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Revolução Sandinista

História

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Em 1978 o assassinato do jornalista liberal Pedro Joaquín Chamorro, diretor do diário La Prensa, é o estopim de uma insurreição nacional contra o somozismo, liderada pelos sandinistas.

Os guerrilheiros derrotam a Guarda Nacional e tomam o poder em julho de 1979; uma junta formada por sandinistas e setores liberais assume o poder.

O novo governo expropria todos os bens da família Somoza, nacionaliza bancos e companhias de seguros e passa grande parte da economia para o controle do Estado.

Em 1980 Violeta Chamorro (mulher de Pedro) e Alfonso Robelo, os dois liberais da junta, rompem com o governo e passam para a oposição; no mesmo ano, Somoza é assassinado no Paraguai. Em 1981 os EUA suspendem a ajuda econômica à Nicarágua, acusando os sandinistas de apoiar a guerrilha esquerdista de El Salvador.

As relações com os EUA se deterioram rapidamente depois que Washington passa a financiar os “contras”, guerrilheiros anti-sandinistas formados da extinta Guarda Nacional somozista. Em 1983 os EUA impõem sanções econômicas contra a Nicarágua e enviam uma frota para patrulhar a costa nicaragüense. O governo sandinista decreta o estado de emergência.

O líder sandinista Daniel Ortega vence as primeiras eleições pós-revolução, em 1984; no ano seguinte os EUA rejeitam proposta de paz dos sandinistas e decretam embargo total. Em 1986 o jornal oposicionista La Prensa, da família Chamorro, é fechado temporariamente pelos sandinistas; em represália, o Congresso dos EUA aprova um pacote de ajuda de US$ 100 milhões para os “contras”. O primeiro passo para a paz é dado em 1987, com a assinatura do Tratado Esquipulas II; os “contras” concordam em negociar com os sandinistas no ano seguinte.

A trégua entre o governo e os rebeldes é assinada em 1988 em Sapoá.

O esforço de guerra agrava a crise econômica: a inflação atinge 33.000% ao ano em 1988.

Em março de 1990 Violeta Chamorro, da União Nacional Opositora (UNO), obtém uma vitória inesperada sobre a FSLN na eleição presidencial. Os EUA cancelam o embargo e os “contras” suspendem as hostilidades.

Chamorro toma posse em abril de 1990 mas mantém o general Humberto Ortega no comando do exército, que permanece sob controle dos sandinistas.

A Revolução Sandinista – Causa

A Revolução Sandinista, uma das mais belas e intrigantes lutas populares da América Latina.

Inspirado em Augusto Cesar Sandino, comandante que organizou tropas populares para combater a ocupação militar estadunidense na década de 1930 e acabou sendo assassinado posteriormente pelas tropas do ditador Anastásio Somoza. Os sandinistas constituíram um movimento amplo com diversas correntes de opinião, lideranças da igreja progressista, dos comunistas e da esquerda democrática, suas bandeiras de luta principais eram a luta pela democracia, reforma agrária e educação.

Somoza comandou a Nicarágua de 1967 a 1979, sustentado pela política externa dos Estados Unidos, como na maioria dos países latinos durante a Guerra Fria, uma ditadura violenta com forte repressão contra a população e os movimentos de oposição e corrupta com relações econômicas altamente dependentes.

A Frente Sandinista de Libertação Nacional – FSLN, venceu a luta contra a ditadura depois de anos de luta e mais de 40 mil mortos em combate. A vitória dos sandinistas trouxe um breve período de reorganização social, com redistribuição de renda, principalmente através de uma exitosa reforma agrária, a luta contra o analfabetismo com uma campanha nacional que conseguiu reduzi-la de 52% para 12%, com brigadas que envolveram toda a sociedade, em especial os estudantes, com uma grande demonstração de solidariedade, convocaram os processos eleitorais a partir de 1984 e concederam amplo direito expressão para os meios de comunicação e a sociedade.

A partir da revolução sandinista, os EUA reagiram ao avanço popular com embargos econômicos e financiaram os chamados “contras”, grupo paramilitar organizado pelos setores que se beneficiavam da ditadura e organizaram um exército fortemente armado, colocando o país em situação de guerra novamente. O financiamento dos “contras” provocou uma crise no governo Reagan com desvios de recursos não autorizados pelo Congresso.

Depois de anos de batalhas, os EUA e seu exército mercenário conseguiu desgastar o governo popular. A população, cansada de guerra, necessitava de paz e se rendeu à articulação conservadora com a eleição de 1990. Uma eleição presidencial financiada também pelos agentes estadunidenses e questionada em sua lisura.

A FSLN se transformou em um partido político de esquerda, legalizado e presente na vida institucional do país. As conquistas da revolução sandinista foram perdidas com a ausência de incentivos ao pequeno agricultor que voltou a perder a suas terras, o aumento da taxa de analfabetismo, os índices de desenvolvimento são o segundo pior da América Latina, a dependência econômica e a subserviência aos EUA voltaram como um país sem soberania.

As lições desta revolução são muito importantes porque mostram as características do desenvolvimento da luta de classes e o projeto popular através da realidade social local. A democracia foi conquistada às duras penas, mas não foi suficiente para manter um projeto popular e de soberania nacional.

A democracia é elemento fundamental para os países que viveram ditaduras como os latinos e deve ser considerada como conquista das classes sociais proletárias. A diferença e talvez o erro dos nicaragüenses é não considerar a reação da burguesia e a verdadeira correlação de forças para a manutenção das reivindicações e conquistas populares. Portanto, democracia é um critério de classe e sua luta.

A revolução sandinista é uma das mais belas vitórias do povo, uma demonstração da possibilidade de trilhar o caminho da soberania e da justiça social mesmo com todas as dificuldades que a realidade de atraso destes países impõe. É possível ter um projeto nacional, popular e democrático, mesmo nas situações mais difíceis de nosso povo. A revolução sandinista é um exemplo para os povos de todo mundo.

Fonte: br.share.geocities.com

Revolução Sandinista

Nicarágua: uma nova etapa

Em 1979, no centro da América, a história registra o triunfo de um processo revolucionário encabeçado pela Frente Sandinista de Liberação Nacional (FSLN).

Na época, a simpatia dos democratas e progressistas do mundo foi evidente. Expedições internacionalistas, intercâmbios e as mais variadas formas de solidariedade foram levadas a cabo na idéia de fortalecer e consolidar as mudanças que sepultaram a velha ditadura da família Somoza, amparada desde sempre pelas tropas dos Estados Unidos.

Entretanto, é bom lembrar que a luta dos sandinistas começou muito antes de 1979. Parece-nos oportuno, após o triunfo de Daniel Ortega – que retorna ao governo após 16 anos -, retomar alguns elementos históricos de análise, para assim distinguir as razões de um contundente triunfo eleitoral de hoje e, modestamente, manifestar alguma opinião sobre o que é possível projetar em termos de agenda doméstica, à luz das novas realidades, em benefício da imensa maioria do povo nicaragüense, bem como quais podem ser os elementos centrais da política externa do novo governo.

Da Nicarágua livre à dinastia dos Somoza

Prudentemente, há que reconhecer que outra é a conjuntura. Não há como esquecer que, certamente, Ortega e seu governo deverão se movimentar tendo pela frente oposições internas fortes, em particular a de uma oligarquia ligada ao capital financeiro. Torna-se imperioso um diálogo construtivo com o Movimento de Renovação Sandinista (MRS), que apoiou o candidato Edmundo Jarquín e do qual fazem parte figuras como a do ex-presidente Sérgio Ramirez. Mas – e talvez seja o mais determinante – é preciso uma atitude firme diante da atitude ingerencista dos Estados Unidos.

Há que recordar que o Grande Irmão do Norte tem uma histórica e nefasta presença no país. Com efeito, no começo do século XX, quando a velha estrutura econômica na Nicarágua começou a ser reorientada por novos produtores opostos a latifundiários tradicionais, criou-se uma tensão entre esses setores, resolvida quando o governo liberal de Santos Zelaya sucumbiu – não diante da força dos mais conservadores, mas diante de uma invasão dos marines imperiais em 1912. As tropas norte-americanas permaneceram até 1933, apoderando-se dos recursos econômicos e controlando militarmente o país. A resistência popular foi encabeçada pelo general Augusto César Sandino, que levantou a bandeira da dignidade nacional contra os Estados Unidos e a oligarquia conservadora, vencendo heroicamente em 1933.

No entanto, o projeto de uma Nicarágua livre foi frustrado pela reação.

O covarde assassinato em 1934 do general Sandino pela Guarda Nacional da Nicarágua – o novo exército que atuou sob as ordens de Anastácio Somoza Garcia, ex-funcionário das companhias dos Estados Unidos que passou a controlar o país – é o golpe criminal que abre a dinastia dos Somoza, que permaneceria no poder durante 45 anos, até o triunfo da Revolução Sandinista.

Nesses anos, a Nicarágua foi convertida em base militar para as agressões ao governo democrático de Jacobo Arbenz na Guatemala e à Baía dos Porcos em Cuba. Também, ao igual que o restante de países da América Central, foi incorporada à divisão internacional do trabalho como economia primária exportadora.

Formou-se uma burguesia agrária ligada à expansão do cultivo do café entre 1920 e 1940 e, após a Segunda Guerra Mundial, ao cultivo do algodão. A maioria das pessoas sobrevivia economicamente, havendo uma estrutura produtiva semifeudal.

O esquema agro-exportador foi sempre dependente das necessidades da economia dos Estados Unidos e das camadas de meio e alto poder aquisitivo dos demais países da América Central, em virtude dos tratados de integração. O comércio era mediado pelo esquema de preços internacionais e sustentado pelas leis da troca desigual, especialmente entre 1960 e 1978, quando, em pleno Estado somocista, a abertura externa chegou a mais do 60% do PIB e a dívida externa superava os 900 milhões de dólares.

A esse quadro temos que somar o tratamento dispensado ao trabalhador, as condições paupérrimas de trabalho, o baixíssimo nível de vida, os elevados índices de desemprego e subemprego, fatores retratados por Carlos Vilar em seu Perfiles de la Revolución Sandinista. Vilar descreve que o excedente extraído de forma brutal aos trabalhadores no conjunto da economia – especialmente na agro-exportação – iria servir, definitivamente, pela via do comércio desigual, das remessas de utilidades, dos serviços do capital estrangeiro e do endividamento externo, ao processo transnacional de valorização do capital controlado pelo imperialismo, através da mediação dos grupos dominantes locais associados a ele.

O Estado somocista não foi somente a condensação institucional de uma dominação de classes, mas, ao mesmo tempo, a expressão da subordinação dessa classe aos Estados Unidos. A dinastia Somoza era subsidiada pela sua atitude reacionária diante de qualquer possibilidade de mudança e sua política externa submissa no contexto centro-americano. Aliás, esta é uma diferença entre o modelo de dominação do século XX entre América Central e América do Sul. Nas primeiras, a estrutura de poder depende em termos político-militares diretamente dos Estados Unidos, enquanto que nos Estados da América do Sul, o modelo de dominação-associação permite uma certa autonomia relativa. Isso se explica pelo baixíssimo grau de desenvolvimento das forças produtivas na América Central e pelas debilidades das burguesias locais em momentos em que ingressa com força a influência dos Estados Unidos.

Sob a ditadura de Somoza, a Nicarágua foi um voto a seu favor nas Nações Unidas, um aliado seguro na região, um território de reserva para um eventual segundo canal inter-oceânico no interesse geopolítico dos Estados Unidos e um terreno fértil para seus investimentos.

A revolução sandinista: ascensão e queda de Ortega

Daniel Ortega assumiu o poder em nome de uma Revolução legítima, popular e democrática, governando durante anos de guerra, em um tempo em que qualquer possibilidade de negociação e de opinião internacional era bloqueada pela diplomacia “americana”. Os anos da Revolução foram os anos do confronto militar, das contínuas pressões financeiras e comerciais, como o desligamento dos organismos internacionais, e da intensa campanha ideológica contra o sandinismo. A influência dessa pressão e, conseqüentemente, de não se poder satisfazer às demandas dos trabalhadores é determinante para a interpretação adequada da derrota da Frente Sandinista na eleição de 1990.

Essa revolução foi asfixiada, ainda que seja justo mencionar as dificuldades, crises e rompimentos da própria Frente Sandinista.

O fato é que, em 1990, o Partido Liberal Constitucionalista, com Violeta Chamorro, assume o poder, seguida por Arnaldo Alemán e, finalmente, por Enrique Bolaños, que deixa o governo com 80% da população de 5,5 milhões de nicaragüenses vivendo com menos de dois dólares diários.

Uma das questões que mais impressionam na recente campanha eleitoral da Nicarágua é que os jornais noticiam o apoio explícito dos Estados Unidos a um dos candidatos, o banqueiro Eduardo Montealegre. As ingerências dos Estados Unidos nos países do continente em tempo eleitoral são mais do que conhecidas e já fazem parte da paisagem eleitoral. Mas, na Nicarágua, parecem, salvo melhor juízo, mais descaradas. Adicione-se outra constatação, a de que o conhecido eixo Moscou-Havana-Manágua foi substituído nas grandes redes de comunicação, com veneno costumeiro, por Caracas-Havana-Manágua.

2006: o novo triunfo da Frente Sandinista

E o fato é que o povo nicaragüense votou – a presença nas urnas foi de mais de 75% dos eleitores. E votou contra os 16 anos de governo neoliberal, contra um empobrecimento crescente, que afeta mais do 80% da população; votou pela alternativa que oferece Ortega e porque aguarda uma mudança profunda na economia e na política.

Nas razões do triunfo da Frente Sandinista encontra-se a retomada da campanha nas ruas, casa a casa; o aproveitamento de uma base ampla de votos seguros de velhos e históricos militantes da luta contra Somoza; a prioridade ao setor juvenil. Mas, também, porque, no terreno da pragmaticidade política, a Frente impulsionou uma controvertida aliança, ampla e bastante flexível, com ex-membros dos Contra e com liberais. Um elemento a considerar é que o vice de Ortega é o senhor Morales Carazo, ex-assessor do ex-presidente Alemán, que possui excelentes relações com o Banco Mundial.

Contudo, há um perdedor. E perderam as eleições os grandes empresários e a direita aliada aos Estados Unidos e a outras oligarquias centroamericanas. Perdeu uma direita dividida entre Montealegre e Rizo, até porque a ingerência descarada dos Estados Unidos condenou, aos dois, à rejeição nacionalista de um bom número de nicaragüenses.

Ortega tem pela frente o desafio de corresponder a essa votação. E não pode vacilar, porque a Nicarágua não tem condições de admitir novas frustrações. Seu governo deve, necessariamente, diferenciar-se da lógica que inspirou os três governos anteriores.

Advirta-se que distinguir a estrutura econômica e de classes da Nicarágua de hoje, com o objetivo de explicar algumas das questões mais relevantes da etapa que se abre com o triunfo de Daniel Ortega, das suas possibilidades e perspectivas, é trabalho que não pode ser resumido e extrapola o espaço reservado a estas linhas.

Uma nova conjuntura: os desafios de Ortega

Otimistamente, o governo de Daniel Ortega tem chances de avançar, de encabeçar uma nova etapa, se realizar uma leitura da realidade atual da América Latina e se o seu componente político-ideológico for a rejeição à submissão diante da política externa dos Estados Unidos, cuja história, como temos visto, em nada favorece os interesses da Nicarágua. O novo governo terá todas as possibilidades históricas, se sua projeção, em matéria de relações internacionais, for a redefinição da sua inserção na economia internacional, a partir de uma novo padrão produtivo; tem tudo para vencer se optar pela aproximação aos Estados especialmente na América, que empreendem também o caminho do desenvolvimento com soberania em uma cenário complexo, de pressões internas das direitas mais reacionárias e costumadas com o poder, com meios de comunicação jogando contra o dia a dia, em um intenso debate sobre qual deve ser o ritmo das mudanças necessárias no cenário da esquerda – para não falar de contradições mais de fundo no seio da própria esquerda.

Na Nicarágua, esse confronto não é de modo algum fácil, pois significa uma oposição concreta ao Plano Puebla-Panamá e ao CAFTA, assim como a programas como a privatização da energia elétrica. No entanto, não pode ser outro o rumo. E, para conseguir isso, é necessário criar os espaços de reflexão e, essencialmente, abrir o caminho a uma evolução coletiva de alternativas viáveis, aceitando as idéias variadas, escutando propostas que aprofundem a integração com soberania e diminuam a dependência externa dos Estados Unidos, fraturando a forma de Estado que foi gerada após a interrupção da revolução.

Existe hoje a experiência dos inícios do processo em 1979. É preciso abrir espaços à participação popular, promovendo a construção pela base de uma unidade dos movimentos sociais, insistindo em concretizar um programa alternativo ao neoliberalismo, que deu e ainda dá suporte a uma oligarquia financeira aliada ao imperialismo, neutralizando as forças opositoras com a mobilização popular.

Nos marcos de acordos possíveis, foi dito que o transporte público voltará aos 13 centavos de dólar, por conta do acordo entre transportadores e a prefeitura de Manágua para receber diesel da Venezuela a baixo preço, tendo em vista o acordo entre a PDVSA, a ALBANIC (Alba Petróleo de Nicarágua) e a Associação de Municípios da Nicarágua (AMUNIC). Esse é, no mínimo, um bom começo para uma nova etapa.

Fonte: www.correiocidadania.com.br

Revolução Sandinista

Nicarágua

Nicarágua, povoada desde há pelo menos 10.000 anos, recebeu migrações de indígenas de México que se dirigiram para a zona do Pacífico.

Cristóvão Colombo, em sua segunda viagem, tomou contato pela primeira vez com a costa do Caribe, ainda que o primeiro explorador que percorreu o país foi Gil González de Ávila e Francisco Hernández de Córdoba, quem fundou em 1524 as cidades de León e Granada.

1821-1857 DA INDEPENDÊNCIA À INVASÃO FILIBUSTERA

No momento da independência, Nicarágua fez parte das Províncias Unidas de Centroamérica até 1838. O século XIX esteve marcado por uma sucessão de guerras civis, rivalidades e conflitos entre liberais e conservadores. Os liberais tinham seus principais apoios na cidade de León, enquanto os conservadores recebiam respaldo de Granada.

Em meados do século XIX, depois de descobrir-se ouro em California, Nicarágua se converteu em alvo das ambições das grandes potências, pois viajando através de seu território se podia ir da Costa do Atlântico à do Pacífico dos Estados Unidos, a fim de atingir California e evitar assim atravessar o perigoso oeste norte-americano.

As rivalidades entre conservadores e liberais propiciaram que em 1855 um aventureiro chamado William Walker fora chamado pelos liberais de Leão para participar em sua guerra contra os conservadores. Walker chegou a Nicarágua com 56 mercenários e ao pouco tempo se tinha apoderado do país e se tinha feito nomear presidente. Os países da América Central reagiram e em 1857 *Walker foi derrotado por uma coligação dirigida por Guatemala e Costa Rica.

1860-1909 CONSERVADORES E A LIBERAIS

Depois da devastadora guerra civil, os conservadores conseguiram tomar o controle do país e monopolizaram o poder até a última década do século. As reformas liberais chegaram da mão de José Santos Zelaya quem se converteu no novo homem forte ao derrubar ao regime conservador. Em 1893, sancionou-se uma nova Constituição, onde se plasmou o programa liberal. Ademais reincorporou a Nicarágua a zona do Caribe, modernizou as estruturas políticas e sociais do país, ampliou e estendeu as comunicações.

1909-1936 O PERÍODO DA INSTABILIDADE

Depois da queda de Santos Zelaya em 1909, os conflitos se reativaram, o que permitiu a intervenção de Estados Unidos no país. A guerra entre conservadores e liberais se fechou em falso quando a assinatura da paz entre ambos bandos não foi aceitada por um dos dirigentes liberais, Augusto César Sandino, quem iniciou uma guerra de guerrilhas contra a ocupação estadounidense até 1933, ano que cedeu deixar as armas.

Anastasio Somoza García, chefe da Guarda Nacional, dirigiu em 1934 um complô que terminou no assassinato de Sandino e em 1936 derrocou ao presidente Sacasa para proclamar-se presidente depois das eleições celebradas em 1937.

1936-1978 A DINASTIA SOMOZA

Começou então um longo período na história de Nicarágua no qual a família Somoza se converteu na dinastia que dirigiu de maneira autoritária o país. Somoza morreu assassinado em 1956, mas sua família continuou com o regime.

O filho de Anastasio Somoza García, Luis Somoza Debayle, fez-se cargo do poder obrigado ao controle que o somocismo tinha sobre a Guarda Nacional, único corpo armado do país. À morte de Luis Somoza em 1967, sucedeu-lhe seu irmão Anastasio Somoza Debayle. “Tachito”, como era popularmente conhecido, governou o país até que foi derrocado em 1979 pela revolução sandinista. Os escândalos devido à corrupção e a inoperância do Estado durante o terremoto de 1972 terminaram por deslegitimar ao regime.

Em 1962, Carlos Fonseca, Tomás Borge e Silvio Mayorga tinham fundado a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), uma guerrilha que aspirava a acabar com a ditadura e que em 1979, lançou a ofensiva final que terminou com a queda do regime.

1979-1990 A REVOLUÇÃO SANDINISTA

Então uma junta de cinco membros governou o país e Daniel Ortega, um dos comandantes sandinistas, foi nomeado coordenador.

Anulou-se a constituição somocista e se iniciou a obra de reconstrução do país: alfabetização, nacionalização das terras e propriedades da família Somoza e de suas mais importantes colaboradores.

Uma parte da Guarda Nacional, “os contras”, refugiou-se em Honduras e Costa Rica desde onde iniciou uma guerra de guerrilhas contra o regime sandinista.

Iniciando um longo conflito apoiado pelos Estados Unidos no marco da Guerra Fria que nesses anos definia as relações internacionais.

Em 1984, os sandinistas venceram numas eleições e Daniel Ortega foi eleito presidente. A intervenção de outros países, no marco de uns acordos de paz globais para a região se traduziu na celebração de novas eleições em 1990 que, por surpresa, foram ganhadas por uma coligação de direita, a UM (União Nacional Opositora).

1990-2005 ANOS RECENTES

A raiz das eleições de abril de 1990, foi eleita presidenta dona Violeta Bairros de Chamorro, viúva de Pedro Joaquín Chamorro, jornalista e político conservador assassinado em 1978 pelo somocismo. A vitória da UM trouxe a pacificação do país quando os “contras” deixaram as armas. Ademais, pôs-se em marcha um duro plano de ajuste econômico que conseguiu conter a inflação.

Em 1996 umas novas eleições deram a vitória a Arnoldo Alemán, do de direita “Partido Liberal Constitucional ficando os sandinistas em segundo lugar. Em 1998, o furacão Mitch afetou a Honduras e a Nicarágua, ocasionando grande número de vítimas e perdas materiais. Nas eleições de 5 de novembro 2001, foi eleito presidente Enrique Bolaños, também do PLC e vice-presidente durante o governo de Alemán.

Fonte: www.ciberamerica.org

Revolução Sandinista

NICARÁGUA

Em 19 de junho de 99, completaram-se 20 anos da tomada do poder pela Frente San-dinista de Libertação Nacional na Nicarágua através de uma insurreição popular, derrotando a sanguinária ditadura Somoza.

Mas também em 99, já cumprem-se nove anos que os sandinistas deixaram o poder, perdendo as eleições para os setores da burguesia que haviam participado do movimento pela derrota de Somoza. A revolução sandinista foi a última insurreição popular armada vitoriosa a derrotar um governo títere do imperialismo neste milênio, mas a política da direção reformista estrangulou todas as perspectivas de construir um governo operário e camponês e tornar a Nicarágua em um Estado operário.

Nos últimos anos, tem ressurgido na América Latina os movimentos de cunho guerrilheiro a partir de ações militares episódicas, como o conflito em Chiapas de 94, encabeçado pelo EZLN; a tomada da Embaixada Japonesa em Lima pelo MRTA e mais recentemente o ascenso da luta guerrilheira liderada pelas FARC’s na Colômbia. Como parte desta nova “volta” do guerrilheirismo, está marcado para acontecer no Brasil, entre os dias 06 a 11 de dezembro de 1999 na cidade de Belém (Pará), o II Encontro Americano pela Humanidade Contra o Neoliberalismo – o primeiro encontro ocorreu em 96 em Chiapas. O evento reunirá grupos guerrilheiros (EZLN, FARC, …), organizações de massa do movimento camponês, operário e popular (MST, CUT, UNE, UBES, CMP, MNU, …), grupos indígenas, instituições religiosas (CPT e CNBB) e uma gama de partidos burgueses e reformistas brasileiros (PDT, PSB, PCB, PCdoB, PT, PSTU) e internacionais como o Partido de Refundação Comunista italiano, etc.

Assim como no passado, a “via do foco guerrilheiro” para a transformação social volta a atrair o interesse e as simpatias de jovens ativistas e lutadores sociais descontentes com a integração dos partidos reformistas tradicionais do regime burguês.

Este fenômeno reincidente na história — basta lembrar as várias faces que já assumiu só na América Latina: maoísmo, castrismo, guevarismo etc. — vem apresentando-se cada vez mais como farsa da luta revolucionária pelo poder.

Sob o signo da contra-revolução nos Estados operários da URSS e Leste Europeu e da reação ideológica imperialista, os guerrilheiros de hoje, apesar das ações ousadas, são a cada dia mais conciliadores em busca da democratização do Estado burguês. É tarefa essencial dos marxistas revolucionários, ao passo que combatem pelo fim da opressão imperialista e pela expropriação dos capitalistas, estabelecer uma profunda delimitação com o foquismo pequeno burguês. Este fenômeno vem dando um giro à direita em sua estratégia clássica de tentar estabelecer governos nacionalistas de esquerda, para cair no mais rasteiro cretinismo democratizante, contentando-se em renunciar ao uso das armas pelo mero direito a um registro legal que permita-os participar do circo eleitoral burguês.

Atualmente, se proliferam por todas as partes os “tratados de paz” entre os movimentos guerrilheiros (FMLN salvadorenha, o M-19 colombiano, a Unidade Revolucionária Nacional guatemalteca) e os regimes genocidas pró-imperialistas. Alguns ex-guerrilheiros utilizam a experiência adquirida em suas capitulações se dedicando à vergonhosa tarefa de auxiliar a outros países a pacificarem suas guerrilhas. Foram os casos recentes da “ajuda” prestada pelo MNL-Tupamaros uruguaio (que participa da Frente Ampla) nas negociações de paz do ETA com o governo espanhol no ano passado. O outro caso, foram as participações de Daniel Ortega (FSLN) e ex-dirigentes da URN gualtemalteca nas negociações de paz de janeiro deste ano entre as FARC’s e o governo colombiano, a convite deste último.

DO PRIMEIRO FRACASSO DO NACIONALISMO NICARAGÜENSE À REVOLUÇÃO SANDINISTA

Já em meados do século passado, os EUA tinham a Nicarágua sob seu domínio. Para preservá-lo, as forças militares ianques invadiram o país quatro vezes desde 1855. Em 1928, um latifundiário, Augusto César Sandino, aproveitando-se da redução dos efetivos militares ianques, declara guerra ao governo local, dirigindo um movimento guerrilheiro que por pouco não chegou a ocupar a capital, Manágua, no início da década seguinte. As tropas norte-americanas voltam ao país montando um imenso operativo militar contra o exército de Sandino. Mas os ianques acabam saindo derrotados e obrigados a retroceder. Incapaz de vencê-lo, o governo Roosevelt busca cooptá-lo. É celebrado um acordo que estabelecia a retirada dos marines, a escolha de um presidente constitucional (Sacasa) e, o principal, a formação de uma Guarda Nacional, cujo comandante indicado pelos EUA seria Anastácio Somoza. Pelo acordo, fica estabelecido que a Guarda Nacional não poderia combater a guerrilha. Pouco depois, temendo a possibilidade de um golpe, por parte da Guarda Nacional, Sandino visita o presidente para alertá-lo, oportunidade em que Somoza aproveitou-se para prender e assassinar Sandino e o próprio presidente Sacasa, tomando o poder absoluto no país.

A família Somoza se apropria sozinha da melhor e maior parte da economia do país, perpetuando-se por prorrogação de mandatos e eleições manipuladas. Anastácio Somoza é assassinado, mas seu filho, Luiz, assume o poder até 67, quando o Somoza III é “eleito” pela fraude. Em 1962, o intelectual Carlos Fonseca funda um movimento guerrilheiro para combater a tirania Somoza, será a Frente Sandinista de Libertação Nacional. Em 1972, Manágua é devastada por um terremoto que deixa 6 mil mortos e 300 mil feridos.

Somoza percebeu nisso sua grande chance de multiplicar seus lucros, interditando o centro da capital e obrigando a todos, inclusive setores empresariais nicaragüenses, a comprar lotes de terras pertencentes ao clã Somoza na periferia de Manágua por preços superfaturados. A ira da classe dominante ainda foi maior, quando se descobriu que a quadrilha governista havia se apropriado de toda a ajuda financeira americana para a reconstrução do país. Foi a gota d’água para que os outros setores da burguesia, até então sócios minoritários da quadrilha palaciana, uma vez sentido-se expropriada, passassem para o lado dos sandinistas. O assassinato de Pedro Chamorro, diretor do principal jornal liberal do país, La Prensa, em 78, aprofundou a fissura interburguesa.

A Guarda Nacional, montada pelos EUA em 1933, era o principal sustentáculo da dinastia Somoza. Desde então, assassinou mais de 50 mil pessoas, 90% delas crianças e jovens entre 8 e 20 anos de idade. Com um profundo ódio ao regime genocida, as forças militares decisivas para o levante, que tomou o poder e destruiu a Guarda Nacional em junho e julho de 79, não vieram da burguesia ou da guerrilha pequeno burguesa do campo, mas fundamentalmente das milícias populares urbanas, como os Comitês de Defesa Sandinistas. Os CDS, organizados por quadras nas cidades copiavam o modelo dos Comitês de Defesa da Revolução Cubana. Mas, o ascenso revolucionário das massas exigia uma direção política decidida para completar a revolução e levar a luta antiimperialista e anticapitalista até as últimas conseqüências, necessidade que só poderia ser atendida por um partido operário revolucionário. Na ausência deste partido, as massas nicaragüenses tiveram de se apegar aos setores mais radicalizados dos liberais nacionalistas, a FSLN.

Sob a inspiração das derrotas impostas ao imperialismo na vizinha revolução cubana (59-60) e pela revolução vietnamita (1975), as massas nicaragüenses aproveitaram-se das fissuras da classe dominante e derrotaram a sanguinária ditadura Somoza. Esta derrota do imperialismo significou uma vitória para o proletariado mundial, impulsionando a luta democrática e antiimperialista, acelerando o debacle de várias ditaduras militares latino-americanas e, particularmente, nos países vizinhos da América Central. Em El Salvador, na Guatemala e Honduras, os massivos protestos e greves operárias levaram à queda de governos cívico-militares e à radicalização da luta de classes sem precedentes históricos naquela faixa terrestre do planeta.

POR QUE, APÓS A REVOLUÇÃO SANDINISTA, A NICARÁGUA NÃO TORNOU-SE UMA NOVA CUBA

A revolução sandinista foi o segundo levante popular num lapso de 20 anos (1959-1979) a derrotar as forças armadas da burguesia e do imperialismo ianque em seu próprio “pátio traseiro”. Uma análise marxista das semelhanças e diferenças entre a revolução cubana e a nicaragüense é fundamental para que se entenda que apesar de ambas as direções, Castro e a FSLN, utilizarem a luta armada como via para o poder é na expropriação da burguesia como classe, que está o cerne da questão. Ao contrário de impulsionar a eliminação da propriedade privada sobre os meios de produção no país, a FSLN limitou-se a expropriar as posses da família Somoza (40% das riquezas do país) e buscou conter a luta anticapitalista das massas insurretas, preservando os interesses da burguesia “antisomozista”, cavando sua própria cova.

Este fator decisivo para a sorte de todo movimento operário insurrecional foi enunciado pelos autores do Manifesto Comunista: “Em toda a parte os comunistas apóiam todo movimento revolucionário contra a ordem social e política vigente. Em todos esses movimentos, põem em primeiro lugar, como questão fundamental, a questão da propriedade, não obstante o grau de desenvolvimento alcançado na época” (Manifesto do Partido Comunista, Marx e Engels).

Tanto o castrismo como os sandinistas são inimigos da democracia operária, ambos buscavam forjar governos de unidade nacional, mas a perspetiva de um governo frente populista fracassou em Cuba e a direção pequeno burguesa foi forçada por condições excepcionais: a entrada em cena do proletariado das cidades ao qual se combinou à guerrilha rural, a imensa debilidade da classe dominante nativa; a intransigência ultimatista do imperialismo norte-americano, que ao contrário de tentar cooptar o castrismo empurrou-o para uma saída operária. Ou seja, pela impossibilidade de manter a frente popular, os castristas tiveram de ir além de onde queriam no curso de ruptura com a burguesia, sendo levados a expropriar os capitalistas nativos e as empresas multinacionais. Simultaneamente, a URSS e a China suplantaram as relações comerciais rompidas pelo imperialismo, não por qualquer impulso internacionalista das burocracias de Moscou ou de Pequim, mas tentando se utilizar da posição militar estratégica de Cuba em futuras negociações com os EUA.

As diferenças entre o Movimento 26 de Júlio de Castro e a FSLN de Daniel Ortega não são de cunho ideológico, subjetivo, neste aspecto ambos compartilham, desde o princípio de suas empreitadas, as ilusões reacionárias da pequena burguesia de desenvolver um capitalismo nacional, livre das mazelas da opressão imperialista. Enquanto foi possível (59 e meados de 1960) Castro tentou manter-se sob um programa democrático-radical e limitar as expropriações às terras de Fulgêncio Batista.

A histeria anticomunista do imperialismo ianque em 59 (década do macarthismo) não deixou saída para Castro, nem para a amedrontada burguesia cubana, que formou parte do governo de união nacional com Castro e Che no comando do Exército após a derrubada de Batista. Temendo sofrer represálias americanas o covarde patronato da ilha preferiu abandonar a frente popular e fugir do país. Abandonado pela burguesia, acossado pelo imperialismo, econômica (boicote ianque à compra do açúcar cubano e ao refino do petróleo pelas multinacionais instaladas na ilha, as únicas existentes) e militarmente (invasão gusana patrocinada pela CIA em praia Girón), o castrismo foi obrigado a se apegar à classe operária, impulsionando ainda que burocraticamente as milícias populares por cada bairro da cidade (os Comitês de Defesa da Revolução Cubana), e nacionalizar as refinarias petroleiras (Shell, Texaco e Standard Oil), os engenhos de açúcar, as companhias de telefone e eletricidade. O Estado apropriou-se de 90% das indústrias do país.

Se as burocracias dos Estados operários alimentam ilusões reacionárias de estabelecer uma “convivência pacífica” com a burguesia em nível internacional, o sandinismo abortou as perspectivas de transformar a Nicarágua em um Estado operário ainda que burocratizado, com a política contra-revolucionária de buscar a “convivência pacífica” com o imperialismo dentro e fora do país, o que Castro, pela negativa absoluta do imperialismo, não conseguiu.

Ao contrário de Cuba, na Nicarágua, sob a direção sandinista, 57% da economia se manteve intocada nas mãos do setor privado. Na indústria, apenas 25% da produção passou para as mãos do Estado e mesmo a tímida Reforma Agrária, só veio a ocorrer de fato em meados da década de 80.

“PLURALISMO POLÍTICO” PARA OS CONTRA-REVOLUCIONÁRIOS, “NÃO ALINHAMENTO” CONTRA O IMPERIALISMO E “ECONOMIA MISTA” CAPITALISTA: A FÓRMULA DA DERROTA

A guerrilha sandinista representou os setores da classe média alijados do poder, que tentaram conseguir, por meio da luta armada, os direitos democráticos que viram frustrados pela via institucional. Logo, a FSLN comprometeu-se com a burguesia anti-somozista a estabelecer um governo de união nacional que respeitasse a propriedade privada e a restabelecer a democracia burguesa, ou seja, manter o capitalismo nicaragüense sem Somoza.

Ao chegar ao poder, a Frente Sandinista proclamou a descoberta de uma via intermediária entre a ditadura do capital e a ditadura proletária.

O esquema dos sandinistas baseava-se no seguinte tripé utópico e reacionário: “pluralismo político”, “não alinhamento na política internacional” e “economia mista”. O resultado é que além de preservar boa parte da burocracia estatal e das instituições jurídicas, a FSLN tentou proteger da ira popular elementos supostamente “honestos e patrióticos” do exército genocida de Somoza, e não poucos foram incorporados ao Exército sandinista. Foi impedido o justiciamento da guarda somozista, e até dos assassinos mais odiados. Somente três anos após a revolução, quando a maioria dos assassinos do antigo regime já se encontrava fora do país é que foram instaurados os tribunais populares e, ainda assim, de maneira bastante tímida e controlada. Protegidos da vingança das massas, os genocidas da Guarda Nacional fugiram para a fronteira de Honduras onde foram reagrupados pela CIA, dando origem a mais sanguinária guerrilha contra-revolucionária já montada na América Latina, os Contras. Esta atitude complacente da FSLN para com os criminosos de Somoza possibilitou uma larga vantagem à contra-revolução imperialista na guerra civil que durou toda a década de 80 e pela qual os explorados pagaram com o seu sangue, com mais de 100 mil nicaragüenses mortos.

Enquanto era criminosamente tolerante com a burguesia e a reação, a FSLN estrangulava as forças da revolução, reprimindo a classe operária, as organizações de esquerda. O governo sandinista combinou a intervenção estatal nos sindicatos que ousassem fazer greve com a repressão seletiva às organizações de esquerda. Em alguns casos, o governo preferiu fechar fábricas ocupadas por trabalhadores em greve, para não fazer concessão às suas reivindicações, do que abrir o “mal precedente” de ser forçado a ir além dos limites pelo movimento operário. Logo nas primeiras semanas após a revolução, foi posto na ilegalidade o grupo stalinista pró-Albânia Frente Obrero (FO) e seu periódico, El Pueblo, foi confiscado, por este grupo estar organizando ocupações de terras. No mês de agosto, o governo expulsou do país a Brigada Simón Bolívar (BSB), ligada ao pseudo-trotskista argentino Nahuel Moreno.

Os principais dirigentes do Movimento de Ação Popular (MAP) e da Liga Marxista Revolucionária foram presos, assim como alguns líderes sindicais do Partido Socialista (PSN, stalinistas pró-Moscou). Mas a maior repressão à esquerda foi o encar-ceramento de mais de cem militantes do Partido Comunista (PCN) sob a acusação de boicotar a produção (em outras palavras, dirigir greves), cerca de três deles foram condenados a mais de dois anos de prisão por estarem a frente de uma ocupação de fábrica. Quase todos os ativistas de esquerda foram encarcerados sob a mesma calúnia que lembram as mais sórdidas pugnas stalinistas.

São acusados de serem “agentes da CIA”. Sem dúvida, a dissolução das milícias populares, a repressão sandinista às greves, ocupações de fábricas e de terras, seguidas da prisão de ativistas de esquerda que lutam por mais conquistas para a revolução, prestou um serviço imensamente maior aos propósitos da CIA, como nenhum mercenário que ela já assalariou.

Além dos trabalhadores urbanos e suas organizações sindicais e políticas de esquerda, os camponeses e as minorias étnicas indígenas também foram vítimas do governo sandinista pequeno burguês. A FSLN estava fortemente empenhada em manter seus compromissos com o latifúndio anti-somozista e evitou a todo o custo uma verdadeira reforma agrária no país. A Lei de Reforma Agrária só foi formalmente votada em julho de 1981, dois anos depois da revolução, mas a efetiva repartição de terras só veio a ocorrer em 1984. O campesinato pobre que, em rota de coalizão com os médios e grandes proprietários no final da década de 70, esperavam do sandinismo a reforma agrária, melhores condições de crédito agrícola e de vida, viram suas ilusões se desfazerem a cada ano. E pior, enquanto os preços de todos os outros bens de consumo cresciam com a hiperinflação, os preços dos gêneros agrícolas foram congelados pelo governo.

Com as populações indígenas, as coisas não foram diferentes: o covarde governo sandinista, enquanto mantinha intocáveis as terras dos grandes latifundiários tratou de se apoderar das terras indígenas e de seus recursos naturais, oprimindo sua cultura e seu idioma.

O resultado não poderia ser outro: os indígenas surnus, miskitos e ramas, assim como os camponeses pobres arruinados pelo governo sandinista foram jogados nas mãos da reação e do imperialismo, alistando-se em massa no exercito mercenário dos Contras.

Por sua vez, todas as liberdades e concessões eram permitidas à burguesia anti-somozista, representada no governo por Violeta Chamorro (proprietária do principal jornal da burguesia liberal, La Prensa, utilizado na guerra psicológica para desestabilizar o regime) e Adolfo Robelo, ligado aos latifundiários algodoeiros.

Ambos se retiraram do governo em 1980 para chantagear o sandinismo a fazer mais concessões à reação. Adolfo Robelo dedica-se a organizar a guerrilha anti-sandinista montada na Costa Rica, enquanto dirige o Movimento Democrático Nicaragüense (MDN), partido que apesar de dedicar-se a atividades de sabotagem da revolução e ao massacre de camponeses, mantém-se ainda na legalidade.

Apesar dos bancos terem sido nacionalizados, outros setores fundamentais da economia foram deixados nas mãos dos capitalistas que provocaram o racionamento e a escassez de produtos de primeira necessidade para forçar a alta dos preços ou simplesmente desmoralizar o governo sandinista. Uma vez que a burguesia foi preservada, ela continuou a impor sobre o Estado burguês sandinista seus interesses de classe que eram de assumir de novo o poder para restabelecer o sistema convencional capitalismo-imperialismo, enfraquecido com a derrubada da tirania pró-imperialista.

Evitando o erro cometido em Cuba, a política levada adiante por Reagan para a Nicarágua nunca teve como objetivo a derrubada do governo sandinista. Washington pretendia manter os sandinistas no poder e vencer a revolução pelo esgotamento. Em 1983, impõem sanções econômicas sobre a Nicarágua e enviam uma tropa para patrulhar a costa nicaragüense. Em 85, os EUA rejeitam a proposta de paz da FSLN e decretam embargo total. A única forma de salvar a revolução seria romper o cerco imperialista através da impulsão das revoluções em El Salvador e Guatemala, mas os sandinistas fazem tudo ao contrário.

No plano internacional, a direção nacionalista da FSLN jogou um papel abertamente contra-revolucionário, não apoiando e, inclusive, sabotando os movimentos guerrilheiros nos países vizinhos, particularmente na Guatemala e em El Salvador. Tentou dar todas as garantias aos EUA de que não fornecia ajuda militar a FMLN. Ao passo que reconhecia e estreitava suas relações com os governos genocidas antiguerrilheiros armados pela CIA nestes países, apoiava tacitamente a URNG e a FMLN para usar este apoio nas negociações com o imperialismo e as burguesias da América Central. Cínico e criminoso papel dos sandinistas, se já não seguiam o exemplo de Cuba – diga-se de passagem, sob os conselhos do próprio Castro – levando a luta antiimperialista até a expropriação da burguesia como classe, ainda aconselhavam a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional salvadorenha a nem tomar o poder, como haviam feito a FSLN.

Uma vez que conseguiu impor o refluxo ao movimento de massas, a FSLN preparou o caminho da reação imperialista de volta ao poder pela via da democracia burguesa. A elite militar sandinista tratou de enriquecer-se, apropriando-se de boa parte das terras expropriadas durante a Revolução.

A vitória sobre a ditadura e a expropriação dos Somoza possibilitou conquistas sociais (refeitórios e creches comunitárias gratuitas, subsídios à alimentação, ampliação do seguro social, aumento dos recursos para a universidade pública para 2% do orçamento nacional etc.) e ampliação dos direitos políticos e de organização sindical. Mas em pouco tempo estas conquistas foram sendo devoradas ou suprimidas paulatinamente a medida que o sandinismo fortalecia o Estado capitalista e restabelecia as relações de dependência e opressão nacional sob o imperialismo, submetendo finalmente o país a um esforço de guerra no combate aos Contras, levando ao caos a economia do país. Em 88, a inflação chega aos 30 mil % ao ano. Após desmoralizar, atomizar e empurrar para a prostração as massas nicaragüenses, os desmoralizados sandinistas perdem as eleições para Violeta Chamorro em março de 1990, mantendo-se no governo através dos postos que ocupava na burocracia militar.

“PACTOS DEMOCRÁTICOS”: A POLÍTICA DE COOPTAÇÃO DO IMPERIALISMO

A estratégia do imperialismo triunfou, graças às utopias reacionárias e suicidas dos reformistas da FSLN.

A Nicarágua foi um laboratório que permitiu ao governo Reagan, desenvolver sua política contra-revolucionária de combate ao comunismo em toda a América Latina, utilizando-se das vacilações das direções nacionalistas, combinando o enfrentamento militar com a cooptação política, através de “aberturas democráticas” controladas. Apesar da imensa ajuda militar norte-americana para sufocar os movimentos de libertação nacional, foi sem dúvida a política contra-revolucionária das direções guerrilheiras, como os sandinistas (anistiando os repressores, negando-se a romper com a burguesia e o imperialismo, estrangulando politicamente a classe operária e perseguindo camponeses e indígenas), que possibilitou o triunfo das forças da reação.

Bush e Clinton deram continuidade à política de “oferecer a cenoura e esconder o pau de açoite” para cooptar as direções nacionalistas. O atual presidente americano foi mais longe, chegando a propor, na última Assembléia anual do Banco Mundial (BM) e do FMI em setembro deste ano “a anistia da dívida externa da Bolívia, Honduras, Nicarágua e da África negra, em até 100%. A medida beneficiaria um total de 36 países.” (CNN, 29/09/99). Clinton anunciou que “a Tesouraria dos EUA considerará a possibilidade de esquecer a cobrança quando o dinheiro que assim se economize seja utilizado para se custear os serviços sociais.” (idem). Esta demagogia não é uma originalidade de Clinton, na verdade, ele se soma a uma coalizão de ONG’s (agências paraestatais do imperialismo com fachadas humanitárias, pacifistas, ecológicas) e do Vaticano, batizada de “Jubileu 2.000”, um fórum que propõe às potências capitalistas que cancelem a dívida do chamado Terceiro Mundo. Trata-se de mais uma faceta humanitária imperialista, assim como a farsa judicial da condenação de Pinochet e a demagógica exigência de um novo julgamento para o massacre de Eldorado dos Carajás, que tem por objetivo fortalecer sua imagem de policiais planetários.

“Estas farsas humanitárias têm sido utilizadas como cortinas de fumaça que precedem sangrentos massacres, como foi o caso recente da guerra contra a Iugoslávia, em nome da defesa dos kosovares. De olho na Amazônia, no combate às guerrilhas, ao insurgente movimento das massas latino-americanas e tentando disciplinar o narcotráfico, o imperialismo que vem anunciando uma invasão militar à Colômbia, não deixaria passar esta oportunidade de fazer propaganda de si mesmo como justiceiro.”

(Luta Operária nº36, agosto/99). Assim como NUNCA condenará Pinochet, NUNCA fará justiça no caso de Eldorado dos Carajás, o imperialismo NUNCA vai perdoar toda a dívida externa de uma, e muito menos de 36, de suas colônias e semicolônias. Porque além de se mover em busca de obter o lucro máximo, os grandes capitalistas têm nas dívidas uma ferramenta de controle político sobre as nações oprimidas.

A RENDIÇÃO DO GUERRILHEIRISMO EM TROCA DE UM BILHETE DE ACESSO À DEMOCRACIA BURGUESA

As direções nacionalistas pequeno burguesas mostraram a custo de muito sangue o fracasso da via reformista armada na Nicarágua, El Salvador e Guatemala. A direção sandinista transformou-se em nova burguesia interessada em manipular o movimento de massas em favor da preservação e ampliação de “suas” conquistas materiais e de seu poder político como partido burguês coadjuvante do regime pró-imperialista. Também nos dois outros países centro-americanos, a FMLN e a URNG renderam-se vergonhosamente aos regimes capitalistas títeres do imperialismo, participando ativamente do circo eleitoral burguês, via para o poder que antes criticavam por não ter acesso a ela.

Na mesma linha de capitulação se encontram os Tupamaros uruguaios, que além de pacificadores a serviço do imperialismo espanhol em favor das capitulações do ETA, se mostraram muito mais prestativos para o imperialismo mundial em seu país, após deporem as armas em prol da estabilidade do regime, apoiando a Frente Ampla, cujo programa tem um caráter privatista para nenhum neoliberal colocar defeitos, defendendo “um país onde o empresariado privado seja o agente chave do crescimento econômico”. Na frente da prefeitura de Montevidéu, Vázquez realizou a gestão mais privatista que qualquer político dos partidos burgueses tradicionais (Blanco e Colorado), demitindo mais de 4 mil trabalhadores com sua política de racionalizar gastos.

Fidel Castro, que sempre aconselhou aos grupos guerrilheiros latino-americanos, simpatizantes da revolução cubana, a não repetir os “erros” de Cuba (expropriar a burguesia nativa), participou de uma reunião em janeiro deste ano com o candidato populista venezuelano Hugo Chávez e o presidente colombiano, Andrés Pastrana, encarregado pelo imperialismo de domesticar a guerrilha, firmando uma declaração conjunta, denominada “Diplomacia pela Paz”, na qual se comprometem a apoiar o processo de paz na Colômbia .

No México, o EZLN tem como estratégia ser uma ala esquerda do principal partido da oposição burguesa, o PRD, cuja finalidade seria formar uma frente de barganha, utilizando a guerrilha muito mais como um símbolo do que como um genuíno enfrentamento contra o governo.

Quando os militantes de outra organização guerrilheira, o EPR maoísta eram selvagemente perseguidos pelo Exército mexicano, o zapatista subcomandante Marcos, ao contrário de solidarizar-se e defender os combatentes perseguidos pelo Estado capitalista, tratou de lavar as mãos e se delimitar pela direita: “vocês lutam pela tomada do poder. Nós pela democracia e justiça. Não é a mesma coisa… Não queremos o seu apoio… o apoio que almejamos é o da sociedade civil nacional e internacional e são as mobilizações pacíficas e civis que desejamos…” (Carta ao EPR, 03/09/96), para não ser confundido com os que lutam de forma violenta pela derrubada do governo pró-imperialista de plantão e, principalmente, para não quebrar a confiança que lhe depositam setores progressistas das classes médias e da burguesia nativa e internacional.

A CRÍTICA MARXISTA DO GUERRILHEIRISMO PEQUENO BURGUÊS

A tática do foco guerrilheiro ou a guerra popular pela formação dos Exércitos de Libertação Nacional é a encarnação militarizada da luta da pequena burguesia por seu espaço no poder, caracteriza-se pelo centrismo frente à burguesia, ao imperialismo e à classe operária, por aventuras heróicas, pelo terrorismo individual, ações desesperadas e por tentar dissolver os interesses classistas do proletariado nos objetivos policlassistas das classes médias. A pequena burguesia é heterogênea e ocupa uma posição secundária em relação aos meios de produção. Seja ela urbana ou agrária (o campesinato) tem suas aspirações sociais quase sempre vinculadas à burguesia e excepcionalmente ao proletariado; quase invariavelmente busca enriquecer, acumular patrimônio e explorar cada vez mais o trabalho alheio, tendo como modelo a grande burguesia.

A pequena burguesia não pode organizar a sociedade segundo seus próprios interesses, ou converte-se em grande burguesia, ou sob uma combinação de pressões excepcionais da luta de classes (negativa da burguesia em constituir frentes populares, ofensiva revolucionária das massas, guerras) é obrigada a expropriar a burguesia, tornando-se burocracia dirigente de um Estado operário deformado, como ocorreu na Iugoslávia, China, Cuba e Vietnã.

O poder social da guerrilha não influi diretamente sobre os meios de produção e, portanto, não organiza a classe mais progressista da sociedade capitalista, o proletariado, nem entra em choque com os interesses de preservação da propriedade privada. Um exemplo atual é o fato de permanecerem intocáveis e até prosperarem as empresas capitalistas nas zonas controladas pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.

Suas ações de terrorismo individual ou guerrilha isolada do proletariado se opõem à estratégia da classe operária e prejudicam o desenvolvimento da consciência de classe dos trabalhadores, substituída pela crença de que sua libertação da opressão virá pelas mãos de heróis vingadores. O guerrilheiris-mo tem sido um dos principais obstáculos para a construção de partidos revolucionários na América Latina, porque tem desviado o recrutamento de lutadores sociais que perdem suas ilusões no cretinismo parlamentar e no tradeunionismo das direções tradicionais para esta modalidade militarizada da política reformista. Por sua vez, criando simpatias messiânicas nas massas, a guerrilha trata de desdenhar da luta política e econômica dos trabalhadores e abortar a criação de conselhos populares e milícias proletárias e camponesas disciplinadas pela democracia operária, o que tentam substituir por organismos militarizados burocráticos. Por vezes, como no caso do Sendero Luminoso peruano, os guerrilheiros empreendem verdadeiras perseguições gangsteris às organizações operárias.

A política reformista, mesmo em sua versão armada, é contra-revolucionária desde sua gênese. E a regra é que as direções pequeno burguesas traiam o proletariado, através da política de frentes populares, o último recurso da burguesia contra a revolução proletária. A direção centrista do processo revolucionário tenta formar uma frente ampla com todos os setores oposicionistas liberais da burguesia contra a reação, fazendo um criminoso compromisso de respeitar a propriedade privada e as relações capitalistas de dominação. Esta foi a política do menchevismo (e também a posição de Stálin e Kamenev na direção do Partido Bolchevique) logo após a revolução de fevereiro de 1917, chamando uma ampla aliança anti-czarista. O mesmo desvio cometeram os centristas republicanos na Guerra Civil espanhola, diluindo o proletariado na frente popular antifranquista.

Uma vez no poder, a direção pequeno burguesa sofre de um verdadeiro pânico de romper com a burguesia e tenta frear o ímpeto anticapitalista das massas, conciliar com a reação burguesa e perseguir a esquerda revolucionária, esmagando qualquer forma de organização independente do proletariado. Desta maneira, a direção centrista pequeno burguesa começa a fragilizar as forças da revolução, minar as conquistas (sociais, políticas e econômicas) surgidas do triunfo da revolução e prepara o caminho para a volta da reação ao poder.

Sem a existência de circunstâncias extremamente excepcionais (a extrema fragilidade da classe dominante que teme constituir um governo de coalizão de frente popular, ascenso do movimento de massas através de greves gerais, expropriações, formação de milícias populares, a existência do Estado operário da URSS como contrapeso ao imperialismo), que fariam tais movimentos pequeno burgueses irem além de suas limitações democratizantes, o mais longe que tais movimentos podem chegar é à mesa de negociação de sua rendição militar, em troca de um registro legal de acesso à democracia burguesa.

Nos conflitos objetivos entre o imperialismo ou o Estado burguês e os movimentos guerrilheiros que não estejam a serviço do imperialismo, os revolucionários marxistas se colocam incondicionalmente do lado dos últimos, conformando frentes de ação com estas forças. Ao mesmo tempo, criticando os métodos do terrorismo individual e a política de buscar uma saída negociada com a manutenção da propriedade privada. Os revolucionários não descartam a possibilidade de formar brigadas separadas da guerrilha ou de ingressar com células comunistas, com sua própria política e disciplina, dentro dos exércitos guerrilheiros para impulsionar o armamento de todo o povo, a expropriação do conjunto da classe capitalista e para subordiná-los aos conselhos e milícias operárias e camponesas.

Ao contrário das organizações centristas pequeno-burguesas, um verdadeiro partido revolucionário baseia-se fundamentalmente na vanguarda consciente da classe mais progressista do capitalismo, a classe operária, nos seus organismos de poder (milícias proletárias, conselhos populares, sovietes), suas formas de organização de luta (greves, ocupações, expropriações) e seus métodos (violência revolucionária e ditadura proletária), o que o torna porta-voz de uma classe com determinação a impor uma nova forma de organização da economia (planificação econômica, coletivização dos meios de produção, controle da produção interna pelos sovietes e controle do comércio exterior pelo Estado operário) e da política, fusão das funções dos poderes do Estado burguês (Legislativo, Executivo e Judiciário) em um único organismo de poder, o soviete, baseado na mais ampla democracia operária.

Fonte: www.colegiosaofrancisco.com.br

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