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Povos Bárbaros

 

Origem

Bárbaros - uma palavra que hoje muitas vezes refere-se a pessoas incivilizadas ou pessoas más e suas maldades - teve origem na Grécia antiga, e inicialmente apenas se refere a pessoas que não falavam grego.

Origem do termo

O termo "bárbaro" não é derivado do nome de qualquer tribo ou grupo cultural; não há nenhum país chamado "Barbar".

A palavra vem do grego, e foi usada para conotar que não partilham uma cultura ou língua reconhecida com o falante ou escritor empregando o termo qualquer estrangeiro.

A palavra foi provavelmente formado por imitação dos sons incompreensíveis de uma língua estrangeira ("bar-bar").

Originalmente, não era um termo depreciativo; ele simplesmente queria dizer alguma coisa que não era grego, incluindo a língua, povo e costumes.

Mais tarde, quando os gregos encontraram mais estrangeiros, alguns dos quais aprendeu grego, mas falava com um sotaque estranho, o termo assumiu a conotação de primitiva e incivilizada.

Quando a civilização e cultura grega foi ameaçado por outros (por exemplo, persas ou tribos góticas) foi adicionado a conotação de violência.

Os romanos herdaram essa visão dos gregos e, em seus encontros com tribos diferentes em toda a Europa geralmente chamado essas tribos "bárbaro".

Quem eram

Gregos e romanos designavam como bárbaros todos os povos estrangeiros com um modo de vida, uma organização social e econômica que não os deles e línguas diferentes do latim e grego.

Estes povos de diversas origens que,viviam ao norte e leste da Europa e da Ásia não faziam parte do Império.

Os chamados bárbaros se dividiam em diversos povos de origens diferentes, mas podemos distinguir pelo menos três grandes núcleos desses povos nômades:

Os provenientes de uma vasta região situada na Ásia central eram nômades e, de maneira geral, sobreviviam da criação de gado; os hunos (de provável origem mongólica), os ávaros e magiares fazem parte deste núcleo
Os eslavos eram compostos por povos de origem indo-européia de etnias e culturas diferentes, vindos da Rússia central e parte da Europa oriental, como os russos, croatas, tchecos, polacos, ucranianos e húngaros, entre outros, e finalmente
Os germânicos (ou germanos), um grupo também de origem indo-européia muito heterogêneo; geralmente dividem-se os povos germânicos em ocidentais, que viviam no norte da Europa (suevos, lombardos, teutônicos, francos, entre outros), e orientais, que habitavam o Leste europeu (godos, visigodos, vândalos, burgúndios, etc.).

O que se denomina as primeiras "invasões bárbaras" foram na realidade penetrações de povos germânicos em certas regiões do Império Romano. Por volta do ano 500 a.C. alguns povos germânicos foram empurrados para dentro dos limites do Império Romano por outros povos (como os celtas) e, principalmente, pela busca de terras férteis. Os primeiros contatos entre romanos e germanos foram, portanto, pacíficos e permitiram a convivência e relativa integração entre as duas culturas. Muitos germanos viveram durante muito tempo como colonos no Império Romano e chegaram a prestar serviço militar e a comandar certas tropas.

No século V, os povos germânicos do leste invadiram o Império Romano, praticamente impelidos pelos hunos, vindos da Ásia central. Essas invasões já tiveram outro caráter, pois acarretaram guerras violentas.

OS GERMÂNICOS

Antes dos contatos com os romanos, prevalecia entre os bárbaros germânicos um sistema comunitário primitivo, ou seja, não havia a propriedade particular da terra e dos instrumentos de produção. Bosques, matas e rios pertenciam a todos, e as terras para cultivo eram distribuídas entre os clãs. A economia dos bárbaros ainda era bastante rudimentar, baseada na agricultura e no pastoreio; geralmente os rebanhos eram propriedade das famílias e constituíam sua riqueza.

O comércio era praticamente inexistente. A sociedade organizava-se em tribos fundadas em clãs, isto é, nas grandes famílias cujos laços eram estabelecidos pelo parentesco e por relações de lealdade e proteção. Suas leis originavam-se nos costumes seculares das tribos, transmitidos oralmente de geração para geração. O maior contato dos germânicos ocidentais com os romanos, a partir do século I, acelerou o processo de transformações que já estava ocorrendo nessas comunidades em razão do aumento demográfico e das guerras para a conquista de novas áreas.

Inicialmente as terras concentraram-se nas mãos dos chefes, estabelecendo a propriedade particular. Os clãs se desestruturaram. O poder gerado pela concentração de terras originou uma aristocracia rural voltada para a guerra, acentuando as desigualdades sociais. O comércio de fronteira se aqueceu, envolvendo principalmente a troca de prisioneiros de guerra, que se tornariam escravos dos romanos. Além dos escravos, várias tribos bárbaras germânicas se integraram ao Império Romano por meio do seu exército. Os bárbaros germânicos tornaram-se soldados em troca de terras, e muitos acabaram ocupando altos postos.

AS INVASÕES BÁRBARAS

Basicamente, as penetrações dos povos bárbaros que desestruturaram o Império Romano ocorreram em duas ondas invasoras, que acabaram determinando a formação dos primeiros reinos bárbaros:

Em 375 d.C., os hunos vindos da Ásia central deslocaram-se em direção à Europa central. Ótimos cavaleiros e guerreiros, os hunos comandados por Átila conseguiram sucessivas vitórias contra os germânicos na Europa. Já no início do século V, eles fundaram um grande reino abrangendo parte da Europa central e oriental e regiões da Ásia.
No final de 406, povos germânicos do Oriente, como os suevos e vândalos, atravessaram o rio Reno e invadiram o Império Romano, impelidos pelos ataques dos hunos. Os romanos foram incapazes de resistir a essas ações bárbaras.
Dando seqüência a essa onda invasora, os visigodos saquearam Roma em 410 e ocuparam a Gália e a Espanha. Para organizarem seus reinos, adotaram instituições romanas, como o direito, a divisão da terra, a estrutura administrativa, o cristianismo e a língua. O impacto dessas primeiras invasões foi relativamente limitado, e a duração dos reinos muito breve devido à invasão árabe na península Ibérica.
A fase seguinte (séculos V e VI) foi mais duradoura e colaborou definitivamente para a formação do feudalismo. Nesse período um contingente maior de bárbaros penetrou lentamente no Império Romano, não havendo mais aquela associação da nobreza bárbara com a aristocracia romana na divisão de terras. Gradativamente, a posse das terras e sua exploração vão assumindo características nitidamente feudais: concentração de terras, pequenos proprietários arrendatários, camponeses dependentes da nobreza, exploração comunitária de certas áreas.
Embora o poder político centralizado do Império Romano fosse já inexistente, os bárbaros não conseguiram estruturar um Estado forte. O direito romano foi substituído pelas leis bárbaras e as línguas (o latim e as de alguns povos) sofreram alterações sensíveis, dando origem às línguas modernas. Enfim, como afirma o historiador inglês contemporâneo P. Anderson, "a sedimentação cultural da segunda vaga de conquistas foi mais duradoura e profunda que a primeira".

