Evite morar em área sujeita a inundações.
Não construa nas margens de rios e canais. Isto é perigoso e proibido:
Impede o acesso das máquinas de dragagem.
Recolha todo o lixo nas caçambas da COMLURB. Lixo em rios e valas aumenta o risco de inundação.
Preserve a vegetação nas margens dos rios e canais para impedir a erosão.
Se você mora em área sujeita a inundação:
Esteja atento aos boletins do serviço de meteorologia divulgados pela imprensa.
Chuvas muito intensas, mesmo por períodos curtos, podem provocar inundações.
Em caso de aviso de Tempestade, prepare-se para abandonar sua casa e abrigar-se em local mais seguro.
NA RUA - Procure um lugar alto
Não tente atravessar áreas inundadas:
Você pode ser arrastado
Você pode cair em buracos
Você pode ferir-se em destroços submersos
Você pode pegar uma doença
DE AUTOMÓVEL, o perigo também é múltiplo.
Com pouca água na pista e em alta velocidade, o carro perde a aderência e sai do controle do motorista.
Com muita água o carro pode ser facilmente arrastado.
Como podem 30 a 60 centímetros de água, custar sua vida?

A água flui, tipicamente a uma velocidade de 10 a 20 km/h.

Quando um automóvel entra na água, é empurrado
para cima e na direção do fluxo da água.

Este empuxo é agravado pela flutuabilidade do automóvel.

60 cm de água arrastarão a maioria dos automóveis.
EM CASA
Ponha em lugar alto, longe da água bens preciosos, documentos e sua reserva de alimentos.
Caixas de papelão, jornais, etc devem ser também colocados no alto, porque são desintegrados pela água e entopem os drenos.
Esvazie a geladeira e deixe a porta aberta, para que ela não flutue.
Se for necessário, abandonar sua casa.
Os Riscos de quem entra na água da inundação
As águas de inundações estão contaminadas por esgotos e produtos químicos, portanto:
Use botas de borracha para andar em águas de inundação.
Sempre que entrar em contato com água de inundação, tome banho, lave os utensílios domésticos e as roupas, coloque roupas e agasalhos no sol.
Não utilizar as águas das chuvas para atividades domésticas, como cozinhar, lavar ou beber.
Não deixe que as crianças brinquem em águas de inundação.
Fonte: www.rio.rj.gov.br
A inundação urbana é uma ocorrência tão antiga quanto as cidades ou qualquer aglomeramento urbano. A inundação ocorre quando as águas dos rios, riachos, galerias pluviais saem do leito de escoamento devido a falta de capacidade de transporte de um destes sistemas e ocupa áreas onde a popula ção utiliza para moradia, transporte (ruas, rodovias e passeios), recreação, comércio, industria, entre outros.
Estes eventos podem ocorrer devido ao comportamento natural dos rios ou ampliados pelo efeito de alteração produzida pelo homem na urbaniza ção pela impermeabilização das superfícies e a canalização dos rios.
Quando a precipitação é intensa e o solo não tem capacidade de infiltrar, grande parte do volume escoa para o sistema de drenagem, superando sua capacidade natural de escoamento. O excesso do volume que não consegue ser drenado ocupa a várzea inundando de acordo com a topografia das áreas próximas aos rios. Estes eventos ocorrem de forma aleatória em função dos processos climáticos locais e regionais.
Este tipo de inundação é denominado neste livro de inundação ribeirinha.
Na medida que a população impermeabiliza o solo e acelera o escoamento através de condutos e canais a quantidade de água que chega ao mesmo tempo no sistema de drenagem aumenta produzindo inundações mais freqüentes do que as que existiam quando a superfície era permeável e o escoamento se dava pelo ravinamento natural. Esta inundação é devido a urbanização ou na drenagem urbana.
Estes dois efeitos podem ocorrer isoladamente ou combinados, mas geralmente as inundações ribeirinhas ocorrem em bacias de grande médio e porte ( > 500 km2) no seu trecho onde a declividade é baixa e a seção de escoamento pequena, enquanto que as inundações na drenagem urbana ocorrem em pequenas bacias urbanizadas (1 - 100 km2, a exceção são grandes cidades como São Paulo).
Os problemas resultantes da inundação dependem do grau de ocupa- ção da várzea pela população no primeiro caso e da impermeabilização e canalização da rede de drenagem no segundo. As inundações ribeirinhas tem sido registradas junto com a história do desenvolvimento humano. As inundações devido a urbanização tem sido mais freqüente neste século, com o aumento significativo da urbanização das cidades e a tendência dos engenheiros de drenarem o escoamento pluvial o mais rápido possível das áreas urbanizadas.
As inundações são mais antigas que a existência do homem na terra. O homem sempre procurou se localizar perto dos rios para usá-lo como transporte, obter água para seu consumo e mesmo dispor seus dejetos. As áreas próximas aos rios geralmente são planas e propícias para o assentamento humano o que também motivou a sua ocupação.
O desenvolvimento histórico da utilização de áreas livres explica muitos dos antigos condicionamentos urbanos existentes. Devido à grande dificuldade de meios de transporte no passado, utilizava-se o rio como a via principal. As cidades se desenvolveram às margens dos rios ou no litoral. Pela própria experiência dos antigos moradores, a população procurou habitar as zonas mais altas onde o rio dificilmente chegaria. Observa-se que a parcela da população com maior memória sobre os eventos de inundação são os que se localizam em locais com cota mais segura.
A história mostra em diferentes partes do globo que o homem tem procurado conviver com as inundações, desde as mais freqüentes até as mais 46 Inundações e Drenagem Urbana raras. Uma experiência histórica é a da igreja católica, pois sempre que ocorre uma inundação numa cidade o prédio da igreja, apesar de ser uma das obras mais antigas, localiza-se em nível seguro.
Hoyt e Langbein (1959) para enfatizar o caráter limitado que tem o homem de controlar as inundações e sua ação é sempre de minimizar seus impactos apresenta um prefácio com uma seqüência histórica reproduzida a seguir:
" Terra de Canaan, 2957 a C, numa grande inundação, provavelmente centrada cerca do UR no Eufrates, Noé e sua família se salvaram. Um dilúvio resultante de 40 dias e 40 noites de continua precipitação ocorreu na região. Terras ficaram inundadas por 150 dias. Todas as criaturas vivas afogaram com exceção de Noé, sua família e animais, dois a dois, foram salvos numa arca e finalmente descansaram no Monte Ararat"
(passagem da bíblia sobre o Dilúvio, citada no referido prefácio). Este texto caracteriza um evento de risco muito baixo de ocorrência.
"Egito XXIII, Dinastia, 747 a C. Enchentes sucedem secas. Faraó anunciou que todo o vale do rio Nilo foi inundado, templos estão cheios de água e o homem parece planta d?água. Aparentemente os polders não são suficientemente altos ou fortes para confinar as cheias na seção normal. A presente catástrofe descreve bem os caprichos da natureza, outro faraó reclamou que por sete anos o Nilo não subiu. "
Este texto que também pode ser encontrado relatos na Bíblia também enfatiza a incapacidade de prever o clima e seus impactos quando ocorrem.
"Em algum lugar nos Estados Unidos no futuro (o autor mencionava ano 2000, muito distante na época). A natureza toma seu inexorável preço. Cheia de 1000 anos causou indestrutível dano e perdas de vida. Engenheiros e Meteorologistas acreditam que a presente tormenta resultou da combinação de condições meteorológicas e hidrológicas que ocorreriam uma vez em mil anos. Reservatórios, diques e outras obras de controle que provaram efetivas por um século e são efetivas para sua capacidade de projeto são incapazes de controlar os grandes volumes de água envolvidos. Esta catástrofe traz uma lição que a proteçào contra inundações é relativa e eventualmente a natureza cobra um preço daqueles que ocupam a várzea de inundação."
Outro exemplo histórico citado por Hoyt e Langbein (1959) foi sobre o rio Pó na Itália. Freeman em 1930 menciona ?não existe nenhum projeto mais ambicioso, corajoso e cuidadosamente planejado de regularização de rio em qualquer lugar do mundo do que o do rio Pó?. Em Novembro de 1951, excesso de precipitação e altas marés destruíram diques, causando a morte de 100 pessoas, 30.000 vacas e prejuízos de um terço do PIB da Itália da época.
No rio Itajaí em Santa Catarina no Brasil existe uma série de níveis de inundações desde 1852. Deste histórico pode-se observar que as três maiores inundações em Blumenau ocorreram entre 1852 e 1911, sendo a maior em 1880 com 17,10 m. Entre 1911 e 1982 não ocorreu nenhuma inundação com cota superior a 12,90 m, o que fez com que a população perdesse a memória dos eventos críticos e ocupasse o vale de inundação. Em 1983, quando a cidade se encontrava bem desenvolvida com população de cerca de 500 mil habitantes ocorreu uma inundação (a quinta em magnitude dos últimos 150 anos) com cota máxima de 15,34 m. Os prejuízos resultantes em todo o vale do Itajaí representou cerca de 8% do PIB de Santa Catarina. A lição tirada deste exemplo é que a memória sobre as inundações se dissipa com passar do tempo e a população deixa de considerar o risco. Como não há planejamento do espaço de risco, a ocupação ocorre e os prejuízos são significativos. No entanto, a Cia Hering em Blumenau (fundada em 1880, ano da maior inundação) manteve na memória o valor de 17,10m e desenvolveu suas instalações em cota superior a esta. Sem planejamento os relatos históricos são as únicas informações disponíveis para orientar as pessoas.
Fica claro a necessidade do planejamento institucional do espaço de risco. Em Porto Alegre, RS existem níveis de inundação desde 1899, quando se observou vários eventos até 1967. Em 1970 foi construído um dique de proteção para a cidade e desde 1967 não ocorre nenhuma inundação. Nos últimos anos houve um movimento na cidade para a retirada do dique de inundação, considerando que não tinham ocorrido eventos nos últimos 35 anos. Esta falta de conhecimento levou a Câmara de Vereadores a aprovar a derrubada do dique, que felizmente não foi executada pelo município.
O ambiente institucional de controle de inundações não leva a uma solução sustentável. Existem, apenas, poucas ações isoladas de alguns poucos profissionais. Em geral, o atendimento a enchente somente é realizado depois de sua ocorrência. A tendência é que o problema fique no esquecimento após cada ocorrência, retornando na seguinte.
Isso se deve a vários fatores, entre os quais estão os seguintes:
Falta de conhecimento sobre controle de enchentes por parte dos planejadores urbanos.
Desorganização, a níveis federal e estadual, sobre gerenciamento de enchentes.
Pouca informação técnica sobre o assunto a nível de graduação na Engenharia.
O desgaste político para o administrador público, resultante do controle não-estrutural (zoneamento), já que a população está sempre esperando uma obra hidráulica.
Falta de educação da população sobre controle de enchentes.
Não existe interesse na prevenção em alguns países considerando que quando a mesma ocorre é declarada calamidade pública pelo Estado e o município pode receber recursos a fundo perdido. Para o gasto destes valores não é necessário concorrência pública.
Observa-se que os elementos históricos descritos se referem as cená- rios de inundações ribeirinhas. Poucos exemplos históricos (antes dos anos 60) são encontrados para cenários de inundações produzidos pela drenagem urbana ou devido a urbanização. Estes cenários são recentes em função das obras de canalização produzida pelo tipo de desenvolvimento urbano ocorrido depois dos anos 60 na maioria dos países desenvolvidos. Estes mesmos países identificaram já nos anos 70 que este tipo de política era economicamente insustentável, alterando a forma de gerenciar a drenagem urbana para controle não-estrutural e medidas de controle de volume através de deten- ções urbanas.
Nos países em desenvolvimento isto não ocorreu e até hoje os investimentos são realizados de forma insustentável devido principalmente aos seguintes fatores:
Falta de conhecimento técnico atualizado dos decisores e engenheiros. Observa-se que grande parte dos profissionais que atuam em drenagem urbana são provenientes da área de água e saneamento que não possuem um conhecimento dos impactos da drenagem urbana na bacia hidrográfica. Geralmente possuem conhecimento tradicional sobre a microdrenagem, que é insustentável.
Falta de interesse em soluções mais econômicas, como as citadas acima, por parte dos empreiteiros devido aos ganhos econômicos.
As entidades de financiamento nacional e internacional nem sempre estão atualizadas.
Sistema de drenagem
Os sistemas de drenagem são definidos na fonte, microdrenagem e macrodrenagem. A drenagem na fonte é definida pelo escoamento que ocorre no lote, condomínio ou empreendimento individualizado, estacionamentos, parques e passeios.
A microdrenagem é definida pelo sistema de condutos pluviais ou canais a nível de loteamento ou de rede primária urbana. Este tipo de sistema de drenagem é projetado para atender à drenagem de precipitações com risco moderado.
A macrodrenagem envolve os sistemas coletores de diferentes sistemas de microdrenagem. A macrodrenagem envolve áreas de pelo menos 2 km2 ou 200 ha. Estes valores não devem ser tomados como absolutos porque a malha urbana pode possuir as mais diferentes configurações. Este tipo de sistema deve ser projetado para acomodar precipitações superiores as da microdrenagem com riscos de acordo com os prejuízos humanos e materiais potenciais.
Um dos pontos que têm caracterizado este tipo de definição tem sido a metodologia de estimativa, já que o Método Racional é utilizado para estimativa de vazões na microdrenagem e os modelos hidrológicos que determinam o hidrograma do escoamento são utilizados na macrodrenagem. As simplificações aceitas para o dimensionamento no método Racional podem ser utilizadas para bacias da ordem de 2km2, que representa a restrição definida acima.
O escoamento num rio depende de vários fatores que podem ser agregados em dois conjuntos:
Controles de jusante
Os controle de jusante são condicionantes na rede de drenagem que modificam o escoamento a montante. Os controles de jusante podem ser estrangulamentos do rio devido a pontes, aterros, mudan ça de seção, reservatórios, oceano. Esses controles reduzem a vazão de um rio independentemente da capacidade local de escoamento.
Controles locais
Definem a capacidade de cada seção do rio de transportar uma quantidade de água. A capacidade local de escoamento depende da área da seção, da largura, do perímetro e da rugosidade das paredes. Quanto maior a capacidade de escoamento, menor o nível de água.
Para exemplificar este processo, pode-se usar uma analogia com o tráfego de uma avenida. A capacidade de tráfego de automóveis de uma avenida, numa determinada velocidade, depende da sua largura e número de faixas. Quando o número de automóveis é superior a sua capacidade o tráfego torna-se lento e ocorre congestionamento. Num rio, à medida que chega um volume de água superior a sua vazão normal, o nível sobe e inunda as áreas ribeirinhas. Portanto, o sistema está limitado nesse caso à capacidade local de transporte de água (ou de automóveis).
Considere, por exemplo o caso de uma avenida que tem uma largura com duas faixas num sentido, mas existe um trecho que as duas faixas se transformam em apenas uma. Existe um trecho de transição, antes de chegar na mudança de faixa que reduz a velocidade de todos os carros, criando um congestionamento, não pela capacidade da avenida naquele ponto, mas pelo que ocorre no trecho posterior. Neste caso, a capacidade está limitada pela redução de faixas (que ocorre a jusante) e não pela capacidade local da avenida. Da mesma forma, num rio, se existe uma ponte, aterro ou outra obstrução, a vazão de montante é reduzida pelo represamento de jusante e não pela sua capacidade local. Com a redução da vazão, ocorre aumento dos níveis. Esse efeito é muitas vezes denominado de remanso.
O trecho de transição, que sofre efeito de jusante depende de fatores que variam com o nível, declividade do escoamento e capacidade do escoamento ao longo de todo o trecho.
O escoamento pode ser considerado em regime permanente ou nãopermanente. O escoamento permanente é utilizado para projeto, geralmente com as vazões máximas previstas para um determinado sistema hidráulico. O regime não-permanente, permite conhecer os níveis e vazões ao longo do rio e no tempo, representando a situação real. Geralmente uma obra hidráulica que depende apenas da vazão máxima é dimensionada para condi ções de regime permanente e verificada em regime não- permanente.
Fonte: foragna.org.py