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Geografia Econômica

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Geografia Econômica – Definição

A geografia econômica floresceu muito além de seu foco original na localização da produção para abarcar as muitas outras forças humanas – sociais, culturais, políticas e institucionais – que afetam e são afetadas pela atividade econômica. A mudança constante garante que novas ideias e novos conhecimentos empíricos sejam sempre característicos do campo, e isso atrai novos pesquisadores e suas novas ideias e novas abordagens.

A geografia econômica é ao mesmo tempo a forma como se organizam geograficamente as atividades econômicas das empresas e das pessoas e um campo académico que procura compreender e explicar a localização e organização geográfica da atividade econômica.

Um grupo de geógrafos em meio de carreira (ou seja, não sênior) propôs recentemente uma agenda de pesquisa para geografia econômica, centrada em cinco temas de pesquisa sobre os quais muito pouco se sabe: redes, empresas e mercados; geografia econômica da mudança ambiental global; a geografia das finanças; propriedade digital incluindo desafios, processos, regulamentação; e uma geografia econômica mais ‘global’. Esses e outros tópicos emergentes estarão entre as geografias econômicas futuras a serem escritas.

MERCOSUL
Geografia Econômica: vantagens e limites fundados no processo de integração
*
Alex Saludjian

A partir da aplicação do enfoque da geografia econômica ao processo de integração econômica do Mercosul, o autor discute neste artigo as vantagens e os limites dessa abordagem e assinala a ausência de certas variáveis fundamentais e merecedoras de consideração no estudo das economias da região. Para Alexis Saludjian, os aspectos monetários e financeiros são de primordial importância no regime voltado para o domínio de acumulação financeira que prevalece na maioria dos países latino-americanos.

A integração econômica no processo de globalização, que recentemente se tornou objeto de maior interesse, foi uma das vias traçadas para a busca de crescimento forte e sustentável. A integração e a conformação de blocos (União Europeia, Nafta, Mercosul, Asean, União Africana etc.) desenvolvem-se em todo o mundo e a geografia econômica foi mobilizada para fins de análise e renovação do estudo do crescimento e desenvolvimento econômico numa economia mundial que ressalta a importância da integração econômica regional. Ela faz parte da discussão a respeito de ser o regionalismo um obstáculo ou um passo à frente para uma globalização mais ampla e profunda.

A nova teoria de comércio internacional salienta os efeitos dinâmicos que podem afetar a criação de um comércio de natureza diferente, no qual a integração econômica (novo regionalismo) desempenha um papel protagônico sob a forma de maiores retornos, externalidades, vinculação e efeitos de aglomeração. De fato, conforme P. Krugman assinalou, há um contraste marcante entre a criação dessas zonas e a inaptidão ou relativa incapacidade de liberalização do comércio no nível global. Afigura-se mais provável que a negociação regional leve a outro resultado que não o livre comércio total utópico.

Os estudos referidos foram usados recentemente numa análise do processo de integração latino-americana. Vou apresentar um modelo analítico e formal fundado nas teorias de P. Krugman e W. Ethier e mostrar que o tipo de integração do Mercosul juntamente com a redução da tarifa NMF pode levar a uma situação de maior equilíbrio para os países membros desse acordo, bem como para toda a economia mundial. De fato, os autores citados destacam que “se sobrevier uma redução adicional da tarifa NMF com a formação de um bloco econômico (ou se o livre comércio mundial for estabelecido), o comércio mundial como um todo se expandirá. Em outras palavras, os consumidores poderão, em cada país, desfrutar de maior número de mercadorias estrangeiras” (Estevadeordal e outros, 2000).
Na segunda seção serão assinalados vários limites e críticas. De fato, foram negligenciadas na análise as características fundamentais do regime de acumulação latino-americano desde o final do período de industrialização via estratégia de desenvolvimento pela substituição de importações, em fins da década de 1970. O descaso por essas características (como o parâmetro de taxa real de câmbio ou a dimensão monetária) é uma consequência do enfoque contemporâneo da nova teoria da geografia econômica e, em termos mais amplos, da nova teoria de comércio internacional baseada na concorrência imperfeita e no modelo de Dixit-Stiglitz. Finalmente, assinalo que as conclusões da mencionada análise poderão não ser relevantes para o estudo do processo de integração do Mercosul.

A geografia econômica aplicada ao processo de integração do Mercosul

Em primeiro lugar, o novo modelo e enfoque da geografia econômica constituiu, no plano analítico, um grande passo à frente no sentido de uma representação melhor – de maneira formal – da estrutura de mercado e de uma explicação do motivo pelo qual as manufaturas se concentram em algumas poucas regiões, enquanto outras permanecem relativamente subdesenvolvidas. A estrutura conceitual desse enfoque é muito mais interessante do que a teoria tradicional de comércio internacional fundada na concorrência perfeita e concentrada no estudo das características e da estrutura da negociação internacional entre diferentes países que trocam bens distintos (comércio intersetorial entre países). Por outro lado, a nova geografia econômica concentra-se no comércio intra-setorial e estuda a aglomeração possível e os efeitos multiplicadores de países semelhantes e vizinhos cujos níveis de PIB são parecidos.

A parte mais importante da aplicação de modelos gravitacionais trata de regiões-países desenvolvidos ou altamente desenvolvidos. De fato, a aplicação desses modelos concentra-se em estados dos Estados Unidos e no processo de integração econômica da União Européia. As aplicações desse novo conceito de regionalismo ao Mercosul não são numerosas. Ver, por exemplo, G. Piani e H. Kume (2000), M.I. Terra e A.
Gigliotti (1995), ou F. Darrigues e J.M. Montaud (2001).

Aplicação ao Mercosul

O processo de integração econômica do Mercosul – iniciado em 1986 com os acordos de integração econômica firmados entre a Argentina e o Brasil – estendeu-se rapidamente ao Uruguai e Paraguai. Em 1991, o Tratado de Assunção, que é o instrumento de fundação do Mercosul, fixa o dia 1° de janeiro de 1995 como a data da criação oficial dessa união aduaneira incompleta. Durante a década de 1990, um período convencionalmente descrito como o do milagre latino-americano durante o qual predominaram altos níveis de crescimento e de fluxos de capital – superiores aos da Ásia nos últimos anos da década de 1990 – a estrutura de mercado mudou radicalmente (liberalização, abertura do comércio, privatização, retirada do Estado etc.). Além disso, o comércio dentro do Mercosul, que representava apenas 8 a 10% do comércio total no princípio da década de 1990, chegou a 25% em 1997 e 1998 .
O Mercosul foi, portanto, um exemplo singular de evolução positiva acelerada do comércio intra-regional. Os programas de liberalização antes e no curso do processo de integração tornaram os conceitos de novo
regionalismo e de regionalismo aberto muito oportunos neste caso.

Estevadeordal e outros (2000, p.23) foram claros ao expressar o seguinte: “Nossa análise será bastante direta, uma vez que tenhamos compreendido esta característica fundamental do Mercosul: a redução simultânea de tarifas externas e internas”. Contribui-se com isso para o debate a respeito de a criação do Mercosul ser um obstáculo ou um passo à frente para o livre comércio multilateral. Segundo os
argumentos apresentados por W. Ethier (1998), o novo regionalismo reflete o sucesso do sistema de comércio multilateral e não o seu fracasso. Valendo-se de um modelo de comércio de Krugman com
distorções tarifárias, esta análise mostra que o regionalismo pode desempenhar um papel decisivo na expansão e preservação da ordem de comércio liberal. Esta segunda onda de regionalismo sobreveio num ambiente econômico internacional muito diferente.
A estrutura analítica e a caracterização do “novo regionalismo” Em primeiro lugar, o artigo de W. Ethier (1998) mostra, por meio da análise de fatos estilizados, que o Mercosul é efetivamente um processo que tipifica o novo regionalismo:

– Um país central é maior do que os outros.
– Países pequenos introduziram reformas unilaterais importantes.
– O grau de liberalização é modesto.
– Os acordos são unilaterais: há assimetria entre países pequenos e grandes.
– A integração é profunda (não só há redução das barreiras ao comércio, como, também, harmonização e ajustamento de outras políticas econômicas).
– O aspecto regional: os membros da região são vizinhos (esta não é realmente uma característica nova quando comparada com o velho regionalismo).

O autor acrescenta estas três hipóteses a respeito da regionalização e sua relação com a liberalização:

1) A liberalização promove a regionalização (com base nos resultados dos modelos de equação de gravitação).
2) Quanto menos numerosos forem os participantes na negociação de comércio, mais fácil será a consecução de acordo.
3) Quanto menos numerosos forem os participantes na negociação de comércio, tanto maior será o número de temas nos quais se poderá chegar a acordo.

O resultado é que “o sucesso da liberalização multilateral induz uma mudança para o regionalismo o qual mantém o ritmo da liberalização acima do que a negociação multilateral ofereceria” (Ethier, 1998, p.1154).

Em segundo lugar, usando um protótipo de geografia econômica de Krugman, a finalidade do modelo é “analisar os efeitos prováveis de bem-estar e padrão de comércio de um instrumento de comércio tipo Mercosul sobre membros e não membros vis-à-vis outras modalidades de formação de área de livre comércio” (Estevadeordal e outros, 2000).

Os autores destacam quatro fatores essenciais que afetam os fluxos de comércio:

1) A forte redução das barreiras ao comércio entre os países membros do Mercosul e o resto do mundo.
2) A liberalização ocorreu anteriormente a 1991 – Tratado de Assunção.
3) A assimetria dentro do Mercosul. Dois países – Argentina e Brasil – determinam a maioria das mudanças em matéria de exportação e importação no Mercosul. O Paraguai e o Uruguai continuam contribuindo com parcela muito pequena do volume total negociado neste bloco de comércio.
4) Um último dado, porém não menos importante:3 as taxas reais de câmbio afetam o comércio dentro e fora do Mercosul.

Aplicação do modelo ao Mercosul: Método e Hipóteses

Três regimes de comércio serão, pois, examinados mediante uma análise comparativa estática:
Países 1 e 2
São os que nos regimes B e C ingressarão em um bloco de comércio comum (países “centrais”).
País 3
Está fora do bloco ou integra o resto do mundo (país “periférico”).
A fim de manter a análise formal manejável, duas hipóteses de simplificação são acrescentadas:
Os três países são idênticos (hipótese simétrica).
O nível tarifário é idêntico, tipo “tudo ou nada”: as tarifas são t ou 0. Não há, portanto, um processo de
redução gradual das tarifas de comércio. A mudança entre o regime A e os regimes B e C é instantânea.

Funcionamento

O regime A será a base da comparação concreta dos valores da variável endógena do modelo no regime A com os regimes B e C. Assim, o impacto do Mercosul e das reduções da tarifa NMF sobre os países membros (“centrais”) e o país externo (“periferia”) será analisado. A análise comparativa estática proporcionará, desse modo, alguns resultados a respeito dos efeitos dos acordos tipo Mercosul.

Regime A (pré-integração)
Situação original em que não existem blocos de comércio no mundo. A tarifa t é aplicada a todo o comércio entre os países 1, 2 e 3.

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Regime B (ALC tradicional)
Os países 1 e 2 estão integrados numa área de livre comércio (sem tarifas aduaneiras); o país 3 não integra o bloco de comércio e o comércio entre o país 3 e os países 1 e 2 está sujeito à cobrança de tarifas (o caso do antigo regionalismo ou do acordo de livre comércio voltado para dentro que vigorou durante o processo de industrialização via substituição de importações).

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Sugestões sobre as consequências da ALC tradicional:

Resultado n° 1 – Quando o país 1 e o país 2 formam uma área de livre comércio (ALC), o volume de comércio entre eles aumenta enquanto o volume de comércio entre os países membros da ALC e o país de fora (país 3) diminui (um caso típico de desvio de comércio).
Resultado n° 2 – Quando o país 1 e o país 2 formam uma área de livre comércio (ALC), os termos de comércio dos países membros em relação ao resto do mundo melhoram.
Resultado n° 3 – Quando o país 1 e o país 2 formam uma área de livre comércio (ALC), cresce o bem-estar econômico dos países membros enquanto o do país de fora diminui (“empobrecido pelo vizinho”).

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Regime C (ALC tipo Mercosul com redução da tarifa NMF)

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Resultados de uma ALC tipo Mercosul (regionalismo aberto ou novo regionalismo):
Resultado n° 4 – Quando o país 1 e o país 2 reduzem suas tarifas NMF a zero com a formação de um bloco econômico, e o país 3 faz o mesmo, o comércio mundial como um todo se expande.
Resultado n° 5 – Quando o país 1 e o país 2 reduzem suas tarifas NMF a zero com a formação de um bloco econômico, e o país 3 faz o mesmo, cresce o bem-estar econômico de cada país.
Todos os países U (Regime C) > Todos os países U (Regime A)

Principais conclusões deste modelo

O modelo ressalta os inconvenientes das áreas de livre comércio voltadas para dentro: o Regime B mostra, no caso do velho regionalismo, que o bem-estar econômico dos países membros cresce, enquanto o do país de fora diminui concretamente (resultados n° 1, 2 e 3). Em contraposição, a integração aberta ou o novo regionalismo contribui para a expansão e preservação de um regime de livre comércio liberal. No Regime C (novo regionalismo), o bem-estar de um país pode ser alcançado sem causar dano a terceiros. Esta análise sugere, portanto, que o tipo de regionalismo aberto da integração regional do Mercosul (com tarifas NMF decrescentes) deverá contribuir não só para o crescimento do bem-estar econômico de seus países membros, como, também, para o bem-estar de todos os demais países (resultados n° 4 e 5).

Uma última consideração, de não menos importância, é a de que esta análise se dedica igualmente a estudar os resultados e vantagens possíveis do lançamento da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA). De fato, conforme os autores do modelo analisado sugerem, a ALCA representaria a maior experiência de integração baseada no enfoque do novo regionalismo. Os resultados apresentados para o caso do Mercosul poderiam, pois, constituir a base de uma análise das vantagens do novo regionalismo das Américas “do Canadá à Terra do Fogo”

Fonte: www.ie.ufrj.br/wiseggek.com

 

 

 

 

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