
O ano era de 1839, e ninguém viu na descoberta da fórmula da preservação da borracha, um processo chamado de vulcanização, qualquer outro benefício além do que imaginou quem primeiro lançou mão dele, Charles Goodyear: melhorar a qualidade dos pneus que sua empresa fabricava.
Nem mesmo quando umas poucas indústrias de calçados dos Estados Unidos, onde a vulcanização havia sido desenvolvida, começaram a substituir seus solados de couro pelos de borracha. Nem mesmo quando esses calçados, mais leves e confortáveis, passaram a fazer parte da preferência dos bem nascidos e abastados cidadãos da Costa Leste do país, em seus jogos de criquet, qualquer revista de moda, ou estilista, ou quem quer que seja que tivesse faro para distinguir que uma revolução no setor estava a caminho, se atreveu a fazer um mínimo comentário a respeito.
Simplesmente porque não parecia uma revolução - era só um tipo diferente de calçado que, por certo, se incorporaria como outro modismo ao guarda-roupa da elite da época. Mas não se tratava de um caso de amor passageiro.

Logo, o couro da parte de cima das criquet sandals, como a novidade ficou conhecida, era substituído por tecido. De preço mais acessível, chegou às lojas de departamentos norte-americanas e ganhou as ruas, nos pés de quem não tivera berço de ouro. Mas sem perder a classe, porque ao mesmo tempo, em pés femininos, chegava às quadras de um jogo de muito pedigree, o tênis - e ali não só se firmaria como o calçado perfeito para acompanhar saques e corridas à rede como conquistaria seu nome definitivo, legenda e estandarte não só de um estilo de moda como, e principalmente, de um estilo de vida.
Rebeldia e conforto, beleza e ousadia.
Juntando esses ingredientes, o tênis não é, hoje em dia, só um calçado, nem para quem fabrica, nem para quem usa.

Pequena nave espacial urbana, o tênis exibe naqueles poucos centímetros e gramas de tecido e borracha, tudo o que a tecnologia tem contabilizado como avanço. Materiais, design, funções, tudo amadurece com cuidado nas pranchetas dos seus criadores.
E a imaginação parece não ter limites: embora a conta jamais tenha sido feita oficialmente, pode-se arriscar a afirmação de que há hoje em dia, em todo o planeta, milhares de modelos de tênis, com finalidades específicas, todos procurando, cada vez mais, envolver os pés de maneira suave e confortável.
Assim, por exemplo, há estruturas em forma de pirâmide no solado, que absorvem impactos e os distribui de maneira uniforme, mecanismos que permitem movimentos independentes das partes dianteira e traseira do pé, modelos que se poderia chamar de múltiplos, uma vez que servem tanto para a prática de esportes como para a ginástica aeróbica e para corridas.
E se a mania é mundial, é certo que, seja onde for, só uma pequena parcela deles para jogos de tênis propriamente ditos, ou basquete, ou até mesmo para a malhação.
Tênis é claro, é calçado de todo dia, está nos pés de celebridades e de gente anônima. Porque, afinal, pode-se dizer que tudo seria exatamente igual, no mundo, sem alguns mitos que a moda implantou, ao longo dos tempos, desde a invenção do tênis.
Alguém diria que o vestido saco mudou fundamentalmente alguma coisa?
Não.
Teria sido possível dispensar aqueles cabelos armados a poder de laquê e, às vezes, com o auxílio de uma esponja de aço sutilmente camuflada?
Sim, teria.
O que aconteceria se madame Chanel, em lugar de suas correntes douradas, houvesse optado por correntes prateadas?
Nada.
Mas assim como a minissaia e os jeans, o tênis assinou com vigor uma página importante de comportamento, mais, muito mais do que de uma simples moda. Sem o tênis, o passo da humanidade certamente seria outro.
Fonte: www.neusamodas.com.br

Calçados utilizados na prática da luta greco-romana
O calçado esportivo é considerado um item comum do vestuário contemporâneo, mas teve uma interessante história ao longo dos anos.
Tendo um dos seus mais antigos relatos na Antigüidade Clássica, os calçados esportivos têm uma relação direta com as primeiras competições gregas.
Nos Jogos Olímpicos da Antigüidade, os atletas costumavam percorrer os trajetos descalços. Os primeiros competidores a utilizarem algum acessório para proteção dos pés usavam sandálias feitas de couro.
Os italianos foram responsáveis pelas primeiras modificações. As sandálias ganharam suas primeiras palmilhas. Além de garantirem maior conforto, elas aumentavam a adesão dos pés à peça. Os romanos, já no século II, utilizavam faixas de couro que por meio de um conjunto de pinças fixavam melhor a sandália.
Nesse período, elas já tinham fins de uso cotidiano e esportivo.
Durante a Idade Média, esse tipo de calçado não sofreu significativas mudanças. A vida nos campos limitava os camponeses a utilizarem sapatos e botinas apropriadas aos serviços rurais.
Na era Moderna, o tênis ainda não era alvo de algum tipo de inovação. Os calçados diferiam a condição social da população e, quase nenhum desses, tinha uma função exclusivamente esportiva. Em Roma, os nobres usavam calçados brancos, os senadores calçados marrons presos por quatro fitas pretas de couro atadas a dois nós e o calçado tradicional das legiões era um tipo de bota de cano curto que descobria os dedos.
Somente no século XIX, os calçados esportivos vieram à tona. O inventor norte-americano Wait Webster fabricou as primeiras palmilhas de borracha. Além de aumentar a adesão do sapato ao solo, o novo adereço diminuía significativamente o impacto causado pela prática esportiva. Entre 1860 e 1870, duas outras modificações apresentaram um esboço dos calçados esportivos conhecidos atualmente. O invento dos cadarços e da sapatilha, originalmente desenvolvida para a prática do ciclismo, oferecia grandes vantagens aos praticantes de esportes.
O desenvolvimento dos esportes e o boom da Revolução Industrial abriram portas para a criação da primeira empresa especializada em calçados esportivos. Em 1890, a Reebok foi criada pela família do empresário Joseph William Foster.
No século XX, o aparato tecnológico da Primeira Guerra Mundial estabeleceu a criação de calçados impermeáveis feitos a partir de lona. O novo material propiciou maior conforto aos atletas e diminuiu o peso do tênis esportivo.
Nos últimos anos, várias empresas disputam esse valoroso mercado. Na década de 1980, a empresa Nike inundou o mercado com uma linha popular de calçados esportivos. Ultimamente, as empresas vinculam suas marcas a atletas famosos e equipes esportivas. Além de popularizarem a prática esportiva, esse tipo de calçado reformulou a estética desse acessório do nosso vestuário.
Cada pessoa tem um estilo único de caminhar ou correr. Sendo assim, não há um calçado que seja o ideal para todas as pessoas ou mesmo atletas.
Uma vez que há formatos diferentes de pés e várias quantidades de movimento do pé, as companhias de calçados desenvolveram tênis de corrida que fazem coisas diferentes.
Arco do pé alto é curvo, enquanto o do pé chato é plano. Alguns tênis são curvos para atender às necessidades de arcos de pé altos, e alguns são planos para os pés chatos. O resto dos tênis de corrida são feitos semi-curvados.
É preciso entender que os tênis de corrida em geral são agrupados em cinco categorias:
Controle de Movimento (Motion-Control)
Estabilidade (Stability)
Amortecimento (Cushioned)
Performance (Lightweight)
Trilha (Trail),
Este critério é utilizado pela Runners World e seguido por grande parte da indústria. Os tênis da Adidas, por exemplo, vem com o nome da categoria escrita na palmilha (por exemplo, Cushion, Performance). Há ainda os tênis de Competição (Racing) que só devem ser usados quando se estiver competindo.

Abaixo segue a descrição das categorias:
Controle de Movimento (Motion-Control): São os mais rígidos e orientados para controlar a pronação excessiva. Geralmente são mais pesados, mas muito duráveis, e têm solado plano para oferecer maior estabilidade e suporte. É indicado para pessoas que possuem um grau de pronação muito acentuado ou que utilizam palmilhas especiais e necessitam de um solado firme e espaço no calcanhar para um bom encaixe. Corredores com pé chato geralmente se dão melhor com este tipo de tênis.
Estabilidade (Stability): Esta categoria oferece uma boa combinação de amortecimento, suporte e durabilidade. Geralmente tem um solado semi-curvo. É indicado para pessoas que tenham peso médio e não tenham grandes problemas de controle de movimento do pé (super pronação).
Amortecimento (Cushioned): Esta categoria geralmente tem a sola mais macia, maior amortecimento e menor suporte. Usualmente são construídos com solado curvo ou semi-curvo para estimular o movimento do pé. A indicação deste tipo de calçado é para pessoas que não precisam de um suporte extra nem tenham um grau excessivo de pronação.
Performance (Lightweight): Construídos com solado curvo ou semi-curvo, este tipo de tênis é leve e geralmente utilizado para competições ou treinos em ritmo rápido. Alguns podem ter estabilidade razoável, mas isso não é uma regra. Indicado para pessoas que possuem um ritmo de treino veloz e eficiente. Ainda pode ser utilizado nas provas por ser um tênis com maior amortecimento e suporte do que aqueles de Competição (Racing).
Trilha (Trail): São desenvolvidos para utilização em trilhas e terrenos acidentados ou enlameados. Têm maior tração, são estáveis e duráveis.

Muitas pessoas gostam de aproveitar o momento em que estão na praia para se exercitarem fazendo caminhadas ou corridas. No entanto, poucas pessoas conhecem as diferenças que esse tipo de exercício possui em relação à mesma prática em asfalto, que é o solo mais comum em centros urbanos.
A corrida na areia apresenta algumas mudanças significativas em relação à corrida no asfalto. Ao correr na areia, a biomecânica da corrida é alterada, passando a utilizar mais a parte anterior do pé em comparação à corrida no asfalto e isso sobrecarrega os músculos da panturrilha. A conseqüência é um maior cansaço do corredor. No entanto, ela acarreta em um fortalecimento muscular maior.
O gasto calórico também é aumentado, pois a modalidade requer esforço diferenciado. De acordo com estudos norte-americanos publicados na revista Runners World, a corrida na areia queima 1,6 vezes mais calorias do que no asfalto comum.
O impacto da corrida na areia é menor que no chão duro. As articulações sofrem fortalecimento, apesar de que a propensão a torções é maior pela irregularidade do terreno. No entanto, a corrida periódica na areia é indicada tanto como lazer como condicionamento físico.
A exigência desta prova de corrida é maior. O ideal é que não se treine descalço nesse piso, a menos que seja uma indicação fisioterapêutica ou médica.

Diogo Andrade, diretor técnico da Assessoria Esportiva Triação, em Salvador, explica que o trabalho realizado na areia fofa é de força específica ou especial, onde a areia serve como uma resistência extra a ser vencida. "Isso gera um fortalecimento específico da musculatura utilizada na corrida". Já na areia batida, diz o treinador, não existe muito impacto, quando comparado ao asfalto.
O impacto é reduzido em comparação ao asfalto. Quanto mais fofa for a areia menor ele será.
Portanto, à medida que a areia se torna mais fofa, menor será a necessidade de utilização de um calçado com a finalidade de amortecimento. Na areia batida, a utilização do calçado com absorção de impactos é muito importante, pois há riscos de inflamações e tendinites.
A areia fofa aumenta a sobrecarga nos joelhos, articulações e principalmente nas panturrilhas, com conseqüente aumento de força. O terreno menos estável da areia fofa auxilia nesse fortalecimento, mas em contrapartida pode provocar torções e por conseqüência lesão nas articulações.
Na areia batida, pode-se desenvolver maiores velocidades do que na areia fofa, exigindo menos força do corredor.
A corrida em areia fofa aumenta o gasto energético.
Por que é necessário utilizar calçados para corrida na areia?
De fato tênis de corrida e areia não combinam, mas o ideal é que não se faça corrida na praia descalço. Se a areia for fofa não existe contra-indicação, porém, na areia batida (a mais próxima à água) o ideal é o uso de um tênis com amortecedor, explica o médico ortopedista Ricardo Cury, professor do Grupo de Cirurgia do Joelho e Trauma Esportivo da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo e diretor do Comitê de Cirurgia do Joelho da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT). O uso de meia também é recomendado.
"A terra batida amortece menos, o que aumenta a chance de inflamação e problemas como a tendinite, principalmente na planta do pé". Além disso, explica, aumenta a sobrecarga na região do joelho e nas articulações.
Já na areia fofa, como ela absorve o impacto, a chance de processos inflamatórios diminui. Porém aumenta o risco de entorses, já que o terreno tem menos estabilidade.
É preciso estar atento a outros riscos: lixo e objetos cortantes na praia. Infelizmente, cacos de vidro, latinhas de alumínio e outros objetos cortantes são deixados nas praias, seja pela ação humana ou natural (conchas quebradas, por exemplo).
TIAGO FONSECA DOS REIS
Fonte: www.ed.uemg.br