Facebook do Portal São Francisco Google+
+ circle
Home  Roma Antiga  Voltar

Roma Antiga

De Rômulo e Remo à República e ao Império

Para entender como Roma conseguiu adquirir tanta importância e poder é necessário conhecer sua história em mais detalhes. A origem da sociedade romana não tem uma evidência concreta. Baseia-se numa lenda, que era uma maneira antiga de explicar fatos cuja memória se perdeu em tempos muito distantes. Assim, o poeta romano Virgílio alimentou a fantasia de seu povo ao contar que Roma teria sido fundada por dois irmãos: Rômulo e Remo.

Os dois haviam sido abandonados pelo pai ao nascer e só sobreviveram por terem sido alimentados por uma loba. O fato é que os irmãos cresceram, vingaram-se do pai e receberam a missão de fundar uma cidade no local onde foram encontrados pelo animal. Essa lenda criou também a data exata do "nascimento" de Roma: os irmãos teriam fundado a cidade em 753 a.C. O próprio nome dessa localidade derivou do nome um deles (Rômulo), que acabou matando seu irmão Remo devido a disputas políticas.

Como se pode ver, a origem de Roma foi inventada através de uma história que misturava o instinto animal (simbolizado pela loba que amamentou os irmãos), com o nascimento de algo novo (a cidade fundada num lugar deserto), retornando aos instintos agressivos no final (simbolizados na rivalidade entre os irmãos e no assassinato de um deles). Assim, essa origem imaginada serviu para os vários imperadores que a governaram justificarem o caráter agressivo e conquistador dessa sociedade romana.

Patrícios e plebeus

Se não temos dados concretos sobre sua fundação, podemos começar a contar a história de Roma, a partir da monarquia (753 a 509 a.C.). Nesse período, o meio de subsistência principal daquele povo era a agricultura. A sociedade romana dividia-se em quatro grupos, segundo a posição política, econômica e social de cada pessoa: havia patrícios, plebeus, clientes e escravos.

A palavra "patrício" (do latim pater, pai) indicava o chefe da grande unidade familiar ou clã. Esses chefes, os patrícios, seriam descendentes dos fundadores lendários de Roma e possuíam as principais e maiores terras. Eles formavam a aristocracia, sendo que somente esse grupo tinha direitos políticos em Roma e formava, portanto, o governo.

Já os plebeus eram descendentes de populações imigrantes, vindas principalmente de outras regiões da península Itálica, ou fruto dos contatos e conquistas romanas. Dedicavam-se ao comércio e ao artesanato. Eram livres, mas não tinham direitos políticos: não podiam participar do governo e estavam proibidos de casar com patrícios.

Num outro patamar, vinham os clientes, também forasteiros, que trabalhavam diretamente para os patrícios, numa relação de proteção e submissão econômica. Assim, mantinham com os patrícios laços de clientela, que eram considerados sagrados, além de hereditários, ou seja, passados de pai para filho.


Por fim, os escravos, que inicialmente eram aqueles que não podiam pagar suas dívidas e, portanto, tinham que se sujeitar ao trabalho forçado para sobreviver. Depois, com as guerras de conquista, a prisão dos vencidos gerou novos escravos, que acabaram se tornando a maioria da população.

República e expansão

As conquistas aos outros povos e regiões trouxeram o crescimento das atividades comerciais e das negociações em moeda. A riqueza se concentrou ainda mais nas mãos dos patrícios, que se apropriavam das novas terras. Isso tudo dividiu profundamente a sociedade romana entre ricos (aristocratas) e pobres (plebeus), além da grande massa de escravos que ia se formando. Também os membros do exército, enriquecidos pelas conquistas e saques, tornaram-se uma importante camada social.

A expansão romana iniciou-se na República (509 a 27 a.C.), por meio das lutas contra os povos vizinhos para obterem escravos (séculos. 5 a 3 a.C.). Depois disso, expandiu-se para a Grécia (séc. 3 a.C.), Cartago (cidade africana que controlava o comércio marítimo no Mediterrâneo) e Macedônia (com a conquista da Grécia, havia formado um grande império), sendo estas duas cidades conquistadas no séc. 2 a.C. Na seqüência, o Egito, a Britânia (que corresponde aproximadamente à atual Grã-Bretanha) e algumas regiões da Europa e da Ásia foram conquistados no séc. 1 d.C.

Desde sua origem, Roma fora governada por reis. Um deles foi expulso por tirania em 509 a.C. e o governo da República se estabeleceu, propondo uma nova divisão de poderes entre o Senado, os Magistrados e as Assembléias.

Com as conquistas militares de novos territórios, os generais do Exército acumularam muitos poderes políticos e para deterem as revoltas dos povos dominados, resolveram concentrar o poder. Júlio César era um general que havia conquistado a Gália em 60 a.C. Depois disso, deu um golpe em Roma, atacando-a no ano de 49 a.C. e proclamando-se ditador perpétuo (ou seja, governaria com poderes ilimitados até a sua morte). Foi nesse mesmo ano que conseguiu dominar o Egito. No entanto, nem ele nem seu governo tiveram vida longa: foi assassinado pelos próprios romanos em 44 a.C.

O Império Romano

Com a morte de Júlio César, três líderes políticos governariam juntos. Um deles, Otávio, derrotou os outros e foi o primeiro imperador romano em 31 a.C., recebendo do Senado os títulos de Princeps (primeiro cidadão), Augustus (divino) e Imperator (supremo). Passou para a história com o nome de Augusto, embora essa denominação acompanhasse todos os imperadores que o sucederam. Roma teve 16 imperadores entre os séculos 1 e 3 d.C. A partir daí, começou a desagregação do Império e o descontrole por parte de Roma dos povos dominados.

Entre os séculos 3 e 4 d.C., o imperador Dioclesiano dividiu o Império Romano numa parte ocidental e noutra oriental. Constantino, o imperador seguinte, tomou duas importantes medidas: reunificou seus domínios, tornando a capital do Império Romano Bizâncio (depois chamada de Constantinopla e, hoje, Istambul, na Turquia), localizada na parte oriental dos domínios romanos e legalizou a prática do cristianismo.

Finalmente, Teodósio, um dos últimos imperadores, tornou o cristianismo religião oficial de todo o Império e dividiu-o novamente em duas partes, sendo as capitais Roma e Constantinopla. A primeira foi dominada pelos povos germanos em 476 e marcou o fim do Império Romano do Ocidente. A segunda foi dominada em 1453 pelos turcos e marcou o fim do Império Romano do Oriente.

Quadro sintético

História de Roma
Períodos
Datas
Monarquia
de 753 a.C. (data tradicional da fundação de Roma) a 509 a.C. (derrota dos Tarqüínios).
República
de 509 a.C. (proclamação da República) a 27 a.C. (Otaviano recebe o Senado o título de Augusto)
Império
de 27 a.C. a 476 d.C. (queda do Império romano do Ocidente)

Fonte: educacao.uol.com.br

Roma Antiga

Roma localiza-se na região central da península Itálica, às margens do rio Tibre. Entrando pelo mar Mediterrâneo, a península Itálica situa-se entre a península Balcânica, à direita, e a península Ibérica, à esquerda. Apresenta a costa leste banhada pelo mar Andriático e costa oeste banhada pelo mar Tirreno. Ao sul, localiza-se o mar Jônio.

O relevo da península Itálica é constituído ao norte pela cordilheira dos Alpes, cuja altitude vai diminuindo em direção ao sul, até a planície do rio Pó. Daí até o extremo sul, na direção norte-sul, estende-se a região montanhosa dos Apeninos, que separa as duas planícies litorâneas paralelas.

Toda essa região, extremamente fértil, sempre permitiu à população local, principalmente das planícies, produzir em seu próprio alimento. Essa era uma condição indispensável para a sobrevivência dos povos que habitavam o território, pois as montanhas de um lado e o mar de outro provocavam um relativo isolamento de toda a Itália.

Entre os primitivos habitantes da península Itálica encontravam-se, ao norte, os ligures e ao sul, os sículos (ou sicilianos).

A partir de 2000 a.C., povos indo europeus, aparentados com os arianos gregos, deslocaram-se para o centro e para o sul da península. Esses povos conhecidos como italiotas ou itálicos, formavam vários núcleos de povoação: latinos, samnitas, úmbrios, volscos e sabinos.

Os latinos fixaram-se na planície do Lácio, às margens do rio Tibre, onde praticavam a agricultura e o pastoreio. Viviam em comunidades primitivas, tendo como chefe o mais velho do grupo: o pater-família.

Na época da colonização pelos latinos, Roma era nada mais que um forte militar, construído para evitar a invasão de povos vizinhos.

A partir do século VIII a.C., enquanto o nível de vida das tribos italiotas era ainda muito rudimentar, os gregos que começaram a colonizar o sul já apresentavam notável desenvolvimento econômico e cultural. Nessa mesma época chegaram também os etruscos, vindos provavelmente da Ásia Menor, que ocupavam a planície a oeste do Tibre.

Distribuídos em doze cidades, os etruscos formavam uma confederação. A partir de sua área de ocupação inicial, estenderam seus domínios para o sul, até chegar às planícies do Lácio e de Campânia. Ao norte, expandiram-se em direção ao vale do Pó. Ao sul chegaram a competir com os gregos, principalmente depois de se aliarem aos fenícios de Cartago.

Ocupando toda região do Lácio, os etruscos conseguiram dar à cidade de Roma uma nova estrutura. Empregaram novas técnicas, desconhecidas pelos latinos, e fizeram da agricultura a atividade econômica predominante. Desenvolveram também atividades tipicamente urbanas como o comércio e o artesanato, contribuindo para a transformação da aldeia em cidade.

As mudanças econômicas ocorridas em Roma conduziram a transformações na organização social.

Com o surgimento da propriedade privada, a comunidade primitiva teve fim e as famílias ligadas ao páter-família apropriaram-se das melhores terras, formando uma aristocracia de patrícios (palavra cujo significado se aproxima de "pai", ou pater em latim). Constituindo a camada social dominante, os patrícios eram denominados gentes por estarem agrupados numa única unidade básica, o gens ou clã

Os membros de gens reuniam-se em torno do mesmo chefe e cultuavam o mesmo antepassado. Essa unidade compreendia os parentes pobres ou clientes e os patrícios agrupavam-se em associações religiosas chamadas cúrias.

Todos os que não pertenciam ao gens eram considerados plebeus. Em geral a camada dos plebeus era formada por estrangeiros, comerciantes , artesãos e pequenos proprietários de terras pouco férteis.

Os plebeus que conseguiram enriquecer, podiam reivindicar a condição de clientes, desde que se colocassem sob a proteção legal de uma família patrícia. Em troca, prestavam determinados serviços e adotavam o mesmo culto religioso da família. Desse modo, conseguiram assegurar seu direito à propriedade perante as leis romanas. Tais plebeus que enriquecidos compunhas a clientela que, dependendo da família patrícia, poderia tornar-se hereditária.

