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Nova Biblioteca de Alexandria

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A antiga biblioteca de Alexandria continha a maior coleção de escritos da antiguidade. Quando foi destruída, no século V A.D., um vasto tesouro de antiga sabedoria perdeu-se para sempre.

Em 1989, o Estado Egípcio anunciou um concurso de arquitetura para o design de uma nova e extensa Biblioteca de Alexandria.

Cerca de 650 equipas de arquitetos apresentaram projetos. Foi uma verdadeira surpresa quando a Snøhetta – uma pequena empresa norueguesa que nunca tinha ganho um concurso ou construído edifícios em grande escala – ganhou o primeiro prémio. A nova Biblioteca de Alexandria, ou Bibliotheca Alexandrina, abriu em 2002 e é amplamente encarada como uma das obras arquitetônicas mais importantes das últimas décadas.

Nova Biblioteca de Alexandria

Embora simples, a biblioteca é magnífica. Na sua essência, o edifício é um cilindro vertical talhado na diagonal cuja clareza geométrica tem muito em comum com os grandes edifícios da antiguidade egípcia. Uma linha reta que perfura a forma cilíndrica da biblioteca é, na verdade, uma ponte pedonal, que fornece acesso à Universidade de Alexandria, para o sul. A ponte atravessa uma rua com muito trânsito de modo a alcançar o segundo piso da biblioteca e continua para uma praça pública na parte norte do edifício, na direção do mar.

A oeste desta ponte, a maior parte do cilindro é recuada, criando um vazio que constitui o lado da entrada principal da biblioteca. A entrada da biblioteca fica situada à frente das portas dianteiras de uma sala de conferências mais antiga e parece evidenciar respeito por este edifício vizinho. Entre os dois edifícios encontra-se uma praça revestida com lajes e, na praça, uma vasta esfera que abarca um planetário.

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Uma fatia oblíqua foi retirada ao edifício em forma de cilindro. Normalmente, constituiria uma superfície elíptica, mas os arquitetos começaram a partir de um cilindro elíptico que é inclinado verticalmente. Assim, a área do piso térreo dos edifícios e o plano do seu telhado inclinado formam círculos perfeitos. As paredes inclinadas da biblioteca apontam todas para norte do mar, tal como o faz o declive do telhado. Embora um verdadeiro cilindro seja uma forma estática, as irregularidades da biblioteca proporcionam-lhe movimento – uma impressão que é reforçada pelo alcance vertical exposto do edifício de 10 andares, desde 10 m debaixo do chão a 32 m acima do mesmo.

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A parede sul do cilindro é revestida por lajes de granito que foram fendidos de enormes blocos, não serrados. A sua superfície é irregular, com contornos suaves.

Estas placas de granito têm inscritos símbolos alfabéticos de todo o mundo. A passagem do sol pelo céu e os reflexos da iluminação eléctrica advindos de uma bacia de água adjacente produzem um dinâmico jogo de sombras sobre os símbolos gravados, evocando antigas paredes de templos egípcios. O vasto átrio central da biblioteca – um meio círculo com um diâmetro de 160 m – é uma sala imponente. A parede curva é feita de elementos de betão com dobradiças abertas na vertical, ao passo que a parede direita é revestida com pedra negra polida do Zimbabué. O chão está dividido em sete níveis em plataforma que descem para norte, na direção do Mediterrâneo.

Fonte: www.noruega.org.br

Nova Biblioteca de Alexandria

A biblioteca de Alexrandria reuniu o maior acervo literário da Antiguidade entre 280 a.C a 416 d.C.

A biblioteca e seu acervo foram queimados algumas vezes, porém há controvérsias quanto às origens de tais atentados.

A Nova biblioteca de Alexandria foi construída em sete anos, tendo sido inaugurada em 2002.

Partiu de um antigo sonho egípcio de valorizar a cidade de Alexandria e sua história.

É na verdade não apenas uma biblioteca, mas um complexo arquitetônico composto por um planetário, dois museus, laboratórios, salas de conferência e cinco bibliotecas.

Com 8 milhões de livros, a biblioteca de Alexandria não é a maior do mundo, título que cabe à biblioteca do Congresso Americano que dispõe de aproximadamente 130 milhões de títulos.

Egito inaugura nova versão da Biblioteca de Alexandria

Mil e setecentos anos depois da destruição da Biblioteca de Alexandria, considerada um dos maiores centros de conhecimento da História da Humanidade, o presidente do Egito, Hosni Mubarak, inaugurou a versão moderna do complexo.

Trata-se de um grandioso centro cultural batizado de Bibliotheca Alexandrina, que reúne museus e institutos de pesquisa, além da biblioteca propriamente dita.

O renascimento da biblioteca terá um papel central na reunião de culturas e sociedades, disse Mubarak durante a cerimônia de inauguração, que contou com a presença do presidente da França, Jacques Chirac, entre outras 300 autoridades.

Nossa região sempre sofreu com derramamento de sangue e conflitos. Agora é o momento de pôr um fim a essa situação.

A Bibliotheca Alexandrina foi construída na cidade de Alexandria, às margens do Mediterrâneo, no mesmo local onde, segundo especialistas, erguia-se a antiga biblioteca. A versão moderna do histórico centro de saber abrigará quatro milhões de livros, cem mil manuscritos e 50 mil mapas. Faz parte de seu acervo o único papiro que sobreviveu à destruição da antiga biblioteca. O projeto, que contou com o apoio da Unesco, levou 20 anos para ser concretizado e custou US$ 200 milhões.

O prédio que abriga o novo complexo cultural tem proporções faraônicas e é repleto de simbolismos.

Projetado por uma empresa da Noruega, o edifício de onze pavimentos tem a forma de um disco inclinado na direção do mar que, segundo os construtores, representa “o nascer do Sol a cada dia para saudar os novos conhecimentos”. No paredão de granito que envolve a biblioteca estão inscritas letras e símbolos de todas as línguas dos mundos moderno e antigo.

Centro simboliza união de culturas e religiões

As ambições da nova biblioteca não são menos grandiosas que o prédio que a abriga: a exemplo do antigo centro, pretende ser um centro universal de saber e um fórum de debates, além de um símbolo forte da união de culturas e religiões representado por sua herança faraônica, grega, muçulmana e cristã.

Numa época de xenofobia e fundamentalismo, a biblioteca clama por racionalidade, diálogo e método científico, afirmou Ismail Serageldin, diretor do centro.

A construção do complexo cultural foi marcada por polêmicas. Críticos do projeto alegam que Alexandria não é mais um centro intelectual. Para eles, o dinheiro deveria ter sido gasto para ampliar a infra-estrutura científica do Egito. Eles também acham que discussões sobre religião acabarão proibidas.

Um centro de sabedoria

No quarto século antes de Cristo, a cidade egípcia de Alexandria, na época sob o domínio dos gregos, se tornou um dos mais importantes centros de ciências, artes, literatura e filosofia do mundo antigo. Foi nesse contexto histórico que o rei Ptolomeu II criou a primeira instituição científica dos tempos antigos, o Mouseion (museu, em latim), e, junto a ele, a biblioteca que ficou conhecida pelo nome da cidade que a abrigava.

Embora não existam números precisos, estima-se que em seu apogeu a biblioteca tenha reunido cerca de 700 mil manuscritos. Tradutores e escribas trabalhavam incessantemente fazendo cópias manuscritas de todos os livros que por ventura chegassem à cidade. A primeira tradução do Antigo Testamento para o grego foi feita na biblioteca. A aquisição de originais de livros e trabalhos científicos também era encorajada. Durante séculos, a biblioteca foi considerada o maior centro de conhecimento do mundo.

Porém, seis séculos depois de sua fundação, a biblioteca e o Mouseion desapareceram junto com a civilização que os criou. Uma série de incêndios, alguns acidentais, outros provocados por disputas políticas e religiosas, é a causa mais provável da destruição do centro.

Moderna Biblioteca da Alexandria – Fotos

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Fonte: arabesc.multiply.com

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A Nova Biblioteca de Alexandria

A nova biblioteca de Alexandria, que recebe o nome sugestivo de Bibliotheca Alexandrina, foi inaugurada em 16 de outubro de 2002 pelo Presidente da República Arábica do Egito, com a presença de inúmeros chefes de estado e dignatários de todo o mundo.

Nova Biblioteca de Alexandria

Criada sob a inspiração da antiga Biblioteca de Alexandria, a mais famosa da antiguidade, é uma instituição pública de informação e pesquisa, devendo servir a estudantes e pesquisadores, assim como ao público em geral.

A Bibliotheca Alexandrina pretende simbolizar a disseminação do conhecimento entre os diferentes povos e nações do mundo.

A UNESCO, organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, se associou à Bibliotheca Alexandrina desde a sua concepção, em meados dos anos 80, ajudando assim a dotar a cidade de Alexandria e toda a região mediterrânea de um importante centro educacional, científico e cultural. Diversos países da cultura árabe e da região mediterrânea contribuíram com a construção e se responsabilizaram com os objetivos da nova Biblioteca.

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A construção principal tem a forma de um cilindro com 160 metros de diâmetro e com o topo truncado. O telhado em ângulo tem o efeito de minimizar os danos dos ventos marítimos e permite o uso da luz natural. Poderá eventualmente conter até 8 milhões de volumes, com coleções especiais sobre as civilizações mediterrâneas assim como grandes coleções sobre ciência e tecnologia.

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O complexo da Bibliotheca Alexandrina inclui ainda um Centro de Conferências, um Planetário, uma Escola Internacional de Estudos sobre Informações, Biblioteca para crianças, Biblioteca para cegos, Museu Científico, Museu de Caligrafia e Laboratório de restauração de manuscritos raros.

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Pequena história da cidade de Alexandria

Alexandre o Grande, Rei da Macedônia, conquistou o Egito em 332 a. C. Registram os livros de História que, passando o inverno de 332-331 a. C. na região do delta do Nilo, Alexandre ordenou que fosse ali implantada a nova capital, com a intenção de servir de base naval e de ser o centro da cultura grega no Egito.

Junto ao pequeno vilarejo denominado Rhakotis, em frente à ilha de Pharos, foi fundada a nova cidade, que recebeu inicialmente o nome de Neápolis. A construção da cidade foi deixada a cargo do vice-rei Cleomenes e do arquiteto rodhiano Deinócrates. Poucos meses depois Alexandre deixou o Egito, e nunca conheceu em vida a cidade que, em sua homenagem, veio a ser denominada Alexandria. Alexandre morreu em 323 a. C. com a idade de 33 anos, e seu corpo foi levado a Alexandria para ser sepultado.

Com a morte de Alexandre o Grande, o império foi repartido entre seus generais, cabendo o Egito a Ptolomeu, parente de Alexandre. Ptolomeu se tornou faraó do Egito e expandiu seu império, iniciando a idade de ouro de Alexandria. Seu sucessor, Ptolomeu II Philadelphus, rei do Egito a partir de 287 a. C., empreendeu grandes construções na capital. Em seguida, a partir de 246 a. C., reinou seu filho Ptolomeu III Euergetes, um grande lider militar e incentivador das ciências. Sob seu reinado Alexandria atingiu o auge em fama e riqueza.

Os faraós Ptolomeus empreenderam grandes construções. Uma das mais famosas foi o Farol de Alexandria. Construído na ilha de Pharos, foi considerado uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. O farol serviu de referência para os navegantes por 16 séculos. Foi destruído por uma série de terremotos ocorridos na região, tendo desaparecido definitivamente por volta de 1300.

Outras famosas construções da antiga cidade de Alexandria foram o Museu (um instituto de pesquisa em medicina e ciências naturais), a Biblioteca de Alexandria e o Templo de Serápis.

Os faraós da dinastia Ptolomaica governaram o Egito até o ano 30 a. C. Os faraós homens chamavam-se Ptolomeus, e o último da dinastia foi Ptolomeu XII. Os faraós mulheres chamavam-se Cleópatras, e o último da dinastia foi Cleópatra VII, filha de Ptolomeu XII. Cleópatra VII foi o último faraó do Egito. Reinou de 51 a. C. até 30 a. C., quando os egípcios perderam a batalha de Actium, no Adriático, para os romanos. O Egito passou a ser dominado pelos Césares.

Com o desmembramento do Império Romano no Século V, a cidade de Alexandria passou a fazer parte do Império Bizantino. Em 616 foi tomada pacificamente pelos Persas, e 5 anos depois voltou ao domínio romano. Em 642 os árabes a tomaram pacificamente. Os árabes preferiam a terra ao mar, de modo que mudaram a capital do Egito para a região onde hoje está a cidade do Cairo. A cidade de Alexandria perdeu o apoio governamental e ficou reduzida a uma pequena base naval. Em 1498 os portugueses descobriram um rota marítma para as Índias, acarretando mais um desastre econômico para a cidade. Foi tomada pelos turcos em 1517, e invadida por Napoleão em 1798. No início do Século IX o vice-rei otomano Muhammad Ali Pasha reconstruiu a cidade, iniciando uma nova era. A abertura do canal de Suez em 1869 trouxe grande impulso à cidade, que se tornou um porto privilegiado para o comércio entre a Europa e a Índia.

Em 1882 tornou-se parte do Reino Unido, servindo de base naval nas duas grandes guerras. Os britânicos deixaram a cidade em 1946, e o Egito se tornou uma república, hoje República Árabe do Egito.

A cidade de Alexandria é hoje a segunda maior cidade do Egito e seu maior porto naval.

Nova Biblioteca de Alexandria

Nova Biblioteca de Alexandria
Duas vistas do Forte de Qaitbey, construído em 1480 pelo Sultão de Qaitbey, provavelmente sobre as fundações do antigo Farol.

A Antiga Biblioteca de Alexandria

A idéia de Biblioteca como local de conservação e consulta pública de livros era comum a muitas civilizações antigas, no Egito, Síria, Ásia Menor, Mesopotâmia, Pérsia. Eram instituições que tinham como principal objetivo preservar e divulgar a cultura nacional.

A Biblioteca de Alexandria se distinguiu por ser um centro universal, aberto ao saber e à pesquisa sem fronteiras. A idéia de uma cultura universal, cosmopolita, cultivada na Grécia, foi trazida para o Egito por Alexandre o Grande, quando da fundação de Alexandria, e por seu parente, o macedônio Ptolomeu I, o primeiro faraó do Egito sob domínio grego. Diz a História que Demétrio de Phaleron incentivou Ptolomeu I a fundar em Alexandria uma academia similar à de Platão.

Foram trazidos livros da cidade de Atenas, dando início à antiga biblioteca.

Nos reinados dos três primeiros faraós da dinastia Ptolomaica foram construídos a biblioteca, um museu contendo jardins, um parque zoológico com animais exóticos, salas de aula e um observatório astronômico. Parece que de 30 a 50 pesquisadores, vindos de todas as partes do mundo civilizado, participavam do complexo, sustendados inicialmente pela família real, e depois através de fundos públicos.

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Representação artística da antiga cidade

O acervo da biblioteca teve uma grande expansão no reinado de Ptolomeu III, que solicitava livros de todo o mundo para copiar, e utilizava os mais diversos meios para obtê-los. Com isso Alexandria se tornou um grande centro de fabricação e comércio de papiros, e uma legião de trabalhadores se dedicavam a esse mister, ao lado de inúmeros copistas e tradutores.

Está registrado na História que o primeiro bibliotecário foi Zenódoto de Éfeso de 284 a 260 a. C. Seu sucessor foi Calímaco de Cirene, de 260 a 240 a. C.

Calímaco empreendeu uma catalogação dos livros. Por essa época a biblioteca tinha mais de 500.000 pergaminhos de vários tipos. De 235 a 195 a. C.

Eratóstenes de Cirene foi o bibliotecário. Em 195 o posto foi assumido por Aristófanes, que atualizou o catálogo de Calímaco. O último bibliotecário de que se tem notícia foi Aristarco da Samotrácia, o astrônomo, que assumiu o posto em 180 a. C. As datas aqui referidas possivelmente não são de todo exatas. De uma forma ou de outra a biblioteca funcionou até o século IV.

Dizem que a biblioteca chegou a ter 700.000 pergaminhos. Era suporte para estudos de diversas áreas do conhecimento, como Filosofia, Matemática, Medicina, Ciências Naturais e Aplicadas, Geografia, Astronomia, Filologia, História, Artes, etc. Os pesquisadores alexandrinos organizavam expedições para aprender mais em outras partes do mundo. Desenvolveram tanto as ciências puras como as aplicadas. Falam-se de inúmeras invenções, como bombas para puxar água, sistemas de engrenagens, odômetros, uso da força do vapor de água, instrumentos musicais, instrumentos para uso na astronomia, construção de espelhos e lentes.

A destruição da Antiga Biblioteca de Alexandria é um assunto delicado, pode-se cair em afirmações injustas devido à falta de conhecimento histórico exato. Para mais informações confira as páginas sugeridas abaixo. Existem muitas lendas a respeito, e pouca evidência histórica. Parece que a biblioteca, em função de seu grande acervo, era alocada em diversos prédios espalhados pela cidade. Dizem que as diversas invasões estrangeiras e também lutas internas ocasionaram cada uma perdas parciais. Parte do acervo foi queimado quando da invasão dos romanos em 48 a. C., diz-se que acidentalmente. Como compensação, em 41 a. C. o imperador romano Marco Antonio doou 200.000 pergaminhos à biblioteca, ato talvez não de todo meritório, pois esses pergaminhos foram subtraídos da biblioteca de Pérgamo. Depois de passar por várias vicissitudes semelhantes, conta-se que a biblioteca de Alexandria teria sofrido perdas com a tomada do poder pelos dirigentes cristãos, por volta do ano de 391. A versão de que os árabes terminaram de destruir a biblioteca quando de sua invasão em 642 está em descrédito. Parece que por essa época a biblioteca já não mais existia.

Existem muitas lendas sobre os livros da famosa biblioteca e os assuntos que ali se podia ler, a respeito de alquimia, visita de extraterrestres, histórias de civilizações antiquíssimas, registros das mais diversas cosmologias, etc. Alguns autores sustentam que o essencial está a salvo em profundas cavernas em alguns locais ermos do planeta. Estariam resguardados, em algum lugar, os tratados perdidos de Matemática, assim como tantos outros? Parece que tão cedo não saberemos a verdade.

Matemáticos ligados à Antiga Biblioteca de Alexandria

A Escola de Alexandria está entre as três maiores escolas de Matemática da antiga civilização mediterrânea, ao lado da Escola Pitagórica, que era sediada na cidade de Crotona, Itália, e da Academia de Platão, sediada em Atenas, Grécia. A influência da Escola de Alexandria se estendeu principalmente de 300 a. C. a 400 d. C.

Os matemáticos mais conhecidos que estudaram ou lecionaram na antiga Biblioteca de Alexandria foram: Euclides de Alexandria, Eratóstenes de Cirene, Apolônio de Perga, Aristarco de Samos, Hipsicles, Heron de Alexandria, Menelau de Alexandria, Ptolomeu de Alexandria, Diofanto de Alexandria, Papus de Alexandria, Theon de Alexandria, Hipácia de Alexandria e Proclus Diádoco. Indiretamente outros nomes de matemáticos estiveram ligados à Biblioteca de Alexandria, como Arquimedes de Siracusa, que se correspondia com Eratóstenes, e Nicômano de Gerasa.

Segue uma pequena biografia de cada um.

Euclides de Alexandria. Pouco de sabe sobre sua vida, mas pode-se dizer que morou em Alexandria e ensinou na Biblioteca na segunda metade do Século IV a. C. Sua obra mais conhecida,

Os Elementos, foi escrita por volta de 320 a. C. Nessa obra Euclides apresenta o conhecimento matemático de seu tempo sob uma estrutura axiomática.

Os Elementos exerceu grande influência científica e pedagógica desde a época de Euclides até o início da Idade Moderna.

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Euclides de Alexandria conforme a visão artística de Rafael Sanzio em seu afresco Cognitio Causarum.
Euclides manuseia um compasso e explica Geometria para alguns estudantes.

Eratóstenes de Cirene

Passou sua juventude em Atenas, distinguindo-se em Poesia, Astronomia, História, Matemática e Atletismo. Na idade adulta foi chamado a Alexandria por Ptolomeu III para ensinar a seu filho e para ser o bibliotecário da Biblioteca. Sua contribuição mais conhecida em Matemática é o que chamamos hoje de crivo de Eratóstenes. Distinguiu-se ainda em Geografia, e conseguiu um método para medir o raio da Terra.

Arquimedes de Siracusa

Nasceu por volta de 287 a. C., e morreu em 212 a. C., durante o cerco de Siracusa empreendido pelos romanos. Talvez tenha estudado em Alexandria, mas a maior parte do tempo viveu em Siracusa. Trabalhou em diversos ramos do conhecimento, como em Astronomia, Hidrostática, Ótica, Mecânica, diz-se que inventou diversos engenhos. Em Matemática é considerado um dos grandes gênios, comparando-se a Newton e Gauss. Seus trabalhos marcaram o início do Cálculo Integral.

Apolônio de Perga

Foi educado em Alexandria por volta de 250 a. C. É considerado o maior geômetra da antiguidade, e sua obra Cônicas teve grande influência no desenvolvimento da Matemática.

Aristarco de Samos

Astrônomo, propôs o sistema heliocêntrico

Calculou as distâncias relativas da Terra à Lua e da Terra ao Sol, assim como o tamanhos da Lua e do Sol em relação ao da Terra.

Hipsicles. Viveu por volta de 180 a. C. Astrônomo, contribuiu em Matemática com o estudo da trigonometria, poliedros, números poligonais, progressões e equações.

Heron de Alexandria

Viveu por volta de 50 d. C. Trabalhou em Mecânica, Ótica e Matemática. Nesta última distinguiu-se pelo aspecto aplicado de suas obras, dentre elas Métrica, que contém exemplos de mensuração de comprimentos, áreas e volumes.

Menelau de Alexandria

Viveu por volta do ano 100. Sabe-se que escreveu várias obras de trigonometria e geometria, mas a única que se preservou foi Sphaerica. Nessa obra considerou triângulos na esfera e provou, dentre outros resultados, que a soma dos seus ângulos internos é maior do que 180o.

Nicômano

Viveu por volta do ano 100. Foi um neo-pitagórico, fazendo parte do grupo de filósofos, com centro em Alexandria, que procuravam reviver os ensinamentos de Pitágoras. Sua obra Introdução à Aritmética apresenta uma introdução à Teoria dos Números sob o ponto de vista da filosofia pitagórica.

Ptolomeu de Alexandria

Viveu por volta de 150, e ensinou em Atenas e em Alexandria. É considerado o maior astrônomo da antiguidade. Sua obra Síntese Matemática, em treze livros, ficou mais tarde conhecida como Almajesto, que significa “o maior”. Nessa obra Ptolomeu desenvolve a trigonometria e apresenta um modelo geocêntrico para o sistema solar, modelo este utilizado por mais de 1300 anos.

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Ptolomeu de Alexandria conforme a visão artística de Rafael Sanzio em seu afreso Cognitio Causarum.
Ptolomeu está de costas, segurando um globo terreste. Confira Escola de Atenas.

Diofanto de Alexandria

Considerado um dos maiores matemáticos da civilização grega. Dentre outras obras, escreveu Aritmética, que teve grande influência na História da Matemática.

Nessa obra Diofanto introduz notação algébrica e estuda equações indeterminadas, hoje chamadas equações diofantinas, em sua homenagem.

Papus de Alexandria

Viveu por volta do ano 300, e é considerado o último dos grandes geômetras da antiga civilização grega. Sua obra chamada A Coleção continha 8 livros, mas parte se perdeu. O que se conservou nos dá um importante registro da geometria grega e das próprias descobertas de Papus em Matemática, Astronomia, Ótica e Mecânica. Graças à sua propensão para generalizar, Papus chegou perto do princípio fundamental da Geometria Analítica, 1300 anos antes de Descartes e Fermat.

Theon de Alexandria

Filósofo e matemático, viveu por volta de 365 em Alexandria. Editou Os Elementos de Euclides, edição esta que se preservou e tem grande importância para os historiadores. Escreveu vários tratados científicos, e descreveu um método para calcular raízes quadradas com frações sexagesimais.

Hipácia de Alexandria

Filha de Theon de Alexandria, era filósofa e matemática. Ensinava na Biblioteca, e escreveu comentários sobre as obras de Diofante, Ptolomeu e Apolônio.

Hipácia presidia a escola neo-platônica em Alexandria, e com isso atraiu a inimizade de grupos de fanáticos religiosos, em mãos dos quais morreu martirizada, em 415. A morte de Hipácia marcou o fim de Alexandria como centro científico.

Proclus Diádoco

Nascido em Bizâncio em 412, morreu em 485. Estudou em Alexandria e ensinou em Atenas, onde se tornou o líder da Escola Platônica em sua época. Diádoco significa Sucessor, cognome aplicado a Proclus possivelmente por ser considerado o sucessor de Platão. Proclus era filósofo e estudioso da Matemática. Seu livro Comentário sobre o Livro I de Os Elementos é muito importante para a História da Matemática, pois ao escrevê-lo Proclus utilizou um exemplar da História da Geometria, de Eudemus, obra hoje desaparecida, assim como um exemplar de Comentários sobre Os Elementos, de Papus, hoje quase todo perdido. Proclus era um escritor prolífico e fez comentários sobre passagens difíceis da obra de Ptolomeu.

Fonte: www.dm.ufscar.br

Nova Biblioteca de Alexandria

A Biblioteca de Alexandria foi uma das maiores bibliotecas do mundo e localizava-se na cidade egípcia de Alexandria. Considera-se que tenha sido fundada no início do século III a.C., durante o reinado de Ptolomeu II do Egipto, depois de o seu pai ter construído o Templo das Musas (Museum). É atribuída a Demétrio de Falero a sua organização inicial.

Uma nova biblioteca foi inaugurada em 2003 próxima do sítio da antiga. Estimase que a biblioteca tenha armazenado mais de 400.000 rolos de papiro, podendo ter chegado a 1.000.000.

Foi destruída parcialmente inúmeras vezes, até que em 646 foi destruída num incêndio acidental (acreditouse durante toda a Idade Média que tal incêndio tivesse sido causado pelos árabes).

Uma nova biblioteca foi inaugurada em 2003 próxima do sítio da antiga. Estimase que a biblioteca tenha armazenado mais de 400.000 rolos de papiro, podendo ter chegado a 1.000.000. Foi destruída parcialmente inúmeras vezes, até que em 646 foi destruída num incêndio acidental (acreditouse durante toda a Idade Média que tal incêndio tivesse sido causado pelos árabes).

Diz se que ao ver a cabeça do inimigo César se pôs a chorar. Apaixonandose perdidamente por Cleópatra, César conseguiu colocála no poder através da força.

Os tutores do jovem faraó foram mortos, mas um conseguiu escapar. Temendo que o homem pudesse escapar de navio César mandou incendiálos todos, inclusive os seus próprios. O incêndio alastrouse e atingiu uma parte da famosa biblioteca.

A instituição da antiga biblioteca de Alexandria tinha como principal objetivo preservar e divulgar a cultura nacional. Continha livros que foram levados de Atenas.

Havia também matemáticos ligados à biblioteca, como por exemplo Euclides de Alexandria. A Biblioteca tornouse um grande centro de comércio e fabrico de papiros.

Nova Biblioteca de Alexandria

A lista dos grandes pensadores que frequentaram a biblioteca e o museu de Alexandria inclui nomes de grandes génios do passado. Importantes obras sobre geometria, trigonometria e astronomia, bem como sobre idiomas, literatura e medicina, são creditadas a eruditos de Alexandria. Segundo a tradição, foi ali que 72 eruditos judeus traduziram as Escrituras Hebraicas para o grego, produzindo assim a famosa Septuaginta.

Os grandes nomes da Alexandria antiga

Euclides (século IV a.C.): matemático, O pai da geometria e o pioneiro no estudo da óptica. A sua obra “Os Elementos” foi usada como padrão da geometria até o século XIX.
Aristarco de Samos (século III a.C.):
astrónomo. O primeiro a presumir que os planetas giram em torno do Sol. Usou a trigonometria na tentativa de calcular a distância do Sol e da Lua, e o tamanho deles.
Arquimedes (século III a.C.):
matemático e inventor. Realizou diversas descobertas e fez os primeiros esforços científicos para determinar o valor do pi (p).
Calímaco (c. 305c. 240 a.C.):
poeta e bibliotecário grego, compilou o primeiro catálogo da Biblioteca de Alexandria, um marco na história do controle bibliográfico, o que possibilitou a criação da relação oficial (cânone) da literatura grega clássica. O seu catálogo ocupava 120 rolos de papiro.
Eratóstenes (século III a.C.):
polímata (conhecedor de muitas ciências) e um dos primeiros bibliotecários de Alexandria. Calculou a circunferência da Terra com razoável exatidão.
Galeno:
médico, (século II d.C.) Os seus 15 livros sobre a ciência da medicina tornaramse padrão por mais de 12 séculos.
Hipátia:
astrónoma, matemática e filósofa, (século III d.C.) Uma das maiores matemáticas, diretora da Biblioteca de Alexandria, acabou assassinada.
Ptolomeu (século II d.C.):
astrónomo. Os seus escritos geográficos e astronómicos eram aceites como padrão.

A nova biblioteca

A atual biblioteca pretende ser um dos centros de conhecimento mais importantes do mundo.

A estrutura, que tem o nome oficial de Bibliotheca Alexandrina, integra, para além da principal, quatro bibliotecas especializadas, laboratórios, um planetário, um museu de ciências e um de caligrafia e uma sala de congressos e de exposições.

Nova Biblioteca de Alexandria

A Biblioteca Tahan Hussein é especializada em cegos e invisuais, a dos Jovens é dedicada a pessoas entre os 12 e os 18 anos, a das Crianças é para quem tem entre 6 e 12 anos, e a Multimédia está dotada com CD, DVD, cassetes áudio e vídeo, diapositivos e fotografias. Há ainda uma sala de microfilmes, uma de manuscritos e outra de livros raros.

Nova Biblioteca de Alexandria
O prédio principal

Inicialmente, a ideia era dotar a biblioteca de oito milhões de livros, mas como foi impossível angariar essa quantidade, ficou pela metade. Assim, foi dada prioridade à criação de uma biblioteca cibernética. No local estão ainda guardados dez mil livros raros, cem mil manuscritos, 300 mil títulos de publicações periódicas, 200 mil cassetes áudio e 50 mil vídeos. No total podem trabalhar na Biblioteca de Alexandria cerca de 3500 investigadores, que têm ao dispor 200 salas de estudo.

O telhado de vidro e alumínio tem quase o tamanho de dois campos de futebol. Este teto da biblioteca é um disco com 160 metros de diâmetro reclinado, que parece em parte enterrado no solo. É provido de clarabóias, voltadas para o norte, que iluminam a sala de leitura principal. Os espaços públicos principais ficam no enorme cilindro com o topo truncado, cuja parte inferior desce abaixo do nível do mar. A superfície inclinada e brilhante do telhado começa no subsolo e chega a 30 metros de altura. Olhando à distância, quando a luz do Sol reflete nessa superfície metálica, a construção parece o Sol quando nasce no horizonte. A entrada é pelo Triângulo de Calímaco, uma varanda de vidro triangular, assim chamada em homenagem ao bibliotecário que sistematizou os 500 mil livros da antiga biblioteca.

A sala de leitura tem vinte mil metros quadrados e é iluminada uniformemente por luz solar direta. Ao todo a biblioteca tem onze pisos, sete à superfície e quatro subterrâneos, sustentados por 66 colunas de 16 metros cada uma.

As paredes sem janelas revestidas a granito que sustentam a parte do círculo que fica à superfície têm incrustados os símbolos utilizados pela Humanidade para comunicar, como os caracteres dos alfabetos, notas musicais, números e símbolos algébricos, códigos das linguagens informáticas, etc.)

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O projeto da biblioteca é da autoria de uma firma de arquitetos noruegueses, a Snohetta. A construção demorou sete anos, mas a ideia nasceu em 1974. Os principais financiadores da instituição foram a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) e o governo egípcio e o custo total da obra rondou os 200 milhões de euros.

A reconstrução da famosa Biblioteca de Alexandria resultou numa estrutura de forma incomum. A construção principal da Biblioteca Alexandrina, como agora é oficialmente chamada, parece um gigantesco cilindro inclinado.

A ampla fachada do cilindro central, de granito cinza, tem letras de alfabetos antigos e modernos. Dispostas em fileiras, as letras representam apropriadamente as bases fundamentais do conhecimento.

A maior parte do interior do cilindro é ocupada por uma sala de leitura aberta, com o piso em vários níveis. No subsolo há espaço suficiente para 8 milhões de volumes. Há também espaços reservados para exposições, salas de conferências, biblioteca para cegos e um planetário — uma estrutura esférica, à parte, que lembra um satélite. Esse prédio moderníssimo inclui ainda sistemas sofisticados de computadores e de combate a incêndios.

Uma biblioteca à altura do seu passado

A biblioteca reconstruída foi aberta ao público em Outubro de 2002, e contém cerca de 400 mil livros. O seu sofisticado sistema de computadores permite ainda ter acesso a outras bibliotecas. A coleção principal destaca as civilizações do Mediterrâneo oriental. Com espaço para 8 milhões de livros, a Biblioteca de Alexandria procura realçar ainda mais a importância dessa cidade antiga.

Fonte: sdi.letras.up.pt

Nova Biblioteca de Alexandria

A Fênix Ressuscitada

A biblioteca é uma espécie de gabinete mágico onde estão encarnados os melhores espíritos da humanidade, mas esperam a nossa palavra para sair da mudez.

Muito provavelmente, para um número significativo de leitores de Química Nova na Escola, visitar o Egito povoa o imaginário. É provável que, desde os primeiros estudos da história das civilizações, tenhamos repetido os nomes Queóps, Quefrém e Miquerinos e sonhado com a imponente esfinge. Um outro sonho é a visitação à Biblioteca de Alexandria. Este texto é um convite para conhecer um pouco desse ícone da história do conhecimento. Em 16 de outubro deste ano, foi inaugurada a nova e imponente biblioteca. Alexandria, ou Iskanderiya em árabe, foi fundada por Alexandre Magno, rei da Macedônia há mais de 2.300 anos.

Ela foi, na Antigüidade, um pólo florescente onde se destacava um planejamento urbano muito original feito pelo arquiteto Dinócrates. Inicialmente, sua localização era em uma ilha, que gradativamente transformou-se em uma península, ligada ao delta do Nilo por um estreito istmo. Outro destaque era um muito bem planejado porto mediterrâneo, onde havia um famoso farol, considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo.

Esse fora erguido em 279 a.C. Blocos de granito conferiam-lhe a altura de 125 m. Foi derrubado por dois terremotos, nos séculos 11 e 14; suas pedras repousam hoje no fundo do mar. Onde estava o majestoso farol, está hoje a fortaleza do sultão Qaitbey, construída em 1480. Alexandria – na Antigüidade mais rica e importante que Atenas e Antioquia – foi cosmopolita, culta e tolerante. Nela viviam egípcios, gregos, macedônios e romanos. O grego era então a língua dominante. Os gregos edificaram na cidade um fascinante microcosmo de sabedoria, dando a sua gente um caráter saudavelmente inquieto. A capital mediterrânea era o símbolo da cultura, com um complexo científico que foi um pólo difusor do saber e, talvez, o primeiro centro formal de pesquisa da humanidade. Essa concepção de produção organizada do saber pode ser considerada como embrião da cultura monástica medieval e também das universidades que surgiram no mundo ocidental 15 séculos depois.

A biblioteca – fundada por Ptolomeu I, chamado Soter (o Protetor), em 288 a.C. – foi organizada sob decisiva influência de Aristóteles, tendo como modelo o clássico gymnasium. O bibliotecário encarregado de sua direção era escolhido diretamente pelo rei – a partir de uma lista de nomes proeminentes nas Artes, Ciências, Filosofia e Literatura – e era um dos postos mais altos e honoríficos do reino. O primeiro bibliotecário foi Demétrio de Falera. A Biblioteca possuía dez grandes salas de investigação e leitura, vários jardins, horto, zoológico, salas de dissecações e observatório astronômico. Era formada por dois edifícios, o bruchium e o serapium (Serapis era o deus da fertilidade), nos quais se encontravam estantes, com nichos para guardar os papiros. Há informações de que chegou a reunir 700 mil rolos de papiro, o que equivaleria a aproximadamente 100-125 mil livros impressos de hoje. Havia no corpo da Biblioteca habitações ocupadas por escribas que copiavam caprichosamente os manuscritos, cobrando segundo o número de linhas produzidas a cada dia. O trabalho dos copistas era então muito valorizado e havia aqueles especializados em línguas das mais distantes regiões da Terra. Ptolomeu III Eugertes (o Benfeitor), em função de necessidades de espaço, construiu uma segunda biblioteca, chamada a Biblioteca Filha, no templo de Serapis.

Os faraós Ptolomeus tiveram sempre especial atenção em enriquecer a Biblioteca, adquirindo trabalhos originais e valiosas coleções através de compras ou de cópias. Cada navio que atracava no porto de Alexandria era pesquisado e, se fosse encontrado um livro, este era levado à Biblioteca para ser copiado, sendo que a cópia retornava ao proprietário, sendo seu nome inscrito em um registro, como proprietário do original, que permanecia na Biblioteca. O mesmo ocorria com qualquer viajante que chegasse à Biblioteca com manuscritos originais.

De 30 a.C. até o ano 64 houve também uma florescente escola judaica de língua grega que realizava uma simbiose da cultura hebraica com o neoplatonismo e com o gnosticismo oriental. Os judeus alexandrinos traduziram seus livros sagrados para o grego, constituindo a chamada Tradução dos Setenta. Organizar uma lista de intelectuais que legaram importantes contribuições à humanidade a partir de trabalhos e teorizações no complexo científico que existiu junto à Biblioteca é algo extenso.

Eis alguns exemplos: Aristarco de Samos, o primeiro a anunciar que a Terra gira ao redor do Sol; Hiparco de Nicéia, o primeiro a medir o ano solar com uma precisão de 6,5 minutos; Erastóstenes, que primeiro mediu a circunferência da Terra e como matemático é conhecido pelo crivo de Erastótenes; Euclides, que escreveu a geometria que ainda usamos hoje; Arquimedes, um dos maiores matemáticos da Antigüidade; Heron, engenheiro mecânico, criador, como Arquimedes, de vários instrumentos revolucionários; Hierófilo, médico e professor, estudioso da anatomia, tendo investigado o cérebro e os sistemas nervoso e circulatório; Galeno, cirurgião grego; Calímaco, poeta que primeiro escreveu um catálogo de livros classificando-os por assuntos e por autor. A esses nomes junta-se o da grande matemática e astrônoma Hipátia (370-415), última bibliotecária da Biblioteca de Alexandria. Ela foi assassinada quando a Biblioteca foi queimada por instigação de monges cristãos, que a identificavam como um centro herético.

A Biblioteca e seu complexo de pesquisa foram destruídos parcial ou totalmente em diferentes momentos devido às guerras, à negligência e, especialmente, devido ao medo que têm os poderosos e os déspotas de que o saber, quando extensamente socializado – e essa é a função de uma Biblioteca – possa fazê-los perder o poder. Sua decadência iniciou-se com o domínio romano.

O primeiro grande incêndio ocorreu sob o domínio de Júlio César (47 a.C.), durante uma ação militar, na qual os romanos queimaram navios egípcios que estavam atracados próximos e o fogo atingiu a Biblioteca; acredita-se que então tenham se perdido 40 mil obras acumuladas pelos quase três séculos da dinastia ptolomáica. Na era cristã, os imperadores Domiciano, Caracala, Valeriano e Aureliano danificaram o grande patrimônio cultural diversas vezes. A segunda grande destruição foi ordenada pelo imperador cristão Teodósio I (391) e, 150 anos depois, Teodora, esposa de Justiniano, ordenou nova destruição em Alexandria. Em 619, os persas fizeram de Alexandria terra arrasada. Em 641, a capital do Egito é transferida para onde hoje é a cidade do Cairo; termina o prestígio político de Alexandria.

Hoje, Alexandria – a segunda cidade do Egito – tem cerca de 4 milhões de habitantes. Ao longo da muito extensa cornija que bordeja duas lindas baías mediterrâneas, existem edifícios modernos e imponentes. O mar verde-azulado é coalhado de embarcações de passeio que se misturam com pequenos barcos pesqueiros. Revoadas de aves marítimas enfeitam a paisagem. Mas, parece que se sente ainda forte o magnetismo daquilo que a cidade representou no passado nas muitas imponentes mesquitas, na catedral copta e nas edificações greco-romanas. Quando se faz a primeira circulada pela orla, logo aparece, imponente, a Biblioteca Alexandrina, que ressurge qual Fênix, quase 1.400 anos depois. O primeiro destaque é um brilhante telhado circular, de 160 metros de diâmetro.

O telhado de aço e alumínio parece estar pronunciadamente inclinado sobre o Mediterrâneo, como um manto protetor contra o vento e a umidade; também contra o fogo, já que na primeira destruição esse veio do mar. Esse disco está parcialmente submergido em um magnífico espelho d’água, que parece não ter limites. O disco recorda o deus solar Rá, lembrando que uma biblioteca deve iluminar, como o Sol, toda a humanidade. Um alto muro, revestido de granito cinza de Assuã, com quatro mil caracteres em baixo-relevo com notas musicais, símbolos matemáticos e letras de línguas que existiram e existem em todo o mundo, recorda a outra biblioteca, que foi o farol cultural da Antigüidade.

Se uma das faces da moderna Biblioteca Alexandrina está voltada para o Mediterrâneo, aquela que lhe é oposta está junto ao campus da Universidade de Alexandria, que tem cerca de 70 mil estudantes, os maiores beneficiados com a riqueza que passam a ter à disposição. A propósito, há a intenção de envolver fortemente a população alexandrina no uso do acervo, sendo que existem setores especializados por faixas etárias e o público jovem é uma população para a qual estão dirigidas muitas promoções na Biblioteca.

Nova Biblioteca de Alexandria

Nova Biblioteca de Alexandria
Diferentes vistas da Biblioteca, com o Meditarrâneo ao fundo. O alto muro, revistido de granito cinza de Assuã, contém 4.000 caracteres em baixo-relevo com notas musicais, símbolos matemáticos e letras de línguas que existiram e existem em todo o mundo.

Não é fácil fazer uma descrição do imponente complexo arquitetônico, que tem uma área total de 84.405 m2. Destes, 37 mil são exclusivos para a Biblioteca; os demais destinam-se a Centro Cultural, Museu de Ciências, Museu Arqueológico e Museu de Manuscritos – com mais de oito mil documentos de grande valor -, laboratórios de restauração, um moderno planetário construído pela França e outros serviços técnicos. Há uma grande sala de leitura, com cerca de 20 mil m2, distribuídos em 11 níveis distintos; destes, sete estão acima da superfície e quatro são subterrâneos, todos dotados de ar condicionado e de uma alta tecnologia relacionada à informática. Nesses pavimentos, o acervo bibliográfico (hoje são 200 mil livros, mas há capacidade para 8 milhões) está distribuído por temas, em função da classificação internacional. Cerca de 2 mil leitores podem usar simultaneamente as salas. Também são possíveis consultas pela Internet.

Algo que chama a atenção é a segurança.

São particularmente impressionantes as preocupações com o fogo: as tragédias anteriores não podem ser repetidas. Há inúmeros chuveiros, que serão acionados automaticamente caso haja elevação súbita de temperatura ou sinais de fumaças. Há também uma série de cortinas corta-fogo, que podem isolar instantaneamente diferentes setores.

Há, porém, aqueles que criticam a nova Alexandria, dizendo que a renovação da cidade é apenas cosmética, com as fachadas pintadas externamente, o lixo recolhido apenas nas ruas centrais e as praias limpas apenas para impressionar aos turistas.

Até os anos 70 do século passado, a Biblioteca Alexandrina era apenas uma reminiscência de passado distante, com marcas dolorosas de destruição devida às discórdias entre povos e religiões.

A publicação do livro A antiga Biblioteca Alexandrina: vida e destino, pelo historiador egípcio Mustafá El-Abadi, revolucionou a consciência e trouxe à cidade e ao país o desejo de recuperar para Alexandria aquilo que ela uma vez significou. Com a liderança da Universidade de Alexandria, em 1974, desencadeou- se um processo internacional.

Em 1989, a UNESCO lançou um concurso público internacional para a concepção do projeto e a construção da Biblioteca. Em 1990, foi assinada a Declaração de Assuã para a recuperação da instituição. O arquiteto norueguês Ktejil Thorsen, do prestigiado escritório Snohetta, com sede na Noruega, obteve o primeiro lugar, competindo com 524 propostas de 52 países. Em 1995, foi colocada a primeira pedra da imponente construção. Uma vez mais, trabalhadores anônimos, como ocorrera há mais de 4 mil anos com a construção das pirâmides, fizeram algo monumental. O custo total da obra foi de algo em torno de US$ 220 milhões.

O Egito pagou US$ 120 milhões e outros países doaram cerca de US$ 100 milhões, dos quais 65 milhões vieram de países árabes (os grandes produtores de petróleo do Golfo) e o restante de 27 outros países.

É importante referir que houve muita polêmica interna acerca de um investimento tão vultoso, especialmente se considerada a miséria que há no país. Outra vez parece que são os governantes que querem deixar nas obras imponentes seu nome. O personalismo do presidente Mubaraki e de sua mulher Suzanne foram decisivos nesta obra, para a qual, com adequação, cabe o adjetivo faraônica, especialmente em um Egito onde a grande maioria da população luta para conseguir um prato de comida.

Hoje, a Biblioteca Alexandrina é ainda uma imensa casca vazia, ou semivazia. Ela está recebendo doações de todas as partes do mundo. Há muitas críticas por uma não existência de critérios para receber as doações, chegando assim muito material de valor discutível. Parece que, inicialmente, o único critério era que os livros não ofendessem a sensibilidade dos fanáticos islamitas egípcios. Assim, era fácil imaginar a não aceitação de obras da Detalhe do muro com caracteres em baixorelevo.

História da humanidade que falassem em sexo ou que duvidassem da existência e da unicidade de Deus.

Poderá ser muito difícil encher as imensas prateleiras.

Todavia, na grande sala de leituras já se exibe, entre outros, um papiro do Museu Egípcio de Turim, uma coleção de livros em miniatura de grandes autores russos editada em Moscou, um fac-símile de manuscritos da Bíblia do século IV e duas cópias do Corão: uma de 1212, originária do Marrocos, e outra de 1238.

Nova Biblioteca de Alexandria
Maquete da nova Biblioteca.

Ismail Sarageldin, um ex-vice-presidente do Banco Mundial e atual diretor da Biblioteca, nomeado, em função das críticas que se fazia à acumulação de livros sem critérios, pelo presidente Mubarak, a quem funcionalmente está ligado diretamente, diz: “Temos a máxima liberdade para colecionar livros, do mesmo modo que o Vaticano guarda textos que foram queimados pela Igreja Católica. Se os fundamentalistas condenam os Versos satânicos de Salmon Rushdie, qual o melhor lugar para encontrar, ler e julgar este texto que a Biblioteca Alexandrina?”.

Há quatro grandes metas almejadas para a Biblioteca Alexandrina:

a) Uma janela do Egito no mundo – para ensejar que se conheça a muito rica e vasta história do Egito durante diferentes eras, disponibilizando grande quantidade de materiais por meio de modernos meios para acessá-los;
b) Uma janela do mundo no Egito –
a biblioteca quer ser a oportunidade dos egípcios conhecerem outras civilizações do mundo;
c) Uma biblioteca na idade digital –
que deseja integrar- se com a revolução das informações, associando-se a diferentes agências internacionais congêneres; e
d) Um centro de diálogo e debate –
onde ocorram de maneira permanente seminários para celebrar o diálogo entre civilizações.

Estas são metas oficiais, que uma vez mais recebem muitas críticas internas, centradas em uma pergunta: poderá a nova Biblioteca Alexandrina mudar o curso da história egípcia? Sonha- se que ela possa recriar o espírito e revitalizar uma das funções da velha Biblioteca, como ponte de diálogo entre o Norte e o Sul e entre o Oriente e o Ocidente. O objetivo cada vez mais vital é realmente restabelecer o fragilizado diálogo entre duas culturas, nas quais existem segmentos que se votam ódios figadais. Este diálogo, às vezes, parece muito distante, pois até houve necessidade, por uma questão de segurança, de postergar a inauguração da Biblioteca, prevista para 23 de abril, Dia Internacional do Livro.

Parece importante referir que a construção da nova Biblioteca ocorreu em um momento em que a censura à criação literária e artística no Egito se acentua. São constantes os processos contra jornalistas e cineastas. Um dos exemplos mais sangrentos foi a perseguição, na primavera de 2000, ao escritor sírio Hayder Hayder, em função da publicação do livro Banquete de algas. Não é sem razão que o mais importante escritor egípcio atual, Naguib Mahfuz, tem de viver os últimos dias de sua vida encerrado em casa, para não ser objeto de um novo atentado de fanáticos islâmicos. Há mais de 20 séculos o clima era mais liberal no vale do Nilo e especialmente Alexandria era, então, apontada como exemplo de experiências multiculturais, pela convivência muito pacífica de raças e credos.

O Egito tem no turismo a sua segunda fonte de divisas e, hoje, há diferentes segmentos turísticos: arte e grandes monumentos, o mais antigo e exuberante; ecoturismo, que inclui praias (muitos europeus vêm às praias mediterrâneas e àquelas do Mar Vermelho) e esportes aquáticos; turismo religioso, com a chamada rota da Sagrada Família, que está sendo potencializado. Agora, há a esperança que intelectuais acorram à Biblioteca Alexandrina para pesquisas.

Muito provavelmente, Hipátia, cujo martírio esteve ligado à própria destruição de seu local de trabalho, ficaria feliz em ver – como hoje nós vemos – sua biblioteca, agora tão imponente. Muito provavelmente os leitores de Química Nova na Escola sonham poder usufruir algum dia mais plenamente a Biblioteca de Alexandria. É muito gostoso embalar sonhos e este é um muito especial.

Fonte: qnesc.sbq.org.br

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