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China Antiga

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China Antiga – O que foi

China Antiga foi uma das civilizações mais antigas e duradouras da história do mundo.

história da China Antiga remonta a mais de 4.000 anos. Localizada na parte oriental do continente asiático, hoje a China é o país mais populoso do mundo.

China antiga produziu o que se tornou a cultura mais antiga existente no mundo.

O nome ‘China’ vem do sânscrito Cina (derivado do nome da dinastia chinesa Qin, pronunciado ‘Chin’), que foi traduzido como ‘Cin’ pelos persas e parece ter se popularizado através do comércio ao longo da Rota da Seda.

Os romanos e os gregos conheciam o país como ‘Seres’, “a terra de onde vem a seda”. O nome “China” não apareceu impresso no oeste até 1516 dC nos diários de Barbosa narrando suas viagens no leste (embora os europeus já conhecessem a China por meio do comércio pela Rota da Seda). Marco Polo, o famoso explorador que familiarizou a China com a Europa no século 13 dC, referiu-se à terra como ‘Catai.

Em mandarim, o país é conhecido como ‘Zhongguo’, que significa “estado central” ou “império médio”.

China Antiga – Pré-história

Muito antes do advento de uma civilização reconhecível na região, a terra foi ocupada por hominídeos. O Homem de Pequim, um fóssil de crânio descoberto em 1927 CE perto de Pequim, viveu na área entre 700.000 a 300.000 anos atrás, e o Homem de Yuanmou, cujos restos mortais foram encontrados em Yuanmou em 1965 CE, habitou a terra há 1,7 milhão de anos.

As evidências descobertas com essas descobertas mostram que esses primeiros habitantes sabiam como fabricar ferramentas de pedra e usar o fogo.

Embora seja comumente aceito que os seres humanos se originaram na África e depois migraram para outros pontos ao redor do globo, os paleoantropólogos da China “apóiam a teoria da ‘evolução regional’ da origem do homem”, que reivindica uma base independente para o nascimento de seres humanos. “O Shu Ape, um primata de apenas 100 a 150 gramas e de tamanho semelhante a um rato, viveu [na China] na época do Eoceno Médio 4,5 a 4 milhões de anos atrás. Sua descoberta representou um grande desafio para a teoria africana origem da raça humana “.

Esse desafio é considerado plausível devido às ligações genéticas entre o fóssil do macaco Shu e os primatas avançados e inferiores, constituindo, então, um ‘elo perdido’ no processo evolutivo.

Qualquer que seja a interpretação desses dados (as conclusões chinesas foram contestadas pela comunidade internacional), as evidências sólidas fornecidas por outras descobertas confirmam uma linhagem muito antiga de hominídeos e homo sapiens na China e um alto nível de sofisticação na cultura primitiva.

Um exemplo disso é a vila de Banpo, perto de Xi’an, descoberta em 1953 CE. Banpo é uma aldeia neolítica habitada entre 4500 e 3750 AC e compreende 45 casas com pisos enterrados para maior estabilidade.

Uma trincheira ao redor da aldeia fornecia proteção contra ataques e drenagem (ao mesmo tempo que ajudava a cercar os animais domésticos), enquanto as cavernas feitas pelo homem cavadas no subsolo eram usadas para armazenar alimentos. O design da vila e os artefatos ali descobertos (como cerâmica e ferramentas) defendem uma cultura muito avançada na época em que foi construída.

É geralmente aceito que o ‘Berço da Civilização’ da China é o Vale do Rio Amarelo, que deu origem a aldeias por volta de 5000 aC. Embora isso tenha sido contestado e tenham sido apresentados argumentos para o desenvolvimento mais amplo das comunidadesfoi o local de muitas das primeiras aldeias e comunidades agrícolas, não há dúvida de que a província de Henan, no Vale do Rio Amarelo, 20 esqueletos, um altar, um quadrado, cerâmica e utensílios de pedra e jade “. Este local era apenas uma das muitas aldeias pré-históricas da área.

China Antiga – As primeiras dinastias

Destas pequenas aldeias e comunidades agrícolas cresceu o governo centralizado; a primeira delas foi a pré-histórica Dinastia Xia (c. 2070-1600 aC). A Dinastia Xia foi considerada, por muitos anos, mais mito do que fato, até que escavações nas décadas de 1960 e 1970 dC descobriram locais que argumentavam fortemente por sua existência.

Obras de bronze e tumbas apontam claramente para um período evolutivo de desenvolvimento entre aldeias díspares da Idade da Pedra e uma civilização coesa reconhecível.

