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Globalização

 

O que é Globalização?

Globalização

Chama-se globalização, ou mundialização, o crescimento da interdependência de todos os povos e países da superfície terrestre.

Alguns falam em “aldeia global”, pois parece que o planeta está ficando menor e todos se conhecem(assistem a programas semelhantes na TV, ficam sabendo no mesmo dia o que ocorre no mundo inteiro).

Um exemplo: Você vê hoje uma indústria de automóveis que fabrica um mesmo modelo de carro em montadoras de 3 países diferentes e os vende em outros 5 países. As empresas não ficam mais restritas a um país, seja como vendedora ou produtora.

A História da Globalização

Tendo uma visão apenas da Globalização econômica a História, vamos encontrá-la já muito antes do Império Romano.

Globalização aparece na constituição do Império Chinês; na civilização egípcia, que manteve o domínio de todo o continente africano; Na Grécia, que apesar das cidades-estado, que mesmo independentes viam uma globalização da economia. O que os Romanos fizeram foi jurisdicizar a Globalização da economia.

Os gregos descobriram o direito. Mas é em Roma que o direito surge como instrumento de poder, pois só assim os romanos poderiam organizar e controlar o Estado. Além disso, com a expansão territorial, os romanos se vêem obrigados a construir uma rede de estrada, que possibilitou a comercialização e a comunicação entre os diversos povos.

Porque os portugueses se lançaram às grandes descobertas? Não só para se proteger dos mouros espanhóis, mas também para procurar novas rotas comerciais de globalização. Nesses séculos(XIV e XV), ocorreu um descompasso entre a capacidade de produção e consumo. O resultado disso era uma produtividade baixa e falta de alimento para abastecer os núcleos urbanos, enquanto a produção artesanal não tinha um mercado consumidor, a solução para esses problemas estava na exploração de novos mercados, capazes de fornecer alimentos e metais a ao mesmo tempo, aptos a consumir os produtos artesanais europeus.

Outro exemplo que temos, é do século XIX, chamado de Imperialismo ou neocolonialismo. Ocorreu quando a economia européia entrou em crise, pois as fábricas estavam produzindo cada vez mais mercadorias em menos tempo, assim, com uma superprodução, os preços e os juros despencaram. Na tentativa de superar a crise, países europeus, EUA e Japão buscaram mercados para escoar o excesso de produção e capitais. Cada economia industrializada queria mercados cativos, transformando o continente Africano e Asiático em centro fornecedor de matéria prima e consumidores de produtos industrializados, gerando com isso um alto grau de exploração e dependência econômica.

Podemos comparar essa dependência econômica e exploração com os dias de hoje, pois é difícil de acreditar na possibilidade de os países desenvolvidos serem generosos com os demais, os emergentes e subdesenvolvidos.

Já no final dos anos 70, os economistas começaram a difundir o conceito de globalização, usada para definir um cenário em que as relações de comércio entre os países fossem mais freqüentes e facilitadas. Depois, o termo passou a ser usado fora das discussões econômicas.

Assim, as barreiras comerciais entre os países, começaram a cair, com a diminuição (a eliminação) de impostos sobre importações, o fortalecimento de grupos internacionais (como o Mercosul ou a Comunidade Européia) e o incentivo do governo de cada país à instalação de empresas estrangeiras em seu território.

O Dia-a-dia da Globalização

Para se ter idéia desse processo, saiba que nos anos 60 somente cerca de 25 milhões de pessoas viajavam de avião de um país para outro, por ano, hoje em dia esse número subiu para cerca de 400 milhões de ligações telefônicas entre os EUA e a Europa, atualmente essas ligações chegam a 1 bilhão por ano.

Em 1980 o volume dos investimentos de residentes de um país nos mercados de capitais (compra de ações de empresas) de outros países atingia a quantia de 120 milhões de dólares; em 1990, dez anos depois, esse valor já atingia a casa dos 1,4 trilhões de dólares, Isso quer dizer que as economias nacionais estão se desnacionalizando em ritmo acelerado, pois os norte-americanos possuem ações ou títulos de propriedades no Japão, na Europa e na América Latina, japoneses investem em empresas norte-americanas ou coreanas, alemãs compram ações de firmas russas ou tailandesas, etc.

Globalização está associada a uma aceleração do tempo. Tudo muda mais rapidamente hoje em dia.

E os deslocamentos também se tornaram muito rápidos: o espaço mundial ficou mais integrado.

Em 1950 eram necessários 18 horas para um avião comercial cruzar o oceano Atlântico, fazendo a rota NY-Londres. Em 1990 essa rota era feita em somente 3 horas, por um avião supersônico, e até o final do século esse tempo vai se reduzir ainda mais.

Em 1865, quando o presidente dos EUA, Abraham Lincoln, foi assassinado, a notícia levou 13 dias para chegar na Europa. Hoje em dia bastam apenas alguns segundos para uma notícia qualquer cruzar o planeta, seja por telefone, seja por fax ou até mesmo pelas redes de TV. Além disso, o mundo inteiro acompanha o fato de mulheres canadenses conquistando o direito de andarem de seios nus em qualquer lugar, ou as pessoas do mundo inteiro cada vez mais comendo nas mesmas cadeias de “fast food”, bebendo os mesmos refrigerantes, vestindo jeans, ouvindo músicas semelhantes e assistindo aos mesmos filmes.

Vantagens e Desvantagens

Prós e Contras

A abertura da economia e ao Globalização são processos irreversíveis, que nos atingem no dia-a-dia das formas mais variadas e temos de aprender a conviver com isso, porque existem mudanças positivas para o nosso cotidiano e mudanças que estão tornando a vida de muita gente mais difícil. Um dos efeitos negativos do intercâmbio maior entre os diversos países do mundo, é o desemprego que, no Brasil, vem batendo um recorde atrás do outro.

No caso brasileiro, a abertura foi ponto fundamental no combate à inflação e para a modernização da economia com a entrada de produtos importados, o consumidor foi beneficiado: podemos contar com produtos importados mais baratos e de melhor qualidade e essa oferta maior ampliou também a disponibilidade de produtos nacionais com preços menores e mais qualidade. É o que vemos em vários setores, como eletrodomésticos, carros, roupas, cosméticos e em serviços, como lavanderias, locadoras de vídeo e restaurantes. A opção de escolha que temos hoje é muito maior.

Mas a necessidade de modernização e de aumento da competitividade das empresas, produziu um efeito muito negativo, que foi o desemprego. Para reduzir custos e poder baixar os preços, as empresas tiveram de aprender a produzir mais com menos gente. Incorporavam novas tecnologias e máquinas.

O trabalhador perdeu espaço e esse é um dos grandes desafios que, não só o Brasil, mas algumas das principais economias do mundo têm hoje pela frente: crescer o suficiente para absorver a mão-de-obra disponível no mercado, além disso, houve o aumento da distância e da dependência tecnológica dos países periféricos em relação aos desenvolvidos.

A questão que se coloca nesses tempos é como identificar a aproveitar as oportunidades que estão surgindo de uma economia internacional cada vez mais integrada.

Cidadão Globalizado

Com todas essas mudanças no mercado de trabalho, temos que tomar muito cuidado para não perder espaço. As mudanças estão acontecendo com muita rapidez. O cidadão para segurar o emprego ou conseguir também tem de ser manter em constante atualização, ser aberto e dinâmico. Para sobreviver nesse mundo novo, precisamos estar em sintonia com os demais países e também aprendendo coisas novas todos os dias.

Ser especialista em determinada área, mas não ficar restrita a uma determinada função, porque ela pode ser extinta de uma hora para outra. É preciso atender a requisitor básicos, como o domínio do computador, de outros idiomas e mais do que tudo é preciso não ter preconceito em relação a essas mudanças. Não adianta lutar. As empresas querem empregador dispostos a vencer desafios.

Soluções e Perguntas

1- Como sustentar o processo de Globalização da economia sem acelerar a onda do desemprego e sem engrossar, em todo o mundo, a multidão de trabalhadores que hoje não encontram o que fazer?

2- A questão que se coloca é como identificar e aproveitar as oportunidades que estão surgindo de uma economia internacional cada vez mais integrada.

3- Como lutar contra a exclusão social dos países em desenvolvimento?

4- Somente a afirmação de uma consciência mundial que milite em favor da perspectiva humanista e universialista e que seja assumida por movimentos sociais, por organizações, por partidos políticos, por religiões, etc, poderá traduzir-se num movimento de pressão capaz de mudar a postura cínica dos poderes econômicos e políticos mundiais que só se preocupam com arranjos seletivos, que excluem soluções efetivas para agenda social da humanidade.

5- Kant, o filosofo alemão escreveu que uma nova ordem mundial iria surgir. A única dúvida era se ela nasceria da unanimidade ou da experiência do sofrimento.

6- Nós temos é de aprender a conviver tanto com o lado positivo como o negativo de todas essas mudanças.

Fonte: orbita.starmedia.com

Globalização

globalização é um dos processos de aprofundamento da integração econômica, social, cultural, política, com o barateamento dos meios de transporte e comunicação dos países do mundo no final do século XX e início do século XXI. É um fenômeno gerado pela necessidade da dinâmica do capitalismo de formar uma aldeia global que permita maiores mercados para os países centrais (ditos desenvolvidos) cujos mercados internos já estão saturados.

O processo de Globalização diz respeito à forma como os países interagem e aproximam pessoas, ou seja, interliga o mundo, levando em consideração aspectos econômicos, sociais, culturais e políticos. Com isso, gerando a fase da expansão capitalista, onde é possível realizar transações financeiras, expandir seu negócio até então restrito ao seu mercado de atuação para mercados distantes e emergentes, sem necessariamente um investimento alto de capital financeiro, pois a comunicação no mundo globalizado permite tal expansão, porém, obtêm-se como conseqüência o aumento acirrado da concorrência.

globalização é um fenômeno social que ocorre em escala global. Esse processo consiste em uma integração em caráter econômico, social, cultural e político entre diferentes países.

globalização é oriunda de evoluções ocorridas, principalmente, nos meios de transportes e nas telecomunicações, fazendo com que o mundo "encurtasse" as distâncias. No passado, para a realização de uma viagem entre dois continentes eram necessárias cerca de quatro semanas, hoje esse tempo diminuiu drasticamente. Um fato ocorrido na Europa chegava ao conhecimento dos brasileiros 60 dias depois, hoje a notícia é divulgada quase que em tempo real.

O processo de globalização surgiu para atender ao capitalismo, e principalmente os países desenvolvidos; de modo que os mesmos pudessem buscar novos mercados, tendo em vista que o consumo interno se encontrava saturado.

globalização é a fase mais avançada do capitalismo. Com o declínio do socialismo, o sistema capitalista se tornou predominante no mundo. A consolidação do capitalismo iniciou a era da globalização, principalmente, econômica e comercial.

A integração mundial decorrente do processo de globalização ocorreu em razão de dois fatores: as inovações tecnológicas e o incremento no fluxo comercial mundial.

As inovações tecnológicas, principalmente nas telecomunicações e na informática, promoveram o processo de globalização. A partir da rede de telecomunicação (telefonia fixa e móvel, internet, televisão, aparelho de fax, entre outros) foi possível a difusão de informações entre as empresas e instituições financeiras, ligando os mercados do mundo.

O incremento no fluxo comercial mundial tem como principal fator a modernização dos transportes, especialmente o marítimo, pelo qual ocorre grande parte das transações comerciais (importação e exportação). O transporte marítimo possui uma elevada capacidade de carga, que permite também a mundialização das mercadorias, ou seja, um mesmo produto é encontrado em diferentes pontos do planeta.

O processo de globalização estreitou as relações comerciais entre os países e as empresas. As multinacionais ou transnacionais contribuíram para a efetivação do processo de globalização, tendo em vista que essas empresas desenvolvem atividades em diferentes territórios.

Outra faceta da globalização é a formação de blocos econômicos, que buscam se fortalecer no mercado que está cada vez mais competitivo.

Bloco ecônomico

Os blocos comerciais, ou blocos econômicos, são agrupamentos de países que têm como objetivo a integração econômica e/ou social.

Podem ser classificados em quatro categorias distintas: Áreas ou Zonas de Livre Comércio, Uniões Aduaneiras, Mercados Comuns e Uniões Econômicas e Monetárias.

Essa classificação remete às diversas etapas do desenvolvimento dos blocos econômicos que, em sua origem, pode ser associada ao estabelecimento da Comunidade Econômica do Carvão e do Aço (CECA) pela Alemanha Ocidental, Bélgica, França, Holanda, Itália e Luxemburgo em 1956. Essa organização seria a base do que futuramente constituiu a União Européia.

Adam Smith já havia percebido que a divisão do trabalho é a razão do aperfeiçoamento econômico por permitir uma maior produtividade do trabalho. Um fenômeno semelhante ocorre com os países, caracterizando a moderna Divisão Internacional do Trabalho (DIT). Por essa ótica, a melhor forma de garantir a prosperidade das nações é o livre comércio de bens e serviços, de modo a cada área produzir aquilo em que obtem a melhor produtividade marginal.

Os blocos econômicos surgiram nesse contexto com o propósito de permitir uma maior integração econômica dos países membros visando um aumento da prosperidade geral.

A fase inicial caracteriza-se, normalmente, pela constituição de uma área de livre comércio, que tem como objetivo a isenção das tarifas de importação de produtos entre os países membros. Deste modo, um artigo produzido num país poderá ser vendido noutro sem quaisquer impedimentos fiscais, respeitando-se apenas as normas sanitárias ou outras legislações restritivas que eventualmente apareçam.

Numa união aduaneira, os objetivos são mais amplos, abrangendo a criação de regras comuns de comércio com países exteriores ao bloco.

O mercado comum implica numa integração econômica mais profunda, com a adoção das mesmas normas de comércio interno e externo, unificando as economias e, num estágio mais avançado, as moedas e instituições.

A falha principal deste modo de encarar o surgimento e desenvolvimento dos blocos econômicos é o fato de que ela induz, a partir de um caso específico (a União Europeia), as etapas de desenvolvimento pelas quais outros blocos econômicos haveriam de passar. A própria história de alguns blocos econômicos aponta, entretanto, num sentido oposto, mostrando que ao invés de uma regra, o caso da União Europeia consiste numa exceção. Exemplos são abundantes, como o caso da União Africana bem ilustra, ou ainda o Mercosul.

Comércio na Econômia global

Desde o final da Segunda Guerra, o processo de mundialização se intensificou, devido aos avanços das relações comerciais. A necessidade de reconstrução econômica levou os países europeus a desenvolver novos eixos de exportações e importações, além de aprimorar os já existentes. A própria guerra havia demonstrado a intensidade da interdependência mundial, e essa mesma consciência foi a responsável pela criação da ONU. O comércio internacional é a principal fonte de divisas para um país, e o objetivo é manter a balança comercial favorável, ou seja, exportar mais do que se importa.

O mesmo se aplica à chamada balança de pagamentos, um indicador mais abrangente que a balança comercial, pois, além das trocas comerciais, envolve a troca internacional de serviços, como empréstimos e pagamento de royalties, que são os direitos sobre o uso de marcas. Com a acelerada internacionalização da economia nas últimas décadas, no entanto, as barreiras alfandegárias na maior parte das vezes representam um obstáculo ao desenvolvimento do capitalismo. As grandes empresas, principalmente as transnacionais, necessitam de espaços cada vez maiores, pelos quais possam fazer circular livremente bens, serviços e capitais.

As recentes mudanças do comércio internacional sob os moldes da globalização têm alguns aspectos que merecem destaque:

Um deles é o fato de que os países subdesenvolvidos, tradicionalmente exportadores de matérias-primas, têm investido mais nos manufaturados.

Outro aspecto é a formação de alianças entre alguns países para facilitar o trânsito de mercadorias.

Um terceiro fato é o aumento do volume de trocas resultante da queda de barreiras políticas. Também merece análise a constatação de que nem todas as regiões do mundo se beneficiam igualmente do novo comércio internacional.

No atual contexto de grandes transformações - aumento do volume de transações comerciais, aceleração tecnológica e importância do investimento em pesquisa, desenvolvimento e educação -, o contraste entre as economias subdesenvolvidas exportadoras preferencialmente de matérias-primas e aquelas que exportam grande quantidade de manufaturados se torna ainda mais visível.

A divisão internacional do trabalho tende a se modificar nos próximos anos, sob a influência de fatores como:

Abertura ao mercado internacional, com a eliminação de barreiras protecionistas; distribuição internacional do trabalho especializado;

Capacidade de investimento em infraestrutura; e avanço das inovações tecnológicas, com a queda dos custos de comunicações.

Comércio internacional

O comércio internacional é a troca de bens e serviços através de fronteiras internacionais ou territórios. Na maioria dos países, ele representa uma grande parcela do PIB. O comércio internacional está presente em grande parte da história da humanidade (ver rota da seda), mas a sua importância econômica, social e política se tornou crescente nos últimos séculos. O avanço industrial, dos transportes, a globalização, o surgimento das corporações multinacionais, e o outsourcing tiveram grande impacto no incremento deste comércio. O aumento do comércio internacional pode ser relacionado com o fenômeno da globalização.

O comércio internacional é uma disciplina da teoria econômica, que, juntamente com o estudo do sistema financeiro internacional, forma a disciplina da economia internacional.

As exportações aproximam pontos geográficos de um país a pontos geográficos de outro país, no aspecto econômico. Ou seja, para a exportação ter sucesso, ela pouco depende do desenvolvimento mercantil no qual seu sítio de envio está localizado, tal fato propicia o distanciamento econômico de pontos geograficamente próximos, elevando as possibilidades de disparidade de renda e diferenças sociais. Além, outro impacto das exportações para o mercado interno é o fato de os melhores produtos de um país ou território serem preferencialmente direcionados exportação, aumentando as chances de restar produtos de qualidade não tão alta ao mercado endógeno.

Fonte: cmapspublic3.ihmc.us

Globalização

O que é Globalização?

"A notícia do assassinato do presidente norte-americano Abraham Lincoln, em 1865, levou 13 dias para cruzar o Atlântico e chegar a Europa. A queda da Bolsa de Valores de Hong Kong (outibro-novembro/97), levou 13 segundos para cair como um raio sobre São Paulo e Tóquio, Nova York e Tel Aviv, Buenos Aires e Frankfurt. Eis ao vivo e em cores, a globalização" (Clóvis Rossi - do Concelho Editorial - Folha de São Paulo)

"O furacão financeiro que veio da Ásia, passou pela Europa, Estados Unidos e chegou ao Brasil, teve pelo menos uma vantagem didática. Ninguém pode mais alegar que nunca ouviu falar da globalização financeira. Até poucos meses, é provável que poucos soubessem onde ficava a Tailândia ou Hong Kong. Hoje muita gente sabe que um resfriado nesses lugares pode virar uma gripe aqui. Especialmente se fizer uma escala em Nova York." (Celso Pinto - do Conselho Editorial - Folha de São Paulo)

Mas, o que é essa globalização e como é que ela se manifesta ?

Não há uma definição que seja aceita por todos. Ela está definitivamente na moda e designa muitas coisas ao mesmo tempo. Há a interligação acelerada dos mercados nacionais, há a possibilidade de movimentar bilhões de dólares por computador em alguns segundos, como ocorreu nas Bolsas de todo o mundo, há a chamada "terceira revolução tecnológica"( processamento, difusão e transmissão de informações). Os mais entusiastas acham que a globalização define uma nova era da história humana.

Qual a diferença entre Globalização, Mundialização e Internacionalização?

Globalização e Mundialização são quase sinônimos. Os americanos falam em globalização. Os franceses preferem mundialização. Internacionalização pode designar qualquer coisa que escape ao âmbito do Estado Nacional.

Quando o mundo começou a ficar globalizado?

Novamente, não há uma única resposta. Fala-se em início dos anos 80, quando a tecnologia de informática se associou à de telecomunicações. Outros acreditam que a globalização começou mais tarde com a queda das barreiras comerciais.

Globalização é poder comprar o mesmo produto em qualquer parte do mundo?

Não se pode confundir globalização com a presença de um mesmo produto em qualquer lugar do mundo. A globalização pressupõe a padronização dos produtos (um tênis Nike, um Big Mac) e uma estratégia mundialmente unificada de marketing, destinada a uniformizar sua imagem junto aos consumidores.

Se as empresas globalizadas não tem país-sede, o que ocorre quando querem fazer um lobby?

A rigor, as empresas globalizadas preocupam-se muito mais com marketing, o grosso de seus investimentos. Se em determinado país as condições de seu fornecedor se tornaram desfavoráveis - os juros aumentaram, o que implica no aumento dos produtos -, a empresa globalizada procura outro fornecedor em outro país. Ela não perderá tempo em fazer lobby sobre determinado governo para que o crédito volte a ser competitivo.

Por que dizem que a globalização gera desemprego?

globalização não beneficia a todos de maneira uniforme. Uns ganham muito, outros ganham menos, outros perdem. Na prática exigem menores custos de produção e maior tecnologia. A mão-de-obra menos qualificada é descartada. O problema não é só individual. É um drama nacional dos países mais pobres, que perdem com a desvalorização das matérias-primas que exportam e o atraso tecnológico.

A globalização vai deixar os ricos mais ricos e os pobres mais pobres?

Em seu relatório deste ano sobre o desenvolvimento humano, a ONU comprova que a globalização está concentrando renda: os países ricos ficam mais ricos, e os pobres, mais pobres. Há muitos motivos para isso.

Alguns deles: a redução das tarifas de importação beneficiou muito mais os produtos exportados pelos mais ricos. Os países mais ricos continuam a subsidiar seus produtos agrícolas, inviabilizando as exportações dos mais pobres.

Conjuntura Internacional

A conjuntura internacional se desenvolve no contexto de declínio do sistema capitalista. É a antítese da era de prosperidade vivida nas primeiras décadas do pós-guerra e a expressão do esgotamento do padrão de acumulação de capital proveniente deste período. Configura-se uma situação crítica caracterizada por taxas de crescimento econômico declinantes e elevados níveis de desemprego em quase todos os países onde predomina a economia de mercado.

A crise econômica, que não deve ser confundida com as perturbações cíclicas do sistema provocadas pela superprodução, vem acelerando o processo de centralização e globalização do capital, traduzidos principalmente pela onda de aquisições, incorporações e megafusões de empresas. Como resultado, seus efeitos têm maior repercussão mundial, assim como as políticas propostas ou impostas como "solução" pelas classes que encarnam os interesses do capital.

O cenário atual está caracterizado pelo avanço da globalização econômica, financeira e comercial defendida pelos organismos internacionais (FMI, Banco Mundial e Organização Mundial do Comércio) com base na ideologia neoliberal. Trata-se de um processo em curso, comandado pelas grandes corporações transnacionais que procuram abrir novos mercados para sua produção e, ao mesmo tempo, recuperar as taxas de lucro, reduzindo seus custos pelo aumento da exploração dos trabalhadores, via redução de salários, aumento das jornadas de trabalho e eliminação dos direitos dos trabalhadores, atacando as conquistas sindicais e trabalhistas obtidas na era de ouro do sistema e desmantelando o chamado Estado de Bem-Estar Social.

globalização tem representado o aumento do desemprego, a precarização dos contratos de trabalho, a informalidade e crescentes ataques aos direitos de organização sindical.

O neoliberalismo surge neste quadro e vem sendo aplicado desde os anos 80 como uma resposta da burguesia ao panorama crítico. Tendo adquirido ares de verdade absoluta após a derrocada do "socialismo real", seu objetivo é, basicamente, elevar as taxas de lucros das empresas multinacionais (revertendo a queda observada nas últimas décadas). Em tese, o aumento dos lucros resultaria na recomposição dos níveis de investimentos e viabilizaria a inauguração de um novo padrão de acumulação e uma fase de crescimento econômico capitalista, o que na prática não vem ocorrendo.

O ritmo e a natureza da inserção das economias nacionais à globalização são diferenciados e depende em grande medida de opções políticas e da correlação de forças entre os setores populares e os defensores do neoliberalismo. Ainda não está concluída a forma de inserção das economias nacionais no mercado global.

Os sindicatos, em nível nacional e mundial, podem influir em seu curso. Greves e mobilizações recentes na Europa, Ásia e América Latina revelam que os sindicatos reagem e buscam alternativas para a maneira excludente como a globalização vem se processando. Essas lutas ainda ressentem-se da ausência de um projeto alternativo capaz de se contrapor ao neoliberalismo.

Grandes mobilizações, como a greve na Coréia do Sul, a mobilização dos mineiros alemães e dos trabalhadores franceses e belgas da Renault revelam que os trabalhadores não estão dispostos a arcar com os custos da globalização, e que é possível impor derrotas ao neoliberalismo.

As estratégias e os atuais modelos de organização sindical, criados num período de fronteiras nacionais parcialmente protegidas, têm sido incapazes de enfrentar as transformações econômicas em curso.

Principais tendências da globalização

A crescente hegemonia do capital financeiro

O crescimento do sistema financeiro internacional constitui uma das principais características da globalização. Um volume crescente de capital acumulado é destinado à especulação propiciada pela desregulamentação dos mercados financeiros. Nos últimos quinze anos o crescimento da esfera financeira foi superior aos índices de crescimento dos investimentos, do PIB e do comércio exterior dos países desenvolvidos. Isto significa que, num contexto de desemprego crescente, miséria e exclusão social, um volume cada vez maior do capital produtivo é destinado à especulação.

O setor financeiro passou a gozar de grande autonomia em relação aos bancos centrais e instituições oficiais, ampliando o seu controle sobre o setor produtivo.

Fundos de pensão e de seguros passaram a operar nesses mercados sem a intermediação das instituições financeiras oficiais. O avanço das telecomunicações e da informática aumentou a capacidade dos investidores realizarem transações em nível global. Cerca de 1,5 trilhão de dólares percorre as principais praças financeiras do planeta nas 24 horas do dia. Isso corresponde ao volume do comércio internacional em um ano.

Da noite para o dia esses capitais voláteis podem fugir de um país para outro, produzindo imensos desequilíbrios financeiros e instabilidade política. A crise mexicana de 94/95 revelou as conseqüências da desregulamentação financeira para os chamados mercados emergentes. Foram necessários empréstimos da ordem de 38 bilhões de dólares para que os EUA e o FMI evitassem a falência do Estado mexicano e o início de uma crise em cadeia do sistema financeiro internacional.

Ao sair em socorro dos especuladores, o governo dos Estados Unidos demonstrou quem são os seus verdadeiros parceiros no Nafta. Sob a forma da recessão, do desemprego e do arrocho dos salários, os trabalhadores mexicanos prosseguem pagando a conta dessa aventura. Nos períodos "normais" a transferência de riquezas para o setor financeiro se dá por meio do serviço da dívida pública, através da qual uma parte substancial dos orçamentos públicos são destinados para o pagamento das dívidas contraídas junto aos especuladores. O governo FHC destinou para o pagamento de juros da dívida pública um pouco mais de 20 bilhões de dólares em 96.

Novo Papel das Empresas Transnacionais

As empresas transnacionais constituem o carro chefe da globalização. Essa empresas possuem atualmente um grau de liberdade inédito, que se manifesta na mobilidade do capital industrial, nos deslocamentos, na terceirização e nas operações de aquisições e fusões.

globalização remove as barreiras à livre circulação do capital, que hoje se encontra em condições de definir estratégias globais para a sua acumulação.

Essas estratégias são na verdade cada vez mais excludentes. O raio de ação das transnacionais se concentra na órbita dos países desenvolvidos e alguns poucos países periféricos que alcançaram certo estágio de desenvolvimento. No entanto, o caráter setorial e diferenciado dessa inserção tem implicado, por um lado, na constituição de ilhas de excelência conectadas às empresas transnacionais e, por outro lado, na desindustrialização e o sucateamento de grande parte do parque industrial constituído no período anterior por meio da substituição de importações.

As estratégias globais das transnacionais estão sustentadas no aumento de produtividade possibilitado pelas novas tecnologias e métodos de gestão da produção.

Tais estratégias envolvem igualmente investimentos externos diretos realizados pelas transnacionais e pelos governos dos seus países de origem. A partir de 1985 esses investimentos praticamente triplicaram e vêm crescendo em ritmos mais acelerados do que o comércio e a economia mundial.

Por meio desses investimentos as transnacionais operam processos de aquisição, fusão e terceirização segundo suas estratégias de controle do mercado e da produção. A maior parte desses fluxos de investimentos permanece concentrada nos países avançados, embora venha crescendo a participação dos países em desenvolvimento nos últimos cinco anos. A China e outros países asiáticos, são os principais receptores dos investimentos direitos. O Brasil ocupa o segundo lugar dessa lista, onde destacam-se os investimentos para aquisição de empresas privadas brasileiras (COFAP, Metal Leve etc.) e nos programas de privatização, em particular nos setores de infraestrutura.

Liberalização e Regionalização do Comércio

O perfil altamente concentrado do comércio internacional também é indicativo do caráter excludente da globalização econômica. Cerca de 1/3 do comércio mundial é realizado entre as matrizes e filiais das empresas transnacionais e 1/3 entre as próprias transnacionais. Os acordos concluídos na Rodada Uruguai do GATT e a criação da OMC mostraram que a liberação do comércio não resultou no seu equilíbrio, estando cada vez mais concentrado entre os países desenvolvidos.

A dinâmica do comércio no Mercosul traduz essa tendência. Na realidade a integração do comércio nessa região, a exemplo do que ocorre com o Nafta e do que se planeja para a Alca em escala continental, tem favorecido sobretudo a atuação das empresas transnacionais, que constituem o carro chefe da regionalização.

O aumento do comércio entre os países do Mercosul nos últimos cinco anos foi da ordem de mais de 10 bilhões de dólares. Isto se deve em grande parte às facilidades que os produtos e as empresas transnacionais passaram a gozar com a eliminação das barreiras tarifárias no regime de união aduaneira incompleta que caracteriza o atual estágio do Mercosul.

No mesmo período, o Mercosul acumulou um déficit de mais de 5 bilhões de dólares no seu comércio exterior. Este resultado reflete as conseqüências negativas das políticas nacionais de estabilização monetária ancoradas na valorização do câmbio e na abertura indiscriminada do comércio externo praticadas pelos governos FHC e Menem.

O empenho das centrais sindicais para garantir os direitos sociais no interior desses mercados tem encontrado enormes resistências. As propostas do sindicalismo de adoção de uma Carta Social do Mercosul, de democratização dos fóruns de decisão, de fundos de reconversão produtiva e de qualificação profissional têm sido rechaçadas pelos governos e empresas transnacionais.

A liberalização do comércio e a abertura dos mercados nacionais têm produzido o acirramento da concorrência. A super exploração do trabalho é cada vez mais um instrumento dessa disputa. O trabalho infantil e o trabalho escravo são utilizados como vantagens comparativas na guerra comercial. Essa prática, conhecida como dumping (rebaixamento) social, consiste precisamente na violação de direitos fundamentais, utilizando a superexploração dos trabalhadores como vantagem comparativa na luta pela conquista de melhores posições no mercado mundial. Nesse contexto, as conquistas sindicais são apresentadas pelas empresas como um custo adicional que precisa ser eliminado ("custo Brasil", "custo Alemanha" etc.).

Os Impactos da Globalização para a América Latina

São distintos os impactos da globalização para os países da periferia do sistema capitalista. O grau de inserção desses países depende, em grande parte, do estágio de desenvolvimento industrial alcançado até os anos oitenta, das perspectivas de crescimento do mercado interno e de condições políticas que vão se constituindo internamente. Isto vale para os países da América Latina, cujos governos se orientam pelas formas subordinadas de inserção preconizadas pelo chamado Consenso de Washington.

A partir dos anos cinqüenta, num contexto de políticas desenvolvimentistas e populistas, consolida-se a divisão internacional do trabalho com a presença de empresas multinacionais operando em setores chaves da estrutura produtiva de países como Brasil, México e Argentina. Desde então, as elites políticas e econômicas desses países aceitaram a condição de sócias minoritárias na condução do capitalismo associado e dependente da região.

Por meio dessa associação com o capital estrangeiro a burguesia industrial abdicou de qualquer pretensão à hegemonia na condução do desenvolvimento nacional, aceitando um papel subalterno na dinâmica do capitalismo dependente. O desenvolvimento industrial alcançado pela associação com o capital externo foi acompanhado de um padrão de financiamento que aprofundou a dependência desses países. Os empréstimos externos dos anos setenta resultaram no pesadelo da crise da dívida externa dos anos 80, provocada pelo aumento das taxas de juros internacionais impostos pelos EUA.

Os planos de estabilização monetária e a reforma do Estado são as condições impostas pelas organizações financeiras internacionais para que esses países venham se inserir, num futuro remoto, à nova realidade econômica mundial. A baixa taxa de crescimento dos países latino-americanos é uma das faces desse modelo de estabilização (vide quadro 1). Mas as conseqüências perversas são imediatas, e se expressam na desindustrialização, no desemprego, no aumento da miséria, na privatização das empresas e dos serviços públicos, com corte nos gastos sociais em educação, saúde, moradia, previdência etc.

O desemprego na Argentina, da ordem de 20% da força de trabalho, a informalidade do mercado de trabalho no Brasil, de cerca de 50% da PEA (população economicamente ativa), e o brutal arrocho dos salários que se seguiu à crise mexicana ilustram dramaticamente o preço que os trabalhadores latino-americanos estão pagando em nome da pretensa modernização econômica da região.

Impactos da globalização no mercado de trabalho e os sindicatos

A eliminação dos postos de trabalho representa o lado mais perverso da globalização.

Duas conferências de cúpula do G-7 já trataram do problema mundial do desemprego e a posição dos chefes de Estado dos países mais ricos foi a mesma: nada a fazer, senão prosseguir os programas de ajuste com base no rigor fiscal e no equilíbrio monetário. Mesmo que isto implique a continuidade das medíocres taxas de crescimento da economia mundial dos últimos vinte anos( vide quadro das taxas de crescimento dos países do G-7).

O resultado mais dramático da crise da economia capitalista é o crescimento extraordinário do desemprego, fenômeno motivado por duas causas básicas: o progressivo declínio das taxas de crescimento econômico aliado ao desenvolvimento tecnológico com aplicação condicionada pelas relações de produção características de tal sistema. O problema não é só social, mas sobretudo econômico. Revela a crescente ineficiência capitalista na utilização dos recursos colocados à disposição da humanidade pelo progresso das forças produtivas. Neste contexto, cresce a importância da luta em defesa do emprego e pela redução da jornada de trabalho. O proletariado europeu vem organizando e realizando grandes e poderosos movimentos neste sentido, num exemplo que merece ser seguido pelos trabalhadores do chamado Terceiro Mundo.

Os governos neoliberais dizem que o custo do trabalho e as conquistas históricas dos trabalhadores são as causas do desemprego. Buscam eliminar essas conquistas por meio da flexibilização da legislação trabalhista.

O argumento é completamente mentiroso: a Espanha e a Argentina foram os países que mais avançaram na flexibilização e as taxas de desemprego, ao invés de cair, estão por volta de 20% da população ativa.

As transformações no mundo do trabalho indicam claramente as grandes dificuldades colocadas para um sindicalismo baseado exclusivamente nos setores tradicionais. A organização dos desempregados, dos trabalhadores informais, das mulheres, que ingressam no mercado de trabalho em condições ainda mais precárias do que os homens, e de contingentes cada vez mais amplos de excluídos, representa um desafio crucial para o futuro do sindicalismo.

A precarização dos contratos de trabalho (tempo parcial, tempo determinado), o aumento das jornadas, a rotatividade, a informalidade, a redução dos salários e a deterioração das condições de trabalho são outras tantas formas de ataque aos trabalhadores. Em razão destes ataques, o perfil do mercado de trabalho nos países desenvolvidos e em desenvolvimento começa apresentar semelhanças (o crescimento do desemprego nos países do G-7 é um fenômeno quase generalizado, como podemos comprovar na tabela abaixo).

O novo padrão de acumulação pressupõe a destruição das conquistas trabalhistas obtidas no período anterior. Os ataques à organização sindical, ao contrato de trabalho e às negociações coletivas vêm se tornando cada vez mais intensos, ampliando a violência dos confrontos sociais e resultando em grandes mobilizações sindicais, como demonstram as greves gerais da França, Brasil e Coréia do Sul.

Estruturados numa fase de economias nacionais reguladas, mercados parcialmente protegidos e padrões de organização tradicionais, os sindicatos têm encontrado enormes dificuldades para combater os efeitos da globalização.

Apesar da crise, as perspectivas são muito maiores para uma ação internacional da classe trabalhadora, com vistas a realização de ações articuladas em torno de objetivos comuns. A uniformização das estratégias empresarias e os ataques aos trabalhadores produz reações nacionais que devem ser canalizadas pelo movimento sindical internacional para a promoção de campanhas mundiais.

O declínio relativo da liderança econômica dos EUA no mundo

Combinada à crise econômica, verificam-se os desdobramentos do declínio relativo da liderança econômica norte-americana no mundo capitalista, fenômeno decorrente do desenvolvimento desigual, que solapa as bases da ordem internacional formalizada nos acordos de Bretton Woods e acirra os conflitos entre as grandes potências. A decadência dos EUA tem sido acompanhada de uma ofensiva mais feroz por parte do Estado norte-americano. Sinais disto são as leis Helms-Burtons e Amato, de alcance extraterritoriais, contra multinacionais instaladas em Cuba, Irã e Líbia ou comércio com estes países - que geraram uma oposição enérgica de outras potências, principalmente na Europa; crescentes retaliações comerciais contra concorrentes; divergências em torno da constituição da Alca e ainda o processo de descertificação de países latino-americanos sob o pretexto de que não aplicam corretamente a hipócrita política anti-droga americana.

São iniciativas que só se explicam pela pretensão dos EUA se transformarem no árbitro e polícia do planeta, fazendo da sua própria vontade e interesses os critérios de julgamento político e moral do universo, num movimento que contraria sua decadência econômica relativamente às outras potências capitalistas e vai criando novas contradições geopolíticas. As declarações do presidente francês, Jacques Chirac, durante sua visita ao Brasil e AL, são sintomáticas das contradições que emergem com o declínio relativo dos EUA e de redefinições de alianças que estão em curso. A CUT tem o dever de denunciar a crescente arrogância e agressividade do imperialismo norte-americano.

Os desequilíbrios da economia norte-americana - que no ano de glória e prosperidade de 1996 registrou o maior déficit no comércio de bens mercadorias com o exterior, superior a 180 bilhões de dólares, ao lado de um rombo nas contas correntes em torno de US$ 170 bilhões - têm grande repercussão econômica em todo o globo, uma vez que a necessidade de financiamento externo dos débitos influencia poderosamente o fluxo internacional de capitais. É bom lembrar que durante o ano de 1994, cujo final foi agitado pela crise cambial mexicana (num dezembro de pânico), ocorreram sete elevações das taxas de juros dos EUA.

Novas altas dos juros norte-americanos influenciam imediatamente a capacidade de atração de capitais pelos países periféricos, assim como o custo dos empréstimos contraídos no exterior e a política de juros no interior desses países (a decisão do Banco Central de manter para maio a mesma Taxa Básica do BC - TBC -, interrompendo a política de redução gradual dos juros que vinha implementando desde setembro de 1996, foi motivada pela expectativa de elevação das taxas norte-americanas. A repercussão de tal decisão sobre a dívida interna será bem negativa). Também é importante observar, pois é mais um significativo sinal da crise do imperialismo, o avanço da extrema-direita - é um fenômeno que se observa em vários países, sobretudo na Europa e com mais ênfase na França (medidas e leis de intolerância contra imigrantes, por iniciativa do governo e das forças conservadoras; avanço eleitoral da Frente Nacional de Le Pen ), mostrando que uma das alternativas com que as classes dominantes vêm acenando é este, o do obscurantismo, do neofascismo (ou algo parecido). Os trabalhadores e as personalidades democráticas da sociedade não podem observar com passividade este fenômeno, como se expressasse acontecimentos sem maior importância. Vai ficando claro que neoliberalismo não combina com democracia.

GLOBALIZAÇÃO E MEIO AMBIENTE

Abertura de mercados ao comércio internacional, migração de capitais, uniformização e expansão tecnológica, tudo isso, capitaneado por uma frenética expansão dos meios de comunicação, parecem ser forças incontroláveis a mudar hábitos e conceitos, procedimentos e instituições. Nosso mundo aparenta estar cada vez menor, mais restrito, com todos os seus cantos explorados e expostos à curiosidade e à ação humana. É a globalização em seu sentido mais amplo, cujos reflexos se fazem sentir nos aspectos mais diversos de nossa vida.

As circunstâncias atuais parecem indicar que a globalização da economia, com todas as suas conseqüências sociais e culturais, é um fenômeno que, no mínimo, irá durar. O fim da bipolaridade ideológica no cenário internacional, a saturação dos mercados dos países mais ricos e a ação dos meios de comunicação, aliados a um crescente fortalecimento do poder das corporações e inversa redução do poder estatal (pelo menos nos países que não constituem potências de primeira ordem) são apenas alguns dos fatores que permitem esse prognóstico. O meio ambiente, em todos os seus componentes, tem sido e continuará cada vez mais sendo afetado pelo processo deglobalização da economia.

Os impactos da globalização da economia sobre o meio ambiente decorrem principalmente de seus efeitos sobre os sistemas produtivos e sobre os hábitos de consumo das populações. Alguns desses efeitos têm sido negativos e outros, positivos.

Está havendo claramente uma redistribuição das funções econômicas no mundo. Um mesmo produto final é feito com materiais, peças e componentes produzidos em várias partes do planeta. Produzem-se os componentes onde os custos são mais adequados. E os fatores que implicam os custos de produção incluem as exigências ambientais do país em que está instalada a fábrica. Este fato tem provocado em muitos casos um processo de "migração" industrial. Indústrias são rapidamente montadas em locais onde fatores como disponibilidade de mão-de-obra, salários, impostos, facilidades de transporte e exigências ambientais, entre outros, permitem a otimização de custos. Como a produção de componentes é feita em escala global, alimentando indústrias de montagem em várias partes do mundo, pequenas variações de custos produzem, no final, notáveis resultados financeiros.

O processo de migração industrial, envolvendo fábricas de componentes e materiais básicos, pode ser notado facilmente nos países do Sudeste Asiático e, mais recentemente, na América Latina. São conhecidas as preocupações dos sindicatos norte-americanos com a mudança de plantas industriais - notadamente da indústria química - para a margem sul do Rio Grande. O fortalecimento da siderurgia brasileira, além, é claro, de favoráveis condições de disponibilidade de matéria-prima, pode ser, em parte, creditado a esse fenômeno.

Há uma clara tendência, na economia mundial, de concentrar-se nos países mais desenvolvidos atividades mais ligadas ao desenvolvimento de tecnologias, à engenharia de produtos e à comercialização. Por outro lado, a atividade de produção, mesmo com níveis altos de automação, tenderá a concentrar-se nos países menos desenvolvidos, onde são mais baratos a mão-de-obra e o solo e são contornadas, com menores custos, as exigências de proteção ao meio ambiente.

Essa tendência poderá mascarar o cumprimento de metas de redução da produção de gases decorrentes da queima de combustíveis fósseis, agravadores do "efeito estufa", pois a diminuição das emissões nos países mais ricos poderá ser anulada com o seu crescimento nos países em processo de industrialização.

Outro fator que tem exercido pressão negativa sobre o meio ambiente e que tem crescido com a globalização da economia é o comércio internacional de produtos naturais, como madeiras nobres e derivados de animais. Este comércio tem provocado sérios danos ao meio ambiente e colocado em risco a preservação de ecossistemas inteiros.

A existência de um mercado de dimensões globais, com poder aquisitivo elevado e gostos sofisticados, é responsável por boa parte do avanço da devastação das florestas tropicais e equatoriais na Malásia, Indonésia, África e, mais recentemente, na América do Sul. A tradicional medicina chinesa, em cuja clientela se incluem ricos de todo o mundo, estimula a caça de exemplares remanescentes de tigres, rinocerontes e outros animais em vias de extinção. Mercados globalizados facilitam o trânsito dessas mercadorias, cujos altos preços estimulam populações tradicionais a cometerem, inocentemente, crimes contra a natureza.

Na agricultura e na pecuária, a facilidade de importação e exportação pode levar ao uso, em países com legislação ambiental pouco restritiva ou fiscalização deficiente, de produtos químicos e técnicas lesivas ao meio ambiente, mas que proporcionam elevada produtividade a custos baixos. É o caso, por exemplo, de determinados agrotóxicos que, mesmo retirados de uso em países mais desenvolvidos, continuam a ser utilizados em países onde não existem sistemas eficientes de registro e controle. Os produtos agrícolas e pecuários fabricados graças a esses insumos irão concorrer deslealmente com a produção de outros países.

A medida mais eficaz para evitar ou minimizar os efeitos deletérios dessas e de outras conseqüências da globalização sobre o meio ambiente seria a adoção, por todos os países, de legislações ambientais com níveis equivalentes de exigências. O fortalecimento das instituições de meio ambiente, principalmente dos órgãos encarregados de implementar e manter o cumprimento das leis, é igualmente fundamental. Para isto, seriam necessárias, além de ações dos governos dos países em desenvolvimento, assistência econômica e técnica das nações mais ricas.

Estas são preocupações expressas em vários documentos, como a Agenda 21, resultante da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em 1992. No entanto, interesses econômicos imediatos, aliados ao grave problema do desemprego, que hoje assola boa parte do mundo, têm dificultado o avanço de acordos e ações efetivas nesse sentido.

globalização da economia, pelo menos na fase de transição que impõe a todos os países, cria um contingente de mão-de-obra desativada, via eliminação de empregos em setores nos quais o país não consegue competir. O estímulo à mecanização da agricultura, dispensando mão-de-obra, por outro lado, acelera o êxodo rural. Essa massa de excluídos do processo de integração da economia acaba por provocar grave degradação ambiental, principalmente no ambiente urbano, criando invasões de áreas não urbanizadas e favelas. A degradação do ambiente urbano - destruição de atributos naturais, poluição da água, perturbações da segurança e da saúde pública, prejuízos na estética urbana, etc.- resulta na perda da qualidade de vida, tanto dos novos como dos antigos moradores urbanos. O ressurgimento de epidemias e endemias supostas extintas é um dos ângulos mais visíveis desta questão.

Para uma transição menos traumática para uma economia globalizada, a sociedade deveria estar disposta e preparada para prover condições mínimas de subsistência aos que, provisória ou definitivamente, não se adaptassem às novas condições de acesso ao mercado de trabalho globalizado. Seria o preço a pagar pela tranqüilidade pública, por usufruir os benefícios materiais que a nova ordem econômica pode trazer àqueles mais aptos a obter os bens de consumo, o luxo, a comodidade e o conforto material que o sistema capitalista pode prover. Sem essa disposição da sociedade em dividir resultados, o meio ambiente como um todo sofrerá graves conseqüências, afetando profundamente nossas vidas e comprometendo o nosso futuro.

Mas a globalização da economia oferece também perspectivas positivas para o meio ambiente. Até pouco tempo era comum a manutenção, até por empresas multinacionais, de tecnologias ultrapassadas em países mais pobres e com consumidores menos exigentes. A escala global de produção tem tornado desinteressante, sob o ponto de vista econômico, esta prática. É o caso, por exemplo, dos automóveis brasileiros. Enquanto a injeção eletrônica era equipamento comum na maior parte do mundo, por aqui fabricavam-se motores carburados, de baixa eficiência e com elevados índices de emissão de poluentes.

Com a abertura do mercado brasileiro aos automóveis importados, ocorrida no início desta década, a indústria automobilística aqui instalada teve que se mover.

Rapidamente, passou-se a utilizar os mesmos motores e os mesmos modelos de carrocerias usadas nos países de origem das montadoras. É claro que isto causou impacto sobre a indústria nacional de autopeças, pois uma grande quantidade de componentes, principalmente os mais ligados à eletrônica, passaram a ser importados, o que antes não era possível, dado o caráter fechado que até então dominava o nosso mercado interno.

Os efeitos sobre a emissão de poluentes dos veículos foi notável. Dados da CETESB e da ANFAVEA mostram que os automóveis fabricados em 1996 emitem cerca de um décimo da quantidade de poluentes que emitiam os modelos fabricados em meados da década de 80. Os efeitos não são ainda notados na qualidade do ar das grandes cidades, porque a maior parte da frota de veículos em circulação é antiga, com sistemas precários de regulagem de motores.

O mesmo efeito sentido na indústria automobilística estende-se a uma gama de outros produtos, como os eletrodomésticos.

globalização da produção industrial está levando à rápida substituição do CFC, em refrigeradores e aparelhos de ar condicionado, por gases que não afetam a camada de ozônio. Isto está ocorrendo em todos os países, pois não é interessante, economicamente, a manutenção de linhas de produção de artigos diferenciados de acordo com os países que os vão receber.

Outro efeito positivo da globalização da economia sobre o meio ambiente é a criação de uma indústria e de um mercado ligados à proteção e recuperação ambiental. Nesta lista incluem-se equipamentos de controle da poluição, sistemas de coleta, tratamento e reciclagem de resíduos sólidos e líquidos, inclusive lixo e esgoto urbanos, e novas técnicas de produção. São setores que movimentam fortes interesses econômicos, os quais acabam por influenciar os poderes públicos para que as leis ambientais sejam mais exigentes e haja instituições mais eficientes para torná-las efetivas.

GLOBALIZAÇÃO - A HISTÓRIA INTERATIVA

Globalização implica uniformização de padrões econômicos e culturais em Âmbito mundial. Historicamente, ela tem sido indissociável de conceitos como hegemonia e dominação, da qual foi, sempre, a inevitável e previsível conseqüência.

O termo globalização e os que o antecederam, no correr dos tempos, definem-se a partir de uma verdade mais profunda, isto é, a apropriação de riquezas do mundo com a decorrente implantação de sistemas de poder.

A tendência histórica à globalização - fiquemos com o termo atual - é um fenômeno que, no Ocidente moderno, tem suas raízes na era do Renascimento e das Grandes Navegações, quando a Europa emergiu de seus casulos feudais.

Paralelamente no início da globalização, traduzida na europeização da América, tivemos a criação da imprensa (1455). À tecnologia que permitiu ao europeu expandir a sua civilização, correspondeu a tecnologia que lhe possibilitou expandir a informação.

Até a Revolução Industrial, no entanto, o processo de globalização foi acanhado - pouco afetou Ásia e África. Resultava mecanismos predatórios e ainda incipientes da apropriação. Com a Revolução Industrial e a liberação do Capitalismo para suas plenas possibilidades de expansão, a globalização deu um salto qualitativo e significativo.

Para entender este salto, é preciso ter presente que ;é intrínseco ao Capitalismo a apropriação e, por suposto, a expansão. A ampliação dos espaços de lucro conduziu à globalização. O mundo passou a ser visto como uma referência para obtenção de mercados, locais de investimento e fontes de matérias-primas.

Num primeiro momento, a globalização foi também o espaço para o exercício de rivalidades inter-capitalistas e daí resultaram duas guerras mundiais.

Simultaneamente à globalização da apropriação e da opressão, tentou-se a globalização dos oprimidos, o que levou ao surgimento das Internacionais de trabalhadores. Imaturos para se unirem e cooptados pelas rivalidades dos opressores, os oprimidos não conseguiram criar uniões duradouras e estáveis.

Ao longo do século XX, a globalização do capital foi conduzindo à globalização da informação e dos padrões culturais e de consumo. Isso deveu-se não apenas ao progresso tecnológico, intrínseco à Revolução Industrial, mas - e sobretudo - ao imperativo dos negócios. A tremenda crise de 1929 teve tamanha amplitude justamente por ser resultado de um mundo globalizado, ou seja, ocidentalizado, face à expansão do Capitalismo. E o papel da informação mundializada foi decisivo na mundialização do pânico.

Ao entrarmos nos anos 80/90, o Capitalismo, definitivamente hegemônico com a ruína do chamado Socialismo Real, ingressou na etapa de sua total euforia triunfalista, sob o rótulo de Neo-Liberalismo.

Tais são os nossos tempos de palavras perfumadas: reengenharia, privatização, economia de mercado, modernidade e - metáfora do imperialismo - globalização.

A classe trabalhadora, debilitada por causa do desemprego, resultante do maciço investimento tecnológico, ou está jogada no desamparo , ou foi absorvida pelo setor de serviços, uma economia fluida e que não permite a formação de uma consciência de classe. O desemprego e o sucateamento das conquistas sociais de outros tempos, duramente obtidas, geram a insegurança coletiva com todas as suas mazelas, em particular, o sentimento de impotência, a violência, a tribalização e as alienações de fundo místico ou similares. No momento presente, inexistem abordagens racionais e projetos alternativos para as misérias sociais, o que alimenta irracionalismos à solta.

A informação mundializada de nossos dias não é exatamente troca: é a sutil imposição da hegemonia ideológica das elites. Cria a aparência de semelhança num mundo heterogêneo - em qualquer lugar, vemos o mesmo McDonald`s, o mesmo Ford Motors, a mesma Mitsubishi, a mesma Shell, a mesma Siemens. A mesma informação para fabricar os mesmos informados. Massificação da informação na era do consumo seletivo.

Via informação, as elites (por que não dizer: classes dominantes?) controlam os negócios, fixam regras civilizadas para suas competições e concorrências e vendem a imagem de um mundo antisséptico, eficiente e envernizado. A alta tecnologia, que deveria servir à felicidade coletiva, está servindo a exclusão da maioria. Assim, não adianta muito exaltar as conquistas tecnológicas crescentes - importa questionar a que - e a quem - elas servem. A informação global é a manipulação da informação para servir aos que controlam a economia global. E controle é dominação. Paralelamente à exclusão social, temos o individualismo narcisístico, a ideologia da humanidade descartável, o que favorece a cultura do efêmero, do transitório - da moda. De resto, se o trabalho foi tornado desimportante no imaginário social, ofuscado pelo brilho da tecnologia e das propagandas que escondem o trabalho social detrás de um produto lustroso, pronto para ser consumido, nada mais lógico que desvalorizar o trabalhador - e, por extensão, a própria condição humana. Ou será possível desligar trabalho e humanidade?

É a serviço do interesse de minorias que está a globalização da informação. Ela difunde modas e beneficia o consumo rápido do descartável - e o modismo frenético e desenfreado é imperativo às grandes empresas, nesta época pós- keynesiana, em que, ao consumo de massas, sucedeu a ênfase no consumo seletivo de bens descartáveis. Cumpre à informação globalizada vender a legitimidade de tudo isso, impondo padrões uniformes de cultura, valores e comportamentos - até no ser "diferente" (diferente na aparência para continuar igual no fundo). Por suposto, os padrões de consumo e alienação, devidamente estandartizados, servem ao tédio do urbanóide pós-moderno.

Nunca fomos tão informados. Mas nunca a informação foi tão direcionada e controlada. A multipliciade estonteante de informações oculta a realidade de sua monotonia essencial - a democratização da informação é aparente, tal como a variedade. No fundo, tudo igual. Estamos - e tal é a pergunta principal - melhor informados? Controlada pelas elites que conhecemos, a informação globalizada é instrumento de domesticação social

Luiz Roberto Lopez

Fonte: www.iis.com.br

Globalização

Efeitos Culturais da Globalização

"Nós vivemos na era da globalização, tudo converge, os limites vão desaparecendo".

Quem não ouviu, no mínimo, uma destas expressões nos últimos anos? A globalização é um chavão de nosso tempo, uma discussão que está na moda, onde opiniões fatalistas conflitam com afirmações críticas, e o temor de uma homogeneização está no centro do debate. Suposições de uma sociedade mundial, de uma paz mundial ou, simplesmente, de uma economia mundial, surgem seguidamente, cujas conseqüências levariam a processos de unificação e adaptação, aos mesmos modelos de consumo e a uma massificação cultural.

Mas há que se perguntar: trata-se apenas de conceitos em disputa ou há algo que aponte, de fato, nesta direção? Quais são, afinal, os efeitos culturais da globalização?

O processo de constituição de uma economia de caráter mundial não é nada novo. Já no período colonial houve tentativas de integrar espaços intercontinentais num único império, quando a idéia de "dominar o mundo" ficou cada vez mais próxima. Por outro lado, a integração das diferentes culturas e povos como "um mundo" já foi desejada há muito tempo e continua como meta para muitas gerações. Sob esta ótica, o conceito de globalização poderia ter um duplo sentido, se ele não fosse tão marcado pelo desenvolvimento neoliberal da política internacional.

Conforme o sociólogo alemão Ulrich Beck, com o termo globalização são identificados processos que têm por conseqüência a subjugação e a ligação transversal dos estados nacionais e sua soberania através de atores transnacionais, suas oportunidades de mercado, orientações, identidades e redes. Por isso, ouvimos falar de defensores da globalização e de críticos à globalização, num conflito pelo qual diferentes organizações se tornam cada vez mais conhecidas.

Neste sentido, não se trata de um conflito stricto sensu sobre a globalização, mas sobre a prepotência e a mundialização do capital. Esse processo, da forma como ele atualmente vem acontecendo, não deveria sequer ser chamado de globalização, já que atinge o globo de forma diferenciada e exclui a sua maior parte - se observamos a circulação mundial de capital, podemos constatar que a maioria da população mundial (na Ásia, na África e na América Latina) permanece excluída.

Essa forma de globalização significa a predominância da economia de mercado e do livre mercado, uma situação em que o máximo possível é mercantilizado e privatizado, com o agravante do desmonte social. Concretamente, isso leva ao domínio mundial do sistema financeiro, à redução do espaço de ação para os governos - os países são obrigados a aderir ao neoliberalismo - ao aprofundamento da divisão internacional do trabalho e da concorrência e, não por último, à crise de endividamento dos estados nacionais.

Condições para que essa globalização pudesse se desenvolver foram a interconexão mundial dos meios de comunicação e a equiparação da oferta de mercadorias, das moedas nacionais e das línguas, o que se deu de forma progressiva nas últimas décadas. A concentração do capital e o crescente abismo entre ricos e pobres (48 empresários possuem a mesma renda de 600 milhões de outras pessoas em conjunto) e o crescimento do desemprego (1,2 bilhões de pessoas no mundo) e da pobreza (800 milhões de pessoas passam fome) são os principais problemas sociais da globalização neoliberal e que vêm ganhando cada vez mais significado.

É evidente que essa situação tem efeitos sobre a cultura da humanidade, especialmente nos países pobres, onde os contrastes sociais são ainda mais perceptíveis.

Em primeiro lugar, podemos falar de uma espécie de conformidade e adaptação. Em função da exigência de competitividade, cada um se vê como adversário dos outros e pretende lutar pela manutenção de seu lugar de trabalho. Os excluídos são taxados de incompetentes e os pobres tendem a ser responsabilizados pela sua própria pobreza.

Paralelamente a isso, surge nos países industrializados uma nova forma de extremismo de direita, de forma que a xenofobia e a violência aparecem entrelaçada com a luta por espaços de trabalho. É claro que a violência surge também como reação dos excluídos, e a lógica do sistema, baseada na competição, desenvolve uma crescente "cultura da violência" na sociedade. Também não podemos esquecer que o próprio crime organizado oferece oportunidades de trabalho e segurança aos excluídos.

Embora tenham sido desenvolvidos e disponibilizados mais meios de comunicação, presenciamos um crescente isolamento dos indivíduos, de forma que as alternativas de socialização têm sido, paradoxalmente, reduzidas. A exclusão de muitos grupos na sociedade e a separação entre camadas sociais têm contribuído para que a tão propalada integração entre diferentes povos não se efetive; pelo contrário, isso têm levado a um processo de atomização da sociedade. O valor está no fragmento, de modo que o engajamento político da maioria ocorre de forma isolada como, por exemplo, o feminismo, o movimento ambientalista, movimentos contra a discriminação ética e sexual, etc. Tudo isso sem que se perceba um fio condutor que possa unificar as lutas isoladas num projeto coletivo de sociedade.

Nessa perspectiva fala-se de um "fim das utopias", que se combina com uma nova forma de relativismo: "a verdade em si não existe; a maioria a define".

No que se refere à educação, cresce a sobrevalorização do pragmatismo, da eficiência meramente técnica e do conformismo. O mais importante é a formação profissional, concebida como único meio de acesso ao mercado de trabalho. A idéia é a de que, com uma melhor qualificação técnica, se tenha maiores possibilidades de conseguir um emprego num mercado de trabalho em declínio. Em conseqüência a isso, a reflexão sobre os problemas da sociedade assume cada vez menos importância; e valores como engajamento, mobilização social, solidariedade e comunidade perdem seus significados. Importante é o luxo, o lucro, o egocentrismo, a "liberdade do indivíduo" e um lugar no "bem-estar dos poucos". Esses valores são difundidos pelos grandes meios de comunicação e os jovens são, nisto, os mais atingidos. A diminuição do sujeito/indivíduo surge como decorrência, pois o ser humano é cada vez mais encarado como coisa e estimulado a satisfazer prazeres supérfluos. Os excluídos são descartados sem perspectiva e encontram cada vez menos espaço na sociedade que, afinal de contas, está voltada aos consumidores, enquanto o acesso público é continuamente reduzido.

Por outro lado, há reações que se desenvolvem internacionalmente contra essa tendência. A ampliação das possibilidades de comunicação tem contribuído para que protestos isolados pudessem se encontrar e constituir redes.

O lema: "pensar globalmente e agir localmente" pôde ser superado, de forma que uma ação global se tornou possível, o que alterou a visão de mundo e os limites de tempo e espaço.

Para além das diferenças étnicas, religiosas e lingüísticas dos povos, podemos falar de uma nova divisão do mundo: de um lado, uma minoria que é beneficiada pela globalização neoliberal e, de outro, a maioria que é prejudicada com a ampliação do livre mercado. Esse conflito está no centro do debate atual da humanidade, cujos efeitos caracterizam o espírito do nosso tempo e influenciarão a cultura da humanidade futura. Se a imagem das futuras gerações será fragmentada ou mais homogeneizada ainda não se sabe, mas a possibilidade de uma crescente desumanização é muito grande.

Fonte: www.espacoacademico.com.br

Globalização

Desafios da Orientação Profissional

Estamos vivendo um momento histórico, no qual predomina uma economia globalizada que tende a destruir fronteiras nacionais, embaralhando todos os sistemas comerciais, culturais e ideológicos.

Observamos um novo processo social onde predomina a incerteza decorrente da estruturação de sistemas mutantes que nos impossibilitam o apoio em experiências passadas e nas projeções futuras.

O desenvolvimento tecnológico desenfreado, particularmente no setor das comunicações e da informática, e as rápidas tranformações político-econômicas afetam profundamente as relações sociais e conseqüentemente o desenvolvimento psíquico do homem da pós-modernidade. Somos todos afetados pela extraordinária velocidade dessas mudanças. Estando os sistemas político, econômico, sociais e tecnológico em constante mutação, temos pouco espaço para criar mecanismos de defesa e adaptação para as futuras realidades.

A territorialidade externa e interna já não são definidas através de membranas consistentes que permitem uma evolução progressiva.

Ela é realizada por uma convenção instável: a Nação e o lugar são circunstâncias, permanecendo o homem num "lugar sem lugar".

Também os conceitos e padrões de tempo estão sofrendo transformações. As bolsas de valores de Tóquio ou de Nova York influenciam o mercado de todo o mundo. Com a rapidez do trânsito das informações, americanos, brasileiros, nicaragüenses, asiáticos podem estar investindo, ao mesmo tempo, em Miami, Londres, Tóquio ou Pequim. Aqui é dia, lá é noite. Aqui é hoje. Lá é ontem. Os viajantes conhecem bem como os fusos horários afetam os organismos humanos.

O campo da ciência e tecnologia não está vinculado aos Estados nacionais. As redes de pesquisa são transnacionais e tão complexas que seus funcionários e mesmo os membros dos quadros dirigentes das várias ramificações de uma grande corporação como a IBM, por exemplo, sabem o que está sendo projetado em seus laboratórios do Japão ou da Suiça. Seus equipamentos são desenhados na Suécia, financiados no Canadá, montados na Dinamarca e vendidos na Europa e América do Sul.

A inteligência não obedece a fronteiras nem a nacionalidades. Também rompem-se os limites territoriais do consumo, mudam-se as leis nacionais - lobbies das grandes companhias intensificaram-se nas câmaras legislativas de todos os países; escândalos de propinas e corrupção espalharam-se pelo mundo -, perde-se o modelo de ética e a competitividade, declina-se à capacidade de gerar empregos.

globalização , como movimento de transformação social e de produção que promete a melhoria da qualidade de vida, pasteuriza os comportamentos e as aspirações humanas. O cidadão brasileiro comum, embora não tenha conhecimento dos movimentos da produção e dos mercados mundiais, já está consumindo "globalmente". Come macarrão da Itália, bebe água da França, veste camisetas da China, vê noticiários fabricados nos Estados Unidos, anda com tênis da Indonésia e viaja com carros da Coréia.

Jameson(l996) , considera todos estes fenômenos: divisão internacional do trabalho, as transações bancárias, novas formas de interrelacionamento da mídia são considerados produtos de uma cultura pós-moderna, ou melhor, sintomas desta .

É necessário mapear a lógica desta cultura não apenas de forma descritiva, pois temos:

Teorias explicativas desde l960 quando se inicia um processo de canibalização de modelos econômicos anteriores.

Criação de novos espaços , através da capacidade de um ser humano expressa em sua cognição e percepção.

Transferência de ênfase do objeto para a representação , colocando a realidade e a concretude do objeto de forma secundária.

No Brasil, observamos as consequências da globalização da economia mundial:

Expansão de franquias

Contratação de filhos e netos de imigrantes para preencher a carência de mão de obra nos países mais avançados, como o Japão. A identidade cultural facilitaria o processo de adaptação na sociedade receptora, minimizando os conflitos decorrentes da mudança de cultura e de língua.

Busca de repatriação de descendentes de estrangeiros, permitindo a dupla nacionalidade.

Formação de rede de cooperativas.

A exaltação da globalização na pós-modernidade aglutinou um grande grupo de fenômenos até então independentes. O jogo político, social e econômico é semelhante ao do Lego, à montagem, desmontagem e remontagem de estruturas. O indivíduo, numa escala muito maior e mais complexa torna-se peça de uma corporação. Os novos patrões são anônimos. Podem ser um investidor americano, suiço ou japonês.

As fábricas são dirigidas por executivos, hoje estrelas louvadas pela sua eficiência em aumentar os lucros dos investidores, amanhã, esquecidos no anonimato.

As pequenas empresas usavam e usam mão-de-obra local, matéria-prima nacional e buscam investimentos em bancos nacionais.

O Estado ainda tem peso muito grande nas decisões internas: regula os preços das matérias-primas, oferece subsídios, realiza grandes obras de infra-estrutura, enfim, exerce políticas de proteção e intervenção econômica. Tudo isso está mudando. Fragilizado, os Estados nacionais tendem a ceder às pressões das grandes corporações transnacionais e às ameaças dos capitais flutuantes, que hoje investem no Brasil e Argentina, mas amanhã, num simples piscar de olhos, estarão na China ou no Cazaquistão. Estarão onde houver sinais de lucros vertiginosos.

Os grandes especialistas,através dos meios de comunicação, anunciam o fim de uma estrutura do emprego formal - de fato, por causa dos benefícios trabalhistas, torna-se inviável contratar um trabalhador e busca-se novas soluções para o contrato de trabalho. Com isso, mudam-se as relações capital-trabalho, onde as expectativas sociais e institucionais coincidiam e formavam uma relação linear e evolutiva, com possibilidade de elaboração de projetos pessoais e sociais.

Segundo Otávio Ianni, trata-se de uma drástica ruptura nos modos de ser, sentir, agir, pensar e fabular. A nova realidade abala as convicções e a visão do mundo.

Podemos dizer que estamos num momento de grande transformação no processo de fragmentação do trabalho, provocado pela revolução tecnológica. Um dos grandes tópicos da sociedade industrial estava no contraste entre trabalho artesanal e industrial. Neste, a tarefa era fragmentada e o indivíduo dificilmente se apropriava de sua produção.

Agora, estamos num outro momento muito interessante: a ciência descobre, a indústria põe em prática e o homem adapta. Isso nos coloca num cenário totalmente adverso e incerto, não estamos também certos de que queremos estar nesse processo. As pessoas propõem resgatar a relevância do ser humano que deve passar a ser construtor das diretrizes, evitando influências e aspectos não desejáveis. A racionalidade humana usada em seu limite pode estar imbuída de uma vasta loucura.

É necessário considerar que há uma mudança qualitativa, na qual se contemplam as rupturas e re-orientações. De certo modo, embora se possa pretender o lado funcional, na produção internacional diluem-se as polarizações e a competição. Há uma nova forma de competição que não se fixa no endo-grupo. Ela, a competição, acaba caracterizando-se em estar ou na situação - "you are in" ou "you are off".

As pessoas buscam conscientizar-se de um novo sistema vivenciando uma ruptura do padrão econômico que vinha sustentando o sistema de troca. As teorias vinculadas aos fenômenos do "off" ou a teoria em torno do ócio e do trabalho têm que ser retomadas. O ócio considerado como doença, preguiça e má vontade deve ser revisto.

Nossas narrativas e estratégias para a orientação vocacional e escolha da profissão devem ser revistas frente a esta nova situação. Embora estejamos cientes destas mudanças e sejamos capazes de diagnosticar estes fenômenos na vida e no trabalho das pessoas,na prática a tendência é de aplicar e executar o que já tradicionalmente sabemos, pois predomina na ideologia que o manteve vinculado à sociedade através do trabalho.

O desemprego estrutural ressalta novas questões de identidade do homem no século XXI. Temos que buscar um novo discurso e estratégias de atuação, sair do modelo anterior e auto-referente. Nesta mudança de vinculo e de nova "cultura" a Orientação Profissional terá que ter um papel ativo. Os jovens que ainda não estão muito conscientes disto, correm o risco (já observado entre nós) de se sentirem exclídos e postos fora do sistema considerando-se vítimas, paralizados e perplexos, sentem-se desorientados e desvitalizados.

O campo da orientação se amplia e passa a:

Tratar de conscientizar-se deste novo modelo de relação indivíduo- trabalho atuando na transição do vinculo antigo para o novo e as suas conseqüências psíquica;

Pesquisar e ressaltar diferenças neste processo para o indivíduo que está em processo de escolha e aquele mais velho que já está no mercado e que tem que viver esta mudança;

Acompanhar fenômenos de migraçaõ cujo o único fator para a mudança é o trabalho;

Acompanhar a volta destes individuos e as conseqüências na sua reintrodução social;

Reflexão e elaboração de Modelos de orientação para novos vínculos e relação de trabalho;

Acompanhar a criação de cooperativas de trabalho.

O nosso trabalho tem que atuar diretamente nestes pontos, buscando uma atuação e estratégias novas que possam nos fornercer uma narrativa consistente. Uma nova narrtaiva que possa orientar o indivíduo em relação ao seu projeto futuro dentro desta nova realidade. O orientador profissional deverá ter a sagacidade de usar esse momento de incertezas como primeira pista ou diagnóstico para ampliar seu campo de atuação na trajetória do indivíduo. Hoje, pela fragmentação internacional do trabalho, a sociedade pode requerer a presença muito mais ativa do orientador profissional.

Esta mudança deve ser considerada uma mudança qualitativa na qual se contempla uma ruptura que força uma re-orientação.

Nossas necessidades básicas vitais serão as mesmas: alimentação, vestimento, habitação e lazer.

Saber distingüir o que é vital e não confundir as necessidades com os modos de satisfaÇão das demandas é importante. Saber distingüir a realidade da ficção poderá ser o principal alicerce de quem irá construir e se comprometer com o seu desenvolvimento profissional.

Do mesmo modo que a tecnologia nos dá uma dimensão da amplitude social, nos torna potentes para quebrar os espaços e nos relacionar de forma infinita com o mundo, ela, ao se transformar com a mesma velocidade com que nos inclui nesses novos sistemas pode, com a mesma rapidez, excluir-nos deles. Nesse sentido, a globalização irá trazer sentimentos muito extremos e maciços de inclusão ou de exclusão, com fortes conseqüências psíquicas.

Com as grandes tranformações da economia e ideologia em escala mundial, devemos estar acompanhando as novas síndromes sociais, novos sintomas de saúde e alteração no antigo conceito de alienação. Na America do Sul, ou mais especificamente em S.Paulo, percebemos uma situação ainda sem defesa psíquica e conjunturais, ao tentar definir a sua influência vemos que está conjugado com um fenômento muito mais amplo.

Exige-se uma nova relação que determina um novo perfil de íinculo com o trabalho, não havendo definições da função a ser exercida, o perfil é de flexibilidade e adaptação rápida. As pessoas terão que ser independentes, com contratos temporários entrando num setor de prestação de serviçoes. Várias funções irão se aglutinar, e as pessoas irão se auto gerenciar nas suas tarefas nos seus horários e nos seus espaços.

Esvaziam-se as rebeliões e os protestos, pois a rebelião só tem sentido quando existe uma autoridade central, a força do Estado, para ser contestada, podemos constatar isso através de um decréscimo da importância do movimento sindical no mundo.

Observamos um processo fóbico e paralisante nos jovens profissionais que não discriminam estas novas situações, atribuem a si próprios as causas da incapacidade e se sentem impotentes e inúteis porque não se obedece mais ao mesmo modelo de integração à sociedade para a qual foram educados.

Yvette Piha Lehman

Fonte: www.usp.br

Globalização

Globalização e Mercosul

A reorganização política mundial, acelerada após o final da Guerra Fria, faz blocos econômicos emergirem em diferentes regiões do planeta, como a União Européia, o Nafta e a Bacia do Pacífico. Nesse contexto, surge o MERCOSUL, que integra economicamente a Argentina, o Brasil, o Paraguai e o Uruguai.

Após o fim da Segunda Guerra Mundial, a economia capitalista vive uma fase de expansão e enriquecimento. Na década de 70 e início dos anos 80, essa prosperidade é abalada pela crise do petróleo, que provoca recessão e inflação nos países do Primeiro Mundo.Também nos anos 70, desenvolvem-se novos métodos e técnicas na produção. O processo de automação, robotização e terceirização aumenta a produtividade e reduz a necessidade de mão-de-obra.

A informática, a biotecnologia e a química fina desenvolvem novas matérias-primas artificiais e novas tecnologias. Mas a contínua incorporação dessa tecnologia de ponta no processo produtivo exige investimentos pesados. E os equipamentos ficam obsoletos rapidamente.

O dinheiro dos investimentos começa a circular para além de fronteiras nacionais, buscando melhores condições financeiras e maiores mercados.

Grandes corporações internacionais passam a liderar uma nova fase de integração dos mercados mundiais: é a chamada GLOBALIZAÇÃO DA ECONOMIA.

A divisão política entre os blocos soviético e norte-americano modifica-se com o fim da Guerra Fria.

Uma nova ordem econômica estrutura-se em torno de outros centros de poder: os Estados Unidos, a Europa e o Japão. Em torno destes centros são organizados os principais blocos econômicos supranacionais, que facilitam a circulação de mercadorias e de capitais.

Globalização

A UNIÃO EUROPÉIA integra a maior parte dos países europeus; a APEC - Associação de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico - congrega o Japão, a China, países da Indochina e da Oceania; o NAFTA - Acordo de Livre Comércio da América do Norte - une os mercados do Canadá, Estados Unidos e México. A formação dos megablocos regionais é uma tendência internacional e leva Argentina e Brasil a pensar na formação de um bloco sul-americano.

A partir de 1985, sucedem-se encontros entre os presidentes dos dois países para discutir um programa de integração e cooperação econômica. Em 1991, Uruguai e Paraguai aderem ao projeto. E, em janeiro de 1995, o MERCOSUL começa a funcionar oficialmente.

O MERCOSUL prevê a formação de uma União Aduaneira, ou seja, a criação de uma região de livre comércio com o fim das tarifas alfandegárias entre os quatro países. Prevê, também, uma taxação comum para os produtos importados de países de fora do MERCOSUL. E, a longo prazo, visa a criação de um mercado comum, com livre circulação de bens e de serviços entre os países membros, bem como uma maior integração cultural e educacional.

Em 1990, o intercâmbio comercial entre esses países era de aproximadamente 3 bilhões e meio de dólares. Em 95, já ultrapassa os dez bilhões. O MERCOSUL vive uma fase inicial de adequações e ajustes. Mas o comércio entre seus integrantes já demonstra seu potencial. Os contatos políticos, econômicos e culturais se intensificam. Hoje se negocia a adesão de outros países da América do Sul.

Visando ampliar suas atividades comerciais, já se iniciam contatos políticos com os países da União Européia para a formação de um superbloco econômico. A integração econômica entre Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai já é uma realidade.

Fonte: www.tvcultura.com.br

Globalização

Globalização: Geopolítica e Meio Ambiente

A geopolítica que por tanto tempo determinou os rumos das relações externas das grandes potências e dos países emergentes, assim como o processo de expansão das empresas multinacionais, adota uma nova forma com o processo duplo globalização/regionalização. Assim sendo é impossível entender a geopolítica e seu impacto no meio ambiente sem inseri-la no contexto da globalização. Ou de uma forma muito mais polêmica, o duplo processo globalização/regionalização têm impactos positivos no meio ambiente, na medida em que o território deixa de ser importante para as políticas de expansão geográficas dos Estados-Nações, e de expansão de mercados das empresas. Motivo de reflexão é afirmar também, que a geopolítica cedeu seu lugar para sua antítese, a geoeconomia, e que esta deverá determinar os novos rumos e estratégias de ação dos estados, que garanta um processo de acumulação em base "nacional".

A geopolítica é entendida de várias formas, todas elas ligadas ao espaço territorial, e às estratégias de ação dos Estados, como forma de expandir o território nacional ou defender as fronteiras, regulamentar ou não as ações predatórias e/ou conservacionistas com relação ao meio ambiente e, inclusive, como uma correlação entre os acontecimentos políticos e o solo. A geopolítica está vinculada ao poder e seu uso pelos estados, mas primordialmente ela esta ligada ao solo, ao espaço, ao território, e até ao espaço vital.

Além de não existir unanimidade do que é entendido como geopolítica, em alguns casos, as definições tornam-se contraditórias, incoerentes e até excludentes.

Definindo geopolítica como a fundamentação geográfica de linhas de ação políticas, que englobam necessariamente a noção de espaço, o que torna estas ações dependente do espaço físico, do território, ou da região. O espaço físico, tem sido sempre um dos componente vitais do espaço econômico, porém ele começa a perder a importância tanto estratégica quanto econômica. Do ponto de vista estratégico, o surgimento dos blocos econômicos e suas instituições supranacionais, erodem o poder e a soberania dos estados nacionais, tornando sem sentido a antiga noção de fronteira. O limite que a fronteira impunha à expansão capitalista, é deslocado, modificando-se tanto a noção de território, quanto as funções do Estado keynesiano, e as práticas políticas do mesmo. Do ponto de vista econômico, a regionalização ao tornar comum o espaço econômico para todos os agentes, pela livre mobilidade de bens e serviços, trabalhadores e capitais, torna necessária a harmonização e cooperação dos diferentes estados nacionais, o que elimina de vez, os perigos de atitudes expansionistas e esvazia de significado as políticas de "segurança nacional".

O processo de globalização completa o circuito, ao retirar do Estado, o controle sobre os fluxos de capitais e da política monetária, e reduzir a margem de manobra das políticas macroeconômicas nacionais.

globalização também, elimina a parcela geográfica do espaço econômico ao deslocalizar a atividade produtiva, tanto dos centros produtores de insumos quanto dos mercados consumidores devido às novas técnicas de organização e distribuição da produção, aos mecanismos multilaterais da Organização Mundial do Comercio (OMC) que permitem eliminar as barreiras tarifarias e não tarifarias das transações de bens e serviços, entre países não pertencentes ao mesmo bloco e à homogeneização dos hábitos de consumo. Ela torna o território cada vez menos importante como elemento fundamental da produção de bens, por causa das novas técnicas de produção, deixando para o espaço geográfico apenas a função preservacionista do meio ambiente e, como lugar de lazer para os citadinos.

Isto significa que tanto o Estado, quanto a fronteira e o território, perdem a importância que até aqui mantiveram, devendo modificar-se profundamente para responder às exigências que a nova divisão internacional do trabalho e, a nova organização do processo produtivo reclamam. Assim,

" A transição de uma economia baseada em material, energia e mão-de-obra para outra baseada na informação e na comunicação reduz ainda mais a importância da nação-estado como participante essencial de garantia dos destinos do mercado. Uma importante função da moderna nação-estado é sua capacidade de usar a força militar para tomar recursos vitais, captar e explorar mão-de-obra local e até global. Agora que os recursos energéticos, minerais e mão-de-obra estão tornando-se menos importantes do que informação, comunicação e propriedade intelectual no mix da produção, a necessidade da intervenção militar maciça é menos aparente. Informação e comunicação, as matérias primas da economia global de alta tecnologia, são impermeáveis a fronteiras físicas. Elas invadem espaços físicos, cruzam linhas políticas e penetram nas camadas mais profundas da vida nacional. Exércitos inteiros não podem conter nem mesmo diminuir o fluxo acelerado da informação e das comunicações através de fronteiras nacionais" (Rifkin, 1995:260-1).

Enquanto o papel geopolítico da nação-estado está diminuindo, sua função geoeconômica aumenta.

Paradoxalmente o aumento da importância da geoeconomia significa um enfraquecimento do Estado keynesiano, e uma volta teórica a suas funções básicas iniciais, na medida em que ele deve garantir para as empresas localizadas no seu território, pelo menos as mesmas condições vigentes nos mercados menos regulamentados.

Territorialização vs. Desterritorialização

O espaço econômico é definido como a união do espaço matemático e o espaço geográfico. No primeiro se relacionam as variáveis abstratas, e no segundo se localizam as atividades humanas ligadas à transformação da natureza, à preservação do meio ambiente e da bio-diversidade. No espaço econômico se situam "as relações técnicas e de comportamento humano que são geograficamente localizadas".

Storper (1994) define uma atividade como territorializada quando sua efetivação econômica depende da localização, sendo esta específica de um lugar determinado, o que significa que esses recursos não podem ser encontrados em outros lugares ou fabricados artificialmente. O fato do recurso ser específico de um lugar não implica necessariamente em atividades ligadas ao território, por causa da inserção em redes de relacionamento com outros centros territorializados devido à internacionalização e por causa da globalizaçãoque os relaciona com partes desterritorializadas dos sistemas de produção, distribuição, marketing e consumo.

Embora na literatura e nas políticas econômicas adotadas principalmente no terceiro mundo, tenham-se associado espaço econômico e espaço territorial, o certo é que as experiências demonstram que esta relação é muito indireta e tênue, quando existe, pois elas são apenas uma parte de sistemas econômicos mais complexos e completos (Storper,1994).

Santos (1994:42) afirma que "assistimos a uma liquidação impiedosa dos mercados locais e sub-regionais dentro dos países e uma tentativa de integração de mercados internacionais dentro dos espaços regionais delimitados por acordos entre estados"

Globalização

Pode-se definir a Globalização como sendo uma atividade econômica real, ou financeira, desenvolvida independentemente dos recursos específicos dos diferentes países, o que termina com a importância estratégica de alguns territórios. Na medida em que o território perde importância, o espaço econômico é modificado, ficando apenas as relações abstratas entre os diferentes agentes econômicos.

globalização da economia está alimentada pelo desenvolvimento das tecnologias da informação, pela abertura de novos mercados onde os salários são baixos, e pela mobilidade do capital financeiro que escapa a qualquer controle nacional.

É a internacionalização da economia porém, que cria a necessidade de uma empresa globalizada, que se torna possível pelo avanço tecnológico na informática e nas telecomunicações, pelas mudanças no modelo de gestão empresarial, tornado obsoleto pela necessidade que tem a firma de adaptar-se às exigências da nova divisão internacional do trabalho e, pelos processos de desregulamentação do estado e as mudanças nas políticas comerciais e de inserção internacional dos diferentes países.

A fragmentação do processo produtivo e, o aumento dos custos provocados pela rigidez nas legislações trabalhistas dos países desenvolvidos, têm provocando o deslocamento da produç&atil de;o das multinacionais para os países em desenvolvimento, onde os salários são reduzidos, destruindo os empregos que requerem pouca qualificação nos países desenvolvidos.

O processo de globalização pode funcionar melhor num espaço onde as políticas econômicas são convergente e não no mundo formado por blocos, desta forma o novo desenho das políticas públicas a nível mundial contribuíram em muito para a consolidação do processo. É impossível para as empresas concorrer em condições de igualdade sem um mínimo de globalização do setor público. Medidas de desregulamentação, abertura comercial, regionalismo aberto, e as decorrentes dos programas de estabilização e ajuste estrutural adotadas para atingir maior eficiência, competitividade e flexibilização da estrutura produtiva, foram fundamentais para que o fenômeno da globalização fosse incorporado nos países em desenvolvimento (Agudelo 1997).

Todo o anterior significa que o processo de globalização, tem como conseqüência a crescente desterritorialização da atividade econômica, tornando-as menos dependentes dos recursos, práticas e interdependências de um local específico (Storper,1994). Isto não significa, que não seja possível a existência de um forte grau de internacionalização do capital produtivo e financeiro, com um elevado grau de dependência territorial, o que alguns analistas denominam de mundialização do capital.

A globalização pode ser entendida como um fenômeno microeconômico restrito aos movimentos na divisão do trabalho, a organização empresarial, os mecanismos de distribuição dos produtos, ou sua inserção nas grandes redes financeiras internacionais; ou também como produto do multilateralismo decorrente das negociações na Organização Mundial do Comercio, nos dois casos ela é o resultado de:

Mudanças na Tecnologia: A globalização tem facilitado as transações comerciais internacionais, de forma exponencial, devido ao progresso tecnológico das telecomunicações e aos avanços da microeletrônica.

A desregulamentação da economia: O mundo globalizado é avesso à presença do estado e suas regulamentações. A ideologia liberal do estado minimalista tem contribuído para que sua presença seja cada vez menor. As políticas públicas de liberalização e desregulação do mercado, assim como os movimentos de abertura comercial unilateral tem tido um papel importante para amplificar esse processo que paradoxalmente esvazia o poder do estado.

Mudanças na organização empresarial : à revolução tecnológica corresponde uma redução dos custos de produção, comercialização e distribuição do produto, assim como uma mudança nas relações das empresas com o setor financeiro nacional. Isto levou às empresas a adotarem modelos de gestão e organização empresarial cada vez mais ágeis e flexíveis que permitissem o melhor aproveitamento das economias de escala e de eficiência.

O Capitalismo tem como característica as inovações e transformações das técnicas produtivas. E o desenvolvimento das técnicas está relacionado com a necessidade de expansão do capitalismo e não em atender as necessidades da sociedade. Como o principal objetivo do Capitalismo é acumular, as empresas passam a intensificar sua produção, para o qual precisam de um mercado cada vez maior, o que as leva a deslocar sua produção e aumentar os fluxos de capital para terceiros países com o intuito de aproveitar-se do potencial do mercado ampliado, produto desse processo.

As inovações tecnológicas nas comunicações e na informação exigem muito menos recursos naturais do que as utilizadas anteriormente, e pelo tanto são mais favoráveis ao meio ambiente, segundo Woodall (1996:A12) "enquanto os automóveis, ferrovias e motores a vapor usavam matérias primas em grande escala, a tecnologia da informação (TI) acelera a mudança para uma economia "sem peso", na qual uma parcela crescente da produção toma a forma de bens intangíveis.

A TI oferece também enorme potencial para reduzir a poluição e os congestionamentos, por meio do "teletrabalho" e das "telecompras", que tornarão muitas viagens desnecessárias"

A revolução tecnológica na agricultura e na industria

A automação está transformando a agricultura, o que significa uma tendência cada vez maior de expulsão do homem do campo, o que gera uma preocupação crescente não com o futuro do contigente liberado de mão de obra agrícola e sim com a força de pressão que estes exercerão sobre o emprego e os salários, saúde, educação e moradia, principalmente nas periferias das cidades do entorno agrícola, a transformação e mecanização da agricultura gera também preocupações com seu impacto no meio ambiente.

Maior produtividade na agricultura, gerada pela mecanização, significa menos trabalhadores e menos terras para a produção, o que significa também menos erosão e menos danos ao meio ambientee menor importância para a quantidade e qualidade de terra que um país (ou região) possui como elemento de poder ou peso político e/ou econômico. As propriedades do solo, outrora únicas, começam a perder espaço e importância na medida em que a produção em laboratório avança.

As empresas, já se preparam para produzir alimentos, sem auxílio da terra, do clima e das mudanças de estação. Os exemplos citados a seguir são extraídos do livro de Rifkin e mostram que a tendência atual é eliminar a variabilidade da produção causada pelo clima, a fertilidade do solo, a presença ou não de determinados minérios e reduzir os custos gerados pela contaminação ambiental. A maior parte da oferta mundial de baunilha (70%), é produzida em Madagascar, um pequeno país-ilha na África, em Comores e Reunião. A produção da baunilha em laboratório foi recentemente realizad a com sucesso, o que significa a eliminação da fava, da planta, do solo, do cultivo, da colheita, do agricultor, e da renda dos mesmos. Sendo um dos produtos de exportação mais importantes das ilhas, a produção em que leva à inadimplência e a não pagamento dos empréstimos internacionais, que poderia gerar uma nova crise da dívida, pelo não cumprimento dos compromissos assumidos por países ameaçados pelos mesmos processos produtivos.

A chamada cultura de tecidos, já faz experiências para produzir suco de laranja sem plantar os pomares, gaze esterilizada sem passar pelo cultivo do algodão, etc. Retirar a produção animal, vegetal e mineral do céu aberto, eliminaria a maioria dos problemas ambientais. O mesmo esta acontecendo com inúmeros produtos minerais. A produção de aço laminado a frio nos Estados Unidos , que na sua forma tradicional gasta 12 dias para ficar pronto, e uma enorme quantidade de danos ambientais, é produzido em menos de uma hora em uma fábrica computadorizada, a Nippon Steel, com poucos ou nenhum dano ambiental.

A informática está gerando cada vez mais, novos e mais numerosos sistemas computadorizados, para monitorar o meio ambiente, detectar áreas problemáticas, corrigir problemas de erosão, lixiviação e o escoamento de nutrientes e pesticidas. "O computador usa a informação para desenvolver um programa de produção agrícola global. Equilibrando metas de áreas e objetivos de lucros com a necessidade de reduzir riscos ambientais a níveis aceitáveis" (Rifkin, 1995:122)

As novas funções do solo

A evolução tecnológica mencionada anteriormente, planteia uma questão que vem sendo debatida com relação aos novos usos do solo. Dos debates tem surgido, a idéia de um desenvolvimento econômico sustentável onde o conceito principal diz respeito ao principio de uso múltiplo do território. Este uso múltiplo do território, elimina o aspecto meramente produtivo e/ou estratégico do território e inclui a proteção ambiental e o lazer, como elementos importantes, do que poderíamos denominar de novas "funções" do território.

Geopolítica e meio ambiente

Toda a discussão anterior nos leva a uma serie de considerações, onde a principal nos remete à perda de importância da geopolítica como "raison de être" do estado moderno. Anteriormente, o espaço físico era visto como um mero prolongamento do território nacional e como espaço mercadológico provedor de insumos e matérias primas e consumidor de bens e serviços, com nenhuma ou escassa inquietação ambiental por parte do estado, as empresas e a sociedade em geral, inclusive com relação aos recursos naturais não renováveis.

Cabe destacar que não tem sido os inúmeros desastres ecológicos, ou o surgimento de grupos ambientalistas radicais que tem despertado a sociedade para a preservação do meio ambiente. Ele se torna importante, na medida em que vá se degradando, ficando escasso e pelo tanto convertendo-se num bem econômico.

É exatamente isto que gera a oportunidade de novas atividades no meio rural, que visam reduzir as externalidades negativas geradas pelo processo produtivo de alta intensidade no uso de recursos naturais.

Estas atividades estão ligadas basicamente à produção "biológico-artesanal" de alguns produtos, o turismo ecológico e rural, as "chácaras" de recreio e lazer de fim de semana (segundas residências), e uma novíssima atividade: o "preservador meio ambiental", pago para não produzir e sim para manter intacta a paisagem.

Ele deixa de produzir, não por que tenha-se convertido à nova religião ambientalista, e sim por que não tem condições de competir, mesmo utilizando as técnicas que agridem o meio ambiente, com as novas técnicas de bio-engenharia utilizadas pelas grandes empresas agroalimentarias, que além de não poluentes, reduzem o custo à níveis jamais vistos desde a "revolução verde".

As novas tecnologias que são introduzidas no processo produtivo, e o desaparecimento dos mercados nacionais gerado pelaglobalização/regionalização, permitem concluir que essas novas tecnologias ao contrario de suas predecessoras, ajudarão a preservar o meio ambiente. A preservação ambiental é dada pela redução dos deslocamentos para o local de trabalho, o que permite diminuir a poluição ambiental gerada pelos automóveis; a produção de alimentos e matérias primas a partir da engenharia genética, o que tornará obsoleto o uso do solo com fins produtivos, diminuindo a erosão e outros problemas ambientais gerados pela produção predatória; e a própria produção industrial a medida que se automatiza deverá reduzir a emissão de poluentes. Em síntese, à medida que o dinamismo da atividade econômica se desloca da industria para o setor financeiro, de informação e de comunicações a tendência é de uma utilização mais racional dos recursos meio ambientais.

Para concluir, a globalização/regionalização da economia diminui o papel que o espaço territorial tem na atividade produtiva, o que retira a importância da geopolítica e as ações que o Estado implementava, ao mesmo tempo, isto permite que a economia se torne cada vez mais independente dos recursos naturais, o que se de um lado diminui a importância estratégica de alguns territórios, por outro, melhora as condições ambientais o que permite vislumbrar um futuro onde as condições ecológicas serão melhores que as atuais, na medida em que as atividades ligadas à ecologia deverão tornar-se um próspero negócio.

Fonte: www.dge.uem.br

Globalização

NEOLIBERALISMO E GLOBALIZAÇÃO

Evolução do capitalismo

Durante o período final da Guerra Fria o capitalismo passou por um de seus períodos econômicos de maior crescimento. Esse processo já havia começado nos últimos lustros do século XIX e, desde a I Guerra Mundial, já se pode observar que os Estados Unidos da América estavam se transformando numa grande potência, graças ao seu crescente poderio econômico-militar.

Diversas mudanças, em escala mundial, permitiram que a hegemonia norte-americana fosse se consolidando após a II Guerra Mundial, senão vejamos:

Conferência de Bretton Woods em 1944, na qual ficou estabelecido que o dólar passaria a ser a principal moeda de reserva mundial, abandonando-se o padrão-ouro.

Crescente participação das transnacionais norte-americanas no exterior, em especial na Europa e em alguns países subdesenvolvidos como o Brasil, o México, etc.

Expansão dos bancos norte-americanos e sua transnacionalização.

Descolonização da África e da Ásia que, criando dificuldades econômicas aos países europeus, abriu oportunidades para os Estados Unidos da América.

Bretton Woods

Durante três semanas de julho de 1944, do dia 1º ao dia 22, 730 delegados de 44 países do mundo então em guerra, reuniram-se no Hotel Mount Washington, em Bretton Woods, New Hampshire, nos Estados Unidos, para definirem uma Nova Ordem Econômica Mundial. Foi uma espécie de antecipação da ONU (fundada em São Francisco no ano seguinte, em 1945) para tratar das coisas do dinheiro.

A reunião centrou-se ao redor de duas figuras chaves: Harry Dexter White, Secretário-Assistente do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos e de Lord Keynes, o mais famoso dos economistas, representando os interesses da Grã-Bretanha, que juntos formavam o eixo do poder econômico da terra inteira.

Acertou-se que dali em diante, em documento firmado em 22 de julho de 1944, na era que surgiria das cinzas da Segunda Guerra Mundial, haveria um fundo encarregado de dar estabilidade ao sistema financeiro internacional bem como um banco responsável pelo financiamento da reconstrução dos países atingidos pela destruição e pela ocupação:o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento, ou simplesmente World Bank, Banco Mundial, apelidados então de os Pilares da Paz.

Os investimentos internacionais cresceram em volume, pois, além dos Estados Unidos, as antigas potências européias, que estavam se recuperando da crise criada pelos desastres da guerra, também começavam a se expandir.

O domínio mundial estadunidense é evidenciado pelo seu controle de mais da metade dos investimentos internacionais e pelo elevado número de filiais das transnacionais, a tendência de monopolização do capitalismo foi acelerada, fato que também pode ser observado nos programas de privatização que se intensificaram na década de 1980, envolvendo mais de 100 países do mundo e movimentando trilhões de dólares.

Ao produzir em locais onde a mão-de-obra é mais barata (tanto seu preço por hora quanto os encargos sociais) ou onde os custos de proteção ambientais são nulos ou muito baixos, as transnacionais reduzem os seus custos de produção, barateando as mercadorias. Dessa forma, podem vender seus produtos mais barato (quebrando a concorrência), aumentar suas taxas de lucro ou obter uma combinação de ambos.

Após a II Guerra Mundial, iniciou-se o mais longo período de crescimento contínuo do capitalismo, abalado apenas pela crise do petróleo, em fins de 1973.

Durante os últimos 30 anos, o valor da produção econômica quadruplicou e as exportações quase sextuplicaram nos países desenvolvidos. Uma das principais causas desse crescimento do capitalismo foi a expansão de um grupo bem definido de grandes empresas, das quais cerca de 500 atingem dimensões gigantescas.

Essas empresas, passaram a ser denominadas multinacionais, a partir de 1960, mas essa expressão se popularizou após 1973, quando a revista Business Week publicou artigos e relatórios sobre elas. Segundo as Nações Unidas, as empresas multinacionais "são sociedade que possuem ou controlam meios de produção ou serviço fora do país onde estão estabelecidas". Hoje, no entanto, toma-se consciência de que a palavra transnacional expressa melhor a idéia de que essas empresas não pertencem a várias nações (multinacionais), mas sim que atuam além das fronteiras de seus países de origem.

No fim da Ordem da Guerra Fria (1989), segundo relatório da ONU, existiam mais de 30 mil empresas transnacionais, que tinham espalhadas pelo mundo cerca de 150 mil filiais. Em 1970 elas eram apenas 7.125 empresas e tinham pouco mais de 20 mil subsidiárias.

As transnacionais foram, durante o período da Guerra Fria, a maior fonte de capital externo para os países subdesenvolvidos pois controlavam a maior parte do fluxo de capitais no mundo (exceto nos anos do Plano Marshall). No fim dessa ordem internacional, empresários estadunidenses controlavam mais de 35% das empresas transnacionais do mundo.

Nas últimas décadas, a globalização da economia tornou cada vez mais importante o sistema financeiro internacional. Ele é formado por um conjunto de normas, práticas e instituições (que fazem ou recebem pagamentos das transações realizadas fora das fronteiras nacionais). Dessa forma, o sistema envolve as relações de dezenas de moedas do mundo, sendo vital para o fechamento das balanças comerciais e de pagamento dos países do mundo.

Em síntese, são três as funções do sistema monetário internacional: provisão de moeda internacional, as chamadas reservas; financiamento dos desequilíbrios formados pelo fechamento dos desequilíbrios formados pelo fechamento dos pagamentos entre os países; e ajuste das taxas cambiais.

Sua organização moderna teve início em julho de 1944, em um hotel chamado Bretton Woods, localizado na cidade norte-americana de Littleton (New Hampshire), onde 44 países assinaram um acordo para organizar o sistema monetário internacional.

Procurava-se também resolver os problemas mais imediatos do pós-guerra, para permitir a reconstrução das economias européias e japonesa, mas o acordo acabou se transformando em um reflexo do poder político e financeiro dos Estados Unidos. Nessa reunião também foram criados o Fundo Monetário Internacional (FMI), e o Banco Internacional para Reconstrução do Desenvolvimento (Bird), hoje conhecido como Banco Mundial.

A conferência estabeleceu uma paridade fixa entre as moedas do mundo e o dólar, que poderia ser convertido em ouro pelo Banco Central estadunidense a qualquer instante. Todos os países participantes fixaram o valor de sua moeda em relação ao ouro, criando uma paridade internacional fixa. Todas as grandes nações da época, exceto a União Soviética, evidentemente, concordaram em criar um "Banco Mundial", com a função de realizar empréstimos de longo prazo para a reconstrução e o desenvolvimento dos países membros; e o FMI, para realizar créditos de curto prazo e estabilizar moedas em casos de emergência. Isso garantiu uma estabilidade monetária razoável durante 25 anos.

À medida que as economias da Europa e do Japão foram se recuperando dos desastrosos efeitos da II Guerra Mundial e que os países subdesenvolvidos se emanciparam de suas potências imperialistas, passando a agir como entidades econômicas independentes, uma série de deficiências do acordo de Bretton Woods foram ficando claras, gerando crises que se ampliaram desde o fim da década de 1960. O acordo deixou de vigorar a partir de 1971, quando o presidente norte-americano, Richard Nixon, abandonou o padrão-ouro, ou seja, não permitiu mais a conversão de dólares em ouro automaticamente. Com isso o sistema de câmbio desmoronou.

O que define a economia dominante é que a sua moeda se torna uma moeda internacional, servindo de parâmetro ou de reserva financeira para outros países.

Quando, em 1971, os Estados Unidos quebraram a conversão automática do dólar em ouro, eles obrigaram os países que tinham dólares acumulados a guardá-los (já que não poderiam mais ser convertidos em ouro) ou vendê-los no mercado livre (em geral com prejuízo). Em março de 1973 praticamente todos os países tinham desistido de fixar o valor de suas moedas em ouro e a flutuação cambial tinha se firmado como padrão mundial.

A crise do petróleo em 1973 gerou condições definitivamente diferentes das existentes anteriormente e obrigou o conjunto de nações a tomar uma série de medidas a respeito do papel do ouro nas relações monetárias internacionais. Após 1973, as taxas de câmbio de cada país passaram a flutuar e seu valor passou a ser determinado dia a dia.

A aceleração do crescimento das transações comerciais e o impressionante aumento do fluxo de turistas no mundo determinaram uma intensificação das trocas de uma moeda por outra (câmbio), criando uma maior interdependência entre os países. Dessa forma, a recessão econômica ou a crise financeira de um país pode afetar muito rapidamente outras nações o que explica a necessidade de um sistema monetário internacional, para servir como um amortecedor dos impactos dessas transformações, melhorando e facilitando as relações entre nações tão interdependentes na atualidade.

O Neoliberalismo e A Nova Ordem Mundial

Neoliberalismo

O que se convencionou chamar de Neoliberalismo é uma prática político-econômica baseada nas idéias dos pensadores monetaristas (representados principalmente por Milton Friedman, dos EUA, e Friedrich August Von Hayek, da Grã Bretanha). Após a crise do petróleo de 1973, eles começaram a defender a idéia de que o governo já não podia mais manter os pesados investimentos que haviam realizado após a II Guerra Mundial, pois agora tinham déficits públicos, balanças comerciais negativas e inflação. Defendiam, portanto, uma redução da ação do Estado na economia. Essas teorias ganharam força depois que os conservadores foram vitoriosos nas eleições de 1979 no Reino Unido (ungindo Margareth Thatcher como primeira ministra) e, de 19880, nos Estados Unidos (eleição de Ronald Reagan para a presidência daquele país). Desde então o Estado passou apenas a preservar a ordem política e econômica, deixando as empresas privadas livres para investirem como quisessem. Além disso, os Estados passaram a desreguzamentar e a privatizar inúmeras atividades econômicas antes controladas por eles.

A Nova Ordem Mundial

O que é uma ordem (geopolítica) mundial? Existe atualmente uma nova ordem ou, como sugerem alguns, uma desordem? Quais são os traços marcantes nesta nova (des)ordem internacional?

Utilizamos como marco inicial para a assim chamada "Nova Ordem Mundial" (ou "Nova Ordem Internacional") a queda do Muro de Berlim, com tudo o que simbolizou em termos políticos, econômicos e ideológicos. Evidentemente, muitos aspectos anteriores já indicavam uma nova era econômica em formação.

O Muro de Berlim não apenas separava uma cidade e um povo. Ele simbolizava o mundo dividido pelos sistemas capitalista e socialista.

A sua destruição, iniciada pelo povo de Berlim, na noite de 9 de novembro de 1989, pôs abaixo não apenas o muro material; mais do que isso, rompeu com o mais significativo símbolo da Guerra Fria: a bipolaridade.

Como foi possível a queda do Muro de Berlim, em plena Guerra Fria, num país sob forte hegemonia da União Soviética?

Estas coisas não acontecem, por assim dizer, "como um raio em céu azul". Uma série de fatores a tanto conduzem, liderados pela Corrida Armamentista.

Paralelamente ao abandono do Estado capitalista com gastos sociais, seguindo a orientação "neoliberal", este passou a investir cada vez mais pesadamente em armamentos de ponta, mandando a conta da "defesa do mundo livre" para os países subdesenvolvidos. A União Soviética e seus aliados, sem terem "satélites" ou países a utilizar como fonte de recursos para esta finalidade - que contraria o princípio básico do socialismo, a Paz - passou a defender-se como pode.

De todo o modo, se o bloco capitalista, dispondo de seu potencial de exploração de praticamente todo o mundo subdesenvolvido e do aparato de propaganda que a isto se segue, criou armas cada vez mais sofisticadas e inacreditáveis. Em fins da década de 80 falava-se no desenvolvimento, por conglomerados anglo-estadunidenses, de um projeto de "Guerra Nas Estrelas", uma espécie de malha de satélites voltada a destruir armamento inimigo em terra com canhões laser! Especulava-se ainda acerca de uma arma (que, se efetivada jamais foi utilizada na prática, que se saiba, até os dias de hoje) chamada de "Bomba de Nêutrons", capaz de destruir completamente a vida sem afetar o patrimônio, um verdadeiro emblema do ideal capitalista... Deslocando recursos da produção de alimentos, medicamentos, educação e salários para a Defesa, as nações socialistas foram levadas a um crise econômica sem precedentes históricos, este o cerne do problema.

Em 1985, a eleição de Mikhail Gorbatchov para a liderança da União Soviética tinha por finalidade encontrar formas pacíficas de sobrevivência democrática entre regimes econômicos antagônicos.

Se os socialistas reafirmavam a necessidade da intervenção estatal na economia, encontravam, na outra ponta a competitividade mercantil daqueles que se nutriam da morte e da destruição, numa palavra: da competitividade.

Abandonaram-se as metas cooperativistas e passou-se a pautar-se pela mais rapinante competitividade.

Reconhecendo que falta de transparência e democracia na revelação dos fatos constituía um entrave ao desenvolvimento do socialismo, Gorbatchov publicou seu clássico Perestroika, novas idéias para o meu país e o mundo que, contudo, foi mais utilizado pelos adversários do que pelos amigos do social. Era sem dúvida a expressão de uma crise.

Gorbatchov tentou ainda acordos com o ultradireitista Ronald Reagan, administrando mesmo o final do Tratado de Varsóvia e assinando com o presidente estadunidense o famoso acordo START (Strategic Arms Reduction Treaty), através do qual a OTAN e outras organizações filo-fascistóides dos Estados Unidos e aliados comprometiam-se a diminuir seus arsenais e interromper a corrida armamentista. Na prática, pouco foi feito a este respeito e é correto afirmar que as nações do Oeste (Estados Unidos e Inglaterra à frente) venceram a Guerra Fria contra o socialismo.

Naturalmente, a última palavra a este respeito ainda não está dada.

Outrora um dos maiores problemas de distribuição na URSS era representado pela filas: todos tinham dinheiro para comprar os bens necessários, particularmente numa nação que foi capaz de manter o preço do pão em três copeques durante mais de setenta anos! Mas formavam-se filas imensas para esperar que produtos raros do ocidente chegassem às prateleiras dos supermercados, delas desaparecendo rapidamente. Hoje, em Moscou, o que se vê é, além do retorno da prostituição, da miséria, da mendicância e da violência, levando uma nação que já foi uma superpotência a rivalizar com países subdesenvolvidos neste quesito, supermercados e lojas de conveniência abarrotadas de bens para os quais ninguém mais tem dinheiro para comprar... O russo médio se pergunta se teria feito um bom negócio ao sair do socialismo para o capetalismo...

O que é Globalização?

"Haverá muitos chapéus e poucas cabeças" Antônio Conselheiro

"Haverá muitos globalizados e poucos globalizadores" - Vamireh Chacon

Do ponto de vista do globalizador pode ser definida como o processo de internacionalização das práticas capitalistas, com forte tendência à diminuição - ou mesmo desaparecimento - das barreiras alfandegárias; liberdade total para o fluxo de Capital no mundo.

Os primeiros povos - de quem se tem notícia - a dividir o mundo entre "nós = civilizados" e "outros = bárbaros" foram os gregos e hebreus. Também os romanos assim dividiam os povos do mundo.

Sim, o planeta Terra, particularmente na região de hegemonia ocidental, ou seja, dos povos oriundos das cercanias do Mar Mediterrâneo, já sofreu a globalização egípcia, a globalização greco-macedônica, a globalização romana, a globalização muçulmana, a globalização ibérica, a globalização britânica, a globalização nazi-fascista e, desde o término da Primeira Guerra Mundial, agudizando-se ainda mais após o término da segunda, estamos sofrendo a globalização estadunidense.

Aprofundemos o paralelo. A seita judaica (que assim era vista) chamada de "cristã" era vista como bárbara e contrária aos deuses romanos. Os judeus foram globalizados à força, assim como os cartagineses e outros povos mais. Àquele tempo, somente os latinos e macedônicos foram globalizados pacificamente.

Mais recentemente, pelos nazistas, em função de uma série de peculiaridades, poucas regiões foram globalizadas pacificamente, como os Sudetos e a Áustria.

Na atual globalização estadunidense, a Argentina, o México e o Brasil constituem as principais demonstrações de "globalização pacífica". Aqueles que não concordam com o processo de globalização, são globalizados à força, constituindo os principais exemplos os países islâmicos, particularmente devido ao poderoso lobbie judaico no governo da única superpotência do planeta nos dias autais.

Nós, "chicanos", "cucarachas", globalizados pacificamente, estamos falidos, endividados, desempregados, famintos e governados por gente subserviente aos estadunidenses. É de se pensar se nossos governantes aceitam essa globalização pacífica para evitar derramamento de sangue pois, como vimos, quem os estadunidenses não conseguem globalizar "por bem", são globalizados à mão armada, à revelia da ONU, que vai, aos poucos, deixando de ter o significado e o poder que tinha.

Basta lembrar que a ONU nasceu ainda durante os julgamentos de Nuremberg, com o fito principal de evitar que povos do mundo, em nome de uma pretensa superioridade (racial, cultural ou qualquer outra), destruíssem civilizações por eles consideradas "bárbaras" ou "incivilizadas". Em 1991 George Bush (o pai) bateu o primeiro prego no caixão da ONU quando conseguiu forçar a aprovação de uma intervenção militar sobre o Iraque (aliás, fracassada). Dali para cá, uma série de ocorrências vêm em sucessivas vagas e ainda há quem se surpreenda ao ver representações da ONU ser percebida pelas vítimas da globalização como representação dos EUA. Desde 1991 - praticamente desde o final da polarização "capitalismo versus socialismo" a ONU deixou de ser um organismo representativo da autonomia dos povos do mundo e passou a ser, na prática, um organismo homologador das decisões estadunidenses. O escândalo em torno desta subserviência foi tamanho que, recentemente, os estadunidenses não obtiveram o aval da ONU enquanto não produzissem provas de que o Iraque constituía uma ameaça à estabilidade das civilizações judaico-cristãs ocidentais. Desprezando solenemente a ONU, estadunidenses e seus cúmplices britânicos massacraram uma das nações mais miseráveis do mundo que, para sua desgraça, constituem-se no segundo maior produtor de petróleo do mundo.

Enfim, "globalização" tem um significado para os globalizadores e outro para os globalizados, desde sempre, aliás. E desde sempre, parodiando o Conselheiro, "há poucos globalizadores e muitos globalizados".

Pior: reiterando: quem não se deixa globalizar por bem como o Brasil, a Argentina e o México (que estão na miséria que estão) é globalizado a bala, como o Afeganistão e o Iraque...

Fonte: www.culturabrasil.pro.br

Globalização

O papel do meio ambiente na geopolítica mundial

A questão ambiental tem ocupado um papel cada vez mais relevante nas relações internacionais contemporâneas. A negociação e implementação de tratados, acordos, convenções e a realização de reuniões internacionais com agendas amplas e complexas – como a RIO-92 – dão contornos a um sistema internacional multilateral imerso em conflitos e contradições. Novos processos emergem no cerne da dinâmica capitalista e contribuem para uma nova geopolítica global, como o fim da Guerra Fria, a reestruturação produtiva, aglobalização econômico-financeira, a propagação da ideologia neoliberal e os avanços tecnológicos e científicos, principalmente no campo da biotecnologia.

Algumas temáticas ambientais, cujos impactos extrapolam as fronteiras dos Estados Nacionais, têm surgido com maior destaque na política internacional e influenciado a (re)configuração da geopolítica mundial. Neste sentido, podemos mencionar, na esteira do agravamento da crise ambiental mundial, problemas como a diminuição da camada de ozônio, a mudança do clima global, a perda da biodiversidade, a poluição dos ambientes marítimos e a devastação das florestas, além dos múltiplos desafios relacionados à água e à energia. A geopolítica contemporânea caracteriza-se, dessa maneira, pelo que Marília Steinberger definiu como “relações de poder de vários atores sobre o território”, extrapolando a perspectiva clássica de poder centrado exclusivamente no Estado. Bertha Becker, por sua vez, lembra que a geopolítica sempre foi marcada pela presença de pressões de todo tipo, intervenções no cenário internacional – desde as mais brandas até guerras e conquistas de territórios. E que esta geopolítica atua, hoje, sobretudo, por meio do poder de influir a tomada de decisão dos Estados sobre o uso do território.

A geopolítica contemporânea e o meio ambiente se entrecruzam, portanto, não somente nas tensões em relação ao território em si, mas também no tocante às (im)possibilidades de seu uso. O território entendido a partir de uma dimensão de fonte e de estoque de recursos naturais – o que no capitalismo é indispensável para garantir o lucro a partir da realização contínua dos ciclos de produção, distribuição, circulação e consumo – traduz-se na possibilidade de acesso ou de restrição, prevalecendo, muitas vezes, a idéia de natureza como “capital de realização atual ou futura”, segundo expressão usada por Bertha Becker.

Em outras palavras, a partir do controle do território, lócus estratégico de poder, é possível – ao mesmo tempo e de maneira dialética – permitir ou impedir o uso de riquezas naturais, normatizando também atitudes e comportamentos, segundo análise feita por Paulo César da Costa Gomes. Uma interpretação, neste sentido, é dada por Rogério Haesbaert. Para ele, “é evidente que a preservação ambiental se torna uma questão cada vez mais relevante, não só mantenedora de condições ecológicas mínimas de sobrevivência, mas também como ‘reserva (bio)tecnológica’”.

Berta Becker faz referência à assimetria de poder internacional para asseverar a existência de uma disputa das potências pelos estoques das riquezas naturais, uma vez que a distribuição geográfica de tecnologia e de recursos é desigual. Segundo ela, “enquanto as tecnologias avançadas são desenvolvidas nos centros de poder, as reservas naturais estão localizadas nos países periféricos ou em áreas não regulamentadas juridicamente”.

Podemos considerar que poder e território – o último entendido em suas dimensões não só material, mas também simbólica – possuem interfaces que dialogam e se interpenetram, estando cada vez mais imbricados frente à crise ambiental. A apropriação e o uso das riquezas naturais passam a ser almejados por distintos atores, cada qual com suas intencionalidades e perspectivas de ação.

Um exemplo são os debates sobre “bens públicos globais”, correspondentes a riquezas naturais que deveriam ser compartilhadas entre todos os seres humanos, independentemente das fronteiras políticas e jurisdicionais existentes. Se por um lado considera a amplitude da escala dos problemas ambientais, a idéia de proteção compartilhada de riquezas naturais globais desperta, por outro, várias divergências políticas entre os países na medida em que esbarra no conceito tradicional de soberania internacional e na autonomia de organização do uso do território. Essa discussão tem se mostrado particularmente presente em relação à Amazônia, ensejando repetidas declarações por parte de representantes brasileiros – inclusive do presidente Luiz Inácio Lula da Silva – de que a Amazônia brasileira pertence aos brasileiros.

Ao ser considerado elemento proeminente na definição dos contornos da geopolítica mundial, o meio ambiente projeta um cenário de desafios e possibilidades para o Brasil, que se constitui em global player (ator global) no que concerne à temática ambiental, mas que ainda busca se afirmar como tal. O Brasil ocupa uma posição de relevância na geopolítica mundial por deter um grande território, a maior biodiversidade do planeta, áreas extensas de florestas e reservas de água doce, apenas para citar algumas características. Entretanto, a busca de uma inserção mais efetiva e articulada do Brasil nas discussões da agenda ambiental internacional esbarra nas assimetrias de poder entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento.

O Brasil tem buscado desempenhar papel mais significativo, por exemplo, no que diz respeito à produção dos agrocombustíveis.

Essa questão suscita muitas controvérsias, ao tratar, simultaneamente, de três grandes desafios da atualidade:segurança energética, mudança climática e combate à fome e à pobreza. Para o Brasil, o grande dilema, em âmbito interno, é conciliar a necessidade de desenvolvimento econômico e social, sem prejudicar a conservação dos recursos naturais. No plano internacional, o desafio é provar que a produção de biocombustíveis do Brasil atende a requisitos de sustentabilidade social e ambiental, o que vem sendo questionado por acadêmicos, organismos internacionais, ONGs e diversos países, principalmente produtores de petróleo que se beneficiam do predomínio da matriz energética de base fossilista. Os interesses econômicos são o “pano de fundo” mais amplo dessa e de outras problemáticas ambientais, influenciando sobremaneira os contornos da geopolítica global.

Nas últimas décadas, os processos cooperativos internacionais surgem com a promessa de que podem ter papel relevante na promoção do desenvolvimento econômico, social e ambiental dos países. Em contraponto à ajuda internacional meramente assistencialista – presente, por exemplo, nas políticas americanas preconizadas pelo Plano Marshall no período pós-Segunda Guerra –, emerge uma nova roupagem para a cooperação internacional, na medida em que teria capacidade de proporcionar benefícios que extrapolariam a fronteira dos Estados nacionais e proporcionariam soluções “coletivas” para problemas comuns, como a crise ambiental global.

Entretanto, um grande desafio ainda permanece como elemento precípuo da geopolítica global face à crise ambiental:desenvolver um sistema internacional mais justo e igualitário entre povos e países.

Rafael Jacques Rodrigues

Fonte: www.ufmg.br

Globalização

O sentido da autonomia no processo de globalização

A sociedade moderna, tipicamente industrial, sofreu uma transformação radical, sendo caracterizada hoje como uma "sociedade globalizada ". Impulsionada pela explosão das informações e intensificação das comunicações em nível mundial, a sociedade global contempla, de um lado, a cultura pluralista e , de outro, a modificação do valor econômico e do poder do Estado, que fortalecem o "consumo", priorizando a estetização da realidade.

Enfocaremos a globalização, aqui, não apenas como mera concepção de integração econômica, mas, seguindo a linha de CHESNEAUX (1995), como um processo que envolve transformações nos significados de intensificação das comunicações, tempo-espaço, desterritorialização, integração mundial, modernidade técnica e reflexividade social.

Para os teóricos da globalização, estamos vivendo o reflexo/contraste de mais uma modificação sistêmica do capitalismo. Dentro de diversas versões expostas pela Política, Sociologia, História, Geografia, etc., podemos apreender a mudança geral que demonstra a diferença dessa etapa do capitalismo em relação às anteriores. Definindo uma "sociedade globalizada", o capitalismo agora tem suas bases solidificadas na ação da mídia, no tecnopoder e na correspondente cultura da informatização.

Nesse novo espaço, o Estado-nação sofre um certo enfraquecimento frente ao poder das organizações regionais e transnacionais, "(...)tornando-se impotente diante da influência dos macro-agregados globais e dos imprevistos do mercado mundial(...)"(CHESNEAUX,1995:77). Também com mais freqüência vem dividindo seu poder político com outros órgãos da sociedade civil, passando a incorporar a função de controlador, coordenador e gestor das políticas públicas.

No que tange aos meios de produção, estes não são mais determinados exclusivamente pelo capital, pelos recursos naturais tais como a terra, e nem tampouco pela mão-de-obra, mas sim pelo conhecimento técnico e científico. A sociedade globalizada está também transformando a natureza do trabalho, tornando-o cada vez menos braçal e cada vez mais imaterial. A tendência é trabalhar de modo mais intelectual, com empreendimento autônomo e com fortes capacidades criativas.

Capacidades autônomas e domínio das informações constituem-se em produção, por excelência, de saberes e de linguagens.

Assim, tanto no plano prático como no plano teórico, o recurso básico deixa de ser determinado pela lógica taylorista para assumir outro modo de produção fundado no paradigma do conhecimento. Neste, a rigidez do fordismo perde seu lugar central para a flexibilidade dos processos de produção, de trabalho e de consumo, via a intensificada e constante inovação tecnológica, comercial e organizacional.

Quanto ao entendimento dessas transformações, a globalização relacionada a essa nova fase do capitalismo (ou um novo tipo de industrialismo fundido com a esfera cultural) e tendo como forte componente o pluralismo também contempla diferentes enfoques teóricos. A maneira de pensar, sentir, agir e transmitir a cultura na globalização depende da lógica política e do construto ideológico de cada indivíduo.

Se, para os liberais, a sociedade global é sinônimo de racionalidade e de progresso positivista, tendo como valor central a "liberdade de mercado", para uma corrente renovada do marxismo, não só a denúncia dessa visão é possível (visão superficial) , mas também a compreensão de que a nova formação social é uma realidade histórica, e como tal portadora de contradições, tanto destruidoras como criadoras. Assim, a adoção de um enfoque marxista de análise não caracteriza um paradoxo. Embora seus conceitos clássicos não dêem conta da atual situação, se "revisados" a partir das categorias cultural, política e econômica contemporâneas, são indispensáveis para uma leitura coerente das diferenças entre as práticas capitalistas anteriores e as da sociedade capitalista globalizada.

Como exemplo de um novo enfoque, citamos os renomados pensadores marxistas britânicos "Novos Tempos", os quais não se intimidaram frente às mudanças globais, aceitando trabalhar os desafios da globalização não exclusivamente de forma pessimista (como a maioria), mas observando também suas oportunidades, inclusive para contestação. Ao afirmarem que "o mundo mudou, mas isso é o que todo bom marxista deveria ter esperado"(In: KUMAR,1997: 65), estes pensadores examinam as mudanças que ora ocorrem na sociedade, mediante as aplicações das teorias pós-fordistas, ressaltando (numa linha gramsciana) que não apenas a esfera econômica, mas uma "cultura inteira" está passando por um desenvolvimento extremamente amplo e futuro.

Portanto, a atual (des)organização do mundo modifica de forma acelerada os valores básicos da sociedade; muda a concepção de organização da empresa e da economia; transforma as instituições; enfim, são mudanças radicais do final de século, que nos fascinam e ao mesmo tempo nos apavoram. Ao exigirem novas capacidades (tomada de decisão) em ambientes complexos, incertos e competitivos, impõem ao homem pós-moderno mais instrução e aperfeiçoamento contínuo para se inserir no processo de trabalho. Nesse sentido, o conhecimento como valor universal é um direito de todos que deve ser utilizado em toda a esfera da vida cotidiana e não apenas para concorrer a um posto no mercado de trabalho.

Assim, as exigências desta sociedade não estão pautadas apenas nos livros, na Internet e nas técnicas, mas principalmente na pessoa de desempenho que incorpora seus valores, desafia, pesquisa, cria formas de convivência solidária e decide no constante confronto de novas demandas e novas responsabilidades. Essa é a "nova sociedade", que deverá ser cada vez mais marcada pela produtividade, pela participação e pela autogestão fundada no conhecimento, e com preponderância da autonomia sobre a heteronomia taylor-fordista.

A autonomia, portanto, é hoje prioridade revisitada no mundo globalizado. Cada vez mais constata-se uma profusão de novos sentidos sobre esta palavra, a qual passa a exercer grande força para qualificar a ação humana. Atualmente, podemos mapear o conceito de autonomia em todas as circunstâncias da vida social, intensificando-se, na era da globalização, o emprego deste termo numa multiplicidade de contextos.

Esse reconhecido valor constitui, portanto, uma categoria central da essência da vida humana, e como tal, confere o poder de determinar os processos e as estratégias de ação, escolher caminhos e alternativas, bem como objetivar desejos e ideais no sentido de efetivar a ação crítica nas mais diversas situações que a vida nos impõe.

A partir disso, queremos situar a inserção do homem nas novas formas organizacionais e num novo modo de produção circundado pelo dinamismo revolucionário constante da tecnologia e da crescente globalização e internacionalização da produção. Para compreender o homem enquanto precurssor dessa nova vida social, que transcenda o econômico e incorpore outras alterações na vida familiar, no lazer, na cultura e na política, precisamos lançar mão das teorias pós-fordistas que interpretam essas mudanças privilegiando a questão da autonomia.

1. A SOCIEDADE GLOBAL E A AUTONOMIA

Para analisarmos a necessidade da autonomia na sociedade atual, partimos do pressuposto de que a globalização em curso não está apenas nas macrorelações do sistema mundial de Wallerstein, mas também nas práticas da vida cotidiana. Interferem no modo de vida da sociedade, exigindo profundas modificações nas suas instituições. Assim, o terreno sobre o qual a autonomia se deve sedimentar localiza-se não apenas no campo tecnológico, mas também na abrangência de toda a vida social, envolvendo elementos da política, da cultura, do trabalho, bem como os processos de produção e consumo.

Traduzir essas mudanças de forma esquemática é bastante complexo e, na maioria das vezes, compromete-se a realidade.

Das várias tentativas de resumo apresentadas pelos teóricos que trabalham a diferença entre fordismo e pós-fordismo (entre eles os pensadores "Novos Tempos"), destacamos aquelas que trabalham as mudanças sob os mais diversos ângulos, e que, segundo KUMAR (1997), podem ser traduzidas no seguinte:

Economia: consolidação de um mercado internacionalizado e declínio das empresas nacionais e das Nações-Estado como unidade eficiente de produção e controle; fim da padronização; produção de trabalhadores em tempo flexível, parcial, temporários e autônomos, aumento da terceirização e franquias;

Relações políticas e industriais: fragmentação das classes sociais; declínio dos sindicatos de categorias centralizadas de trabalhadores e de negociações salariais; ascensão de negociações localizadas, baseadas na fábrica; força de trabalho dividida em núcleos; fim do compromisso do corporativismo de classe; esfacelamento da provisão de benefícios padronizados e coletivos e fortalecimento da aposentadoria privada;

Cultura e ideologia: desenvolvimento e promoção de modos de pensamento e comportamento individualistas; cultura da livre iniciativa; fim do universalismo e padronização na educação; aumento do sistema modular e da escolha por alunos e pais; fragmentação e pluralismo em valores e estilos de vida; ecletismo pós-modernista; privatização da vida doméstica e das atividades de lazer.

Nesse contexto, os indivíduos estão cada vez mais mergulhados na turbulência da incerteza, do medo, da perplexidade, o que os leva a procurarem soluções alternativas para o percurso da existência nos novos paradigmas sociais da cultura contemporânea. Para tanto, cada vez mais o homem é obrigado a abdicar da rigidez das idéias, atitudes e tipos de comportamentos fundamentados no sistema de valores tradicionais e buscar resposta nos valores de uma "modernidade reflexiva"(GIDDENS, 1996)que, em muitos aspectos, ainda estão para serem formulados.

Assim, o entendimento da concepção do novo saber produzido neste fim de século direciona a ação não mais dentro do fluxo contínuo, seqüencial e fixo, mas envolve impulso descontínuo e flexível com permanente oportunidade de recriação de formas sociais e vida de trabalho diferentes.

Sob esse aspecto, concordamos com Giddens que estamos numa sociedade cuja marca é a destradicionalização ("(...)as tradições são constantemente colocadas em contato umas com as outras e forçadas a "se declararem""(Giddens,1996:99)) e, portanto, a reflexividade social("(...) condição e resultado de uma sociedade pós-tradicional, onde as decisões devem ser tomadas com base em uma reflexão mais ou menos contínua sobre as condições das ações de cada um"(Giddens, 1996:101)).

Essa reflexividade aponta elementos significativos para a sedimentação da autonomia na sociedade globalizada. A autonomia como condição de autodeterminação para conviver com os riscos, incertezas e conflitos passa a ser considerada hoje na escala de valor como um bem necessário gerador de decisões e criador de possibilidades no manejo com o conhecimento. É a única alternativa aberta para orientar nossa capacidade de relacionamento com a "superprodução" da sociedade contemporânea.

No desenvolvimento desse processo, as práticas sociais cotidianas são freqüentemente alteradas e as informações renovadas são uma constante dessa dinâmica.

Isto faz com que o conhecimento reflexivamente aplicado altere a vida, obrigando os indivíduos, as instituições e as organizações políticas, sociais e econômicas a reformularem os seus conceitos e valores como pressupostos básicos para a entrada no processo daglobalização.

Agora, as ações cotidianas de um indivíduo estão entrelaçadas em todo o sistema, o que lhe coloca como essencial um certo grau de autonomia para que o mesmo possa sobreviver, e, como diz Giddens, "moldar uma vida" na sociedade contemporânea. Entendida a partir dos processos e estruturas culturais que configuram a globalização, a autonomia refere-se às múltiplas capacidades do indivíduo em se representar tanto nos espaços públicos como nos espaços privados da vida cotidiana, ao seu modo de viver e aos seus valores culturais; à luta pela sua emancipação e desalienação; à forma de ser, sentir e agir; à capacidade de potenciar atividades em diversas formas de trabalho; à resolução de conflitos; ao fortalecimento em relação às suas próprias emoções, que o torna capaz de solidarizar com as emoções dos outros e, enfim, estar mais associado em suas ações.

Portanto, é inegável que a autonomia tornou-se requisito básico no mundo globalizado. Constitui-se como necessidade material, no momento em que a racionalidade tecnológica coloca como exigências para o homem o domínio do conhecimento, a capacidade de decidir, de processar e selecionar informações, a criatividade e a iniciativa. Somente um indivíduo autônomo consegue manejar com estes elementos, os quais exigem ações/tomadas de decisões constantes para responder/resolver novas problemáticas advindas desta nova fase do capitalismo.

É uma necessidade psicológica, uma vez que os indivíduos precisam desenvolver uma efetiva comunicação entre si, num espaço destradicionalizado. Nesta sociedade, o diálogo molda a política e as atividades, possibilitando discussões abertas rumo à definição da "confiança ativa", a qual constitui este viés psicológico ao exigir uma "renovação de responsabilidade pessoal e social em relação aos outros"(GIDDENS, 1996:22).

Esse enfoque, até então deixado de lado, é essencial hoje quando o mesmo está relacionado a um objetivo nobre, ou seja, somente o diálogo democrático possibilitará a "democratização da democracia"(GIDDENS,1996) e, com isto, a preponderância da justiça em escala global.

Relacionando-se a esta questão, a autonomia tornou-se uma necessidade sócio-cultural; mas também porque no processo deglobalização é um trabalho que diz respeito a um amplo movimento cultural de superação de velhas concepções de mundo, constitui-se numa nova direção de relação social e elaboração de um novo comportamento reflexivo.

Assim, a autonomia não pode estar dependente de justificações de ordem econômica ou ideológica, por constitui um valor que capacita a nossa participação no percurso de todas as circunstâncias da existência humana. Neste sentido, há muito a se conhecer a respeito da real possibilidade da utilização desse valor.

Por tudo isso, é por excelência uma necessidade política, pois somente um indivíduo autônomo ("sujeito ativo") possui condições de entender as contradições que permeiam o mundo globalizado, questionando-as e agindo no sentido de canalizar as oportunidades desta sociedade para mudanças qualitativas e, concomitantemente, apresentar alternativas às ameaças. Sob este aspecto, autonomia é rompimento com as políticas instituídas no passado e que ainda perduram, manifestadas na dependência, na submissão, no conformismo e na alienação.

Se a nossa escolha não é outra senão "decidir como ser e como agir"(Giddens, 1997:94),o como "ser e agir" num contexto globalizado diz respeito à escolha de comportamentos, maneiras de participação nos espaços públicos, atitudes no espaço da produção e do consumo; porém, esta escolha não é mais dirigida por regras fixas, mas sim pela flexibilidade, o que nos leva a destacar que a ação envolvida nesse processo precisa ser consciente, e isto, segundo CASTORIADIS, é peça essencial para a autonomia, pois a tornará uma proposta que nos fará conscientes e autores de nosso próprio evolver histórico.

Torna-se imperativo um entendimento crítico na constituição e prática da autonomia. O que queremos afirmar com isto é que todos esses pontos (da autonomia material, psicológica, sóciocultural e política) são inter-relacionados, e o desmembramento dos mesmos inviabiliza o objetivo maior que é a construção de uma sociedade autônoma.

2. AUTONOMIA E TRABALHO

A questão referente ao mundo do trabalho é de vital importância para o entendimento da autonomia. Justificamos isto porque as condições de trabalho não estão desvinculadas das condições gerais de vida do indivíduo (e vice-versa). Assim, as transformações, exigências e pressões na esfera do trabalho refletem-se em sua vida social, cultural e política. Porém, na sociedade globalizada, as esferas são autônomas (no sentido de que não há determinação de uma sobre as outras), mas relacionadas.

Reportando-nos ao período de 1945 a 1973, tivemos um conjunto de práticas utilizadas pelo capitalismo que se caracterizou como "fordista-keynesiano". Neste, o princípio era "uma empresa, um produto". Para isso, a empresa adotava a verticalização (dominando, das fontes de matéria-prima aos sistemas de transportes) e a produção era em massa.

Expandiu-se a burocracia, a qual fazia com que o indivíduo ocupasse uma posição marcadamente definida na divisão do trabalho. Na cadeia de comando, o trabalhador se encaixava numa hierarquia vertical, onde os cargos permaneciam estáveis durante períodos de tempo relativamente longos.

A especialização era um pré-requisito fundamental desse sistema. A economia de escala, a linha de montagem pressupunham um trabalhador especialista, "disciplinar". Em decorrência dela, o trabalhador preenchia um lugar predeterminado na empresa, dedicando-se à solução de problemas de rotina de acordo com regras bem definidas, onde, além de não ser permitido inovar, o mesmo também não tinha desenvolvido sua capacidade criativa, pois cada operário realizava apenas uma tarefa pré-determinada.

Novos papéis e poderes institucionais foram assumidos pelo Estado, expressos no keynesianismo, o qual, aliando-se firmemente ao fordismo, possibilitou a etapa de expansão do capitalismo monopolista, caracterizada pela expansão dos mercados em nível mundial. Portanto, juntamente com o fordismo, o keynesianismo é visto por muitos como de grande mérito pela prosperidade capitalista do pós-guerra.

Para viabilizar a acumulação, com base nestes princípios, e conter as contradições naturais do capitalismo, o fordismo-keynesianismo tiveram como base "(...)um conjunto de práticas de controle do trabalho, tecnologias, hábitos de consumo e configurações de poder político-econômico(...)"(HARVEY, 1992:119) baseado na "rigidez total": nos investimentos, nos mercados, na alocação, nos contratos de trabalho e nos compromissos do Estado.

A esse modelo não interessava conhecimento, criatividade, tomada de decisão e comunicação por parte do trabalhador.

Sintetizando: a autonomia não tinha lugar na indústria e nem na sociedade, uma vez que a modernidade se traduziu nesta maneira pela qual o modo de produção capitalista se organizou.

Não obstante a falta de qualificação dos trabalhadores, eles começaram a apresentar resistências ao trabalho alienante (greves, paralisações, absenteísmo, erros "programados", etc, que caracterizaram o período de 1968-72), as quais, somadas a outros fatores, comprometeram a produtividade e colaboraram na crise do modelo.

Com o novo padrão produtivo e tecnológico da Terceira Revolução Industrial (que caracteriza a etapa "pós-fordista" do capitalismo), na qual o ritmo da inovação tem sido rápido e fundamental, impuseram-se mudanças significativas nas relações de trabalho, as quais exigem um "novo trabalhador", cujo perfil de habilidades é completamente alterado e a autonomia passa a ter um lugar central. Isso rompe com as relações estabelecidas pelo modelo fordista, cuja base organizacional impedia o desenvolvimento da autonomia dos indivíduos, pois o trabalho monótono e superfragmentado reduzia ou anulava a responsabilidade do trabalhador, e as complexas hierarquias gerenciais (no que tange aos processos de decisão) tinham por princípio o comando autoritário.

O predomínio das altas tecnologias de produção e informação do pós-fordismo também introduz novas relações no momento em que os mecanismos e as funções desse novo modelo econômico são conduzidos, no mercado de trabalho interno, pelas exigências de modernização das qualificações. Habilidade e competência da mão-de-obra requerem como qualidades, além da polivalência e da formação técnica geral, capacidade de análise, interpretação e inclusive correção de instruções.

Assim, multiprofissionalização, "co-responsabilidade" do trabalhador e um processo de decisão no qual as complexas hierarquias gerenciais centralizadoras cedem lugar à formas participativas e descentralizadas constituem-se como princípios básicos do novo paradigma do trabalho neste final de século, ou seja, do regime pós-fordista.

Reforça-se, então, a necessidade de compreensão, por parte do trabalhador, da lógica e das condições do seu trabalho, o qual passa agora a estabelecer relações e decidir entre alternativas. Todas estas exigências pressupõem indivíduos autônomos, porém, ao mesmo tempo, influenciam no desenvolvimento da sua autonomia.

Os trabalhadores devem ser autônomos, porque as grandes fábricas pós-fordistas trabalham com tecnologias flexíveis de manufatura para atender a uma demanda segmentada, que exige o diferente; assim, os trabalhadores devem exercer uma autonomia de decisão sobre processos de inovação constantes da produção.

Eles devem ser autônomos para aprender, pois, além da polivalência, exige-se criação e também resolução de problemas que são novos a todo instante.

Autônomos psicologicamente, porque a posição na cadeia de produção não permanece mais rígida; a mudança de cargos e funções (inclusive empresas) ocorre em tempo muito curto, exigindo-se, além do grau de adaptação, um processo de comunicação altamente desenvolvido.

Portanto, somente indivíduos autônomos conseguem manejar ferramentas dinâmicas, como o conhecimento, a criatividade, a tomada de decisão e a comunicação, ferramentas que diferenciam radicalmente a fábrica pós-fordista da fordista.

Mas as complexidades inerentes à implementação deste modelo (muito bem apresentadas por Harvey, 1992) colocam-nos naquela linha de análise que destaca um certo cuidado em termos de tempo-espaço para generalizar as estratégias do novo regime, bem como a "pureza" das mesmas, ou seja, a inexistência de qualquer resquício fordista. Somente para citarmos um exemplo, a questão do "controle rigoroso" nos processos de trabalho e suas conseqüências geradoras de desemprego continuam e de forma mais sofisticada. No lugar dos supervisores e gerentes, a tecnologia encarregou-se daquela tarefa, caracterizando o que se chama de "tempo informático", o qual integra e controla a produção e as ações humanas com perfeita eficiência.

A coexistência dessas questões no seio das inovações técnicas e organizacionais faz parte das contradições do capitalismo(que mudou em termos de estratégias, porém na essência continua "sistema"capitalista) em sua fase atual, o qual, não obstante continuar com formas antidemocráticas, abre espaço para o exercício da criatividade, decisão, e participação, e, logo, autonomia dos indivíduos. É uma estratégia contraditória do novo regime de acumulação, que pode favorecer o aperfeiçoamento do trabalho humano, e, se bem desenvolvida pela área educacional, poderá possibilitar um futuro desenvolvimento do sujeito (não só no campo econômico) em todas as esferas da vida humana.

Afirmamos isto com base nos teóricos "Novos Tempos", os quais, seguindo a linha de Gramsci, argumentam que as mudanças do pós-fordismo "estão substituindo a homogeneidade, a padronização e as economias e empresas de escala em mais do que apenas na esfera econômica" ("Novos Tempos"In: Kumar, 1997:63), mas uma cultura inteira está sendo símbolo de um desenvolvimento social e cultural amplo e profundo. Conseqüentemente, a exigência da autonomia poderá extrapolar, em sentido positivo, o mundo do trabalho.

Ignorar estas contradições é uma forma simplista de a "consciência ingênua" tratar a questão. Não estamos enfocando a autonomia aqui exclusivamente sob a ótica da "negatividade", a qual entende esta exigência apenas como uma estratégia do capital para acumulação, e, como diz KUMAR(1997), "finalizando aí a análise", quando a mesma deveria estar apenas começando. Ao enfocarmos a exigência da autonomia como "estratégia contraditória", e, portanto, que pode ser produtiva, significa que "(...) não estamos apenas combatendo as mudanças correntes, mas vendo nelas possibilidades de ganhos reais(...)"(KUMAR, 1997: 178).

Todavia, o quadro de trabalhadores sem instrução, sem qualificação, sem informação e sem visão crítica da organização empresarial terá muita dificuldade para inserir-se num mercado de trabalho pós-fordista saturado de novas demandas, responsabilidades e novos desafios, e isto tornará este mercado cada vez mais competitivo e restrito, sendo o aumento da exclusão social uma conseqüência drástica deste processo.

Também é necessário deixar claro que a realização da autonomia (individual ou coletiva) esbarra na ausência de condições objetivas da sociedade, sendo o atraso da população (mais evidente nas nações pobres) um dos principais obstáculos. A pobreza cultural extrema obstaculiza qualquer iniciativa para se colocar o indivíduo numa condição humana digna, principalmente quando está se tratando do cidadão da sociedade globalizada.

Portanto, tendo essas contradições do capitalismo como base (ameaças e possibilidades a partir do mundo do trabalho), reafirmamos a necessidade de priorizar os investimentos na área social para que a sociedade possa se instrumentalizar para as exigências da globalização. As formações educacional e técnica devem ocupar um espaço fundamental, voltadas para qualificação em termos de capacidade de gestão, participação, decisão e inovação, tanto no processo produtivo como (e principalmente) nas relações sóciopolíticas. Isto é que capacitará o indivíduo, agora "cidadão autônomo", para viver, criticar e propor alternativas concretas, numa cultura para o conhecimento, comunicação e habilidades informativas.

3. AUTONOMIA E EDUCAÇÃO

No momento em que as sociedades, com suas instituições e organizações políticas, sociais e econômicas, ajustam-se a um novo estágio de desenvolvimento, onde o progresso da modernidade ortodoxa é substituído pelo da "modernidade reflexiva", no qual a autonomia tem destaque privilegiado, perguntamos: como a escola brasileira poderá reivindicar sua autonomia e que tipo de relações devem ser estabelecidades entre sua ação autônoma e a sociedade globalizada, quando ainda vivenciamos uma prática escolar totalmente burocratizada, centralizada, de consenso servilista e marginalizada de todas as possibilidades de influência do novo paradigma do conhecimento reflexivo?

Como organizar, a partir das exigências da nova LDB, um trabalho pedagógico autônomo por intermédio da constituição de um projeto político pedagógico, visando a um processo permanente de reflexão e discussão, tendo como princípio fundador as premissas e os contornos de uma sociedade global que está constantemente modificando as estruturas? Ora, as respostas não são simples, pois a escola brasileira ainda está muito distante de qualquer referência que propicia este tipo de análise.

O modelo de política educacional adotado no Brasil ainda é aquele da década de 70, que exclui a educação de qualquer iniciativa de transformação nos parâmetros das sociedades globalizadas. A nossa educação formal enfraquece as atitudes que promovem a autonomia, contrariando os valores da modernidade reflexiva e abstendo-se de qualquer inciativa de concepção de liberdade e decisão livre.

A educação deve ser repensada segundo as exigências do mundo atual, que são colocadas segundo os princípios da modernidade reflexiva. Isto significa que , nesse contexto, a educação precisa assumir seu verdadeiro papel na formação da consciência crítica, disseminando a autonomia como valor central na defesa de um projeto de cidadania moderno que promova a liberdade do homem.

Somente tendo como princípio norteador a autonomia, a escola "(...)permitirá que os poderes humanos de organização e reorganização criativa da experiência, sejam operativos no contexto educacional(...)"(DOLL,1977). Esse sistema aberto permitirá que professores, alunos, coordenadores e diretores estabeleçam uma comunicação dialógica, propícia à criação de estruturas metodológicas mais flexíveis para reinventar sempre que for preciso. A confirmação desse contexto só poderá ser dada numa escola autônoma, onde as relações pedagógicas são humanizadas.

A educação na sociedade globalizada tem o compromisso de preparar um homem autônomo, para viver e participar de uma cultura que não é apenas local, mas que amplia os espaços, tendo o mundo como sua localidade e o seu lugar. Nesse sentido, a ampliação da consciência humana na conquista do espaço cultural mundializado depende da capacidade da escola em trabalhar pedagogicamente essa dimensão .

Transformar a escola nessa nova direção depende de uma política do Estado em assumir a educação numa perspectiva moderna, que, no nosso entender, não se pode dar pelo viés conservador do pensamento neoliberal. Com isso, vale dizer que a produção do saber escolar não pode restringir-se apenas ao conhecimento instrumental, o qual tem sido utilizado na competitividade do mercado e repassado pela qualidade total. Na verdade, o conhecimento na era da globalização tem sido utilizado na prática mais para inovar as condições de lucro do que para humanizar as condições de trabalho e promover a autonomia do indivíduo.

Nesse sentido, requer-se do indivíduo apenas o domínio do conhecimento técnico-instrumental; portanto, é imperativo que a escola trabalhe também a dimensão ética-política através das Ciências Humanas. Uma educação para a autonomia deve buscar desenvolver o "homem omnilateral"(GRAMSCI), ou seja, o homem em sua totalidade, e, para isso, não privilegia esta ou aquela dimensão, mas trabalha relacionalmente as dimensões técnica e política.

Como se pode perceber, o conhecimento além do instrumental é a problemática crucial das inovações modernas. Qualquer atividade, na sociedade atual, requer qualidades intelectuais, estéticas, conduta moral, concepção ampliada de mundo, domínio instrumental de línguas, habilidades de comunicação e capacidades de gerar novos modos de pensar. Nesse sentido, vale ressaltar o pensamento gramsciano que afirma que a força de trabalho não se pode pautar apenas na concentração do esforço muscular do homem, porque a atividade humana resulta principalmente do esforço intelectual.

Assim, uma educação para a autonomia tem que atender às necessidades de saberes em cada setor da vida cotidiana e dar conta da totalidade histórica vivida.

Porém, colocar a educação neste patamar requer muitas iniciativas, sendo que a principal delas é promover uma reforma profunda do ensino, começando pela valorização do professor. A formação dos educadores brasileiros, principalmente de ensino fundamental, é extremamente frágil. É uma categoria profissional das mais desqualificadas e, conseqüentemente, menos valorizada na sociedade. Sem professores preparados para o exercício da autonomia, torna-se impossível viabilizar um projeto pedagógico no qual o conhecimento produzido na escola possibilite ao indivíduo sua inserção técnico-política nas transformações em curso.

Estas transformações possibilitam, no conjunto de suas contradições, perspectivas de melhoria da competência humana, e os novos valores incorporados no indivíduo, nas organizações e instituições em geral podem influir na transformação qualitativa da cultura desta sociedade. Porém, a ausência de um projeto educacional de qualidade compromete as nações pobres, onde o analfabetismo, a mão-de-obra desqualificada e o alto nível de desemprego definem o lugar onde deveremos estar na escala da globalidade mundial.

O desencontro do nosso modelo de formação educacional com as mudanças que ora se processam poderá muito em breve constituir-se num obstáculo à chegada do país ao nível básico necessário para a sua integração no processo de globalização. As nações pobres têm que repensar suas estratégias com urgência, envolvendo a participação do Estado e demais áreas de responsabilidades do poder local estatal e privado, no sentido de estabelecer programas culturais e educativos que abracem a multiplicidade de possibilidades colocadas pelo mundo globalizado.

Por conseguinte, o Estado, ao formular a política nacional de educação, deve levar em consideração dois pontos fundamentais: primeiro, que a situação peculiar das nações pobres exige do Estado uma posição de investimentos; trata-se, portanto, de desprivatizar e converter em "público" toda a função da educação; segundo, que a escola e principalmente os professores devem ser instrumentalizados para lidarem com um conhecimento voltado para a construção da autonomia (da escola, dos professores, dos alunos, da sociedade). Essa é a prioridade para que o sistema educacional não sirva apenas para atender às exigências das inovações, mas também para apresentar alternativas às ameaças, amenizando assim as graves conseqüências que sempre acompanharam as ondas de mudanças na História.

A ausência de políticas sociais do Estado e de seu compromisso com a educação deixa os países mais pobres à margem do processo de globalização em curso.

Se esse processo comporta ameaças e possibilidades, essa situação favorece mais um contexto de ameaças e, com isso, pontos de vista dogmáticos com relação ao mundo globalizado. Também torna mais complexa a atitude de canalização das possibilidades a nosso favor. Constitui-se, assim, desafio para o Estado, a Escola, e a Sociedade no contexto atual.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

As exigências colocadas para as sociedades atuais pelo processo de globalização trazem ganhos no momento que estão calcadas em princípios flexíveis, dinâmicos e que podem desenvolver o homem em sua totalidade (bastante diferentes da etapa fordista). Consideramos a autonomia como central por ser geradora de inúmeros outros princípios como a reflexividade social, a criatividade, o conhecimento atualizado, a tomada de decisão, a participação política, etc.

Delineia-se com isto uma sociedade destradicionalizada, na qual as instituições, organizações e posturas pessoais têm que renunciar à rigidez da ação, à fragmentação, à padronização de modelos e da linguagem. Isto abre um leque de possibilidades para o indivíduo contemporâneo no que tange ao desenvolvimento de sua "imaginação criadora" em todas as esferas da vida social.

Uma vez que os contextos de trabalho e de vida social, política e cultural se inter-relacionam, é impossível separar a autonomia exigida e desenvolvida no mundo do trabalho das condições gerais de vida do indivíduo. Portanto, o trabalhador autônomo será o cidadão efetivamente participativo. Por sua vez, a existência de uma sociedade altamente reflexiva depende dele.

Mas isso só se viabilizará se a estrutura educacional corresponder a esta realidade histórica concreta, consciente de que a formação do "novo homem" é econômica (trabalho técnico), social (reflexividade e interação sóciocultural) e política (criticidade; participação), e que esta totalidade é permeada pela autonomia do pensar, do ser e do agir. Portanto, educar para a autonomia é capacitar os indivíduos para a determinação de seu evolver histórico e, conseqüentemente, para a transformação social.

Porém, essas mesmas exigências são portadoras de perdas quando requeridas em contextos despreparados e sem investimentos do Estado nas políticas sociais.

A grande massa da população, ao não corresponder às expectativas de autonomia da sociedade global, e sem possibilidades de uma formação adequada para isso, fica impossibilitada de um trabalho digno e submissa às decisões políticas "instituídas". Como conseqüência, participa-se da globalização sob o viés da redução do padrão de vida, da insegurança no emprego, da decadência dos espaços e serviços públicos, da falta de compreensão da solidariedade e da ética e do fortalecimento exacerbado do individualismo.

Portanto, para superação das perdas, afirmamos que:

a) a promoção da autonomia passa pela compreensão das estruturas de poder da sociedade e do entendimento de como o poder está socialmente distribuído entre os grupos; portanto, redimensionar o fluxo de poder, ampliando as oportunidades dos indivíduos em diferentes esferas da vida social, faz-se necessário para intensificar as condições de igualdade da autonomia;

b) os países devem desenvolver políticas gerativas de oportunidades de vida no sentido de favorecer a autonomia;

c) em termos de políticas sociais, a sociedade deve forçar o aumento em investimentos educacionais a fim de que se coloque a formação em primeiro lugar em termos de riqueza nacional, condição para que as sociedades emergentes não se submetam aos desafios da globalização pela via da exclusão em massa;

d) o ponto de partida para toda a reflexão a respeito da educação deve ser o princípio de que o conhecimento como valor indispensável e universal é um direito de todos porque a vida cotidiana requer o seu consumo em várias esferas da convivência social; portanto, a qualidade do ensino em todos os níveis não pode estar atrelada exclusivamente à lógica do mercado;

e) numa economia de mercado, o que vale é a apropriação do conhecimento técnico-instrumental; porém, a contradição desse processo mostra que a força de trabalho precisa de um conhecimento mais ampliado e humano, que ultrapasse o limite do treinamento formal para elevar a qualidade social da produção. Essa exigência encontra fundamentos na educação continuada envolvendo aprendizado interdisciplinar;

f) a superação do analfabetismo, a qualificação intelectual da força de trabalho e a autonomia de ação como elemento gerador é o caminho mais seguro para a inserção do homem na sociedade globalizada;

g) por fim, a mudança de comportamento social, fundado na autonomia, exige a abdicação da rigidez de idéias e dos sistemas de valores tradicionais, buscando-se novos fundamentos nos valores de uma sociedade altamente reflexiva.

Assim, com base nas idéias desenvolvidas neste trabalho em torno da globalização, autonomia, trabalho e educação, concluimos dizendo que o capitalismo avançado pós-fordista apresenta ganhos produtivos através da flexibilidade e das exigências em torno de novas aptidões pessoais e organizacionais. Porém, para que isto reverta efetivamente em benefício do indivíduo, instrumentalizando-o na direção da autonomia política plena, precisamos de uma reforma urgente e radical no papel do Estado (no que tange principalmente às sociedades pobres), na estrutura educacional e no engajamento da sociedade.

Fonte: www.angelfire.com

Globalização

Com o advento do Mercosul a chamada globalização parece entrar em nosso dia-a-dia. No sul do Brasil há um grito generalizado dos leiteiros que reclamam do baixos preços que são oferecidos aos produtores. As indústrias de laticínios, por sua vez, se queixam que, com o Mercosul, aumentaram as exportações de leite subsidiado da Europa, prejudicando sensivelmente a indústria e os produtores. Os brinquedos chineses e coreanos entram no Brasil a preços irrisórios, fechando tradicionais fábricas nacionais, tudo em nome daglobalização da economia, com a liberalização das importações e conseqüente fim dos controles cambiais.

Hoje ninguém mais discute a hegemonia dos Estados Unidos em termos de país, pois 85% de todos os controles mundiais passam direta ou indiretamente pelos americanos; ninguém mais discute a hegemonia das armas com o fim da Guerra Fria e com a imposição dos americanos em usar tropas internacionais para intervir em conflitos generalizados; ninguém mais discute a hegemonia financeira com suas instituições como o Tesouro Americano, o Banco Mundial, o FMI. Por outro lado, organizações internacionais políticas perdem importância, como a ONU, que está completamente esvaziada.

Em contra partida, um Fórum não-institucionalizado que é o G-7, formado pelos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Itália, Alemanha e Japão, decide tudo neste planeta, sendo que, dos sete, três detêm o maior poder: Estados Unidos, Japão e Reino Unido. Três quartos do fluxo de capitais, mercadorias e tecnologia fica com estes três blocos. O resto do mundo é apenas um apêndice.

Para explicar o fenômeno da globalização, cremos serem úteis as palavras do economista polonês Ignacy Sachs que viveu no Brasil, Índia e atualmente reside em Paris. Sachs falou para a Revista Isto É. E definiu de uma forma diferente este fenômeno. Diz ele que a globalização não é só palavra de moda, uma expressão que está sendo esticada para encobrir diferentes sentidos. Hoje um dos mais importantes aspectos do processo é que os principais atores não são países, e sim empresas. Neste processo, alguns países vão perder e outros, ganhas. Os processos de exclusão não afetam somente os países do Sul, mas representam a principal preocupação dos países industriais, e nisso muita gente fica de fora. Segundo estimativa de autores americanos, inclui um terço e deixo fora dois terços da população mundial. É o que chamamos de terceiro-mundialização do planeta.

O mundo de hoje envolve questões muito importantes, que são:

ECONOMIA, TECNOLOGIA e INDÚSTRIA

Os países, com grande desenvolvimento, estão correndo atrás de mão-de-obra barata, e melhores preços de matérias primas. Então cada país fica encarregado da fabricação de um componente de um determinado produto, para chegar em outro país, onde todos esses componentes são juntados, formando o produto final de melhor qualidade, e mais barato.

GLOBALIZAÇÃO traz vantagens e desvantagens; nos países desenvolvidos as demissões estão cada vez mais freqüentes, pois o componente, matéria prima, mão-de-obra é muito caro, o que era feito nesse país passou a ser feito em vários outros países.

Exemplos de países tão diferentes, Espanha e Finlândia enfrentam taxas de 20% de desemprego, enquanto os pequenos países do oriente, os Tigres Asiáticos, como Singapura, Taiwan e a cidade de Hong Kong, são modelos de agressividade econômica.

É nesses países, que têm a agressividade econômica, onde são montados os produtos com as peças recebidas de outros países, gerando empregos, maior desenvolvimento econômico e maior renda per capita, por tanto mais riqueza.

Outro exemplo é o Japão, que está instalando suas empresas em outros países, que tem matéria prima e mão-de-obra mais baratos, os chamados países emergentes, o Japão só vende sua tecnologia. Esta é a única saída para o Japão pois o país não possui recursos naturais em abundância.

globalização forçou a formação de blocos econômicos para tornar os custos mais baratos e manter a economia dos países desenvolvidos, dentro de um padrão normal de crescimento.

Kennon Severo Rodrigues

Fonte: aacastro.tripod.com

Globalização

I-) INTRODUÇÃO

A crise do sistema capitalista de produção é uma realidade patente aos olhos daqueles que pensam de forma crítica e não se subordinam a receber o "conhecimento" indevidamente manipulado, reestruturado e muito bem elaborado pelas elites dominantes, detentoras do poder político, econômico e , de certa maneira, cultural da sociedade atual.

A não solução dos problemas sociais, aliada às tensões socio-políticas oriundas da adesão das elites industriais brasileiras ao capitalismo internacional, forçaram a burguesia a revisar suas fontes teóricas adotadas anteriormente, visando à criação de uma nova base teórica capaz de "justificar" sua dominação e opressão.

Muito bem revista, a fonte teórica burguesa incorpora o pensamento monetarista, surgindo, assim, o grande filão, o NEOLIBERALISMO, conhecido também como "modernidade", "hipercapitalismo" ou "turbocapitalismo". Com ele, aperece a qualquer custo ( inclusive e especialmente dos mais pobres, não só materialmente, mas também intelectualmente) a chamada GLOBALIZAÇÃO DA ECONOMIA, meio através do qual a burguesia expande rapidamente sua mais nova ideologia2.

Evidentemente, tais medidas visam a garantir os privilégios sempre obtidos pelos detentores do poder político-econômico na história do nosso planeta e, naturalmente, para que estas medidas sejam bem recebidas, precisarão encontrar uma educação já pré-manipulada para os interesses da classe dominante; o que certamente já está ocorrendo.

II-) O NEOLIBERALISMO

Em cima do palco está o Neoliberalismo – todo enfeitado de teoria econômica, que tenta responder, na teoria e na prática, à crise recente do sistema capitalista de produção. Atrás do palco, nos bastidores, está um fortíssimo e tentador instrumento de domínio, que incorpora, em si mesmo, um modelo coercitivo de comportamento do homem e da sociedade.

Nos Estados Unidos o Neoliberalismo fortificou-se com a vitória de Reagan e , nutrido pela receita monetarista de Milton Friedman, demonstrou-se deficiente e ineficaz na resposta à crise capitalista. Então, foi reassumido, porém, com conteúdo derivado da doutrina do "laissez faire", da tese da intocabilidade do mercado e da insistente idéia da nocividade da intervenção estatal na economia.

Obviamente, o resultado da aplicação desta falácia na sociedade americana foi catastrófica; sabendo muito bem disto, o renomado economista americano John Kenneth Galbraith, em seu livro intitulado "A cultura dos bem de vida" , nos alerta a respeito do efeito neoliberal:

"Essa gente tem demonstrado não apenas uma insensibilidade em relação aos sofrimentos dos que estão na pobreza, como uma completa irresponsabilidade em relação ao destino do país. Insensibilidade moral e despreocupação irresponsável são as duas conotações básicas da postura do americano em situação economicamente favorável."

"Ao contrário do que professam as teorias liberais, os excluídos não são um resíduo – segmento social que ficou para trás e ainda não foi atingido pelo nível de desenvolvimento alcançado pelos ‘bem de vida’. Esse tipo de formulação procura passar a idéia de que a pobreza desses contingentes da população constitui uma situação transitória, uma etapa que será naturalmente superada à medida que a riqueza dos ‘bem de vida’ transbordar para os mais pobres. Não. O mercado não vai integrar ‘naturalmente’ essa camada social. Ao contrário, ela é parte integrante do sistema econômico montado no país, e sua pobreza serve ao conforto da maioria ‘bem posta’ na vida".

Os poderosos sempre se serviram de elegantes e academicamente bem estruturadas teorias econômicas para explicar racionalmente seus interesses mesquinhos; foi assim com a "lei do declínio natural dos salários", de David Ricardo e com a "lei natural da procriação" de Thomas Malthus , ambas constituíram a desculpa perfeita para a imensa exploração do trabalho humano existente nesta fase do capitalismo industrial.

Alguns efeitos da doutrina neoliberal podem ser observados no aumento da distância entre ricos e pobres ( houve um aumento de 28% no número absoluto da população pobre e uma prosperidade nunca vista dos ricos: de 1981 a 1990, a renda média das famílias situadas na faixa superior (20%) na escala de distribuição de renda elevou-se de US$ 73.000 para US$ 92.000), na tendência autodestrutiva do capitalismo moderno ( com a destruição das grandes empresas devido ao poder crescente dos executivos profissionais e a perda de poder dos acionistas, com a especulação imobiliária e a corrosão da poupança popular) e no atraso tecnológico provocado pela licença ofertada à especulação. A farsa neoliberal destruiu a situação econômica dos Estados Unidos, sendo que, atualmente, o Estado americano não mais constrói parques públicos, aeroportos, rodovias , escolas e hospitais públicos.

O motivo é um só: os "bem de vida" são, hoje, a maioria eleitoral; maioria que exige o seu conforto a curto prazo e se opõe, implacavelmente, a qualquer outra exigência. Os "tigres asiáticos", a Alemanha e o Japão já superaram a economia, dita perfeita, americana. Será este o futuro que o Brasil aguarda?

No Brasil, a ideologia neoliberal invadiu as universidades, através da ofensiva ideológica, a massa, por meio da doutrinação da "mídia", e o país, pela via das pressões das instituições internacionais e dos grandes bancos credores. Com o governo Collor o neoliberalismo transformou-se na doutrina oficial usada para justificar a destruição do Estado Brasileiro e o desmonte da indústria nacional. Para conseguir a destruição da industria e do Estado brasileiro "...a ‘mídia’ foi totalmente mobilizada. Comentaristas econômicos dos grandes diários, revistas e noticiários televisivos cerraram fileiras na guerra ideológica, todas as horas do dia e da noite. Polpudos cachês foram pagos e prestigiosos eventos foram organizados nos hotéis de grande luxo para doutrinar personalidades acadêmicas, empresários, banqueiros, operadores na bolsa, jornalistas e administradores públicos. Muitos desses eventos contaram com a presença de desconhecidos professores estrangeiros, logo transformados, por uma competente publicidade, em ‘magos’ conselheiros de governos exitosos no combate à inflação e à crise."

" Só sendo de uma ingenuidade a toda prova para não ver nessa brutal pressão das instituições financeiras atreladas aos interesses dos grandes grupos econômicos e políticos dos países mais desenvolvidos a execução de uma política destinada a forçar uma nova divisão internacional do trabalho, que reserva para aqueles países as atividades que serão mais rendosas nas próximas décadas, e para os países subdesenvolvidos, como o Brasil, o suprimento de produtos primários e manufaturados de tecnologia já difundida. Esta é a divisão que resguarda os interesses dos países mais desenvolvidos nesse mundo inteiramente novo que surgiu após o término da guerra fria – o mundo da globalização liderado pelas gigantescas corporações transnacionais e dinamizado pela revolução empresarial japonesa ( o toyotismo) e pela revolução tecnológica que subverteu as regras da concorrência capitalista."

A ofensiva de propaganda que os adeptos da doutrina neoliberal fizeram em nosso país conseguiu incutir na sociedade brasileira o pânico de que a globalização seja um processo tão fulminante que não permita aos países do mundo, nenhuma outra alternativa a não ser, a de se submeter passivamente às suas disposições.

O país que não privatiza, não liberaliza, e não desregra, está fora da história, estagnando economicamente e ficando à margem da nova tecnologia; ou seja, está fora da civilização; não a integra mais! Quem discorda deste dogma neoliberal é imediatamente taxado de "retrógrado", "xenófobo", "jurássico", dentre outras palavras pejorativas.

Entretanto, a história nos mostra que "...os povos que se afirmaram como protagonistas da grande aventura humana e como senhores de seu próprio destino construíram sua identidade e sua soberania, reivindicando, antes de tudo, seus próprios interesses, os valores da cultura do seu povo, o direito a um caminho próprio para a construção do seu mercado interno e da estrutura produtiva destinada a abastecê-lo." Foi assim que o Brasil emprenhou-se, desde a independência, na construção de um Estado nacional e, também, foi assim que a economia industrial nacional cresceu muito no Brasil de 1930 a 1980. O neoliberalismo força a interrupção desse processo de crescimento e a volta ao modelo econômico agrário-exportador .

" Nada mais nocivo ao nosso país do que essa falácia. Enquanto ‘vendem’ essas esdrúxulas idéias às elites corruptas e apodrecidas dos países subdesenvolvidos, as grandes nações industriais redesenham em seu benefício o mapa do mundo, praticam o mais declarado protecionismo ( afinal, que são os famosos ‘blocos’ senão áreas de comércio protegidas por barreiras que excluem os demais?) e restringem cada vez mais os direitos dos imigrantes que introduziram em seus territórios, a fim de que seus empresários pudessem dispor de mão-de-obra barata."

Para a economia neoliberal o atendimento das necessidades básicas daqueles que por ela foram excluídos do mercado, os "não-consumidores", não está sequer em discussão! É imprescindível citar o mestre em teologia moral e doutor em ciências da religião Jung Mo Sung:

" Com o desemprego ou com o baixo salário de seus pais e sem acesso ao mercado de trabalho ou a algum tipo de ajuda, estes menores só podem sobreviver de modo ‘ilegal’: de atividades marginais ( limpar pára-brisas de carros nas esquinas, tomar conta de carros nas ruas...) ou de pequenos furtos. São atividades que atrapalham a vida das pessoas de ‘bem’, das pessoas integradas no mercado. Não somente atrapalham, mas estas pessoas se sentem ameaçadas por estas crianças.

Se elas se tornam ameaças ( reais ou ilusórias, não importa), não mais são vítimas inocentes. São culpadas. Não importa se ainda não cometeram algum delito.

São culpadas por delitos que, por certo, irão cometer. São condenadas antecipadamente. Por essa razão, nem os assassinatos de crianças pobres chocam mais a consciência social. A ‘fé cristã’ ou o espírito humanitário parece que não tem mais nada a ver com essas coisas. A insensibilidade dos integrados no mercado ( na vida sócio-econômica) diante dos sofrimentos dos pobres ( 65% da população brasileira excluída do mercado) é hoje uma marca da sociedade brasileira.

Adultos ou crianças, não importa. Se são pobres, são culpados. Do quê? Não importa!"

Não nos esqueçamos, por trás do palco há algo mais! Não adianta construir mais presídios, shopping center, condomínios fechados, parques de diversões e aquáticos ( longe dos centros urbanos onde, na periferia, se encontram os excluídos), aumentar os tipos do código penal, e outra medidas superficiais e egoístas.

É preciso alargar o horizonte mental, é preciso saber raciocinar. Se você, caríssimo leitor, estiver com uma úlcera no estômago, não adiantará tomar antiácidos. Ou seja, se não for atacada a causa, o efeito permanece. Como vimos, uma das conseqüências do neoliberalismo é o aumento da parcela social de excluídos da nossa sociedade ( 65%); ai estão causa e efeito.

" O princípio fundamental que move este sistema de mercado é a livre concorrência: cada um deve defender os seus interesses pessoais contra os interesses dos outros ( o egoísmo) para haver ótimo funcionamento do sistema. Em outras palavras, o caminho para a solução dos problemas sociais estaria no fomento do egoísmo. O mercado é apresentado como um ente supra-humano capaz deste milagre de transformar o egoísmo no ‘bem comum’( no ‘amor ao próximo’). Os economistas neoliberais falam da necessidade de se ter fé no mercado.

A atual consciência social, insensível diante dos sofrimentos dos excluídos do mercado, revela a vitória desta nova ‘espiritualidade’: amar ao próximo é defender os interesses pessoais contra outros integrados do mercado e, sobretudo, contra a ‘violência’ dos excluídos do mercado. Uma estranha espiritualidade para um país que se diz cristão."

III-) A GLOBALIZAÇÃO

O processo de globalização implica necessariamente na maior concentração de renda já existente na história da humanidade, na exclusão e marginalização total dos países que não tiverem condições de fazer parte deste processo, na dependência mundial dos grandes atores do processo econômico ( as transnacionais e os operadores do sistema financeiro), no maior índice de empobrecimento já existente e no maior controle mundial já visto no nosso planeta ( controle econômico, cultural, social, jurídico e alimentício).

A propósito, onde está a fome dos povos da Etiópia, da Somália, dentre outros?!!! ( inclusive do Brasil) Que "imprensa" é esta que se esquece dos problemas mais básicos da sociedade humana?!!! Temos a impressão de que é um assunto que não aumenta a audiência e nem os votos! As estatísticas e os computadores não assimilam os excluídos, para todos os efeitos teóricos, eles não existem!

globalização e sua "modernidade" tecnológica só serve aos bancos, às indústrias (ocupando mão-de-obra nacional), à bolsa de valores, às redes de "franchising" ( franquia), dentre muitos outros.

No entanto, enquanto ligamos nossos computadores, há pessoas que ainda não tem o que comer, vestir, onde morar, educação, dentre outras necessidades básicas. Mahatma Gandhi têm uma frase interessante:

" A natureza pode satisfazer todas as necessidades básicas do homem, porém, não todas suas ambições".

Parece-nos que este é um "progresso"( progresso que não atende às exigências do bem comum não é progresso) dos ricos; e não da sociedade, da comum unidade ( comunidade)! Vale ressaltar a definição insuperável e esplêndida de bem comum:

" O bem comum é o conjunto de todas as condições de vida social que consistam e favoreçam o desenvolvimento integral da pessoa humana". ( Mater et Magistra)

Quanto à globalização da economia, " Os Estados tornar-se-ão meros ‘servos’ dos novos ‘senhores do mundo’, os detentores desse imensurável poder econômico, o que, aliás, já vem ocorrendo: na ‘Guerra do Golfo’, as grandes potências empregaram todo seu moderníssimo arsenal militar em defesa dos interesses das empresas petrolíferas de seus países; o mesmo, porém, não se verificou na ‘Guerra da Bósnia’... . Grandes grupos econômico-políticos vão-se formando para a disputa da hegemonia mundial ( ‘Tigres Asiáticos’, ‘Comunidade Econômica Européia’, ‘Mercosul-Nafta’ etc.).

Em relação ao maior controle mundial já visto no nosso planeta, já está sendo estudada a implantação do "cartão multi-uso" que servirá de Registro Geral (R.G.), Cadastro de Pessoas Físicas (CPF), passaporte, "moeda eletrônica", etc. A Internet ou outra rede de "informações" mundial servirá, aliás, já está servindo de instrumento para cadastramento individual de todos os seus usuários e, aliada "...aos meios de comunicação de massa (TV a cabo, por assinatura, etc.), ‘modelarão as mentes’ dos cidadãos de acordo com os objetivos e interesses dos detentores do poder global (Collor foi eleito por um único noticiário de TV às vésperas das eleições)."

Porém, é o desemprego no mundo que urgi, na gíria econômica diz-se "excedente de mão de obra"! É isto que preocupa Thurow:

"Nós colocamos uma panela de pressão em fogo alto e agora estamos esperando para ver quanto tempo levará para explodir"

Nos EUA, na Califórnia, do dia 27 de setembro a 1° de outubro de 1995, reuniram-se quinhentos dos maiores lideres mundiais para discutir como resolver o problema da "panela de pressão". O terceiro ponto, de um programa de cinco, elaborados na reunião, foi a redução da população mundial em 40%!

Este programa conta com vários métodos, a saber:

"Guerras regionais", iguais as da Bósnia ou das etnias africanas (Azerbaijão, Afeganistão, etc.)

"Controle de Natalidade", aprovado no Brasil, contando com a generosidade dos programas de atendimento "público" gratuito à população carente.

"Legalização do Aborto", projeto de lei quase sancionado. "Nos Estados Unidos encontra-se em tramitação no Congresso (ou já foi aprovada), com total apoio do presidente Clinton, lei que autoriza o denominado ‘aborto de nascimento parcial’ ( ‘Partial Birth Abortion’) ou, simplesmente, ‘aborto parcial’, que pode ser praticado até o nôno mês de gravidez ( ‘Third Trimester’) e no último segundo (‘Late Second’) antes do nascimento".

A técnica é: "o médico vira o bebê no útero e puxa-o pelos pés, deixando apenas a cabeça no interior do ventre materno, onde em seguida introduz um cateter no crânio da criança para sugar seu cérebro ( ‘The doctor turns the unborn child into the ‘breech’ position (feet first) and pulls the mother util all but the head is delivered. He or she then forces scissors into the base of skull and inserts a catheter to suction out the child’s brain.’)

Esse método é empregado a fim de evitar que o médico cometa homicídio: se o bebê fosse morto após ter sido totalmente retirado do corpo da mãe, esse hediondo crime estaria configurado."

Essas formas "racionais" de eliminar a pobreza não nos parecem plausíveis.

"Legalização da Eutanásia", a sua modalidade passiva – não ministrar socorros a doentes em "fase terminal" ( dão muita despesa), já vem sendo praticada:

"Quando o doente é terminal, não acrescentamos mais nada e deixamos que a própria evolução da doença o leve."

"Legalização da Gerontocidia", forma de homicídio piedoso para os idosos ( que não tem mais nada a oferecer à economia).

"Instituição da Pena de Morte", para os não "bem de vida"; para aqueles que não possuem condições de integrar o mercado, etc.

"Legitimação dos casamentos" de homossexuais (pederastas e lésbicas), obviamente, neste tipo de "casamento", disforme a natureza humana, não serão gerados filhos, o que interessa muito para o não aumento da população mundial.

É evidente que tais medidas não podem ser expostas à todos, seria muito fácil de identificá-las! A pretexto da defesa da liberdade dos excluídos que estes serão dizimados. O que seria a liberdade deles, será pior que a escravidão perpétua; será a morte.

Entretanto, para que tudo de certo, é preciso desorganizar e enfraquecer o Poder Judiciário e o Ministério Público. Para tanto é preciso acabar com as garantias constitucionais previstas para os integrantes destes verdadeiros guardiões dos direitos do cidadão e da sociedade. Através do Controle externo da Magistratura destruirão a vitaliciedade de todos os Juizes, já que está prevista a exoneração administrativa – perda do cargo mediante simples procedimento administrativo e não através de ação. Desse modo, serão meros funcionários do Poder Judiciário tendo que obedecer às ordens dos donos do mundo! As súmulas e as decisões vinculantes serão obrigatórias para os juizes, caso contrário, cometerão grave infração administrativa.

A esse respeito:

"A súmula vinculante interessa ao Executivo, porque existe a esperança em eventual solidariedade por parte da principal Corte do País, que em passado próximo, não raro, por razões alegadamente patrióticas, emprestaram seu respaldo aos pacotes econômicos destinados à salvação da economia."

O Poder Judiciário e o Ministério Público deverão encontrar apoio na camada da população que é consciente da importância deles:

"Ter compreendido a função primacial do Poder Judiciário em nosso país e em nossa democracia; Ter exaltado o seu papel até quase sublimá-lo; Ter colocado este Poder fora do alcance da subordinação e dependência dos Executivos e Parlamentares, sempre partidários e facciosos – esta é a maior Glória de Rui."

"O Ministério Público não recebe ordens do Governo, não presta obediência aos Juizes, pois age com autonomia em nome da sociedade, da Lei, e da Justiça."

IV-) A EDUCAÇÃO

O Brasil possui 16 milhões de analfabetos e entre as crianças de 7 a 14 anos de idade, 2,6 milhões estão excluídas do sistema educacional. Somente 64,9% da nossa população possui o 1° grau.

Em 1996, de 33,1 milhões de alunos matriculados nas escolas de 1° grau, 3,7 milhões( 11%) estavam cursando escolas privadas. De 5,8 milhões de alunos matriculados nas escolas de 2o grau, 1,2 milhões( 20%) cursavam em escolas privadas.

Nas escolas particulares o aumento real das mensalidades escolares entre 1980 e junho de 1997 foi de 505%!

No Estado de São Paulo a hora-aula na rede pública custa R$ 3,20 enquanto na rede privada equivale, em média, a R$ 20,00.

Quanto ao ensino de 3o grau, há mais de 25 anos vem-se estreitando a atuação Estatal no campo educacional e incentivando a participação da iniciativa privada. ( O que interessa à reprodução de investimentos econômicos). O governo justifica o intrometimento privado no ensino público de 3o grau para "desafogar o orçamento público" e viabilizar a absorção da demanda reprimida, atribuindo-lhe um papel "complementar" ao ensino público. Todavia, hoje, ocorre o inverso.

"O processo de privatização capitaneado por este ‘novo ensino privado’, iniciado no final dos anos 60, foi tão intenso que a partir de então inverteu-se completamente a distribuição quantitativa entre os estabelecimentos públicos e privados. Durante a década de 50 e metade dos anos 60, a rede pública respondia pela maioria dos centros de ensino de graduação então existentes, chegando a representar 57% destes. Embora, como se virá mais adiante, tenha havido um ligeiro avanço do ensino público durante os anos 80, os dados existentes evidenciam a manutenção de um nítido predomínio numérico das instituições privadas sobre as públicas.

De um total de 918 instituições existentes no início dos anos 90, o segmento público era responsável por 222 estabelecimentos de graduação( 24,2%), ao passo que a rede privada respondia pela expressiva cifra de 696 instituições( 75,8%). As escolas isoladas particulares, criadas fundamentalmente no surto expansionista e em larga medida organizadas a partir de uma lógica empresarial, respondiam por 582 estabelecimentos, ou seja, 63,4% do total do conjunto do sistema".

No final dos anos 80 as instituições particulares eram responsáveis por 11% dos mestrados e por 10,6% dos doutorados. "Algumas universidades confessionais, destacadamente católicas, tendem a ocupar uma posição relevante neste subconjunto do ensino particular".

Em 1994 existiam um milhão seiscentos e sessenta e um mil e trinta e quatro alunos no ensino superior; 58% matriculados em escolas particulares e 42% em escolas públicas. Neste ano de 1997 o Brasil tem 136 Universidades, 39 Federais, 27 Estaduais e 66 particulares.

Esses dados demonstram o crescimento das escolas privadas ( particulares) e sua melhor estrutura para recepcionar aqueles que tem interesse neste tipo de "mercado".

A ineficácia do sistema de ensino brasileiro e, em especial do Paulista, encerra em si algo gravíssimo:

"Por detrás da repetência e mais grave do que o desperdício material de recursos advindos do trabalho duro da população, está a desilusão de milhares de famílias que valorizam uma escola que expulsa seus filhos, a destruição do sentimento de competência de um sem número de crianças e adolescentes, a formação de gerações que incorporaram, com sofrimento e sem necessidade, a certeza de que são incompetentes".

Assim, o Estado consegue ter uma população mal informada e intelectualmente inapta para fazer uma análise critica de sua situação de vida e para buscar soluções para seus problemas.

Esta formação de massas estéreis intelectualmente nos reporta a Montesquieu:

"A extrema obediência supõe ignorância em quem obedece; supõe-na mesmo em quem comanda; este nada tem a deliberar, a duvidar, nem a raciocinar; basta querer."

O Povo precisa ter condições de caminhar com suas próprias pernas, ou seja, aprender a pensar com seu próprio cérebro. Não basta saber o que o governo, a imprensa, os vizinhos, a televisão, os amigos, os jornais nos mostram; é preciso ter condições de raciocinar individualmente com os dados recebidos diretamente da realidade, sem distorções, sem pré-conceitos.

Alexandridas dizia:

"Ó estrangeiro, dizes o que é preciso, mas não como é preciso’’.

Nós, porém, temos que saber como é preciso e não somente o que é preciso!

Sto. Tomás de Aquino dizia:

"Se alguém se engana, é porque não entende aquilo em que se engana"

Chega de acreditarmos naquilo que querem que acreditemos!

Educação significa: "Processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral da criança e do ser humano em geral, visando à sua melhor integração individual e social." A Constituição da República Federativa do Brasil(CF) estabelece que o acesso ao ensino fundamental, obrigatório e gratuito, é direito público subjetivo, ou seja, é direito plenamente eficaz , de aplicabilidade imediata e, se não for prestado espontaneamente, exigível judicialmente.

Em seu artigo 205, a CF dispõe sobre os três objetivos básicos da educação, a saber:

I-) Pleno desenvolvimento da pessoa;

II-) Preparo da pessoa para o exercício da cidadania;

III-) Qualificação da pessoa para o trabalho.

Parece-nos que esses objetivos não estão sendo observados! O elevado nível de desemprego, a falta de qualificação técnica e a completa falta de reação significativa de nossos trabalhadores fala por si mesma.

Não é essa a educação que nosso povo sofrido quer, muito menos a que tem direito. Estudo recentemente realizado pela Fundação Carlos Chagas, em colaboração com instituições internacionais, analisou o desempenho escolar de crianças de 13 anos cursando da quinta à oitava série em diversos países do mundo; verificou-se que as crianças brasileiras só alcançaram desempenho superior às de Moçambique!

Essa educação serve aos propósitos da Globalização e do Neoliberalismo, obviamente, em detrimento da população menos esclarecida e mais pobre.

Impreterivelmente, a "educação preestabelecida" vem muito bem camuflada a fim de passar desapercebida por aqueles mais esclarecidos, contudo, não passa.

A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação( Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996 – LDB) surgiu para ajudar a melhorar a educação confeccionada do Brasil. Será que foi para isto mesmo?!

Claro que sim.

Mas a questão é : Melhorar a educação para o povo servir melhor a elite ou melhorar a elite para dominar melhor o povo?!

O pedido de demissão do filósofo José Arthur Giannotti do Conselho Nacional de Educação( CNE) acentuou o debate sobre o ensino superior brasileiro.

As universidades, públicas ou privadas, com a autonomia garantida, podem abrir ou fechar cursos sem a autorização do Ministério da Educação. Agora a autonomia financeira e educativa é uma das principais razões para a transformação das faculdades em universidades; a ordem é LIBERALIZAR.

Globalização e o Neoliberalismo agradecem; é este o sistema de ensino que lhes agradam, excessivamente liberal – induzindo os jovens "a aceitar tudo( p. ex. ler um jornal) de forma passiva e sem crítica".

Segundo o advogado Adib Salomão, especialista em educação, as discussões dentro do CNE são movidas hoje por "ideologia pura.

Parece que no conselho se formaram duas bancadas: a da iniciativa privada e a do setor público".

A educação resolve seus problemas; aí está o liberalismo educacional. Une-se mercado e educação liberais, ótima receita para o futuro, vejamos o que o professor aposentado da Faculdade de Educação da USP, Roque Epencer tem para comentar a respeito do liberalismo:

"Só uma política econômico-financeira não vai resolver o problema do desemprego, da violência, das injustiças, por exemplo. Tudo isso e muito mais continua sem solução." "Não sabemos de forma nenhuma qual será o cenário do mundo no século 21. Tomemos como exemplo a questão do fim do emprego, que pode ser causada pelo processo cada vez mais acentuado de substituição do homem pela máquina. Sem emprego, onde estará o mercado para se comprar tudo o que se produz? É preciso achar uma solução para problemas como esse. Na verdade, acho que não existe uma solução. O que há é uma tentativa a todo instante de equilibrar as coisas, de equacionar os problemas humanos da melhor, maneira possível – quer dizer, da maneira menos pior. Em geral, eu sou muito pessimista."

Com a criação dos bichinhos virtuais, dos jogos de computadores com resultados pré-configurados e em realidade virtual, dos programas de televisão interativos onde "você" decide o final, a realidade assume uma configuração ilusória e extremamente inocente diante do cidadão comum; problemas sociais e exclusivamente pessoais são arregaçados ao público leigo que em poucos segundos emite uma sentença sem recurso, sem perdão: sim ou não, culpado ou inocente!

Desta forma se "educa" uma massa de pessoas para a cultura do pré-julgamento e do pré-conceito; não é preciso prova, não é preciso recorrer ao Poder Judiciário( único capacitado para julgar consoante o Direito), basta ligar o telefone, basta apertar um botão; a vida das outras pessoas não importa!!! Não há outra opção, a pessoa fica restrita às possibilidades muito bem manipuladas pelos donos do poder, não há outra saída; assim ocorre na vida do coitado completamente iludido por alguns instantes de "glória", qual seja, poder decidir algo, de alguém( desde que não seja dele)!!!

É essa a "educação" que não pode estar na LDB, nem nos jornais, nem nas revistas, nem na televisão, nem no rádio e em nenhum outro lugar. É no exercício do raciocínio crítico que identificamos estas distorções malévolas da nossa educação; sejamos livres no pensamento.

V-) CONCLUSÃO

O egoísmo, a ganância, a arrogância, o nervosismo, a falta de compreensão, de dignidade, de personalidade, de caridade, de paciência, de humildade e amor fazem do "homem moderno" um homem solitário, infeliz, doente e completamente indiferente, inclusive a ele mesmo, à sua vida( família, religião, lazer, amizades, educação, etc.).

Um certo sentido de destino imutável toma conta de sua consciência, parece que o país não tem jeito, a justiça é lenta e não satisfatória, os políticos não mudam, as leis são caducas e não "pegam"!!!

É este tipo de homem que a sociedade não precisa; rico ou pobre, novo ou velho, negro ou branco, forte ou fraco, o homem deve ser otimista, deve observar e captar bem os problemas que estão a sua volta, deve pensar nas possibilidades de soluções para cada um deles, seja na educação, na economia, na justiça, no trabalho, no clube, em qualquer lugar. Só o Homem é capaz de resolver um problema surgido de uma nova situação para a qual não tem uma resposta biológica; só ele é criativo e surpreendente, inteligente e contente.

A dignidade da pessoa humana é algo que devemos considerar sempre e, é esta condição que nos leva à vitória, a cada novo passo, uma nova caminhada, a cada nova caminhada, um novo obstáculo e, a cada novo obstáculo, uma nova conquista.

Isto é Filosofia: Reconhecer sua dignidade de pessoa humana e a partir daí achar novas soluções para os problemas novos que vão surgindo, sem nunca esmorecer, jamais.

O Povo precisa aprender a pensar, filosofar, dialogar, criticar, analisar, etc. E, para isto, não é preciso "...dizer em que ano escreveu Kant cada um de seus estudos...", basta começar a pensar, pensar, pensar...

O Neoliberalismo ou Liberalismo( como preferem alguns) e a Globalização chamam o Homem a um comportamento quase que instintivo diante da reação mundial; entretanto, é preciso muita reflexão a respeito desses processos, estaremos prontos a aceitá-los nos moldes em que nos "colocam"?!! Se existe benefício social neles, será estendido a toda população ou somente àqueles que tem condições de fazer parte deles?!!

Pensamos, assim, que os educadores, responsáveis pelo processo do ensino/aprendizado, deverão estar atentos aos verdadeiros fins da educação, que devem conduzir o ser humano a ser livre e feliz e a lutar pela igualdade, liberdade e justiça.

Para tanto, precisam despertar a consciência crítica dos que recebem as mensagens, para que estes aprendam a analisar, filtrar e cultivar aquilo que lhes desejam passar.

O homem precisa aprender a refletir e a enxergar além das aparências, a fim de que possa separar o joio do trigo, o veneno do alimento, aquilo que o torna feliz do que o torna escravo da ganância dos que visam apenas ao culto do ter, do poder e do prazer.

Educar é também e, principalmente, despertar a consciência crítica.

Eduquemos nosso povo para que ele pense com mais profundidade.

RODRIGO ANDREOTTI MUSETTI

Fonte: www.teiajuridica.com

Globalização

GLOBALIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO

Um dos fenómenos mais importantes das sociedades contemporâneas é a globalização, um conceito recente, mas tão disseminado que está presente no nosso vocabulário quotidiano, ainda que nem sempre a sua definição seja clara.

A noção de “Aldeia Global” é talvez aquela que, sobretudo para o cidadão comum, está mais associada à globalização, isto é, à intensificação da interdependência e das relações sociais mundiais através de uma conjugação de diversos fatores (económicos, sociais, políticos e culturais). Mas globalização também pode definir-se como uma das fases da mundialização (processo de aproximação dos homens de diferentes espaços geográficos) caracterizada por dinâmicas fortemente condicionadas pela economia.

Quer nos identifiquemos com a definição mais abrangente ou a mais restrita, uma coisa é certa, a globalização afeta a vida de todas as pessoas e países à escala planetária e implica a transformação, não só dos sistemas mundiais, mas também da nossa vida quotidiana afetando a forma como nos vemos a nós próprios e a forma como nos relacionamos com os outros. Se recorrermos a uma analogia comum entre a existência humana e um dia, com base na teoria do Big Bang, verificamos que a agricultura teria surgido às 23:56 e o desenvolvimento das sociedades modernas apenas às 23:59 e 30 segundos e que, possivelmente, os últimos 30 segundos deste “dia” implicaram tantas mudanças como todo o tempo precedente. O processo de globalização enquadra-se assim num contexto de mudança acelerada transformadora da ordem social, sem precedentes na história.

São vários os fatores que contribuem para este processo, mas podemos identificar três mais importantes e situá-los nas últimas três décadas do século XX.

Assim, primeiro, temos o fim da Guerra Fria e o desenvolvimento de formas de governação regionais e internacionais que criaram uma maior proximidade entre países e povos de todo o mundo.

Depois, temos o exponencial desenvolvimento tecnológico, sobretudo ao nível das tecnologias da informação com o advento das telecomunicações e da Internet que permitem um maior fluxo de informação e uma maior acessibilidade a esta à escala global. E, por último, temos o desenvolvimento das multinacionais que criam redes de produção e de consumo no mundo inteiro e que são detentoras de um extraordinário poder económico e político. Mas a rápida expansão da globalização é assimétrica e manifesta-se de formas diferentes, em diversas regiões do mundo, criando um fosso cada vez maior entre os países mais ricos e os países mais pobres. “A riqueza, o rendimento, os recursos e o consumo concentram-se nas sociedades desenvolvidas, enquanto grande parte do mundo em vias de desenvolvimento debate-se com a pobreza, a fome, as doenças e a dívida externa.”

Se, por um lado, vivemos hoje num mundo mais pequeno, onde é mais fácil e rápido viajar, comunicar e aceder ao conhecimento, por outro lado, não temos todos o mesmo acesso a essas benesses e incorremos numa dualidade crescente e perigosa entre Norte/Sul, Centro/Periferia, Incluídos/Excluídos, numa lógica de dominação económica, social, política e cultural por parte dos mais fortes e mais desenvolvidos.

Perante o processo da globalização as desigualdades são crescentes (entre países e regiões, mas também entre indivíduos de uma mesma sociedade), os riscos imensos (como o do aquecimento global, fruto da própria ação do Homem sobre a natureza) e os desafios enormes (para lidar com problemas mundiais de uma forma global e sustentável).

Bibliografia

AMIN, S. (2000) Os Desafios da Mundialização. Lisboa: Dinossauro.
GIDDENS, A. (2000) O Mundo na Era da Globalização. Lisboa: Editorial Presença.
GIDDENS, A. (2004) Sociologia. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.
PIMENTA, C. (2007) Globalização e Desenvolvimento: Realidade. Possi- bilidade ou Miragem?. Porto: CEAUP.

Fonte: www.consumoresponsavel.com

Globalização

Impacto

O processo globalizador afeta todas as áreas da sociedade, principalmente comunicação, comércio internacional e liberdade de movimentação, com diferente intensidade dependendo do nível de desenvolvimento e integração das nações ao redor do planeta.

Comunicação

A globalização das comunicações tem sua face mais visível na internet, a rede mundial de computadores, possível graças a acordos e protocolos entre diferentes entidades privadas da área de telecomunicações e governos no mundo. Isto permitiu um fluxo de troca de ideias e informações sem critérios na história da humanidade. Se antes uma pessoa estava limitada a imprensa local, agora ela mesma pode se tornar parte da imprensa e observar as tendências do mundo inteiro, tendo apenas como fator de limitação a barreira linguística.

Outra característica da globalização das comunicações é o aumento da universalização do acesso a meios de comunicação, graças ao barateamento dos aparelhos, principalmente celulares e os de infraestrutura para as operadoras, com aumento da cobertura e incremento geral da qualidade graças a inovação tecnológica. Hoje uma inovação criada no Japão pode aparecer no mercado português ou brasileiro em poucos dias e virar sucesso de mercado. Um exemplo da universalização do acesso a informação pode ser o próprio Brasil, hoje com 42 milhões de telefones instalados, e um aumento ainda maior de número de telefone celular em relação a década de 1980, ultrapassando a barreira de 100 milhões de aparelhos em 2002.

Redes de televisão e imprensa multimédia em geral também sofreram um grande impacto da globalização. Um país com imprensa livre hoje em dia pode ter acesso, alguma vezes por televisão por assinatura ou satélite, a emissoras do mundo inteiro, desde NHK do Japão até Cartoon Network americana.

Pode-se dizer que este incremento no acesso à comunicação em massa acionado pela globalização tem impactado até mesmo nas estruturas de poder estabelecidas, com forte conotação a democracia, ajudando pessoas antes alienadas a um pequeno grupo de radiodifusão de informação a terem acesso a informação de todo o mundo, mostrando a elas como o mundo é e se comporta.

Mas infelizmente este mesmo livre fluxo de informações é tido como uma ameaça para determinados governos ou entidades religiosas com poderes na sociedade, que tem gasto enorme quantidade de recursos para limitar o tipo de informação que seus cidadãos tem acesso.Na China, onde a internet tem registrado crescimento espetacular, já contando com 136 milhões de usuários graças à evolução, iniciada em 1978, de uma economia centralmente planejada para uma nova economia socialista de mercado, é outro exemplo de nação notória por tentar limitar a visualização de certos conteúdos considerados "sensíveis" pelo governo, como do Protesto na Praça Tiananmem em 1989, além disso em torno de 923 sites de noticias ao redor do mundo estão bloqueados, incluindo CNN e BBC, sites de governos como Taiwan também são proibidos o acesso e sites de defesa da independência do Tibete. O número de pessoas presas na China por "ação subversiva" por ter publicado conteúdos críticos ao governo é estimado em mais de 40 ao ano. A própria Wikipédia já sofreu diversos bloqueios por parte do governo chinês.

No Irã, Arábia Saudita e outros países islâmicos com grande influência da religião nas esferas governamentais, a internet sofre uma enorme pressão do estado, que tenta implementar diversas vezes barreiras e dificuldades para o acesso a rede mundial, como bloqueio de sites de redes de relacionamentos sociais como Orkut e MySpace, bloqueio de sites de noticias como CNN e BBC. Acesso a conteúdo erótico também é proibido.

Qualidade de vida

O acesso instantâneo de tecnologias, principalmente novos medicamentos, novos equipamentos cirúrgicos e técnicas, aumento na produção de alimentos e barateamento no custo dos mesmos, tem causado nas últimas décadas um aumento generalizado da longevidade dos países emergentes e desenvolvidos. De 1981 a 2001, o número de pessoas vivendo com menos de US$1 por dia caiu de 1,5 bilhão de pessoas para 1,1 bilhão, sendo a maior queda da pobreza registrada exatamente nos países mais liberais e abertos a globalização.

Na China, após a flexibilização de sua economia comunista centralmente planejada para uma nova economia socialista de mercado, e uma relativa abertura de alguns de seus mercados, a porcentagem de pessoas vivendo com menos de US$2 caiu 50,1%, contra um aumento de 2,2% na África sub-saariana. Na América Latina, houve redução de 22% das pessoas vivendo em pobreza extrema de 1981 até 2002.

Embora alguns estudos sugiram que atualmente a distribuição de renda ou está estável ou está melhorando, sendo que as nações com maior melhora são as que possuem alta liberdade econômica pelo Índice de Liberdade Econômica, outros estudos mais recentes da ONU indicam que "a 'globalização' e 'liberalização', como motores do crescimento econômico e o desenvolvimento dos países, não reduziram as desigualdades e a pobreza nas últimas décadas".

Para o prêmio nobel em economia Stiglitz, a globalização, que poderia ser uma força propulsora de desenvolvimento e da redução das desigualdades internacionais, está sendo corrompida por um comportamento hipócrita que não contribui para a construção de uma ordem econômica mais justa e para um mundo com menos conflitos. Esta é, em síntese, a tese defendida em seu livro A globalização e seus malefícios: a promessa não-cumprida de benefícios globais.

Críticos argumentam que a globalização fracassou em alguns países, exatamente por motivos opostos aos defendidos por Stiglitz: Porque foi refreada por uma influência indesejada dos governos nas taxas de juros e na reforma tributária.

Efeitos na indústria e serviços

Os efeitos da globalização no mercado de trabalho são evidentes, como a criação da modalidade de outsourcing de empregos para países com mão-de-obra mais baratas para execução de serviços que não é necessário alta qualificação, e como a produção distribuída entre vários países, seja para criação de um único produto, onde cada empresa cria uma parte, seja para criação do mesmo produto em vários países para redução de custos e ganhar vantagem competitivas no acesso de mercados regionais.

O ponto mais evidente é o que o colunista David Brooks definiu como "Era Cognitiva", onde a capacidade de uma pessoa em processar informações ficou mais importante que sua capacidade de trabalhar como operário em uma empresa graças a automação, também conhecida como Era da Informação, uma transição da exausta era industrial para a era pós-industrial.

Nicholas A. Ashford, acadêmico do MIT, conclui que a globalização aumenta o ritmo das mudanças disruptivas nos meios de produção, tendendo a um aumento de tecnologias limpas e sustentáveis, apesar que isto irá requerer uma mudança de atitude por parte dos governos se este quiser continuar relevante mundialmente, com aumento da qualidade da educação, agir como evangelista do uso de novas tecnologias e investir em pesquisa e desenvolvimento de ciências revolucionárias ou novas como nanotecnologia ou fusão nuclear. O acadêmico, nota porém, que a globalização por si só não traz estes benefícios sem um governo pró-ativo nestes questões, exemplificando o cada vez mais globalizado mercados EUA, com aumento das disparidades de salários cada vez maior, e os Países Baixos, integrante da UE, que se foca no comércio dentro da própria UE em vez de mundialmente, e as disparidades estão em redução.

Fonte: www.institutoprovider-it.com.br

Globalização

globalização é um dos processos de aprofundamento da integração econômica, social, cultural, política, com o barateamento dos meios de transporte e comunicação dos países do mundo no final do século XX e início do século XXI. É um fenômeno gerado pela necessidade da dinâmica do capitalismo de formar uma aldeia global que permita maiores mercados para os países centrais (ditos desenvolvidos) cujos mercados internos já estão saturados.

O processo de Globalização diz respeito à forma como os países interagem e aproximam pessoas, ou seja, interliga o mundo, levando em consideração aspectos econômicos, sociais, culturais e políticos. Com isso, gerando a fase da expansão capitalista, onde é possível realizar transações financeiras, expandir seu negócio até então restrito ao seu mercado de atuação para mercados distantes e emergentes, sem necessariamente um investimento alto de capital financeiro, pois a comunicação no mundo globalizado permite tal expansão, porém, obtêm-se como conseqüência o aumento acirrado da concorrência.

História

globalização é um fenômeno capitalista e complexo que começou na época dos Descobrimentos e que se desenvolveu a partir da Revolução Industrial. Mas o seu conteúdo passou despercebido por muito tempo, e hoje muitos economistas analisam a globalização como resultado do pós Segunda Guerra Mundial, ou como resultado da Revolução Tecnológica.

Sua origem pode ser traçada do período mercantilista iniciado aproximadamente no século XV e durando até o século XVIII, com a queda dos custos de transporte marítimo, e aumento da complexidade das relações políticas européias durante o período. Este período viu grande aumento no fluxo de força de trabalho entre os países e continentes, particularmente nas novas colônias européias.

Já em meio à Segunda Guerra Mundial surgiu, em 1941, um dos primeiros sintomas da globalização das comunicações:o pacote cultural-ideológico dos Estados Unidos incluia várias edições diárias de O Repórter Esso , uma síntese noticiosa de cinco minutos rigidamente cronometrados, a primeira de caráter global, transmitido em 14 países do continente americano por 59 estações de rádio, constituindo-se na mais ampla rede radiofônica mundial.

É tido como inicio da globalização moderna o fim da Segunda Guerra mundial, e a vontade de impedir que uma mostruosidade como ela ocorresse novamente no futuro, sendo que as nações vitoriosas da guerra e as devastadas potências do eixo chegaram a conclusão que era de suma importância para o futuro da humanidade a criação de mecanismos diplomáticos e comerciais para aproximar cada vez mais as nações uma das outras. Deste consenso nasceu as Nações Unidas, e começou a surgir o conceito de bloco econômico pouco após isso com a fundação da Comunidade Européia do Carvão e do Aço - CECA.

A necessidade de expandir seus mercados levou as nações a aos poucos começarem a se abrir para produtos de outros países, marcando o crescimento da ideologia econômica do liberalismo.

Atualmente os grandes beneficiários da globalização são os grandes países emergentes, especialmente o BRIC, com grandes economias de exportação, grande mercado interno e cada vez maior presença mundial. Antes do BRIC, outros países fizeram uso da globalização e economias voltadas a exportação para obter rápido crescimento e chegar ao primeiro mundo, como os tigres asiáticos na década de 1980 e Japão na década de 1970.

Enquanto Paul Singer vê a expansão comercial e marítima européia como um caminho pelo qual o capitalismo se desenvolveu assim como a globalização, Maria da Conceição Tavares aposta o seu surgimento na acentuação do mercado financeiro, com o surgimento de novos produtos financeiros.

Impacto

A característica mais notável da globalização é a presença de marcas mundiaisA globalização afeta todas as áreas da sociedade, principalmente comunicação, comércio internacional e liberdade de movimentação, com diferente intensidade dependendo do nível de desenvolvimento e integração das nações ao redor do planeta.

Comunicação

globalização das comunicações tem sua face mais visível na internet, a rede mundial de computadores, possível graças a acordos e protocolos entre diferentes entidades privadas da área de telecomunicações e governos no mundo. Isto permitiu um fluxo de troca de idéias e informações sem critérios na história da humanidade. Se antes uma pessoa estava limitada a imprensa local, agora ela mesma pode se tornar parte da imprensa e observar as tendências do mundo inteiro, tendo apenas como fator de limitação a barreira lingüística.

Outra característica da globalização das comunicações é o aumento da universalização do acesso a meios de comunicação, graças ao barateamento dos aparelhos, principalmente celulares e os de infraestrutura para as operadoras, com aumento da cobertura e incremento geral da qualidade graças a inovação tecnológica. Hoje uma inovação criada no Japão pode aparecer no mercado português ou brasileiro em poucos dias e virar sucesso de mercado. Um exemplo da universalização do acesso a informação pode ser o próprio Brasil, hoje com 42 milhões de telefones instalados, e um aumento ainda maior de número de telefone celular em relação a década de 80, ultrapassando a barreira de 100 milhões de aparelhos em 2002.

Redes de TV e imprensa multimídia em geral também sofreram um grande impacto da globalização. Um país com imprensa livre hoje em dia pode ter acesso, alguma vezes por tv por assinatura ou satélite, a emissoras do mundo inteiro, desde NHK do Japão até Cartoon Network americana.

Pode-se dizer que este incremento no acesso à comunicação em massa acionado pela globalização tem impactado até mesmo nas estruturas de poder estabelecidas, com forte conotação a democracia, ajudando pessoas antes alienadas a um pequeno grupo de radiodifusão de informação a terem acesso a informação de todo o mundo, mostrando a elas como o mundo é e se comporta.

Mas infelizmente este mesmo livre fluxo de informações é tido como uma ameaça para determinados governos ou entidades religiosas com poderes na sociedade, que tem gasto enorme quantidade de recursos para limitar o tipo de informação que seus cidadãos tem acesso.

Na China, onde a internet tem registrado crescimento espetacular, já contando com 136 milhões de usuários graças à evolução, iniciada em 1978, de uma economia centralmente planejada para uma nova economia socialista de mercado, é outro exemplo de nação notória por tentar limitar a visualização de certos conteúdos considerados "sensíveis" pelo governo, como do Protesto na Praça Tiananmem em 1989, além disso em torno de 923 sites de noticias ao redor do mundo estão bloqueados, incluindo CNN e BBC, sites de governos como Taiwan também são proibidos o acesso e sites de defesa da independência do Tibete.

O número de pessoas presas na China por "ação subversiva" por ter publicado conteúdos críticos ao governo é estimado em mais de 40 ao ano. A própria Wikipédia já sofreu diversos bloqueios por parte do governo chinês.

No Irã, Arábia Saudita e outros países islâmicos com grande influência da religião nas esferas governamentais, a internet sofre uma enorme pressão do estado, que tenta implementar diversas vezes barreiras e dificuldades para o acesso a rede mundial, como bloqueio de sites de redes de relacionamentos sociais como Orkut e MySpace, bloqueio de sites de noticias como CNN e BBC. Acesso a conteúdo erótico também é proibido.

Qualidade de vida

Londres, a cidade mais globalizada do planeta.O acesso instantâneo de tecnologias, principalmente novos medicamentos, novos equipamentos cirúrgicos e técnicas, aumento na produção de alimentos e barateamento no custo dos mesmos, tem causado nas últimas décadas um aumento generalizado da longevidade dos países emergentes e desenvolvidos. De 1981 a 2001, o número de pessoas vivendo com menos de US$1 por dia caiu de 1,5 bilhão de pessoas para 1,1 bilhão, sendo a maior queda da pobreza registrada exatamente nos países mais liberais e abertos a globalização.

Na China, após a flexibilização de sua economia comunista centralmente planejada para uma nova economia socialista de mercado, e uma relativa abertura de alguns de seus mercados, a porcentagem de pessoas vivendo com menos de US$2 caiu 50,1%, contra um aumento de 2,2% na África sub-saariana. Na América Latina, houve redução de 22% das pessoas vivendo em pobreza extrema de 1981 até 2002.

Embora alguns estudos sugiram que atualmente a distribuição de renda ou está estável ou está melhorando, sendo que as nações com maior melhora são as que possuem alta liberdade econômica pelo Índice de Liberdade Econômica, outros estudos mais recentes da ONU indicam que "a 'globalização' e 'liberalização', como motores do crescimento econômico e o desenvolvimento dos países, não reduziram as desigualdades e a pobreza nas últimas décadas".

Para o prêmio nobel em economia Stiglitz, a globalização, que poderia ser uma força propulsora de desenvolvimento e da redução das desigualdades internacionais, está sendo corrompida por um comportamento hipócrita que não contribui para a construção de uma ordem econômica mais justa e para um mundo com menos conflitos.

Esta é, em síntese, a tese defendida em seu livro A globalização e seus malefícios: a promessa não-cumprida de benefícios globais.

Críticos argumentam que a globalização fracassou em alguns países, exatamente por motivos opostos aos defendidos por Stiglitz: Porque foi refreada por uma influência indesejada dos governos nas taxas de juros e na reforma tributária.

Efeitos na indústria e serviços

Os efeitos no mercado de trabalho da globalização são evidentes, com a criação da modalidade de outsourcing de empregos para países com mão-de-obra mais baratas para execução de serviços que não é necessário alta qualificação, com a produção distribuída entre vários países, seja para criação de um único produto, onde cada empresa cria uma parte, seja para criação do mesmo produto em vários países para redução de custos e ganhar vantagem competitivas no acesso de mercados regionais.

O ponto mais evidente é o que o colunista David Brooks definiu como "Era Cognitiva", onde a capacidade de uma pessoa em processar informações ficou mais importante que sua capacidade de trabalhar como operário em uma empresa graças a automação, também conhecida como Era da Informação, uma transição da exausta era industrial para a era pós-industrial.

Nicholas A. Ashford, acadêmico do MIT, conclui que a globalização aumenta o ritmo das mudanças disruptivas nos meios de produção, tendendo a um aumento de tecnologias limpas e sustentáveis, apesar que isto irá requerer uma mudança de atitude por parte dos governos se este quiser continuar relevante mundialmente, com aumento da qualidade da educação, agir como evangelista do uso de novas tecnologias e investir em pesquisa e desenvolvimento de ciências revolucionárias ou novas como nanotecnologia ou fusão nuclear. O acadêmico, nota porém, que a globalização por si só não traz estes benefícios sem um governo pró-ativo nestes questões, exemplificando o cada vez mais globalizado mercados EUA, com aumento das disparidades de salários cada vez maior, e os Países Baixos, integrante da UE, que se foca no comércio dentro da própria UE em vez de mundialmente, e as disparidades estão em redução.

Teorias da Globalização

globalização, por ser um fenômeno espontâneo decorrente da evolução do mercado capitalista não direcionado por uma única entidade ou pessoa, possui várias linhas teóricas que tentam explicar sua origem e seu impacto no mundo atual.

A rigor, as sociedades do mundo estão em processo de globalização desde o início da História, acelerado pela época dos Descobrimentos. Mas o processo histórico a que se denomina Globalização é bem mais recente, datando (dependendo da conceituação e da interpretação) do colapso do bloco socialista e o conseqüente fim da Guerra Fria (entre 1989 e 1991), do refluxo capitalista com a estagnação econômica da URSS (a partir de 1975) ou ainda do próprio fim da Segunda Guerra Mundial.

No geral a globalização é vista por alguns cientistas políticos como o movimento sob o qual se constrói o processo de ampliação da hegemonia econômica, política e cultural ocidental sobre as demais nações. Ou ainda que a globalização é a reinvenção do processo expansionista americano no período pós guerra-fria (esta reinvenção tardaria quase 10 anos para ganhar forma) com a imposição (forçosa ou não) dos modelos políticos (democracia), ideológico (liberalismo, hedonismo e individualismo) e econômico (abertura de mercados e livre competição).

Vale ressaltar que este projeto não é uma criação exclusiva do estado norte-americano e que tampouco atende exclusivamente aos interesses deste mas também é um projeto das empresas, em especial das grandes empresas transnacionais, e governos do mundo inteiro. Neste ponta surge a interelação entre a Globalização e o Consenso de Washington.

Antonio Negri

O pensador italiano Antonio Negri defende, em seu livro "Império", que a nova realidade sócio-política do mundo é definida por uma forma de organização diferente da hierarquia vertical ou das estruturas de poder "arborizadas" (ou seja, partindo de um tronco único para diversas ramificações ou galhos cada vez menores). Para Negri, esta nova dominação (que ele batiza de "Império") é constituída por redes assimétricas, e as relações de poder se dão mais por via cultural e econômica do que uso coercitivo de força. Negri entende que entidades organizadas como redes (tais como corporações, ONGs e até grupos terroristas) têm mais poder e mobilidade (portanto, mais chances de sobrevivência no novo ambiente) do que instituições paradigmáticas da modernidade (como o Estado, partidos e empresas tradicionais).

Benjamin Barber

Em seu artigo “Jihad vs. McWorld”, Benjamin Barber expõe sua visão dualista para a organização geopolítica global num futuro próximo. Os dois caminhos que ele enxerga — não apenas como possíveis, mas também prováveis — são o do McMundo e o da Jihad. Mesmo que se utilizando de um termo específico da religião islâmica (cujo significado, segundo ele, é genericamente “luta”, geralmente a “luta da alma contra o mal”, e por extensão “guerra santa”), Barber não vê como exclusivamente muçulmana a tendência antiglobalização e pró-tribalista, ou pró-comunitária. Ele classifica nesta corrente inúmeros movimentos de luta contra a ação globalizante, inclusive ocidentais, como os zapatistas e outras guerrilhas latino-americanas.

Está claro que a democracia, como regime de governo particular do modo de produção da sociedade industrial, não se aplica mais à realidade contemporânea.

Nem se aplicará tampouco a quaisquer dos futuros econômicos pretendidos pelas duas tendências apontadas por Barber: ou o pré-industrialismo tribalista ou o pós-industrialismo globalizado. Os modos de produção de ambos exigem outros tipos de organização política cujas demandas o sistema democrático não é capaz de atender.

Daniele Conversi

Para Conversi, os acadêmicos ainda não chegaram a um acordo sobre o real significado do termo globalização, para o qual ainda não há uma definição coerente e universal: alguns autores se concentram nos aspectos econômicos, outros nos efeitos políticos e legislativos, e assim por diante. Para Conversi, a 'globalização cultural' é, possivelmente, sua forma mais visível e efetiva enquanto "ela caminha na sua trajetória letal de destruição global, removendo todas as seguranças e barreiras tradicionais em seu caminho. É tambem a forma de globalização que pode ser mais facilmente identificada com uma dominação pelos Estados Unidos. Conversi vê uma correlação entre a globalização cultural e seu conceito gêmeo de 'segurança cultural', tal como desenvolvido por Jean Tardiff, e outros.

Conversi propõe a análise da 'globalização cultural' em três linhas principais: a primeira se concentra nos efeitos políticos da alterações sócio-culturais, que se identificam com a 'ínsegurança social'. A segunda, paradoxalmente chamada de 'falha de comunicação', tem como seu argumento principal o fato de que a 'ordem mundial' atual tem uma estrutura vertical, na realidade piramidal, onde os diversos grupos sociais têm cada vez menos oportunidades de se intercomunicar, ou interagir de maneira relevante e consoante suas tradições; de acordo com essa teoria não estaria havendo uma 'globalização' propriamente dita, mas, ao contrário, estariam sendo construídas ligações-ponte, e estaria ocorrendo uma erosão do entendimento, sob a fachada de uma homogenização global causando o colapso da comunicação interétnica e internacional, em consequência direta de uma 'americanização' superficial.

A terceira linha de análise se concentra numa forma mais real e concreta de globalização: a importância crescente da diáspora na política internacional e no nascimento do que se chamou de 'nacionalismo de e-mail" - uma expressão criada por Benedict Anderson (1992)."A expansão da Internet propiciou a criação de redes etnopolíticas que só podem ser limitadas pelas fronteiras nacionais às custas de violações de direitos humanos".

Samuel P. Huntington

O cientista político Samuel P. Huntington, ideólogo do neoconservadorismo norte-americano, enxerga a globalização como processo de expansão da cultura ocidental e do sistema capitalista sobre os demais modos de vida e de produção do mundo, que conduziria inevitavelmente a um "choque de civilizações".

Antiglobalização

Apesar das contradições há um certo consenso a respeito das características da globalização que envolve o aumento dos riscos globais de transações financeiras, perda de parte da soberania dos Estados com a ênfase das organizações supra-governamentais, aumento do volume e velocidade como os recursos vêm sendo transacionados pelo mundo, através do desenvolvimento tecnológico etc.

Além das discussões que envolvem a definição do conceito, há controvérsias em relação aos resultados da globalização. Tanto podemos encontrar pessoas que se posicionam a favor como contra (movimentos antiglobalização).

globalização é um fenômeno moderno que surgiu com a evolução dos novos meios de comunicação cada vez mais rápidos e mais eficazes. Há, no entanto, aspectos tanto positivos quanto negativos na globalização. No que concerne aos aspectos negativos há a referir a facilidade com que tudo circula não havendo grande controle como se pode facilmente depreender pelos atentados de 11 de Setembro nos Estados Unidos da América.

Esta globalização serve para os mais fracos se equipararem aos mais fortes pois tudo se consegue adquirir através desta grande autoestrada informacional do mundo que é a Internet. Outro dos aspectos negativos é a grande instabilidade econômica que se cria no mundo, pois qualquer fenômeno que acontece num determinado país atinge rapidamente outros países criando-se contágios que tal como as epidemias se alastram a todos os pontos do globo como se de um único ponto se tratasse. Os países cada vez estão mais dependentes uns dos outros e já não há possibilidade de se isolarem ou remeterem-se no seu ninho pois ninguém é imune a estes contágios positivos ou negativos. Como aspectos positivos, temos sem sombra de dúvida, a facilidade com que as inovações se propagam entre países e continentes, o acesso fácil e rápido à informação e aos bens. Com a ressalva de que para as classes menos favorecidas economicamente, especialmente nos países em desenvolvimento, esse acesso não é "fácil" (porque seu custo é elevado) e não será rápido.

Fonte: www.achetudoeregiao.com.br

Globalização

Globalização econômica

Conceito e avaliação:

Apesar das contradições há um certo consenso a respeito das características da globalização que envolve o aumento dos riscos globais de transações financeiras, perda de parte da soberania dos Estados com a ênfase das organizações supra-governamentais, aumento do volume e velocidade como os recursos vêm sendo transaccionados pelo mundo, através do desenvolvimento tecnológico etc.

Além das discussões que envolvem a definição do conceito, há controvérsias em relação aos resultados da globalização. Tanto podemos encontrar pessoas que se posicionam a favor como contra (movimentos anti-globalização).

A Globalização é um fenómeno moderno que surgiu com a evolução dos novos meios de comunicação cada vez mais rápidos e mais eficazes. Há, no entanto, aspectos tanto positivos quanto negativos na Globalização. No que concerne aos aspectos negativos há a referir a facilidade com que tudo circula não havendo grande controle como se pode facilmente depreender pelos atentados de 11 de Setembro nos Estados Unidos da América. Esta globalização serve para os mais fracos se equipararem aos mais fortes pois tudo se consegue adquirir através desta grande autoestrada informacional do mundo que é a Internet. Outro dos aspectos negativos é a grande instabilidade económica que se cria no mundo, pois qualquer fenómeno que acontece num determinado país atinge rapidamente outros países criando-se contágios que tal como as epidemias se alastram a todos os pontos do globo como se de um único ponto se tratasse. Os países cada vez estão mais dependentes uns dos outros e já não há possibilidade de se isolarem ou remeterem-se no seu ninho pois ninguém é imune a estes contágios positivos ou negativos. Como aspectos positivos, temos sem sombra de dúvida, a facilidade com que as inovações se propagam entre países e continentes, o acesso fácil e rápido à informação e aos bens. Com a ressalva de que para as classes menos favorecidas economicamente, especialmente nos países em desenvolvimento, esse acesso não é "fácil" (porque seu custo é elevado) e não será rápido.

Busca do lucro no desprezo da qualidade humana e ambiental:

O processo de globalização tem sido questionado e tem-se associado a aspectos negativos, muitas vezes por seguir a manada, outras vezes como instrumento politico, mas em relação aos que refletem porque criticam racionalmente, fazem-no para elevar a ponderação de direitos sociais dos trabalhadores. Umas vezes para evitar uma deslocalização de uma empresa ou fábrica para paises onde as regras de trabalho não são tão rigorosas.

Os estados capitalistas têm estado de alguma forma de mãos atadas nestes campos, mas tem surgido a óptica de poder bloquear a entrada de produtos de uma dada empresa de um outro pais quando esta não cumpra com certos critérios que são obrigatórios no mesmo, como os critérios laboriais, condições de trabalho, critérios ambientais. O outro lado da medalha é que quando as grandes empresas se deslocalizam para esses paises em vias de desenvolvimento e as regras de conduta das empresas ainda não está totalmente apurada, o que se passa é que essas empresas pagam e regem a sua conduta de exceptionalmente para os critérios desse pais, sendo empresas com grande fator atrativo para as pessoas desse pais. Em última análise, essa transferência de capitais para os em vias de desenvolvimento irá conduzir a um desenvolvimento do pais e eventualmente a uma uniformização de critérios em termos mundiais. O que realmente os criticos da globalização apontam é que até se atingir esses critérios uniformes mundiais, iria-se demorar muito tempo.

Não confundir com a liberalização da economia onde permite a entrada de produtos mundiais num pais, onde têm preços muito baixos, destronando a produção e desemprego local. O que se coloca em causa é a forma como eles são produzidos, em condições subhumanas, exploração, violação de direitos humanos, ambientais e muitas vezes como uma qualidade questionável, isto sob os critérios ditos estabelecidos pelas sociedades desenvolvidas.

Referências

GARDELS, Nathan.Globalização produz países ricos com pessoas pobres: Para Stiglitz, a receita para fazer esse processo funcionar é usar o chamado "modelo escandinavo" . Economia & Negócios, O Estado de S. Paulo, 27/09/2006
STIGLITZ, J.E. A Globalização e seus malefícios. A promessa não cumprida de benefícios globais. São Paulo, Editora Futura, 2002.

Fonte: www.globalizacao.xpg.com.br

Globalização

GLOBALIZAÇÃO E ECONOMIA BRASILEIRA

Panorama da economia brasileira

Apesar da industrialização no Brasil ter se iniciado na primeira metade do século XIX, foi a partir de 1930 e após a Segunda Guerra Mundial que a expansão do PIB do País se apóia no setor industrial, pois até então, o setor agrícola desempenhava essa função. Vale lembrar que a principal fonte de capitais que financiou a indústria nascente foi o café, sobretudo através de suas exportações e por dinamizar o mercado interno desde o início do século XX. Durante os anos 30 até início dos anos 60, a agricultura foi a principal fonte de crescimento econômico no Brasil. A partir de então, a indústria passou a ditar o ritmo da economia (SANTOS, 2001).

A partir de meados dos anos 50, com JK, foi criado o Plano de Metas (1956/61) que tinha objetivo industrializante e slogan "50 anos em 5". O Plano voltou-se para intensificar o processo de substituição de importações (LOUREIRO, 1995).

Em 1958/59, nova tentativa de conter a inflação foi implantada com o Programa de Estabilização Monetária (PEM) em que houve a contratação de empréstimos com o FMI, devido ao elevado déficit no Balanço de Pagamentos ocorrido em 1957/58. O déficit público, a crise cambial e a elevação das taxas de inflação foram o saldo final do Governo JK. Os anos 60 começam em crise. Segundo BRUM (1991), com a urbanização e industrialização resultante do Governo JK, no fim da década de 50 o País sofreu um declínio nas suas possibilidades de crescimento. A dívida externa estava extremamente alta em função dos empréstimos feitos para a modernização do Brasil, houve queda na produção interna, uma vez que a indústria nacional era limitada e sem poder competitivo, acarretando uma baixa real dos salários, desemprego e inflação.

Em meados de 1967, de acordo com LOUREIRO (1995), recomeça a recuperação da economia brasileira, com o governo do general Costa e Silva. O período de 1967/73 é conhecido no Brasil como sendo a época do "Milagre Econômico Brasileiro". Naquele período, a liderança do crescimento do setor de bens de consumo durável foi mantida, ficando o crescimento industrial entre 13% ao ano, e o do PIB, de 11% ao ano. Para o período 1975/79 foram adotadas várias medidas para promover o desenvolvimento do País e dentre elas foi criado o Programa Nacional do Álcool, Proálcool. O período de 1981 a 1983 caracterizou-se como recessivo, com taxas de crescimento do PIB brasileiro de, respectivamente, de -1,6%, 0,9% e 3,2% ao ano, mas os investimentos nos setores prioritários do programa de substituição de importações mantiveram-se elevados, acima de 20% do PIB, em 1979/82. Tais níveis de investimento caíram para 16% a 17% a partir de 1983/84. Por fim, em 1983 a inflação atingiu 200%.

Em 1986 é implementado o Plano Cruzado, choque heterodoxo, que visava estabilizar os preços e criar condições para a introdução de Reformas Econômicas de maior profundidade, onde o controle de preços foi utilizado como principal instrumento de estabilidade (premissa de que as políticas fiscal e monetária foram incapazes de promover a estabilidade de preços e crescimento econômico). Naquela época, a inflação girava em torno de 450% ao ano, ampliando o grau de incerteza na economia e desestimulando os investimentos. Prevalecia o mecanismo inercial da inflação. Vale observar que, a crescente dispersão dos preços vigente no período imediatamente anterior a esse choque introduziu um elemento de desequilíbrio potencial acentuado no programa de estabilização que foi o desalinhamento de preços relativos. Como o aumento do consumo foi bem maior do que o aumento da oferta, logo houve um esgotamento da capacidade da indústria, que associada ao estancamento dos investimentos, contribuiu para uma crise. Dado que a política cambial provocou aumento nos custos e o aumento da taxa de juros implicou numa elevação dos encargos das empresas, logo, para não inviabilizar a produção, o Governo autorizou o repasse aos preços (CARNEIRO, 1987).

Depois do Plano Cruzado, vários outros sucederam com a intenção de combater o fantasma da inflação e tentar promover o crescimento econômico, mas sem muito sucesso duradouro. Até que em 1990, com o Governo Collor e suas atitudes polêmicas, o mesmo deu um passo decisivo de quebra das barreiras tarifárias.

Com a redução das alíquotas de importação, o Brasil foi escancarado à economia mundial. Muitos setores sofreram inicialmente, sobretudo àqueles que sempre sobreviveram às custas do paternalismo estatal. Em geral, durante a década de 90, a economia brasileira inseriu-se fortemente na economia mundial. Enfim, Collor foi afastado e Itamar Franco assumiu a presidência da República, onde seu governo culminou no Plano Real, com destaque para a projeção presidencial do seu Ministro da Fazenda, Fernando Henrique, que foi eleito presidente nas eleições de 1994 e reeleito em 1998.

Teoricamente, uma das preocupações do Governo era vencer o fantasma da inflação, que chegou à casa dos 50% ao mês, em junho de 1994. Com a implementação do Real em primeiro de julho do referido ano, a consequência visível, nos meses subsequentes, foi a brusca queda no nível de preços na economia. Com isso, o imposto inflacionário declinou sensivelmente, aumentando, principalmente, os rendimentos das classes mais pobres.

Com o desenvolvimento do processo de globalização econômica, o volume de transações no comércio internacional tem se ampliado cada vez mais e a facilidade encontrada no que tange à elevação das importações levou o Governo a adotar a "Âncora Cambial" como o mais importante instrumento de controle da inflação no início do Plano Real. Caso a inflação internamente ameaçasse se elevar, as importações eram favorecidas (através do câmbio sobrevalorizado), com isso a oferta interna era ampliada e os preços eram controlados. E assim foi até janeiro de 1999, após sua reeleição, quando da eclosão da crise econômica brasileira, em que os ataques especulativos (que já vinham ganhando força desde as crises da Ásia e da Rússia) levaram o Governo a substituir o câmbio pela "Âncora Monetária" como base dessa nova fase do Plano Real, ou seja, o principal instrumento de controle da inflação passou a ser a regulação da oferta e demanda monetária, consequentemente as taxas de juros mantiveram-se cada vez mais elevadas (SANTOS, 1999).

Um fato marcante no processo de globalização que despontou nos anos 90 foi o crescente fluxo de capital financeiro volátil que passou a circular com mais rapidez ao redor de todo o planeta. No caso do sistema financeiro, o fluxo de capitais que gira pelo mundo tem ascendido enormemente, em que simples toques em teclas de computadores integrados transferem milhões de dólares de um país para outro, em tempo real. Com isso, tem-se verificado o desenvolvimento de um mercado financeiro integrado mundialmente.

globalização do sistema financeiro é caracterizada basicamente pela criação de um sistema global de intermediação financeira, fundamentada em padrões tecnológicos e gerenciais integrados. Tal sistema tem se mostrado bastante fluído, chegando a escapar do controle por parte dos Estados e de suas autoridades monetárias, devido aos recursos da teleinformática e das novas tecnologias. Os fundos de pensão e fundos mútuos de ações, bem como as seguradoras compõem a base em que se fundamenta o processo deglobalização financeira, que por sua vez dividem com o sistema bancário o papel de gerenciadores das poupanças da sociedade, onde o mercado para especulação desses recursos estende-se aos quatro cantos do planeta.

Vista toda essa volatilidade financeira supracitada, os países em desenvolvimento, sobretudo aqueles que não possuem um sistema fiscal equilibrado, têm encontrado facilidades nessa fonte de recursos externos para fechar suas contas. Dado o risco envolvido em tais países, os mesmo têm que praticar juros altos para atrair tais capitais. Como o clima de incerteza tem pairado em todo o planeta, nestes últimos anos, sobretudo após as crises internacionais, qualquer turbulência num país emergente, causa uma crise de desconfiança generalizada nos demais países. Então para evitar ou simplesmente atenuar uma fuga em massa desses capitais, tais países têm que elevar estratosfericamente suas taxas de juros, com isso a dívida pública aumenta bastante e gigantescos volumes com os juros dessas dívidas são pagos anualmente aos grandes especuladores do sistema financeiro. Logo, os programas desses governos são pautados de acordo com as regras do mercado financeiro globalizado. Vale observar que as políticas monetárias e cambiais acabam se tornando reféns dos mercados especulativos globais, enfrentando problemas face à globalização financeira. Em que as elevadas taxas de juros e a sobrevalorização na taxa de câmbio tendem a inibir os investimentos (RIGUEIRA & SANTOS, 2000).

Por fim, se por um lado muitos benefícios são trazidos com a liberalização comercial, deve-se ater aos problemas que vêm juntos, como alguns setores da economia que não estavam preparados para competir a nível internacional e têm suas empresas sendo fechadas, aumentando ainda mais o desemprego no País.

Uma outra questão em que a economia brasileira ainda sofre muito nos dias atuais é com relação às exportações agrícolas, sobretudo para os Estados Unidos e para a Comunidade Européia. Esses países pregam o livre comércio para seus produtos, contudo impõem sérias barreiras às exportações agrícolas brasileiras para tais, através de elevadíssimas tarifas de importação, bem como protegem demais seus produtores, com elevadíssimos subsídios diretos à exportação e à produção européia e norte-americana.

Considerações finais

É por demais visível o crescente processo de globalização que a humanidade vem observando. Parece que as distâncias geográficas, entre os países, foram atenuadas, bem como os fluxos comerciais e financeiros têm girado pelo planeta com relativa facilidade e rapidez, proporcionadas pelo progresso tecnológico.

Em geral, vale reafirmar que a globalização é um processo inevitável, onde cabe às autoridades brasileiras, o papel de estarem bem atentas aos acordos internacionais, a fim que o Brasil não seja pego de surpresa com esse processo de integração que, às vezes, traz somente benefícios aos países desenvolvidos, bem como é de fundamental relevância a participação do Estado no que tange a criação de uma infra-estrutura que dê condições às empresas nacionais para produzirem de modo competitivo internacionalmente. Para tal, faz-se necessário a criação de um cenário sócio-politico-econômico estável (SANTOS & GURGEL, 2000).

Enfim, a partir do momento em que se entende, de um modo geral, o comportamento da economia brasileira nos últimos 50 anos, a assimilação das idéias, que permeiam a conjuntura atual na qual o Brasil está inserido, passa a ter uma melhor compreensão. Principalmente nesses últimos dez anos, a dependência e a vulnerabilidade externa somente têm-se ampliado, sobretudo no campo financeiro, onde a crescente dívida pública, que tem crescido exponencialmente, tem encilhado o País, tornando-o cada vez menos capaz de investir numa infraestrutura digna, que o capacite a se tornar competitivo internacionalmente. O Brasil precisa seriamente de políticas corajosas para reverter esse déficit tanto no campo financeiro quanto na área social, para que então sobre recursos para serem aplicados na área sócio-econômica, ou do contrário, o País continuará sempre subserviente aos interesses externos, sobretudo em relação aos norte- americanos.

Flávia Maria Mafia Rigueira Agra

Fernando Antônio Agra Santos

Referências bibliográficas

BRUM, A. A crise do Nacional Populismo: 1961-1964. In: O Desenvolvimento Econômico Brasileiro. Ed. Petrópolis. 1991. p. 122-148 CARNEIRO, R. A política econômica do Plano Cruzado. Campinas: Bienal, 1987.
LOUREIRO, A. L. J. Guia Prático de Economia Brasileira. Maceió. UFAL. 1995. 120p.
RIGUEIRA, F.M.M., SANTOS, F.A.A. Globalização financeira. Gazeta Mercantil, Caderno Regional do Espírito Santo, Vitória, 17 mar. 2000. Opinião. p. 2.
SANTOS, F.A.A. Cinco anos de Real. Tribuna de Alagoas, Maceió, 10 jul. 1999. Opinião. p. 4.

Fonte:  www.viannajr.edu.br

Globalização

A questão da globalização deve ser tema de quase todos os vestibulares.

Como você sabe, a globalização vem ocorrendo, principalmente, por causa do desenvolvimento das tecnologias da informação e comunicação. O fato de os meios de transporte estarem cada vez mais velozes também contribuiu para a integração entre países, regiões e continentes.

As principais conseqüências da globalização são a integração e a interdependência econômica cada vez maiores entre países, regiões e continentes. Hoje a economia mundial está nas mãos das grandes corporações de empresas transnacionais.

Outro efeito da globalização é o aumento da concorrência entre empresas em nível nacional e internacional.

O QUE É GLOBALIZAÇÃO

Globalização é o conjunto de transformações na ordem política e econômica mundial que vem acontecendo nas últimas décadas. O ponto central da mudança é a integração dos mercados numa "aldeia-global", explorada pelas grandes corporações internacionais. Os Estados abandonam gradativamente as barreiras tarifárias para proteger sua produção da concorrência dos produtos estrangeiros e abrem-se ao comércio e ao capital internacional. Esse processo tem sido acompanhado de uma intensa revolução nas tecnologias de informação - telefones, computadores e televisão.

As fontes de informação também se uniformizam devido ao alcance mundial e à crescente popularização dos canais de televisão por assinatura e da Internet.

Isso faz com que os desdobramentos da globalização ultrapassem os limites da economia e comecem a provocar uma certa homogeneização cultural entre os países.

CORPORAÇÕES TRANSNACIONAIS

globalização é marcada pela expansão mundial das grandes corporações internacionais. A cadeia de fast food McDonald's, por exemplo, possui 18 mil restaurantes em 91 países. Essas corporações exercem um papel decisivo na economia mundial.

Segundo pesquisa do Núcleo de Estudos Estratégicos da Universidade de São Paulo, em 1994 as maiores empresas do mundo (Mitsubishi, Mitsui, Sumitomo, General Motors, Marubeni, Ford, Exxon, Nissho e Shell) obtêm um faturamento de 1,4 trilhão de dólares. Esse valor eqüivale à soma dos PIBs do Brasil, México, Argentina, Chile, Colômbia, Peru, Uruguai, Venezuela e Nova Zelândia.

Outro ponto importante desse processo são as mudanças significativas no modo de produção das mercadorias. Auxiliadas pelas facilidades na comunicação e nos transportes, as transnacionais instalam suas fábricas sem qualquer lugar do mundo onde existam as melhores vantagens fiscais, mão-de-obra e matérias- primas baratas. Essa tendência leva a uma transferência de empregos dos países ricos - que possuem altos salários e inúmeros benefícios - para as nações industriais emergentes, com os Tigres Asiáticos. O resultado desse processo é que, atualmente, grande parte dos produtos não tem mais uma nacionalidade definida. Um automóvel de marca norte-americana pode conter peças fabricadas no Japão, ter sido projetado na Alemanha, montado no Brasil e vendido no Canadá.

REVOLUÇÃO TECNOCIENTÍFICA

A rápida evolução e a popularização das tecnologias da informação (computadores, telefones e televisão) têm sido fundamentais para agilizar o comércio e as transações financeiras entre os países. Em 1960, um cabo de telefone intercontinental conseguia transmitir 138 conversas ao mesmo tempo.

Atualmente, com a invenção dos cabos de fibra óptica, esse número sobe para l,5 milhão. Uma ligação telefônica internacional de 3 minutos, que custava cerca de 200 em 1930, hoje em dia é feita por US$ 2. O número de usuários da Internet, rede mundial de computadores, é de cerca de 50 milhões e tende a duplicar a cada ano, o que faz dela o meio de comunicação que mais cresce no mundo. E o maior uso dos satélites de comunicação permite que alguns canais de televisão - como as redes de notícias CNN, BBC e MTV - sejam transmitidas instantaneamente para diversos países. Tudo isso permite uma integração mundial sem precedentes.

DESEMPREGO ESTRUTURAL

A crescente concorrência internacional tem obrigado as empresas a cortar custos, com o objetivo de obter preços menores e qualidade alta para os seus produtos.

Nessa restruturação estão sendo eliminados vários postos de trabalho, tendência que é chamada de desemprego estrutural. Uma das causas desse desemprego é a automação de vários setores, em substituição à mão de obra humana. Caixas automáticos tomam o lugar dos caixas de bancos, fábricas robotizadas dispensam operários, escritórios informatizados prescindem datilógrafos e contadores.

Nos países ricos, o desemprego também é causado pelo deslocamento de fábricas para os países com custos de produção mais baixos.

NOVOS EMPREGOS

O fim de milhares de empregos, no entanto, é acompanhado pela criação de outros pontos de trabalho. Novas oportunidades surgem, por exemplo, na área de informática, com o surgimento de um novo tipo de empresa, as de "inteligência intensiva", que se diferenciam das indústrias de capital ou mão-de-obra intensivas.

A IBM, por exemplo, empregava 400 mil pessoas em 1990 mas, desse total, somente 20 mil produziam máquinas. O restante estava envolvido em áreas de desenvolvimento de outros computadores - tanto em hardware como em software - gerenciamento e marketing. Mas a previsão é de que esse novo mercado de trabalho dificilmente absorverá os excluídos, uma vez que os empregos emergentes exigem um alto grau de qualificação profissional. Dessa forma, o desemprego tende a se concentrar nas camadas menos favorecidas, com baixa instrução escolar e pouca qualificação. "

O processo de globalização está trazendo profundas transformações para as sociedades contemporâneas. O acelerado desenvolvimento tecnológico e cultural, principalmente na área da comunicação, caracteriza uma nova etapa do capitalismo, contraditória por excelência, que coloca novos desafios para o homem neste final de século. Cultura, Estado, mundo do trabalho, educação, etc. sofrem as influências de um novo paradigma , devendo-se adequarem ao mesmo.

Neste novo paradigma, a autonomia é privilegiada. Tornou-se necessidade para a vida numa sociedade destradicionalizada e reflexiva. No mundo do trabalho, a autonomia é diferença que marca a mudança do predomínio do fordismo para o pós-fordismo. Já no que tange à educação, deve a mesma possibilitar o desenvolvimento desse valor, trabalhando o homem integralmente para que ele possa não só atender aos requisitos do mercado, mas também atuar como cidadão no mundo globalizado. Nossa análise caminhará sempre no sentido dos limites e das possibilidades desse mundo, tendo como categoria central a autonomia, e como pensamento norteador a teoria pós- fordista sob o enfoque dos teóricos "Novos Tempos".

QUESTÃO E RESPOSTA:

Mas, o que é essa globalização e como é que ela se manifesta ? Não há uma definição que seja aceita por todos. Ela está definitivamente na moda e designa muitas coisas ao mesmo tempo. Há a interligação acelerada dos mercados nacionais, há a possibilidade de movimentar bilhões de dólares por computador em alguns segundos, como ocorreu nas Bolsas de todo o mundo, há a chamada "terceira revolução tecnológica"( processamento, difusão e transmissão de informações). Os mais entusiastas acham que aglobalização define uma nova era da história humana.

VEJA MAIS SOBRE GLOBALIZAÇÃO

A economia globalizada permite que haja um movimento em direção à globalização cultural. Hoje, através da Internet, um estudante ou pesquisador acessa, sem sair de casa, qualquer biblioteca ou universidade do planeta. Os contatos humanos e as pesquisas exigem que os habitantes de um país tenham, ao menos, conhecimento básico do idioma de outros países.

Acontecimentos no outro lado do mundo podem ser acompanhados on-line e em tempo real. Apesar de a globalização uniformizar o pensamento, ela também o diferencia por sublinhar as características regionais e não deixar dúvidas, nos consumidores, de que aqueles que não detêm tecnologia estão excluídos do grande sistema que pretende gerar um pensamento universal.

Porém, ainda é cedo para avaliar as conseqüências que esta interação terá sobre as culturas nacionais, principalmente nas dos países do terceiro mundo. Mas já se sabe que a vivência humana globalizada está criando uma nova ética, uma nova forma de pensamento e, nas novas gerações, uma posição mais compreensiva diante de outras maneiras de ser e viver.

Globalização financeira, nova ordem econômica mundial que modificou o papel do Estado na medida que alterou radicalmente a ênfase da ação governamental, que agora é dirigida quase exclusivamente para tornar possível às economias nacionais desenvolverem e sustentarem condições estruturais de competitividade em escala global. Seus efeitos são de certa forma controversos. Por um lado, a mobilidade dos fluxos financeiros através das fronteiras nacionais pode ser vista como uma forma eficiente de destinar recursos internacionais e de canalizá-los para países emergentes. Por outro, a possibilidade de usar os capitais de curto prazo para ataques especulativos contra moedas são considerados como uma nova forma de ameaça à estabilidade econômica dos países.

Globalização produtiva: fenômeno mundial associado a uma revolução nos métodos de produção que resultou numa mudança significativa nas vantagens comparativas das nações. Com a globalização, as fases de produção de uma determinada mercadoria podem ser realizadas em qualquer país e não mais em um mesmo país, pois busca-se aquele que oferecer maiores vantagens econômicas. Isto tem levado a uma acirrada competição entre países - em particular aqueles em desenvolvimento - por investimentos externos.

Em contraste com as décadas passadas, quando julgava-se necessário introduzir controles e restrições para disciplinar, em seus mercados, as atividades das multinacionais, agora, os países em desenvolvimento têm reformulado suas políticas comerciais e econômicas para oferecer um ambiente doméstico atraente para os investimentos externos, os quais se fazem necessários para complementar as suas taxas internas de poupança, geralmente insuficientes.

Fonte:  www.vestibular1.com.br

Globalização

A expressão "globalização" tem sido utilizada mais recentemente num sentido marcadamente ideológico, no qual assiste-se no mundo inteiro a um processo de integração econômica sob a égide do neoliberalismo, caracterizado pelo predomínio dos interesses financeiros, pela desregulamentação dos mercados, pelas privatizações das empresas estatais, e pelo abandono do estado de bem-estar social. Esta é uma das razões dos críticos acusarem-na, a globalização, de ser responsável pela intensificação da exclusão social (com o aumento do número de pobres e de desempregados) e de provocar crises econômicas sucessivas, arruinando milhares de poupadores e de pequenos empreendimentos.

No texto que se segue não trataremos deste fenômeno no sentido ideológico mas sim no seu significado histórico. Demonstramos que o processo de globalização (aqui entendido como integração e interdependência econômica) deita suas raízes há muito tempo atrás, no mínimo há 5 séculos, passando desde então por etapas diversas. Aqui o termo é empregado para fins específicos de uma síntese histórica, bem distante das manipulações ideológicas que possam ele sofrer. Portanto, para nós, ele tem um significado mais profundo e não apenas propagandístico.

As Economias-Mundo antes das Descobertas

Antes de ter inicio a primeira fase da globalização, os Continentes encontravam-se separados por intransponíveis extensões acidentadas de terra e de águas, de oceanos e mares, que faziam com que a maioria dos povos e das culturas soubesse da existência uma das outras apenas por meio de lendas, com a do Preste João, ou imprecisos e imaginários relatos de viajantes, como o de Marco Polo. Cada povo vivia isolado dos demais, cada cultura era auto-suficiente. Nascia, vivia e morria no mesmo lugar, sem tomar conhecimento da existência dos outros.

Até o século 15 identificamos 5 economias-mundo (é uma expressão de Fernand Braudel), totalmente autônomas, espalhadas pela Terra e que viviam separadas entre elas.

A primeira delas, a da Europa, era composta pelas cidades italianas de Gênova, Veneza, Milão e Florença, que mantinham laços comerciais e financeiros com o Mediterrâneo e o Levante onde possuíam importantes feitorias e bairros comerciais. Bem mais ao norte, na França setentrional, vamos encontrar outra área comercial significativa na região de Flandres, formada pelas cidades de Lille, Bruges e Antuérpia, vocacionadas para os negócios com o Mar do Norte. No Mar Báltico entrava-se a Liga de Hansa, uma cooperativa de mais de 200 cidades mercantes lideradas por Lübeck e Hamburgo, que mantinham um eixo comercial que ia de Novgorod, na Rússia, até Londres na Inglaterra.

No sudeste europeu, por então, agoniza o comércio bizantino (que atuava no mar Egeu e no mar Negro), pressionado pela expansão dos turcos que terminaram por ocupar a grande cidade em 1453, enquanto que a Rússia via-se limitada pelos Canatos Mongóis que ocupavam boa parte do leste do país.

Outra economia-mundo era formada pela China e regiões tributárias como a península coreana, a Indochina e a Malásia, e que só se ligava com a Ásia Central e o Ocidente através da rota da seda. O seu maior dinamismo econômico encontrava-se nas cidades do sul como Cantão e do leste como Xangai, grande portos que faziam a função de vasos comunicantes com os arquipélagos do Mar da China.

A Índia, por sua vez, graças a sua posição geográfica, traficava num raio econômico mais amplo. No noroeste, pelo Oceano Índico e pelo Mar Vermelho, estabelecia relações com mercadores árabes que tinham feitorias em Bombaim e outros portos da Índia ocidental, enquanto que comerciantes malaios eram acolhidos do outro lado, em Calcutá.

Seu imenso mercado de especiarias e tecidos finos era afamado, mas só pouca coisa chegava ao Ocidente graças ao comércio com o Levante. Foi a celebração das suas riquezas que mais atraiu a cobiça dos aventureiros europeus como o lusitano Vasco da Gama.

Subdividida pelo deserto do Saara numa África árabe ao Norte, que ocupa uma faixa de terra a beira do Mediterrâneo e Vale do rio Nilo, com relações comerciais mais ou menos intensas com os portos europeus e, ao Sul, numa outra África, a África negra, isolada do mundo pelo deserto e pela floresta tropical, formava um outro planeta econômico totalmente à parte, voltado para si mesmo.

Por último, mas desconhecida das demais, encontrava-se aquela formada pelas civilizações pré-colombianas, a Azteca no México, a dos Maias no Yucatan e no istmo, e a Inca no Peru , organizadas ao redor do cultivo do milho e na elaboração de tecidos, sendo elas auto-suficientes e sem interligações entre si, nem terrestres nem oceânicas.

Durante milhares de anos elas desconheceram-se e nem imaginavam que algum dia poderiam estabelecer relações significativas. Se for certo que em suas bordas haviam escambo ou comércio, eles eram insignificantes. Portanto, numa longa perspectiva, pode-se dizer que a internacionalização do comércio e a aproximação das culturas é um fenômeno recentíssimo, datando dos últimos cinco séculos, apenas 10% do tempo da história até agora conhecida.

A primeira fase da Globalização (1450-1850)

"Por mares nunca dantes navegados/.....Em perigos e guerra esforçados, mais do que prometia a força humana/ E entre gente remota edificaram/ Novo reino, que tanto sublimaram" - Luís de Camões - Os Lusíadas, Canto I, 1572.

Há, como em quase tudo que diz respeito à história, grande controvérsia em estabelecer-se uma periodização para estes cinco séculos de integração econômica e cultural, que chamamos de globalização, iniciados pela descoberta de uma rota marítima para as Índias e pelas terras do Novo Mundo. Frédéric Mauro, por exemplo, prefere separá- lo em dois momentos, um que vai de 1492 até 1792 (data quando, segundo ele, a Revolução Francesa e a Revolução Industrial fazem com que a Europa, que liderou o processo inicial daglobalização, voltou-se para resolver suas disputas e rivalidades), só retomando a expansão depois de 1870, quando amadureceram as novas técnicas de transporte e navegação como a estrada-de-ferro e o navio a vapor.

No critério por nós adotado, consideramos que o processo de globalização ou de economia-mundo capitalista como preferiu Immanuel Wallerstein, nunca se interrompeu.

Ocorreram-se momentos de menor intensidade, de contração, ela nunca chegou a cessar totalmente. De certo modo até as grandes guerras mundiais de 1914-18 e de 1939-45, e antes delas a Guerra dos 7 anos (de 1756-1763), provocaram a intensificação daglobalização quando se adotaram macro-estratégias militares para acossar os adversários, num mundo quase inteiramente transformado em campo de batalha. Basta recordar que soldados europeus, nas duas maiores guerras do século 20, lutavam entre si no Oriente Médio e na África, enquanto que tropas colônias desembarcavam na Europa e marchavam para os campos de batalha nas planícies francesas enquanto que as marinhas européias, americanas e japonesas se engalfinhavam em quase todos os mares do mundo.

Assim sendo, nos definimos pelas seguintes etapas: primeira fase da globalização, ou primeira globalização, dominada pela expansão mercantilista (de 1450 a 1850) da economia-mundo européia, a segunda fase, ou segunda globalização, que vai de 1850 a 1950 caracterizada pelo expansionismo industrial-imperialista e colonialista e, por última, a globalização propriamente dita, ou globalização recente, acelerada a partir do colapso da URSS e a queda do muro de Berlim, de 1989 até o presente.

Períodos da Globalização:

1450-1850 - Primeira fase Expansionismo mercantilista

1850-1950 - Segunda fase Industrial-imperialista-colonialista

pós-1989 - Globalização recente Cibernética-tecnológica-associativa

A assegurou o estabelecimento das primeiras feitorias comerciais européias na Índia, China e Japão, e, principalmente, abriu aos conquistadores europeus as terras do Novo Mundo.

Feitos estes que Adam Smith, em sua visão eurocêntrica, considerou os maiores em toda a história da humanidade. Enquanto as especiarias eram embarcadas para os portos de Lisboa e de Sevilha, de Roterdã e Londres, milhares de imigrantes iberos, ingleses e holandeses, e, um bem menor número de franceses, atravessaram o Atlântico para vir ocupar a América.

Aqui formaram colônias de exploração, no sul da América do Norte, no Caribe e no Brasil, baseadas geralmente num só produto (açúcar, tabaco, café, minério, etc..) utilizando-se de mão de obra escrava vinda da África ou mesmo indígena; ou colônias de povoamento, estabelecidas majoritariamente na América do Norte, baseadas na média propriedade de exploração familiar. Para atender as primeiras, as colônias de exploração, é que o brutal tráfico negreiro tornou-se rotina, fazendo com que 11 milhões de africanos (40% deles destinados ao Brasil) fossem transportados pelo Atlântico para labutar nas lavouras e nas minas.

Igualmente não se deve omitir que ela promoveu uma espantosa expropriação das terras indígenas e no sufocamento ou destruição da sua cultura. Em quase toda a América ocorreu uma catástrofe demográfica, devido aos maus tratos que a população nativa sofreu e as doenças e epidemias que os devastam, devido ao contato com os colonizadores europeus.

Nesta primeira fase estrutura-se um sólido comércio triangular entre a Europa (fornecedora de manufaturas) África (que vende seus escravos) e América (que exporta produtos coloniais). A imensa expansão deste mercado favorece os artesãos e os industriais emergentes da Europa que passam a contar com consumidores num raio bem mais vasto do que aquele abrigado nas suas cidades, enquanto que a importação de produtos coloniais faz ampliar as relações inter-européias. Exemplo disso ocorre com o açúcar cuja produção é confiada aos senhores de engenho brasileiros, mas que é transportado pelos lusos para os portos holandeses, onde lá se encarregam do seu refino e distribuição.

Os principais portos europeus, americanos e africanos desta primeira globalização encontram-se em Lisboa, Sevilha, Cádiz, Londres, Liverpool, Bristol, Roterdã, Amsterdã, Le Havre, Toulouse, Salvador, Rio de Janeiro, Lima, Buenos Aires, Vera Cruz, Porto Belo, Havana, São Domingo, Lagos, Benin, Guiné, Luanda e Cidade do Cabo.

Politicamente, a primeira fase da globalização se fez quase toda ela sob a égide das monarquias absolutistas que concentram enorme poder e mobilizam os recursos econômicos, militares e burocráticos, para manterem e expandirem seus impérios coloniais.

Os principais desafios que enfrentam advinham das rivalidades entre elas, seja pelas disputas dinásticas-territoriais ou pela posse de novas colônias no além mar, sem esquecer- se do enorme estragos que os corsários e piratas faziam, especialmente nos séculos 16 e 17, contra os navios carregados de ouro e prata e produtos coloniais.

A doutrina econômica desta primeira fase foi o mercantilismo, adotado pela maioria das monarquias européias para estimular o desenvolvimento da economia dos reinos. Ele compreendia numa complexa legislação que recorria a medidas protecionistas, incentivos fiscais e doação de monopólios, para promover a prosperidade geral. A produção e distribuição do comércio internacional era feita por mercadores privados e por grandes companhias comerciais (as Cias. inglesas e holandesas das Índias Orientais e Ocidentais) e, em geral, eram controladas localmente por corporações de ofício.

Todo o universo econômico destinava-se a um só fim, entesourar, acumular riqueza.

O poder de um reino era aferido pela quantidade de metal precioso (ouro, prata e jóias preciosas) existente nos cofres reais. Para assegurar seu aumento o estado exercia um sério controle das importações e do comércio com as colônias, sobre as quais exerciam o oligopólio bilateral. (*) Esta política levou a que cada reino europeu terminasse por se transformar num império comercial, tendo colônias e feitorias espalhadas pelo mundo todo (os principais impérios coloniais foram o inglês, o espanhol, o português, o holandês e o francês). Um dos símbolos desta época, a bolsa de valores de Amberes, consciente do que representava, tinha como justo lema à frase latina "Ad usum mercatorum cujusque gentis ac linguae", que ela servia aos mercadores de todas as línguas da terra.

(*) o oligopólio bilateral é uma expressão que serve para descrever a situação de subordinação em que as colônias se encontravam perante as metrópoles. Além de estarem impedidas de negociarem com outros países, elas eram obrigadas a adquirir suas necessidades apenas com negociantes e mercadores metropolitanos bem como somente vender a eles o que produziam, desta forma a metrópole ganhava ao vender e ao comprar.

A segunda fase da Globalização (1850-1950)

"Por meio de sua exploração do mercado mundial ,a burguesia deu um caráter cosmopolita à produção e ao consumo em todos os países...As velhas industrias nacionais foram destruídas ou estão se destruindo dia a dia....Em lugar das antigas necessidades satisfeitas pela produção nacional, encontramos novas necessidades que querem para a sua satisfação os produtos das regiões mais longínquas e dos climas os mais diversos. Em lugar do antigo isolamento local...desenvolvem-se, em todas as direções, um intercâmbio e uma interdependência universais.." - Karl Marx - Manifesto Comunista, 1848

Os principais acontecimentos que marcam a transição da primeira fase da globalização para a segunda dão-se nos campos da técnica e da política. A partir do século 18, a Inglaterra industrializa-se aceleradamente e, depois dela, a França, a Bélgica, a Alemanha e a Itália. A máquina a vapor é introduzida nos transportes terrestres (estradas- de-ferro) e marítimos (barcos a vapor) Conseqüentemente esta nova época será regida pelos interesses da indústria e das finanças, sua associada e, por vezes amplamente dominante, e não mais das motivações dinásticas-mercantís. Será a grande burguesia industrial e bancária, e não mais os administradores das corporações mercantis e os funcionários reais quem liderará o processo. Esta interpenetração dos bancos com a industria, com tendências ao monopólio ou ao oligopólio, fez com que o economista austríaco Rudolf Hilferding a denominasse de "O Capital Financeiro" (Das Finanz kapital, titulo da sua obra publicado em 1910), considerando-a um fenômeno novo da economia-politica moderna. Lenin definiu-a como a etapa final do capitalismo, a etapa do imperialismo.

Luta ele - o capital financeiro - pela ampliação dos mercados e pela obtenção de novas e diversas fontes de matérias primas. A doutrina econômica em que se baseia é a do capitalismo laissez-faire, um liberalismo radical inspirado nos fisiocratas franceses e apoiado pelos economistas ingleses Adam Smith e David Ricardo que advogavam a superação do Mercantilismo com suas políticas arcaicas. Defendem o livre-cambismo na relações externas, mas em defesa das suas industrias internas continuam em geral protecionistas, como é o caso da política Hamiltoniana nos Estados Unidos e a da Alemanha Imperial e a do Japão (*).

A escravidão que havia sido o grande esteio da primeira globalização, tornou-se um impedimento ao progresso do consumo e, somada à crescente indignação que ela provoca, termina por ser abolida, primeiro em 1789 e definitivamente em 1848 (no Brasil ela ainda irá sobreviver até 1888).

Este segundo momento - segundo a orientação do que Hobson chamou de "a politica de uma minoria sem escrúpulos" -, irá se caracterizar pela ocupação territorial de certas partes da África e da Ásia, além de estimular o povoamento das terras semi-desocupadas da Austrália e da Nova Zelândia.

No campo da política a revolução americana de 1776 e a francesa de 1789, irão liberar enorme energia fazendo com que a busca da realização pessoal termine por promover uma grande ascensão social das massas. Logo depois, como resultado das Guerras Napoleônicas e da generalizada abolição da servidão e outros impedimentos feudais, milhões de europeus (calcula-se em 60 milhões num século) abandonam seus lares nacionais e emigram em massa para os Estados Unidos, Canadá, e para a América do Sul (Brasil, Argentina, Chile e Uruguai).

A posse de novas colônias torna-se um ornamento na política das potências (só a Grã-Bretanha possui mais de 50, ocupando inclusive áreas antieconômicas). O cobiçado mercado chinês finalmente é aberto pelo Tratado de Nanquim de 1842 e o Japão também é forçado a abandonar a política de isolamento da época Tokugawa ao assinar um tratado com os americanos em 1853-4.

Cada uma das potências européias rivaliza-se com as demais na luta pela hegemonia do mundo, ou como disse John Strachey: "lançaram-se unanimemente, numa rivalidade feroz...para anexar o resto do mundo". O resultado é um acirramento da corrida imperialista e da política belicista que levará os europeus a duas guerras mundiais, a de 1914-18 e a de 1939-45.

Entrementes outros aspectos técnicos ajudam a globalização: o trem e o barco a vapor encurtam as distâncias, o telégrafo e , em seguida, o telefone, aproximam os continentes e os interesses ainda mais. E, principalmente depois do vôo transatlântico de Charles Lindbergh em 1927, a aviação passa a ser mais um elemento que permite o mundo tornar-se menor.

Nestes cem anos da segunda fase da globalização (1850-1950) os antigos impérios dinásticos desabaram (o dos Bourbons em 1789 e, definitivamente, em 1830, o dos Habsburgos e dos Hohenzollers em 1914, o dos Romanov em 1917).

Das diversas potências que existiam em 1914 (O Império britânico, o francês, o alemão, o austro- húngaro, o italiano, o russo e o turco otomano) só restam depois da 2ª Guerra Mundial, as superpotências: os Estados Unidos e a União Soviética.

Feridas pelas guerras as metrópoles deram para desabar, obrigando-se a aceitar a libertação dos povos coloniais que formaram novas nações. Mesmo assim, umas independentes e outras neocolonizadas, continuaram ligadas ao sistema internacional.

Somam-se, no pós-1945, os países do Terceiro Mundo recém independente (a Índia é a primeira a obtê-la em 1947) às nações latino-americanas que conseguiram sua autonomia política entre 1810-25, ainda no final da primeira fase da globalização. No entanto nem a descolonização nem as revoluções comunistas, a da Rússia de 1917 e a da China de 1949, servirão de entrave para que a mais longo prazo o processo de globalização seja retomado.

(*) Os países industrializados defendem o livre-cambismo (o preço melhor vence) quando se sentem fortes, como foi o caso da Inglaterra nos séculos 18 e 19 e hoje é a posição dominante dos E.U.A. Mas para aqueles que precisam criar sua própria industria ou proteger a que está ainda se afirmando, precisam recorrer à política protecionista com suas elevadas barreiras alfandegárias para evitar sua quebra.

A Globalização recente (pós-1989)

"O conceito do direito mundial de cidadania não os protege (os povos) contra a agressão e a guerra, mas a mútua convivência e proveito os aproxima e une. O espírito comercial, incompatível com a guerra, se apodera tarde ou cedo dos povos. De todos os poderes subordinados à força do Estado, é o poder do dinheiro que inspira mais confiança e por isto os Estados se vêm obrigados - não certamente por motivos morais- a fomentar a paz..." - I.Kant - A paz perpétua, 1795

No decorrer do século 20 três grandes projetos de liderança da globalização conflitaram-se entre si: o comunista, inaugurado com a Revolução bolchevique de 1917 e reforçado pela revolução maoísta na China em 1949; o da contra-revolução nazi-fascista que, em grande parte, foi uma poderosa reação direitista ao projeto comunista, surgido nos anos de 1919, na Itália e na Alemanha, extendendo-se ao Japão, que foi esmagado no final da 2ª Guerra Mundial, em 1945; e, finalmente, o projeto liberal-capitalista liderado pelos países anglo-saxão, a Grã-Bretanha e os Estados Unidos.

Num primeiro momento ocorreu a aliança entre o liberalismo e o comunismo (em 1941-45) para a auto-defesa e, depois, a destruição do nazi-fascismo. Num segundo momento os vencedores, os EUA e a URSS, se desentenderam gerando a Guerra Fria (1947-1989), onde o liberalismo norte-americano rivalizou-se com o comunismo soviético numa guerra ideológica mundial e numa competição armamentista e tecnológica que quase levou a humanidade a uma catástrofe (a crise dos mísseis de 1962).

Com a política da glasnost, adotada por Mikhail Gorbatchov na URSS desde 1986, a Guerra Fria encerrou-se e os Estados Unidos proclamaram-se vencedores. O momento símbolo disto foi à derrubada do Muro de Berlim ocorrida em novembro de 1989, acompanhada da retirada das tropas soviéticas da Alemanha reunificada e seguida da dissolução da URSS em 1991. A China comunista, por sua vez, que desde os anos 70 adotara as reformas visando sua modernização, abriu-se em várias zonas especiais para a implantação de industrias multinacionais. A política de Deng Xiaoping de conciliar o investimento capitalista com o monopólio do poder do partido comunista, esvaziou o regime do seu conteúdo ideológico anterior. Desde então só restou hegemônica no moderno sistema mundial a economia-mundo capitalista, não havendo nenhuma outra barreira a antepor-se à globalização.

Chegamos desta forma a situação presente onde sobreviveu uma só superpotência mundial: os Estados Unidos. É a única que tem condições operacionais de realizar intervenções militares em qualquer canto do planeta (Kuwait em 1991, Haiti em 1994, Somália em 1996, Bósnia em 1997, etc..).

Enquanto na segunda fase da globalização vivia- se na esfera da libra esterlina, agora é a era do dólar, enquanto que o idioma inglês tornou- se a língua universal por excelência. Pode-se até afirmar que a globalização recente nada mais é do que a americanização do mundo.

Desequilíbrios e perspectivas da globalização

O processo produtivo mundial é formado por um conjunto de umas 400-450 grandes corporações (a maioria delas produtora de automóveis e ligada ao petróleo e às comunicações) que têm seus investimentos espalhados pelos 5 continentes. A nacionalidade delas é majoritariamente americana, japonesa, alemã, inglesa, francesa, suíça, italiana e holandesa. Portanto, pode-se afirmar sem erro que os países que assumiram o controle da primeira fase da globalização (a de 1450-1850), apesar da descolonização e dos desgastes das duas guerras mundiais, ainda continuam obtendo os frutos do que conquistaram no passado. A razão disso é que detêm o monopólio da tecnologia e seus orçamentos, estatais e privados, dedicam imensas verbas para a ciência pura e aplicada.

Politicamente a globalização recente caracteriza-se pela crescente adoção de regimes democráticos. Um levantamento indicou que 112 países integrantes da ONU, entre 182, podem ser apontados como seguidores (ainda que com várias restrições) de práticas democráticas, ou pelo menos, não são tiranias ou ditaduras. A título de exemplo lembramos que na América do Sul, na década dos 70, somente a Venezuela e a Colômbia mantinham regimes civis eleitos. Todos os demais países eram dominados por militares (personalistas como no Chile, ou corporativos como no Brasil e Argentina). Enquanto que agora , nos finais dos noventa, não temos nenhuma ditadura na América do Sul. Neste processo de universalização da democracia as barreiras discriminatórias ruíram uma a uma (fim da exclusão motivada por sexo, raça, religião ou ideologia), acompanhado por uma sempre ascendente padronização cultural e de consumo.

A ONU que deveria ser o embrião de um governo mundial foi tolhida e paralisada pelos interesses e vetos das superpotências durante a Guerra Fria. Em conseqüência dessa debilidade, formou-se uma espécie de estado-maior informal composto pelos dirigentes do G-7 (os EUA, a GB, a Alemanha, a França, o Canadá, a Itália e o Japão), por vezes alargado para dez ou vinte e cinco, cujos encontros freqüentes têm mais efeitos sobre a política e a economia do mundo em geral do que as assembléias da ONU.

Enquanto que no passado os instrumentos da integração foram à caravela, o galeão, o barco à vela, o barco a vapor e o trem, seguidos do telégrafo e do telefone, a globalização recente se faz pelos satélites e pelos computadores ligados na Internet. Se antes ela martirizou africanos e indígenas e explorou a classe operária fabril, hoje se utiliza do satélite, do robô e da informática, abandonando a antiga dependência do braço em favor do cérebro, elevando o padrão de vida para patamares de saúde, educação e cultura até então desconhecidos pela humanidade.

O domínio da tecnologia por um seleto grupo de países ricos, porém, abriu um fosso com os demais, talvez o mais profundo em toda a história conhecida. Roma, quando império universal, era superior aos outros povos apenas na arte militar, na engenharia e no direito. Hoje os países-núcleos da globalização (os integrantes do G-7), distam, em qualquer campo do conhecimento, anos-luz dos países do Terceiro Mundo (*).

Ninguém tem a resposta nem a solução para atenuar este abismo entre os ricos do Norte e os pobres do Sul que só se ampliou. No entanto, é bom que se reconheça que tais diferenças não resultam de um novo processo de espoliação como os praticados anteriormente pelo colonialismo e pelo imperialismo, pois não implicaram numa dominação política, havendo, bem ao contrário, uma aproximação e busca de intercâmbio e cooperação.

(*) Quanto à exportação de produtos da vanguarda tecnológica (microeletrônica, computadores, aeroespaciais, equipamento de telecomunicações, máquinas e robôs, equipamento científico de precisão, medicina e biologia e químicos orgânicos), Os EUA são responsáveis por 20,7%; a Alemanha por 13,3%; o Japão por 12,6%; o Reino Unido por 6,2%, e a França por 3,0% , etc..logo apenas estes 5 países detêm 55,8% da exportação mundial delas.

Imagina-se que a Globalização, seguindo o seu curso natural, irá enfraquecer cada vez mais os estados-nacionais surgidos há cinco séculos atrás, ou dar-lhes novas formas e funções, fazendo com que novas instituições supranacionais gradativamente os substituam.

Com a formação dos mercados regionais ou intercontinentais (Nafta, Unidade Européia, Comunidade Econômica Independente [a ex-URSS], o Mercosul e o Japão com os tigres asiáticos), e com a conseqüente interdependência entre eles, assentam-se às bases para os futuros governos transnacionais que, provavelmente, servirão como unidades federativas de uma administração mundial a ser constituída. É bem provável que ao findar o século 21, talvez até antes, a humanidade conhecerá por fim um governo universal, atingindo-se assim o sonho dos filósofos estóicos do homem cosmopolita, aquele que se sentirá em casa em qualquer parte da Terra.

Bibliografia

Braudel, Fernand - Civilização material, economia e capitalismo: séculos XV-XVIII- Editora Martins Fontes, São Paulo, 1996, 3 vols.
Carrion, Raul K.M., Vizentini, Paulo G. - Globalização, neoliberalismo, privatizações, Editora da Universidade, UFRGS, Porto Alegre, 1997 
Chaunu, Pierre - Conquista y explotación de los nuevos mundos - Editorial labor, Barcelona, 1973
Herkscher, Eli F. - La epoca mercantilista - Fondo de Cultura Económica, Mexico, 1943 
Kennedy, Paul - Preparando para o século XXI - Editora Campus, Rio de Janeiro, 1993 
Mauro, Frédéric - La expansión europea ( 1600-1870) - Editorial Labor, Barcelona, 1968 
Wallerstein, Immanuel - El sistema mundial, Siglo XXI editores, México, 1984, vol I e II

Fonte:  pesquisasonline.tripod.com

Globalização

O que é Globalização ?

Globalização é uma noção imprecisa (e ideológica) para designar o processo de mundialização do capital que caracteriza a nova etapa do desenvolvimento capitalista no limiar do século XXI.

Globalização é um novo regime de acumulação capitalista predominantemente financeiro que imprime a sua marca sob as mais diversas esferas da sociabilidade capitalista.

Globalização é uma fase sócio-histórica qualitativamente nova do capitalismo mundial que não pode ser identificada apenas com o processo de constituição do mercado mundial, que ocorre desde o século XV, nem pode ser identificada apenas com o imperialismo, uma fase superior do capitalismo, que se desenvolve desde os primórdios do século XX.

Na verdade, é uma etapa superior do mercado mundial e do imperialismo sob a predominância do capital financeiro que tende a promover um deslocamente qualitativo no movimento de conjunto da economia e da reprodução sistêmica do capitalismo mundial.

A globalização como mundialização do capital coloca, antes de tudo, novos e prementes desafios para a humanidade no limiar do século XXI.

A GLOBALIZAÇÃO E A NOVA ORDEM MUDIAL

1 - CONCEITO

GLOBALIZAÇÃO é um processo social que atua no sentido de uma mudança na estrutura política e econômica das sociedades, ocorrendo em ondas, com avanços e retrocessos separados por intervalos que podem durar séculos.

Historicamente, poderíamos citar quatro grandes globalizações:

IMPÉRIO ROMANO: através da força buscava-se formação do grande império. Tudo acontecendo enquanto os gregos filosofavam.;

GRANDES DESCOBERTAS: ocorrida entre os séculos XIV e XV, desvendaram-se novos continentes e foi aberto o caminho da Índia e da China;

SÉCULO XIX: logo após as Guerras napoleônicas quando ocorreu a colonização européia da África e da Ásia; o tratado de livre comércio entre França e Inglaterra; etc.

SEGUNDA GUERRA MUNDIAL: após a Segunda Guerra atingindo seu ápice com o colapso do socialismo em 1989/91.

2 - ASPECTOS POLÍTICOS

O papel do Estado diante da nova realidade mundial é um dos aspectos mais discutidos da Globalização, no seu ângulo mais político, com alguns estudiosos já antevendo o fim ou inutilidade do Estado.

A Globalização é um renascimento capaz de produzir uma revolução mundial nos planos de produção, produtividade e riqueza, impondo aos países e seus governantes uma realidade à qual devem se ajustar implacavelmente ou morrer no ostracismo da história. Entretanto, não há, na prática, uma receita pronta para o Estado ideal, orientando-se cada realidade por sua cultura nacional.

Nesse contexto, em face do Brasil ser um Estado patrimonialista, a reforma administrativa par torna-lo mais eficiente é considerada por demais complicada.

Assim, vem sendo elaborado para o País um projeto de reformulação radical do Estado brasileiro através da implantação do Estado gerencial, apadrinhado por Luiz Carlos Bresser Pereira desde 1990, e que apresenta como características:

Reconhece a necessidade de intervenção do Estado em muitos aspectos do mercado, especialmente para regulamentá-lo;
Defende a presença do governo na prestação de serviços sociais aos desfavorecidos , sobretudo na educação e saúde;
Não descuida das funções típicas como a defesa, coleta de impostos e diplomacia;
Utiliza-se como gestão da profissionalização do funcionário público;

Em suma, a emenda da Reforma Administrativa é essencial para a reinvenção do Estado, com alguns estudos de organismos mundiais reconhecendo que o Estado é a pedra angular das economias bem sucedidas. Para o Bird, por exemplo, o Estado eficaz precisa canalizar suas energias nas áreas básicas em que atua melhor e revigorar as instituições públicas, não existindo. Entretanto, uma receita única e sim uma estratégia de duas partes: a) tornar o papel do Estado mais compatível com sua capacidade e b) traçar regras de incentivo para que os funcionários trabalhassem melhor e fosse mais flexíveis.

3 - ASPECTOS ECONÔMICOS E SOCIAIS

 Globalização da economia significa integrar os mercados em nível mundial no sentido de que um produto, independentemente de sua origem ou procedência possa estar oferecido para consumo em qualquer parte do globo terrestre.

Algumas características definem este tipo de globalização:

As duas idéias chaves são o mercado e o consumidor;

O mercado pode ser planejado (economia fechada) ou espontâneo (economia aberta);

A principal entidade dentro da atividade econômica é o mercado, que tem como características, os seguintes tipos de operações:

TROCA VOLUNTÁRIA: o escambo foi a primeira forma de mercado;

LIMITES DA POLÍTICA ECONÔMICA: o sistema de mercado parece mais um jogo de troca, no qual todos os jogadores beneficiam-se por nele estarem envolvidos, limitados a regras que governam as trocas de mercado, buscando tratar todos com igualdade e dar o máximo de chances de cada um;

REDE DE PREÇOS: é o sistema de comunicação do mercado. A recompensa de cada participante do jogo depende do preço pelo qual ele consegue vender seu produto no mercado. Este preço funciona como sinal que torna um indivíduo capaz de contribuir para a satisfação das necessidades de outras pessoas, ao mesmo tempo que se empenha para satisfazer as suas;

 A globalização sob o aspecto da conveniência do consumidor, pode significar conforto e interesse econômico, porque permite obter produtos de qualidade a preços diferenciados.

 Do ponto de vista social, a globalização apresenta sinais de ser cada vez menos inclusiva, homogeinadora ou convergente, aumentando a polarização entre países e classes quanto à distribuição de riqueza, renda e emprego.

4 - CONCLUSÃO

Com a revolução das comunicações, o processo de globalização tornou-se mais rápido, além de ter se tornado mais abrangente, envolvendo não só o comércio e capitais, mas também telecomunicações, finanças e serviços antes cobertos por várias formas de proteção.

Após a queda do muro de Berlim restou apenas o império americano, mas até quando?

O fato de ainda sermos um país em construção, apresenta uma dupla vantagem: não repetir os erros deles e construir um país preservando a nossa cultura e nossos valores. Nossos problemas ainda são muitos e só poderemos solucioná-los com criatividade, através da educação e da informação.

Fonte:  www.sato.adm.br

Globalização

Apresentação

Nosso projeto de pesquisa versa sobre o fenômeno da globalização, que hoje assumiu uma proporção imaginável, de tamanha importância, e que estudamos sob o prisma da teoria e da prática. Observamos mais detalhadamente o fenômeno globalizador em relação às empresas, e como o mesmo afeta a vida da população.

Destacamos que o mundo está cada vez mais interligado, pois a tecnologia reduziu as barreiras naturais do tempo e do espaço. A intensidade e a rapidez com que se processa a globalização é muito maior. As economias internacionais estão muito abertas, o que favorece o crescimento do fluxo de comércio, investimentos e capital financeiro entre os países. As grandes corporações industriais e financeiras se estendem por todo o mundo. Bens de consumo e dinheiro circulam com velocidade nunca vista antes. Além disso, os investidores podem acompanhar on-line, ou em tempo real, através da tela de um computador, o que acontece nos quatro cantos do planeta.

Isso tudo faz com que os desdobramentos da globalização ultrapassem os limites da economia e comecem a provocar uma certa homogeneização cultural entre os países.

Definição do Problema

Falar em globalização é estar na moda. Porém, atribuir-lhe a culpa exclusiva dos mais incautos acontecimentos é, antes de mais nada, canalizar os erros e equívocos sociais, políticos e econômicos para uma palavra que, muitas vezes, vê-se usada por pessoas que nem mesmo sabem seu verdadeiro alcance. Definir com precisão o que seja a globalização é tarefa das mais árduas, pois, é um fenômeno antigo que somente nos últimos anos vem sendo sentido e absorvido por nós, brasileiros. Podemos explicá-la como sendo um misto de interligação acelerada de mercados nacionais e internacionais, ou a possibilidade de movimentar bilhões de dólares por computador em alguns segundos (como ocorre nas Bolsas de todo o mundo), ainda, como a "terceira revolução tecnológica" (processamento, difusão e transmissão de informações). Há, até mesmo, os que a denominam de "nova era da história humana".

No entanto, definições não são o ensejo perseguido por estas linhas.

O que se pretende, sim, é trazer à luz do questionamento como podemos (e devemos) nos beneficiar da globalização. O que fazer para nos tornarmos "usufrutuários" desse sistema globalizado que nos é imposto, sem a opção (por fatalidade) de voltar no tempo ou de direcionarmos nossos interesses simplesmente ao nível de mercado interno.

Justificativa

O fenômeno da globalização procede de algumas evoluções tecnológicas importantes: a da informática e a da comunicação. Com a disponibilização de informações em suas diversas formas, os mercados que antes guardavam distâncias e características distintamente insuperáveis, passaram a intercomunicar-se e a buscar produtos e serviços com fundamentos semelhantes, apesar de terem informações que os introduzam às necessidades das culturas locais.

As empresas que estão percebendo esse fenômeno e agindo de forma a se beneficiar dele estão conseguindo enfrentar melhor a competição, atualizar-se tecnologicamente de forma rápida e aproveitando-se mais cedo do surgimento de novas oportunidades de mercado.

O Brasil, que por muitos anos manteve seu mercado fechado aos produtos estrangeiros, acabou ficando um pouco alheio a esse movimento das grandes corporações que buscam visualizar os mercados de forma globalizante.

Agora, com os novos ventos de desenvolvimento e as recentes ações de abertura de mercado, urge que as grandes empresas brasileiras se mobilizem para entrar nessa nova onda.

Esta pesquisa se faz necessária para clarear as idéias e explicar através de exemplos práticos como as mudanças vêem acontecendo. Com isso temos vários tópicos a serem abordados e apresentados mostrando o que é a globalização que provoca tanto medo, e o que se pode esperar dela.

O que é globalização

Globalização é o conjunto de transformações na ordem política e econômica mundial que vem acontecendo nas últimas décadas. O ponto central da mudança é a integração dos mercados numa "aldeia-global", explorada pelas grandes corporações internacionais. Os Estados abandonam gradativamente as barreiras tarifárias para proteger sua produção da concorrência dos produtos estrangeiros e abrem-se ao comércio e ao capital internacional. Esse processo tem sido acompanhado de uma intensa revolução nas tecnologias de informação - telefones, computadores e televisão. As fontes de informação também se uniformizam devido ao alcance mundial e à crescente popularização dos canais de televisão por assinatura e da Internet. Isso faz com que os desdobramentos da globalização ultrapassem os limites da economia e comecem a provocar uma certa homogeneização cultural entre os países.

globalização é marcada pela expansão mundial das grandes corporações internacionais. A cadeia de fast-food McDonald's, por exemplo, possui 18 mil restaurantes em 91 países. Essas corporações exercem um papel decisivo na economia mundial. Outros pontos importantes desse processo são as mudanças significativas no modelo de produção das mercadorias. Auxiliadas pelas facilidades na comunicação e nos transportes, as transnacionais instalam suas fábricas em qualquer lugar do mundo onde existam as melhores vantagens fiscais, mão-de-obra e matérias-primas baratas. Essa tendência leva a uma transferência de empregos dos países ricos - que possuem altos salários e inúmeros benefícios - para as nações industriais emergentes, como os Tigres Asiáticos. O resultado desse processo é que, atualmente, grande parte dos produtos não tem mais uma nacionalidade definida. Um automóvel de marca norte-americana pode conter peças fabricadas no Japão, ter sido projetado na Alemanha, montado no Brasil e vendido no Canadá.

A rápida evolução e a popularização das tecnologias da informação (computadores, telefone e televisão) têm sido fundamental para agilizar o comércio e as transações financeiras entre os países. O número de usuários da Internet, rede mundial de computadores, é de cerca de 50 milhões e tende a duplicar a cada ano, o que faz dela o meio de comunicação que mais cresce no mundo. E o maior uso dos satélites de comunicação permite que alguns canais de televisão sejam transmitidas instantaneamente para diversos países. Tudo isso permite uma integração mundial sem precedentes.

Os blocos econômicos são associações de países, em geral de uma mesma região geográfica, que estabelecem relações comerciais privilegiadas entre si e atuam de forma conjunta no mercado internacional. Um dos aspectos mais importantes na formação desses blocos é a redução ou na eliminação das alíquotas de importação, com vistas à criação de zonas de livre comércio. Os blocos aumentam a interdependência das economias dos países membros. A organização vem promovendo o aumento no volume de comércio internacional por meio da redução geral de barreiras alfandegárias. Esse movimento, no entanto, é acompanhado pelo fortalecimento dos blocos econômicos, que buscam manter maiores privilégios aos países membros.

Atualmente as empresas estão decidindo basicamente o que, como, quando e onde produzir os bens e serviços utilizados pelos seres humanos.

Para conseguir preços melhores e qualidade de mais alta tecnologia em sua guerra contra os concorrentes, as empresas cortaram custos, isto é, empregos, e ainda aumentaram muito os seus índices de automação, liquidando mais postos de trabalho. Nos estudos economistas, deu-se o nome de desemprego estrutural a essa tendência. O desemprego estrutural é um processo cruel porque significa que as fábricas robotizadas não precisam mais de tantos operários e os escritórios podem dispensar a maioria de seus datilógrafos, contadores e gerentes. Ele é diferente do desemprego que se conhecia até agora, motivado por recessões, que mais cedo ou mais tarde passavam. Os economistas apontam no desemprego estrutural um paradoxo do sistema de Globalização. Ele se ergueu para produzir coisas boas e baratas, vendidas numa escala planetária, fabricadas em grande parte por robôs, que são orientados por computadores. Com a globalização estão desaparecendo as fronteiras nacionais. Os governos não conseguem mais deter os movimentos do capital internacional, por isso, seu controle sobre a política econômica interna este se esgarçando.

O processo econômico sempre sofreu suas criticas de adaptação, mas as próprias crises sempre produziram as soluções.

Estratégias em um mundo sem fronteiras

A essência da estratégia é oferecer aos clientes um valor superior ao fornecido pelos concorrentes, da maneira mais econômica e sustentável. Hoje em dia, porém, milhares de concorrentes do mundo inteiro podem atender bem aos clientes. Para desenvolver uma estratégia eficaz, as pessoas que estão no papel de liderança devem entender o que está acontecendo no restante do mundo e reformular nossa organização para reagir de maneira adequada. Nenhum líder pode esperar conduzir uma empresa ao futuro sem entender o impacto comercial, político e social da economia global.

Logicamente, as barreiras existentes entre os mercados, as organizações e as nações estão caindo. Empresas e clientes estão entrando e saindo mais livremente dos países. A prestação de serviços e informações, atravessando o planeta, suplantou a manufatura como fonte primária de riqueza. E seja lá qual for seu negócio ou missão, o nome do jogo é inteligência.

Entretanto, o que chamamos de economia global é na verdade a conjunção de pelo menos cinco forças:

1. Progresso das economias regionais.

2. Tecnologia da informação e a nova mídia.

3. Culturas de consumo universais.

4. Padrões globais emergentes.

5. Custo empresarial compartilhado.

Progresso das economias regionais

Uma excursão econômica pelo planeta mostra a você uma vasta cadeia de zonas pulsantes, como Hong Kong, Kaohsiung (Taiwan), Penang (Malásia), Subic Bay (Filipinas) e Bangalore (Índia), todas pouco dependentes de um governo central. A excursão o leva a uma economia desigual nos Estados Unidos, onde a maioria das áreas metropolitanas ainda é relativamente fraca enquanto o Vale do Silício, a orla noroeste do Pacifico, parte do Texas e os estados montanhosos estão prosperando - as economias de algumas cidades nessas regiões crescem 20% ao ano. A excursão pára em países pequenos como Cingapura, Nova Zelândia e Irlanda, que estão crescendo de seis a sete por cento ao ano - muito mais rápido do que as maiores economias de seus respectivos vizinhos.

Além do mais, o surgimento de alianças globais, como a União Européia (UE), o Acordo Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta), a Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) e o Mercosul, marcam o declínio da soberania nacional. As linhas sólidas que delimitavam as fronteiras nacionais estão dando lugar a linhas pontilhadas, o que resulta na migração de capital, informação, produtos e serviços. E as regiões mais prósperas do mundo inverteram o papel tradicional do governo - de proteger as fracas indústrias nacionais para convidar corporações globais fortes que possam atender o mercado global a partir dessas localidades anfitriãs.

A ascensão de poderes regionais, dentro e além das fronteiras nacionais, está modificando as regras das negociações. Por exemplo, como uma empresa decide fazer negócios na China? Será que o risco é o mesmo em toda parte da grande massa de terra chinesa? Provavelmente não. Há chances de que Dalian e Cantão sejam hospitaleiras apesar do que se acontece em Pequim. Da mesma maneira, à medida que as fronteiras desaparecem na União Européia, é mais fácil investir em regiões menos desenvolvidas, cidades pequenas, em vez de grandes capitais.

Tecnologia da informação e a nova mídia

Segundo reportagem da Revista Veja de 03 de Abril de 1996, meios de comunicação digitais, tecnologia da informação e telecomunicações estão comandando a mudança econômica e social no mundo. Tão poderosa é essa força que uma nação inteira - a Malásia - fundamentou sua estratégia de desenvolvimento econômico no crescimento da alta tecnologia. A Malásia está criando, com efeito, um país dentro de outro país - o Multimedia Super Corridor (MSC), um trecho de cerca de 15 por 45 quilometros de antigas plantações ao sul de Kuala Lupur. O MSC fornecerá uma infra-estrutura de século XXI projetada segundo as especificações das principais empresas de alta tecnologia no mundo, e será a vitrine de oito 'aplicações principais', incluindo treinamento à distância, telemedicina e governo eletrônico.

Criar uma economia de tecnologia da informação requer não só linhas telefônicas de alta velocidade e instalações sofisticadas como também novas leis, políticas e relações comerciais, governamentais, individuais e comunitárias. A maioria dos países industrializados ainda não percebeu essa realidade. No Japão, por exemplo, o código educacional prescreve que professores e alunos devem estar no mesmo local - o que dificulta o ensino à distância. As leis médicas hoje exigem que o médico esteja no mesmo quarto que o paciente ou não se pode cobrar honorários. E o direito comercial proíbe a diretoria de qualquer empresa de se reunir por meio de teleconferência.

Naturalmente, a tecnologia da informação está desafiando não só as convenções legais como também as práticas empresariais. A Amazon tornou-se a maior livraria do mundo em um ano, sem existir fisicamente. Ela manipula três milhões de títulos e estabelece uma relação interativa com os clientes. Da mesma forma, softwares e CDs são agora distribuídos eletronicamente. Organizações de serviços também estão evitando os sistemas tradicionais de distribuição.

…possível que algumas profissões - como especialistas em declaração de imposto de renda, agentes de viagens e até mesmo, advogados - sucumbam ante a tecnologia da informação.

Culturas de consumo universais

A mídia globalizada está causando uma revolução cultural bem diferente da visualizada por Mao Tse-tung: o surgimento de uma classe mundial de consumidores formada principalmente por jovens. Com centenas de canais disponíveis pela CNN, pela Fox, pela Sky e pela MTV, consumidores de todas as partes sabem agora exatamente que produtos querem comprar - e as marcas desses produtos em geral são Nike, Sony, Disney, Toyota, Coca-Cola e McDonald's. Esses usuários universais - que se parecem com os adolescentes da Califórnia em termos de gostos, interesses e renda disponível - criam oportunidade de volume de vendas para os comerciantes globais. Poucos mercados domésticos podem alcançar o potencial de crescimento das economias em desenvolvimento no mundo todo.

Padrões globais emergentes

Com a homogeneização das preferências do consumidor vem o surgimento de padrões técnicos globais. Os órgãos oficiais mundiais já não ditam procedimentos formais para estabelecer padrões de transmissão de fax, por exemplo. Mais exatamente, algumas empresas globais capturam um mercado. O Windows da Microsoft e os microprocessadores da Intel criaram o Wintel, o padrão de fato da computação pessoal. A linguagem Java está se tornando universal na World Wide Web. Os códigos de habilitação estão cada vez mais convergindo para que as casas fabricadas nos Estados Unidos ou no Canadá possam ser exportadas para o Japão, reduzindo o custo de construção de moradia quase a metade. Empresas como MasterCard, Visa e American Express fixaram padrões de fato para o dinheiro eletrônico e as assinaturas digitais. O processo de instituição de padrões globais quase sempre é causal e não planejado, mas estabelece a base para uma enorme geração de riqueza.

Custo empresarial compartilhado

A maioria dos estrategistas empresariais preocupa-se com a questão de minimizar o custo e maximizar a receita, portanto não é de se espantar que esteja voltando sua atenção para o restante do mundo. A economia global oferece às empresas imensas oportunidades em ambos os lados da equação custo/receita. Elas podem aumentar a receita atendendo às expectativas de um bilhão de novos consumidores e, ao mesmo tempo, podem reduzir os custos fixos (manufatura, capital, P&D e fixação da marca) e variáveis (mão-de-obra e materiais). Elas não precisam necessariamente fazer as malas e transferir suas operações para o exterior. Todas as formas de aliança estratégicas, fusões e aquisições, franquias globais e terceirizações podem se traduzir em notáveis economias de custo. Enquanto as ofertas econômicas globais melhorarem a contribuição financeira para os custos fixos, empresas de todos os portes irão explora-las.

A guinada da estratégia empresarial convencional é dupla: a competitividade global é definitivamente uma corrida de inteligência e conhecimento, não de mão-de-obra barata, e a economia sem fronteiras gera oportunidades para empresas astutas de qualquer porte. A General Electric pode insistir em ser a número um ou dois em seu mercado, mas há vantagens em ser a número sete ou oito. A 'pequenez' nesse momento da história é uma virtude. Não há muito a perder reinventando-se. Você tem a chance de se tornar dez ou cem vezes maior, em vez de atingir um crescimento, na melhor das hipóteses, de 20 por cento. Usando a tecnologia de multimídia e de redes globais, ganha-se acesso à mesma tecnologia de comunicações e redes de comércio que as grandes empresas. Por meio de alianças, divisão de custos e elaboração criativa, as pequenas empresas podem ter grandes ambições. Podem explorar a deficiência comum em todas as grandes empresas: investir capital para fazer as coisas sempre do mesmo modo. Em outras palavras, uma empresa de grande porte terá menos flexibilidade para 'fazer bem' no século XXI.

Desemprego estrutural e os novos empregos

Segundo reportagem da Revista Veja de 03 de Abril de 1996, a crescente concorrência internacional tem obrigado as empresas a cortar custos, com o objetivo de obter preços menores e qualidade alta para os produtos. Nessa reestruturação estão sendo eliminados vários postos de trabalho, tendência que é chamada de desemprego estrutural. Uma das causas desse desemprego é a automação de vários setores, em substituição à mão de obra humana. Caixas automáticos tomam o lugar dos caixas de banco, fábricas robotizadas dispensam operários, escritórios informatizados prescindem datilógrafos e contadores. Nos países ricos, o desemprego também é causado pelo deslocamento de fábricas para os países com custo de produção mais baixos.

O fim de milhares de empregos, no entanto, é acompanhado pela criação de outros pontos de trabalho. Novas oportunidades surgem, por exemplo, na área de informática, com o surgimento de um novo tipo de empresa, as de "inteligência intensiva", que se diferenciam das industrias de capital ou mão de obra intensiva. A IBM, por exemplo, empregava 400 mil pessoas em 1990, mas, desse total, somente 20 mil produziam máquinas. O restante estava envolvido em áreas de desenvolvimento de outros computadores - tanto em hardware como em software - gerenciamento e marketing. Mas a previsão é de que esse novo mercado de trabalho dificilmente absorverá os excluídos, uma vez que os empregos emergentes exigem um alto grau de qualificação profissional. Dessa forma, o desemprego tende a se concentrar nas camadas menos favorecidas, com baixa instrução escolar e pouca qualificação.

Blocos econômicos

São associações de países, em geral de uma mesma região geográfica, que estabelecem relações comerciais privilegiadas entre si e atuam de forma conjunta no mercado internacional. Um dos aspectos mais importantes na formação dos blocos econômicos é a redução ou a eliminação das alíquotas de importação, com vistas à criação de zona de livre comércio. Os blocos aumentam a interdependência das economias dos países membros.

O primeiro bloco econômico aparece na Europa, com a criação , em 1957, da Comunidade Econômica Européia. Mas a tendência de regionalização da economia só é fortalecida nos anos 90: o desaparecimento dos dois grandes blocos da Guerra Fria, liderados pelos EUA e URSS, estimula a formação de zonas independentes de livre-comércio, um dos processos de globalização. Atualmente, os mais importantes são: o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), a União Européia (EU), o Mercado Comum do Sul (Mercosul), a Cooperação Econômica da ¡sia e do Pacifico (Apec) e em menor grau o Pacto Andino, a Comunidade do Caribe e Mercado Comum (Caricom), a Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), a Comunidade da ¡frica Meridional para o desenvolvimento (SADC).

No plano mundial, as relações comerciais são reguladas pela Organização Mundial do Comércio (MC), que substitui o Acordo Geral de Tarifas e Comércio (Gatt), criado em 1947. A organização vem promovendo o aumento no volume de comércio internacional por meio da redução geral de barreiras alfandegárias. Esse movimento, no entanto, é acompanhado pelo fortalecimento dos blocos econômicos, que buscam manter maiores privilégios aos países- membros.

Discussão Bibliográfica

"A globalização está multiplicando a riqueza e desencadeando forças produtivas numa escala sem precedentes. Tornou universais valores como a democracia e a liberdade. Envolve diversos simultâneos: a difusão internacional da notícia, redes como a Internet, o tratamento internacional de temas como meio ambiente e direitos humanos e a integração econômica global." FERNANDO HENRIQUE CARDOSO - Veja, 3 de Abril, 1996 - página 82

"A globalização é a revolução do fim do século. Com ela, a conjuntura social e política das nações passam a ser desimportante na definição de investimentos. O individuo torna-se uma peça na engrenagem da corporação. Os países precisam-se ajustar para permanecer competitivos numa economia global - e aí não podem ter mais impostos, mais encargos ou mais inflação que os outros." ANTÓNIO DELFIM NETO - Veja, 3 de Abril, 1996 - página 83

"A globalização é tão velha como Matusalém. O Brasil é produto da expansão do capitalismo europeu do final do século XV. O que está havendo agora é uma aceleração. Isso pode ser destrutivo para o Brasil, se o país na administrar sua participação no processo. A globalização é boa para as classes mais favorecidas. As menos favorecidas ficam sujeitas a perder o emprego." PAULO NOGUEIRA BATISTA JUNIOR - Veja, 3 de Abril, 1996 - página 84

"A globalização começou na década de 70, a partir do aumento da produção das empresas, e foi acelerada porque as empresas precisam estar em vários países para se aproveitar das variações cambiais. Além disso, a globalização é uma bolha especulativa, que se expressa no mercado de derivativos. … a jogatina da moeda diária. Isso afeta empregos. Há uma recessão também globalizada." MARIA DA CONCEIÇÃO TAVARES - Veja, 3 de Abril, 1996 - página 86

"As políticas internacionais uniformizaram mecanismos de produção para obter maior produtividade. Quando a globalização é usada para melhorar a vida das pessoas descobrindo um remédio, por exemplo, ela é positiva. Mas a tendência é de que se desconsidere o ser humano, aumentando o desemprego. Os que estão empregados tem que estar integrados com os avanços tecnológicos." VICENTE PAULO DA SILVA - Veja, 3 de Abril, 1996 - página 87

"A globalização é um fenômeno tão importante quanto a Revolução Industrial ou a reorganização capitalista da década de 30. … a integração econômica e tecnológica dos países. A globalização da economia não é um processo ideológico. … um movimento de transformação social e de produção que vai permitir melhoria da qualidade de vida do cidadão e domínio das potencialidades naturais." PAULO PAIVA - Veja, 3 de Abril, 1996 - página 88

"Com a globalização, a vantagem de localização que um país tinha na produção de algum bem passa a ser ameaçada pela competição internacional. Se o brasileiro não tem preço competitivo, perde mercado para empresas da índia. Mas, ao mesmo tempo em que traz risco, a globalização cria oportunidades. A única barreira que fica entre países e empresas é a da competência." SERGIO ABRANCHES - Veja, 3 de Abril, 1996 - página 89

Hipóteses

Pode-se iniciar dizendo que, para sobreviver em um processo crescente de globalização é necessário qualificar mão-de-obra. Nesse raciocínio, certamente os países mais pobres irão perder com a desvalorização das matérias-primas que exportam e o atraso tecnológico. Sem pretensões, ciente da atual conjuntura social em que estamos inseridos, já é passada a hora de nós, brasileiros, priorizarmos a educação, buscando um aprimoramento constante e evolutivo, não nos contentando apenas com a graduação oferecida pelos bancos universitários. Há que se buscar mais, bem mais. Cursos, pós-graduações e outras maneiras capazes de nos ampliar os horizontes e nos transformar em visionários do mundo, do mundo real que nos é posto.

Para tanto, devemos estar cientes que a época do lucro fácil, do pouco esforço com muito retorno é passado. Ingressamos em um processo que se caracteriza como a antítese da era de prosperidade vivida nas primeiras décadas do pós-guerra. Caminhamos a passos de ganso para o embate da luta cotidiana, em que serão vencedores os que verdadeiramente lutarem para isso. Como bem disse o cientista Victor Bulmer-Thomas (professor emérito de Economia da Universidade de Londres) "é irreal achar que os resultados do final da década de 60 e da primeira metade dos anos 70 irão se repetir. Milagres são chamados dessa forma porque são raros". … hora de pensarmos no Brasil de hoje, abandonando a vetusta frase "o Brasil é o país do futuro"

Nos defrontamos como uma tendência nada virtual que são as dificuldades no setor financeiro experimentadas por todos. Óbices estes que, se por um lado nos desgastam física e intelectualmente, pelo corre-corre de conciliar inúmeras tarefas (muitas vezes antagônicas), por outra ótica, são capazes de nos tornar seres mais criativos, entusiastas, apaixonados pela possibilidade de vencer as barreiras e alcançar objetivos gloriosos. E, é justamente esse sentimento de capacidade, aliado à segurança e cidadania perenes, que deve estar presente na vida do ano 2000 e doravante, de todos os brasileiros. Historicamente, tem sido essa fé inabalável na capacidade de gerar sucesso o ponto comum entre todos os grandes empreendedores. Destarte, sejamos todos usufrutuários dos benefícios (e malefícios) advindos da globalização e, através de uma percepção correta acerca do que é interessante para o mercado e muito trabalho, façamos do fracasso apenas mais uma etapa até o sucesso.

Conclusão

Uma das características da globalização é a competição feroz entre as empresas para conseguir baixar preços e oferecer produtos melhores. Isso implica corte de custos, que na maioria das vezes quer dizer corte de empregos. A globalização obriga as empresas a enfrentar uma brutal transformação. Elas precisam ser mais competitivas para enfrentar a concorrência estrangeira.

Para conseguir preços melhores e qualidade da mais alta tecnologia na guerra contra os concorrentes, as empresas cortaram custos. Esse corte se torna mais visível no emprego, devido à automação e à tecnologia que está cada vez mais presente.

Devemos estar conscientes de que a globalização em tempos de calmaria provoca mudanças positivas e em seus tempos de crise, arrasa economias frágeis.

Precisamos ainda aprender a controlar as forças desencadeadas pela globalização para que esta não provoque efeitos negativos para a maioria da população.

Enfatizamos que a globalização não é uma coisa boa ou má, ela ocorre desde o principio das civilizações, mas ficou evidente somente nessas últimas décadas com o desenvolvimento tecnológico e as grandes mudanças que vem ocorrendo.

Caroline Tamara de Stefano Lígia de Oliveira

Bibliografia

Daniels, John L. & Daniels, Caroline. Visão Global: Criando novos modelos para as empresas do futuro. São Paulo: Makron Books, 1996.
Kanter, Rosabeth Moss. De líder para líder: Como os locais podem vencer competições globais.
Revista Veja. São Paulo: Abril, 03 abr 1996. p.80-89
Revista Veja. São Paulo: Abril, edição 1582, 27 jan 1999. p.46-53
Internet. O que é globalização.

Fonte:  www.maurolaruccia.adm.br

Globalização

ONTEM E HOJE

Globalização

A expressão "globalização" tem sido utilizada mais recentemente num sentido marcadamente ideológico, no qual assiste-se no mundo inteiro a um processo de integração econômica sob a égide do neoliberalismo, caraterizado pelo predomínio dos interesses financeiros, pela desregulamentação dos mercados, pelas privatizações das empresas estatais, e pelo abandono do estado de bem-estar social.

Esta é uma das razões dos críticos acusarem-na, a globalização, de ser responsável pela intensificação da exclusão social (com o aumento do número de pobres e de desempregados) e de provocar crises econômicas sucessivas, arruinando milhares de poupadores e de pequenos empreendimentos.

No texto que se segue não trataremos deste fenômeno no sentido ideológico mas sim no seu significado histórico. Demonstramos que o processo de globalização ( aqui entendido como integração e interdependência econômica) deita suas raizes há muito tempo atrás, no mínimo há 5 séculos, passando desde então por etapas diversas. Aqui o termo é empregado para fins específicos de uma síntese histórica, bem distante das manipulações ideológicas que possam ele sofrer. Portanto, para nós, ele tem um significado mais profundo e não apenas propagandístico.

As Economias - Mundo antes das Descobertas

Antes de ter início a primeira fase da globalização, os Continentes encontravam-se separados por intransponíveis extensões acidentadas de terra e de águas, de oceanos e mares, que faziam com que a maioria dos povos e das culturas soubessem da existência uma das outras apenas por meio de lendas, com a do Preste João, ou imprecisos e imaginários relatos de viajantes, como o de Marco Polo. Cada povo viva isolado dos demais, cada cultura era auto-suficiente. Nascia, vivia e morria no mesmo lugar, sem tomar conhecimento da existência dos outros.

Até o século 15 identificamos 5 economias-mundo (é uma expressão de Fernand Braudel), totalmente autonomas, espalhadas pela Terra e que viviam separadas entre elas. A primeira delas, a da Europa, era composta pelas cidades italianas de Gênova, Veneza, Milão e Florença, que mantinham laços comerciais e financeiros com o Mediterrâneo e o Levante onde possuiam importantes feitorias e bairros comerciais.

Bem mais ao norte, na França setentrional, vamos encontrar outra área comercial significativa na região de Flandres, formada pelas cidades de Lille, Bruges e Antuérpia, vocacionadas para os negócios com o Mar do Norte. No Mar Báltico entrava-se a Liga de Hansa, uma cooperativa de mais de 200 cidades mercantes lideradas por Lübeck e Hamburgo, que mantinham um eixo comercial que ia de Novgorod, na Rússia, até Londres na Inglaterra.

No sudeste europeu, por então, agoniza o comércio bizantino (que atuava no mar Egeu e no mar Negro), pressionado pela expansão dos turcos que terminaram por ocupar a grande cidade em 1453, enquanto que a Rússia via-se limitada pelos Canatos Mongóis que ocupavam boa parte do leste do país.

Outra economia-mundo era formada pela China e regiões tributárias como a península coreana, a Indochina e a Malásia, e que só se ligava com a Ásia Central e o Ocidente através da rota da seda. O seu maior dinamismo econômico encontrava-se nas cidades do sul como Cantão e do leste como Xangai, grande portos que faziam a função de vasos comunicantes com os arquipélagos do Mar da China.

A Índia, por sua vez, graças a sua posição geográfica, traficava num raio econômico mais amplo. No noroeste, pelo Oceano Índico e pelo Mar Vermelho, estabelecia relações com mercadores árabes que tinham feitorias em Bombaim e outros portos da Índia ocidental, enquanto que comerciantes malaios eram acolhidos do outro lado, em Calcutá. Seu imenso mercado de especiarias e tecidos finos era afamado, mas só pouca coisa chegava ao Ocidente graças ao comércio com o Levante. Foi a celebração das suas riquezas que mais atraiu a cobiça dos aventureiros europeus como o lusitano Vasco da Gama.

Subdividida pelo deserto do Saara numa África árabe ao Norte, que ocupa uma faixa de terra a beira do Mediterrâneo e Vale do rio Nilo, com relações comerciais mais ou menos intensas com os portos europeus e, ao Sul, numa outra África, a África negra, isolada do mundo pelo deserto e pela floresta tropical, formava um outro planeta econômico totalmente a parte, voltado para si mesmo.

Por último, mas desconhecida das demais, encontrava-se aquela formada pelas civilizações pré-colombianas, a Azteca no México, a dos Maias no Yucatan e no istmo, e a Inca no Peru , organizadas ao redor do cultivo do milho e na elaboração de tecidos, sendo elas auto-suficientes e sem interligações entre si, nem terrestres nem oceânicas.

Durante milhares de anos elas desconheceram-se e nem imaginavam que algum dia poderiam estabelecer relações significativas. Se é certo que em suas bordas haviam escambo ou comércio, eles eram insignificantes. Portanto, numa longa perspectiva, pode-se dizer que a internacionalização do comércio e a aproximação das culturas é um fenômeno recentíssimo, datando dos últimos cinco séculos, apenas 10% do tempo da história até agora conhecida.

PRIMEIRA FASE

"Por mares nunca dantes navegados/.....Em perigos e guerra esforçados, mais do que prometia a força humana/ E entre gente remota edificaram/ Novo reino, que tanto sublimaram" - Luís de Camões - Os Lusíadas, Canto I, 1572.

Há, como em quase tudo que diz respeito à história, grande controvérsia em estabelecer-se uma periodização para estes cinco séculos de integração econômica e cultural, que chamamos de globalização, iniciados pela descoberta de uma rota marítima para as Índias e pelas terras do Novo Mundo.

Frédéric Mauro, por exemplo, prefere separá-lo em dois momentos, um que vai de 1492 até 1792 (data quando, segundo ele, a Revolução Francesa e a Revolução Industrial fazem com que a Europa, que liderou o processo inicial da globalização, voltou-se para resolver suas disputas e rivalidades), só retomando a expansão depois de 1870, quando amadureceram as novas técnicas de transporte e navegação como a estrada-de-ferro e o navio vapor.

No critério por nós adotado, consideramos que o processo de globalização ou de economia-mundo capitalista como preferiu Immanuel Wallerstein, nunca se interrompeu. Se ocorreram momentos de menor intensidade, de contração, ela nunca chegou a cessar totalmente. De certo modo até as grandes guerras mundiais de 1914-18 e de 1939-45, e antes delas a Guerra dos 7 anos (de 1756-1763), provocaram a intensificação da globalização quando adotaram-se macro-estratégias militares para acossar os adversários, num mundo quase inteiramente transformado em campo de batalha. Basta recordar que soldados europeus, nas duas maiores guerras do século 20, lutavam entre si no Oriente Médio e na África, enquanto que tropas colônias desembarcavam na Europa e marchavam para os campos de batalha nas planícies francesas enquanto que as marinhas européias, americanas e japonesas se engalfinhavam em quase todos os mares do mundo.

Assim sendo, nos definimos pelas seguintes etapas: primeira fase da globalização, ou primeira globalização, dominada pela expansão mercantilista (de 1450 a 1850) da economia-mundo européia, a segunda fase, ou segunda globalização, que vai de 1850 a 1950 caracterizada pelo expansionismo industrial-imperialista e colonialista e, por última, a globalização propriamente dita, ou globalização recente, acelerada a partir do colapso da URSS e a queda do muro de Berlim, de 1989 até o presente.

A primeira globalização, resultado da procura de uma rota marítima para as Índias, assegurou o estabelecimento das primeiras feitorias comerciais européias na Índia, China e Japão, e, principalmente, abriu aos conquistadores europeus as terras do Novo Mundo. Feitos estes que Adam Smith, em sua visão eurocêntrica, considerou os maiores em toda a história da humanidade. Enquanto as especiarias eram embarcadas para os portos de Lisboa e de Sevilha, de Roterdã e Londres, milhares de imigrantes iberos, ingleses e holandeses, e, um bem menor número de franceses, atravessaram o Atlântico para vir ocupar a América.

Aqui formaram colônias de exploração, no sul da América do Norte, no Caribe e no Brasil, baseadas geralmente num só produto (açúcar, tabaco, café, minério, etc..) utilizando-se de mão de obra escrava vinda da África ou mesmo indígena; ou colônias de povoamento, estabelecidas majoritariamente na América do Norte, baseadas na média propriedade de exploração familiar. Para atender as primeiras, as colônias de exploração, é que o brutal tráfico negreiro tornou-se rotina, fazendo com que 11 milhões de africanos (40% deles destinados ao Brasil) fossem transportados pelo Atlântico para labutar nas lavouras e nas minas.

Igualmente não deve-se omitir que ela promoveu uma espantosa expropriação das terras indígenas e no sufocamento ou destruição da sua cultura. Em quase toda a América ocorreu uma catástrofe demográfica, devido aos maus tratos que a população nativa sofreu e as doenças e epidemias que os devastram, devido ao contato com os colonizadores europeus.

Nesta primeira fase estrutura-se um sólido comércio triangular entre a Europa (fornecedora de manufaturas) África (que vende seus escravos) e América (que exporta produtos coloniais). A imensa expansão deste mercado favorece os artesãos e os industriais emergentes da Europa que passam a contar com consumidores num raio bem mais vasto do que aquele abrigado nas suas cidades, enquanto que a importação de produtos coloniais faz ampliar as relações inter-européias. Exemplo disso ocorre com o açúcar cuja produção é confiada aos senhores de engenho brasileiros, mas que é transportado pelos lusos para os portos holandeses, onde lá se encarregam do seu refino e distribuição.

Os principais portos europeus, americanos e africanos desta primeira globalização encontram-se em Lisboa, Sevilha, Cádiz, Londres, Liverpool, Bristol, Roterdã, Amsterdã, Le Havre, Toulouse, Salvador, Rio de Janeiro, Lima, Buenos Aires, Vera Cruz, Porto Belo, Havana, São Domingo, Lagos, Benin, Guiné, Luanda e Cidade do Cabo.

Politicamente, a primeira fase da globalização se fez quase toda ela sob a égide das monarquias absolutistas que concentram enorme poder e mobilizam os recursos econômicos, militares e burocráticos, para manterem e expandirem seus impérios coloniais. Os principais desafios que enfrentam advinham das rivalidades entre elas, seja pelas disputas dinásticas-territoriais ou pela posse de novas colônias no além mar, sem esquecer-se do enorme estragos que os corsários e piratas faziam, especialmente nos séculos 16 e 17, contra os navios carregados de ouro e prata e produtos coloniais.

A doutrina econômica desta primeira fase foi o mercantilismo, adotado pela maioria das monarquias européias para estimular o desenvolvimento da economia dos reinos. Ele compreendia numa complexa legislação que recorria a medidas protecionistas, incentivos fiscais e doação de monopólios, para promover a prosperidade geral. A produção e distribuição do comércio internacional era feita por mercadores privados e por grandes companhias comerciais (as Cias. inglesas e holandesas das Índias Orientais e Ocidentais) e, em geral, eram controladas localmente por corporações de ofício.

Todo o universo econômico destinava-se a um só fim, entesourar, acumular riqueza. O poder de um reino era aferido pela quantidade de metal precioso (ouro, prata e jóias preciosas) existente nos cofres reais.

Para assegurar seu aumento o estado exercia um sério controle das importações e do comércio com as colônias, sobre as quais exerciam o oligopólio bilateral. (*)Esta política levou a que cada reino europeu terminasse por se transformar num império comercial, tendo colônias e feitorias espalhadas pelo mundo todo ( os principais impérios coloniais foram o inglês, o espanhol, o português, o holandês e o francês). Um dos símbolos desta época, a bolsa de valores de Amberes, consciente do que representava, tinha como justo lema a frase latina "Ad usum mercatorum cujusque gentis ac linguae", que ela servia aos mercadores de todas as línguas da terra.

(*) o oligopólio bilateral é uma expressão que serve para descrever a situação de subordinação em que as colônias se encontravam perante as metrópoles. Além de estarem impedidas de negociarem com outros países, elas eram obrigadas a adquirir suas necessidades apenas com negociantes e mercadoresmetropolitanos bem como somente vender a eles o que produziam, desta forma a metrópole ganhava ao vender e ao comprar.

SEGUNDA FASE

"Por meio de sua exploração do mercado mundial ,a burguesia deu um caráter cosmopolita à produção e ao consumo em todos os países...As velhas indústrias nacionais foram destruídas ou estão-se destruindo-se dia a dia....Em lugar das antigas necessidades satisfeitas pela produção nacional, encontramos novas necessidades que querem para a sua satisfação os produtos das regiões mais longínquas e dos climas os mais diversos. Em lugar do antigo isolamento local...desenvolvem-se, em todas as direções, um intercâmbio e uma interdependência universais.." - Karl Marx - Manifesto Comunista, 1848.

Os principais acontecimentos que marcam a transição da primeira fase da globalização para a segunda dão-se nos campos da técnica e da política. A partir do século 18, a Inglaterra industrializa-se aceleradamente e, depois dela, a França, a Bélgica, a Alemanha e a Itália. A máquina à vapor é introduzida nos transportes terrestres (estradas-de-ferro) e marítimos (barcos vapor) Conseqüentemente esta nova época será regida pelos interesses da indústria e das finanças, sua associada e, por vezes amplamenente dominante, e não mais das motivações dinásticas-mercantís. Será a grande burguesia industrial e bancária, e não mais os administradores das corporações mercantis e os funcionários reais quem liderará o processo. Esta interpenetração dos bancos com a indústria, com tendências ao monopólio ou ao oligopólio, fez com que o economista austríaco Rudolf Hilferding a denominasse de "O Capital Financeiro" (Das Finanz kapital, titulo da sua obra publicado em 1910), considerando-a um fenômeno novo da economia-politica moderna. Lenin definiu-a como a etapa final do capitalismo, a etapa do imperialismo.

Luta ele - o capital financeiro - pela ampliação dos mercados e pela obtenção de novas e diversas fontes de matérias primas. A doutrina econômica em que se baseia é a do capitalismo laissez-faire, um liberalismo radical inspirado nos fisiocratas franceses e apoiado pelos economistas ingleses Adam Smith e David Ricardo que advogavam a superação do Mercantilismo com suas políticas arcaicas. Defendem o livre-cambismo na relações externas, mas em defesa das suas indústrias internas continuam em geral protecionistas, como é o caso da política Hamiltoniana nos Estados Unidos e a da Alemanha Imperial e a do Japão(*).

A escravidão que havia sido o grande esteio da primeira globalização, tornou-se um impedimento ao progresso do consumo e, somada à crescente indignação que ela provoca, termina por ser abolida, primeiro em 1789 e definitivamente em 1848 ( no Brasil ela ainda irá sobreviver até 1888). Este segundo momento - segundo a orientação do que Hobson chamou de "a politica de uma minoria sem escrúpulos" -, irá se caracterizar pela ocupação territorial de certas partes da África e da Ásia, além de estimular o povoamento das terras semi-desocupadas da Austrália e da Nova Zelândia.

No campo da política a revolução americana de 1776 e a francesa de 1789, irão liberar enorme energia fazendo com que a busca da realização pessoal termine por promover uma grande ascensão social das massas. Logo depois, como resultado das Guerras Napoleônicas e da generalizada abolição da servidão e outros impedimentos feudais, milhões de europeus ( calcula-se em 60 milhões num século) abandonam seus lares nacionais e emigram em massa para os Estados Unidos, Canadá, e para a América do Sul (Brasil, Argentina, Chile e Uruguai).

A posse de novas colônias torna-se um ornamento na política das potências ( só a Grã-Bretanha possui mais de 50, ocupando inclusive áreas antieconômicas). O cobiçado mercado chinês finalmente é aberto pelo Tratado de Nanquim de 1842 e o Japão também é forçado a abandonar a política de isolamento da época Tokugawa ao assinar um tratado com os americanos em 1853-4.

Cada uma das potências européias rivaliza-se com as demais na luta pela hegemonia do mundo, ou como disse John Strachey: "lançaram-se unanimemente, numa rivalidade feroz...para anexar o resto do mundo". O resultado é um acirramento da corrida imperialista e da política belicista que levará os europeus à duas guerras mundiais, a de 1914-18 e a de 1939-45. Entrementes outros aspectos técnicos ajudam a globalização: o trem e o barco à vapor encurtam as distâncias, o telégrafo e , em seguida, o telefone, aproximam os continentes e os interesses ainda mais. E, principalmente depois do vôo transatlântico de Charles Lindbergh em 1927, a aviação passa a ser mais um elemento que permite o mundo tornar-se menor.

Nestes cem anos da segunda fase da globalização (1850-1950) os antigos impérios dinásticos desabaram (o dos Bourbons em 1789 e, definitivamente, em 1830, o dos Habsburgos e dos Hohenzollers em 1914, o dos Romanov em 1917) Das diversas potências que existiam em 1914 (O Império britânico, o francês, o alemão, o austro-húngaro, o italiano, o russo e o turco otomano) só restam depois da 2ª Guerra, as superpotências: os Estados Unidos e a União Soviética.

Feridas pelas guerras as metrópoles deram para desabar, obrigando-se a aceitar a libertação dos povos coloniais que formaram novas nações. Mesmo assim, umas independentes e outras neocolonizadas, continuaram ligadas ao sistema internacional. Somam-se, no pós-1945, os países do Terceiro Mundo recém independente (a Índia é a primeira a obtê-la em 1947) às nações latino-americanas que conseguiram sua autonomia política entre 1810-25, ainda no final da primeira fase da globalização. No entanto nem a descolonização nem as revoluções comunistas, a da Rússia de 1917 e a da China de 1949, servirão de entrave para que a mais longo prazo o processo de globalização seja retomado.

(*) Os países industrializados defendem o livre-cambismo ( o preço melhor vence) quando se sentem fortes, como foi o caso da Inglaterra nos séculos 18 e 19 e hoje é a posição dominante dos E.U.A. Mas para aqueles que precisam criar sua própria indústria ou proteger a que está ainda se afirmando, precisam recorrer à política protecionista com suas elevadas barreiras alfandegárias para evitar sua quebra.

DESEQUILÍBRIOS E PERSPECTIVAS DA GLOBALIZAÇÃO

"Por meio de sua exploração do mercado mundial ,a burguesia deu um caráter cosmopolita à produção e ao consumo em todos os países...As velhas indústrias nacionais foram destruídas ou estão-se destruindo-se dia a dia....Em lugar das antigas necessidades satisfeitas pela produção nacional, encontramos novas necessidades que querem para a sua satisfação os produtos das regiões mais longínquas e dos climas os mais diversos. Em lugar do antigo isolamento local...desenvolvem-se, em todas as direções, um intercâmbio e uma interdependência universais.." - Karl Marx - Manifesto Comunista, 1848

Os principais acontecimentos que marcam a transição da primeira fase da globalização para a segunda dão-se nos campos da técnica e da política. A partir do século 18, a Inglaterra industrializa-se aceleradamente e, depois dela, a França, a Bélgica, a Alemanha e a Itália. A máquina à vapor é introduzida nos transportes terrestres (estradas-de-ferro) e marítimos (barcos à vapor) Conseqüentemente esta nova época será regida pelos interesses da indústria e das finanças, sua associada e, por vezes amplamenente dominante, e não mais das motivações dinásticas-mercantís. Será a grande burguesia industrial e bancária, e não mais os administradores das corporações mercantis e os funcionários reais quem liderará o processo. Esta interpenetração dos bancos com a indústria, com tendências ao monopólio ou ao oligopólio, fez com que o economista austríaco Rudolf Hilferding a denominasse de "O Capital Financeiro" (Das Finanz kapital, titulo da sua obra publicado em 1910), considerando-a um fenômeno novo da economia-politica moderna. Lenin definiu-a como a etapa final do capitalismo, a etapa do imperialismo.

Luta ele - o capital financeiro - pela ampliação dos mercados e pela obtenção de novas e diversas fontes de matérias primas. A doutrina econômica em que se baseia é a do capitalismo laissez-faire, um liberalismo radical inspirado nos fisiocratas franceses e apoiado pelos economistas ingleses Adam Smith e David Ricardo que advogavam a superação do Mercantilismo com suas políticas arcaicas. Defendem o livre-cambismo na relações externas, mas em defesa das suas indústrias internas continuam em geral protecionistas, como é o caso da política Hamiltoniana nos Estados Unidos e a da Alemanha Imperial e a do Japão(*).

A escravidão que havia sido o grande esteio da primeira globalização, tornou-se um impedimento ao progresso do consumo e, somada à crescente indignação que ela provoca, termina por ser abolida, primeiro em 1789 e definitivamente em 1848 ( no Brasil ela ainda irá sobreviver até 1888). Este segundo momento - segundo a orientação do que Hobson chamou de "a politica de uma minoria sem escrúpulos" -, irá se caracterizar pela ocupação territorial de certas partes da África e da Ásia, além de estimular o povoamento das terras semi-desocupadas da Austrália e da Nova Zelândia.

No campo da política a revolução americana de 1776 e a francesa de 1789, irão liberar enorme energia fazendo com que a busca da realização pessoal termine por promover uma grande ascensão social das massas. Logo depois, como resultado das Guerras Napoleônicas e da generalizada abolição da servidão e outros impedimentos feudais, milhões de europeus ( calcula-se em 60 milhões num século) abandonam seus lares nacionais e emigram em massa para os Estados Unidos, Canadá, e para a América do Sul (Brasil, Argentina, Chile e Uruguai).

A posse de novas colônias torna-se um ornamento na política das potências ( só a Grã-Bretanha possui mais de 50, ocupando inclusive áreas antieconômicas). O cobiçado mercado chinês finalmente é aberto pelo Tratado de Nanquim de 1842 e o Japão também é forçado a abandonar a política de isolamento da época Tokugawa ao assinar um tratado com os americanos em 1853-4.

Cada uma das potências européias rivaliza-se com as demais na luta pela hegemonia do mundo, ou como disse John Strachey: "lançaram-se unanimemente, numa rivalidade feroz...para anexar o resto do mundo". O resultado é um acirramento da corrida imperialista e da política belicista que levará os europeus à duas guerras mundiais, a de 1914-18 e a de 1939-45. Entrementes outros aspectos técnicos ajudam a globalização: o trem e o barco à vapor encurtam as distâncias, o telégrafo e , em seguida, o telefone, aproximam os continentes e os interesses ainda mais. E, principalmente depois do vôo transatlântico de Charles Lindbergh em 1927, a aviação passa a ser mais um elemento que permite o mundo tornar-se menor.

Nestes cem anos da segunda fase da globalização (1850-1950) os antigos impérios dinásticos desabaram (o dos Bourbons em 1789 e, definitivamente, em 1830, o dos Habsburgos e dos Hohenzollers em 1914, o dos Romanov em 1917) Das diversas potências que existiam em 1914 (O Império britânico, o francês, o alemão, o austro-húngaro, o italiano, o russo e o turco otomano) só restam depois da 2ª Guerra, as superpotências: os Estados Unidos e a União Soviética.

Feridas pelas guerras as metrópoles deram para desabar, obrigando-se a aceitar a libertação dos povos coloniais que formaram novas nações. Mesmo assim, umas independentes e outras neocolonizadas, continuaram ligadas ao sistema internacional. Somam-se, no pós-1945, os países do Terceiro Mundo recém independente (a Índia é a primeira a obtê-la em 1947) às nações latino-americanas que conseguiram sua autonomia política entre 1810-25, ainda no final da primeira fase da globalização. No entanto nem a descolonização nem as revoluções comunistas, a da Rússia de 1917 e a da China de 1949, servirão de entrave para que a mais longo prazo o processo de globalização seja retomado.

(*) Os países industrializados defendem o livre-cambismo ( o preço melhor vence) quando se sentem fortes, como foi o caso da Inglaterra nos séculos 18 e 19 e hoje é a posição dominante dos E.U.A. Mas para aqueles que precisam criar sua própria indústria ou proteger a que está ainda se afirmando, precisam recorrer à política protecionista com suas elevadas barreiras alfandegárias para evitar sua quebra.

GLOBALIZAÇÃO RECENTE

"O conceito do direito mundial de cidadania não os protege (os povos) contra a agressão e a guerra, mas a mútua convivência e proveito os aproxima e une. O espirito comercial, incompatível com a guerra, se apodera tarde ou cedo dos povos. De todos os poderes subordinados à força do Estado, é o poder do dinheiro que inspira mais confiança e por isto os Estados se vêm obrigados - não certamente por motivos morais- a fomentar a paz..." - I.Kant - A paz perpétua, 1795

No decorrer do século 20 três grandes projetos de liderança da globalização conflitaram-se entre si: o comunista, inaugurado com a Revolução bolchevique de 1917 e reforçado pela revolução maoista na China em 1949; o da contra-revolução nazi-fascista que, em grande parte, foi uma poderosa reação direitista ao projeto comunista, surgido nos anos de 1919, na Itália e na Alemanha, extendendo-se ao Japão, que foi esmagado no final da 2ª Guerra Mundial, em 1945; e, finalmente, o projeto liberal-capitalista liderado pelos países anglo-saxãos, a Grã-Bretanha e os Estados Unidos.

Num primeiro momento ocorreu a aliança entre o liberalismo e o comunismo (em 1941-45) para a auto-defesa e, depois, a destruição do nazi-fascismo. Num segundo momento os vencedores, os EUA e a URSS, se desentenderam gerando a guerra fria (1947-1989), onde o liberalismo norte-americano rivalizou-se com o comunismo soviético numa guerra ideológica mundial e numa competição armamentista e tecnológica que quase levou a humanidade a uma catástrofe (a crise dos mísseis de 1962).

Com a política da glasnost, adotada por Mikhail Gorbachov na URSS desde 1986, a guerra fria encerrou-se e os Estados Unidos proclamaram-se vencedores.

O momento símbolo disto foi a derrubada do Muro de Berlim ocorrida em novembro de 1989, acompanhada da retirada das tropas soviéticas da Alemanha reunificada e seguida da dissolução da URSS em 1991. A China comunista, por sua vez, que desde os anos 70 adotara as reformas visando sua modernização, abriu-se em várias zonas especiais para a implantação de indústrias multinacionais. A política de Deng Xiaoping de conciliar o investimento capitalista com o monopólio do poder do partido comunista, esvaziou o regime do seu conteúdo ideológico anterior. Desde então só restou hegemônica no moderno sistema mundial a economia-mundo capitalista, não havendo nenhuma outra barreira a antepor-se à globalização.

Chegamos desta forma a situação presente onde sobreviveu uma só superpotência mundial: os Estados Unidos. É a única que tem condições operacionais de realizar intervenções militares em qualquer canto do planeta (Kuwait em 1991, Haiti em 1994, Somália em 1996, Bosnia em 1997, etc..). Enquanto na segunda fase da globalização vivia-se na esfera da libra esterlina, agora é a era do dólar, enquanto que o idioma inglês tornou-se a língua universal por excelência. Pode-se até afirmar que a globalização recente nada mais é do que a americanização do mundo.

Fonte:  www.terra.com.br

Globalização

Os perigos da globalização

Muito se tem falado sobre o Pós-Modernismo e Globalização porém pouco se tem definido sobre tais conceitos: Afinal o que é Pós-Modernidade? O que é globalização?

A pós-modernidade nada mais é do que um período de transição indefinível, com mudanças de paradigmas e conceitos abstratos e subjetivos, onde ninguém consegue ao certo conceituá-la. Como todo "PÓS", somente o futuro dará um nome a esta tremenda confusão e indefinição para o momento que vivemos. Os contemporâneos não são os melhores observadores do momento histórico, pois o envolvimento emocional do momento vem permeado de aspectos ideológicos indissociáveis de um observador isento de quaisquer influências.

Globalização sempre existiu, basta lembrarmos de Hollywood, e para entender que este fenômeno (ou praga).

globalização é um produto Made in USA, que tomou força graças ao advento da Internet (pela Microsoft).

Vejamos alguns perigos da globalização na construção da nova sociedade do século XXI:

I - O perigo da construção de uma sociedade Hedonista. O prazer pelo prazer. Sexo, drogas e Música (Antigamente era Rock, agora é Funk) são objetivos prioritários para nossa juventude. Fico assustado quando ouço nos meios de comunicação de massas músicas com apologias ao crime organizado, drogas e a prática de sexo livre em grupo. Tais músicas fazem sucesso porque encontram guarita em um mundo globalizado, onde o ser humano tem procurado satisfazer suas necessidades básicas através de suas realizações de prazer. Creio que até Freud ficaria assustado com tanto libido social.

II - O perigo da construção de uma sociedade niilista. A Ausência total de referencial. Deleuze, filósofo francês, apontou uma crítica que Nietzsche fez à filosofia de Schopenhauer. Para Schopenhauer existe um nada de vontade, enquanto para Nietzsche existe a vontade do Nada. Hoje estamos vivemos mais um negativismo schopenhauerano do que o niilismo proposto por Nietzsche, que apropriou-se deste conceito da religião budista. Nossa sociedade caminha para uma ausência total de desejo, pois os velhos paradigmas estão sendo quebrados, porém não estamos construindo outros no lugar. Há uma total ausência de ícones na sociedade pós-moderna.

III - O perigo da construção de uma sociedade alienada. Nas grandes empresas falasse muito sobre a questão da transversalidade, associada à questão da qualidade total (a velha reengenharia , lembra-se?). Este modelo neo-liberal imperialista, seria melhor definível como "Transversalidade Ideológica". Missão, declaração de propósito, lema da empresa, seja qualquer que for o título que se emprega a esta modalidade, nada mais é do que a tentativa de desviar o homem dos temas centrais, reais e necessários à sua sobrevivência, senão alienar, principalmente os países do terceiro mundo, para os temas centrais que interessam tão somente aos imperialistas.

IV - O perigo da construção de uma sociedade de consumo adicto. O vício do consumismo. O importante é o ter e o consumir e não o ser e existir. O direito do cidadão virou direito do consumidor. Tudo agora está girando pela questão do patrocinador.

Recebi recentemente uma mensagem de um amigo sobre a mudança do hino nacional brasileiro, devido à exigências dos patrocinadores para 2002, e assim ficou o hino:

Num posto da Ypiranga, às margens plácidas, 
De um Volvo heróico Brahma retumbante 
Skol da liberdade em Rider fulgido 
Brilhou no Shell da Pátria nesse instante 
Se o Knorr dessa igualdade 
Conseguimos conquistar com braço Ford 
Em teu Seiko, ó liberdade 
Desafio nosso peito à Microsoft. 

O Parmalat, Mastercard, Sharp, Sharp 
Amil um sonho intenso, um rádio Philips 
De amor e de Lufthansa a terra desce 
Intel formoso céu risonho Olympicus 
A imagem do Bradesco resplandece. 

Gillet pela própria natureza 
És belo Escort impávido colosso 
E o teu futuro espelha essa Grendene. 
Cerpa gelada ! 
Entre outras mil é Suvinil, Compaq amada 
Do Philco deste Sollo és mãe Doril 
Coca Cola, Bombril!!!

V - O perigo da construção de uma sociedade individualista. A relação de competição é tão grande, que fica difícil identificar sociologicamente onde há conflito e competição. Estamos evoluindo para lei da selva. Meu pai falava sobre a lei do MURICI: Cada um cuida de si. Quando era criança não entendia muito o que ele queria dizer com isto, e ainda não sei se entendi plenamente, mas seja o que for estamos vivendo momentos em que as relações humanas não tem valor alguns, a não na base de troca. A pergunta básica é: O que eu vou ganhar com isso? Este individualismo acerbado tem trazido terríveis danos à nossa sociedade. Precisamos resgatar valores como cooperação, amizade, companheirismo, reciprocidade, etc.

VI - O perigo da construção de uma sociedade "tecnológicêntrica". Desde Descartes passamos a dotar o falso mito da racionalidade humana como veículo de domínio da explicação do mundo. Isto tomou força com o racionalismo Kantiano, onde a razão passa, através do turbilhão, ser o instrumento da visão e entendimento do mundo. O iluminismo permeado desta tão grande razão perpetuou tais conceitos culminando com Augusto Comte através de sua filosofia positivista, quando coloca o estágio tecnológico como sendo o final do processo evolutivo do homem (Mito-Filosia-Ciência). O tecnicismo e o cientificismo em que estamos mergulhados tende a um processo de desumanização da relações humanas. Estamos mais nos relacionando com máquinas do que com seres humanos. A máquina é o fim, o homem o meio. Devemos usar máquina e amar o ser humano, inverter esta ordem causa problemas.

VII - O perigo da construção de uma sociedade amoral. Diante das recentes descobertas científicas, principalmente na área biogenética, o homem precisa mais do que nunca, precisa estabelecer referenciais, condutas e posturas éticas para que não venhamos a proceder contra a própria natureza humana (se é que existe uma natureza humana no homem). A clonagem, a informações do mapeamento genético, os transgênicos, e outras novas descobertas colocam o homem na crucial questão: Qual é o limite do homem? Numa sociedade onde o capitalismo instaurou-se com único modelo econômico, onde o imperialismo oprime os mais fracos, onde o prazer está pelo prazer, onde a pornografia (principalmente a pedofilia) tem crescido assustadoramente e onde o comércio do narcotráfico é o mais rentável, o que devemos esperar desta sociedade?

VIII - O perigo da construção de uma sociedade com perda de identidade cultural. O imperialismo do Primeiro Mundo ocorre principalmente através do processo de globalização. Começa tal domínio se estabelecer através da linguagem, onde aportuguesamos várias expressões importada: Deletar, scanear etc. Não sou xenófobo - aquele que tem aversão ao que é estrangeiro, mas acredito na valorização daquilo que é nosso culturalmente, até como princípio de preservação de nossa identidade cultural. Também não sou tão radical, pois se formos considerar a cultura brasileira com sendo nossa identidade cultural, precisamos resgatar o tupi-guarani nas escolas e reavaliarmos a cultura afro-européia.

Concluo, se é que podemos concluir um assunto desta natureza, com uma pequena comparação: Um certo homem decidiu derrubar sua velha casa onde foi criado desde sua infância, e de um dia para outro demoliu tudo, porém não planejou a sua nova morada, ficando ao relento. Assim estamos vivendo nesta era da Pós-modernidade com terríveis Conseqüências deste mundo globalizado, onde estamos perdendo não somente nossa morada, mas principalmente nossa identidade. O que será do futuro ? Só o futuro dirá.

Fonte:  www.mundodosfilosofos.com.br

Globalização

Globalização tornou-se uma palavra que está em "moda", de um conceito muito amplo e abrangente, sendo empregada em diversas ocasiões, mas nem sempre com o mesmo significado. Poderíamos conceituar esse termo de forma básica como, o conjunto de transformações na ordem política e econômica mundial que vem acontecendo nas últimas décadas, onde o ponto central da mudança é a integração dos mercados numa "aldeia-global", explorada pelas grandes corporações internacionais.

Politicamente, os Estados trabalham gradativamente nas barreiras tarifárias para proteger sua produção da concorrência dos produtos estrangeiros e abrem-se ao comércio e ao capital internacional.

Mas economicamente estamos vendo crescer de maneira destacada o neoliberalismo, que é uma política econômica que visa a saída parcial do Estado da economia, deixando o mercado livre, por isso é que se vê a grande onda das privatizações existentes hoje.

Esse processo tem sido acompanhado de uma intensa revolução nas tecnologias de informação: telefones, computadores e televisão, contribuindo de forma surpreendente para a maior integração de todo o mundo.

As fontes de informação também se uniformizam devido ao alcance mundial e à crescente popularização dos canais de televisão por assinatura e da Internet. Isso faz com que a globalização ultrapasse os limites da economia e política, e comecem a provocar uma certa homogeneização cultural entre os países. Temos como exemplo disso a forte influência da cultura americana em todo o mundo.

Outro ponto de forte importância que vem se destacando na globalização, é a questão do meio ambiente, onde as empresas, cidadãos, instituições e ONG's se dedicam cada vez mais a conservar e restaurar esta.

Vemos isso nos diversos debates de alcance mundial que acontecem em torno desse assunto, e o surgimento de instituições como o GreenPeace, que tem caráter radical e postura firme contra a degradação da natureza.

Histórico da Globalização

Fatos históricos marcantes ocorridos entre o final da década de 1980 e o início da de 1990 determinaram um processo de rápidas mudanças políticas e econômicas no mundo.

Até mesmo os analistas e cientistas políticos internacionais foram surpreendidos pelos acontecimentos:

A queda do Muro de Berlim em 1989;

O fim da Guerra Fria;

O fim do socialismo real;

A desintegração da União Soviética, em dezembro de 1991, e seu desdobramento em novos Estados Soberanos (Ucrânia, Rússia, Lituânia etc.);

A explosão étnica ou das nacionalidades em vários lugares, acompanhada da guerra civil: antiga Iugoslávia, Geórgia, Chechênia etc.;

O fim da política do Apartheid e a eleição de Nelson Mandela para presidente, na África do Sul;

O acordo de paz entre Israel, OLP (organização para libertação da Palestina) e Jordânia;

A formação de blocos econômicos regionais (União Européia, Nafta, Mercosul, etc.);

O grande crescimento econômico de alguns países asiáticos (Japão, Taiwan, China, Hong-kong, Cingapura), levando a crer que constituirão a região mais rica do Século XXI;

O fortalecimento do capitalismo em sua atual forma, ou seja, o neoliberalismo;

O grande desenvolvimento científico e tecnológico ou Terceira Revolução Industrial ou Tecnológica.

Até praticamente 1989, ano da queda do Muro de Berlim, o mundo vivia no clima da Guerra Fria. De um lado, havia o bloco de países capitalistas, comandados pelo Estados Unidos, de outro, o de países socialistas, liderado pela ex-União Soviética, configurando uma ordem mundial bipolar.

A reformas iniciadas por Gorbatchev, na ex-União Soviética, em 1985, através da Perestroika e da Glasnost, foram pouco a pouco minando o socialismo real e, conseqüentemente, essa ordem mundial bipolar. A queda do Muro de Berlim, com a reunificação da Alemanha, e muitos outros acontecimentos do Leste Europeu alteraram profundamente o sistema de forças até então existente no mundo.

De um sistema de polaridades definidas passou-se, então, para um sistema de polaridades indefinidas ou para a multipolarização econômica do mundo. O confronto ideológico (capitalismo versus socialismo real) passou-se para a disputa econômica entre países e blocos de países.

O beneficiário dessa mudança, historicamente rápida, que deixou muitas pessoas assustadas, foi o sistema capitalista, que pôde expandir-se praticamente hegemônico na organização da vida social em todas as suas esferas (política, econômica e cultural). Assim, o capitalismo mundializou-se, globalizou-se e universalizou-se, invadiu os espaços geográficos que até então se encontravam sob o regime de economia centralmente planificada ou nos quais ainda se pensava poder viver a experiência socialista.

globalização não é um acontecimento recente. Ela se iniciou já nos séculos XV e XVI, com a expansão marítimo-comercial européia, conseqüentemente a do próprio capitalismo e continuou nos séculos seguintes.

O que diferencia aquela globalização ou mundialização da atual é a velocidade e abrangência de seu processo, muito maior hoje. Mas o que chama a atenção na atual é, sobretudo o fato de generalizar-se em vista da falência do socialismo real. De repente, o mundo tornou-se capitalista e globalizado.

Consequências da globalização

Mudança no papel do estado

É de suma importância saber que a questão da globalização não está apenas ligada à economia, mas também influencia no Estado, ou seja, este é "modificado" para que as exigências globais sejam cumpridas. Isto quer dizer que tanto a opinião pública internacional quanto o comportamento dos mercados passaram a desempenhar funções que antes não tinham na redefinição dos limites possíveis de ação do Estado.

Os países e seus líderes, estão sob vigilância constante da opinião pública internacional, sendo assim qualquer passo em falso poderá resultar em penalidades para estes países.

Um outro aspecto mudado no Estado em função da globalização, foi o de que suas ações governamentais deverão ser dirigidas agora para fazer com que as economias nacionais sustentem e desenvolvam condições para competir em escala global. Isso resulta na canalização de recursos para setores vitais do Estado como a educação, saúde e, este também, tem que estar preparados para assar para a mão de privados empresas antes administradas pelo Estado. Dessa forma acredita-se estar contribuindo para uma promoção de maior igualdade de oportunidades, aumentando o grau de mobilidade social.

Por isso, este Estado precisa ser ainda mais forte no desempenho de suas tarefas sociais e melhor preparado para regulamentar as atividades recentemente privatizadas.

Considerações políticas sobre a globalização

O mercado é, com certeza, um fator decisivo no que se diz respeito à globalização. É importante saber que o contorno dentre os quais o mercado atua, são definidos politicamente. Por isso é errado afirmar que tudo o que esta a favor das forças e mercado é visto como bom, positivo, isto é, fator de desenvolvimento pois, tem que se reconhecer que não há limites ao mercado que permitem países como o nosso atuar politicamente na defesa dos interesses nacionais.

globalização econômica é uma nova ordem mundial e, devemos aceitar este fato com sentido de realismo pois, ao contrário, nossas ações estarão destituídas de qualquer impacto efetivo. Isto significa uma perspectiva totalmente nova sobre as formas de agir na cena internacional.

Temos que admitir que a participação no economia mundial pode ser positiva se for manejada com cuidado, ou seja, o sucesso dessa integração depende de vários pontos como a articulação diplomática e as parcerias comercias adequadas e, da realização de reformas internas democraticamente conduzidas.

Globalização e a questão da inclusão e exclusão

globalização esta gerando uma nova divisão internacional onde se encontram os países que fazem parte do processo de globalização e os países que não fazem.

Os primeiros estariam associados à idéias de progresso, riqueza e, melhores condições de vida, já os outros estaria destinados à um mundo de exclusão, marginalização e, miséria.

É importante perceber que, apesar disso, a globalização produziu oportunidades para que mais países pudessem ingressar na economia mundial mas é preciso aproveitar as oportunidades dadas por esta economia através da adoção de um conjunto de políticas que incluem, entre outros, uma força de trabalho qualificada, aumento substancial da taxa de poupança doméstica, etc.

Em países em desenvolvimento mais complexo, a integração na economia global está sendo feita à custa de maior esforço de ajuste interno e numa época de competição internacional mais acirrada.

Mas, os países menores serão capazes de superar os desafios impostos pela globalização? Esta é uma questão que não pode ser deixada de fora pois não é possível a comunidade internacional conviver com a indiferença e a paralisia dos países mais pobres, pois estaríamos, assim, destinando-os ao fracasso, como se nada pudesse ser feito. Este é um ponto que deve ser ainda muito discutido em âmbito internacional.

REVOLUÇÃO TECNOCIENTÍFICA E A INTEGRAÇÃO DO MUNDO

A rápida evolução e a popularização das tecnologias da informação (computadores, telefones e televisão) têm sido fundamentais para agilizar o comércio e as transações financeiras entre os países. Em 1960, um cabo de telefone intercontinental conseguia transmitir 138 conversas ao mesmo tempo. Atualmente, com a invenção dos cabos de fibra óptica, esse número sobe para l,5 milhão. Uma ligação telefônica internacional de 3 minutos, que custava cerca de 200 em 1930, hoje em dia é feita por US$ 2. O número de usuários da Internet, rede mundial de computadores, é de cerca de 50 milhões e tende a duplicar a cada ano, o que faz dela o meio de comunicação que mais cresce no mundo. E o maior uso dos satélites de comunicação permite que alguns canais de televisão - como as redes de notícias CNN, BBC e MTV - sejam transmitidas instantaneamente para diversos países. Tudo isso permite uma integração mundial sem precedentes.

Vale destacar como forte novidade na área de tecnologia, e instrumento de integração entre as nações, a Internet. Está que já está presente nos principais países do mundo e que representa um novo ramo de mercado, o mercado virtual. Este é caracterizado por ser de alto risco e de certa forma abstrata, sendo valorizado por seu valor virtual.

Como fonte de divulgação de cultura e informações diversas, a Internet é a maravilha do século XXI, pois nunca a humanidade foi tão capaz e bem servida de informações como hoje em dia. Para nós já é simples fazer uma pesquisa para a escola em sites dos Estados Unidos, teclar com estudantes franceses, discutir com os ingleses e ainda pedir auxílio a um técnico do Canadá. Isso, com certeza, foi a grande revolução tecnocientífica.

AS TRANSNACIONAIS

globalização é marcada pela expansão mundial das grandes corporações internacionais. A cadeia de fast food McDonald's, por exemplo, possui 18 mil restaurantes em 91 países. Essas corporações exercem um papel decisivo na economia mundial. Para exemplificarmos a grandiosidade dessas empresas, existem pesquisas que levantaram o faturamento das nove maiores empresas do mundo, e que deram, somadas, todo o faturamento dos maiores países da América do Sul, mais a Nova Zelândia

Outros pontos importantes desse processo são as mudanças significativas no modo de produção das mercadorias. Seguindo as tendências de concentração e dispersão das empresas (vemos isso no Brasil através da concentração industrial no sudoeste e a gradativa dispersão para outras regiões), e auxiliadas pelas facilidades na comunicação e nos transportes, as transnacionais instalam suas fábricas em qualquer lugar do mundo onde existam as melhores vantagens fiscais, mão-de-obra e matérias-primas baratas. Essa tendência leva a uma transferência de empregos dos países ricos - que possuem altos salários e inúmeros benefícios - para as nações industriais emergentes, como os Tigres Asiáticos. O resultado desse processo é que, atualmente, grande parte dos produtos não tem mais uma nacionalidade definida. Um automóvel de marca norte-americana pode conter peças fabricadas no Japão, ter sido projetado na Alemanha, montado no Brasil e vendido no Canadá.

Desemprego

A crescente concorrência internacional tem obrigado as empresas a cortar custos, com o objetivo de obter preços menores e qualidade alta para os seus produtos. Nessa reestruturação estão sendo eliminados vários postos de trabalho. Uma das causas do desemprego é a automação de vários setores, em substituição à mão de obra humana. Caixas automáticos tomam o lugar de pessoas que iriam trabalhar nesta posição, fábricas robotizadas dispensam operários, escritórios informatizados cortam despesas de vários funcionários, produções agrícolas com tratores e máquinas substituem o trabalho de várias pessoas. Nos países ricos, o desemprego também é causado pelo deslocamento de fábricas para os países com o custo de produção mais baixo (transnacionais).

Mas por outro lado, o fim de milhares de empregos, no entanto, é acompanhado pela criação de outros pontos de trabalho. Novas oportunidades surgem, por exemplo, na grande área de informática que vem crescendo muito nos últimos anos. A IBM, por exemplo, empregava 400 mil pessoas em 1990, mas desse total somente 20 mil produziam máquinas. O restante estava envolvido em áreas de desenvolvimento de outros computadores. Mas a previsão é de que esse novo mercado de trabalho dificilmente absorverá os excluídos, uma vez que os empregos exigem um alto grau de qualificação profissional. Dessa forma, o desemprego tende a se concentrar nas camadas, com baixa instrução escolar e pouca qualificação.

Como lidar com a complexa questão do desemprego é um desafio com o qual se defrontam praticamente todos os países da economia global. Esta é uma das questões mais graves a serem enfrentados pelos líderes políticos de todo o mundo.

Blocos econômicos

São associações de países, que estabelecem relações comerciais privilegiadas entre si e que atuam de forma conjunta no mercado internacional como se fossem um único país. Com a formação de um bloco econômico também há a redução ou eliminação total das alíquotas de importação e aumentando a interdependência das economias entre os países membros.

A Comunidade Econômica Européia foi o primeiro bloco econômico a surgir (1957). Mas o firmamento dos blocos econômicos deu-se só depois da Guerra Fria, pois houve o desaparecimento dos dois grandes blocos liderados por EUA e URSS. Esse desaparecimento estimula a formação de zonas independentes de livre comércio.

Mercosul

O primeiro passo para a criação do MERCOSUL foi dado de 26 de março de 1991 com o Tratado de Assunção. Os presidentes do Paraguai, Uruguai, Argentina e Brasil, e seus respectivos Ministros das Relações Exteriores assinaram este acordo que estabelece a integração econômica dos quatro países para seu desenvolvimento tecnológico e científico.

Pelo Tratado ficou estabelecido:

a. A Livre circulação de bens, serviços e fatores produtivos entre os países eliminando-se os direitos alfandegários e tarifas (É claro que essa mudança vai acontecendo gradualmente, e não de uma hora para outra);

b. O estabelecimento de uma tarifa externa comum

c. Coordenação política macroeconômica e setorial entre os Estados-Partes - (de comércio exterior: agrícola, industrial, fiscal, monetária, cambial e de capitais: de serviços, alfandegária, de transportes e comunicações e outras) - a fim de assegurar as condições concorrência.

d. Compromisso dos Estados-Partes de harmonizar suas legislações, nas áreas pertinentes, para lograr o fortalecimento do processo de integração.

A questão Chile e Bolívia

Chile é um parceiro não membro do MERCOSUL e a Bolívia é um parceiro a um passo da integração. O Chile já tem contatos e relações econômicas principalmente com o México (País integrante do NAFTA) e tenta contato com os Tigres Asiáticos. Já a Bolívia faz parte dos Países do Pacto Andino. E Nesse caso é uma situação mais delicada para tornar-se parceiro do MERCOSUL, pois uma das condições do Pacto Andino seria que nenhum país integrante poderia fazer parte de qualquer outro grupo comercial.

O MERCOSUL segue uma nova tendência no mundo moderno, que é a união de várias nações em grupos ou blocos. É importante ressaltar que o objetivo do MERCOSUL não é isolar os países membros do resto do mundo e mudar somente o comércio, economia interna, mas sim, fortalece-los para melhor competir com os outros países e blocos econômicos.

O Capitalismo está num estágio que pede a evolução do comércio internacional. E esse processo seria impossível ocorrer dentro dos limites de um país ou de uma região pequena. Simplesmente não haveria dinheiro suficiente para tal. Somente com a associação de várias economias é viável, hoje, obter-se tecnologias mais avançadas por um preço mais reduzido. Neste caso a cooperação viabiliza o processo de barateamento dos custos da produção de equipamentos cada vez mais modernos. Da mesma forma a união de empresários vai resultar em produtos mais baratos e competitivos internacionalmente.

Por outro lado, assim como colocamos nossos produtos à disposição do resto do mundo, aqui também haverá uma "injeção" de produtos estrangeiros a preços baixíssimos que desafiará os fabricantes de nosso país a fazer produtos de qualidade com preços para concorrer com os internacionais. Quem só tem a ganhar é o consumidor, que leva produtos de melhor qualidade por preços reduzidos.

O Paraguai possui o melhor algodão do planeta, o Uruguai um excelente rebanho bovino, o Brasil - o primeiro Parque Industrial dos países emergentes e a Argentina uma das agriculturas mais desenvolvidas do globo.

Portanto, essa fase de unificação não é o último estágio. Não consiste apenas em criar um mercado de trocas e proteção mútua pura e simplesmente. A unificação é uma fase intermediária, que visa capacitar seus países-componentes a enfrentar em condições adequadas a competição no mercado internacional, já que se anuncia ameaçadora para nações menos desenvolvidas.

Se não for assim, a CE, NAFTA e Tigres Asiáticos, que já possuem níveis de desenvolvimento científico e tecnológico superior e são, por isso, mais competitivos, vão dominar ainda mais hegemonicamente o mercado mundial.

E com evidentes - e graves - prejuízos para seus concorrentes: nós. Ou seja, à distância entre os países ricos e pobres aumentariam mais ainda.

Nessa corrida a única saída é aliar-se pelo aprimoramento de sua produção, pela conquista de novos mercados, incremento da economia, e, por fim, pela garantia de uma vida mais digna para seus povos.

Vale salientar também, que o MERCOSUL é um acordo recente e tem muito que crescer e se aperfeiçoar. Nós não podemos esquecer nossa cultura e deixar de ser brasileiros, mas precisamos nos lembrar que temos irmãos uruguaios, paraguaios, argentinos e agora também chilenos e bolivianos.

PASSADO X FUTURO

Como já foi dito, antigamente, as grandes empresas dispunham de uma grande oferta de empregos, pois o trabalho era quase todo manual. Mais com o passar do tempo, essas grandes empresas passaram a se modernizar, usufruindo do melhor que a tecnologia pode lhes oferecer, ocorrendo assim um grande número de pessoas demitidas, substituídas pelas máquinas.

Nas grandes empresas das principais potências mundiais, como Estados Unidos, esse número de demissão é ainda maior, pois a tendência dessas grandes empresas é de se espalharem pelo mundo.

Geralmente essas empresas vão para os países subdesenvolvido, pois lá têm uma maior abundância na mão de obra, que conseqüentemente fica mais barata, sem contar o fato de que essa mão de obra é desqualificada, o que barateia mais seu preço.

O número de desemprego dessas grandes empresas aumentam mais ainda quando olhamos pelo ponto de vista que para cortar custos, para se sobressaírem as empresas concorrentes, elas demitem mais empregado para adquirir máquinas. A esse processo de mecanização, damos o nome de "desemprego estrutural".

À dispersão dessas empresas pelo mundo, nós damos o nome de globalização.

Outro ponto ruim da globalização, apesar do desemprego, é o fato de que o governo de um país perde completamente o controle do capital internacional dentro de seu país. O maior exemplo dessa falta de controle, é o México, que no final de 1994 quebrou devido à desvalorização do Peso (moeda mexicana) frente ao Dólar. Mas apesar disso tudo, os governantes não podem fazer nada, pois se eles criam uma legislação protegendo o trabalhador, seu país fica excluído do plano das grandes multinacionais.

Como prova da grande modernização que o mundo tecnológico sofreu, nos temos o fato de que há 40 anos atrás um "simples" computador pesava 30 toneladas, enquanto hoje qualquer pessoa pode carregar um computador.

Fonte:  www.eduquenet.net

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