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Cavalo árabe



 

Cavalo árabe

O cavalo da raça Árabe é rapidamente identificado pela cabeça delicada, com seu perfil côncavo, olhos expressivos, orelhas pequenas e focinho curto.

Igualmente, outra característica marcante é formado do pescoço e o seu porte: sinuoso e arqueado, chamado de cisne, e o cavalo o torna mais expressivo, elevando a cabeça.

Finalmente, sua garupa é praticamente reta e o rabo, com inserção alta, é levantado pelo animal, como que desfraldando a cauda.

Carga Genética: Trata-se da raça básica que deu carga genética às demais cultivadas na atualidade.

Quando o cavalo evoluiu, através de milhões de anos, desde a Pré- História, partiu da Ásia Central uma linhagem de animais delicados e exuberantes, denominados por muitos pesquisadores como o Cavalo Ágil. Esta linhagem desceu para os desertos da península arábica e, posteriormente, pelo Egito, chegou aos desertos do Norte da África.

As invasões muçulmanas e os animais capturados por Europeus em combate com os árabes, difundiram a raça por toda a parte.

A criação teve seu auge nos sultanatos turcos, depois decaiu com o fim do Império turco, para ressurgir graças ao interesse de criadores europeus.

Trata-se de um grande raçador, dando nobreza aos produtos resultantes de sua cruza com equinos de raças mais rudes; nos esportes, sua fantástica resistência é quase insuperável.

Altura: de 1,42 a 1,51m, embora os puristas não aceitem mais de 1,45m como ideal.
Pelagem: Castanha ou alazã, passível de tornar-se tordilha se pelo menos um dos genitores o for.

Fonte: www.saudeanimal.com.br

Cavalo árabe

HISTÓRIA DO CAVALO ÁRABE NO MUNDO

por Lenita Perroy

A origem do cavalo árabe, depois de muitas pesquisas e de divergências históricas, continua sem uma prova definitiva: teria sido uma espécie selvagem que assumiu com o tempo sua forma, originária de cruzamentos entre outras? Teria o homem interferido nessa formação? A questão permanece envolta em mistério. Na verdade a primeira imagem aparece num baixo relevo egípcio do século 16 antes de Cristo.

A Cavalo Árabe de hoje tem uma cabeça pequena e côncava , pescoço arqueado, linha de garupa horizontal e cauda levantada de inserção alta. Estas características foram mantidas até hoje, através de 36 séculos. Quem poderá realmente dizer quantos outros se passaram até que estas características tivessem sido adquiridas e fixadas.

Não existe dúvida de que é a raça mais antiga do mundo, e a nenhuma outra se pode comparar em conformação, equilíbrio e beleza. Mas não foi por essas qualidades que durante 3500 anos o cavalo árabe foi tão apreciado: foi por sua extraordinária capacidade como cavalo de guerra. Pela velocidade, resistência, agilidade e inteligência.

O poderio dos impérios e de seus exércitos foi cada vez mais baseado na cavalaria. E pouco a pouco, a cavalaria ligeira ultrapassava em muito a pesada, com armaduras e armas de maneio lento. Os guerrilheiros montados em "cavalos que voavam nos pés" tornavam-se famosos e muito temidos.

Em 700 a.C. havia uma procura generalizada deste tipo de cavalo. Guerras eram iniciadas com o único fim de obtê-los em maior número possível. As lutas se sucediam entre assírios, persas, povos das estepes, em torno do mar Vermelho, até o Egito. Em selos, jóias, relevos e pinturas, encontramos a mesma imagem do cavalo árabe característico através dos séculos.

A lenda conta que Maomé, depois de uma longa caminhada, mandou que soltassem os animais para tomar água. Antes que eles chegassem ao lago, ele os chamou de volta, e apenas cinco éguas pararam, e em vez de matar a sede voltaram atendendo ao chamado do profeta. Ele abençoou estas cinco éguas, e delas se formaram as cinco linhagens famosas.

Porém, todas as referências citam apenas Kehilan Ajuz,que se confunde com o termo "puro". Portanto, todas as linhagens formaram-se a partir de Kehilan Ajuz. Somente em 1800 temos como definitivo a existência das várias linhagens: Kehilan, Seglawi, Maneghi, Abeyan, Dahman. Porém para os beduínos "são todos Kehilan".

Apesar de haver descrições, com características diversas, destas linhagens, notamos com surpresa que elas são continuamente cruzadas entre si, tornando difícil seu reconhecimento. Mais tarde, as tribos de beduínos criaram sublinhagens, isolando pela distância suas tropas.

Grandes studs

A paixão pelo cavalo levou faraós, reis, imperadores e uma série de homens poderosos a colecionar o que havia de melhor. Preços fabulosos, resgates de príncipes, e mesmo cidades inteiras foram trocados por esplendidos animais, quando não eram arrancados a preço de sangue.

Depois do esplendor dos faraós, temos notícia dos grandes studs nos séculos 13 e 14, como Baybards, o sultão que mandava colocar sedas preciosas no chão para que seus cavalos desfilassem. O sultão Nacer Ibn Kalaoun (1300 d.C.) pagava fortunas pelos animais, trazidos de todos os cantos do seu reino como sendo os mais perfeitos: uma potranca, filha da égua El Karta, foi paga com cem mil dracmas em ouro, mais uma parte em terras na Síria (Este valor em dracmas daria hoje mais de 5,6 milhões de dólares). Quando o sultão Barkuq faleceu (século14) haviam sete mil éguas em suas cocheiras. Depois o Egito foi subjugado por invasores e os grandes studs voltam a aparecer com Mohammed Ali, em 1805. Até então, as tribos nômades, permanentemente em guerra, mantêm suas éguas como parte da família, alimentando-as com tâmaras e leite de camelo, e dormindo em sua tenda. Por esta razão os animais dóceis foram preservados. O beduíno tem o cavalo como parte de sua vida e sobrevivência. E assim o cavalo árabe vai sendo preservado através das idades, passada a tradição de pais a filhos, como o fogo conservado com tanto sacrifício entre os homens primitivos. Em 1815 Mohammed Ali, um dos chefes turcos que então dominavam o Egito, mandou um exército chefiado por Ibrahim Pasha, seu filho , contra o poder crescente dos wahabis, em Nejd. Depois de bem-sucedida essa invasão, Ibrahim Pasha voltou para o Egito trazendo consigo duzentas esplêndidas éguas e os garanhões capturados em Ryad e outras cidades do Nejd. Estes magníficos animais representavam o sangue mais puro das tribos do deserto e foram aumentar a glória dos estábulos reais de Mohammed Ali. Uma segunda expedição, mais organizada, também comandada por Ibrahim Pasha, penetrou novamente na Arábia capturando Touryf, e com isto, o stud inteiro de Saoud, o rei wahabi. Estes animais deram a Ibrahim Pasha a possibilidade de estabelecer seu próprio stud. Assim o Egito possuía novamente dois grandes criatórios, com o material melhor e mais refinado da Arábia. Os viajantes no Egito que tiveram o privilégio de visitar os studs de Mohammed Ali e Ibrahim Pasha eram unânimes em constatar a beleza espetacular dos animais ali reunidos. Porém, as condições em que estes animais eram mantidos deixavam os visitantes indignados. Estábulos pouco ventilados e sujos, com poucos homens para cuidar; na maioria garotos, que além de não os soltarem nem cuidarem da limpeza, ainda roubavam a comida destinada aos animais. Muitos morreram e pouco a pouco a qualidade foi decaindo. Alguns foram enviados como presentes a príncipes estrangeiros, mas o destino cuidou para que tudo não fosse perdido.

