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Boias-frias

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Sabe-se que no decorrer da história do Brasil e do mundo, as condições de trabalho no campo ou nas zonas rurais são construídas e difundidas com pouco ou nenhum amparo jurídico e popular. Essas situações desencadeiam uma série de problemas aos trabalhadores dessas extensas áreas, sejam de saúde ou dos próprios direitos fundamentais que os dignifica enquanto seres humanos, uma vez que submetidos a determinadas circunstâncias, veem-se obrigados a seguirem rumos que certamente muitas pessoas jamais gostariam de trilhar.

Neste vasta problemática, sobressaem-se os boias-frias, trabalhadores e trabalhadoras do campo que recebem por produção, isto é, quem produz mais, recebe mais ou vice-versa, ainda que os valores pagos sejam bem abaixo da intensiva e cansativa carga horária de trabalho, que pode passar de doze horas por dia para receber o mísero 890 reais, somando a isso, não possuem carteira assinada e estudos e são de lugares distantes das áreas de plantio, que para chegar até elas, submetem-se a transportes precários, arriscando a própria vida para conseguir um emprego, mesmo este não sendo digno.

Na Espanha, por exemplo, os canaviais preferem mulheres marroquinas que tenham filhos, pois a chance de elas reivindicarem seus direitos é menor, tendo em vista que precisam trabalhar para sustenta-los, expressando assim uma forma de controle.

Boias-frias

O nome “boias-frias” surge para fazer alusão a maneira como esses trabalhadores se alimentam. (boia é uma gíria dos próprios trabalhadores que significa alimento na marmita). Como essas áreas de trabalho, a exemplo dos canaviais não possuem infraestrutura adequada, como restaurantes, os alimentos levados em marmitas esfriam-se até a hora que são liberados para comer,alimentando-se mesmo na lavoura.Isso os fazem ganhar tempo para que voltem às suas atividades de trabalho, que muitos pesquisadores indicam ser análogas à escravidão.

Sem equipamentos de proteção individual (EPIs), os boias-frias manuseiam ferramentas pesadas e de grande risco à vida, como facões afiados e enxadas. As únicas formas de segurança encontram usando roupas longas, luvas e chapéus. Mesmo devido a isso, muitas mortes ocorrem, embora na maioria das vezes não são comprovadas devido à falta das leis trabalhistas, que, portanto, não os dão assistência. A queima da cana-de-açúcar, técnica criada para cortar mais rápido e fácil e ter maior produtividade, desencadeia cânceres e outras doenças, no estado de São Paulo, a queima é frequente, no entanto, leis obrigam que ela não ocorra mais até o ano de 2017. Embora em outros estados do país, ainda essas leis não existam.

O problema se agrava ao perceber que a expansão do agronegócio, principalmente em países das zonas periféricas ou comumente situados no hemisfério sul, a exemplo do Brasil e dos países africanos ganha força e intensidade, concentrando nas mãos de poucos proprietários grandes extensas faixas de terras, sejam estas cultiváveis ou não. Essa concentração ainda é mantida pelas leis e aparatos que regem historicamente essas nações, agravando as desigualdades presentes e mantendo a estrutura fundiária desses países.

Gean Alef Cardoso

Referências Bibliográficas

SILVA, M. A. M., MENEZES, M. A., RIBEIRO, J. D. Estado e regulação das relações de trabalho nos canaviais do Brasil. (p. 61-85). BAENINGER, R; MACIEL, L. (Org.). Região Administrativa Central. Campinas: Núcleo de Estudos de População – Nepo/Unicamp, 2013.

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