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Ilhas de Calor

 

É um fenômeno climático que ocorre nos centros das grandes cidades devido aos seguintes fatores:

Elevada capacidade de absorção de calor de superfícies urbanas como o asfalto, paredes de tijolo ou concreto, telhas de barro e de amianto...
Falta de áreas revestidas de vegetação, prejudicando o albedo, o poder refletor de determinada superfície(quanto maior a vegetação, maior é o poder refletor) e logo levando a uma maior absorção de calor
Impermeabilização dos solos pelo calçamento e desvio da água por bueiros e galerias, o que rediz o processo de evaporação, assim não usando o calor, e sim absorvendo
Concentração de edifícios, que interfere na circulação dos ventos.
Poluição atmosférica que retém a radiação do calor, causando o aquecimento da atmosfera(Efeito Estufa)
Utilização de energia pelos veículos de combustão interna, pelas residências e pelas indústrias, aumentando o aquecimento da atmosfera.

Devido a esses fatores, o ar atmosférico na cidade é mais quente que nas áreas que circundam esta cidade.

Por exemplo, num campo de cultivo que situa-se nas redondezas de uma grande cidade, há absorção de 75% de calor enquanto no centro dessa cidade a absorção de calor chega a significativos 98%!

O nome ilha de calor dá-se pelo fato de uma cidade apresentar em seu centro uma taxa de calor muito alta, enquanto em suas redondezas a taxa de calor é normal. Ou seja, o poder refletor de calor de suas redondezas é muito maior do que no centro dessa cidade.

Fonte: www.angelfire.com

Ilhas de Calor

1. INTRODUÇÃO

Os grandes centros mundiais estão atualmente sofrendo as conseqüências de seu mau planejamento urbano, de seu deficiente ordenamento territorial e de seu errôneo modelo de desenvolvimento.

O meio ambiente urbano tem sua capacidade de suporte extrapolada a cada dia, consumindo mais do que o necessário e gerando mais resíduos (sólidos, líquidos e gasosos) do que o ambiente pode assimilar.

O modelo de desenvolvimento sustentável previsto pela Conferência de Estocolmo para o Desenvolvimento e Meio Ambiente (1972) não teve sua essência captada. O caminho escolhido é maléfico para o meio ambiente, incluindo aí o próprio homem. E as conseqüências geradas refletem seus aspectos no bem estar humano.

Uma das conseqüências geradas pelo processo de ocupação e desenvolvimento nestas metrópoles é o fenômeno Ilha Urbana de Calor. Quantidades de ar quente se fazem presentes em maior concentração no centro das cidades que sofrem com esse desequilíbrio. E essa condição dificulta a evaporação, reduz o poder de dispersão dos poluentes atmosféricos gerados trazendo complicações para a vida do homem nessas metrópoles.

2. Ilhas de Calor nas Áreas Metropolitanas

O processo de industrialização baseado na revolução técnico-científica e a urbanização promovem o crescimento acelerado das cidades, as quais sofrem profundas alterações na sua superfície e nas suas formas horizontais e verticais, o que resulta em fontes adicionais de calor provenientes das atividades antropogênicas.

A ilha de calor resulta da elevação das temperaturas médias nas zonas centrais da mancha urbana ou região metropolitana. Ocorrem basicamente devido às diferenças de irradiação de calor entre as regiões edificadas, das regiões com solo exposto e das regiões com vegetação e também à concentração de poluentes, maior nas zonas centrais da cidade.

altera o balanço da radiação da superfície ao provocar mudanças nos processos de absorção, transmissão e reflexão, e nas características da atmosfera local.

A substituição dos materiais naturais por grande quantidade de casas e prédios, ruas e avenidas, pontes e viadutos e uma série de outras construções, que é maior quanto mais se aproxima do centro das grandes cidades, altera o balanço da radiação da superfície ao provocar mudanças nos processos de absorção, transmissão e reflexão, e nas características da atmosfera local e faz aumentar significativamente a irradiação de calor para a atmosfera em comparação com as zonas periféricas ou rurais, onde, em geral, é maior a cobertura vegetal.

Na atmosfera das zonas centrais da cidade, é muito maior a concentração de gases e materiais particulados, lançados pelos automóveis e pelas fábricas, responsáveis por um efeito estufa localizado, que colabora para aumentar a retenção de calor. Sem contar com os automóveis, que são uma grande fonte de produção de calor o qual, se soma ao calor irradiado pelos edifícios, acentuando o fenômeno da ilha de calor (Lombardo, 1985).

Os materiais usados na construção, como o asfalto e o concreto, servem de refletores para o calor produzido na cidade e para o calor solar. De dia, os edifícios funcionam como um labirinto de reflexão nas camadas mais altas de ar aquecido. À noite a poluição do ar impede a dispersão de calor (Lombardo, 1985).

As cidades têm apresentado, genericamente, temperaturas mais elevadas que suas áreas circunvizinhas sejam estas cobertas por vegetação natural, cultivos ou solos nus.

3. Alguns estudos sobre Ilhas de Calor

Vários fatores contribuem para o desenvolvimento de uma ilha de calor urbana, conforme observado por OKE (1987).

Dentre os principais fatores, destaca-se a caracterização da cidade (corpos d'água, natureza do solo, vegetação, uso do solo, arquitetura, os materiais de construção e fontes antropogênicas), localização geográfica, topografia, climatologia urbana, sazonalidade e condições sinóticas do tempo (OKE, 1982).

A influência das condições atmosféricas na escala de tempo sazonal foi abordada por ACCKERMAN (1985). Seus resultados, extraídos de uma série temporal de 20 anos de dados, indicam que fatores sazonais tendem a modular o ciclo diurno na ilha de calor urbana.

KATSOULIS & THEOHARATOS (1985) analisaram registros de temperatura do ar no período de 22 anos (1961-1982), cobrindo a área de maior densidade populacional da cidade de Atenas. Seus resultados mostram um aumento da temperatura mínima média no período de estudo relacionado com o crescimento urbano.

O trabalho de BALLING & CERVENY (1986) associa a média mensal da intensidade dos ventos com o desenvolvimento da ilha de calor urbana em Phoenix, EUA. Os autores concluíram que as mudanças observadas no campo de vento em Phoenix estão relacionadas diretamente com a da ilha de calor urbana, devido ao aumento do gradiente de temperatura entre a área metropolitana e os seus arredores.

Segundo ICHINOSE et al (1999), em um estudo realizado sobre a cidade de Tóquio, Japão, a contribuição das fontes antropogênicas ultrapassa 50% do fluxo de calor total durante o dia no período de inverno.

4.Considerações Finais

O fenômeno ilhas de calor não ocorre apenas em metrópoles brasileiras, ocorre necessariamente em áreas urbanas. Esse problema ambiental é conseqüência de um planejamento urbano deficiente ou inexistente, que se desenvolve a partir de pressupostos que poderiam ser mitigados com ações tomadas previamente ao assentamento da população.

Temperaturas de superfície maiores foram detectadas em todos os centros de todas as metrópoles, ocorrendo um decréscimo da temperatura em relação às periferias. Em todas as metrópoles foi detectado um grande adensamento de edificações no centro da cidade, com construções que são feitas de materiais que possuem características de absorver mais radiação

e emitir mais calor para superfície. A topografia de quase todas as metrópoles estudadas não é favorável à dispersão de poluentes e particulados atmosféricos, fator que intensifica o fenômeno ilha urbana de calor.

O fato de uma metrópole estar inserida em um contexto de um país em desenvolvimento, possuindo um planejamento urbano e um direcionamento para o seu desenvolvimento não anula as condições favoráveis para o surgimento de problemas ambientais como a ilha urbana de calor.

Jairo Augusto Nogueira Pinheiro

5.Referências Bibliográficas

ANDRADE, L. L. ; SOUZA, Leticia Helena de ; SAKURAGI, Jojhy . Análise comparativa do fenômeno Ilha Urbana de Calor no verão e inverno por meio de dados termais do satélite Landsat 5 em São José dos Campos SP. In: X Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e VI Encontro Latino Americano de Pós-Graduação Universidade do Vale do Paraíba, 2006, Sao José dos Campos. X Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e VI Encontro Latino Americano de Pós-Graduação Universidade do Vale do Paraíba, 2006. p. 1819-1822.
ACCKERMAN, B. 1985. Temporal March of the Chicago Heat Island. Journal of Applied Meteorology, 24(6): 547–554.
BALLING, R. C. JR. & CERVENY, R. S. 1986. Long-Term Associations between Wind Speeds and the Urban Heat Island of Phoenix, Arizona. Journal of Applied Meteorology, 26(6): 712–716.
FREITAS, E.D.; SILVA DIAS, P.L. Alguns efeitos de áreas urbanas na geração de uma ilha de calor. Revista Brasileira de Meteorologia, Brasil, v. 20, n. 3, p. 355-366, 2005.
ICHINOSE, T.; SHIMODOZONO, K.; HANAKI, K. Impact of anthropogenic heat on urban climate in Tokyo. Atmos. Environ., 33, 3897-3909, 1999.
KATSOULIS, B. D. & THEOHARATOS, G. A. 1985. Indications of the Urban Heat Island in Athens, Greece, Journal of Applied Meteorology, 24(12): 1296–1302.
LOMBARDO, M. A. Ilha de Calor nas Metrópoles. Ed. Hucitec, São Paulo, 1985.
MORAES, N. O. ; PIMENTEL, L. C. G. ; Marton, E. . Simulações Numéricas da Formação de Ilha de Calor na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.. Anuário do Instituto de Geociências/UFRJ, Universidade Federal do RJ, v. 28 2, p. 116-138, 2005.
OKE, T. R. 1982. The Energetic basis of the Urban Heat Island. Q. J. R. Meteorol. Soc., 108: 1–23.
OKE, T. R. Boundary Layer Climates. Second Edition. Routledge London & New York. 435 pp. 1987.
TEZA, C.T.V.; BAPTISTA,G.M.M. Identificação do fenômeno ilhas urbanas de calor por meio de dados ASTER on demand 08 Kinetic Temperature (III): metrópoles brasileiras.. In: XII Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto, 2005, Goiânia. Anais do XII Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto. São José dos Campos : INPE, 2005. v. 1. p. 3911-3918.

Fonte: www.webartigos.com

Ilhas de Calor

 

Ilhas de Calor
O calor se concentra nos centros urbanos;
são as chamadas ilhas de calor

“Em áreas com grande concentração de prédios, asfalto e pouca área verde, como São Caetano, nota-se um aumento da temperatura em relação às áreas menos urbanizadas, como São Bernardo. O concreto e o asfalto têm maior capacidade de absorção de calor e impermeabilizam o solo fazendo com que a água evapore rapidamente e não possibilite o resfriamento e umidificação do ar” explica a bióloga Letícia Ito, de Santo André.

A especialista ainda afirma que as edificações também interferem na circulação dos ventos, intensificando o calor.

A diferença é sentida pelo estudante Alexandre Cassiano, que mora em São Bernardo, mas faz faculdade em São Caetano. “Saio de casa com blusa e quando chego na faculdade tenho que tirar porque está mais calor. É bem perceptível o mudança de clima entre as duas cidades”.

Mas as ilhas de calor não causam apenas o aumento da temperatura. O calor torna o ar mais quente e leve e, neste estado, ele é lançado na atmosfera, formando nuvens carregadas e tempestades. Isso explica por que São Caetano é a cidade com maior incidência de raios no país. Segundo o Grupo de Eletricidade Atmosférica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaçais (Elat/Inpe), caem, aproximadamente, 12 raios por quilômetro quadrado por ano no município.

Uma das formas de evitar a formação do fenômeno é a manutenção de áreas verdes nos centros urbanos. “Além de contribuir para a remoção dos poluentes no ar, as árvores ajudam a reduzir a temperatura. As copas das arvores protegem o solo da radiação solar intensa e influenciam nas correntes de vento, o que ajuda a amenizar a temperatura e a aumentar a umidade relativa do ar”, afirma a especialista.

TAMARA GASPAR

Fonte: www.metodista.br

Ilhas de Calor

Redução de ilhas de calor

Ilhas de calor são eventos microclimáticos urbanos, caracterizados quando o ar, em uma parte da cidade é mais seco e quente do que nos seus arredores - p.ex. a temperatura na Av. Paulista em São Paulo é 6ºC mais quente que a temperatura na região da serra da Cantareira (nos arredores da cidade).

São causadas por alterações no balanço natural dos fluxos de água e energia na atmosfera, como por exemplo, devido ao processo de urbanização e impermeabilização de superfícies antes cobertas com vegetação e solo.

As ilhas de calor reduzem a movimentação natural do ar, aumentando os níveis de poluição. Asfalto e outras superfícies negras empregadas na pavimentação de ruas e cobertura de edifícios, potencializam ainda mais esse efeito.

Telhados verdes atuam na mitigação deste efeito, reduzindo a área de superfícies impermeáveis da cidade que causam grandes elevações na temperatura.

A energia da luz solar é absorvida pelas plantas em biomassa, evitando a produção de calor. As plantas também ajudam a resfriar o ar através da evapotranspiração, lançando na atmosfera toneladas de vapor d'água.

Esse mesmo processo é responsável por 'roubar' o calor absorvido nas lajes, ajudando no resfriamento de construções cobertas com vegetação.

Todos esses processos trabalham de forma simultânea, em última instância reduzindo a necessidade de uso de ar-condicionados (horas/uso) e consequentemente reduzindo o consumo de energia elétrica.

Fonte: www.institutocidadejardim.com.br

Ilhas de Calor

Ilhas de Calor

As grandes cidades funcionam como ilhas térmicas, apresentando temperaturas superiores às das áreas vizinhas.

As diferenças de temperatura provocam uma intensa circulação de ar.

O ar quente que se forma nas áreas centrais, carregado de materiais poluentes, tende a subir até se resfriar. Resfriado, ele retorna à superfície, provocando nevoeiro na periferia urbana. Daí retorna para as áreas centrais, onde reinicia o ciclo.

Outro fenômeno atmosférico que causa problemas relacionados à poluição é a inversão térmica.

Ele ocorre durante o inverno: o ar próximo da superfície, que em geral é mais quente do que o ar das camadas superiores, se resfria e impede a formação das correntes de ar ascendentes na atmosfera que dispersariam os resíduos poluidores.

Fonte: www.klickeducacao.com.br

Ilhas de Calor

O que são as ilhas de calor?

As “ilhas de calor” são uma anomalia do clima que ocorrem quando a temperatura em determinadas regiões dos centros urbanos fica muito maior do que a temperatura nas regiões periféricas. Isso se dá por conta da alta densidade demográfica, pavimentação e diminuição da área verde, construção de prédios barrando a passagem do vento, grande quantidade de veículos e outros fatores que contribuem para o aumento da retenção de calor na superfície.

Em São Paulo, por exemplo, já chegou a ser registrada uma diferença de 10º Celsius entre uma temperatura medida no centro e na periferia da cidade, enquanto que a média mundial é de 9ºC.

Durante as estações quentes do ano, as partículas de ar que ficam sobre as metrópoles deslocam-se com maior rapidez para as camadas mais altas e carregam a umidade da brisa. Ao entrar em contato com temperaturas mais frias, há condensação das partículas e fortes chuvas.

Em um local menos urbanizado, com mais áreas verdes e menos prédios, a radiação solar seria absorvida normalmente pela vegetação e pelo solo, e dissipada através dos ventos. A vegetação devolveria essa radiação através da evapotranspiração enquanto que a ausência de poluentes permitiria que parte da radiação refletisse na superfície e fosse enviada para as camadas mais altas da atmosfera, diminuindo a quantidade de calor.

O problema é que a substituição da vegetação pelo asfalto e concreto faz com que a radiação solar seja absorvida por estes materiais e convertida em ondas de calor que ficarão armazenadas, em grande parte durante o dia, escapando à noite (o asfalto pode chegar a 46ºC em um dia de verão enquanto que a grama não ultrapassa os 32ºC). A construção de prédios cria uma barreira para os ventos não deixando que o calor seja dissipado.

A presença de material particulado no ar, proveniente das chaminés de indústrias e escapamentos dos carros cria uma camada que barra a reflexão natural da maior parte dos raios solares.

Fonte: www.sabesp.com.br

Ilhas de Calor

Palavras de uma climatologista brasileira

Em entrevista exclusiva concedida a Levon Boligian, um dos autores de Geografia – Espaço e Vivência (Atual Editora), a climatologista Magda Lombardo destaca a importância do educador na formação da consciência ambiental.

Professora Magda, você foi uma das primeiras cientistas a detectar o fenômeno das ilhas de calor formadas pelo excesso de pavimentação e de verticalização nas áreas urbanas. Como tem sido a evolução desse fenômeno?

Para dar uma referência básica da evolução do fenômeno, podemos tomar o exemplo de São Paulo.

Em 1985, descobri por meio de imagem termal a ilha de calor de São Paulo, uma das piores do mundo: havia uma diferença de calor de 10° C entre o centro e a periferia. Hoje a diferença aumentou para 12º C, ou seja, a ilha de calor piorou.

Que relação podemos estabelecer entre as ilhas de calor e o aquecimento global?

A dinâmica do aquecimento global em curso está diretamente relacionada com o processo industrial e capitalista.

Ao estudar as áreas urbanas, estamos tratando de algumas das principais fontes do aquecimento: a atividade industrial e o transporte. As cidades são fonte e sofrem as conseqüências desse processo. As ilhas de calor que nelas se criam nada mais são que desertos artificiais, ou seja, áreas onde se observa a elevação da temperatura e a diminuição da umidade relativa. O asfalto é o que mais aquece. Depois é a construção. Nós, citadinos, devemos pensar em como enfrentar as mudanças climáticas no plano local.

De acordo com seus estudos, as variações de temperatura entre o centro e a periferia são maiores no Brasil. Por que isso ocorre?

A explicação desse fenômeno está no processo de urbanização brasileiro, um dos mais contundentes que aconteceram na humanidade. Entre os anos 1950 e 1970, a ordem era urbanizar e industrializar a qualquer custo, sem controle de poluição, preservação de áreas verdes, nada. Nossas cidades adotaram um modelo de urbanização igual ao de São Paulo, cuja base é o cimento e a impermeabilização dos solos – ou seja, quanto maior o crescimento, mais área construída em detrimento das áreas arbóreas. Assim, de 1950 a 2007, houve uma grande multiplicação de ilhas de calor no território brasileiro.

Qual seria a função das áreas verdes?

A área verde tem quatro funções.

Primeiro, a climática: os lugares com mais áreas verdes são mais frescos. Há a função ecológica, de preservação da biodiversidade. E ainda as funções estética e de lazer. Na Colômbia, em Bogotá, foi implementado um projeto lindíssimo de arborização urbana, que redundou na diminuição de criminalidade. Nós, para sobrevivermos dentro da cidade, temos que ter árvores. Verde significa qualidade de vida.

Aumentar a área verde então é uma forma de melhorar a qualidade climática do local onde vivemos?

Sim. A vegetação e as lâminas d’água são importantes para minimizar o efeito da ilha de calor. E há outros efeitos positivos. Tive, por exemplo, a oportunidade de observar o resultado da aplicação do meu trabalho em Sacramento, na Califórnia, quando fiz um pós-doutorado. Com o aumento do espaço arbóreo da cidade em 30%, o consumo de ar-condicionado diminuiu e, conseqüentemente, houve queda no consumo de energia.

Por que 30% de área verde?

A área verde necessária aos centros urbanos não é calculada na base de metro quadrado de árvore por habitante. É uma relação entre a área construída e a área verde. Quando se trata de verticalização, é preciso dobrar a área verde, e sabemos que o processo de verticalização também é um modelo de São Paulo para todo o Brasil.

Em Berlim, por exemplo, há uma regra muito rígida em relação à altura dos prédios: cinco andares. E só se pode ocupar 55% de um terreno com construção, os outros 45% são reservados para vegetação, espaço livre.

Considerando grandes obstáculos, entre eles a especulação imobiliária, como garantir a preservação de áreas verdes nas nossas cidades?

Nossas políticas públicas têm que mudar, para mudar também a consciência da população. Principalmente as políticas municipais, que têm uma relação direta com o povo. Não se pode enfrentar a questão das mudanças climáticas sem uma intervenção nas cidades. É necessário estabelecer leis que assegurem um mínimo de 30% de área verde. E que o cumprimento dessa lei seja rigidamente monitorado. Caso contrário, teremos cidades cada vez mais doentes.

As tecnologias chamadas limpas, como a dos biocombustíveis e a da informática, podem ajudar a reduzir o problema do aquecimento global?

As soluções no nível global são muito complexas. A indústria petrolífera não está ligada apenas aos transportes. O etanol, com certeza, contribui para diminuir o problema das mudanças climáticas. Mas onde? Qual é o nível de destruição ambiental provocado pela monocultura da cana-de-açúcar em relação aos recursos hídricos onde é produzida? E em relação aos solos, com a erosão e multiplicação de poluentes, e às queimadas, que geram problemas seríssimos de saúde no Brasil? As conseqüências são locais.

Existem alguns prognósticos: o aquecimento global vai desencadear grave crise na agricultura, vai derreter as calotas polares, aumentar o nível dos mares...

Os prognósticos sobre o aquecimento global são generalizantes, ainda muito técnicos e embrionários. As fontes e os efeitos precisam ser estudados no plano local. Em alguns lugares o nível do mar pode subir, em outros não. Em certos lugares vai haver aquecimento e em outros frio. A dinâmica do tempo precisa ser estudada com a dinâmica do espaço. É aí que entra a contribuição mais imediata da Geografia. Ao invés de generalizar, temos que diagnosticar e prognosticar considerando as dinâmicas do tempo e do espaço, para que os cidadãos possam tomar as atitudes adequadas.

Você conseguiria fazer um prognóstico do que vai acontecer daqui para a frente?

O planeta, nesse momento, é uma panela de pressão, não só na questão das mudanças climáticas, mas também na questão social, principalmente nos grandes centros. Temos que estudar melhor as cidades na sua dimensão tridimensional -- o subsolo, o solo e o ar -- e em uma quarta dimensão, que é o tempo. Nós não temos um prognóstico para determinada cidade em relação a determinado risco. Nós não temos mecanismos de defesa ambientais nem sociais, mesmo em países desenvolvidos. O que aconteceu em Nova Orleans [furacão Katrina, em 2005] é um bom exemplo. Ou em Paris, com os imigrantes árabes [manifestações por direitos iguais, em 2005]. Ou em São Paulo, com a grande onda de violência desencadeada pelo crime organizado. Todos esses eventos ambientais e sociais estão sob o tapete da cidade.

No documentário Uma verdade inconveniente, Al Gore se empenha em mostrar ao cidadão americano a responsabilidade de seu país no aquecimento global. Os Estados Unidos são os grandes responsáveis?

Só os Estados Unidos são os responsáveis? Não. Somos todos nós. Você diminuiu o consumo de energia elétrica? Anda de bicicleta? Tem exigido da administração local a construção de ciclovias? Trata-se de responsabilidade e de necessária mudança de atitudes tanto do indivíduo quanto do coletivo, a sociedade e o Estado.

Qual seria sua contribuição, como geógrafa, para o enfrentamento dos problemas gerados na relação entre a natureza e a sociedade?

A natureza tem todos os seus ciclos, sua variabilidade. O que devemos mitigar são os processos antropogênicos. Por exemplo, a nossa proposta é trabalhar com um modelo em que os parâmetros de mudanças climáticas locais -- por exemplo, temperatura, CO2, metano, uso e ocupação do solo – indiquem a contribuição de cada cidade como fonte. E as conseqüências para cada cidade. Com base nisso seria possível pensar em uma legislação urbana mais eficiente, para que a paisagem urbana mude.

Como você vê a importância, nessa discussão, da disciplina Geografia na escola?

A Geografia tem que atuar na difusão de seus conhecimentos, no processo temporal e espacial, e na formação do cidadão, no ensino fundamental, médio e superior. É o geógrafo que tem a relação natureza e sociedade como centro de sua disciplina e pode chamar a atenção para a sociedade, por meio de livros didáticos e de seu papel como educador. O professor tem um papel fundamental na mudança de atitude da população.

Além da educação, quais outras medidas podem ser realizadas fora do âmbito da escola, na comunidade?

Nós tivemos uma fantástica evolução tecnológica em termos de conforto. Agora, porque não incorporar a questão ambiental nessa evolução? Nós, como sociedade, podemos interferir sim de maneira positiva. A visão do apocalipse serve para retomarmos essas questões de modo mais positivo. Temos recursos maravilhosos da natureza, recursos tecnológicos, toda uma consciência coletiva. Nós estamos no mesmo planeta. Temos que repensar individual e coletivamente, na escala local, de um para um e não de um para um milhão. Essa é a escala de mudança total de paradigma.

Magda Adelaide Lombardo formou-se em Geografia na Unesp de Rio Claro em 1972 e obteve os títulos de mestre, doutora e livre-docente em Geografia pela Universidade de São Paulo. Atualmente, é professora da Unesp-Rio Claro, coordenadora do IGCE (Instituto de Geociências e Ciências Exatas) e diretora do CEAPLA (Centro de Análise e Planejamento Ambiental).

Fonte: www.saraivaeduca.com.br

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