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Pentecostalismo

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Grupos religiosos cristãos, originário no seio do protestantismo baseando na crença na presença do Espírito Santo na vida do crente através de sinais, denominados por estes como dons do Espírito Santo, tais como falar em línguas estranhas (glossolalia), curas, milagres, visões etc.

Pentecostalismo é como se chama a doutrina de grupos religiosos cristãos, originários do seio do protestantismo, que se baseia na crença do poder do Espírito Santo na vida do crente após o Batismo do Espírito Santo, através dos dons do Espírito Santo, começando com o dom de línguas (glossolalia).

Origem

Tradicionalmente reconhece-se o começo do movimento pentecostal como tendo início no ano 1906 em Los Angeles nos Estados Unidos na Rua Azuza, onde houve um grande avivamento caracterizado principalmente pelo “batismo com o Espírito Santo” evidenciado pelos dons do Espírito (glossolalia, curas milagrosas, profecias, interpretação de línguas e discernimento de espíritos).

No entanto o batismo com dons do Espírito Santo não era totalmente novo no cenário protestante. Existem inúmeros relatos de pessoas que clamam ter manisfestado dons do Espírito em muitos lugares, desde Martin Lutero (apesar de controversos quanto a veracidade) no século XVI até de alguns protestantes a Rússia no século XIX.

Devido à projeção que ganhou na mídia, o avivamento na Rua Azuza rapidamente cresceu e, subitamente, pessoas de todos os lugares do mundo estavam indo conhecer o movimento. No começo, as reuniões na Rua Azuza conteciam informalmente, eram apenas alguns fiéis que se reuniam em um velho galpão para orar e compartilhar suas experiências, eram liderados por William Seymour (1870-1922).

Rapidamente, grupos semelhantes foram formados em muitos lugares dos EUA, mas com o rápido crescimento do movimento o nível de organização também cresceu até o grupo se denominar Missão da Fé Apostólica da Rua Azuza. Alguns fiés não concordaram com a denominacionalização do grupo.

Surgiram grupos independentes que emergiram em denominações. Também algumas denominações já estabelecidas adotaram doutrinas e práticas pentecostais, como é o caso da Igreja de Deus em Cristo.

Mais tarde, alguns grupos ligados ao movimento pentecostal começaram a crer no unicismo invés da triunidade (trindade). Com o crescimento da rivalidade entre os que criam no unicismo e os que criam na trindade geram um cisma e novas denominações nasceriam como a Igreja Pentecosta Unida (unicista) e as Assembléias de Deus (trinitária).

Pentecostalismo Brasileiro

No Brasil o Pentecostalismo chegou em 1910-1911 com a vinda de missionários originários da América do Norte: Louis Francescon, que dedicou seu trabalho entre as colônias italianas no Sul e Sudeste do Brasil, originando a Congregação Cristã no Brasil; Daniel Berg e Gunnar Vingren inciaram suas missões na Amazônia e Nordeste, consequentemente nascendo as Assembléias de Deus.

O movimento pentecostal pode ser dividido em três ondas. A primeira, chamada pentecostalismo clássico, abrange o período de 1910 a 1950 e vai de sua implantação no país, com a fundação da Congregação Cristã no Brasil e da Assembléia de Deus, até sua difusão pelo território nacional. Desde o início, ambas as igrejas caracterizam-se pelo anticatolicismo, pela ênfase na crença no Espírito Santo, por um sectarismo radical e por um ascetismo que rejeita os valores do mundo e defende a plenitude da vida moral.

A segunda onda começa a surgir na década de 1950, quando chegam a São Paulo dois missionários norte-americanos da International Church of The Foursquare Gospel. Na capital paulista, eles criam a Cruzada Nacional de Evangelização e, centrados na cura divina, iniciam a evangelização das massas, principalmente pelo rádio, contribuindo bastante para a expansão do pentecostalismo no Brasil. Em seguida, fundam a Igreja do Evangelho Quadrangular. No seu rastro, surgem O Brasil para Cristo, Igreja Pentecostal Deus é Amor, Casa da Bênção, Igreja Unida e diversas outras menores.

A terceira onda, a neopentecostal, tem início na segunda metade dos anos 70. Fundadas por brasileiros, a Igreja Universal do Reino de Deus (Rio de Janeiro, 1977), a Igreja Universal do Reino de Deus (Rio de Janeiro, 1980), a Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra (Brasília, 1992) e a Renascer em Cristo (São Paulo, 1986) estão entre as principais. Utilizam intensamente a mídia eletrônica e aplicam técnicas de administração empresarial, com uso de marketing, planejamento estatístico, análise de resultados, etc. Algumas delas pregam a Teologia da Prosperidade, pela qual o cristão está destinado à prosperidade terrena, e rejeitam os tradicionais usos e costumes pentecostais. O neopentecostalismo constitui a vertente pentecostal mais influente e a que mais cresce. Também são mais liberais em questões de costumes.

Paralelamente ao Pentecostalismo, várias denominações protestantes tradicionais experimentaram movimentos internos, com manifestações pentecostais, assim foram denominados “Renovados”, como a Igreja Presbiteriana Renovada, Convenção Batista Nacional, Igreja do Avivamento Bíblico e Igreja Cristã Maranata.

A doutrina de renovação do Pentecostalismo passou até mesmo as fronteiras do Protestantismo, surgindo movimentos de renovação pentecostal Católica Romana e Ortodoxa Oriental, como a Renovação Carismática Católica.

Fonte: www.pentecostalismo.com.br

Pentecostalismo

O pentecostalismo é o movimento que mais influencia, hoje, as manifestações de religiosidade em muitas partes do mundo.

O movimento surgiu praticamente dentro da Igreja metodista, cujo fundador é Jonh Wesley.

Partindo da constatação de que os metodistas estavam se afastando dos ensinamentos de seu fundador, iniciou, no século XIX, o movimento chamado “Holiness” (santidade), que visava reavivar a fé de seus membros.

Ensinava que, para a salvação, era necessária a conversão e, em seguida, uma nova e mais profunda experiência religiosa: o “batismo no Espírito Santo”.

O pastor Charles Pharam, nos Estados Unidos, foi quem mais aceitou as idéias do Holiness, e as ensinou na escola de estudos bíblicos em Topeka, Kansas. Os alunos, que concordavam com essas idéias, acreditavam ter recebido o Espírito Santo e sentiam-se guiados em suas vidas pelo mesmo Espírito.

Segundo uma interpretação ao pé da letra de alguns trechos dos Atos dos Apóstolos (2, 1-12; 10, 44-48; 19,17), eles acreditavam que o sinal característico por ter recebido o Espírito Santo era o dom das línguas e, posteriormente, o dom da cura das doenças.

Surgiram assim comunidades de pessoas que aspiravam a esses dons do Espírito e que, sem pretender fundar uma nova denominação religiosa, desejavam levar um pouco de renovação às comunidades metodistas e protestantes em geral.

No início, sua vida não foi fácil. Seu entusiasmo exagerado levantou suspeitas entre as comunidades batistas e metodistas, que acabaram se afastando do movimento. Sentindo-se rejeitadas pelas denominações tradicionais, as novas comunidades acabaram formando um movimento próprio, passando a serem chamadas “pentecostais” pelo fato do ponto central do movimento ser o batismo no Espírito, recebido como num segundo Pentecostes.

Fundamentalmente, vemos nesse movimento, além do entusiasmo e da exaltação, o mesmo anseio que está na origem do protestantismo nos Estados Unidos: o desejo de liberdade, de não depender de uma Igreja institucionalizada, de formar comunidades mais livres, justamente o que fizeram os que, em 1620, fugiram da Inglaterra no navio “Mayflower”, pois se sentiam sufocados pela Igreja do Estado, a anglicana.

A breve história do movimento, que ainda não completou um século de vida, mostra que nenhuma denominação protestante está sujeita a divisões e subdivisões como os pentecostais.

