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Pangeia

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Pangeia – O que é 

Quase 300 milhões de anos atrás, a geografia da Terra era drasticamente diferente do que é hoje. Este período de tempo, entre 280 milhões e 230 milhões de anos antes do presente, era conhecido como o final do Paleozóico ao início da Era Mesozóica, e foi durante esses períodos que a Terra consistia em um oceano coletivo, chamado Panthalassa, e uma única massa de terra ou supercontinente conhecido como Pangeia. Este nome deriva da palavra grega ‘pan’ que significa tudo ou todo, e Gaia que se refere à Mãe Terra.

Estima-se que a Pangea tenha se formado originalmente há cerca de 335 milhões de anos, mas talvez não tenha sido a primeira ou a única forma continental. Provavelmente, essa formação continental foi criada a partir da união de outros continentes e massas terrestres na Terra. Isso pode ser assumido em parte devido ao fato de que os continentes e as placas tectônicas – grandes placas da crosta terrestre que compõem a superfície do nosso planeta – estão em constante movimento, afastando-se ou colidindo.

Esse processo está acontecendo continuamente, apenas ocorre em um ritmo tão lento em termos humanos, que não vemos nenhuma mudança significativa na vida humana, ou mesmo na história dos humanos em geral.

A Deriva Dos Continentes: O Contexto Na Nova Geologia Global

1. Introdução: A Estrutura Da Terra

Através do estudo da velocidade de propagação das ondas sísmicas no interior das camadas mais profundas durante os terremotos, cientistas e geólogos do mundo inteiro chegaram a um consenso sobre a estrutura interna da terra. Admite-se hoje que a Terra seja formada por uma crosta (com cerca de 30 a 40 Km de espessura em média) e um manto superior (que vai até aos 100 metros de profundidade) que juntos formam a Litosfera rígida e plástica.

Abaixo desta camada encontra-se o manto inferior (que vai até aos 2.890 Km), que através de fusões parciais, mantém suas rochas num estado constante de alta viscosidade, que provoca corrente de convecção em direção à Litosfera.

O manto inferior contém ainda a ZBV (Zona de baixa Velocidade), a qual o separa do manto superior, formando o que se denomina por Astenosfera.

Em seguida, encontra-se um núcleo externo (que chega aos 5100 Km de profundidade) no estado líquido formado por ligas de Ferro e Níquel principalmente. Por fim, o núcleo interno encontra-se no estado sólido com constituição semelhante ao núcleo externo.

A crosta é dividida do manto pela descontinuidade de Mohorovicic ou Moho; enquanto que o manto se separa do núcleo pela descontinuidade de Guttemberg.

A crosta ainda é dividida em duas partes fundamentais: a Crosta Continental (formada por rochas com densidade em torno de 2,8 e constituída essencialmente por Silício e Alumínio – SIAL) e a Crosta Oceânica (de rochas mais pesadas com cerca de 3,3 de densidade e formadas por Silício e Magnésio – SIMA).

2. Origem

Durante o jurássico, que se iniciou há cerca de 180 milhões de anos, a Pangeia começou a se dividir e a formar os atuais continentes.

A deriva continental está entre as forças mais poderosas que afetam as mudanças evolucionárias.

A tectônica das placas tem estado em funcionamento desde os primeiros estágios da Terra e tem desempenhado um papel de destaque na história da vida. As mudanças na configuração relativas dos continentes e dos oceanos têm influenciado o ambiente, os padrões climáticos e a composição e distribuição das espécies. As contínuas mudanças na ecologia do mundo têm exercido um profundo efeito no curso da evolução e, consequentemente sobre a diversidade dos organismos vivos.

Durante períodos de rápidas convecções do manto os supercontinentes foram divididos. Essa separação levou à compreensão das bacias oceânicas, à elevação do nível do mar e as transgressões marinhas sobre a terra. A rápida convecção do manto aumenta o vulcanismo, o que eleva a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera resultando num forte efeito estufa, com condições de calor em todo o mundo. Esses episódios ocorreram de aproximadamente 200 há 50 milhões de anos atrás.

Quando a convecção do manto era baixa, as massas da terra juntaram-se num supercontinente. Essa conexão levou ao alargamento das bacias oceânicas, diminuindo os níveis globais do mar e provocando um recuo das águas, da terra para o mar. Além disso, o CO2 atmosférico foi reduzido em conseqüência dos baixos níveis de vulcanismo e de desenvolvimento de um “efeito geleira”, o qual produz temperaturas mais frias em todo o mundo.

Essas condições prevaleceram de aproximadamente 700 a 500 milhões de anos atrás, e durante a última parte do período Cenozoico.

3. Provas Documentais

Uma evidência é que algumas cadeias de montanhas antigas de um continente têm a sua continuação em outro.
Formações geológicas iguais, com rochas e estruturas idênticas são encontradas nos continentes dos dois lados do atlântico.
O registro fóssil do Carbonífero e do Permiano é semelhante entre a América do Norte e Europa e entre os continentes do hemisfério Sul e Índia.
A concordância entre os litorais da África e América do Sul tem sido admirada uns 350 anos.

4. Evidências

4.1. Paleoclima

Se os continentes ocupam posições diferentes na superfície da Terra, a distribuição das zonas climáticas deve ter mudado no passado e essa mudança é diferente em cada continente.

As glaciações Permocarboníferas mostraram que os continentes do Hemisfério Sul e Índia estavam unidos sobre a região antártica durante esse tempo e, depois saíram daí.

Dunas antigas e direção do paleovento.

Distribuição de Evaporitos. Para haver acumulação de sal em depósitos espessos é necessário um clima quente e árido. Os depósitos modernos estão se formando nestas condições, por evaporação da água do mar ou lago salgado. Evaporitos encontrados nas plataformas continentais atlânticas da África e da América do Sul são uma das evidências do movimento de separação entre os continentes.

Antigos recifes de algas coralíneas foram achados no Paleozóico inferior do círculo ártico, estes corais são característicos do equador, donde se conclui que, no paleozóico inferior, o equador passava por estas regiões.

4.2. Paleomagnetismo

Isso fez com que se criasse a teoria de que o pólo magnético se moveu e ocupou posições distintas através da história da Terra. Mas se isso fosse verdade, todos os continentes tinham que ter suas rochas magnéticas orientadas para a mesma direção em um dado período de tempo. Ao ser feita a curva do movimento do pólo ao longo dos períodos geológicos, verifique-se que cada continente tem sua curva, que é distinta dos outros continentes.

Somente uma explicação é possível diante deste resultado: os continentes se moveram independentemente uns dos outros. Ao juntar dois continentes que estariam unidos no passado, pela teoria de Deriva continental, as curvas eram as mesmas.

5. De Onde Surgiu A Ideia?

A ideia dos continentes à deriva é muito antiga e surgiu algum tempo depois que os cartógrafos europeus começaram a mostrar o contorno das costas do novo mundo. Em 1596, quase cem anos após as viagens de Colombo e Cabral, o cartógrafo alemão Abraham Ortelius, de tanto fazer mapas, notou a similaridade no contorno das Américas, Europa e África e concluiu no seu trabalho Thesaurus Geographicus que estes continentes estavam juntos e depois se desmembraram devido às pressões causadas por terremotos e inundações (floods).

Um pouco mais tarde, Sir Francis Bacon, no seu trabalho Novanun Organum, publicado em 1620, comentou que as similaridades entre os continentes eram fortes demais para representarem uma simples coincidência. Em 1658 R.P.

François Placet escreveu um memorando: La corruption du grand ete petit monde, ou il este montré que devant le déluge, l’Amerique n’était point separée des autre parties du monde no qual sugere que o Novo Mundo se separou do Velho Mundo ocasionando a inundação do Oceano Atlântico. Alexander von Humboldt em 1800 retorna esta idéia e afirma que o Atlântico é, essencialmente, um imenso vale de rio que foi se separando aos poucos por um grande volume de água.

Em 1858 surgem os primeiros argumentos puramente geológicos com Antônio Snider – Pellegrini.

No seu trabalho: La Création et Ses Mystèrs Dévoiles é mostrado a semelhança existente entre a flora fóssil de uma camada carvão de 300 milhões de anos aflorante nos Estados unidos e Europa. Para ilustrar a sua explicação para o fato, Snider – Pellegrini criou o primeiro diagrama com a reconstituição dos continentes.

Em 1880 Eduard Suess defendeu a idéia que a África, América do Sul, Austrália e Índia faziam parte de um mesmo continente, o qual denominou de Gondwanaland (terra do antigo reino dos Gonds na Índia). Neste mesmo ano Osmond Fisher e George Darwin desenvolveram a hipótese que a Lua se desprendeu da região do Oceano Pacífico, ocasionando o desequilíbrio e movimento dos continentes.

Entre 1908 e 1922 dois americanos, Frank B. Taylor e Howard B. Backer, independente e quase simultaneamente publicaram diversos artigos sobre a deriva dos continentes tendo como base a continuidade das cadeias de montanhas modernas nos diversos continentes. Baker, em 1908, acreditava que há 200 milhões de anos atrás havia uma só massa de terra situada na região da Antártida e, dois anos mais tarde, Taylor defendeu que, após o rompimento deste supercontinente, os fragmentos continentais resultantes se movimentaram em direção a região do Equador.

Portanto, quando Alfred Lothar Wegener em 1912 publicou o seu primeiro trabalho a idéia de deriva dos continentes já tinha mais de 300 anos.

Mas este astrônomo, geofísico e meteorologista alemão construiu uma teoria consubstanciada em argumentos sólidos e dados levantados por diversas áreas do conhecimento científico: geografia, geologia, biologia e climatologia.

5.1. Evidências Geométricas

Como se pode perceber os atuais fragmentos continentais ainda se encaixam como um quebra-cabeça gigante. As imperfeições verificadas na montagem são causadas pela dinâmica da superfície do planeta que, devido à descida subida do nível do mar ou à erosão, alarga ou diminui a costa dos continentes. Como o nível do mar varia bastante ao longo do tempo, fica difícil determinar qual é, o formato dos continentes utilizando-se somente os dados das plantas cartográficas, como havia feito Wegener.

Para contornar o problema, os cientistas modernos se utilizam também de dados batimétricos, magnetométricos e gravimétricos, os quais com a ajuda de programas de computador, permitem reconstruir com fidelidade o contorno continental representado pelo início da plataforma.

6. Continentes À Deriva E As Idéias De Wegener

6.1. Evidências Paleológicas

Os fósseis considerados por Wegener foram:

Glossopteris: Espécie vegetal típica de climas frios existentes no Carbonífero – Permiano – Triássico (350-200 M.a), encontrada na América do Sul, África, Madagascar, Índia Antártida e Austrália.
Mesosaurus:
Réptil existente no Permiano (245-2866 M.aa) encontrado no Brasil, Argentina e África do Sul.
Lystosaurus:
Réptil existente no Triássico (248-211333 M..a) encontrado África Central, Madagascar, Índia e Antártida.
Cynognathus
: Réptil existente no Triássico (248-211333 M..a) encontrado na América do Sul e África Central.

6.2. Evidências Geológicas

Wegener argumentava que algumas cadeias que se encontravam bruscamente interrompidas, como seria o caso de cadeias na Argentina e África do Sul, adquiriam perfeita continuidade quando se juntavam a América e África.

Entretanto, o argumento geológico mais forte que Wegener apresentou está relacionado com o empilhamento estratigráfico de rochas que ocorre no nordeste da Índia, Antártida, sudeste da América do Sul, leste da África e Austrália, as quais possuem idades variando entre 300 e 135 M.a atrás.

Esta sucessão de rochas (chamadas de seqüência Gondwana), sendo resultante dos mesmos processos tectônicos e deposicionais, mas estão distribuídas em diferentes áreas, o que reforça a idéia da junção dos continentes no hemisfério sul em épocas anteriores a 135 M.a.

6.3. As causas da deriva

Inspirados na ideia de Wegener muitos outros geocientistas aprimoraram a reconstituição do movimento dos continentes, organizando a seguinte sequência de eventos.

Tempo anterior a 300 M.a: Outras formas continentais em movimento;
Entre 300 a 225 M.a: Formação de um só continente – Pangeia – cercado por um só oceano – Pantalassa;
Entre 200 a 180 M.a: Início de separação dos blocos Gondwana e Laurásia e rompimento do Gondwana em dois sub-blocos: (1) África – América do Sul e (2) Antártida – Índia – Austrália. Avanço do Mar de Tétis entre os blocos sub-divididos;
135 M.a: Início do rompimento do América do Sul da África e separação da Índia do sub-bloco 2.
65 M.a aos dias de hoje: Movimento de rotação da África para norte, indo de encontro a Eurásia, choque da Índia com a Ásia; separação América do Norte da Eurásia; separação da Austrália da Antártida.

7. A Teoria De Suess

As ideias admitidas até meados do século XIX sobre a origem do relevo da Terra eram as propostas por Edward Suess, geólogo austríaco, no final do resfriamento da crosta através de um processo de contração, tal como uma maçã que vai ressecando sua casca e então enruga. Com isso, Suess explicava como surgiram as altas cadeias montanhosas do mundo.

Para explicar a semelhança de faunas e floras fósseis em diferentes partes do mundo, Suess propunha a existência de passarelas de terra entre aos continentes que afundaram posteriormente com os processos do mar.

As regressões e as transgressões marinhas eram explicadas pelo processo de isostasia (uma espécie de lei de compensação de volume).

Isso explicaria os depósitos marinhos de sedimentos sobre os continentes, pois através das transgressões marinhas (causadas pelo depósito de sedimentos no fundo dos oceanos) teriam levado estes para cima dos platôs continentais. As regressões seriam causadas devido a rebaixamentos e depressões do fundo oceânico.

8. Conclusão

A deriva continental causou um profundo efeito sobre a vida deste Planeta desde o seu início. Os continentes e as bacias oceânicas estão continuamente sendo remodeladas pelas diversas placas da crosta que estão constantemente em desenvolvimento.

A moderna e jovem teoria de tectônica de placas, além de oferecer um modelo completo e elegante sobre o movimento dos continentes, levanta outras questões sobre a Dinâmica da Terra que até então a humanidade desconhecida.

Os rumos tomados pela geologia, a partir da segunda metade do século XX apesar de ter comprovado a maioria das evidências de Suess, demonstrou a inviabilidade da teoria das passarelas submersas.

Entretanto, alguns problemas de encaixe ainda persistem, principalmente nas costa Leste da África e na região do Caribe, nas quais os dados disponíveis ainda não permitem uma reconstituição exata.

“…é como que se tudo passasse ao recortarmos uma folha de jornal. Basta apenas juntarmos os pedaços para encontramos os segredos da Terra…” (Alfred Lothar Wegener)

Deriva continental, tectônicas de Placas

Não existe dúvida de que a maior contribuição para a Biogeografia Moderna foi a aplicação da Teoria Tectônica de Placas. Com ela, houve a possibilidade de explicações sobre a distribuição de muitos táxons disjuntos, que até então, não passavam de mera especulação e de teorias, que, algumas hoje parecem absurdas, tais como, as das “Pontes Continentais”, referidas no capítulo 1, durante o período Pré-Darwianiano e Darwianiano.

Mas, o que é a Deriva Continental?

Uma explicação simples da teoria da Deriva Continental, hoje conhecida como Teoria Tectônicas de Placas, é: os continentes se deslocaram e deslocam através da superfície do globo terrestre sobre o manto superior.

Pelo deslocamento destas placas, a posição atual dos continentes ou porções de continentes, não correspondem as suas posições no passado e não corresponderão as suas posições no futuro.

A ideia sobre a movimentação dos continentes começam no século passado, quando Snider em 1858 publicou um mapa unindo os continentes Africano e da América do Sul, conforme relata Brown & Gibson (1983) e Salgado-Labouriau (1994). Brown & Gibson (1983) relatam que em 1910, o geólogo americano Taylor publicou uma teoria sobre a formação das cadeias de montanhas relacionando-a com a movimentação dos continentes. Em 1915, Alfred Wegener, metereologista alemão, publicou suas ideias sobre a Deriva Continental.

De acordo com Brown & Gibson (1983) e Salgado-Labouriau (1994), Wegener baseaou sua teoria na justaposição dos continentes, magnetismo, paleoclimas e evidências fósseis. A teoria de Wegener sintetizava evidências de muitas disciplinas como a geologia, geofísica, paleoclimatologia, paleontologia e biogeografia.

Brown & Gibson (1983) sumarizam seis conclusões de Wegener, as quais, segundo eles, não sofreram alterações em suas essências, que são:

1. As rochas continentais são fundamentalmente diferentes, menos densas, mais finas e menos altamente magnetizadas daquelas do fundo do mar. As blocos mais leves dos continentes bóiam em uma camada viscosa do manto;
2.
Os continentes estavam unidos em um único supercontinente, o Pangea que, dividiu-se em placa menores que moveram-se, flutuando no manto superior. A quebra do Pangea começou no Mesozóico, mas a América do Norte ainda ficou conectada com a Europa até o Terciário ou ainda até o Quaternário;
3.
A quebra do Pangea começou em um vale que gradualmente alargando-se em um oceano. Distribuição dos maiores terremotos e regiões de vulcanismo ativo e elevação de montanhas estão relacionados com os movimentos destas placas da crosta terrestre;
4.
Os blocos continentais mantêm ainda seus limites iniciais, exceto, nas regiões de elevação de montanhas, de tal maneira que se fossem unidos haveria similaridades em relação a estratigrafia, fósseis, paleoclimas, etc. Estes padrões são inconsistentes com qualquer explicação que assuma a posição fixa dos continentes e oceanos;
5.
Estimativas da velocidade de movimentação de certos continentes é em torno de 0,3 a 36 m/ano e mostra que a Groelândia separou-se da Europa a apenas 50.000 a 100.000 anos atrás;
6.
O aquecimento radioativo do manto pode ser a causa primária para a movimentação gradual dos blocos, mas outras forças podem estar envolvidas;

No entanto, a teoria de Wegener ficou no ostracismo quase que por 50 anos.

No foi apenas em função dos geólogos ligados a indústria petrolífera, palentólogos e outros, mas, no que se refere a sua aplicação na biogeografia, as teorias do “Centro de Origem”, “Dispersão”, “Pontes Continentais”, estavam em alta.

De acordo com Gibbrian (1986) apud Espinosa & Llorente (1993) encontrou somente uma explicação pela rejeição da Teoria de Wegener na época e de sua aceitação no presente, que era: os interlocutores eram outros, isto é, para aceitá-la era necessário uma mudança radical do pensamento geológico da ápoca.

A Teoria de Wegener, somente começou a ser aceita no início dos anos 60, em razão do mapaeamento do fundo oceânico, descobertas das fossas abissais, paleomagnetismo das rochas oceânicas, entre outras. Estes estudos se tornaram possíveis em razão da utilização de submarinos durante a Segunda Grande Guerra.

Quando Wegener propôs suas ideias, muito pouco era conhecido da estrutura das bacias oceânicas. Alguns geólogos suspeitavam que o assolho oceânico era composto principalmente de basalto (SIMA, que consiste principalmente de silício e magnésio), isto baseado apenas em pequenas amostragem feitas em algumas partes dos oceanos. Entretanto, eram bem conhecidos as rochas continentais, compostas grandemente de silício e alumínio (SIAL). Com relação as cordilheiras oceânicas era também bastante precário, e apenas do Atlântico era conhecida.

Com o desenvolvimento dos sonares e fatômetros, foram descoberto vulcões submarinos com os cumes achatado ou afilados, com cerca de 3000 a 4000 m de altitude, porém submersas. Estes cumes achatados foram denominados “Guyots” e enquanto que, os afilados de “Seamount”, segundo Brown & Gibson (1983).

Estas estruturas teriam sido ilhas de origem vulcânicas que, formadas acima da superfície do oceanos, foram desgastadas pela ação das ondas e erosão eólicas, acabam formando os “Guyots”.

Além destas descobertas, outras foram feitas, tais como: as placas oceânicas de origem basáltica, de espessura fina coberta por sedimentos, sobre astenosfera.

Esta última é a camada superficial do Manto, sendo a parte inferior denominada de Mesosfera. A astenosfera é mais densa que a placa continental e oceânica, porém menos do que a mesosfera, sendo de consistência mais rígida do que a astensofera (Leinz et al., 1975; Brown & Gibson, 1983 e Salgado-Labouriau, 1994).

Tendo estas informações foi elaborado uma teoria para a movimentação dos continentes, nos quais estão envolvidos a formação das placas oceâncias e os geossinclismos. Esta teoria é denominada de “Expansão do assoalho oceânica” de 1961, formulada por Dietz.

A dinâmica desta teoria é o seguinte: A medida que ocorre explosões vulcânicas nas dorsais oceânicas vão formando os “seamount” e “guyots” sobre a placa oceância, a qual desliza sobre a astenosfera. A junção de duas placas oceânicas formam um vale, originando as dorsais oceânicas. Estas dorsais estão espalhadas por todos os oceanos e medem em torno de 70 mil km.

A junção de uma placa oceânica com um continental, formam as fendas oceânicas, com profundidade em média de 10 km.

Como as placas continentas são mais espessas e menos densas do que as oceânicas, estas, as oceânicas são incorporadas ao manto, provocando nas continentais instabilidades, como: formações vulcânicas, terremotos, tremores de terras, formações orogênicas, as quais são denominadas de geossinclismos.

A incorporação das placas oceânicas no manto obedece o princípio de convecção, isto é, a medida que a placa desloca-se de seu ponto de origem, dorsais, sofre esfriamento, tornando-se mais densas até encontrar-se com as continentais, onde forma-se as fendas, sendo mais densa desce e incorpora-se ao manto. Estas fendas são denominadas de zonas de subducção (Salgado-Labouriau,1994) ou zonas de Benioff (Brown & Gibson, 1983).

Outro fato importante é a datação das placas oceâncias, que giram em torno de 170 milhões de anos, isto significa que são bem mais jovens que as continentais, que giram em torno de 1 bilhão de anos, isto é, os crátons, áreas continentais geologicamente estáveis (Brown & Gibson, 1983 e Salgado-Labouriau, 1994).

Com modelo definido, encontra-se regiões onde ocorre encontro de duas placas oceânicas, formando arcos de ilhas oceânicas, além de áreas de geossinclismo intenso (Aleutas, Caribe, Japão, Marianas); encontro de placa oceânica e continental (Nazca e Sul Americana), responsável pela formação dos Andes e encontro de duas placas continentais (Índia com a Ásia), responsável pela formação do Himalaia e o Planalto do Tibet.

O processo descrito acima, determina que no manto há convecção, princípio de aquecimento e esfriamento, isto é, um ciclo. O material do manto aquecido sobe nas regiões das cordilheiras oceânicas, formando ilhas vulcânicas, que deslizam sobre a astenosfera (camada superior do manto) no sentido horizontal. Ao chegar nas regiões das fendas choca-se com material da crosta e desce, sendo reincorporadas no manto. Herman Hess(Geólogo da Marinha dos USA), nos anos 40-50, foi o primeiro a propor o movimento do assoalho dos oceanos, baseado nas tectônicas de placa (crescimento, movimento e destruição da crosta).

Com a teoria da Expansão do assoalho oceânico bem fundamentada, principalmente com dados de paleomagnestismo, que é o estudo das orientações dos cristais de rochas no tempo de sua formação e estudos de padrões ao redor do mundo poderiam mostrar as idades e origens das placas, a teoria da deriva continental tornou-se um fato. Com ela é possível explicar a maioria das distribuições dos organismo no planeta.

Algumas evidências da Deriva Continental.

1– Cristas Mesoceânicas ou Dorsais oceânicas.
2
– Paleomagnetismo, com orientação para os polos e paralelas nos dois lados das dorsais.
3
– Falha de San Andrews na Califórnia.
4
– Rift Valley na Costa Leste Africana
5
– Mesosaurus no América do Sul e África
6
– Flora de Glossopteris (América do Sul, África, Índia, Austrália, Antártida).
7
– Flora Conífera (climas tropicais) Leste da América do Norte e Oeste da Europa.
8
– Flora de Archaeopteris (Rússia, Irlanda, Canadá e Estados Unidos).

Mas como a teoria da Deriva Continental começou a ser utilizada em estudos da Biogeografia?

Com a aceitação da deriva continental, os primeiros estudos, incluindo Wegener, partiram da premissa que havia um supercontinente “Pangea” e este sofreu um ruptura em dois.

Um no hemisfério Norte (Laurásia), compreendendo: América do Norte, Groelândia, Europa e Ásia, exceto a Índia. O outro no Sul (Gondwana), formada pela América do Sul, África, Madágascar, Índia, Austrália e Antártida. No entanto, após algum tempo, observou-se que, havia grupos taxonômicos, com suas relações de parentesco bem definidas que não enquadravam-se neste padrão, principalmente, com relação ao hemisfério Norte.

A Gondwana, o que tudo indica foi um supercontinente desde 600 milhões de anos até a sua ruptura, isto é, em torno de 100 milhões de anos, porém com posições diferentes daquelas do Mesozóico (Scotese & Barrett, 1991). Segundo Scotese (1997-Internet), a Gondwana era parte de um supercontinente denominado de Pannotia.

Durante o Paleozóico, segundo Scotese & McKerrow, 1990, alguns pequenos continentes eram adjacentes a Gondwana, como: Iucata (México), Flórida, Avalonia, Sul e Centro da Europa, Ciméria, Tibet e Sudeste da Ásia. O Polo Sul (PS) encontrava-se no Norte da África, durante o Cambriano. A Gondwana moveu-se rapidamente, sendo que o PS no final do Siluriano estava no Brasil e no Sul da Argentina no final do Devoniano. No Leste do Sul da África no Carbonífero e início do Permiano próximo do centro da Antártida.

O período Ordoviciano foi caracterizado por várias bacias oceânicas e um grande Oceano – Pantalássico. A Laurentia, Baltica, Sibéria e Gondwana estavam dispersam. Entre a Báltica e Laurentia havia o Oceano Iapetus (Scotese, 1997-Internet). Neste período, devido a um derretimento da camada de gêlo no Sul da Gondwana (Norte e Centro da África e Bacia Amazônica), esfriou os oceanos provocando uma extinção de organismos de água quente que viviam próximo do equator.

No Siluriano ocorre a colisão da Laurentia com a Báltica, fechando o O. Iapetus, formando as Caledônias na Scandinavia, Norte da Gran Bretânia e Groelândia, no leste da América do Norte forma-se o Norte das Apalachianas. Já o Norte e Sul da China, derivam da Indo-Austrália e migram para o Norte.

No final do Paleozóico muitos dos paleocontinentes colidem formando a Pangea que se estende de Pólo a Pólo, margeado a leste pelo Oceano Paleo-Tethys e a oeste pelo Oceano Pantalássico.

Porém a leste há vários continentes que não estavam unidos a Pangea, como: Norte e Sul da China, Ciméria (Parte da Turquia, Irã, Afagnistão, Tibet, Indochina e Malaya). Estes continentes também migraram para o Norte colidindo com a Sibéria. Este último ao colidir com a Báltica forma os Montes Urais.

No Mesozóico, ocorre a formação de um grande continente, Pangea. Porém a parte Norte, como foi visto acima foi formado pela colisão de vários continentes, tais como:

Laurentia (Noroeste da Irlanda, Escócia, Groelândia, Norte do Alaska e a Penísula de Chukotskiy) Scotese & McKerrow (1991). De acordo com Cocks & Fortey, 1991 e Crick, 1991 os ambientes cratônicos desta área é caracterizada pela ocorrência de faunas endêmicas de trilobitas (Bathyuridae) e gêneros de braquiópodes. Outro fato importante são as colisões ocorridas com a Baltica no final do Siluriano e com a Avalonia, ocorrendo perda na identidade de sua fauna durante o Siluruano e Devoniano. No final do Carbonífero e Permiano a Laurentia torna-se parte da Pangea (Scotese & Mckerrow, 1991).
Baltica (Maior parte do Norte da Europa), sendo caracterizada por um grupo distinto de trilobitos asaphidíeos (Cocks & Fortey, 1991)
Avalonia (Ardennes da Bélgica e norte da França, Inglaterra, Walles, Sudeste da Irlanda, Penísula de Avalon, Nova Escócia, Sul da Nova Brunswick e parte costal da Nova Inglaterra).
Europa Central e Sul( Região adjacente com o Norte da África, Ibérica, França, Alemanha e Bohemia).
Sibéria (limitada oeste pela metade Norte dos Urais e Zona Irtych Crush, ao Sul pelo Arco Mongólico Sul e Nordeste pelo cinturão das dobras de Verhayansk).
Cazaquistânia (Extensão do Continente Sibérico Paleozóico);
China e Tarim (3 continentes do Paleozóico, Norte e Sul da China e Tarim).
Ciméria (Turquia, Irã, Tibet, Shan-Thai, Malaya e Indo-China).

Portanto, o uso deste termo “Laurásia” não reflete a real história deste supercontinente. Por exemplo, o leste da Ásia é composta por vários fragmentos que se uniram desde o Paleozóico até o Mesozóico.

A plataforma Siberiana suturou-se com a Europa, como evidências deste fato: o geossinclismo formando os Montes Urais, Tarim e Tibet , durante o Jurássico.

Outras plataformas são: Bloco da Penísula de Sunda (Indochina, Malásia, Sumatra e Borneo); Bloco Japônes; Bloco Kolyma; Nordeste da Sibéria. A Groelândia estava unida com a América do Norte.

Atualmente a Eurásia compreende todos os continentes que estão no hemisfério norte, exceto a América do Norte e Groelândia. O subcontinente Índia, incluindo o Sri Lanka, que originalmente fazia parte do Gondwana, foi ligado a Eurásia no Eoceno inferior, cerca de 53 ma, formando o Himalaia e o Planalto do Tibet na sutura com esta placa, a parte oceância, isto é, placa oceânica foi consumida neste “trech”.

Esta colisão foi acompanhada por uma série de colisões que fechou o Mar de Tethys, que são: Espanha com a França (Pireneus); Itália, França e Suiça (Alpes); Grécia e Turquia com Balcãs (Hellenide e Dinaride); Arábia com Irã (Zagros) e a colisão mais jovem Austrália com a Indonésia. Pode-se dizer que a Eurásia é o início da formação de um Supercontinente, semelhante a Pangea.

Gondwana

As evidências levam a crer que o supercontinente Gondwana parece ter sido uma placa única, razoavelmente estável desdes os registros do Precambriano até meados do Mesozóico. Esta região hoje, compreende a América do Sul, África, Madagáscar, Arábia, Índia, Austrália, Tasmânia, Nova Guiné, Nova Zelândia, Nova Caledônia e Antártida. Segundo Scotese & Mckerrow (1991), Scotese (1997), a região da Flórida, Iucatá do México, Norte e Sul da China e outros fizeram parte da Gondwana do Pré-Cambriano até meados do Paleozóico.

Wegener corretamente identificou as maiores partes do Gondwana e como elas se moveram (entretanto suas datações estavam muito erradas), mas mesmo nos tempos atuais, não temos uma apurada reconstrução de todas as quebras, pela falta de informações adequadas nos oceanos do sul.

O início da quebra se originou no Jurássico Superior com cerca de 150 ma.

Três aspectos são notáveis nesta quebra, segundo Brown & Gibson, 1983:

1. África e América do Sul estavam conectados, apenas pelo centro. Esta conecção era de posição equatorial no Jurássico e estas mesmas regiões se mantém hoje em dia;
2.
O ponto da Antártida que hoje em dia é o Polo Sul, estava a 50ºS latitude no Jurássico;
3.
Em redor da Antártida, as massas continentais estavam reunidas, mas sempre separadas por mar.

A maioria dos cientistas concordam que a abertura do Atlântico Sul começou no Cretáceo Inferior, cerca de 127 ma. Até no mínimo, 115 ma, os continentes estavam reunidos no Equador. A deriva foi lenta inicialmente, tanto que apenas no Eoceno (53 ma), foi completamente terminada. A velocidade da deriva foi de 1,2 a 2 cm por ano, ou 40 km por cada ma. Porém a velocidade da placa Indiana foi surpreendente, de 10 a 12 cm/ano. A Índia se desagregou do Leste do Continente Africano, deslocando-se no sentido Nordeste a 80 ma, chocando-se com o continente asiático por volta de 55 a 53 ma, iniciando a orogenia do Himalaia. Portanto, a velocidade de deslocando foi rápida, em torno de 180km por Ma.. Sri Lanka é uma parte da Placa Indiana.

Como é bem conhecido, a parte sul da América do Sul e a Antártida estiveram conectadas durante o Cretáceo. A distância entre a Terra do Fogo e as ilhas da Antartida foram gradativamente se alargando para sul no Eoceno. A separação total ocorreu em meados do terciário.

Nova Zelândia era ligada a Antártida, separando-se a 80 ma, seguindo rumo ao Norte e a medida que ocorreu a expansão do Mar da Tasmânia aumentou a distância entre o Sudeste Australiano com a Nova Zelândia, sendo primeiramente uma grande ilha, mas subdividiu em duas ou mais unidades diferentes de tamanho e forma das duas ilhas atuais.

A Austrália, Nova Guiné e Tasmânia fazem parte de uma única Placa e a união desta (parte sudeste) com a Antartida foi perdida no Mesozóico (150 ma), ficando unida na parte noroeste até 53 ma. Tasmânia e Nova Guiné hoje separadas pelos Estreitos de Bass e Torres, respectivamente, tiveram conexões com a Austrália no períodos em que ocorreram níveis baixos marítimos.

O Sudeste da América do Norte (Laurentia) esteve conectada com a parte Noroeste da América do Sul desde o final do Carbonífero, veja as informações acima. No Mesozóico, com o início da quebra da Pangea, ocorreu o isolamento dos dois Continentes e somente no Pleioceno (4 ma) com a elevação so Ístmo do Panamá voltaram a se fusionar.

A fusão se deu pela formação de arco de ilhas e o deslocamento de duas placas: Cocos e Caribe.

É uma história interessante, uma vez que houve uma fusão, posterior isolamento e novamente a fusão. No entanto, durante a quebra da Pangea houve várias oportunidades geográficas que permitiram muitas trocas de organismos entre América do Norte e do Sul. Por exemplo, no Cretáceo, a parte oeste do México esteve muito próxima da América do Sul, enquanto sua parte Norte fazia a ligação com a América do Norte. Com a expansão do Mar do Caribe, formação de ilhas que derivaram para o sudeste, formando a Placa do Caribe formaram as Grandes Antilhas. Este movimento deu início a formação da Placa de Cocos, que juntamente com a Placa Pacífica Norte e Placa de Nazca, empuraram há nordeste e sudeste uma série de ilhas formando o que é atualmente a América do Sul.

A Jamaica, conforme Brown & Gibson (1989), esteve submersa no Mioceno, sendo sua biota estabelecida por dispersão e isolamento nos últimos 15 ma.

Todos estes eventos de deslocamento das placas, propiciaram grandes modificações geográficas como: elevações de terras, afundamentos, entradas de mar continentais, mudanças climáticas, essas últimas, de acordo com posição longitudinal e latitudinal, entre outras.

Vicariância é um termo grandemente utilizado para descrever as consequências biogeográficas da especiação alopátrica. O termo geralmente se refere a populações disjuntas que nunca mais tiveram contacto, depois de um isolamente geográfico. Normalmente o termo é utilizado para descrever aqueles casos aonde uma distribuição contínua torna-se fragmentada em duas os mais populações disjuntas.

Dispersão é um termo utilizado em biogeografia que pode ser de dois tipos:

1. Em alguns casos uma espécie pode sucessivamente atravessar uma barreira geográfica, tais como um oceano ou uma montanha e estabelecer uma população no outro lado;
2.
Em outros casos, espécies pode simplesmente expandir seus limites de distribuição para ocupar uma área maior.

Em qualquer dos dois casos, uma espécie inicialmente restrita a uma área, se espalha de seu ponto de origem para ocupar e se estabelecer em novas regiões.

Da deriva Continental à Tectónica de Placas

O movimento dos continentes é marcadamente visível à superfície pela grande deformação da crosta, em particular, nas grandes cadeias ou cinturas montanhosas (Himalaias, Andes, Atlas, etc.).

Há algumas décadas, a maior parte dos cientistas acreditava que os continentes e as bacias oceânicas eram estruturas permanentes da Terra, fixas, e a teoria da deriva continental era considerada uma ideia radical.

Vários autores consideram esta mudança conceptual tão profunda, como a que se produziu quando Darwin, no século XIX, apresentou a sua teoria para a evolução das espécies animais, ou quando Copérnico, no século XVI, determinou que a Terra não era o centro do Universo.

O conceito da deriva continental é uma ideia antiga. Desde que se traçaram os primeiros mapas, os cientistas notaram que as costas dos continentes, em particular a África e a América do Sul, se ajustavam perfeitamente, como peças de um “puzzle”, se pudessem ser movimentadas.

O francês António Snider-Pelligrini, foi o primeiro a estudar esta ideia com alguma profundidade, tendo apresentado no seu livro, Creation and its Mysteries Revealed (1848), o aspecto que os continentes teriam antes de se terem separado. Ele apresentou evidências de fósseis, na Europa e na América do Norte, mas baseou o seu raciocínio no dilúvio da Arca de Noé.

A ideia pareceu tão disparatada aos cientistas da época, e ao público em geral, que foi abandonada e esquecida durante 50 anos. A teoria foi, pela primeira vez considerada séria, quando o geólogo americano Frank B. Taylor apontou vários factos Geológicos que poderiam explicar a deriva continental.

Pangéia

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Esquema de evolução da posição dos continentes

Contudo foi Alfred Wegner (1880-1930), um meteorologista alemão, o primeiro a investigar exaustivamente a ideia da deriva continental, e a convencer os outros cientistas a considerá-la séria.

No seu livro The Origin of the Continents and Oceans, publicado em 1915, ele propunha a ideia de que os diversos continentes que hoje conhecemos, estiveram no passado unidos num único. A partir deste único continente, primeiro por partição logo seguida de separação, formaram-se os continentes actuais. Esta teoria é conhecida pelo nome de deriva continental.

Ao continente original chamou Pangea e, baseando-se numa grande variedade de dados geológicos (evidências fósseis, paleoclimáticas, etc.), propôs que a sua partição começou há cerca de 200 Ma.

Uma das razões sobre a qual se apoia esta teoria, é que na realidade os continentes encaixam uns nos outros como as peças de um “puzzle” e podemos juntá-los todos num único bloco.

Os argumentos relacionados com a partição do supercontinete Pangea e a teoria da deriva continental foram suportados por muitas evidências importantes resultantes de estudos geológicos regionais.

A teoria proposta por Wegner foi sobretudo atacada por não conseguir explicar como se podem mover os continentes ao longo de tantos quilómetros.

Durante cerca de 30 anos esta teoria quase que foi abandonada devido ao cepticismo em seu redor, e só nos anos 60 inicia-se o renascimento destas ideias, transformadas agora numa nova teoria batizada com nome de “tectónica de placas”. Nesta teoria o que se move é a litosfera, isto é, os primeiros 100 km e o seu movimento é possível devido à existência das camadas viscosas da astenosfera.

A separação dos continentes é levada a cabo pela criação de nova crusta oceânica que vai ocupando o espaço que fica entre os continentes que se separam.

Devido ao fato de nesta teoria se formar nova crusta oceânica na separação dos continentes, de início denominou-se esta teoria por “alastramento oceânico”.

A Pangeia foi formada durante a Era Paleozoica quando vários continentes menores colidiram, formando um único supercontinente.

Esta animação começa logo no início da Era Mesozoica, durante o Período Triássico, mostrando o movimento dos continentes até suas posições atuais.

Pangéia

Fonte: Fonte: br.geocities.com/zoo.bio.ufpr.br/geofisica.fc.ul.pt/geomaps.wr.usgs.gov

 

 

 

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