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Rouxinol

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Maio. A Primavera está ao rubro e neste preciso momento – em que escrevo ou em que você lê este texto – as nossas amigas aves já estão empenhadas em cuidar da sua prole, satisfazendo assim uma das mais elementares leis da Natureza: a perpetuação da espécie.

Esta primeira “homenagem” é dedicada, precisamente, a uma ave migradora que, voando centenas de quilómetros, se desloca desde o continente africano até ao europeu, para aqui nidificar.

Chegando a Portugal em finais de Março, trata-se de uma ave muito discreta (já que raramente se deixa ver) mas cuja presença é facilmente detectada (pois o seu canto facilmente a denuncia). Esta aparente contradição deve-se ao facto de ser uma ave frequentemente ouvida e raramente observada.

Preferindo como habitat pequenas matas ao longo das margens de rios e ribeiros, frequentando silvados, arbustos e bosques húmidos, é a partir daí, escondido nos recônditos da vegetação, que nos enche ouvidos e alma com o seu canto, escutado durante o dia e, sobretudo, bastante depois de anoitecer. Este último facto, levou a que muitos noctívagos (dos quais destaco os poetas românticos) o encarassem não só como fonte de inspiração, mas também como confidente de desventuras amorosas e existenciais.

Provavelmente, já saberá a que ave dedico este artigo, verdade? Trata-se, pois, do Rouxinol (luscinia megarhynchos). Como ave muito furtiva que é, deixo-lhe, contudo, duas ou três dicas para a sua identificação:

A primeira, é sem dúvida o seu canto: forte e muito melodioso. Numa das próximas noites, quando tiver oportunidade de se deslocar pelo nosso meio rural, experimente dirigir-se até junto de um qualquer curso de água com vegetação densa e, no silêncio da noite, com certeza ouvirá um dos mais magníficos cantos de aves;

Uma outra, diz respeito à sua descrição. Trata-se de uma ave com cerca de 16-17 cm, cujas partes superiores são de um castanho-ferrugíneo, as inferiores bege e com uma cauda arredondada e de um ruivo vivo;

Por fim, e já no que se refere à sua observação, garanto-lhe que a melhor maneira de poder ver a nossa “avis rara”, será permanecendo imóvel e em silêncio nas imediações do arbusto ou do silvado em que a ave se encontra. A sua curiosidade leva-lo-á a procurar verificar qual o ser que o perturba.

E quanto ao nosso luscinia megarhynchos, por agora, nada mais. Espero que vá dando pela sua presença e, caso não o consiga observar, lembre-se que pode sempre consultar o nosso link de “FOTOS” e comprovar o quão difícil é o contacto visual – quanto mais fotográfico – com esta singular ave, da qual apenas encontrará um único e quase exclusivo registo.

MiguelGaspar

Fonte: www.geocities.com

Rouxinol

Luscinia megarhynchos

Um cantor notável

Na famosa história de Andersen, O Rouxinol, o canto desse pássaro era tão belo que quem o ouvisse jamais o esqueceria.

O rouxinol sempre foi conhecido pela pureza de suas notas e pela variedade de sua melodia. Aristóteles escreveu sobre ele 2.000 anos atrás.

De abril a março seu canto é ouvido na Europa, dia e noite, embora a ave seja vista geralmente apenas ao anoitecer. Quando os filhotes nascem, o macho pára de cantar e ajuda a cuidar deles.

O rouxinol-comum é um passarinho que passa o inverno na África tropical. No verão alguns bandos atravessam a Europa central e meridional em direção à Inglaterra; outros vão par o Cáucaso e para a Ásia Menor.

Este visitante de verão faz seu ninho num mesmo território ano após ano. O rouxinol é uma ave solitária, que raramente ataca outras aves e até mesmo evita sua companhia. Vive perto de casas somente se estas forem isoladas; ele parece detestar o barulho das cidades grandes. O rouxinol-japonês, que vive no sopé do Himalaia, pertence a uma outra família 

Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Passeriformes
Família: Turdidae

CARACTERÍSTICAS

Comprimento: cerca de 17 cm
Plumagem: marrom por cima, branca por baixo, cauda vermelha
Alimentos: insetos, vermes, aranhas
Uma ninhada de 4 a 6 filhotes por ano
Período de incubação: 13 dias

Fonte: www.achetudoeregiao.com.br

Rouxinol

Rouxinol
Rouxinol comum (Luscinia megarhynchos)

O rouxinol (Luscinia megarhynchos) ou filomela (do grego Philomêla, “amiga dos rebanhos”) é um passarinho da família dos Muscicapideos, restrito ao Velho Mundo. Seu nome em português vem do provençal antigo roussinhol, derivado do latim vulgar lusciniolus. É chamado nightingale em inglês; ruiseñor em castelhano; reiseñor em galego; nachtegaal em holandês; rossignol em francês; Nachtigall em alemão; usignolo em italiano; näktergal em sueco; a?d??, aêdon em grego; solovej em russo; bülbül em turco, uguisu em japonês.

No Brasil, não existe o verdadeiro rouxinol europeu, mas o nome de rouxinol é dado a aves nativas como o corrupião (Icterus jamacaii croconotus) e encontro (Icterus cayanensis); no Maranhão, à cambaxirra (Troglodytes aedon) e na Bahia, ao garrinchão-de-bico-grande (Thryothorus longirostris).

A Ave

O rouxinol tem uma plumagem discreta, acastanhada e mortiça. Os adultos são castanho-avermelhados na parte superior, cor que se funde com tons creme na parte inferior. Os juvenis são mais claros na parte superior e apresentam um escamado na parte inferior. Têm olhos grandes e pretos, realçados por um fino anel branco. A cauda é castanha-avermelhada, alongada e arredondada e as patas são longas e robustas. Mede 16 a 17 cm e pesa 18 a 27 gramas.

Frequenta charnecas, matas, bosques, parques e jardins. Visita toda a Europa no verão (salvo o extremo norte) e migra para a África, até à latitude do norte de Angola, de julho-agosto a março-abril. Encontra-se também em toda a Ásia, migrando no inverno para sul. Passa muito tempo no solo em busca de alimento, principalmente insetos que captura no solo ou na vegetação baixa. Por vezes come também bagas. É uma ave solitária, exceto na época de reprodução, em que os casais se juntam até as crias se tornarem autônomas.

Rouxinol
A Lição do Rouxinol, de Philipp Otto Runge (1804-5). Refere-se a uma ode do poeta Friedrich Klopstock, na qual Psique ensina Eros a cantar em um carvalho à tarde, a hora na qual os rouxinóis começam a cantar

O macho é um excelente cantor, com extenso reportório, com trinados fluidos terminando em crescendo. É normalmente ouvido depois do escurecer, sendo um dos poucos pássaros a cantar à noite (em inglês é por isso chamado de nightingale, “cantora noturna”), quando seu canto se torna mais notável pela ausência de outros pássaros canoros, mas também se ouve com frequência durante o dia. Fica quase sempre oculto pela vegetação, embora por vezes o macho se empoleire a descoberto para cantar.

Rouxinol
Tereu confrontado com a cabeça do filho Ítis, de Pieter Pauwel Rubens (1636-38)

A fêmea põe 4 a 5 ovos azuis claros com manchas avermelhadas, numa só postura entre maio e junho que são incubados pela fêmea durante 13 a 14 dias. O ninho em forma de taça, é feito num arbusto baixo ou mesmo no solo, quase nunca acima de 30 cm. As crias têm a penugem completa ao fim de 11 dias mas só se tornam independentes ao fim de mais 3 semanas.

Rouxinol no Mito e folclore

O rouxinol é famoso em toda a Europa e Ásia pela perfeição de seu canto. Foi, segundo Platão, o emblema de Tamiras, bardo da Trácia antiga.

É particularmente apreciado no Japão, onde seu canto é tido como capaz de repetir o título do Hokekyo, o Sutra do Lótus da Boa Lei (Saddharmapundarika-sutra), especialmente caro à seita Tendai.

Na famosa cena 5 do 3º ato de Romeu e Julieta, o rouxinol, como cantor do amor na noite que finda, é oposto à cotovia como mensageira da aurora e da separação. Se os dois amantes escutam o rouxinol, permanecem unidos, mas expõem-se à morte. Se crêem na cotovia, salvam suas vidas, mas devem separar-se.

Pela beleza de seu canto, que enfeitiça as noites de vigília, o rouxinol é o mágico que faz esquecer os perigos do dia.

John Keats exprimiu essa melancolia engendrada pelo canto, não obstante tão melodioso, do rouxinol. A perfeição da felicidade que ele evoca parece tão frágil ou tão remota, na sua excessiva intensidade, que torna mais intolerável o sentimento doloroso de sermos incapazes dela, ou de ficarmos privado dessa ventura, pela chegada fatídica do Sol (Ode a um Rouxinol).

Esse pássaro, que é para todos os poetas o cantor do amor, mostra, de modo impressionante, em todos os sentimentos que suscita, o laço íntimo entre o amor e a morte.

Rouxinol
Filomela e Procne, de Elizabeth Gardener Bouguereau (1837-1922)

Filomela

Segundo um mito grego, Filomela (“amiga dos rebanhos”) e Procne (de perknos, “pintada”, “manchada”), eram filhas de Pandíon (“Todo-divino”), rei de Atenas. Tendo havido guerra, por questões de fronteira, entre Atenas e Tebas, comandada esta última por Lábdaco, Pandíon solicitou o auxílio do rei da Trácia Tereu (“Vigilante”) e com sua ajuda conquistou a vitória.

O soberano ateniense deu ao aliado sua filha Procne em casamento, com a qual teve um filho, Ítis (em grego Itys, onomatopéia do canto do rouxinol). Mas o trácio apaixonou-se pela cunhada Filomela. Convenceu-a a viajar até a Trácia, violou-a e, para que ela não pudesse dizer o que lhe acontecera, cortou-lhe a língua. A jovem, todavia, bordou numa tapeçaria o próprio infortúnio e assim conseguiu transmitir à irmã a violência de que fora vítima.

Procne, enfurecida, resolveu castigar o marido: matou o filho Ítis e serviu-lhe as carnes ao pai. Em seguida, fugiu com a irmã. Inteirado do crime, Tereu, armado com um machado, saiu em perseguição das filhas de Pandíon, tendo-as alcançado em Dáulis, na Fócida. As jovens imploraram o auxílio dos deuses e estes, apiedados, transformaram Filomela em andorinha, que é muda e Procne em rouxinol, que canta ity, ity, lembrando o filho perdido. Tereu foi metamorfoseado em mocho e pia à noite puu, puu, que em grego significa “onde?”, “onde?”. Em outra versão, os papéis de Filomela e Procne são trocados, inclusive quanto às suas transformações – razão pela qual o rouxinol tem também o nome poético de “filomela”.

Há ainda outra versão do mito, de origem milésia, na qual Filomela é chamada Aédon (“rouxinol”, em grego) e Ítis nada sofreu.

Referências

Junito de Souza Brandão, Dicionário Mítico-Etimológico da Mitologia Grega, Vozes, Petrópolis 2000

Fonte: pt.fantasia.wikia.com

Rouxinol

 

Luscinia megarhynchos

Nas noites de Primavera, o canto interminável do rouxinol faz-se ouvir durante toda a noite.

Rouxinol

Identificação

Castanho e algo incaracterístico, o rouxinol-comum não é uma ave muito fácil de identificar visualmente. A longa cauda arruivada, visível sobretudo em voo, contrasta com os tons acastanhados do dorso. É sobretudo pelo canto que o rouxinol-comum se faz notar e pode ser identificado. Este canto é muito variado, contendo diferentes sequências de notas. Uma das mais características é o “tu-tu-tu-tu-tu” em crescendo.

Abundância e calendário

O rouxinol-comum é bastante frequente em Portugal, mas a sua abundância apresenta com importantes variações a nível regional. Assim, no litoral norte e centro é escasso, mas no interior norte e centro é muito abundante, tal como no litoral sul e em certas zonas do Algarve.

Esta espécie esconde-se geralmente no meio de vegetação densa e raramente pousa à vista. No norte frequenta todo o tipo de matagais, ao passo que no Alentejo ocorre principalmente ao longo de rios e ribeiras, onde a vegetação é mais densa. O rouxinol-comum é estival, fazendo ouvir o seu canto a partir de finais de Março ou princípios de Abril.

Em Junho começa a calar-se e em Agosto abala rumo a África.

Onde observar

Pode ser visto e ouvido de norte a sul do país, sendo particularmente comum nas regiões do interio.

Entre Douro e Minho

Muito escasso nesta região, ocorre em números reduzidos na serra da Peneda.

Trás-os-Montes

O rouxinol-comum é muito numeroso em Trás-os-Montes e é frequente nas serras da Coroa e de Montesinho, bem como na região de Miranda do Douro.

Litoral centro

Pouco abundante nesta região, observa-se com mais facilidade na serra dos Candeeiros.

Beira interior

O rouxinol-comum é abundante nesta região; alguns dos locais onde é mais fácil de encontrar incluem as zonas de Celorico da Beira e Sabugal. Também ocorre no Tejo Internacional.

Lisboa e vale do Tejo

Bem distribuído mas pouco abundante; os melhores locais de observação situam-se na zona de Coruche, no estuário do Tejo (Pancas) e na serra da Arrábida; durante as passagens o rouxinol-comum também ocorre no cabo Espichel.

Alentejo

Comum e bem distribuído, sobretudo ao longo de linhas de água; no norte alentejano está presente nas zonas de Castelo de Vide, Marvão e Elvas; ocorre também nas zonas de Montargil e da Ribeira do Divor; mais para sulocorre no estuário do Sado, na serra de Grândola e na zona da barragem de Odivelas.

Algarve

Na época de reprodução ocorre principalmente no interior (serras de Monchique e do Caldeirão), ao passo que na passagem migratória ocorretambém junto à costa (por exemplo no cabo de São Vicente e na ria de Alvor).

Fonte: www.avesdeportugal.info

Rouxinol

Luscinia megarhynchos

Rouxinol

O rouxinol é um excelente cantor, sendo mais frequentemente ouvido do que observado. O seu canto é uma extensa canção de longos trinados fluidos, com um piiuu no começo, que terminam em crescendo.

É normalmente ouvido depois do escurecer, mas também se ouve com frequência durante o dia. Está quase sempre oculto pela vegetação, embora por vezes o macho se empoleire a descoberto para cantar um pouco após a sua chegada.

Quando canta, abre a cauda. Os adultos são castanho avermelhados na parte superior, cor que se funde com tons creme na parte inferior.

Os juvenis são mais claros na parte superior e apresentam um escamado na parte inferior. Mede 16/17 cm e alimenta-se sobretudo de insectos. Nidifica entre Maio e Junho num ninho em forma de taça, numa árvore, onde põe entre 4 e 5 ovos com manchas avermelhadas, que são incubados pela fêmea durante 13/14 dias.

Fonte: www.bragancanet.pt

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