Três episódios fundamentais marcaram o surgimento de três grandes reinos bárbaros:

Invasão dos francos e burgúndios na Gália (século V)
Conquista da Inglaterra pelos anglo saxões (século V)
Tomada da Itália pelos lombardos (século VI).

IMPÉRIO CAROLÍNGIO

Entre os principais reinos surgidos nos domínios romanos, o mais importante para a formação e consolidação do feudalismo foi o franco. Até o século V, o povo franco (de origem germânica ocidental) estava dividido em tribos, unificadas por Clóvis (480-511). Ele as organizou internamente e delimitou as fronteiras do Reino, sendo reconhecido, por isso, como o primeiro rei dos francos, dando início à dinastia merovíngia (de Meroveu, chefe franco que reinou de 448 a 457).

Um fato que facilitou muito o fortalecimento de seu poder foi a conversão ao cristianismo e a aliança com a Igreja Católica. Após sua morte, o Reino foi dividido entre seus filhos, que procuraram ampliar o território, mas sem sucesso, uma vez que não conseguiram impor a organização política e administrativa do Reino nas áreas conquistadas.

A sucessão de divisões entre filhos e netos de Clóvis enfraqueceu o poder real e permitiu o fortalecimento político dos prefeitos do palácio, ou do paço, que exerciam as funções de administradores do palácio, comandantes do exército, coletores de impostos, organizadores da divisão de terras, etc. Em pouco tempo esse cargo, em razão de sua importância, passou a ser hereditário.

Em 732, Carlos Martel, prefeito do palácio, enfrentou e venceu uma invasão de árabes muçulmanos na batalha de Poitiers, fazendo-os recuar. A partir desse momento o prefeito do palácio teve seu poder centralizado e fortalecido.

Após a morte de Carlos Martel, seu filho, Pepino, o Breve (ganhou esse apelido por causa de sua baixa estatura), assumiu o cargo e derrotou os lombardos, na Itália, doando suas terras à Igreja: foi a origem do território da Igreja Católica (Patrimônio de São Pedro), um Estado Pontifício. Em 751 ele destronou o último rei merovíngio, inaugurando uma nova dinastia.

Carlos Magno, filho de Pepino, o Breve, assumiu o trono em 768, governando até 814. Durante seu reinado, o Estado franco se fortaleceu e expandiu suas fronteiras (Alemanha, Pireneus e norte da Itália); sobretudo, deu passos decisivos para a formação do feudalismo.

O êxito de Carlos Magno na centralização do poder e nas conquistas está vinculado também à sua aliança com a Igreja Católica. Por ter colaborado na luta da Igreja contra os lombardos, recebeu em troca o título de imperador dos romanos, em 800, restaurando o título que estava extinto há quatrocentos anos. Mas esse título tinha um caráter meramente honorífico, pois não significava de maneira alguma a restauração das estruturas do Império e do poder do imperador.

A expansão do Império Carolíngio não foi apenas territorial. Na tentativa de difundir a cultura ocidental cristã, Carlos Magno iniciou um movimento de renovação na literatura, na arte e na escrita, estimulando a formação de clérigos e administradores. Toda essa efervescência cultural entre o séculos VIII e IX ficou conhecida como o "renascimento carolíngio". Mais do que inovar, esse movimento conservou, por exemplo, importantes obras literárias clássicas. É importante observar que esse renascimento teve caráter restrito, atingindo um número pequeno de pessoas.

Com o objetivo de administrar melhor seu império, Carlos Magno desmembrou-o da seguinte maneira: diversas unidades administrativas (condados), governadas por nobres de sua confiança (condes), e unidades de defesa das fronteiras (marcas), também administradas por nobres (marqueses). Cada nobre recebia parte dos rendimentos da região e uma grande extensão de terra.

Para inspecionar e fiscalizar de modo efetivo a atuação desses governos locais, enviava os missi-dominici (dupla de administradores formada por um civil e um bispo). Esse fiscal real também era recrutado entre os nobres e serviu, inicialmente, para manter o Império unificado e o poder centralizado na figura do rei.

No entanto, toda essa estrutura burocrática foi ineficiente para manter o poder centralizado.

Na realidade, quem se fortaleceu foi a nobreza local, já apontando para uma característica nitidamente feudal: a descentralização política.

É importante verificar também que durante o Império Carolíngio as relações de vassalagem se solidificaram. A vassalagem era uma prática originada nas relações entre uma pessoa que pedia proteção e outra que a concedia; o contrato de vassalagem completava-se materialmente com o proprietário cedendo um pedaço de terra ao seu vassalo (o benefício). Vassalos e suseranos comprometiam-se reciprocamente, o primeiro auxiliando o suserano e submetendo-se a ele, que por sua vez devia-lhe proteção.

O benefício (ato de doação de terras em troca de serviço ao rei ou suserano) expandiu-se e passou a ser direito dos nobres que prestavam serviço militar ao rei.

Esses vassalos do rei não se sujeitavam aos condes, marqueses e missi-dominici. O imperador concedia total poder jurídico e político a tais nobres em troca de sua colaboração militar.

Muitas vezes os grandes vassalos doavam parte de suas terras a outros nobres para obterem mais guerreiros. Desse modo, é possível observar o surgimento de uma nobreza guerreira e de extensos territórios com autonomia política, administrativa e jurídica, ou seja, os feudos.

De outro lado, a situação do camponês colono, sem propriedade alguma, que era obrigado a trabalhar nas terras da nobreza, começava a se degradar, tornando-se jurídica e socialmente dependente do grande proprietário. Além disso, a dependência dos colonos em relação aos proprietários tornava-se real e necessária em virtude do clima de insegurança e medo que as sucessivas invasões causavam; a necessidade de proteção aumentava cada vez mais.

Portanto, durante o Império Carolíngio conjugaram-se três elementos fundamentais para o estabelecimento do feudalismo: a grande propriedade autônoma, a nobreza militar e o trabalho compulsório servil.

Carlos Magno morreu em 814. O Império foi governado por seu filho Luís, o Piedoso, até 840. Na sucessão de Luís, o reino foi dividido entre seus três filhos, que se enfrentaram em uma guerra civil que abalou o Império.

Decadência do Império Carolíngio

Com a intenção de solucionar o problema sucessório e alcançar a paz no Reino, os três irmãos assinaram o Tratado de Verdun (843), dividindo o Reino entre eles: Luís herdou o Reino oriental (Germânia), Carlos recebeu o ocidental (França) e Lotário ficou com a faixa central (Itália, até o mar do Norte).

Todos esses territórios voltaram a ser divididos entre seus filhos e netos, de tal forma que cerca de sessenta anos após a morte de Carlos Magno o Império já estava todo fracionado, beneficiando a nobreza rural.

No final do século IX uma nova onda de bárbaros invasores abala a Europa. Dessa vez vikings (normandos) e magiares (húngaros) saquearam e aterrorizaram a população européia. De outro lado, na península Ibérica, os árabes avançavam pela região. Nesse quadro de instabilidade e medo, aumentava a dependência dos servos em relação à proteção dada pelos grandes proprietários. Para se protegerem, os europeus construíram castelos fortificados, paisagem que acabou se tornando característica do período medieval.

Os bárbaros

Os bárbaros eram povos que não possuíam a cultura Greco-romana. Esses povos migraram em direção ao Ocidente, primeiramente no século III, se estabelecendo nas fronteiras do Império Romano do Ocidente. Muitos foram utilizados como soldados do exército romano. No século V, uma nova migratória, invadiu o Ocidente. Desta vez, os povos bárbaros fugiam dos hunos. Essa invasão acarretou na queda do Império Romano do Ocidente em 476 d.c.

Dentre os povos bárbaros que penetraram no Ocidente, o mais importante foram os germanos, pois deram contribuições importantes para a formação da Europa Feudal.

Principais Grupos bárbaros:

a)Germanos: ostrogodos, visigodos, anglos-saxões, francos, lombardos, etc.
b) Eslavos
: russo, poloneses, checos, croatas, ucranianos, etc.
c) Tártaro- Mongóis
: hunos, turcos, etc.

Localização na Europa dos principais povos bárbaros

Francos: estabeleceram-se na região da atual França e fundaram o Reino Franco
Lombardos
: invadiram a região norte da Península Itálica
Anglos e Saxões
: penetraram e instalaram-se no território da atual Inglaterra
Burgúndios
: estabeleceram-se na sudoeste da França
Visigodos
: instalaram-se na região da Gália, Itália e Península Ibérica.
Suevos
: invadiram e habitaram a Península Ibérica
Vândalos
: estabeleceram-se no norte da África e na Península Ibérica
Ostrogodos
: invadiram a região da atual Itália.

Características Gerais dos Germanos:

Economia: Agrária
Política
: Não conheciam a noção de Estado. Estavam organizados em tribos, e em período de guerras escolhiam um chefe militar.
O chefe militar e os seus guerreiros faziam um juramento de fidelidade, no qual os guerreiros prometiam obediência ao chefe militar.( Comitatus). Após as batalhas, as riquezas e terras dos conquistados eram divididas entre o chefe militar e os seus guerreiros. (Beneficium).
O comitatus e o beneficium, posteriormente contribuíram para a formação das relações de suserania e vassalagem, existente no feudalismo.
Religião
: Os bárbaros eram politeístas, adoram os elementos da natureza. Adoravam o sol (deus feminino), e a Lua (deus masculino).
Direito
: As leis não eram escritas, mas eram costumeiras, baseadas na tradição ( Direito Consuetudinário).

Império dos Francos

Localização: Gália ( França Atual)
Dinastias:
Merovíngia (séculos V a VIII) e Carolíngia (séculos VIII e IX)

1.Merovíngia:

Clóvis: unificou as tribos dos francos, e converteu os francos ao cristianismo.
Os seus sucessores nomearam majordomus (Prefeito do Palácio) para governar o reino, e por isso, esse reis foram chamados de reis indolentes.

2. Império Carolíngio:

Carlos Martel (Majordomus): Venceu os árabes em 732, na Batalha de Poitiers confirmando o poder da Igreja na Europa Ocidental.
Pepino, o Breve
: Lutou contra os bárbaros lombardos, na Península Ibérica, e ao vencê-los doou as terras para a Igreja ( Patrimônio de São Pedro), e por isso coroado como rei dos francos, iniciando desta maneira a dinastia carolíngia..

Carlos Magno:

1.Ampliou o território dos francos através de guerras de conquistas.
2.
No natal do ano 800, Carlos Magno foi coroado pelo papa como rei dos Francos, confirmando o poder da dinastia carolíngia.
3.
Aos nobres que participaram das guerras de conquistas, Carlos Magno doou terras (beneficium)
Durante o governo de Carlos Magno, muitas terras do império foram concedidas em beneficium a diversos nobres locais. Esses nobres tornavam-se, então, vassalos do rei, tendo para com ele dever de fidelidade. Por estarem na condição de vassalos diretos do rei, muitos desses nobres se recusavam a obedecer às instruções de autoridade administrativas. ( missi dominici). Essa atitude dos nobres foi um importante elemento para a formação da sociedade feudal, com fragmentação do poder nas mãos de diversos nobres senhores de terra, unidos apenas pelos laços de vassalagem.
4.Dividiu o Império:
Condados ( condes) e em marcas (marqueses). Com o objetivo de fiscalizar a administração do reino, criou o cargo de “missi dominici”
5.
Durante o reinado de Carlos Magno, os francos passaram por um período de esplendor cultural, que foi denominado de “Renascimento Carolíngio”. Foi criada as primeiras leis escritas da idade média; as capitulares; e a Escola Palatina, que tinha como objetivo instruir os filhos dos nobres.
Após a morte de Carlos Magno, o império foi governado por seu filho, Luís, o Piedoso. Após a morte de Luis, o Piedoso, seus filhos resolveram dividir o império pelo Tratado de Verdun.
Carlos, o Calvo ficou com a França Ocidental, Lotário com a Latoríngia (sul da Itália ao mar do Norte), e Luís, o Germânico, com a Germânia.

Nos século VIII, IX e X, uma nova invasão Bárbara ataca a Europa Ocidental; os árabes (sarracenos), os magiares, e os normandos (vickings), que através de ataques e saques provocaram muito pânico levando a uma migração para os campos; assim surgia na Europa, o feudalismo. O processo de feudalização da Europa teve inicio com a desagregação do Império Romano do Ocidente e se consolidou com as invasões bárbaras no século IX.

Fonte: www.newworldencyclopedia.org/www.dialetico.com

Povos Bárbaros

Arte dos Povos Bárbaros

A Europa por volta dos séculos V a VII, tinha seu território invadido por povos vindos do Norte e Leste, chamados de “bárbaros” (mongóis, vândalos, francos, germânicos, entre outros), esta invasão deve-se a queda do Império Romano. Estes povos “bárbaros” eram povos nômades, que assimilaram a cultura e religião dos povos conquistados (cristianismo), fazendo uma mescla com sua própria cultura.

Tinham grande habilidade na fundição e ourivesaria, confeccionando utensílios domésticos objetos e jóias de luxo com também na confecção de armas.

Foram encontrados grandes tesouros nas tumbas de reis e príncipes da época, como Sutton Hoo, na Inglaterra, o de Guarrazar, em Toledo, e o de Gummersark, em Copenhague.

A coroa de ferro da rainha Teodolinda, esposa de Agilulfo, é considerada uma das relíquias mais importantes, diz conter os cravos da crucificação de Jesus Cristo que foi dado à Constantino por sua mãe e doada pela rainha Teodolinda a um convento no século VI.

Converteram-se ao cristianismo a rainha Teodolinda e o rei Agilulfo, com isso ocorreram grandes doações às igrejas e mosteiros em objetos de ouro, prata e marfim com grandes adornos e acabamentos em pedras preciosas.

Os livros sagrados e os ensinamentos cristãos foram transcritos à mão em folhas de pergaminho, pelos monges copistas. A “iluminura” ou “miniaturas”, que era um tipo de pintura decorativa, aplicados a letras capitulares no início dos capítulos, esse termo também se aplica ao conjunto de elementos decorativos lineares e representações estilizadas de animais que tinham um significado simbólico. Esses livros eram encapados um uma capa de ouro ou prata, repuxados (trabalho feito com martelos), esmaltes e pedras preciosas incrustadas. Usavam-se as cores de vermelho escarlate, azul, ouro e prata. Os manuscritos tinham grande influência da arte bizantina.

Arte Carolíngia

Com a queda do império romano no ocidente por volta de 476, pelos povos “bárbaros”, e chamavam-se “bárbaros” os povos que não tinham os costumes sociais, políticos e econômicos como os dos romanos e tinham o idioma diferente do romano e grego. Um dos reinos “bárbaros” que se consolidaram, foram os “Francos”, que expandiram seu território pela Europa, por ter uma estrutura política sólida.

Com a morte de seu pai, Pepino, O Breve e de seu irmão Carlomano, Carlos Magno foi rei supremo e nomeado imperador pelo Papa Leão III, no ano de 800, a igreja dava total apoio ao seu reinado; conquistando vários territórios, expandindo suas fronteiras, parte das terras conquistadas, eram doadas à aristocracia, firmando-se um compromisso de lealdade ao imperador.

A arte carolíngia, refere-se a arte desenvolvida a partir do reinado de Pepino, O Breve, e indo pelo reinado de Carlos Magno, estendendo-se pelos seus sucessores até aproximadamente 900 d.C..

O reinado foi marcado por uma grande atividade intelectual nas áreas das letras, artes e educação, abrindo escolas, mosteiros e incentivando a cópia e tradução de manuscritos antigos, o seu reinado foi responsável pela expansão do cristianismo na Europa, e o ressurgimento da arte antiga grego-romana.

Nas escolas ou ateliês, foi recriado o ensino do saber clássico, que corresponde ao ensino literário e científico, expandindo-se por todo reino carolíngio.

Na arquitetura deste período, foram construídas várias igrejas, basílicas e mosteiros, com colunas que sustentam abóbodas, paredes estruturais sustentando todo o teto e por esse motivo não se tinham muitas janelas, e quando tinham eram janelas estreitas, e o outro motivo era o fator segurança. Eram construções fechadas, sólidas e maciças e a escultura era aliada à arquitetura enriquecia externa e internamente esses edifícios, em sua porta de entrada, no tímpano, nos capitéis e colunas.

Muitas vezes chamada de fortaleza de Deus, por serem construções grandes e maciças.

Arte Românica

Desenvolveu-se no período feudal entre os séculos XI e XIII, espalhando-se por toda Europa, foi o primeiro estilo de arte na Idade Média, as igrejas e mosteiros foram os grandes precursores deste movimento.

A pintura neste período ocorreu sobre tudo em decorações de grandes murais de igrejas e basílicas, pinturas sobre o estuque ainda fresco (úmido) chamado “afrescos”, e também em mosaicos. Esses mosaicos, encontramos exclusivamente na Itália, país que teve maior contato com a arte bizantina, na qual tinha grande importância no acabamento interno das igrejas. O conceito da pintura, era a divulgação da fé cristã e narrar histórias através de imagens – episódios do Velho e do Novo Testamento, vidas de Santos, acontecimentos e glórias do passado, visões apocalíptica; pelo motivo de grande parte da população não saber ler.

A pintura do período românico, se importava em narrar e passar ao observador a mensagem cristã e não se importando muito com a estética, proporção ou realismo. As figuras humanas mostram expressividade muitas vezes excessivas, acentuando muito mais os gestos, perdendo então a pintura neste período o realismo, como se tinha na antiga arte clássica, e eram utilizadas cores vivas e fortes. O fundo no qual estava o personagem era representado de maneira muitas vezes simbólica – uma planta que significa o paraíso terrestre, uma série de riscos que simbolizavam o mar e assim por diante.

A igreja era a única entidade que tinha dinheiro para pagar os artista e artesãos para confecção dessas grandes obras muralistas.

Povos Bárbaros
Cristo em glória ou entronizado, Afresco no Abside da Capela de São Miguel, de Tahull - Catalunha

Verificamos na pintura acima a falta de profundidade, luz e sombra. Os personagens não expressam nenhum sentimento, nem transmitem a sensação de movimento. O tema é do Cristo (Todo Poderoso) abençoando e presidindo o mundo (Cristo em majestade), rodeado pelos quatro evangelistas.

Outros temas que sempre aparecem são: a ascensão de Cristo ao céu e a adoração dos Reis Magos. Existe uma predominância da cor azul. E foi pintada na parte inferior da abóboda na abside da igreja.

Neste período podemos destacar as diferenças de cores utilizadas na pintura, na França com grande influência germânica notamos a policromia com fundos claros e tonalidades brilhantes; na Itália com a influência bizantina, o uso de fundos escuros e cores forte; na Espanha foram usadas cores intensa com brilhos metálicos de influência árabe.

A pintura românica também utilizou a madeira como seu suporte, sendo utilizada na decoração dos frontões de altar, e sua temática e forma de representação eram as mesmas apresentadas nos murais de afrescos. Esses “retábulos” como também eram chamados, possuíam dobradiças para serem escondidos ou transportados com mais facilidade em caso de uma invasão ou guerra.

No período românico, as esculturas não eram executadas separadamente da arquitetura. A arte do relevo foi usado neste período, para comunicar valores religiosos aos fiéis, narrativas com objetivos de orientar a conduta dos fieis cristãos.

Inserindo-se como elemento complementar à arquitetura, ela é aplicada nas fachadas sobre o portal de entrada das igrejas, que dá um impacto visual logo na entrada aos fiéis.

Dentro das igrejas os capitéis das colunas também são decoradas com relevos de grande imaginário.

O Juízo Final é uma das cenas escultóricas mais utilizadas nos tímpanos semicirculares com arquivoltas, sobre o portal de entrada das igrejas românicas.

Cristo no trono ao centro na mandoria em proporções bem maiores, com a mão direita indica os eleitos ao Paraíso e com a esquerda os sentenciados e condenados ao Inferno. Abaixo da mandoria encontramos uma ou duas faixas horizontais, onde se desenrolam cenas de lutas ou de animais (simbolizando o bem e o mal) ou também procissões de personagens estilizados ou motivos geométricos.

O material utilizado para estas esculturas era a pedra, as figuras humanas eram pouco modeladas e com pouco realismo anatômico, ficavam numa posição frontal, gestos formais e rígidos. Na composição das personagens principalmente na (s) faixa (s) e na mandoria mantinha-se uma simetria e um alinhamento a partir das cabeças mantendo uma mesma altura.

A estilização e a repetição dos personagens com variações mínimas eram as características principais da escultura neste período.

As arquivoltas eram decoradas com motivos geométricos ou com figuras humanas ou de animais, ou ainda alternando estes dois motivos.

Os capitéis das igrejas eram decorados em relevos com motivos vegetalistas, animalistas, geométricos ou figurativos, no figurativo, cada face narrava um trecho formando uma história seqüencial.

Povos Bárbaros
Capitel Românico

Esculturas de pequeno porte foram feitas neste período, mas em pouca quantidade, os materiais utilizados eram o marfim e madeira que eram cobertos por ouro ou prata. O bronze também foi utilizado para confecção de portas de igrejas e pias batismais e tampas de túmulos.

Reneir d’Huy, foi um maiores escultores e ourives românicos, um dos seus trabalhos mais importantes foi a Pia Batismal da Igreja de São Bartolomeu confeccionada em bronze onde mostra grande influência clássica.

Arte Gótica

Este estilo desenvolveu-se na fase final da Idade Média entre os séculos XII a XIV, em que a sociedade feudal entrava em decadência, e a população deslocava-se do campo para as cidades, o comércio se consolidava como uma grande atividade lucrativa, novos burgueses urbanos e banqueiros se fortalecem e impõem posições políticas frente à nobreza e ao clero.

As cidades se tornaram centro de conhecimentos de arte, e uma organização social diferente a da feudal. Apresentando grandes mudanças e uma renovação na arquitetura e artes. A arquitetura gótica foi o florescer da vida urbana na Europa.

Na França o estilo gótico teve seu início arquitetônico nas catedrais, depois se expandiu por toda a Europa. O termo “gótico” tem origem do nome dos povos que invadiram o Império Romano – os “godos”, povo originário da Escandinávia, provavelmente da ilha Gotland, distintos por sua grande habilidade como arquitetos, outra vertente do nome é por ser considerada de aparência “bárbara”.

O estilo gótico na arquitetura das igrejas se vê logo na fachada, com três portais, cada um desses dando acesso a sua nave respectiva, sendo a central o principal e com uma grande janela redonda, chamada rosácea. No seu aspecto construtivo utiliza abóboda de nervuras e arcos ogivais que permitem construções muito mais altas.

Povos Bárbaros
Fachada da Catedral de Amiens – França – 1220-1288 / Interior da nave central da Catedral de Amiens

A escultura gótica esta ligada a arquitetura. Na fachada sobre os portais e em seu interior os trabalhos escultóricos valorizam a arquitetura. As figuras têm características alongadas, normalmente em nichos limitados por colunas e sobre pedestais com vestes longas e preguiadas

No século XIII, encontramos algumas esculturas com autoria identificada, como dos escultores Giovanni Pisano (1245-1315), Bonino da Campione (1325-1397), destacando-se os trabalhos de baixos-relevos de púlpitos de igrejas, monumentos sepucral e esculturas da Virgem e o Menino.

A escultura de figuras isolada, sem o suporte de colunas, tímpanos ou parede foi iniciada por Giovanni Pisano, que estudou com atenção a escultura grego-romana do período clássico.

Por volta do século XIII e início do século XIV, os mosaicos e as pinturas de murais são substituídas pela pintura em painéis de madeira. Essa pintura buscava um certo realismo na representação das figuras.

Na região da Toscana desenvolve-se a pintura de “altar”, com imagens da Virgem, Anjos e crucifixos nos quais Cristo é representado com forte expressividade de dor.

O pintor mais importante foi Cenni de Pepo ou também chamado de Cimabue (1240-1302), florentino, seus trabalhos de grande influência da arte bizantina os “ícones”. Sua obra mostra uma postura dos corpos das figuras num realismos e com roupas drapeadas sugerindo luz e sombra, a cor dourada faz lembrar os trabalhos do mosaico bizantino.

Outro grande pintor desse período é Giotto di Bondone, conhecido como Giotto (1266-1337), inovador na pintura italiana e precursor do Renascimento florentino. Pintou muitos afrescos nas igrejas italianas.

Giotto pinta a realidade, pinta o que vê, a forma, o espaço, o movimento e seus relevos; abandona a forma que os pintores bizantinos pintavam. Seus personagens são pessoas de aparência comum “santos com aparência de homem comum”.

As cores na pintura gótica são normalmente luminosas e requintadas e tornando-se muitas vezes intensíssimas, como na pintura acima em que o contraste do vermelho das vestes de Cristo é ressaltada pelo fundo verde e também pelo céu avermelhado e estrelado em ouro, criando uma atmosfera irreal e de sonhos, misturando o espiritual, a fábula, a lenda de cavalaria, etc.

A pintura no período gótico expressou-se também em “retábulos”, que consiste em dois, três, quatro ou mais painéis emoldurados por um agudo arco; lembrando as janelas góticas das igrejas, e que podem ser fechados uns sobre os outros. Esses retábulos eram abertos durante as celebrações religiosas, eram chamados de díptico com dois painéis, tríptico com três painéis.

Povos Bárbaros
Retábulo do Cordeiro Místico, 1426-1432, Jan van Eyck – Catedral de São Bavão – Bélgica

Jan van Eyck (1390-1441) e seu irmão Hubert van Eyck (1366-1426) pintores flamengos, pintaram retábulos belíssimos, o Cordeiro Místico, executado entre 1425 a 1432 para a igreja de São Bavão, observamos na imagem acima do retábulo um detalhismo nas roupas e dos adornos das cabeças das figuras, a natureza é representada com muita perfeição e realismo, luz e sombra se completam, a perspectiva começa a ser executada como um conceito, até então desconhecido nas pinturas de épocas anteriores.

Por essas conquistas realizadas pelos irmãos flamengos, podemos afirmar que com suas obras se inaugura uma nova fase na pintura, o Renascimento.

Com esse mesmo detalhismo que vemos nos retábulos, os irmãos van Eyck pintaram outras obras célebres como “O casal Arnolfini” e “Nossa Senhora do Chanceler Rolin”

O quadro “O casal Arnolfini” retrata o aposento e as vestes de um rico comerciante e sua esposa, do século XV. É tão minunciosa a representação das figuras e do ambiente, em destaque vemos o espelho na parede ao fundo que reflete todo o aposento, dando-nos uma visão de trás para frente, uma inovação naquele período.

Na obra “Nossa Senhora do Chanceler Rolin, percebemos o trabalho que o artista teve na percepção da perspectiva, que deixa documentada toda uma paisagem urbana além das aberturas arqueadas com colunas.

Percebemos já nestas duas pinturas de Jan van Eyck e também nas obras de Giotto, uma transformação no modo de vida do povo e dos centros urbanos na Europa.

Essas mudanças que vemos no século XIII, iremos relacionar ao crescente comércio na Europa e no êxodo da população para as cidades, desenvolvendo-as. As cidades tornaram as pessoas mais dinâmicas, e surgindo então uma classe que vamos chamar de burgueses, que eram pessoas do povo que conseguiram fazer fortuna com atividades ligadas ao comércio e assumiram o poder econômico e político das cidades.

Renascimento

O Renascimento foi um movimento artístico que nasceu na Itália, em Florença e Siena, no início do século XV, portanto no final da Idade Média. Neste período a Europa revive depois de quase um milênio os ideais da cultura grego-romano e também os ideais humanistas e naturalistas. O ideal humanista significa para os artistas renascentistas a valorização do ser humano e da natureza em oposição ao Divino e ao Sobrenatural, impostos na Idade Média pelas igrejas.

Graças à política da família dos Médici, Florença se tornou um grande berço do Renascimento acolhendo grandes artistas. Outras cidades da Europa entram nesta disputa para atrair artistas e intelectuais e também os papas promovem grandes obras para que os artistas mais famosos realizem esses projetos.

Nas artes plásticas uma grande descoberta foi a perspectiva, que são regras gráficas e matemáticas que permite reproduzir sobre um plano, um ou vários objetos em seu aspecto real.

A partir daí podemos subdividir a arte em artes maiores (arquitetura, pintura e escultura) das artes menores e aplicadas – a distinção entre arquitetura, o responsável pela forma plástica do edifício, e do engenheiro, que é responsável pela técnica construtiva.

Na arquitetura Renascentista, o que importava era a criação de espaços compreensíveis de todos os ângulos possíveis do olho humano e a busca de uma ordem na composição dos espaços, utilizavam as ordens das colunas gregas, os arcos e cúpulas da arquitetura romana.

Tudo isso transformou o status desses artistas artesãos em intelectuais.

Um dos arquitetos que se destacaram foi Filippo Brunelleschi (1377-1446). Um dos seus trabalhos mais importantes foi a cúpula da Catedral de Florença ou também chamada Igreja de Santa Maria del Fiore, essa Catedral não havia sido finalizada por Arnolfo di Cambio, e os florentinos gostariam que fosse coberta por uma imensa cúpula o grande espaço entre pilares, porém nenhum artista se habilitou, então tal tarefa foi destinada à Brunelleschi, que inventou um método para realizar tal proeza, que foi com uma enorme cúpula com calota dupla. Por essa célebre realização, foi chamado para projetar outras igrejas e edifícios.

Viajou pela Itália e mediu as ruínas de templos e palácios romanos, esboçando toda arquitetura e ornamentações desses antigos edifícios. Brunelleschi buscava um processo de criação e construção, em que a antiga arquitetura clássica (grego-romano), fosse utilizada livremente e criando novas formas de harmonia. E essa ideologia perpetuo na Europa quase quinhentos anos.

Outro edifício renascentista é a Capela Pazzi, em Florença, em que a linguagem e os conceitos gregos-romanos foram muito bem aplicados por Brunelleschi, em sua fachada simétrica, compõe-se um pórtico com duas seções com três colunas cada, estilo coríntias de fruste lisa, sustentando um entablamento retangular e a parte central um grande arco. Por ter proporções bem menores que os templos góticos Brunelleschi conclui seu conceito de que o edifício não possui o homem, mas sim o homem aprendendo a lei do espaço, possui o segredo do edifício.

Leon Battista Alberti, florentino (1404-1472), foi o segundo grande inovador da arquitetura renascentista. Apaixonado pela cultura da Antiguidade Clássica, seus edifícios, com fachada clássica com colunas, capitéis, frontões e tímpanos lembrando os templos gregos e romanos.

A interpretação científica sobre o mundo predomina no pensamento dos renascentistas, e na pintura o estudo da perspectiva seguindo os princípios da matemática e da geometria são utilizados e conduz esses pintores a perceberem o claro-escuro, áreas iluminadas e outras com sombra, contrastes sugerindo o volume dos corpos e obtendo um maior realismo nas pinturas.

“O artista do Renascimento não vê mais o ser humano como simples observador do mundo que expressa a grandeza de Deus, mas como a expressão mais grandiosa do próprio Deus. O mundo é pensado como uma realidade a ser compreendida cientificamente, e não apenas admirada”. Historia da arte – Graça Proença, 97.

Masaccio foi o primeiro pintor do século XV, a conceber em suas pinturas a imitação do real, ou melhor, reproduzir tais como elas são, e convencer o observador que suas pinturas são reais.

No afresco “Adão e Eva expulsos do Paraíso” observamos a expressão de Adão e Eva, lastimando a expulsão, as mãos de Adão cobrindo seu rosto num desespero e choro, Eva com rosto desolado em lágrimas. E vemos as características clássicas dos corpos como nas estátuas gregas.

Fra Angelico (1384-1455), foi sucessor de Masaccio, representa muito bem a religiosidade no período do Renascimento, por ter uma formação cristã e conventual. Seguindo muito bem também os princípios da perspectiva e luz e sombra nas suas pinturas.

Vemos no quadro acima, serenidade e feição humana na mulher, parecendo reconhecer perante o anjo submissão à vontade de Deus. A perspectiva montada geometricamente ao fundo, mostra um alinhamento das colunas e arcos criando a profundidade.

Paolo Uccelo, (1396-1475), procurou colocar em suas pinturas o conhecimento científico que conhecia e também fantasias medievais de sua imaginação. Na pintura acima o lendário São Jorge luta com o dragão, personagens fictícios de um tempo remoto que já tinha passado.

Já na batalha de São Romão vemos o momento da parada dos cavalos ou o início de uma corrida que esta por vir, como um “click” fotográfico.

Pietro della Francesca, (1420-1492), um dos maiores pintores do Renascimento, os acontecimentos nas telas de Pietro, não eram importantes, mas sim a composição geométrica. As pessoas em suas pinturas adquirem uma regularidade geométrica no espaço.

Na pintura abaixo, vemos a construção à esquerda em perspectiva e as pessoas distanciadas perfeitamente (olhar o quadriculado do piso, indicando profundidade), a luz do dia que ilumina a pintura defino volumes e formas e no primeiro plano três personagens com vestimentas quatrocentistas da corte.

Povos Bárbaros
Ressurreição de Jesus, 1450 – Pietro della Francesca

Na pintura “Ressurreição de Jesus”, a geometria esta clara, as figuras compõem um triângulo, cuja ponta do triângulo é a cabeça de Jesus, e os soldados sentados no chão formam a base do triângulo.

Ao lado, o retrato do casal, o duque Federico de Monterfeltro e sua esposa Battista Sforza, onde os rostos remetem as formas geométricas, o rosto feminino em forma esférica e o masculino em forma quadrangular, as feições não demonstram nenhuma emoção. Cada personagem esta em um painel, mas notamos uma unidade no fundo, onde uma paisagem é completada por outra.

Andrea Mantegna (1431-1506), usou nesta obra a perspectiva de baixo para cima, e pintou um grande óculo a céu aberto, num teto de abóboda e apoiados na balaustrada anjinhos e mulheres olhando para baixo, e compondo a cena um vaso e um pavão, este tipo de perspectiva aérea foi amplamente usada depois no século XVI.

Sandro Botticelli (1445-1510), foi o artista que melhor expressou, em suas pinturas a graciosidades dos personagens, os temas utilizados eram da Antiguidade grega como também a tradição cristã.

A “Primavera”, mostra a deusa Vênus , no centro, com um Cupido sobre ela, a sua esquerda vemos Zéfiro, o vento do Ocidente pronto para soprar, e em seus braços a Ninfa Clóris, com um ramo de flor na boca que é geradora de flores, a primavera é representada pela jovem com vestes florais, a direita da Vênus, vemos três Ninfas e Mercúrio, que é o mensageiro dos deuses em seus pés calçados alados.

A elegância dos gestos, o planejamento das cores, o fundo teatral compõem a obra de Botticelli. “O nascimento de Vênus”, mostra a elegância e a graiosidade dos personagens harmoniosamente distribuídos no espaço, os longos cabelos esvoaçantes ao vento.

Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni (1475-1564), consagrado pintor de Florença, estudou na escola de escultura mantida por Lourenço Médici, onde teve o contato com a filosofia grega e seus padrões de forma, equilíbrio e beleza. Trabalhou nos afrescos da Capela Sistina, no Vaticano onde concebeu diversas cenas do Antigo Testamento, uma delas é “A criação do Homem”, onde Deus aparece de barba e cabelos longos, corpo vigoroso e cercado por anjos, estendendo a mão para Adão, que é representado por um jovem forte e belo, mostrando claramente o ideal e a beleza das obras do Renascimento.

Leonardo da Vinci (1452-1519), foi um artista e pesquisador muito versátil, atuando em diversos campos do conhecimento humano. Foi aprendiz de Verrocchio, consagrado pintor e escultor de Florença. Seu interesse por diversos conhecimentos, inclusive na área urbanística fez projetar redes de abastecimento de água e esgotos para cidades, como também alinhamento de ruas, praças e jardins públicos. Também estudou a perspectiva, óptica, proporções e anatomia, produzindo diversos estudos, anotações e desenhos. Seu interesse pela anatomia fez produzir diversas obras buscando um realismo do corpo humano.

Na pintura produziu poucos, o afresco da “Última ceia”, no mosteiro de Santa Maria delle Grazie, em Milão, e alguns quadros como “Mona Lisa” (Gioconda), “Anunciação”, “Santana, a Virgem e o Menino”, são os que mais se destacam.

“Mona Lisa” ou também conhecida como Gioconda, é a mais famosa pintura de Leonardo da Vinci. Vemos neste quadro um sorriso misterioso da personagem e um fundo com uma luminosidade que contrasta com a figura, assim como o rosto luminoso contrastando com sua veste escura. Mas o que mais intriga neste quadro de da Vinci é o ar totalmente misterioso de Gioconda, em que os sentimentos expressos do rosto são totalmente imprecisos.

“A Virgem dos rochedos”, outro trabalho de da Vinci, ao fundo vemos um conjunto rochoso escuro e em primeiro plano formando um triângulo com Maria, São João Batista, Jesus e um anjo, Maria é o vértice alto do triângulo, onde notamos em todos os rostos uma grande luminosidade contrastando com o fundo escuro dando uma profundidade ao quadro.

Rafael Sanzio (1483-1520), considerado o pintor que melhor desenvolveu os ideais clássicos da beleza, harmonia, forma e cor. Conhecido por pintar figuras de Maria e Jesus, e a maioria de seus quadros estão dispostos em espaços amplos e com simetria equilibrada.

“A escola de Atenas” é um afresco, pintado no Palácio do Vaticano, que é um sumário da história da filosofia grega, onde ao centro vemos Platão e Aristóteles e à sua volta grupos de sábios e estudiosos, em um espaço arquitetônico amplo com arcos e estátuas criando uma simetria e harmonia.

Na pintura da “Madona del cordellino”, notamos que a composição foi organizada por um triângulo, uma característica utilizadas nas pinturas com temas sacros em um fundo arquitetônico ou paisagístico.

Essa nova estética e a valorização da cultura grego-romano pelos Italianos, atravessou as fronteiras da Itália e chegou a outras regiões da Europa, criando até um certo conflito com as formas artísticas nacionais e essa vindo da Itália. Porém se resolveu em uma nova tendência artística. Na cultura germânica e dos países baixos a pintura foi a arte que mais se destacou, criando uma mistura com características Góticas e do Renascimento.

Albrecht Dürer (1471-1528), artista germânico que concebeu a arte com uma representação fiel da realidade. E observamos na pintura acima, uma grande qualidade de desenho, de pintura e capacidade de observação.

Ficou muito famoso por fazer retratos de personalidades da época, onde buscava traços da personalidade ou mesmo psicológicos do retratado, não fugindo da geometrização e do enquadramento das pinturas renascentistas.

Hieronymus Bosch (1450-1516), em seus quadros criou um estilo inconfundível, mistura de símbolos da astrologia, da alquimia e magia, algumas figuras parecem vir de seus sonhos ou delírios, apresentando aspectos de animais ou vegetais associados.

Talvez essas representações sejam um conflito que o inquietava a Europa no final da Idade Média: pecado, prazer, virtudes, misticismos, superstição, crenças entre o divino e o diabólico.

No tríptico “O jardim das delícias”, no primeiro painel Bosch retrata a Criação de Adão e Eva, com uma paisagem do Paraíso muito exótica, no painel central, que é o Jardim das Delícias, com estranhos personagens, peixes, aves, mamíferos e humanos se confraternizam em um ambiente inusitado e no último, o inferno musical, com cores escuras cria um clima complexo, terrível e sombrio onde os seres vivem aterrorizados como em um pesadelo.

Pieter Bruegel (1525-1569), viveu nas cidades de Flandres, atual Bélgica, em seus trabalhos retratou a realidade das pequenas cidades medievais. Em sua obra abaixo “Jogos infantis”, observamos um grande número de personagens e uma técnica de representação excelente, e a atitude das crianças que não parecem estar brincando, mas sim fazendo alguma obrigação, pois nota-se a ausência de sorrisos nos rostos e um ar melancólico.

Hans Holbein (1498-1543), famoso retratista de personalidades políticas, financeiras e intelectuais da Inglaterra e Países Baixos.

Seus retratos mostram uma tranqüilidade, serenidade dos personagens e um tremendo realismo. Na pintura acima vemos o retrato de um grande filósofo humanista do século XVI, Erasmo de Roterdã, onde é expresso os ideais renascentistas de beleza.

A escultura renascentista pode ser caracterizada pelo acentuado naturalismo, uma busca pela verossimilhança, como objeto principal o Homem, forma do corpo, pela expressão corporal, pela técnica, pela monumentalidade, e pelo esquema compositivo. E percebemos que no Renascimento a escultura com também a pintura se desvincula à arquitetura. O arquiteto não solicitava mais a ajuda do pintor, do escultor e do vitralista para seus projetos, como também reduzia e eliminava tais detalhes, elementos esses prejudiciais ao seu esquema matemático e lógico da forma arquitetônica, não alcançando tal resultado-limite, as pintura e estátuas eram confinadas em locais pré-estabelecidos.Tirou a escultura de seu espaço de ornamentação e acabamento na arquitetura dos edifícios. A escultura no Renascimento busca então as formas naturais e a representação da realidade, não sendo feitas para serem inseridas na arquitetura.

Andrea Del Verrocchio (1435-1488), trabalhou anteriormente como ourives, influenciando no seu trabalho de escultor. Foi o precursor na escultura no jogo de luz e sombra e nos volumes. A escultura de bronze do jovem Davi, que segundo a Bíblia derrota o gigante Golias, mostra um Davi adolescente, jovem e elegante, com aspecto de ágil, sua túnica enfeitada revela o preciosismo do ourives Verrocchio, esse humanismo da imagem do homem, dado pelo artista, revela um homem como ele é de verdade.

Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni (1475-1564), ou simplesmente Michelangelo, foi um pintor, escultor, poeta e arquiteto italiano, considerado um dos maiores criadores da história da arte do ocidente, chamavam-no “Divino”.

Na escultura de Davi, de Michelangelo, trata-se de um jovem adulto com o corpo definido, suas mãos são colossais em relação ao corpo, mãos de um homem do povo, trabalhador e forte, seu rosto tem feições de herói com capacidade de enfrentar desafios como o Golias e as demais adversidades que podem ameaçar o homem.

Pietà foi produzida quando Michelangelo tinha vinte e poucos anos, em mármore vemos esta composição baseada no triângulo, o realismo encontrados nos drapeados dos tecidos, dos músculos e das veias dos corpos. Maria tem a imagem de uma mulher jovem e doce, acolhendo o corpo de seu filho morto na cruz.

Donato di Niccoló di Betto Bardi, (1386 -1466), chamado Donatello, foi um escultor italiano, utilizou em seus trabalhos várias técnicas, e materiais (mármore, bronze, madeira), e se vê humanidade e introspecção. Depois de muitos séculos, Donatello foi o primeiro a representar um corpo nú, corpo estudado e copiado dos rapazes florentinos, movimentos docemente requebrados semelhante as estátuas gregas, inovação revolucionária para época. "Madalena" em madeira, hoje no museu do Duomo, obra que nega a beleza física, privilegiando a expressão, o corpo esquelético, a dor que transparece do rosto, representando os sentimentos mais profundos da alma humana.

Lorenzo Ghiberti (1378 -1455) foi um escultor e fundidor em metal italiano, conseguiu impor, sobre as influências góticas, os novos postulados estéticos inspirados no mundo clássico que caracterizariam a arte renascentista.

A porta do Batistério de Florença, subdividida em quadrados onde se encontra frutos, flores, aminais, revela o respeito com que o Renascimento olhava o mundo da natureza.

Referências

Gombrich, Ernest Hans Josef.- História da Arte. 16ª edição 2000 - Editora LTC
Baumgart, Fritz – Breve História da Arte. 3ª edição 2007- Editora Martins Fontes
Proença, Graça – História da Arte. 17ª edição 2007 - Editora Ática
Prette, Maria Carla – Para Entender a Arte, História Linguagem Época Estilo. 1ª edição 2009 - Editora Globo
Conti, Flávio - Gozzoli, Maria C. – Como Reconhecer a Arte. 1ª edição 1998 – Edições 70

Fonte: arquivos.cruzeirodosulvirtual.com.br

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