A dinastia foi fundada pelo lendário Yu, o Grande, que trabalhou incansavelmente por 13 anos para controlar as enchentes do Rio Amarelo, que rotineiramente destruíam as plantações do fazendeiro.

Ele estava tão concentrado em seu trabalho que foi dito que ele não voltou para casa uma vez em todos esses anos, embora pareça ter passado por sua casa em pelo menos três ocasiões, e essa dedicação inspirou outros a segui-lo.

Depois de controlar a inundação, Yu conquistou as tribos Sanmiao e foi nomeado sucessor (pelo então governante, Shun), reinando até sua morte. Yu estabeleceu o sistema hereditário de sucessão e, portanto, o conceito de dinastia que se tornou mais familiar. A classe dominante e a elite viviam em aglomerados urbanos, enquanto a população camponesa, que sustentava o estilo de vida da elite, permanecia em grande parte agrária, vivendo em áreas rurais. O filho de Yu, Qi, governou depois dele e o poder permaneceu nas mãos da família até que o último governante Xia, Jie, foi deposto por Tang, que estabeleceu a Dinastia Shang (1600-1046 aC).

Tang era do reino de Shang. As datas popularmente atribuídas a ele (1675-1646 AEC) (“Antes de Cristo”) não correspondem de forma alguma aos eventos conhecidos dos quais ele participou e devem ser consideradas errôneas.

O que se sabe é que ele era o governante, ou pelo menos um personagem muito importante, no reino de Shang que, por volta de 1600 aC, liderou uma revolta contra Jie e derrotou suas forças na Batalha de Mingtiao.

Acredita-se que a extravagância da corte Xia e o fardo resultante sobre a população tenham levado a esse levante. Tang então assumiu a liderança da terra, reduziu os impostos, suspendeu os grandiosos projetos de construção iniciados por Jie (que estavam drenando os recursos do reino) e governou com tanta sabedoria e eficiência que a arte e a cultura puderam florescer.

A escrita se desenvolveu durante a Dinastia Shang, bem como a metalurgia do bronze, arquitetura e religião.

Antes do Shang, o povo adorava muitos deuses com um deus supremo, Shangti, como chefe do panteão (o mesmo padrão encontrado em outras culturas). Shangti era considerado ‘o grande ancestral’ que presidia a vitória na guerra, na agricultura, no clima e no bom governo. Por estar tão distante e tão ocupado, entretanto, as pessoas parecem ter exigido intercessores mais imediatos para suas necessidades e então a prática da adoração aos antepassados começou.

Quando alguém morria, pensava-se, eles alcançavam poderes divinos e podiam ser chamados para assistência em momentos de necessidade (semelhante à crença romana nos pais).

Essa prática levou a rituais altamente sofisticados, dedicados a apaziguar os espíritos dos ancestrais, que eventualmente incluíam sepulturas ornamentadas em grandes tumbas cheias de tudo o que fosse necessário para desfrutar de uma vida após a morte confortável.

O rei, além de seus deveres seculares, servia como principal oficiante e mediador entre os vivos e os mortos e seu governo era considerado ordenado pela lei divina.

Embora o famoso Mandato do Céu tenha sido desenvolvido no final da Dinastia Zhou, a ideia de vincular um governante justo à vontade divina tem suas raízes nas crenças promovidas pelos Shang.

China Antiga – Dinastia Zhou

Por volta do ano 1046 AEC (“Antes de Cristo”), o Rei Wu (r. 1046-1043 AEC), da província de Zhou, rebelou-se contra o Rei Zhou de Shang e derrotou suas forças na Batalha de Muye, estabelecendo a Dinastia Zhou (1046- 256 AEC). 1046-771 AC marca o Período Zhou Ocidental, enquanto 771-256 AC marca o Período Zhou Oriental.

Wu se rebelou contra o governante Shang depois que o rei de Shang matou seu irmão mais velho injustamente. O Mandato do Céu foi invocado por Wu e sua família para legitimar a revolta, pois ele sentiu que os Shang não estavam mais agindo no interesse do povo e, portanto, perderam o mandato entre a monarquia e o deus da lei, ordem e justiça, Shangti.

O Mandato do Céu foi assim definido como a bênção dos deuses sobre um governante justo e governar por mandato divino. Quando o governo não servisse mais à vontade dos deuses, esse governo seria derrubado.

Além disso, foi estipulado que só poderia haver um governante legítimo da China e que seu governo deveria ser legitimado por sua conduta adequada como administrador das terras que o céu lhe confiara.

A regra poderia ser passada de pai para filho, mas apenas se a criança possuísse a virtude necessária para governar.

Esse mandato mais tarde seria frequentemente manipulado por vários governantes que confiavam a sucessão a descendentes indignos.

Sob o governo Zhou, a cultura floresceu e a civilização se espalhou. A escrita foi codificada e a metalurgia do ferro tornou-se cada vez mais sofisticada. Os maiores e mais conhecidos filósofos e poetas chineses, Confúcio, Mêncio, Mo Ti (Mot Zu), Lao-Tzu, Tao Chien e o estrategista militar Sun-Tzu (se ele existiu como retratado), todos vêm do período Zhou na China e na época das Cem Escolas de Pensamento.

A carruagem, que foi introduzida na terra pelos Shang, tornou-se mais desenvolvida pelos Zhou. Deve-se notar que esses períodos e dinastias não começaram nem terminaram tão bem quanto parecem nos livros de história e a Dinastia Zhou compartilhou muitas qualidades com os Shang (incluindo idioma e religião).

Embora os historiadores achem necessário, para fins de clareza, dividir os eventos em períodos, a Dinastia Zhou permaneceu durante os seguintes períodos reconhecidos, conhecidos como Período da Primavera e Outono e Período dos Reinos Combatentes.

China Antiga – Dinastia Qin

Shi Huangdi estabeleceu assim a Dinastia Qin (221-206 AC), iniciando o período conhecido como Era Imperial na China (221 AC-1912 DC) quando as dinastias governaram a terra.

Ele ordenou a destruição das fortificações muradas que separavam os diferentes estados e encomendou a construção de uma grande muralha ao longo da fronteira norte de seu reino.

Embora pouco tenha restado hoje da parede original de Shi Huangdi, a Grande Muralha da China foi iniciada sob seu governo.

Estendeu-se por mais de 5.000 quilômetros através de colinas e planícies, desde os limites da Coréia, no leste, até o problemático Deserto de Ordos, no oeste. Foi um enorme empreendimento logístico, embora durante grande parte de seu curso tenha incorporado comprimentos de paredes anteriores construídas pelos reinos chineses separados para defender suas fronteiras ao norte nos séculos IV e III.

Shi Huangdi também fortaleceu a infraestrutura por meio da construção de estradas, o que ajudou a aumentar o comércio por meio da facilidade de locomoção.

Cinco estradas principais saíam da capital imperial em Xianyang, cada uma com forças policiais e postos de correio. A maioria dessas estradas era de construção em taipa e tinha 15 metros de largura. O mais longo correu para sudoeste por mais de 7.500 quilômetros até a região da fronteira de Yunnan. O campo era tão íngreme que seções da estrada tiveram que ser construídas a partir de penhascos verticais em galerias de madeira salientes.

Shi Huangdi também expandiu as fronteiras de seu império, construiu o Grande Canal no sul, redistribuiu terras e, inicialmente, foi um governante justo e justo.

Embora tenha feito grandes avanços em projetos de construção e campanhas militares, seu governo tornou-se cada vez mais caracterizado por uma mão pesada na política interna. Reivindicando o Mandato do Céu, ele suprimiu todas as filosofias, exceto o Legalismo que havia sido desenvolvido por Shang Yang e, atendendo ao conselho de seu conselheiro-chefe, Li Siu, ordenou a destruição de quaisquer livros de história ou filosofia que não correspondessem ao Legalismo, sua linhagem familiar, o estado de Qin ou ele mesmo.

Como os livros eram então escritos em tiras de bambu presas com alfinetes giratórios, e um volume podia ter algum peso, os estudiosos que procuravam fugir da ordem enfrentaram muitas dificuldades.

Vários deles foram detectados; a tradição diz que muitos deles foram enviados para trabalhar na Grande Muralha e que quatrocentos e sessenta foram executados. No entanto, alguns dos literatos memorizaram as obras completas de Confúcio e as transmitiram oralmente a memórias iguais.

Esse ato, junto com a supressão das liberdades gerais por Shi Huangdi, incluindo a liberdade de expressão, o tornou progressivamente mais impopular.

O culto aos ancestrais do passado e à terra dos mortos começou a interessar mais ao imperador do que seu reino dos vivos e Shi Huangdi tornou-se cada vez mais absorto no que esse outro mundo consistia e em como ele poderia evitar viajar para lá. Ele parece ter desenvolvido uma obsessão pela morte, tornou-se cada vez mais paranóico em relação à sua segurança pessoal e buscava ardentemente a imortalidade.

Panorama do Exército de Terracota

Seu desejo de proporcionar para si uma vida após a morte compatível com a atual o levou a encomendar um palácio construído para sua tumba e um exército de mais de 8.000 guerreiros de terracota criados para servi-lo na eternidade. Este exército de cerâmica, enterrado com ele, também incluía carros de terracota, cavalaria, um comandante em chefe e diversos pássaros e animais.

Diz-se que ele morreu em 210 aC enquanto buscava um elixir da imortalidade e Li Siu, na esperança de obter o controle do governo, manteve sua morte em segredo até que pudesse alterar seu testamento para nomear seu filho flexível, Hu-Hai, como herdeiro.

Este plano se mostrou insustentável, entretanto, como o jovem príncipe mostrou-se bastante instável, executando muitos e iniciando uma rebelião generalizada na terra. Pouco depois da morte de Shi Huangdi, a Dinastia Qin rapidamente entrou em colapso devido à intriga e inépcia de pessoas como Hu-Hai, Li Siu e outro conselheiro, Zhao Gao, e a Dinastia Han (202 aC-220 dC) começou com a ascensão de Liu-Bang.

AS CIDADES NA CHINA ANTIGA

No presente artigo estudaremos de forma introdutória o processo de formação das cidades na China antiga.

Para tal, devemos apontar para dois fatores fundamentais na compreensão da cultura chinesa: a questão do ritual e da estrutura de longa duração que envolve o desenvolvimento das formas de pensar nesta sociedade.

Em primeiro lugar, devemos conceituar de forma razoável a noção de ritual aqui aplicada(1): ela está ligada a constituição de uma série de modelos (2) sucessivos de adaptação ao ambiente, e a operacionalização e eficácia do mesmo, se comprovada, era fixada sob forma ritualística, absorvendo posteriormente os elementos místicos que lhes eram atribuídos. Daí se incorre que a prática de fixação desses modelos constituía uma necessidade de “sobrevivência”, e sua reprodução transformava-se quase em lei, dada sua significação.

Devido à essa concepção do ritual, articulamos o segundo ponto de análise: a estrutura de longa duração do pensamento chinês (3). Em virtude da apreciação do domínio do território, os chineses criaram uma idéia de passado mítico, onde os antigos líderes eram filhos de deuses que ensinaram aos homens como viver.

Neste ponto, muitos dos rituais são sacralizados, deixando de possuir tão somente suas características práticas para também ganharem um caráter religioso (embora nem todos os rituais fossem igualmente absorvidos pelas diversas religiões da China, e nem as mesmas os compreenderiam da mesma forma). O que importa, porém, é que se criou aí um ponto de atrito estrutural onde o modelo (ritual) construído para manter e expandir a vida começava a se chocar com as novas necessidades advindas da própria expansão possibilitada pelo modelo!

Entenderemos isso observando melhor o desenvolvimento desses modelos (4) de complexo urbano criados na China antiga.

Inicialmente, tivemos a criação de comunidades rurais, cujo território era coletivamente trabalhado por duas (no máximo três) famílias de poder patriarcal (mas em menor número também matriarcais), onde a liderança era exercida por conselhos de anciãos. Posteriormente, com a agregação de novos trabalhadores vindos de outros territórios, essas famílias iniciaram uma fase de liderança, exercendo poder servil através de obrigações de trabalho em troca de habitação, comida e defesa aos estrangeiros que vinham habitar suas terras.

Na organização desta primeira comunidade, é de fundamental importância a análise do “Lugar-santo” (que podia ser um campo-santo, um ponto de culto ou até mesmo um cemitério).

Esse espaço era um centro de importância comunitária, pois se acreditava que nele estava depositado um grande poder, uma fabulosa energia acumulada pela terra e pela natureza resultante das orgias, da prática dos ritos e que, por conseguinte, atraía a presença dos antepassados e dos espíritos.

O fato de que as primeiras cidades eram construídas em círculos, tais como aldeias muradas, com uma função protetora que dispensava a privacidade entre seus habitantes. Assim, o lugar dos ritos, dos mortos (5) era o único que ficava fora do restritíssimo perímetro urbano, além dos campos, claro.

É no “Lugar-santo” que os chineses jovens fogem com suas amadas e deixam cair no chão seu esperma fecundo; lá, encontram-se os antepassados quando as árvores florescem; é onde se realiza a orgia, onde se bebe, onde se deixa parte da vida pelo vinho, pois o esquecimento da bebedeira é um momento roubado da mesma.

Quem detém o poder sobre o “lugar-santo” é o líder da aldeia, pois seu poder é igual ao do campo santo para os membros de sua comunidade: é ele quem observa os ritos, quem controla as leis, que lida com as áreas consagradas aos espíritos. De lá, ele retira parte do fundamento de seu poder Esse simples, porém complexo modelo, surge como o embrião das vilas chinesas, que depois seriam como “ilhas produtivas”.

Nessas vilas, o trabalho é dividido, mas todos alternam-se nos serviços existentes Com a unificação de territórios no período de feudalização (6) (aproximadamente século XII A.C.) temos o desenvolvimento de atividades mercantis, que aperfeiçoam o comércio de trocas e o especializam. Porém, como conciliar essa pequena comunidade agrária cujo modelo ritual é “abençoado” por um novo tipo de comunidade mais dinâmica e integrada?

Temos aí duas respostas: gradativamente, essa evolução veio pelo próprio poder do “campo-santo”, que gerava um pequeno mercado a sua volta, e pela conquista de novas terras advindas do crescimento das comunidades em virtude do sucesso de seu modelo produtivo e da ritualização dos relacionamentos matrimoniais, através da sacralização das orgias.

Esse crescimento força a expansão da comunidade, e de suas atividades produtivas. Por outro lado, temos também o aperfeiçoamento do domínio das técnicas de habitação e do controle das forças naturais, que dariam origem ao “feng shui’ (arte da água e do vento) (7), cujo domínio possibilitava a escolha dos melhores locais para moradia, produção, etc. Essa técnica possuía, originalmente, um sentido prático, e não apenas os caracteres estéticos que hoje lhe são atribuídos.

Por conseguinte, temos o surgimento de um novo modelo de cidade: um lugar escolhido, que possui um campo santo, um mercado e uma guarda. O perímetro aumenta, surgindo então as grandes cidadelas ou muralhas.

Neste período feudalizado, a delimitação das cidades pelas muralhas também muda, ganhando novas características: sua forma de ser construída e o perímetro que as mesmas vão cobrir passam a ser definidos pelos senhores locais.

Este processo ocorre, obviamente, em decorrência do pragmatismo desses líderes: afinal, só se investiria tempo em muralhas mais fortes para cidades mais importantes.

Existiam três tipos de amuradas: para as cidades sem templo, ou com templo não consagrado, havia uma muralha de barro; para as cidades com templo consagrado, uma de tijolos; e por fim, para as cidades sagradas, dos líderes ou com mais de um templo, muralhas de pedra.

A consagração de um templo está ligada a importância da cidade na região: é preciso um alto funcionário para fazê-la, Ela só existe com um grande campo santo e um grande mercado.

A muralha é feita pelos súditos em regime de convocação: eles tiram alguns dias de seu trabalho para construí-la. São estimulados por guardas de bastões, recebendo comida e tendo direito de amaldiçoar a muralha e cantar.

Neste contexto, a sacralização de alguns rituais, principalmente no tocante ao da construção das cidades, leva à algumas diferenciações antes não existentes ou identificáveis: os nobres começam a morar no lado esquerdo, virados para o sul, a direção sagrada; os camponeses e mercadores do lado direito, virados para o norte. Estes detalhes apontam para o início do convívio entre eles, mas ao mesmo tempo da separação mais distinta de grupos dentro da sociedade chinesa.

O que se concebe, dessa forma, é o surgimento de um novo modelo de cidade adequado ao novo contexto, cujo processo de fundação deve ser identificado por suas inovadoras singularidades.

Foram identificadas três formas de surgimento de uma cidade na China antiga: o espontâneo, baseado na antiga comunidade rural, e de certa forma quase inexistente no século X AC; a escolhida, onde uma nova cidade era formada, segundo o interesse de algum senhor de terras em aglutinar trabalhadores, arrotear terras novas, conquistar território, etc, forma essa que se aperfeiçoou com a evolução do “feng shui”, utilizado também para remodelar as cidades existentes. E uma terceira forma, “meng”, surgida principalmente durante o período imperial, em torno do século IV AC. Esta era uma cidade para fins comerciais, surgida do interesse de mercadores em estabelecerem-se em uma região. Estes procuravam o senhor das terras, ou o governo local, e acordavam a construção de uma cidade fundamentada no mercado, e não no campo ou no “campo-santo”. Possivelmente fruto do modo de pensar mascate, esse novo modelo de cidade estava de acordo com os padrões e modelos de construção, sendo a diferença sua função e origem.

Esse tipo de cidade recebeu grande impulso imperial porque favorecia o domínio de rotas comercias e de novos territórios.