Cavalo Árabe

Abbas Pasha

O neto de Mohammed Ali, quando criança, tinha assistido à procissão triunfal do exército de Ibrahim Pasha entrando no Cairo com a fina flor das éguas do deserto, e em seu peito nasceu uma paixão que durou toda sua vida por estes maravilhosos animais. Desde então, tentou reunir, e conseguiu, um grande número de éguas e cavalos de várias proveniências, animais estes que despertavam aquela grande admiração que ele sentira em criança. Durante o declínio dos studs de seu tio e seu avô, comprou tudo o que foi possível. Em 1836, com 23 anos, Abbas Pasha tornou-se vice-rei do Egito. Abbas Pasha mandou construir um magnífico palácio no deserto Dar al Bayda, entre Cairo e Suez, com todo o cuidado para o bem estar de seus cavalos. Dizem os que o visitaram que em seus melhores tempos o stud compreendia mil animais, das mais nobres e refinadas origens. Abbas Pasha morava neste palácio, e assim podia passar o dia entre os jardins, alegrando seus olhos perante a visão de seus esplêndidos animais. A importância do stud de Abbas Pasha é a maior, na história do cavalo árabe. A pureza racial, o refinamento, a beleza e a perfeição dos espécimes por ele reunidos é reconhecida por todos. Sua exigência quanto ao pedigree, que naquela época não costumava ser escrito, obrigou um studo de genealogias para garantir a pureza racial da qual ele fazia questão absoluta. Foi feito o primeiro Stud Book: Abbas Pasha.Tudo parecia indicar que o futuro seria brilhante.

Mais uma vez o destino mudou o rumo e em 1854 Abbas Pasha foi assassinado. Este vice-rei de Egito foi um dos maiores conhecedores da raça árabe. A dedicação de sua vida inteira e o cuidado com que seus animais foram escolhidos; seus manuscritos, tornando possível o conhecimento de todas as linhas de sangue - que eram transmitidas oralmente entre os membros das tribos - , tudo foi anotado por um escriba de confiança, acompanhado por alto dignitário de sua majestade. Portanto, pode-se considerar, sem dúvida alguma, que os únicos cavalos de pureza inquestionável foram os de Abbas Pasha. Enquanto os relatos de visitantes em outros studs historicamente famosos descrevem a velocidade e as vitórias em corrida, os que puderam ver os cavalos de Abbas Pasha descrevem apenas a extraordinária beleza e majestade destes animais. El Hami Pasha herdou o reino de seu pai e o stud, mas não tendo o talento necessário, não pôde manter este estabelecimento e morreu três anos depois. Para pagar suas dívidas, o tesouro inestimável da coleção fantástica de seu pai foi a leilão. Reis e príncipes europeus enviaram representantes, ou vieram pessoalmente, assim como vários nobres, ansiosos para enriquecer seus estabelecimentos com os melhores espécimes do mundo. Preços incríveis foram atingidos, e mais ou menos duzentos animais foram para vários países: Itália, Alemanha, França, Polônia, Hungria. O grande interesse em torno das corridas tornava necessário o cruzamento repetido com sangue árabe do deserto, e cada país seguia uma orientação diferente. Porém, a influência destes animais, utilizados desta maneira, foi se diluindo e nada foi conservado em termos puros. Felizmente, um jovem de família nobre do Cairo, admirador e profundo conhecedor do stud de Abbas Pasha, arrematou as mais valiosas linhas de sangue no leilão. Ali Pasha Cheriff, um dos mais ricos proprietários de terras do Egito, entusiasmado com os melhores garanhões e as mais belas éguas que comprara, estabeleceu sua própria criação, agora governador da Síria. Durante os anos subseqüentes, Ali Pasha Cheriff devotou sua fortuna pessoal e todo o seu conhecimento ao estabelecimento. Seu maior prazer era manter as suas éguas tratadas como princesas orientais em harém: elas desfilavam, maravilhosas, banhadas, penteadas e enfeitadas com cabrestos preciosos, somente para seus olhos. Porém, quando o Pasha envelheceu , seus filhos conspiraram contra ele e achando que sua fortuna fabulosa estava sendo desperdiçada, decidiram vender o stud. Ali Pasha Cheriff, algumas semanas depois, com o coração despedaçado ao ver seus animais irem a leilão, não resistiu e morreu, terminando assim, para sempre, a magnificência dos grandes studs do Oriente Médio.

O CAVALO DO BEDUÍNO

Muitas das atuais características do cavalo árabe resultam de sua adaptação ao deserto. São, com certeza, aspectos de sua conformação primitiva que foram privilegiados, selecionados e desenvolvidos com grande sabedoria pelos beduínos. Isso foi realizado com tal maestria através de conceitos e ensinamentos passados de geração para geração durante milênios, que nenhum hipólogo ou compêndio sobre eqüinos se recusa ou mesmo titubeia em afirmar que o Puro Sangue Árabe é o mais perfeito animal e o verdadeiro protótipo do cavalo de sela.

Cavalo Árabe

Os olhos

Os olhos do cavalo árabe são típicos de muitas espécimes de animais do deserto. Grandes e salientes, eles são responsáveis por prover o animal de uma excelente visão, a qual alertava os primitivos cavalos Árabes dos ataques de seus predadores.

Narinas

As narinas do cavalo Árabe que se dilatam quando ele corre ou está excitado, proporcionam uma grande captação de ar. Normalmente as narinas se encontram semi-cerradas reduzindo a poeira proveniente da respiração nos climas mais secos como no deserto.

Maxilares

O tamanho e a grande separação entre os maxilares ou ganachas no cavalo Árabe proporcionam um bom espaço para a passagem de sua desenvolvida traquéia - provavelmente esse é um outro fator de adaptação para aumentar a captação de ar.

Carregamento de cabeça

O carregamento natural de cabeça do cavalo Árabe é muito mais alto do que qualquer outra raça, especialmente ao galope. O alto carregamento da cabeça facilita a passagem do ar, abrindo as flexíveis narinas e alongando a traquéia. É comprovado que os cavalos Árabes possuem maior número de células vermelhas que as outras raças, o que pode indicar que o cavalo Árabe usa o oxigênio mais eficientemente.

Pele

A pele negra por debaixo dos pêlos do cavalo Árabe é visível devido à delicadeza ou ausência de pêlos em torno dos olhos e focinho. Essa pele escura em torno dos olhos reduz o reflexo da luz do sol e também protege contra queimaduras. A fina pele do cavalo Árabe proporciona a rápida evaporação do suor resfriando o cavalo mais rapidamente.

Cavalo Árabe

Irrigação Sanguínea

As veias que se tornam visíveis por saltarem à flor da pele quando o cavalo Árabe enfrenta um grande esforço físico, em contato com o ar, resfriam rapidamente a circulação sanguínea, proporcionando maior conforto em longas jornadas.

Crina

Os pêlos da crina são normalmente finos e longos, protegendo a cabeça e o pescoço da ação direta do sol. O longo topete na testa também protege os olhos do reflexo e da poeira.

Focinho

O pequeno e cônico focinho também deve ser creditado de sua herança do deserto. A escassez de alimentos deve ter reduzido o focinho para o admirado tamanho e formato de hoje. Os finos e ágeis lábios provavelmente são resultados dos ralos pastos do deserto. Os cavalos dos beduínos pastoreavam apenas esporadicamente comendo poucos chumaços de grama aqui e ali, enquanto seguiam em suas longas jornadas. Lábios ágeis podem rapidamente se prover de pequenas porções de ralas gramas e ervas.

Estrutura Óssea

É fato que muitos cavalo Árabes possuem apenas cinco vértebras lombares, diferentes das seis comuns em outras raças. Essa vértebra a menos explica o pequeno lombo e a resultante habilidade em carregar grandes pesos proporcionalmente ao seu tamanho. No entanto, modernas autoridades do cavalo Árabe, como Gladys Brown Edwards, afirmam que não são todos que possuem cinco vértebras, muitos possuem o padrão de seis vértebras. Até hoje não é sabido qual número mais comum de vértebras no cavalo Árabe e não há evidência de que o Árabe que possui cinco seja mais puro ou mais desejável do que o que possui seis.

Carregamento da Cauda

O alto e natural carregamento da cauda é resultado da singular estrutura óssea do cavalo Árabe. A primeira vértebra da cauda, que se liga à parte interna da garupa é levemente inclinada para cima, ao contrário de outras raças que se inclina para baixo.

A cabeça

A distinta beleza do cavalo Árabe é uma das principais marcas do tipo da raça. O clássico perfil é marcado por duas características: jibbah e afnas, muito admiradas pelos beduínos.

Jibbah

É a protuberância acima dos olhos. Nem todos os cavalo Árabes maduros possuem, mas ele é óbvio nos potros. O Jibbah aumenta o tamanho da cavidade nasal proporcionando maior capacidade respiratória.

Afnas

O afnas é a chamada "cabeça chanfrada". O chanfro é a depressão no osso frontal da cabeça entre os olhos e o focinho, ele apresenta uma curva côncava no perfil da cabeça. Embora o Afnas fosse admirado pelos beduínos como um aspecto de beleza, nem todos os seus cavalos possuíam o chanfro pronunciado, da mesma forma que hoje nem todos os modernos cavalos Árabes possuem esse perfil.

Mas uma cabeça é considerada boa e típica quando possui:
  • olhos grandes, salientes, bem separados e situados logo abaixo da testa
  • testa larga
  • narinas grandes e flexíveis
  • cabeça descarnada e seca
  • a expressão geral é alerta, inteligente e vivaz
  • Os chamados "olhos humanos" ou "branco nos olhos" no qual é visível a esclerótica branca em torno da íris é um ponto polêmico na criação do cavalo Árabe. Margaret Greeley em seu livro "Arabian Exudus" cita Wilfrid Blunt afirmado que o branco nos olhos não era um sinal de mau temperamento, pelo contrário, era uma característica desejada pelos beduínos. Muitos juízes e criadores modernos, no entando, desgostam e penalizam os cavalos que possuem essa característica a despeito do fato dela aparecer em certas antigas e valiosas linhagens.

    Cavalo Árabe

     1 Orelha  26 Boleto
     2 Topete  27 Quartela
     3 Têmpora  28 Coroa
     4 Olho  29 Casco
     5 Chanfro  30 Cernelha
     6 Narina  31 Dorso
     7 Focinho  32 Lombo ou rins
     8 Lábios  33 Anca
     9 Queixo  34 Vértebras da cauda
     10 Lábio inferior  35 Garupa
     11 Madíbula  36 Costelas
     12 Ganacha  37 Flanco
     13 Testa  38 Cilhadouro
     14 Nuca  39 Barriga
     15 Crina  40 Coxa
     16 Pescoço  41 Nádega
     17 Garganta  42 Ponto de nádega
     18 Laringe  43 Soldra
     19 Ponto de paleta  44 Perna
     20 Peito  45 Jarrete
     21 Paleta  46 Tendão extensor
     22 Braço  47 Tendão
     23 Antebraço  48 Castanha
     24 Joelho  49 Cotovelo
     25 Canela  50 Cauda

    Para que serve o Cavalo Árabe

    3000 Anos de Seleção

    As modernas raças de cavalos que conhecemos são frutos de seleção recente, cada qual tentando se especializar em uma das áreas do esporte, trabalho ou lazer.

    Cavalo Árabe

    O Puro Sangue Árabe é o único cavalo que reúne em suas características a possibilidade de realizar bem todas essas funções.

    Por que ?

    A vida das tribos dos beduínos, há milhares de anos no interior do deserto da Arábia, é a chave para entender essa qualidade do Cavalo Árabe.

    Rusticidade e Resistência

    Povos nômades e guerreiros, os beduínos procuravam por um animal que os ajudasse em sua luta contra a inclemência do deserto e lhes conferisse poder nas batalhas.

    Foram necessários mais de 3 milênios de seleção para se chegar ao cavalo de guerra do deserto: Cavalo Árabe, capaz de resistir a prolongados períodos de trabalho intenso com o mínimo de cuidado e alimentação. Essas qualidades persistem em seu fenótipo e são reconhecidas até hoje, através de competições de longo percurso nos EUA e na Europa. No Brasil, onde essas provas começam a ser realizadas, o Puro Sangue Árabe se destaca sempre nas primeiras colocações. No trabalho da fazenda, os criadores se surpreendem com a produtividade diária do Árabe, capaz de pronta recuperação após um dia inteiro de atividade.

    Versatilidade e Coragem

    No lombo de um Cavalo Árabe o beduíno era capaz de qualquer proeza. Foi por esta razão que os muçulmanos invadiram Portugal e Espanha no século VIII e as cavalarias das Cruzadas foram dominadas em Jerusalém na Idade Média.

    O cavalo já não tem a mesma importância nas batalhas, mas do tórrido deserto, o beduíno legou às gerações futuras um cavalo ágil, veloz, que não conhece barreiras nem perigos.

    Em nossos dias, o Cavalo Árabe entusiasma multidões nas corridas dos hipódromos do Egito, Polônia, EUA e Rússia. Encanta o público americano nas difíceis provas de montaria. Auxilia o peão australiano na lida do gado, emociona os brasileiros nas provas de Concurso Completo de Equitação, Hipismo Rural, Clássico, Horse Cross, Copa Rédeas, Laço,Turfe, Vaquejada e tantas outras. O Cavalo Árabe se adapta com facilidade em qualquer terreno, qualquer clima e qualquer tipo de trabalho.

    Cavalo Árabe

    Inteligência e Docilidade

    O beduíno mantinha o cavalo em sua tenda como se fosse um membro da família.

    Para isso era necessário que o animal tivesse inteligência para respeitar seu senhor e espírito para enfrentar qualquer exigência. Essa é uma das virtudes mais admiradas no Cavalo Árabe, a capacidade de aprender e respeitar sem ser subserviente. A inteligência e dedicação ao homem, sempre foi uma característica que os Árabes procuraram selecionar em seus cavalos. Hoje, tanto como montaria para crianças, instrumento de trabalho em fazenda ou pela habilidade numa pista de prova qualquer, o Cavalo Árabe se mostra imbatível no sentido de aprender com facilidade e obedecer seu dono.

    Beleza e Elegância

    A beleza em um cavalo não é apenas um requisito estético, ela deve obrigatoriamente estar associada à função do animal. A harmonia e proporção que fazem o Cavalo Árabe tão admirado, são requisitos fundamentais na conformação de um cavalo com capacidade para atender as mais diversas funções. Além disso, o "tipo Árabe" alcançou seu apogeu biológico há dois mil anos e a partir de então, o que os nossos criadores fazem é preservar a pureza e a força desse sangue, fonte de qualidades generosamente doadas a praticamente todas as raças modernas que conhecemos hoje.

    Prepotência Genética

    Os três mil anos de seleção e aprimoramento do Cavalo Árabe proporcionaram-lhe um poder genético incomparável. A partir da Idade Média, garanhões Árabes foram exportados para quase todas as partes do mundo, dando origem a outras raças e regenerando plantéis inteiros de cavalos.

    Assim nasceram o Puro Sangue Inglês, o Orloff, o cavalo de Sela Francês, o Alter, o Trackener, Hanoveriano, o Quarto de Milha, só para citar os mais conhecidos. Até hoje o sangue Árabe ainda é utilizado para melhorar raças, transferindo refinamento, resistência, inteligência e tantas outras qualidades.

    Uma das funções mais importantes do reprodutor Árabe no Brasil é a regeneração de cavalos de trabalho e esportes através da mestiçagem. Criações do Interior de São Paulo, Minas, Goiás e Mato Grosso do Sul, têm conseguido verdadeiros milagres ao colocarem o sangue Árabe em suas eguadas.

    LENDAS DO CAVALO ÁRABE

    Percorria ALAH o mundo logo após a criação quando ao passar sobre o deserto ouviu os gritos e o choro do beduíno.

    Ao perguntar-lhe por que assim chorava, respondeu-lhe o árabe:

    Vide as riquezas que todos os outros povos ganharam e para mim só tocou areias.

    Percebendo ALAH que não havia sido equânime na distribuição das benesses da terra, disse-lhe:

    - Pois não chores mais, vou compensar-te dando um presente que não dei a povo algum .

    E tomando com a mão direita o vento sul que passava, falou:

    - Plasma-te, ó vento sul !Vou fazer de ti uma nova criatura.

    Serás o meu presente, e o símbolo de meu amor a meu povo.

    Para que sejas único e que nunca te confundam com bestas, terás:

    O olhar da águia , a coragem do leão e a velocidade da pantera.
    Do elefante dou-te a memória, do tigre a força,da gazela a elegância.

    Teus cascos terão a dureza do sílex e teu pêlo a maciez da plumagem da pomba.

    Irás saltar mais do que o gamo, e terás do lobo o faro.Serão teus à noite os olhos do leopardo, e te orientarás como o falcão , que sempre volta á sua origem.

    Serás incansável como o camelo , e terás do cão o amor ao seu dono.

    E finalmente,Hissam (o cavalo ),como um presente meu ao te fazer cavalo e fazer-te Árabe,dou-te para todo o sempre e para que sejas único :

    A beleza da Rainha e a majestade do Rei. 

    ALAH disse ao Vento Sul: "Transforma-te em carne sólida, pois de ti farei uma nova criatura, para a honra do Meu Sagrado Senhor e a desonra dos Meus inimigos, e para ser um criado daqueles que estão sujeitos a Mim". E o vento Sul respondeu: "Senhor, assim se faça por Vós". Então Alá tomou um punhado do Vento Sul e o assoprou, criando o cavalo e dizendo: "Teu nome será Árabe, e a virtude estará no pêlo de teu topete e a pilhagem estará em teu dorso. Tenho preferido a ti entre as bestas de carga, pois fiz de teu patrão teu amigo. Dei-te o poder de voar sem as asas, Lenda seja numa investida violenta como numa retirada. Colocarei homens em teu dorso, cuja honra e louvor sejam a Mim dirigidos e que cantem Aleluia em Meu nome". 

    O CAVALO ÁRABE NO BRASIL

    Embora oficialmente a criação brasileira do Cavalo Árabe tenha começado no Rio Grande do Sul em 1929, com o registro do garanhão Rasul, importado da Argentina por Guilherme Echenique Filho, existem informações seguras de que muitos cavalos Árabes chegaram ao país bem antes disso. Oswaldo Gudole Aranha, emérito criador e presidente da ABCCA entre os anos 1975 a 1977, em seu artigo no primeiro volume do Registro Genealógico do Cavalo Árabe (Stud Book) lembra que Dom Pedro I proclamou a Independência do Brasil no dorso de um Cavalo Árabe e a belíssima obra do pintor que está exposta hoje no museu do Ipiranga na cidade de São Paulo é uma prova concreta desse fato. 

    Oswaldo Aranha cita ainda registros de importações de cavalos Árabes em 1826, 1837, 1859, 1885 e destacando como sendo uma das mais importantes a realizada em 1894 pelo famoso estadista Assis Brasil que trouxe Amir, Maalek e Mazir, três importantes reprodutores nascidos no próprio deserto e que impressionaram muito as autoridades na época. Depois disso importações da raça realizadas pela Remonta Militar do Exército, pelo Departamento Animal do Ministério da Agricultura e até mesmo por fazendeiros passaram a ser constantes, mas o interesse dos importadores era o de usar o Cavalo Árabe apenas como regenerador do plantel local. O grande mérito da criação regular do Cavalo Árabe no Brasil se deve ao gaúcho Guilherme Echenique Filho que importou da Argentina o garanhão Rasul e sete éguas puras, registrou-os todos num livro de registros aberto a todas as raças bovinas e eqüinas no Rio Grande do Sul e deu início à criação do Haras Er Rasul, uma homenagem a seu primeiro garanhão. 

    O primeiro Puro Sangue Árabe brasileiro nasceu em 15 de Outubro de 1929. Era uma fêmea, registrada com o número 8 no livro de Registro e o brasileiríssimo nome Airé, filha de Risfan e que veio no útero de Racbdar, uma das sete éguas importadas por Echenique.

    Durante os dez primeiros anos de vida da criação de Cavalos Árabes devidamente registrada no Brasil, apenas as Coudelarias Nacionais de Saycan e de Rincão, além da família Echenique, todos sediados no Rio Grande do Sul, registraram 160 animais. Em 1941 o Departamento animal do Ministério de Agricultura, sediado em São Carlos-SP realizou uma grande importação de Cavalos Árabes. Chegaram da França quatro garanhões e 13 éguas dando início a uma das mais importantes criações brasileiras da época. Em 1955, haviam apenas 620 cavalos Árabes puros registrados, por apenas 4 criações quando o Ministério da Agricultura, através de seu departamento de Campo Grande no Mato Grosso do Sul, deu início a sua criação a partir de cavalos levados de São Carlos. Até à década de 60 os principais criadores brasileiros continuavam sendo o Ministério da Agricultura, o governo do Rio Grande do Sul e família Echenique que registraram juntos mais de 98% dos cavalos da época. Fora isso três criadores do Rio Grande Sul influenciados por Echenique e quatro criadores de São Paulo levados pelo departamento Animal de São Carlos registram animais. Praticamente toda a produção era dirigida para a utilização nos Regimentos de Cavalaria do Exército e para a regeneração de tropas de fazendeiros através de postos de monta. 

    A criação do Cavalo Árabe no Brasil começou realmente a mudar quando em 1964, Dr. Aloysio de Andrade Faria importou três garanhões e seis éguas dos Estados Unidos, fundou a Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Árabe e reuniu os registros do Rio Grande do Sul e de São Carlos no Stud Book Brasileiro do Cavalo Árabe.

    Com a criação brasileira organizada e começando a realizar encontros e exposições, leilões e importações bastaram apenas dez anos para que o número de cavalos atingisse o mesmo número que demorou 35 anos para serem registrados. Essa nova fase da criação brasileira foi até o início da década de 90, foi marcada pelas grandes importações e pela difusão da raça em todo o território Nacional. Chegaram ao Brasil Campeões Nacionais Americanos e Canadenses, reprodutoras de campeões e o Cavalo Árabe passou a ser criado em treze estados brasileiros.

    Hoje, 83 anos após o primeiro registro de um Cavalo Árabe no Brasil, a criação brasileira exporta cavalos Árabes para países da América do Sul, América do Norte, Europa, Oriente Médio e Austrália e é reconhecida como uma das mais importantes criações do mundo. Tem cerca de 35 mil cavalos puros registrados, 3241 haras inscritos no Stud Book e é uma das mais destacadas raças no país.

    Fonte: www.abcca.com.br

    Cavalo Árabe

    Cavalo Árabe

    Origem

    É uma das mais puras e antigas raças de cavalos do mundo e que praticamente entrou na formação de quase todas as raças modernas. Selecionada no deserto da Península Arábica, entre o mar Vermelho e o Golfo Pérsico, por onde vagavam algumas tribos nômades; a quem se deve a pureza sanguínea na seleção do cavalo árabe e a importância dada às éguas mães - Koheilan, Seglawi, Ibeion, Handani e Habdan, as cinco éguas que serviram de matrizes para as cinco principais linhagens que compõe a raça Árabe até os nossos dias.

    Características

    Cavalo com altura média de 1.50m, podendo atualmente chegar até 1.58m, possue cabeça de forma triangular com perfil concavo, orelhas pequenas, olhos grandes arredondados e muito salientes, narinas dilatadas, ganachos arredondados, boca pequena, pescoço alto e curvilíneo em sua linha superior, peito amplo, tórax amplo, dorso e lombo médios, garupa horizontal e saída de cauda alta que permanece elevada durante o movimento.

    Seu trote e galope são rasteiros, amplos e cadenciados, com muito garbo, tendo temperamento muito vivo e grande resistência. As pelagens básicas são alazã, castanha, tordilha e preta.

    Aptidões

    Pelas suas características são aptos aos esportes hípicos de salto e adestramento em categorias intermediárias, hipismo rural, enduro e trabalhos agro-pecuários.

    Fonte: www.horseonline.com.br

    Cavalo Árabe

     

    Cavalo Árabe

    Numerosas opiniões, atribuem sua origem às raças Kochlani e Koclane ou Kailhan; e isto remonta há mais de 2.200 anos. Nesta época, impérios militares, Caldeus, Persas, Hititas e Assírios; em permanente tentativa de expansão entravam em freqüentes lutas com os beduínos. Com a decadência desses impérios militares, seus cavalos eram capturados pelos beduínos que já percebiam seu potencial, procedentes dos férteis campos de alfafa da Ásia central.

    Assim, os cavalos de guerra se missigenaram com os selvagens árabes através dos séculos, formando as manadas dos beduínos, que imigravam constantemente em busca de alimento. Estes séculos de migração e muita liberdade, causaram a transformação pela necessidade de adaptação às privações e clima desértico, foi a forja das características básicas do Puro Sangue Árabe.

    O aperfeiçoamento da raça ocorreu em férteis planaltos da península arábica, quando ali se desenvolveram por bom tempo.

    A partir do século XIII sultões turcos que dominavam o Egito e grande parte de áreas cruciais de comércio entre o ocidente e oriente; e tendo contato com estas montarias formidáveis; incentivaram a sua importação para estabelecerem o sangue em seus centros de criação; e assim os cavalos árabes foram espalhando-se pelo mundo.

    Dentre as criações da raça, que se ramificaram, são significativas, a Egípcia, a Polonesa, a Inglesa, a Russa e a Americana.

    Na Polônia, a criação foi iniciada em 1.502, pelo príncipe Sangusco, que formou o Haras Slawuta, com animais trazidos diretamente das tribos beduínas. Em 1914, havia um plantel de mais de 450 animais, e por ocasião da 1ª guerra mundial, todo este patrimônio genético, foi perdido.

    No período entre-guerras, retomou-se a criação, porém com a 2ª guerra mundial, todo o plantel foi novamente dizimado, restando poucos exemplares. A partir de então, a criação foi realizada a cargo de haras estatais, como ocorre até os dias de hoje, onde apresenta-se com um plantel de matrizes de excepcionais qualidades, fazendo da criação do cavalo árabe Polonês, um orgulho nacional.

    Na Inglaterra, desde o ano de 1.200, cavalos orientais eram levados apenas para cruzamento com ;éguas britânicas e durante estes 3 séculos, formou-se e estabeleceu-se a raça Puro sangue Inglês.

    Por volta de 1610, vieram mais éguas e garanhões das regiões do deserto, e em 1700, formou-se o 1º Stud de sangue oriental. Novas incursões à Arábia, foram feitas em busca de novos produtos que aperfeiçoassem o criatório Árabe inglês; e por assimilarem os costumes dos beduínos, decidiram não mais miscigená-los, e em 1881 fundaram o primeiro Stud do Sheikh Obeyd no Cairo, que posteriormente foi removido para Sussex, onde fundou-se o tradicional Crabbet Park.

    Na Rússia, país de enormes batalhas, o conde Alexis Orloff, ganhou um plantel do sultão da Turquia e um haras de Puro Sangue Árabe em Chrenowje em 1788. Em 1889, um grande haras foi montado pelo príncipe Scherbatov e o conde Strogonoff. Em 1937 visitaram o Crabbet Park na Inglaterra e adquiriram 24 animais que se tornaram fundamentais na história da criação do cavalo Árabe na Rússia; somada também a uma importação durante a IIª guerra mundial, em 1939 da Polônia. Assim define-se que o impulso à criação moderna Russa do cavalo Árabe, ocorreu através da combinação de linhagens da Polônia e do Crabbet Park, na Inglaterra; e posteriormente, com a inclusão da linhagem Egípcia.

    No Egito, durante o reinado de 1290 a 1340 do rei El Naser Moahmedibn Kalaoun, houve o estabelecimento de grandes haras. Ao morrer, os egípcios possuíam mais de 3000 animais da mais alta qualidade. Em 1815 Ibrahim Pasha, filho do rei Mohamed Ali, é enviado á arábia e volta ao Egito com um seleto lote de animais, objetivando a melhoria do plantel de seu pai. Em 1836, Abbas Pasha, neto de Mohamed Ali, torna-se o vice-rei do Egito e passa a comprar os mais belos e extraordinários cavalos do deserto e constrói o famoso haras Dar El Bayda. Assassinado em 1854, seu plantel foi vendido por seu filho, a Ali Pasha Sherif. No começo do século XX os cavalos Egípcios estavam quase em extinção, necessitando em 1908, a formação de um grupo para reorganizar as criações e em 1920, importaram do Crabbet Park, 20 cavalos, e em 1942, surge no Egito, o grande haras , Hamdan Stables.

    O rei Farouk reergue a criação Egípcia, fundando o haras Kafr Farouk e a partir daí o cavalo Árabe egípcio passa a fazer sucesso no mundo. Nos EUA, a 1ª importação ocorreu em 1730, em 1849, o sultão da Turquia, presenteia o então presidente Grant com 2 reprodutores de alta qualidade. No final do século XIX outra importação foi apresentada na feira mundial de Chicago, e em 1903, já seduzidos pelo cavalo Puro sangue Árabe, novas importações sucederam-se constantemente. Devido ao alto poder aquisitivo, o empenho e a paixão pelo cavalo, pode-se dizer que os EUA possuem atualmente um dos melhores planteis da cavalo Árabe no mundo.

    No Brasil, de 1930 a 1950, a raça foi introduzida no país, através de importações efetuadas do Uruguai, para incrementar a sua cavalaria, concentrada no Rio Grande do Sul. Após a fundação da Associação Brasileira da Raça (ABCCA), Aloysio Faria, deu impulso a criação nacional, com as primeira importações de grande porte e qualidade, e assim, em 1979, realizava-se o 1º leilão do cavalo Árabe no Brasil. De 1982 a 1984, as importações cresceram e a procura sempre maior que a produção , elevaram sobremaneira o preço de mercado do cavalo Árabe, tal, foi o sucesso da comercialização efetuada pelo criador Nagib Audi. Com o tempo, e os tropeços na nossa economia, e o aumento da produção, as importações foram reduzidas; os compradores tornaram-se mais exigentes em busca da qualidade, e os animais brasileiros passaram a fazer sucesso no exterior, principalmente nos EUA, para onde seguidas exportações vem sendo efetuadas, respaldadas pelos significativos sucessos que animais brasileiros vem alcançando nas exposições norte americanas; o que por si só, atesta a real qualidade do plantel nacional do cavalo Árabe.

    O cavalo Árabe, por ser considerado quase uma sub-espécie de equino, e não uma raça, participou da formação de várias raças, entre elas, o Puro Sangue Inglês, Orloff, Cavalo de sela Francês, Álter, Trackener, Hanoveriano e o Quarter Horse, entre os mais conhecidos. Até hoje, é ainda utilizado, para melhorar raças, conferindo-lhes refinamento, resistência, inteligência e outras qualidades mais.

    O cavalo Árabe, é capaz de resistir a prolongados períodos de trabalho, com o mínimo de cuidado e alimentação; qualidades estas que podem ser atestadas em competições de longo percurso nos Estados Unidos e Europa.

    Cavalo Árabe

    Dentre as suas atividades, o cavalo Árabe, hoje é utilizado na Rússia, Polônia, EUA e Egito, Inglaterra e Argentina em corridas similares às realizadas para o Puro Sangue Inglês. Na Austrália, é utilizado nos trabalhos de lida com o gado, e no Brasil, participam também de provas de enduro, CCE, Hipismo Rural e clássico, torneio de rédeas e laço, vaquejadas e provas de baliza e tambor, além da sua iniciação também em corridas.

    Cavalo Árabe

    CARACTERÍSTICAS GERAIS

    Muitas das características do cavalo Árabe, resultam de sua adaptação ao deserto, e com certeza,de aspectos de sua conformação primitiva, que foram privilegiados , selecionados e desenvolvidos com grande sabedoria pelos beduínos. Isso foi realizado com tal maestria através dos conceitos e ensinamentos passados de geração para geração, durante milênios; que nenhum hipólogo ou compêndio sobre eqüinos, se recusa ou titubeia em afirmar de que o cavalo Puro Sangue Árabe é o mais perfeito animal e o verdadeiro protótipo do cavalo de sela.

    1- MORFOLOGIA

    OLHOS - os olhos do cavalo Árabe, são típicos de muitas espécies animais do deserto, grandes e salientes, são responsáveis por prover ao animal, uma excelente visão, a qual alertava os primitivos cavalos Árabes dos ataques de seus predadores.

    Cavalo Árabe

    NARINAS

    Estas se dilatam quando corre, ou está excitado, proporcionando grande captação de ar. Normalmente encontram-se semi cerradas, reduzindo a entrada de poeira durante a respiração, nos climas mais secos do deserto.

    CARREGAMENTO DE CABEÇA

    Naturalmente é mais alto que o de qualquer outra raça, especialmente, especialmente ao galope. Este alto carregamento facilita a entrada de ar através da abertura das flexíveis narinas e alongamento da traquéia. É comprovado que cavalos Árabes possuem maior número de células vermelhas que outras raças, o que pode indicar que utiliza o oxigênio mais eficientemente.

    PELE

    A pele negra, por debaixo dos pelos, é visível, devido a delicadeza ou ausência de pelos em torno dos olhos e focinho. Essa pele escura em torno dos olhos, reduz o reflexo da luz do sol e também protege contra eventuais queimaduras. A fina pele do cavalo Árabe proporciona uma rápida evaporação do suor, resfriando o cavalo mais rapidamente.

    IRRIGAÇÃO SANGUÍNEA

    As veias que se tornam visíveis ao saltarem à flor da pele quando o cavalo Árabe enfrenta um grande esforço físico, em contato com o ar, resfriam rapidamente a circulação sangüínea, proporcionando maior conforto em longas caminhadas.

    CRINA

    Os pelos são normalmente longos e finos protegendo a cabeça e o pescoço da ação direta do sol; o longo topete na testa protege os olhos do reflexo do sol e da poeira.

    FOCINHO

    O pequeno e cônico focinho, deve ser creditado à sua herança do deserto. A escassez de alimentos o fez com os tempos, reduzir para o tamanho e formato atual. Enquanto seguiam suas longas jornadas, pastoreavam esporadicamente, comendo poucos chumaços de grama e ervas.

    ESTRUTURA ÓSSEA

    É fato que muitos cavalos Árabes, possuem apenas 5 vértebras lombares, diferentes das 6 comuns em outras raças. Essa vértebra a menos, explica o pequeno lombo e a resultante habilidade em carregar grandes pesos proporcionalmente ao seu tamanho. No entanto, modernas autoridades do cavalo Árabe, afirmam que não são todos os exemplares que possuem 5 vértebras.

    CARREGAMENTO DE CAUDA

    O alto e natural carregamento de cauda, é resultado da sua singular estrutura óssea, a primeira vértebra que se liga á parte interna da garupa, ;e levemente inclinada para cima, ao contrário de outras raças, que se inclina para baixo.

    Cavalo Árabe
    Bey Shaffir WN do haras Piracuama - Caçapava SP

    CABEÇA

    Sua distinta beleza é uma das principais características do tipo da raça; seu clássico perfil é definido por duas nomenclaturas, cujas características são: jibbah- é a protuberância acima dos olhos; nem todos os cavalos Árabes adultos o possuem, mas ele é óbvio nos potros.

    O Jibbah aumenta o tamanho da cavidade nasal, proporcionando maior capacidade respiratória. Afnas- é a chamada cabeça chanfrada, há uma depressão no osso frontal da cabeça, entre os olhos e focinho, ela representa uma curva côncava no perfil da cabeça.

    Os chamados " olhos humanos" ou "branco dos olhos" no qual a esclerótica branca é visível em torno da íris, é um ponto polêmico na criação na criação do cavalo Árabe. Para os beduínos, segundo pesquisadores, não significava sinal de indocilidade ou mau temperamento e era uma característica desejada por eles. Muitos juizes e criadores atuais, no entanto penalizam cavalos que apresentam esta característica; a qual a título de ilustração, comparativa de raças, é desejável no registro do cavalo appaloosa, como veremos mais adiante ao abordarmos esta raça.

    GARUPA- esta deve apresentar-se longa e relativamente horizontal.

    2 - QUALIDADES DA RAÇA

    RESISTÊNCIA

    Serviam aos beduínos os quais eram nômades, portanto percorriam grandes distâncias, e até guerreavam em terreno que exigia muito da sua condição física ( força, rapidez e resistência).

    Tarik Benziad, em 711, cruzou o mediterrâneo com sete mil cavaleiros, parte deles nas barcas de Julião, e parte nadando até Gebel Tarik(de onde origina-se Gibraltar), e ali, na batalha de "Guadalete" de 19 a 25 de Julho, derrotou trinta mil homens que Frederico lhe impôs.

    Em 713 o Islã já havia passado os Pirineus, e segundo historiadores da época, nada poderia deter os infiéis, que cavalgavam "cavalos de fogo que não cansavam nunca"(Antologia de textos medievais-Espinosa). Bucéfalo, o cavalo Árabe de Alexandre Magno(já referido no informativo anterior), levou o conquistador desde Pella na Macedonia, até Indo , nas fronteiras do Afeganistão.

    Napoleão, gostava de cavalos Árabes, e de preferência, tordilhos; seus mais célebres animais foram MARENGO e VIZIR. VIZIR era um cavalo Árabe presenteado ao imperador Napoleão, pelo Sultão do Egito em 1808; era tordilho de origem alazão, e sua crina permaneceu alazã, até a sua morte em 1826; sua altura era de apenas 1,35m, VIZIR, foi levado para o exílio na ilha de Santa Helena, pelo imperador, e após a morte deste, VIZIR retornou à França, ficando aos cuidados de um criador de Boulogne Sur Mer que já havia alojado VIZIR durante o exílio temporário de Napoleão na ilha de Elba. VIZIR, o pequeno cavalo de Napoleão, levou-o de Paris, via Varsóvia e Wilno, até Moscou em 1812, e na grande retirada, com 60 graus abaixo de zero, trouxe o imperador a salvo, sendo que no passo de Berezina, galopou durante 16 horas. Este cavalo Árabe, símbolo de resistência, ainda com 19 anos, marchava em Paris, uma média de 10 horas por dia. Ao morrer, o criador o qual o tinha a seus cuidados, mandou empalhar VIZIR que acabou sendo adquirido por um Inglês, tendo sido levado para a Inglaterra, para posteriormente ser devolvido à França, encontrando-se atualmente no museu do exército, em Paris. O esqueleto de MARENGO encontra-se no Museu Nacional do exército em Londres.

    Em 1955, o general Trevis, comandante da cavalaria norte-americana, instituiu uma prova para testar a resistência das raças eqüinas. Esta prova realizada sem interrupção, consiste em uma corrida de 160km, iniciando-se em Taboa City (1.920m de altitude) e terminando em Auburn (150m de altitude). Com exceção dos anos de 1959 e 1960, todas as provas foram vencidas por cavalos Árabes ou seus mestiços(cruza), e em 1977, a recordista, foi uma égua Árabe de nome BLAZE, que apesar dos seus 15 anos de idade, fez os 160 km em 9 horas e 29 minutos. No Brasil, em 1979, em uma prova de resistência, em Campos do Jordão, participaram cavalos de várias raças, e a referida prova foi vencida por NEDJED, garanhão Árabe que percorreu o percurso de 56km no tempo de 50 minutos na ida e 55 minutos na volta(fonte: revista Hippus-artigo de Silveira Neto).

    RUSTICIDADE

    O deserto já não oferecia alimentação e água em abundância, havia uma seguida alternância de locais devido ao caráter nômade dos beduínos, a temperatura durante o dia é elevada e a noite, vertiginosamente baixa.

    INTELIGÊNCIA

    Em face das constantes guerras, os beduínos não tinham tempo disponível para seu treinamento mais longo, adequado; mas a sua capacidade de aprendizado superava estas deficiências de seus donos. Cita-se a lenda sobre a inteligência do cavalo Árabe; em que um Sheik que possuía aproximadamente 200 reprodutoras; resolveu fazer uma experiência para uma futura seleção de seu plantel.

    Durante um certo período, condicionou todas as suas 200 reprodutoras a obedecerem o toque de trombetas como ordem de recolher diariamente como de costume. Após este perfeito condicionamento; deixou estas 200 reprodutoras presas durante 5 dias aproximadamente, sem tomar água; e no 6º dia, o Sheik ordenou que as reprodutoras fossem soltas para irem beber água no riacho existente nas proximidades do haras; quando todas as reprodutoras estavam na metade do caminho ,ordenou que tocassem as trombetas e somente 20 reprodutoras retornaram ao seu alojamento, como de costume.

    Então, o Sheik descartou todas as outras matrizes e iniciou uma nova criação com estas 20 reprodutoras que obedeceram ao toque das trombetas.

    Cavalo Árabe

    DOCILIDADE

    Devido ao problema da alternância de temperatura do deserto, os beduínos protegiam suas montarias do frio e do vento; para tanto, destinavam uma parte de suas tendas, juntamente com suas esposas, filhos e ele próprio; para a proteção dos seus animais.
    E na sequência, o Puro Sangue Inglês.

    Fonte: www.acpccp.com.br

    Cavalo Árabe

    A mais antiga raça de cavalos e considerada uma das mais nobres foram difundidas em todo o mundo principalmente através das invasões muçulmanas na Europa e dos ataques das cruzadas nos séculos XII e XIV.

    De conformação elegante e nobre linhagem, o cavalo Árabe é bastante usado no melhoramento de outras raças e até de cavalos comuns.

    Originaria do oriente médio a raça foi introduzida no Brasil entre 1930 e 1950 pelo governo que pretendia aumentar sua cavalaria no Estado do Rio Grande do Sul. No entanto, foi só a partir de 1975, depois de ter fundado no ano de 1964 a Associação Brasileira dos criadores do cavalo Árabe - ABCCA, que o Dr. Aloysio Faria realizou as primeiras importações de cavalos Árabes que possuíam grande qualidade, fator que ajudou a difundir a raça no país.

    Atualmente, a raça Árabe é uma das que atingem os valores mais altos em leilões e coberturas. Para se ter uma idéia, um bom animal custa em média oito mil dólares, sendo que os campeões são vendidos por pequenas fortunas.

    Com as oscilações da economia, as importações da raça também sofreram variações nos últimos anos. O Brasil passou a produzir mais e acabou fazendo uma boa troca: a da quantidade pela qualidade.

    Desta forma, os animais brasileiros obtiveram sucesso entre as criações do mundo inteiro e hoje a produção do cavalo Árabe no país é reconhecida internacionalmente, com a posição de terceiro maior criador do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e Canadá.

    CARACTERÍSTICAS

    Os cavalos Árabes costumam apresentar pelagem castanha, alazã e tordilha e possuem aptidão para hipismo rural, enduro,trabalho e lazer.

    Um macho pesa entre 400 e 500 quilos e mede cerca de 1,48 a 1,52 metro.Já a fêmea atinge o peso entre 350 a 450 quilos, com altura semelhante ao macho.

    HISTÓRIA

    A Raça de cavalo árabe é originária de reprodutores selvagens dos desertos da Arábia descritos na bíblia há mais de 2200 anos. Naquele tempo os impérios militares Caldeus, Persas, Hititas e Assírios, em lutas freqüentes com os beduínos.

    Com a decadência desses impérios militares, os cavalos eram capturados pelos beduínos que já percebiam seu potencial. Desta forma, os cavalos de guerra da raça Andaluzes se miscigenaram com os selvagens árabes através do século formado os grupos dos beduínos que migravam constantemente em busca de alimentos.

    Estes séculos de migração e muita liberdade causaram a transformação pela necessidade de adaptação ás privações e clima desértico, formado as características básicas do Puro-Sangue Árabe.

    O aperfeiçoamento da raça ocorreu em um fértil planalto da península Arábia quando ali se fixaram por bom tempo, área estas que se transformou em deserto no decorrer dos anos.

    Ainda antes da era cristã, cavalos eram levados da Arábia para o Egito aonde eram muito apreciados por suas qualidades de força, rapidez e resistência.

    Assim a criação seguiu restrita por um longo período ao oriente. A partir do século XII, os sultões turcos que dominaram o Egito e grande parte de áreas cruciais de comércio entre ocidente e oriente como Constantinopla, tendo contatos com essas montarias formidáveis, incentivaram seu haras.

    E foi através destas rotas de comércio que os cavalos árabes foram se espalhando pelo mundo.

    Dentre as criações da raça que se ramificaram, as mais importantes são: a egípcia, a polonesa, a inglesa, a russa e a americana. Esta última devido ao poder aquisitivo, empenho e paixão possuem hoje uma das melhores criações de cavalos Árabes do mundo.

    PREPOTÊNCIA GENÉTICA

    Os três mil anos de seleção e aprimoramento do cavalo Árabe proporcionaram-lhe um poder genético incomparável.

    A partir da idade média, garanhões árabes foram exportados para quase todas as partes do mundo, dando origem a outras raças e regenerando plantéis inteiros de cavalos. Assim nasceram o puro-sangue inglês, o Orloff, cavalo de sela francês, o Alter, Trackener, Hanoveriano, o Quarto-de-Milha, só para os mais conhecidos.

    Ate hoje o sangue Árabe ainda é utilizado para melhorar raça, transferindo refinamento, resistência, inteligência e outras qualidades. Uma das funções mais importantes do reprodutor Árabe no Brasil é regeneração de cavalos de trabalho e esportes através da mestiçagem. Criações do interior de São Paulo, Minas, Goiás e Mato Grosso do Sul têm conseguido verdadeiros milagres ao colocarem o sangue Árabe em suas eguadas.

    RUSTICIDADE E RESISTÊNCIA

    Povos nômades e guerreiros, os beduínos procuravam por um animal que os ajudasse em sua luta contra a inclemência do deserto e lhe conferisse poder nas batalhas.

    Foram necessários mais de três milênios de seleção para se chegar ao cavalo de guerra do deserto: o cavalo Árabe, capaz de resistir a prolongados períodos de trabalho intenso com o mínimo de cuidado e alimentação.

    Essas qualidades persistem em seu fenótipo e são reconhecidas até hoje, através de competições de longo percurso no EUA e na Europa. No Brasil, onde essas provas começam a ser realizadas, o puro sangue Árabe se destaca sempre nas primeiras colocações.

    No trabalho da fazenda, os criadores se surpreendem com a produtividade diária do Árabe, capaz de pronta recuperação após um dia inteiro de atividade.

    A LENDA DA CRIAÇÃO DO CAVALO ÁRABE NO MUNDO

    Percorrida ALAH o mundo, logo após a criação, quando ao passar sobre o deserto ouviu os gritos e choro do beduíno. Ao pergunta-lhe por que assim chorava, respondeu-lhe o árabe: -Ide as riquezas que todos os outros povos ganharam e para mim só tocou areias

    Percebendo ALAH que não havia sido equânime na distribuição das benesses da terra disse-lhe: -Pois não chores mais, vou compensar-lhe dando um presente que não dei a povo algum.

    E tomando com a mão direita o vento sul que passava, falou: -Plasma-te, ó vento sul! Vou fazer de ti uma nova criatura. Serás o meu presente, e o símbolo de meu amor a meu povo. Para que sejas único e que nunca te confundam com bestas, terás: o olhar da águia, a coragem do leão e a velocidade da pantera.

    Do elefante dou-te a memória, do tigre a força, da gazela a elegância.

    Teus cascos terão a dureza do sílex e teu pêlo à maciez da plumagem da pomba. Irás saltar mais do que o gamo, e terás do lobo o faro.

    Serão teus, à noite, os olhos do leopardo, e te orientarás como o falcão, que sempre volta à sua origem. Serás incansável como o camelo, e terás do cão o amor ao seu dono.

    E finalmente, Hissam (o cavalo), como um presente meu ao fazer-te Árabe, doute para o todo sempre e para que sejas único: a beleza da Rainha e a majestade do Rei .

    Fonte: www.revistadaterra.com.br

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