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Geografia Econômica

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A geografia econômica ocupa-se essencialmente dos motivos pelos quais as várias atividades económicas do homem ocorrem nos lugares em que se produzem. A geografia econômica encontra-se nos limites da geografia, da economia e da história económica. A sua compreensão é mais geográfica do que econômica porque se centraliza mais na localização do que na conduta econômica do homem e na teoria econômica.

Os primeiros trabalhos sobre geografia econômica baseavam-se quase exclusivamente na norma espacial de produção, expressa em termos de rendimento “físico” (peso ou volume) dos produtos mais destacados no comércio internacional. Era a denominada “geografia comercial”.

Nos anos mais recentes, especialmente a partir de 1955, a teoria que constitui o centro da geografia económica é a da situação industrial, que abrange o estudo da localização de todos os tipos de empresas econômicas. Este ramo da geografia é útil para uma planificação e administração econômica mais eficiente.

Fonte: www.infopedia.pt

Geografia Econômica

MERCOSUL
Geografia Econômica: vantagens e limites fundados no processo de integração
*
Alex Saludjian

A partir da aplicação do enfoque da geografia econômica ao processo de integração econômica do Mercosul, o autor discute neste artigo as vantagens e os limites dessa abordagem e assinala a ausência de certas variáveis fundamentais e merecedoras de consideração no estudo das economias da região. Para Alexis Saludjian, os aspectos monetários e financeiros são de primordial importância no regime voltado para o domínio de acumulação financeira que prevalece na maioria dos países latino-americanos.

A integração econômica no processo de globalização, que recentemente se tornou objeto de maior interesse, foi uma das vias traçadas para a busca de crescimento forte e sustentável. A integração e a conformação de blocos (União Européia, Nafta, Mercosul, Asean, União Africana etc.) desenvolvem-se em todo o mundo e a geografia econômica foi mobilizada para fins de análise e renovação do estudo do crescimento e desenvolvimento econômico numa economia mundial que ressalta a importância da integração econômica regional. Ela faz parte da discussão a respeito de ser o regionalismo um obstáculo ou um passo à frente para uma globalização mais ampla e profunda.

A nova teoria de comércio internacional salienta os efeitos dinâmicos que podem afetar a criação de um comércio de natureza diferente, no qual a integração econômica (novo regionalismo) desempenha um papel protagônico sob a forma de maiores retornos, externalidades, vinculação e efeitos de aglomeração. De fato, conforme P. Krugman assinalou, há um contraste marcante entre a criação dessas zonas e a inaptidão ou relativa incapacidade de liberalização do comércio no nível global. Afigura-se mais provável que a negociação regional leve a outro resultado que não o livre comércio total utópico.

Os estudos referidos foram usados recentemente numa análise do processo de integração latino-americana. Vou apresentar um modelo analítico e formal fundado nas teorias de P. Krugman e W. Ethier e mostrar que o tipo de integração do Mercosul juntamente com a redução da tarifa NMF pode levar a uma situação de maior equilíbrio para os países membros desse acordo, bem como para toda a economia mundial. De fato, os autores citados destacam que “se sobrevier uma redução adicional da tarifa NMF com a formação de um bloco econômico (ou se o livre comércio mundial for estabelecido), o comércio mundial como um todo se expandirá. Em outras palavras, os consumidores poderão, em cada país, desfrutar de maior número de mercadorias estrangeiras” (Estevadeordal e outros, 2000).
Na segunda seção serão assinalados vários limites e críticas. De fato, foram negligenciadas na análise as características fundamentais do regime de acumulação latino-americano desde o final do período de industrialização via estratégia de desenvolvimento pela substituição de importações, em fins da década de 1970. O descaso por essas características (como o parâmetro de taxa real de câmbio ou a dimensão monetária) é uma consequência do enfoque contemporâneo da nova teoria da geografia econômica e, em termos mais amplos, da nova teoria de comércio internacional baseada na concorrência imperfeita e no modelo de Dixit-Stiglitz. Finalmente, assinalo que as conclusões da mencionada análise poderão não ser relevantes para o estudo do processo de integração do Mercosul.

A geografia econômica aplicada ao processo de integração do Mercosul

Em primeiro lugar, o novo modelo e enfoque da geografia econômica constituiu, no plano analítico, um grande passo à frente no sentido de uma representação melhor – de maneira formal – da estrutura de mercado e de uma explicação do motivo pelo qual as manufaturas se concentram em algumas poucas regiões, enquanto outras permanecem relativamente subdesenvolvidas. A estrutura conceitual desse enfoque é muito mais interessante do que a teoria tradicional de comércio internacional fundada na concorrência perfeita e concentrada no estudo das características e da estrutura da negociação internacional entre diferentes países que trocam bens distintos (comércio intersetorial entre países). Por outro lado, a nova geografia econômica concentra-se no comércio intra-setorial e estuda a aglomeração possível e os efeitos multiplicadores de países semelhantes e vizinhos cujos níveis de PIB são parecidos.

A parte mais importante da aplicação de modelos gravitacionais trata de regiões-países desenvolvidos ou altamente desenvolvidos. De fato, a aplicação desses modelos concentra-se em estados dos Estados Unidos e no processo de integração econômica da União Européia. As aplicações desse novo conceito de regionalismo ao Mercosul não são numerosas. Ver, por exemplo, G. Piani e H. Kume (2000), M.I. Terra e A.
Gigliotti (1995), ou F. Darrigues e J.M. Montaud (2001).

Aplicação ao Mercosul

O processo de integração econômica do Mercosul – iniciado em 1986 com os acordos de integração econômica firmados entre a Argentina e o Brasil – estendeu-se rapidamente ao Uruguai e Paraguai. Em 1991, o Tratado de Assunção, que é o instrumento de fundação do Mercosul, fixa o dia 1° de janeiro de 1995 como a data da criação oficial dessa união aduaneira incompleta. Durante a década de 1990, um período convencionalmente descrito como o do milagre latino-americano durante o qual predominaram altos níveis de crescimento e de fluxos de capital – superiores aos da Ásia nos últimos anos da década de 1990 – a estrutura de mercado mudou radicalmente (liberalização, abertura do comércio, privatização, retirada do Estado etc.). Além disso, o comércio dentro do Mercosul, que representava apenas 8 a 10% do comércio total no princípio da década de 1990, chegou a 25% em 1997 e 1998 .
O Mercosul foi, portanto, um exemplo singular de evolução positiva acelerada do comércio intra-regional. Os programas de liberalização antes e no curso do processo de integração tornaram os conceitos de novo
regionalismo e de regionalismo aberto muito oportunos neste caso.

Estevadeordal e outros (2000, p.23) foram claros ao expressar o seguinte: “Nossa análise será bastante direta, uma vez que tenhamos compreendido esta característica fundamental do Mercosul: a redução simultânea de tarifas externas e internas”. Contribui-se com isso para o debate a respeito de a criação do Mercosul ser um obstáculo ou um passo à frente para o livre comércio multilateral. Segundo os
argumentos apresentados por W. Ethier (1998), o novo regionalismo reflete o sucesso do sistema de comércio multilateral e não o seu fracasso. Valendo-se de um modelo de comércio de Krugman com
distorções tarifárias, esta análise mostra que o regionalismo pode desempenhar um papel decisivo na expansão e preservação da ordem de comércio liberal. Esta segunda onda de regionalismo sobreveio num ambiente econômico internacional muito diferente.
A estrutura analítica e a caracterização do “novo regionalismo” Em primeiro lugar, o artigo de W. Ethier (1998) mostra, por meio da análise de fatos estilizados, que o Mercosul é efetivamente um processo que tipifica o novo regionalismo:

– Um país central é maior do que os outros.
– Países pequenos introduziram reformas unilaterais importantes.
– O grau de liberalização é modesto.
– Os acordos são unilaterais: há assimetria entre países pequenos e grandes.
– A integração é profunda (não só há redução das barreiras ao comércio, como, também, harmonização e ajustamento de outras políticas econômicas).
– O aspecto regional: os membros da região são vizinhos (esta não é realmente uma característica nova quando comparada com o velho regionalismo).

O autor acrescenta estas três hipóteses a respeito da regionalização e sua relação com a liberalização:

1) A liberalização promove a regionalização (com base nos resultados dos modelos de equação de gravitação).
2) Quanto menos numerosos forem os participantes na negociação de comércio, mais fácil será a consecução de acordo.
3) Quanto menos numerosos forem os participantes na negociação de comércio, tanto maior será o número de temas nos quais se poderá chegar a acordo.

O resultado é que “o sucesso da liberalização multilateral induz uma mudança para o regionalismo o qual mantém o ritmo da liberalização acima do que a negociação multilateral ofereceria” (Ethier, 1998, p.1154).

Em segundo lugar, usando um protótipo de geografia econômica de Krugman, a finalidade do modelo é “analisar os efeitos prováveis de bem-estar e padrão de comércio de um instrumento de comércio tipo Mercosul sobre membros e não membros vis-à-vis outras modalidades de formação de área de livre comércio” (Estevadeordal e outros, 2000).

Os autores destacam quatro fatores essenciais que afetam os fluxos de comércio:

1) A forte redução das barreiras ao comércio entre os países membros do Mercosul e o resto do mundo.
2) A liberalização ocorreu anteriormente a 1991 – Tratado de Assunção.
3) A assimetria dentro do Mercosul. Dois países – Argentina e Brasil – determinam a maioria das mudanças em matéria de exportação e importação no Mercosul. O Paraguai e o Uruguai continuam contribuindo com parcela muito pequena do volume total negociado neste bloco de comércio.
4) Um último dado, porém não menos importante:3 as taxas reais de câmbio afetam o comércio dentro e fora do Mercosul.

Aplicação do modelo ao Mercosul: Método e Hipóteses

Três regimes de comércio serão, pois, examinados mediante uma análise comparativa estática:
Países 1 e 2
São os que nos regimes B e C ingressarão em um bloco de comércio comum (países “centrais”).
País 3
Está fora do bloco ou integra o resto do mundo (país “periférico”).
A fim de manter a análise formal manejável, duas hipóteses de simplificação são acrescentadas:
Os três países são idênticos (hipótese simétrica).
O nível tarifário é idêntico, tipo “tudo ou nada”: as tarifas são t ou 0. Não há, portanto, um processo de
redução gradual das tarifas de comércio. A mudança entre o regime A e os regimes B e C é instantânea.

Funcionamento

O regime A será a base da comparação concreta dos valores da variável endógena do modelo no regime A com os regimes B e C. Assim, o impacto do Mercosul e das reduções da tarifa NMF sobre os países membros (“centrais”) e o país externo (“periferia”) será analisado. A análise comparativa estática proporcionará, desse modo, alguns resultados a respeito dos efeitos dos acordos tipo Mercosul.

Regime A (pré-integração)
Situação original em que não existem blocos de comércio no mundo. A tarifa t é aplicada a todo o comércio entre os países 1, 2 e 3.

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Regime B (ALC tradicional)
Os países 1 e 2 estão integrados numa área de livre comércio (sem tarifas aduaneiras); o país 3 não integra o bloco de comércio e o comércio entre o país 3 e os países 1 e 2 está sujeito à cobrança de tarifas (o caso do antigo regionalismo ou do acordo de livre comércio voltado para dentro que vigorou durante o processo de industrialização via substituição de importações).

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Sugestões sobre as consequências da ALC tradicional:

Resultado n° 1 – Quando o país 1 e o país 2 formam uma área de livre comércio (ALC), o volume de comércio entre eles aumenta enquanto o volume de comércio entre os países membros da ALC e o país de fora (país 3) diminui (um caso típico de desvio de comércio).
Resultado n° 2 – Quando o país 1 e o país 2 formam uma área de livre comércio (ALC), os termos de comércio dos países membros em relação ao resto do mundo melhoram.
Resultado n° 3 – Quando o país 1 e o país 2 formam uma área de livre comércio (ALC), cresce o bem-estar econômico dos países membros enquanto o do país de fora diminui (“empobrecido pelo vizinho”).

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Regime C (ALC tipo Mercosul com redução da tarifa NMF)

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Resultados de uma ALC tipo Mercosul (regionalismo aberto ou novo regionalismo):
Resultado n° 4 – Quando o país 1 e o país 2 reduzem suas tarifas NMF a zero com a formação de um bloco econômico, e o país 3 faz o mesmo, o comércio mundial como um todo se expande.
Resultado n° 5 – Quando o país 1 e o país 2 reduzem suas tarifas NMF a zero com a formação de um bloco econômico, e o país 3 faz o mesmo, cresce o bem-estar econômico de cada país.
Todos os países U (Regime C) > Todos os países U (Regime A)

Principais conclusões deste modelo

O modelo ressalta os inconvenientes das áreas de livre comércio voltadas para dentro: o Regime B mostra, no caso do velho regionalismo, que o bem-estar econômico dos países membros cresce, enquanto o do país de fora diminui concretamente (resultados n° 1, 2 e 3). Em contraposição, a integração aberta ou o novo regionalismo contribui para a expansão e preservação de um regime de livre comércio liberal. No Regime C (novo regionalismo), o bem-estar de um país pode ser alcançado sem causar dano a terceiros. Esta análise sugere, portanto, que o tipo de regionalismo aberto da integração regional do Mercosul (com tarifas NMF decrescentes) deverá contribuir não só para o crescimento do bem-estar econômico de seus países membros, como, também, para o bem-estar de todos os demais países (resultados n° 4 e 5).

Uma última consideração, de não menos importância, é a de que esta análise se dedica igualmente a estudar os resultados e vantagens possíveis do lançamento da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA). De fato, conforme os autores do modelo analisado sugerem, a ALCA representaria a maior experiência de integração baseada no enfoque do novo regionalismo. Os resultados apresentados para o caso do Mercosul poderiam, pois, constituir a base de uma análise das vantagens do novo regionalismo das Américas “do Canadá à Terra do Fogo”

Fonte: www.ie.ufrj.br

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INTRODUÇÃO À GEOGRAFIA ECONÔMICA

ALGUNS CONCEITOS E DEFINIÇÕES EM ECONOMIA

Economia e seus fatores

Pode-se definir economia como a ciência que estuda a atividade produtiva, focalizando os problemas referentes ao uso mais eficiente de recursos materiais escassos para a produção de bens; estuda as variações e combinações na alocação dos fatores de produção, na distribuição de renda, na oferta e procura e nos preços das mercadorias.

Grosso modo, essa ciência pode ter por objeto a unidade de produção, ou seja, a empresa, a unidade de consumo, a família, ou então a atividade econômica de toda a sociedade. No primeiro caso, os estudos pertencem à microeconomia e, no segundo, à macroeconomia.

A atividade produtiva de um indivíduo, empresa ou nação gera produtos que podem ser bens materiais ou serviços. Nessa atividade produtiva, terra, capital, trabalho e outros fatores de produção são combinados para a produção desses produtos.

Enquanto fator de produção, a terra engloba os recursos naturais encontrados no subsolo (carvão, petróleo e minérios em geral), a água armazenada em sua superfície e a parte arável do solo e proporciona uma renda ao seu proprietário ou arrendatário. Por outro lado, a forma e propriedade da terra determinam também os modos de sua utilização e os limites do emprego dos demais fatores e produção.

As formas de propriedade e de uso da terra têm fundamentos históricos e sociais, variando, no entanto, de país para país e, mesmo no interior de dado país, de região para região. A grande propriedade rural, por exemplo, é uma forma de propriedade agrícola característica dos países de tradição colonial, nos quais as lavouras de exportação necessitavam ao mesmo tempo de extensas glebas de terra e abundante mão-de-obra.

Já o capital é a riqueza e que gera renda. É representado em dinheiro e pode ser definido como todos os meios de produção que foram criados pelo trabalho e que são utilizados para a produção de outros bens e serviços.

Capital correspondia, na Idade Média, a quantia de dinheiro com que se iniciava qualquer atividade comercial; após os grandes descobrimentos, representava o acervo das companhias comerciais ou as parcelas de dinheiro com que os associados contribuíam para a formação de uma companhia. Capital, portanto, era dinheiro investido, nada tendo a ver com os bens nos quais o dinheiro fora aplicado.

Na atualidade, o capital é, para alguns economistas, a riqueza formada pelo excedente da produção sobre o consumo e, para outros, a riqueza obtida pelos empresários na exploração do trabalho de seus empregados.

O trabalho é, por sua vez, toda atividade humana voltada para a transformação da natureza, com o objetivo de satisfazer uma necessidade. O trabalho é uma ação específica do homem e está associado ao desenvolvimento dos instrumentos de trabalho à divisão da atividade produtiva entre os diversos membros de uma sociedade. Assim, o trabalho assumiu formas diferenciadas nos diversos modos de produção que surgiram ao longo da história da humanidade.

Quando o trabalho é destinado à produção de riqueza, na forma de capital, constitui-se em trabalho produtivo e os bens e serviços por ele produzidos tornam-se bens econômicos, pois o trabalho produtivo é capaz de incorporar valor a esses produtos.

Valor é o que confere aos bens materiais sua qualidade de bens econômicos. Por um lado, isso se dá pela possibilidade que a posse de determinado bem permitir comprar outras mercadorias, mediante algum tipo de troca. Por outro, essa troca está relacionada com a utilidade que esse bem possui para a coletividade. Têm-se que o conceito de valor assume dois aspectos distintos, mas inter-relacionados: valor de uso – que corresponde às características físicas dos bens que os capacitam a ser usados pelo homem; e valor de troca – ou seja, a proporção em que os bens são trocados uns pelos outros, por intermédio de dinheiro, ou não.

Economia natural e economia de subsistência

Por economia natural se entende a forma de organização econômica em que os bens produzidos se destinam à satisfação das necessidades dos próprios produtores, raramente havendo um excedente. Representa, portanto, uma economia de autosuficiência.

A economia natural foi característica dos sistemas econômicos pré-capitalistas, como as comunidades tribais, o escravismo patriarcal e o feudalismo. Só nos casos de comunidades completamente isoladas, contudo, é que a economia natural chega a ser caracterizada. Na sociedade capitalista contemporânea, a economia natural subsiste apenas como forma residual.

Ao contrário de uma economia natural, uma economia de subsistência tem algum caráter mercantil, e caracteriza-se pela produção agrícola de bens de consumo imediato e para o mercado local.

Praticada desde a Antiguidade. No Brasil colonial, era praticada nos engenhos e fazendas (milho, feijão, arroz) ou nos núcleos de imigração colonizadora européia, baseada na pequena propriedade (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná).

Economia mercantil

Uma economia mercantil é um sistema econômico voltado para a produção de mercadorias, ou seja, bens destinados às trocas. É o contrário da economia natural ou de subsistência. A economia de produção mercantil simples era característica das formações sociais pré-capitalistas, quando só uma parte da produção se destinava à troca, feita diretamente pelo produtor ou por um mercador.

A economia mercantil feudal desenvolveu-se a partir de produtores isolados, donos dos meios de produção, que produziam para um mercado bem limitado. Foi só com o surgimento do capitalismo que a produção mercantil tornou-se dominante e universal, envolvendo todos os bens e serviços, além da própria força de trabalho.

Economia centralizada (ou centralmente planificada)

Economia centralizada é a denominação dada, por exemplo, às antigas economias socialistas, por oposição à descentralização que caracteriza as economias capitalistas ou de mercado. Distingue-se pela propriedade estatal dos meios de produção e pela planificação centralizada da economia nacional.

O Estado, por meio de órgãos especializados, administra a produção em geral, determinando seus meios, objetivos e prazos de concretização; organiza os processos e métodos de emprego dos fatores de produção; controla de forma rígida os custos e preços dos produtos; controla ainda os mecanismos da distribuição e dimensiona o consumo.

Economia livre (ou de mercado)

Sistema econômico baseado na livre ação da empresa privada, na ausência de mecanismos restritivos à concorrência, ao investimento, ao comércio e ao consumo. Corresponde aos princípios do liberalismo econômico, segundo o qual a única função do Estado seria garantir a livre concorrência entre as empresas. Nas condições atuais do capitalismo, o sistema de economia livre é em grande parte limitado pela ação dos monopólios e pela intervenção estatal.

Economia política

Outro termo muito comum nos estudos econômicos é o de economia política. Representa o ramo da economia que estuda as relações sociais de produção, circulação e distribuição de bens materiais, definindo as leis que regem tais relações.

Problemas relacionados com o modo de produção e reprodução de uma sociedade – ou seja, questões de natureza da economia política – foram objeto de preocupação de pensadores da Antiguidade clássica (Aristóteles) e da Idade Média (Santo Tomás de Aquino).

Na era moderna surgiu o estudo empírico e sistemático dos fenômenos econômicos de um ponto de vista científico. Esse estudo assumiu a denominação de economia política, sendo o termo “política” sinônimo de “social”. Esses estudos começaram com a escola mercantilista, seguidos pelos fisiocratas do século XVIII (Quesnay, Turgot); com a escola clássica, a economia política definiu claramente seu contorno científico integral, calcado no conceito de equilíbrio geral entre os agentes econômicos.

Equilíbrio geral dos agentes seria, nesse caso, uma propriedade hipotética do mercado na qual a oferta é igual à procura. Expressaria também a estabilidade do sistema de forças que atuam na circulação e troca de mercadorias e títulos. Um sistema econômico seria considerado em equilíbrio quando todas as variáveis permanecem imutáveis em determinado período. Se as condições de oferta e demanda permanecessem inalteradas, os preços tenderiam a permanecer estáveis.

A escola marxista elabora, durante o século XIX e refutando a tese de equilíbrio geral, o conceito de mais-valia, fonte do lucro, do juro e da renda da terra. A partir de 1870, a abordagem abstrata de conteúdo histórico e social foi paulatinamente substituída pelo enfoque quantitativo dos fatores econômicos, também chamado de neoclássico, por não romper com a idéia de equilíbrio automático entre os agentes econômicos.

Para os neoclássicos, o equilíbrio pode ser estável ou instável, parcial ou geral. Será estável se houver uma tendência para que o equilíbrio original se restaure, mesmo que haja ligeiras perturbações no preço ou na quantidade produzida.

Outro aspecto relevante da teoria neoclássica é a ênfase dada à facilidade de substituição entre trabalho e capital na atividade produtiva, de tal forma a assegurar um crescimento contínuo e estável, evitando-se, assim, instabilidades econômicas.

Com uma visão revolucionária do problema do desemprego, dos juros e da crise econômica, a teoria keynesiana, na primeira metade do século X, refuta a tese do equilíbrio automático da economia capitalista. A ênfase é a natureza dinâmica da economia de mercado (que utiliza o dinheiro como intermediário de trocas), que está sujeita a grande dose de incerteza.

A dinâmica dos mercados, que envolve uma noção de tempo cronológico, nem sempre se encontra em equilíbrio e o comportamento dos agentes econômicos nem sempre responde adequadamente aos estímulos proporcionados, de forma a alcançar qualquer ponto de otimização, segundo a teoria.

A divisão do excedente entre o capital e o trabalho e as contradições que cercam essas relações criariam incertezas. O que impediria que uma economia crescesse num ritmo estável. Assim, é dada menor ênfase na dinâmica de curto prazo dos mercados e concentraram suas atenções nas condições que permitiriam uma taxa de crescimento estável a médio e longo prazo.

Após a Segunda Guerra Mundial, surge, por um lado, o pensamento pós-keynesiano, com sua ênfase nos instrumentos de intervenção do Estado e voltado para o planejamento e o controle do ciclo econômico; por outro, ganha peso a corrente liberal neoclássica, também chamada de monetária ou neoliberal, que defende uma intervenção mínima do estado nos rumos da economia.

Território econômico

Território econômico é um conceito que não corresponde, necessariamente, às bases físicas delimitadas pelas fronteiras geopolíticas de um país. É mais abrangente e engloba em seu território: 1) o território terrestre aduaneiro, incorporando as “zonas francas”; 2) o espaço aéreo e as águas territoriais do país; 3) as jazidas e as explorações sobre as quais o país possui direitos exclusivos, situadas em águas internacionais; as jazidas e as explorações que estão nas plataformas ligadas ao território de outro país, desde que sejam exclusivamente exploradas, sob concessão, por residentes; 4) os “enclaves territoriais”, ou seja, as partes de território que se encontram além das fronteiras do país, utilizadas por ele em decorrência de acordos internacionais ou de acordo entre Estados; 5) os equipamentos móveis (barcos de pesca, navios, plataformas flutuantes), parte do território econômico na qual residem seus proprietários.

O conceito de território econômico é basicamente utilizado para a conceituação e cálculo do produto interno bruto e produto interno líquido.

Produto interno bruto

Refere-se ao valor agregado de todos os bens e serviços finais produzidos dentro do território econômico de um país, independentemente da nacionalidade dos proprietários das unidades produtoras desses bens e serviços. Exclui as transações intermediárias, é medido a preços de mercado e pode ser calculado sob três aspectos.

Pela ótica da produção, o PIB corresponde à soma dos valores agregados líquidos dos setores primário, secundário e terciário da economia, mais os impostos indiretos, mais a depreciação do capital, menos os subsídios governamentais.

Pela ótica da renda, é calculado a partir das remunerações pagas dentro do território econômico de um país, sob a forma de salários, juros, aluguéis e lucros distribuídos; somam-se a isso os lucros não distribuídos, os impostos indiretos e a depreciação do capital e, finalmente, subtraem-se os subsídios.

Pela ótica do dispêndio, resulta da soma dos dispêndios em consumo das unidades familiares e do governo, mais as variações de estoques, menos as importações de mercadorias e serviços e mais as exportações. Sob essa ótica, o PIB é também denominado Despesa Interna Bruta.

Produto interno líquido

Refere-se ao valor agregado de todos os bens e serviços finais, produzidos dentro do território econômico de um país, deduzida a depreciação do capital. São sempre as depreciações que explicam as diferenças conceituais entre os valores agregados brutos e os líquidos. Os valores brutos incluem a depreciação do capital; os valores líquidos a excluem.

Poder econômico

Por poder econômico se entende as formas de dominação e influência socialmente exercidas por indivíduos ou grupos possuidores de grandes recursos econômicos. Esse poder é praticado tanto no plano dos mecanismos de mercado (eliminação de concorrentes, controle de fontes de matérias-primas, imposição de preços e produtos ao consumidor) como no plano político, por meio do direcionamento dos negócios do Estado, tendo em vista os interesses de pessoas ou empresas.

O termo aplica-se também a um país ou grupo de países que comumente exerçam um papel de supremacia na economia mundial. Nas condições do neo-capitalismo, o poder econômico está ligado à ação dos monopólios transnacionais ou ao papel do Estado como um dos principais donos dos meios de produção e de serviços por força de uma política de nacionalizações e intervencionismo.

1 Essa seção traz alguns conceitos introdutórios em geografia econômica, onde se busca oferecer, de modo sucinto, uma primeira familiarização com as terminologias empregadas ao longo dos textos que compõem esse trabalho. Os conceitos aqui abordados tiveram como referência o Novíssimo Dicionário de Economia (Sandroni, 1999).

PEQUENA HISTÓRIA DA ECONOMIA

Introdução

A história do pensamento econômico analisa as teorias no campo da economia, elaboradas por diversos pensadores, desde os primórdios da civilização até os dias de hoje. Embora o filósofo britânico Adam Smith (1723-1790) seja considerado o “pai da economia”, com sua obra A riqueza das nações, suas idéias foram edificadas sobre um corpo considerável de trabalhos de seus predecessores.

A economia, entretanto, não foi considerada uma área especifica do conhecimento até o século XIX. Na antiguidade, Aristóteles, já especulava sobre a arte da aquisição de riqueza e sobre a natureza, privada ou pública, da propriedade. Durante a idade média, pensadores como Thomas de Aquino discutiam sobre a obrigação moral de se cobrar um justo preço no comércio de mercadorias.

Com o renascimento, surge a teoria mercantilista. No mercantilismo há a emergência de uma política de comércio preocupada em atender aos interesses nacionais. Tais políticas produzem grandes impactos na circulação de mercadorias e na acumulação de riqueza, abrindo espaço para o surgimento das primeiras indústrias modernas.

È nesse contexto de rápidas transformações sociais, de avanço tecnológico e de grande intercâmbio mundial, inimagináveis até então, é que surge a teoria econômica de Adam Smith. Nesse sentido, pode-se dizer que mudanças econômicas influenciam o desenvolvimento de novas teorias econômicas, bem como novas teorias econômicas influenciam mudanças de políticas econômicas.

A teoria de Smith inaugura a era da economia clássica que tem em Thomas Malthus, David Ricardo e John Stuart Mill alguns de seus expoentes. Os trabalhos desses pensadores discorreram sobre a natureza dos agentes econômicos, desde a renda da terra, à acumulação e distribuição de riqueza no sistema capitalista.

Em meados do século XIX, residindo em bairros miseráveis do maior centro econômico da época, Karl Marx elabora sua teoria econômica que, baseada no conceito de maisvalia, critica duramente o sistema capitalista. Para o autor, a acumulação de riqueza advém da exploração da classe trabalhadora por parte de seus empregadores, redundando em um regime desigual, injusto e alienado.

Em reação ao pensamento marxista e para atender aos interesses de uma nova ordem mundial, baseada no imperialismo econômico, surge uma nova teoria econômica, a teoria neoclássica. A escola neoclássica procurou erigir, no campo da economia, uma abordagem que fosse positiva, matemática e cientificamente sustentada.

Após as grandes guerras do século X, toma corpo a teoria Keynesiana. Essa teoria combate duramente o liberalismo neoclássico, e advoga a favor de políticas fiscais e intervencionista para estimular a demanda econômica, o crescimento e a prosperidade, em prol de um Estado permanente de bem estar social, ancorado na concepção do pleno emprego.

A partir da segunda metade do século X, o mundo torna-se cada vez mais polarizado entre diferentes blocos econômicos. De um lado os países socialistas, de outro, os países capitalistas desenvolvidos e de outro, ainda, uma gama considerável de países subdesenvolvidos, todos vivendo sob ameaça constante de uma guerra termo-nuclear global.

Nesse contexto é que começa a ganhar espaço as tese de Friedrich von Hayek – que faz duras críticas as políticas keynesianas – e as Milton Friedemam – sobre desregulamentação, diminuição do Estado e controle inflacionário como forma de superar as crises inflacionarias decorrente de políticas econômicas mal sucedidas. Com o agravamento do cenário econômico mundial, no início dos anos 70, as idéias Friedman encontraram um campo fértil para sua disseminação e foi levada a cabo por boa parte dos países que enfrentaram crises econômicas até o momento.

Na primeira década do século XXI, parece haver consenso entre os especialistas de que uma nova ordem econômica está se estabelecendo e, com isso, novos pensamentos estão surgindo no campo da economia. Um bom exemplo disso são os trabalhos no campo da Nova Economia e da Economia da Informação, entre outras.

Origens do pensamento econômico

A economia da idade antiga

A economia na antiguidade estava baseada principalmente na agricultura de subsistência. As trocas de bens faziam parte das relações sociais da época e era levada a cabo principalmente por mercadores que comercializavam bens e serviços em praças públicas, no interior das cidades-estados. Com o desenvolvimento da metalurgia, vieram as grandes civilizações e surgiram também a moeda e o proto-sistema bancário.

Mesmo nas sociedades primitivas, os homens precisavam organizar-se em sociedade, para defender-se dos inimigos, abrigar-se e produzir comida para sobreviver. A divisão do trabalho daí decorrente permitiu o desenvolvimento da espécie humana em comunidades cada vez maiores e mais bem estruturadas. Na maior parte dos casos, a produção era basicamente para a própria subsistência. Algumas pessoas produziam um pouco mais, permitindo as trocas, o que gerou especialização.

No lar, os homens produziam as ferramentas e utensílios rudimentares para a agricultura, caça, pesca e para trabalhos com madeira (enxadas, pás, machados, facas, arco, flechas e outras armas). Com o tempo, surgiram pessoas com habilidade que se especializaram na produção de cada um dos tipos de bens. Alguns trabalhadores mais habilidosos não só aprenderam uma profissão específica, como passaram a reunir aprendizes e ajudantes. A escala de produção ampliou-se; os produtos adquiriram maior qualidade e os custos de produção se reduziram em função do aumento das quantidades produzidas.

Aqueles que produziam armas ou ferramentas específicas tinham pouco tempo para se dedicar à caça, à pesca ou à agricultura: eles precisavam trocar os produtos que fabricavam por alimentos e peles para vestuário. Aos poucos, o trabalho de alguns homens passou a ser suficiente para atender às necessidades de um conjunto cada vez maior de pessoas. As trocas se intensificaram, portanto, entre artesãos, agricultores, caçadores e pescadores.

A economia adquiria maior complexidade à medida que as relações econômicas realizadas em determinadas localidades alcançavam comunidades cada vez mais distantes. As trocas colocavam em contato culturas diferentes, com repercussões locais sobre os hábitos de consumo e a estrutura produtiva.

Mais tarde, com o surgimento dos líderes comunitários, formaram-se as classes dos soldados, dos religiosos, dos trabalhadores e dos negociantes. Com a divisão do trabalho e as especializações, ficou bem nítida a formação dos diferentes agentes econômicos: governo, consumidores, produtores, comerciantes, banqueiros.

A moeda é a mais antiga representação do dinheiro, muitas vezes empregada como seu sinônimo. Os primeiros registros do uso de moedas datam do século VII a.c., quando já eram cunhadas na Lídia, reino da Ásia Menor, e também no Peloponeso, no Sul da Grécia.

Na verdade, sua história coincide com a descoberta do uso dos metais e o domínio das técnicas de mineração e fundição. Assim, as moedas de cobre, metal mole e pouco adequado ao manuseio, cederam lugar às duráveis moedas de bronze, feitas a partir de uma liga de cobre com estanho ou zinco. E a elevada valorização do ouro e da prata, por sua raridade e resistência ao desgaste ou à abrasão, atribuiu a esses metais nobres o caráter de base da organização monetária.

O sistema bancário tornou-se importante com o surgimento da moeda, que passou a circular como meio de troca. Na medida em que ela era depositada nos bancos, passou a ser emprestada mediante o pagamento de juros.

A origem dos bancos confunde-se com a própria moeda, sobretudo quando esta começou a ser negociada em cima de bancos de madeira (daí a expressão) nos mercados da Antiguidade. Estudos arqueológicos comprovam a existência de atividades bancárias na Babilônia e na Fenícia.

Tais atividades decorriam das dificuldades de transporte, que faziam com que muitos negociantes confiassem, aos “banqueiros”, a incumbência de efetuar pagamentos e cobranças em lugares distantes. Na Grécia, os primeiros centros bancários conhecidos (Delfos, Éfeso) estavam ligados aos templos religiosos, que funcionavam como lugares seguros para aqueles que quisessem guardar seus tesouros.

Havia algumas restrições ao desenvolvimento econômico na antiguidade, particularmente, a escravidão e a crença, filosoficamente fundamentada, de que o trabalho era algo pernicioso à evolução da alma. A escravidão surge com o processo de desagregação da primitiva comunidade tribal, quando eram feitos prisioneiros de guerra.

No Egito Antigo, na África Negra e nos impérios orientais, prevaleceu a escravidão doméstica, pois raramente o escravo era empregado em trabalhos produtivos. Foi na Grécia e em Roma que surgiram as primeiras economias escravistas: os escravos eram empregados em trabalhos domésticos, artesanato, mineração, agricultura e navegação.

No mundo grego, que exerceu grande influência no mundo antigo, existiam barreiras legais aos empréstimos a juros, ao comércio e ao emprego do trabalho assalariado. A busca de riqueza era considerada como um mal, tendo em vista que a ambição é um vício. Esse pensamento dificultava o desenvolvimento da economia.

Na Grécia antiga, como em Roma, a maior parte da população era composta por escravos, que realizavam todo o trabalho em troca do estritamente necessário para sobreviver em termos de alimentos e vestuário. Os senhores de escravos apropriavam-se de todo o produto excedente às necessidades de consumo dos trabalhadores. A economia era quase exclusivamente agrícola; o meio urbano não passava de uma fortificação com algumas casas, onde residiam os nobres, ou chefes militares.

Para os gregos, a Economia constituía apenas uma pequena parte da vida da cidade, onde se desenrolava a vida política e filosófica, constituindo segundo eles os verdadeiros valores do homem. Por essa razão, a obtenção de riqueza constituía um objetivo bastante secundário na vida dos cidadãos. Para eles, a questão primordial consistia na discussão acerca da repartição da riqueza entre os homens e não como ela se obtinha.

O grande objetivo do homem era, segundo a filosofia grega, alcançar a felicidade, que se encontrava no seio da família e no convívio no interior da cidade, através da interação entre os cidadãos. A busca da felicidade, no entanto, não devia se restringir ao prazer, porque seria voltar à condição de animal e de escravo. A honra era importante na medida em que mostrava ao homem os verdadeiros valores da vida.

Na cultura helênica, embora o comércio não fosse considerado como uma atividade natural, as trocas não eram condenáveis, pois permitiam a diversificação das necessidades humanas e levavam à especialização dos produtores. Entretanto, como o comércio era uma atividade que não possuía limites naturais e a moeda facilitava as trocas, criava-se uma classe de comerciantes ricos.

Além disso, essa possibilidade de riqueza fácil corrompia os indivíduos, que passavam a dar prioridade à busca da riqueza, em prejuízo da prática das virtudes. Pela lógica grega, tornava-se, portanto, condenável toda prática que levasse à acumulação de moeda, como a existência de trabalho remunerado e a cobrança de juros nos empréstimos.

No pensamento de Platão o comércio e o crescimento econômico associavam-se com o mal e com a infelicidade dos homens. Para ele, o trabalho era indigno porque retirava do cidadão o tempo que ele precisava para o lazer e a prática das atividades políticas e filosóficas.

Geografia Econômica

Este discípulo de Sócrates comenta que os cidadãos que exerciam altos cargos públicos não deviam trabalhar para não poluir a própria alma. Eles precisavam ignorar o dinheiro, desvencilhar-se da propriedade de bens e esposa, buscando o que necessitavam na comunidade. Sendo o trabalho necessário para a atividade produtiva, ele precisava ser realizado por escravos.

A classe inferior, que trabalhava, podia possuir bens e trocá-los, bem como acumular riquezas dentro de certos limites para não se tornarem maus trabalhadores. Ele condenava o empréstimo a juros, pois o ganho provém da moeda acumulada e, segundo ele, ela devia ser usada apenas para facilitar as trocas.

Aristóteles compartilhava da maioria das idéias de seu mestre Platão, mais rejeitou a comunidade de bens por considerá-la injusta por que não compensava o indivíduo segundo o seu trabalho. Como os indivíduos não são iguais, eles não deviam ter a mesma participação na posse dos bens.

O discípulo de Platão concluía que a comunidade acabava produzindo mais conflitos do que a desigualdade em si. O indivíduo devia preocupar-se, assim, mais com aquilo que lhe pertence e não com a partilha dos bens existentes, pois, a comunidade que desestimula a propriedade, produz mais pobreza. Por fim, considerava que o trabalho agrícola devia ser reservado aos escravos, ficando os cidadãos livres para exercer a atividade política no interior da cidade.

Com o advento dos grandes impérios, intensificaram-se os fluxos de mercadorias e houve um significativo desenvolvimento das trocas comerciais. Várias cidades-estados se floresceram e se estabeleceram como centros econômicos do mundo antigo, Atenas, Esparta, Tebas, Corinto e Roma foram algumas delas.

Embora as cidades estivessem no centro das relações sociais, a maioria dos habitantes vivia no campo, onde cultivaram a terra e criavam gado. As culturas mais importantes eram o trigo, a videira, a oliveira, vários tipos de frutas e vegetais e o linho. Os romanos também melhoraram as técnicas agrícolas, com a introdução do arado-romano, com a construção de moinhos mais eficazes, e com o aprimoramento de técnicas de irrigação e adubação.

O império romano foi particularmente importante nesse processo. Sua economia era própria um de um império do escravocrata: os escravos executavam todas as atividades produtivas, o que gerava uma riqueza enorme, dado que se tratava de uma mão-de-obra não remunerada. As cidades e as diferentes províncias eram conectadas por estradas e portos que permitiam a existência de uma rede de comunicações propícia o desenvolvimento do comércio.

Roma surgiu em torno de 750 a.c. e entre 260 e 146 a.c. ela conquistou a atual Itália, ao vencer sua rival Cartago (reino da África do Norte, que criou colônias na Itália e Espanha). Posteriormente (Séculos I e I), ela transformou a Grécia em uma província romana e conquistou sucessivamente a Ásia Menor, a Judéia, a Síria, a Espanha e a Gália. Este foi o primeiro império.

O segundo império romano estendeu-se entre os Séculos I e V da era cristã. As artes se desenvolveram desde o primeiro império. As cidades se organizavam em torno de um centro político, o fórum. Em volta do fórum, ficavam os mercados, os templos, os banhos públicos e os teatros. O abastecimento urbano de água era feito por aquedutos, que eram estruturas áreas sustentadas por grandes pilares.

As águas desciam das fontes pelos aquedutos e abasteciam as termas, os edifícios públicos e os domicílios. Com a fundação de Constantinopla em 330 e a transferência da corte romana para essa cidade, Roma entrou em decadência. Houve uma substancial redução dos gastos públicos e redução da massa salarial da cidade.

O comércio foi enfraquecido, assim como as atividades econômicas, parte das quais havia mudado para a nova capital. O Império do Oriente era uma potência industrial, enquanto o Império do Ocidente definhava em termos econômicos. As rotas comerciais que levavam a Roma foram abandonadas e as invasões dos bárbaros ajudaram a afundar o Império do Ocidente.

Com o declínio do império romano, houve considerável diminuição do afluxo de mercadorias. Os grandes centros tornaram-se palco de violentas invasões e foram abandonados, o que fez que surgisse um outro tipo de sociedade, em um novo tipo de era, a medieval.

A economia da idade média

Logo após a queda do império romano, houve diminuição considerável do fluxo de capitais que circulava na Europa. Mas apesar de um acentuado processo de ruralização, o dinheiro continuou a ser usado em boa parte do continente. Durante um longo período, o comércio marítimo foi interrompido devido à ação predatória de bárbaros, principalmente de vândalos5 e viquingues6.

Considera-se como Idade Média o período entre o desaparecimento do Império Romano do Ocidente, no ano de 476, e a queda de Constantinopla, tomada pelos turcos em 1453. Esse período caracterizou-se particularmente pela pulverização política dos territórios e por uma sociedade agrícola dividida entre uma classe nobre e uma classe servil, que se sujeitava à primeira.

A economia conheceu um grande retrocesso, principalmente entre os séculos V ao XI. As trocas passaram a se realizar em nível local, entre Senhor e os servos; as antigas estradas romanas deixaram de ser conservadas e tornaram-se intransitáveis. As trocas restringiram-se ao nível regional, entre as cidades e suas áreas agrícolas.

Na base do sistema feudal estava o servo, que trabalhava nas terras de um senhor, o qual, por seu turno, devia lealdade a um senhor mais poderoso, e este a um outro, até chegar ao rei. O servo não era livre, pois estava ligado à terra e a seu senhor, mas ele não constituía sua propriedade, como o escravo.

Os senhores davam a terra a seus vassalos para serem cultivadas, em troca de pagamentos em dinheiro, alimentos, trabalho e lealdade militar. Como retribuição a essa lealdade, o senhor concedia proteção militar a seu vassalo.

Nessa época, a igreja católica era a instituição mais poderosa e influente da sociedade medieval. Seu pensador mais expressivo no campo econômico foi Thomas de Aquino7. Filósofo e teólogo italiano, Ele foi um dos primeiros a teorizar sobre assuntos econômicos. Lecionou em Colônia e em Paris e foi o representante mais significativo da escolástica – doutrina medieval baseada nas idéias de Aristóteles.

Sua principal obra foi A suma teológica, na qual elabora o conceito do justo preço. Esse conceito consistia na concepção de que a principal componente para fixação dos preços pagos pelos diversos produtos deveria ser de caráter moral, e não determinada pelas forças de mercado, pois poderia significar enormes abusos e maiores lucros para os mercadores numa época em que o comércio começava a se re-estabelecer.

A propriedade privada era permitida, desde que fosse usada com moderação. Resulta desse fato a tolerância pela desigualdade. Havia uma idéia de moderação na conduta humana, o que levava às concepções de justiça nas trocas e, portanto, de justo preço e justo salário.

Nenhum vendedor de um produto ou serviço poderia tirar proveito da situação e ganhar acima do valor considerado normal, ou justo. O justo preço é aquele bastante baixo para poder o consumidor comprar (ponto de vista econômico), sem extorsão e suficientemente elevado para ter o vendedor interesse em vender e poder viver de maneira decente (ponto de vista moral).

O justo salário é aquele que permite ao trabalhador e sua família viver de acordo com os costumes de sua classe e de sua região. Essas noções de justiça na fixação de preços e salários implicavam também a idéia de justiça na determinação do lucro. Em outras palavras, o justo lucro resultava da justiça nas trocas: ele não devia permitir ao artesão enriquecer.

Havia, portanto, julgamentos de valor na conduta econômica, ou seja, a Filosofia e a Teologia dominavam o pensamento econômico. Foi mais tarde que o racionalismo e o positivismo tomaram conta do pensamento econômico. O empréstimo a juros era condenado pela Igreja, idéia que vem de Platão e Aristóteles, pois contrariava a idéia de justiça nas trocas: o capital reembolsado seria maior do que o capital emprestado.

Por não serem cristãos, os judeus recebiam permissão para emprestar a juro, razão pela qual se explica a sua predominância no setor financeiro, em muitos países. A partir de 1400, no entanto, as exceções ampliaram-se com o crescimento das atividades manufatureiras e do próprio comércio na era mercantilista.

Por volta do ano 800, as rotas comerciais foram parcialmente retomadas e isso se deveu por duas razões: a primeira, os árabes haviam conquistado todo o sul do Mediterrâneo, incluindo parte dos atuais territórios da Espanha, Sicília e o Sul da Itália; a segunda, o sacro império romano-germânico expandira suas fronteiras e para além dos atuais territórios da França e Alemanha, incluindo os Balcãs e o norte da Itália.

Essa configuração trouxe uma relativa estabilidade para a região. Com isso, entre os anos 800 e 1000, as cidades algumas portuárias do mediterrâneo voltaram a crescer, em especial, Gênova, Pisa e Toulouse. Após o ano 1000, todavia, o porto de Veneza tornouse cada vez mais poderoso.

Durante a alta idade média, as cruzadas ajudaram a incrementar o comércio ao longo do Mediterrâneo. Por um lado, as cruzadas precisavam ser financiadas, o que levou os reis da França e da Inglaterra criar tipo novo de imposto em dinheiro, recuperando o caráter monetário da economia européia; Por outro, cruzados europeus que estiveram no Mediterrâneo oriental encontraram mercadores árabes e trouxeram novas mercadorias para serem comercializadas na Europa. Com isso, os mercados e as feiras tornaram-se cada vez mais importantes.

O comércio portuário no norte da Europa também sofre expansão, nesse período. Um grupo de portos situados ao longo do Mar Báltico, na Inglaterra, Suécia, na Holanda e na Rússia, formou gradualmente uma liga, a Liga Hanseática, que organizou todo comércio marítimo no norte europeu, entre os séculos XII e XVII.

Por volta do ano de 1350, a praga dizimou um terço da população européia e a já enfraquecida relação entre campesinos e senhores feudais tornou-se ainda mais tênue. Uma grande quantidade daqueles cujas famílias haviam morrido no campo transferira-se para as cidades. As feiras e os mercados passaram a dar espaços para lojas regulares. Ao mesmo tempo em que os impostos eram cobrados cada vez mais na forma de dinheiro, não em mercadorias, obrigando uma parcela da população a comercializar parte de sua colheita, para obter dinheiro para pagar seus impostos.

No tardou para que ressurgisse uma economia monetária de base mercantil e um sistema bancário. Este era o cenário para o que historicamente viria a ser conhecido como Renascimento.

O mercantilismo

As origens dessa doutrina econômica são encontradas no Renascimento10 e nas Grandes navegações. O Renascimento foi um movimento cultural que afetou profundamente a vida intelectual européia no início da era moderna. Começou na Itália e se espalhou pelo resto do continente, por volta do séc. XIV. Sua influência foi sentida na literatura, filosofia, arte, política, ciência, religião, e outros aspectos da manifestação intelectual.

Os pensadores renascentistas buscaram os referencias nos textos clássicos, principalmente, os de origem latina e grega. Eles vasculhavam as bibliotecas dos monastérios europeus, a procura de textos antigos que haviam sido esquecidos durante o período medieval.

Esse feito despertou-lhes um sentimento de aprofundar os conhecimentos sobre a realidade de sua época, algo bem diferente da espiritualidade transcendental, característica do cristianismo medieval. Eles não rejeitaram o cristianismo, muito pelo contrário; o que houve foi uma mudança de postura com relação à religião, que se refletiu para outros aspectos da vida intelectual.

Pensadores como Niccolò Machiavelli procuraram descrever a vida política da época de forma racional e realística. Além disso, ao estudar obras clássicas, escritas em grego e latin, em geral essas obras eram traduzidas para a língua local. Isto, combinado com a recente invenção de Johannes Gutenberg, permitiu a popularização desses livros, em especial, da Bíblia.

Foi justamente a tradução da bíblia do latin para o alemão, a base de um dos movimentos mais importantes da época, a Reforma, iniciada por Martinho Lutero. Esse teólogo foi o autor de uma das primeiras traduções da Bíblia para o alemão, algo que na altura não era permitido pela Igreja católica sem especial autorização eclesiástica. Lutero não foi o primeiro tradutor da Bíblia para o alemão. Já havia traduções mais antigas. A tradução de Lutero, contudo, suplantou as anteriores. Além da qualidade da tradução, foi amplamente divulgada em decorrência da sua difusão por meio da imprensa, desenvolvida por Gutenberg em 1453.

A reforma de João Calvino, exaltando o individualismo, a atividade econômica e o êxito material, deu grande impulso à economia. Enriquecer não constituía mais um pecado, desde que a riqueza fosse obtida honestamente e pelo trabalho.

A cobrança de juro e a obtenção de lucro passaram a ser permitidas. Entre os protestantes, o verdadeiro pecado veio a ser a ociosidade, quando a mente desocupada passa a se ocupar do mal. Como a leitura da Bíblia tornou-se fundamental no culto, incentivou-se a educação, o que se repercutiu na melhoria da produtividade do trabalho e no desenvolvimento econômico.

No início da era mercantilista, ocorreu uma transformação política na Europa, com o enfraquecimento dos feudos e a centralização da política nacional. Aos poucos, foi se formando uma economia nacional relativamente integrada, com o Estado central dirigindo as forças materiais e humanas, constituindo um organismo econômico vivo. O governo central forte passou a criar universidades e a realizar grandes

As grandes navegações foram iniciadas por Portugal e Espanha no século XV. Esses países buscavam uma nova rota para o Oriente, pois eram obrigados a pagar altos preços pelos produtos importados da Ásia pelas cidades italianas, que monopolizavam o comércio com o Oriente através do mar Mediterrâneo até serem barradas pelos turcos em 1453, quando estes tomaram Constantinopla.

Essa busca foi facilitada pelos progressos do conhecimento geográfico, pelo uso de instrumentos de navegação, como a bússola e o astrolábio, e pela caravela, embarcação de grande tonelagem e notável desempenho, desenvolvida em Portugal. Em meados do século XV, os portugueses descobriram e colonizaram a Ilha da Madeira e os Açores e exploraram a costa africana até a Guiné. Em 1497, Vasco da Gama contornou a extremidade sul da África, chegando, no ano seguinte, à Índia.

Na mesma época, o genovês Cristóvão Colombo, a serviço da Espanha, chegava ao continente americano (1492), seguido por outros navegantes e conquistadores, como Cortez e Pizarro. Resultou daí a fundação de um vasto império colonial espanhol, que incluía a atual porção sudoeste dos Estados Unidos, a Flórida, o México, as Antilhas, a América Central e toda a América do Sul, com exceção do Brasil, descoberto pelos portugueses em 1500.

Seguiram-se viagens inglesas e francesas: as de Giovanni e seu filho, Sebastiano Caboto, entre 1497 e 1498, deram base às pretensões inglesas na América do Norte, reforçadas em 1607 com a colonização da Virgínia; as de Cartier asseguraram aos franceses o Canadá oriental no início do século XVII e, cem anos depois, Joliet e o padre Marquette21, bem como La Salle permitiram à França estabelecer-se no vale do Mississípi e na região dos Grandes Lagos.

Os holandeses, ao se libertarem do domínio espanhol, lançaram-se também à conquista de terras e, embora tivessem de entregar aos ingleses sua colônia de Nova Holanda, na região do rio Hudson, mantiveram suas possessões de Malaca, as Molucas e os portos da Índia e da África tomados aos portugueses no começo do século XVII.

O comércio, que até os descobrimentos se limitara ao Mediterrâneo, assumiu pela primeira vez proporções mundiais, oceânicas. Seu eixo deslocava-se nitidamente do Oriente, terra de sonhos e luxos, para um Ocidente mais prático e imediatista. O monopólio do tráfico oriental mantido pelas cidades italianas foi eliminado, e os portos de Lisboa, Bordeaux, Liverpool, Bristol e Amsterdã ocuparam o primeiro plano.

Com a descoberta e o crescente consumo dos produtos tropicais americanos e africanos, como tabaco, chocolate, melaço e marfim, ocorreu um aumento considerável no volume do comércio. Mas o resultado mais importante dos descobrimentos foi a expansão do suprimento de metais preciosos. É esse o contesto em que o pensamento econômico elabora o mercantilismo.

No plano internacional, as descobertas marítimas e o afluxo de metais preciosos para a Europa deslocaram o eixo econômico do Mediterrâneo para novos centros como Londres, Amsterdã, Bordéus e Lisboa.

Até então, a idéia mercantilista dominante era a de que a riqueza de um país media-se pelo afluxo de metais preciosos. Ao conjunto dessas idéias deu-se o nome de metalismo. Esse sistema monetário tem como moeda-padrão algum metal precioso, sobretudo ouro e prata, com valor de troca fixo entre o metal e o dinheiro, além de cunhagem livre e ilimitada. O objetivo é evitar ao máximo as flutuações no valor da moeda.

Quando a moeda padrão é apenas um metal, sistema que foi adotado pela Grã-Bretanha em 1816, com o nome de padrão-ouro, dá-se o nome de monometalismo. No caso de dois metais serem utilizados como padrão, fala-se em bimetalismo, sistema amplamente utilizado no decorrer do século XIX.

Na prática, esse sistema apresentava uma grande dificuldade: com a desvalorização de um metal em relação ao outro, desequilibrava-se o valor da troca entre eles e em relação à moeda. Tal como ocorreu entre 1561 e 1582, na Andaluzia, Espanha, cujo afluxo excessivo de ouro e prata provocou inflação a taxa de 20% ao ano. Por isso, o padrãoouro passou a ser utilizado na maioria dos países.

O mercantilismo pode ser definido como uma doutrina econômica que caracteriza o período histórico da Revolução Comercial (séculos XVI-XVIII), marcado pela desintegração do feudalismo e pela formação dos Estados Nacionais. Defende o acúmulo de divisas em metais preciosos pelo Estado por meio de um comércio exterior de caráter protecionista.

Alguns princípios básicos do mercantilismo são:

1) o Estado deve incrementar o bem-estar nacional, ainda que em detrimento de seus vizinhos e colônias;

2) a riqueza da economia nacional depende do aumento da população e do incremento do volume de metais preciosos no país;

3) o comércio exterior deve ser estimulado, pois é por meio de uma balança comercial favorável que se aumenta o estoque de metais preciosos;

4) o comércio e a indústria são mais importantes para a economia nacional que a agricultura. Essa concepção levava a um intenso protecionismo estatal e a uma ampla intervenção do Estado na economia. Uma forte autoridade central era tida como essencial para a expansão de mercados e para a proteção dos interesses comerciais.

O mercantilismo era constituído de um conjunto de concepções desenvolvidas na prática por ministros, administradores e comerciantes, com objetivos não só econômicos como também político-estratégicos. Sua aplicação variava conforme a situação do país, seus recursos e o modelo de governo vigente.

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Na Holanda, o poder do Estado era subordinado às necessidades do comércio, enquanto na Inglaterra e na França a iniciativa econômica estatal constituía o outro braço das intenções militares do Estado, geralmente agressivas em relação a seus vizinhos. O mercantilismo inglês foi reforçado pelo Ato de Navegação de 165124.

Os mercantilistas, limitando sua análise ao âmbito da circulação de bens, aprofundaram o conhecimento de questões como as da balança comercial, das taxas de câmbio e dos movimentos de dinheiro. Com a idéia de garantir afluxos significativos de ouro e prata para os seus países, os Mercantilistas sugeriam que se aumentassem as exportações e que se controlassem as importações. Entre os principais autores Mercantilistas, podem ser citados: a) Malestroit (Paradoxos sobre a moeda, 1566): segundo ele, o aumento do estoque de metais preciosos não provocava inflação; b) Jean Bodin (Resposta aos paradoxos do Sr. Malestroit, 1568): para ele, maior quantidade de moeda gerava aumento do nível geral de preços; c) Ortiz27 (Relatório ao rei para impedir a saída de ouro, 1588): ele afirmava que, quanto mais ouro o país acumulasse, tanto mais rico ele seria; d) Montchrétien28 (Tratado de economia política, 1615): ensinava que o ouro e a prata suprem as necessidades dos homens, sendo o ouro muitas vezes mais poderoso do que o ferro;

Através dessa obra, Mun exerceu grande influência sobre o colonialismo inglês. Na França, o Mercantilismo manifestou-se pelo Colbertismo, idéias derivadas de Jean Baptiste Colbert31, segundo as quais as disponibilidades de metais preciosos poderiam aumentar pelas exportações e pelo desenvolvimento das manufaturas.

Colbert foi Ministro das Finanças de Louis XIV e chegou a controlar toda a administração pública. Protegeu a indústria e o comércio. Trouxe para a França importantes artesãos estrangeiros, criou fábricas estatais, reorganizou as finanças públicas e a justiça, criou empresas de navegação e fundou a Academia de Ciências e o Observatório Nacional

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Com a proteção à indústria, as exportações seriam mais regulares e com maior valor. Com esse objetivo, os salários e os juros passaram a ser controlados pelo Estado, a fim de não elevar os custos de produção e poder assegurar vantagens competitivas no mercado internacional. O Colbertismo implicava na intervenção do Estado em todos os domínios e caracterizava-se pelo protecionismo, ou seja, pela adoção de medidas por parte do governo para proteger as empresas nacionais contra a concorrência estrangeira.

Outro importante autor francês que se afastou do pensamento mercantilista foi Richard Cantillon32 (Ensaio sobre a natureza do comércio em geral, 1730). Cantillon viu no trabalho e na terra os principais fatores da formação da riqueza nacional. A moeda ingressa no país, segundo ele, pelo fato do valor das exportações ser maior do que o valor das importações. Contudo um excesso de moeda eleva os preços internamente, o que provoca o encarecimento das exportações e o barateamento das importações, gerando posteriormente déficit na balança comercial e a saída de ouro e prata do país.

Na Espanha, o Mercantilismo não teve esse caráter desenvolvimentista da França, mas foi mais puro em sua essência, ou seja, a preocupação central era simplesmente obter o ingresso no país de metais preciosos, seja pelo comércio internacional (maximização das exportações e controle de importações), seja pela exploração de minas nas colônias. A preocupação central do governo era financiar a pesquisa e a exploração de ouro e prata na América espanhola.

Assim, com o objetivo de maximizar o saldo comercial e o afluxo de metais preciosos, as metrópoles estabeleceram um pacto colonial com suas colônias. Por meio desse “pacto”, todas as importações da colônia passaram a ser provenientes de sua metrópole.

Para maximizar os ganhos, ela fixava os preços de seus produtos em níveis mais altos possíveis; inversamente, a fixação dos preços de suas importações eram os mais baixos.

O principal defeito do Mercantilismo foi ter atribuído valor excessivo aos metais preciosos na concepção de riqueza. Sua contribuição, contudo, foi decisiva para estender as relações comerciais do âmbito regional para a esfera internacional. Ele constituiu uma fase de transição entre o feudalismo e o capitalismo moderno. Com o comércio, formaram-se os grandes capitais financeiros que de certa forma financiaram a revolução tecnológica, precursora do capitalismo industrial.

O sistema mercantilista não favoreceu a agricultura, como poderia ter ocorrido, na medida em que todos os países procuram importar o mínimo possível, mesmo quando havia escassez de alimentos, ou quando se necessitava de matérias-primas para a indústria nascente. Isso ocorreu na França, pois Colbert cobrava impostos de importação relativamente altos para a importação de carvão coque para a fundição de metais.

Naquela época, como nos países em desenvolvimento dos dias atuais, a agricultura constituía praticamente todo o produto nacional. Inicialmente, os campos eram cultivados uma vez por ano, com baixa produtividade. Posteriormente, as lavouras passaram a ser divididas em duas partes, ficando uma em descanso, para recuperar fertilidade.

Mais tarde, o sistema agrícola passou a ser de três campos, o que resultou em aumento substancial da produção agrícola por área cultivada. A mudança do sistema agrícola, aliada a um período de aquecimento global, fez com que a população européia duplicasse entre os anos 1000 e 130033. O número de cidades aumentou, assim como sua população. Com o Mercantilismo, as trocas de novos produtos intensificaram-se entre os países europeus, asiáticos e árabes. Desenvolveu-se o sistema manufatureiro doméstico, artesanal, dando nascimento à indústria capitalista.

O mercador-capitalista fornecia, inicialmente, ao artesão a matéria-prima, para que transformasse em produto a ser comercializado. Posteriormente, o mercador-capitalista passou a fornecer as máquinas, as ferramentas e, às vezes, o prédio onde os bens seriam produzidos. Finalmente, em vez de comprar dos diferentes artesãos os produtos que vendia no mercado, ele acabou contratando também os trabalhadores necessários à produção, passando a reuni-los em um mesmo local, originando a fábrica.

A formação de grandes capitais, a expansão dos mercados e o surgimento do trabalho assalariado deram nascimento ao sistema capitalista. No Mercantilismo, a ética paternalista cristã, católica, ao condenar a aquisição de bens materiais, entrava em conflito com os interesses dos mercadores-capitalistas. Aos poucos, o Estado nacional passou a ocupar o lugar da Igreja na função de supervisionar o bem-estar da coletividade.

Os governos tornaram-se, gradativamente, influenciados pelo pensamento mercantilista. Leis paternalistas, como as Leis dos pobres34, deram lugar a leis que beneficiavam os interesses dos Mercantilistas e do capitalismo nascente, como a Lei do cercamento das terras (enclosures)35, ou as leis que davam incentivos à indústria ou criavam barreiras às importações.

A idéia central do Mercantilismo de que o acúmulo de metais preciosos era sinônimo de riqueza foi muito criticada pelos economistas das escolas fisiocrática e clássica. A moeda passou a ter um fim em si mesma e não um meio de troca. A produção foi relegada a um plano secundário.

A valorização dos metais preciosos como moeda trouxe, no entanto, segurança nos pagamentos internacionais. De outra parte, o aumento do estoque de metais preciosos, ou seja, de moeda, reduzia as taxas de juro, o que estimulava os investimentos, a produção e o emprego, contribuindo para o surgimento do modo de produção capitalista.

Por fim, calcula-se que o total do ouro e da prata em circulação na Europa por volta de 1600 havia quintuplicado desde quando Colombo descobriu a América. Essa inflação de metais preciosos provocou violenta alta de preços, beneficiando os comerciantes e prejudicando a nobreza fundiária36 sujeita a rendas fixas.

Os metais preciosos vinham da pilhagem dos tesouros provenientes das civilizações incas37 e astecas38 e principalmente das minas do México, do Peru e da Bolívia. Nenhuma outra causa influiu tão decisivamente no desenvolvimento da economia capitalista como esse descomunal aumento das reservas de metal precioso na Europa.

A acumulação de riquezas para investimento futuro é uma característica essencial do capitalismo, e os homens da época dispunham, então, de riqueza sob uma forma que podia ser convenientemente armazenada para uso subsequente.

As origens do capitalismo

Na Idade Média, a cobrança de juros constituía um problema ético, sendo considerado usura, não importando o valor da taxa cobrada. A expansão do comércio mundial e o crescimento dos excedentes de capitais sem aplicação em alguns segmentos da sociedade, ao mesmo tempo em que havia carência de recursos em outros setores, levou a Igreja a fazer concessões, passando a proibir os empréstimos a juros somente para o consumo pessoal.

Os habitantes dos burgos, cidades portuárias, conhecidos como burgueses por dedicavam-se ao artesanato e ao comércio. Aos poucos, eles passaram a fazer parte de uma nova classe social, distinta da nobreza e dos agricultores. A partir do século XIII, sobretudo em alguns portos do Norte da Itália e do mar do Norte, os burgueses passaram a enriquecer, criando bancos e dedicando-se ao comércio em maior escala, primeiro na própria Europa e depois no resto do mundo.

Em vez de apenas comprar os produtos dos artesãos para revendê-los, os burgueses também passaram a criar manufaturas e a contratar artesãos para produzi-las, substituindo o antigo vínculo de servidão feudal pelo contrato salarial. Aumentaram as oportunidades de trabalho, o volume de dinheiro e o mercado de consumo, tornando-se necessárias a ampliação e a proliferação das manufaturas.

O capital comercial antecedeu o modo de produção capitalista propriamente dito. As trocas consistiam o modo de produção característico da Antiguidade e da Idade Média. O sucesso de um comerciante medeia-se pelo lucro absoluto que retira de seu negócio e pela taxa de lucro.

O lucro absoluto seria dado pela diferença entre o valor das vendas (receita total) e o valor das compras e de outras despesas (custo total). A taxa de lucro corresponderia à razão entre o lucro obtido e a quantidade de inicial de dinheiro.

Uma vez que, no capitalismo comercial, o capital era constituído pelas mercadorias a serem vendidas e pelos gastos necessários por essa atividade, como o pagamento de salários aos empregados, o capital se reproduzia na forma de dinheiro que se transformava em mercadoria que, depois de comercializada, gerava uma quantidade maior de dinheiro.

Com o desenvolvimento das trocas e o surgimento do sistema bancário, o capital mercantilista passou a assumir também a forma de capital financeiro e o dinheiro ampliou a sua função de capital mercantil, usado na aquisição de mercadorias, para exercer uma função financeira.

Além disso, a formação dos estados nacionais, a Reforma39, a Revolução Puritana40 e a Revolução Francesa41 foram marcos importantes na luta da burguesia42 para a conquista do poder político, que havia pertencido à nobreza durante a Idade Média.

A Reforma Calvinista do século XVI, por exemplo, justificou teologicamente a cobrança de juros, porque constituía uma renúncia a um investimento lucrativo, enquanto o tomador do empréstimo poderia obter lucros com os capitais emprestados. Logo, quem emprestasse o seu dinheiro também poderia participar desses lucros, mediante o recebimento de juros.

Isso fez com que o capital mercantil em excesso se reciclasse, pois passou a ser utilizado no empréstimo a reis e a grandes empreendedores, a fim de financiar os seus gastos, como no caso das grandes navegações. Os lucros obtidos pelo capital financeiro dependiam, como ainda hoje, da taxa de juro a que eram emprestados, do volume de dinheiro emprestado e do tempo em que ele ficar de posse do tomador do empréstimo.

O capitalismo propriamente dito somente emergiu na Europa no século XVI, com o desenvolvimento da produção manufatureira, na esfera produtiva. Este foi o capitalismo manufatureiro, fase intermediária entre o artesanato e as grandes corporações industriais.

Essa forma de capitalismo começou, de um lado, com os comerciantes empregando mão-de-obra assalariada na indústria doméstica incipiente; de outro lado, o capitalismo manufatureiro surgiu no momento em que determinados burgueses e artesãos romperam com as limitações das corporações de ofício e passaram a contratar trabalhadores assalariados.

As suas tarefas limitavam-se a de alugar prédios, comprar matérias-primas, supervisionar a produção e os trabalhadores e a vender os produtos acabados no mercado. As corporações de ofício eram associações de pessoas que exerciam uma mesma profissão.

Os artesãos se dividiam em mestres, companheiros e aprendizes. Os artesãos mantinham no interior da corporação os segredos de seu ofício. Elas foram suprimidas em 1791 pela Revolução Francesa, por entravarem o desenvolvimento econômico.

O capitalismo aperfeiçoou-se logo que os empreendedores passaram a utilizar ferramentas e máquinas cada vez mais eficientes, o que elevou a produtividade do trabalho e a taxa de lucro. Com o tempo, novos capitais ficaram disponíveis.

Com a redução da taxa de juro dos empréstimos, cresceram os investimentos na indústria e nos transportes, o que desenvolveu a atividade manufatureira. A invenção da máquina a vapor, o aperfeiçoamento de novas máquinas de fiar e tecer e o surgimento das ferrovias constituíram inovações tecnológicas que expandiram a atividade produtiva em nível mundial.

A continuidade desses processos provocou, especialmente na Inglaterra, a Revolução Industrial, com a mecanização das fábricas. No século XIX, o capitalismo apresentavase definitivamente estruturado, com os industriais e banqueiros centralizando as decisões econômicas e políticas, e os comerciantes atuando como seus intermediários.

Geografia Econômica

A Revolução Industrial iniciou-se na Inglaterra, com base na expansão colonial e mercantil britânica, que forneceram capitais e matérias-primas para a sua nascente

A Revolução Industrial inglesa foi precedida por uma verdadeira revolução na agricultura43 e pela revolução nos transportes. A revolução agrícola caracterizou-se pela introdução da lei de terras, pelas práticas de drenagem de solos alagados e de irrigação em solos secos, pelo uso de fertilizantes e o cultivo de pastagens e forragens para alimentar o gado no inverno.

A revolução dos transportes se deveu à construção de canais navegáveis no interior da Inglaterra, a introdução da navegação a vapor e a construção das ferrovias. Com isso, reduziram-se os custos dos transportes, aumentando o alcance espacial dos bens, ou seja, os produtos passaram a ser vendidos nos mais distantes territórios. Com a industrialização dos grandes centros e a absorção de grandes contingentes de trabalhadores, os salários subiram relativamente aos preços.

Os custos das empresas se elevaram e a taxa de lucro se reduziu. As empresas menos eficientes (com custos mais altos) acabaram sendo compradas por empresas mais eficientes, ou simplesmente encerraram assuas atividades. Em muitos ramos industriais, o número de empresas reduziu-se substancialmente, gerando oligopólios (poucas empresas) ou monopólios (apenas uma empresa dentro da indústria para produzir e atender o mercado).

Desse modo, com a concentração de capitais na forma de grandes empresas e conglomerados industriais, o capitalismo industrial transformou-se em capitalismo monopolista. Pelos ganhos de escala e redução de custos, as grandes empresas conseguem afastar os competidores, permanecendo poucos produtores no mercado ou, às vezes, apenas um produtor.

O acréscimo da produção de artigos de consumo refletiu-se, numa segunda fase, no aumento da produção de novas máquinas, o que acarretou a considerável expansão da siderurgia e o aperfeiçoamento dos processos de fundição. Esses, por sua vez, aceleram o crescimento da atividade extrativa do carvão. Mas foi a aplicação industrial das máquinas a vapor que inaugurou a fase decisiva da Revolução Industrial. A produção mecanizada, até então ligada ao uso de energia hidráulica, libertou a indústria da necessidade de ficar sempre próxima dos rios.

As fábricas migraram, então, para perto das áreas produtoras de matérias-primas, e o emprego das máquinas a vapor nos meios de transporte (locomotiva e navios), a partir de 1830, interligou os centros industriais aos mercados consumidores e facilitou o acesso rápido e eficiente às fontes de recursos naturais. Paralelamente, a indústria mobilizava as mais recentes conquistas em todos os ramos do conhecimento científico. Assim, os progressos no campo da eletricidade conduziram à melhoria dos meios de comunicação, com a invenção do telégrafo e do cabo submarino.

O desenvolvimento técnico na indústria foi acompanhado de profundas transformações na agricultura. A regularidade da alimentação aliou-se à melhoria das condições sanitárias e de saúde, contribuindo para o crescimento demográfico. A população da Grã-Bretanha, por exemplo, passou de 7 para 20 milhões entre 1750 e 1850, o que ampliou a oferta de mão-de-obra e o mercado consumidor.

O desenvolvimento da indústria refletiu-se imediatamente na vida financeira, sobretudo na Inglaterra, onde, a partir de 1850, surgiram grandes bancos e estabelecimentos de crédito. A circulação monetária ampliou-se, mobilizando os metais preciosos procedentes das minas da Austrália e da Califórnia, e nos centros distribuidores foram instalados os primeiros grandes estabelecimentos comerciais.

Enquanto isso, o desenvolvimento da produção mecanizada estendeu-se a outros países da Europa. Na França, a industrialização iniciou-se durante o império napoleônico (1804-1815); na Alemanha, isso ocorreu depois de 1840 e intensificou-se após a unificação nacional (1870). Nos Estados Unidos, a Revolução Industrial acelerou-se depois da Guerra de Secessão (1861-1865) e da conquista do Oeste, o que ampliou o mercado consumidor e a oferta de grande quantidade de matérias-primas.

Apesar dessas profundas transformações econômico-sociais, a Revolução Industrial foi um processo contraditório. Ao lado da elevação da produtividade e do desenvolvimento da divisão social do trabalho, manifestava-se a miséria de milhares de trabalhadores desempregados e de homens, mulheres e crianças obrigadas a trabalhar até dezesseis horas por dia, privados de direitos políticos e sociais.

Essa situação da classe operária levou à formação dos primeiros sindicatos, à elaboração do pensamento socialista e à irrupção de inúmeros movimentos, levantes e revoltas de trabalhadores que marcaram toda a vida européia ao longo do século XIX.

No plano político, no entanto, esse mesmo período viu a aristocracia de base agrária ser substituída, na direção dos negócios do Estado, pela burguesia industrial e financeira. Ausente do processo produtivo, o Estado orientava-se segundo os princípios do liberalismo político e econômico, cabendo-lhe fundamentalmente a defesa da ordem capitalista e da de livre-concorrência. O capitalismo, então, firmava-se como o sistema econômico predominante dessa nova Era, evidenciada pela propriedade privada dos meios de produção e pela liberdade de iniciativa dos próprios cidadãos.

O capitalismo, tal qual conhecemos hoje, passou por várias fases evolutivas. Primeiro, ele emergiu no próprio Mercantilismo. Com o empobrecimento dos nobres, houve grande migração rural-urbana, dando surgimento aos burgos, ou cidades relativamente grandes que serviam de mercado para cidades menores e para as áreas rurais.

Esse sistema se caracteriza pela busca do lucro, pela livre iniciativa e pela concorrência entre os indivíduos e as empresas, pelo emprego de trabalhadores assalariados, juridicamente livres, que vendem a sua força de trabalho aos proprietários dos meios de produção, denominados empresários, que os contratam para produzir bens ou serviços a serem destinados ao mercado, com o fim de obter lucro.

Os meios de produção pertencem, nesse sistema, aos empresários e não ao Estado. A produção e a distribuição das riquezas são regidas pelo mercado, no qual, em tese, os preços são determinados pelo livre jogo da oferta e da procura. Para gerar esse lucro, definido como a diferença entre as receitas totais e os custos totais, o capitalista aluga ou constrói prédios, compra máquinas e matérias-primas e contrata trabalhadores, incluindo-se pessoal de escritório e técnicos de nível médio e superior.

Pois o capitalista era, em geral, um empresário, ou seja, proprietário de empresa, que comprava a força de trabalho de terceiros para produzir bens que, após serem vendidos, lhe permitem recuperar o capital investido e obter um excedente denominado lucro. Com isso, as classes não mais se relacionavam pelo vínculo da servidão, como no período feudal, mas pela posse ou carência de meios de produção e pela livre contratação de mão-de-obra.

Essa forma de capitalismo começou, de um lado, com os comerciantes empregando mão-de-obra assalariada na indústria doméstica incipiente; de outro lado, o capitalismo manufatureiro surgiu no momento em que determinados burgueses e artesãos romperam com as limitações das corporações de ofício e passaram a contratar trabalhadores assalariados.

As suas tarefas limitavam-se a de alugar prédios, comprar matérias-primas, supervisionar a produção e os trabalhadores e a vender os produtos acabados no mercado. As corporações de ofício eram associações de pessoas que exerciam uma mesma profissão.

Nessa fase inicial do capitalismo industrial, a figura do capitalista e do empresário se sobrepunha. O capitalista é, hoje em dia, aquele que possui capital e que o empresta para a realização de empreendimentos a terceiros, ou que os aplica diretamente na produção de bens e serviços. Assim, qualquer pessoa que tenha determinada quantia de dinheiro e que compre ações em uma corretora, ou que aplique no sistema financeiro para receber juros, está se comportando como capitalista.

A acumulação permanente de capital e a geração de riquezas, o papel essencial desempenhado pelo dinheiro e pelos mercados financeiros, a concorrência e a inovação tecnológica ininterrupta são alguns dos elementos que caracterizam o capitalismo, bem como a divisão técnica do trabalho, ou seja, a especialização do trabalhador em tarefas cada vez mais segmentadas no processo produtivo.

Fonte: www.ebah.com.br

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