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Espaço Rural

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O que é

O estudo da geografia rural trata de fenômenos típicos do espaço rural.

Ele trata dos assentamentos rurais suas características e os processos socioeconômicos de mudança que ocorrem no espaço rural dos países desenvolvidos e menos desenvolvidos.

As principais questões, entre outras, estão no centro da pesquisa, tais como: população rural, paisagens rurais, produção agrícola, atividades não-agrícolas e uso recreativo do campo, turismo, planejamento e preservação.

O espaço rural está passando por um processo constante de reestruturação. As mudanças subjacentes, atribuídas às tendências e processos de longo prazo comuns a muitas economias desenvolvidas, têm sido expressas por um tremendo aumento na intensidade da produção, pelo declínio do emprego agrícola, pela evolução dos usos e atividades das terras não-agrícolas e pela Suburbanização do campo.

A taxa de mudança dos assentamentos e paisagens rurais tem sido acelerada nos últimos anos e de um espaço de produção o espaço rural tem se transformado em um espaço de produção e consumo. Este espaço passou de ser dedicado à produção agrícola em um espaço multifuncional. A mudança não é uniforme. A franja rural-urbana está sob maiores pressões de moradores locais, bem como de interesses externos, portanto, as mudanças são mais significativas neste cinto.

Essa área também é afetada por um processo de gentrificação, enquanto que as áreas periféricas mais distantes podem experimentar um processo de geriatrificação devido à migração da mão-de-obra mais jovem, instruída e qualificada.

Definição de Espaço Rural e Espaço Urbano

Espaço Rural
Espaço Rural

Espaço Rural compreende a todas as áreas destinadas ao cultivo ou à pecuária. Fazem parte do espaço rural as chácaras, granjas, sítios e fazendas. As zonas rurais prestam serviço para abastecimento às cidades ou plantam e criam para subsistência.

Espaço Rural é o espaço rural, fora da cidade.

É o campo onde há elementos típicos desse espaço: plantações, criação de gado, porcos, caprino, ovinos, aves, etc.

Espaço urbano faz parte do espaço urbano, as cidades. As cidades recebem produtos da zona rural, processam em suas indústrias para se manter e abastecer as zonas rurais naquilo que elas não produzem, como por exemplo máquinas, alimentos industrializados, medicamentos, vestuário, etc. O espaço urbano se divide entre área central e periferia.

O espaço urbano é uma abstração do espaço social, que é o espaço total. Atribui-se, ao termo urbano, o que se considera próprio dascidades. Não se deve fazer referência ao urbano apenas pelo espaço físico das cidades, mas também pela sua organização social, política e econômica e também pelo modo de vida típico das cidades. Assim, o espaço urbano extrapola os limites físicos das cidades, pois essas características também são encontradas em parcelas do espaço rural.

É um dos elementos de estudo o espaço urbano constitui de meios,quais esses sao: grande expansao; predios e etc..

O espaço urbano contem alem de predios,varios condominios de luxo,lixo,é o descasoda população com as cidades.

O espaço urbano é um espaço adaptado, social e humano; porém o espaço agrícola também o é. O que distingue o espaço urbano do agrícola, do ponto de vista físico, é a natureza e a aglomeração das adaptações. A maior parte das adaptações produzidas no espaço agrícola refere-se a modificações na flora, a qual é substituída por espécies convenientes. A maior parte das adaptações do espaço urbano é constituída de construções para inúmeras atividades que se passarão no seu interior, sejam elas de produção, de consumo, de troca, etc. A terra coberta apenas por vegetação é, no espaço urbano, a exceção, enquanto no espaço rural, a regra. As construções, constituindo espaços internos, são exceção no espaço rural e regra no urbano. Mesmo as redes de ligação e circulação (transportes) são muito mais densas em áreas urbanas do que rurais.

A urbanização, provoca, portanto, mudanças ambientais, já que a transformação de atividade rural para urbana é feita com alterações no meio. Compete aos planejadores minimizar os impactos.

A temperatura está relacionada com a urbanização. Áreas pavimentadas absorvem mais calor durante o dia e eliminam durante a noite, aumentando a temperatura. Além disso, com a pavimentação, há um escoamento mais rápido da água e conseqüentemente, um secamento mais rápido do solo, diminuindo o processo de evaporação, o qual tem efeito de resfriamento da superfície da Terra. Um outro agravante para o aumento de temperatura no meio urbano são as máquinas e veículos que produzem calor.

A velocidade dos ventos é menor nas cidades, em conseqüência de barreiras (edificações) que são criadas à sua circulação.

Nas cidades observa-se maior precipitação pluvial do que nos ambientes rurais, pois as atividades humanas neste meio produzem maior número de núcleos de condensação. Por outro lado, a umidade relativa é menor.

O desmatamento provoca alterações climáticas, pois a vegetação é responsável pela regularização da temperatura e da umidade, além de contribuir para uma melhor ventilação.

O processo de urbanização pode provocar alterações significativas no ciclo hidrológico, principalmente sob os seguintes aspectos:

Aumento da precipitação;
Diminuição da evapotranspiração, como conseqüência da redução da vegetação;
Aumento da quantidade de líquido escoado;
Diminuição da infiltração da água, devido à impermeabilização e compactação do solo;
Consumo de água superficial e subterrânea, para abastecimento público, usos industriais e outros;
Mudanças ao nível do lençol freático, podendo ocorrer redução ou esgotamento do mesmo;
Maior erosão do solo e conseqüente aumento do processo de assoreamento das águas superficiais;
Aumento da ocorrência de enchentes;
Poluição de águas superficiais e subterrâneas.

O Espaço Rural e o Espaço Urbano

O Espaço Rural

O meio rural compreende o espaço que não é urbano, portanto diferencia as suas atividades produtivas.

Tradicionalmente as atividades rurais são basicamente Agricultura (cultivo de vegetais como: milho, arroz, feijão, trigo, soja, hortaliças, frutas e etc.) e Pecuária (Produção pastoril ou não, de bovinos, suínos, caprinos, ovinos etc.).

Embora atualmente outras atividades, principalmente no ramo turístico, hotéis fazenda, Spas, clínicas de recuperação entre outras, tem modificado a configuração da utilização do espaço agrário.

Hoje, no Brasil, a ocupação da terra na atividade agropecuária está dividida da seguinte forma: 71,1% terras ainda não aproveitadas economicamente, 21% pastagens e 5,9% lavoura.

O espaço agrário é dividido em glebas de terras, que seriam as propriedades rurais, e essas podem variar de tamanho, no Brasil existe a estrutura fundiária (forma como estão distribuídas as propriedades rurais conforme o tamanho).

Na configuração fundiária brasileira as propriedades rurais estão classificadas em: 

Minifúndio: São pequenas propriedades rurais, inferior a 50 hectares.

Latifúndio: São grandes propriedades rurais, superior a 600 hectares.

As desigualdades na distribuição de terras é um problema extremamente polêmico, que apresenta constantemente a necessidade de reforma agrária.

Mas o que é reforma agrária? De maneira simplificada é a redistribuição mais justa da terra.

Relação de trabalho no campo

Pequenos proprietários: Trabalhadores de base familiar, com pouca ou nenhuma utilização de tecnologias.

Parceria: é uma espécie de “sociedade” onde um entra com o trabalho e o outro cede parte de sua terra, o lucro é dividido conforme acordo pré-estabelecido.

Arrendatários: São produtores rurais que pagam para utilizar a terra, como se fosse um “aluguel” da terra, nesse período ele poderá utilizá-la na agricultura ou pecuária.

Assalariado Permanente: São trabalhadores rurais que recebem salários permanentes, são amparados por todos direitos trabalhistas estipulados nas leis brasileiras.

Assalariado temporário ou sazonal: São trabalhadores que recebem salários, mas o seu trabalho é realizado em apenas uma parte do ano, um exemplo disso são os períodos de colheita.

O Espaço Urbano

O espaço urbano se caracteriza pela aglomeração de pessoas, atividades e edificações, as cidades são sedes de municípios, independentemente do número de habitantes que possam ter. As cidades trazem consigo todas as transformações históricas, pois elas passam por vários momentos determinantes na arquitetura, na cultura, na composição paisagística etc.

As cidades podem variar de tamanho, de momento histórico, de formação urbana entre outros.

As cidades brasileiras podem ser classificadas segundo a sua função, podem ser: 

Cidades turísticas: São cidades em que a principal atividade econômica está no setor de turismo. Nessa categoria podemos citar Rio de Janeiro, Caldas Novas, Salvador entre várias outras.

Cidades industriais: Corresponde à cidade na qual a atividade econômica está no setor industrial, ou seja, há grande concentração de indústrias, independente do que é produzido. São exemplos de cidades industriais São Paulo, São José dos Campos e ABC paulista.

Cidades portuárias: São cidades próximas a portos e que sofrem influência dessa atividade. Exemplo: Santos.

Cidades comerciais e prestadoras de serviços:  Cidades que têm como principal atividade o comércio varejista e a prestação de serviços. Exemplo: Uberlândia e Goiânia.

Desenvolvimento

O modelo de desenvolvimento rural nos últimos tempos, baseado na “modernização agrícola” conservou muitas das características históricas e aprofundou o processo de mudanças no padrão tecnológico dos sistemas produtivos agropecuários.

Na ocupação adequada do solo rural permanece a questão fundiária mais importante para o desenvolvimento do país, sob a ótica não apenas do Brasil, mas também de toda a América Latina, cuja economia está estruturada fortemente na produção agropecuária.

Também é importante destacar que o Brasil dispõe de recursos diferenciados frente ao panorama mundial. O País dispõe de terra, água, energia solar e tecnologias avançadas em matéria de agroecossistema tropical.

Muitas das melhores terras agrícolas do mundo e no Brasil estão sendo hoje destinadas a usos não agrícolas como consequência das leis do mercado. A diminuição do uso da área agrícola disponível compromete a segurança alimentar, sem falar na deterioração das relações sociais e no agravamento dos conflitos.

O foco de atenção na questão agrária deve abranger todos os aspectos da atividade rural.

Por exemplo: agricultura em geral, agricultura familiar, segurança e soberania alimentar e nutricional, biotecnologia, agrobiodiversidade, sociobiodiversidade, entre outros. A questão do agronegócio é um tema sobre o qual deve ser promovido um grande debate para definição clara quanto aos contornos político-institucionais necessários e indispensáveis.

A questão ambiental, mesmo sendo transversal a muitos setores, é muito significativa também neste setor.

A agricultura familiar é uma questão central para a agricultura no Brasil por várias razões:

a) ocupa parcela importante da área total utilizada pela agricultura;

b) abrange mais de 80% dos estabelecimentos rurais do país;

c) responde por parcela significativa do valor bruto da produção agropecuária;

d) absorve cerca de 3/4 da população ocupada pela agricultura;

e) é a fonte principal para produtos de consumo massivo da população brasileira: mandioca, feijão, milho, leite, suínos, aves e ovos.

Esses são números que falam por si mesmos, sendo supérfluo enfatizar que os investimentos públicos devem ser orientados para o setor na proporção que ele exige, tanto com vistas ao desenvolvimento tecnológico como quanto aos arranjos institucionais adequados e a multifuncionalidade do espaço rural.

Tudo está a indicar que o Brasil necessita de uma transformação profunda na estrutura agrária, no sentido de abrir enormes espaços de manobra para a produção de alimentos, não com prioridade para a exportação de commodities, mas para suprir a mesa dos brasileiros. Essa reforma – não apenas agrária stricto sensu, também será um extraordinário fator de geração de empregos e um indutor do retorno dos ex-agricultores ao campo, aqueles que hoje aumentam o número de pobres e miseráveis nas metrópoles.

RURAL E URBANO

O mundo atual parece viver uma tendência à homogeneização dos espaços urbanos e rurais. Tem se tornado mais difícil definir o que é rural e o que é urbano observando apenas comportamentos socioculturais e modos de vida.

Na realidade, velhas concepções sobre o ‘rural’ é até um termo duvidoso para se empregar investigando toda a nossa tradição colonial. Pois, rural naquela época era agricultura e, portanto, atividade econômica. Portanto, a noção e os critérios de investigação e tratamento dos dados eram feitos até então em termos setoriais, caráter clássico dos cursos de economia.

Assim sendo, o espaço rural tinha significado estrito e restrito enquanto espaço de exploração econômica como gerador de riqueza.

Portanto, dividiremos a noção do que aqui chamamos rural em três momentos que, ao contrário de se diferenciarem, se completam.

O primeiro seria o espaço rural enquanto espaço da agricultura. Ou seja, espaço rural era espaço de produção, de geração de riqueza material; o segundo momento, que seria resultante da exacerbação desse primeiro espaço e suas consequências, seria marcado pela separação entre o rural e o urbano, entrando o rural num processo de isolamento; o terceiro, também como resultado desses dois, resultaria no debate que está sendo feito atualmente sobre o rural, o que implica, em decorrência do momento anteriror, uma nova concepção sobre o mesmo.

O espaço de produção ou do domínio da agropecuária foi dominante desde o início da colonização, desde a economia exportadora até as economias que serviam de suporte à economia principal, a exemplo da pecuária. Nesse sentido, pode-se dizer que rural não tinha significado, mas o que unicamente existia era agricultura; a terra, em seu sentido mais amplo, como meio de produção e geração de riqueza.

Todos os domínios do rural (social, ambiental, cultural, etc.) convergiam para um objetivo único: produzir.

O rural como espaço de produção trazia marcado as delimitações da estrutura fundiária, originariamente e conforme a natureza de nossa economia (agroexportadora), de formação concentradora. Tal estado de coisas trazia embutida uma situação latente de conflito entre uma população rural camponesa despossuída e uma minoria de grandes proprietários de terras e riquezas.

Nesse momento o espaço rural concentrava todas as atividades diretas e indiretas ligadas à atividade agroexportadora, como os serviços intermediários de produção ‘industrial’ e manutenção dos equipamentos. A vida girava em torno do ambiente rural. O urbano nessa época era local momentâneo de festividades e lazer em geral.

No momento posterior, em função da conjuntura política e econômica, quando a atividade industrial se descola do domínio rural, passa a se ampliar os serviços que, juntamente com a produção industrial artesanal, irão concentrar-se nas cidades, dando origem ao setor urbano. O incremento desse processo irá gerar um modo de vida urbano mais valorizado e “civilizatório”, sinônimo de progresso, e o rural começa a ser identificado como atrasado.

O segundo momento será marcado pela passagem de um rural valorizado enquanto espaço unicamente que servia à produção, porém ambiental, social e culturalmente negligenciado, para um rural estigmatizado como sinônimo de atraso. Essa visão do rural predomina durante todo o período de nossa história. As transformações pelas quais passará a sociedade brasileira irá fortalecer o domínio da grande exploração no ambiente rural e, por outro lado, gerará um vazio cada vez maior entre o rural e o urbano.

O Brasil modernizado e progressista conviverá durante toda a sua história com o domínio da grande exploração econômica comercial exportadora, resquícios da era colonial, mas que concentrará cada vez mais nos centros urbano-industriais a visão de progresso e modernidade, relegando ao rural o espectro de atraso, ou seja, não moderno. Vale salientar que essa visão do rural dizia respeito aos aspectos sócio-culturais, pois, sob a perspectiva econômica era o lugar de geração dos fluxos financeiros e da produção do PIB brasileiro.

O processo de modernização das atividades rurais, especialmente a agricultura, irá trazer como conseqüência os grandes desastres sócio-ambientais, com maior ênfase no Brasil, mas com repercussões em todo o mundo. Será nos países chamados desenvolvidos (no sentido econômico do termo) que as mudanças e as reflexões sobre o rural irão acontecer primeiro, a exemplo da França e Estados Unidos. Isto quer dizer que uma nova concepção sobre o significado do meio rural irá sendo engendrada face aos processos que vão acontecendo no meio rural, que veremos adiante. Essa mudança marcará o início do que chamamos de terceiro momento.

Nas sociedades tradicionais as relações entre o rural e o urbano sempre foram de isolamento e oposição. Com o intenso processo de transformação pelo qual passou a sociedade rural tradicional, perde esta sua autonomia relativa, integrando-se econômica, social e culturalmente ao que ele chama de “sociedade englobante”.

O espaço rural passa por um processo de re-significação de suas funções sociais, na medida em que atrai outras atividades econômicas e interesses de várias camadas da sociedade.

A idéia da “nova ruralidade” impregna também a formação da idéia de território como “espaço delimitado com certo grau de homogeneidade e de integração no que se refere a aspectos físicos, econômicos e às dimensões sociais e culturais da população local”.

O debate sobre a “nova ruralidade” na sociedade brasileira contemporânea incorpora duas dinâmicas nos espaços rurais, quais sejam:

a) ocupação no espaço rural de outras atividades não propriamente agrícolas, associadas à revalorização do mundo rural, como espaço de lazer ou residência;

b) valorização do campo como “lugar de trabalho e de vida”, através das políticas do Pronaf ou através da implantação dos assentamentos rurais.

Dessas dinâmicas sobre a visão do meio rural resulta que as representações sobre o rural não se sustentam mais na sua desqualificação de “atrasado”, mas sim apoiada na valorização da natureza e do patrimônio sócio-cultural dos espaços rurais.

É interessante observar também que por trás da idéia da preservação e valorização do patrimônio natural e histórico-cultural encontra-se a possibilidade de expansão dos empregos, graças à pluriatividade e multifuncionalidade econômica no meio rural. A pluriatividade é a expansão das atividades exercidas no meio rural, seja por meio do trabalho autônomo nos variados ramos, seja por meio do trabalho para terceiros. A multifuncionalidade diz respeito à diversidade de atividades (inclusive novas) desenvolvidas no meio rural para além da atividade agropecuária.

A noção de pluriatividade e multifuncionalidade como nova abordagem para o rural leva em conta a consideração da reprodução social definida não apenas pela satisfação das necessidades econômicas, mas também, e fundamentalmente, pelas demandas culturais e sociais. Desta maneira, a noção de multifuncionalidade, para além da lógica econômica, redireciona os procedimentos analíticos do homem e do meio rural de forma a resgatar a condição humana dos camponeses e de suas famílias.

A definição do meio rural ou de ruralidade abrange 3 ênfases: a relação com a natureza, que supõe o contato mais próximo com o meio natural pelos habitantes locais do que nos centros urbanos; as áreas não-densamente povoadas, que possibilitam o fortalecimento dos laços de sociabilidade nas relações de vizinhança, tratado por alguns estudiosos como “sociedade de inter-conhecimento”, que reforça os laços comunitários; a relação com as cidades, no sentido de que o bem-estar nas áreas rurais depende em boa medida das relações de proximidade com os centros urbanos, por intermédio da maior disponibilidade nestas de atividades econômicas que se estendem até o meio rural e que criam oportunidades de melhoria das condições de vida, em termos objetivos e subjetivos.

Nessa colocação salienta-se dois aspectos fundamentais em relação ao rural: a relação com a natureza e a relação com as cidades. São dois aspectos que tratam de processos históricos de construção pela sociedade ao longo de décadas, ou por que não dizer, de séculos. São ao mesmo tempo dois traços marcantes do que se costuma chamar hoje em dia de “nova ruralidade”. Sempre houve a relação do homem com a natureza, embora a relação do rural com o urbano tenha sido posterior em relação à relação homem/natureza. Porém, o que muda é a natureza dessas relações, as características que implicam nessa relação que, em função de fatores sócio-histórico-econômico e culturais, permitem atualmente, digamos assim, um nível mais elevado em relação aos dois aspectos.

Em síntese

Um traço marcante que a nova ruralidade traz é a idéia de re-significação do meio rural que, face às mudanças que têm passado a humanidade em suas variadas dimensões ambiental, social, econômica, política e cultural, tem contribuído para uma re-valorização do meio rural para além do espaço produtivo. Nesse sentido, o espaço rural incorpora além do espaço produtivo, uma dimensão mais ampla e mais significativa que este último, como o meio-ambiente, os laços de sociabilidade e solidariedade, identidades culturais de um povo, entre outros atributos. O rural deixa, pouco a pouco, de ser o lugar unicamente da racionalidade econômica.

O caráter colonial, exportador, agrícola e latifundiário de nosso meio rural sempre relegou ao esquecimento ou, em segundo plano, uma realidade que permanecia ignorada pelos poderes públicos e privados de nossa sociedade, que são os camponeses, estranhos que eram às diretrizes econômicas e ao poder aos quais esteve submetido o meio rural e seus moradores.

Quando se fala no novo rural como espaço de vida e de trabalho, não é que antes não houvesse vida nem trabalho, mas que ambos fossem ignorados, sendo o meio rural um espaço unicamente de produção e de geração e transferência de riqueza dentro da tradição econômica clássica da concepção de desenvolvimento.

O problema ambiental ao assumir proporções mundiais tem contribuído muito para um novo olhar sobre o rural, como espaço de preservação das gerações presentes e futuras. E a razão para tal é que se coloca como aspecto central na “nova ruralidade” a ênfase na relação do homem com a natureza, justamente pela ação degradante do primeiro sobre a segunda.

Por último, importa assinalar que a visão dos poderes públicos sobre o meio rural contemple, para além dos interesses econômicos, essas novas dimensões do espaço rural, que ao preservar a natureza preserva vidas e vice-versa.

Vale ressaltar que por mais que se amplie e se debata as transformações no mundo rural, uma realidade histórica se impõe: os traços seculares característicos de uma economia moderna, mas com fortes traços coloniais. Ou seja, mas de cinco séculos de passaram e a base da economia agrícola e agrária do país sustenta a triste realidade da concentração fundiária e de uma promessa de reforma agrária, sustentada (e aí está a diferença) não em uma monocultura, mas em algumas poucas. Temos uma economia que ainda se sustenta num setor e em alguns poucos produtos que respondem aos reflexos do mercado externo de demanda e preço. Era a cana-de-açúcar, foi o café. Hoje acrescenta-se a soja, afora outros e, futuramente, bens agrícolas energéticos para a produção de biocombustíveis.

Podemos dizer que temos uma economia rural com raízes fortemente coloniais, com fins econômico-financeiros (lucros e divisas).

Mas, perguntamos: o que isto tem a ver com o chamado novo mundo rural? Tem a ver pelo fato de que por mais que estejamos ensaiando uma nova concepção do rural, ele está fortemente marcado pelo viés econômico, pela não diversidade das atividades agrícolas, não preservacionista, apesar de todos os incentivos dos últimos dois governos, principalmente o governo Lula, para com a economia familiar e a diversidade produtiva.

Entendemos que a lógica econômica dominante no campo brasileiro enriquece uma minoria e passa longe de uma estratégia de desenvolvimento em sentido amplo e sustentável para o país. Isto é, um modelo de desenvolvimento que contemple o econômico, o sócio-cultural e o ambiental. A proposta do desenvolvimento rural e amplo para a sociedade passa, antes de tudo, por uma sensibilidade política às grandes questões que afetam e se colocam hoje para a sociedade brasileira.

O que se coloca por trás das “velhas” e “novas” concepções do rural é o histórico embate de interesses de classes no campo, vencido por uma ideologia dominante contraditoriamente liberal e conservadora. Não o conflito de classes no sentido tradicional.

Mas o conflito de classes entre duas formas de autonomia: patronal e familiar (camponesa). Obviamente que esse conflito de classes envolve obrigatoriamente os descaminhos entre a questão agrária e a questão agrícola, entre o projeto privado e o projeto nacional.

Fonte: geoenv.biu.ac.il/www.uesc.br/www.colegiosaofrancisco.com.br

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