Havia, ainda, os escravos que, em pequeno número, limitavam-se aos serviços domésticos ou a atender as necessidades pessoais dos patrícios.

O período da monarquia

Durante o século VI a.C., o regime de governo era monárquico e o poder real apresentava caráter divino. O rei acumulava a chefia militar, administrativa, jurídica e religiosa. Era eleito pelo Senado e governava durante toda vida. Para governar, apoiava-se em duas instituições: O Senado, um conselho de anciãos composto pelos patrícios mais importantes, e a Assembléia Curiativa, que reunia todos os patrícios adultos, membros das trinta cúrias romanas.

Os patrícios estavam divididos em três tribos e estas em dez cúrias. Cada tribo contribuía para defesa do Estado com cem cavaleiros e dez centúrias (unidade básica do exército romano).

A eleição do rei envolvia um complexo sistema, onde cabia ao Senado selecionar um membro de cada tribo e à Assembléia Curiata escolher um entre os três selecionados para o cargo.

A partir de 625 a.C., Roma passou a ser governada por reis etruscos. O último deles, Tarquínio, o Soberbo, foi deposto e expulso da cidade em 509 a.C., Tarquínio teria se aproximado das classes mais baixas da sociedade, provocando a ira do patriciado. Mas o império etrusco já estava em decadência, principalmente pelos constantes ataques dos gauleses e da forte presença dos gregos na Sicília.

O nascimento da República romana foi uma reação dos patrícios, que procuravam reaver o poder político perdido para os reis etruscos.

A República Romana

A substituição da Monarquia pela República foi um ato reacionário dos patrícios, que afastaram a realeza, cada vez mais comprometida com as classes empobrecidas. O monopólio do poder voltou às mãos dos patrícios, com as instituições romanas assegurando a manutenção desse poder.

Plebeus e escravos continuaram sem direitos políticos, mas alguns plebeus, enriquecidos com o comércio, chegaram a Ter certos privilégios resultantes de sua condição de clientes. Entretanto, dependiam inteiramente dos benefícios concedidos pelos patrícios.

A base da República romana era o Senado, formado por trezentos patrícios, com a responsabilidade de propor leis. Os cargos eram vitalícios, abrigando outras funções: garantir a integridade da tradição e da religião, supervisionar as finanças públicas, conduzir a política externa e administrar as províncias. A presidência do Senado era exercida por magistrado, que o convocava, podendo ser um cônsul, um pretor ou tribuno.

Existiam duas assembléias encarregadas de votar as leis sugeridas pelo Senado. A Assembléia Curiata, que perdeu quase toda sua importância durante a República, e a Assembléia Centuriata, formada pelas centúrias (divisões políticas e militares compostas de cem cidadãos), a quem cabia de fato discutir e votar as propostas.

O poder executivo era exercido pelos magistrado, pertencentes na maioria das vezes à classe dos patrícios. Com exceção do censor, todos os magistrados eram eleitos pela Assembléia Centuriata para um mandato de um ano. Coletivas, as magistraturas exigiam a presença de dois ou mais magistrados para cada cargo. Os magistrados eram os seguintes:

Cônsules

Detinham o maior poder, equivalente ao dos antigos reis. Eram dois eleitos para o período de um ano. Tinham como atribuições comandar o Exército, convocar o Senado e presidir os cultos. Nos períodos de crise, indicavam um ditador, que exercia o poder de forma absoluta durante o período máximo de seis meses.

Pretores

Ministravam a justiça, existindo dois: uma para as cidades, chamado de urbano, e outro para o campo e para estrangeiros, chamado de peregrino.

Censores

Sua função era fazer o recenseamento dos cidadãos. Calculavam o nível de riqueza de cada um e vigiavam a conduta moral do povo.

Questores: Encarregados de administrar as finanças públicas.

Tribunos da plebe

Surgiram em decorrência das lutas da plebe por seus direitos. Os Tribunos podiam vetar todas as leis contrárias aos interesses dos plebeus, menos em época de guerras ou graves perturbações sociais, quando todas as leis ficavam sob controle exclusivo do ditador. Os tribunos da plebe eram considerados invioláveis em quem os agredisse era condenado à morte.
As lutas de classe na República

A marginalização política da plebe vinha desde os tempos da Monarquia continuando até a República. Como conseqüência, os plebeus sofriam sérias discriminações. Nas guerras, ficavam com os piores despojos; quando se endividavam e não podiam pagar suas dívidas, tornavam-se escravos. Nessa época, as leis não eram escritas, mas orais, baseadas na tradição, o que concedia grandes privilégios ao patriciado devido à sua complexa interpretação.

O monopólio do poder pelos patrícios (que controlavam o Senado, a Assembléia Centuriata e as principais magistraturas), impedindo que os plebeus fossem nomeados cônsules ou censores, levou a sucessivas revoltas.

Na primeira delas, ocorrida em 494 a.C., os plebeus de Roma realizaram a primeira greve da história. Retirando-se para o Monte Sagrado, ameaçaram formar ali uma nova república, deixando a cidade totalmente desprotegida e à mercê de possíveis invasores. Os patrícios foram obrigados a ceder, criando-se então os Tribuno da Plebe, cargo exercido exclusivamente por plebeus para defender os interesses de classe.

Como os tribunos eram eleitos pelas Assembléias Centuriatas, onde os patrícios tinham maioria absoluta de votos, a ação dos Tribunos da Plebe ficou bastante limitada. Por isso os plebeus continuaram a lutar e, em 471 a.C., foi criada a Assembléia da Plebe, composta exclusivamente por membros das camadas inferiores para escolher seus próprios tribunos.

Como não havia nenhuma legislação escrita que garantisse os direitos dos plebeus, estes novamente se revoltaram em 450 a.C., Desta vez, o resultado da revolta foi a criação dos decênviros com a finalidade de redigir novas leis que, prontas, receberam o nome de Lies das Doze Tábuas:

Mas, quando a Lei das Doze Tábuas ficou pronta, os plebeus perceberam que a situação anterior pouco havia mudado. Entre as proibições mantidas, continuava vetado o casamento entre patrícios e plebeus, cuja finalidade era preservar a pureza do sangue patrício e, portanto, fixar seu direito exclusivo ao poder. Certos de que com os casamentos mistos poderiam quebrar a hegemonia patrícia, os plebeus passaram a exigir o fim dessa lei, o que foi atendido através da instituição da Lei Canuléia. Mas seu efeito ficou bastante reduzido, já que só beneficiou apenas os plebeus ricos.

Os plebeus revoltaram-se pela última vez em 247 a.C., quando retornaram para o Monte Sagrado. Dessa vez, os patrícios concordaram que as leis votadas para a plebe na sua Assembléia tivesses validade para todo Estado. Essas decisões foram chamadas plebiscito, o que significa "a plebe aceita".

Embora os progressos entre a primeira e a última revolta tivesses sido grandes, essa leis, na prática, continuaram a beneficiar apenas os plebeus ricos, principalmente os comerciantes, que, por casamento, podiam almejar os melhores cargos da República. A exploração dos pobres, no entanto, continuou, não havendo a mínima condição de alcançarem o poder.

Apesar disso, por volta do século III A.C., a República de Roma se caracterizava pelo equilíbrio de poder entre as classes, o que, no fundo, escondia o fato de que havia um Estado Patrício e um Estado Plebeu.

O Imperialismo Romano

A República romana foi marcada por conquistas que expandiram seu domínio por toda a bacia do Mediterrâneo.

Em Roma, escravos e terras constituíam riqueza, e a forma de os grandes proprietários e comerciantes romanos conseguí-los era por meio de guerras e conquistas. Assim, o imperialismo romano manifestou-se como uma política de conquista de novos territórios, para aumentar a mão-de-obra escrava e atender aos interesses dos grandes proprietários de terras e de escravos.

A conquista da Itália

Os romanos levaram 230 anos para conquistar toda Itália. As primeiras guerras tiveram um caráter diferente: a prosperidade de Roma atraía a cobiça dos vizinhos e, para defender-se, os romanos acabavam ocupando novos territórios. Nessa fase inicial foram vencidos os volscos e sabinos; as cidades latinas foram tomadas em 338 a.C..

No outro lado do rio Tibre estavam os etruscos, dominadores dos romano durante vários séculos . Cinqüenta anos depois da conquista das cidades latinas, os romanos anexaram toda a Etrúria Meridional. Entretanto, a expansão romana pelo continente foi interrompida pelos gauleses, que chegaram a saquear Roma. Após a saída dos gauleses, que ainda eram seminômades, os romanos continuaram sua campanha.

O passo seguinte foi a conquista da fértil planície de Campânia. Mas a presença romana ao sul da península alertou os gregos da Magna Grécia, principalmente Tarento, que pediram ajuda a Pirro, rei do Epiro, e seu exército de mercenários e elefantes.

A derrota de Pirro e seus aliados abriu aos romanos a possibilidade de conquistar toda Itália, o que foi confirmado com a anexação da Etrúria, em 265 a.C., e a vitória sobre os gauleses da costa do Andriático.

Os territórios conquistados pelos romanos na Itália não apresentavam uma organização uniforme. Havia uma imensa variedade de culturas e sistemas de governo, e em toda parte os romanos procuravam manter os vencidos unidos numa confederação. Tentavam, assim, estabelecer uma ligação permanente entre o Estado romano e o resto da Itália. Além disso, adotaram uma hábil política diplomática, concedendo o direito de cidadania a muitos povos conquistados. A construção de um sistema de estradas também permitiu o rápido deslocamento e a presença do seu forte exército em qualquer parte da Itália.

Roma contra Cartago:as guerras púnicas

Cartago, colônia fundada pelos fenícios no século VIII a.C., era grande rival de Roma na região do Mediterrâneo Ocidental. Os mercadores cartagineses dominavam o comércio, transformando Cartago num grande entreposto, que contava com uma poderosa força naval e um exército composto de mercenários.

Primeira Guerra Púnica: Os cartagineses ocupavam parte da Sicília. Aproveitando-se de uma disputa que envolveu piratas italiotas e habitantes cartagineses da Sicília, Roma entrou em guerra contra Cartago em 264 a.C. Depois de várias lutas, que duraram 23 anos , Roma venceu a batalha decisiva, realizada na ilha de Égales. Lideradas por Amílcar Barca, as forças cartaginesas tiveram que pagar um pesado tributo aos vencedores e entregar a Roma as ilhas da Sicília, da Córsega e da Sardenha.

Segunda Guerra Púnica: Para compensar as perdas no mar Tirreno, Cartago passou a explorar intensamente as minas de prata da Espanha. Era uma forma de conseguir recursos para a desforra. Na tentativa de evitar novas guerras, uma delegação romana chegou a ser enviada a Cartago, com o objetivo de delimitar as áreas de influência dos dois contendores. Mas a iniciativa não obteve êxito e, em 216 a.C., Aníbal Barca , filho de Amílcar, partiu de Cartago com uma formidável força de sessenta mil homens, mais de dez mil cavalos e grande número de elefantes.

O Exército cartaginês rumou na direção norte e, depois de atravessar os Alpes, derrotou os romanos, conseguindo chegar perto de Roma. Entretando, a rebelião das cidades gregas contra a Macedônia privou Aníbal de um precioso aliado. Aos poucos, o Exército romano foi reconquistando posições até que, na Batalha de Zama. em 202 a.C., os cartagineses foram finalmente vencidos.

O resultado da guerra foi doloroso para os cartagineses: perderam a Espanha e o resto da Península Ibérica e tiveram que entregar sua esquadra naval aos romanos.

Terceira Guerra Púnica: Na terceira e última guerra (150-146 a.C.), um exército de oitenta mil homens, liderados pelo general Cipião Emiliano, foi enviado à África e reduziu Cartago a uma simples província. A cidade foi totalmente destruída, seus quarenta mil habitantes escravizados e as terras conquistadas divididas entre os invasores. Assim, Roma completou seu domínio sobre todo o Mediterrâneo Ocidental.

A conquista do Mediterrâneo Oriental

Como a Macedônia auxiliara os cartaginesess em sua luta contra Roma durante a Segunda Guerra Púnica, os romanos decidiram intervir na Macedônia e em todo Oriente Médio. Assim, em pouco mais de trinta anos foram respectivamente ocupadas a Macedônia, a Grécia, a Síria e a Palestina. O Egito foi o último império Mediterrâneo a ser conquistado, sendo ocupado pelas tropas romanas em 30 a.C. Finalmente, com as vitórias dos exércitos de Júlio César nas campanhas da Gália, completou-se o quadro de conquistas romanas na fase da República.

Roma passou a dominar toda bacia do Mediterrâneo. Estabeleceu sua própria administração nas regiões conquistadas e em cada província colocou um governador (procônsul) , designado para o cargo por um ano mas que, na maioria das vezes, permanecia durante vários anos. O poder do procônsul era absoluto, exercendo tanto funções militares como civis.

Roma, respeitava as instituições e os costumes locais, e o tratamento dispensado a cada província variava muito. Em geral, limitava-se a tomar escravos e a cobrar impostos.

Conseqüências do imperialismo

O domínio na bacia do Mediterrâneo resultou em grandes transformações econômicas, sociais e políticas, que conduziram à crise e ao fim da República, formando-se o Império.

A economia romana passou a se fundamentar na venda de escravos capturados entre os povos vencidos e na cobrança de tributos das regiões conquistadas. Um dos reflexos dessa mudança foi a formação de uma classe de ricos comerciantes, os cavaleiros.

O trabalho escravo passou a ocupar todas as atividades profissionais, sobretudo nas grandes propriedades, que chegavam a atingir a extensão de 80.000 hectares. Entretanto, na Grécia, durante o período clássico, o escravismo coincidiu com a estabilização da pequena propriedade e a formação de um grupo de cidadãos composto principalmente por pequenos proprietários, em Roma o resultado foi o latifúndio e o domínio de uma poderosa aristocracia.

Com o progresso econômico resultante do imperialismo ocorre o surgimento de uma nova classe social, a dos homens novos ou cavaleiros. Eram antigos plebeus que possuíam algum capital e que, aplicando-o em atividades rendosas -- cobrança de impostos, fornecimento de víveres para o exército durante as campanhas militares, arrendamento da exploração de minas e florestas pertencentes ao poder público, construção de pontes, estradas, etc. -- obtinham grandes lucros, tornando-se imensamente ricos.

Porém, a classe plebéia, sustentáculo do exército, tendia a desaparecer. A agricultura em grande escala exigia cada vez mais capital e tanto o escravo quanto os pequenos proprietários estavam sendo totalmente arruinados. Como o trabalho livre praticamente não existia (a maioria das tarefas era executada pelos escravos), os plebeus proletarizados, cada vez em maior número passaram a viver em torno de Roma com o pão e o circo fornecido pelo Estado.

Essas mudanças, resultantes da exploração imperialista, abriram um novo quadro em Roma, marcado por violentas lutas políticas e sociais. Inicialmente ocorreram conflitos entre patrícios e plebeus e, depois, entre patrícios e cavaleiros, que reivindicavam o direito de ocupar cargos na magistratura e no Senado, pois isso lhes aumentaria o poder econômico. Essas lutas iriam destruir as bases da República romana e formar o Império.

A Crise da República

A plebe proletarizada tinha seus tribunos no Senado para defender seus interesses. O tribuno Tibério Graco propôs, em 133 a.C., a Lei Agrária, destinada a realizar em Roma a redistribuição de terras inativas (não cultivadas) entre os plebeus desempregados.

De origem nobre e rica, Tibério Graco teve educação esmerada, sendo influenciado pela cultura grega. Seu modelo de conduta era a democracia ateniense, principalmente os ensinamentos de Péricles. Como tribuno da plebe, retomou antigas leis, que nunca haviam sido postas em prática, referentes ao uso de terras públicas por particulares. Propôs um limite à propriedade de 125 hectares. As que ultrapassassem esse número, voltariam ao Estado e seriam redistribuídas aos mais pobres. Uma comissão agrária composta por três membros faria o cadastramento.

A reforma agrária não interessava aos patrícios proprietários de terras, que começaram a boicotar as propostas de Tibério Graco. Com fim do mandato, o tribuno candidatou-se novamente (o que não era permitido por lei). Mas apesar de sua vitória na reeleição, sem i apoio dos camponeses presos à terra e da plebe urbana desinteressada, tornou-se presa fácil dos inimigos. Cercado no Capitólio por senadores em membros do partido dos nobres, Tibério foi massacrado junto com trezentos partidários.

A semente da revolta plebéia brotou novamente com Caio Graco, irmão de Tibério, em 123 a.C. Caio Graco reivindicou melhores condições de vida para a plebe e conseguiu que o Senado aprovasse a Lei Frumentária, que distribuía pão à plebe.

Mais Caio Graco pretendia radicalizar o movimento, conseguindo terras para plebe. Os cavaleiros, que também eram proprietários, retiraram o apoio a Caio, impedindo assim a sua reeleição como tribuno. Tentando impor sua proposta pela força o movimento foi reprimido e os principais discípulos de Caio decapitados. Caio pediu a um escravo que o matasse.

O movimento dos plebeus, liderado pelos irmãos Graco, não alcançou seu objetivos. O proletariado romano, sustentado pelo Estado, relutou em apoiar o movimento, prejudicando também a união entre patrícios e cavaleiros.

A luta entre patrícios e plebeus

A aliança entre cavaleiros e patrícios era frágil, principalmente porque existia, entre eles uma incansável luta pelo poder.

Depois da morte dos irmãos Graco, a plebe, órfã de liderança política, aliou-se ao Partido Democrata, formado por ricos comerciantes -- os cavaleiros -- , que lutavam para tirar o poder dos patrícios.

Os patrícios, por sua vez, eram incapazes de resolver os graves problemas que ameaçavam a República. Enquanto isso, generais vitoriosos em inúmeras batalhas alcançavam enorme popularidade e usavam seu prestígio para fazer carreira política.

<Mário era um exemplo desse novo homem político, depois de vencer muitas batalhas na África, aliou-se a facção radical do Partido Democrata, o Partido Popular, elegendo-se ilegalmente cônsul por seis vezes consecutivas (105-100 a.C.). Devido a sua origem plebéia, Mário era destacado pelo Senado. Mas sua popularidade cresceu ainda mais depois da vitória sobre os teutões.

Sila, grande rival de Mário e seu subalterno na África, tornou-se famoso quando, a serviço dos patrícios, reprimiu com violência as guerras sociais que eclodiam em toda Itália. Da rivalidade entre os dois resultou uma violenta guerra civil que só terminaria com a morte de Mário em 86 a.C. Com o apoio do Senado, Sila alcançou um poder quase absoluto. Entretanto, o Domínio de Sila durou pouco. Depois de derrotar os últimos partidários de Mário, abandonou a vida pública.

Com a perda de expressão política e econômica dos patrícios, desenvolveu-se um novo período de lutas, solucionado com um acordo entre as classes dominantes. Esse acordo permitiu a formação do primeiro triunvirato, em 60 a.C.., composto por Crasso, rico cavaleiro, Pompeu representante dos patrícios, e Caio Júlio César político de origem nobre mas com enorme prestígio entre a população pobre.

As guerras que envolveram Roma, desde Sila a Mário, demonstraram que a República dos patrícios chegava ao fim e que lhe surgiam novos instrumentos do poder, como a plebe urbana e o exército profissional.

Dos triunviratos à formação do Império

As forças adversas e a morte de Crasso na luta contra os partas (53 a.C.) conseguiram derrubar o precário equilíbrio do primeiro triunvirato. Sob o pretexto de reprimir os grupos armados, formados por exércitos particulares que espalhavam o terror em Roma, o Senado nomeou Pompeu cônsul, com a missão de restabelecer a ordem.

Para evitar uma nova crise de poder, Júlio César propôs que todos os exércitos particulares fossem desmobilizados. Além de recusar a proposta, o Senado exigiu que ele próprio desmobilizasse suas tropas e abandonasse seus títulos.

No entanto, ao conquistar a Gália, importante fonte de fornecimento de escravos, César ganhou forte simpatia dos cavaleiros, assim como do proletariado protegido pela política do pão e circo.

Sentindo-se suficientemente forte para enfrentar Pompeu e o Senado, César, auxiliado por suas tropas da Gália, cruzou o rio Rubicão e invadiu a Itália. Após o assassinato de Pompeu, no Egito, César instaurou a ditadura.

Como ditador, César limitou o poder do Senado, acumulou cargos e restringiu a influência do patriciado. Armado de poder quase absoluto, iniciou amplas reformas. Pôs fim ao longo período de guerra civil e restabeleceu a paz em todo império. Distribuiu terras aos soldados, obrigou os proprietários a empregar homens livres e reformou o calendário romano.

Júlio César pretendia tornar seus poderes hereditários, o que significava o fim do Senado e da República. Isso foi suficiente para que, liderada por Cássio e Bruto a aristocracia conspirasse. Aproveitando-se de uma visita de César ao Senado, um grupo de senadores aristocratas o assassinou a punhaladas (44 a.C.).

Mas Cássio e Bruto não conseguiram ascender ao poder. Marco Antônio, general e amigo pessoal de César, sublevou o povo de Roma contra os conspiradores, que foram perseguidos e mortos.