Assembléia de Deus, Congregação Cristã do Brasil, Igreja do Evangelho Quadrangular, Deus é Amor, Igreja Universal do Reino de Deus, todas muito conhecidas no Brasil, são algumas das muitas denominações que surgiram tendo como base os princípios do pentecostalismo.

Alguns aspectos, apesar dessa divisão, caracterizam o movimento pentecostal e estão presentes em muitas denominações que vieram em seguida:

A importância dada à revelação direta do Espírito Santo, que consistiria em graças concedidas às pessoas para entenderem as verdades e os mistérios da fé contidos nas Escrituras;
A prática de batizar somente adultos;
A crença numa iminente segunda vinda de Cristo;
Um rigor moral que proíbe o que pode parecer fútil e mundano, como beber, fumar, dançar, assistir à televisão e, sobretudo para as mulheres, a frivolidade no vestir, no corte dos cabelos, o uso de calças compridas, etc;
Grande facilidade em interpretar como avisos ou revelações divinas certos acontecimentos da vida;
Visão das doenças como punições divinas pelo pecado. Não que Deus envie diretamente a doença, mas permite que o diabo a cause como castigo para o crente;
A busca da cura da doença especialmente pela oração, a ponto de evitarem de ir ao médico ou de tomar remédios;
A freqüente presença de Satanás e, como cura, a prática do exorcismo.

Estatísticas recentes dizem que 70% dos protestantes do Brasil pertencem a denominações ligadas ao pentecostalismo e o número de seus adeptos continua crescendo.

Calcula-se que os membros de todas as denominações pentecostais do mundo chegam a 250 milhões, com maior incidência no Terceiro Mundo.

As explicações desse extraordinário crescimento são complexas.

Elas podem ser:

De ordem sociológica

Vivemos numa época de transição, de uma sociedade agrária, tradicional e autoritária, para uma sociedade urbana e, portanto, industrial, moderna e democrática.

Para alguns autores, a adesão a uma comunidade pentecostal representaria a recusa dessa urbanização forçada por parte de pessoas que acabam de deixar o campo e se sentem confusas. Elas optariam assim pela segurança que uma religião autoritária, como são as pentecostais em geral, lhes garante.

Um gesto, portanto, de afirmação pessoal, uma escolha democrática contra um sistema tradicional imposto, rígido, como era o estilo de vida da cultura camponesa. Os dois motivos, que tentam explicar uma mesma situação, parecem contraditórios. Talvez o primeiro sirva para explicar a adesão ao pentecostalismo de algumas pessoas, o segundo, de outras.

De ordem psicológica

Sempre tendo como pano de fundo a urbanização e a vida nas grandes metrópoles que massificam e despersonalizam, essas novas religiões oferecem a possibilidade de viver em comunidades menores, onde as pessoas se conhecem, onde é claro o papel de cada um e onde o senso de pertença a um grupo é muito forte, o que significa proteção contra o isolamento e as ameaças da grande cidade.

Toda pessoa humana precisa de uma comunidade que a escute, lhe dê calor humano e ofereça sustento, especialmente nos momentos de crise.

De ordem pastoral

As religiões pentecostais valorizam a dimensão religiosa da cultura popular, a sede de Deus que o povo tem. As práticas religiosas do pentecostalismo estão muito enraizadas na cultura popular e em sua maneira de expressar-se religiosamente. Usando uma linguagem popular, verbal como não-verbal, oferecem a todos a possibilidade de realizar uma experiência de Deus particularmente profunda, onde todos podem sentir-se sujeitos e não simples espectadores.

A Igreja católica não teria respondido a essa sede de Deus de muitos de seus membros.

Isso por muitos motivos: pela escassez de clero e de agentes de pastoral suficientemente preparados, pela falta de um sentido comunitário na estrutura paroquial, pela frieza e pelo formalismo que se nota freqüentemente na liturgia, pelo pouco ardor missionário de seus membros, por uma formação bíblico-catequética, geralmente superficial, de muitos fiéis, por uma catequese muitas vezes teórica e desatenta à vida de todos os dias.

O fenômeno é complexo e vários são os fatores que podem explicá-lo. Possivelmente, nenhuma das causas acima expostas, isoladamente, consiga explicá-lo de forma suficiente. Ao mesmo tempo, talvez nenhuma dessas mesmas causas seja totalmente alheia ao mesmo fenômeno.

Poderíamos, portanto, dizer que, em proporção diferente e conforme os lugares, todas essas causas juntas oferecem a explicação mais completa sobre o fenômeno do vertiginoso crescimento das seitas pentecostais.

Fonte: www.pime.org.br

Pentecostalismo

Com cultos muito concorridos e entusiásticos, em que a par da leitura de textos bíblicos usam-se linguagem e música populares, o pentecostalismo tornou-se na segunda metade do século XX o movimento religioso de maior expansão no mundo ocidental.

Pentecostalismo é o movimento de renovação carismática evangélica baseado na crença de que a experiência do batismo no Espírito Santo deve ser normativa para todos os cristãos.

São muitas as denominações pentecostais, mas todas têm em comum o batismo no Espírito Santo, a crença nos dons e a oração não-convencional.

O nome pentecostalismo provém da festa judaica de Pentecostes, pois foi por ocasião dessa festa, após a morte de Jesus, que o Espírito Santo desceu sobre os discípulos reunidos em assembléia, conforme está descrito nos Atos dos Apóstolos (At 2:1-4).

Os pentecostais acreditam que as pessoas batizadas pelo Espírito Santo poderão ser agraciadas não só com o carisma de falar outras línguas (“glossolalia”), mas também com pelo menos um dos demais dons sobrenaturais: a profecia, a cura, a interpretação de línguas, as visões etc. Ao contrário da profecia, a glossolalia não tem por fim edificar nem instruir, mas apenas confirmar a presença do Espírito divino.

História

O movimento de reforma carismática que fundou o pentecostalismo originou-se em Topeka, Kansas, nos Estados Unidos, em 1901, quando vários fiéis, sob a liderança do pastor Charles Fox Parham, passaram a falar em outras línguas. Já no século XIX haviam ocorrido fenômenos semelhantes nos Estados Unidos e na Inglaterra, mas os pentecostais foram os primeiros a dar primazia à doutrina prática.

O pentecostalismo cresceu principalmente dentro do movimento mundial de santidade (Holiness), que se desenvolveu a partir do metodismo americano do século XIX. Dos Estados Unidos e Inglaterra, o movimento espalhou-se pelo mundo, levado por missionários metodistas e pregadores itinerantes. Sua pregação enfatizou a experiência consciente do batismo no Espírito Santo e a esperança de uma restauração da igreja no Novo Testamento. Do pentecostalismo dito clássico, originado do movimento americano, surgiu nas últimas décadas do século XX o chamado pentecostalismo autônomo, dissidente do primeiro, formado em torno de novas lideranças e baseado na tríade cura, exorcismo e prosperidade.

Os principais pioneiros do pentecostalismo foram o pastor metodista norueguês Thomas Ball Barratt, que fundou movimentos na Noruega, Suécia e Inglaterra; o líder do movimento da Santidade, Jonathan Paul, na Alemanha; Lewi Pethrus, na Suécia; e Ivan Voronaev, na Rússia, que em 1920 começou um ministério em Odessa que se espalhou pelas nações eslavas e fundou mais de 350 congregações na Rússia.

Pentecostalismo brasileiro

No Brasil, o movimento pentecostalista começou em 1910 em Belém PA, onde os imigrantes suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren iniciaram cultos pentecostais numa igreja batista. Logo depois gerou-se um cisma, do qual resultou a Assembléia de Deus, durante muitos anos principal denominação pentecostalista brasileira. Ocorreram depois cruzadas evangelísticas oriundas dos Estados Unidos, no amplo movimento “Brasil para Cristo”. Outras igrejas juntaram-se ao movimento, como a Metodista Wesleyana Renovada.

No início da década de 1970, o bispo canadense Robert McAlister, que aderira ao pentecostalismo nas Filipinas, fundou no Brasil a Igreja da Nova Vida. Em 1977 foi fundada a Igreja Universal do Reino de Deus, que em breve passou a contar com centenas de templos, várias emissoras de rádio e TV e milhões de adeptos no Brasil, além de templos em vários outros países.

Fonte: files.mieadmi.com

Pentecostalismo

HISTORIOGRAFIA PENTECOSTAL: UMA PRÀTICA A PARTIR DO POVO

INTRODUÇÃO

Parece-me que estamos construindo a historia do movimento pentecostal de fora para dentro, isto è, por meio de pesquisas históricas, sociológicas, psicológicas, sem uma participação ativa da comunidade neste processo, estamos utilizando técnicos e técnicas para estudar o movimento, que na realidade refletem as dimensões da marginalização histórica, alias uma historia que è construída das “bordas da historia”, isto causado peculiarmente pela falta de documentos, que possam dar ao pesquisador uma ampla visão do movimento. As pesquisas de campo è um ótimo instrumento de trabalho, mas sem a apropriação das técnicas metodológicas, elas poderão nos fornecer uma visão unilateral e pessoal do movimento.

Historiografar a igreja è uma elaboração sistemática do povo cristão, assimilando as grandes questões sociais, políticas, econômicas e culturais no caminhar da libertação.

A analise do processo histórico do pentecostalismo de libertação/cura tornou-se nos últimos vinte anos, um fenômeno religioso que unificaria as crenças populares com os conceitos religiosos das classes populares, em busca da libertação da opressão política, econômica, social e da religiosidade tradicional.

Como movimento popular, o pentecostalismo elabora os mais diversos símbolos e praticas devocionais que se identifica com as necessidades básicas do homem latino-americano. No movimento è identificado três praticas principais que irão caracterizar as suas ações, em primeiro lugar a Bíblia tem vital importância , porém não há uma preocupação acadêmica na sua interpretação, consequentemente a hermenêutica e a exegese são irrelevantes, o importante mesmo è a interpretação literal, neste caso o “pastor profissional” não existe no movimento.

Em segundo lugar torna-se imprescindível o ministério do leigo, ele è a mola mestre para o crescimento do movimento.

O leigo tem participação ativa no processo de conversão, por não ter formação acadêmica religiosa, o clérico è uma pessoa do povo, necessariamente carismático, que seguiu todos os passos propedêuticos do movimento: batismo com o Espírito Santo, dom de línguas (estática e não glossolalia), exerceu o ministério leigo de evangelização e discipulado, passou pelo diaconato e presbiterato. O clérico è um ancião no sentido literal da palavra.

Em terceiro lugar è identificado um universo simbólico que legitima o movimento, os principais são o batismo com o Espírito Santo e o dom de línguas. Estes símbolos por sua vez tornaram-se a porta de entrada dos salvos na comunicação e comunhão com Deus.

Na praticidade a religiosidade pentecostal a partir do povo nem sempre são coerentes, devido ao surgimento de lideranças ideológicas partidárias que com a bandeira de Deus decretam uma “batalha espiritual”, contra todas as demais denominações e seitas cristãs e/ou não cristãs, contribuindo para a formação de um estruturalismo sincrético, adquirindo formas históricas e sociológicas diferentes em momentos e lugares distintos.

Praticamente todo o movimento religioso pentecostal, possuem característica de seitas, até aqueles grupos que são classificados estruturalmente em denominações (Assembléia de Deus, Congregação Cristã, Brasil para Cristo, Igreja do Evangelho Quadrangular, Comunidade Evangélica da Graça, Igreja do Nazareno, etc.), radicalizam-se, assumindo formas sectárias e revolucionárias contra os demais grupos religiosos.

Nossa proposta è Historiografar o movimento pentecostal a partir de 1945, analisando suas contribuições, rupturas e dissenções na caminhada do crescimento da Igreja Evangélica na América Latina, a partir da pràxis religiosa popular.

HISTORIOGRAFIA DA HISTÓRIA PENTECOSTAL

A historiografia está preocupada com os eventos e as pessoas na historia. Portanto seu objetivo principal è compreender como os eventos e os fenômenos da historia ontem e hoje podem ser agrupados de tal maneira a indicar o processo pelo qual os eventos futuros irão ocorrer. Neste processo, a filosofia da historia tornar-se o marco redundante de toda historiografia.

Na conjuntura atual dos fatos vividos pela Igreja na América Latina, ressalta a crise pela qual passa a humanidade moderna em todos os campos das ciências humanas. A própria crise “pela qual atravessa a filosofia da historia moderna, uma vez que essa está intimamente endividada para com a dogmática cristã, para compreender aquela crise è necessário rever os principais pontos da teologia cristã da historia.”

Para o cristão pentecostal o apocaliptismo moderno determina o agir evangelístico e pastoral da igreja hoje na América Latina, principalmente nos da “Teologia da Prosperidade e a Batalha Espiritual.” O apocaliptismo não è vivido numa dimensão fatalística, mas sim como escapísmo, por isso, as “pseudepígrafias são também testemunhos importantes das dimensões sociais” do povo Latino Americano, “surgiram crises sociais, políticas e religiosas (que) refletem sofrimento decorrentes da perda de valores, regras, normas sociais e também da opressão.”

O processo histórico do pentecostalismo de libertação/cura não tem dimensões concretas, reais, mensuráveis, mas a condição apocalíptica intensificada, è capaz de determinar um escape da realidade, para uma condição espiritosférica de viver em um lugar sem dor, sem desespero, sem sofrimento, sem opressão. O apocaliptismo è capaz de desenvolver nos adeptos do pentecostalismo, o esquecimento da barriga vazia, do desemprego, das doenças, das questões familiares, da ingerência e do marionetamento.

Para o cristão pentecostal “a historia da humanidade reflete o plano de Deus visando a salvação humana, e, por isso, o elemento ‘providência’ fornece a unidade para os eventos históricos… ela è uma marcha da humanidade, guiada por Deus, para a sua realização.”

O processo histórico

O movimento pentecostal surgiu, nos Estados Unidos da América originário dos movimentos reavivalístas presbiterianos, metodistas, batistas e outras denominações tradicionais, no final do século passado. Numa época o cristianismo era caracterizado por rupturas e inquietações e devido as intensas crises vivida pela sociedade americana pós-guerra da secessão, ”são as campanhas de reavivamento espiritual apoiadas nas classes baixas da sociedade que não consegue projeção.”

Basicamente o que denominas hoje de pentecostalismo, tornou-se uma atividade de grandes proporções no campo das ciências religiosas, que nos últimos vinte anos, apresenta-se de forma difusa, contraditória e bastante incoerente entre o que disse, o que se diz e as ações do movimento pentecostal. Com características das igrejas tradicionais reformadas, o pentecostalismo ampliam o desenvolvimento evangelístico/missionário. È introduzido no Brasil no inicio do século pelos missionários Americanos em Belém (Igreja Pentecostal Assembléia de Deus) e em São Paulo (Congregação Cristã), este pentecostalismo è denominado de clássico ou tradicional. O novo pentecostalismo que aqui chamo de pentecostalismo de divisão, tem sua origem no pentecostalismo tradicional, cujo alicerce está fundamentado “numa tríade: a cura, o exorcismo e a prosperidade. Nela conjugam-se, fatores sócio-religioso, que responderiam à interpretação simbólica que as classes populares realizam de suas adversidades existênciais, geralmente de forma inconsciente e difusa.”

Enquanto o pentecostalismo tradicional è espiritocêntrico , dando ênfase as manifestações e atuações do Espirito Santo na vida do cristão, principalmente o dom de revelação. A palavra grega para “‘revelação significa ‘descobrir’, ‘desvendar’, da mesma forma que seu equivalente latino ‘revelação, se refere à ‘descoberta dalguma verdade oculta…este gênero…constitui uma espécie…de resistência… procuram revelação divina para explicar a natureza intolerável das suas vidas debaixo da dominação cultural estrangeira, (e nacional) e procuram compreender o plano de Deus para a sua libertação.”

O pentecostalismo de ruptura, ou divisão, è o pentecostalismo denominado por Bittencourt de “pentecostalismo autônomo” è um movimento que tem características espiritocentríca, mas também simbólico/ magicocentríco, no qual destaca-se principalmente uma dualidade cósmica, gerando muita confusão, porém transmitindo uma sintonia da “Batalha Espiritual” ou “guerra santa” entre: Deus e o Diabo, anjos e demônios, “unidade e unificação,” zelo com legalismo, escuridão e luz, retidão e maldade, bênção e maldição, espiritualidade e espiritualização.

“È fato inédito no Brasil uma Igreja evangélica manter uma oferta permanente de bens simbólicos(rosa ungida, óleo de oliva do monte das oliveiras, água do rio Jordão, lenço santificado, milho ungido, água fruidificada, unção com o sangue do cordeiro, corredeira do sal, os trezentos gideões, etc.) dos quais as pessoas podem se apropriar a qualquer hora do dia e da noite. Isto cria uma modalidade religiosa compatível com o ritmo acelerado e ate caótico dos centros urbanos, que se assemelha às compras num supermercado”

Na historia construída pelo movimento pentecostal, não existe uma finalidade no processo de conscientização humana, o próprio materialismo evidenciado nas postulações de seus lideres, constitui um determinismo social, principalmente no discursos da prosperidade, Siepierski cita Marx: “o materialismo histórico parece postular um determinismo social quando afirma que as relações sociais não são livros e que o curso dos acontecimentos regula-se fora das decisões humanas.”

A CAMINHADA DO PENTECOSTALISMO NA AMÈRICA LATINA

Esta caminhada è caracterizada por uma historia de crescimento, rupturas e dissensões.

Crescimento – o movimento pentecostal è aquele que mais tem contribuìdo, na elevação da taxa percentual, no processo de conversão ao protestantismo no Brasil e na América Latina, tambèm è o responsável pelo surgimento da maioria das seitas proféticas cristãs. O seu crescimento tem características megalomaníaca, isto è, sem uma estrutura configurada, sem uma historia escrita, ideologicamente alienante, sem expressão na sociedade, legitimando-se em contraposição à tradição majoritária da sociedade latino-americana. O significativo crescimento dos pentecostais no Brasil e na América Latina deve-se provavelmente ao fato da nova fé ter encontrado uma Igreja Católica enfraquecida e uma Igreja histórica tradicional acomodada, que não conseguiram reverter o quadro de suas lutas internas, e por isso, tiveram poucas condições de reação.

No Brasil o fenômeno religioso do pentecostalismo acentuou sua participação no processo histórico, pois seria interessante traçar uma conexão entre o crescimento do fenômeno e os problemas vividos pelo brasileiro, “a restrição de liberdade política…se a liberdade política for limitada por razões econômicas, como ocorreu no período pòs-64, as igrejas pentecostais tendem a retomar seu crescimento” e a condição dos marginalizados, dos miseráveis nordestinos, dos desesperados operários, das crianças abandonas, do trabalho escravista dos cortadores de cana-de-açúcar, do problema indígena, dos políticos demagogos, da institucionalização da corrupção. Assim no movimento pentecostal, os instrumentos simbólicos são reais, palpável, e, que pode oferecer um mundo melhor.

No nordeste do Brasil o fenômeno acentuou sua participação no processo histórico dessa região, porem o que precisa ser melhor entendido qual è a diferença do universo simbólico entre os grupos pentecostais e tradicionais que afeta a prática (ética) dos seus adeptos. São os tradicionais que teoricamente estariam mais próximos do perfil clássico de protestantismo. No entando, Regina Novaes, no estudo que faz sobre a Igreja Evangélica tradicional que já existia ali, não chegou a “alterar as relações no campo religioso,” portanto parece-nos estranho, como sabemos, o universo simbólico do pentecostalismo è bem mais místico e ate magico, portanto menos racionalista, e menos aberto para a racionalização do processo histórico e social, então porque eles foram os responsáveis pelas alterações ocorridas na região, uma vez que são os tradicionais que possuem este universo simbólico.

Parece-me que o pentecostalismo não se enquadra tão bem dentro daquela categoria de “religiões místicas que seguem um caminho oposto ao da racionalização da economia (Weber:1984:461)” . Ela se encaixa melhor na categoria de religiosidade ascética intramundana.

Hoje, o que destoa no neopentecostalismo, são as agências de curas e milagres (inclui aqui os aspectos de magia), que apesar de usarem uma linguagem das Igrejas Protestantes tradicionais, em geral se estruturam de modo diferente, não se preocupam em formar comunidades estáveis, não sistematizam uma ética cotidiana e nem um corpo doutrinário uniforme. Isso pode ser apenas uma fase do processo de passagem da manifestação religiosa sectária para o eclesial. Mais próximos do eclesial, as agências da cura divina se perfilariam como Igrejas Protestantes pentecostais. “O caráter autóctone dessas igrejas estariam gerando um perfil doutrinário sui-generes” , “è proibido proibir.”

A ênfase doutrinário desses grupos è uma só: a santificação pela ação do Espirito Santo com o batismo e outorgação do dom de línguas, que basicamente são características dos movimentos de santidade puritano-pietista.

Hoje è o maior grupo religioso da América Latina, no Brasil são os responsáveis pela elevação estatística no processo de conversão do povo brasileiro de 1940 a 1980, saindo da casa de 2,7% para 10,77% de protestantes em relação a população do país.

Desses 10,77%: 7,2% são rurais e 3,5% são urbanos.

Por ter características de alienação social, econômica e política, a contribuição do movimento tem aspecto bastante negativo, praticamente as modificações sociais implantadas, são decorrentes das imposições e opressões determinadas por seus lideres na utilização do universo “simbólico do poder religioso” que legitimam suas autoridades espirituais na vocação e na atuação indiscriminada de Deus, caracterizando-se como profetas de Deus, sendo agraciados com dons extraordinários de curas, exorcismos e milagres. Devido sua grande capacidade de mobilização, o movimento “está em sintonia com as demandas espirituais da população brasileira de todas as camadas sociais.”

As rupturas e dissenções – as freqüentes rupturas, geralmente são aspectos superficiais. Praticamente são caracterizados por divisões resultantes de conflitos eclesiásticos de seus líderes na distribuição do “bolo monetário.” Com relação as outras denominações cristãs, não há compatibilidade liturgia e nem doutrinaria, exercendo com isto uma verdadeira batalha, não somente contra catolicismo, mas tambèm contra as igrejas históricas, estes últimos denominando-os de “católicos mansos”.

Devido sua própria ambigüidade, o movimento pentecostal, constitui-se tambèm num movimento de desvio da centralidade cristã, desenvolvendo aspectos de desequilíbrio interior, revelando sinais e sintomas de enfermo, isto è, que “a adesão a esses grupos (religiosos) eqüivale de fato a renunciar definitivamente à possibilidade de se levar neste mundo uma vida digna,” de lutar por idéias e objetivos reais.

A PRÀTICA POPULAR DO MOVIMENTO PENTECOSTAL

Vivemos em um país de crise que tambèm è perceptível em toda a América Latina.

São diversos os fatores que contribuem para esta crise: è o atendimento médico governamental precário, são os planos de saúde inacessíveis a grande maioria da população, è a poluição sonoro, è a presença de químicos que mata lentamente o povo, è a insegurança social, econômica e política, è o medo e pavor de assaltos, è a falta de saneamento básico para a maioria da população, è o problema da falta de moradia digna para o povo, è o problema do menor abandonado, è a tristeza daqueles que moram nos lixões das grandes cidades, è a questão da prostituição infantil, è a evidência da corrupção pública, è o consumo de drogas, è a falta de uma política séria, honesta, que visa o bem estar da população, è a perda dos valores morais, è as cadeias superlotadas, gerando uma qualidade de vida sub-humana, è o ensino público precário. Tudo isto só nos traz a lume, que a América Latina com toda a sua riqueza è amaldiçoada, pois è grande o contraste entre toda a riqueza que existe neste continente com a sua grande pobreza . Vivemos em um continente de explorados, com a idéia tacanha de povo colonizado, que perde sua identidade e seus valores em detrimento da opressão e marginalização do estrangeiro.

A luz das crises que enfrentamos no cotidiano, surge o movimento pentecostal oferecendo um produto com sabor de mel, alicerçado no pensamento apocalíptico.

“A sociologia que determina o critério deste distinção, que se preocupa pelo (tarefa) de explicar o pano de fundo social das comunidades ou indivíduos” è incapaz de estabelecer critérios para análise do movimento religioso, pois os próprios apocalípticos fornecem pouquíssimos dados sobre suas comunidades.

A oferta pentecostal è ampla e diversificada, nela encontra-se produto para todo e qualquer problema. O importante dessa oferta está na sua solução, o problema è resolvido imediatamente, isto è, Deus intervém aqui e agora. A “Batalha Espiritual” é travada, os exércitos angelicais guerreando contra os demônios, são capazes de dar a vitória à pessoa que tem fé. Na realidade a batalha tem aspectos de transcendência e imanência em cada indivíduo. “Nisso reside a motivação fundamentada para o fervor e a “guerra santa” contra todos as demais religiões, notadamente àquelas que manipulam poderes sobrenaturais através da magia. Identificado o inimigo, não falta motivação para essa ‘luta’ contra a malignidade invisível e suas pretensas expressões religiosas. Isto è suficiente para superlotar os templos todos os dias…”

A esperança apocalíptica do movimento pentecostal “tornou-se a absoluta segurança da conquista divina do bem sobre o mal” . È importante salientar que tal segurança se expressa em categorias simbólicas temporais, com o objetivo de intensificar a certeza da manifestação no cumprimento de suas promessas divinas.

Em um trabalho de campo realizado no período de março a junho deste ano, entrevistamos um pastor -líder da Igreja “Ministério Palavra da Cruz” , foi-lhe perguntado: Essa questão de decretar uma bênção de Deus para as vidas das pessoas não è uma função específica do próprio Deus?

A sua resposta foi interessante: Não. A própria Palavra nos da autoridade para decretar as bênçãos de Deus. Se desejamos um emprego ou coisa qualquer, devemos recorrer à Palavra. (Jr l:l1). Temos que liberar a Palavra para que ela se cumpra. Há 8.000 promessas que não são alcançadas por falta de fé. Usufruímos muito pouco dessas promessas.

As promessas de Deus são vindicados pelos membros do movimento pentecostal, numa linguagem do fim, não o fim da historia, mas sim o fim da crise que a historia proporciona. Nos últimos cinqüenta anos, a igreja evangélica brasileira sofreu grandes transformações, mas estas transformações è bem mais acentuada no movimento pentecostal, portanto não podemos negar-lhes a possibilidade de produzir um vida eclesiástica contextualizada, pois creio que eles tentam è sair da sacralização, ainda que se radicalizam na sacramentação, o que seria mais uma tentativa de dogmatizar o seu universo simbólico. São as mudanças que estão intimamente relacionadas com a modernidade. Tal perspectiva apocalìptica somente tem relação com os acontecimentos da atualidade e no restabelecimento da ordem natural das coisas.

Podemos afirmar tambèm, que o pentecostalismo propõe uma historia que está além da historia, subscrevendo o cumprimento do propósito divino, contudo, para eles a historia è a arena da atividade de Deus a favor do seu povo. Segundo Siepierski, no mundo atual, isto è, na época atual, o mal ainda è concreto e real, ainda prevalece, portanto a opressão que è uma das manifestações desse mal è praxe, mas o poder última de todas as coisas está nas mãos de Deus, portanto è Deus que no fim prevalecerá.

È características distinta do movimento pentecostal o seu meio de revelação.

O pastor Lourival Fernando admite que: a revelação de Deus não è totalmente revelada, pois Deus não lança tudo de imediato. A revelação è progressiva, isto è, aquele tipo de revelação dada a cada dia, passo a passo. Deus não nos revela algo por completo, de imediato, pois Ele possui um conhecimento tão profundo que não seria entendido de uma única vez.

A revelação è uma prática imprescindível dentro do movimento, isto devido as características importantes do apocaliptismo na atuação intervencionista de Deus na vida dos fiéis, que são legitimados pelos testemunhos públicos. Nestes testemunhos são evidenciados como os sonhos e as revelações tornaram-se realidades concretas na vida dos fiéis, e qualquer um pode tambèm alcançar essa bênção, basta ter fé.

Os movimentos religiosos pentecostais, geralmente são movimentos de revelação. Somente a revelação divina è capaz de modificar as convenções naturais e tradicionais da religião cristã, inserindo uma nova maneira de relacionar com Deus (principalmente na utilização dos bens simbólicos).

Alguns conceitos, como poder dominante e a marginalidade dos dominados, redefinidos através da “metáfora da reversão, os primeiros serão os últimos, os pobres serão vindicados em contraposição aos ricos e os retos receberão o seu galardão contra o lucro terreno dos injustos,” justificaria a formação das comunidades de bases pentecostais, na tentativa de alguma maneira reverter a historia do homem no contexto atual.

Segundo o pastor Lourival Fernando è preciso reverter a situação das coisas, por isso o movimento neopentecostal tem a necessidade de acabar com a visão de miséria. Na Igreja primitiva havia pobres, mas não miseráveis. O cristão deve caminhar em cima da Palavra e tê-la como tapete da fé. Deus nunca nos dá nada fora da Palavra. Devemos tê-la como respaldo para nossa fé. A Palavra nos da o direito de reivindicar aquilo que necessitamos.

È notório observarmos que no sentido histórico, a marca maior da apocalìptica è a libertação comunitária, nisto o plano histórico na terra se segue em último análise ao encontra da auto-transcedência individual para uma condição de vida mais digna, mais humana.

CONCLUSÃO

Podemos concluir desafiando a igreja da América Latina e do Caribe, na sua caminhada de libertação as seguintes proposições de fé:

l. Devido a imensa diversidade da Igreja na América Latina e no Caribe, uma vez que abrigamos vários grupos religiosos com as mais diversas correntes teológicas, gerando com isto muita confusão, controvérsias e debates nas áreas teológicas, éticas, liturgias, sem falar da concorrência no processo de conversão. Temos que buscar alternativas prioritárias, verificando o contexto social, político e econômico do homem latino-americano, contudo, sem cairmos no reducionismo teológicos sectaristas e individualista de uma única parte dominante implantada de fora para dentro da igreja.
2. Temos evidências que a Teologia da Libertação e as comunidades de base, não refletem a teologia própria da Igreja na América Latina e no Caribe. Portanto precisamos pensar que a teologia não è uma tarefa somente dos “teólogos”, nem um “corpo dogmático”, mas sim uma tarefa acertada, honesta e sincera de trazer a Palavra de Deus a um determinado povo em um momento específico de sua historia, de tal modo que o povo compreenda o Evangelho de Jesus Cristo, se sensibilize por ele e tenha resposta de Deus para cada uma de suas necessidades.
3. Uma igreja nova. È preciso curar nossas enfermidades eclesiásticas, sem falar de questões como a unidade real, profunda e respeitosa do povo cristão, evidenciando uma cooperação mútua, madura e um estilo eclesiástico simples, flexível e de base.

ASHBELL SIMONTON RÈDUA

NOTAS BIBLIOGRÀFICAS

1. SIEPIERSKI, Paulo D., Fé Cristã e filosofia da historia no debate atual, in Historia da igreja em debate, organizado por Martin N. Dreher, São Paulo, Aste, 1994.
2. MENDONÇA, Antonio Gouvêa, Sindicado de mágicos: pentecostalismo e cura divina (desafio histórico para as igrejas), in Estudos de Religião, revista de estudos e pesquisas da religião, Ano VI, nr 08, São Paulo, Editora do IMS – EDIMS, outubro de1992.
3. DROOGERS, André, Visões paradoxais de uma religião paradoxal: modelos explicativos do crescimento do pentecostalismo no Brasil e no Chile, in Estudos de Religião, revista de estudos e pesquisas da religião, Ano VI, nr 08, São Paulo, Editora do IMS-EDIMS, outubro de 1992.
4. CARRIKER, C. Timóteo, A influência da apocalìptica no evangelho de Paulo, trabalho ainda não publicado.
5. BITTENCOURT FILHO, José, Remédio Amargo, in Tempo e Presença, publicação do CEDI, nr 259, Ano 13.
6. BITTENCOURT FILHO, José, Remédio Amargo, in Nem Anjos Nem Demônios, Petrópolis, Rio de Janeiro, Vozes, 1994.
7. WILGES, Irineu, Cultura religiosa: as religiões no mundo, 6a. edição, Petrópolis, RJ, Vozes, 1994.
8. GALDINO, Florêncio, O fenômeno das seitas fundamentalistas, Trad. José Maria de Almeida, Petrópolis, RJ, Vozes, 1994.
9. LOPES JUNOR, Orivaldo Pimentel, A conversão ao protestantismo no nordeste, dissertação apresentada no Curso de Mestrado em Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como parte dos requisitos para obtenção do titulo de Mestre em Ciências Sociais, trabalho ainda não publicado, Natal, RJ, 1992.

Fonte: www.geocities.com

Pentecostalismo

1. RESUMO E OBJETIVO

O nome Pentecostalismo designa a ênfase dada por muitas comunidades cristãs à experiência de fenômenos ligados ao evento de Pentecostes, segundo o relato dos Atos dos Apóstolos (At 2,1-12).

O Pentecostalismo em seu conjunto é um complexo muito variado de expressões religiosas que têm seu centro de referência na profissão de fé cristã. A diferença entre uma expressão e outra é tão evidente que os estudiosos preferem falar ao plural em pentecostalismos ou movimentos pentecostais.

O Pentecostalismo em geral se caracteriza como uma experiência religiosa ou como uma espiritualidade cristã mais do que uma particular interpretação do cristianismo. Não se trata, por exemplo, de uma teologia do Espírito Santo, mas de uma maneira de sentir a presença ativa do Espírito na comunidade dos crentes e de perceber a manifestação do poder de Deus no mundo. Seu enorme crescimento e sua expansão levantam interrogações sobre as formas futuras da maioria das comunidades cristãs. O objetivo desta aula é proporcionar uma aproximação desse fenômeno que perpassa todo o mundo cristão nas suas mais diferentes tradições.

2. ASPECTO METODOLÓGICO

A variedade das expressões pentecostais nos diferentes países e culturas exige uma abordagem multidisciplinar e dificulta a praxe pastoral e ecumênica. Os movimentos pentecostais estão ainda em plena evolução. Nossa abordagem será, portanto, histórica, fenomenológica e sistemática. Assim, podemos investigar as raízes e a gênese do fenômeno, destacar algumas das mais importantes expressões dos movimentos pentecostais e evidenciar as diferentes caracterizações de alguns deles. Para facilitar a compreensão do fenômeno buscaremos uma aproximação maior dos fenômenos pentecostais no Brasil.

3. ESPIRITUAIS E CARISMÁTICOS NA HISTÓRIA CRISTÃ

A tradição bíblica afirma a ação livre de Deus no mundo pelo seu Espírito. A vida de Jesus de Nazaré é marcada pela manifestação poderosa do Espírito de Deus. O evento de Pentecostes e as sucessivas manifestações do Espírito de Jesus fizeram de algumas das primeiras comunidades cristãs, comunidades altamente carismáticas. A expectativa próxima do fim do mundo acentuava a importância de fenômenos extraordinários em comunidades cristãs das origens. Nos séculos seguintes, numerosas pessoas e comunidades expressaram sua vivência da fé cristã de maneira entusiasta e carismática. A diferença entre uma comunidade e outra, entre um grupo e outro, é muito grande.

Alguns exemplos podem servir para ilustrar o perpetuar-se desses fenômenos em ambientes cristãos. No século II d.C., quando estava desaparecendo do sentimento das comunidades cristãs, a expectativa do fim próximo do mundo, o movimento montanista apresentou uma perspectiva de milenarismo apocalíptico, dando uma atenção especial às visões e às revelações. O grande movimento monástico, particularmente oriental, também foi um movimento carismático que fez dos monges “portadores do Espírito” e pessoas que manifestavam a presença do Espírito também através de ações extraordinárias.

A Idade Média é testemunha da difusão do misticismo e do surgimento de movimentos espirituais. Caso típico é o de Joaquim de Fiori que teorizou, num esquema trinitário, o desenvolvimento da história da salvação. Esta, no seu terceiro estágio, seria caracterizada pela Era do Espírito.

A Reforma Protestante também gerou em seu seio líderes e movimentos de entusiastas que enfatizavam a presença do Espírito nos indivíduos. Thomas Müntzer é o nome mais importante do período das origens da história da Reforma Protestante. A partir do século XVII, o movimento pietista, inspirado por alguns líderes espirituais como Jacob Spener, na Alemanha, e João Wesley, na área britânica, teve sua seqüência nos movimentos de reavivamento, especialmente nos Estados Unidos da América.

O ponto de partida desses movimentos é o retorno à vida no Espírito, superando a rotina das formas institucionais, e a instalação de uma nova era no mundo, através de uma nova ação evangelizadora. O que há de comum na variedade desses fenômenos é seu distanciamento do cristianismo institucional, a recusa de uma teologia abstrata, a reivindicação da liberdade de seguir as inspirações do Espírito Santo e a ênfase dada a fenômenos não-comuns, considerados sinais da ação direta do Espírito na vida dos indivíduos.

4. OS MOVIMENTOS PENTECOSTAIS MODERNOS

Os movimentos pentecostais modernos tiveram sua origem em experiências espirituais acompanhadas de manifestações extraordinárias, particularmente da fala em línguas ou glossolalia. A glossolalia, registrada em Atos 2, é o fenômeno externo mais conhecido nas comunidades pentecostais.

Dois lugares dos Estados Unidos se tornaram famosos na origem do movimento pentecostal no século XX: A escola Bíblica Betel em Topeka (Kansas), em 1901, e um antigo templo metodista em Azusa Street, Los Angeles. A localização geográfica não é ocasional. Ela revela o contexto não somente religioso, mas também mais geralmente sócio-cultural que marca o pentecostalismo moderno.

“Sob o aspecto religioso, a ênfase na mediação emocional como evidência da presença de Deus na vida humana qualificou em vários momentos o metodismo e os movimentos avivalistas nos Estados Unidos. O crescimento desses movimentos em direção às regiões do oeste daquele país, onde as conseqüências da escravidão marcavam fortemente a vida da população de raça negra, gerava com freqüência manifestações físico-religiosas com lamentos, quedas no chão e contorções. A ênfase espiritual foi devedora ao metodismo pelo testemunho da santidade de vida e a busca daquela luz interior que brota da experiência imediata do indivíduo com Deus. A localização imprimiu a marca do mundo dos pobres de raça negra com sua sensibilidade e seus costumes.

As experiências religiosas de Azusa Street, em Los Angeles, atraiam pessoas de todas as partes dos Estados Unidos e rapidamente as novas práticas e pensamento pentecostal se espalharam por todo o mundo.

5. OS PILARES DO PENTECOSTALISMO “CLÁSSICO”

O terreno cristão sobre o qual cresceu a planta pentecostal são os movimentos do pietismo e do metodismo avivalista presente na sociedade americana que enfatizava a experiência da conversão e a santificação e dividia os cristãos em duas categorias: os “comuns” e os “santificados”.

A raiz mais importante foi um movimento de reavivamento em uma comunidade de pessoas de raça negra, que cultivava uma espiritualidade ecumênica e que ultrapassava as diferenças de raça e de classe. Na escuta das Escrituras e na oração, enfatizava-se a expressão oral, própria da tradição popular e africana, desconfiando da tradição escrita, teológica e cultural. Rejeitava-se, também, a burocracia e a organização formal. Em um clima de crescente emotividade, acolhia-se a manifestação da graça de Deus com fenômenos corpóreos, lágrimas, falas em línguas, danças, esmorecimentos, visões. Os primeiros pentecostais se formaram nesse contexto cultural-religioso.

O pentecostalismo nasceu de fato no interior do protestantismo, embora tenha encontrado terreno fértil também na tradição catolico-romana. A “sola scriptura, a sola gratia e a sola fides” (só a escritura, só a graça e só a fé) legitimaram o nascer das novas experiências comunitárias autônomas. Os contextos de oração e de escuta da Palavra de Deus foram acompanhados por experiências compreendidas como uma continuação dos fenômenos de Pentecostes. Na Escola Bíblica Betel de Topeka, Charles Parham fixou os pilares daquele que poderíamos chamar de primeiro pentecostalismo da nossa época. O pregador William J. Seymour, em Azusa Street, reproduziu os ensinamento do mestre.

C. Parham assim sintetizou as etapas da soteriologia cristã: a conversão/regeneração; a santificação; o Batismo com o Espírito Santo, evidenciado pelo falar em línguas.

A Igreja do Evangelho Quadrangular assumiu a base teológica do pentecostalismo clássico com a fórmula popular: “Jesus salva, Jesus batiza com o Espírito Santo, Jesus cura, Jesus virá outra vez”.

6. UM FENÔMENO MUNDIAL

De Topeka, nos Estados Unidos (1901), mas também de outros lugares onde aconteceram fenômenos semelhantes (Inglaterra, 1904, Noruega e Suécia, 1907, Chile, 1909), as expressões pentecostais difundiram-se no mundo inteiro, especialmente nos países do Terceiro Mundo e nos de cultura católica. A mudança de contexto cultural produziu fenômenos importantes. Nas Igrejas pentecostais da América do Norte e da Europa, a cultura conservadora das pessoas de classe média de raça branca substituiu a herança da cultura negra, originariamente em busca de reconciliação e de participação comunitária. A maioria dos grupos pentecostais, com algumas exceções, começou a caracterizar-se pelo racismo, instituiu órgãos de governo autoritário, formou uma classe profissional de pastores, elaborou um sistema de financiamento e um renovado exclusivismo religioso.

Nos países do Terceiro Mundo, movimentos pentecostais emergiram independentemente dos missionários que fundaram as primeiras comunidades pentecostais.

Às vezes nasceram por iniciativa e impulso de líderes locais. No Brasil as experiências pentecostais foram trazidas por pessoas que haviam vivido em uma comunidade desse tipo, em Chicago. Luigi Francescon, ítalo-americano, fundou em São Paulo e em Sto. Antônio da Platina a Congregação Cristã no Brasil. Os sueco-americanos Daniel Berg e Gunner Vingren deram origem, em Belém (PA), a comunidades que se integraram na Assembléia de Deus. Entre 1911 e 1950 o pentecostalismo cresceu lentamente, mas se firmou em todas as regiões do país.

7. PENTECOSTALISMO NO BRASIL

A história e as características do pentecostalismo no Brasil têm sido estudadas de várias maneiras. Paul Freston e outros têm usado a periodização das três ondas. A primeira onda pentecostal registra a fundação e o surgimento da Congregação Cristã do Brasil e da Assembléia de Deus, nos moldes do pentecostalismo norte-americano de onde provinham os fundadores.

Uma segunda onda pentecostal se iniciou nos anos 50 do século passado, com ênfase não somente no falar em línguas, mas também na cura divina e nos milagres. São numerosas as denominações surgidas nesse período: igreja do Evangelho Quadrangular-Cruzada Nacional de Evangelização (1953); Igreja Pentecostal “O Brasil para Cristo” (1956); Igreja Pentecostal “Deus é Amor” (1961); Metodista Wesleyana (1967) e muitas outras.

Nos anos 70, uma terceira onda pentecostal, que enraizou nas matrizes da cultura brasileira, com uma série de modificações, deu início a formas de pentecostalismo típico que é conhecido com o nome de “pentecostalismo brasileiro”. A Igreja Universal do Reino de Deus (1977), a Igreja Internacional da Graça de Deus (1980), a Igreja Cristo vive (1986), são expressões afirmadas do pentecostalismo brasileiro.

A glossolalia, sinal exterior do Batismo com o Espírito Santo, a expectativa de uma iminente volta de Cristo à Terra, a crença da interferência dos demônios na vida cotidiana, características do “pentecostalismo clássico”, enfraqueceram e a acomodação à nova situação social levou a enfatizar a saúde do corpo, a solução dos problemas psíquicos, a prosperidade como resultado imediato da experiência espiritual. Em tempo de recessão econômica, depois da segunda guerra mundial, diante do aumento do número de pobres, o pentecostalismo da segunda onda começou a sua pregação de milagres e curas. Não é preciso esperar pelo céu. Deus concede a prosperidade e a felicidade aqui e agora. Sendo o diabo, no imaginário popular, causador de todas as coisas ruins que atacam os seres humanos, o exorcismo assume destaque extraordinário nos ritos pentecostais, mais do que a glossolalia. A apropriação de símbolos populares – água, sal, óleo, chaves etc – se torna comum para se atingir esta ou aquela finalidade no mundo do sagrado.

8. PENTECOSTAIS E CARISMÁTICOS

Por um duplo motivo os movimentos pentecostais se separaram das demais comunidades eclesiais tradicionais: Os membros destas comunidades, não tendo recebido a “efusão do Espírito”, eram considerados, pelos pentecostais, carentes de um dom fundamental, concedido aos verdadeiros crentes pelo Espírito Santo. Por outro lado, em muitos casos, as tradições cristãs estabelecidas rejeitaram as expressões pentecostais considerando-as fanáticas e estranhas.

Quando nos anos 50 verificaram-se experiências do “Batismo com o Espírito” no interior das Igrejas históricas, a atitude dos pentecostais passou por uma mudança importante: “todos os que receberam o Espírito Santo são salvos e podem ser contados entre os santos”, ainda que permaneçam nas suas Igrejas de origem.

Os movimentos pentecostais que permaneceram no interior das Igrejas de origem são chamados de movimentos carismáticos para distingui-los daqueles pentecostais que têm constituído comunidades autônomas.

Em 1967, uma renovação carismática teve início e cresceu rapidamente no meio católico-romano. Tornou-se conhecida com o nome de Renovação Carismática Católica.

Pelo fato que esses cristãos mantém sua pertença à comunidade de origem, nasce uma situação nova: os pentecostais clássicos reconhecem a comunhão com aqueles que são batizados com o Espírito, mas não com a comunidade cristã à qual eles pertencem.

Hoje, no interior de Igrejas cristãs estabelecidas: católica, anglicana, luterana, metodista e outras, os movimentos de avivamento de perfil pentecostal atraem membros da mesma comunidade e alimentam aquele sentimento de grupo eleito e renovado com relação aos outros membros da mesma comunidade considerados cristãos não fiéis ou apenas nominais. Os grupos carismáticos que permanecem no interior de suas instituições conservam alguns elementos culturais da comunidade de origem, mas se caracterizam pela ênfase nos elementos pentecostais. Crescem assim forças centrífugas que ameaçam a unidade das Igrejas históricas e não são raros os casos de fragmentação interna e até de separação com a finalidade de constituir comunidades autônomas de tipo pentecostal. Existe, ao lado do movimento de renovação carismática no interior das Igrejas estabelecidas, uma tendência não claramente identificável que se organiza externamente a todas as Igrejas instituídas, inclusive pentecostais. Na América do Norte são hoje cerca de seis milhões os carismáticos independentes.

Visando canalizar a presença carismática no álveo da tradição católica, a Exortação apostólica Christifideles Laici (n.30) indica critérios de eclesialidade válidos para todos os movimentos laicais, mas dirigidos especialmente às recentes expressões carismáticas:

a) a vocação à santidade;
b)
a responsabilidade de confessar a fé católica;
c)
o testemunho de comunhão;
d)
a participação na finalidade apostólica da Igreja;
e)
o empenho de presença na sociedade humana a serviço da dignidade integral do ser humano.

9. TEOLOGIA E ECLESIOLOGIA PENTECOSTAL

Embora nascido do protestantismo, o pentecostalismo substitui doutrinas fundamentais da teologia protestante com novas afirmações. Os princípios da “sola scriptura, sola fides e sola gratia” são enfraquecidos pela adoção das revelações individuais, pelo uso da Bíblia como um objeto mágico-terapéutico, pelo sentimento de confirmação da salvação e revelação de Deus e pelo esforço e o sacrifício pessoal. O poder de mediação do líder carismático obscurece aos poucos o princípio do sacerdócio comum dos fiéis, pelo qual todo crente tem livre acesso a Deus, em Cristo único mediador. A teologia da prosperidade faz desaparecer a ênfase tradicionalmente colocada na escatologia.

No pentecostalismo clássico prevaleceu a idéia da formação de pequenas comunidades e de redes de apoio mútuo, empregadas com sucesso no combate à anomia e ao desenvolvimento de relações acolhedoras e de participação. Mas o pentecostalismo de última geração adota a figura do auditório, de um supermercado de bens religiosos, padroniza o ritual, centraliza o poder eclesiástico, colocando tudo nas mãos de uma autoridade carismática. O serviço litúrgico tende à descompressão psicológica e é transformado em um tempo em que, através da música e da dança, transmite-se otimismo, esperanças e utopias, fazendo esquecer os sofrimentos da vida e as misérias do mundo.

Da matriz católica popular, o pentecostalismo tem enfatizado a idéia de templo-santuário, lugar da benção, do pagamento das promessas e do milagre. Os sacramentais em uso na Igreja Católica (água benta, óleo) elementos sagrados, ricos de energia, portadores de cura e proteção, são utilizados e multiplicados indefinidamente. O exorcismo é o meio a disposição do pastor pentecostal ou do líder carismático para a libertação de pessoas enfermas ou com problemas que parecem sem solução, porque consideradas vítimas do poder do demônio.

10. IGREJA CATÓLICA E MOVIMENTOS PENTECOSTAIS

O crescimento pentecostal no Brasil foi acompanhado por uma perda de fiéis sem precedentes por parte da Igreja Católica. Esse fato parece condicionar as diretrizes da ação pastoral e evangelizadora da Igreja Católica, no Brasil e em outros países. Deixando de lado, às vezes, o peso das múltiplas causas do deslocamento de católicos para outras comunidades cristãs ou para a não pertença a comunidade religiosa alguma, os católicos reagem concentrando suas atenções no desafio pentecostal. Tendo como público alvo pessoas que, de maneira muito geral são consideradas afastadas, a ação evangelizadora ou missionária da Igreja Católica recupera as ferramentas da ação pastoral dos anos 50 e aposta novamente nas devoções e nas missões populares. Uma orientação catequética integralista, conduzida com decisão por institutos religiosos e seculares e por movimentos de perfil restaurador, reaviva as devoções tradicionais do catolicismo (terço em família, novenas, bênçãos, exorcismos, romarias etc.). Utilizando o instrumental pentecostal, a reação católica conta com o incentivo aos meios de comunicação de massa para contrastar a ação proselitista de comunidades pentecostais. Com o apoio ao carismatismo interno, expresso pela Renovação Carismática Católica e por novas comunidades, oferece aos seus fiéis uma alternativa que deveria frear o êxodo para comunidades pentecostais autônomas.

Uma perspectiva diferente é dada pela abertura de espaços de diálogo ecumênico, indicado nos documentos oficiais e conduzido também, de fato, com os pentecostais clássicos pelo Pontifício Conselho para a promoção da unidade dos cristãos. Enquanto parece bastante enfraquecido o diálogo cultural da Igreja Católica com a sociedade brasileira, continua ainda a colaboração ecumênica com segmentos protestantes e pentecostais nas pastorais sociais, nos Inter-eclesiais de CEB ´s e nas Campanhas da Fraternidade.

11. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Walter Hollenweger, especialista mundialmente reconhecido do movimento pentecostal, afirma que o cristianismo cresce no mundo nas formas do pentecostalismo mundial e não nas formas tradicionais. Não há como pensar em outra perspectiva que não seja ecumênica, daquele ecumenismo que busca a unidade visível do povo cristão. Há necessidade urgente de um diálogo entre as Instituições cristãs tradicionais e as novas comunidades pentecostais. Algumas delas já marcam presença em organismos ecumênicos e um certo número de pastores reflete com competência sobre as questões teológicas a partir do interior dos movimentos pentecostais. Na América Latina os movimentos pentecostais não são apenas formas de protestantismo não conformista, mas também formas de espiritualidade católica popular. A pluralidade das expressões pentecostais e uma série de questões bíblicas, teológicas, eclesiológicas e de espiritualidade cristã são levantadas de ambas as partes. A disposição ao diálogo ainda é insuficiente.

Mas permanecem alguns dados de fato que não podem ser ignorados: os movimentos pentecostais se consolidam no mundo interiro, especialmente no terceiro mundo, como formas de professar a fé cristã. As Igrejas cristãs de mais antiga formação têm dificuldade de comunicação e diálogo no contexto das culturas contemporâneas. Um diálogo intenso deveria ser estabelecido entre as diferentes expressões cristãs, antigas e modernas, em vista de um claro e inconfundível testemunho comum a Jesus Cristo, em fidelidade ao Evangelho.

Cipriani Gabriele

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Documentos eclesiais

CONSELHO PARA A PROMOÇÃO DA UNIDADE DOS CRISTÃOS. Diálogo Católico-Pentecostal. Evangelização, proselitismo e testemunho comum. Relatório do diálogo internacional (1990-1997) do Pontifício Conselho para a promoção da unidade dos cristãos, A voz do Papa, n.162, Paulinas, São Paulo,1999
CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL. A Igreja Católica diante do pluralismo religioso no Brasil, Estudos da CNBB n. 62, 69, 71, São Paulo: Paulinas, Paulus, 1991, 1993, 1994.
CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL. Orientações pastorais sobre a renovação carismática católica, Documentos da CNBB, n. 53, São Paulo: Paulinas, 1994
COMISSÃO EPISCOPAL PATORAL PARA A DOUTRINA DA FÉ. Igreja particular, movimentos eclesiais e novas comunidades, Col. Subsídios Doutrinais da CNBB, n.3., São Paulo: Paulinas, 2005.

Bibliografia geral

ANTONIAZZI, Alberto et alii. Nem anjos nem demônios: interpretações sociológicas do pentecostalismo. Petrópolis: Vozes, 1996. – FABRI DOS ANJOS, Márcio (org.). Sob o fogo do Espírito. São Paulo: Paulinas/Soter, 1998.
CARRANZA, Brenda. Renovação Carismática Católica: origens, mudanças e tendências. Aparecida: Santuário, 2000.
MARIANO, Ricardo, Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no Brasil. São Paulo: Loyola, 1999.
PASSOS, João Décio (org.). Movimentos do Espírito: Matrizes, afinidades e territórios pentecostais. Paulinas: São Paulo, 2005.
CONCILIUM/181. Novos movimentos religiosos, 1983/1.
CONCILIUM/265. Movimentos pentecostais. Um desafio ecumênico, 1996/3.
CONCILIUM/301. Movimentos na Igreja, 2003/3

Fonte: www.missiologia.org.br

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