito de fazer.

Os novos estados independentes acreditam que Deus os protegerá em sua aventura de estabelecer um governo justo. Os cidadãos de cada colônia juraram lealdade e vidas à causa da nação recém-independente.

Declaração de Independência

Declaração de Independência foi a primeira declaração formal do povo de uma nação afirmando seu direito de escolher seu próprio governo.

Quando o conflito armado entre bandos de colonos americanos e soldados britânicos começou em abril de 1775, os americanos estavam lutando ostensivamente apenas por seus direitos como súditos da coroa britânica. No verão seguinte, com a Guerra Revolucionária em pleno andamento, o movimento pela independência da Grã-Bretanha havia crescido e os delegados do Congresso Continental enfrentaram uma votação sobre o assunto. Em meados de junho de 1776, um comitê de cinco homens, incluindo Thomas Jefferson, John Adams e Benjamin Franklin, foi encarregado de redigir uma declaração formal das intenções das colônias. O Congresso adotou formalmente a Declaração da Independência – escrita em grande parte por Jefferson – na Filadélfia em 4 de julho, data agora celebrada como o nascimento da independência americana.

Independência dos Estados Unidos – Colônias

Independência dos Estados Unidos destrói a unidade do sistema colonial, colaborando decisivamente para a derrocada do Antigo Regime.

As 13 colônias, estabelecidas a partir do século XVII no território norte-americano, contam, nas últimas décadas do século XVIII, com mais de 2 milhões de colonizadores.

No centro a Pensilvânia, Nova York, Nova Jersey e Delaware e no norte Massachusetts, New Hampshire, Rhode Island e Connecticut europeus exilados por motivos políticos ou religiosos vivem em pequenas e médias propriedades.

Embora a Inglaterra proíba o estabelecimento de manufaturas nas colônias, a incipiente indústria do centro-norte não é incomodada pelas autoridades, pois não compete com o comércio da metrópole.

No sul da Virgínia, Maryland, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Geórgia predomina a grande propriedade rural, ocupada pela monocultura dirigida à exportação e tocada pela mão-de-obra escrava, com pouco espaço para o trabalho livre.

Os nortistas, no entanto, atravessam as fronteiras e concorrem com o comércio metropolitano, levando a Inglaterra a endurecer a política com as colônias.

Influência da Guerra dos Sete Anos

Travada de 1756 a 1763 entre a Inglaterra e a França e vencida pelos ingleses, transfere para a Coroa britânica a maioria das possessões francesas, incluindo as terras situadas na América, a oeste das 13 colônias.

Como os colonos norte-americanos não haviam contribuído para o esforço militar inglês, o Parlamento decide cobrar deles os custos da guerra, aumentando as taxas e reforçando os direitos da Coroa no continente.

Novos impostos ingleses

São cobrados para cobrir as despesas com uma força militar de 10 mil homens deslocada para a América pelos ingleses. O Parlamento aprova, em 1764, a Lei do Açúcar (Sugar Act) e, em 1765, a Lei do Selo (Stamp Act).

Lei do Açúcar: Proíbe a importação de rum estrangeiro e taxa a importação de carregamentos de açúcar procedentes de qualquer lugar que não das Antilhas britânicas.
Lei do Selo: 
Institui a cobrança de impostos sobre documentos, impondo selagem até a baralhos e dados. As leis do Açúcar e do Selo são revogadas por pressões dos colonos e dos comerciantes ingleses, boicotados pelos norte-americanos.
Lei dos Alojamentos:
 É aprovada em 1765 e exige dos colonos norte-americanos o pagamento pelos alojamentos e alimentação das tropas inglesas.

Lei do Chá (Tea Act): É o estopim da crise entre a colônia e a metrópole, pois dá o monopólio do comércio do chá à Companhia das Índias Orientais, depositária dos interesses de diversos políticos ingleses. Com a nova legislação, a Companhia transporta o chá diretamente das Índias para a América, prejudicando os intermediários residentes na colônia.

Festa do chá em Boston: Nome pelo qual é conhecida a destruição, em 1773, de três centenas de caixas de chá retiradas dos navios ingleses, no porto de Boston, por comerciantes disfarçados de índios.

Leis Intoleráveis

O nome designa as leis promulgadas pelo Parlamento, em 1774, em represália à revolta da Festa do chá, com o objetivo de conter o clima de insubordinação.

O porto de Boston é interditado até o pagamento dos prejuízos e são tomadas outras medidas severas, como o julgamento e a punição de todos os colonos envolvidos em distúrbios contra a Coroa.

As Leis Intoleráveis provocam a convocação do Primeiro Congresso Continental de Filadélfia (1774), não-separatista, cujos participantes pedem ao rei e ao Parlamento a revogação da legislação autoritária como forma de concretizar a igualdade de direitos dos colonos.

Batalha de Lexington

Acontece em 1775, quando um destacamento inglês tenta destruir um depósito de armas controlado pelos rebeldes e encontra feroz resistência por parte de tropas coloniais semi-improvisadas.

É considerado o marco inicial da guerra pela independência. Os colonos se organizam militarmente e são declarados rebeldes pelo trono inglês. A revolta contra a Inglaterra se instala de forma declarada.

Guerra da Independência

Começa em 1775, com a tomada de Boston pelos norte-americanos, e se estende até 1781, com a derrota da Coroa. Em 1776, a Virgínia declara-se independente. O Segundo Congresso da Filadélfia, reunido desde 1775, nomeia George Washington, da Virgínia, comandante das tropas norte-americanas e conclama os cidadãos às armas.

A guerra de independência

Ainda em 1775, o II Congresso da Filadélfia conclama os cidadãos às armas e nomeia George Washington comandante das tropas norte-americanas. Uma comissão de cinco membros, liderada por Thomas Jefferson (1743-1826), redige a Declaração de Independência, promulgada em 4 de julho de 1776 por delegados de todos os territórios. Inspirada nos ideais do iluminismo, defende a liberdade individual e o respeito aos direitos fundamentais do ser humano. A luta contra os soldados ingleses é dificultada pelo grande número de colonos ainda fiéis à metrópole.

A ajuda decisiva para a consolidação da independência vem da França. Motivados pelos ideais libertários norte-americanos e querendo revidar a derrota sofrida para os ingleses, os franceses dão dinheiro aos rebeldes e aliciam os espanhóis na campanha. Em 1781, o Exército inglês rende-se em Yorktown, depois de sitiado por tropas rebeldes.

O Tratado de Versalhes, em 1783, reconhece a independência dos Estados Unidos da América e recompensa seus aliados: a França recupera Santa Lúcia, Tobago e suas possessões no Senegal; a Espanha anexa a ilha de Minorca e a região da Flórida.

Declaração de Independência

A luta pela independência dos EUA

É redigida por uma comissão de cinco membros liderados por Thomas Jefferson.

O documento, com mudanças introduzidas por Benjamin Franklin e Samuel Adams, é promulgado em 4 de julho de 1776, na Filadélfia, por delegados de todos os territórios.

Declaração de Independência dos Estados Unidos é inspirada nos ideais do Iluminismo e defende a liberdade individual e o respeito aos direitos fundamentais do ser humano.

George Washington (1732-1799), filho de um grande proprietário de terras da Virgínia, torna-se agrimensor. É encarregado de levar um ultimato aos franceses que haviam invadido terras do Ohio.

Não é atendido e recebe o posto de tenente-coronel, participando da luta contra os franceses, derrotados em 1758.

Eleito para o Parlamento da Virgínia (1759-1774), ataca a política colonial inglesa.

Com o início da guerra da Independência, em 1775, é nomeado comandante-em-chefe, cargo que ocupa até a vitória final dos norte-americanos. É convocado para presidir a convenção federal da Filadélfia, quando coloca a Constituição de 1787 em votação. Em 1789 é eleito, por unanimidade, o primeiro presidente dos Estados Unidos.

No final de 1792, é reeleito por unanimidade e, terminado o mandato, recusa-se a concorrer novamente, estabelecendo uma norma eleitoral nos Estados Unidos.

George Washington

Ajuda francesa

A participação de tropas francesas é decisiva na consolidação das lutas pela independência dos EUA. A intervenção acontece graças à afinidade com os norte-americanos em relação aos ideais libertários do Iluminismo.

É também um revide à derrota sofrida na Guerra dos Sete Anos.

Os franceses fornecem o capital necessário para sustentar o movimento e aliciam os espanhóis contra os ingleses. A participação da Marinha francesa é fundamental na ampliação da guerra, levada ao Caribe e às Índias.

Finalmente, em 1781, o Exército inglês se rende em Yorktown, depois de sitiado pelas tropas rebeldes.

Tratado de Versalhes

Reunido em 1783, reconhece a independência dos Estados Unidos da América.

Os aliados dos norte-americanos são recompensados: a França recupera Santa Lúcia e Tobago, nas Antilhas, e suas possessões no Senegal; a Espanha ganha a ilha de Minorca e a região da Flórida.

Primeira Constituição dos EUA

Proclamada em 1787, representa um compromisso entre a tendência republicana, liderada por Jefferson e responsável pela grande autonomia dos Estados membros da federação, e a tendência federalista, defensora de um poder central forte. No geral, os princípios constitucionais de 1787 continuam em vigor, como a adoção da república federativa presidencialista como forma de governo; a separação dos poderes em Executivo (administração), Legislativo (elaboração das leis) e Judiciário (aplicação da justiça); e o estabelecimento de direitos civis e políticos, como as liberdades de expressão, de imprensa, de crença religiosa e de reunião, a inviolabilidade do domicílio e da correspondência e o direito a julgamento.

A Constituição

A Constituição dos EUA é promulgada em 1788 e representa um compromisso entre a tendência republicana, defensora da autonomia política para os estados, e a federalista, que defende um poder central forte.

Adota a República federativa presidencialista como forma de governo, a separação dos poderes em Executivo, Legislativo e Judiciário e o estabelecimento de direitos civis e políticos, como a liberdade de expressão, de imprensa e de crença religiosa.

Independência dos Estados Unidos – Resumo

A Independência dos Estados Unidos é considerada a primeira revolução americana (a segunda foi a Guerra de Secessão, também nos Estados Unidos).

Ela foi um marco na crise do Antigo Regime porque rompeu a unidade do sistema colonial.

As treze colônias americanas se formaram a partir do século XVII.

Nos fins do século XVIII, havia 680 000 habitantes no norte, ou Nova Inglaterra: Massachusetts, Nova Hampshire, Rhode Island e Connecticut; 530 000 no centro: Pensilvânia, Nova York, Nova Jersey e Delaware; e 980 000 no sul: Virgínia, Maryland, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Geórgia. Ao todo, mais de 2 milhões de colonizadores.

Desenvolvimento desigual

No centro-norte, predominavam a pequena e média propriedades, tocadas por europeus exila­dos por motivos políticos ou religiosos. Havia também o trabalho de servos temporários, que trabalhavam de quatro a sete anos para pagar o transporte para a América, financiado pelos proprietários carentes de mão-de-obra.

Seus produtos eram semelhantes aos europeus; apenas madeira, produtos de pesca e petrechos navais atraíam o interesse do importador inglês. Isto desestimulou o comércio da Inglaterra com a região, pois, não havendo carga de torna-viagem, o frete ficava caro. Assim, apesar da proibição de manufaturas nas colônias, os ingleses permitiram aos colonos do centro-norte uma quase autonomia industrial.

Manufaturas e policultura trouxeram desenvolvimento econômico e o excedente logo buscou os mercados do sul, dependente da metrópole, para onde exportava tabaco, anil e algodão e de onde importava manufaturados e demais produtos. Com esse tipo de economia, no sul prevalecia a grande propriedade escravista, com reduzido trabalho livre e monocultura voltada à exportação.

Já os nortistas ultrapassaram as fronteiras coloniais. Organizaram triângulos comerciais. O mais conhecido começava com o comércio de peixe, madeira, gado e produtos alimentícios com as Antilhas, onde compravam melaço, rum e açúcar. Em Nova York e Pensilvânia, transformavam o melaço em mais rum, que trocavam por escravos na África. Os escravos iam para as Antilhas ou colônias do sul.

Outro triângulo começava na Filadélfia, Nova York ou Newport, com carregamentos que trocavam na Jamaica por melaço e açúcar; levavam estes produtos para a Inglaterra e trocavam por tecidos e ferragens, trazidos para o ponto inicial do triângulo. Também foi muito ativo o triângulo iniciado com o transporte de peixe, cereais e madeira para Espanha e Portugal, de onde levavam para a Inglaterra sal, frutas e vinho, trocados por manufaturados que traziam de volta à América.

As leis inglesas de navegação não impediam o desenvolvimento da colônia porque não eram aplicadas. Mas quando o comércio colonial começou a concorrer com o comércio metropolitano, surgiram atritos que culminaram com a emancipação das treze colônias.

Mudança na política: os atos intoleráveis

O crescimento do comércio colonial fez a Inglaterra mudar de política.

Um dado conjuntural contribuiu para a mudança: a Guerra dos Sete Anos (1756-1763), entre Inglaterra e França. Vencedora, a Inglaterra se apossou de grande parte do Império Colonial Francês, especialmente terras a oeste das treze colônias americanas. O Parlamento inglês decidiu que os colonos deviam pagar parte dos custos da guerra. O objetivo era aumentar as taxas e os direitos da Coroa na América.

Os ingleses também eram movidos pelo comportamento dos colonos, que não haviam colaborado com material e homens; ao contrário, aproveitaram a guerra para lucrar, comerciando com os franceses no Canadá e nas Antilhas.

A política repressiva dos ingleses, aliada a fatores culturais, como a influência do iluminismo, teve papel importante no processo revolucionário americano. George Grenville, primeiro-ministro inglês, decidiu colocar na colônia uma força militar de 10000 homens, acarretando uma despesa de 350000 libras.

O Parlamento inglês aprovou duas leis para arrecadar um terço da quantia: a Lei do Açúcar (Sugar Act) e a Lei do Selo (Stamp Act).

O Sugar Act (1764) prejudicava os americanos, pois taxava produtos que não viessem das Antilhas Britânicas e acrescentava vários produtos à lista dos artigos enumerados, que só poderiam ser exportados para a Inglaterra. O Stamp Act (1765) exigia a selagem até de baralhos e dados. Os colonos protestaram, argumentando que se tratava de imposto interno, e não externo como de costume, e que não tinham representação no Parlamento que havia votado a lei.

Reuniu-se então em Nova York, em 1765, o Congresso da Lei do Selo, que, declarando-se fiel à Coroa, decidiu boicotar o comércio inglês.

Os comerciantes ingleses pressionaram o Parlamento e a Lei do Selo foi revogada.

Os colonos continuaram contestando o direito legislativo do Parlamento inglês. Recusaram­se a cumprir a Lei de Aquartelamento (1765), que exigia dos colonos alojamento víveres e transporte para as tropas enviadas à colônia.

Ao substituir Grenville, o primeiro-ministro Charles Townshend baixou em 1767 atos baseados num princípio: se os colonos não queriam pagar impostos internos, pagassem então os externos, isto é, impostos sobre produtos importados, como chá, vidro, papel, zarcão, corantes. Era impossível burlar a lei, diante da criação da Junta Alfandegária Americana, que ainda executaria os odiados Mandados de Busca.

O boicote funcionou novamente e o comércio inglês se reduziu a um terço do normal. Mais uma vez os importadores agiram e, em 1770, foram abolidos os Atos Townshend, exceto o imposto sobre o chá.

A crise explodiu em 1773 com a Lei do Chá (Tea Act), que dava o monopólio desse comércio à Companhia das Índias Orientais, onde vários políticos ingleses tinham interesses.

A Companhia transportaria o chá diretamente das Índias para a América.

Os intermediários tiveram grande prejuízo e ficou aberto um precedente perigoso: quem garantia que o mesmo não seria feito com outros produtos?

A reação não demorou. No porto de Boston, comerciantes disfarçados de índios mohawks destruíram trezentas caixas de chá tiradas dos barcos, no episódio conhecido como A Festa do Chá de Boston (The Boston Tea Party).

Se o Parlamento cedesse, jamais recuperaria o controle da situação. Agiu energicamente.

Votou as Leis Intoleráveis em 1774: o porto de Boston estava interditado até o pagamento dos prejuízos; funcionários ingleses que praticassem crimes durante as investigações seriam julgados em outra colônia ou na Inglaterra; o governador de Massachusetts teria poderes excepcionais; tropas inglesas ficariam aquarteladas em Boston.

Até aqui está evidente a oposição dos grupos mercantis da colônia aos ingleses, bem como as causas.

Mas por que os agricultores ficaram ao lado dos comerciantes contra a metrópole?

Até 1763, o governo inglês havia estimulado a ocupação das terras rumo ao oeste, como forma de combater as pretensões francesas e espanholas.

Desaparecidas as ameaças, seria preferível conter a população no litoral, para facilitar o controle político-fiscal. Além disso, os ingleses controlavam o comércio de peles com os índios e não desejavam a intromissão dos colonos. Por fim, agora que as terras estavam valorizadas, a Coroa podia passar a vendê-las.

Tais motivos explicam a Proclamação Régia de 176, que demarcava as terras além dos Aleghanis como reserva indígena. Em 1764, a Coroa completou a política de contenção do pioneirismo com o Ato de Quebec, pelo qual o governador de Quebec passaria a controlar grande parte das terras do centro-oeste.

Os pioneiros iam vendendo suas terras e avançando sobre terras virgens. As novas leis decretavam sua falência. O grande proprietário sulista, também sempre endividado com o comerciante importador e exportador da Inglaterra, sofreria igual destino, pois só se salvava ocupando novas terras. A Lei da Moeda. (Currence Act) de 1764, proibindo a emissão de dinheiro na colônia, limitava a alta de preços dos produtos agrícolas e tornava ainda mais difícil a situação dos plantadores.

O longo processo (1776-1783)

O processo da Independência tem importante antecedente em setembro de 1774, quando as Leis Intoleráveis determinaram a convocação do Primeiro Congresso Continental de Filadélfia, de caráter não-separatista: Ele enviou petição ao rei e ao Parlamento pedindo a revogação daquelas leis, em nome da igualdade de direitos dos colonos. Em 1775, um conflito em Lexington provocou a morte de alguns colonos e eles passaram a organizar-se militarmente.

O rei declarou os americanos em rebeldia e os colonos passaram à revolta aberta. Um panfleto de Tom Paine, Bom Senso, exortava à luta por liberdade.

Em 1776, a Virgínia tomou a iniciativa e declarou-se independente, com uma explícita Declaração dos Direitos do Homem. O Segundo Congresso de Filadélfia, reunido desde 1775, já manifestava caráter separatista.

George Washingtonton, da Virgínia, foi nomeado comandante das tropas americanas e encarregou uma comissão, liderada por Thomas Jefferson, de redigir a Declaração da Independência. Em 4 de julho de 1776, reunidos na Filadélfia, delegados de todos os territórios promulgaram o documento, com mudanças introduzidas por Benjamin Franklin e Samuel Adams.

A Guerra da Independência começa em março de 1775: os americanos tomam Boston. Tinham força de vontade, mas interesses divergentes e falta de organização. Das colônias do Sul, só a Virgínia agia com decisão. Os canadenses permaneceram fiéis à Inglaterra. Os voluntários do exército, alistados por um ano, volta e meia abandonavam a luta para cuidar de seus afazeres. Os oficiais, geralmente estrangeiros, não estavam envolvidos no conflito. Vencidos em Nova York e Filadélfia (1777), os colonos ganharam novo ânimo ao ganhar a batalha de Saratoga.

A intervenção francesa foi decisiva. Os franceses estavam afinados com os ideais de liberdade do movimento, estimulados pela propaganda feita por Franklin e motivados pela intenção de golpear a Inglaterra, que lhes havia imposto pesadas perdas em 1763. Assinaram um tratado, transferindo dinheiro aos americanos e buscando a aliança dos espanhóis contra os ingleses. Com a ajuda marítima francesa, a guerra ampliou-se para o Caribe e as Índias. Em 1779, La Fayette conseguiu a liberação de 7 500 franceses comandados pelo general Rochambeau. Em 1781, sitiado em Yorktown, o exército inglês capitulou.

O Tratado de Versalhes, em 1783, reconheceu a independência dos Estados Unidos da América, com fronteiras nos Grandes Lagos e no Mississipi.

A França recuperou Santa Lúcia e Tobago nas Antilhas e seus estabelecimentos no Senegal. A Espanha recebeu a ilha de Minorca e a região da Flórida.

Em 1787, os Estados Unidos proclamaram sua primeira Constituição. Resumia a tendência republicana defendida por Jefferson, que queria grande autonomia política para os Estados membros da federação; e a tendência federalista, que lutava por um poder central forte. O presidente seria eleito pelo período de quatro anos por representantes das Assembléias dos cidadãos.

Duas casas comporiam o Congresso: a Câmara dos Representantes, com delegados de cada Estado na proporção de suas populações; e o Senado, com dois representantes por Estado. O Congresso votaria leis e orçamentos. O Senado velaria pela política exterior principalmente.

Uma Corte Suprema composta por nove juízes indicados pelo presidente resolveria os conflitos entre Estados e entre estes e a União. Em suas linhas mestras, tais princípios constitucionais permanecem até hoje.

Fonte: Frederico Czar (Professor de História)/www.conhecimentosgerais.com.br/geocities.com/www.colegiosaofrancisco.com.br

 

 

 

 

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