Facebook do Portal São Francisco Google+
+ circle
Home  Inundações  Voltar

Inundações

 

Enchentes

Inundações

Todos os anos é a mesma coisa na época das chuvas de verão. As regiões metropolitanas das grandes cidades enfrentam as enchentes que desabrigam milhares de pessoas, além de ferir e até matar outras tantas. Normalmente os maiores prejudicados são as pessoas pobres da periferia que não possuem condições seguras e ideais de moradia, estando a mercê das precárias condições urbanísticas da cidade.

As enchentes são calamidades naturais ou não que ocorrem quando um leito natural recebe um volume de água superior ao que pode comportar resultando em transbordamentos. Pode ocorrer em lagos, rios, córregos, mares e oceanos devido a chuvas fortes e contínuas. São consideradas, entre as catástrofes naturais, as que mais danos causam à saúde da população e ao patrimônio, com elevada morbimortalidade, em decorrência do efeito direto das inundações e das doenças infecciosas secundárias aos transtornos nos sistemas de água e saneamento.

Com a chegada da estação das chuvas, cresce a preocupação sobre o aparecimento de doenças, sobretudo as transmitidas por água, alimentos, vetores, reservatórios e animais peçonhentos. Este fato gera a necessidade de intensificação das ações de vigilância em saúde de forma oportuna, coordenada e articulada com outros setores e com base em dados para a tomada de decisões.

As enchentes, nos dias de hoje, são resultado de um longo processo de modificação e desestabilização da natureza por forças humanas, que acompanha o crescimento rápido e não planejado da maior parte das cidades.

Antigamente, as várzeas (margens dos rios) faziam o controle natural da água. O solo ribeirinho era preparado para ser inundado nas épocas de cheia, absorvia boa parte da água que transbordava e utilizava seus nutrientes. Hoje, quase todas as várzeas nas áreas urbanas se encontram ocupadas. Também uma imensa área às margens dos rios foi impermeabilizada pelo concreto, o que aumenta o volume de água a ser escoado.

Em áreas rurais ocorre com menos freqüência, pois o solo bem como a vegetação se compromete a fazer a evacuação da água pela sucção da mesma provocando menores prejuízos. Normalmente ocorre com menos força não atingindo consideráveis alturas que provocariam a perda de alimentos armazenados, de máquinas e outros objetos. Já nas áreas urbanas, ocorre com maior freqüência e força trazendo grandes prejuízos. Acontece pela interferência humana deixando assim de ser uma calamidade natural. A interferência humana ocorre em vários estágios começando pela fundação de cidades em limites de rios, pelas alterações realizadas em bacias hidrográficas, pelas construções mal projetadas de diques, bueiros e outros responsáveis pela evacuação das águas e ainda pelo depósito errôneo de lixo em vias públicas que, com a força das águas, são arrastados causando o entupimento dos locais de escoamento de água (bueiros e galerias).

Inundações

Principais causas das enchentes:

Alto índice pluviométrico da região
Desmatamento
Assoreamento do leito dos rios
Retificação dos rios. Na natureza, os rios com considerável volume de água são curvilíneos, ou seja, caminham como uma serpente. Esse trajeto diminui de forma considerável a velocidade da água. Retificá-lo significa aumentar sua velocidade, o que agrava a situação nos pontos de estrangulamento (conversão de águas)
Alto grau de impermeabilização do solo pela malha asfáltica e de concreto
Ocupação desordenada e crescimento populacional de migrantes
Alto grau de pobreza da periferia da cidade, o que impossibilita as pessoas terem recursos para destinar o lixo, por exemplo
Falta de consciência e educação ambiental dos administradores e da população em geral
Omissão do Poder Público na gestão urbana e falta de saneamento básico adequado.
As enchentes, na maioria das vezes, ocorrem como conseqüência da ação humana.

Inundações

Das dificuldades que uma enchente provoca podemos destacar:

Perda de vidas
Abandono dos lares inundados
Perda de materiais, objetos e móveis encharcados ou arrastados pelas águas
Contaminação da água por produtos tóxicos
Contaminação da água com agentes patológicos que provocam doenças como amebíase, cólera, febre amarela, hepatite A, malária, poliomielite, salmonelose, teníase, leptospirose, entre outras
Contaminação de alimentos pelos mesmos agentes patológicos acima citados
Interrupção da atividade econômica das áreas inundadas.

As áreas urbanas são mais propícias a enchentes porque o solo dessas regiões são impedidos pelo asfalto e outros tipos de pavimentações de absorverem a água e também pela falta de vegetação ou pouca vegetação que contribui com a absorção da água.

Inundações

Podemos destacar as duas principais formas de inundações:

Inundações de áreas ribeirinhas

Os rios geralmente possuem dois leitos, o leito menor onde a água escoa na maioria do tempo e o leito maior, que é inundado em média a cada 2 anos. O impacto devido à inundação ocorre quando a população ocupa o leito maior do rio, ficando sujeita às enchentes;

Inundações devido à urbanização

As enchentes aumentam a sua freqüência e magnitude devido à ocupação do solo com superfícies impermeáveis e rede de condutos de escoamentos. O desenvolvimento urbano pode também produzir obstruções ao escoamento como aterros e pontes, drenagens inadequadas e obstruções ao escoamento junto a condutos e assoreamentos. Ocorrem, principalmente, pelo processo natural no qual o rio ocupa o seu leito maior, de acordo com os eventos chuvosos extremos, em média com tempo de retorno superior a dois anos (ultimamente este tempo tem diminuído). Normalmente ocorre em grandes bacias (> 500 km2), sendo decorrência de processo natural do ciclo hidrológico. Os impactos sobre a população são causados, principalmente, pela ocupação inadequada do espaço urbano.

Essas condições ocorrem, em geral, devido às seguintes ações: como, a existência de loteamentos em áreas de risco de inundação; invasão de áreas ribeirinhas principalmente pela população de baixa renda; ocupação de áreas de médio risco, que são atingidas com freqüência menor, mas que quando o são, sofrem prejuízos significativos.

Para impedir ou diminuir os efeitos das enchentes e que inúmeras famílias percam seus patrimônios, pode-se construir barragens e reservatórios em áreas de maior risco, bueiros, diques e piscinões espalhados pela cidade com sua abertura protegida para impedir a entrada de resíduos sólidos, além de se promover a conscientização da população para que não deposite lixo nas vias públicas e leitos de rios, lagos e represas. Outras ações também são importantes para se minimizar os efeitos das enchentes, entre elas a regulamentação e fiscalização por meio do poder público do uso do solo, limitando a ocupação de áreas inundáveis a usos que não impeçam o armazenamento natural da água pelo solo e que sofram pequenos danos em caso de inundação. Esse zoneamento pode ser utilizado para promover usos produtivos e menos sujeitos a danos, permitindo a manutenção de áreas de uso social, como áreas livres no centro das cidades, reflorestamento, e certos tipos de uso recreacional.

Resumindo, para minimizar o problema:

Manutenção das áreas verdes existentes e preservação das áreas de preservação permanente
Criação de novas áreas verdes para aumentar a permeabilização
Construir represas, diques e piscinões, substituindo uma das funções das antigas várzeas, que é aliviar o quadro de inundações nos picos de cheia. Essas estruturas captam a água que ficaria empoçada na cidade, despejando-a pouco a pouco nos rios
Assistir a grande massa de pobres da periferia, melhorando o saneamento básico e garantindo a coleta de resíduos sólidos
Implementar programa de limpeza intensiva de bueiros e galerias entupidos com lixo jogado pela própria população
Estimular a educação ambiental nos órgãos públicos, entidades particulares e escolas
Estreitar o relacionamento entre o Poder Público e as associações de bairro
Levantar e definir os locais problemáticos em termos de enchentes e criar mecanismos técnicos mais eficazes para a vazão da água
Elaborar o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e o Plano Diretor de Drenagem Urbana, estabelecendo os índices de ocupação do solo e os parâmetros para a macrodrenagem urbana
Elaborar e implementar plano de contingência e programa de combate a inundações
Impedir o acesso de carros e pessoas nos locais críticos nos momentos de grandes precipitações pluviométricas
Manter o Poder Público em sintonia com o serviço de meteorologia.

Fonte: www.vivaterra.org.br

Inundações

INUNDAÇÕES DE ÁREAS URBANAS

A nossa experiência no trato dos problemas de inundações (ou enchentes) em áreas urbanas indica que existem algumas colocações e/ou observações que ainda não foram feitas e que a sua explicitação seria de alguma valia no sentido do melhor equacionamento de problemas dessa natureza.

Certamente a inundação de qualquer área urbana não é desejada; em princípio, não deveria ocorrer, não é razoável que ocorra; ninguém promove a utilização ou ocupação de um meio físico com a urbanização, pensando que essa área possa vir a ser inundada. O projeto das quadras (lotes) e do sistema viário não é feito para ficar embaixo d'água.

A sua utilização, nem diria ideal, mas normal seria num meio seco, mesmo quando chove: se espera que a água da chuva caia sobre o solo, as estruturas e as pessoas e suma.

O responsável por esse sumiço desejado se chama "sistema de drenagem urbana". A chuva é inevitável, não há meio de se impedir que chova.

Nem seria bom que não chovesse: a chuva lava o ar e o solo gratuitamente. Ela é necessária e útil. Ela promove a umidade do ar tão requerida pelos sistemas respiratórios dos homens.

Um sistema de drenagem urbana adequado é aquele que promove o sumiço das águas da chuva após a sua benéfica ocorrência sem causar transtornos ao funcionamento normal da área urbana.

Daí decorre que a inundação de uma área urbana é consequência de um inadequado sistema de drenagem ou mesmo da sua inexistência.

Tudo isso vale evidentemente para a ocorrência de precipitações normais. A chuva é um fenômeno resultante de condições hidrorneteorológicas que ainda não podem ser totalmente controladas pelo homem O sistema de drenagem urbana adequado não teria condições de absorver eventos extraordinários, trombas d'água, cuja ocorrência está fora da normalidade, não ocorrem sempre, se enquadrariam mais como catástrofes do tipo de ventos muito fortes, furacões, inclusive terremotos, que felizmente não temos por aqui.

Na RMSP temos cadastradas cerca de 700 áreas urbanas que frequentemente são inundadas sendo 450 só no município de São Paulo. Nessa relação são incluídas aquelas áreas baixas onde a água se acumula e tem seus níveis elevados penetrando nos imóveis e impedindo o trânsito de pessoas e veículos através do viário. Não inclui muitas outras áreas nas quais as águas em excesso escorrem sobre as superfícies dos terrenos e do viário promovendo a erosão dos solos e dos pavimentos e arrastando pessoas e veículos.

Como salientado acima todas essas situações decorrem de um inadequado sistema de drenagem urbana, ou mesmo da sua inexistência. Como é possível numa região como a RMSP se ter tantos sistemas de drenagem urbana inadequados ou mesmo não existirem esses sistemas? A engenharia urbana não tem capacidade para dar solução adequada a eles? A tecnologia necessária é inacessível ? Os seus custos são proibitivos?

Nada disso. A engenharia nacional conhece e é capaz de projetar, construir, operar e manter esses sistemas. Quanto a seus custos eles existem tanto quanto existem os custos para fazer terraplanagem do terreno e abrir e construir o viário.

O problema apresenta duas distorções básicas e fundamentais. Em primeiro lugar diríamos que o problema é conceitual. Trata-se de entender o que vem a ser o "processo de urbanização " na sua integralidade. O sistema de drenagem urbana faz parte integrante do processo de urbanização, seja ele feito sobre uma área virgem ou já urbanizada ( reurbanização).

A urbanização é um processo de intervenção antropica no meio físico. Essa intervenção pode vir a ser necessária em função de objetivos diferentes:

Para promover a ocupação adequada de uma determinada área ( uso do solo)
Para resolver um problema viário ( de transporte ou de trânsito)
Para resolver um problema de estabilidade do solo
Para resolver um problema de drenagem urbana (inundação)
Para resolver mais de um dos problemas acima.

Porém, a sua solução completa e adequada, somente será conseguida através da solução simultânea, de cada um dos seus componentes intrínsecos:

uso do solo, viário, estabilidade dos solos e drenagem urbana. Esses elementos são interdependentes, a solução de um interfere no outro, e sua não solução integrada gera uma implantação errada do processo, gera um processo manco, não equilibrado, com consequências inevitáveis aos usuários da cidade.

A drenagem urbana não se constituí, como muitos pensam, em mais uma utilidade urbana como o são a água, o esgoto, a eletricidade, o gás, etc, não, ela é umbelicalmente ligada ao processo de urbanização, vem junto. Não pode ser dissociada. A drenagem urbana não é simplesmente um problema hidráulico, como normalmente é considerada a tratada, mas sim um problema urbano que demanda uma visão ampla sobre o processo de urbanização do qual faz parte integrante.

O que se observa entre nós é que a drenagem urbana frequentemente se constitui no "patinho feio" da estória, sendo mal tratada ou mesmo esquecida. Ser maltratada é realmente muito frequente mas esquecida também tem se verificado inclusive em grandes obras viárias.

Qual a solução para o problema dessa primeira distorção? É simples e barata. É só conseguir que os responsáveis pelas intervenções urbanas, ou seja, por qualquer processo de urbanização, se conscientizem da necessidade de dar solução adequada, simultânea, no mesmo nível para os quatro elementos básicos que constituem esse processo. Nada mais.

A segunda distorção se localiza nos métodos de encaminhamento de decisões sobre programas de obras num sistema como o nosso onde as necessidades de investimentos são cronicamente maiores do que as disponibilidades. O racional seria por exemplo, no caso de vinte obras serem -necessárias e os recursos suficientes para apenas cinco, que se programe a execução das cinco que apresentem maior prioridade em função de critérios diversos, inclusive o critério político. Assim as cinco obras seriam executadas e passariam, nos prazos previstos, a serem utilizadas pela cidade ( que nada mais são do que os juros do capital investido).

Entretanto a ânsia do administrador em atender ao eleitorado, tão mais amplo quanto seja possível, o leva a decidir pela execução das vinte obras reduzindo os custos de cada uma na medida dos recursos disponíveis frequentemente ignorando os resultados dessas obras castradas para sua efetiva utilização pela cidade ( se investe um capital que não renderá os juros que deviam).

Quando não dá para fazer o mínimo razoável o melhor é que não se faça nada.

Qual a solução para o problema no que se refere a essa segunda distorção? Como a primeira, também é simples e barata. Basta que os responsáveis por decisões sobre os programas de obra passem a toma-las com um mínimo de racionalidade, responsabilidade e respeito pêlos recursos públicos.

Além dessas colocações básicas e fundamentais, sem as quais tudo o mais fica sem sentido, cabem ainda algumas outras que dizem respeito diretamente à forma como a drenagem urbana é enfocada dentro do seu próprio campo:

1. O sistema de drenagem urbana deve ter em vista sempre, as soluções a nível de planejamento, projetos, métodos construtivos, construção e operação e manutenção, próprias e também dos demais elementos integrantes desse processo.
2.
Não existem soluções padronizadas. Cada caso é um caso com suas características e peculiaridades não só para bacias de drenagem diferentes como mesmo dentro de uma mesma bacia. Por exemplo, a preferência pelo uso de canais abertos versus galerias fechadas, a adoção de avenidas de fundo de vale versus parques, etc...
3.
Capacidade mínima do sistema: para atender vazões de projeto com tempo de recorrência igual a 10 anos, ou seja, o sistema pode vir a ser superado uma vez a cada 10 anos.
4. Capacidade do sistema:
deve ser avaliada em cada caso, bacia de drenagem ou diferentes partes de uma mesma bacia de drenagem, em função da segurança que se pretende e dos custos envolvidos. O mesmo se diga para o próprio dreno principal da bacia, desde que, não se proponha níveis de segurança menores para trechos de juzante domesmo. Qualquer trecho de juzante do sistema deve ter segurança igual ou maior que os de montante.
5. Execução do sistema por etapas em função da evolução das vazões de projeto consequência da evolução da urbanização da bacia:
somente devem ser consideradas após análise detalhada da economia global, não só da 1a etapa como das seguintes, considerando sempre o observado no item 1. acima e especialmente a viabilidade técnica e econômica de execução das demais etapas do sistema de drenagem com etapas já executadas dos demais integrantes do processo de urbanização.
6.
Para as áreas que não tenham condições de serem drenadas por gravidade pelo sistema, considerar antes a alternativa de desapropriação e proposição de usos conformes com a inundação periódica.
7.
Considerando a situação da macrodrenagem da RMSP, como regra geral, procurar soluções que retenham águas na bacia e adoção de velocidade baixas de escoamento nos condutos ( não superiores a 2,5m/s).
8.
Finalmente, como preocupação de proteção aos sistemas de drenagem urbana, se propõe que os seus responsáveis promovam ampla campanha publicitária para evitar o lançamento de lixo no sistema.

Julio Cerqueira Cesar Neto

Fonte: www.juliocerqueiracesarneto.com

Inundações

Enchentes e Inundações

A atividade antrópica vêm provocando alterações e impactos no ambiente há muito tempo, existindo uma crescente necessidade de se apresentar soluções e estratégias que minimizem e revertam os efeitos da degradação ambiental e do esgotamento dos recursos naturais que se observam cada vez com mais freqüência.

O problema das inundações em áreas urbanas existe em muitas cidades brasileiras e suas causas são tão variadas como assoreamento do leito dos rios, impermeabilização das áreas de infiltração na bacia de drenagem ou fatores climáticos. O homem por sua vez procura combater os efeitos de uma cheia nos rios, construindo represas, diques, desviando o curso natural dos rios, etc. Mesmo com todo esse esforço, as inundações continuam acontecendo, causando prejuízos de vários tipos.

O melhor meio para se evitar grandes transtornos por ocasião de uma inundação é regulamentar o uso do solo, limitando a ocupação de áreas inundáveis a usos que não impeçam o armazenamento natural da água pelo solo e que sofram pequenos danos em caso de inundação. Esse zoneamento pode ser utilizado para promover usos produtivos e menos sujeitos a danos, permitindo a manutenção de áreas de uso social, como áreas livres no centro das cidades, reflorestamento, e certos tipos de uso recreacional.

Inundações de áreas ribeirinhas

Os rios geralmente possuem dois leitos, o leito menor onde a água escoa na maioria do tempo e o leito maior, que é inundado em média a cada 2 anos. O impacto devido a inundação ocorre quando a população ocupa o leito maior do rio, ficando sujeita a inundação

Inundações devido à urbanização

As enchentes aumentam a sua freqüência e magnitude devido a ocupação do solo com superfícies impermeáveis e rede de condutos de escoamentos. O desenvolvimento urbano pode também produzir obstruções ao escoamento como aterros e pontes, drenagens inadequadas e obstruções ao escoamento junto a condutos e assoreamentos; Estas enchentes ocorrem, principalmente, pelo processo natural no qual o rio ocupa o seu leito maior, de acordo com os eventos chuvosos extremos, em média com tempo de retorno superior a dois anos. Este tipo de enchente, normalmente, ocorre em bacias grandes ( > 500 km2), sendo decorrência de processo natural do ciclo hidrológico. Os impactos sobre a população são causados, principalmente, pela ocupação inadequada do espaço urbano.

Essas condições ocorrem, em geral, devido às seguintes ações: como, no Plano Diretor Urbano da quase totalidade das cidades brasileiras, não existe nenhuma restrição quanto ao loteamento de áreas de risco de inundação, a seqüência de anos sem enchentes é razão suficiente para que empresários loteiem áreas inadequadas; invasão de áreas ribeirinhas, que pertencem ao poder público, pela população de baixa renda; ocupação de áreas de médio risco, que são atingidas com freqüência menor, mas que quando o são, sofrem prejuízos significativos.

Os principais impactos sobre a população são:

Prejuízos de perdas materiais e humanas
Interrupção da atividade econômica das áreas inundadas
Contaminação por doenças de veiculação hídrica como leptospirose, cólera, entre outros
Contaminação da água pela inundação de depósitos de material tóxico, estações de tratamentos entre outros

O gerenciamento atual não incentiva a prevenção destes problemas, já que a medida que ocorre a inundação o município declara calamidade pública e recebe recursos a fundo perdido e não necessita realizar concorrência pública para gastar. Como a maioria das soluções sustentáveis passam por medidas não-estruturais que envolvem restrições a população, dificilmente um prefeito buscará este tipo de solução porque geralmente a população espera por uma obra.

Enquanto que, para implementar as medidas não-estruturais, ele teria que interferir em interesses de proprietários de áreas de risco, que politicamente é complexo a nível local. Além disso, quando ocorre a inundação ele dispõe de recursos para gastar sem restrições.

Para buscar modificar este cenário é necessário um programa a nível estadual voltado a educação da população, além de atuação junto aos bancos que financiam obras em áreas de risco.

Impactos devido a urbanização

O planejamento urbano, embora envolva fundamentos interdisciplinares, na prática é realizado dentro de um âmbito mais restrito do conhecimento. O planejamento da ocupação do espaço urbano no Brasil não tem considerado aspectos fundamentais que trazem grandes transtornos e custos para a sociedade e para o ambiente.

O desenvolvimento urbano brasileiro tem produzido um aumento caótico na freqüência das inundações, na produção de sedimentos e na deterioração da qualidade da água superficial e subterrânea. A medida que a cidade se urbaniza, ocorre o aumento das vazões máximas (em até 7 vezes) devido a impermeabilização e canalização. A produção de sedimentos também aumenta de forma significativa, associada aos resíduos sólidos e a qualidade da água chega a ter 80% da carga de um esgoto doméstico.

Estes impactos têm produzido um ambiente degradado, que na condições atuais da realidade brasileira somente tende a piorar. Este processo infelizmente não está sendo contido, mas está sendo ampliado à medida que os limites urbanos aumentam ou a densificação se torna intensa. A gravidade desse processo ocorre principalmente nas médias e grandes cidades brasileiras. A importância deste impacto está latente através da imprensa e da TV, onde se observam, em diferentes pontos do país, cenas de enchentes associadas a danos materiais e humanos. Considerando ainda, que cerca de 80% da população encontra-se nas cidades, a parcela atingida é significativa.

O potencial impacto de medidas de planejamento das cidades é fundamental para a minimização desses problemas. No entanto, observa-se hoje que nenhuma cidade brasileira possui um Plano Diretor de Drenagem Urbana.

As ações públicas atuais estão indevidamente voltadas para medidas estruturais como a canalização, no entanto esse tipo de obra somente transfere a enchente para jusante. O prejuízo público é dobrado, já que além de não resolver o problema os recursos são gastos de forma equivocada. Esta situação é ainda mais grave quando se soma o aumento de produção de sedimentos (reduz a capacidade dos condutos e canais) e a qualidade da água pluvial (associada aos resíduos sólidos).

Esta situação é decorrente, na maioria dos casos, da falta de consideração dos aspectos hidrológicos quando se formulam os Planos Diretores de Desenvolvimento Urbano. Deste modo são estabelecidos, por exemplo, índices de ocupação do solo incompatíveis com a capacidade da macrodrenagem urbana.

Fonte: www.omniplast.com.br

Inundações

COMO PREVENIR E ENFRENTAR AS ENCHENTES

As enchentes provocadas por fortes chuvas que atingem 13 estados já deixaram mais de 200 mil pessoas desalojadas, hospedadas com amigos e familiares, e cerca de 100 mil desabrigados, que dependem de abrigos públicos. O Especial Cidadania traz explicações sobre esse tipo de desastre natural e as recomendações da Secretaria Nacional de Defesa Civil sobre como prevenir e enfrentar as inundações.

PRINCIPAIS TIPOS E CAUSAS MAIS FREQUENTES

As enchentes que vêm ocorrendo no país podem ser classificadas em dois tipos, de acordo com a Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec), órgão do Ministério da Integração Nacional.

1) Enchentes repentinas, bruscas e (ou) enxurradas:

Ocorrem em regiões de relevo acentuado e montanhoso e se caracterizam pelo acúmulo de grande quantidade de água num curto período. São frequentes em rios de zonas montanhosas e vales profundos. Muitas vezes as águas de chuva arrastam terra sem vegetação devido aos deslizamentos nas margens dos rios. Chuvas fortes ou moderadas, mas duradouras, também podem originar enchentes repentinas, quando o solo esgota sua capacidade de infiltração.

2) Enchentes em cidades ou alagamentos:

Águas se acumulam nas ruas e nos perímetros urbanos por fortes chuvas em cidades com sistema de drenagem deficiente.

O fenômeno está relacionado à redução da infiltração natural nos solos urbanos, provocada por:

Compactação e impermeabilização do solo;
Pavimentação de ruas e construção de calçadas;
Adensamento de edificações, que contribuem para reduzir o solo exposto e concentrar o escoamento das águas;
Desmatamento de encostas e assoreamento dos rios;
Acúmulo de detritos em galerias pluviais, canais de drenagem e cursos d’água.

O coordenador do Centro de Apoio Científico em Desastres (Cenacid) da Universidade Federal do Paraná, Renato Lima, alerta para os resíduos de construção depositados nos rios em algumas cidades. Essa é uma prática que provoca enchentes, pois, assim como o lixo nas tubulações, os resíduos reduzem a vazão do volume de água. "É uma conduta inadequada da população, que acaba se tornando vítima", afirma o especialista.

O QUE FAZER SE O RISCO DE ALAGAMENTO FOR IMINENTE

Não deixe crianças em casa sozinhas.
Mantenha sempre prontos água potável, roupa e remédios, caso tenha que sair rápido de casa.
Avise vizinhos, corpo de bombeiros e a Defesa Civil sobre o perigo, no caso de casas construídas em áreas de risco e em áreas afetadas pela enchente.
Convença as pessoas que moram em áreas de risco a saírem de casa durante as chuvas.
Coloque documentos e objetos de valor em um saco plástico bem fechado e em local protegido.
Salve e proteja, antes de tudo, sua vida, a de seus familiares e amigos.
Tenha um lugar previsto e seguro, onde você e sua família possam se alojar.
Desconecte os aparelhos elétricos das tomadas e não utilize eletrodomésticos que tenham sido molhados: há risco de choque elétrico.
Feche o registro de água.
Não deixe crianças brincando na enxurrada ou nas águas dos córregos: elas podem ser levadas pela correnteza ou contrair doenças como hepatite e leptospirose.

PROVIDÊNCIAS A TOMAR DEPOIS DA CALAMIDADE

Enterre animais mortos e limpe escombros e lama.
Lave e desinfete objetos que tiveram contato com as águas da enchente.
Retire todo o lixo da casa e do quintal e o coloque para a limpeza pública.
Certifique-se de que seu imóvel não tem risco de desabamento.
Ao movimentar objetos, móveis e utensílios, tenha cuidado com aranhas, cobras e ratos.
Nunca beba água de enchente ou coma alimentos que estavam em contato com essa água.

CUIDADOS NECESSÁRIOS COM A ÁGUA

Água para consumo humano: Pode ser fervida ou tratada com água sanitária, na proporção de duas gotas para um litro de água, ou tratada com hipoclorito de sódio, na proporção de uma gota para um litro de água. Nos dois casos, deixar em repouso por 30 minutos para desinfetar.
Água para limpeza e desinfecção:
Deve ter um litro de hipoclorito de sódio para 20 litros de água ou um litro de água sanitária para cinco litros de água.3607

OBRIGAÇÕES DO PODER PÚBLICO E PARTICIPAÇÃO DA COMUNIDADE

Prevenção é a palavra-chave quando o assunto é enchente, pois grande parte dos recursos para cobrir prejuízos é pública, ou seja, vem dos impostos pagos pela população. As ações da Defesa Civil têm recursos previstos no Orçamento da União e nos dos estados e municípios.

O Fundo Especial para Calamidades Públicas (Funcap) é outro instrumento financeiro de resposta aos desastres. A Sedec recomenda que fundos estaduais e municipais semelhantes sejam instituídos.

A política nacional de defesa civil prevê – por meio do Sistema Nacional de Defesa Civil (Sindec), composto de órgãos federais, estaduais e municipais – a recuperação socioeconômica de áreas afetadas por desastres. Entre as ações, está a recolocação populacional e a construção de moradias para populações de baixa renda. O Sindec deve fornecer cestas básicas de materiais de construção. Cabe à comunidade participar do mutirão de obras. O poder público é responsável também pela recuperação da infraestrutura de serviços públicos e dos ecossistemas.

Dois órgãos são essenciais nas ações de prevenção a enchentes em um município. A coordenadoria municipal de defesa civil (Comdec) é responsável pela execução, coordenação e mobilização de todas as ações de defesa civil no município. Sua principal atribuição é conhecer e identificar os riscos de desastres no município, preparando a população para enfrentá-los com a elaboração de planos específicos. Cabe ao prefeito determinar a criação de uma Comdec, mas a iniciativa pode partir das autoridades locais ou dos cidadãos.

Também é necessária a participação da comunidade nas atividades de defesa civil por meio dos núcleos comunitários de defesa civil (Nudecs), grupos comunitários que trabalham de forma voluntária. A instalação dos Nudecs é prioritária em áreas de risco e preparam a comunidade local a dar pronta resposta aos desastres.3608

O QUE A PREFEITURA PRECISA FAZER PARA EVITAR AS INUNDAÇÕES

Elaborar o plano diretor de desenvolvimento municipal, identificando áreas de risco e estabelecendo regras de assentamento da população. Pela Constituição, esse plano é obrigatório para municípios com mais de 20 mil habitantes.
Fiscalizar as áreas de risco, evitando o assentamento perigoso.
Aplicar multas, quando o morador não atender às recomendações.
Elaborar plano de evacuação com sistema de alarme. Todo morador deve saber o que e como fazer para não ser atingido.
Indicar que áreas são seguras para construção, com base no zoneamento.

MEDIDAS DE PREVENÇÃO QUE DEPENDEM DE TODO CIDADÃO

Não jogue lixo em terrenos baldios ou na rua.
Não jogue sedimentos, troncos, móveis, materiais e lixo nos rios, pois afetam o curso desses.
Ao realizar uma obra, certifique-se de que os resíduos serão depositados em locais adequados.
Não jogue lixo nos bueiros.
Limpe o telhado e as canaletas de água.
Não construa próximo a córregos.
Não construa em cima ou embaixo de barrancos.

O QUE É?

Situação de emergência Reconhecimento legal pelo poder público de situação anormal provocada por desastres, causando danos suportáveis e superáveis pela comunidade afetada.

Estado de calamidade pública Reconhecimento legal pelo poder público de situação anormal provocada por desastres, causando sérios danos à comunidade afetada, inclusive à vida de seus integrantes.

*Ambas as declarações são feitas por decreto pelo governador do Distrito Federal ou prefeito municipal.

Fonte: www.senado.gov.br

Inundações

Inundações, suas causas e conseqüências

A repetição das calamidades generalizadas provocadas pelas enchentes confirma o que há tanto tempo já se podia prever. Se hoje estragos são imensos e os mortos se contam às centenas, não tardará o dia em que os flagelados e os mortos totalizarão milhões. Somos incapazes de aprender com nossos erros. As advertências sempre mais dramáticas da Natureza de nada valem.

Durante as catastróficas inundações da segunda quinzena de março de 1974, quem, desde a barra do rio Mampituba ou do alto dos morros da praia de Torres, no Rio Grande do Sul, observasse o mar, podia ver água vermelha como tijolo novo, mais vermelha do que a do rio Guaíba no inverno. Observada de perto, a transparência da água era zero, como a do café com leite.

A praia, até onde se podia avistar, ao norte como ao sul, estava coberta de detritos: aguapés, ramos troncos e cadáveres de reses, porcos e galinhas. Em toda parte, populares com suas carroças juntavam lenha, cortando e rachando troncos com o machado.

Alguns, com a maior naturalidade, carneavam animais mortos, levando a carne e deixando as entranhas.

Se as atitudes desta pobre gente atestam a miséria de sua existência, a repetição das calamidades generalizadas provocadas pelas enchentes confirma o que há tanto tempo já se podia prever. Se hoje os estragos são imensos e os mortos se contam às centenas, não tardará o dia em que os flagelados e os mortos totalizarão milhões. Somos incapazes de aprender com nossos erros. As advertências sempre mais dramáticas da Natureza de nada valem. Insistimos no consumo de nosso futuro.

Antes das interferências irracionais do homem, cada local tinha a cobertura vegetal que convinha às condições do lugar, pois esta cobertura era resultado da seleção natural implacável, agindo através das longas eras da história da evolução. A flora e a fauna, o solo com sua microfauna e microflora, estavam de tal maneira constituídos e estruturados que tinham condições de enfrentar, sem estragos importantes, todas as vicissitudes da região. Se assim não fosse, não teriam sobrevivido até a chegada do homem "civilizado". Nestas condições, a erosão física era praticamente inexistente. Os rios eram quase sempre cristalinos.

Predominava a erosão química, a lenta dissolução dos minerais pelo processo chamado meteorização . Mas este processo age em escala de tempo geológico, uma escala de tempo de formação das montanhas . Não havia destruição, apenas evolução da paisagem.

Um bosque intacto é um perfeito regulador do movimento das águas. A folhagem das árvores e do sub-bosque das ervas e samambaias, o próprio musgo e os detritos que cobrem o chão freiam a violência do impacto das gotas da chuva. No bosque são não há solo nu. A capa de restos vegetais em decomposição é um cosmos de vida variada e complexa. Ali vivem vermes, moluscos, escaravelhos e outros insetos, centopéias e miriápodos, aranhas e ácaros, pequenos batráquios e répteis e até alguns pequenos mamíferos. A complementar o contínuo trabalho de desmonte dos detritos orgânicos, temos os fungos e as bactérias que mineralizam completamente o material, devolvendo ao solo os elementos nutritivos que as plantas dele retiram .

Fecha-se assim um dos importantes ciclos vitais do sistema de suporte da vida do planeta. Não há limite definido entre a capa de detritos e a superfície do solo.

Os dois complexos se entremeiam, formando uma só esponja, com poros e galerias grandes e pequenas, rasas e profundas. Esta esponja tem enorme capacidade de absorção e armazenamento de água. Mesmo durante as mais violentas enxurradas e nas costas mais íngremes, a água não escorre pela superfície. Ela é absorvida e segue subterraneamente até a vertente mais próxima ou vai juntar-se ao lençol freático, para reaparecer muitos quilômetros adiante. Quando desce pelo córrego, sempre puro, sua velocidade é freada no leito irregular de pedras, troncos e raízes, com degraus, rápidos e quedas, curvas e poros.

Um rio em região de floresta intacta, além de levar águas transparentes, apresenta flutuações suaves em sua vazão, raras vezes tranborda e também nunca seca. O bosque absorve rapidamente a água da chuva, mas a entrega lenta e parceladamente. No outro extremo, no deserto, o leito do rio pode servir de estrada para automóvel durante a maior parte do tempo, mas, quando chove, transforma-se rapidamente em caudal de águas barrentas e arrasadoras. As piores inundações são as do deserto .

À medida que progride a desnudação das montanhas, das cabeceiras e margens dos rios, à medida que desaparecem os últimos banhados, outros grandes moderadores do ciclo hídrico, a paisagem mais e mais se aproxima da situação do deserto, os rios se tornam mais barrentos e mais irregulares. Onde havia um fluxo bastante regular, alternam-se então estiagens e inundações catastróficas. Somente uma inversão no processo de demolição das paisagens pode inverter a corrida para calamidades sempre maiores.

Já são poucos os bosques que sobram, e os que sobrevivem estão muitas vezes extremamente degradados. Na encosta da Serra, durante as grandes enxurradas que causaram as inundações, apareceram gigantescos deslizes até em áreas ainda florestadas, cobertas de floresta primária. Acontece que, em época de seca, as queimadas se alastram mesmo por dentro dos bosques pluviais de aparência sempre viçosa. Sem destruir as árvores adultas, o fogo destrói o sub-bosque e desnuda o solo, consumindo as folhas secas. O solo perde sua estrutura e a erosão começa a trabalhar em plena floresta. As imensas manchas de encosta agora destruída levarão milhares de anos para recuperar-se.

A função do bosque como regulador não se limita ao trabalho de freio mecânico e amenizador do grande ciclo da água, engrenagem mestra do sistema de suporte de vida. O bosque e todos os demais ecossistemas, savanas, pampas, cerrados, cerradões, banhados ou caatinga, desertos, lagos ou oceanos, toda a grande variedade de sistemas naturais têm, cada um, sua função específica e orquestrada dentro dos grandes equilíbrios climáticos. É fácil compreender que o bosque tem outra refletividade para raios solares, outra taxa de evaporação da água, oferece outra forma de resistência ao vento que o deserto, o lago, a savana.

O equilíbrio global entre os efeitos parciais de todos estes sistemas está em interação recíproca e em interação com a atmosfera e a hidrosfera. Mas o homem está hoje alterando ou degradando cada um dos sistemas. É claro que acabará alterando o equilíbrio global. Não sabemos onde está o limiar de tolerância para estes abusos, mas sabemos que existe um limiar além do qual a coisa começará a desandar, e sabemos que as interferências humanas aproximam-se hoje das ordens de magnitude dos grandes equilíbrios planetários.

No dia em que uma parte significativa da Hiléia Amazônica deixar de exibir, teremos, certamente, uma mudança fundamental no clima da Terra. Ninguém nos garante que esta mudança será para melhor.

As irregularidades climáticas que há vários anos atingem quase todo o mundo podem representar irregularidades esporádicas como as que sempre têm havido e que se repetem a cada três ou quatro décadas, mas é perfeitamente possível que já estejamos presenciando o começo da inevitável inversão climática global. O homem moderno desmonta e degrada sistematicamente a Ecosfera, isto é, a grande unidade funcional do Caudal da Vida. Não somente estraga, uma a uma, as peças da engrenagem, mas ainda joga areia no mecanismo, dificultando seu funcionamento e preparando o colapso.

Este é o significado da poluição. A sociedade industrial, com sua sede insaciável de energia, queima combustíveis fósseis em quantidade crescente tal que, hoje, o consumo anual corresponde à produção natural de mais de um milhão de anos. Com isso, não somente estamos esbanjando um capital irrecuperável, mas já estamos também afetando seriamente a própria natureza da atmosfera.

O gás carbônico do ar é um dos fatores mais importantes do equilìbrio térmico. Seu "efeito de estufa" consiste em permitir a penetração de raios solares, ao mesmo tempo que dificulta a saída dos rios infravermelhos, que são os raios de calor. Sem os 0,03 por cento de CO2, o clima da Terra seria mais frio e mais violento. Desde o começo da revolução industrial, já aumentamos em quase 30 por cento a concentração do gás carbônico na atmosfera, e até o ano 2.000 teremos acrescentado pelo menos outros 30 por cento, não somente pela combustão dos combustíveis fósseis - petróleo , carvão, lignina, turfa e gás natural - mas pelos próprios incêndios florestais. Que acontecerá? Se a conseqüência for um aumento de poucos graus na temperatura média planetária, desaparecerão as calotas polares e o nível dos oceanos poderá aumentar em até 70 metros. Porto Alegre, Buenos Aires, Nova Iorque, Hamburgo, Hong Kong e muitas outras grandes cidades desaparecerão. Desaparecerão regiões inteiras. A Holanda desaparecerá e na Amazônia surgirá um grande golfo.

Não sabemos se isto vai acontecer. È possível e provável que aconteça o contrário. Ao mesmo tempo que estamos aumentando a concentração do gás carbônico, estamos também agindo drasticamente sobre o fator que tem efeito contrário. A poluição da atmosfera com partículas, sólidas e líquidas - pó, fumaça, aerossóis - está tornando a atmosfera menos transparente, ao mesmo tempo que as partículas de impurezas servem de núcleos de condensação para a formação de nuvens. Uma atmosfera menos transparente e com mais nuvens devolve ao espaço vazio maior proporção da energia solar. Isto contribui para um clima mais frio. Caso predominar este último efeito, voltaremos á idade glacial. As últimas tendências meteorológicas parecem estar indicando isto, o que talvez explique a atual irregularidade do clima.

Está claro que a espécie humana não poderá continuar por muito tempo com a sua cegueira ambiental e com sua falta de escrúpulos na exploração da Natureza.

Tudo tem seu preço, e, quanto maior o abuso, maior será o preço. Devemos compreender que a Ecosfera é uma unidade funcional onde todas as peças são complementares de todas as demais. Não podemos causar danos apenas locais. Tudo está ligado com tudo.

Vejamos a verdadeira extensão dos estragos causados pela devastação florestal. O primeiro estrago está na perda da própria floresta nativa , um ecossistema insubstituível, extremamente complexo e belissimamente equilibrado. A floresta natural é uma comunidade animal e vegetal que levou milhares de anos para estabelecer-se e que é o resultado de milhões de anos de evolução orquestrada destas espécies.

Segue-se a perda do solo. No terreno desnudado ou na floresta degradada pelo fogo, as enxurradas destroem em minutos ou horas o que a Natureza levou milhares de anos para fazer. Uma polegada de solo fértil pode levar até quinhentos anos para formar-se. Em muitos lugares, as enxurradas levam solo e subsolo, deixando aflorar a rocha nua. Até que ali esteja reconstituída nova capa de solo como a que se perdeu, nossa civilização já pertencerá a um passado remoto, tão remoto quanto são para nós os assírios e babilônios. Todo solo perdido - e a cada ano se perde no planeta uma superfície que corresponde a uma quinta parte do Rio Grande do Sul - significa uma diminuição na capacidade da Terra de produzir alimentos. À medida que explode a população, implode a capacidade de manutenção desta população.

Quem vê a violência das águas de um rio como o Mampituba, um rio relativamente curto, durante as cheias, sabe que não há peixe que não seja arrastado. Alguns poucos talvez consigam refugiar-se nos restos de banhados ribeirinhos, quase sempre destruídos. O rio levará anos para recuperar-se - e isto se não houver outra cheia de maiores proporções.

Mas o estrago vai além. Naquela cheia do Mampituba, o que terá acontecido com as milhões de toneladas de argila que coloriram o mar de vermelho? Quem, mais tarde, observar novamente o mar, com sua cor azul e transparência normal, não deveria deixar de preocupar-se com o destino de todo aquele lodo. No mar, este lodo é um corpo estranho. Ele não pode sedimentar-se na água pouco profunda da beira da praia, porque ali a turbulência é muito grande. Assim, acaba por sedimentar-se nas partes mais profundas, causando então desastres em grande escala. Os organismos que vivem no fundo do mar estão adaptados à sedimentação normal, à chuva constante de detritos microscópicos, dos quais em boa parte até se alimentam, mas não estão adaptados ao sepultamento por espessas capas de lodo. Os sedimentos de inundação como aquela talvez tenham destruído alguns milhares de quilômetros quadrados de fauna bêntica. E esta fauna fixa do fundo faz parte de extensas cadeias alimentares, que podem estender-se por dezenas de milhares de quilômetros. Muita criatura não diretamente afetada pelo lodo morrerá semanas, meses ou anos depois.

Sabemos hoje que o oceano é, talvez, deserto em 90 por cento. Sua produtividade concentra-se principalmente nas plataformas continentais e em algumas costas com movimento ascensional de águas ricas em minerais. Justamente estas partes são as mais afetadas pelas agressões do homem.

Ninguém poderá calcular a verdadeira extensão dos estragos causados pelas inundações, tanto momentâneos como defasados no tempo e no espaço. Mas já não podemos nos espantar quando grandes oceanólogos afirmam sua convicção de que o oceano talvez já não tenha mais salvação. É preciso ter em mente que não é só pela poluição e pela pesca predatória que matamos os mares.

Se destruirmos os oceanos, acabaremos destruindo a nós mesmos.

José A. Lutzenberger

Fonte: www.agirazul.com.br

Inundações

O que são as inundações ?

Os rios transbordam sempre que as chuvas forem muito intensas.

Normalmente um rio, ou mesmo um pequeno córrego, escoa por um canal natural que é suficiente para transportar apenas uma pequena quantidade de água durante o tempo todo.

Quando ocorrem chuvas contínuas por longos períodos de tempo, aquele canal que é alimentado por estas chuvas pode transbordar, passando a ocupar uma faixa lateral ao canal. Esta faixa tem o nome de várzea ou zona de inundação natural. Ainda hoje, muitos campos de futebol são feitos nas várzeas de rios; é o futebol de várzea.

Muito antes que os homens construíssem as primeiras cidades, os rios inundavam suas margens durante a época das chuvas.

O que são as enchentes ?

As enchentes são mais graves que as inundações porque a água das chuvas ocupa uma área maior do que simplesmente as várzeas dos rios.

No caso de uma enchente, não se pode falar em transbordamento dos rios. Uma enchente é muito mais que isto porque mesmo que os rios sejam bem largos e profundos, ainda assim não são suficientes para transportar a grande quantidade de água das chuvas.

As enchentes são naturais ?

As pequenas inundações nas várzeas dos rios também são naturais principalmente no verão quando ocorrem as chuvas de fim de tarde que são por isto mesmo chamadas de chuvas de verão.

As grandes enchentes que ocorrem uma vez a cada 20 ou 30 anos são fenômenos naturais provocados por chuvas excepcionais, ou seja chuvas muito raras e muito intensas ou contínuas.

Mas, se a cada vez que ocorre uma chuva mais ou menos forte, também ocorrem enchentes nas cidades, alguma coisa está errada.

Por que atualmente ocorrem tantas enchentes nas cidades?

Algumas cidades são mais sujeitas a inundações e enchentes porque nasceram muito próximas de rios. A água é necessária para tudo; assim, nada mais natural que os homens de antigamente construírem suas casas e vilas ao lado de rios. Com o passar do tempo, estas vilas transformaram-se em grandes cidades.

Outras cidades, começaram a sofrer com as enchentes mesmo situando-se longe dos rios.

Algumas das causas das enchentes são devidas à própria construção das cidades e tudo que elas contêm: casas, prédios e ruas.

Vamos aqui explicar um pouco disso de uma forma bem simplificada.

Quando construímos uma casa, um pátio, ou uma calçada, o que estamos fazendo é revestir a terra, o chão. Antes da construção a água da chuva podia penetrar no solo com mais facilidade. Mas depois, a água da chuva não consegue se infiltrar e então ela escorre pelas superfícies. Isto se chama impermeabilização do solo. Em um campo aberto com árvores, uma grande parte da água da chuva fica retida nas árvores ou infiltra-se no solo.

Mas o que ocorre em uma área ocupada com muitas construções ?

Enquanto você pensa nesta questão, vamos lembrar de uma outra coisa muito importante sobre o escoamento da água das chuvas.

Quando a superfície por onde a água escoa é "lisa", por exemplo, no caso dos pátios de cimento ou das sarjetas ou ainda o asfalto das ruas, a velocidade da água pode ser muito maior do que quando a água escoa por uma superfície mais "áspera", como um gramado.

Isso significa que a água escoa mais depressa e pode se acumular nos pontos mais baixos de uma área da cidade se a saída para ela for muito pequena.

Por isso, com o crescimento das cidades, temos maiores acúmulos de água da chuva que não se infiltra no solo e, portanto, escoa mais rápido em direção aos pontos críticos.

O que é a drenagem ?

A drenagem é um conjunto de obras construídas com a finalidade de evitar inundações freqüentes. Um sistema de drenagem é composto basicamente pelas bocas de lobo, galerias pluviais, rios e canais que atravessam a cidade.

A água das chuvas que escoa pelas ruas, calçadas e sarjetas é captada pelas bocas de lobo e vai para a galeria de águas pluviais.

O que não é a drenagem ?

Depois de entrar pelas bocas de lobo, a água das chuvas escoa por uma galeria de águas pluviais e finalmente é descarregada em algum rio.

Então não podemos confundir galerias pluviais com rede de esgotos. A galeria pluvial deve transportar somente água das chuvas e não deve receber ligações de esgotos domésticos.

O que você pode fazer para evitar enchentes e inundações?

Vamos enumerar algumas coisas que podem estar ao nosso alcance. Primeiramente, em nossa própria casa e depois vamos também pensar em nosso bairro e na cidade em que vivemos.

Evitar fazer grandes pátios cimentados. Um quintal mantido com grama, horta ou árvores facilita a infiltração da água das chuvas no solo ou mesmo a retenção desta água nas folhas das plantas.

Se em nosso pátio existe um córrego, devemos mantê-lo aberto e limpo.

Quando canalizamos um córrego com um bueiro ou construímos sobre ele, estamos dificultando a passagem da água.

Os esgotos domésticos não devem ser ligados às galerias pluviais. Se não existe rede de esgotos em nosso bairro, devemos buscar os órgãos responsáveis para que façam a sua parte. Enquanto isso, podemos tratar os esgotos de nossa casa com uma fossa.

Não jogar papéis ou lixo nas ruas porque as bocas de lobo ficarão entupidas e não poderão dar entrada para a água nas galerias pluviais.

Um lote na margem de um córrego não é um bom local para se construir uma casa. Mais cedo ou mais tarde, este córrego vai transbordar e poderá causar sérios prejuízos. As margens dos córregos e rios devem ser conservadas sem construções.

Os loteamentos devem ter área verde nas partes mais baixas e próximas dos córregos. As áreas verdes ajudam a infiltração e a retenção da água das chuvas.

Um loteamento de uma área situada em um morro deve ser muito bem planejado porque, na maior parte das vezes, a construção de ruas e casas nestas áreas mais altas irá agravar muito as enchentes nas áreas mais baixas. Isto sem contar ainda o perigo dos deslizamentos.

Fonte: www.ceset.unicamp.br

Inundações

Há vários tipos de inundações

Inundações repentinas, bruscas ou enxurradas, que ocorrem em regiões de relevo acentuado, montanhoso, como na região Sul do País. Acontecem pela presença de grande quantidade de água num curto espaço de tempo.

São freqüentes em rios de zonas montanhosas com bastante inclinação, vales profundos e muitas vezes as águas de chuva arrastam terra sem vegetação devido aos deslizamentos nas margens dos rios. A grande quantidade de água e materiais arrastados representam, à medida que escoam, grande poder destruidor.

Chuvas fortes ou moderadas, mas duradouras (intensas), também podem originar inundações repentinas, quando o solo esgota sua capacidade de infiltração.

Inundações lentas ou de planície. Nas enchentes, as águas elevam-se de forma paulatina e previsível; mantêm-se em situação de cheia durante algum tempo e, a seguir, escoam-se gradualmente.

Normalmente, as inundações são cíclicas e nitidamente sazonais. Exemplo típico de periodicidade ocorre nas inundações anuais da bacia do rio Amazonas. Ao logo de quase uma centena de anos de observação e registro, caracterizou-se que, na cidade de Manaus, na imensa maioria dos anos, o pico das cheias ocorre em meados de junho.

Inundações em cidades ou alagamentos

São águas acumuladas no leito das ruas e nos perímetros urbanos, por fortes precipitações pluviométricas, em cidades com sistemas de drenagem deficientes.

Nos alagamentos, o extravasamento das águas depende muito mais de uma drenagem deficiente, que dificulta a vazão das águas acumuladas, do que das precipitações locais.

O fenômeno relaciona-se com a redução da infiltração natural nos solos urbanos, a qual é provocada por:

Compactação e impermeabilização do solo;
Pavimentação de ruas e construção de calçadas, reduzindo a superfície de infiltração;
Construção adensada de edificações, que contribuem para reduzir o solo exposto e concentrar o escoamento das águas;
Desmatamento de encostas e assoreamento dos rios que se desenvolvem no espaço urbano;
Acumulação de detritos em galerias pluviais, canais de drenagem e cursos d´água; insuficiência da rede de galerias pluviais.

Danos

No Brasil, muitas pessoas morrem anualmente pelas inundações. Outras perdem todo o patrimônio familiar alcançado com muitos anos de trabalho e esforço.

É comum a combinação dos dois fenômenos - enxurrada e alagamento - em áreas urbanas acidentadas, como ocorre no Rio de Janeiro, Belo Horizonte e em cidades serranas.

Em cidades litorâneas, que se desenvolvem em cotas baixas, como Recife e cidades da Baixada Fluminense, a coincidência de marés altas contribui para agravar o problema.

Os alagamentos das cidades normalmente provocam danos materiais e humanos mais intensos que os das enxurradas.

Perguntas freqüentes

1- O que a prefeitura pode fazer?

Elaborar o Plano Diretor de Desenvolvimento Municipal, onde serão identificadas as áreas de risco e estabelecidas as regras de assentamento da população. Pela Constituição Federal (art.138), esse Plano é obrigatório para municípios com mais de 20 mil habitantes.
Fiscalizar as áreas de risco, evitando o assentamento perigoso em ÁREAS INUNDÁVEIS.
Aplicar multas, quando o morador não atender as recomendações da Prefeitura.
Elaborar um plano de evacuação com um sistema de alarme. Todo morador deve saber o que fazer e como fazer para não ser atingido.
Implantar o esgotamento de águas servidas e a coleta do lixo domiciliar.
Indicar quais áreas estão seguras para a construção, com base no zoneamento;

Como a maioria das cidades brasileiras está próxima aos vales e margem dos rios é importante o planejamento, a legislação e a fiscalização.

2- O que devo fazer ao verificar os riscos de alagamento da cidade?

Não deixe crianças trancadas em casa sozinhas;
Mantenha sempre pronta água potável, roupa e remédios, caso tenha que sair rápido da sua casa;
Conheça o Centro de Saúde mais próximo da sua casa, pode ser necessário;
Avise aos seus vizinhos sobre o perigo, no caso de casas construídas em áreas de risco de deslizamento. Avise, também, imediatamente ao Corpo de Bombeiros e à Defesa Civil;
Convença as pessoas que moram nas áreas de risco a saírem de casa durante as chuvas;
Avise imediatamente ao Corpo de Bombeiros ou Defesa Civil sobre áreas afetadas pela inundação;

3- Posso levar os objetos pessoais mais importantes?

Antes de tudo, salve e proteja sua vida, a de seus familiares e amigos. Se precisar retirar algo de sua casa, após a inundação, peça ajuda à Defesa Civil ou ao Corpo de Bombeiros;
Coloque documentos e objetos de valor em um saco plástico bem fechado e em local protegido.

4- Se a inundação for inevitável como devemos nos preparar para enfrentá-la?

Tenha um lugar previsto, seguro, onde você e sua família possam se alojar no caso de uma inundação;
Desconecte os aparelhos elétricos da corrente elétrica para evitar curtos circuitos nas tomadas;
Não construa próximo a córregos que possam inundar;
Não construa em cima de barrancos que possam deslizar, carregando sua casa;
Não construia embaixo de barrancos que possam deslizar, soterrando sua casa;
Feche o registro de entrada d`água;
Retire todo o lixo e leve para áreas não sujeitas a inundações;
Feche bem as portas e janelas.

5- Há perigos de choque elétrico em equipamentos que foram molhados na inundação?

Sim. Não use equipamentos elétricos que tenham sido molhados ou em locais inundados, pois há risco de choque elétrico e curto-circuito.

6- Como podemos colaborar para evitar inundações?

Jogue o lixo no lixo. Não jogue lixo em terrenos baldios ou na rua. Não jogue papel e lixo na rua;
Não jogue sedimentos, troncos, móveis, materiais e lixo que impedem o curso do rio, provocando transbordamentos;
Não jogue lixo nos bueiros (boca de lobo), para não obstruir o escoamento da água;
Limpe o telhado e canaletas de águas para evitar entupimentos;

7- É uma boa diversão para as crianças brincar nas águas de inundação. Existe perigo nisso?

Sim. Não deixe crianças brincando na enxurrada ou nas águas dos córregos, pois elas podem ser levadas pela correnteza ou contaminar-se, contraindo graves doenças, como hepatite e leptospirose;

8- O que devemos fazer após a inundação?

Enterre animais mortos e limpe os escombros e lama deixados pela inundação;
Lave e desinfete os objetos que tiveram contato com as águas da enchente;
Retire todo o lixo da casa e do quintal e o coloque para a limpeza pública;
Veja se sua casa não corre o risco de desabar;
Raspe toda a lama e o lixo do chão, das paredes, dos móveis e utensílios;
Cuidado com aranhas, cobras e ratos, ao movimentar objetos, móveis e utensílios. Tenha cuidado com cobras e outros animais venenosos, pois eles procuram refúgio em lugares secos.

9- Que cuidados devemos ter com a água?

Nunca beba água de enchente ou inundação;
Não beba água ou coma alimentos que estavam em contato com as águas da inundação.

Água para Consumo Humano

Pode ser fervida ou tratada com água sanitária, na proporção de 2 gotas de água sanitária para 1 litro de água ou tratada com hipoclorito de sódio, na proporção de 1 gota de hipoclorito para 1 litro de água. Nos dois casos, deixar em repouso por 30 minutos para desinfetar.

Água para limpeza e desinfecção das casas, prédios ou rua deve ter a seguinte dosagem:

1 litro de hipoclorito de sódio para 20 litros de água ou 1 litro de água sanitária para 5 litros de água.
Ferva a água ou use 1 gota de hipoclorito para 1 litro de água;
Lave os alimentos com água e hipoclorito.

Fonte: www.charqueadas.rs.gov.br

Inundações

Todos os anos na época das chuvas de verão a Região Metropolitana de S. Paulo apresenta o mesmo problema; as enchentes, resultando milhares de desabrigados, danos materiais dos mais variados e o que é mais grave, algumas mortes.

Como se sabe os maiores prejudicados são as pessoas pobres da periferia que não possuem condições seguras e ideais de moradia, estando a mercê das precárias condições urbanísticas da cidade.

Mas, quais são as causas principais desta enchentes ?

São muitas, mas podemos elencar algumas que reputamos mais importantes, como: o alto índice pluviométrico da região; o alto grau de impermeabilização do solo pela malha asfáltica e de concreto, lembrando que S. Paulo é uma das maiores manchas urbanas do mundo; ocupação desordenada e crescimento populacional de migrantes; alto grau de pobreza da periferia da cidade, o que impossibilita as pessoas terem recursos para destinar o lixo, por exemplo; falta de consciência e educação ambiental dos administradores e da população em geral; omissão do Poder Público na gestão urbana e falta de saneamento básico adequado.

Para tentar minimizar o problema sugerimos as seguintes soluções técnicas:

Manutenção das áreas verdes existentes; criação de mais áreas verdes para se tentar aumentar a permeabilização; assistir melhor a grande massa de pobres da periferia, melhorando o saneamento básico; estimular a educação ambiental nos órgãos públicos, entidades particulares e escolas; estreitar o relacionamento entre o Poder Público e as associações de bairro, celebrando inclusive parcerias; na área central da cidade levantar e definir os locais problemáticos em termos de enchentes e criar mecanismos técnicos mais eficazes para a vazão da água; impedir o acesso de carros e pessoas nos locais críticos nos momentos de grandes precipitações pluviométricas e manter o Poder Público mais sintonia com os meteorologistas.

Quanto aos aspectos legais, lembramos que o art. 30 da Constituição Federal permite ao município legislar sobre assunto de seu interesse, o que autoriza a Câmara Municipal legislar sobre mecanismos relacionados as enchentes, já que estas têm sido um dos grande problemas locais.

Também não podemos esquecer que a municipalidade poderá sofrer grandes prejuízos econômicos se for condenada a indenizações sobre danos causados às pessoas pelas enchentes. Esta responsabilidade é objetiva, ou seja a vítima não precisa provar a culpa do Poder Público, apenas o fato (enchente) e os danos. Já o Poder Público para se eximir de indenizar deverá comprovar a culpa da vítima no evento, força maior ou caso fortuito (art.1.058,Código Civil). Mas será que as reiteradas enchentes e inundações que vêm ocorrendo todos os anos enquadram-se nestas duas últimas excludentes. Não nos parece, pois está se tornando cada vez mais previsível.

Em termos de direitos da coletividade há ainda a ação civil pública (Lei 4.347/75) que permite as entidades ali elencadas acionarem a justiça para obrigar o Poder Público a tomar providências, praticar ou deixar de praticar atos relativos ao problema das enchentes e inundações.

Portanto, as causa das enchentes, as soluções técnicas possíveis e seus aspectos jurídicos devem ser analisados por todos - autoridades e a coletividade, para que possamos juntos tentar resolver de uma vez por todas este drama por que passamos todos os anos nesta região tão densamente povoada.

Antônio Silveira Ribeiro dos Santos

Fonte: www.aultimaarcadenoe.com

Inundações

As inundações vêm aumentando continuamente em todos os países da Terra. A cada ano elas surgem com ímpeto redobrado, acarretando a destruição de cidades e vilas, perdas agrícolas, doenças e mortes.

De acordo com dados do World Almanac, em todo o século XIX foram registradas três grandes inundações, onde pereceram cerca de 938 mil pessoas. No século XX, até agosto de 1996, haviam ocorrido 82 grandes inundações em diversos pontos do globo, as quais mataram aproximadamente 4 milhões e 72 mil pessoas. Um exemplo localizado é o rio Mississipi, nos Estados Unidos, que ocasionou apenas uma grande inundação em todo o século XIX (em 1844); no século XX, esse mesmo rio provocou oito grandes inundações (até 1993).

A tabela a seguir mostra o número de grandes inundações por década no século XX1:

GRANDES INUNDAÇÕES NO MUNDO
Década Número de Inundações
1900 a 1909 2
1910 a 1919 3
1920 a 1929 2
1930 a 1939 3
1940 a 1949 2
1950 a 1959 6
1960 a 1969 16
1970 a 1979 18
1980 a 1989 15
1990 a 1996 26

Observa-se o extraordinário aumento do número dessas inundações nas últimas décadas do século XX. Nos primeiros 40 anos (1900 a 1939) houve 10 grandes inundações. Nos 40 anos seguintes (de 1940 a 1979) houve 41 grandes inundações.

Na primeira metade do século XX, o número de grandes inundações por década oscilou entre 2 e 3. Na década de 50 houve um salto para 6 inundações. Já nas cadas de 60, 70 e 80 o número de inundações variou entre 15 e 18. Em média, o número de grandes inundações nos últimos anos cresceu mais de 6 vezes em relação aos anos do começo do século XX. Na década de 90 ocorreram 26 grandes
inundações até agosto de 1996.

Um exemplo: de acordo com o relatório Word Disasters Report, da Cruz Vermelha Internacional, a partir de 1979 a Jamaica passou a sofrer inundações a cada 1,5 ano em média, afetando diretamente mais de 420 mil habitantes. A inundação de 1979 criou um lago de 600 acres com 27 m de profundidade na região de Newmarket. De 13 a 16 de maio de 2006 Newmarket sofreu uma grande inundação que arrazou grande parte da cidade. Segundo a ONU, o ano de 2005 ficou marcado pela ocorrência de 360 desastres naturais, ou seja, quase um por dia! Em levantamento elaborado, pela organização mundial foram, no total 168 inundações, 69 tornados e furacões e 22 secas que transtornaram a vida de milhões de pessoas.

Inundações
*Enchente em Newmarket em 2006*

Evidentemente, o critério para se qualificar uma inundação de "grande" é subjetivo. Porém, podemos convencionar que uma inundação foi um fenômeno de vulto caso tenha sido noticiada nos jornais, em razão dos danos e mortes acarretadas.

De qualquer forma, muitas das inundações noticiadas são bem mais do que um fenômeno de vulto, como veremos a seguir:

Em agosto de 1950, 489 pessoas morreram afogadas e 10 milhões ficaram desabrigadas em decorrência do transbordamento dos rios Hwai e Yang Tse, na China; cerca de 890 mil habitações foram destruídas e mais de dois milhões de hectares de terras cultivadas ficaram alagados.

Inundações
*Enchente_na_China,_Provincia de Guizhou*

Em setembro de 1978, 1.300 pessoas morreram afogadas em Bengala em consequências de inundações, e 15 milhões, do total de 40 milhões de habitantes do país, ficaram desabrigados.

As enchentes que se abateram sobre a China em julho de 1994 atingiram 13 de suas 30 províncias, afetando de uma maneira ou de outra 134 milhões de pessoas, muitas das quais ainda não se haviam recuperado das enchentes de 1991. Cerca de 83 mil chineses perderam tudo que possuíam.

Inundações
*Enchente no extremo sul da China*

Em 1995 as inundações voltaram a castigar a China, desta vez com ímpeto redobrado. De 15 de maio a 30 de junho o país experimentou as seis maiores tempestades já registradas em seu território, as quais afetaram 22 de suas províncias. A precipitação média no período foi de 700 mm, com um nível recorde de 1.720 mm. Numa determinada região choveu 340 mm em quatro horas.

As inundações em uma das províncias foram as piores desde 1888. Nas oito províncias mais afetadas morreram 1.450 pessoas, cerca de dois milhões de casas foram destruídas, outras 6,5 milhões sofreram danos e 7,5 milhões de hectares de terras agrícolas foram destruídos. Em julho havia duas mil aldeias submersas.

Inundações
*Enchente na China, Província de Sichuan*

Ainda em 1995, na Coréia do Norte, as chuvas torrenciais que caíram entre os meses de julho e setembro – as mais intensa em décadas – transformaram as terras aráveis do país em campos de lama e detritos, destruíram 19 mil casas, 4 mil pontes e mataram meio milhão de animais, dando início a um período de fome que iria matar centenas de milhares de coreanos nos anos seguintes (uma estimativa de 1998 falava em dois milhões de mortos).

Em 1996, segundo dados oficiais, as inundações chinesas mataram 3.048 pessoas e feriram 363.800, repetindo-se as cenas de destruição dos anos anteriores, porém em escala aumentada. Em 2 de julho, o rio Yang-Tse estava 33,18 metros acima do nível normal, correspondendo a 4,68 metros acima do "nível de perigo". Centenas de vilas e cidades ficaram submersas. Só na província de Hunan registrou-se 12 mil pontes derrubadas, 8 mil km de linhas de transmissão e 5 mil km de linhas telefônicas destruídas, 130 mil hectares de terra cultivada submersos e cerca de 1,5 milhão de casas arrasadas. Segundo o Word Disaters Report, a duração das chuvas, a área inundada e a magnitude dos danos fizeram de 1996 o pior ano de inundações em toda a história da China. O ano trouxe ainda as piores enchentes em Sumatra desde 1950, na África do Sul desde 1938, no noroeste dos Estados Unidos desde 1930, na Romênia desde 1925 e em Jacarta desde 1920.

Em fevereiro de 1997, dois povoados do Peru desapareceram sob uma capa de lodo, em conseqüência de um gigantesco deslizamento de terra provocado por chuvas torrenciais, sepultando de uma só vez aproximadamente 300 pessoas. Naquele mês, Portugal e Espanha experimentaram as chuvas mais fortes já registradas em todos os tempos, enquanto que o Vietnan era atingido pela pior tempestade desde 1904. Em julho, o sul da Polônia ficou submerso; especialistas da Universidade de Wroclaw afirmaram que desde a Idade Média não ocorriam inundações daquele tipo no país. Em agosto, no Paquistão, 140 pessoas morreram na pior inundação dos últimos cem anos. No final do ano, a Somália contabilizava perto de duas mil mortes e 800 mil desabrigados, em decorrência de inundações sem precedentes no país. O ano de 1997 foi também o mais chuvoso em Hong Kong desde 1884.

Inundações
*Enchentes na Somália*

Há também casos que deveriam chamar a atenção pela ocorrência de aspectos absolutamente inusitados:

Em junho de 1995, na Argélia, numa região central do deserto do Saara, um oásis transbordou depois de um temporal e matou três pessoas. Em agosto de 1996, na Espanha, uma hora de tempestade fez um riacho normalmente seco transbordar e destruir um camping, deixando um saldo de 76 mortos, 183 feridos e mais de cem desaparecidos. A região do camping recebeu mais de 100 litros de água por metro quadrado; todos os carros, barracas e trailers foram arrastados por até um quilômetro, e alguns corpos foram levados pela correnteza a 15 km do local da tragédia.

O depoimento de um sobrevivente dá uma dimensão aproximada do que aconteceu: "Tudo aconteceu em um instante, não consigo explicar, foi como uma onda gigante levando tudo. (...) Foi uma questão de segundos. A rua principal do camping se tornou um rio, com um ou dois metros de lama..." Em outubro de 1997, 12 pessoas morreram em decorrência de uma tempestade ocorrida em Israel, no deserto de Neguev!

Em fevereiro de 1998, uma tempestade com ventos de 100 km/h atingiu a Líbia, o Egito (30 casas destruídas e cinco mortos), Jordânia, Israel e Síria; um detalhe: foi uma tempestade de areia.

As inundações aqui mencionadas são aquelas decorrentes de chuvas torrenciais, associadas ou não a ciclones. Mas há também inundações provocadas por maremotos, os quais geram ondas gigantescas, chamadas "tsunamis", que podem chegar a mais de 30 metros de altura quando atingem a costa de um país.

Poder-se-ia dizer que é uma "inundação rápida", porém extremamente destrutiva. O tsunami que atingiu o Japão em julho de 1993, por exemplo, causou 120 mortes. Esse tipo de onda marítima gigantesca pode também atingir um país que não tenha sequer sentido os efeitos do maremotoque a originou. O tsunami que atingiu o Havaí em 1946, varrendo casas e pessoas para o mar, originou-se de tremores submarinos ocorridos cinco horas antes nas Aleutas, a 3.700 quilômetros de distância. Mais recentemente ocorreu o devastador tsunami na Indonésia, em 2004, atingindo varias localidades inclusive o Sri Lanka.

Inundações
*A foto acima retrata os 5 minutos antes do tsunami chegar à costa do Sri Lanka*

Inundações
*A segunda, o turbilhão de águas momentos após o muro de água invadir vários
kms de costa do Sri Lanka*

Um outro aspecto interessante, que deveria chamar a atenção das pessoas para essa aceleração contínua de catástrofes da natureza, é que grande parte delas constituem "recordes" de acontecimentos já registrados anteriormente. Isso mostra, como já mencionado, que essas catástrofes aumentam não somente em quantidade, mas também em intensidade. Veremos que essa característica de "recordes" continuamente batidos se repete também em vários outros fenômenos, naturais ou não, que atingem a humanidade em nossa época.

A seguir, se reproduz alguns trechos de notícias não muito espaçadas no tempo, que também atestam este fato:

"Itália: ainda há regiões isoladas pela pior tempestade do país desde 1913 e total de mortes pode passar de cem." (Folha de S. Paulo - 8.11.94)

"Na Alemanha, o rio Reno começou a baixar. Ele atingiu 11 metros, nível mais alto desde 1926, inundando Colônia. (…) A Holanda espera que os diques dos rios Waal e Meuse resistam à ascensão das águas, que ameaçam provocar a pior enchente no país em quatro décadas." (Folha de S. Paulo - 2.2.95) Ainda na mesma época (fevereiro de 1995), extensas regiões dos Estados Unidos foram inundadas, também numa das "piores enchentes do século". (Obs.: A inundação que atingiu a Alemanha se estendeu também para a Inglaterra e a França. A Holanda, que teve 250 mil desabrigados, ficou na iminência de ser tragada pelas águas. A situação aflitiva da Holanda deve ter feito pensar alguns holandeses, que se orgulham de um lema de seu país que certamente não pode ser superado em presunção e arrogância: "Deus fez o mundo, e os holandeses fizeram a Holanda"…)

A lista de recordes continuou ao longo de 1995:

Noruega debaixo d'água: maior enchente dos últimos 125 anos." (Jornal Nacional - 5.6.95)
"Especialistas disseram que a enchente [na China] pode se tornar a maior do século no país." (Folha de S. Paulo - 8.7.95)
"Piores inundações dos últimos cinco anos [na Coréia do Sul]." (O Estado de S. Paulo - 27.8.95)
"(…) Os barcos viraram o principal meio de transporte depois da enchente. A tempestade que caiu na cidade [Port St. Lucie - EUA] foi considerada a mais violenta de que se tem notícia." (O Estado de S. Paulo - 20.10.95)
"Acumulado de chuva do mês de outubro bate recorde de 55 anos [em Santos]." (O Estado de S. Paulo - 31.10.95)
"As chuvas estão entre as piores do país, segundo meteorologistas do Cairo." (Folha de S. Paulo - 3.11.95)
"A tempestade é a mais violenta dos últimos 55 anos [na Turquia]." (O Estado de S. Paulo - 6.11.95)

Em 1996 os recordes continuaram a ser batidos:

"O Estado mais atingido foi a Pensilvânia [nos Estados Unidos], onde 150 mil pessoas tiveram de deixar suas casas por causa da enchente." (Folha de São Paulo 22.1.96)
"(…) Foi a pior enchente no Oregon [nos Estados Unidos] nos últimos 32 anos." (Folha de São Paulo - 9.2.96)
"O maior temporal registrado no Estado [Rio de Janeiro] nos últimos 25 anos já provocou 66 mortes." (O Estado de S. Paulo - 16.2.96)
"As chuvas da semana passada no Rio de Janeiro foram as piores dos últimos 70 anos." (Veja - 21.2.96)
"Em menos de quatro horas, chuvas torrenciais transformaram a cidade de Versilia [na Itália], num amontoado de lodo que arrastou pelo menos 27 pessoas e até ontem causou a morte de 11. (…) A população não foi advertida sobre o dilúvio que estava prestes a cair: 475 litros por metro quadrado." (O Estado de S. Paulo - 21.6.96)
"Há 2 milhões de desabrigados, 810 mil casas ruíram e 2,8 milhões sofreram danos [na China]" (O Estado de S. Paulo - 20.7.96)

"Chuvas torrenciais continuam atingindo vários países da Ásia e causando milhares de mortes. (…) Sobem para 1.600 as vítimas das chuvas este mês, no centro e no sul do país [na China]" (O Estado de S. Paulo - 29.7.96)
"As enchentes atingiram 890 mil pessoas em 974 localidades [na China]. (…) Segundo as autoridades da região de Longyan, é a pior enchente dos últimos 500 anos." (Folha de São Paulo - 12.8.96)
"Inundação mata 200 e deixa pelo menos 70 mil desabrigados [na China]." (Folha de São Paulo - 22.10.96)
"Rios transbordaram, estradas ficaram intransitáveis e os campos alagados [na Espanha]. (…) As inundações forçaram 2.200 moradores a deixar suas casas." (O Estado de S. Paulo - 23 e 25.12.96)
"Tempestade mata 162 na Malásia. (…) Foi um dos piores desastres naturais que já atingiram a região." (Folha de São Paulo - 27 e 30.12.96)

Obs.: Ao final do ano de 1996 haviam sido registradas 84 inundações de vulto em todo o mundo, que acarretaram danos significativos e/ou mortes.

O ano de 1997 seguiu na mesma linha:

"As inundações que mantêm há mais de uma semana vastas regiões dos Estados Unidos debaixo d’água atingiram ontem o norte da Califórnia. O Estado havia conseguido escapar quase sem dano das chuvas e do frio, considerados os piores dos últimos 40 anos." (O Estado de S. Paulo - 3.1.97)
"A cheia, segundo o prefeito de Iporanga [São Paulo] é a maior do século, superando a de 1937. (…) Em Ribeira, o nível do rio subiu 14 metros e arrasou a cidade." (O Estado de S. Paulo - 24.1.97)
"O rio Vermelho, que banha os Estados Unidos e Canadá, provoca a pior enchente dos últimos 145 anos" (O Estado de S. Paulo - 2.5.97)
"O oeste do Pará [Brasil] registra a maior enchente em 30 anos. (...) O rio Amazonas já subiu 8,2m, superando todos os registros das últimas décadas." (O Estado de S. Paulo - 8.5.97)
"Em Santiago [Chile], as chuvas de ontem superaram o volume pluviométrico de um ano inteiro." (Folha de São Paulo - 23.6.97)
"Após a pior seca do século, no ano passado, o Chile está sofrendo uma das maiores tempestades de chuva e neve dos últimos cem anos. (...) A maior parte do território chileno foi declarada zona de catástrofe. Está chovendo onde quase nunca
chove, como no deserto de Atacama, no norte do país." (O Estado de S. Paulo - 25.6.97)
"Na Alemanha, perto da fronteira da Polônia, o rio Oder atingiu seu nível mais alto em 50 anos." (Folha de S. Paulo - 21.7.97) • "Situação é crítica na Polônia, República Tcheca, Alemanha e Áustria, afetando 1.107 povoações. (...) Pelo menos 97 pessoas morreram, 2.500 estão feridas e mais de 10 mil perderam suas casas." (O Estado de S. Paulo - 21.7.97)
"O governador de Brandemburg, Manfred Stolpe, classificou a enchente como um 'desastre de proporções sem precedentes'." (O Estado de S. Paulo - 24 e 26.7.97)
"O rio Oder rompeu dois grandes diques (de mais de 250 anos) que continham suas águas, inundando duas vilas. (...) Segundo Stolpe, as enchentes são as piores dos últimos mil anos. " (Folha de São Paulo - 26.7.97)
"As piores inundações em décadas em Myanmar mataram pelo menos 13 pessoas e afetaram mais de 360 mil." (CNN - 4.10.97)
"Violentas tempestades na Península Ibérica provocaram a morte de pelo menos 32 pessoas ontem. (...) A água chegou a 3 metros de altura na povoação espanhola de Valverde." (O Estado de S. Paulo - 7.11.97)
"Até a tarde de ontem, 126 prefeituras [Rio Grande do Sul - Brasil] haviam decretado situação de emergência por causa de cheias, temporais ou granizo. (O Estado de S. Paulo - 4.11.97)
"Os maiores alagamentos dos últimos 40 anos atingiram partes da Etiópia, Quênia e Somália." (Folha de São Paulo - 5.11.97)
"Desabrigados na África chegam a 800 mil. (...) Número de mortos aproxima-se de 2 mil." (O Estado de S. Paulo - 11 e 19.11.97)
"No ano passado, Veneza também passou as festas de Natal atingida por graves inundações, pela segunda vez neste século, em consequência de chuvas torrenciais e das marés altas." (O Estado de S. Paulo - 22.12.97)

Se o leitor observar as notícias sobre inundações veiculadas pelos jornais, verificará que muitos outros "recordes" continuam a ser batidos continuamente. No início de 1998 algumas regiões do Canadá foram atingidas por grandes inundações. No mês de abril, havia na Argentina 5 milhões de hectares de terras sob as águas, consequência do que o presidente Menen chamou "das piores chuvas da história"; pelo menos 4 pessoas morreram, 4 mil foram obrigadas a se retirar das áreas atingidas e 50 mil ficaram isoladas; um economista previu que os prejuízos chegariam a 25% do PIB do país.

As maiores enchentes do Brasil:

Blumenau - 1911

Porto Alegre – 1941: A Enchente de 1941 foi a maior registrada na cidade de Porto Alegre. Durante os meses de abril e maio a precipitação somou 791 mm.

Deixou 70 mil flagelados sem energia elétrica e água potável. As águas do Guaíba alcançaram a cota recorde de 4,75 metros, com um tempo de recorrência de 370 anos. As cheias que ocorrem no Lago Guaíba são causadas por fatores ambientais interrelacionados, principalmente pelas chuvas intensas que ocorrem nas cabeceiras dos rios afluentes, juntamente com o efeito de represamento decorrente do vento Sul no Estado.

O centro da cidade ficou debaixo d'água e os barcos se tornaram o principal meio de transporte de Porto Alegre em maio daquele ano.

Após esta data, o Arroio Dilúvio foi canalizado, o Muro da Mauá foi construído e um sistema de drenagem foi instalado, para evitar a repetição do problema. A cidade não teve mais enchentes de tais proporções.

Inundações
*Enchente de 1941 no Largo do Mercado – Porto Alegre*

Rio de Janeiro - 1966 e 1967
Santa Catarina - 1974.
Blumenau - 1983.
Rio de Janeiro - 1988.
Acre - 1997.
Minas Gerais - 2001.

Paraíba – 2002: Barragem de Camará, inaugurada em 2002, foi construída em concreto rolado no leito do rio Riachão (afluente do rio Mamanguape) que serve de divisa entre os municípios de Alagoa Nova e Areia, no estado brasileiro da Paraíba.

Na noite de 17 de Julho de 2004, a barragem rompeu após uma falha de construção, atingindo parte dos territórios e moradores dos municípios de Alagoa Nova, Areia e os sítios urbanos das cidades de Alagoa Grande e Mulungu, onde o desastre assumiu maior dimensão.

Santa catarina – 2008: As enchentes em Santa Catarina em 2008 ocorreram depois do período de grandes chuvas durante o mês de novembro de 2008, afetando em torno de 60 cidades e mais de 1,5 milhões de pessoas no estado de Santa Catarina, Brasil. 135 pessoas morreram, 2 estão desaparecidas, 9.390 habitantes foram forçados a sair de suas casas para que não houvesse mais vítimas e 5.617
desabrigados.

Um número de 150.000 habitantes ficaram sem eletricidade e ainda houve racionamento de água que estava sendo levada por caminhões em pelo menos uma cidade devido a problemas na purificação.

Várias cidades na região ficaram sem acesso devido as enchentes, escombros e deslizamentos de terra.

Em 25 de novembro de 2008, o Prefeito de Blumenau, João Paulo Kleinübing, declarou estado de calamidade pública na cidade, assim como feito em outros treze municípios. Além disso, sessenta cidades no estado se encontram sob estado de emergência.] O nível de água no Vale do Itajaí chegou a subir 11,52 m acima do nível normal.

Os terrenos que receberam chuva equivalente a mil litros de água por m², vão demorar pelo menos seis meses para se estabilizar. Enquanto isso, o solo permanecerá instável e sujeito a novos deslizamentos.

As enchentes levaram a criação de um grupo técnico científico a fim de promover estudos para a prevenção contra novos desastres naturais no estado.

Inundações
*Enchente em Itajaí-SC, 2008*

Sobre o Portal | Política de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal