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Neblina

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Nevoeiro

1. Da Formação da Neblina

Toda vez que vapor d’água é submetido a resfriamento, ele tende a se condensar, formando uma névoa parecida com uma nuvem, que quando fica perto da superfície é chamada de neblina. A incidência de neblina depende da topografia da região (vales e montanhas) e da distância em relação às fontes de umidade (rios, lagos e oceanos).

Sendo assim, comumente ocorre o aparecimento de nevoeiro noturno em regiões onde há rios, visto que durante a noite a umidade resultante da evaporação do rio se resfria, surgindo a névoa. Frentes frias também produzem neblina, pois quando da chegada de um vento glacial vindo das regiões polares, ele faz com que o vapor das águas costeiras mais quentes se condense.

Uma terceira situação em que se forma neblina se dá pelo auto-resfriamento do ar. O vento que sopra nas encostas de montanhas perto do mar vem carregado de umidade e ao subir a serra se resfria, visto que quanto maior a altitude menor a temperatura, e se condensa.

As situações de formação de neblina são representadas na Figura 1.1 a seguir:

Omde se produz a névoa

Locais úmidos são mais favoráveis à condensação

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Nos vales, cerração vem a noite

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Vapor do mar esfria na serra

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Frente fria condensa vento costeiro
Figura 1.1 – Situações de formação da neblina (fonte: revista Superinteressante)(1)

Segundo o Meteorologista J. Campbell(2), quando o sol se põe, o calor retido no solo começa a se propagar para a atmosfera e o ar frio procura os pontos mais baixos. O verdadeiro perigo vem com a nascer do sol quando o ar se aquece novamente misturando-se com ar frio da noite anterior e condensando em gotículas de nevoeiro. A poluição da região, por sua vez, intensifica a incidência de neblina.

2. Dos Acidentes de Trânsito de Engavetamento

Considerado a mais letal de todas as modalidades de acidentes de trânsito, o engavetamento (pile up), evento constituído de sucessivas colisões traseiras, foi responsável por aproximadamente 1.500 vítimas fatais nas últimas duas décadas nos E.U.A., a partir da ocorrência de cerca de 400 grandes engavetamentos.

Naquele país os engavetamentos são responsáveis por quase 100 mortes ao ano(3).

Aos eventos de engavetamento estão comumente associados a incidência de neblina, concomitantemente a excessos de velocidade por parte de condutores, bem como a participação de veículos de grande porte, do tipo caminhões e ônibus, no desencadeamento destes eventos, e, ainda a deflagração de incêndios em veículos, alcançando, freqüentemente, um elevado índice de fatalidades.

Foi o que ocorreu em 5 de julho de 2002, quando, às 5h25min, entre o km 82 e o km 89 da Rodovia Castelo Branco, em Sorocaba/SP, a 92 km de São Paulo, um engavetamento envolveu 27 veículos (13 caminhões, 4 carretas e 10 automóveis), resultando em 12 vítimas fatais (11 no local, sendo 6 Policiais Militares de Bauru), 13 gravemente feridas e pelo menos 12 com ferimentos leves, neste que foi o mais grave dos acidentes de trânsito da história desta importante rodovia, ilustrado na Figura 2.1 a seguir.

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Figura 2.1 – Engavetamento na Rodovia Castelo Branco – SP

Segundo a Polícia Rodoviária Estadual de São Paulo, a incidência de neblina teia sido a principal causadora desta tragédia, tendo a primeira colisão traseira ocorrido no km 82, seguida de outra no km 89, ambas na pista de sentido Capital-Interior, resultando na deflagração de incêndios, conforme ilustrado nas Figuras 2.2 e 2.3 a seguir.

A fumaça negra do incêndio associada à neblina teriam causado, ainda, o engavetamento de diversos veículos na pista de sentido Interior-Capital. O acidente resultou na interdição das duas pistas, no que se descreveu, por ocasião do acidente, como um verdadeiro cenário de guerra.

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Figuras 2.2 e 2.3 – Engavetamentona Castelo Branco, em Sorocaba/SP

3. Dos Fatores Causais Associados aos Eventos de Engavetamento

Com relação ao fenômeno climático de incidência de neblina, inexistem estatísticas confiáveis para a avaliação da sua real participação nos acidentes de trânsito, assim como acontece em relação aos demais fatores ambientais, devido à ausência de dados precisos sobre mobilidade nestas condições, não podendo se estabelecer números relativos sobre vítimas/viajantes-km(5).

No entanto, é notória a sua relação com os engavetamentos, tendo em vista a redução de visibilidade produzida pela mesma, variando de acordo com a iluminação ambiental e a intensidade da neblina, conforme representado na tabela a seguir

Distâncias de visibilidade diurna e noturna x intensidade da neblina

DISTÂNCIA DE VISIBILIDADE COM NEBLINA DIURNA DISTÂNCIA DE VISIBILIDADE COM NEBLINA NOTURNA
Neblina leve 500 a 1000 m Neblina leve 50 a 100 m
Neblina moderada 200 a 500 m Neblina moderada 20 a 50 m
Neblina moderada a intensa 50 a 200 m Neblina moderada a intensa 5 a 20 m
Neblina intensa 0 a 50 m Neblina intensa 0 a 5 m

O que faz da neblina um dos elementos atmosféricos que torna extremamente arriscada a operação de transporte aéreo, marítimo e terrestre, especialmente nas rodovias(7), exigindo uma especial atenção a este fator viário-ambiental na análise e reconstrução de acidentes de trânsito, principalmente de engavetamento.

Ocorre que a incidência de nevoeiros naturais e também a de nevoeiros artificiais, constituem-se em uma restrição de visibilidade ambiental de difícil avaliação, pelo fato desta condição poder ser alterada rapidamente, podendo não mais se fazer presente no momento da chegada do Perito ao local do evento.

Segundo Baker(8), a obtenção de informações sobre as condições da via de tráfego visando a elaboração de um informe de acidente de trânsito não requer uma habilidade especial. Todavia, a constatação de condições pouco correntes que podem ter concorrido para um acidente em particular, como no caso da incidência de neblina, constitui-se em outra questão bastante distinta.

Quanto às características da via, o desencadeamento de engavetamentos de grandes proporções associados à incidência de neblina tende a ocorrer em vias de tráfego de pista dupla, enquanto que naquelas de pista simples com tráfego bi-direcional predominam as colisões frontais e semi-frontais.

Deve ser considerada, ainda, a incidência de nevoeiros artificiais nas vias de tráfego produzidas pela primitiva prática de preparo do campo para o plantio por queimada e pelo não menos primitivo hábito de fumar, além de outras formas de deflagração de incêndios intencionais ou não, podendo ainda a fumaça ser decorrente de incêndios deflagrados a partir de colisões entre veículos, desencadeados por ocasião dos engavetamentos.

No que tange à deflagração de incêndio a partir da colisão entre veículos, por sua vez, a mesma tem como causa mais freqüente o vazamento de combustível, comumente ocorrido a partir da ruptura mecânica por cisalhamento ou flexão de dutos ou de mangueiras, os quais se constituem em líquidos inflamáveis mais voláteis (gasolina e álcool) ou menos voláteis (óleo diesel), ocorridas principalmente em interações entre veículos de diferentes portes (por exemplo: caminhões x automóveis e ônibus x automóveis), devido ao efeito de cunha produzido, e também em eventos de tombamentos e capotamentos.

O vazamento de combustível, na presença de uma fonte de ignição, a qual pode ser produzida por fenômeno elétrico de curto-circuito, devido à ruptura do revestimento de condutores elétricos energizados, a partir de um acidente de trânsito, e o contato com superfícies quentes dos veículos, dada a baixa temperatura de ignição destes combustíveis (auto-inflamação sem fonte de ignição), bem como a geração de faíscas mecânicas por atritamento de partes metálicas do veículo com o pavimento, que atingem em torno de 800 oC para faíscas amarelas (baixa velocidade) e em torno de 1.200 oC para faíscas brancas (alta velocidade)(9), podem deflagrar o incêndio, o qual pode ocorrer, ainda, em caso de colisão, pelo vazamento de hidrogênio associado a curto-circuito na bateria de acumuladores.

Já com relação à participação de caminhões e ônibus no desencadeamento deste tipo de evento, o mesmo se deve fundamentalmente à menor eficiência de frenagem destes veículos em relação aos automóveis, estimada, segundo Reed e Keskin(10), em cerca de 70%. Isto significa que a partir de uma manobra evasiva de acionamento do sistema de freio, estes veículos necessitam de uma maior distância de parada, o que pode resultar em uma situação de inevitabilidade de uma colisão traseira com um veículo que trafegue a sua frente, dando início a um engavetamento.

Esta situação é ainda agravada pelo fato dos condutores destes veículos de grande porte estarem acomodados em posições mais elevadas em relação aos automóveis, o que minimiza a incidência dos reflexos da luminosidade emitidos pelos seus faróis, refletida pela neblina e que retorna aos olhos dos motoristas em forma de claridade, podendo resultar em uma maior velocidade de tráfego destes veículos nas mesmas condições de neblina que os automóveis(11).

No caso específico de veículos rodoviários de carga-reboque ou carga-semi-reboque, uma manobra evasiva de acionamento brusco do sistema de freio e/ou de esterçamento do volante de direção, produzidas na iminência de uma colisão com um veículo que trafegue a sua frente, podem resultar ainda no indesejável fenômeno de desvio em L e no tombamento do veículo, aumentando o risco de engavetamento.

Quanto aos fatores que contribuem para o elevado índice de fatalidades em acidentes de trânsito por engavetamento, deve se considerar o fato deles ocorrerem em auto-estradas, onde se praticam altas velocidades, e também pelas colisões envolverem veículos de grande porte com de menor porte, que ainda podem resultar em incêndios. Com relação aos aspectos de segurança veicular passiva, sabe-se que o cinto de segurança, em alta velocidade, não mais mantém a sua eficácia em evitar mortes, bem como que os veículos são submetidos a diversas colisões, principalmente as laterais, de maior gravidade, sendo a segurança passiva dos veículos projetada apenas para uma colisão(2).

Por último, no que tange aos excessos de velocidade praticados em situação de neblina em eventos de engavetamento, acreditava-se que o mesmo se devesse unicamente a um comportamento inadequado por parte dos condutores, no que diz respeito à velocidade imprimida pelos mesmos e às distâncias de marcha com relação aos veículos que trafegassem a sua frente. No entanto, um estudo científico realizado recentemente na Inglaterra, país conhecido por sua grande incidência de neblina, revelou resultados surpreendentes com relação ao efeito da neblina na percepção da velocidade por parte dos condutores, o que vem a modificar significativamente o enfoque da participação humana no desencadeamento de acidentes de trânsito de engavetamento.

4. Do Efeito da Neblina no Sistema Perceptual Humano

Em um artigo denominado Speed Perception Fogs up as Visibility Drops(12), publicado na Revista NATURE, Snowden, Stimpson e Ruddle, pesquisadores da Universidade de Wales, em Cardiff, na Inglaterra, constataram que apesar dos condutores terem consciência que deveriam trafegar em menor velocidade em situação de neblina devido à conseqüente redução da visibilidade, eles trafegavam demasiado rápido. Isto se deve ao fato de que eles pensam estar trafegando a uma velocidade menor do que a velocidade que eles realmente estão trafegando, quando em situação de neblina, aumentando sua velocidade.

Segundo Snowden, a neblina muda a percepção da velocidade e esta mudança do contraste proporcionada pela incidência de neblina é interpretada pelo cérebro como mudança de velocidade. De fato, Thompson(13) já havia constatado para um teste padrão que a percepção da velocidade depende do plano de contraste.

Em experimentos realizados em um ambiente virtual com um simulador de direção, conforme ilustrado na figura 4.1 a seguir, Snowden demonstrou que com o aumento da neblina e a conseqüente redução do contraste da imagem visualizada pelos condutores, a velocidade do veículo tornava-se aparentemente mais devagar. Os participantes do experimento quando convidados a dirigirem a uma certa velocidade, dirigiam mais rápido a medida que o cenário se tornava mais nebuloso.

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Figura 4.1 – ilustração de cenário virtual do simulador de direção utilizado nos experimentos de condução em neblina

Ponderam os referidos pesquisadores que a verificação do velocímetro, instrumento de acurada precisão quanto à velocidade imprimida pelo veículo, requer dos condutores o desvio da sua atenção e de seu olhar fixo da via para o respectivo mostrador. Entretanto, em condições de visibilidade reduzida produzida por incidência de neblina, os condutores tornam-se relutantes em desviar seus olhares fixos da via para o velocímetro por receio de um objeto perdido emergir da neblina. Portanto, é exatamente em condições de visibilidade reduzida causada por neblina que os condutores mais dependem de sua própria percepção para o julgamento da velocidade em que trafegam.

Aos participantes dos experimentos foram apresentadas duas cenas distintas, uma com o tempo limpo (clear) e outra com o tempo variando de limpo a enevoado (misty) e neblina (fog), simulando-se a movimentação do veículo em determinadas velocidades. Os participantes tinham a impressão de que na cena com neblina moviam-se mais devagar. Para saber se esta mudança perceptual afetaria a velocidade de condução em uma situação mais realística, foi utilizado um simulador provido de freio, acelerador e direção para que os participantes do experimento dirigissem ao longo de uma via de tráfego de traçado sinuoso. Foi então estipulada uma determinada velocidade alvo para o participante, sendo simuladas aleatoriamente situações de tempo limpo, enevoado e neblina. A medida que a cena tornava-se mais nebulosa, os condutores dirigiram a velocidades mais altas.

Em termos quantitativos, quando solicitados a dirigir a 112 km/h, os participantes trafegavam a aproximadamente 150 km/h em neblina, 140 km/h em enevoado e 130 km/h em tempo limpo. Quando solicitados a dirigir a 80 km/h, trafegaram a aproximadamente 110 km/h em neblina, 100 km/h em enevoado e 90 km/h em tempo limpo. E quando solicitados a dirigir a 48 km/h, trafegaram a aproximadamente 70 km/h em neblina, 60 km/h em enevoado e a 50 km/h em tempo limpo(15).

Esta surpreendente constatação, sugere que a “culpa” para muitos acidentes de trânsito de engavetamento em situação de neblina pode não ser simplesmente a irresponsabilidade de condutores por trafegarem com excesso de velocidade nesta condição desfavorável de visibilidade, mas uma preocupante singularidade de nosso sistema perceptual intrínseca ao ser humano, a de que o senso de velocidade decresce com a incidência de neblina, demonstrando, mais uma vez, a complexidade e a limitação do ser humano enquanto fator causal dos acidentes de trânsito.

5. Conclusão

Em uma visão sistêmica de análise e reconstrução de acidentes de trânsito de engavetamento torna-se extremamente relevante uma precisa avaliação da situação viária no que tange à incidência de neblina no local e na hora do evento, devido ao seu surpreendente efeito sobre os condutores no que diz respeito a sua percepção de velocidade, visto que quanto maior a intensidade da neblina, menor o contraste e menor a percepção de velocidade por parte dos condutores.

Esta preocupante singularidade do sistema perceptual, intrínseca ao ser humano, encontra-se diretamente relacionada com eventos deste tipo, “aliviando” de uma certa maneira boa parte da “culpa” dos condutores e exigindo a adoção de medidas eficazes quando da incidência de neblina visando prevenir esta modalidade de acidentes de trânsito de elevadas proporções.

Rodrigo Kleinübing

6. Referências Bibliográficas

[1] “Neblina é uma Nuvem Perto do Chão” – Revista Superinteressante (abr 1996)
[2] U.S.A. – “Sem Aviso – Impacto em Alta Velocidade” – Discovery Channel
[3] U. S. A. – “Pile Up” – Discovery Channel
[4] http://www.valeparaibano.com.br/
[5] IZQUIERDO, FRANCISCO APARICIO – “Seguridad del Trafico. Importância y Factores Implicados” – INSIA – Universidad Politecnica de Madrid (1998)
[6] IRURETA, VICTOR A. – “Accidentología Vial y Perícia” – Ediciones La Rocca (1996)
[7] PANITZ, MAURI A. – “Fundamentos de Segurança de Trânsito” – DeCivil/Escola Politécnica/PUCRS (1998)
[8] BAKER, J. S. e FRICKE, L. B. – “Traffic-Accident Information from Roads” – Topic 817 – “The Traffic-Accident Investigation Manual” – Nortwestern University Traffic Institute (1986)
[9] NFPA – “Guide for Fire and Explosion Investigations” (1998)
[10] REED, w. S. e KESKIN, A. T. – “Vehicular Deceleration and Its Relationship to Friction” – SAE 890736 (1989)
[11] WEINGÄRTNER JR., P. R. – “O Perigo Diante dos seus Olhos” – Revista Cesvi Brasil (abr/mai 2002)
[12] SNOWDEN, R. J., STIMPSON, N. e RUDDLE, R. A. – “Speed Perception Fogs up as Visibility Drops” – Nature (1998)
[13] THOMPSON, P. – “Vision Res. 22, 377-380” (1982)
[14] RUDDLE, ROY. – “Vehicle Driving Behaviour” – University of Leeds
[15] KRUSZELNICKI, KAR S. – “Fog” – Karl S. Kruszelnicki Pty Ltd (2003)

Fonte: www.estradas.com.br

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Nevoeiro é uma suspensão de minúsculas gotículas de água ou cristais de gelo numa camada de ar próxima à superfície da Terra. Por convenção internacional, usa-se o termo nevoeiro quando a visibilidade horizontal no solo é inferior a 1 km; quando a visibilidade horizontal no solo é superior a 1 km, a suspensão é denominada neblina. O nevoeiro é uma nuvem com base em contato com o solo. O nevoeiro pode formar-se quando o ar torna-se saturado através de resfriamento radiativo, resfriamento advectivo, resfriamento por expansão (adiabático) ou por adição de vapor d’água.

O nevoeiro de radiação resulta do resfriamento radiativo da superfície e do ar adjacente. Ocorre em noites de céu limpo, ventos fracos e umidade relativa razoavelmente alta. Se a umidade relativa é alta, apenas um pequeno resfriamento abaixará a temperatura até o ponto de orvalho e uma nuvem se formará. Se o ar está calmo o nevoeiro pode ser raso (menos de 1 m de profundidade) e descontínuo. Para um nevoeiro com maior extensão vertical, é necessária uma brisa leve de 3 a 4 km/h. O vento fraco produz mistura fraca que transfere calor para a superfície fria, fazendo com que uma camada maior se resfrie até abaixo do ponto de orvalho e levando o nevoeiro para cima (10 ou 30 m) sem dispersá-lo. Se os ventos são calmos, não há mistura e a transferência de calor é apenas por condução. Como o ar é um mau condutor de calor, somente uma fina camada de ar próxima ao solo seria resfriada até a saturação. Ventos muito calmos favorecem orvalho ou geada ao invés do nevoeiro de radiação. Por outro lado, se os ventos se tornam muito fortes, o ar úmido em níveis baixos se mistura com o ar mais seco acima, a umidade relativa cai e não se desenvolve o nevoeiro de radiação.

O ar resfriado por radiação tende a escoar para áreas mais baixas. Como resultado, o nevoeiro de radiação é mais espesso em vales, enquanto as elevações em volta estão claras. Normalmente estes nevoeiros se dissipam em 1 a 3 horas após o nascer do sol. Freqüentemente se diz que o nevoeiro se “levanta”. Contudo, ele realmente não se levanta. O Sol aquece a Terra que, por sua vez aquece inicialmente o ar superficial. Conseqüentemente, o nevoeiro evapora a partir da base, dando a impressão de levantamento. No inverno, quando a radiação solar mais fraca é refletida mais facilmente pelo topo da camada de nevoeiro, ele pode ser mais persistente.

O nevoeiro de advecção ocorre quando ar quente e úmido passa sobre uma superfície fria, resfriando-se por contato e também por mistura com o ar frio que estava sobre a superfície fria, até atingir a saturação. Uma certa quantidade de turbulência é necessária para um maior desenvolvimento do nevoeiro. Assim, ventos entre 10 e 30 km/h são usualmente associados com nevoeiro de advecção. A turbulência não só facilita o resfriamento de uma camada mais profunda de ar, mas também leva o nevoeiro para alturas maiores. Diferentemente dos nevoeiros de radiação, nevoeiros de advecção são freqüentemente profundos (300-600 m) e persistentes.

O nevoeiro orográfico é criado quando ar úmido sobe terreno inclinado, como encostas de colinas ou montanhas. Devido ao movimento ascendente, o ar se expande e resfria adiabaticamente. Se o ponto de orvalho é atingido, pode-se formar uma extensa camada de nevoeiro.

Quando ar frio se move sobre água mais quente, a água evapora, aumentando a razão de mistura do ar (ou pressão de vapor) que , com suficiente evaporação, pode atingir a umidade relativa de 100%. A saturação ocorre ainda que o ar seja aquecido um pouco em contato com a água mais quente. O aumento na umidade relativa, causada pela rápida evaporação, compensa a diminuição da umidade relativa causada pelo aquecimento do ar pela água. Como o ar é aquecido por baixo, ele é instabilizado, sobe, e o vapor d’água encontra o ar mais frio, condensando-se e subindo com o ar que está sendo aquecido por baixo. O nevoeiro então aparece como correntes ascendentes que lembram fumaça ou “vapor”. Por esta razão, o nevoeiro produzido quando ar frio entra em contato com água mais quente é denominado nevoeiro de vapor. Ocorre freqüentemente sobre lagos e rios no outono e início do inverno, quando a água pode ainda estar relativamente quente. O mesmo fenômeno também ocorre em dias frios sobre uma piscina externa aquecida. A saturação por adição de vapor pode ocorrer também por evaporação de chuva em ar frio próximo ao ponto de orvalho (nevoeiro frontal ou de precipitação). O nevoeiro de vapor é freqüentemente muito raso, pois quando sobe reevapora no ar não saturado acima.

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Fonte: fisica.ufpr.br

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NEVOEIRO

É uma nuvem com a base próxima ou junto à superfície do solo, e se faz presente quando o ar atmosférico passa a se saturar e resfriar pela ação radiativa, advectiva, por adição de água em forma de vapor ou por expansão adiabática.

RESFRIAMENTO POR RADIAÇÃO: Ocorre quando o solo que reteve o calor durante o dia ganha potencial de RADIAÇÃO, e perde rapidamente o calor para o ar atmosférico durante a noite, e isso ocorre em condições de ausência de nuvens, com ventos fracos, solo úmido e umidade relativa do ar alta e nessas condições, apenas um pequeno resfriamento abaixará a temperatura da massa de ar até o ponto de orvalho formando nuvens.

NEVOEIRO RASO: Se o ar está calmo praticamente sem vento ou abaixo de 3 km/h, e descontínuo, o nevoeiro se forma em camadas de menos de um metro.

Para um nevoeiro se formar com maior espessura, é necessário um maior potencial de mistura e arraste, isto é com vento de 3 a 4 km/h. transferindo calor para a superfície fria, fazendo com que uma camada maior se resfrie até abaixo do ponto de orvalho que é a temperatura que o vapor necessita para se condensar (mudar de estado gasoso para o estado líquido) elevando a massa de nevoeiro para cima entre 10 a 30 metros de altura.

NEVOEIRO DE SUPERFÍCIE: É formado a partir de uma inversão térmica de superfície causada pelo resfriamento radiativo que ocorre durante uma noite.

Um resfriamento por si só não é suficiente para formar nevoeiro em muitas vezes, e em noites com ventos muito calmos, há muita chance de isso ocorrer. Assim, quanto mais forte for o vento, menor é a chance de uma inversão térmica de superfície ocorrer, devido a turbulência associada ao campo de vento, que irá transferir o calor para baixo. Quando existe nebulosidade, a parte da radiação da superfície e é absorvida pelas nuvens e refletida de volta sendo reabsorvida pela superfície, impedindo assim a formação de nevoeiros. Portanto em noite calma e de céu aberto permite que a radiação emitida pela superfície dissipe pela atmosfera acima, dando condições para resfriamento do ar envolto superfície, formando o nevoeiro superficial que são rasos e desaparecem rapidamente pela ação da radiação luz do sol nos primeiros momentos do nascer de um novo dia.

NEVOEIRO DE ALTA INVERSÃO: É um fenômeno típico do inverno, é nevoeiro do tipo radiativo, e que ocorre em superfícies continentais, e é formado pela perda radiativa de calor por vários e vários dias e de forma contínua o que é caracterizada em regiões extra-tropicais durante o inverno.

NEVOEIRO DE ADVECTIVO: É o fenômeno atmosférico que ocorre quando uma massa de ar quente e úmido passa sobre uma superfície fria, e por contato e mistura com o ar frio perde o calor, e se satura. Turbulências são necessárias para o desenvolvimento deste tipo de nevoeiro, como ventos entre 10 e 30 km/h o que facilita o resfriamento de uma camada mais espessa, e que eleva o nevoeiro para alturas.

Nevoeiro associado à brisa terrestre ou marítima: No inverno, a advecção de ar do mar relativamente quente para o continente relativamente frio causa nevoeiro sobre o continente; entretanto, estes nevoeiros estão mais relacionados a fenômenos radiativos do que a transportes horizontais de massas de ar e, portanto não devem ser colocados na categoria de nevoeiros advectivos. Na maioria dos casos de nevoeiro associado à brisa terrestre/marítima, flutuações na direção do vento, usualmente de natureza diurna, fazem parte do mecanismo. O ar proveniente do continente aquecido é resfriado ao passar sobre a superfície fria do oceano. Se os ventos forem de moderado a forte, a turbulência pode manter uma abrupta taxa de resfriamento nas camadas inferiores, e nuvens estratiformes se formarão sob a inversão turbulenta. Entretanto, se o vento for fraco, uma densa superfície de nevoeiro pode ser desenvolvida sobre o oceano.

Nevoeiro de ar marítimo: Este nevoeiro se forma no resfriamento do próprio ar marítimo sobre uma corrente fria. Sendo assim, o nevoeiro associado ao ar marítimo pode ocorrer em qualquer lugar do oceano onde houver significativa diferença de temperatura.

Nevoeiro de ar tropical: Este tipo de nevoeiro está relacionado ao gradativo resfriamento do ar tropical à medida que ele se move de latitudes mais baixas em direção aos pólos sobre o oceano. Pode ocorrer também no inverno sobre os continentes, onde o gradiente latitudinal de temperatura pode ser muito maior do que sobre os oceanos. Por outro lado, a turbulência sobre o continente é maior do que sobre o oceano por conta da rugosidade de superfície, o que pode tornar mais difícil a condensação direta como nevoeiro de superfície, exceto em casos com vento fraco. Sobre o mar, verificou-se que o nevoeiro pode se mantiver com ventos intensos mais facilmente do que em relação ao continente. Ar tropical marítimo em movimento sobre o continente no inverno é imediatamente sujeito a fortes processos de resfriamento radiativo, o que pode se tornar mais importante do que o próprio resfriamento pela advecção latitudinal.

Nevoeiro de vapor

Nevoeiro de vapor: Quando ar frio se move sobre água mais quente, a água evapora, aumentando a razão de mistura do ar (ou pressão de vapor) que, com suficiente evaporação, pode atingir a umidade relativa de 100%. A saturação ocorre ainda que o ar seja aquecido um pouco em contato com a água mais quente.

O aumento na umidade relativa, causada pela rápida evaporação, compensa a diminuição da umidade relativa causada pelo aquecimento do ar pela água. Como o ar é aquecido por baixo, ele é instabilizado, sobe, e o vapor d’água encontra o ar mais frio, condensando-se e subindo com o ar que está sendo aquecido por baixo. O nevoeiro então aparece como correntes ascendentes que lembram fumaça ou “vapor”. Ocorre freqüentemente sobre lagos e rios no outono e início do inverno, quando a água pode ainda estar relativamente quente. O mesmo fenômeno também ocorre em dias frios sobre uma piscina externa aquecida. A saturação por adição de vapor pode ocorrer também por evaporação de chuva em ar frio próximo ao ponto de orvalho (nevoeiro frontal ou de precipitação).

Nevoeiro do tipo advectivo-radiativo

Nevoeiro do tipo advectivo-radiativo: Este nome é dado ao nevoeiro que se forma por resfriamento radiativo noturno sobre o continente de ar procedente do mar durante o dia. Em geral, é como outros nevoeiros do tipo radiativo, porém se deriva de circunstâncias especiais pois ar com alta umidade oriundo de superfícies de águas quentes é resfriado radiativamente durante a noite sobre o continente. Ocorre principalmente no fim do verão e outono quando a água está relativamente mais quente e é, portanto capaz de produzir uma alta temperatura do ponto de orvalho no ar sobrejacente e também quando as noites são longas o bastante para um resfriamento considerável.

Nevoeiro orográfico

O nevoeiro orográfico: Este nevoeiro é criado quando ar úmido sobe terreno inclinado, como encostas de colinas ou montanhas. Devido ao movimento ascendente, o ar se expande e resfria adiabaticamente. Se o ponto de orvalho é atingido, pode-se formar uma extensa camada de nevoeiro.

Nevoeiro pré-frontal

Nevoeiros pré-frontais (frentes quentes): Os efeitos de precipitação em colunas estáveis de ar podem aumentar a temperatura do ponto de orvalho até que nevoeiro seja formado sem resfriamento da camada de ar inferior. Estas condições são mais facilmente obedecidas no lado frio adiante de uma frente quente.

Massas de ar continental polar de inverno quando associadas com frentes quentes e precipitantes comumente apresentam nevoeiro ou nuvens estratiformes bem baixas por serem bastante estáveis. Por outro lado, uma massa de ar marítima polar não é estável o bastante para permitir a formação de nevoeiro. Assim como para os demais tipos de nevoeiro, a intensidade do vento é um fator importante. Uma vez que frentes quentes estão em geral associadas com ciclones cuja circulação é mais intensa do que o normal, nuvens estratiformes de frente quentes são mais comuns que nevoeiros de frente frias.

Nevoeiro pós-frontal

Nevoeiros pós-frontais (frentes frias): Há uma sutil diferença entre nevoeiro de frente quente e de frente fria, uma vez que ambos se formam pela umidade da precipitação frontal. Entretanto, desde que a banda de precipitação associada a uma frente fria é muito mais restrita em área do que a de uma frente quente, os nevoeiros pós-frontais são menos espalhados. De fato, apenas frentes frias que se tornaram quase-estacionárias, usualmente orientadas na direção leste-oeste que apresentam extensas áreas de nevoeiro. Como no caso de frente quente, estas circunstâncias causam nevoeiro apenas se o ar frio for estável.

Nevoeiro frontal

Nevoeiro frontal: Existe uma variedade de maneiras nas quais nevoeiros podem se formar temporariamente durante a passagem de uma frente. A mistura de massas de ar quente e frio na zona frontal pode produzir nevoeiro se o vento for bem calmo e se ambas as massas estiverem perto da saturação antes da mistura.

O súbito resfriamento do ar sobre a superfície úmida com a passagem de uma frente fria marcadamente precipitante pode causar um nevoeiro provisório ao longo da frente. No verão, especialmente em latitudes baixas, o resfriamento da superfície por evaporação de água de chuva pode ser tanto o resfriamento necessário quanto o suprimento de umidade necessário para a formação do nevoeiro. Basicamente este tipo de nevoeiro se dá por abaixamento da base da nuvem durante a passagem da frente em condições extremamente úmidas.

Não há diferença física entre a formação do nevoeiro e da nuvem, porque elas apresentam a mesma aparência e estrutura.

A diferença essencial é a forma de desenvolvimento formação.

É considerado denso, quando a visibilidade pode se reduz a 12 metros ou menos, tornando-se muito perigoso nos casos de locomoção por meio de veículos.

Nas estações meteorológicas segundo a OMM denomina-se nevoeiro somente quando a visibilidade é reduzida a a menos de 1 quilômetro e quando a visibilidade é acima, denomina-se neblina.

O nevoeiro é uma nuvem com base em contato com o solo. O nevoeiro pode formar-se quando o ar torna-se saturado através de resfriamento radiativo, resfriamento advectivo, resfriamento por expansão (adiabático) ou por adição de vapor d’água.

Portanto é muito importante na divulgação, saber distinguir e denominar.

Hiroshi Paulo Yoshizane

Fonte: www.ft.unicamp.br

Neblina

Neblina
Nevoeiro

A neblina é causadora de acidentes, e principalmente engavetamentos nas rodovias. Consiste na condensação do vapor d’água, sob a forma de gotículas, como as nuvens, só que mais próxima ao solo.

Acontece quando há muita umidade no ar ou geada forte, principalmente à noite ou durante a madrugada, geralmente em vales e áreas baixas e úmidas.

Existem vários tipos de neblina, desde a mais fraca, que quase não prejudica a visibilidade, até as mais espessas que limitam a visão a poucos metros.

Para sua segurança, siga algumas dicas:

Por causa do reflexo causado pelas gotículas d’água nunca use farol alto em locais com neblina, a reflexão da luz vai ofuscá-lo e você enxergará menos.
Mantenha sempre a distância de segurança do carro à frente.
Nunca use o pisca alerta com o carro em movimento. O motorista de trás pensará que você está parado, tentará desviar e poderá provocar um acidente.
Verifique se a ventilação interna está funcionando. Caso contrário, mantenha aberta uma janela de modo a evitar o embaçamento interno dos vidros.
Use limpador de pára-brisa, desembaçador e lavador de vidros. Não passe a mão no vidro.
Reduza ou apague as luzes do painel. Elas distraem e diminuem a visão.
Evite freadas bruscas. O chão poderá estar escorregadio e você corre o risco de colisão traseira.
Não pare na pista. De preferência, não pare nem no acostamento.
Se a neblina for muito espessa, procure um local seguro para parar, por exemplo: postos de serviço.
Se precisar parar na rodovia, ligue o pisca-alerta, sinalize 100 metros antes e tire todo mundo do carro, mesmo que esteja frio ou chovendo.
Não ultrapasse outros veículos.

Fonte: www.autoban.com.br

Neblina

Neblina é uma nuvem perto do chão

Há três situações principais que favorecem a formação de nevoeiro. Em todas elas, a umidade do ar se condensa.

O que é a neblina?

Por que ela se forma com mais facilidade em alguns lugares?

Toda vez que o vapor d’água é submetido a um resfriamento, ele tende a se condensar, formando uma névoa parecida com uma nuvem. Quando esta névoa fica perto da superfície, é chamada de neblina. O fenômeno é fácil de observar em automóveis durante o inverno, quando dentro do carro fica mais quente do que fora. Nesse caso, os vidros, por estarem em contato com o frio externo, permanecem gelados.

Então, as gotículas de vapor, que estão no ar interno do veículo, ao entrarem em contato com o pára-brisa, se condensam e o embaçam. Na natureza, “existem várias maneiras de se formar neblina e isso depende muito da topografia (vales e montanhas) e da distância das fontes de umidade, como rios, lagos e oceanos”, explica a meteorologista Maria Assunção Dias, da Universidade de São Paulo.

É comum aparecer nevoeiro noturno em regiões onde há rios. Durante a noite, a umidade resultante da evaporação do rio se resfria e surge a névoa. Frentes frias também produzem neblina. Quando chega um vento glacial, vindo das regiões polares, ele faz com que o vapor das águas costeiras mais quentes se condense.

Há um terceiro tipo de neblina, que é provocada por auto-resfriamento do ar. O vento que sopra nas encostas de montanhas perto do mar vem carregado de umidade. Ao subir a serra, ele se resfria — pois quanto maior a altitude menor a temperatura — e se condensa.

Fonte: super.abril.com.br

Neblina

Neblina
Nevoeiro

Como se forma a neblina?

A neblina é formada pela suspensão de minúsculas gotículas de água numa camada de ar próxima ao chão. Ou seja, a neblina nada mais é do que uma nuvem em contato com o solo. Esse fenômeno, também conhecido como nevoeiro, é mais comum em lugares frios, úmidos e elevados e ocorre devido queda da temperatura e à conseqüente condensação do vapor d’água junto ao solo. A condensação, também chamada de liquefação, é a transformação da água em estado gasoso (vapor) para o líquido quando submetida a um resfriamento. O processo é parecido com o que rola nos automóveis no frio, quando a temperatura dentro do carro fica maior do que a externa. O vidro, em contato com o frio externo, permanece gelado. Quando o vapor suspenso no interior entra em contato com o pará-brisa, ele se condensa e embaça o vidro. Às vezes, a neblina é tão forte que até aeroportos precisam ser fechados, mas isso depende dos aparelhos de auxílio ao pouso e decolagem que cada aeroporto tem. Veja abaixo as situações mais comuns que dão origem a nevoeiros.

Embaçou geral

A neblina é resultado da combinação de vapor de água com queda de temperatura

Na serra

1. A água evaporada do mar, rios ou lagos transforma-se em vapor e, por ser mais leve do que o ar, é levada pelas massas de ar para as camadas mais elevadas da atmosfera
2.
Se existe uma serra ou montanhas próximas, o vapor de água sofre um processo de condensação, com o resfriamento causado pela altitude, formando a neblina

Em rios e lagos

1. Durante o dia, o calor faz com que a água dos mananciais evapore, sendo que parte do vapor fica perto da superfície
2.
Quando anoitece – ou quando a região é atingida por uma frente fria -, a temperatura cai, o vapor de água se resfria e condensa, ocasionando a neblina

Névoa, neblina ou nevoeiro?

Nem os meteorologistas se entendem sobre o que é uma coisa ou outra. Segundo André Madeira, meteorologista da empresa Climatempo, em São Paulo, neblina é o termo coloquial para nevoeiro. Já a diferença entre neblina e névoa está na intensidade do fenômeno. Se a visibilidade horizontal no solo for inferior a 1 quilômetro – ou seja, quando a cerração é mais densa -, chamamos de neblina ou nevoeiro. Quando a visibilidade é superior a 1 quilômetro, estamos diante de uma névoa

Yuri Vasconcelos

Fonte: mundoestranho.abril.com.br

Neblina

Quando uma massa de ar experimenta resfriamento à superfície, nevoeiros podem ser formados.

Nevoeiro é um tipo de nuvem estratiforme que se forma na superfície ou muito próximo a ela, e que afeta seriamente a visibilidade.

É como se a base de uma nuvem estratiforme estivesse muito baixa e em algumas situações é possível identificar gotinhas d’água boiando na atmosfera.

Por isso, existe muita preocupação por parte dos órgãos gerenciadores dos meios de transportes aéreos, marítimos e rodoviários, pois muitas vezes, o nevoeiro é situação precursora de acidentes graves e até mesmo fatais.

Por outro lado, a correta exploração do conteúdo de água líquida de um nevoeiro pode trazer benefícios às atividades humanas, como por exemplo no Chile, que se coleta cerca de 7000 litros de água por dia através de 50 coletores de 48 m2 de área da base.

Por sua estreita associação com inversões de temperatura e por sua tremenda importância nos transportes, segurança pública e atividades humanas em geral, os nevoeiros merecem uma séria consideração como propriedade da massa de ar. Para os propósitos desta discussão, nevoeiros podem ser definidos como uma camada de nuvem estratiforme ocorrendo na superfície ou muito próximo a ela.

Nuvens estratiformes são características da parte mais baixa da atmosfera quando uma inversão térmica bem desenvolvida existe ou quando há uma camada aproximadamente isotérmica. Se o ar localizado abaixo for suficientemente úmido, uma camada estratiforme irá se formar, com topo à altura da base da inversão.

Para que a formação se dê como nevoeiro, a base da inversão deve estar próxima superfície. Uma inversão térmica de superfície ou muito próximo a ela é meramente uma expressão de resfriamento por baixo e isto é portanto característica de massas de ar que são originariamente mais quentes do que a superfície sobre a qual ela está passando ou está em repouso. O problema de investigar a formação de nevoeiro consiste em determinar as circunstâncias nas quais o resfriamento de massas de ar na superfície, num contexto de alta umidade, pode ocorrer.

Classificação

Para simplificar a discussão, é extremamente útil ter uma classificação para os nevoeiros. Esta classificação deve levar em conta tanto a explicação dos processos de formação de nevoeiros como em prover uma base para poder prevê-los. Do ponto de vista físico, se reconhece que nevoeiros podem ser formados tanto por resfriamento ao ponto de orvalho ou por adição de vapor d’água até que a temperatura do ponto de orvalho iguale a temperatura atual. A classificação considera dois tipos principais, dependendo de qual dos efeitos citados é predominante no sentido de igualar a temperatura do ponto de orvalho com temperatura atual.

Estes dois tipos são (A) nevoeiros formados por abaixamento de temperatura de uma massa de ar (com exceção de um) e (B) nevoeiros frontais, formados na presença de precipitação, frequentemente com o aumento da temperatura do ponto de orvalho como o fator mais importante.

Tipo A

1. Nevoeiros do tipo advectivo

a. devido à transporte de ar quente sobre superfície fria

         1. nevoeiro associado à brisa terrestre/marí tima
         2. nevoeiro de ar marítimo
         3. nevoeiro de ar tropical

b. devido à transporte de ar frio sobre superfície quente

1. nevoeiro de vapor

2. Nevoeiros do tipo radiativo

    a. nevoeiro de superfície
    b. nevoeiro de alta inversão

3. Nevoeiros do tipo advectivo-radiativo

4. Nevoeiro de encosta

Tipo B

1. Nevoeiros pré-frontais
2.
Nevoeiros pós-frontais
3.
Nevoeiro frontal

Neblina
Nevoeiro

Descrições

Nevoeiro associado à brisa terrestre/marítima

Nevoeiros do tipo advectivo dependem do transporte de ar entre regiões de temperaturas de superfície contrastantes. As linhas de costa em geral apresentam estas características praticamente todo o ano. No inverno, a advecção de ar do mar relativamente quente para o continente relativamente frio causa nevoeiro sobre o continente; entretanto, estes nevoeiros estão mais relacionados à fenômenos radiativos do que a transportes horizontais de massas de ar, e portanto não devem ser colocados na categoria de nevoeiros advectivos. No verão, em localidades onde as condições são favoráveis para o transporte de ar quente e úmido do continente em direção a água, ocorre o nevoeiro associado à brisa terrestre/marítima.

Na maioria dos casos de nevoeiro associado à brisa terrestre/marítima, flutuações na direção do vento, usualmente de natureza diurna, fazem parte do mecanismo. O ar proveniente do continente aquecido é resfriado ao passar sobre a superfície fria do oceano. Se os ventos forem de moderado a forte, a turbulência pode manter uma abrupta taxa de resfriamento nas camadas inferiores, e nuvens estratiformes se formarão sob a inversão turbulenta. Entretanto, se o vento for fraco, uma densa superfície de nevoeiro pode ser desenvolvida sobre o oceano. Este nevoeiro pode ser trazido de volta para o continente por uma brisa marítima que se faz sentir no meio da tarde, podendo voltar para o oceano quando a brisa terrestre prevalescer novamente.

Este tipo de nevoeiro também ocorre sobre grandes corpos d’água no continente. De qualquer forma, estes nevoeiros não se estendem muito terreno adentro.

Exemplos: costa de New England e Great Lakes durante a primavera e início do verão.

Nevoeiro de ar marítimo

Fundamentalmente, existe uma pequena diferença entre nevoeiro associado à brisa terrestre/marítima e o nevoeiro de ar marítimo. Enquanto o primeiro se forma pelo resfriamento de ar continental sobre o oceano, o segundo se dá pelo resfriamento do próprio ar marítimo sobre uma corrente fria. Sendo assim, o nevoeiro associado à ar marítimo pode ocorrer em qualquer lugar do oceano onde houver significativa diferença de temperatura. Entretanto, a maioria das águas frias oceânicas é encontrada em correntes costeiras, e portanto o nevoeiro de ar marítimo se desenvolve mais frequentemente próximo ao continente.

Exemplos: nevoeiros de verão nas costas do Perú, Chile, noroeste e sudoeste da África, onde o ar se move sobre águas frias provenientes de ressurgências.

Nevoeiro de ar tropical

Este tipo de nevoeiro está relacionado ao gradativo resfriamento do ar tropical medida que ele se move de latitudes mais baixas em direção aos pólos sobre o oceano. Pode ocorrer também no inverno sobre os continentes, onde o gradiente latitudinal de temperatura pode ser muito maior do que sobre os oceanos. Por outro lado, a turbulência sobre o continente é maior do que sobre o oceano por conta da rugosidade de superfície, o que pode tornar mais difícil a condensação direta como nevoeiro de supefície, exceto em casos com vento fraco. Sobre o mar, verificou-se que o nevoeiro pode se manter com ventos intensos mais facilmente do que em relação ao continente.

Ar tropical marítimo em movimento sobre o continente no inverno é imediatamente sujeito a fortes processos de resfriamento radiativo, o que pode se tornar mais importante do que o próprio resfriamento pela advecção latitudinal. Nessas circunstâncias é difícil de classificar o nevoeiro como sendo de ar tropical ou do tipo radiativo.

Exemplos: Golfo do Alaska; porção leste do Atlântico Norte e Europa ocidental, nos quais toda a intrusão de ar tropical resulta em formação de nevoeiro ou nuvens estratiformes.

Nevoeiro de vapor

São formados quando ar frio com baixa pressão de vapor passa sobre água relativamente quente. É uma simples questão de pressão de vapor, ou seja, se a água estiver bastante “quente” o ar não necessita estar muito frio para haver evaporação. Em geral esses nevoeiros são rasos, da ordem de 15 a 30 metros, porém espessos o bastante para interferir na navegação ou vôos sobre o mar. Ocorre também sobre rios, quando o ar foi resfriado por radiação, e tende a formar nevoeiro de radiação próximo ao rio bem como nevoeiro de vapor no rio. Essas ocorrências são comuns no outono, quando a água ainda está quente e o ar já está sendo resfriado.

Exemplos: Lago Michigan; “artic sea smoke” em localidades com presença de cobertura de gelo e água líquida.

Nevoeiro de superfície

Todos os nevoeiros que ocorrem sobre o continente são causados totalmente ou principalmente por resfriamento radiativo do ar inferior úmido. O exemplo mais simples é o nevoeiro de superfície. Ordinariamente é definido como raso mas usualmente denso ocorrendo em condições de céu claro. É considerado como sendo aquele formado a partir de uma inversão térmica de superfície causada pelo resfriamento radiativo que ocorre durante uma única noite, sendo a inversão destruída durante o dia.

Muitas vezes o resfriamento por si só não é suficiente para formar nevoeiro, exceto em noites com ventos muito calmos. Quanto maior for o vento, menor será a chance de uma inversão térmica de superfície, pois a turbulência associada ao campo de vento irá carregar calor para baixo. Outro ponto a ser citado é a cobertura de nuvens. Se existe nebulosidade, parte da radiação perdida pela superfície é absorvida pelas nuvens e então refletida de volta e reabsorvida novamente pela supefície, o que impede a formação de nevoeiros. Assim, noites calmas e de céu claro permitem que a radiação emitida pela superfície escape para o espaço e, portanto, formam condições ideais para resfriamento de ar na superfície. Normalmente são rasos e desaparecem rapidamente após o nascer do sol.

Nevoeiro de alta inversão

Este é basicamente um fenômeno de inverno e como todos os nevoeiros do tipo radiativo, ocorre apenas sobre o continente. Ele é formado não pelo resultado da perda radiativa de uma só noite, como no caso do nevoeiro de superfície, mas pela contínua perda de calor por radiação que caracteriza regiões fora dos trópicos durante o inverno. Superpostos ao resfriamento de longo-período, estão as perdas durante uma única noite. O resfriamento radiativo de inverno mais marcante aparece sobre regiões continentais em altas latitudes e nestes lugares os nevoeiros são muito comuns no inverno. O termo “alta inversão” ao qual são referidos os nevoeiros nesta seção quer dizer que a inversão ocorre em uma camada mais espessa do que a do nevoeiro de superfície. Em alguns casos, este tipo de nevoeiro se torna uma nuvem estratiforme baixa durante o dia, mudando para um denso nevoeiro durante a noite.

Exemplos: vales centrais da Califórnia durante o inverno e vales entre montanhas na Europa ocidental.

Nevoeiro do tipo advectivo-radiativo

Este nome é dado ao nevoeiro que se forma por resfriamento radiativo noturno sobre o continente de ar procedente do mar durante o dia. Em geral, é como outros nevoeiros do tipo radiativo, porém se deriva de circustâncias especiais pois ar com alta umidade oriundo de superfícies de águas quentes é resfriado radiativamente durante a noite sobre o continente. Ocorre principalmente no fim do verão e outono quando a água está relativamente mais quente e é portanto capaz de produzir uma alta temperatura do ponto de orvalho no ar sobrejacente e também quando as noites são longas o bastante para um resfriamento considerável.

Exemplos: Golfo do México e costa atlântica do sul dos EUA; Great Lakes.

Nevoeiro de encosta

Formam-se como resultado do resfriamento do ar por expansão adiabática à medida que ele se move para altitudes maiores. Este é um dos poucos tipos de nevoeiro que se mantém em condições de vento relativamente forte. A razão para isso é que quanto mais rápido o vento mais rápido será o movimento para altitudes maiores e mais rápido será o resfriamento. Como regra geral, entretanto, nuvens estratiformes se formam em condicões de vento realmente forte. Estes nevoeiros frequentemente se formam por efeitos combinados de ascensão e radiação e em alguns casos por aumento de umidade devido à precipitação.

Exemplos: nevoeiros de serra e encosta.

Nevoeiros pré-frontais (frentes quentes)

O efeito de precipitação em colunas estáveis de ar podem aumentar a temperatura do ponto de orvalho até que nevoeiro seja formado sem resfriamento da camada de ar inferior. Estas condições são mais facilmente obedecidas no lado frio adiante de uma frente quente. Massas de ar continental polar de inverno quando associadas com frentes quentes e precipitantes comumente apresentam nevoeiro ou nuvens estratiformes bem baixas por serem bastante estáveis. Por outro lado, uma massa de ar marítima polar não é estável o bastante para permitir a formação de nevoeiro. Assim como para os demais tipos de nevoeiro, a intensidade do vento é um fator importante. Uma vez que frentes quentes estão em geral associadas com ciclones cuja circulação é mais intensa do que o normal, nuvens estratiformes de frente quente são mais comuns que nevoeiros de frente quente.

Nevoeiros pós-frontais (frentes frias)

Há uma sútil diferença entre nevoeiro de frente quente e de frente fria, uma vez que ambos se formam pela umidade da precipitação frontal. Entretanto, desde que a banda de precipitação associada a uma frente fria é muito mais restrita em área do que a de uma frente quente, os nevoeiros pós-frontais são menos espalhados.

De fato, apenas frentes frias que se tornaram quase-estacionárias, usualmente orientadas na direção leste-oeste que apresentam extensas áreas de nevoeiro. Como no caso de frente quente, estas circunstâncias causam nevoeiro apenas se o ar frio for estável.

Nevoeiro frontal

Existe uma variedade de maneiras nas quais nevoeiros podem se formar temporariamente durante a passagem de uma frente. A mistura de massas de ar quente e frio na zona frontal pode produzir nevoeiro se o vento for bem calmo e se ambas as massas estiverem perto da saturação antes da mistura. O súbito resfriamento do ar sobre a superfície úmida com a passagem de uma frente fria marcadamente precipitante pode causar um nevoeiro provisório ao longo da frente. No verão, especialmente em latitudes baixas, o resfriamento da supefície por evaporação de água de chuva pode ser tanto o resfriamento necessário quanto o suprimento de umidade necessário para a formação do nevoeiro. Basicamente este tipo de nevoeiro se dá por abaixamento da base da nuvem durante a passagem da frente em condições extremamente úmidas.

Fonte: www.master.iag.usp.br

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