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Projeção de Peters

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A Projeção de Peters ou a Projeção de Gall-Peters?

A forma dos continentes não mudou ao longo dos séculos XVI e XX, mas as nuances e ideias políticas, econômicas e culturais espacializadas pelo mundo sofreram grandes e importantes transformações.

Assim sendo, no decorrer do século XX, as manifestações e os movimentos de descolonização da Ásia e da África tornam-se intensos, onde os seus diversos países buscavam e conquistavam a sua independência, através da luta contra a exploração de alguns países da Europa, como, a Inglaterra, França e Holanda.

Este fato histórico influenciou diretamente nas projeções cartográficas vigentes neste período, uma vez que elas representam o poderio ideológico dos países dominantes, como a Projeção de Mercator, que se tornou alvo de críticas constantes, ocasionando, então, diversas propostas alternativas para essa representação da Terra.

Nos Estados Unidos da América durante a década de 1930, difundiu-se a Projeção Interrompida de Goode, que conservava a proporção das quase exata das áreas do planeta. Até os dias atuais, essa projeção continua sendo um padrão para os atlas das escolas norte americanas.

Bem mais tarde, em passo longo na história, por volta de 1973, o historiador Arno Peters divulgou uma antiga projeção, que foi erroneamente batizada com o seu nome, ou seja, a Projeção de Peters.

Projeção de Peters

Em linhas gerais, este planisfério é uma projeção cilíndrica que produz intensa deformação das figuras dos continentes do planeta. Porém, a única coisa que essa projeção conseguiu mostrar, foi a forte controvérsia por parte dos cientistas, sobretudo, os cartógrafos, que o criticaram constantemente, pois o que Peters “fez” não tinha nada de novo e não possuía nenhuma finalidade especifica e necessária para aquela época.

Para contra argumentar e defender “sua” ideia, Peters dizia que sua projeção poderia ser usada como um forte aparato político para a luta pela conquista da igualdade entre os povos e essa batalha de argumentos ganhou proporções históricas.

Mas alguns anos depois, os cartógrafos provaram que Peters não inventou nada, pois a projeção que ele utilizou havia sido criada por um escocês chamado James Gall por volta de 1855, mas que permaneceu pouco difundida. Causando assim, uma espécie de desconforto entre os caminhos construídos pela ciência cartográfica, uma vez que, se tratava apenas de uma cópia modificada de uma projeção produzida um século antes.

No entanto, muitos livros didáticos e científicos ao se referirem ao “planisfério de Peters”, usam como nome a projeção Gall-Peters, dando os devidos créditos ao antecessor desta representação gráfica. Embora, entre os cartógrafos, esta projeção continuava sendo pouco útil para alcançaram os seus diversos objetivos.

Gean Alef Cardoso

 

 

 

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