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Revolução Industrial

 

Revolução Industrial - Século XVIII


Revolução Industrial

Durante o período do Renascimento (sécs. XV e XVI) a Europa vivenciou vários desenvolvimentos no campo científico. Copérnico, propôs a teoria heliocêntrica. Kepler mostrou que os astros se movimentam em elipse no espaço. Leonardo da Vinci estabeleceu vários projetos que só se tornaram possível mais tarde com o desenvolvimento tecnológico. Newton trouxe a teoria da gravitação universal e Galileu, com suas observações do espaço celeste ratificou a tese heliocêntrica de Copérnico.

O desenvolvimento verificado nesse período foi fundamental para sepultar antigas crenças místicas apregoadas pela Igreja Católica que impediam o livre impulso para o desenvolvimento tecnológico. O ambiente verificado na Europa, nesse momento, prepara o campo para a chegada de inúmeras novas tecnologias que freqüentemente são chamadas de Revolução Industrial no século XVIII.

É necessário dizer que todo o desenvolvimento técnico sempre esteve relacionado com outros aspectos da história humana. No mesmo momento em que acontecia a Revolução Industrial, as transformações políticas e econômicas na Europa se davam igualmente de maneira muito rápida. Novas ideologiasrevolucionárias presentes na Declaração de Independência dos EUA (1776) e na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789) tiveram enorme influência na mentalidade dos homens da época. Era o liberalismo político e econômico apresentando-se tal como definiu o conjunto das idéias iluministas.

Durante o século XIX outros acontecimentos na Europa e nos EUA vão significar um rápido progresso e crescimento industrial. A vitória do Norte (industrializado) sobre o Sul (agrícola) na Guerra de Secessão (1861-1865), nos EUA; a unificação italiana (1870), a unificação alemã (1870) e Era Meiji no Japão, contribuíram para generalizar a Revolução Industrial, que anteriormente se restringia basicamente à Inglaterra e França.

Primeira Revolução Industrial

Durante a segunda metade do século XVIII, na Inglaterra uma série de transformações no processo de produção de mercadorias, deram origem ao que se convencionou chamar por 1a Revolução Industrial.

Antes desse processo eram as oficinas artesanais que produziam grande parte das mercadorias consumidas na Europa. Nestas oficinas, também chamadas de manufaturas, o artesão controlava todo o processo de produção. Era ele quem estabelecia, por exemplo, sua jornada de trabalho. Também não existia uma profunda divisão do trabalho (cada um fazendo uma parte do produto). Freqüentemente nas oficinas um grupo de dois ou três artesãos se dedicava à produção de uma mercadoria de seu princípio ao seu fim, ou seja fazia a mercadoria como na sua totalidade, sem divisão do trabalho. Trabalho em sistema de manufaturas.

Com a Revolução Industrial isso se alterou, os artesão perderam sua autonomia. Com a chegada de novas tecnologia e novas máquinas apareceram as fábricas nas quais todas as modernas máquinas tornaram-se propriedade de um capitalista (burguês). A produção fabril concorrendo com a artesanal levou esta à ruína.

Os antigos artesão, então tiveram que se tornar trabalhadores assalariados, estando a partir daí sob o controle do capitalista.

Causas e Pioneirismo Inglês na Revolução Industrial Merecem destaque como causas gerais da Revolução Industrial do século XVIII, a chamada Revolução Comercial e a Acumulação Primitiva de Capital. É importante explicar o que foram estas causas.

Damos o nome de Revolução Comercial ao processo que se iniciou com as Grandes Navegações no século XV indo até o início da industrialização no século XVIII. Nesse período a Europa se constituiu no continente mais rico do planeta.

Isso foi possível graças a vários acontecimentos como: a descoberta pelos portugueses de um novo caminho para os ricos entrepostos de comércio localizados nas Índias e o contato com novos continentes como a América. Isso possibilitou ao europeus se apossarem de produtos tropicais, metais preciosos, escravos que eram comercializados com altas taxas de lucratividade. Formou-se então um grande mercado mundial, espalhado por todo o planeta, que serviu para concentrar riquezas nas países europeus, processo que tem o nome de Acumulação Primitiva de Capital que proporcionou recursos para o surgimento da Revolução Industrial.

Outro aspecto importante para que se entenda a Revolução Industrial é o triunfo da idéias iluministas (Enciclopedismo): o século XVIII é considerado o "século das luzes". Nesse período as idéias políticas, econômicas e sociais da chamada Idade Moderna (sécs. XVI - XVIII) passaram a ser questionadas possibilitando uma verdadeira revolução intelectual que se espalhou pelo mundo repercutindo até os dias atuais. A base dessa nova maneira de encarar o mundo, segundo os próprios iluministas, estava na razão.

Abandonava-se dessa maneira qualquer possibilidade de deus interferir nos destinos humanos. Na política, os iluministas fizeram a crítica ao absolutismo propunham um modelo de sociedade em que o Estado respeitasse os interesses dos cidadãos. Na economia, o inglês Adam Smith, propõe o liberalismo, fórmula segundo a qual, o Estado não deve intervir na economia. No livro A Riqueza das Nações, ele diz que a economia funciona por si mesma segundo a Lei da Oferta e da Procura. Criticava o monopólio comercial e o sistema colonial característicos do mercantilismo. Em termos sociais, os iluministas são contrários à sociedade estamental. Segundo eles, todos os homens nascem iguais, livres, estes homens podem através de seu trabalho prosperarem economicamente. A liberdade, a propriedade privada e a resistência contra governos tirânicos são outros princípios defendidos pelos iluministas.

Mas que razões possibilitaram que a Revolução Industrial se iniciasse na Inglaterra?

Podemos apresentar algumas razões fundamentais:

1) A supremacia naval inglesa: desde o ano de 1651, quando Oliver Cromwell decretou os Atos de Navegação e Comércio, que asseguraram exclusividade aos navios ingleses para o transporte de mercadorias para o seu país, que a Inglaterra passou a controlar o comércio mundial de larga escala. Isso permitiu a organização de um vasto império colonial que, ao mesmo tempo, será seu mercado consumidor de produtos manufaturados e fornecedor de matérias primas.
2)
a disponibilidade de mão-de-obra: o estabelecimento do absolutismo na Inglaterra no século XVI levou a burguesia em aliança com a nobreza a promover um processo de expulsão dos camponeses de suas terras. Estas terras foram cercadas e transformadas em áreas de pastagens para ovelhas que ofereciam a matéria-prima básica para o tecido: lã. Houve, portanto, um intenso êxodo rural, que tornou as grandes cidades um lugar onde se encontrava uma grande disponibilidade de mão-de-obra. Dessa maneira, os salários sofreram um rebaixamento, fato que contribuiu para a elevação da produtividade na indústria.
3)
A disponibilidade de matérias-primas: a Inglaterra não tinha dificuldades de acesso às matérias-primas básicas para seu desenvolvimento industrial. Era rica em minério de carvão, lã, algodão (obtido nos EUA) etc.
4)
A Monarquia Parlamentar: a Revolução Gloriosa de 1688/89 estabeleceu na Inglaterra a Declaração dos Direitos (Bill of Rights) que permitiu a supremacia do parlamento sobre a monarquia, surgindo, portanto, o parlamentarismo. Isso significou o fim do absolutismo que permitiu à burguesia uma maior participação nas decisões do governo e na vida política do país. Dessa maneira, a economia do país passou a se organizar de maneira a atender aos anseios da burguesia.

Máquina a Vapor

Até a invenção da máquina a vapor praticamente só se dispunha de duas máquinas como fonte de energia na Europa: a roda hidráulica e o moinho de vento, que quando muito ofereciam 10 cavalos de energia. A maior roda hidráulica de toda a Europa foi construída para servir às necessidades do Palácio de Versalhes na França, em 1682, durante o reinado de Luís XIV, funcionando bem chegava a produzir 75 cavalos de energia.

Não foi fácil chegar à máquina a vapor. Até o século XVIII não havia uma idéia clara sobre os gases, que freqüentemente eram considerados substâncias misteriosas. Dênis Papin, físico francês, expôs em 1690, uma idéia que se constituiu no ponto de partida para aqueles que inventaram a máquina a vapor.

Dizia ele:

"já que a água goza da propriedade de que uma pequena quantidade dela transformada em vapor por meio do calor tem uma força elástica similar à do ar, e de que por meio do frio se transforma de novo em água, de maneira que não sobra nem rastro daquela força elástica, cheguei à conclusão de que é possível construir máquinas que no seu interior, por meio de um calor não muito intenso, se pode produzir um vazio perfeito, que de maneira nenhuma poderia se conseguido através da pólvora".

As idéias de Papin foram aperfeiçoadas e testadas por Thomas Newcomen e por James Watt. Em 1712 ficou pronto o primeiro motor de Newcomen, o princípio desse motor era bem simples.

Máquina hidráulica que precedeu à de vapor ;baseava-se no mesmo fenômeno verificado por Papin: o de que, ao passar doestado gasoso para o líquido, a água tem seu volume diminuído. Entretanto, o motor de Newcomen era lento, desenvolvia apenas 5 HP, mas se constituía no mais eficiente meio para bombear água naquele momento. Em meados do século XVIII, os motores Newcomen já estavam bem aperfeiçoados; os engenheiros da época tentaram adaptá-los para impulsionar outras máquinas. Em 1780, James Watt, utilizando um sistema de engrenagens planetárias, construiu um novo motor que adaptava um condensador especial, separado do pistão, para resfriar o vapor, dando grande eficiência ao motor que chegou a produzir mais de 1000 HPs.

INDÚSTRIA TÊXTIL

O desenvolvimento da máquina a vapor deu um grande impulso na indústria têxtil que tem sido considerada um exemplo clássico de desenvolvimento fabril na Revolução Industrial.

Por milhares de anos, os povos usaram de um mesmo método para fiar a lã em estado natural. Realizada a tosquia do carneiro, as fibras de lã eram lavadas e enroladas em cordões, secadas eram amarradas a fusos pesados. A fiação era feita uma a uma, manualmente.Em 1755, John Kay, inventou a lançadeira volante, que trabalhando com mais fios, possibilitou aumentar a largura dos tecidos e a velocidade da fabricação.

Em 1764, James Hargreaves, inventou a maquina de fiar que consistia em uma quantidade de fusos dispostos verticalmente e movidos por uma roda, além de uma gancho que segurava diversos novelos.

Máquina de fiar de Hargreaves

Em 1769, Richard Arkwright, desenvolveu uma máquina que se associava à máquina a vapor. Essas máquinas passaram a ter uma importância crescente com a substituição da lã pelo algodão. Este era fiado com mais facilidade, e por sua abundância nas plantações do Sul dos EUA permitiu grande desenvolvimento da indústria têxtil.

Metalurgia

O uso do minério de ferro na confecção de instrumentos e artefatos para auxiliarem o dia-a-dia do homem data da pré-história. Fazendo fogueiras o homem percebeu que algumas pedras se derretiam com o calor e passou a moldá-as. Desde esse momento, vários povos se utilizam da metalurgia. Entretanto, foi durante a Revolução Industrial que novos métodos de utilização do minério de ferro generalizaram essa matéria prima. Entretanto, os ingleses já dispunham de altos fornos para trabalhar o ferro desde o século XV.

Trabalho em metalurgia

A abundância de carvão mineral na Inglaterra possibilitou a este país, substituir as máquinas confeccionadas em madeira por ferro. No processo da chamada

Segunda Revolução Industrial, Henry Bessemer, estabeleceu um método inovador de transformação do ferro em aço. Por sua resistência e por seu baixo custo de produção, o aço logo suplantou o ferro, transformando-se no metal básico de confecção de instrumentos e utilitários.

SÉCULO XIX: AVANÇO TECNOLÓGICO E CRÍTICAS SOCIAIS

Difícil, após a explosão das fábricas inglesas do século XVIII, impedir o crescente avanço tecnológico do Mundo Ocidental. Ao lado das ciências e, às vezes, à frente dela, a técnica sofreu inúmeras mudanças no século XIX.

Ao lado das mudanças técnicas, e isto você já tem condições de analisar, aconteceram mudanças sociais que, nem sempre, são positivas. As condições de trabalho dos operários industriais, e de tantos outros setores econômicos que emergiram, eram precaríssimas. Este fato teve grande repercussão entre aqueles - os intelectuais - que procuraram entender as mudanças que estavam acontecendo.

Reivindicação operária:

8 horas de trabalho,
8 horas de lazer
e horas de sono

Daí também surgindo vários movimentos de contestação ao sistema industrial que avançava. Lembre-se dos quebradores de máquinas.

OS GRANDES AVANÇOS TECNOLÓGICOS

Na primeira metade do século os sistemas de transporte e de comunicação desencadearam as primeiras inovações com os primeiros barcos à vapor (Robert Fulton/1807) e locomotiva (Stephenson/1814), revestimentos de pedras nas estradas McAdam/1819), telégrafos (Morse/1836). As primeiras iniciativas no campo da eletricidade como a descoberta da lei da corrente elétrica (Ohm/1827) e do eletromagnetismo (Faraday/1831). Dá para imaginar a quantidade de mudanças que estes setores promoveram ou mesmo promoveriam num futuro próximo. As distâncias entre as pessoas, entre os países, entre os mercados se encurtariam. Os contatos mais regulares e freqüentes permitiriam uma maior aproximação de mundos tão distintos como o europeu e o asiático.

No setor têxtil a concorrência entre ingleses e franceses permitiu o aperfeiçoamento de teares (Jacquard e Heilmann). O aço tornou-se uma das mais valorizadas matérias-primas. Em 1856 os fornos de Siemens-Martin, o processo Bessemer de transformação de ferro em aço. A indústria bélica sofreu significativo avanço ( como os Krupp na Alemanha) acompanhando a própria tecnologia metalúrgica.

A explosão tecnológica conheceu um ritmo ainda mais frenético com a energia elétrica e os motores a combustão interna. A energia elétrica aplicada aos motores, a partir do desenvolvimento do dínamo, deu um novo impulso industrial. Movimentar máquinas, iluminar ruas e residências, impulsionar bondes. Os meios de transporte se sofisticam com navios mais velozes. Hidrelétricas aumentavam, o telefone dava novos contornos à comunicação (Bell/1876), o rádio (Curie e Sklodowska/1898), o telégrafo sem fio (Marconi/1895), o primeiro cinematógrafo (irmãos Lumière/1894) eram sinais evidentes da nova era industrial consolidada.

E, não podemos deixar de lado, a invenção do automóvel movido à gasolina (Daimler e Benz/1885) que geraria tantas mudanças no modo de vida das grandes cidades.

O motor à diesel (Diesel/1897) e os dirigíveis aéreos revolucionavam os limites da imaginação criativa e a tecnologia avançava a passos largos.

A indústria química também tornou-se um importante setor de ponta no campo fabril. A obtenção de matérias primas sintéticas a partir dos subprodutos do carvão - nitrogênio e fosfatos. Corantes, fertilizantes, plásticos, explosivos, etc.

Entrava-se no século XX com a visão de universo totalmente transformada pelas possibilidades que se apresentavam pelo avanço tecnológico.

MUDANÇAS SOCIAIS

A análise de tantos feitos tecnológicos não poderia ficar carente das mudanças sociais ocorridas neste mesmo período. As empresas industriais perderam totalmente suas feições caseiras adquirindo uma nova forma. Grandes conglomerados econômicos, a crescente participação do setor financeiro na produção industrial - trustes, cartéis, holdings.

Ao lado de uma intensificação da exploração do trabalho operário, da urbanização desenfreada e sem planejamentos, das epidemias provocadas pelo acúmulo de populações nos grandes centros sem infra-estrutura, cresciam as fábricas cada vez mais poderosas e determinantes de um processo irreversível.

As nações, por sua vez, buscavam garantir melhores mercados fornecedores de matérias-primas, impulsionando o colonialismo afro-asiático que deixa marcas profundas até os dias de hoje. Ou seja, não é um mero processo de avanço. O avanço tecnológico sempre foi acompanhado, desde o paleolítico de intensas mudanças sociais. Nem sempre positivas.

Fonte: www.consulteme.com.br

Revolução Industrial

A Revolução Industrial começou na Inglaterra, em meados do século XVIII.

Caracteriza-se pela passagem da manufatura à indústria mecânica. A introdução de máquinas fabris multiplica o rendimento do trabalho e aumenta a produção global. Ela também foi um processo histórico de radical transformação econômica e social.

A invenção de máquinas e mecanismos como a lançadeira móvel, a produção de ferro com carvão de coque, a máquina a vapor, a fiandeira mecânica e o tear mecânico causam uma revolução produtiva. As fábricas passam a produzir em série e surge a indústria pesada (aço e máquinas). A invenção dos navios e locomotivas a vapor acelera a circulação das mercadorias.

O novo sistema industrial transforma as relações sociais e cria duas novas classes sociais: os empresários (capitalistas) que são os proprietários dos capitais, prédios, máquinas, matérias-primas e bens produzidos pelo trabalho e os operários, proletários ou trabalhadores assalariados, que possuem apenas sua força de trabalho e a vendem aos empresários para produzir mercadorias em troca de salários.

No início da revolução os empresários impõem duras condições de trabalho aos operários sem aumentar os salários para assim aumentar a produção e garantir uma margem de lucro crescente. A disciplina é rigorosa mas as condições de trabalho nem sempre oferecem segurança. Em algumas fábricas a jornada ultrapassa 15 horas, os descansos e férias não são cumpridos e mulheres e crianças não têm tratamento diferenciado.

Surgem Movimentos operários por causa dos conflitos entre operários, revoltados com as péssimas condições de trabalho, e empresários. As primeiras manifestações são de depredação de máquinas e instalações fabris. Com o tempo surgem organizações de trabalhadores da mesma área.

Os trabalhadores conquistam aos poucos o direito de associação e em 1824, na Inglaterra, são criados os primeiros centros de ajuda mútua e de formação profissional. Em 1833 os trabalhadores ingleses organizam os sindicatos (trade unions) como associações para obter melhores condições de trabalho e de vida.

Os sindicatos conquistam o direito de funcionamento em 1864 na França, em 1866 nos Estados Unidos, e em 1869 na Alemanha.

As principais conseqüências do processo de industrialização são a divisão do trabalho, a produção em série e a urbanização. Para maximizar o desempenho dos operários as fábricas subdividem a produção em várias operações e cada trabalhador executa uma única parte, sempre da mesma maneira (linha de montagem).

Enquanto na manufatura o trabalhador produzia uma unidade completa e conhecia assim todo o processo, agora passa a fazer apenas parte dela, limitando seu domínio técnico sobre o próprio trabalho.

Fonte: www.escolavesper.com.br

Revolução Industrial

Revolução Industrial - Século XVIII


Revolução Industrial

O aparecimento da revolução industrial se deve a três fatores: a revolução comercial, ao acúmulo de capitais que se deu na livre circulação das mercadorias e as descobertas de novos mercados que enviaram grandes quantidades de ouro e prata, especiarias, escravos e outros recursos que proporcionaram o embasamento necessário para a ocorrência da Revolução Industrial.

O pioneirismo da Inglaterra se deu em diversa soma de recursos como o acumulo de capitais na revolução comercial, a supremacia naval inglesa, a disponibilidade de mão de obra devido ao fechamento dos campos, instalação da monarquia parlamentar e o triunfo da ideologia liberal.

A primeira Revolução Industrial desenvolveu os transportes e as maneiras de produção, acelerou a migração do campo para a cidade e a criação de um enorme exército de reserva.

Entre as principais invenções surgidas na primeira revolução industrial merecem destaque: a máquina de fiar (1767), o bastidor hidráulico (1769), máquina de fiar híbrida combinação da máquina de fiar com o bastidor hidráulico (1779). Estas máquinas marcaram o início da Revolução Industrial com a substituição da energia física pela energia mecânica no processo de produção de mercadorias.

Foi desenvolvido também o setor de transportes com duas grandes invenções: o barco a vapor (1807) e a locomotiva (1825).

Na Inglaterra a grande miséria, o desemprego, os baixos salários e a alta carga horária deram origem a um movimento que se denominou Ludismo que consistia na destruição das máquinas pelos operários justificada na culpa das máquinas pelo desemprego e miséria.

A Revolução Industrial gerou grandes mudanças tanto economicas quanto sociais como: Trustes e Cartéis a produção em sériee a expansão do imperialismo que seriam um dos fatores desencadeadores da Primeira Grande Guerra.

Fonte: www.ohistoriador.hpg.ig.com.br

Revolução Industrial


Revolução Industrial

Usamos essa expressão para nos referirmos a todas as mudanças no trabalho industrial, que se deram a partir dos meados do século XVIII. A mais importante dessas alterações, ocorridas em primeiro lugar na Grã-Bretanha, foi à invenção de máquinas que produziam muito mais que o trabalho manual. As primeiras foram as máquinas de fiação e tecelagem. Homens, mulheres e até mesmo crianças trabalhavam nas novas fábricas, onde grande parte das máquinas funcionava, a princípio, pela força hidráulica, passando depois a ser movida a vapor. Newcomen inventou uma máquina a vapor, mais tarde aperfeiçoada por James Watt.

Surgiram então, no séc. XIX, as estradas de ferro, que facilitaram muito o transporte dos produtos manufaturados, tomando-os mais baratos. A invenção dos alto-fornos desenvolveu muito as indústrias de ferro e aço.

A população das cidades aumentou demais: um número cada vez maior de pessoas deixava o campo para trabalhar nas fábricas. O povo sofreu bastante com os vários problemas ligados a salários e condições de trabalho, tendo a Grã-Bretanha que importar cada vez mais gêneros alimentícios para suprir sua população sempre crescente.

As cidades e as fábricas

Antes da invenção da máquina a vapor, as fábricas situavam-se em zonas rurais próximas às margens dos rios, dos quais aproveitavam a energia hidráulica. Ao lado delas, surgiam oficinas, casas, hospedarias, capela, açude, etc. a mão-de-obra podia ser recrutada nas casas de correção e nos asilos. Para fixarem-se, os operários obtinham longos contratos de trabalho e moradia.

Com o vapor, as fábricas passaram a localizar-se nos arredores das cidades, onde contratavam trabalhadores. Elas surgiam "tenebrosas e satânicas", em grandes edifícios lembrando quartéis, com chaminés, apitos e grande número de operários. O ambiente interno era inadequado e insalubre.

Até o século XVIII, cidade grande na Inglaterra era uma localidade com cerca de 5 000 habitantes. Em decorrência da industrialização, a população urbana cresceu e as cidades modificaram-se. Os operários, com seus parcos salários, amontoavam-se em quartos e porões desconfortáveis, em subúrbios sem condições sanitárias.

Os Grandes Avanços Tecnológicos

Na primeira metade do século os sistemas de transporte e de comunicação desencadearam as primeiras inovações com os primeiros barcos à vapor (Robert Fulton/1807) e locomotiva (Stephenson/1814), revestimentos de pedras nas estradas McAdam (1819), telégrafos (Morse/1836). As primeiras iniciativas no campo da eletricidade como a descoberta da lei da corrente elétrica (Ohm/1827) e do eletromagnetismo (Faraday/1831). Dá para imaginar a quantidade de mudanças que estes setores promoveram ou mesmo promoveriam num futuro próximo. As distâncias entre as pessoas, entre os países, entre os mercados se encurtariam. Os contatos mais regulares e freqüentes permitiriam uma maior aproximação de mundos tão distintos como o europeu e o asiático.

No setor têxtil a concorrência entre ingleses e franceses permitiu o aperfeiçoamento de teares (Jacquard e Heilmann). O aço tornou-se uma das mais valorizadas matérias-primas.

Em 1856 os fornos de Siemens-Martin, o processo Bessemer de transformação de ferro em aço. A indústria bélica sofreu significativo avanço (como os Krupp na Alemanha) acompanhando a própria tecnologia metalúrgica.

A explosão tecnológica conheceu um ritmo ainda mais frenético com a energia elétrica e os motores a combustão interna. A energia elétrica aplicada aos motores, a partir do desenvolvimento do dínamo, deu um novo impulso industrial. Movimentar máquinas, iluminar ruas e residências, impulsionar bondes. Os meios de transporte se sofisticam com navios mais velozes. Hidrelétricas aumentavam, o telefone dava novos contornos à comunicação (Bell/1876), o rádio (Curie e Sklodowska/1898), o telégrafo sem fio (Marconi/1895), o primeiro cinematógrafo (irmãos Lumière/1894) eram sinais evidentes da nova era industrial consolidada.

E, não podemos deixar de lado, a invenção do automóvel movido à gasolina (Daimler e Benz/1885) que geraria tantas mudanças no modo de vida das grandes cidades. O motor à diesel (Diesel/1897) e os dirigíveis aéreos revolucionavam os limites da imaginação criativa e a tecnologia avançava a passos largos.

A indústria química também tornou-se um importante setor de ponta no campo fabril.

A obtenção de matérias primas sintéticas a partir dos subprodutos do carvão - nitrogênio e fosfatos. Corantes, fertilizantes, plásticos, explosivos, etc.

Entrava-se no século XX com a visão de universo totalmente transformada pelas possibilidades que se apresentavam pelo avanço tecnológico.

Etapas da industrialização

Podem-se distinguir três períodos no processo de industrialização em escala mundial:

1760 a 1850 – A Revolução se restringe à Inglaterra, a "oficina do mundo".
Preponderam a produção de bens de consumo, especialmente têxteis, e a energia a vapor.
1850 a 1900 –
A Revolução espalha-se por Europa, América e Ásia: Bélgica, França, Alemanha, Estados Unidos, Itália, Japão, Rússia. Cresce a concorrência, a indústria de bens de produção se desenvolve, as ferrovias se expandem; surgem novas formas de energia, como a hidrelétrica e a derivada do petróleo. O transporte também se revoluciona, com a invenção da locomotiva e do barco a vapor.
1900 até hoje –
Surgem conglomerados industriais e multinacionais. A produção se automatiza; surge a produção em série; e explode a sociedade de consumo de massas, com a expansão dos meios de comunicação. Avançam a indústria química e eletrônica, a engenharia genética, a robótica.

Artesanato, manufatura e maquinofatura

O artesanato, primeira forma de produção industrial, surgiu no fim da Idade Média com o renascimento comercial e urbano e definia-se pela produção independente; o produtor possuía os meios de produção: instalações, ferramentas e matéria-prima. Em casa, sozinho ou com a família, o artesão realizava todas as etapas da produção.

A manufatura resultou da ampliação do consumo, que levou o artesão a aumentar a produção e o comerciante a dedicar-se à produção industrial. O manufatureiro distribuía a matéria-prima e o artesão trabalhava em casa, recebendo pagamento combinado.

Esse comerciante passou a produzir. Primeiro, contratou artesãos para dar acabamento aos tecidos; depois, tingir; e tecer; e finalmente fiar. Surgiram fábricas, com assalariados, sem controle sobre o produto de seu trabalho. A produtividade aumentou por causa da divisão social, isto é, cada trabalhador realizava uma etapa da produção.

Na maquinofatura, o trabalhador estava submetido ao regime de funcionamento da máquina e à gerência direta do empresário. Foi nesta etapa que se consolidou a Revolução Industrial.

Revolução Industrial

A Revolução Industrial tem início no século XVIII na Inglaterra com a mecanização dos sistemas de produção. Enquanto na Idade Média o artesanato era a forma de produzir mais utilizada, na Idade Moderna tudo muda. A burguesia industrial, ávida por maiores lucros, menores custos e produção acelerada, buscas alternativas para melhorar a produção de mercadorias. Também podemos apontar o crescimento populacional, trazendo maior demanda de produtos e mercadorias.

Pioneirismo Inglês

Quatro elementos essenciais concorreram para a industrialização: capital, recursos naturais, mercado, transformação agrária.

Na base do processo, está a Revolução Inglesa do século XVII. Depois de vencer a monarquia, a burguesia conquistou os mercados mundiais e transformou a estrutura agrária. Os ingleses avançaram sobre esses mercados por meios pacíficos ou militares.

A hegemonia naval lhes dava o controle dos mares. Era o mercado que comandava o ritmo da produção, ao contrário do que aconteceria depois, nos países já industrializados, quando a produção criaria seu próprio mercado.

Até a segunda metade do século XVIII, a grande indústria inglesa era a tecelagem de lã.

Mas a primeira a mecanizar-se foi a do algodão, feito com matéria-prima colonial (Estados Unidos, Índia e Brasil). Tecido leve, ajustava-se aos mercados tropicais; 90% da produção ia para o exterior e isto representava metade de toda a exportação inglesa, portanto é possível perceber o papel determinante do mercado externo, principalmente colonial, na arrancada industrial da Inglaterra. As colônias contribuíam com matériaprima, capitais e consumo.

Os capitais também vinham do tráfico de escravos e do comércio com metrópoles colonialistas, como Portugal. Provavelmente, metade do ouro brasileiro acabou no Banco da Inglaterra e financiou estradas, portos, canais. A disponibilidade de capital, associada a um sistema bancário eficiente, com mais de quatrocentos bancos em 1790, explica a baixa taxa de juros; isto é, havia dinheiro barato para os empresários.

Depois de capital, recursos naturais e mercado, vamos ao quarto elemento essencial à industrialização, a transformação na estrutura agrária após a Revolução Inglesa. Com a gentry no poder, dispararam os cercamentos, autorizados pelo Parlamento. A divisão das terras coletivas beneficiou os grandes proprietários.

As terras dos camponeses, os yeomen, foram reunidas num só lugar e eram tão poucas que não lhes garantiam a sobrevivência: eles se transformaram em proletários rurais; deixaram de ser ao mesmo tempo agricultores e artesãos.

Duas conseqüências se destacam:

1) diminuiu a oferta de trabalhadores na indústria doméstica rural, no momento em que ganhava impulso 0 mercado, tornando-se indispensável adotar nova forma de produção capaz de satisfazê-lo
2)
a proletarização abriu espaço para o investimento de capital na agricultura, do que resultaram a especialização da produção, o avanço técnico e o crescimento da produtividade.

A população cresceu, o mercado consumidor também; e sobrou mão-de-obra para os centros industriais.

Mecanização da Produção

As invenções não resultam de atos individuais ou do acaso, mas de problemas concretos colocados para homens práticos. O invento atende à necessidade social de um momento; do contrário, nasce morto. Da Vinci imaginou a máquina a vapor no século XVI, mas ela só teve aplicação no ,século XVIII.

Para alguns historiadores, a Revolução Industrial começa em 1733 com a invenção da lançadeira volante, por John Kay. O instrumento, adaptado aos teares manuais, aumentou a capacidade de tecer; até ali, o tecelão só podia fazer um tecido da largura de seus braços. A invenção provocou desequilíbrio, pois começaram a faltar fios, produzidos na roca. Em 1767, James Hargreaves inventou a spinning jenny, que permitia ao artesão fiar de uma só vez até oitenta fios, mas eram finos e quebradiços. A water frame de Richard Arkwright, movida a água, era econômica mas produzia fios grossos. Em 1779, S Samuel Crompton combinou as duas máquinas numa só, a mule, conseguindo fios finos e resistentes. Mas agora sobravam fios, desequilíbrio corrigido em 1785, quando Edmond Cartwright inventou o tear mecânico.

Cada problema surgido exigia nova invenção. Para mover o tear mecânico, era necessária uma energia motriz mais constante que a hidráulica, à base de rodas d’água.

James Watt, aperfeiçoando a máquina a vapor, chegou à máquina de movi mento duplo, com biela e manivela, que transformava o movimento linear do pistão em movimento circular, adaptando-se ao tear.

Para aumentar a resistência das máquinas, a madeira das peças foi substituída por metal, o que estimulou o avanço da siderurgia. Nos Estados Unidos, Eli Whitney inventou o descaroçador de algodão.

Revolução Social

A Revolução Industrial concentrou os trabalhadores em fábricas.

O aspecto mais importante, que trouxe radical transformação no caráter do trabalho, foi esta separação: de um lado, capital e meios de produção (instalações, máquinas, matéria-prima); de outro, o trabalho. Os operários passaram a assalariados dos capitalistas (donos do capital).

Uma das primeiras manifestações da Revolução foi o desenvolvimento urbano. Londres chegou ao milhão de habitantes em 1800. O progresso deslocou-se para o norte; centros como Manchester abrigavam massas de trabalhadores, em condições miseráveis. Os artesãos, acostumados a controlar o ritmo de seu trabalho, agora tinham de submeter-se à disciplina da fábrica. Passaram a sofrer a concorrência de mulheres e crianças. Na indústria têxtil do algodão, as mulheres formavam mais de metade da massa trabalhadora. Crianças começavam a trabalhar aos 6 anos de idade. Não havia garantia contra acidente nem indenização ou pagamento de dias parados neste caso.

A mecanização desqualificava o trabalho, o que tendia a reduzir o salário. Havia freqüentes paradas da produção, provocando desemprego. Nas novas condições, caíam os rendimentos, contribuindo para reduzir a média de vida. Uns se entregavam ao alcoolismo. Outros se rebelavam contra as máquinas e as fábricas, destruídas em Lancaster (1769) e em Lancashire (1779). Proprietários e governo organizaram uma defesa militar para proteger as empresas.

A situação difícil dos camponeses e artesãos, ainda por cima estimulados por idéias vindas da Revolução Francesa, levou as classes dominantes a criar a Lei Speenhamland, que garantia subsistência mínima ao homem incapaz de se sustentar por não ter trabalho. Um imposto pago por toda a comunidade custeava tais despesas.

Havia mais organização entre os trabalhadores especializados, como os penteadores de lã. Inicialmente, eles se cotizavam para pagar o enterro de associados; a associação passou a ter caráter reivindicatório. Assim surgiram as tradeunions, os sindicatos.

Gradativamente, conquistaram a proibição do trabalho infantil, a limitação do trabalho feminino, o direito de greve.

A Segunda Revolução Industrial

A energia elétrica está para a segunda revolução industrial assim como a máquina a vapor esteve para a primeira e com a luz elétrica as taxas de lucratividade foram elevadas, permitindo o acelerado crescimento industrial. Motores e máquinas menores e toda a parafernália eletrônica subsequente permitiram o desenvolvimento de um grande número de utilidades domésticas, que seriam os bens de consumo duráveis que, juntamente com o automóvel, constituem os maiores símbolos da sociedade moderna.

O desenvolvimento da indústria de utilidades domésticas ocorre como resposta natural à escassez e ao encarecimento da mão-de-obra de serviços domésticos.

Ou seja, a mãode-obra de baixa qualificação migra para a indústria e os salários dos serventes tendem a acompanhar os salários industriais. Com o crescimento do movimento feminista, vincula-se a ideia que as "donas de casa devem se libertar da escravidão do trabalho doméstico", o que intensifica a demanda por utilidades domésticas devido ao aumento da renda familiar.

No contexto de se aumentar a produtividade do trabalho, surge o método de administração científica de Frederick W. Taylor, que se tornaria mundialmente conhecido como taylorismo: para ele o grande problema das técnicas administrativas existentes consistia no desconhecimento, pela gerência, bem como pelos trabalhadores, dos métodos ótimos de trabalho. A busca dos métodos ótimos, seria efetivada pela gerência, através de experimentações sistemáticas de tempos e movimentos. Uma vez descobertos, os métodos seriam repassados aos trabalhadores que transformavam-se em executores de tarefas pré-definidas.

Uma segunda concepção teórica, conhecida como fordismo, acelera o conceito de produto único de forma a intensificar as possibilidades de economia de escala no processo de montagem e se obter preços mais baixos. Com seu tradicional exemplo do Ford T, ao se valer da moderna tecnologia eletromecânica, ele desenvolve peças intercambiáveis de alta precisão que elimina a necessidade de ajustamento e, consequentemente do próprio mecânico ajustador. Sem a necessidade de ajuste, a montagem pode ser taylorizada, levando a que mecânicos semi-qualificados se especializassem na montagem de pequenas partes.

Com a introdução de linhas de montagem, eleva-se a produtividade ao minimizar o tempo de deslocamento e redução nos estoques. Muito mais importante ainda, são os ganhos dinâmicos de longo prazo, uma vez que se pode avançar com a taylorização, onde a própria linha de montagem se transforma no controlador do ritmo de trabalho.

Esse cenário leva à substituição de empregados por máquinas de forma a maximizar a produtividade.

Por fim, com a expansão das escalas e dos ritmos de produção, o avanço da mecanização em sistemas dedicados se intensificará também nas unidades fornecedoras de peças, assim como nos fabricantes de matérias-primas e insumos.

Fonte: w3.ufsm.br

Revolução Industrial

Revolução Industrial - Século XVIII

A expressão Revolução Industrial foi difundida a partir de 1845, por Engelf um dos fundadores do socialismo científico, para designar o conjunto de transformações técnicas e econômicas que caracterizam a substituição de energia física pela energia mecânica, da ferramenta pela máquina e da manufatura pela fábrica no processo de produção capitalista.

Causas gerais da Revolução Industrial

Entre os diversos fatores que se encontram na origem do processo de industrialização, três merecem destaque especial: A Revolução Comercial, a acumulação primitiva de capital e o aparecimento das máquinas.

Outro fator importante da Revolução Industrial foi o aparecimento das máquinas a vapor, do tear mecânico e das máquinas de fiar, que revolucionara, no séc. XVIII, as técnicas de produção industrial. A partir daí ocorreu o surgimento da industria fabril.

Pionerismo da Inglaterra

Os capitais acumulados na Revolução Comercial: a Inglaterra foi o país que mais lucrou e mais riquezas acumulou durante a Revolução Comercial. (Tratado de Metuen)

A supremacia naval inglesa

A ascenção da Inglaterra (declínio do poderio holandês) à posição de "rainha dos mares", conferiu-lhe domínio do comércio mundial permitindo-lhe organizar um imenso império colonial.

A disponibilidade de mão-de-obra

Nos sécs. XVI e XVII os nobres ingleses, apoiados pelo absolutismo expulsaram os camponeses de suas terras comunais e se apossaram delas, transformando-as em pastagens para criação de ovelhas. Esse processo ficou conhecido como "cercamento" provocando uma grande migração de mão-de-obra do campo para a cidade.

Instauração da monarquia parlamentar

Revolução gloriosa de 1688 e de 1689 estabeleceram à Inglaterra a supremacia do parlamento sobre a monarquia.

O Triunfo da ideologia liberal

A revolução intelectual dos sécs. XVI e XVII assinalou a vitória do liberalismo na Inglaterra.

Primeira Revolução Industrial

Primeiras invenções – A máquina de tear, a máquina a vapor, o barco a vapor, o telégrafo, a locomotiva.

A Revolução Industrial acelerou o processo de migrações do campo para a cidade, o que intensificou o crescimento da população urbana e contribuiu para a formação de uma nova classe social, a operária. A jornada de trabalho nas primeiras décadas de industrialização tinha uma duração de 14 a 16 horas diárias.

Os baixos salários, em conseqüência de abundância de mão-de-obra e da utilização das máquinas reduziram o preço da força de trabalho a níveis de mera substância. O desemprego levou a uma formação do "exército industrial de reserva".

Na Inglaterra a miséria e o desemprego produzidos pela industrialização acabaram por desencadear um movimento espontâneo de destruição das máquinas pelos operários, que ficou conhecido como LUDISMO.

Segunda Revolução Industrial

A partir de 1860 um conjunto de novas transformações técnicas e econômicas produziram grandes mudanças no processo de industrialização e se estendeu até o início da 1ª Guerra Mundial.

Entre as invenções que assinalaram o começo da Segunda Revolução Industrial, três merecem destaque especial: o processo de Bessemer de transformação do ferro em aço (Hemy Bessemer), o dínamo, cuja invenção criou condições para a substituição do vapor pela eletricidade. O "ouro negro" passou a ser utilizado como força motriz em navios e locomotivas.

A expansão da industrialização

França: A grande Revolução de 1789 destruiu os remanescentes da velha ordem feudal e criou condições para o desenvolvimento do capitalismo moderno. O processo de industrialização foi, entretanto, afetado pela ausência de jazidas de carvão, no país e prejudicado pela derrota na guerra França-Prussiana, em que a França foi obrigada a ceder à Alemanha a região da Alsacia Lorena, rica em jazida de ferro.
Alemanha:
Como o resultado da Guerra França-prussiana em 1870, houve unificação alemã, que liderada por Bismarck, impulsionou a Revolução Industrial no país.
Itália:
A unificação política realizada em 1870, à semelhança do que ocorreu na Alemanha, impulsionou, embora tardiamente, a industrialização do país. Assim a industrialização ficou limitada ao norte da Itália, enquanto o sul continuou essencialmente agrária.
Rússia:
Nesse país a Revolução Industrial só se iniciou realmente na terra na última década do séc. XIX.

Razões dessa industrialização: grande disponibilidade de mão-de-obra, intervenção governamental na economia e investimentos estrangeiros.

E. U. A.: Final da guerra da secessão, em 1865. O término do conflito, abolição da escravatura, a riqueza de recursos naturais.
Japão:
A modernização do Japão data do início da "era Meiji", em 1867, quando a superação do feudalismo unificou o país, centralizou a autoridade política, liberou mão-de-obra, possibilitou intervenção governamental na economia, assimilação da Tecnologia acidental.

Conseqüências da Revolução Industrial

O surgimento do capitalismo financeiro

A primeira Revolução Industrial teve como uma das suas principais conseqüências o desenvolvimento do capitalismo industrial;

A formação dos grandes conglomerados econômicos - Na primeira Revolução Industrial ocorreu o desenvolvimento do liberalismo econômico, que se baseava na livre concorrência. Esse sistema por sua vez, criou condições para que as grandes empresas eliminassem ou absorvessem as pequenas empresas através de um processo cujo resultado foi a substituição da livre concorrência pelo monopólio.

Processo de produção em série

As mercadorias passaram a ser produzidas de maneira uniforme e padronizada.

A expansão do imperialismo

As potências capitalistas necessitavam de mercados externos que servissem de escoradouro para seu excedente de mercadorias.

Fonte: www.vestigios.hpg.ig.com.br

Revolução Industrial

Revolução Industrial - Século XVIII

Começa na Inglaterra, em meados do século XVIII. Caracteriza-se pela passagem da manufatura à indústria mecânica. A introdução de máquinas fabris multiplica o rendimento do trabalho e aumenta a produção global. A Inglaterra adianta sua industrialização em 50 anos em relação ao continente europeu e sai na frente na expansão colonial.

Progresso tecnológico

A invenção de máquinas e mecanismos como a lançadeira móvel, a produção de ferro com carvão de coque, a máquina a vapor, a fiandeira mecânica e o tear mecânico causam uma revolução produtiva. Com a aplicação da força motriz às máquinas fabris, a mecanização se difunde na indústria têxtil e na mineração. As fábricas passam a produzir em série e surge a indústria pesada (aço e máquinas). A invenção dos navios e locomotivas a vapor acelera a circulação das mercadorias.

Empresários e proletários

O novo sistema industrial transforma as relações sociais e cria duas novas classes sociais, fundamentais para a operação do sistema. Os empresários (capitalistas) são os proprietários dos capitais, prédios, máquinas, matérias-primas e bens produzidos pelo trabalho. Os operários, proletários ou trabalhadores assalariados, possuem apenas sua força de trabalho e a vendem aos empresários para produzir mercadorias em troca de salários.

Exploração do trabalho

No início da revolução os empresários impõem duras condições de trabalho aos operários sem aumentar os salários para assim aumentar a produção e garantir uma margem de lucro crescente. A disciplina é rigorosa mas as condições de trabalho nem sempre oferecem segurança. Em algumas fábricas a jornada ultrapassa 15 horas, os descansos e férias não são cumpridos e mulheres e crianças não têm tratamento diferenciado.

Movimentos operários

Surgem dos conflitos entre operários, revoltados com as péssimas condições de trabalho, e empresários. As primeiras manifestações são de depredação de máquinas e instalações fabris. Com o tempo surgem organizações de trabalhadores da mesma área.

Sindicalismo

Resultado de um longo processo em que os trabalhadores conquistam gradativamente o direito de associação. Em 1824, na Inglaterra, são criados os primeiros centros de ajuda mútua e de formação profissional. Em 1833 os trabalhadores ingleses organizam os sindicatos (trade unions) como associações locais ou por ofício, para obter melhores condições de trabalho e de vida. Os sindicatos conquistam o direito de funcionamento em 1864 na França, em 1866 nos Estados Unidos, e em 1869 na Alemanha.

Primeiro de maio

É a data escolhida na maioria dos países industrializados para comemorar o Dia do Trabalho e celebrar a figura do trabalhador. A data tem origem em uma manifestação operária por melhores condições de trabalho iniciada no dia 1o de maio de 1886, em Chicago, nos EUA. No dia 4, vários trabalhadores são mortos em conflitos com as forças policiais. Em conseqüência, a polícia prende oito anarquistas e os acusa pelos distúrbios. Quatro deles são enforcados, um suicida-se e três, posteriormente, são perdoados. Por essa razão, desde 1894, o Dia do Trabalho, nos Estados Unidos, é comemorado na primeira segunda-feira de setembro.

Conseqüências do processo de industrialização - As principais são a divisão do trabalho, a produção em série e a urbanização. Para maximizar o desempenho dos operários as fábricas subdividem a produção em várias operações e cada trabalhador executa uma única parte, sempre da mesma maneira (linha de montagem). Enquanto na manufatura o trabalhador produzia uma unidade completa e conhecia assim todo o processo, agora passa a fazer apenas parte dela, limitando seu domínio técnico sobre o próprio trabalho.

Industrialização na Inglaterra

A primeira fase da revolução industrial (1760-1860) acontece na Inglaterra. O pioneirismo se deve a vários fatores, como o acúmulo de capitais e grandes reservas de carvão. Com seu poderio naval, abre mercados na África, Índia e nas Américas para exportar produtos industrializados e importar matérias-primas.

Acúmulo de capital

Depois da Revolução Gloriosa a burguesia inglesa se fortalece e permite que o país tenha a mais importante zona livre de comércio da Europa. O sistema financeiro é dos mais avançados. Esses fatores favorecem o acúmulo de capitais e a expansão do comércio em escala mundial.

Controle do campo

Cada vez mais fortalecida, a burguesia passa a investir também no campo e cria os cercamentos (grandes propriedades rurais). Novos métodos agrícolas permitem o aumento da produtividade e racionalização do trabalho. Assim, muitos camponeses deixam de ter trabalho no campo ou são expulsos de suas terras.

Vão buscar trabalho nas cidades e são incorporados pela indústria nascente.

Crescimento populacional

Os avanços da medicina preventiva e sanitária e o controle das epidemias favorecem o crescimento demográfico. Aumenta assim a oferta de trabalhadores para a indústria.

Reservas de carvão

Além de possuir grandes reservas de carvão, as jazidas inglesas estão situadas perto de portos importantes, o que facilita o transporte e a instalação de indústrias baseadas em carvão. Nessa época a maioria dos países europeus usa madeira e carvão vegetal como combustíveis. As comunicações e comércio internos são facilitados pela instalação de redes de estradas e de canais navegáveis. Em 1848 a Inglaterra possui 8 mil km de ferrovias.

Situação geográfica

A localização da Inglaterra, na parte ocidental da Europa, facilita o acesso às mais importantes rotas de comércio internacional e permite conquistar mercados ultramarinos. O país possui muitos portos e intenso comércio costeiro.

Expanção industrial

A segunda fase da revolução (de 1860 a 1900) é caracterizada pela difusão dos princípios de industrialização na França, Alemanha, Itália, Bélgica, Holanda, Estados Unidos e Japão. Cresce a concorrência e a indústria de bens de produção. Nessa fase as principais mudanças no processo produtivo são a utilização de novas formas de energia (elétrica e derivada de petróleo) , o aparecimento de novos produtos químicos e a substituição do ferro pelo aço.

Automatomatização e Robótica

A terceira fase da revolução industrial é a que vai de 1900 até os dias de hoje. Caracteriza-se pelo surgimento de grandes complexos industriais e empresas multinacionais e pela automação da produção. Desenvolvem-se a indústria química e a eletrônica. Os avanços da robótica e da engenharia genética também são incorporados ao processo produtivo, que depende cada vez menos de mão-de-obra e mais de alta tecno. Nos países de economia mais desenvolvida surge o desemprego estrutural. O mercado se globaliza apoiado na expansão dos meios de comunicação e de transporte.

Truste

Grupo de empresas dotadas de autonomia jurídica, mas controladas por uma única sociedade matriz. O truste também pode ser entendido como uma empresa poderosa, que controla parte significativa ou todo um setor econômico.

Cartel

Tipo de truste constituído por um grupo de empresas juridicamente distintas, que procuram estabelecer, em comum, os preços de determinados produtos, em detrimento das leis de mercado e do consumidor. É também conhecido como pool.

Holding

Sociedade financeira, sem atividade produtiva, que controla ou dirige, por intermédio de participações, empresas com personalidade jurídica própria.

Fonte: www.setrem.com.br

Revolução Industrial

A economia mundial sofreu modificações profundas a partir da segunda metade do século XVIII, quando se iniciou, na Grã-Bretanha, a revolução industrial.

Estreitamente relacionada ao desenvolvimento do sistema capitalista, a industrialização se estendeu por todo o mundo e determinou o surgimento de novas formas de sociedade, de estado e de pensamento.

Em sentido restrito, a expressão "revolução industrial" aplica-se às transformações econômicas e técnicas ocorridas na Grã-Bretanha, entre o século XVIII e o XIX, com o surgimento da grande indústria moderna.

Em sentido amplo, refere-se à fase do desenvolvimento industrial que corresponde à passagem da oficina artesanal ou da manufatura para a fábrica.

No plano econômico geral, esse processo se fez acompanhar da transformação do capitalismo comercial, que se iniciara no Renascimento, no capitalismo industrial.

A revolução industrial inglesa estendeu-se depois ao centro-oeste da Europa e aos Estados Unidos e conferiu a essas regiões grande supremacia sobre as nações européias e não-européias que ficaram à margem dessa revolução, em virtude do mecanismo de acumulação de capital inerente ao capitalismo moderno.

Criou-se assim um descompasso crescente entre países industrializados, economicamente desenvolvidos, e países não industrializados, ou subdesenvolvidos, de economia dependente.

A expressão revolução industrial não é aceita pacificamente.

Alguns economistas argumentam que a palavra "revolução" pressupõe mudanças súbitas e bruscas, que não ocorrem na economia.

Os próprios contemporâneos do fenômeno, no entanto, viram-no com esse caráter revolucionário. Arthur Young, economista inglês do final do século XVIII, referiu-se a ela como "uma revolução que está sendo feita". Reconhecida pelos socialistas, a expressão foi difundida pelo economista Arnold Toynbee, tio do historiador homônimo, em The Industrial Revolution (1884; A revolução industrial).

Fonte: www.conteudoglobal.com

Revolução Industrial

Revolução Industrial - Século XVIII

Durante o chamado período manufatureiro do capitalismo, o longo processo de divisão capitalista do trabalho, descrito no capítulo anterior, criou as pré-condições técnicas que permitiriam o advento da revolução industrial.

Naquele período (cerca de dois séculos - a partir de meados do século XVI), as atividades produtivas ainda eram executadas essencialmente com base nas habilidades manuais de trabalhadores muito qualificados em seus ofícios, verdadeiros artífices ou artesãos. A origem do termo "manufatura" vem exatamente daí (feito à mão).

À medida que a divisão capitalista do trabalho foi sendo introduzida e/ou aprofundada, e que cada vez mais pessoas trabalhavam concentradas no mesmo local, de maneira coordenada ou articulada, os coletivos de trabalhadores em atividade assemelhavam-se a mecanismos produtivos vivos, cujas partes eram constituídas por seres humanos. A necessidade de harmonização das diversas partes desse mecanismo vivo estimulava, por conseguinte, o aumento do controle capitalista, exercido inicialmente por meio de atividades rudimentares com relação ao que hoje chamamos de gerência, buscando garantir a disciplina no ambiente de trabalho. Quantidades crescentes de trabalhadores cada vez mais especializados concentravam-se em edificações produtivas que também cresciam.

Passava-se aos poucos da oficina, que abrigava os oficiais artesãos senhores de seu trabalho, específica a cada tipo de produto, para a fábrica, construída por uma complexa teia de tempos e movimentos de trabalhadores especializados na confecção dos componentes, os mais distintos dos produtos.

A maior decomposição das tarefas e a especialização de uma parte também crescente dos trabalhadores diretos, por sua vez, fazia com que os movimentos de intervenção desses trabalhadores no processo produtivo ficassem cada vez mais repetitivos e restritos a manipulações simples, "automatizáveis" à primeira oportunidade.

Como conseqüência, dentro de uma tendência geral de desqualificação do trabalho, ampliava-se a demanda por um contingente de trabalhadores cada vez mais especializados, que pouco tinham a ver com a preexistente "base técnica artesanal" : Isso levava a um rebaixamento do valor da força de trabalho empregada, tomada individualmente. Fica claro, uma vez mais, que qualificação e especialização não devem ser tomadas como sinônimos, mas como movimentos tendências essencialmente antagônicos de evolução das características objetivas da força de trabalho no capitalismo produtivo.

A tendência à especialização era reforçada pela utilização também crescente de instrumentos e implementos desenvolvidos para uso exclusivo naquelas funções simplificadas, de modo a aumentar sua produtividade. O período manufatureiro foi pródigo na introdução dos mais diferentes utensílios produtivos. Na verdade, a combinação desses instrumentos "primários" ou iniciais de trabalho mecânico gerou as bases rudimentares para a construção esporádica dos primários mecanismos que se assemelhavam a máquinas, ainda no século XVII. Tais mecanismos, precursores em um século das "verdadeiras" máquinas que surgiram com a revolução industrial, tiveram o mérito de gerar as bases práticas para que os grandes matemáticos da época criassem a ciência da mecânica.

Naquele longo período, o intenso processo de divisão do trabalho chegou a tal ponto que permitiu a Adam Smith contabilizar, já então, 18 tarefas diferentes para a confecção de um alfinete, no famoso exemplo citado no livro A riqueza das nações, de 1776. Pode-se imaginar o nível de simplificação de cada uma dessas tarefas. Com a generalização do quadro, acentuado pela possibilidade de repetição das atividades produtivas individuais, foi então possível construir e desenvolver mecanismos imóveis para os quais fossem transferidas as ferramentas utilizadas pelos trabalhadores, quando atuavam diretamente sobre as peças a serem trabalhadas.

Esse fato é de suma importância: do ponto de vista das relações sociais de produção, é ele que caracteriza o surgimento da revolução industrial, como se verá logo adiante.

Máquinas-ferramentas a pleno vapor

Em geral, a revolução industrial é associada à invenção da máquina a vapor, aparentemente porque ela permitiu maior mobilidade de localização e flexibilidade na disposição física do capital produtivo, isto é, no lay-out e das fábricas em si, assim como viabilizou a ampliação das escalas de produção. No entanto, sem se desprezar a importância que a máquina a vapor possa ter tido para a revolução industrial, sob certo ângulo de análise, essa percepção. generalizada, se não é completamente equivocada, deve ser devidamente qualificada.

Em uma carta de Marx a Engels, de 28 de janeiro de 1863, os fundamentos da revolução industrial são enfocados de maneira distinta (Marx e Engels, 1975).

Na carta, bem como no capítulo sobre maquinaria e indústria moderna de O capital, Marx enfatiza a importância do surgimento da working machine1, para caracterizar a revolução industrial do ponto de vista das relações sociais de produção. Segundo essa ótica, fundamental não é o desenvolvimento de um mecanismo como a máquina a vapor, que dispensa ou potencializa o exercício da força motriz humana (como para fazer girar uma roda), mas sim de um mecanismo que concretiza a capacidade de transferência do conhecimento sobre o processo de trabalho, que passa da esfera do trabalho para a esfera do capital.

A possibilidade real para que isso acontecesse estava materializada nos movimentos repetitivos - e já extremamente simplificados pela divisão do trabalho - que o trabalhador fazia com a ferramenta ao atuar diretamente sobre a peça a ser produzida.

A máquina propriamente dita é assim um mecanismo que, após ser colocado em movimento, desempenha com suas ferramentas as mesmas operações que anteriormente eram executadas pelo trabalhador com ferramentas similares. O fato da força motriz ser derivada do homem ou de algu-ma outra máquina não faz diferença nesse respeito (Marx, O capital, p. 374).

Não é difícil entender. O fato de uma máquina de costura ser movida a eletricidade ou por movimentos regulares do pé da costureira atuando sobre o pedal mecânico por si só não altera a extraordinária importância que esse equipamento tem como amplificador da capacidade de trabalho humano; no ca-so, a capacidade de costurar. Novamente segundo Marx, a máquina a vapor em si, tal como ela existia na época de sua invenção, durante o período manufatureiro, ao final do século XVII, e tal como continuou a ser até 1780, não fez surgir qualquer revolução industrial. Ao contrário, foi a invenção das máquinas-ferramentas que tornou necessária a revolução da forma das máquinas a vapor necessárias (ibid., p. 375).

Marx acentua que, de fato, Watt aperfeiçoou aquela linhagem de mecanismos anteriores, criando a máquina de autopropulsão. No entanto, ainda naquela forma, ela continuava a ser meramente uma máquina para puxar água e outros líquidos das minas de sal.

Em sintonia com esse argumento, a percepção aqui defendida é de que a revolução industrial foi deflagrada no momento em que, concreta e sistematicamente, começaram a se transferir as ferramentas das mãos dos trabalhadores - e, conseqüentemente, suas habilidades, informações e conhecimentos sobre o processo de trabalho - para mecanismos móveis que cristalizavam tais habilidades, informações e conhecimentos sob a forma social de capital fixo. Ou seja, começava a concretizar-se, aí, de maneira real, um longo e incessante processo de transferência objetiva de conhecimento produtivo, que passava do âmbito do trabalho para a esfera do capital.

Marx associa seu conceito de subsunção real à utilização de máquinas-ferramentas, em particular das máquinas automáticas. Estas, que podem também ser chamadas de máquinas de produção, surgiram e se difundiram durante a revolução industrial justamente porque concretizavam a dependência do trabalhador em relação aos equipamentos de capital, no que diz respeito à determinação do ritmo de suas atividades como produtores de valor e de valor excedente. No fundo, estava em questão a redução da "porosidade" existente nas atividades produtivas dos trabalhadores. Não se tratava mais meramente de uma forma capitalista (o assalariamento), mas de estabelecer de fato um modo de produzir realmente capitalista em sua essência.

Isso não significa que, uma vez estabelecida a subsunção real do trabalho ao capital, ocorreria de uma vez para sempre. Não. Os conflitos entre capital e trabalho pela determinação de novos patamares de produtividade (isto é, dos ritmos de trabalho e respectivos índices de porosidade) estarão sempre sendo recolocados em outros níveis, seja por força da introdução de tecnologias mais produtivas, seja como resultado da implementação de novos e eventualmente complementares métodos gerenciais e/ou sistemas organizacionais. Assim, há subsunção real do trabalho ao capital e, depois, mais subsunção real, e mais, e mais...

Em última instância, o grau de subsunção real em uma época reflete a cristalização da resolução, ainda que parcial e/ou temporária, do conflito (de classes) na esfera da produção em pauta. É como se, a cada momento, "fotograficamente", a subsunção real do trabalho ao capital fosse a expressão concreta do conflito entre trabalhadores e patrões no âmbito da atividade produtiva. Por exemplo, a chamada indústria moderna só é como tal caracterizada quando se utilizam máquinas para fabricar outras máquinas, isto é, quando se começa a estender, ainda que muito lentamente, a subsunção real para o âmbito da produção em pequena escala.

A migração da inteligência fabril

Mas, afinal, o que são as máquinas-ferramentas? São mecanismos móveis que, de um lado, "seguram" uma ou mais ferramentas; de outro lado, "seguram" a peça ou o material a ser trabalhado e, por movimentos coordenados - de impacto, de rotação da peça ou das ferramentas, ou, ainda, de articulação sistemática das ferramentas, das peças e/ou do material entre si -, produzem na peça ou no material as transformações desejadas. Obtém-se uma peça estampada ou torneada, um pano tecido etc.

Há várias maneiras de distinguir tipos de máquinas-ferramentas. De início, interessa-nos ressaltar a diferença entre as chamadas máquinas de produção e as máquinas-ferramentas universais. As máquinas de produção são aquelas que, tendo em vista uma elevada escala do produto a ser confeccionado, executam repetidamente e de maneira automática os mesmos movimentos indefinidamente. Seria o caso de uma máquina para fabricar parafusos de uma única e determinada dimensão.

Dado que cada uma das atividades para tal fabricação já era extremamente simplificada pelo intenso processo de divisão do trabalho, passava a ser possível para os engineers da época articular, em um só equipamento mecânico de movimentos repetitivos e automáticos, todos aqueles movimentos e as respectivas ferramentas, agora devidamente modificadas e ajustadas de modo a compor o novo todo: uma máquina. Note-se que aqueles engineers não eram como os engenheiros de hoje; eram também trabalhadores manuais muito qualificados, com grande "herança" da base técnica artesanal, e que construíam, eles próprios, mecanismos e máquinas rudimentares (em inglês, chamadas engines).2

Pode-se perceber então que esses tipos de máquinas - de produção - representam as primeiras formas de automação industrial, nas quais o trabalho necessário à sua operação aparece como uma extensão do próprio mecanismo em funcionamento. Ou seja, automação não é novidade. Ela existe pelo menos desde a revolução industrial. Era, porém, uma automação rígida. A novidade dos dias de hoje é a difusão da automação flexível, tal como se verá no capítulo 6. Para que a automação fosse então economicamente viável, era necessário haver uma escala de produção de um único produto, elevada o suficiente para que valesse a pena contratar o minucioso trabalho daqueles engineers, verdadeiros experts em mecânica, para confeccionar uma máquina (de produção) que fizesse repetidamente - isto é, de maneira automatizada - todo aquele serviço.3

Vale ressaltar neste ponto que, àquela época, apesar de serem utilizadas para produzir bens de forma industrial, as máquinas eram, elas próprias e integralmente, produtos de um trabalho artesanal bastante sofisticado, realizado pelos engineers.4 Isso porque a tecnologia, à época, ainda não permitia um grau de precisão suficiente para que as peças produzidas por máquinas fossem usadas na confecção de outras máquinas. O torno de madeira, que era bastante usado quando ainda não havia se desenvolvido o aço, é um bom exemplo.

O rápido e acentuado desgaste das peças móveis desses equipamentos reduzia drasticamente a confiabilidade de obtenção das dimensões exigidas para peças de maior precisão. O problema era ainda mais evidente no caso das máquinas de produção, pois como elas eram feitas sob encomenda para cada fim específico, não podiam ser produzidas em séries maiores. Eram construídas uma a uma e exigiam - não só naquela época como até muito recentemente - métodos quase artesanais de trabalho. Para sua construção, portanto, era necessário trabalho da mais alta qualificação.

Também cabe ressaltar aqui que, por sua importância estratégica, decorrente do respectivo domínio das técnicas de produção (que implicava destreza, coordenação motora etc.), os trabalhadores altamente qualificados, empregados nas indústrias de bens de capital e nas ferramentarias, permaneceram sendo os mais mobilizados militantes do movimento sindical.5

Voltando ao ponto anterior, se, por um lado, a fabricação de uma máquina de produção exigia trabalhadores altamente qualificados, por outro lado, sua operação não dependia tanto das amplas qualificações mecânicas do trabalhador. A utilização de tais máquinas - que, não custa lembrar, eram automatizadas - implicava o emprego de trabalhadores mais especializados, muitos dos quais poderiam ser caracterizados como meros operadores de equipamentos. Mais uma vez aparece, aqui - e de maneira ainda mais clara e concreta -, a tendência à desqualificação do trabalhador manual, que se manifestava desde os tempos da manufatura.

No que tange às máquinas-ferramentas universais, justamente pela flexibilidade necessária à realização de um sem número de operações diferentes a cada produto diverso fabricado, elas podiam ser equipamentos padronizados e, conseqüentemente, ser produzidas em séries maiores do que as máquinas de produção. Apesar disso, também elas, na verdade como qualquer máquina da época, eram fruto de trabalho manual altamente qualificado - de ajustadores e outros oficiais ferramenteiros. Sua operação, também pela flexibilidade e versatilidade dos equipamentos, ainda exigia trabalhadores com elevado e diversificado grau de qualificação, que dependiam de habilidades manuais, mesmo que agora modificadas, pois eles passavam a intervir não diretamente sobre a ferramenta, mas sobre um mecanismo relativamente sofisticado, que potencializava a produtividade da ferramenta. O grau de subsunção real do trabalho ao capital, nessa área, continuava bastante baixo.

Em suma, por suas características, o advento da revolução industrial potencializou enormemente a capacidade de geração de riqueza (isto é, de produção de excedente econômico) sob a lógica capitalista de produzir. Não era mais meramente a ampla disseminação do trabalho assalariado, mas a maneira como ele executava suas atividades produtivas que se tornava subsumida à lógica capitalista. Cada vez mais era preciso que o indivíduo fosse assalariado e estivesse sob as condições de trabalho que se modernizavam com a revolução industrial, para ser incluído no circuito econômico como consumidor e para atingir sua sociabilidade como cidadão.

O processo da revolução industrial começa e se desenvolve inicialmente na Europa Setentrional, e é mais especificamente centrado na Inglaterra. Foi uma das colônias inglesas, os Estados Unidos, que, a partir dos germes levados pela imigração colonizadora, daria os maiores passos para amadurecer a revolução industrial e consolidá-la como caracterizadora da modernidade.

Fonte: www.multirio.rj.gov.br

Revolução Industrial

Revolução Industrial - Século XVIII

A Revolução Industrial teve início no século XVIII, na Inglaterra, com a mecanização dos sistemas de produção. Enquanto na Idade Média o artesanato era a forma de produzir mais utilizada, na Idade Moderna tudo mudou. A burguesia industrial, ávida por maiores lucros, menores custos e produção acelerada, buscou alternativas para melhorar a produção de mercadorias. Também podemos apontar o crescimento populacional, que trouxe maior demanda de produtos e mercadorias.

Pioneirismo Inglês

Foi a Inglaterra o país que saiu na frente no processo de Revolução Industrial do século XVIII. Este fato pode ser explicado por diversos fatores. A Inglaterra possuía grandes reservas de carvão mineral em seu subsolo, ou seja, a principal fonte de energia para movimentar as máquinas e as locomotivas à vapor. Além da fonte de energia, os ingleses possuíam grandes reservas de minério de ferro, a principal matéria-prima utilizada neste período. A mão-de-obra disponível em abundância (desde a Lei dos Cercamentos de Terras ), também favoreceu a Inglaterra, pois havia uma massa de trabalhadores procurando emprego nas cidades inglesas do século XVIII. A burguesia inglesa tinha capital suficiente para financiar as fábricas, comprar matéria-prima e máquinas e contratar empregados. O mercado consumidor inglês também pode ser destacado como importante fator que contribuiu para o pioneirismo inglês.

Avanços da Tecnologia

O século XVIII foi marcado pelo grande salto tecnológico nos transportes e máquinas. As máquinas à vapor, principalmente os gigantes teares, revolucionou o modo de produzir. Se por um lado a máquina substituiu o homem, gerando milhares de desempregados, por outro baixou o preço de mercadorias e acelerou o ritmo de produção.

Na área de transportes, podemos destacar a invenção das locomotivas à vapor (maria fumaça) e os trens à vapor. Com estes meios de transportes, foi possível transportar mais mercadorias e pessoas, num tempo mais curto e com custos mais baixos.

A Fábrica

As fábricas do início da Revolução Industrial não apresentavam o melhor dos ambientes de trabalho. As condições das fábricas eram precárias. Eram ambientes com péssima iluminação, abafados e sujos. Os salários recebidos pelos trabalhadores eram muito baixos e chegava-se a empregar o trabalho infantil e feminino.

Os empregados chegavam a trabalhar até 18 horas por dia e estavam sujeitos a castigos físicos dos patrões. Não havia direitos trabalhistas como, por exemplo, férias, décimo terceiro salário, auxílio doença, descanso semanal remunerado ou qualquer outro benefício. Quando desempregados, ficavam sem nenhum tipo de auxílio e passavam por situações de precariedade.

Reação dos trabalhadores

Em muitas regiões da Europa, os trabalhadores se organizaram para lutar por melhores condições de trabalho. Os empregados das fábricas formaram as trade unions (espécie de sindicatos) com o objetivo de melhorar as condições de trabalho dos empregados. Houve também movimentos mais violentos como, por exemplo, o ludismo. Também conhecidos como "quebradores de máquinas", os ludistas invadiam fábricas e destruíam seus equipamentos numa forma de protesto e revolta com relação a vida dos empregados. O cartismo foi mais brando na forma de atuação, pois optou pela via política, conquistando diversos direitos políticos para os trabalhadores.

Conclusão

A Revolução tornou os métodos de produção mais eficientes. Os produtos passaram a ser produzidos mais rapidamente, barateando o preço e estimulando o consumo. Por outro lado, aumentou também o número de desempregados. As máquinas foram substituindo, aos poucos, a mão-de-obra humana. A poluição ambiental, o aumento da poluição sonora, o êxodo rural e o crescimento desordenado das cidades também foram conseqüências nocivas para a sociedade. Até os dias de hoje, o desemprego é um dos grandes problemas nos países em desenvolvimento. Gerar empregos tem se tornado um dos maiores desafios de governos no mundo todo. Os empregos repetitivos e pouco qualificados foram substituídos por máquinas e robôs. As empresas procuram profissionais bem qualificados para ocuparem empregos que exigem cada vez mais criatividade e múltiplas capacidades. Mesmo nos países desenvolvidos tem faltado empregos para a população.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

Marques, Ademar Martins. Flavio Costa Berutti, Ricardo de Moura Faria. História Moderna através de textos.Ed... .Ano... .

Fonte: www.webartigos.com

Revolução Industrial

Revolução Industrial - Século XVIII

A Revolução Industrial designa um processo de profundas transformações econômico-sociais que se iniciou principalmente na Inglaterra. Em meados do século XVIII. Caracteriza-se pela passagem da manufatura à indústria mecânica. A introdução de máquinas fabris multiplica o rendimento do trabalho e aumenta a produção global. A Inglaterra adianta sua industrialização em 50 anos em relação ao continente europeu e sai na frente na expansão colonial.

Entre as principais características da sociedade industrial, podemos citar: a organização das mais diversas atividades humanas pelo capital; a predominância da indústria na atividade econômica e o crescimento da urbanização. Vários historiadores têm dividido o processo de criação das sociedades industriais em duas fases, a primeira com duração de 1760 a 1860 e a segunda iniciada por volta de 1860. Com essa revolução surgiram também novas formas de energia, como a eletricidade e os combustíveis derivados do petróleo. A velha Europa agrária foi se tornando uma região com cidades populosas e industrializadas. Com tempo, a Revolução Industrial influenciou profundamente a vida de milhões de pessoas em todas as regiões do planeta.

Fatores da Primeira Revolução Industrial

Revolução Comercial

A primeira etapa da industrialização foi gerada pela Revolução Comercial, realizada entre os séculos XV e XVIII, principalmente em alguns países da Europa centro-ocidental. Para esses países, a expansão do comércio internacional trouxe um extraordinário aumento da riqueza, permitindo a acumulação de capitais capazes de financiar o progresso técnico e alto custo da instalação de industrias.

A burguesia européia, fortalecida com o desenvolvimento dos seus negócios, passou a se interessar pelo aperfeiçoamento das técnicas de produção e a investir no trabalho de inventores na criação de máquinas e experiências industriais.

Além disso, a Revolução Comercial resultou num aumento incessante de mercados, isto é, do lugar geográfico das trocas.

A ampliação das trocas, que a partir do século XVI os europeus passaram a realizar em escala planetária, levou a radical alteração nas formas de produzir de alguns países da Europa ocidental.

O aumento da divisão do trabalho

Com a expansão do comércio, o trabalho artesanal, realizado com ferramentas, típico das corporações de ofício, foi sendo substituído por um trabalho mais dividido, que exigiu a utilização de máquinas numa escala crescente. A produtividade foi incomparavelmente maior.

Na França, por exemplo, os sapatos eram produzidos de forma artesanal: um mesmo artesão cortava, costurava, ou seja, realizava sozinho diversas tarefas que resultavam na fabricação de um sapato.

Depois da extinção das corporações e do crescimento do mercado, cada operário no interior das fábricas nascentes foi especializado numa determinada tarefa.

A utilização de máquinas

Muito cedo verificou-se que maior produtividade e maiores lucros para os empresários poderiam ser obtidos acrescentando-se ao trabalho dividido o emprego de máquinas em larga escala.

A sociedade industrial caracterizou-se fundamentalmente pela utilização sistemática de maquinário na produção e no transporte de mercadorias.

Para compreender a importância das máquinas, basta lembrar que elas, ao contrário das ferramentas, realizam trabalho utilizando basicamente forças da natureza, como o vento, a água, o fogo, o vapor, e um mínimo de força humana.

Alguns pensadores afirmam que a humanidade realizou seus maiores progressos criando máquinas para utilizar as energias da natureza. O progresso se realizou nos momentos em que a humanidade conseguiu fazer as forças da natureza trabalharem por ela por meio das máquinas.

A exigência de produzir mais, com o aumento das trocas, praticamente “forçou” o progresso técnico, que passou a constituir um dos traços mais significativos do moderno e contemporâneo.

Revolução Industrial na Inglaterra

A primeira fase da revolução industrial (1760-1860) acontece na Inglaterra. O pioneirismo se deve a vários fatores, como o acúmulo de capitais e grandes reservas de carvão. Com seu poderio naval, abre mercados na África, Índia e nas américas para exportar produtos industrializados e importar matérias-primas.

Ao longo dos séculos XVI, XVII E XVIII, houve o acúmulo de capitais em mãos de um pequeno grupo investidor. Esses capitais provinham do comércio colonial, do contrabando, do tráfico de escravos, de transações com outros países. Esses capitais eram igualmente acumulados através de operações no setor da produção agrícola. Esses capitais não eram atingidos por tributos elevados e desde o século XVII dispunham de uma empresa bancária sólida " o Banco da Inglaterra ", onde inclusive poderiam ser depositados com amplas garantias, sem se esquecer a possibilidade de obtenção de créditos.

Os setores empresariais dispunham de mão-de-obra numerosa e dependente, pois desvinculada dos meios e instrumentos de produção. Essa mão-de-obra crescia em função do aumento demográfico causado pela diminuição do índice de mortalidade e manutenção de alto índice de natalidade, pelo êxodo rural provocado pelos “enclosures” que criavam numerosos indivíduos sem emprego, e pela falência das corporações de ofício, o que, posteriormente, foi ampliado com o declínio das manufaturas.

Com a mecanização, aumentando a produção e os lucros, as indústrias se expandiram, embora determinados setores da produção industrial conhecessem progressos mais rápidos do que os verificados em outros setores.

No setor dos transportes, duas invenções foram importantíssimas: o navio a vapor, construído por Robert Fulton (1807), e a locomotiva a vapor, idealizada por George Stephenson (1814).

Fatores da Revolução inglesa

Acúmulo de capital

Depois da Revolução Gloriosa a burguesia inglesa se fortalece e permite que o país tenha a mais importante zona livre de comércio da Europa. O sistema financeiro é dos mais avançados. Esses fatores favorecem o acúmulo de capitais e a expansão do comércio em escala mundial.

Controle do campo

Cada vez mais fortalecida, a burguesia passa a investir também no campo e cria os cercamentos (grandes propriedades rurais). Novos métodos agrícolas permitem o aumento da produtividade e racionalização do trabalho. Assim, muitos camponeses deixam de ter trabalho no campo ou são expulsos de suas terras.

Vão buscar trabalho nas cidades e são incorporados pela indústria nascente.

Crescimento populacional

Os avanços da medicina preventiva e sanitária e o controle das epidemias favorecem o crescimento demográfico. Aumenta assim a oferta de trabalhadores para a indústria.

Reservas de carvão

Além de possuir grandes reservas de carvão, as jazidas inglesas estão situadas perto de portos importantes, o que facilita o transporte e a instalação de indústrias baseadas em carvão. Nessa época a maioria dos países europeus usa madeira e carvão vegetal como combustíveis. As comunicações e comércio internos são facilitados pela instalação de redes de estradas e de canais navegáveis. Em 1848 a Inglaterra possui 8 mil km de ferrovias.

Situação geográfica

A localização da Inglaterra, na parte ocidental da Europa, facilita o acesso às mais importantes rotas de comércio internacional e permite conquistar mercados ultramarinos. O país possui muitos portos e intenso comércio costeiro.

Expansão Industrial

A segunda fase da revolução (de 1860 a 1900) é caracterizada pela difusão dos princípios de industrialização na França, Alemanha, Itália, Bélgica, Holanda, Estados Unidos e Japão. Cresce a concorrência e a indústria de bens de produção.

Primeiro automóvel a gasolina industrializado Nessa fase as principais mudanças no processo produtivo são a utilização de novas formas de energia (elétrica e derivada de petróleo o aparecimento de novos produtos químicos e a substituição do ferro pelo aço.

Nesta fase formaram-se empresas gigantescas, algumas das quais deram origem às multinacionais do século XX. Surgiram eletricidade e os combustíveis derivados do petróleo.

Conseqüências da Revolução Industrial

Empresários e proletários

O novo sistema industrial transforma as relações sociais e cria duas novas classes sociais, fundamentais para a operação do sistema. Os empresários (capitalistas) são os proprietários dos capitais, prédios, máquinas, matérias-primas e bens produzidos pelo trabalho. Os operários, proletários ou trabalhadores assalariados, possuem apenas sua força de trabalho e a vendem aos empresários para produzir mercadorias em troca de salários.

Exploração do trabalho

No início da revolução os empresários impõem duras condições de trabalho aos operários sem aumentar os salários para assim aumentar a produção e garantir uma margem de lucro crescente. A disciplina é rigorosa mas as condições de trabalho nem sempre oferecem segurança. Em algumas fábricas a jornada ultrapassa 15 horas, os descansos e férias não são cumpridos e mulheres e crianças não têm tratamento diferenciado.

Movimentos operários

Surgem dos conflitos entre operários, revoltados com as péssimas condições de trabalho, e empresários. As primeiras manifestações são de depredação de máquinas e instalações fabris. Com o tempo surgem organizações de trabalhadores da mesma área.

Sindicalismo

Resultado de um longo processo em que os trabalhadores conquistam gradativamente o direito de associação. Em 1824, na Inglaterra, são criados os primeiros centros de ajuda mútua e de formação profissional. Em 1833 os trabalhadores ingleses organizam os sindicatos (trade unions) como associações locais ou por ofício, para obter melhores condições de trabalho e de vida.

Os sindicatos conquistam o direito de funcionamento em 1864 na França, em 1866 nos Estados Unidos, e em 1869 na Alemanha.

Aumento da produção e da urbanização

Em virtude da Revolução agrícola que diminuiu a necessidade de muita mão-de-obra nos meios rurais

Industrialização e Mundo Colonial

O aumento da produção industrial no início do século XIX fez com que a burguesia inglesa se preocupasse cada vez mais com a abertura constante de novos mercados. Para a Inglaterra tornou-se interessante a derrubada das barreiras mercantilista que criavam obstáculos ao comércio internacional.

Nas primeiras décadas do século XIX, os ingleses contribuíram decisivamente para a derrubada do Pacto Colonial na América ibérica, apoiando os grupos locais que lutavam pela independência. Com o fim da dominação colonial de Portugal e Espanha, iniciou-se nessa parte da América uma fase de dominação do imperialismo inglês.

Revolução nos Transportes

No início do século XIX, a máquina a vapor começou a ser utilizada nos meios de transporte. Data de 1807 o primeiro barco a vapor. Em 1825, na Inglaterra, o engenheiro George Estephenson conseguiu construir a primeira estrada de ferro.

Com o barco a vapor e as estradas de ferro, o tempo das viagens diminuiu, o custo dos transportes baixou e aumentou ainda mais o volume das trocas, isto é, o mercado. Com o aumento das trocas e a conseqüente necessidade de produzir mais, tornaram-se cada vez maiores os avanços da industrialização.

Conclusão

Chegamos a conclusão de que a Revolução Industrial foi para trazer transformações econômicas-sociais que consistia em ampliar os limites de suas relações comerciais e desenvolver mercados em outros continentes. E nesse esforço para expandir a região desenvolvia com maior rapidez seus recursos minerais, fontes de energia e outros.

Bibliografia

CAMPOS, R. Estudos de História moderna e contemporânea. Atual Editora. São
Paulo.1988.
AQUINO, R. S. L. de; ALVARENGA, F. J. M. de; FRANCO, D. de A & LOPES, O .
G.P.C. História das sociedades. Ed. Ao livro técnico S/A . Rio de Janeiro 1985.
AMANAQUE Abril CD-ROM. Ed. Abril Multimídia. 1995

Fonte: www.geocities.com

Revolução Industrial

O que é indústria?

Veja estes exemplos: o homem transforma a lã em tecido, transforma o trigo em farinha; transforma a pedra em cimento etc.

Indústria é a transformação da matéria prima (animal, como a lã, vegetal, como o trigo, ou mineral, como a pedra) em produtos que são utilizados pelo homem.

Como se faz essa transformação?

A transformação de matérias-primas em produtos úteis ao homem passou por tres formas básicas:

A) Artesanato: é a forma mais simples de produção industrial. Nesse sistema, o artesão faz tudo. O tecelão por exemplo fazia o fio e o tecia; o sapateiro preparava o couro, cortava-o e o costurava produzindo o sapato.
B) Manufatura:
caracterizava-se por um grande número de trabalhadores reunidos num determinado local e na especialização do trabalho; cada trabalhador realizava uma atividade específica.
C) Mecanização:
utilização de máquinas em substituição às ferramentas e ao próprio trabalho do homem; esta é a forma mais complexa da industrialização.

O processo da industrialização exigiu:

a) desenvolvimento técnico e científico
b)
investimento de grandes somas de dinheiro
c)
fornecimento de matérias primas
d)
consumidores para os produtos transformados.

A partir do século XVIII, o fenômeno da Revolução Industrial provocou uma grande mudança nas técnicas e nos instrumentos de trabalho, que por sua vez ampliaram os empreendimentos comerciais e aumentaram a produção.

Com a Revolução Industrial houve:

A passagem da sociedade rural para a sociedade industrial
A mecanização da indústria e da agricultura
O desenvolvimento do sistema fabril, com o uso da energia a vapor
O desenvolvimento dos transportes e das comunicações
A expansão do capitalismo, que passou a controlar quase todos os ramos da atividade econômica.

Como foi possível um conjunto de transformações tão profundas e revolucionáias?

O desenvolvimento industrial foi favorecido por várias circunstâncias:

As inovações da época da revolução comercial (na fase final da idade média), com a invenção do relógio de pêndulo, do termômetro, da bomba aspirante, da roda de fiar, do tear para fazer meias, os melhoramentos na fundição de metais e na obtenção do bronze.
A disponibilidade de capitais, resultante do acumulo de riquezas na Europa com a expansão marítima e comercial (entre 1400 e 1700), que levou a burguesia a procurar novas atividades para investir seu capital.
O mercantilismo que, com a finalidade de aumentar as exportações e conseguir uma balança comercial favorável, estimulou a produção de manufaturas.
Novos mercados consumidores, proporcionando uma procura cada vez maior de produtos industriais, graças à formação dos impérios coloniais e ao aumento da população européia.
O liberalismo econômico que, defendendo a liberdade nas atividades econômicas, contribuiu para a abolição das restrições impostas pelo mercantilismo ao comércio e às indústrias.

A Inglaterra foi a pioneira da Revolução Industrial, favorecida por vários fatores:

a) o grande acumulo de capitais resultante da Revolução Comercial
b)
a existência de uma grande liberdade econômica para a burguesia, principalmente após a Revolução Gloriosa de 1668
c)
a existência de um vasto império colonial fornecedor de matérias-primas e consumidor de produtos manufaturados
d)
a existência de uma poderosa marinha mercante que trazia matérias-primas e transportava produtos industrializados às mais distantes regiões do mundo.
e)
O clima favorável à industria de tecidos e a existência de grandes reservas de carvão mineral, utilizados como combustível.

A Revolução Industrial expandiu-se rapidamente para a França, Bélgica,, Alemanha e Estados Unidos.

Primeira fase da Revolução Industrial: 1750-1850

Essa etapa da Revolução Industrial foi assinalada pelos seguintes fenômenos:

a) invenção do tear mecânico e do descaroçador de algodão e consequente desenvolvimento da indústria têxtil
b)
invenção da máquina a vapor, que substitui as fontes tradicionais de energia mecânica, como a roda de água, a roda de vento e a tração animal
c)
uso do coque para a fundição do ferro; a produção de lâminas de ferro e a produção do aço em larga escala
d)
melhoria no processo de exploração do carvão mineral, com a utilização de máquinas a vapor para retirar a água acumulada nas minas de carvão
e)
revolução nos transportes e nas comunicações, com a invenção da locomotiva, do navio a vapor e do telégrafo
f)
progressos na agricultura, com a produção de adubos, melhores grades e arados, invenção da debulhadora e da ceifadeira mecânica.

Segunda fase da Revolução Industrial: de 1950 em diante

Os principais fenômenos que marcaram a Segunda fase da Revolução Industrial foram:

a) aperfeiçoamento na produção do aço, que superou o uso do ferro
b)
aperfeiçoamento do dínamo
c)
utilização de novas fontes de energia, como o petróleo e a energia elétrica
d)
invenção do motor de combustão interna
e)
emprego dos metais leves, como o alumínio e o magnésio
f)
nova evolução nos transportes, com introdução das locomotivas e dos navios a óleo, invenção do automóvel, do avião, do telégrafo sem fio, do rádio e da televisão
g)
introdução de máquinas automáticas, permitindo a produção em série e provocando um grande aumento na produção.

A Revolução Industrial provocou grandes transformações no mundo:

A economia transformou-se, pois a atividade industrial passou a ocupar o centro da vida econômica; formaram-se grandes empresas industriais e o trabalho assalariado passou a predominar em toda a parte; em outras palavras impõe-se o capitalismo industrial.
A sociedade foi profundamente afetada pelo êxodo rural e pelo crescimento da vida urbana; começaram a formar as cidades industriais; ocorreu também um aumento da população mundial; a burguesia industrial se fortaleceu e começou a ganhar cada vez mais destaque a classe operária.
Na política, houve a queda do estado absolutista, disputa entre os países europeus pelo domínio das colônias na África e na Ásia com o objetivo de obter matérias-primas para a indústria e consumidores para os produtos manufaturados; começaram a aparecer idéias políticas, sociais e econômicas tentando explicar a nova situação e solucionar os novos problemas.

Em resumo: A Revolução Industrial

Fases da indústria

Artesanato
Manufatura
Mecanização.

O processo da industrialização exigiu:

Desenvolvimento técnico e científico
Investimento de grandes capitais
Fornecimento de matérias-primas
Consumidores para os produtos transformados.

A Revolução Industrial proporcionou:

A passagem da sociedade rural para a sociedade industrial
A mecanização da indústria e da agricultura
O desenvolvimento do sistema fabril
O desenvolvimento dos transportes e comunicações
A expansão do capitalismo.

Primeira fase da Revolução Industria: 1750-1850

Tear mecânico, máquina a vapor, fundição do ferro, progressos na agricultura.

Segunda fase da Revolução Industrial: 1850 em diante

Dínamo, petróleo, motor de combustão interna, máquinas automáticas.

Vocabulário:

Ceifadeira: Máquina para cortar cereais, sobretudo trigo; é dotada de uma lâmina dentada que se movimenta em vaivém num porta-lâmina, guarnecido por dedos de ferro que dividem o cereal cortado em pequenos feixes.
Coque:
Tipo de carvão proveniente da destilação da hulha; é um mineral fóssil sólido de origem vegetal. O coque é usado sobretudo na produção de aço.
Debulhadora:
Máquina para debulhar, isto é, separar os grãos dos cereais do bagaço ou das folhas.
Dínamo:
Gerador que transforma a energia mecânica em energia elétrica.
Tear:
aparelho próprio para tecer.

Fonte: campus.fortunecity.com

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