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Aquecimento Global

 

O aquecimento global é um fenômeno climático de escala global, onde a temperatura da terra aumenta. Esse fenômeno não é recente, acredita-se que ele esteja ocorrendo desde 1800 (apesar de que o aquecimento global dessa época é tolerável, já que ele é considerado uma recuperação da Terra da era glacial).

Entretanto, a causa desse aquecimento ainda é debatida pelos cientistas. Muitos atribuem a causa às atividades humanas. O IPCC (Painel Intergovernamental para as Mudanças Climáticas) no seu último relatório diz que a maior parte do aquecimento global dos últimos 50 anos se deve a um aumento do efeito de estufa, havendo evidência de que a maioria do aquecimento seja devido a atividades humanas.

A principal evidência do aquecimento global vem de comparações de temperaturas desde 1860.

Os maiores aumentos foram em dois períodos: 1910 a 1945 e 1976 a 2000. De 1945 a 1976, houve um ligeiro esfriamento global que fez com que os cientistas suspeitassem que iria ocorrer um esfriamento global. O aquecimento ocorrido não foi igual em todo mundo, ou seja, acredita-se que os continentes tenham aquecido mais do que os oceanos.

Os estudos indicam que a variação da irradiação solar pode ter contribuído em cerca de 50% para o aquecimento global ocorrido entre 1900 e 2000. Outras evidências que nos mostram a variação das temperaturas é a cobertura de neve das montanhas e de áreas geladas, o aumento do nível dos mares, o aumento das precipitações.

Os satélite mostram uma diminuição de 10% na área que é coberta por neve desde os anos 60.

A área da cobertura de gelo no hemisfério norte na primavera e verão também diminuiu em cerca de 10% a 15% desde.

Estudos mostram que a maior intensidade das tempestades estava relacionada com o aumento da temperatura da superfície da faixa tropical do Atlântico. Esses fatores teriam sido responsáveis, em grande parte, pela violenta temporada de furacões registrada no mundo.

Causas possíveis

Cientistas acreditam que o aumento da temperatura da Terra é causado pelo de gases poluente na atmosfera que causa um aumento do efeito estufa.

A Terra recebe radiação emitida pelo Sol e devolve grande parte dela para o espaço através de radiação de calor.

Os gases responsáveis pelo efeito estufa absorvem alguma radiação que vem da superfície da Terra e radiam a energia absorvida de volta para a Terra.

Isso resulta numa superfície com quase o dobro de energia que recebe do Sol e cerca de 30ºC mais quente do que estaria sem os gases. Sem esse aquecimento, a vida, como a conhecemos, não poderia existir. O problema é que os poluentes aumentam esse efeito de radiação, podendo ser os responsáveis pelo aumento da temperatura superficial global.

Esses poluentes estão aumentando por causa das queimadas de florestas, poluição de indústrias e de carros, entre outros motivos.

Há várias causas aceitáveis do aquecimento global.

Entre elas:

O vapor de água vem da junção de água e calor, uma combinação que cada vez se tornará mais freqüente, e sendo ele o gás de estufa mais importante, contribuirá em larga escala com o efeito estufa.

O reflexo no gelo pode acabar, pois com o calor, e sua conseqüente evaporação, o espaço por ele ocupado deixaria de refletir 80% do calor e apenas 10%. O tanto que a água reflete.

A absorção de gás carbônico diminuiria, já que os principais responsáveis pelo processo, os oceanos, têm dificuldade em absorver o gás carbônico quando aumentam as temperaturas.

Os gases que estão presos às geleiras, quando estas derreterem, podem se transformar em gás metano, que contribui pesadamente para o efeito estufa.

O uso de aerossóis pode aumentar o calor global, já que estes, podem criar nuvens refletoras da luz solar.

Consequências

Por causa das conseqüências que o aquecimento global pode trazer, ele é assunto de várias discussões. Vários fenômenos ambientais são atribuídos a ele.

Suas conseqüências não só podem influenciar nas atividades humanas mas também todo ecossistema, fazendo com que animais tenham que se mudar de seus habitats naturais, correndo o risco de não sobreviverem e serem levados à extinção, ou então fazendo com que o nível dos oceanos aumentem, ou até mesmo uma grande catástrofe ambiental.

Essas conseqüências já chegaram e nos próximos anos vão se intensificar, tornando ciclones, tempestades, furacões da intensidade do Katrina mais freqüentes em áreas nunca vistas, como o Brasil, tsunamis mais presentes em todo o mundo, uma grande perda de fauna e flora, o alagamento e a desertificação de várias cidades e ondas de calor em lugares nunca imaginados, como a Europa.

Com o aumento das temperaturas e dos oceanos, este, por causa de suas expansões térmicas e o derretimento das geleiras, aumentará também a umidade no ar, o que favorecerá a formação de nuvens e consequentemente chuvas, provocando a formação de aguaceiros e erosão. Muitos dizem que isso pode causar resultados ainda mais extremos no clima.

Segundo a revista Super Interessante o aquecimento global já está fazendo vítimas, com o nível do mar mais alto, ilhas estão desaparecendo e seus moradores não tem aonde ir: “Medições das última cinco décadas mostram que o nível do mar no Pacífico Sul está subindo um milímetro por ano. Se continuar nesse ritmo a maioria das ilhas desaparecerá em poucas décadas. O que fazer com quem nasceu nelas?”.

O aquecimento global também pode apresentar efeitos menos óbvios. A Corrente do Atlântico Norte, por exemplo, atinge a área das Ilhas Britânicas. E aparentemente ela está diminuindo à medida que a temperatura aumenta. Áreas como a das Ilhas Britânicas que são aquecidas pela corrente poderão ter climas mais frios e relação ao aumento do aquecimento global.

A disputa pelas causas do aquecimento global

A teoria do efeito estufa é um assunto estritamente científico que trata do aquecimento adicional dos ambientes. Sobre este assunto não há qualquer controvérsia. A controvérsia, que se tornou mais política do que científica, vem das causas do aquecimento global acelerado que a maioria dos pesquisadores devido às emissões de gases poluentes na atmosfera devido a ações humanas. As discussões visam saber o que deve ser feito em relação ao aquecimento global.

Agropecuária e o Aquecimento Global

No Brasil, um dos setores que mais contribui para a geração de gases do efeito estufa (GEE) é a agropecuária. No setor de agricultura e agropecuária, a pecuária é o sub-setor com maior emissão de GEEs (corresponde a 18% do efeito estufa) devido a digestão do gado bovino. Uma redução no consumo mundial de carne bovina é uma das medidas possíveis para conter o efeito estufa.

Para melhor aproveitamento desse material que na natureza só poderia prejudicar, o melhor aproveitamento seria transformar em biocombustível

O Aquecimento Global em Uraí

O aquecimento global, por ser um fenômeno de larga escala, atinge até mesmo cidades como a nossa. E suas conseqüências já podem ser observadas em riachos que secam, chuvas que diminuem, temperaturas que aumentam, estações do ano não definidas, entre outros fatos.

Por pensar que tais problemas não atingirão nosso município, as pessoas não dão a devida importância às conseqüências que podemos ter e negligenciam os cuidados com o meio-ambiente.

Como evidência de que o aquecimento global também afeta Uraí, podemos citar o episódio em fevereiro deste ano, em que houve uma grande ventania, o qual derrubou várias árvores e interditou estradas.

Em entrevista, o agricultor e dono de “pesque-pague”, Seizi Taketa, diz que pelo simples fato de haver plantio de mata ciliar e a extinção das queimadas já houve uma melhora no meio ambiente: “Agora ficou muito bom, porque o riacho aqui não seca mais, não tem muita queimada e a turma está toda plantando árvores na beira do rio, então está melhorando todas as coisas” diz Seizi.

Já o agricultor José Benedito Gomes, 67, diz que “O descuido com o ambiente no nosso município é antigo, principalmente com a lavoura de café que destruía a vegetação local”.

E que: “Eu estou fazendo a minha parte plantando a mata ciliar, e para melhorarmos a situação terrível que estamos passando com uma desregulada variação de tempo é preciso uma conscientização ambiental para que os agricultores não pratiquem as queimadas e arborizem as suas terras não utilizadas para plantio”.

Assim percebemos que para uma melhora realmente notável é necessário a mudança de atitude de vários setores, não somente plantando mata ciliar, mas também sendo consciente de que aquecimento global é coisa séria.

Fonte: www.fcmaria.org.br

Aquecimento Global

Aquecimento Global

O Aquecimento global é um fenômenos climático de larga extensão, um aumento da temperatura média superficial global que vem acontecendo nos últimos 150 anos. O significado deste aumento de temperatura é objeto de análise por parte dos cientistas. Causas naturais ou responsabilidade humana?

Grande parte da comunidade científica acredita que o aumento de concentração de poluentes de origem humana na atmosfera é causa do efeito estufa.

A Terra recebe radiação emitida pelo Sol e devolve grande parte dela para o espaço através de radiação de calor. Os poluentes atmosféricos retêm uma parte dessa radiação que seria refletida para o espaço, em condições normais. Essa parte retida causa um importante aumento do aquecimento global.

Denomina-se efeito de estufa à absorção, pela atmosfera, de emissões infravermelhas impedindo que as mesmas escapem para o espaço exterior.

O efeito de estufa é uma característica da atmosfera terrestre, sem este efeito a temperatura seria muito mais baixa. O desequilíbrio atual acontece porque este efeito está a aumentar progressivamente.

Os principais gases causadores do efeito de estufa são: o dióxido de carbono (CO2), metano (Ch2) e óxido nitroso (N2O) e CFCs (clorofluorcarbonetos).

Atualmente as suas concentrações estão a aumentar. A concentração de dióxido de carbono na atmosfera aumenta devido à sua libertação através da indústria, transportes e pela desflorestação (as plantas retiram o dióxido de carbono da atmosfera).

A principal evidência do aquecimento global vem das medidas de temperatura de estações meteorológicas em todo o globo desde 1860. Os dados mostram que o aumento médio da temperatura foi de 0.5 ºC durante o século XX.

Os maiores aumentos foram em dois períodos: 1910 a 1945 e 1976 a 2000.

Evidências secundárias são obtidas através da observação das variações da cobertura de neve das montanhas e de áreas geladas que estão a diminuir, do aumento do nível global dos mares, do El Niño e outros eventos extremos de mau tempo. Maiores períodos de seca, furacões mais intensos e inundações são cada vez mais frequentes.

O Protocolo de Quioto visa a redução da emissão de gases causadores do efeito estufa. Contudo os EUA, o maior poluidor mundial, ainda não assinou esse protocolo.

O clima da Terra está a atingir um ponto de viragem

A temperatura da Terra, com o rápido aquecimento global dos últimos 30 anos, está agora a passar pelo nível de temperatura mais elevado do Holocénico, o período de clima relativamente estável que existe há mais de 10 mil anos. A subida de temperatura em um grau Celsius tornará a Terra mais quente do que foi no último milhão de anos.

A atitude de alheamento perante as emissões de CO2 produzidas pelos combustíveis fósseis, que na última década aumentaram 2 por cento ao ano, será responsável por um aquecimento adicional de 2 a 3 graus Celsius neste século. Tão drástico aumento implicará mudanças que praticamente darão origem a um planeta diferente.

O clima da Terra está quase a atingir, mas ainda não ultrapassou, um ponto de viragem além do qual será impossível evitar alterações climáticas de longo alcance e de consequências indesejáveis. Estas alterações compreendem não apenas a perda do Árctico como nós o conhecemos, com tudo o que isso implica para a vida selvagem e para as populações indígenas, mas também prejuízos em muito maior escala devido à subida do nível dos mares em todo mundo.

O nível do mar subirá primeiro lentamente, porque as perdas das orlas marítimas da Gronelândia e da Antárctica devido à aceleração das correntes de gelo são quase compensadas pelo aumento da queda de neve e pelo espessamento dos lençóis de gelo, que engrossarão os lençóis de gelo interiores. Mas à medida que o gelo da Gronelândia e do Oeste da Antárctica amolecer e for lubrificado pela água resultante da fusão, e que os bancos de gelo de sustentação desaparecerem devido ao aquecimento do oceano, a balança irá inclinar-se para a perda de gelo, provocando assim a rápida desagregação dos lençóis de gelo.

A história da Terra diz-nos que, com um aquecimento de 2 a 3 graus Celsius, o novo ponto de equilíbrio do nível do mar incluiria não apenas a maior parte do gelo da Gronelândia e do Oeste da Antárctica, mas uma percentagem do Leste da Antárctica, aumentando o nível do mar em 25 metros.

Dentro de um século, os habitantes das zonas costeiras terão de enfrentar inundações irregulares associadas a tempestades. Estes habitantes terão de reconstruir constantemente as suas casas acima de um nível de água transitório.

Aquecimento Global

Este cenário sombrio provocado pelo alheamento perante as alterações climáticas pode ser evitado se o aumento das emissões de gás estufa for reduzido no primeiro quartel deste século.

O objetivo de manter a subida do aquecimento global inferior a 1 grau para evitar o ponto de viragem requer duas coisas: primeiro nivelar e depois diminuir a taxa de crescimento das emissões de CO2, principalmente através de uma maior eficiência energética e, em segundo, diminuir as emissões de gases não CO2 que também afetam o aquecimento, particularmente o metano e o monóxido de carbono, e portanto o ozono da troposfera, bem como aerossóis e fuligem.

Estas ações têm de ser imediatas. Caso contrário, as infra-estruturas produtoras de CO2 que podem ser construídas na próxima década tornarão impraticável manter a subida do aquecimento global inferior a 1 grau Celsius. A maior preocupação relaciona-se com o grande número de centrais eléctricas alimentadas a carvão que a China, os Estados Unidos e a Índia projetam construir sem sequestração de CO2 (um processo segundo o qual o CO2 é separado da energia produzida e armazenado no subsolo).

O PROBLEMA CO2

O grande interesse no CO2 deve-se ao fato de se ter chegado à conclusão que, se todas as outras condições se mantiverem, o aumento de CO2 provocará um aquecimento global. O CO2 é um gás estufa. Absorve as radiações infra-vermelhas da Terra, reduzindo a emissão de calor para o espaço. Isto provoca um desequilíbrio temporário entre a quantidade de energia solar absorvida pela Terra e a energia libertada para o espaço. Por isso a Terra aquecerá até recuperar o equilíbrio energético.

O aquecimento global apenas nos últimos 30 anos é mais de meio grau Celsius, cerca de 1 grau Fahrenheit em 30 anos.

A boa notícia relativamente ao CO2 é que 40 por cento das emissões anuais de combustíveis fósseis continuam a ser absorvidas. E se diminuirmos as emissões de CO2 e melhorarmos as práticas de reflorestação e da agricultura, poderemos talvez aumentar a taxa de absorção. A má notícia é que para estabilizar a quantidade de CO2 na atmosfera poderá ser necessário reduzir as emissões entre 60 e 80 por cento. Mas, pelo contrário, as emissões continuam a aumentar - 2 por cento ao ano só na última década.

Será que um crescimento contínuo como este é inevitável ou existirá uma via alternativa viável? A longo prazo, a satisfação das necessidades energéticas e a diminuição simultânea das emissões de CO2 exigirão o desenvolvimento de energias renováveis, a sequestração do CO2 produzido nas centrais eléctricas e talvez uma nova geração de energia nuclear. Mas um nivelamento das emissões pode ser conseguido agora com uma melhoria da eficiência energética. É importante que os Estados Unidos, como líder tecnológico e maior produtor de CO2 em todo o mundo, assumam um papel de liderança.

Em geral, as emissões industriais de CO2 estão a decrescer. Os dois problemas são as emissões das centrais eléctricas e as emissões dos veículos. A solução em ambos os casos depende fundamentalmente da eficiência. No que respeita às centrais eléctricas, é preciso evitar construir uma infra-estrutura deste tipo alimentada a combustível fóssil, a não ser que a sequestração seja uma realidade. Em relação aos veículos, a eficiência é vital devido ao rápido crescimento do número de veículos em todo o mundo. É falso afirmar que a tecnologia do hidrogénio será a solução de futuro. É preciso energia para fazer hidrogénio. A eficiência será sempre necessária. Ao obtê-la agora, poderemos entrar de imediato num cenário alternativo.

Nos Estados Unidos, apesar do número de veículos na estrada aumentar todos os anos, é possível sair da via das emissões crescentes aceitando nem que seja as recomendações moderadas que propõem um faseamento das melhorias de eficiência, que atingiriam cerca de 30 por cento até 2030. Isto seria baseado na tecnologia disponível, o que dá aos fabricantes de veículos muito tempo para se prepararem.

O benefício acumulado em 35 anos com apenas esta ação moderada, mesmo sem a adição de veículos de motor a hidrogénio, é uma poupança de petróleo igual a mais de sete vezes a quantidade de petróleo que o U.S. Geological Survey calcula existir no Alaska National Wildlife Refuge.

Quanto aos aspectos técnicos, fazer parar a subida da temperatura global para menos um grau Celsius está inteiramente ao nosso alcance. Tudo depende agora de um público informado que reforce a vontade política dos dirigentes deste planeta em aquecimento.

James Hansen

Fonte: www.malhatlantica.pt

Aquecimento Global

Devido ao fato dos gases da atmosfera espalharem o comprimento de luz azul melhor do que os outros comprimentos de onda, a aparência do limbo terrestre se mostra azulada.

Conforme a altitude cresce, a atmosfera se torna tão tênue que praticamente deixa de existir, fundindo-se no negro do espaço. Nesta imagem, captada pelos astronautas da ISS em julho de 2006, vemos claramente o efeito visual deste fenômeno. Observe que atmosfera impede a visão completa da lua, que parece emergir do limbo azul da Terra.

Tecnicamente, não existe uma divisão absoluta entre a atmosfera terrestre e o espaço, mas para os cientistas que estudam o balanço da energia que entra e sai de nosso planeta, convencionou-se que o topo da atmosfera se localiza a 100 km de altitude.

O topo da atmosfera é a região inferior da usina de força que permite a vida na Terra. É ali onde a energia do Sol, a maior parte composta de luz visível, entra no sistema terrestre. É também por esta região que a luz visível, refletida pela superfície do planeta e as ondas de calor, produzidas pelo aquecimento da superfície, deixam a Terra. O balanço entre a energia que entra e sai pelo topo da atmosfera é que determina a média da temperatura global. Esse mecanismo é conhecido como efeito estufa.

A habilidade dos gases componentes do Efeito Estufa presentes nesta região determinam a quantidade de energia térmica que deixa a Terra e é o fator chave do fenômeno conhecido como Aquecimento Global. No entanto, os gases do efeito estufa não são os únicos responsáveis na infuência do equilíbrio da energia que entra e sai do planeta. O

albedo, porcentagem entre a luz solar que atinge o planeta e o quanto este reflete de volta para o espaço, é outro fator determinante no clima da Terra, uma vez que a energia refletida para o espaço não retorna para aquecer o planeta. A cobertura de nuvens, a quantidade de gelo e a neve têm enorme influência em quanto a Terra é refletiva. Quando qualquer um desses fatores muda, altera-se também o albedo terrestre e consequentemente a energia enviada de volta para o espaço.

Por serem o gelo e a neve extremamente refletivos, os pesquisadores acreditam que o crescente derretimento de material nas regiões polares deverá acelerar ainda mais o o aquecimento global, já que sua redução diminuirá também o albedo terrestre.

Efeito Estufa

Durante o dia, uma parte da energia irradiada pelo Sol é captada e absorvida pela superfície da Terra, enquanto outra parte é irradiada de volta para a atmosfera.

De uma forma natural, os gases que existem na atmosfera funcionam como uma espécie de capa protetora que impede que o calor se disperse totalmente para o espaço exterior. Isso evita que durante a noite o calor se perca, mantendo o planeta aquecido durante a ausência do Sol.

Todo o processe que cria o efeito estufa é natural. Caso não existisse, a temperatura da superfície seria cerca de 34 graus mais baixa, praticamente impedindo a vida na Terra.

Alguns gases, como o CO2 (dióxido de Carbono) criam uma espécie barreira, exatamente igual a uma estufa, daí o nome do efeito. Essa barreira deixa passar livremente os raios solares mas impede que o calor saia.

Pelo exposto, é fácil concluir que um aumento no nível de CO2 na atmosfera aumentará a quantidade de calor aprisionado. Esse aumento de temperatura pelo efeito estufa é a causa primária do fenômeno do aquecimento global.

Como se vê, o Efeito Estufa gerado naturalmente pela natureza é fundamental para a vida na Terra. No entanto, se a composição dos gases for alterada, para mais ou para menos, o equilíbrio térmico da Terra também sofrerá mudanças.

O CO2 é responsável por cerca de 64% do efeito estufa e é formado pela queima incompleta dos combustíveis fósseis, entre eles o petróleo, gás natural, carvão e a desflorestação.

Fonte: www.apolo11.com

Aquecimento Global

Mudança Climática e Energias Renováveis

A Revolução Industrial marca, de forma muito clara, o início de um processo de transformações progressivas que vêm ocorrendo em diversas áreas da humanidade, sobretudo na economia, na sociedade, na tecnologia e no meio ambiente.

As causas e consequências da mudança global do clima estão fortemente ligadas a estes quatro aspectos, e sua análise nos permite compreender melhor esta afirmação.

O advento do tear a vapor, que marca o começo da Revolução Industrial, representa também o início de um aumento acelerado do consumo de combustíveis fósseis. O carvão mineral tornava-se então o principal combustível das novas máquinas a vapor, cuja utilização cresceria de forma vertiginosa ao longo do século XIX.

Posteriormente, a utilização de derivados do petróleo como fonte energética para iluminação através da sua combustão em lampiões, seguindo-se a isto uma ampliação fenomenal do uso de derivados de petróleo e do gás natural em motores de combustão, cujas finalidades foram se diversificando à medida em que o processo de industrialização seguia seu curso, explicam a explosão no consumo de combustíveis fósseis desencadeada pela Revolução Industrial.

Os combustíveis fósseis são formados pela decomposição de matéria orgânica através de um processo que leva milhares e milhares de anos e, por este motivo, não são renováveis ao longo da escala de tempo humana, ainda que ao longo de uma escala de tempo geológica esses combustíveis continuem a ser formados pela natureza. O carvão mineral, os derivados do petróleo (tais como a gasolina, óleo diesel, óleo combustível, o GLP - ou gás de cozinha -, entre outros) e ainda, o gás natural, são os combustíveis fósseis mais utilizados e mais conhecidos.

O aumento do controle e do uso, por parte do Homem, da energia contida nesses combustíveis fósseis, abundantes e baratos, foi determinante para as transformações econômicas, sociais, tecnológicas - e infelizmente ambientais - que vêm ocorrendo desde então.

Dentre as conseqüências ambientais do processo de industrialização e do inerente e progressivo consumo de combustíveis fósseis - leia-se energia -, destaca-se o aumento da contaminação do ar por gases e material particulado, provenientes justamente da queima destes combustíveis, gerando uma série de impactos locais sobre a saúde humana. Outros gases causam impactos em regiões diferentes dos pontos a partir dos quais são emitidos, como é o caso da chuva ácida.

A mudança global do clima é um outro problema ambiental, porém bastante mais complexo e que traz consequências possivelmente catastróficas. Este problema vem sendo causado pela intensificação do efeito estufa que, por sua vez, está relacionada ao aumento da concentração, na atmosfera da Terra, de gases que possuem características específicas. Estes gases permitem a entrada da luz solar, mas impedem que parte do calor no qual a luz se transforma volte para o espaço. Este processo de aprisionamento do calor é análogo ao que ocorre em uma estufa - daí o nome atribuído a esse fenômeno e também aos gases que possuem essa propriedade de aprisionamento parcial de calor, chamados de gases de efeito estufa (GEE), dentre os quais destaca-se o dióxido de carbono (CO2).

É importante notar que o dióxido de carbono, bem como os outros GEE em geral (vapor d'água, por exemplo), não causam, em absoluto, nenhum dano à saúde e não "sujam" o meio ambiente. Seria incorreto classificar estes gases como poluentes -, já que os mesmos não possuem as duas características básicas de um poluente segundo a definição tradicional do termo (idéia de dano à saúde e/ou sujeira). Todavia, novas definições de poluição, mais técnicas e abrangentes, fizeram-se necessárias e surgiram ao longo da última década, fazendo com que os gases de efeito estufa fossem classificados como poluentes.

Essas novas definições, porém, são muito pouco usuais e o cidadão comum não tem, em geral, acesso às mesmas. Mais do que simplificar a comunicação, a classificação dos gases de efeito estufa como poluentes confunde o público leigo, induzindo-o a pensar erroneamente que esses gases causam danos à saúde e/ou que têm efeito local, o que não é verdade. Por este motivo, recomenda-se que o termo emissão de gases de efeito estufa seja utilizado em substituição à poluição, sobretudo fora do meio especializado.

Cabe lembrar que o efeito estufa existe na Terra independentemente da ação do homem.

É importante que este fenômeno não seja visto como um problema: sem o efeito estufa, o sol não conseguiria aquecer a Terra o suficiente para que ela fosse habitável. A temperatura média do planeta estaria em torno de 17º C negativos, cerca de 32º C inferior à temperatura média atual. Portanto o problema não é o efeito estufa, mas sim sua intensificação.

É importante notar também que o aumento das emissões e das concentrações atmosféricas de CO2, ocorrido a partir da RI, está nitidamente relacionado ao aumento do consumo dos combustíveis fósseis. Por sua vez, o aumento da presença do CO2 e de outros GEE, medidos pela sua concentração, é o responsável pela intensificação do efeito estufa e pelo aumento do calor aprisionado na atmosfera. Este calor adicional ou, dito de outra forma, este delta de energia térmica, tem uma influência determinante sobre o funcionamento do clima do planeta, já que essa energia é a responsável pela circulação dos ventos e dos oceanos, pela evaporação e pela precipitação.

Sendo assim, por meio desse processo, o Homem vem interferindo no funcionamento do sistema climático. Isto é o que afirma de forma categórica o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, ou simplesmente IPCC - do inglês Intergovernmental Panel on Climate Change, formado por milhares de cientistas do mundo, inclusive do Brasil.

Dentre as consequências desta interferência do Homem sobre o clima da Terra, destacam-se o aumento da temperatura média do planeta, a elevação do nível dos oceanos, o derretimento das geleiras e das calotas polares, perda de biodiversidade, aumento da incidência de doenças transmissíveis por mosquitos e outros vetores (malária, febre amarela, dengue e esquistossomose por exemplo), mudanças no regime de chuvas, intensificação de fenômenos extremos (tais como secas, inundações, furacões e tempestades tropicais), desertificação, perda de áreas agriculturáveis, acirramento dos problemas relacionados ao abastecimento de água doce, aumento de fluxos migratórios, entre outras.

A mudança climática coloca em questão os padrões de produção e consumo hoje vigentes, já que, como foi visto, suas causas estão ligadas sobretudo à queima/consumo de combustíveis fósseis, principal fonte primária da energia e força motriz da economia global. Atualmente fala-se muito em descarbonizar a matriz energética mundial, isto é, em aumentar a participação das energias renováveis em detrimento dos combustíveis fósseis. Isto seria uma condição necessária mas não suficiente para a atenuação da mudança do clima, que depende também de outras mudanças na infra-estrutura, na tecnologia e na economia.

Algumas fontes renováveis de energia, como a solar e a eólica por exemplo, não geram a emissão de GEE. Ora, a maioria destes contém o elemento carbono em sua composição, e por este motivo o termo descarbonizar vem sendo utilizado com este novo significado. Cabe ainda mencionar a energia hidrelétrica, outra fonte renovável, cujas emissões de GEE atualmente são consideradas inexistentes pelo IPCC.

No entanto, é importante citar estudos coordenados pela COPPE/UFRJ que revelam a existência de emissões de GEE, principalmente o CO2 e o metano (Ch2), nos reservatórios das grandes usinas hidrelétricas. A despeito da complexidade do assunto e da incompletude da pesquisa, é possível afirmar que uma unidade de energia gerada em usinas hidrelétricas contém menor quantidade de GEE do que uma unidade de energia gerada em usinas termelétricas com combustíveis fósseis e, por este motivo, do ponto de vista de mudança do clima, as usinas hidrelétricas, principalmente as de pequena escala, são bem vindas.

Outras fontes renováveis geram, contudo, a emissão de GEE, como por exemplo o álcool etílico e do biodiesel (produzido a partir de oleaginosas, gordura animal ou até mesmo de óleo vegetal usado).

Os processos de queima destes combustíveis geram CO2. No entanto, este CO2 faz parte de um ciclo renovável, ou seja, é retirado da atmosfera através da fotossíntese e fixado temporariamente na biomassa a partir do qual são produzidos os combustíveis (cana-de-açúcar, soja, etc.), até que estes sejam queimados novamente, formando-se com isto um ciclo. Este ciclo renovável é infinitamente mais curto do que o ciclo dos combustíveis fósseis.

É fundamental termos a exata noção da complexidade da descarbonização da matriz energética mundial. Esta é uma questão intrincada, já que não é possível prescindirmos de energia - e muita - e as fontes fósseis atualmente representam cerca de 80% da energia primária consumida no mundo, em que pese o crescimento recente das fontes renováveis.

A energia fóssil, além da principal força motriz do sistema econômico mundial, também influencia de forma significativa a quantidade e o tipo dos bens produzidos na economia mundial, e a redução no uso de combustíveis fósseis depende de mudanças radicais, incluindo novas tecnologias e realocações econômicas no setor industrial e de transportes. Esta redução exigirá, por exemplo, que determinadas empresas - como empresas de geração de energia termelétrica a carvão, para citar uma - ou realizem uma mudança no núcleo dos seus negócios, ou sofram uma perda significativa de mercado. Isto tem gerado uma forte resistência por parte de algumas dessas empresas, muitas do quais possuem enorme peso econômico e político no cenário internacional.

A análise histórica da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima revela muito bem este conflito de interesses. Esta Convenção, que na verdade é apenas uma carta de princípios e objetivos, prevê em seu texto a continuidade do processo de negociação em torno dos meios pelos quais seus objetivos - sobretudo a estabilização da concentração de GEE na atmosfera - devem ser atingidos.

O Protocolo de Quioto, que foi adotado em dezembro de 1997 na cidade japonesa de mesmo nome pelos países que assinaram a Convenção, é um instrumento jurídico que representa justamente a continuidade do processo de negociação. O Protocolo de Quioto necessitava ainda de uma série de regulamentos complementares, o que foi concluído em Marraqueche no final de 2001. O alcance dos objetivos da Convenção, que também são do Protocolo, depende, dentre outros fatores, da descarbonização da matriz energética mundial - e isto em maior ou menor escala, dependendo dos cenários futuros de crescimento econômico, populacional e das mudanças tecnológicas.

O Protocolo representa uma diretriz na direção dessa descarbonização, ainda que não de forma explícita. Primeiro, estabelece metas quantitativas para reduzir as emissões de GEE, porém exclusivamente para as Partes da Convenção listadas no chamado Anexo I. Neste Anexo I, encontram-se listadas as economias industrializadas e as repúblicas da extinta União Soviética. Esta separação é feita porque a Convenção reconhece que esses países são os maiores responsáveis pelo problema e devem tomar a iniciativa para combatê-lo, em consonância com o princípio das responsabilidades comuns, mas diferenciadas, adotado em seu texto. De fato, estudos cientificamente consistentes revelam que a responsabilidade dos países em desenvolvimento (Não-Anexo I) é, em termos de contribuição para o aumento da temperatura média do planeta, ainda é muito pequena em relação aos países desenvolvidos (parte significativa do Anexo I), e permanecerá inferior até o final deste século.

As metas quantitativas para redução de emissão de GEE impostas pelo Protocolo são modestas do ponto de vista ambiental, pois contribuem muito pouco para a redução das emissões globais de GEE. Apesar disto, o cumprimento dessas metas não é de forma alguma tarefa simples. Sendo assim, para conferir alguma flexibilidade aos países do Anexo I, de forma que pudessem atingir suas metas mais facilmente, o Protocolo estabeleceu 3 mecanismos de mercado, dentre os quais o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), o único que envolve diretamente países em desenvolvimento.

As metas de redução do Protocolo, conjugadas aos mecanismos de mercado, tendem a gerar um custo de oportunidade para a geração de energia baseada em combustíveis fósseis, fomentando o uso de energias renováveis. A grosso modo, o Protocolo induziria a uma mudança do preço relativo entre fontes de energia fósseis e renováveis.

Ainda que absolutamente inaceitável, por se tratar de uma decisão unilateral tomada em um processo voluntário de negociação multilateral, existente desde 1990, é de fácil entendimento o anúncio feito em março de 2001, pelo presidente George W. Bush, de que os EUA estavam abandonando o Protocolo de Quioto.

O posicionamento da administração norte-americana era uma nítida reação, por parte da indústria de combustíveis fósseis, face à iminente perda de market share, o que, como vimos, tende a acontecer no caso do Protocolo entrar em vigor. Ora, esta indústria está muito bem representada pela atual administração da maior potência econômica e militar do planeta!

A mudança climática exemplifica muito bem a intrincada relação entre economia, energia, tecnologia, sociedade e seus impactos sobre o meio ambiente.

Por vários motivos, a mudança climática é um dos problemas ambientais mais graves do século: ela intensifica e é intensificada por outros problemas ambientais locais e regionais, o combate às suas causas é extremamente complexo, envolvendo intrincadas questões políticas e econômicas, além de possuir um caráter inercial - ou seja, as causas permanecem atuando por décadas mesmo depois de eliminadas. Ademais, suas consequências são possivelmente catastróficas e muitas delas irreversíveis.

A saída dos EUA do Protocolo de Quioto representa um retrocesso significativo em um caminho longo e árduo, que a humanidade tem que percorrer na direção de uma matriz energética mundial baseada, em sua maior parte, nas fontes renováveis de energia. Isto é condição necessária, ainda que não suficiente, para atenuar este grave problema e para que o bem-estar das gerações futuras não seja seriamente comprometido.

Fonte: www.vivaterra.org.br

Aquecimento Global

Doenças do aquecimento global

Para os mosquitos vai ser a festa, para os humanos, o caos

Imagine os Estados Unidos tomados por uma epidemia de dengue ou malária, a parte mediterrânea da Europa com surtos de leishmaniose, a América Central e o Sudeste Asiático infestados pelo cólera e o Brasil com mais casos de dengue. O cenário catastrófico, bem pouco provável hoje, pode se tornar real em cerca de cem anos, ou até menos, se a temperatura do planeta continuar subindo no ritmo atual e os países não caminharem com a mesma velocidade para prevenir a proliferação de epidemias — e, claro, não tentarem reverter o processo de aquecimento global. O problema tem motivado estudos em todo o mundo, a maioria com modelos matemáticos, que mostram como as alterações climáticas podem aumentar a distribuição de doenças transmitidas por vetores.

Uma das projeções mais recentes, publicada em agosto na revista médica inglesa 'The Lancet', prevê que até 2085, cerca de 50% a 60% da população mundial — algo em torno de 6 bilhões de pessoas — viverá em áreas de alto risco de transmissão de dengue. Em 1990 essa taxa era de 30% (cerca de 1,5 bilhão).

Dois novos estudos sobre cólera também ajudaram a reforçar essa relação entre altas temperaturas e doenças. Os trabalhos, publicados na revista científica americana 'Procee-dings of the National Academy of Science' (PNAS) — baseados em dados de Bangladesh, na Ásia, onde o problema é endêmico —, demonstraram que o aumento da temperatura no Pacífico provocado pelo El Niño tem relação direta com a incidência de epidemias de cólera na região, e que essa influência tem se tornado ainda mais intensa nas últimas décadas.

Desde os anos 50, a Terra sofreu um aquecimento de 0,6 ºC. A previsão do último Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, promovido pela ONU em 2001, é de que a temperatura possa aumentar até 5,8 ºC em 2100 (em relação a 1990). Uma variação de 5 ºC a 8 ºC só seria considerada normal em um período de mil anos, explica o climatologista Carlos Nobre, coordenador-geral do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos, órgão do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O principal responsável por esse verdadeiro inferno na Terra é o agravamento do efeito estufa — aprisionamento natural de calor na atmosfera pela concentração de gases, como o CO. 'Estamos vivendo em uma época em que a concentração de gases estufa atingiu um nível nunca experimentado pelo planeta nos últimos 5 milhões de anos. E o homem é o principal responsável.' E, ao que tudo indica, uma das principais vítimas também. Os possíveis efeitos da mudança climática — definida como as alterações nas taxas médias de temperatura de uma determinada região em um longo período — na saúde humana motivaram a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Conselho Americano de Ciência e Saúde a elaborarem relatórios para investigar as conseqüências dessa relação.

Mais Áreas de risco

Entre os problemas listados estão a diminuição na disponibilidade de água potável, desastres naturais e aumento de problemas cardiovasculares e respiratórios decorrentes da maior intensidade e duração das ondas de calor. Mas a maior preocupação dos especialistas é a alteração na distribuição e freqüência de doenças tropicais transmitidas por insetos, especialmente a dengue e a malária.

Áreas mais úmidas e quentes são ideais para a procriação do Aedes aegypti, mosquito que transmite o vírus da dengue. Os pesquisadores neozelandeses e australianos que fizeram a projeção sobre a distribuição da doença em 2085 levaram em conta o aumento da temperatura do planeta e a ocorrência de pancadas de chuvas (veja mapa ao lado). O microbiologista Alexandre Adler, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, explica que, com o calor, os ovos se transformam em mosquito mais rapidamente. O metabolismo do inseto também fica mais veloz e por isso ele precisa de mais alimento. 'A fêmea que picava alguém de 15 em 15 dias, passa a picar de 4 em 4. Isso aumenta a transmissão de doenças.'

Em relação à malária, considerada pela OMS a moléstia mais suscetível às variações climáticas, os pesquisadores ainda não chegaram a um consenso. Um estudo feito pela Escola Médica de Harvard, dos EUA, prevê que até a metade deste século, o aquecimento global colocará 60% dos seres humanos em áreas de risco.

Hoje são 45%, e aproximadamente 300 milhões de novas infecções ocorrem por ano. Por esse modelo haveria um adicional de 80 milhões de casos anuais. A doença duplicaria na Amazônia e na África tropical, espalhando-se pelo sul dos Estados Unidos e até pelo gelado norte da Rússia. Uma outra pesquisa, feita na Universidade de Oxford, na Inglaterra, com modelos matemáticos diferentes, afirma que o aumento será bem menor, de cerca de 30 milhões de casos a mais ao ano.

Independentemente das previsões futuras, casos de malária têm aparecido com mais freqüência em regiões onde praticamente não existia a doença. Nos Estados Unidos, por exemplo, existem algumas espécies do Anopheles, mosquito que transmite a doença, em regiões mais quentes, mas ultimamente eles têm se espalhado para outras áreas do país.

Em 2002, o país registrou o verão mais quente dos últimos 70 anos. 'Em países onde existe uma densidade alta de insetos nas terras baixas, se o continente é aquecido, esses mosquitos vão subir e se distribuir por áreas mais altas. Vão crescer onde antes eles não conseguiam porque fazia frio', afirma o professor Heitor Franco de Andrade Junior, do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo. Epidemias de malária também têm sido apontadas como uma das conseqüências após desastres naturais provocados pelo El Niño, como fortes chuvas, furacões e tufões. Nos climas secos, a precipitação forte pode criar poças, oferecendo condições favoráveis para a reprodução de mosquitos. Países como Equador, Peru e Bolívia sofreram sérias epidemias da doença após fortes chuvas em 1983.

Fonte: revistagalileu.globo.com

Aquecimento Global

 

"O mínimo que é cientificamente necessário
para combater o aquecimento global excede
de muito o máximo que é politicamente viável"
Al Gore1
"Os Estudos da Ciência têm mostrado porque
a ciência e a tecnologia não conseguem
resolver sempre os problemas técnicos no domínio
público. Em particular, a velocidade do pro-
cesso de tomada de decisão política é mais
rápida do que a velocidade da formação do
consenso científico"
Collins,HM & Evans, R2

Até cerca de cinqüenta anos atrás, havia uma crença, mais ou menos generalizada, rubricada pelo empirismo lógico, corrente epistemológica hegemônica na época, que a arena apropriada para avaliar a veracidade das teorias científicas nas ciências naturais era delimitada pelo chamado contexto da justificação. Vale dizer que tanto os critérios de verificação (Hempel) como os de falsificabilidade (Popper) envolviam operações essencialmente internas ao sistema da ciência.

Nesta ótica, a validação das teorias era um processo que não poderia sofrer nenhuma injunção social, política, econômica ou de qualquer outra natureza, fatores estes que se consideravam completamente irrelevantes na retificação ou ratificação dessas teorias. Estes e demais fatores pertenciam à jurisdição do contexto da descoberta, externo ao julgamento epistemológico das teorias científicas.

Essa situação se modificou após a aparição do texto de Kuhn3 no início da década de 60 e, mais tarde, com a evolução das disciplinas ligadas ao campo denominado de "Estudos Sociais da Ciência"4. Atualmente fala-se (ou se recusa a falar) na "guerra das ciências"5 , entre os "realistas" que ainda acreditam na objetividade e independência dos fenômenos estudados pelas ciências naturais e os "construtivistas"6 que acreditam na "construção" desses fenômenos, isto é, a noção que o conhecimento científico é uma criação humana realizada com os recursos materiais e culturais, e não a revelação de uma ordem natural e independente da ação humana. Entre estes dois limites se situam vários contextos epistemológicos, entre as quais o da Sociologia do Conhecimento Científico7.

De qualquer modo, mesmo sem entrarmos nesta "guerra", pode-se observar que quando as observações, experimentos e teorias não são suficientes, ou são contraditórios, abre-se um vazio ou um espaço que é preenchido por fatores extra científicos para colocar um fechamento nos debates.8

Isto significa que quando existe um dissenso ou incerteza entre os próprios cientistas num determinado setor, o espaço aberto pela subdeterminação das teorias propostas abre um campo fértil para a intromissão de fatores externos sejam eles políticos, econômicos, sociais ou mesmo éticos. Isto se torna tanto mais evidente quanto maior é o alcance e impacto econômico, social e político do campo de fenômenos estudados.

A pergunta que importa fazer é então: "Como se tomam decisões que devem supostamente ser baseadas em conhecimento científico antes que haja um consenso científico?"9

Ora, o exame de um fenômeno climático de alcance planetário e de enorme importância para as gerações futuras pode ilustrar o que foi dito acima.Trata-se do aquecimento global do planeta causado por um aumento dos gases chamados "de estufa", principalmente o C02, que bloqueiam a irradiação do calor de volta, da Terra, para o espaço. O aquecimento global é um fenômeno natural, mas cuja cota de exacerbação antropogênica (emissões de gases produtos de combustíveis fósseis, principalmente carvão e derivados de petróleo, de indústrias, refinarias, motores etc.) tem sido amplamente discutida. A previsibilidade e o grau do aquecimento global, inclusive as suas conseqüências, envolvem questões complexas sobre as quais os próprios especialistas ainda não formaram um consenso.

Esta complexidade imbrica questões de ordem científica (previsões de mudanças climáticas), econômica (custos dos prejuízos e custos da prevenção destas mudanças) políticas (pressões de lobies interessados e conseqüências eleitorais das medidas econômicas propostas), éticas (deve a geração atual pagar a conta do aquecimento global para evitar suas conseqüências desastrosas para as gerações futuras?). Para analisar a problemática do aquecimento global realizaram-se várias conferências internacionais10 e um acordo foi proposto em 1997, o Protocolo de Quioto.

Em termos objetivos as projeções obtidas por modelos simulados pelos especialistas em comutadores prevêem um aumento de temperatura média no planeta entre 1.40° C e 5.8° C no final do século XXI11. As conseqüências desastrosas deste aquecimento incluem, em geral, um clima mais quente e mais úmido com mais enchentes12 em algumas áreas e secas crônicas em outras. O aquecimento dos mares provocará um aumento do nível dos oceanos e conseqüente inundação de certas áreas litorâneas e a desaparição de certas geleiras. A umidade e o calor provocarão um aumento do número de insetos com o correlato aumento de algumas doenças por eles transmitidas, como a malária. É prevista uma redução das colheitas na maior parte das regiões tropicais e subtropicais onde a comida já é escassa. Como se isto não bastasse, haveria um decréscimo da água disponível e, por outro lado, maior risco de enchentes em determinados locais.

Como resultado, as partes mais pobres do globo serão as mais vulneráveis pela sua escassa capacidade de Adaptação. Estas pelo menos são algumas das conclusões do Terceiro Relatório do IPCC13.

O Protocolo de Quioto (1997) estipula que as emissões de poluentes causadores de aquecimento global deverão começar a ser reduzidas entre 2002 e 2012 em média 5.2% em relação aos níveis de 199014. Isto equivale a uma redução de 42% no nível atual de emissões. Foi também aprovado o chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, MDL, através do qual os países que precisam reduzir suas emissões podem comprar direitos dos países que têm créditos porque não emitiram o que teriam direito. Para entrar em vigor o protocolo precisa adquirir força legal, e para isto, precisa ser ratificado por pelo menos 55 países. É, porém, exigido que nesse grupo, estejam aquelas nações responsáveis por, no mínimo, 55% das emissões de gases. Como os Estados Unidos são responsáveis por cerca de mais de 30% das emissões, a sua omissão em ratificá-lo pode acarretar um bom atraso, uma vez que dos restantes 70% das emissões, países responsáveis por 55% precisariam ratificá-lo, isto é, praticamente a totalidade. Em verdade, praticamente, os Estados Unidos pouco precisam para dispor do poder de veto nesse protocolo.

A problemática do aquecimento global "aquece" também vivas polêmicas em torno de seus prováveis efeitos. Um pesquisador dinamarquês, Lomborg, escreveu uma obra com mais de mil páginas e milhares de notas em que faz uma análise dos dados ambientais. Suas conclusões contrariam as previsões usualmente mais pessimistas de seus colegas, inclusive do IPCC. O livro de Lomborg causou uma enxurrada de críticas, algumas dirigidas à sua própria competência16. A polêmica no âmbito da pesquisa científica envolve também enorme interesse econômico (o Instituto Americano de Petróleo avalia o custo de cortar as emissões de gases de acordo com o Protocolo de Quioto entre 200 a 300 bilhões de dólares por ano), e conseqüente intervenção de potentes lobis econômicos ligados às indústrias poluidoras. O custo do corte das emissões, de outro lado, aumentaria o preço de determinados produtos e certamente influenciaria negativamente boa parte do eleitorado norte-americano. Em verdade as equações custo-benefício da aprovação do Protocolo de Quioto variam de país a país, mas é inevitável que a carga maior deve cair sobre o país que mais polui que são os Estados Unidos.

Voltamos aqui ao ponto inicial deste pequeno texto, isto é que o tempo da decisão política é muitas vezes mais escasso que o tempo da decisão científica a partir do consenso. No caso da problemática do aquecimento global isto ficou óbvio na decisão do presidente Bush, o ano passado, de não ratificar o protocolo de Quioto, e após 11 meses, propor um plano alternativo.17

Malgrado a evidência científica a favor de providências imediatas para reduzir a emissão de poluentes tenha sido convincente para a maioria dos pesquisadores, algumas vozes influentes exprimiram o ponto de vista contrário18. É possível que pesquisas futuras, com simulações climáticas feitas por computadores mais poderosos e a obtenção de dados mais precisos, possam contribuir para o "fechamento" da questão no registro científico. De algum modo, parece que o "tempo" científico desta questão ainda não maturou suficientemente.

Mas o "tempo" político do Presidente Bush e seus partidários "fecha" nas próximas eleições presidenciais onde os lobis financiando a campanha, e o eleitor norte-americano votando, decidem para quem vai o poder.

Aproveitando-se de uma possível indeterminação científica na problemática do aquecimento global e premido por circunstâncias econômicas e políticas o presidente da mais potente nação do planeta toma uma decisão que poderá favorecer a economia de seu país em curto prazo mas que, possivelmente, irá causar enorme prejuízo e sofrimento, em escala planetária, às futuras gerações.

Isaac Epstein

Referências Bibliográficas

1. New York Review, 05/07/2001, p.38
2. Collins, H.M. & Evans, R. "The Third Wave of Science Studies", in Social Studies of Science, SAGE,Pub Londres, Vol. 32 n0 2 Abril 2002, p. 235/296
3. Kuhn, T.ª Estrutura das Revoluções Científicas, S.Paulo, Perspectiva, 1978
4. Biagioli, M. (Ed) The Science Studies Reader, Londres, Routledge, 1999
5. Henry, J. "Calls for a ceasefire in the science wars" in Nature, Vol. 395, Outubro 1998, p.557
Sokal, A & Bricmont, J. Impostures Intellectuelles, Psris, Ed. Odile Jacob, 1999, p 186/188
6. Gottfied,K. & Wilson,K,G. "Science as a cultural construct" in Nature, V.386,10/04/97, p.545/547
7. Bloor,D. & Henry, J. Scientific Knowledge, Univ. of Chicago Press, 1996
8. Collins,H.M. & Evans, R., Idem ,
9. Ib. pag. 241
10. A Reunião Rio 92; Berlim, 1995;Quioto, 1997; Buenos Aires 1998; Haia, 2000; Boon, Julho 2001; Marrakesh, Nov. 2001; a próxima de Johannesburg, Set.2002.
11. Este intervalo já dá uma idéia do grau de imprecisão e indeterminação destas previsões
12. Em verdade, as companhias de seguros já começam a pensar em reajustar seus prêmios em relação aos sinistros previstos, como inundações. (Cf. Pearce, F. "Insurers count cost of global warming" in NewScientist, 17/Julho/2002, p.17
13. McKibben, B. "Some Like it Hot" in The New York Review, 5 Julho de 2001, p.35/38. O IPCC (Intergovernamental Panel on Climate Change) é um grupo organizado sob os auspícios das Nações Unidas com a finalidade de estudar as mudanças de clima. A cada cinco anos representantes de cerca de 100 países propõem o nome de seus melhores especialistas em climatologia. Dos milhares de nomes sugeridos, a liderança do IPCC escolhe algumas centenas para cada um de três grupos de trabalho. Esta escolha é baseada nas publicações em revistas científicas indexadas e a cada cientista é atribuída a responsabilidade de resumir toda a literatura peneirada pela revisão dos pares, de um determinado aspecto do problema. Mais cientistas são convocados como revisores e críticos e no fim deste ciclo de cinco anos, pelo menos 1.500 especialistas, incluindo praticamente todo climatólogo do planeta esteve, de algum modo, envolvido no processo. Os relatórios dos grupos são, então, revistos novamente por especialistas selecionados pelos países membros e, finalmente, condensados em sumários técnicos novamente revistos em plenário para aprovação de um documento final.
14. Bolin, B. "The Quioto Negotiations on Climate Change: Science Perspective" in Science, 16/01/1998, p.330/331
15.Lomborg, B. The Skeptical Environmenalist, Cambridge Univ.Press, 2002 (www.lomborg .org)
16. Scientific American, Janeiro 2002, p.59/69
17. Sotero, P. "Países repudiam plano de Bush para Quioto, O Estado de S.Paulo, p. A9, 16 /02/2002
18. Lomborg, B. "Lutar contra o aquecimento é jogar dinheiro fora", O Estado de S.Paulo, 21/08/2001, p.A10

Fonte: www.diaadiaeducacao.pr.gov.br

Aquecimento Global

Aquecimento Global
Aquecimento Global

Ao mesmo tempo em que entrava em vigor o Protocolo de Kyoto, no último dia 16 de fevereiro, pesquisadores da Embrapa Informática Agropecuária e do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp concluíam uma pesquisa pioneira sobre as conseqüências do aquecimento global, causado pelo efeito estufa, para cinco importantes culturas agrícolas perenes no Brasil.

De acordo com o cenário traçado pelos especialistas, café, arroz, feijão, milho e soja terão suas áreas de cultivo reduzidas praticamente pela metade assim que a temperatura média da Terra estiver 5,8 graus Celsius acima da atual, situação prevista para ocorrer num prazo de 50 a 100 anos. O objetivo do trabalho, que já está à disposição dos interessados no site www.agritempo.gov.br/cthidro, é alertar as autoridades públicas e a comunidade científica para a necessidade da adoção de medidas que evitem o que pode vir a ser uma tragédia para a agricultura e a economia do país.

O estudo foi dividido em duas partes. A primeira, concluída em meados de 2003, cuidou apenas do café. O produto foi escolhido para iniciar o trabalho em razão da sua importância econômica, pois responde por cerca de 5% do PIB do agronegócio nacional (cerca de R$ 20 bilhões), e porque faz uma espécie de representação de outras culturas perenes.

Na ocasião, os especialistas estabeleceram um modelo de predição que permitiu projetar os possíveis impactos das mudanças climáticas sobre aquele produto agrícola. Foram considerados, para tanto, dados gerados por diversos organismos, entre eles os próprios centros que coordenaram a pesquisa. Assim, os cientistas analisaram informações como produtividade, área plantada, tipo de solo, volume de chuvas, entre outras.

Foram utilizados, ainda, prognósticos feitos pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima, cuja sigla em inglês é IPCC. De acordo com o órgão, a temperatura média da Terra deve aumentar até 5,8 graus Celsius entre os próximos 50 e 100 anos. Ressalte-se que, atualmente, já há pesquisadores considerando esta previsão tímida. Cientistas da Universidade de Oxford, na Inglaterra, falam em um aquecimento da ordem de até 11 graus Celsius no período.

De toda forma, ao cruzarem os dados elencados, os especialistas da Unicamp e da Embrapa conseguiram prever, de forma gradual e por meio de mapas e gráficos, como o café será afetado caso essas condições sejam confirmadas. A conclusão não poderia ser mais preocupante. Conforme o estudo, com a temperatura 5,8 graus Celsius mais quente do que a atual, o café simplesmente desapareceria dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás.

A tendência, conforme o diretor-associado do Cepagri, Hilton Silveira Pinto, é que as plantações de café sejam transferidas cada vez mais para o Sul. "Se as previsões de aquecimento se confirmarem, no futuro nós vamos tomar café produzido na Argentina", afirma. A migração deverá ocorrer, diz o especialista, porque as plantas "buscarão" uma espécie de equilíbrio climático em regiões consideradas frias atualmente. Validado o modelo de predição com o café, os pesquisadores passaram a analisar as demais culturas. Infelizmente, os resultados das simulações foram igualmente preocupantes. De acordo com o pesquisador da Embrapa Informática e coordenador da pesquisa, Eduardo Assad, medida que a ferramenta simula uma elevação de temperatura, menor se torna a área passível de cultivo desses produtos (confira mapas).

No caso do arroz, o acréscimo de apenas 1 grau Celsius na temperatura do planeta faria com que a área cultivável, com plantio em data adequada, caísse de 4,8 milhões para 4,6 milhões de quilômetros quadrados. No pior dos cenários considerados, com 5,8 graus Celsius a mais, a área seria reduzida para somente 3 milhões de quilômetros quadrados. Em relação ao feijão, milho e soja, os resultados obtidos pelo estudo não foram muito diferentes. De acordo com Assad, com a temperatura alcançando o limite máximo tomado para análise, as áreas aptas para a produção dessas culturas ficam drasticamente reduzidas, algumas delas em mais de 50%, como o caso da soja, que passaria dos 3,4 milhões de quilômetros quadrados atuais para algo em torno de 1,2 milhões de quilômetros quadrados, quando plantada nas datas mais adequadas. "Isso seria uma tragédia para o país, pois traria importantes impactos econômicos e sociais", afirma o pesquisador da Embrapa Informática.

Entenda-se como impactos econômicos e sociais a descapitalização dos agricultores, o desabastecimento do mercado, a elevação do preço dos produtos e o crescimento do desemprego em toda a cadeia formada pelo agronegócio, apenas para ficar nos exemplos mais pronunciados. Assad e Silveira Pinto destacam que esse tipo de predição não é um mero exercício de futurologia. Concebida com extremo rigor científico, a ferramenta constitui um valioso instrumento para auxiliar no planejamento de ações com capacidade de reverter ou pelo menos minimizar os problemas que podem advir do aquecimento global.

Para os especialistas, essas medidas têm basicamente dois objetivos: a mitigação e a adaptabilidade, com maior ênfase para esta última.

Na opinião de Assad, o Brasil não poderá prescindir dos avanços proporcionados pela biotecnologia. A busca por plantas mais resistentes ao calor, por exemplo, será condição indispensável para que o país não tenha a sua produção agrícola comprometida. "Possivelmente, a nossa melhor alternativa estará nos organismos geneticamente modificados", arrisca. A esta medida, acrescenta Silveira Pinto, deverão ser somadas outras, como a substituição de culturas em determinadas regiões e a ampliação da irrigação. O cenário está traçado.

Restam agora duas opções: enfrentar os desafios com competência ou encarar os possíveis reflexos do aquecimento do planeta como uma fatalidade. A pesquisa conjunta da Embrapa e Cepagri consumiu cerca de R$ 250 mil. Os recursos vieram do fundo setorial CT-Hidro/CNPq, Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e Finep, também vinculado ao MCT.

É um acordo internacional que estabelece metas de redução de gases poluentes para os países industrializados. O protocolo foi finalizado em 1997, baseado nos princípios do Tratado da ONU sobre Mudanças Climáticas, de 1992.

Quais as metas?

Países industrializados se comprometeram em reduzir, até 2012, as suas emissões de dióxido de carbono a níveis pelo menos 5% menores do que os que vigoravam em 1990. A meta de redução varia de um signatário para outro. Os países da União Européia, por exemplo, têm de cortar as emissões em 8%, enquanto o Japão se comprometeu com uma redução de 5%. Alguns países que têm emissões baixas podem até aumentá-las.

As metas estão sendo atingidas?

O total de emissões de dióxido de carbono caiu 3% entre 1990 e 2000. No entanto, a queda aconteceu principalmente por causa do declínio econômico nas ex-repúblicas soviéticas e mascarou um aumento de 8% nas emissões entre os países ricos. A ONU afirma que os países industrializados estão fora da meta e prevê para 2010 um aumento de 10% em relação a 1990. Segundo a organização, apenas quatro países da União Européia têm chance de atingir as metas.

Por que os Estados Unidos ficaram de fora do acordo?

O presidente George W. Bush retirou-se das negociações sobre o protocolo em 2001, alegando que a sua implementação prejudicaria a economia do país. O governo Bush considera o tratado “fatalmente fracassado”. Um dos argumentos é que não há exigência em relação aos países em desenvolvimento, para que também diminuam suas emissões. Bush disse ser a favor de reduções por meio de medidas voluntárias e novas tecnologias no campo energético.

Kyoto vai fazer uma grande diferença?

A maioria dos cientistas que estudam o clima diz que as metas instituídas em Kyoto apenas tocam a superfície do problema. O acordo visa a reduzir as emissões nos países industrializados em 5%. É praticamente consenso entre esses especialistas que, para evitar as piores conseqüências das mudanças climáticas, seria preciso uma redução de 60%. Os defensores do acordo dizem que o tratado fez com que vários países transformassem em lei a meta de reduções das emissões e que, sem o protocolo, políticos e empresas tentando implementar medidas ecológicas teriam dificuldades ainda maiores.

Qual a situação do Brasil e de outros países em desenvolvimento?

O acordo diz que os países em desenvolvimento, como o Brasil, são os que menos contribuem para as mudanças climáticas e, no entanto, tendem a ser os mais afetados pelos seus efeitos. Embora muitos tenham aderido ao protocolo, países em desenvolvimento não tiveram de se comprometer com metas específicas.

Como signatários, no entanto, eles precisam manter a ONU informada do seu nível de emissões e buscar o desenvolvimento de estratégias para as mudanças climáticas. Entre as grandes economias em desenvolvimento, a China e Índia também ratificaram o protocolo.

O que é o comércio de emissões?

O comércio de emissões consiste em permitir que países comprem e vendam cotas de emissões de gás carbônico. Dessa forma, países que poluem muito podem comprar "créditos" não usados por aqueles que geram pouca poluição. Depois de muitas negociações, os países agora podem ganhar créditos por atividades que aumentam a sua capacidade de absorver carbono, como o plantio de árvores e a conservação do solo.

Fonte: www.unicamp.br

Aquecimento Global

A intensificação do efeito estufa representa um grave problema, pois é a principal causa do aquecimento global, isto é, do aumento da temperatura média do nosso planeta.

Segundo os cientistas do IPCC, houve um crescimento de 0,6 ºC nos últimos 100 anos, o maior nos últimos mil anos. Além disso, a década de 90 e o ano de 1998 foram os mais quentes a partir de meados do século XIX.

Os cientistas prevêem que a temperatura irá continuar crescendo nos próximos 100 anos. No cenário mais otimista, estima-se que este aumento seja de 1,5º C, e no mais pessimista, de 5,8º C, 1º C superior ao aumento da temperatura média da Terra desde a última era glacial até os dias de hoje.

O aquecimento global vem gerando uma série de graves conseqüências, tais como a elevação do nível dos oceanos; o derretimento de geleiras, glaciares e calotas polares; mudanças nos regimes de chuvas e ventos; intensificação do processo de desertificação e perda de áreas agricultáveis. Pode também tornar mais intensos fenômenos extremos tais como furacões, tufões, ciclones, tempestades tropicais e inundações.

A causa deste aquecimento está ligada ao aumento da concentração atmosférica de GEE (gases de efeito estufa), que por sua vez é conseqüência direta do aumento da emissão destes gases provocada por determinadas atividades econômicas, sobretudo dos setores de energia e transportes e desmatamento.

Contudo, a evaporação do vapor d'água, por exemplo, faz parte de um ciclo natural fechado, o ciclo da água, e as atividades humanas não têm influência sobre o aumento da concentração deste gás.

Da mesma forma, outros gases de efeito estufa, incluindo o dióxido de carbono e o metano - os mais importantes - são liberados na atmosfera e absorvidos na biosfera também através de processos naturais, como por exemplo a fotossíntese, que libera e absorve dióxido de carbono da atmosfera

Fonte: www.centroclima.org.br

Aquecimento Global

Aquecimento Global
Aquecimento Global

O efeito estufa aquece a superfície da Terra em 33°C em média.

Esse aquecimento natural permite a existência de água líquida na Terra, o que se tornou base para a evolução biológica.

A temperatura média na superfície da Terra seria -18°C sem o efeito estufa. Porém, com o aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera, existe uma tendência de aumento da temperatura global média. (Martins, 2004).

O efeito estufa funciona da seguinte maneira: a Terra recebe energia emitida pelo sol na forma de radiação. Parte dessa radiação é refletida pela atmosfera e volta para o espaço. Da energia restante, que atravessa a atmosfera, parte é absorvida pela Terra e parte é refletida na forma de radiação infravermelha. Essa radiação atravessa novamente a atmosfera rumo ao espaço, porém, parte desta radiação é bloqueada e refletida para a terra novamente, principalmente pelas moléculas dos gases que possuem esta propriedade física de refletir a radiação infravermelha. São os chamados Gases Estufa. Quanto maior a concentração deles na atmosfera, maior será a quantidade de radiação infravermelha que fica retida no planeta.

Os principais Gases de Efeito Estufa (GEE) são: dióxido de carbono (CO2), metano (Ch2) e óxido nítrico (N2O).

A combustão de grandes quantidades de combustíveis fósseis tais como óleo diesel, gasolina e carvão, a derrubada e queimada de florestas, e a prática de alguns métodos utilizados na agricultura aumentaram a concentração de GEE, em especial o dióxido de carbono, na atmosfera principalmente após a Revolução Industrial.

Nos últimos sessenta anos a quantidade de dióxido de carbono emitida para a atmosfera pelo homem, principalmente devido ao aumento do uso de combustíveis fósseis, aumentou a concentração desse gás na atmosfera de 280 ppm (partes por milhão) , na era pré-industrial, para 365 ppm em 1995 (KEELING & WHORF, 1998). Atualmente a concentração de carbono atmosférico está em 379 ppm, segundo as últimas medidas feitas na estação de Mauna Loa, no Havaí (Martins, 2004)

A relação entre o fenômeno natural de efeito estufa e o aquecimento global deve-se ao aumento da capacidade da atmosfera de absorver irradiação infravermelha, o que é causado pelo aumento das emissões dos gases de efeito estufa que permitem a retenção de calor radiante próximo a superfície terrestre.

Outro vetor de acúmulo de carbono na atmosfera é o desmatamento. Em geral o processo de desmatamento consiste na derrubada e queima das árvores. Neste processo o carbono contido na madeira, na forma de biomassa, é liberado para atmosfera na forma de CO2.

As possíveis conseqüências relacionadas com o aquecimento global são: extinção de espécies animais e vegetais, já ameaçadas pela poluição e pela perda de habitat; grandes tempestades, inundações, estiagens e um aumento do nível do mar (de 9 a 88 cm é esperado para o ano 2100). Além disso, espera-se uma queda no rendimento na agricultura na maior parte das regiões tropicais e sub-tropicais - e em regiões temperadas também se o aumento de temperatura for maior do que alguns graus Celsius.

Fonte: www.thegreeninitiative.com

Aquecimento Global

Aquecimento Global
Aquecimento Global

O aquecimento global é o aumento da temperatura terrestre (não só numa zona específica, mas em todo o planeta) e tem preocupado a comunidade científica cada vez mais. Acredita-se que seja devido ao uso de combustíveis fósseis e outros processos em nível industrial, que levam à acumulação na atmosfera de gases propícios ao Efeito Estufa, tais como o Dióxido de Carbono, o Metano, o Óxido de Azoto e os CFCs.

Há muitas décadas que se sabe da capacidade que o Dióxido de Carbono tem para reter a radiação infravermelha do Sol na atmosfera, estabilizando assim a temperatura terrestre por meio do Efeito Estufa, mas, ao que parece, isto em nada preocupou a humanidade que continuou a produzir enormes quantidades deste e de outros gases de Efeito Estufa.

A grande preocupação é se os elevados índices de Dióxido de Carbono que se têm medido desde o século passado, e tendem a aumentar, podem vir a provocar um aumento na temperatura terrestre suficiente para trazer graves conseqüências à escala global, pondo em risco a sobrevivência dos seus habitantes.

Na realidade, desde 1850 temos assistido a um aumento gradual da temperatura global, algo que pode também ser causado pela flutuação natural desta grandeza.

Tais flutuações têm ocorrido naturalmente durante várias dezenas de milhões de anos ou, por vezes, mais bruscamente, em décadas. Estes fenômenos naturais bastante complexos e imprevisíveis podem ser a explicação para as alterações climáticas que a Terra tem sofrido, mas também é possível e mais provável que estas mudanças estejam sendo provocadas pelo aumento do Efeito Estufa, devido basicamente à atividade humana.

Para que se pudesse compreender plenamente a causa deste aumento da temperatura média do planeta, foi necessário fazer estudos exaustivos da variabilidade natural do clima. Mudanças, como as estações do ano, às quais estamos perfeitamente habituados, não são motivos de preocupação.

Na realidade, as oscilações anuais da temperatura que se têm verificado neste século estão bastante próximo das verificadas no século passado e, tendo os séculos XVI e XVII sido frios (numa escala de tempo bem mais curta do que engloba idades do gelo), o clima pode estar ainda a se recuperar dessa variação.

Desta forma os cientistas não podem afirmar que o aumento de temperatura global esteja de alguma forma relacionado com um aumento do Efeito Estufa, mas, no caso dos seus modelos para o próximo século estarem corretos, os motivos para preocupação serão muitos.

Segundo as medições da temperatura para épocas anteriores a 1860, desde quando se tem feito o registro das temperaturas em várias áreas de globo, as medidas puderam ser feitas a partir dos anéis de árvores, de sedimentos em lagos e nos gelos, o aumento de 2 a 6 ºC que se prevê para os próximos 100 anos seria maior do que qualquer aumento de temperatura alguma vez registrado desde o aparecimento da civilização humana na Terra. Desta forma torna-se assim quase certo que o aumento da temperatura que estamos enfrentando é causado pelo Homem e não se trata de um fenômeno natural.

No caso de não se tomarem medidas drásticas, de forma a controlar a emissão de gases de Efeito Estufa é quase certo que teremos que enfrentar um aumento da temperatura global que continuará indefinidamente, e cujos efeitos serão piores do que quaisquer efeitos provocados por flutuações naturais, o que quer dizer que iremos provavelmente assistir às maiores catástrofes naturais (agora causadas indiretamente pelo Homem) alguma vez registradas no planeta.

A criação de legislação mais apropriada sobre a emissão dos gases poluentes é de certa forma complicada por também existirem fontes de Dióxido de Carbono naturais (o qual manteve a temperatura terrestre estável desde idades pré-históricas), o que torna também o estudo deste fenômeno ainda mais complexo.

Há ainda a impossibilidade de comparar diretamente este aquecimento global com as mudanças de clima passadas devido à velocidade com que tudo está acontecendo. As analogias mais próximas que se podem estabelecer são com mudanças provocadas por alterações abruptas na circulação oceânica ou com o drástico arrefecimento global que levou à extinção dos dinossauros.

O que existe em comum entre todas estas mudanças de clima são extinções em massa, por todo o planeta tanto no nível da fauna como da flora. Esta analogia vem reforçar os modelos estabelecidos, nos quais prevêem que tanto os ecossistemas naturais como as comunidades humanas mais dependentes do clima venham a ser fortemente pressionados e postos em perigo.

Fonte: educar.sc.usp.br

Aquecimento Global

Aquecimento Global
Aquecimento Global

Estudo que aponta correlação entre aquecimento global e aumento dos furacões traz à tona debate sobre a influência do homem na natureza. Questão é uma das mais importantes na discussão ambiental atualmente

A recente onda de furacões nos EUA trouxe medo e desconfiança à população norte-americana. Em meio às notícias da tragédia, no entanto, uma pesquisa do climatologista do MIT (Massachusetts Institute of Technology), Kerry Emanuel, apontou indícios de que o aumento da intensidade e da duração dos furacões pode estar relacionado à elevação da temperatura da atmosfera terrestre.

O estudo trouxe à tona um dos maiores problemas que a humanidade precisará enfrentar no novo milênio. Neste especial preparado pelo Universia Brasil você vai saber mais sobre as consequências já vividas atualmente e saber o que os governos tem feito para conter o aquecimento do planeta.

O avanço do aquecimento global

As aterrorizantes passagens dos furacões Rita e Katrina pelo sul dos EUA chamaram a atenção dos pesquisadores para um fenômeno bastante discutido em todo o planeta nas últimas décadas: o crescimento do aquecimento global. Embora ainda não exista relação direta comprovada entre os dois fenômenos, estudos realizados pelo climatologista do MIT (Massachusetts Institute of Technology), Kerry Emanuel, apontaram que, nos últimos trinta e cinco anos, a duração e a intensidade dos furacões no Oceano Pacífico aumentaram.

O grande destaque na pesquisa, no entanto, foi a constatação de que, neste mesmo período, registrou-se uma forte elevação na temperatura atmosférica e na superfície do oceano. Embora ainda não esteja cientificamente comprovada a relação causa/efeito entre os dois fenômenos, os dados ligaram o alerta vermelho na comunidade científica. Preocupação constante dos ambientalistas, os indícios apontados na pesquisa mostram que o aquecimento global começa a apresentar sua conta agora, e não em médio prazo, como era esperado.

Os furacões, embora tenham provocado estragos irreparáveis, são apenas a ponta de um problema que pode trazer sérios problemas ao futuro da humanidade.

Problemas que, cada vez mais, começam a mostrar suas "garras", interferindo no clima, nas plantações, na qualidade do ar. "Hoje, não há dúvidas de que uma mudança climática se iniciou e está se desenvolvendo. Existem vários fatores que já apontam nesse sentido. O planeta está sofrendo um aquecimento que é significativo", afirma o professor do departamento de Geografia da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Fernando Livi.

Uma vez constatado o aquecimento global, teve início uma "caça às bruxas". Era preciso encontrar um culpado para as alterações climáticas.

Periodicamente, um novo vilão era encontrado: o consumo descontrolado de derivados do petróleo, a poluição industrial, o CFC, o CO2. Olhando para estas questões, não é difícil perceber que o ser humano e seus hábitos estão por trás de todos elas. Desmatando, incendiando e extraindo recursos naturais ao limite, o homem acabou por transformar em tragédia algo que pode ser apenas um dos ciclos do planeta.

"O que realmente existe é um aumento da temperatura global. Agora, a grande questão é se isso é um ciclo natural do planeta ou se está sendo provocado diretamente pela atividade humana", explica o professor do departamento de física da UFMS (Universidade Federal do Mato Grosso do Sul), Hamilton Pavão.

"O que se tem em consenso, é que, mesmo que este seja um ciclo natural, é certo que as atividades humanas estão interferindo e agravando essa situação de aquecimento. Essa é a realidade."

O Brasil e as conseqüências

Com o crescimento da temperatura global nos últimos vinte anos, as conseqüências já vinham se agravando nos últimos tempos. Inversões climáticas e derretimento das calotas polares foram os primeiros sinais de que algo estava errado. Hoje já se sabe, por exemplo, que, além destas conseqüências mais claras, há problemas não tão visíveis. "O aquecimento também muda as taxas de reações químicas dos componentes da atmosfera. Por conta dessas alterações, podemos ter produção de algumas espécies de forma mais rápida do que de outras. Isso pode ser uma conseqüência também", explica Pavão.

Quando estes sinais começaram a afetar a economia de alguns países, no entanto, surgiu uma cobrança mais intensa de políticas que colaborassem na redução dos prejuízos. Assim, criou-se a polêmica em torno da criação de acordos multi-laterais, como o protocolo de Kioto, que comprometessem as nações a combater as causas do aquecimento (leia mais no link "Soluções políticas). No Brasil não é diferente. No caso brasileiro, a grande questão se dá em torno dos problemas criados para a agricultura, elemento cada vez mais importante para a economia local.

Em um país de dimensões continentais, as conseqüências têm se apresentado de maneira distinta. Cada vez mais, regiões que tradicionalmente contavam com razoáveis períodos de chuva, como o sudeste e o sul, passam a conviver com longas estiagens. Ao mesmo tempo, as chuvas, quando chegam, superam completamente as expectativas – e o resultado, em alguns casos, chega a ser trágico, com fortes enchentes. Vale lembrar que, no início de 2004, a região Sul registrou a passagem do furacão Catarina, com ventos que variavam entre 118 km/h a 152 km/h.

Para exemplificar de maneira prática o que ocorre, pode-se tomar como exemplo a estiagem vivida no Rio Grande do Sul nos últimos anos. Sem chuvas, a quantidade de água do solo diminuiu sensivelmente, prejudicando o desenvolvimento da safra. "Tivemos uma estiagem no verão passado que prejudicou muito as plantações de milho e soja. A economia está começando a sofrer violentamente com o empobrecimento do campo e gerando índices de retração industrial e do comércio. O PIB do estado está começando a mostrar os números do que é uma seca prejudicando a produção agrícola", afirma Livi.

Segundo Livi, nos últimos dez anos, de cinco a sete safras foram prejudicadas pela falta de água no solo. O impacto, além de ambiental, também se transforma em um problema social. "O prejuízo por uma perda provocada pela falta de água é muito grande para a sociedade. E é para isso que precisamos nos preparar.

Ou com pesquisas que possibilitem ter culturas que nos dêem uma garantia de resistir à estiagem ou medidas como procurar ampliar as áreas de florestas, que mantêm a água no solo por mais tempo", diz.

Soluções

Atualmente, são poucas as perspectivas para a solução do problema. Investir na redução dos chamados gases-estufa pode reduzir os prejuízos, mas não saná-los. Além deles, crescem problemas graves e que também tem interferência nesse contexto, como os desmatamentos, os incêndios, o crescimento da fronteira agrícola. Para o professor Livi, o homem pode acabar sendo surpreendido pela própria natureza, que pode encontrar no crescente aquecimento global a solução para revertê-lo.

"Acredito que talvez sejamos surpreendidos, se o aquecimento global gerar um aumento significativo de nuvens, que geram um alto índice de reflexão da energia solar. Dessa forma, poderíamos ter um efeito de redução do aquecimento provocado por ele mesmo. Não sabemos se vai ocorrer, mas, fisicamente, é possível que ocorra", explica Livi. "Podemos ser agraciados com esses efeitos, que gerariam uma atenuação do aquecimento global. Esses fenômenos naturais têm poder de agir sobre o clima do planeta até em curto prazo."

Ainda assim, eliminada a ação do homem no meio-ambiente, fica a incerteza de saber se estamos passando por um ciclo climático do planeta. Se for esse o caso, dificilmente saberemos. "Se observarmos os períodos da terra, já passamos por uma era glacial e depois veio o degelo. Por essa observação, sabemos que já houve um aquecimento natural da terra, há milhões de anos. Então, como esses ciclos são muito lentos, talvez a gente não viva para saber se vai passar", finaliza Pavão.

Renato Marques

Fonte: www.universiabrasil.net

Aquecimento Global

Aquecimento Global
Aquecimento Global

Grande parte da comunidade científica acredita que o aumento de concentração de poluentes antropogênicos na atmosfera é causa do efeito estufa.

A Terra recebe radiação emitida pelo Sol e devolve grande parte dela para o espaço através de radiação de calor. Os poluentes atmosféricos estão retendo uma parte dessa radiação que seria refletida para o espaço, em condições normais. Essa parte retida causa um importante aumento do aquecimento global.

A principal evidência do aquecimento global vem das medidas de temperatura de estações metereológicas em todo o globo desde 1860. Os dados com a correção dos efeitos de "ilhas urbanas" mostra que o aumento médio da temperatura foi de 0.6+-0.2 C durante o século XX.

Os maiores aumentos foram em dois períodos: 1910 a 1945 e 1976 a 2000. (fonte IPCC).

Evidências secundárias são obtidas através da observação das variações da cobertura de neve das montanhas e de áreas geladas, do aumento do nível global dos mares, do aumento das precipitações, da cobertura de nuvens, do El Niño e outros eventos extremos de mau tempo durante o século XX.

Por exemplo, dados de satélite mostram uma diminuição de 10% na área que é coberta por neve desde os anos 60. A área da cobertura de gelo no hemisfério norte na primavera e verão também diminuiu em cerca de 10% a 15% desde 1950 e houve retração das montanhas geladas em regiões não polares durante todo o século XX.(Fonte: IPCC).

Causas

Mudanças climáticas ocorrem devido a fatores internos e externos. Fatores internos são aqueles associados à complexidade derivada do fato dos sistemas climáticos serem sistemas caóticos não lineares. Fatores externos podem ser naturais ou antropogênicos.

O principal fator externo natural é a variabilidade da radiação solar, que depende dos ciclos solares e do fato de que a temperatura interna do sol vem aumentando. Fatores antropogênicos são aqueles da influência humana levando ao efeito estufa, o principal dos quais é a emissão de sulfatos que sobem até a estratosfera causando depleção da camada de ozônio (fonte:IPCC)

Cientistas concordam que fatores internos e externos naturais podem ocasionar mudanças climáticas significativas.

No último milénio dois importantes períodos de variação de temperatura ocorreram: um período quente conhecido como Período Medieval Quente e um frio conhecido como Pequena Idade do Gelo.

A variação de temperatura desses períodos tem magnitude similar ao do atual aquecimento e acredita-se terem sido causados por fatores internos e externos somente. A Pequena Idade do Gelo é atribuída à redução da atividade solar e alguns cientistas concordam que o aquecimento terrestre observado desde 1860 é uma reversão natural da Pequena Idade do Gelo ( Fonte: The Skeptical Environmentalist).

Entretanto grandes quantidades de gases tem sido emitidos para a atmosfera desde que começou a revolução industrial, a partir de 1750 as emissões de dióxido de carbono aumentaram 31%, metano 151%, óxido de nitrogênio 17% e ozônio troposférico 36% (Fonte IPCC).

A maior parte destes gases são produzidos pela queima de combustíveis fósseis. Os cientistas pensam que a redução das áreas de florestas tropicais tem contribuído, assim como as florestas antigas, para o aumento do carbono. No entanto florestas novas nos Estados Unidos e na Rússia contribuem para absorver dióxido de carbono e desde 1990 a quantidade de carbono absorvido é maior que a quantidade liberada no desflorestamento. Nem todo dióxido de carbono emitido para a atmosfera se acumula nela, metade é absorvido pelos mares e florestas.

A real importância de cada causa proposta pode somente ser estabelecida pela quantificação exata de cada fator envolvido. Fatores internos e externos podem ser quantificados pela análise de simulações baseadas nos melhores modelos climáticos.

A influência de fatores externos pode ser comparada usando conceitos de força radiotiva. Uma força radiotiva positiva esquenta o planeta e uma negativa o esfria. Emissões antropogênicas de gases, depleção do ozônio estratosférico e radiação solar tem força radioativa positiva e aerosóis tem o seu uso como força radiotiva negativa.(fonte IPCC).

Modelos climáticos

Simulações climáticas mostram que o aquecimento ocorrido de 1910 até 1945 podem ser explicado somente por forças internas-meio-ambiente e naturais (variação da radiação solar) mas o aquecimento ocorrido de 1976 a 2000 necessita da emissão de gases antropogênicos causadores do efeito estufa para ser explicado.

A maioria da comunidade científica está atualmente convencida de que uma proporção significativa do aquecimento global observado é causado pela emissão de gases causadores do efeito estufa emitidos pela atividade humana. (Fonte IPC)

Esta conclusão depende da exatidão dos modelos usados e da estimativa correta dos fatores externos. A maioria dos cientistas concorda que importantes características climáticas estejam sendo incorretamente incorporadas nos modelos climáticos, mas eles também pensam que modelos melhores não mudariam a conclusão. (Source: IPCC)

Os críticos dizem que há falhas nos modelos e que fatores externos não levados em consideração poderiam alterar as conclusões acima. Os críticos dizem que simulações climáticas são incapazes de modelar os efeitos resfriadores das partículas, ajustar a retroalimentação do vapor de água e levar em conta o papel das nuvens.

Críticos também mostram que o Sol pode ter uma maior cota de responsabilidade no aquecimento global atualmente observado do que o aceite pela maioria da comunidade científica. Alguns efeitos solares indiretos podem ser muito importantes e não são levados em conta pelos modelos.

Assim, a parte do aquecimento global causado pela ação humana poderia ser menor do que se pensa atualmente. (Fonte: The Skeptical Environmentalist)

Efeitos

Devido aos efeitos potenciais sobre a saúde humana, economia e meio ambiente o aquecimento global tem sido fonte de grande preocupação.

Algumas importantes mudanças ambientais tem sido observadas e foram ligadas ao aquecimento global. Os exemplos de evidências secundárias citadas abaixo (diminuição da cobertura de gelo, aumento do nível do mar, mudanças dos padrões climáticos) são exemplos das consequências do aquecimento global que podem influenciar não somente as atividades humanas mas também os ecosistemas.

Aumento da temperatura global permite que um ecosistema mude; algumas espécies podem ser forçadas a sair dos seus habitats (possibilidade de extinção) devido a mudanças nas condições enquanto outras podem espalhar-se, invadindo outros ecossistemas.

Entretanto, o aquecimento global também pode ter efeitos positivos, uma vez que aumentos de temperaturas e aumento de concentrações de CO2 podem aprimorar a produtividade do ecosistema. Observações de satélites mostram que a produtividade do hemisfério Norte aumentou desde 1982.

Por outro lado é fato de que o total da quantidade de biomassa produzida não é necessáriamente muito boa, uma vez que a biodiversidade pode no silêncio diminuir ainda mais um pequeno número de espécie que esteja florescendo.

Uma outra causa grande preocupação é o aumento do nível do mar. O nível dos mares está aumentando em 0.01 a 0.02 metros por década e em alguns países insulares no Oceano Pacífico são expressivamente preocupantes, porque cedo eles estarão debaixo de água.

O aquecimento global provoca subida dos mares principalmente por causa da expansão térmica da água dos oceanos, mas alguns cientistas estão preocupados que no futuro, a camada de gelo polar e os glaciares derretam. Em consequência haverá aumento do nível, em muitos metros. No momento, os cientistas não esperam um maior derretimento nos próximos 100 anos. (Fontes: IPCC para os dados e as publicações da grande imprensa para as percepções gerais de que as mudanças climáticas).

Como o clima fica mais quente, a evaporação aumenta. Isto provoca pesados aguaceiros e mais erosão. Muitas pessoas pensam que isto poderá causar resultados mais extremos no clima como progressivo aquecimento global.

O aquecimento global também pode apresentar efeitos menos óbvios. A Corrente do Atlântico Norte,por exemplo, provocada por diferenças entre a temperatura entre os mares. Aparentemente ela está diminuindo conforme as médias da temperatura global aumentam, isso significa que áreas como a Escandinávia e a Inglaterra que são aquecidas pela corrente devem apresentar climas mais frios a despeito do aumento do calor global.

Painel Intergovernamental sobre as Mudanças do Clima (IPCC)

Como este é um tema de grande importância, os govenos precisam de previsões de tendências futuras das mudanças globais de forma que possam tomar decisões políticas que evitem impactos indesejáveis.

O aquecimento global está sendo estudado pelo Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC). O último relatório do IPCC faz algumas previsões a respeito das mudanças climáticas. Tais previsões são a base para os atuais debates políticos e científicos.

As previsões do IPCC baseiam-se nos mesmos modelos utilizados para estabelecer a importância de diferentes fatores no aquecimento global.

Tais modelos alimentam-se dos dados sobre emissões antropogênicas dos gases causadores de efeito estufa e de aerosóis, gerados a partir de 35 cenários distintos, que variam entre pessimistas e optimistas.

As previsões do aquecimento global dependem do tipo de cenário levado em consideração, nenhum dos quais leva em consideração qualquer medida para evitar o aquecimento global.

O último relatório do IPCC projeta um aumento médio de temperatura superficial do planeta entre 1,4 e 5,8º C entre 1990 a 2100. O nível do mar deve subir de 0,1 a 0,9 metros nesse mesmo período.

Apesar das previsões do IPCC serem consideradas as melhores disponíveis, elas são o centro de uma grande controvérsia científica. O IPCC admite a necessidade do desenvolvimento de melhores modelos analíticos e compreensão científica dos fenômenos climáticos, assim como a existência de incertezas no campo. Críticos apontam para o fato de que os dados disponíveis não são suficientes para determinar a importância real dos gases causadores do efeito estufa nas mudanças climáticas. A sensibilidade do clima aos gases estufa estaria sendo sobrestimada enquanto fatores externos subestimados.

Por outro lado, o IPCC não atribui qualquer probabilidade aos cenários em que suas previsões são baseadas. Segundo os críticos isso leva a distorções dos resultados finais, pois os cenários que predizem maiores impactos seriam menos passíveis de concretização por contradizerem as bases do racionalismo económico.

Convenção - Quadro Sobre Mudanças Climáticas e o Protocolo de Kyoto

Mesmo havendo dúvidas sobre sua importância e causas, o aquecimento global é percebido pelo grande público e por diversos líderes políticos como uma ameaça potencial. Por se tratar de um cenário semelhante ao da tragédia dos comuns, apenas acordos internacionais seriam capazes de propôr uma política de redução nas emissões de gases estufa que, de outra forma, os países evitariam implementar de forma unilateral.

Do Protocolo de Kyoto a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas foram ratificadas por todos os países industrializados que concordaram em reduzir suas emissões abaixo do nível registrado em 1990. Ficou acertado que os países em desenvolvimento ficariam isentos do acordo.

Contudo, President Bush, presidente dos os Estados Unidos -- país responsável por cerca de um terço das emissões mundiais, decidiu manter o seu país fora do acordo. Essa decisão provocou uma acalorada controvérsia ao redor do mundo, com profundas ramificações políticas e ideológicas.

Para avaliar a eficácia do Protocolo de Kyoto, é necessário comparar o aquecimento global com e sem o acordo. Diversos autores independentes concordam que o impacto do protocolo no fenômeno é pequeno (uma redução de 0,15 num aquecimento de 2ºC em 2100). Mesmo alguns defensores de Kyoto concordam que seu impacto é reduzido, mas o vêem como um primeiro passo com mais significado político que prático, para futuras reduções. No momento, é necessária uma analise feita pelo IPCC para resolver essa questão.

O Protocolo de Kyoto também pode ser avaliado comparando-se ganhos e custos.

Diferentes análises econômicas mostram que o Protocolo de Kyoto pode ser mais dispendioso do que o aquecimento global que procura evitar. Contudo, os defensores da proposta argumentam que enquanto os cortes iniciais dos gases estufa têm pouco impacto, eles criam um precedente para cortes maiores no futuro.

Fonte: www.jornaldomeioambiente.com.br

Aquecimento Global

Aquecimento Global. De quem é a Culpa?

Nestes últimos anos, mas principalmente no início deste milênio, os cientistas estão chamando a atenção e alertando as pessoas sobre a rápida e catastrófica mudança climática. Os meios de comunicação veiculam com mais ênfase em seus noticiários e documentários o tema sobre o Aquecimento Global e suas conseqüências nas mais diversas áreas do planeta.

Regiões que eram frias e geladas estão sendo castigadas por ondas de calor, outras que eram naturalmente mais quentes sofrem um superaquecimento, ocasionando a morte de pessoas idosas e de crianças. Tempestades violentas atingem o Brasil, principalmente as regiões Sul e Sudeste. Lembro do Katrina que atingiu Santa Catarina e o Rio Grande do Sul, classificado quase como um furacão de categoria um, numa escala que vai de um a cinco. Fortes ciclones, tornados, furacões e tufões estão ficando cada vez mais freqüentes, causando mortes e destruições em várias regiões do planeta. O crescente número de desertos que vão surgindo devido ao aumento da temperatura provoca a morte de espécies de animais e vegetais, desequilibrando ecossistemas.

O desmatamento vem como aliado neste processo. A tendência é aumentar cada vez mais as regiões desérticas em nosso país e no planeta. O derretimento das calotas polares compromete a segurança das cidades litorâneas devido à subida e o avanço dos oceanos. Podemos imaginar que daqui a poucos anos Veneza, na Itália, vai perder a sua fama e beleza pois muitas cidades à beira-mar serão como Veneza; em vez de ruas, canais; em vez de veículos, gôndolas. Correm até o risco de virarem uma Atlântida, a cidade submersa e perdida.

Causas

A pergunta que se faz hoje é quem ou o que pode estar provocando tudo isso. Num modo geral, os cientistas e pesquisadores do clima em escala mundial afirmam que este aquecimento global está ocorrendo em função do aumento de poluentes, principalmente de gases derivados da queima de combustíveis fósseis na atmosfera. Gases como o ozônio, gás carbônico e principalmente o monóxido de carbono, formam uma camada de poluentes, de difícil dispersão, causando o famoso efeito estufa. Somando a tudo isto, temos os desmatamentos e as queimadas de florestas e matas que colaboram significativamente para este processo.

Ele ocorre quando os raios do Sol atingem o solo e irradiam calor na atmosfera. Como esta camada de poluentes dificulta a dispersão do calor, o resultado é o aumento da temperatura global.

O Protocolo de Kyoto, tratado internacional discutido no Japão em 1997, é a maior comprovação desse consenso. Por meio desse documento, ratificado em 1999 pelos países signatários, menos os Estados Unidos e Austrália, os governantes, junto dos pesquisadores, mostraram ter ciência do problema e da parcela de culpa humana. Tanto que se comprometeram a reduzir em 5,2% a emissão de gases poluentes até 2012, segundo parâmetros de 1990.

As Nações Unidas têm um órgão chamado Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC). Ele prevê um aumento de três graus na temperatura global nos próximos 100 anos. Mas pode chegar a seis graus se houver uma emissão indiscriminada de poluentes. Mesmo assim, um pequeno grupo de cientistas ainda nega a importância do ser humano nesse processo. As causas seriam contingências do universo, entre elas as oscilações típicas na radiação solar. Essa visão é questionada por organismos de estudo internacionais vinculados ao IPCC. Devemos lembrar aqui que o planeta, ao longo dos seus milhões de anos, passou por várias transformações, entre elas as climáticas. Enfoco as eras de glaciações que ocorreram no planeta, os congelamentos e os degelos glaciais. É um processo natural estarmos caminhando para um novo período destes; porém, está sendo acelerado pela ação do ser humano.

Olhando para esta realidade toda, podemos nos perguntar de quem é a culpa de tudo isto? Com certeza acharemos muitos culpados para esta realidade de destruição da nossa casa, o planeta Terra. Podemos citar países, governos, sistemas e até a religião como culpados por esta realidade de proporções catastróficas.

Consumo desenfreado

Quando olhamos para as grandes empresas e outros segmentos que poluem o meio ambiente, seja no Brasil ou no mundo, ficamos extremamente indignados, fazemos manifestações, abaixo-assinados.

Ou ficamos em casa, indiferentes, dizendo: “Que horror isto. Onde estão as autoridades políticas e ambientais?” E eu, não estou por acaso consumindo o que elas produzem? Exijo como consumidor que eles se enquadrem nas normas ambientais? Não estamos percebendo que, influenciados pelos meios, os grandes vilões passam despercebidos. São os sistemas econômicos de consumo desenfreado e os financeiros que, camuflados de “bens de consumo”, influenciam direta e indiretamente sobre o aquecimento global?

Nós, bilhões de habitantes, não calculamos o que consumimos e descartamos durante um ano como: aparelhos de celular e eletroeletrônicos, carros, móveis; embalagens, os cigarros e chicletes jogados no chão, pilhas, garrafas pet’s, lanches que têm quase mais embrulhos do que a própria comida, e assim vai...

Para que se renove este nosso estoque de consumo, induzido pelos meios econômicos e de produção de “coisas novas e práticas”, vem a dúvida: para onde vai o que nós bilhões de habitantes descartamos? Tudo realmente consegue ser reciclado ou reaproveitado para que não precisemos retirar só das fontes de matérias-primas? Diante desta demanda crescente de produtos, os meios econômicos correm para nos atender sem responsabilidade e controle algum.

Nós é que devemos parar de “poluir” com o que consumimos sem responsabilidade, mediante um sistema econômico de consumo desenfreado e desigual que só visa ao lucro. O consumismo também provoca indiretamente o aquecimento global.

E a Bíblia?

Em meus estudos e reflexões acadêmicas, tenho escutado em vários segmentos da universidade e da sociedade, que uma boa parte desta culpa pela destruição, seja da ecológica ou pelo aquecimento global, já vem da tradição judaico-cristã. Baseiam-se somente numa reflexão fundamentalista e parcial do Livro do Gênesis, no capítulo 1 nos versículos 26 e 28, acabam não tendo uma visão teológica correta e coerente, acabam por justificar nesta tradição, quase toda a culpa.

No Livro do Gênesis, capítulo 1 versículo 26 se lê: “...Que ele reine sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos e sobre toda a terra...” no versículo 28: “...enchei a terra e submetei-a; dominai sobre os peixes do mar, as aves do céu e todos os animais que rastejam sobre a terra.”

Numa leitura ao pé da letra e fora de contexto, corremos o risco de interpretar estas passagens como um forte argumento “divino” e de “fé” para usar indiscriminadamente e como quisermos, os recursos tão diversos e preciosos do planeta. Podemos até nos perguntar se estas passagens não estavam enrustidas em projetos e metas de vários sistemas políticos, ideológicos e econômicos ao longo da nossa história, às vezes, até em nome de “Deus”. Mas qual? O seu próprio.

Imaginemos uma empresa de grande porte, uma universidade, um hospital, uma fábrica de aviões, um laboratório farmacêutico, uma usina nuclear etc., onde os seus profissionais de ponta (reinar) não soubessem administrar bem os seus trabalhos e em equipe qual seria o resultado? Se eles também não soubessem controlar (submeter) os elementos pelos quais trabalham para os melhores fins, o que aconteceria? E por último, se não tivessem o domínio (dominar) do material e o conhecimento chegariam a algum lugar? Deus também nos capacitou como grandes administradores do planeta, profissionais competentes, que a partir da criação devemos evoluir na qualidade global de vida. Agora, como eu vou aplicar está leitura do Gênesis sem tirar pedaços para interesses próprios, religiosos ou de sistemas diversos, é que fará toda a diferença.

Este administrador primeiro, conforme o Gênesis, foi chamado a “cultivar e a guardar” Gn 2,15 e a dar “nomes aos seres vivos” Gn 2,19.

O bom administrador sabe cultivar valores e sabe dar nome àquilo que é de maior importância na sua vida: os familiares, as pessoas próximas, os amigos, os seres vivos, as descobertas nos diversos campos, os planetas e as estrelas no espaço, os lugares etc. O administrador de verdade descobriu na qualificação do amar suas aptidões para “cultivar e guardar” o que Deus lhe deu de melhor, as pessoas e o mundo. Como competente nisto, ele não irá criar sistemas econômicos e financeiros injustos, que destroem as pessoas pelo egoísmo, individualismo e indiferença, tendo como resultado final a destruição do planeta e o aquecimento global.

Precisa-se urgentemente deste administrador qualificado no amor para a vida diária. As bilhões de vagas já estão abertas...

Sésio Júnior Bitello

Fonte: www.pucrs.br

Aquecimento Global

Quando falamos em aquecimento global, estamos nos referindo ao fenômeno pelo qual a atmosfera se torna mais e mais capaz de reter o calor natural da Terra, muito além do nível considerado normal. Isso vem acontecendo por causa de um progressivo aumento na concentração dos gases nos últimos 100 anos.

Estes gases alteram as características da atmosfera, fazendo com que o calor fique concentrado como numa estufa. Daí vem a expressão “efeito estufa”, tão usada atualmente.

Outra expressão muito usada atualmente é “mudanças climáticas”.

Qual a relação com o aquecimento global?

O fato de a atmosfera reter mais e mais o calor leva a crer que a temperatura média do planeta vai aumentar. Por menor que seja este aumento, deverá influência muito forte sobre o regime de chuvas e secas em várias partes do globo, por exemplo. Só isso seria suficiente para afetar plantações e florestas.

Tende a haver também um degelo acelerado, tanto em picos mais elevados quanto nas próprias imediações do Ártico e da Antártida. O gelo derretido deve fazer com que o nível dos oceanos se eleve, encobrindo ilhas e invadindo continentes. As conseqüências são sérias para a vida na Terra no futuro próximo.

Por que há mais emissões?

Tal aumento tem sido provocado pelas atividades do homem, como a indústria e os veículos, que produzem emissões excessivas.

Entre os gases do efeito estufa que estão aumentando de concentração, o dióxido de carbono (CO2), o metano e o óxido nitroso são os mais importantes.

O CO2 é o que tem maior contribuição para o aquecimento porque representa 55% do total das emissões mundiais de gases do efeito estufa. O tempo de sua permanência na atmosfera é, no mínimo, de 100 anos, com impactos no clima ao longo de séculos.

A quantidade de metano emitida é bem menor, mas seu potencial de aquecimento é 20 vezes superior ao do CO2.

No caso do óxido nitroso e dos clorofluorocarbonos, suas concentrações são ainda menores, mas o poder estufa é, respectivamente, de 310 e 6.200-7.100 vezes maior do que o do CO2.

Fonte: www.estadao.com.br

Aquecimento Global

Aquecimento Global
Aquecimento Global

O clima de extremos

As últimas décadas têm sido um período de reflexão internacional sobre o meio ambiente. As mudanças causadas pelo aquecimento global propagam incerteza quanto ao futuro de nosso planeta.

Na edição de 2000, o World Institute, nos Estados Unidos, alertou para os dois grandes desafios para a sociedade global no século XXI: estabilizar o clima e o crescimento populacional.

A Terra vem passando por mudanças climáticas decorrentes do aumento da concentração de gases que provocam o efeito estufa na atmosfera.

Os gases causadores deste fenômeno são: Dióxido de Carbono (CO2), Metano (Ch2), Óxido Nitroso (N2O), Hidrofluorcarbonos (HFCs), Perfluorcarbonos (PFCs) e por último o Hexafluoreto de Enxofre (SF6).1 O mais poluente entre eles é o Dióxido de Carbono, cuja concentração na atmosfera saltou de 288 partes por milhão (ppm) no período pré-industrial (até 1750) para 378,9 ppm em 2005, de acordo com o estudo de Schein (SCHEIN,2006).

Esse gás é o principal responsável pela retenção do calor na atmosfera, impedindo que a radiação da superfície terrestre seja liberada de volta ao espaço. As principais fontes de emissão desse gás provêm de atividades humanas decorrentes da queima de combustíveis fósseis, como o petróleo e o carvão, das florestas em decomposição e do desmatamento. Essas atividades geradoras do aumento de gases do efeito estufa causam um efeito global, portanto, nenhum país está imune das conseqüências do aquecimento global, quer seja um agente passivo ou ativo nesse processo.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) foi criado em 1988, com a função de analisar, de modo cientifico, técnico e sócio-econômico as informações relevantes sobre mudanças climáticas. Em seu primeiro relatório, advertiu que, para conter o aquecimento global, seria necessário reduzir as emissões de Dióxido de Carbono em aproximadamente 60%. Em 1992, na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, no Brasil (Rio 92), foi assinada por quase todos os países, inclusive os Estados Unidos da América, a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática, marco na decisão mundial de enfrentar a ameaça. Dentro do contexto fornecido por essa Convenção foi elaborado, em 1997, em reunião das Nações Unidas no Japão, o Protocolo de Kyoto. Seu objetivo é diminuir a emissão de gases causadores do efeito estufa, sobretudo por meio de compromissos de países ricos no sentido de cortarem suas emissões de acordo com metas quantificáveis. Tais países, responsáveis por 71% da emissão global de CO2, deveriam reduzir em pouco mais de 5% suas emissões, em níveis inferiores aos existentes no ano de 1990, o que deveria ser implementado no período de 2008 a 2012.

Os sinais das mudanças climáticas parecem óbvios. Cientistas já comprovaram que houve um aumento de 0,7°C na temperatura do planeta nos últimos cem anos2. Com o planeta mais quente, alguns fenômenos do clima se tornam mais freqüentes e rigorosos, tais como os furacões e tempestades tropicais causadas pelo aumento na temperatura das águas oceânicas. Em 2004, o Estado de Santa Catarina foi cenário do primeiro furacão ocorrido na história do Oceano Atlântico Sul, conhecido como Catarina. Logo em seguida, em 2005, em Nova Orleans, nos Estados Unidos, um novo furacão com ventos em velocidade superior a 200 quilômetros por hora devastou grande parte da costa norte americana. 3

Em algumas regiões de altas latitudes, incluindo o Canadá e a Rússia, pode ocorrer um aumento dos índices pluviométricos, o que implicaria em invernos mais chuvosos e mais neve. Enquanto isso, outras regiões têm sofrido o fenômeno inverso. A escassez de chuva intensifica o processo de desertificação, tornando os solos ainda mais secos no verão e, conseqüentemente, provocando a ruína dos produtores rurais.

O aquecimento global também ameaça vários ecossistemas, como corais e florestas. Muitas espécies estão criticamente ameaçadas de extinção por não serem capazes de se adaptarem ao aumento na temperatura média. A proliferação de espécies de insetos de climas quentes causadores de doenças tende a aumentar, como conseqüência do aquecimento global.

Outra conseqüência desse fenômeno é a elevação nos níveis dos oceanos, devido ao aceleramento do derretimento das calotas polares. Nos Andes, as geleiras já perderam entre 20% e 30%, aproximadamente, de sua área total nos últimos 40 anos. Na Antártida, em 12 anos foram perdidos 14.000 quilômetros quadrados de gelo4. A mudança nos oceanos poderia provocar a contaminação dos lençóis de água subterrânea com sal, inundar estradas costeiras, construções e mangues, sepultar partes das maiores cidades do mundo debaixo de água, deixando centenas de milhares, talvez milhões de pessoas desabrigadas.

Os Estados Unidos são os maiores emissores de gases de efeito estufa na atmosfera. No entanto, não são somente os países desenvolvidos os únicos responsáveis por esse fenômeno. O Brasil, por exemplo, é o quarto maior responsável mundial pelo aquecimento global, não tanto devido aos veículos automotores e indústrias (apenas 25% das emissões brasileiras), mas principalmente em razão do desmatamento da Amazônia, o que representa 75% da contribuição do Brasil às mutações no clima global. Entre 2000 e 2005, o Brasil perdeu mais de 130.000 quilometros quadrados da floresta amazônica, o equivalente à soma das áreas de Portugal e Holanda.

Outra ameaça existente é a respeito da bacia hidrográfica da Amazônia, a maior do mundo: caso não sejam tomadas ações efetivas para conter o aquecimento global, corre-se o risco de, no futuro, essa área tornar-se uma savana. 5

Portanto, as medidas que devem ser adotadas para conter o aquecimento global não dependem somente dos países industrializados, principais poluidores, mas também dos países em desenvolvimento, que precisam assumir suas responsabilidades.

Soluções para conter o aquecimento global precisam ser elaboradas urgentemente, pois é esse o grande desafio e a maior ameaça ao futuro da humanidade.

Para o mundo em desenvolvimento, a participação desses países no debate, tanto político como acadêmico, deve ser presente e pró-ativa na elaboração das diretrizes que ditarão o futuro do planeta nos próximos anos.

Conforme afirmou José Miguez, coordenador geral de Mudanças Globais de Clima do Ministério de Ciência e Tecnologia do Brasil: “A ênfase (do sumário do quarto relatório-síntese do IPCC) acabou recaindo muito sobre os países do norte, por causa dos autores que redigiram o texto a partir dessa perspectiva”. A mesma realidade pode ser transposta a todos os níveis de debate acerca dessa matéria. A América do Sul tem papel preponderante entre os países periféricos quanto ao tema; contudo, é notória a falta de coordenação e de consenso entre os países do continente quando se trata da preservação do meio-ambiente.

A divisão clássica norte-sul, assim como a conformação dos continentes na cartografia política, se tornam em boa parte irrelevantes ao se tratar do aquecimento global, pois todos sofremos as mesmas conseqüências, que não se restringem somente às partes, mas ao todo: o planeta Terra.

Se, por um lado, existem muitas divergências no âmbito da política quanto ao tema em questão, um ponto é inegável em relação ao debate sobre o aquecimento global: as barreiras e entraves causados pelo prolongamento da discussão entre os extremos dificultam ações e soluções efetivas para o combate à ameaça global.

Juliana Baeza Burali

Citações

1 MAY, LUSTOSA e VINHA. Economia do Meio Ambiente. São Paulo: Editora Elsevier, 2003.
2 INTERGOVERNMENTAL PANEL ON CLIMATE CHANGE – IPCC. Emissions Scenarios: a special report of IPCC Working Group III (SRES). Cambridge: Cambridge University Press, 2000.
3 MARENGO, José. Mudanças Clim
4 Conforme Jefferson Cárdia Simões, do núcleo de pesquisa Antártidas e Climáticas da UFRGS (SIMÕES, 2005).
5 Conforme o quarto relatório de avaliação do IPCC, 2007.

Fonte: www.faap.br

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