A cidade “meng” era singular: seus mercadores pagavam a proteção do senhor local (ou de uma guarda) e uma taxa pela entrada e saída de produtos estrangeiros de seus perímetros: podiam vender o que quisessem (concessão especial da cidade “meng”, já que outros tipos de perímetros urbanos sofriam restrições nesse sentido, não podendo negociar mercadorias sem autorização dos protetores locais), construíam a cidade segundo seus interesses, mas não podiam obrigar o senhor das terras ou o governo local a comprar seus produtos. Da mesma forma, esses líderes locais não podiam exigir, sob forma alguma, qualquer espécie de tributação em mercadorias dos comerciantes instalados em suas “meng”, além das taxas anteriormente citadas.

Este novo modelo de cidade aparece em um momento de transformação da China: antes, um país que vivia da pobreza do campo, “salvo” por seus rituais antigos, e depois, uma civlização em expansão que lutava para se expandir e, ao mesmo tempo, manter uma estrutura que respondeu a todos os seus questionamentos anteriores…mas como dar o próximo passo? Como ir contra a razão de sua própria grandeza?

Nestas condições, a idéia de recorrer à tradição terminou por permear o pensamento chinês em todos os sentidos. Nenhuma resposta era encontrada fora do ritual, e se este mudava, era por que assim os deuses queriam. Logo, sacralizar este tipo de cidade também era importante, já que no momento em que se domina o seu modo de construção, e que este se encontra abençoado pelo céu, os homens passam a operacionalizar sua existência, controlando-o e o expandindo segundo sua vontade.

Desta forma, podemos concluir que a ritualização da pratica de construção das cidades na China Antiga manifesta-se como parte integrante do desenvolvimento das ciências chinesas, onde o conhecimento, quando funcional, e demonstrando respostas satisfatórias as questões materiais, é logo associado ( ou ainda, interpretado) á luz da ascendência mítica que a vontade celeste e o culto as tradições antigas impunham ao sistema representativo e simbólico do pensamento chinês.

Apesar do aparente imobilismo que se insere na cultura chinesa justamente pela formação dessa estrutura de pensamento, completamente voltada para um passado mítico glorioso, devemos notar que a materialização de algumas respostas no campo material, mesmo que pautadas nesse pensamento, representam avanços respeitáveis; afinal, em Chang An, capital da dinastia Han ( século III AC a III DC) o nível de domínio da natureza permitiu as técnicos de “feng shui” construírem um porão de pedra onde era guardado gelo para servir uma espécie de “sorvete” ao imperador no verão…. Esse é apenas um detalhe no complexo sistema de pensamento chinês onde a construção das cidades nada mais é do que uma manifestação em grande escala de uma estrutura cultural onde a questão ritual domina todos os sentidos e áreas produtivas da civilização…

NOTAS

(1) Entendemos aqui o conceito de ritual dentro da perspectiva Funcionalista de Robertson Smith (1889), que afirmava que os rituais não surgiam para satisfazer uma necessidade teórica ou técnica, mas por uma necessidade “prática” (V.V. Rito Enciclopédia Einaudi. Lisboa, Imprensa Nacional, 1994 v.30 p.328.) A partir de uma determinada problemática material, a civilização chinesa desenvolvia uma série de respostas que, se comprovadas em eficácia, eram fixadas sob forma mecanizada e posteriormente ritualística, quando sua função original se perdia e a atribuição de elementos místicos a integrava no contexto geral dos conhecimentos culturais.

(2) A Noção de modelo aqui apresentada refere-se a conceituação de FREITAS, G. Vocabulário da História, Lisboa, Plátano, 1996. P.184. ao definir Modelo, ele emprega três interpretações dos quais duas nos são pertinentes; 1. Instrumento de trabalho mental que consiste em reproduzir qualquer realidade complexa duma maneira simbólica e simplificada, em ordem a permitir verificar seu comportamentono caso de uma modificação de qualquer uma de suas variáveis e 2. padrão que se destina à ser copiado ou reproduzido. Embora seja necessário avaliar, ao longo do texto, as modificações que surgem do desenvolvimento dos modelos de cidades chinesas, empregamos o termo aqui em sua segunda significação.

(3) No livro O Pensamento Chinês, GRANET nos dá uma elucidação abrangente sobre o desenvolvimento da maneira de pensar da civilização chinesa. Em linhas gerais, ela se caracteriza pelo “quase imobilismo” causado pela fixação das práticas operacionais sob forma ritual, o que dificultava o desenvolvimento de novas respostas técnicas às crescentes demandas materiais em virtudes das mesma “confrontarem” o sagrado. O modo de pensar chinês chinês tendia a não diferenciar sob qualquer forma ao avanços técnicos do estudo da natureza, da religiosidade e do misticismo. Assim, o desenvolvimento técnico, muito vezes embasados no próprio arcabouço cultural chinês, era visto sob a ótica de uma “ciência-ritual”, ao qual as respostas obtidas eram tidas como “abençoadas” ou derivadas do divino. Um exemplo bem claro está na produção dos cereais, citado na p.245 (v.1) do livro Civilização Chinesa, do mesmo autor, onde a descoberta do cultivo do painço é conscientemente entendido com prática humana, mas atribuída, por sua eficácia, ao Deus Heou Tsi, ou “príncipe painço”. Para compreender mais sobre os avanços técnicos, recomendamos também a consulta do grande trabalho de NEEDHAM, Joseph; Science and civilization in China, Cambridge, Cambridge Univer. Press, 1976.

(4) Nos remetemos novamente a idéia de modelo aqui apresentada, como um padrão à ser copiado. Ela resulta do conjunto de práticas pelo qual o esquema de construção de uma cidade, em todas as suas características, atinge potencialidade, reconhecimento, sendo por fim sacralizado.

(5) GRANET (1979) conceitua de forma singular a questão do “lugar-santo”. Anteriormente, acreditávamos que a formação dos campos sagrados estava ligada diretamente aos cemitérios, quando na verdade, sua origem é mais antiga: nas páginas 293-294 (vol.1)do seu livro Civilização Chinesa, ele concebe uma nova significação do termo: os “lugares santos” seriam inicialmente lugares de orgias sagradas ou cultos anímicos que conquistaram gradativamente dentro das comunidades sua importância ritual, atraindo então a prática das crenças religiosas. Assim, a construção de cemitérios próximos à esse locais foi uma derivação do culto aos antepassados ( advindo do culto as eras passadas, ou da tradição de uma “antigüidade” mais próxima dos deuses), objetivando a aproximação dos mortos com um centro de energia ou “poder”. No entanto, segundo afirmação do autor, não devemos restringir o “lugar santo” à um local pré-determinado: ele pode ser um lugar na natureza, ou mesmo um rio. Mas em todos os casos, sem exceção, a presença desse espaços fora dos perímetros urbanos está fundamentada justamente em seu processo de formação espontânea além do perímetro urbano, onde seus aspectos práticos ( fosse a prática do sexo longe dos olhares da comunidade, fosse a execução de um ato religioso em particular de contato com a natureza, etc.) exigiam certa distância da cidade.

(6) O termo feudalização, aqui, é empregado em sentido bem próximo ao ocidental, embora temporalmente distante. O processo ao qual aludimos se refere, na China, a concentração das terras por senhores e barões locais, em troca de proteção contra estrangeiros e invasores, economicamente vinculados em contratos de arrendamento e politicamente organizados segundo práticas de servidão e vassalidade, estabelecidas poe meio de juramentos de fidelidade ao senhor maior. No livro Civilização Chinesa vol. 1, p.121, GRANET utiliza o termo por compreendê-lo como conveniente.

(7) Feng Shui, (pronuncia-se Fon shue) é a arte ou técnica de domínio do espaço, empregada na estética e na arquitetura chinesa. Sua descoberta foi atribuída ao místico Duque Chou, ou por vezes ao lendário primeiro imperador, Shi Huang Ti. Controvérsias à parte, sua efetividade foi provada diversas vezes ao longo do desenvolvimento da arquitetura chinesa e sua inserção nas práticas culturais chinesas foi plena. Para saber um pouco mais sobre o assunto, dois bons manuais são o Livro do Feng Shui, do mestre Lam Kan Chuen, São Paulo, Manole, 1998 e Feng Shui- arte milenar chinesa da organização do espaço, de Richard Craze, São paulo, Campus, 1998.

China Antiga – Localização

Península situada no leste da Ásia, banhada pelo oceano Pacífico.

Atravessado por dois importantes rios: O Hoang- ho (rio amarelo) e o Iang-tsé (rio Azul).

Os chineses chamava sua terra de Reino do Meio, por acreditarem estar no centro do mundo.

Esse pensamento fazia com que acreditassem ser o único reino verdadeiramente civilizado.

China Antiga – Economia

Assim com o Egito a china era um império de regadio.

Cultivavam trigo, cevada, painço, sorgo e arroz.

Criaram diques, represas e canais de irrigação para melhorar sua agricultura.

Os chineses dedicavam-se à produção de cerâmica e sofisticada porcelana.

Cultivavam também amoreiras para a criação de bicho da seda. A fabricação de seda era uma arte milenar e bastante apreciada pelos Chineses. Seu comércio era feito com indianos e árabes.

Rota da seda, foi como ficou conhecido os caminhos pelos quais as caravanas chinesas passavam vendendo e comprando mercadorias.

China Antiga – Política

No sec. IV os chineses tinham unidade cultural, mas não unidades política nem governo centralizado.

Estavam divididos em diversos reinos que viviam em guerra.

Esse período da história da china ficou conhecido como período dos “reinos guerreiros”

Os principais eram: Chin, Chao, Chu, Chi, Han, Wei e Yen.

A China imperial: A dinastia Chin (ou Quin)

No ano 221 a.C., Qin Shi Huang (ou Hoang-Ti) pôs fim às lutas dos Reinos Combatentes e fundou a dinastia Qin (Chin).

Hoang- Ti unificou a região e criou o reino da China, tornand0-se o 1° imperador.

Qin Shi Huang unificou as letras, a unidade de medida a moeda, estabeleceu o sistema de prefeituras e distritos, construiu a famosa Grande Muralha o palácio imperial a tumba e a residência temporária para si próprio, em Xianyang e Lishan.

Para proteger sua tumba foram criados Os “guerreiros e cavalos de terracota” o túmulo do imperador Qin Shi Huang e os soldados de terracota são conhecidos como a “oitava maravilha do mundo” e uma importante descoberta arqueológica.

A Grande muralha da China, construída em seu governo contava com 2500 quilômetros de extensão e 2500 torres de vigia, tinha 10 metros de altura e 6 de largura, contou com mais de 400 mil trabalhadores.

A dinastia Han

No final da dinastia Qin, Liu Bang, de origem humilde e Xiang Yu, general aristocrático, acabaram lutando pelo domínio de Qin.

Depois de alguns anos Liu Bang venceu a Xiang e criou a forte dinastia Han, no ano 206 a.C.

China oficialmente transformou-se em um estado confucionista e progrediu em questões internas: a agricultura, artesanato e o comércio floresceram, e a população chegou à 55 milhão.

Sociedade

Família imperial
Grandes proprietários de terras
Mandarins (funcionários públicos letrados)
Grandes comerciantes e empresários manufatureiros
Funcionários do governo
Pequenos comerciantes
Pequenos proprietários
Artesãos
Camponeses
Trabalhadores contratados
Pequeno número de escravos

Religião

Os chineses adoravam as forças da natureza e os deuses celestiais, contudo algumas importantes doutrinas influenciaram demais esse povo:

Taoísmo

Atribuído ao filosofo Lao- Tsé, que viveu durante o período dos reinos guerreiros.
Tao, significa caminho e a principal idéia desta doutrina era que o homem deveria levar uma vida em perfeita harmonia coma a natureza.
Enfatizava a simplicidade, a naturalidade e a espontaneidade.

Confucionismo

Confúcio foi um importante filosofo chinês, pregava rígidos valores morais baseados:

No culto aos ancestrais
Obediência aos pais
Respeito as antigas tradições
Lealdade e submissão a lei e à autoridade
Responsabilidade social das classes privilegiadas.

O Budismo

A tradição atribui a introdução do budismo na China ao imperador han Ming-Ti.

O budismo só se espalhou na China nos séculos V e VI com o apoio da dinastia Wei e Tang.

Durante este período estabelecem-se na China escolas budistas de origem indiana ao mesmo tempo que se desenvolvem escolas próprias chinesas.

Cultura

A medicina Chinesa era preventiva, os médicos cuidavam para que os pacientes não ficassem doente para isso desenvolveram técnicas como a acupuntura e utilização de ervas e raízes medicinais como Ginseng.

Eram hábeis inventores, desenvolveram a bussola, o sismógrafo, o papel, o papel moeda, a pólvora etc

O papel das mulheres era inferior, deviam obediência ao homens (pai, irmão, marido), submetiam-se aos “pés de Lótus” na qual enfaixavam os pés para que ficassem bem pequenos.

A administração governamental estava a cargo dos mandarins, altos funcionários que conheciam os segredos da escrita chinesa, composta por mais de 40 mil ideograma.

Os mais letrados mandarins conheciam cerca de 5 mil.

O imperado era conhecido como filho do céu, era o grande sacerdote e mediador das relações entre homens e os deuses.

Conta a lenda que o 1° imperador Huang-ti recebeu um pergaminho sagrado da boca do Deus Dragão e por isso adotou como simbolo de seu império um dragão.

Fonte: www.worldhistory.org/www.gaialhia.kit.net/4shared.com/www.slideshare.net

 

 

 

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