Temeroso e seguindo o conselho de Cícero -- advogado famoso, defensor do regime republicano e da Constituição -- o, Senado entregou o poder a Caio Otávio, sobrinho e herdeiro legítimo de César. Apesar de Otávio atacar Marco Antônio em Módena, os dois litigantes chegaram a um acordo e, com Lépido, formaram segundo triunvirato. Otávio ficou com as províncias da Sicília e da África; Marco Antônio com a Gália Cisalpina; Lépido com a Gália Harbonesa e Hispânia. Mais tarde, uma nova divisão estabeleceu que Lépido ficava com a África, Marco Antônio com o Oriente e Otávio com o Ocidente.

Em conseqüência da nova divisão do poder e do enfraquecimento dos patrícios, realizou-se um numero expurgo no Senado. Milhares de inimigos foram presos e cassados. Cícero foi um deles. Suas mãos cortadas; depois acabou assassinado por Herênio.

Como ocorreu no primeiro triunvirato, o novo acordo durou pouco. Lépido foi rapidamente afastado e indicado para a anódina função religiosa e sumo-sacerdote. Marco Antônio deixou-se ficar no Oriente, onde acostumou-se com os hábitos e o luxo locais. Essa atitude deu liberdade a Otávio que, depois de fortalecer sua posição em Roma, sob a alegação de que queria criar um império romano no Oriente, atacou Marco Antônio, derrotando-o na Batalha de Ácio. Marco Antônio fugiu com Cleópatra para o Egito, perseguidos pelos exércitos de Otávio. Quando as tropas romanas tomaram Alexandria, Antônio e Cleópatra suicidaram-se (30 a.C.).

Com a vitória no Egito e a posse dos imensos tesouros do faraó, Otávio acumulou uma fortuna que lhe permitiu formar um imenso exército, composto de setenta legiões, e abastecer de trigo a plebe de Roma.

Tendo sob seu controle as principais fontes de poder ( o Exército e a plebe), Otávio procurou disfarçar seu próprio poder, mantendo nas aparências o regime republicano.

Com receio de perder seus privilégios, o Senado cumulou Otávio de títulos: Poder Tribunício (que o tornava sacrossanto e inviolável); Imperador Consular (que lhe confiava o poder supremo do exército em todas as províncias); Pontífice Máximo (que o tornou chefe da religião romana); Princeps Senatus (que lhe dava o direito de governar o Senado); Imperador título reservado aos generais vencedores)e, finalmente, Augusto (título reservado aos deuses). Marcando o início do Império e o final da República, formou-se um regime político caracterizado pelo absolutismo teocrático, muito semelhante aos antigos impérios orientais.

O Alto Império

Ao assumir o Império, Otávio -- agora Otávio Augusto --, reforçando a base de poder, passou a Ter um papel mais importante que o do Senado. Entretanto isso, os antigos magistrados passaram a desempenhar funções puramente civis e o Senado a Ter apenas o controle administrativo de Roma.

O Exército estabeleceu armas em todas as províncias, passando também a cobrar impostos -- cujo sistema foi totalmente "reorganizado" -- e impondo pela força a chamada Pax Romana. Devido à grande extensão do Império Romano e à variada composição de povos e costumes, havia um clima de permanente instabilidade que cabia ao Exército reprimir.

Augusto estendeu os Domínios de seu Império aos países situados ao sul do rio Danúbio, delimitando novas fronteiras para a região setentrional. No Oriente, anexou a Galácia e a Judéia, estabelecendo também sua soberania sobre os armênios.

No campo administrativo, criou novos impostos sobre as heranças e sobre as vendas para aumentar a arrecadação do Estado. Aperfeiçoou o sistema de justiça e desenvolveu um correio especial, o que lhe permitiu um controle mais eficaz da administração pública.

No campo social, modificou a estrutura da sociedade. Em substituição ao critério de nascimento, que era usado até então para hierarquizar a sociedade, introduziu uma escala econômica, pela qual os cidadãos teriam direitos políticos proporcionais ao bens.

Com a morte de Augusto (14 d.C.), a dinastia Júlio-Claudiana teve continuidade com Tibério, filho adotivo de Augusto e seu herdeiro. Tibério foi um administrador eficiente, mas sua participação na morte do general germânico tornou-o impopular.

Calígula, seu sucessor, com sintomas de desequilíbrio mental, passou a perseguir senadores e tentou criar um estilo oriental de governo. Foi assassinato por um guarda pretoriano em 41 d.C.

Ao assumir o poder no meio de uma conspiração palaciana, Nero (56-68 d.C.), o último imperador da dinastia Júlio-Claudiana, depois de um início feliz de governo, foi obrigado a renunciar no meio de uma revolta popular (68 d.C.) Nero perdeu seu prestígio após Ter sido acusado de haver provocado o incêndio de Roma. Nesse período, a grande extensão territorial do império dificultava cada vez mais a sua administração, que passava a depender da fidelidade dos generais que controlavam as províncias. Esses, fortalecidos, também começaram a participar ativamente da luta pelo, poder, o que serviu para aumentar a instabilidade em Roma.

Com o fim da dinastia Júlio-Claudiana, três generais - Galba, Otão e Vitélio -- assumiram provisoriamente o poder. Vespasiano (68-79 d.C), rico comerciante originário da classe dos cavaleiros italianos e não da aristocracia romana, corou-se imperador e fundou uma nova dinastia, a Flaviana.

