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Feudalismo

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O que é o Feudalismo?

Podemos classificar o feudalismo como um sistema socioeconômico que se desenvolveu na Europa, em países como Alemanha, França, Itália e Inglaterra, durante os séculos V e X – ou seja, durante a Idade Média. Seu entendimento é muito importante, pois foi através do feudalismo que ocorreram as principais relações sociais, políticas e econômicas da Idade Média.

Primeiramente devemos ter em mente que todo período histórico deve alguma coisa ao passado, ao seu período anterior. Assim, o feudalismo está nitidamente ligado a crise do Império Romano bem como às Invasões Bárbaras.

Características

Uma de suas principais características era a baixa modalidade social, justificada pela ideia de que a posição social de cada indivíduo era escolhida por Deus e, assim, ela não poderia ser modificada. É muito famosa a frase que sintetiza a divisão social no feudalismo: os que oram os que trabalham e os que guerreiam. Os primeiros eram os membros da Igreja Católica;os segundos os servos e, por fim, os terceiros eram os cavaleiros medievais, os responsáveis pela proteção em uma época muito violenta. É muito importante ter em mente que na Idade Média não existiam escravos! Havia os servos: pessoas livrem que abriam mão de sua liberdade em troca de proteção e de lugar para morar e garantir a sua subsistência.

Feudalismo
Imagem representando a configuração social da Idade Média

A principal relação social do período medieval era a relação de  suserania e vassalagem.  Nela o servo recebia o direito de utilizar as terras do senhor, trabalhando, plantando e colhendo os gêneros alimentícios, pagando impostos por isso; este direito se estenderia a seus filhos. Em troca jurava fidelidade ao senhor e poderia ser chamado por seu mestre para o defender em momentos de dificuldade.

Havia várias obrigações que os servos deveriam pagar para o seu senhor, tais como:

Corveia: o servo era obrigado a cultivar terras exclusivas do senhor durante alguns dias da semana, geralmente três.

Talha: essa obrigação impunha ao servo pagar parte de sua produção ao seu senhor.

Mão Morta: os filhos de determinado senhor recorriam à mão morta para manter a relação estabelecida por seu pai após a sua morte.

Banalidades: o servo deveria pagar pelo uso das instalações que existiam no feudo, tais como moinho, forno, tonéis, etc. ao senhorio.

Feudalismo
Pintura retratando o trabalho de alguns servos.

Assim, quase nem é preciso dizer que a economia na Idade Média era baseada praticamente nas atividades agrícolas de subsistência, o que só mudaria a partir do momento de sua desintegração.

Politicamente, este período era caracterizado pela fragmentação política, em que as decisões ficavam a cargo dos senhores feudais. O rei existia, mas como não existiam países e nações tal qual conhecemos na atualidade, seus poderes eram muito limitados frente à violência que existia no período e a distância entre um feudo e outro.

Por fim, temos que comentar a importância política e cultural da Igreja Católica para o medievalismo.

Vinicius Carlos da Silva

Mais sobre o Feudalismo

A fusão dos elementos romanos como o cristianismo, suas vilas e a cultura bárbara, deu origem à cultura medieval. Os nobres em suas vilas fizeram um pacto de fidelidade com os reis bárbaros, onde os nobres dariam auxílio militar em troca da posse de terras. O rei passava a ser o suserano maior e os nobres seus vassalos.

O ato em que o nobre recebia a terra e jurava a fidelidade ao seu suserano era em uma cerimônia chamada de “homenagem”, onde o rei e o nobre colocavam suas mãos uma sobre a outra, depois o suserano entregava um cetro ou folhas e terra simbolizando o feudo (propriedade de terra) e isto recebe o nome de “investidura”.

O nobre ou Senhor Feudal, podia fazer leis em seu feudo, cobrar impostos, julgar e punir os que lá viviam sobre seu domínio. Por esta razão o poder político era descentralizado e que os reis, não possuíam um exército permanente, necessitando da ajuda de seus cavaleiros (nobres).

Já os homens comuns, ou camponeses eram chamados de servos, em troca de proteção e segurança e por um pedaço de terra para morar e plantar (chamada de gleba). O servo em troca era obrigado a um trabalho compulsório de três dias na terra do Senhor Feudal (manso senhorial), outros três dias na sua própria terra e o domingo era o dia sagrado de ir a igreja. Este trabalho compulsório é chamado de corveia, o servo ainda era obrigado a pagar taxas, chamadas de banalidades, isto era pelo uso do pasto, de pontes, de moinhos, etc. Havia ainda o Tostão de Pedro, que era o dízimo pago a Igreja.

O servo não era um escravo, visto que não podia ser vendido e o seu Senhor não podia fazer dele o que quisesse, mas também estava longe de ser um trabalhador livre, visto que não recebia salário e nem podia ir embora do feudo segundo sua vontade. Tanto o Senhor quanto o servo, um devia obrigações com o outro.

A economia era agrária, o dinheiro não possuía padrão, visto que os feudos eram autônomos e, isto dificultava o comércio, o que ocorria era a troca in natura, dos produtos produzidos em cada feudo. O feudo era uma unidade produtiva auto-suficiente.

Ocorriam em épocas festivas, feiras onde as pessoas levavam seus produtos para comercializar, alguns produtos vinham do oriente e desertavam muito interesse, mas seus custos eram altíssimos.

A Sociedade Feudal

A sociedade feudal era estamental, dividida em estados onde não havia mobilidade social, uma sociedade de classes, onde uma tem privilégios e outra não.

O Primeiro Estado – era composto pelo Clero, ou seja, os membros da Igreja Católica, os cardeais, bispos, padres e monges. Existe uma divisão entre o Alto Clero composto de homens de posses e o Baixo Clero de padres, monges, freis e irmãs que prestavam ajuda aos necessitados, doentes e presos. É  um erro acreditar que a Igreja Medieval era composta de mais homens corruptos e gananciosos do que de santos. Todo trabalho em hospitais, orfanatos, asilos e outros centros de assistências, eram realizados por membros do clero.

O Segundo Estado – era a nobreza, composta pelo rei, duques, condes e lordes. A maioria tinha como objetivo a cavalaria, todo jovem iniciava na infância a arte da guerra e da luta, na adolescência o rapaz se tornava escudeiro e depois adulto era consagrado como cavaleiro em uma cerimônia onde o rei o ordenava. O cavaleiro jurava defender os mais fracos, o seu suserano e a Igreja Católica.

O Terceiro Estado – era formado pelos servos e vilões, os primeiros estão presos a terra (gleba) e são transferidos com ela, enquanto que o vilão é também um servo, mas livre para ir embora quando desejar.

Feudalismo
Figura mostra um cavaleiro recebendo sua investidura, ele se ajoelha e sobre sua espada, o rei coloca mão sobre mão nas mãos do cavaleiro, depois do juramento, o rei tocava o ombro do cavaleiro, dando lhe o título.

A Cultura Feudal

A Igreja Católica era uma grande Senhora Feudal, dona de inúmeras propriedades e seus papas exerceram o poder durante séculos. A cultura foi dominada por ela, visto que basicamente só o clero é que sabia ler e escrever.

O pensamento medieval foi influenciado por dois pensadores, o primeiro foi Santo Agostinho (354-430) ligado a filosofia de Platão e o segundo pensador foi São Tomás de Aquino (1225-1274) que aplicou a lógica aristotélica no pensamento teológico, chamada de tomismo ou escolástica onde procurou associar a razão com a teologia. Tanto Santo Agostinho como São Tomás de Aquino, alteraram e influenciam o cristianismo até os dias  atuais, o pensamento ocidental.

Uma das atividades importantes da Igreja Católica durante a Idade Média, foi a de transcrever livros e documentos antigos para o latim, tarefa designada aos monges copistas, o problema é que toda literatura produzida era referente à teologia e a vida dos santos.

Mas a Idade Média produziu a arte dos vitrais e belíssimas obras de arquitetura, durante a Alta Idade Média o estilo românico e na Baixa Idade Média, prevaleceu o estilo gótico. Desta forma é errado visualizar este período como “noite de mil anos” ou “idade das trevas”, como se nada de intelectual houvesse sido produzido.

Com o crescimento das cidades, no século XIII começaram a surgir as Universidades, com cursos de Direito, Medicina, Filosofia e Teologia. Eram mantidas e protegidas pela Igreja Católica, pelos senhores feudais mais poderosos e reis. A maioria destas universidades existe até hoje, como a de Oxford na Inglaterra, Bolonha na Itália, e Paris na França.

Frederico Czar
Professor de História

 

 

 

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Um comentário

  1. Ana Luiza Ferreira

    Legal!

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