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Conferências de Yalta e Potsdam

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O que foi

Conferências que reúnem as principais potências vencedoras da II Guerra Mundial, ao final do conflito, para redesenhar o mapa político mundial e as áreas de influência de cada uma.

A primeira é realizada de 4 a 11 de fevereiro de 1945, em Yalta, na região da Criméia (Ucrânia), com a participação de Winston Churchill, primeiro-ministro do Reino Unido, Franklin Roosevelt, presidente dos Estados Unidos (EUA), e Josef Stálin, governante da então União Soviética (URSS).

A segunda, entre 17 de julho e 2 de agosto de 1945, ocorre em Potsdam, nos arredores de Berlim, Alemanha, reunindo Stálin, Clement Attlee, do Reino Unido, e o novo presidente norte-americano, Harry Truman.

Em Yalta, são abordadas questões como o tratamento a ser dispensado à Alemanha após a guerra, incluindo sua divisão em zonas de ocupação e a eliminação de sua indústria bélica, e a perseguição aos criminosos de guerra. Também se decide pela criação do Estado polonês e lançam-se as bases para a criação das Nações Unidas.

A URSS concorda em combater o Japão após a derrota final da Alemanha, recebendo em troca áreas de ocupação no Leste Europeu e da Lituânia, Letônia e Estônia.

Na Conferência de Potsdam, a Alemanha e a cidade de Berlim são divididas em quatro zonas de ocupação (sob o comando do Reino Unido, França, EUA e URSS). O país perde extensas porções de seu território, suas Forças Armadas são desmobilizadas e o parque industrial é reduzido. A Coréia é dividida entre os EUA (sul) e URSS (norte) e o Japão se mantém sob ocupação norte-americana.

As conferências têm influência determinante na situação geopolítica das cinco décadas seguintes, durante a Guerra Fria, período no qual as zonas definidas ao final da guerra mantêm-se, de modo geral, inalteradas.

Decisões tomadas em Ialta e Postdam

Em Ialta e Postdam, Roosevelt, Estaline e Churchill reuniram-se com o objetivo de estabelecer as regras que devem sustentar a nova ordem internacional do pós-guerra.

Nesta conferência ficaram acordadas algumas questões importantes:

Definiram-se as fronteiras da Polônia;
Estabeleceu-se a divisão provisória da Alemanha em quatro áreas de ocupação;
Decidiu-se a reunião da conferência preparatória da Organização das Nações Unidas;
Estipulou-se o supervisionamento dos “três grandes” na futura constituição dos governos dos países de Leste;
Estabeleceu-se o pagamento, por parte de Alemanha, de 20 000 milhões de dólares referentes às reparações da guerra.

A conferência de Postdam encerrou sem alcançar uma solução definitiva para os países vencidos, limitando-se a ratificar e a pormenorizar os aspetos já acordados em Ialta:

A perda provisória de soberania da Alemanha e a sua divisão em quatro áreas de ocupação;
A administração conjunta da cidade de Berlim, igualmente dividida em quatro setores de ocupação;
O montante e o tipo de indemnizações a pagar pela Alemanha;
O julgamento dos criminosos de guerra por um tribunal internacional (Nuremberga);
A divisão, ocupação e desnazificação da Áustria em moldes semelhantes aos estabelecidos para a Alemanha.

Fonte: www.geocities.yahoo.com.br

Conferências de Yalta e Potsdam

As conferências de Yalta e de Potsdam foram chamados para ajudar os Aliados decidir o que aconteceria com a Europa, e em especial a Alemanha, no final da Segunda Guerra Mundial

A Conferência de Yalta (fevereiro de 1945)

A conferência de Yalta na Criméia foi a primeira das conferências, em 1945, para tentar planejar o futuro após o fim da guerra.

Ele foi atendido por Stalin, Roosevelt e Stalin, embora Roosevelt já estava doente e morreu dois meses depois.

Na época (ainda durante a guerra), Yalta foi pensado para ser um grande sucesso.

Foi alcançado um acordo sobre uma série de pontos, incluindo:

Criação de uma Organização das Nações Unidas
A divisão da Alemanha em zonas de ocupação para cada potência
Berlim (na zona russo) também ser dividido em duas zonas
Acordos semelhantes para a ocupação da Áustria
Eleições livres, a ser realizada nos estados da Europa de Leste
Stalin iria se juntar à guerra contra o Japão 3 meses após a derrota da Alemanha
Bessarábia e os Estados bálticos da Lituânia, Letónia e Estónia (tomado por Stalin em 1939) se tornaria parte da URSS

No entanto, já havia alguns sinais de desconfiança mútua desenvolvendo em Yalta. No retorno para se juntar à guerra contra o Japão, Stalin queria compensação territorial na Manchúria e de toda a ilha de Sakhalin. Polônia posou problemas ainda maiores. Como os russos se estenderam por Polônia em 1944/5 eles estabeleceram um novo governo comunista em Lublin, apesar do fato de que já havia um governo no exílio polonês em Londres. Foi acordado em Yalta que alguns membros do governo baseado em Londres não-comunista devem ser autorizados a participar do governo Lublin, enquanto, em contrapartida, a Rússia teria permissão para manter a tira da Polônia Oriental que ocupava em 1939. No entanto, Roosevelt e Churchill recusou-se a concordar com as exigências de Stalin que a Polônia deve ser dado todo o território a leste alemão dos rios Oder e Neisse.

Então, para resumir a Conferência de Yalta, enquanto alguns acordos haviam sido garantidos, foi de modo algum certo que promete durante a guerra seria realizada e motivos de suspeita mútua cresceu.

A Conferência de Potsdam (julho de 1945)

Após a rendição alemã, em Julho de 1945, o Big Three se encontraram novamente em Potsdam, nos arredores de Berlim. Os principais representantes eram Stalin, Truman (sucessor de Roosevelt como presidente dos EUA) e Churchill (que foi depois substituído por Clement Attlee depois da vitória do Trabalho na eleição geral britânica de 1945). A conferência revelou uma distinta esfriamento nas relações entre o Oriente eo Ocidente.

A guerra com a Alemanha tinha acabado, mas tinha sido alcançado um acordo sobre o seu futuro a longo prazo além do que tinha sido decidido em Yalta.

Entendia-se que a Alemanha deve ser desarmado, o Partido Nazista dissolvida e seus líderes julgados como criminosos de guerra “. Truman e Churchill já havia sido hostilizado porque a parte da Alemanha a leste da linha Oder-Neisse ocupada pelas forças russas estava sendo executado pelo governo polonês pró-comunista. Este foi precisamente o que Churchill e Roosevelt tinha recusado em Yalta. O que foi mais, o governo polonês tinha começado a expulsar cerca de 5 milhões de alemães que vivem nesta área.

Mesmo assim, alguns acordos claros foram alcançados:

Por enquanto, a Alemanha era para ser executado por um Conselho de Controle composto pelos quatro comandantes militares das quatro zonas
Alemanha era para ser dado a “oportunidade de … reconstruir sua vida em uma base democrática e pacífica”, incluindo eleições em algum momento no futuro
Líderes nazistas deviam ser julgados
Reparações: cada poder poderia levar o que ele queria de sua própria zona, além disso, a Rússia poderia levar 25% do equipamento industrial em outras zonas
Acordos semelhantes foram feitas para a Áustria.

Tão significativo como o que foi dito em Potsdam foi o que não foi dito. Truman não informou Stalin sobre a natureza da bomba atômica, apesar de ele ter informado Churchill durante a conferência. Poucos dias após a conferência terminou, duas bombas atômicas foram lançadas sobre o Japão e a guerra terminou rapidamente em 10 de agosto, sem a necessidade de ajuda russa contra o Japão. Mesmo assim, os russos declararam guerra ao Japão em 8 de agosto e invadiu a Manchúria. Embora eles anexa ao sul Sakhalin como foi acordado em Yalta, eles foram autorizados não participou da ocupação do Japão.

O mundo entrou na era nuclear, mas ao fazê-lo mais tensões e suspeitas tinham desenvolvido entre o Oriente eo Ocidente.

As Três Grandes durante a Guerra

Em nome do Governo de Sua Majestade eu enviar-lhe os seus agradecimentos para toda a hospitalidade e amizade estendida a delegação britânica na Conferência da Criméia … Nenhuma reunião anterior demonstrou tão claramente os resultados que podem ser alcançados quando os três chefes de governo se reúnem com a plena intenção de enfrentar dificuldades e resolvê-los.

Você mesmo disse que a cooperação seria menos fácil quando o elo unificador de luta contra um inimigo comum havia sido removido. Estou resolvido, como eu tenho certeza que o presidente e você está resolvido que a amizade e cooperação tão firmemente estabelecida não deve desaparecer quando a vitória foi ganha.

Winston Churchill, em um telegrama datado de 17 de fevereiro de 1945,

Stalin agradecendo por sua “hospitalidade e amizade” na Conferência de Yalta.

Durante a guerra, a Grã-Bretanha e os EUA eram aliados da União Soviética, mas a única coisa que os unia era o seu ódio da Alemanha.

Em 1945, o Três Grandes realizaram duas conferências – em Yalta (fevereiro) e Potsdam (julho) – para tentar resolver como eles iriam organizar o mundo depois da guerra. Foi nessas conferências que as tensões entre os dois lados se tornou óbvio.

Yalta (fevereiro 1945)

Realizada durante a guerra, na superfície, a conferência de Yalta parecia bem sucedido.

Os Aliados acordaram um Protocolo de Procedimentos para:

Dividir a Alemanha em quatro “zonas”, que a Grã-Bretanha, França, EUA e URSS ocupariam depois da guerra.
Trazer nazistas de guerra criminosos a julgamento.
Configurar um polaco Governo Provisório de Unidade Nacional “prometidos para a realização de eleições livres e desimpedidos, o mais rapidamente possível”.
Ajudar os povos libertados da Europa configurar países democráticos e de auto-governo, ajudando-a (A) manter a lei ea ordem; (B) levar a cabo medidas de ajuda de emergência; (C) estabelecer governos; e (D) realização de eleições (isso foi chamado de “Declaração de libertaram a Europa»).
Criou uma comissão para investigar as reparações.

Em Yalta, as negociações foi muito a favor de Stalin, mas isso foi porque Roosevelt queria ajuda russa no Pacífico, e foi preparado para concordar com quase tudo, desde que Stalin concordou em ir para a guerra com o Japão.

Portanto, Stalin prometeu que:

Rússia vai se juntar à guerra no Pacífico, em troca de zonas de ocupação na Coréia do Norte e na Manchúria.
A Rússia também concordou em se juntar às Nações Unidas.

Embora a Conferência apareceu bem sucedida, no entanto, nos bastidores, a tensão foi crescendo, particularmente sobre as reparações, e sobre a Polônia.

Após a conferência, Churchill escreveu a Roosevelt que “A União Soviética tornou-se um perigo para o mundo livre.”

Potsdam (julho de 1945)

Em Potsdam, os Aliados se reuniu após a rendição da Alemanha (em Maio de 1945) para finalizar os principls da paz pós-guerra – Potsdam foi a Versailles da II Guerra Mundial.

Três fatores fez com que a Conferência de Potsdam não foi bem sucedida:

As relações entre as superpotências piorou consideravelmente desde Yalta. Em março de 1945, Stalin tinha convidado os líderes poloneses não-comunistas para encontrá-lo, e os prendeu. As coisas tinham ficou tão ruim que, em Maio de 1945, o grupo britânico Joint Planing tinha elaborado planos para ‘Operação Unthinkable “- uma” guerra total … para impor nossa vontade sobre a Rússia “.

Enquanto isso, Rooevelt tinha morrido, e os Estados Unidos tinham um novo presidente, Truman, que estava inclinado a ‘ser duro’ com os russos.

Além disso, logo depois de ter chegado na Conferência, Truman aprendeu (em 21 de Julho) que a América tinha testado a primeira bomba atômica. Isso deu aos americanos uma enorme vantagem militar sobre todos os outros. Também significava que Truman não precisa da ajuda de Stalin no Japão. Em vez disso, o principal objetivo de Truman na conferência foi o de descobrir a partir de Stalin de que data os russos a intenção de entrar na guerra no Pacífico – algo que (ao contrário de Roosevelt) que ele não queria.

Assim, em Potsdam, os argumentos vieram à tona.

A Conferência aprovou os seguintes protocolos:

Para configurar os quatro “zonas de ocupação” na Alemanha. O Partido Nazista, o governo e as leis deveriam ser destruídos, e ‘educação alemão será tão controlado como completamente para eliminar nazista e doutrinas militaristas e para tornar possível o êxito do desenvolvimento de idéias democráticas.

Para trazer nazistas de guerra criminosos a julgamento.

A reconhecer o polaco Governo Provisório de Unidade Nacional e segure “eleições livres e desimpedidos, o mais rapidamente possível”.

Rússia foi autorizado a tomar as reparações da Zona Soviética, e também 10% do equipamento industrial das zonas ocidentais como reparações. América e Grã-Bretanha poderia levar reparações de suas zonas de se quisessem.

Fonte: www.gcsehistory.org.uk/www.johndclare.net

Conferências de Yalta e Potsdam

A Conferência de Yalta, ocorrida em fevereiro de 1945, a segunda rodada do encontro entre os três senhores do Mundo – Roosevelt, Churchill e Stalin – foi a mais famosa de todas as conferências da Segunda Guerra Mundial, pois nela deu-se a partilha do mundo entre os Três Grandes, nas vésperas da vitória final da Grande Aliança sobre as forças do Eixo.

As decisões que foram tomadas naquela ocasião tiveram efeitos diretos e duradouros sobre povos e nações do mundo inteiro pelo meio século seguinte.

Encontro na Criméia

A península da Criméia no Mar Negro, ligada à Ucrânia pelo istmo de Perekop, lembra a crônica da ilha da Sicília. Várias vezes invadida e conquistada na história foi, por alguns séculos, território dos tártaros até que eles, em 1783, se submeteram aos russos vindos do norte.

Quando o avião do primeiro-ministro britânico Winston Churchill pousou no aeroporto de Sebastopol, base aero-naval soviética na península, no começo de fevereiro de 1945, depois de uma demorada e cansativa viagem, por todos os lados viam-se as ruínas causadas pela invasão dos nazistas e pela recente evacuação deles.

A cidade fora submetida, entre junho e julho de 1942, a um implacável sítio pelo general Von Manstein, quando mais de 500 mil obuses desabaram sobre ela.

Consideravam-na “a maior fortaleza do mundo” até que as resistências do general Petrov cederam e Sebastopol rendeu-se.

A Criméia somente fora reconquistada pelo Exército Vermelho no verão de 1944, portanto, quanto o plenipotenciário britânico lá aterrissara, a pobre península estava tão esburacada quanto um queijo suíço.

Churchill odiou o trajeto percorrido de automóvel até Yalta, local escolhido para segunda cúpula dos “Três Grandes”, realizada entre os dias 7 e 11 de fevereiro de 1945. O lugarejo era uma antiga estação de veraneio da família do czar, situado bem no sul da península da Criméia e dotado de uma paisagem deslumbrante.

O palácio local fora rapidamente adaptado para acolher os senhores do mundo: o presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt, o primeiro-ministro britânico Winston Churchill, e o generalíssimo soviético Joseph Stalin, a quem, naqueles tempos de amizade e confraternização guerreira, a imprensa americana tratava como “Oncle Joe”, o tio Joe.

Ali, envolvidos pelo silêncio e pelo clima de lazer, eles decidiriam o destino futuro das nações e de centenas de povos.

Aqueles três estadistas sessentões controlavam um território descomunal.

Incluindo-se o domínio da Grã-Bretanha sobre as suas 51 colônias espalhadas pelos mundo (mais de 23 milhões de km²), somadas ao território americano (9.372.614 km²) e ao soviético (22.402.000 km²), perfaziam um total superior a 55 milhões de km², habitados por 1/3 da população da Terra.

Formavam um clube fechado no qual somente entravam, como exigia Stalin, “quem tivesse mais de cinco milhões de soldados”.

Conferências de Yalta e Potsdam
Os três grandes: Churchill, Roosevelt e Stalin

Boas notícias do fronte da guerra

Conferências de Yalta e Potsdam
O atentado contra Hitler, 20/07/1944

Até aquela altura tudo parecia andar no bom caminho entre os Três Grandes. As vitórias soviéticas ao longo do ano de 1944 tinham sido impressionantes. Uma enorme linha de combate, com bem mais de 2.700 quilômetros de extensão, que partia das águas geladas do Mar Branco, no norte da URSS, estendendo-se até as estepes quentes do sul da Ucrânia, agindo como se fora um implacável rolo compressor de tanques, aviões, canhões e tropas de infantaria russa, havia empurrado e parcialmente destruído com quase todas as divisões alemães e suas aliadas (italianas, croatas, romenas e húngaras), colocando-as em debandada para fora das fronteiras soviéticas.

No fronte ocidental, por sua vez, após a bem sucedida operação de desembarque aliado na Normandia no DIA-D, 6 de junho de 1944, quando a Muralha do Atlântico de Hitler foi violada com certa facilidade, tudo dera para correr bem. Os nazistas não resistiram à impressionante articulação de milhares de bocas de canhões dos 1.200 navios de guerra das marinhas anglo-saxãs com esquadrilhas de bombardeios de 3.500 aviões da USAF (United States Air Force) e da RAF (Royal Air Force), seguida pelo assalto as praias coordenado pelos generais Bradley, Montgomery e Dempsey, que despejaram 90 mil combatentes no litoral da França. E isso que eram apenas a vanguarda dos dois milhões de soldados, das mais diversas nacionalidades, que chegariam ao continente europeu nos meses seguintes, obedecendo ao comando supremo do general norte-americano Dwigth Eisenhower.

Zonas de influência

Os encontros em Yalta foram estabelecidos num horário que agradou Churchill: às 5 horas da tarde. O premier britânico detestava acordar cedo, e costumava despachar do leito onde ficava até o meio-dia. Nos intervalos das reuniões, sorvia generosas doses de uísque e à noite, na hora da confraternização, era vez de derrubar incontáveis garrafas de champanha. Roosevelt, que ficou lisonjeado, foi apontado por Stalin como o arbitro entre os dois super-poderes europeus, o Imperio Britânico e o Império Soviético. Churchill havia proposto, uns meses antes, uma política de Zonas de Influência sobre as áreas a liberadas ou ainda a serem liberadas.

A Grã-Bretanha, num acordo prévio acertado em Moscou em outubro de 1944, quando o primeiro-ministro e Antony Eden foram à Moscou, ficaria com a Grécia e metade da Iugoslávia, enquanto Stalin teria o domínio quase integral sobre a Hungria, Romênia e a Bulgária (*). A questão mais polêmica foi a da Polônia. Churchill alegou que a Grã-Bretanha fora à guerra em 1939 para defender a soberania dos poloneses contra os nazistas e não poderia aceitar que aquele pais, em vésperas de ser ocupado pelo Exército Vermelho, fosse cair na órbita soviética.

Stalin retrucou que não se tratava de uma questão de honra, mas sim de segurança. Milhões de russos pereceram e grande parte da União Soviética fora destruída por uma invasão que partira do território polonês. Ele, para tanto, já tomara as providências, criando um Comitê Nacional de Lublin, formado por poloneses de confiança refugiados em Moscou, como Bierut e Osóbka-Morawski, para assumirem o controle do país. Além disso, os britânicos e os americanos, quando ocuparam a Itália, não fizeram nenhum gosto em querer a coparticipação dos soviéticos nos arranjos do regime pós-fascista.

Mesmo assim, Stalin concordou que, terminada a guerra contra a Alemanha, haveriam eleições livres na Polônia, pois um dos compromisso assumidos pelos Três Grandes – no tópico II da declaração final conjunta, de 11 de fevereiro de 1945 -, era assegurar que “os povos teriam direito de escolher sua própria forma de governo sob o qual desejavam viver”. Marcaram igualmente para o dia 25 de abril daquele ano uma conferencia em São Francisco, nos Estados Unidos, que lançaria as bases das Nações Unidas, composta inicialmente por todos os países que declarassem guerra ao Eixo até o dia 1º de março de 1945. A organização seria dirigida por um Conselho de Segurança de cinco membros permanente e por seis outros rotativos, a fim de garantir a paz e a segurança no mundo do após-guerra.

O desmembramento da Alemanha

Conferências de Yalta e Potsdam
O palácio Livadia, local da conferência de Yalta

Ao contrário de novembro de 1918, quando os aliados vencedores do IIº Reich alemão, assinaram um armistício com o governo do Kaiser Guilherme II sem adentrar no território alemão, os “Três Grandes” comprometeram-se não só em ocupar a Alemanha como dividi-la em quatro partes (a americana, a britânica, e a soviética, com uma pequena presença da França). Somente assim, era a opinião unânime deles, poderiam extirpar para sempre o espírito belicista do nacionalismo prussiano responsável pelas guerras de agressão. Stalin enfatizou a necessidade dos alemães pagarem reparações a todo os países por eles agredidos desde 1939 em forma de usinas, equipamentos industriais, máquinas, navios, material de transporte, além de expropriar deles todos os investimentos que possuíam no estrangeiro, num total aproximado a 20 bilhões de dólares daquela época, dos quais 50% caberia à URSS. Teriam ainda que entregar as colheitas e até permitir o uso da força de trabalho alemão para restaurar os estragos da guerra.

Uma das propostas mais radicais partiu de Henry Morgenthau, o Secretário do Tesouro americano (de 1934 a 1945), no sentido da “ pastorilização” da Alemanha, isto é, fazê-la voltar à Idade Média, com a remoção completa do seu parque industrial. A dieta dos alemães para Roosevelt seria “sopa na manhã, sopa no almoço e sopa na janta”. O país derrotado seria dirigido por um Conselho de Controle – formado por autoridades das quatro nações – responsável pela execução da política de ocupação.

Acertou-se que aqueles que fossem apontados como criminosos de guerra seriam julgados num tribunal especial (a Corte de Nuremberg, funcionando a partir de 1946). Outros temas em pauta (que chegou a ter 14 disposições) diziam respeito ao regime a ser adotado na Iugoslávia, a questão de limites entre a Iugoslávia , a Itália, a Bulgária e a Áustria e, por fim, a necessidade da Turquia participar da etapa final da guerra.

Stalin cobrou especial atenção para suas exigência no Extremo Oriente. Para entrar na guerra contra ao Japão, queria em contrapartida que os antigos “direitos russos” na região (Mongólia, entrada de ferro manchuriana, ilhas Sakalinas e Kurilas), perdidos na guerra russo-nipônica de 1904, fossem restaurados e ampliados.

As críticas a Yalta

Com a emergência da Guerra Fria, provocada pelo discurso de Churchill em Fulton, em 5 de março de 1946, quando fez a pública menção sobre a Iron Courtain, a “Cortina de Ferro”, pairando como uma ameaça sobre a liberdade dos europeus e a doutrina Truman que a seguiu (março de 1947), choveram acusações e críticas dos conservadores e dos direitistas ocidentais sobre o desempenho do presidente Roosevelt (falecido em 12 de abril de 1945). Ele simplesmente teria “entregado” a Europa do Leste aos vermelhos. De fato, o presidente estava com a saúde profundamente abalada (em semi-coma, segundo alguns dos presentes em Yalta, vindo a falecer 90 dias depois da cúpula), mas isso não foi a razão.

Em primeiro lugar ninguém entregou nada a Stalin. Foi o Exército Vermelho que, na perseguição aos nazistas, levou tudo de roldão, chegando, antes mesmo de capturar Berlim (em 2 de maio de 1945), até às margens do rio Elba, onde se deu a célebre confraternização com as tropas americanas na ponte de Torgau, no dia 25 de abril de 1945. Deve-se, também, levar em consideração que tipo de mundo previa Roosevelt para o após-guerra.

Não era um planeta dividido pelo ódio ideológico entre democratas e comunistas como os políticos, os diplomatas e os estrategistas militares da guerra fria, de ambos os lados, terminaram instituindo. Antes pelo contrário. Ele acreditava que poderia coexistir pacificamente com Stalin e era igualmente sincero na sua percepção de que os dias do Império Britânico estavam contados. Não fazia parte dos seus planos ficar na Europa com suas tropas muito além de dois anos (foi o que disse a Churchill em Yalta), visto que, fixado os limites gerais com Stalin, a verdadeira força na Europa, era desnecessária uma presença americana continuada por lá.

Era possível que restabelecida a sensação de segurança da URSS, arrasada e traumatizada pela invasão nazista, Stalin se encaminhasse para uma liberação do seu regime. Mas se Roosevelt de fato orientou-se nesse sentido teria feito o papel do ingênuo, um irresponsável que “capitulara” frente aos vermelhos em Yalta.

A stalinização da Europa do Leste

Pode-se supor que a politica soviética de stalinizar os países ocupados depois de 1945 (Romênia, Bulgária, Polônia, Hungria, Checoslováquia e Alemanha Oriental, transformados em “Democracias Populares”), obrigando-os a seguirem o modelo coletivista , deveu-se essencialmente ao seu anseio por segurança e não a um provável devaneio em querer ampliar as fronteiras do comunismo internacional. Afinal, desde o outono de 1924, ele defendera, contra a tese da “Revolução Permanente” de Trótski, a linha do “ Socialismo num só país” , tornando-se um descrente nas possibilidades do comunismo vir a ter sucesso fora das fronteiras da URSS (sinal disso foi o fechamento do Comintern, a Internacional Comunista, determinado por ele em 1943).

Daí resulta que a política externa adotada pelo generalíssimo não diferir, em essência, da dos czares russos do passado. Não era a causa socialista que o interessava, mas sim o poder, a integridade, e a grandeza da Grão-Rússia. Ele agitava a bandeira vermelha apenas quando isso taticamente interessava ao estado imperial russo. Isso explica a indiferença dele pela política de autodeterminação dos povos que se submeteram à ocupação soviética.(*)

(*) Interessa observar, a título de curiosidade, que a tese que o ele apresentou ao Comitê Central bolchevique, a primeira em que assinou com o codinome “Stalin”, intitulada “Os problemas das nacionalidades e a social-democracia”, em 1912, versava justamente em favor da autodeterminação das nacionalidades que se encontravam naquela época sob a tutela do czarismo.

Síntese da conferência de Yalta

Data: 7 a 11 de fevereiro de 1945
Presentes: F.D.Roosevelt (EUA), W.Churchill(GB), J. Stalin (URSS)
Assuntos tratados: A organização do mundo: fundação da ONU; declaração de liberdade para os povos; desmembramento e reparações pagas pela Alemanha; Polônia sob regime pró-soviético; questões de fronteira entre Iugoslávia e seus vizinhos; zonas de influência anglo-soviéticas; direitos soviéticos na guerra contra o Japão.

Fonte: educaterra.terra.com.br

Conferências de Yalta e Potsdam

As conferências internacionais de Yalta e Potsdam e sua contribuição à construção da hegemonia econômica internacional norte americana no capitalismo do pós 2ª Guerra Mundial

Resumo

Em 1945 os denominados três grandes (EUA, Inglaterra e URSS) se reuniram em duas ocasiões, na Conferência de Yalta e na de Potsdam. Ambas as reuniões lançaram as bases da Doutrina da Guerra Fria. Esta se baseou em um discurso que reforçava a desconfiança entre EUA e URSS.

A bipolaridade, característica desse período, se desmembra em três principais aspectos interligados: a disputa para manter as zonas de influência (delimitadas em Yalta), o equilíbrio do poder (refere-se à corrida armamentista) e a dissuasão ou Contenção (através do Plano Marshall e da proliferação de bases militares norte- americanas pelo mundo).

Nesse contexto, a economia norte-americana se fortaleceu, o que se traduziu, também, em investimentos, em pesquisas, tecnologia. Consequentemente proporcionou um grande poder militar – sustentado pela corrida armamentista, culminando na constituição de um complexo industrial-militar que passou a ser economicamente essencial aos EUA – e em poder político, que somados foram essenciais para a sustentação econômica do país.

1 INTRODUÇÃO

O fim da Segunda Guerra Mundial trouxe consigo resultados que interferiram diretamente no que, mais tarde, se consolidaria e culminaria na Guerra Fria. O primeiro desses resultados foi a supremacia econômica alcançada pelos Estados Unidos, ao término daquela grande guerra. Segundo Vizentini (2006, p. 12).

(…) pois ele (os Estados Unidos) reativou e expandiu seu parque industrial, absorveu a enorme massa de desempregados dos anos 30, além de o país sofrer poucas perdas humanas e praticamente nenhuma destruição material.

Outro aspecto de grande importância foi o fato de a economia norte-americana se tornar imprescindível ao capitalismo do pós-guerra, afinal, estendeu o benefício de sua riqueza e poder para ajudar a reconstruir a Europa Ocidental (PERRY, 2002). Em outras palavras, já que seus aliados estavam debilitados (WALLERSTEIN, 2004, p. 22), e os, até então, rivais estavam em condições até piores, os EUA eram quem poderia assegurar o renascimento econômico do capitalismo internacional. Conforme explica Vizentini (2006), no ano de 1945 os Estados Unidos eram responsáveis por 60% da produção industrial mundial. A esse enorme poder e supremacia industriais devem ser ainda acrescentado em favor dos Estados Unidos as importantes reservas de ouro monetário em termos relativos e o gigantesco aparelho militar consolidado durante os anos de guerra. Tudo isso teria um papel absolutamente decisivo na construção da hegemonia econômica internacional norte- americana após a Segunda Guerra Mundial, quando se formou um sistema mundial marcado pela bipolaridade.

A pax americana (VIZENTINI, 2012) que se forjaria à base da supremacia econômica, financeira e militar dos Estados Unidos não poderia portanto prescindir de ações estratégicas e de alcance internacional do governo dos Estados Unidos em sintonia com os interesses da burguesia nacional. Porém, tais ações estratégicas também não poderiam negligenciar a necessidade dos demais países do sistema internacional e, principalmente, daqueles que se desejava manter na órbita de influência econômica norte-americana.

A partir da Guerra Fria (…) as decisões políticas emanadas dos Estados Unidos adquiriram importância decisiva para todos os Estados. Washington passou a dispor de estratégias de alcance mundial e dos meios e instrumentos – econômicos, militares e diplomáticos – necessários para a execução dessas estratégias. (MAGNOLI, 2008, p. 68-69).

Dentre as ações estratégicas mais importantes para a consolidação da hegemonia econômica internacional dos Estados Unidos podemos citar: a Conferência Financeira Internacional de Bretton Woods (1945), as Conferências de Yalta e Potsdam (ambas em 1945), o Plano Marshall (1947) e o Acordo Geral de Tarifas e Comércio – GATT (1947). O presente artigo tem por objetivo refletir especialmente sobre a importância das Conferências de Yalta e Potsdam para a consolidação da hegemonia norte-americana pós- 1945.

2 A CONFERÊNCIA DE YALTA (FEVEREIRO DE 1945)

A Segunda Grande Guerra não havia ainda chegado ao fim quando as três grandes potências aliadas (a Inglaterra, representada por Winston Churchill e mais tarde Clement Attlee; a URSS, representada por Stálin; e os Estados Unidos, representados por Franklin Roosevelt e mais tarde Harry Truman) começaram a se articular com vistas a reorganizar o sistema internacional do pós-guerra. A primeira dessas reuniões aconteceu na cidade de Teerã em novembro de 1943; a segunda aconteceu em Yalta, na Criméia, em fevereiro de 1945; e a terceira em Potsdam (Alemanha), em julho/agosto também de 1945. As duas últimas conferências foram decisivas nos rumos que tomariam a economia e o sistema capitalista internacional ao fim da guerra.

O contexto histórico que envolveu as Conferências de Yalta e Potsdam era de uma Europa devastada. Já era sabido dos três grandes que a França e a Itália sairiam enfraquecidas da guerra. Tendo em vista o enfraquecimento econômico e militar relativos da Inglaterra, o contexto dos encontros implicava também uma URSS despontando como a principal potência militar do continente europeu (WAACK, 2008, p. 274). Pode-se concluir então que EUA e URSS eram as duas grandes potências militares da época, sendo que os Estados Unidos ainda contavam com uma economia bem desenvolvida e em pleno crescimento, sendo que sua indústria chegou a crescer mais de 15% ao ano entre 1940 e 1944.

Conforme explica Waack (2008, p.272), ao se encontrar com seus interlocutores em Yalta, a visão do presidente dos Estados Unidos, Roosevelt, era construir a nova ordem mundial do pós-guerra em cooperação com Stálin.

Alors, en cette fin de guerre en 1945, si les impérialistes anglo-américains composaient avec le chef du Kremlin, s’ils étaient prêts à faire la part du jeux, c’est parce qu’une préoccupation commune les unissait: comment établir et maintenir l’ordre dans l’Europe d’après-guerre.

Por isso a Conferência de Yalta foi, para muitos autores, como Vizentini (2006), o ápice da cooperação entre EUA e URSS, e demonstrou o declínio da Grã-Bretanha como potência.

É importante se destacar que, embora alguns autores afirmem que a personalidade dos líderes reunidos na Conferência tenha sido decisiva para o encaminhamento da mesma, o que de fato foi, mas não se deve esquecer que estes mesmos líderes estão representando os interesses estatais e que em outras esferas também ocorrem discussões com outros líderes, sejam eles ministros ou conselheiros. Nesse sentido, para muitos americanos Roosevelt por estar “velho e doente” fora incapaz de impor uma posição menos flexível, mas, deve-se levar em conta também o fato de tanto os EUA quanto a URSS necessitarem um do outro naquele momento e por isso havia um espírito de cooperação mais forte nessa Conferência.

Dadas as condições econômicas, sociais e políticas do imediato pós-guerra, tanto na União Soviética (URSS) e países da Europa oriental, quanto nos países da Europa central e ocidental, não devemos estranhar que as palavras de ordem no mundo eram “paz e reconstrução”. E, a princípio, era perceptível um espírito de cooperação entre soviéticos e norte-americanos em Yalta, principalmente, porque os Estados Unidos sabiam que não poderiam ignorar a participação dos soviéticos na edificação de uma nova ordem mundial. Esse mesmo espírito de cooperação, entretanto, parecia não alcançar os representantes britânicos. Churchill, menos otimista que Roosevelt em relação à cooperação com a URSS, tinha um posição menos amistosa do que a norte-americana, e queria já uma divisão clara das esferas de influência na Europa pois, conforme explica Waack (2008), sabia que logo após a retirada das tropas americanas da região, os interesses britânicos estariam ameaçados na região do Mediterrâneo, afinal já havia ocupação soviética no Leste e Centro Europeu, e queriam evitar que continuassem pela região sul dos Bálcãs.

Dentre as questões mais importantes discutidas e acordadas em Yalta vale à pena destacar:

1. A questão da fronteira entre URSS e Polônia: alguns territórios poloneses e romenos foram entregues aos soviéticos, aumentando seu território e influência na região do Centro e Leste Europeu (sendo que em 1939 já havia anexado a região dos Estados Bálticos). Mais precisamente, agora a fronteira dos territórios da URSS, com terras polonesas, se daria na Linha Curzon.

2. Países que tinham fronteira com a URSS não teriam governos antissoviéticos: ficou inicialmente acordado que o Leste Europeu, ou seja, os países limítrofes com a União Soviética, não poderiam ter governos que fossem contra a URSS. O interesse soviético disso se dava pelo fato de esses países terem servido de “corredor” para a entrada dos alemães no seu território (VIZENTINI, 1997, p.7). Nesse ponto, vale destacar o papel que teve o Exército Vermelho em expulsar as tropas alemãs e que se mantiveram presentes na região desde então. Isso mostra que a URSS já tinha certo domínio, certa influência sobre esses países, como bem aponta Vizentini (1997, p.7) em seu artigo e, inclusive, critica a utilização do conceito de “partilha do mundo”, já que essa parte foi acordada que ficaria com a URSS, mas o resto do mundo ficou sob esfera capitalista. Na época, já inicial de guerra fria Roosevelt foi muito criticado por diversos norte-americanos, por de certo modo, ceder facilmente o território em questão ao domínio soviético.

Mais especificamente sobre a forma do governo dos países limítrofes à URSS, Magnoli (2008, p.85) aponta que:

(…) previa a formação de governos de união nacional na Polônia, Tchecoslováquia, Hungria, Romênia, Bulgária, Iugoslávia e Albânia. Tais governos contariam com representantes de todos os partidos antifascistas, mas seriam dirigidos pelos partidos comunistas.

O Governo na Polônia estava sendo sustentado pelo denominado Governo de Lublin, o qual os soviéticos influenciavam diretamente. Passou então a ser requerido que outros participantes fossem inseridos, dentre eles poloneses exilados.

3. EUA e URSS acordaram que a União Soviética iria entrar na Guerra da Manchúria, contra o Japão: os EUA travavam na época uma guerra no Pacífico contra o Japão, em especial na Manchúria, praticamente sozinhos, e por ter dificuldade de acesso à região (onde havia um núcleo militar e industrial japonês). (VIZENTINI, 1997, p.7)

Foi necessário acordar com a URSS sua entrada na Guerra da Manchúria, ainda que para isso os soviéticos tivessem que romper o pacto de neutralidade nipônico-soviético de 1941, através do qual soviéticos e japoneses haviam se comprometido em não intervir no caso de uma guerra entre um dos dois países com países terceiros:

Os chefes de governos das três grandes potencias – União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, Estados Unidos da América e Grã-Bretanha – decidiram de comum acordo que dois ou três meses após a rendição da Alemanha e da cessação das hostilidades na Europa, a União das Repúblicas Soviéticas entrará em guerra contra o Japão, ao lado dos Aliados, (…) (CONTE, 1986, p.279).

Sem muita discórdia, Estados Unidos, Inglaterra e União Soviética deram, em Yalta, os primeiros passos para pôr um fim definitivo à Segunda Guerra Mundial e iniciaram as tratativas para o reordenamento geopolítico do imediato pós-guerra.

3 A CONFERÊNCIA DE POTSDAM (JULHO/AGOSTO DE 1945)

Cerca de cinco meses após a Conferência de Yalta, os três grandes aliados contra o fascismo internacional – Estados Unidos, Inglaterra e União Soviética, voltaram a se encontrar em nova conferência na cidade alemã de Potsdam, a fim de retomarem as conversações iniciadas em Yalta. Esta nova Conferência foi realizada nos arredores de Berlim, em julho de 1945.

Os três grandes, dessa vez, apresentavam diferenças em seu quadro de representantes: Roosevelt já havia morrido, e em seu lugar estava o novo presidente dos Estados Unidos, Harry Truman; a Inglaterra continuava representada por Churchill (pelo menos na parte inicial da Conferência, pois mais tarde seria substituído por Clement Attlee, para quem perdera o posto de primeiro-ministro da Inglaterra); Stalin permanecia como o representante da União Soviética.

Entretanto, o clima político nos meses que antecederam a Conferência de Potsdam não era o mesmo de Yalta. Em primeiro lugar, por conta do endurecimento político de Churchill em relação à União Soviética, particularmente no tocante à questão da Polônia. Tal endurecimento político esteve associado à idéia britânica de influenciar a formação do novo governo polonês, colocando-o sob a liderança de um político simpático ao capitalismo ocidental (Mikolajczyk). A impossibilidade de ver realizado tal plano levou Churchill a atritar- se com os soviéticos, em discordância com a posição assumida por Roosevelt quando das tratativas de Yalta.

Analisando tais desdobramentos que antecederam a Conferência de Potsdam, Morray (1961, p.28) explicava:

Essa diferença fundamental (entre os posicionamentos de Inglaterra e Estados Unidos) no trato das questões com Stalin indicava uma pressão que pressagiava o rompimento (das relações de cooperação entre as três grandes potências), uma vez passado o peso da liderança de Roosevelt para Churchill.

Outra circunstância que alterou o clima político em Potsdam foi a substituição de Roosevelt por Truman. Se no início da Conferência ainda houvesse dúvidas em relação à postura do novo presidente norte-americano nas negociações, à medida que as conversas evoluíram, suas convicções e propósitos revelaram-se muito distintos daqueles de seu antecessor Roosevelt. À exemplo da postura de Churchill, Truman também assumiu uma posição mais intransigente com a URSS. Os tempos eram outros e a posição dos Estados Unidos nas negociações havia profundamente se alterado, principalmente, em razão dos acontecimentos de meados de julho, período que antecedeu a Conferência de Potsdam.

O fator de maior relevância no início da Conferência de Potsdam foi, sem dúvida, o anúncio feito por Truman à Stalin sobre o sucesso do Projeto Manhattan, ou seja, o desenvolvimento e o bem sucedido teste dos Estados Unidos com a bomba atômica no deserto do Novo México, em meados de julho.

Este fator foi determinante no condicionamento de toda a Conferência. Como observou Morray (1961, p.86):

O efeito inevitável da bomba foi fortalecer a confiança americana em sua capacidade de liderar o mundo sem ajuda soviética, ou mesmo com a oposição soviética. O desejo em entrar em acordo é habitualmente consequência de uma necessidade objetiva, e isso ocorrera com os aliados durante a guerra, que fizeram concessões mútuas e mostraram consideração pelos interesses mútuos, pela excelente razão de serem, isolados, muito fracos para enfrentar a ameaça Hitler- Japão.

As conversações de Potsdam foram realizadas com este pano de fundo: a disposição de um meio de enorme poder de destruição pelos Estados Unidos.

O cenário mundial entre as duas Conferências confirmou que a guerra acabaria em pouquíssimo tempo, afinal a Alemanha se rendeu meses antes, no início de maio de 1945. Não é por acaso que o tema sobre o que se fazer com a Alemanha no pós-guerra, discutido apenas marginalmente em Yalta, tornou-se prioridade absoluta em Potsdam. Uma preocupação visível, pelo menos para os ingleses e soviéticos, era assegurarem-se de que a Alemanha não voltasse a ameaçar o equilíbrio geopolítico europeu (KENNEDY, 1988, p.350).

A solução encontrada foi reparti-la em zonas de ocupação militar, onde cada um dos aliados teria uma parcela que administraria, tanto da Alemanha, quanto de Berlim.

Assim, decidiu-se que:

Os Estados Unidos, a Inglaterra e (graças à generosidade anglo-americana) a França terminaram controlando dois terços da Alemanha, não como decorrência da quantidade de sangue derramado durante a guerra, mas em consequência da proximidade geográfica da vanguarda de seus exércitos, além do fato de Stalin ter dado substancial parte da Alemanha oriental aos poloneses. Embora a zona soviética de ocupação envolvesse os setores da capital Berlim ocupados pelos aliados, cobria apenas um terço da população alemã e percentual ainda menor das instalações industriais (GADDIS, 2006, p.21).

Ainda foram tomado medidas para evitar o rearmamento e a possibilidade de novos enfrentamentos bélicos com a Alemanha, dentre as quais encontrava-se a espinhosa questão das reparações de guerra. (MEE JR, 1975). Quanto ao Japão, foi concedida ao Império nipônico mais uma oportunidade para sua rendição, infelizmente negligenciada.

4 DESDOBRAMENTOS E IMPLICAÇÕES DAS CONFERÊNCIAS DE YALTA E POTSDAM PARA A GUERRA FRIA E PARA A CONSTRUÇÃO DA HEGEMONIA ECONÔMICA INTERNACIONAL DOS ESTADOS UNIDOS

As raízes da Guerra Fria estão nas Conferências de Yalta e Potsdam. Segundo Wallerstein (2004, p.23) foram essas Conferências que determinaram as “restrições geopolíticas” que dariam fundamento objetivo ao início da Guerra Fria. Ali, como expõe Vizentini (2010, p.227), foram consolidadas as zonas de influência sob as lideranças de Estados Unidos e URSS (VIZENTINI, 2010, p.227), com nítida vantagem para os norte-americanos, pois esses teriam a seu lado a Europa Ocidental formada por ex-impérios (Inglaterra, França, Portugal, Espanha, etc.) culturalmente desenvolvidos, enquanto à URSS se juntariam países econômica e culturalmente pouco desenvolvidos da Europa central-oriental e Ásia (WALLERSTEIN, 2004, p. 23). Essa divisão, como bem lembra Wallerstein (2004, p.23), representava uma situação de status quo, uma vez que, considerava e aceitava-se esse domínio soviético em uma região em que já marcava presença, e assegurava que cada uma das partes passaria a controlar uma parte do mundo.

As condições objetivas estando postas, faltava apenas plantar a desconfiança entre norte-americanos/ingleses e os soviéticos para desencadear a Guerra Fria.

Mas os motivos para a desconfiança estavam à vista: os modelos socioeconômicos destes principais países os tornavam simplesmente antagônicos. De um lado, havia o capitalismo clássico, baseado na propriedade privada dos meios de produção e na liderança política da burguesia; de outro lado, o ‘sistema soviético’, apoiado sobre a propriedade pública dos meios de produção e no controle absoluto da vida política por um Estado monopolizado pela burocracia do Partido Comunista.

Pouco tempo depois do encontro de Potsdam, em fevereiro de 1946, a desconfiança latente entre burgueses e comunistas veio à tona e foi verbalizada e expressa pelos protagonistas de modo contundente. Do lado capitalista, as palavras do embaixador norte- americano em Moscou, George Kennan, em telegrama enviado ao Departamento de Estado em Washington, em fevereiro de 1946, traduz a posição dos Estados Unidos em relação a URSS. Conforme expos GADDIS (2006, p.28), naquele importante telegrama de 1946 Kennan traçou um perfil dos interesses mundiais soviéticos após as Conferências de Yalta e Potsdam e sustentou que o ódio geralmente manifesto pelos políticos bolcheviques ao Ocidente era elemento orgânico ao modelo de sociedade construído na URSS e, por isso, constituiria o cerne da política externa do país.

Em razão disso:

O que seria preciso, como assinalou Kennan em uma versão de suas idéias publicada no ano seguinte, era “uma contenção de longo prazo das tendências expansivas russas, paciente mas firme e vigilante. (GADDIS, 2006, p.28)

Do lado comunista, o embaixador soviético em Washington, N. Novikov, escreveu à Stalin em telegrama datado de setembro de 1946: “A política exterior dos Estados Unidos reflete a tendência imperialista do capitalismo monopolista americano, e se caracteriza (…) por um esforço pela supremacia mundial”. (GADDIS, 2006, p.28).

A idéia de uma política de contenção em relação à União Soviética imaginada por Kennan em breve ganharia corpo sob a forma de Doutrina Truman. Porém, para compreendê-la faz-se necessário esclarecer o que é dissuasão. De acordo com o Major Antunes (2007) a dissuasão seria uma estratégia de ação e pensamento, que estaria dentro da estratégia de contenção. Sob essa perspectiva, significa que se elabora uma ideia, uma hipótese de ameaça possível, e a partir disso é necessário evitá-la.

Dois conceitos de dissuasão explicam essa ideia:

Segundo o dicionário do DoD dos EUA – ‘evitar uma ação pelo receio das consequências. É um estado mental provocado pela existência de uma ameaça credível de uma retaliação inaceitável’. (…) A Dissuasão, em sentido lato, visa impedir uma potência adversa de, numa situação dada, recorrer a determinados meios de coação em virtude da existência de um conjunto de meios e de disposições capazes de constituírem uma ameaça suficientemente desencorajadora (Ten.General Cabral Couto, 1988b, 59 apud ANTUNES, 2007).

Tomando como base essa conceituação percebe-se claramente como isso se traduziu durante toda a Guerra Fria na dissuasão nuclear. Alvez Penha (2007, p.147), argumenta que “A bipolaridade (…) definiu uma nova ordem mundial apoiada na dissuasão, no equilíbrio de poder e nas esferas de influência”. A dissuasão era necessária, pois fazia evitar que uma ou outra superpotência efetivamente usasse seu poder militar.

Como citado anteriormente, a dissuasão foi apenas um aspecto dentro de uma estratégia maior: a Contenção.

A política de contenção sugerida por Kennan em 1946 encontra suas raízes na teoria geopolítica das fímbrias, de Nicholas Spykman. Spykman defendia que, ao contrário de Mackinder, quem tivesse domínio ou influência sobre o Rimland dominaria o mundo. Defendia assim, a necessidade de os Estados Unidos formarem alianças com os países da região que compreendia o Rimland.

Essa ideia foi posta em prática, com a formulação de Kennan enviada ao Secretário de Estado James Byrnes, levando ao lançamento da Doutrina Truman em 1947 (após os britânicos declararem não conseguirem mais conter os partidos socialistas na Grécia e na Turquia), aplicando a Contenção como estratégia de segurança. Acreditava que a URSS tentaria se expandir através de alianças com partidos comunistas em outros países e não através de invasões. Para que os EUA conseguissem conter isso, era necessário reforçar instituições democráticas, reconstruir com ajuda econômica para Europa e Ásia, então fortaleceria suas zonas de influência. Essas ideias atraíram James Forrestal, que era Secretário da Marinha Americana, que conseguiu levar as ideias à Truman. (PENNACCHI, s/d).

O resultado dessa estratégia, dessa Doutrina, e em última instancia da teoria de Spykman, foi, além do Plano Marshall, a proliferação de alianças (militares e de ajuda econômica) com países das bordas da Eurásia. Foram criadas em 1949 a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), em 1954 a OTASE (Organização do Tratado do Sudeste da Ásia ou Pacto de Manila) e em 1955 a OTCEN (Organização do Tratado do Centro ou Pacto de Bagdá). Com relação a OTAN, em específico, tinha-se a ideia de que ela serviria como um “escudo atômico” (SARAIVA, p. 202), e mais ainda, havia a ideia de dissuasão nuclear, ou seja, pelo fato de os Estados Unidos deterem a tecnologia da bomba atômica não haveria ataques ou confrontos que os obrigassem a usá-la.

Entretanto, para reforçar melhor a segurança na Europa, além de se criar um área de influência americana mais rígida, a OTAN foi criada com o princípio de Defesa Coletiva, caracterizando que uma ameaça à qualquer um dos países-membros, seria considerada ameaça à todos (MAGNOLI, 2008, pg.97).

A intenção norte-americana com o Plano Marshall, com a política de contenção e as alianças militares a ela associadas, na realidade são efeitos de um interesse econômico:

As forças mais profundas que alimentaram a Guerra Fria, do lado dos Estados Unidos, foram constituídas no ambiente econômico. A política industrial e financeira do gigante associava-se à luta do anticomunismo, ingrediente fundamental da preleção doméstica da Guerra Fria nos Estados Unidos. (…) A atuação diplomática dos Estados Unidos na sucessão de crises internacionais que se iniciaram em 1947 (…) evidenciou a perfeita fusão entre os interesses da indústria e do comércio norte- americanos com a busca obsediante pela hegemonia mundial (SARAIVA, 2008, p. 200).

Desse modo, a elaboração de alianças, a proliferação de bases militares no mundo, supremacia da Marinha e da força aérea norte-americana, a criação de Organizações Internacionais, foram por interesse econômico uma vez que os EUA necessitavam de um multilateralismo nesse âmbito, afinal, a produção industrial estava em ascensão e não poderia haver outra crise de superprodução. A economia forte americana gerou investimentos em pesquisas, tecnologia e se traduziu em um grande poder militar.

A afirmação de um observador, destacada por Kennedy (1989, p.372), mostra como esse processo se desenvolveu durante a Guerra Fria, já que a citação é de 1970:

(…) os Estados Unidos tinham mais de um milhão de soldados em 30 países, eram membros de 4 alianças regionais de defesa e participantes ativos de uma quinta, tinham tratados de defesa mútua com 42 nações, eram membros de 53 organizações internacionais, e prestavam ajuda militar e econômica a cerca de 100 nações em todo o globo (KENNEDY, 1989, p. 372).

O aspecto ideológico de luta contra o comunismo, na realidade legitimava essas ações, e conferia um aspecto de urgência, era necessário agir para não deixar a URSS avançar, em ações que tornassem os EUA em uma posição superior à URSS. De fato já o era, com seu orçamento, com sua economia, com seu poder militar, entretanto, colocar o fator de competitividade, de um mundo bipolar, era fundamental para essa legitimação. A corrida armamentista comprova isso. É perceptível pelas despesas que a URSS e os EUA tiveram de 1948 à 1954 (mesmo notando-se uma queda no valor investido pelos Estados Unidos) que houve um crescimento muito superior dos Estados Unidos em despesas militares, refletindo sua expansão e alcance mundial que passou a crescer também.

A aliança, ou o complexo militar-industrial e o fato de que a Força Aérea, a Marinha e o Exército passaram a ter um papel fundamental, uma vez que, as invenções de novas armas favoreciam seus setores. Um exemplo disso, no caso da Marinha, foi a criação de submarinos de propulsão nuclear que disparavam mísseis balísticos de longo alcance. A URSS também teve uma política marítima agressiva, pois, investiu em uma Marinha e em tecnologia de submarinos (PENHA, 2007, p.150). No lado da Força Aérea Soviética e também americana há a criação de mísseis intercontinentais.

Com relação às armas nucleares, os EUA, até 1949, possuíam o monopólio dessa tecnologia, o que lhes conferia o poder dissuasório (explicitado anteriormente) e um contraponto ao poder terrestre soviético. (KENNEDY, 2003, p.369-370). Em 1949 foi divulgada que a União Soviética adquiriu a tecnologia da bomba, e assim, no mesmo ano, novamente, os norte-americanos divulgaram que produziriam uma nova bomba (Bomba-H) e a URSS alguns meses depois também se declararam com posso dela. Essa disputa incentivava cada vez mais os gastos e legitimavam-nos.

Formou-se, nos EUA, uma indústria bélica muito mais forte que se mostrava economicamente essencial: empregos derivados desse ramo aumentam em milhões, seja no Departamento da Defesa onde empregava-se cerca de 3 milhões e meio de pessoas (sendo que 947 mil seriam civis, com salários que no total giraria em torno de 12 bilhões de dólares, que é duas vezes maior que o salário total da indústria automobilística), ou nas indústrias de produção militar onde havia um total de 4 milhões de pessoas empregadas (empregos diretos).

Algumas cidades ficaram completamente reféns desse setor e outros atores também ficaram dependentes desse setor, como os políticos, todo o ramo de negócios, e os trabalhadores industriais:

Na nação, como um todo, as autoridades calculam que entre um quarto e um terço de toda atividade econômica gira em volta das despesas militares e que, com outros aumentos do orçamento da defesa, esta porcentagem poderá alcançar os 50%. (…) Nestas circunstâncias, qualquer redução, levantará gritos de protesto dos trabalhadores, que teriam seus empregos em jogo, de uma grande variedade de negócios, que teriam os seus lucros em jogo, e dos políticos que, por sua vez, teriam os votos em jogo. (COOK, 1968, p.27)

A expansão da indústria bélica norte-americana alimentada pela Guerra Fria respondia não somente à necessidade de estabilidade social nacional (nível de emprego), mas também às necessidades de expansão econômica e sustentação dos lucros das empresas do país. Na verdade, os números apresentados acima mostram, de maneira incontestável, que a prosperidade da economia dos Estados Unidos, sua hegemonia econômica e política internacional e mesmo a prosperidade dos demais países que se encontravam sob a órbita de influência dos Estados Unidos após 1945 estiveram fortemente dependentes da Guerra Fria. Portanto, se a ideologia de afrontamento ao Ocidente, destilada pelos soviéticos no imediato pós-guerra a fim de sustentar o poder dos bolcheviques era verdadeira, como denunciara Kennan em 1946, a mesma lógica parece se aplicar aos Estados Unidos. O ódio com o qual os Estados Unidos impregnavam os discursos em relação à União Soviética foram determinantes para a sustentação de uma política econômica nacional belicista que acabou desempenhando papel absolutamente decisivo na consolidação da hegemonia econômica internacional do país.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este artigo procurou mostrar que as Conferências de Yalta e Potsdam realizadas em 1945, durante os últimos meses da Segunda Guerra Mundial, tiveram um papel importante na construção e consolidação da hegemonia econômica internacional exercida pelos Estados Unidos sobre o capitalismo mundial desde então.

A divisão do mundo em zonas de influências entre capitalismo e comunismo serviu de combustível para o antagonismo político e a doutrina da Guerra Fria. Em consequência, desatou-se uma competitiva corrida armamentista entre Estados Unidos e União Soviética que, em última instancia fomentou a demanda efetiva e o crescimento econômico nas duas zonas de influência, criando assim as condições econômicas adequadas para o exercício da hegemonia norte-americana no espaço capitalista.

Na perspectiva aqui apresentada, as Conferências de Yalta e Potsdam assentaram as bases objetivas para o nascimento da Guerra Fria; esta, por sua vez, muito mais que um mero conflito ideológico, mostrou-se uma premissa necessária à edificação de uma política econômica cujo objetivo maior era a sustentação da prosperidade econômica dos Estados Unidos, sua hegemonia econômica internacional e a reconstrução do sistema capitalista mundial.

Carlos-Magno Esteves Vasconcellos

Roberta de Souza Mansani

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Fonte: revista.unicuritiba.edu.br

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