No auge do escravismo e da expansão romana, essa nova dinastia representava os senhores donos de escravos. Os imperadores da dinastia Flaviana caracterizaram-se, sobretudo, por serem administradores competentes, que melhoraram as condições gerais do Império. Vespasiano restaurou a paz e as finanças; Tito (79-81 d.C.) foi ótimo governante, mas Domiciano (81-96 d.C.) quis governar como soberano absoluto e foi assassinado numa conspiração palaciana (96 d.C).

O período em que a dinastia dos Antoninos esteve no poder (96-192 d.C) marcou o apogeu de Roma. O Império atingiu sua maior extensão territorial, conheceu grande prosperidade econômica, gozou de paz interna e foi administrado com eficiência. Entre os imperadores que mais se destacaram nesse período merecem ser lembrados: Trajano (98-117 d.C.); excelente administrador e respeitador das instituições civis e do Senado; Adriano (117-138d.C.), homem pacífico que contribuiu para melhorar o direito romano, e Marco Aurélio (161-180 d.C.) que se destacou pelo grande espírito de justiça.

Com a morte de Cômodo (180-192 d.C.) que se divertia combatendo gladiadores na arena, teve fim a dinastia dos Antoninos. O Império de Roma entrou em gradativa crise e estagnação. Os Severos, substitutos dos Antoninos, procuraram dar um caráter ainda mais oriental ao Império, apoiados na burocracia e no exército. Duraram apenas quarenta anos.

O Baixo Império

A economia de Roma, baseada quase exclusivamente no uso de trabalhadores escravos, passou a ressentir, a partir do século II d.C., com falta desse tipo de mão-de-obra. O longo período de paz afetou a oferta de escravos (fornecidos principalmente pelas guerras), que não pôde ser devidamente superada com a compra de novos contingentes nas regiões de fronteira. Como esse tipo de população apresentava um baixo índice de natalidade e crescimento demográfico, o preço dos escravos começou a subir acentuadamente. Em menos de um século, seu preço chegou a representar mais de dez vezes o seu custo inicial. Como era considerada uma mercadoria perecível e de alto risco, tornou-se cada vez mais oneroso para os proprietários rurais fazerem esse tipo de investimento.

Assim, a produção dos grandes latifúndios começou a declinar, caindo também o lucro dos proprietários. Com menos impostos a receber, em conseqüência da crise econômica, O Estado romano viu-se obrigado a tomar uma série de medidas: deixou de sustentar a plebe urbana (que foi trabalhar no campo) e limitou os gastos com a corte imperial; aumentou também o valor dos impostos (quem não pudesse pagá-los fugiria para o campo) e, finalmente, reduziu os contingentes militares.

Como saída para a crise, os proprietários rurais escolheram um novo sistema de arrendamento. Pelo novo sistema, os trabalhadores sustentavam-se com o próprio trabalho, nos pedaços de terra fornecidos pelos donos. Em troca, tinham que trabalhar uns dias por semana para o proprietário. Esse tipo de arranjo tornava auto-suficiente a produção de alimentos, mas dificultada a produção de excedentes para o comércio.

Desse modo, foram gradativamente transformados em colonos plebeus da cidade, bárbaros que fugiam das guerras no mundo germânico, pequenos proprietários agrícolas e escravos que conseguiam obter seu pedaço de terra.

A cidade deixou de ser o centro do Império. O núcleo econômico passou a ser a vila, onde os grandes proprietários de terras, em uma ou mais construções protegidas dirigiam a vida econômica, social e militar de toda a propriedade.

Esse processo de ruralização econômica e de descentralização política enfraquecia o império e preparava o surgimento do feudalismo. Por outro lado, à medida que o império se enfraquecia, suas dificuldades aumentavam. Povos bárbaros, na fronteira ocidental como os germânicos e os gauleses, ameaçavam invadir. O mesmo ocorria no Oriente com os persas, berberes e mauritânios.

A partir de 235 d.C., o Império Romano passou a ser governado por imperadores-soldados. Eram comandantes do exército que tinham como prioridade a defesa do território. Para melhorar a eficiência administrativa do Estado, Dioclessiano introduziu , em 284 d.C., a tertrarquia, sistema pelo qual o Império seria governado ao mesmo tempo por quatro imperadores. Mas essa forma de governo logo entrou em crise, após a morte de Diocleciano.

Por outro lado, o cristianismo, seita religiosa que começava a se expandir pelo Império, com adesão de plebeus, mulheres e escravos, minava as bases do regime, já que o caráter pacifista e monoteísta, negava o militarismo e a configuração divina do imperador. Em 313 d.C., o imperador Constantino, pelo Edito de Milão, deu liberdade de culto aos seus seguidores. Sessenta anos mais tarde, outro imperador, Teodósio, oficializaria o cristianismo, tentando criar uma nova base ideológica para o governo, e dividiria definitivamente o Império Romano em duas partes: o Império Romano do Ocidente que, ficou com seu filho Honório; e o Império Romano do Ocidente, com a capital em Constantinopla, que passou para seu outro filho, Arcádio (395 d.C.).

O Império do Ocidente, depois de enfrentar e sofrer sucessivas invasões de povos bárbaros, foi finalmente destruído por Odoacro, rei dos hérulos, em 476 d.C. Como conseqüência do esfacelamento do Império do Ocidente, acentuou-se o processo de descentralização econômica, dando origem ao feudalismo, que marcaria a Idade Média. No outro lado do mundo, porém, desenvolveu-se no Império Romano do Oriente a civilização bizantina, que duraria mais de mil anos.

Fonte: www.geocities.com

voltar 12avançar

Sobre o Portal | Política de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal