A Revolução Iraniana, ocorrida em 1979, transformou o Irã - até então comandado pelo Xá Mohammad Reza Pahlevi - de uma monarquia autocrática pró-Ocidente, em uma república populista teocrática islâmica sob o comando do aiatolá Ruhollah Khomeini. Para efeito de análise histórica, a Revolução Iraniana é dividida em duas fases:
na primeira fase, houve uma aliança entre grupos liberais, esquerdistas
e religiosos para depor o xá;
na segunda, freqüentemente chamada Revolução Islâmica,
viu-se a chegada dos aiatolás ao poder.
O xá estava no poder desde 1941, com uma curta interrupção em 1953 quando teve que abandonar o país. Retornou no mesmo ano ao depor o governo democraticamente eleito de Mohammad Mossadeq, com a ajuda de uma operação da CIA, batizada de Operação Ajax. Pahlevi manteve boas relações com os Estados Unidos, porém conflitou com as visões tradicionais do Islão sobre o álcool, o jogo e as relações sexuais antes do casamento, as quais se recusou a banir. O regime era conhecido por sua corrupção política e práticas brutais, as quais, como resposta, suscitavam protestos tanto internos quanto da comunidade internacional.
Uma forte oposição surgiu durante o regime do xá. Particularmente importante era a oposição religiosa, que crescia desde longa data. A Ulema, ou comunidade de estudiosos das leis islâmicas, unia preocupações religiosas e seculares com uma longa história de ativismo social. Assim, mesclava oposição à brutalidade do governo a um forte compromisso em lutar contra a pobreza. Seu ativismo se mostrava conservador dos valores islâmicos e, à medida em que crescia, o governo reprimia violentamente os dissidentes. Em 1963, por exemplo, estudantes islâmicos foram violentamente atacados quando protestavam contra a abertura de um bar.
O aiatolá Khomeini era um líder da oposição que afirmava que o regime do xá era uma tirania. Após sua prisão e seu exílio em 1964, os protestos dos clérigos aumentou. Em resposta, Pahlevi decidiu enfrentar os religiosos com violência, prendendo e matando manifestantes. Não se sabe quantos morreram nesta campanha: o regime de Pahlevi falou em 86 mortos; os religiosos afirmaram que foram milhares.
De 1963 a 1967 a economia iraniana cresceu consideravelmente, graças aos aumentos do preço do petróleo e também com a exportação de aço. A inflação cresceu no mesmo período e, embora a economia crescesse, o padrão de vida dos pobres e das classes médias urbanas não melhorava. Ao invés disso, apenas a rica elite e os intermediários das companhias ocidentais é que se beneficiavam das extravagâncias do xá. O governo também dispendia grandes somas na compra de armamentos modernos, particularmente dos Estados Unidos.
Enfrentando crescente oposição de líderes religiosos e de pequenos empresários, o regime do xá decidiu, em 1975, empreender um novo esforço para controlar a sociedade iraniana. Este esforço visava diminuir o papel do islamismo na vida do reino, ressaltando, para isto, as conquistas das civilizações pré-islâmicas do país, especialmente a civilização persa. Nesta linha, em 1976 o calendário islâmico, lunar, foi banido do uso público e substituído por um calendário solar. Publicações marxistas e islâmicas também sofreram forte censura.
As reformas do xá também ficaram conhecidas como a revolução branca. Também foi abolido o regime feudal (dividindo terras dos líderes religiosos, o que diminuiu suas rendas) e dado direito ao voto às mulheres (o que foi visto pelos líderes religiosos como um plano para "trazer as mulheres para as ruas").
A população mais pobre do país tendia a ser o segmento mais fervorosamente religioso e o menos ocidentalizado. Os pobres viviam predominantemente no campo, ou habitavam favelas das grandes cidades, especialmente de Teerã. Eles desejavam o retorno aos valores básicos do islamismo, em oposição aos esforços modernizadores do regime, cujas promessas de progresso lhes soavam falsas, e baseadas no crescente distanciamento entre os mais ricos e os mais pobres.
À medida em que a classe média urbana se educava e se expunha aos valores ocidentais, parte dela passou a enxergar o regime do xá como parte do problema. Além disso, após sua restauração em 1953, a posição do xá tornou-se particularmente perigosa. Isto em grande parte devido aos seus fortes laços com o Ocidente, a corrupção interna, as reformas impopulares e a natureza despótica de seu regime, especialmente a repressão da polícia política, conhecida como SAVAK.
No início da década de 1970 o preço do petróleo cresceu rapidamente, e o descontentamento com a corrupção, os gastos supérfluos e a com violenta repressão aumentaram. A decadência interna foi bem ilustrada com a comemoração dos 2500 anos da fundação do Império Persa, ocorrida em outubro de 1971 em Persépolis, com três dias de celebrações a um custo total de US$ 300 milhões. Dentre as extravagâncias havia 1 tonelada de caviar preparada por 200 chefs vindos diretamente de Paris. Enquanto isto, muitos no país sequer tinham comida ou moradia decente.
À medida em que a desigualdade crescia, os protestos por mudanças aumentavam. Até mesmo elementos pró-ocidentais no Irã se incomodaram com a crescente autocracia e a crescente repressão da polícia secreta. Muitos deixaram o país antes da revolução, enquanto outros começaram a se organizar. Ao mesmo tempo, um movimento populista passou a se organizar nas mesquitas, através de sermões que denunciavam a maldade do Ocidente e dos valores ocidentais. O choque entre uma crescente população jovem e um regime que não oferecia nem os avanços de um estado moderno, nem a estabilidade de uma sociedade tradicional, criaram as condições para uma revolução.
Em 1977, após pressões por direitos humanos feitas pelo então presidente norte-americano Jimmy Carter (que ameaçou embargar o suprimento de armas) o regime do xá fez concessões, libertando 300 prisioneiros políticos, relaxando a censura e reformando o sistema judicial. Este relaxamanto conduziu ao aumento de protestos da oposição, e escritores passaram a reivindicar a liberdade de pensamento. Ao mesmo tempo, a política de reforma agrária implementada pelo xá sob pressão da administração Carter enfureceu os mulás (líderes religiosos) que declararam uma guerra santa ao xá.
Em 1978 uma série de protestos, iniciada com um ataque à figura de Khomeini na imprensa oficial do país, criou um ciclo ascendente de violência, até que, em 12 de dezembro daquele ano, cerca de 2 milhões de pessoas inundaram as ruas de Teerã para protestar contra o xá. O exército começou a se desintegrar, à medida em que os soldados se recusaram a atirar nos manifestantes e passaram a desertar. O xá concordou em introduzir uma constituição mais moderada, porém já era tarde para isto. A maioria da população já era leal a Khomeini, e, quando ele pediu o fim completo da monarquia, o xá foi forçado a abandonar o país, a 16 de janeiro de 1979.
Khomeini retornou da França em 1 de fevereiro, convidado pela revolução anti-xá que prosseguia, e rapidamente afastou os elementos mais moderados, criando uma república islâmica onde se tornou o líder supremo.
Fonte: pt.wikipedia.org
Quando especialistas da CIA escreveram um relatório em setembro de 1978 sobre a saúde política do regime monarquista pró-ocidental no Irã, eles concluiram que apesar do seu governo autocrático, o Xá presidiu uma dinastia estável que duraria pelo menos mais uma década.
Meros quatro meses depois, ele foi forçado a fugir de uma revolução popular que derrotou um dos regimes mais viciados no planeta. Sua polícia secreta, a forte SAVAK com 65 mil policiais, tinha penetrado em todas as camadas da sociedade, esprestando e “refinando” as medidas perversas da Gestapo. Até o ditador chileno Pinochet mandou seus torturadores para treinar em Teerã.
Apesar desses obstáculos colossais, os trabalhadores depuseram o Xá e colocaram em início um processo revolucionário que iria aterrorizar tanto os regimes reacionários do Oriente Médio como também as forças imperialistas no Ocidente. E, não menos importante, esse levante popular alarmou a burocracia stalinista na União Soviética, que estava engajada em um lucrativo acordo com o Irã.
Porém, os trabalhadores não seriam os beneficiários de sua revolução quando o poder passou do Xá para as mãos dos islâmicos de direita liderados por Ayatollah Khomeini.
Com três anos, todas as leis seculares foram declaradas sem sentido e vazias. Códigos de vestimenta feminina foram fortalecidos através de uma severa interpretação dos costumes islamicos. 60 mil professores foram demitidos e milhares de trabalhadores opositores foram mortos ou presos. O Partido Comunista Iraniano, o Tudeh, que abraçou entusiasticamente Khomeini em seu retorno do exílio em 1979, foi banido em 1983.
Um regime totalitário mantem-se através do terror e da opressão e obtem sucesso enquanto as massas permanecem medrosas e inertes. Mas o horror da vida diária finalmente traz a revolta. Uma vez que a classe trabalhadora perde seu medo do regime e põe-se à ação, a polícia secreta e todo o seu terrível aparato se mostra, geralmente, impotente.
Manifestações ilegais das massas envolveram o Irã entre outubro de 1977 e fevereiro de 1978. Demandando direitos democráticos e a partilha da riqueza do país, os estudantes, e posteriormente a classe trabalhadora, desafiaram os tiros na rua. Seguindo o alvejamento de centenas na cidade sagrada de Qom em Janeiro de 1978, uma greve geral de dois milhões em Teerã propagada para Isfaha, Shiraz e a cidade santuário de Mashad. Faixas pediam por: “Vingança contra o brutal Xá e seus amigos imperialistas americanos”, enquanto outros demandavam: “Uma república socialista baseada no Islã”. Reforçando, os soldados começaram a fraternizar com a multidão, gritando: “Nós estamos com o povo”.
Mesmo a classe capitalista liderada pela Frente Nacional de Mehdi Bazargan,
que tinha previamente limitado suas ambições em conseguir de
Xá a divisão de poder, foi forçada, no desenvolvimento
de uma atmosfera vermelha, a adotar um programa “semi-socialista”.
A revolução iraniana desdobrou-se em um nível superior
ao da revolução russa de 1905 com a qual possui vários
paralelos. Nesta, as massas inicialmente confiaram seus destinos nos democratas
que prometiam fazer o Czar ouvir suas queixas. Agora, no Irã, os apelos
podiam ser ouvidos em qualquer lugar e pediam que o Xá deveria ser
derrubado.
O funcionalismo público e os bancários tiveram um papel fundamental na exposição das ramificações das riquezas. Escriturários dos bancos abriram os livros para revelar que nos últimos três meses de 1978, um bilhão de libras tinham sido retirados do país por 178 nomeados membros da elite, imitando seu Xá que tinha transferido uma quantia similar para os EUA. As massas furiosas responderam queimando mais de 400 bancos.
Quando Mohamed Reza Pahlevi, o auto-plocamado descendente verdadeiro do trono “Pavão” de 2.500 anos, desonrosamente abandonou o país em 16 de Janeiro de 1979 pela última vez, sua abdicação foi vista como uma vitória pelos manifestantes. Agora a questão estava na abolição do Estado absolutista e que forma iria tomar o novo Irã.
A classe trabalhadora encabeçou a luta contra o Xá através de manifestações, de uma greve geral de quatro meses e finalmente de uma insurreição nos dias 10 e 11 de Fevereiro. A ordem antiga foi varrida para sempre. Nessa luta ela ficou consciente de seu poder, mas não consciente de como organizar o poder que agora estava em suas mãos.
A revolução testa todas as classes e para a classe trabalhadora a questão chave é se ela possuiu uma direção decidida para fazer da insurreição popular uma construção socialista.
No Irã, a despeito do heroísmo dos trabalhadores, estudantes e juventude, havia uma ausência de uma direção marxista e nenhum partido de massas capaz de tirar as conclusões necessárias do caminho da revolução. Era tarefa de um partido marxista explicar a necessidade para a classe trabalhadora, em aliança com as minorias nacionais e os camponeses pobres, tomar conscientemente o poder estatal em suas mãos e se responsabilizar pelas tarefas de uma revolução socialista.
As maiores forças de esquerda no Irã na época eram o Partido Comunista Tudeh, a guerrilha marxista Fedayeen Khalq e a guerrilha islâmica Mojaheddin. Apesar de desfrutarem de uma grande militância e uma forte estrutura e armamentos, eles sofriam de uma confusão programática. Eles não possuiam uma política independente para a classe trabalhadora, ao invés, procuraram se unir a Khomeini atendendo aos interesses dos cléricos e sufocando um movimento dos trabalhadores independente.
A derrubada da autocracia revelou um vácuo político. Agora, num momento crítico no destino das massas, quando o poder real esteve em suas mãos, o Tudeh demonstrou o objetivo de estabelecer uma “República Muçulmana Democrática”. Isso significa, na realidade, que o Tudeh renunciou o papel de liderança da revolução e, ao invés, seguiu a agenda política dos Mullahs – sacerdotes paroquiais.
As relações entre o ocidentalizado xá e a Mesquita Islâmica há muito tempo já eram tensas. Quando o xá desapropriou as terras da Igreja, os cléricos muçulmanos reagiram furiosamente e oraram contra o regime ateu. O líder espiritual dos xiitas iranianos, Ayatollah Khomeini, foi exilado na Turquia e posteriormente Paris, após participar de uma revolta contra expropriação de terras em 1963 quando centenas foram alvejados.
Marx, uma vez, descreveu a religião como “o indício de oprimidos”. Por causa da proibição de todas as organizações oposicionistas a Xá, os oponentes do regime tendiam a se reunir em volta das mesquitas onde eram proferidos sermões radicais. Aos poucos isso foi interpretado como uma luta contra o totalitarismo.
As messagens de Khomeini no exílio eram distribuidas através
de fitas cassetes que entravam clandestiamente no Irã em pequenas quantidades.
Uma vez lá, elas eram reproduzidas e propagadas.
Khomeini e outros mullahs construiram uma imagem de liberdade e democracia,
reivindicando um retorno ao fundamentalismo islâmico puro, livre de
todas as influências ocidentais e não-islâmicas que, eles
argumentavam, tinham corrompido a cultura e deixado a sociedade perdida.
No economicamente semi-desenvolvido Irã, com grande quantidade de iletrados e mais da metade das pessoas vivendo no campo, as palavras dos Mullahs tornaram-se poderosas fontes de atração para os camponeses, partes da classe média, e mesmo trabalhadores. Enquanto a Frente Nacional buscou compromissos com a dinastia, Khomeini chamou para sua deposição. As massas interpretaram esse chamado para uma República Islâmica como uma república do “povo”, e não dos ricos, onde suas demandas seriam atendidas.
Diante do retorno triunfante do exílio de Khomeini em 1o. de Fevereiro, o Tudeh imediatamente proferiu seu apoio total para a formação do Conselho Revolucionário Islâmico e pediu que ele se junta-se numa Frente Unida Popular.
O “duplo poder” prevaleceu em Teerã em Fevereiro de 1979.
Os governantes fugiram, enquanto os trabalhadores, que sustentaram as fábricas
e refinarias, organizaram comites democráticos de trabalhadores e pegaram
as armas das fragmentadas forças armadas.
Khomeini no entanto foi o beneficiário dessa onda revolucionária.
Seu movimento, um estranho híbrido que combinou contraditórios
e opostos interesses de classe, obteve o apoio das forças seculares
e não-clericais pois falava a retórica do populismo radical:
uma república islâmica que estaria em favor dos oprimidos contra
as tiranias locais e o imperialismo americano.
Os cléricos militantes estavam em posição para “sequestrar”
a revolução pos eles eram a única força na sociedade
como intenções políticas definidas, organização
e uma estratégia prática.
Em 1o. de Abril Khomeini obteve uma vitória arrebatadora em um referendo
nacional no qual as pessoas tinham uma simples escolha – República
Islâmica: “sim” ou “não”.
No entanto, ele foi forçado a dar passos cuidadosos. Num lado, conflitos
estouraram entre a Guarda Revolucionária Islâmica e trabalhadores
que queriam manter as armas adquiridas resentemente.
Entretanto Khomeini denunciou aqueles que queriam manter a greve geral como
“traidores que nós devemos socá-los na boca”.
Balançando entre as classes, ele simultaneamente fez grande concessões aos trabalhadores. Médicos e transportes gratuitos foram introduzidos, as contas de água e luz foram canceladas e os bens essenciais foram fortemente subsidiadas.
Com os cofres públicos detonados e o desempregos chegando as 25%, os decretos de nacionalização foram aplicados em Julho. Isso foi acompanhado pelo estabelecimento de cortes especiais com o poder de impor a sentença de dois a dez anos de prisão “por táticas desorderas nas fábricas ou agitações de trabalhadores.
Somente gradualmente Khomeini foi capaz de estabelecer sua base de poder.
Quando o Iraque invadiu o Irã em 1980 iniciando uma sangrenta guerra
que duraria oito anos, as massas reuniram-se na defesa da revolução.
Porém, o ânimo revolucionário já havia esfriado.
O Partido Islâmico Republicano estabelecido pelos cléricos do
recente Conselho Revolucionário era ligado a pequena burguesia (pequenos
capitalistas) e aos comerciantes que queriam ordem e a defesa da propriedade
privada.
Enquanto era pressionado pela strata conservadora, Khomeini preparou um golpe contra o imperialismo ocidental, através da nacionalização de setor petrolífero.
O Estado Islâmico Iraniano é uma república capitalista de tipo especial – um Estado capitalista clerical. Do início, duas tendências opostas emergiram com o clero. Um grupo ao redor de Khomeini argumentavam que IMAMS devem manter o poder através de um Estado capitalista semi-feudal com mumerosos centros de poderes. O imperialismo americano representava o “Grande Satã” em seus olhos e o objetivo era exportar o fundamentalismo islâmico para todo o mundo muçulmano.
Outras figuras de liderança, incluindo uma corrente mais pragmática do clero, queriam estabelecer um Estado capitalista moderno e centralizado. Enquanto mantinham-se resolutos em suas denúncias verbais dos EUA, eles procuraram, especialmente na última década, lançar seus “tentáculos” no ocidente.
Os conflitos entre essas tendências e as crises políticas periódicas que eles acarretaram nunca foram resolvidos e estão, atualmente, revigoradas pelo Ayatollah Khamenei e o presidente reformista Khatami, eleito com uma grande maioria em 1997.
Os eventos no Irã iniciaram o crescimento da militância política do Islã através do mundo muçulmano. Na superfície eles demonstraram o poder das massas em golpear o imperialismo.
Mas os marsxistas devem ser lúcidos. O Islã não é intrinsicamente mais radical ou reacionário que qualquer outra religião e o fundamentalismo islâmico não é um fenômeno homogêneo.
Foram os fracassos passados dos movimentos nacionalista secular árabe e as traições dos partidos comunistas que definitivamente criaram as condições para o surgimento de uma corrente política de direita islâmica. Isso refletiu, no Irã e em outros lugares, o impasse do capitalismo na região e a necessidade para as massas oprimidas em procurar uma saída.
As últimas variantes do islã político ignora mesmo o pouco de radicalismo que Khomeini foi forçado a abraçar nos primeiros meses da revolução iraniana.
O Talibã e os métodos terroristas da Al Quaeda e Osama bin
Laden não oferecem solução para os conflitos entre as
massas oprimidas pelo capitalismo e pelos oligarcas mas, ao contrário,
desintegra a classe trabalhadora rouba dela sua identidade distinta e combativa.
Hoje, 20% dos iranianos têm metade da riqueza do país. A luta
de classes regularmente surge. As ridículas leis dos IMAMS geralmente
choca-se com os desejos dos jovens em viver em liberdade.
Grandes multidões tomaram as ruas de Teerã para receber o vitorioso time de futebol em 1998. Guardas Revolucionários não conseguiram impedir garotas corajosas de desafiar os códigos restritivos de vestimenta.
Esses são prognósticos dos agitado futuro iraniano. Um novo partido da classe trabalhadora deve ser construido em sólidos fundamentos marxistas, capaz de apreender as razões que levaram a revolução ser tomada dos trabalhadores em 1979.
Com a redução pela metada da exportação de petróleo desde então, a voz da classe trabalhadora tomará a posição dianteira novamente, permitindo que as tarefas incompletas da última revolução sejam vitoriosamente terminadas.
Anteriormente a 1979 o imperialismo via o Irã como uma barreira crucial contra os avanços soviéticos no Oriente Médio e no Sul da Ásia. Suas reservas fabulosas de petróleo eram vitais para o interesse ocidental.
Em 1953 um movimento nacionalista radical liderado pelo primeiro ministro Mosadeq da Frente Nacional tentou nacionalizar as indústrias petrolíferas do país, iniciando manifestações em diversos locais, com características de levantes populares. O Xá foi forçado a se exilar por causa do movimento das massas nas ruas.
A reação do imperialismo foi decisiva. Os britânicos e os americanos pediram a prisão de Mosadeq e mandaram forças clandestinas oara criar confusão e forçar o exército iraniano a lidar com os riscos aos seus rendimentos.
O Xá foi reinstalado e governou o Irã com uma mão-de-ferro por 25 anos. Em seu retorno, todas as organizações políticas de oposição e os sindicatos foram declarados ilegais. As forças de segurança foram reorganizadas com a ajuda da CIA.
Após 1953, o Irã embarcou num período de industrialização frenético, esvaziando o programa econômico da capitalista Frente Nacional e, portanto, distruindo sua popularidade. A idéia era transformar a nobreza em uma classe capitalista moderna, uma classe governante no modelo ocidental.
A reforma agrária foi introduzida enriquecendo os feudais donos de terra. Eles receberam enormes compensações, com as quais eles eram encorajados a investir em novas indústrias.
Os principais atingidos foram os caponeses pobres. Mais de 1,2 milhão tiveram suas terras roubadas, levando à fome e a um inexorável exôdo para as cidades onde eles ofereciam trabalho barato para os novos capitalistas.
Antes da revolução, 66% dos trabalhadores da indústria do tapete na cidade de Mashad tinham idade entre seis e dez anos, enquanto que em Hamadam o dia de trabalho era estafantes 18 horas. Em 1977, muitos trabalhadores ganhavam 40 libras ao ano. Apesar de um piso mínimo tinha sido garantido pelo regime, 73% dos trabalhadores ganhavam menos que isso.
As fábricas do Irã se assemelhavam ao “inferno” de Dante e a comparação com a Rússia pré-revolucionária é surpreendente. Em ambas, um súbito processo de industrialização foi iniciado por uma classe capitalista fraca tentando se desvencilhar de uma passado feudal, criando, nas palavraas de Marx, “sua própria cova” através de uma classe trabalhadora militante.
Com a migração dos camponeses para a cidade, a população urbana dobrou e atingir 50% do total. Teerã passou de 3 milhões para 5 milhões entre 1968 e 1977, brotando 40 favelas nas periferias da cidade.
Em 1947 havia apenas 175 grandes empresas empregando 100 mil trabalhadores. 25 anos depois, 2,5 milhões de trabalhadores em manufaturas, um milhão nas indústrias da construção e aproximadamente o mesmo número na indústria do transporte e outras indústrias.
O Irã estava em transição, meio industrializado e meio colonial. Uma vigorosa classe trabalhadora foi forjada em apenas uma geração. Na Rússia a classe trabalhadora atingia apenas 4 milhões num população de 150 milhões. Já armada com o marxismo, eles colocaram-se a frente dos camponeses e em 1917 quebrou o capitalismo em sua ligação mais fraca.
Por comparação, o tamanho da classe trabalhadora no Irã era muito maior – mais de 4 milhões de trabalhadores numa população de 35 milhões.
O imperialismo americano assistiu impotente os últimos dias do XÁ no Irã. Apesar de vozes no Pentágono urgissem que mandassem aviadores e marinheiros para o Golfo, as cabeças mais sábias das classes governantes americanas alertaram “nunca se invade uma revolução popular”.
Além disso, os EUA ainda sofriam dos ferimentos causados no Vietnã. Lá a luta social dos caponeses e trabalhadores para livrarem-se das amarras da opressão fez o superpoder submeter-se a eles.
Uma invasão liderada pelos EUA no Irã teria repercursões em escala global incalculáveis. Especialmente no mundo colonial onde o XÁ era visto, entre todos, o mais podre sobre os olhos das massas. A revolução iraniana fez a América tremer. O presidente americano Jimmy Carter foi humilhado quando os Ayatollahs fomentaram movimentos de rua levando ao tumúltuo na embaixada dos EUA em Teerã que fez 66 reféns.
Em 1983 Ronald Reagan foi forçado a retirar-se do Líbano após as tropas americanas sofrerem perdas através das mãos do Hizbolah, movimento apoiado por Teerã.
O Irã foi o segundo maior exportados de petróleo em 1978 e o quarto maior produtor. Quando o preço do petróleo quadruplicou entre 1972-1975 como resultado da guerra Arabe-israelense, o PNB iraniano cresceu 34% em apenas um ano. Vários bilhões possibilitaram ao Xá possíveis investimentos.
Mas com 45 famílias possuindo 85% das médias e grandes firmas e os 10% mais ricos consumindo 40% do dinheiro, o hiato entre as classes crescia dia-à-dia.
Mais de um quarto dos iranianos vivendo em extrema pobreza, já expondo a característica arrogância de uma monarquia absoluta, o Xá trovejou em 1976, “Nós não tínhamos pedido auto-sacrifício das pessoas. Antes, nós cobrimos eles em pele de algodão. As coisas agora irão mudar. Todos deveram trabalhar duro e terão de estar preparados para fazer sacrifícios a serviço do progresso da nação”.
Fonte: www.sr-cio.org