Facebook do Portal São Francisco Twitter do Portal de Educação Curtir
Home  Desafios Da Urbanização  Voltar

Desafios da Urbanização

A grande maioria da população brasileira - 79,7% dos habitantes - reside nas áreas urbanas, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) de 1999, do IBGE. As regiões Sudeste, Sul e Nordeste apresentam o maior índice, com 88,7%, 78,4% e 63,6% de moradores urbanos, respectivamente. As cidades de São Paulo (10 milhões de habitantes), Rio de Janeiro (5,6 milhões), Salvador (2,3 milhões) e Belo Horizonte e Fortaleza (ambas com 2,1 milhões) continuam sendo os municípios brasileiros mais populosos.

O processo de urbanização no Brasil começa na década de 40. A expansão das atividades industriais em grandes centros atrai trabalhadores das áreas rurais, que vêem na cidade a possibilidade de rendimentos maiores e melhores recursos nas áreas de educação e saúde. O censo de 1940, o primeiro a dividir a população brasileira em rural e urbana, registra que 31,1% dos habitantes estavam nas cidades.

O Brasil deixa de ser um país essencialmente agrícola no final da década de 60, quando a população urbana chega a 55,92%. Para essa mudança contribui a mecanização das atividades de plantio e colheita no campo - que expulsa enormes contingentes de trabalhadores rurais - , e a atração exercida pelas cidades como lugares que oferecem melhores condições de vida, com mais acesso a saúde, educação e empregos.


RUA 15 DE NOVEMBRO, ANOS 10, SÃO PAULO
O rápido crescimento do estado de São Paulo no início do século XX faz com que
a rua 15 de Novembro se torne o centro financeiro da capital paulista. A burguesia
cafeeira diversifica suas atividades, investindo no setor financeiro e na indústria,
e os imigrantes impulsionam o desenvolvimento. Em 1910, o Grupo Matarazzo,
exemplo do poder do estado, é o maior complexo industrial da América do Sul.
Foto: Guilherme Gaensly/Arquivo do Estado

Nos anos 70, a população urbana soma 52 milhões contra 41 milhões de moradores nas áreas rurais. As grandes cidades, por concentrarem o maior número de fábricas, são as que mais atraem os trabalhadores vindos do campo. Nesse período, a capital de São Paulo recebe aproximadamente 3 milhões de migrantes de diversos estados. A região Sudeste destaca-se como a mais urbanizada. Entre 1970 e 1980, a expansão urbana mantém-se em níveis elevados (4,44% ao ano), e no final da década 67,6% dos brasileiros já residem em centros urbanos. Em 1980, todas as regiões brasileiras têm nas cidades a maioria de seus habitantes.


AVENIDA PAULISTA NOS ANOS 10, SÃO PAULO:
No começo do século, a avenida Paulista é a mais elegante área residencial da
cidade de São Paulo. Em seus casarões, verdadeiros palacetes, residem os
chamados barões do café, ricos fazendeiros de famílias tradicionais paulistas
que fizeram fortuna no século XIX.
Foto: Guilherme Gaensly/Arquivo do Estado

O processo de urbanização diminui nos anos posteriores, mas as áreas rurais passam a registrar crescimento negativo pela primeira vez, por causa da redução de sua população em números absolutos. Entre 1991 e 1996, as cidades ganham cerca de 12,1 milhões de habitantes, o que resulta na elevada taxa de urbanização de 78,36%. O ano de 1996 é um marco da superioridade numérica da população urbana em todos os estados brasileiros. O último a fazer a transição é o Maranhão, que até 1991 apresentava a maior parte da população em áreas rurais.

Na mesma década de 90, porém, o surgimento de novos postos de serviço desvinculados da agricultura nas áreas rurais tende a diminuir o êxodo do campo. Hoje, prestação de serviços, construção civil, comércio e área social são setores em crescimento nas áreas rurais e já chegam a garantir rendimentos mensais maiores que os da cidade.

A maioria dos migrantes não tem escolaridade nem experiência profissional, o que faz com que aceitem empregos mal remunerados e se sujeitem a trabalhos temporários ou atividades informais para sobreviver, como as de camelôs ou vendedores ambulantes. Os baixos rendimentos levam esse trabalhador para a periferia das grandes cidades - com freqüência, loteada por favelas e moradias irregulares e, por isso, mais baratas. Muitas dessas residências, feitas de modo precário e com materiais frágeis, são erguidas próximas a margens de córregos, charcos ou terrenos íngremes, e enfrentam o risco de enchentes e desmoronamento em estações chuvosas.


AVENIDA PAULISTA NOS ANOS 10, SÃO PAULO:
No início do século, a avenida Paulista era ocupada pelas ricas mansões dos
barões do café. Nas décadas de 60 e 70, os casarões foram derrubados
para dar lugar a arranha-céus, que transformaram a região num dos principais
centros financeiros e empresariais do mundo.
Foto: Luiz Aureliano

A distância das áreas centrais dificulta o acesso dessa população aos serviços de saúde e à educação, e as periferias atendem precariamente a suas necessidades básicas de abastecimento de água, luz, esgoto e transportes públicos. Levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da Universidade de São Paulo, de 1993, revela que 71,1% dos domicílios em favelas da cidade de São Paulo depositam seus dejetos ao ar livre ou canalizam-nos para córregos ou represas próximas. Faltam creches para os filhos das mulheres que trabalham, a alimentação insuficiente ou de má qualidade contribui para o surgimento de doenças e desnutrição infantil e as poucas opções de lazer para os adolescentes favorecem a eclosão da violência .

Nas últimas décadas, o movimento em direção às áreas periféricas é significativo nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Salvador e pode ser observado na dimensão da população de suas áreas metropolitanas, que prosperam a taxas médias de 2,4% ao ano. Hoje, de São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador são as metrópoles que mais enfrentam esse tipo de problema.

Fonte: www.geobrasil2001.hpg.ig.com.br

Sobre o Portal | Politica de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal