Facebook do Portal São Francisco Twitter do Portal de Educação Curtir
Home  História Do Cinema - Página 9  Voltar

História do Cinema

História do Cinema: 1930 - 1939

O studio system

Nos Estados Unidos, a década de 30 é marcada pelo domínio dos grandes estúdios de Hollywood, que anos antes tinham lutado contra o domínio da Motion Pictures Patents Company, sendo possível identificar estilos próprios: a Metro-Goldwyn-Mayer era conhecida pelas suas estrelas e filmes de qualidade, a "pobre" Columbia Pictures pelas comédias de Frank Capra e a Warner Bros. pelos seus dramas sociais e filmes de gangsters.

A década é também marcada pela utilização do som na sétima arte e que viria a transformar a indústria: os actores começaram a dar mais atenção à voz, os estúdios procuraram no teatro actores mais expressivos, os escritores foram obrigados a definir os personagens através de palavras e os escritores de cartões ficaram no desemprego. Mas o som permitiu também o nascimento de um novo género: o musical, aparecendo, então, estrelas como Maurice Chevalier, Fred Astaire e Ginger Rogers.

O início da década de 30 é também marcada pela produção dos primeiros filmes a cores: o desenho animado da Walt Disney Flowers and Trees, de 1933, e a longa-metragem Becky Sharp, de 1935. Em desenvolvimento desde a década de 1890, a tecnologia de filmes a cores teve o seu melhor exemplo com o épico E Tudo o Vento Levou. Produzido em 1939, o filme foi um dos muitos que se produziram durante o que é considerado o melhor ano da história da sétima arte. Outros filmes produzidos nesse mesmo ano, foram: Cavalgada Heróica, Peço a Palavra, Ninotchka, O Feiticeiro de Oz, Gunga Din, Dark Victory.

Em França, o trabalho de realizadores como Jean Renoir, Jean Vigo, René Clair e Marcel Carné reflectem uma visão negra que antecipa a guerra que se avizinhava. Antes da guerra, a Alemanha produzia mais de 200 filmes por ano, onde se destacavam os trabalhos de Fritz Lang e G.B.Pabst. Após a ascensão de Hitler em 1933, a industria cinematográfica alemã passa a ser controlada pelo Ministro da Propaganda, Joseph Goebbles, dando origem a verdadeiras homenagens ao fascismo como o filme de Leni Riefenstahl O Triunfo da Vontade. Em Espanha, o cinema passa a ser controlado pela Companhia Industrial del Film Espanol e com a ascensão do ditador Franco no final da década, os filmes passa a ser controlados pelo Estado. Na União Soviética, a produção é dominada por dramas, adaptações literárias e acontecimentos históricos, destacando-se o trabalho do realizador Sergei Eisenstein.

1930

Greta Garbo interpreta o seu primeiro filme sonoro, Anna Christie, cujo slogan publicitário era: "Garbo Fala!".

The Big House, realizado por George Hill, é o primeiro melodrama passado numa prisão.

O Presidente da 20th Century Fox, William Fox, é forçado a vender o estúdio por $18 milhões de dólares depois de ter perdido a sua fortuna no crash da bolsa em 1929.

A Itália estreia o seu primeiro filme sonoro, La Canzone dell’ Amore, realizado por Gennaro Righelli.

All Quiet on the Western Front é banido na Alemanha devido à sua mensagem pacifista.

No inicio de década, os estúdios Paramount Pictures, Warner Bros. e 20th Century

Fox são os donos da maioria das salas de cinema dos Estados Unidos.

Nasce o primeiro jornal diário dedicado exclusivamente à indústria cinematográfica: The Hollywood Reporter.

Em Março de 1930, o Código de Produção é adoptado pela indústria americana para reger a filmagem de cenas que abordem sexo, religião, violência e outros assuntos sensíveis.

1931

Devido à grande depressão, o número médio de espectadores diminui nos EUA (de 90 milhões em 1930 para 60 milhões em 1933); os estúdios passam por tempos difíceis e as salas de cinema para atrair mais espectadores recorrem a expedientes como as secções duplas.

A RKO Radio Pictures adquire a empresa francesa Pathé.

Os estúdios americanos, na tentativa de impedir o constante assédio às suas estrelas entre si, acordam em limitar essa prática.

A Universal Pictures estreia Dracula e Frankenstein, interpretados por Bela Lugosi e Boris Karloff, respectivamente, e inicia o seu famoso ciclo de filmes de terror.

A Warner Bros. inventa o filme de gangsters com a produção de O Pequeno César e O Inimigo Público.

O realizador francês Jean Renoir estreia o seu primeiro grande filme da década (La Chienne), um sucesso junto da critica, mas um desastre comercial.

A Índia e o Japão produzem os seus primeiros filmes sonoros: Alam Ara e Madamu to Nyobo, respectivamente.

Fritz Lang estreia o seu filme M-Matou.

1932

A Paramount deixa de ser dona dos estúdios Astoria em Nova Iorque; os estúdios passam a ser um centro de produção independente.

Com receio da concorrência da rádio, os exibidores pretendem que os estúdios impeçam as estrelas de cinema de aparecerem na rádio; alguns estúdios aceitam temporariamente o pedido.

A Walt Disney estreia o primeiro desenho animado a cores, Flowers and Trees.

A Metro-Goldwyn-Mayer contrata Jean Harlon, que viria a tornar-se uma das grandes estrelas do estúdio, e o escritor William Faulkner, que viria a ganhar o Prémio Nobel.

Shirley Temple faz a sua estreia no cinema com apenas três anos de idade.

A Kodak introduz no mercado o filme de 8mm, destinado a realizadores amadores.

Alexander Korda funda, em Inglaterra, a London Films.

O filme do realizador soviético Sergei Eisenstein Que Viva Mexico!-Da Zdravstvuyet Meksika!- é suspenso devido à falta de apoio financeiro do autor Upton Sinclair.

O filme L’ Armata Azzurra, um tributo à força área de Mussolini, é o primeiro filme de propaganda italiano.

O Egipto estreia o seuprimeiro filme sonoro, Inshudat el Fuad.

O psicólogo alemão Rudolf Arnheim publica Film as Art, trabalho teórico sobre o formalismo cinematográfico.

1933

O governo americano permite que os grandes estúdios controlem a produção, distribuição e exibição dos seus filmes, tornando-se verdadeiros monopólios.

A Paramount Publix e a RKO, detentoras da Paramount Pictures e da RKO Pictures, respectivamente, declaram falência.

Fred Astaire e Ginger Rogers surgem juntos pela primeira vez no filme Flying Down to Rio.

O primeiro drive-in é inaugurado em New Jersey.

Na Alemanha, os nazis assumem controlo da indústria cinematográfica e forçam os judeus a abandonar os seus postos de trabalho; os estúdios de Hollywood acedem a despedir os judeus que trabalham nos seus escritórios alemães.

O filme do produtor Alexander Korda The Private Life of Henry VII, é um marco de qualidade na história do cinema inglês.

Hedy Lamarr ganha notoriedade internacional ao aparecer nua no filme checo Extase.

1934

O Código de Produção começa a ser rigidamente aplicado e assim se manterá até meados da década de 60.

O responsável da Metro-Goldwyn-Mayer, Louis B. Mayer, utiliza o serviço de notícias (newsreel) do estúdio contra o candidato a Governador da Califórnia Upton Sinclair; este acabaria por perder as eleições.

A Columbia Pictures estreia Woman Haters, a primeira das 190 comédias interpretadas pelos Três Estarolas.

O realizador francês Jean Vigo morre com leucemia aos 29 anos, no mesmo ano em que estreia a sua obra-prima, A Atalante.

A Warner Bros. fecha o seu escritório de distribuição em Berlim em reacção à política anti-semita do governo Nazi Alemão.

1935

Os estúdios de Hollywood começam a recuperar financeiramente, depois dos difíceis anos da Grande Depressão.

A fusão entre a Twentieth Century Pictures e a Fox Film Corporation leva à criação da 20th Century Fox.

É criada a Republic Pictures, uma das mais famosas produtoras de filmes B. David O. Selznick abandona a Metro-Goldwyn-Mayer e torna-se num produtor independente.

Estreia do primeiro filme a utilizar o sistema de 3 cores da Technicolor, Becky Sharp.

É criado, em Roma, a escola de cinema Centro Sperimentale di Cinematografia.

Leni Riefenstahl realiza o filme de propaganda nazi O Triunfo da Vontade.

Em Inglaterra, J. Arthur Rank começa a construir o seu império cinematográfico, ganhando domínio em todos os aspectos da indústria cinematográfica.

1936

Carl Laemmle, fundador da Universal Films, vende o estúdio a um grupo de investidores por pouco mais de $5 milhões de dólares.

Com o apoio da Pathé, é fundado um novo estúdio em Hollywood: Grand National.
- A Pionner Pictures funde-se com a Selznick Internacional.

David O. Selznick adquire os direitos sobre obra de Margaret Mitchell E Tudo o Vento Levou.

Numa encíclica, o Papa Pio XI denuncia os filmes indecentes.

Aos 16 anos, Lana Turner é descoberta quando trabalhava numa loja pelo editor do Hollywood Reporter que a recomenda ao realizador Mervyn Leroy.

O filme de estreia da cantora Deanna Durbin, de apenas 15 anos, é um sucesso comercial e salva a Universal da falência.

A personagem Bugs Bunny é criada por um grupo de desenhadores da Warner Bros.

É criada, em Paris, a Cinemateca Francesa.

1937

A 20th Century Fox é o primeiro estúdio a usar a rádio para promover os seus filmes.

A Branca de Neve e os Sete Anões, da Disney, é a primeira longa-metragem de animação.

A invasão japonesa de Shangai, na China, obriga a grande comunidade cinematográfica da cidade a emigrar para Hong-Kong e Taiwan; os japoneses utilizam os estúdios ocupados para produzir filmes de propaganda.

Saint Tukaram é o primeiro filme indiano a vencer um prémio internacional, ao ser premiado no Festival de Veneza deste ano.

1938

O realizador inglês Alfred Hitchcock aceita realizar o seu primeiro filme americano, produzido por David O. Selznick.

O realizador soviético Mark Donskoy estreia o primeiro filme da Trilogia de Maxim Gorky (1938-1940).

A Inglaterra aumenta a quota de exibição de filmes ingleses e encoraja o investimento americano na produção inglesa.

1939

Os estúdios americanos têm o seu melhor ano, com um vasto conjunto de filmes aclamados artisticamente.

O estúdio Grand National entra em processo de falência.

Estreia de E Tudo o Vento Levou, um dos maiores sucessos comerciais da história da sétima arte e um dos mais aclamados pela crítica.

Hattie Mcdaniel vence o Óscar na categoria de melhor actriz secundária e torna-se a primeira pessoa de raça negra a vencer um Óscar.

Em consequência do início da II Grande Guerra, as salas de cinema em Inglaterra fecham temporariamente as suas portas.

A Regra do Jogo, a obra-prima do realizador francês Jean Renoir, é um fracasso comercial aquando da sua estreia.

História do Cinema: 1940 - 1949

A influência da II Grande Guerra no panorama cinematográfico mundial

A 2ª Grande Guerra Mundial é o grande acontecimento da década de 40 e está na origem da mudança do panorama cinematográfico mundial, reflectindo-se no número de filmes produzidos e nos temas abordados.

Inevitavelmente, a Europa foi onde os efeitos do conflito se mais fizeram sentir: se por um lado grande parte dos países viram a sua produção diminuir drasticamente, outros, como a Alemanha e a União Soviética, chegaram a aumentar a sua produção. Devido ao regime vigente, a Alemanha manteve uma produção activa com mais de 1000 filmes produzidos durante os anos em que Hitler esteve no poder, na sua maioria filmes de propaganda. Após a guerra e com a divisão da Alemanha, a produção igualmente se dividiu, reflectindo visões artísticas diferentes. No caso soviético e com a entrada do país na guerra, em 1941, a produção cinematográfica centrou-se em documentários de propaganda, em filmes de entretenimento e dramas, como Ivan, o Terrivel (Parte I) de Sergei Eisentein.

Um dos reflexos do conflito foi o êxodo de pessoas para os Estados Unidos. França não fugiu à regra e os realizadores que se mantiveram no país concentraram o seu trabalho em produções históricas ou alegóricas, destacando-se os trabalhos de Marcel Carné e Robert Bresson.

O pós-guerra na Europa é marcado pelas medidas contra o cinema americano, na tentativa de desenvolver as várias cinematografias nacionais. O melhor exemplo é a criação, em França, do Centre National de la Cinématographie (CNC), ainda hoje um importante pilar na indústria cinematográfica francesa.

Ao contrário da Europa, a produção cinematográfica americana do inicio da década é pujante e capaz de produzir filmes tão diversos como: Vinhas da Ira (drama social), Rebecca (thriller), Casamento Escandaloso (comédia) e O Grande Ditador (sátira). Com a entrada do país na guerra, Hollywood contribuiu também com a sua parte, quer através do recrutamento de actores e outros criativos para a frente de batalha, quer com a produção de filmes de "propaganda": recorde-se o trabalho do realizador Frank Capra para o exército e filmes de ficção como Mrs. Miniver, Since you Went Away, This is the Army, Thirty Seconds Over Tokyo e, o melhor exemplo de todos, Casablanca.

O inicio da década é também marcada pela estreia do que é, hoje, considerado como o melhor filme de todos os tempos: O Mundo a Seus Pés. Escrito, realizado e interpretado por um jovem Orson Welles, o filme cedo se viu envolto em polémica devido ao facto de relatar a história do magnata William Hearst, que tudo fez para impedir a distribuição do filme, acabando este por ser um fracasso de bilheteira.

Com o final da guerra avizinhava-se bons tempos para o cinema americano, tanto para mais que o ano de 1946 revelou-se o mais lucrativo até ai. No entanto, um conjunto de factores ensombrou a indústria cinematográfica americana, nomeadamente: greves e a inflação, que provocaram o aumento dos custos de produção; as restrições europeias à importação de filmes americanos; e o aparecimento da televisão. O resultado foi o declínio do número de espectadores de 90 milhões em 1948 para menos de 50 milhões dez anos mais tarde.

Paralelamente, os estúdios de Hollywood sofreram um rude golpe quando em 1948, por ordem do governo, se tiveram de desfazer das salas de cinema que detinham. Os estúdios ficaram, assim, sem forma de escoar directamente os seus filmes (e controlar o mercado), passando a ficar sujeitos às exigências dos exibidores e dividir os lucros com estes.

1948 ficaria ainda marcado pelo inicio do Comité de Investigação de Actividades Anti-Americanas, que tinha por objectivo investigar supostas actividades subversivas e erradicar a presença comunista na América. Embora tenha investigado vários sectores da sociedade, Hollywood foi o alvo preferencial do Comité devido à sua alta visibilidade. As investigações levaram à suposta identificação de um vasto número de pessoas com ligações ao partido comunista, tendo estes sido banidos durante anos de Hollywood. Alguns, nomeadamente argumentistas, conseguiram trabalhar sob pseudónios, como foi o caso do vencedor do Óscar para melhor argumento em 1956, mas a maioria ficou sem trabalho.

1940

Os cinco maiores estúdios de Hollywood concordam em desistir da "venda cega??, prática que forçava os exibidores a comprar filmes que não tinham previamente visionado, e diminuir o aluguer em bloco para cinco filmes. Este acordo leva a que os exibidores possam recusar filmes B e como consequência os estúdios vão reduzindo aos poucos a produção deste tipo de filmes para se concentrarem na produção de filmes de qualidade.

Inicia-se a produção de pequenos filmes musicais (soundies) que eram vistos em máquinas semelhantes a jukeboxes. Este tipo de filmes é produzido até 1946.

Rebecca, o primeiro filme americano de Alfred Hitchcock, é um sucesso comercial e de critica.

A pós a invasão nazi, o realizador francês Jean Renoir parte para Lisboa e depois para os Estados Unidos, ai permanecendo até ao final da guerra.

Após uma produção regular de cerca de 15 filmes por ano durante a década de 20, o Brasil produz apenas um filme em 1940. O declínio deve-se a uma prolongada crise económica.

1941

À medida que a entrada dos Estados Unidos na 2ª Grande Guerra se torna cada vez mais evidente, os filmes de guerra tornam-se populares junto do público.

Com a entrada dos Estados Unidos na guerra, cerca de 40.000 dos 240.000 trabalhadores da indústria cinematográfica entram para o exército.

O produtor Samuel Goldwyn dá por terminada a sua ligação com a United Artists e começa a distribuir os seus filmes através da RKO Radio Pictures.

Orson Welles estreia O Mundo a Seus Pés. Aclamado pelos críticos, o filme é um falhanço comercial principalmente devido à tentativa do magnata de imprensa William Hearst, no qual o filme se baseia, em impedir a sua distribuição.

Ava Garner estreia-se no filme H.M Pulham Esq., mas apenas viria a tornar-se uma estrela anos mais tarde.

Estreia de Casablanca, um dos mais populares filmes de todos os tempos e que viria a ganhar 3 Óscares no ano seguinte (melhor filme, melhor realizador e melhor argumento).

O governo americano cria o Gabinete de Informação de Guerra (Office of War Information) para coordenar a propaganda de guerra e os laços com Hollywood. Uma das suas práticas é a censura cinematográfica.

Devido à guerra, Hollywood sofre restrições que vão afectar a rodagem e a estreia de filmes.

Com o recrutamento de muitos das suas estrelas masculinas, Hollywood sente dificuldade em encontrar protagonistas para os seus filmes.

Na Alemanha, o governo nazi nacionaliza a indústria cinematográfica.

1943

Criada a Associação de Correspondentes Estrangeiros de Hollywood, actualmente conhecida como Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, responsável pelos prémios Globo de Ouro, instituídos em 1944.

Frank Capra estreia Prelude to War, o primeiro da série de documentários de guerra que realizou para o exército americano.

Jane Russell estreia-se em The Outlaw, produzido e realizado por Howard Hughes. O filme, que realça os volumosos seios da actriz, é censurado pelo Gabinete Hays que apenas permite a sua distribuição no final da década.

1944

Lauren Bacall estreia-se em Ter ou Não Ter, ao lado do que viria a ser seu marido, Humphrey Bogard.

Pela primeira vez, a cerimónia de entrega dos Óscares deixa de ser uma festa privada e transforma-se num espectáculo de variedades e é transmitida pela rádio.

É fundada, na Grã-Bretanha, a produtora e distribuidora Eagle-Lion Films.

Pela primeira vez é transmitido um anúncio na televisão a um filme (The Miracle of Morgan’s creek).

Alexander Korda vende a empresa London Films à United Artists.

Entre 1944 e 1973, a produção cinematográfica espanhola é controlada pelo ministro da Cultura do General Franco, Luis Carrero Blanco.

1945

No dia 15 de Agosto, os estúdios de Hollywood param a produção para celebrar o fim da II Guerra Mundial. No fim desse mês, terminam as restrições à distribuição do stock de película.

1946

Hollywood tem o seu ano mais rentável de sempre, sustentado por um recorde de espectadores.

A Universal funde-se com a International Pictures e passa a chamar-se Universal-International.

Com o pós-guerra, a produção cinematográfica japonesa começa a recuperar e o número de espectadores duplica em relação aos anos que antecederam a guerra.

É criado, em França, o Centre Nacional du Cinema Françoise, para regular a indústria cinematográfica.

Tem lugar a primeira edição do Festival de Cinema de Cannes.

1947

O Comité de Investigação de Actividades Anti-Americanas inicia as suas investigações sobre alegados comunistas em Hollywood.

David O. Selznick termina a sua associação com a United Artists e começa a distribuir ele próprio os seus filmes.

Elia Kazan inaugura, em Nova Iorque, o Actor’s Studio. Sob a direcção artística de Lee Strasberg, a escola de actores torna-se conhecida pela sua técnica de interpretação (o método), e dela saem nomes como Marlon Brando, James Dean e Paul Newman.

A Grã-Bretanha institui limites à importação de filmes americanos. Os produtores de Hollywood retaliam e os limites são levantados um ano depois.

Com o pós-guerra, aumenta a produção de filmes fatalistas e de moral duvidosa, género que ficaria conhecido como Film Noir.

1948

O Supremo Tribunal americano declara os cinco grandes estúdios de Hollywood culpados de práticas monopolistas e ordena que vendam as salas de cinema que detêm.

Os Dez de Hollywood são acusados de desrespeito quando se recusam a cooperar com o Comité de Investigação de Actividades Anti-Americanas e são sentenciados a um ano de prisão, apagarem uma multa de $1.000 dólares e entram para a lista negra de Hollywood.

Como resultado de uma acção em tribunal, a Eastman Kodak é obrigada a abrir mão das patentes que detêm sobre o processamento de cor.

O realizador italiano Vittorio de Sica estreia o clássico O Ladrão de Bicicletas.

A Grã-Bretanha, à semelhança de outros países europeus, impõe limites à quantidade de dinheiro que as empresas americanas podem retirar do país. Esta medida encoraja os estúdios americanos a investir parte dos seus lucros na produção cinematográfica local.

1949

O espírito anti-comunista invade Hollywood com várias comissões a controlarem e a influenciar o dia-a-dia da indústria cinematográfica.

Uma vez mais, os tribunais ordenam os estúdios a alienarem as salas de cinema que detêm.

Marilyn Monroe posa nua para um calendário e estreia-se no último filme em que os irmãos Marx contracenam juntos (Love Happy).

Elia Kazan estreia Pinky, um dos vários filmes de 1949 que abordam questões raciais.

Para encorajar a produção nacional, o governo britânico cria o National Film Finance Corporation, que empresta dinheiro à industria cinematográfica.

Os estúdios ingleses Ealing começam a ser conhecidos pelas suas comédias, entre elas Kind Hearts and Coronets, no qual Alec Guiness interpreta seis personagens.

A Alemanha é oficialmente dividida, dando origem a duas indústrias cinematográficas distintas.

Após muitos anos no estrangeiro, o realizador brasileiro Alberto Cavalcanti regressa ao seu país, onde vai dirigir a produtora Vera Cruz Filmes.

História do Cinema: 1950 - 1959

A Nova Vaga

A década de 50 é marcada pelo acentuar das mudanças provocadas pela II Grande Guerra e revela-se propícia para o desenvolvimento de uma nova mentalidade cinematográfica. Se na Europa tentava-se reconstruir cinematografias com a ajuda do estado, no outro lado do Atlântico a industria cinematográfica enfrentava o estado, nomeadamente nas investigações do Comité de Investigação de Actividades Anti-Americanas e na decisão do Supremo Tribunal a obrigar os estúdios de Hollywood a desfazerem-se das suas salas de cinema.

Iniciadas em 1948, as investigações do Comité ganharam um novo fôlego quando, em 1951, elementos dos Dez de Hollywood denunciaram vários outros profissionais. Como resultado, o Comité suspendeu dezenas de profissionais que só voltariam a trabalhar livremente no final da década.

A venda das salas de cinema que possuíam levou os estúdios a procurarem outras fontes de receitas e o aparecimento da televisão foi, ao mesmo tempo, uma bênção e uma dor de cabeça. Se por um lado, a televisão "roubou" espectadores às salas de cinema, também permitiu aos estúdios ganharem dinheiro com a venda de filmes para o pequeno ecrã e alguns aproveitaram as suas estruturas para produzirem conteúdos televisivos.

Para combater a fuga de espectadores das salas de cinema, os estúdios começaram a apostar em avanços tecnológicos como os filmes a três dimensões e em sistemas de projecção de grande formato. Se os filmes a três dimensões, que necessitavam de uns óculos especiais para serem apreciados, não passaram de uma curiosidade, já os sistemas de projecção de grande formato, como o CinemaScope, contribuíram para o surgimento do cinema espectáculo. Assim, chegam ao grande ecrã filmes como Os 10 Mandamentos, A Volta ao Mundo em 80 Dias, Serenata à Chuva e Um Americano em Paris: verdadeiros acontecimentos cinematográficos que marcaram a década e são, ainda hoje, marcos da história da sétima arte.

Mas dos estúdios não saíam apenas filmes espectaculares e obras como Há Lodo no Cais, High Noon e A Desaparecida reflectem uma sensibilidade mais realista e influenciada pelo pós-guerra.

Após anos de quase obscuridão, a Europa vê as suas cinematografias recuperar e a década de 50 revelou-se bastante criativa e marcou uma ruptura com o passado. A França lidera essa mudança com o surgimento, no final da década, da Nouvelle Vague. Tendo por base uma visão cinematográfica mais livre e realista, onde o realizador é o autor da obra cinematográfica, o movimento deu a conhecer realizadores como François Truffaut, Alain Resnais, Jean-Luc Godard, Roger Vadim, entre outros. Grande parte destes realizadores começou as suas carreiras na revista Cahiers du Cinéma e os seus trabalhos, como Hiroshima, meu Amor, Os 400 Golpes, E Deus Criou a Mulher, entre outros, reflectem a própria sociedade em que vivem, muito longe da fantasia importada de Hollywood.

À semelhança do que se passava em França, também o cinema italiano sofre uma transformação graças a realizadores como Michelangelo Antonioni, Bernardo Bertolucci e Federico Fellini, cujos trabalhos reinventaram o cinema italiano, dando-lhe uma projecção internacional.

Na Suécia, o realizador Ingmar Bergman tem uma das suas décadas mais produtivas realizando Morangos Silvestres, O Sétimo Selo e Sorrisos de Uma Noite de Verão, que o consagram internacionalmente.

1950

A Warner Bros., a Lowe’s, a RKO Radio Pictures e a 20th Century Fox são obrigadas a venderem as suas salas de cinema.

A Ilha do Tesouro é a primeira longa-metragem de acção (não-animada) dos estúdios Disney.

Sob o comando do produtor Arthur Freed, os musicais da Metro-Goldwyn-Mayer atingem o ponto alto durante a década.

O western é outro género cinematográfico em alta durante a década, destacando-se obras de realizadores como John Ford, Howard Hawks, Anthony Mann, entre outros.

A França produz, durante a década, uma média de 110 filmes por ano.

Devido à escassez de fundos e a uma política restritiva, os filmes da Alemanhacidental são, durante os anos 50, muito limitados a nível criativo.

São criadas, no Japão, duas novas produtoras: Shin-Toho e a Toei.

Reflectindo o período pós-independência que o país vive durante os anos 50, os melodramas são muito populares na Índia.

O México produz, durante os primeiros anos da década, uma média de 150 longas-metragens por ano.

O governo inglês cria um fundo de apoio à produção cinematográfica, mas sem grande sucesso.

Até à morte de Joseph Stalin, em 1953, a produção russa é dominada por filmes anti-ocidente.

Muito embora um alto imposto sobre o entretenimento que limita a produção cinematográfica, a Suécia distingue-se durante a década através de dramas domésticos realizados, entre outros, por Ingmar Bergman.

1951

O Comité de Investigação de Actividades Anti-Americanas continua as suas investigações contra alegados comunistas, usufruindo das denúncias de membros da comunidade cinematográfica sobre colegas.

Deixa de ser utilizada película à base de nitrato de celulose, uma vez que a sua instabilidade provocou a destruição de metade dos filmes produzidos nos EUA.

O Código de Produção, que rege a produção dos estúdios de Hollywood, passa a incluir as drogas e o aborto como temas proibidos.

Louis B. Mayer demite-se da chefia da Metro-Goldwyn-Mayer.

Marilyn Monroe assina um contracto de longa duração com a 20th Century Fox.

Maurice Chevalier é proibido de entrar nos EUA devido a um suposto apoio a grupos comunistas.

É testada, em Chicago, uma versão de televisão paga, cujos clientes tinham direito a ver filmes novos.

A Columbia Pictures cria a Screen Gems para produzir programas de televisão.

Os jornalistas André Bazin e Jacques Doniol-Valcroze criam, em França, a revista Cahiers du Cinéma.

Rashmon ganha o principal prémio do Festival de Veneza e relança a industria cinematográfica japonesa.

1952

Nos EUA, o número de espectadores atinge o valor mínimo de 51 milhões contra os 90 milhões em 1948.

Os estúdios americanos tentam combater a ameaça da televisão com "truques tecnológicos" como os filmes a três dimensões e o processo de ecrã de grande formato. Bwana Devil foi o primeiro filme em 3D e necessitava de óculos especiais para ser apreciado; This is Cinerama foi o primeiro filme a utilizar a nova tecnologia desenvolvida pela Paramount Pictures, tendo arrecadado 32 milhões de dólares aquando da sua (limitada) estreia.

A Warner Bros. e a 20th Century Fox abandonam a produção de filmes B.

Nas audiências do Comité de Investigação de Actividade Anti-Americanas, o realizador Elian Kazan revela que ele e o escritor Clifford Odets são comunistas.

A popularidade de Marilyn Monroe aumenta após aparecer nua num calendário e de ser tema de capa da revista "Life".

James Stewart é um dos primeiros actores a receber parte dos lucros de um filme.

No Canada, a região do Quebec é a única com produção cinematográfica consistente durante a década.

A vida contemporânea e problemas pessoais são temáticas recorrentes na produção cinematográfica da Alemanha do Leste desde o início da década.

Com a revolução nacional, ocorrida neste ano, os filmes egípcios reflectem a realidade social.

1953

O processo de ecrã largo CinemaScope faz a sua estreia com o épico The Robe, sendo anunciado como "o milagre do entretenimento moderno que pode ser visto sem o uso de óculos".

A cerimónia de atribuição dos Óscares é transmitida pela primeira vez através da televisão.

Marilyn Monroe é tema de capa e das páginas centrais da revista Playboy.

A Associação de argumentistas permite que os nomes de profissionais suspeitos de actividades comunistas sejam retirados da ficha técnica dos filmes.

A co-produção de filmes entre os Estados Unidos e países europeus torna-se uma prática comum durante a década.

O cinema italiano renasce do declínio do neo-realismo graças ao trabalho de realizadores como Federico Fellini e Michelangelo Antonioni.

1954

Howard Hughes adquire a totalidade das acções da RKO Radio Pictures e torna-se no primeiro particular a deter a totalidade de um estúdio de cinema.

A RKO vende a sua colecção de filmes a canais de televisão e, nos anos seguintes, outros estúdios seguem o mesmo caminho.

Os filmes ingleses provenientes dos estúdios Ealing, Korda e Rank são os primeiros a passarem na televisão americana.

Num artigo da revista Cahiers du Cinéma, o crítico francês François Truffaut introduz o termo "política de autor" e altera a perspectiva como é vista a crítica cinematográfica.

O primeiro filme da trilogia Pokolenie, de Andrzej Wajda, dá ínicio à revitalização do cinema polaco.

Após a morte de Stalin, a União Soviética começa a produzir mais filmes de carácter humanista.

1955

James Dean morre num acidente de automóvel, pouco depois de ter rodado o seu terceiro filme, O Gigante.

A Warner Bros. começa a produzir programas de televisão.

A Columbia Pictures aluga os direitos sobre os seus filmes produzidos antes de

1948 a canais de televisão.

Charlie Chaplin vende as acções que detinha da United Artists. Mary Pickford, uma das fundadoras do estúdio conjuntamente com Chaplin, tenta adquiri-las, mas é ultrapassada por Samuel Goldwyn.

O estúdio inglês Ealing fecha as suas portas.

Satyajit Ray estreia Pather Panchali, o primeiro filme da trilogia Apu.

1956

Daryl Zanuck abandona a 20th Century Fox e torna-se num produtor independente.
- As restrições do Código de Produção sobre o aborto e outros assuntos sensíveis tornam-se menos apertadas.

A Warner Bros. vende os seus filmes produzidos até 1950 a um grupo de investidores.

A nomeação de Michael Wilson para o Óscar de melhor argumento pelo filme Sublime Tentação é proibida porque o argumentista recusou colaborar com o Comité de Investigação de Actividades Anti-Americanas e estava na lista negra.

O noticiário (newsreel) da Warner-Pathé deixa de ser produzido, vítima da televisão.

Na Grã-Bretanha, o movimento contra o sistema, designado por Cinema Livre, é liderado por jovens realizadores como Lindsay Anderson e Tony Richardson.

1957

O actor Humphrey Bogard e o antigo responsável pela Metro-Goldwyn-Mayer, Louis B. Mayer, morrem.

A RKO Radio Pictures e a Republic Films abandonam a produção cinematográfica e dedicam-se à produção para televisão.

A Universal Films aluga os seus filmes a canais de televisão.

A Paramount Pictures abandona a produção do seu serviço noticioso (newsreel).

Tem início o primeiro festival internacional de cinema dos Estados Unidos: O Festival de Cinema de São Francisco.

A United Artists recupera da crise em que se encontrava graças ao trabalho de realizadores independentes como Otto Preminger e Stanley Kramer.

Em França, o fundador da revista Cahiers du Cinéma, André Bazin, apoia a teoria "cinema de autor", que defende o realizador como "autor" do filme.

1958

A Paramount Pictures vende os direitos sobre os seus filmes produzidos antes de 1948 à MCA, sendo o último dos grandes estúdio a faze-lo.

A Paramount permite que produtores independentes utilizam os seus estúdios.

Como golpe publicitário para o seu filme Macabre, o produtor William Castlefazum seguro de mil dólares contra o risco de alguém morrer de susto.

É revelado que um dos dois argumentistas que ganharam o Óscar para melhor argumento pelo filme The Defiant Ones é Nedrick Young, que estava na lista negra do Comité de Investigação de Actividades Anti-americanas.

Colaboradores da revista Cahiers du Cinéma, entre outros criam o movimento Nouvelle Vague. Os realizadores Claude Chabrol e François Truffaut destacam-se como "praticantes" do movimento.

Em França, o eleito presidente da república, Charles De Gaulle, cria um programa governamental de apoio à produção cinematográfica.

A produtora inglesa Hammer Films alcança sucesso graças aos seus filmes de terror.

1959

Os filmes da Nouvelle Vague, entre eles Os 400 Golpes e Hiroshima, Meu Amor, revigoram o cinema francês e ganham reconhecimento internacional.

Nos Estados Unidos, a Academia das Artes e Ciências Cinematográficas volta a permitir a nomeação de profissionais que estavam na lista negra do Comité de Investigação de Actividades Anti-Americanas.

O presidente soviético Nikita Khruschev visita Hollywood e com desagrado assiste ao filme Can-Can.

Os filmes de Elizabeth Taylor são proibidos no Egipto, após a actriz ter participado na angariação de fundos a favor de Israel.

John Wayne é acusado pelo Governo do Panamá de interferir na política do país após ter pago meio milhão de dólares ao activista Roberto Arias.

A Janus Films torna-se numa distribuidora de sucesso de filmes estrangeiros nos Estados Unidos com os filmes de Ingmar Bergman.

Hércules é o primeiro de uma série de filmes italianos dobrados em inglês a ter sucesso nos Estados Unidos.

O preço dos bilhetes de cinema nos Estados Unidos desce ao longo da década como forma de combater a televisão.

História do Cinema: 1960 - 1969

O Fim da Censura

Os acontecimentos ocorridos nos anos anteriores que transformaram a industria cinematográfica americana (fim do studio system, venda das salas de cinema pelos grandes estúdios e o aparecimento da televisão) pouco alteraram o tipo de filmes produzidos em Hollywood. Aliás, devido à ameaça da televisão, os estúdios apostavam cada vez mais em grandes espectáculos e na década de 60 chegam às salas de cinema filmes como West Side Story - Amor sem Barreiras, Cleópatra, Música no Coração, entre outros. Para além destes, as audiências mais jovens, que tinham transformado Psico num sucesso de bilheteira, tinham muitos outros filmes por onde escolher, entre eles os protagonizados por Elvis Presley (nove estrearam antes de 1964), a série de terror da American International Pictures (AIP) baseados nos livros de Edgar A. Poe e os filmes passados em praias.

Se os Estados Unidos apostavam em fórmulas já testadas, a restante cinematografia mundial, em particular a Europeia, mostrava-se fértil em inovações e os trabalhos de realizadores como Frederico Fellini, Michelangelo Antonioni e Jean-Luc Godard redefiniam a produção cinematográfica. A produção francesa revelou-se a mais inovadora e os filmes dos realizadores da Nouvelle Vague como Godard (O Acossado), Luis Bunuel (A Bela de Dia), Claude Lelouch (Um Homem e uma Mulher), Alain Resnais (O Último Ano em Mariebad), permitiram ao cinema ganhar uma dimensão e relevância social até ai desconhecidas. A produção italiana acompanhou esta mudança e os trabalhos de Fellini (A Doce Vida, 8½), Antonioni (A Aventura) e Luchino Visconti (Rocco e os seus Irmãos) dominam a produção do país e transportam-na para além fronteiras. Tal como acontece na Polónia, com os trabalhos dos jovens realizadores Roman Polanski e Jerzy Skolimowski, e na ??ndia, com o primeiro filme da dupla Ismail Merchant (produtor indiano) e James Ivory (produtor americano): Shakespeare Wallah, um conflito de culturas entre o oriente e o ocidente.

Foi necessário chegar ao final da década para se assistir a alterações no panorama cinematográfico americano e que se deveram essencialmente a dois filmes estreados em 1967: Bonnie e Clyde, de Arthur Penn, e A Primeira Noite, de Mike Nichols. Constituindo autenticas subversões de géneros, os filmes foram um sucesso junto do público e abriram caminho à produção de filmes mais negros e cujos protagonistas representavam anti-herois, como Easy Rider e Cowboy da Meia-Noite, este o único filme classificado para adultos a ganhar o Óscar para melhor filme.

A produção americana entrava, assim, numa nova fase e a substituição do velho e desadequado Código de Produção, em 1968 por um sistema de classificação de filmes, veio ajudar a essa transformação.

1960

A American Internacional Pictures (AIP) estreia The Fall of the House of Usher", o primeiro de oito filmes baseados nos livros de Edgar A. Poe e realizados por Roger Corman.

Dalton Trumbo, autor dos argumentos de Exodus e Spartacus, é o primeiro argumentista da lista negra do Comité de Investigação das Actividades Anti-Americanas a ver o seu nome incluído na ficha técnica de um filme.

Durante a rodagem de Raising in the Sun, Sidney Poitier denuncia o racismo existente em Hollywood e as consequentes dificuldades que teve em arranjar um local para viver.

O passeio da fama é inaugurado em Hollywood.

As receitas de bilheteira diminuem na Grã-Bretanha devido, em parte, aos filmes transmitidos na televisão.

No seu país de origem, a Grã-Bretanha, o filme A Vítima do Medo, do realizador Michael Powell, é considerado perversamente obsceno.

Marlene Dietrich, em tourné, regressa à Alemanha pela primeira vez desde 1930. Devido ao seu declarado apoio aos Aliados, a sua recepção não é muito entusiástica.

A Doce Vida, de Federico Fellini, ganha a Palma d’Ouro do Festival de Cinema de Cannes, mas é vaiado aquando da sua exibição. Por sua vez, A Aventura, de Michelangelo Antonioni, é mal recebido pelo público do festival, mas é defendido por conceituados realizadores.

1961

A empresa de casting norte-americana Central Casting começa a permitir que os actores negros tenham igualdade de oportunidade na selecção de papeis.

O Supremo Tribunal Americano decide que os governos locais e estaduais podem censurar filmes.

Uma nova versão do Código de Produção permite que a homossexualidade seja abordada em filmes.

A cadeia norte-americana NBC estreia, aos sábados, uma nova secção de cinema com filmes recentes produzidos pelos estúdios de Hollywood.

Em Itália, fascistas interrompem a estreia do filme de Pier Paolo Pasolino Accattone!, um drama real sobre um gigolo morto pela polícia.

O Vaticano e o Governo Espanhol atacam o filme de Luis Bunuel Viridiana, vencedor da Palma d’Ouro do Festival de Cannes. O filme conta a história de uma noviça que é corrompida pelo seu tio.

1962

A empresa MCA adquire o estúdio Universal-International.

O juiz alemão Hermann Markl é forçado a demitir-se depois do filme O Julgamento de Nuremberga denunciar o seu passado nazi.

Com receio da fuga de produções para o estrangeiro, o sindicato dos actores retira as suas exigências de aumentos de salários.

A abordagem de temas como pedofilia e homossexualidade nos filmes Lolita e Tempestade Sobre Washington, respectivamente, assinala o fim de todos os taboos na produção cinematográfica norte-americana.

Marilyn Monroe é vítima de uma overdose e a sua morte choca o mundo inteiro.

O romance entre Elizabeth Taylor e Richard Burton (colegas no filme Cleópatra) domina a comunicação social de tal forma que leva o Vaticano a emitir uma nota de desagrado.

O Mundo a Seus Pés é considerado, pela primeira vez, como o melhor filme de todos os tempos num inquérito internacional, ai se mantendo até aos dias de hoje.

A revista francesa Cahiers du Cinema dedica um número especial à Nouvelle Vague, onde inclui uma entrevista com o realizador Jean-Luc Godard.

1963

A National Association for the Advancement of Colored People pressiona a industria cinematográfica a abolir dos filmes os estereótipos sobre os negros e a dar-lhes mais oportunidades de emprego.

A teoria do cinema de autor, preconizada pela Nouvelle Vague, começa a ter impacto nos Estados Unidos.

O filme Nine Hours to Rama, sobre o assassinato de Mahatma Gandhi, é banido na Índia.

1964

Os filmes para televisão (telefilmes) começam a ser parte integrante da programação regular das cadeias de televisão norte-americanas.

A Universal abre as suas portas ao público, dando início às suas famosas visitas guiadas.

Muito embora a pressão da opinião pública para acabar com a censura em Hollywood, os realizadores independentes sentem, ainda, dificuldades na exibição dos seus filmes.

Na Califórnia, o actor George Murphy é eleito para o Senado Norte-Americano.

Sidney Poitier é o primeiro actor negro a vencer o Óscar para melhor actor pelo filme Lilies of the Field.

Após anos de costas voltados, o realizador Pier Paolo Pasolino volta a estar nas boas graças da Igreja com o seu filme O Evangelho Segundo São Mateus.

1965

A Motion Pictures Association of America (MPAA) alcança um acordo extrajudicial com 12 pessoas impedidas de trabalhar na indústria cinematográfica durante a década de 50, por constarem na lista negra do Comité de Investigação das Actividades Anti-Americanas, mas a MPAA não admite que alguma vez tenha existido essa lista.

Hollywood vê a sua produção cinematográfica aumentar, aumentando também o preço pago pelos direitos de autor de livros que servem de base às produções.

Hollywood começa a organizar eventos para entreter as tropas norte-americanas envolvidas na Guerra do Vietname.

A Walt Disney anuncia a construção de um enorme parque temático no estado norte-americano da Florida.

Os realizadores George Stevens e Otto Preminger levam os respectivos estúdios a tribunal por estes licenciarem os seus filmes para televisão e permitirem que sejam interrompidos por publicidade.

A revista francesa Cahiers du Cinema diminui a sua cobertura de filmes americanos.

O realizador brasileiro Glauber Rocha (Deus e o Diabo na Terra do Sol) dá a conhecer o seu manifesto "A Estética da Fome", que protagoniza que a violência pode alterar a ordem social, cuja essência é a fome.

1966

Quem tem Medo de Virginia Woolf, com a sua linguagem dura, e Alfie, que faz referência ao aborto, são aprovados pelo Código de Produção, revelando o seu declínio. Pouco tempo depois, o código é revisto de forma a reflectir a nova realidade.

O gigante do petróleo Gulf & Western Industries compra a Paramount Pictures. O actor e produtor Robert Evans é nomeado responsável pela produção e o estúdio regressa aos seus tempos aureos.

Intelectuais e críticos franceses protestam contra o atraso da estreia do filme A Religiosa do realizador Jacques Rivette. Os censores franceses levantam problemas devido ao facto de o filme retratar uma Madre Superior lésbica.

O realizador francês François Truffaut lança o livro "Hitchcock".

Realiza-se o primeiro festival de cinema da Tunísia.

1967

O Bank of America adquire, através da sua subsidiária Transamerica, o estúdio United Artists.

O American Film Institute inicia a sua actividade.

A Universal Newsreel, o único serviço noticioso (newreel) ainda existente, cessa a sua actividade.

Jack Warner, fundador da Warner Bros., vende a sua parte do estúdio à Seven Arts.

Bonnie e Clyde influência o público americano e marca uma nova era de sexo, violência e humor no cinema norte-americano.

O filme francês do realizador Claude Lelouch, Um Homem e uma Mulher, é um sucesso de bilheteira nos Estados Unidos e torna-se no mais rentável da Allied Artists.

1968

A Motion Pictures Association of America institui um sistema de classificação de filmes, que substitui o Código de Produção.

Estrelas de cinema com Barbara Streisand, Paul Newman e Shirley Maclaine falam abertamente contra a guerra do Vietname. Jane Fonda protesta a favor os direitos dos índios.

Devido ao assassinato de Martin Luther King, Jr. a cerimónia de entrega dos Óscares é adiada dois dias.

Reconhecendo que a maioria dos filmes são produzidos a cores, a Academia abandona a atribuição de Óscares a filmes a preto e branco.

O filme de terror A Noite dos Mortos-Vivos, de George Romero, é um sucesso de bilheteira. Por seu lado, 2001: Odisseia no Espaço, com os seus efeitos especiais inovadores, torna-se num marco da ficção científica.

A edição do Festival de Cannes termina mais cedo quando realizadores retiram os seus filmes do certame e o júri se demite em resposta ao apelo do realizador Jean-Luc Godard de que o Festival apoia os estudantes e trabalhadores que se manifestam por toda a França.

Devido à resistência da comunidade cinematográfica, o Governo Francês desiste de controlar a Cinemateca Nacional, um dos mais famosos e respeitados arquivos cinematográficos do mundo.

A obra de sete horas do realizador soviético Sergei Bondarchuk, Guerra e Paz, é exibida nos Estados Unidos em duas partes, cada um em dias sucessivos.

1969

O Cowboy da Meia-Noite é o primeiro filme a ser classificado para adultos e o único a ganhar um Óscar de melhor filme.

Os Estados Unidos são abalados pela morte de Judy Garland, cujo funeral atrai cerca de 20,000 pessoas, e pelo assassinato da actriz Sharon Tate, esposa do realizador Roman Polanski.

Muito embora a produção francesa continue a viver um bom momento a nível de criatividade, o número de salas de cinema continua a diminuir.

A Argélia nacionaliza as entidades cinematográficas do país.

História do Cinema: 1970 - 1979

O Blockbuster

A década de 70 foi palco de um conjunto de acontecimentos que alteraram o panorama da indústria cinematográfica norte-americana e, consequentemente, do resto do mundo. Após 25 anos de declínio económico, os anos entre 69 e 71 revelaram-se o fundo de uma crise que alterou por completo a industria. Exemplo dessa crise é o facto da Metro-Goldwyn-Mayer, um dos símbolos da meca do cinema, se ter visto obrigada, em 1970, a leiloar o guarda-roupa e adereços das suas mais famosas produções. Muito embora os novos géneros cinematográficos, Hollywood demonstrava, no início desta década, uma incapacidade de atrair o público mais jovem às salas de cinema e isso revelava-se no decrescente número de espectadores.

A salvação da indústria esteve numa nova geração de realizadores que cresceram a ver os filmes de Hollywood e num tempo de transformação social e, assim, reinventaram alguns géneros cinematográficos. Realizadores como Martin Scorsese, George Lucas, Brian de Palma, Francis Ford Coppola e Steven Spielberg foram alguns dos nomes que reinventaram Hollywood e que, devido ao facto dos estúdios não encontrarem outras soluções, tinham liberdade (e dinheiro) para realizarem o que desejavam. Como resultado, na década de 70, foram produzidos filmes como O Padrinho (I e II), O Exorcista, Os Incorruptíveis Contra a Droga, O Tubarão e A Guerra das Estrelas. Todos eles grandes sucessos de bilheteira, em particular os dois últimos, que marcam o ponto de viragem da industria e criaram um "monstro": o blockbuster. Virado para um público jovem, repleto de acção e efeitos especiais, este tipo de filme transformou a economia de Hollywood e os estúdios cada vez mais dependem deles. Antes da moda do blockbuster "solidificar" na década seguinte, os realizadores que os criaram tiveram a oportunidade de inovar, produzindo filmes como Nashville, Taxi Driver, Laranja Mecânica, O Caçador, entre muitos outros. Para além destes, Hollywood teve também algum sucesso com filmes mais tradicionais, como os filmes catástrofe Torre do Inferno, Aeroporto, Terramoto, entre outros, e até assistiu ao regresso dos musicais com A Febre de Sábado à Noite e Greese.

A transformação económica dos anos 70 não se ficou pelo nascimento do blockbuster e Hollywood viu o seu crescimento económico também assente em novas fontes de receitas: os multiplexes (complexos cinematográficos com várias salas de cinema), que permitiram exibir mais filmes e de uma forma mais lucrativa, e novos canais de televisão por cabo, como o Home Box Office (HBO), que permitiram aumentar a "vida" de um filme e retirar dai dividendos. Para além destas novas formas de exploração cinematográficas, Hollywood descobriu também a saturação publicitária, nomeadamente em televisão, que em conjunto com a exibição de um filme em larga escala, traduzia-se em grandes receitas.

Acompanhando Hollywood, o panorama cinematográfico de outros países mostrava-se, também, muito sombrio e apenas o aparecimento de novos realizadores disfarçava a crise. Em Inglaterra, a produção cinematográfica caiu vertiginosamente e apenas a utilização dos estúdios pelas produções norte-americanas conseguia manter a indústria do país à tona de água. Os anos 70 são também de crise para as cinematografias italianas e japonesas, enquanto que na Alemanha o novo cinema alemão, conhecido pela sua crítica aos valores burgueses, ganhava reconhecimento internacional, nomeadamente através dos filmes de Wim Wenders e Rainer Werner Fassbinder. Tal como na Alemanha, também na Polónia, Austrália e Brasil viram as suas cinematografias reconhecidas, através, uma vez mais, do trabalho de novos realizadores como o dos polacos Andrzej Wajda e Krzystof Kiesconski, do brasileiro Bruno Barreto e do australiano Bruce Beresford.

voltar 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 avançar
Sobre o Portal | Politica de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal